Levantamento realizado em 191 escolas mostra que 20,4% dos estudantes entrevistados já fizeram apostas online, mesmo com a proibição para menores de idade; Leandro Moreno começou aos 17 anos depois de acompanhar lives e apostar com amigos
por
Luciano Carvalho
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01/10/2026 - 12h

Cinco amigos, cerca de R$ 10 de cada um e uma múltipla de futebol. Foi assim que Leandro Moreno fez sua primeira aposta, quando ainda tinha 17 anos. O grupo perdeu os aproximadamente R$ 50 colocados naquela aposta e, para quase todos, a experiência terminou ali. Mas Leandro decidiu continuar.

"Nois colocou uns 10 reais, perdeu e os caras largaram. Mas eu fiquei maluco. Aí fui e coloquei 50 conto pra recuperar tudo que o pessoal tinha perdido”, conta.

O caso de Leandro ajuda a colocar uma história por trás de um número divulgado no dia 10 de setembro pela Frente Parlamentar Mista da Educação. Um levantamento feito em parceria com o Equidade.info ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas e mostrou que 20,4% dos alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio já fizeram apostas online. Aos 17 anos, idade em que Leandro começou, esse número chega a 32,3%. Entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, 49,7% afirmaram já ter apostado.

Mas existe uma contradição nesses números. A utilização de plataformas de apostas por menores de 18 anos é proibida no Brasil. A regulamentação prevê punições para os operadores e determina que as empresas autorizadas façam identificação dos apostadores, inclusive com reconhecimento facial e prova de vida.

Antes da aposta, vieram as lives

Leandro já conhecia esse universo antes de colocar dinheiro pela primeira vez. Ele acompanhava streamers e influenciadores que faziam conteúdos relacionados a cassino e apostas, principalmente junto com os próprios amigos.

"Eu sempre vi muita live e o Yuri começou a fazer live de cassino, muito mais do que de gameplay. Então eu gostava de assistir e eu ficava assistindo as lives do Yuri junto com os moleques. Então a gente começou junto, a gente decidiu ali junto, naquele dia, que a gente ia fazer uma, porque o Yuri tinha mostrado na live uma múltipla que ele fez e nois copiou.”

O fácil acesso às plataformas digitais pode exacerbar o risco de vício em uma comunidade altamente conectada como a universitária (Foto: Marco Cavalcanti)
O fácil acesso às plataformas digitais pode exacerbar o risco de vício em uma comunidade altamente conectada como a universitária (Foto: Marco Cavalcanti)

Apesar de ser menor de idade, Leandro conta que sabia que aquele conteúdo não era destinado para ele. Segundo ele, os próprios streamers repetiam os avisos para maiores de 18 anos. A proibição, porém, não era vista pelo grupo como uma grande dificuldade.

“Os caras falam toda hora que é pra maiores de 18. Só que não é muito difícil de jogar, sabe? No chat mesmo todo mundo conversava sobre, pedia o CPF da mãe, do pai e fazia o login e criava a conta. Era muito fácil.”

Hoje, para operar legalmente no Brasil, as plataformas precisam exigir dados do usuário e mecanismos de identificação. O apostador também deve cadastrar uma conta bancária ou de pagamento em seu próprio nome, e as empresas não podem aceitar depósitos feitos por contas de terceiros.

A experiência relatada por Leandro aconteceu antes do modelo atual de regulamentação estar totalmente estabelecido, mas o levantamento da Frente Parlamentar mostra que o problema não desapareceu. Crianças e adolescentes continuam relatando contato com as apostas mesmo depois do endurecimento das regras.

O próprio Guilherme Lichand, professor da Universidade Stanford e responsável pela supervisão da pesquisa, levantou essa dúvida ao divulgar os resultados: “Como crianças e adolescentes descobrem essas plataformas? Como contornar as restrições de idade?”

Quando perder vira motivo para continuar

No caso de Leandro, a primeira derrota não serviu para afastá-lo. Depois que os amigos perderam os R$ 10 de cada um, ele colocou sozinho aproximadamente o que todos haviam apostado juntos para tentar recuperar o prejuízo.

A psicóloga Vivian Bandeira explica que o círculo social pode ter um peso importante nesse tipo de comportamento, principalmente entre os jovens.

“Quando uma prática é constantemente apresentada por pessoas com as quais o jovem se identifica, seja por amigos ou por figuras que ele acompanha nas redes, existe uma tendência de normalização daquele comportamento. Ele deixa de enxergar aquilo como algo distante ou excepcional”, explica.

No caso de Leandro, não existia apenas a influência das pessoas que acompanhava pela internet. Os próprios amigos consumiam aquele conteúdo e decidiram começar a apostar juntos.

Vivian também destaca que o comportamento da pessoa dentro de um ambiente de aposta pode ser diferente daquele apresentado normalmente no dia a dia.

“Existe uma expectativa de recompensa muito intensa. Mesmo uma pessoa que não demonstra uma busca exagerada por dinheiro no cotidiano pode, dentro daquele ambiente, entrar em uma lógica de querer ganhar mais ou recuperar imediatamente aquilo que perdeu.”

A tentativa de buscar o dinheiro de volta é um comportamento também apontado por outros profissionais. A psiquiatra Giovanna Quinet afirmou à Agência Brasil que uma pessoa pode começar a perder mais dinheiro e aumentar o valor das apostas justamente tentando recuperar o prejuízo anterior.

Das apostas esportivas para o pôquer

Com o tempo, a forma como Leandro jogava também mudou. As apostas esportivas perderam espaço e o pôquer passou a ser a principal atividade. Hoje, ele joga tanto online quanto presencialmente e já participou de torneios.

“Poker é o que eu jogo hoje. Já fui até jogar presencial. Às vezes eu jogo online também pra treinar. Mas cassino hoje eu uso mais como treino de mentalidade. Aposta esportiva eu larguei.”

Leandro se define atualmente como uma pessoa viciada em pôquer. Mesmo assim, existe uma diferença entre essa prática e as apostas esportivas quando se fala especificamente da regulamentação das bets. O pôquer, por envolver habilidade entre os participantes, não entra da mesma maneira na modalidade de aposta de quota fixa regulamentada pelo governo.

Mas a relação de Leandro com apostas não ficou marcada apenas pela mudança do tipo de jogo. Ao longo dos anos, ele teve períodos de ganhos e perdas e conta que chegou a perder valores maiores do que pretendia e um desses momentos aconteceu quando colocou R$ 3 mil em uma aposta.

“Eu já não tava aguentando mais. Eu tava perdendo muito dinheiro naquela época. Aí teve um dia que eu coloquei 3 mil e eu perdi. Aí eu fui falar com a minha mãe, contei sobre todos os meus vícios em aposta e prometi pra ela que eu não ia mais jogar.”

O valor não foi necessariamente a maior perda que Leandro já teve, mas marcou um momento em que ele decidiu mudar sua relação com as apostas esportivas. Desde a conversa com a mãe, ele afirma que deixou de apostar da mesma maneira que fazia anteriormente.

As apostas também mudaram o futebol

O futebol foi a porta de entrada para a primeira aposta de Leandro, mas também acabou sendo afetado pela relação que ele criou com o dinheiro.

Corintiano, ele percebeu principalmente isso quando começou a colocar dinheiro em jogos do próprio clube.

“Eu nunca gostei muito de apostar no Corinthians. Porque quando o Corinthians perdia e eu tinha apostado, ficava mais puto ainda, dobrava a raiva e me afastava um pouco até do time. Eu ficava com raiva do time a semana inteira. Então acabou misturando muito e eu parei de apostar no Corinthians.”

 A experiência de Leandro começou antes dos 18 anos, idade em que ele legalmente ainda não poderia utilizar uma plataforma de apostas. Mas o caso dele está longe de ser isolado. O levantamento divulgado pela Frente Parlamentar da Educação mostra que um em cada cinco estudantes entrevistados já teve algum contato com apostas online.

As regras atuais aumentaram as exigências para identificar quem está apostando e também endureceram restrições de publicidade para crianças e adolescentes. Mesmo assim, os números mostram que o acesso de menores continua sendo um problema.

 Por isso, a principal questão levantada pela pesquisa não é apenas quantos jovens estão apostando, mas como eles chegam até esse ambiente tão cedo. No caso de Leandro, o caminho passou por lives, amigos, futebol e uma primeira aposta de R$ 10. Depois vieram valores maiores, outros tipos de jogo e uma relação com as apostas que começou ainda antes da idade permitida.

Acusações de corrupção e tráfico de influência vem à público e abala campanha do senador
por
Vitória Teles
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29/09/2026 - 12h

Nesta terça-feira (29), o empresário Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e ex-amigo de Flávio Bolsonaro (PL), tornou públicos detalhes da relação que manteve com o senador. A reportagem exclusiva da PlatôBR, realizada pelo jornalista Rodrigo Rangel, mostra que Santini apresentou mensagens, fotografias e registros de encontros privados com garotas de programa à esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro.

De acordo com a reportagem, o rompimento ocorreu em meio a uma disputa financeira que envolvia uma parceria comercial, que surgiu no início dos anos 2000, no Rio de Janeiro, por intermédio de amigos em comum. Alexandre entrou em conflito com Flávio ao cobrar judicialmente cerca de R$1,4 milhão, que afirma ter a receber da antiga sociedade.

A parte mais sensível das declarações de Alexandre Santini envolve o STF. Segundo as reportagens, Santini enviou uma mensagem a Flávio em 2023 demonstrando ter conhecimento sobre uma suposta atuação do senador em favor de um cliente de Alan Belaciano, que teria um processo em andamento no gabinete do ministro Kassio. A mensagem fazia parte de uma série de cobranças e acusações trocadas durante a disputa financeira entre os ex-sócios.

Mensagens enviadas por Santini, em que o ex-sócio afirma que Flávio teria atuado a favor de um cliente de Belaciano. Foto: Reprodução/PlatôBR
Mensagens enviadas por Santini, em que o ex-sócio afirma que Flávio teria atuado em favor de um cliente de Belaciano. Foto: Reprodução/PlatôBR

Outro registro que chama atenção nessas revelações feitas por Alexandre Santini é a respeito de um Rolex, relógio de luxo, supostamente pago por um terceiro próximo de Flávio Bolsonaro. O objeto de alto valor, avaliado em mais de R$300 mil, foi comprado em fevereiro de 2022 pelo advogado Alan Belaciano. De acordo com a reportagem, o relógio foi adquirido para uso pessoal de Flávio.

A reportagem também menciona outras despesas. Segundo relatos publicados, Belaciano também arcou com outros gastos atribuídos ao senador, como por exemplo: equipamentos de academia instalados na residência de Flávio, em Brasília, com valor estimado em R$90 mil. Sobre os aparelhos para exercícios, o candidato à Presidência já havia afirmado anteriormente que se tratava de um “empréstimo pessoal”.

Entre os registros conservados pelo ex-sócio estão fotografias, recibos e trocas de mensagens por aplicativos que detalham a organização de encontros privados em hotéis de luxo, no Rio. Nas mensagens, Santini combina encontros particulares e faz referências à participação de Flávio, identificado pelo termo “meu filho” por Santini. Em busca de recuperar valores que alegava ter direito, Santini apresentou o acervo diretamente à esposa do senador, a dentista Fernanda Bolsonaro.

Prints de conversas em que Alexandre se refere a Flávio como “meu filho”. Foto: Reprodução/PlatôBR
Prints de conversas em que Santini se refere a Flávio como “meu filho”. Foto: Reprodução/PlatôBR

O episódio teria causado um grande abalo na vida conjugal do senador durante a campanha eleitoral de 2022. Em uma mensagem posterior a Santini, Flávio confessou ter feito "muitas escolhas erradas” e que não pretendia cometer os mesmos erros com sua família. O senador também teria pedido para que o ex-sócio deixasse Brasília e interrompesse o contato com Fernanda.

Flávio Bolsonaro em entrevista coletiva, em abril de 2026. Foto: Flickr/Ton Molina/ Agência Senado
Flávio Bolsonaro em entrevista coletiva, em abril de 2026. Foto: Flickr/Ton Molina/ Agência Senado 

Além da franquia de chocolates Bolsotini Chocolates e Café Ltda, ligada à marca Kopenhagen, Santini manteve proximidade com o candidato à Presidência por quase 20 anos, desde 2001 quando ambos foram apresentados por amigos em comum. Desde então, Santini participou de viagens e eventos privados da família Bolsonaro.

A empresa de chocolates ganhou notoriedade anos depois, quando foi citada em um esquemas de “rachadinhas” envolvendo o antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O Ministério Público do Rio de Janeiro apurava suspeitas de que o estabelecimento pudesse ter sido usado para movimentar ou ocultar recursos supostamente obtidos por meio do esquema investigado.

Guerra de ofícios entre ministros do STF mostra como as instituições democráticas podem ser corrompidas pelo capital financeiro
por
Isabella Damião
Isabela Sallum
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24/09/2026 - 12h

O primeiro envolvido

O primeiro dia de setembro foi marcado pela divulgação de mensagens trocadas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. 

Os prints, obtidos pela Polícia Federal no celular apreendido de Vorcaro, mostram que os dois combinavam de se encontrar dois dias antes da prisão do banqueiro, em 17 de novembro de 2025. "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?", questiona Vorcaro a Moraes, em 16 de novembro. Entre as mensagens, Vorcaro discute com Moraes, também, o andamento da investigação do Banco Master. Como as conversas foram feitas por mensagens temporárias, a PF não conseguiu acessar as respostas de Moraes. 

Mensagens recuperadas pela PF de Vorcaro ao Ministro Alexandre de Moraes

Mensagens de Vorcaro supostamente direcionadas a Moraes, recuperadas pela PF. Foto: Reprodução

O envolvimento de Moraes no caso Master já era discutido desde o início da investigação, após a divulgação de mensagens que indicaram um contrato de 130 milhões de reais entre o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro, Daniel Vorcaro. Em nota, o escritório Barci de Moraes negou qualquer envolvimento com Vorcaro em março. 

Além deste primeiro, foi identificado pela PF um segundo contrato entre o e Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro. O segundo contrato, encontrado em trocas de mensagem do ex-banqueiro com seu advogado, Leonardo Palhares, foi dado em 12 de maio de 2025 e firmado entre o escritório Barci de Moraes e a empresa Viking Participações LTDA, que tem Vorcaro como sócio. 

Em  1º de setembro foram divulgados mais arquivos do celular de Vorcaro, entre estes está um contrato de 50 milhões (líquido) que envolvia como forma de pagamento dinheiro, bens móveis ou imóveis associado ao escritório de Viviane, que, por sua vez, se posicionou e negou, mais uma vez, seu envolvimento com Vorcaro: "O escritório possuía somente uma contratação com o Master e nega qualquer transferência ou substituição do contrato. A proposta do Banco Master não foi aceita, nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição."

No dia 9 de setembro, o ministro e presidente do STF, Edson Fachin autorizou a sessão solicitada por Mendonça para iniciar a investigação de Moraes, que ficou marcada para o dia 15 de setembro.

A suposta parcialidade de Mendonça

No dia 2 de setembro, supostos encontros do ministro André Mendonça, relator do caso Master, com Daniel Vorcaro, principal investigado do mesmo caso, foram denunciados em outras conversas do banqueiro, reveladas pela PF. Ainda na mesma manhã, o ministro enviou à imprensa uma nota que confirmava tais encontros e confirmava, ainda, encontros com o advogado do banqueiro. A reunião ocorreu em 14 de março de 2025, em São Paulo, durou cerca de duas horas e foi realizada no endereço de um instituto fundado pelo próprio juiz.

Depois que o encontro entre Mendonça e Vorcaro foi divulgado, a Câmara dos Deputados enviou um pedido ao presidente do STF a respeito da "parcialidade” na condução das investigações de Mendonça. Além disso, Mendonça estaria deixando de lado as investigações acerca do caso "Dark Horse”, que ligaria Flávio Bolsonaro ao Banco Master. 
 

O contra-ataque de Moraes

No dia 4 de setembro, a história se inverteu: foi a vez do ministro Alexandre de Moraes enviar a Fachin um pedido de investigação contra André Mendonça, acusado da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS.

Na noite do dia 14, Moraes afirmou que o colega teria cometido irregularidades processuais ao investigá-lo ao não apresentar pedido formal para a abertura de investigação contra ele nesta Petição (16.662), em manifestação de 121 tópicos entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin.

A partir das investigações de mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro pela Polícia Federal, outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também estão relacionados ao dono do Banco Master. Entre eles está listado André Mendonça, que teve, ao menos, um encontro presencial com Daniel Vorcaro. A reunião ocorreu em 14 de março de 2025, em São Paulo, durou cerca de duas horas e foi realizada no endereço de um instituto fundado pelo próprio juiz.

Quem articulou o encontro entre Mendonça e Vorcaro foi o advogado Ciro Rocha Soares, que em mensagem de áudio enviada ao banqueiro encontrada nas investigações da PF, afirmou estar “trabalhando” para Vorcaro ao levar relator do caso Master no STF em alfaiataria. Documentos evidenciam encontro prévio do advogado com Mendonça sobre uma situação relacionada aos problemas enfrentados pelo Master no Banco Central.

A quem interessa o sigilo?

Em 9 de setembro, o presidente Lula se manifestou em seu perfil oficial do X a favor da quebra do sigilo do Caso Master. 

Presidente Lula solicita transparência no Poder Judiciário. Reprodução: X/@LulaOficial
Presidente Lula solicita transparência no Poder Judiciário. Reprodução: X/@LulaOficial

O sigilo mencionado se trata do sigilo estabelecido por outro ministro do STF, o Dias Toffoli, que restringia documentos, petições e processos do Supremo contra Vorcaro. Toffoli estabeleceu o sigilo em dezembro de 2025 após pedido dos advogados de defesa do banqueiro. 

No dia 10 de setembro, o ministro e presidente do STF, Edson Fachin, solicitou a divulgação do sigilo a Mendonça antes da sessão do dia 15. As informações presentes no sigilo incluíam mensagens de Moraes a Vorcaro, encontros de Vorcaro com a família Bolsonaro e o financiamento do “Dark Horse”. Foram associados ao Vorcaro os senadores Ciro Nogueira (PP) e Jaques Wagner (PT), além do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Mensagens dos ministros Luiz Fux, do STF, e de Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, com o ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, também foram encontradas.

A intersecção entre o STF e o Banco Master

A partir das investigações de mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro pela Polícia Federal, outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também estão relacionados ao dono do Banco Master. Dias Toffoli é um deles, embora o mesmo tenha conduzido o caso Master como relator das investigações no Supremo. Após surgirem indícios de sua proximidade com o entorno de Daniel Vorcaro. A PF encontrou no celular do banqueiro mensagens que mencionam Toffoli e apontou conexões indiretas envolvendo negócios da família do ministro com um fundo ligado ao grupo investigado.

Outro membro do STF encontrado entre os contatos de Vorcaro foi o ministro Gilmar Mendes, segundo conversas extraídas do celular do ex-dono do Banco Master, o escritório de Dalide Corrêa (advogada sócia de Gilmar Mendes) recebeu cobranças de repasses de Daniel Vorcaro. Além disso, segundo apuração da PF, o gabinete de Gilmar Mendes informou que recebeu Vorcaro e advogados do banco em abril de 2024 para tratar do caso, mas disse que Dalide não participou. 

O ministro Kassio Nunes Marques, no mesmo contexto dos demais membros do STF, aparece nas investigações da Polícia Federal por meio de seu filho, Kevin Marques. Mensagens encontradas pela PF mencionam um possível pagamento de R$ 500 mil mensais a Kevin. A empresa pela qual ele prestava serviços teria recebido cerca de R$ 6,6 milhões do Banco Master, segundo informações baseadas em dados do Coaf. Além disso, a PF encontrou um contrato de honorários de até R$ 427 milhões relacionado a 12 processos de precatórios de interesse do Banco Master.

Além destes, Luiz Fux e seu filho, Rodrigo Fux, também aparecem na lista de contatos de Daniel Vorcaro. Em mensagens trocadas em 17 de maio de 2024, foi identificada uma relação de proximidade entre Rodrigo Fux e o banqueiro. Chamam um ao outro de “irmão”, e Rodrigo convida Vorcaro para ir ao seu escritório tomar um café, com direito a “tapete vermelho”. Alguns dias depois, em 24 de maio, mensagens indicam que Vorcaro teria articulado o custeio da viagem de Luiz Fux e de sua esposa a Nova York, incluindo passagens, hospedagem e um almoço em homenagem ao ministro. Fux, porém, nega ter sido convidado por Vorcaro e afirma que a viagem ocorreu a convite da Forbes, onde participou de um evento e proferiu uma palestra.

Os desentendimentos entre os ministros e os documentos que comprovam o envolvimento Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux com Daniel Vorcaro e/ou com o Banco Master colocam em cheque a validade das instituições que visam a manutenção do Estado Democrático de Direito e afunda o país em uma crise política que coloca em xeque a credibilidade das instituições políticas. 

Sob esta perspectiva, a ministra Cármen Lúcia, na sessão do dia 15 de setembro que debatia o curso da investigação do envolvimento dos ministros ao Caso Master, se disse envergonhada pela situação do Supremo Tribunal Federal. “Estou pedindo desculpas ao presidente do Supremo, a todos os colegas, mas ao povo brasileiro, porque realmente queria ter sido melhor em poder ter ajudado a acalmar as coisas e não consegui”, lamentou a ministra.

Ministra Cármem Lúcia no julgamento de Moraes, em 15 de setembro.
Ministra do STF, Cármen Lúcia, em sessão plenária extraordinária. Foto: Rosinei Coutinho/STF

 

As agendas incluem caminhadas, panfletagens, entrevistas, debates e publicações nas redes sociais durante o último mês da disputa
por
Carolina Nader
Kaleo Ferreira
Manuela Abbate Gonçalves
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22/09/2026 - 12h

Durante o último mês da corrida eleitoral, os seis candidatos com os menores índices de intenção de voto intensificam suas participações nas ruas e, principalmente, na mídia. 

 

Clariana Barão (DC) 

Na segunda-feira (14), às 10h, a candidata participou de uma entrevista ao vivo na rádio Metrópole FM Cuiabá, 105,9 FM. Durante a conversa, discutiu suas propostas de governo e enfatizou sua ligação com o estado de Mato Grosso e a importância de representar a região na disputa presidencial. Às 15h do mesmo dia, gravou uma entrevista para a MidiaNews, em Cuiabá, onde chamou a atual gestão do presidente Lula de “publicidade” e o rotulou como um “ator” que não conseguiu cumprir o que promete há duas décadas. Além disso, criticou também Flávio Bolsonaro (PL) e detalhou os atritos públicos e as acusações de misoginia envolvendo Augusto Cury (Avante). 

Na terça-feira (15) Clariana esteve nos podcasts MidiaJur, em Cuiabá (MT) e O Empallador, em Várzea Grande (MT). 

Já na quinta-feira (17), esteve na Feira de Toritama (PE) e foi à Feira de Santa Cruz do Capibaribe (PE), onde defendeu a valorização dos trabalhadores locais por meio de propostas como a redução de custos básicos e a criação de linhas de crédito facilitadas. 

Finalizando a semana, na sexta-feira (18), visitou a feira de artesanato e visitou o bairro Alto do Moura, em Caruaru (PE). 

montagem com Clariana envolta por bandeira do Brasil

Candidata às eleições para presidente em 2026. Foto: Instagram/@clarianabarao 

Edmilson Costa (PCB)

A agenda prevista para segunda-feira (14), no litoral norte de São Paulo, foi cancelada em razão das condições climáticas.

Na terça-feira (15), em Campinas (SP), fez panfletagem no CAPS Reviver e no centro da cidade. À noite, acompanhou o lançamento do documentário "Afrontosa", no Centro de Convivência Cultural. 

Na quarta-feira (16) e quinta-feira (17), Costa participou da caravana com candidatos do PCB em Franca (SP) e em São José do Rio Preto respectivamente.

No dia 18, sexta-feira, passou o dia em São José do Rio Preto, onde fez panfletagem no calçadão e no terminal urbano. 

Hertz Dias (PSTU)

O candidato à presidência fez outra aparição no Jornal Nacional na sexta-feira (11).  Na breve participação, Hertz utilizou seu tempo para apontar que procura criar plataformas públicas para motoristas de aplicativo. A iniciativa seria financiada pelo excedente advindo da estatização de empresas que o candidato caracterizou como “estratégicas”, e teria como objetivo garantir os direitos trabalhistas dos motoristas empregados informalmente por essas plataformas. 

Na segunda-feira (14), Dias concedeu uma entrevista à Band Maranhão. No veículo, o concorrente teve 30 minutos de visibilidade, em que expôs suas propostas. O candidato iniciou a fala explicando sobre a lei das drogas. “A questão das drogas tem que ser considerada como um problema de saúde pública e não como um problema de repressão do Estado. o Estado tem que girar para o setor financeiro se quiser combater as facções criminosas”, ele indica. 

Ao longo da entrevista, Hertz focou em relacionar suas respostas com seus programas de estatização de empresas, de estabelecimento da soberania brasileira e da valorização da classe trabalhadora. Dias também pontuou sobre a crise do STF, afirmando que busca instituir cargos revogáveis, júri popular e um processo de eleição dos parlamentares, visando remediar esse tipo de situação e erradicar a corrupção. 

Na sexta-feira (18), Hertz esteve em um encontro no Partisan da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro. O propósito do evento é discutir sobre o meio ambiente, ao lado de defensores ambientalistas.  

Nessa semana, o candidato também declarou em uma coluna para o Brasil de Fato  apoio ao movimento “Legalize já!”, incluindo-o entre as propostas de governo do PSTU. “Legalizar é retirar do crime organizado e da milícia o controle de um mercado bilionário, e tirar da polícia o pretexto para invadir e matar”, diz. 

Rui Costa Pimenta (PCO)

Na segunda-feira (14), o candidato do PCO dedicou o dia a uma reunião com a coordenação de sua campanha e com candidatos locais em Dourados, no interior do Mato Grosso do Sul.

Essa etapa se insere em um roteiro nacional mais amplo, batizado de “Rui Presidente”, que já passou por Porto Alegre e Belo Horizonte e segue, além de Dourados, rumo a Recife e Curitiba.

Samara Martins (UP)

A candidata vem realizando, nesta última semana, uma série de posts nas suas redes sociais intitulados  “Propostas da UP para mudar o Brasil”. As postagens, até o momento, cobrem os posicionamentos do partido quanto à saúde pública, a jornada de trabalho e a dívida pública. 

Na sexta (18), às 19 horas, Samara participou do seu primeiro debate, organizado pelo Metrópoles. Os dois principais candidatos, Flávio Bolsonaro e Lula, negaram participação. Caiado e Renan Santos desistiram da aparição na véspera do evento, dia 17. O programa contou com Samara, Augusto Cury e Romeu Zema. 

A agenda da concorrente também consta aparição e panfletagem no sábado (19), em Madureira e nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. 

Wilson Grassi (Democrata)

Na segunda-feira (14), o candidato concedeu uma entrevista à Rádio Líder FM, de Pernambuco, onde defendeu a redução do número de ministérios e de cargos comissionados como parte de uma estratégia para cortar gastos públicos e viabilizar sua proposta de redução do imposto de renda.

Questionado sobre proposta de isenção do Imposto de Renda em rendas de até R$ 8 mil por mês, Grassi afirmou que, para compensar a renúncia de receita, seria necessário combinar redução de impostos com cortes de despesas e combate ao que considera desperdícios na administração pública.

Na sexta-feira (18), quando publicou um vídeo em sua conta oficial do Instagram, afirmou que, se eleito, se comprometeria a cancelar o próprio plano de saúde e a utilizar o Sistema Único de Saúde (SUS) durante o mandato. “É um compromisso de campanha que acho que todo candidato deveria assumir. Se eu for eleito, a primeira coisa que irei fazer é cancelar o meu plano de saúde e utilizar somente o SUS”, disse Grassi na publicação.

Ex deputado federal é demitido pelo Ministério da Justiça por abandono de cargo
por
Vitória Teles
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22/09/2026 - 12h

Nesta segunda-feira (21), o Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou a demissão do ex-deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL), do seu cargo de escrivão da Polícia Federal (PF). O motivo da demissão alegado pelo órgão federal é infração disciplinar e abandono de cargo, após Eduardo não comparecer ao serviço durante trinta dias consecutivos sem justificativa.  

O filho de Jair Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde março de 2025, com a justificativa de uma suposta perseguição política e jurídica no Brasil. Em julho deste ano, recebeu o Green Card — documento de residência permanente no país — pelo governo norte-americano. Para manter seu cargo de escrivão da Polícia Federal, Eduardo teria que retornar ao Brasil, já que o serviço não pode ser exercido de forma remota.   

Eduardo Bolsonaro ingressou na Polícia Federal (PF) em 2010, após ser aprovado em um concurso público para ser escrivão. Eduardo estava afastado de suas funções no cargo para cumprir seu mandato na Câmara dos Deputados, porém teve seu mandato cassado em dezembro de 2025 por ultrapassar o limite de ausências permitido pela Constituição.

A decisão da demissão foi assinada pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, na sexta-feira (19) e publicada no Diário Oficial da União hoje (21). Com sua saída, Bolsonaro encerra um vínculo funcional com a Polícia Federal. Além disso, a PF determinou a devolução da carteira funcional e da arma de fogo vinculada ao cargo.

Eduardo Bolsonaro no encontro com Francis e Suárez em 2019. Foto: Marcos Correa/Wikimedia Commons
Eduardo Bolsonaro no encontro com Francis e Suárez em 2019. Foto: Marcos Correa/Wikimedia Commons 

Além do procedimento administrativo na Polícia Federal, Eduardo também foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em junho de 2026, pelo crime de coação no curso do processo. A condenação está relacionada às investigações  e aos julgamentos da chamada “trama golpista” de 2022.  

A condenação fixou 4 anos e 2 meses de prisão, com um cumprimento inicial de regime semiaberto. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo teria atuado nos Estados Unidos com uma tentativa de promover medidas de pressão contra autoridades brasileiras, em específico ministros do STF, com o objetivo de dificultar o julgamento envolvendo seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, concluiu que havia provas o suficiente para caracterizar o ato como crime de coação no curso do processo. Seu voto foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, o que formou uma unanimidade na Primeira Turma. 

Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos e, até o momento, não tem previsão de retorno ao Brasil.

Os concorrentes à Presidência da República ganham visibilidade em veículos de relevância na reta final
por
Carolina Nader
Kaleo Ferreira
Manuela Abbate Gonçalves
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17/09/2026 - 12h

Os candidatos de menor destaque nas pesquisas mantiveram uma agenda diversificada ao longo da semana, combinando entrevistas, atos de campanha, encontros com apoiadores e eventos públicos. Enquanto alguns priorizaram a divulgação de suas propostas e a busca por maior visibilidade nos meios de comunicação, outros concentraram esforços em pautas sociais e mobilizações políticas.

 

Clariana Barão (DC)

A candidata do partido Democracia Cristã concedeu entrevista para o Jornal News SBT, no último sábado (5). 

Na segunda-feira (7), participou de uma entrevista ao canal Bacci Notícias TV. Aproveitando a data comemorativa de 7 de setembro, quando se comemora o “Dia da Independência”,  Clariana Barão esteve na Avenida Paulista, onde cumprimentou populares, fez fotos e vídeos para as redes sociais e distribuiu material. 

Na terça-feira (8) pela manhã, a candidata visitou a Bienal do Livro em São Paulo.

Já na quarta-feira (9) à noite, participou de um evento no Jockey Club de São Paulo. 

Edmilson Costa (PCB)

O candidato cumpriu agenda da secretaria-geral do PCB em Lisboa na segunda e terça-feira (07 e 08/09). Edmilson representou o Partido Comunista Brasileiro (PCB) como secretário-geral da legenda durante as atividades internacionais associadas à 50ª Festa do Avante!. Seus compromissos oficiais concentraram-se em ações de solidariedade internacionalista e articulação política com outros partidos comunistas e operários. 

Hertz Dias (PSTU)

O candidato concedeu uma entrevista ao Jornal Nacional que foi ao ar na última sexta (4). Dias afirmou, “O Brasil vive uma decadência e, para reverter a decadência do país, é necessário reindustrializar o país. Para isso, nós vamos reestatizar todos os setores que são estratégicos para o desenvolvimento social e econômico do país, pegar o excedente dessas empresas, investir na modernização do parque industrial brasileiro, reduzir a jornada de trabalho sem redução de salários, para que a gente possa incorporar ao mercado de trabalho milhões de trabalhadores que estão desempregados e subempregados” 

Hertz teve um recorte de 30 segundos no programa, o que levantou novamente o debate sobre o espaço concedido aos candidatos com menor porcentagem das intenções de voto. 

No sábado (5),  Dias participou de um encontro com apoiadores em Salvador após panfletagem pela capital baiana. 

Hertz de costas discursando para uma plateia distribuída em mesas
Hertz discutindo sobre seu programa de governo e a relevância de sua candidatura. | Reprodução: Instagram/ @hertzdiaspstu

Na segunda (7), esteve com Vera Lúcia, candidata do PSTU para o governo de São Paulo, em uma visita à Cajamar para falar sobre o direito à moradia. O foco foi a Ocupação dos Queixadas, onde 5 mil famílias podem ser despejadas a pedido do prefeito da cidade, Kauãn Berto (PSD). No mesmo dia, à frente da Akaer, Hertz foi entrevistado pela Globo. Na conversa, o candidato frisou a importância da estatização de empresas relevantes para a soberania nacional, citando, além da Akaer, a Embraer e a Avibras. 

No dia 8, terça-feira, Dias marcou presença na Batalha da Matrix, batalha de rima em São Bernardo do Campo, onde ele teceu críticas sobre a extrema direita e os envolvidos no caso Master e acompanhou o evento. Na quarta (9), o PCBR declarou apoio às candidaturas do PSTU, em busca de unir esforços por uma “saída socialista para o Brasil”, como caracterizado por Hertz. 

Finalizando a semana, na sexta (11), o candidato atendeu  uma roda de conversa sobre arte e cultura no Recife, a fim de tratar daprodução artística nas periferias e os desafios desse processo. O evento gratuito aconteceu no Mezanino do Edifício Ambassador na Boa Vista. 

Samara Martins (UP)

Samara foi ao Distrito Federal na terça (7), onde foi recebida por estudantes da Universidade de Brasília (UnB). Sua agenda consistiu de uma sabatina no Correio Braziliense, uma entrevista concedida à Rádio Metrópoles e um encerramento na Rodoviária do Plano Piloto. 

Samara discursando em púlpito
Samara é a única mulher negra entre as candidaturas à Presidência em 2026 (Reprodução: Instagram/ @unidadepopular)

Na quarta-feira (9), a candidata esteve presente na marcha contra os feminicídios e estupros na capital paulista, evento foi organizado pelo Movimento de Mulheres Olga Benário.

 A candidata discursou e apresentou as medidas que pretende implementar para apoiar a causa feminina. 

Rui Costa Pimenta (PCO)

No sábado (5), Rui Costa Pimenta esteve em Belo Horizonte, Minas Gerais, para participar de atividades de campanha e do lançamento de candidaturas do partido no estado.

No mesmo dia, Pimenta participou de uma entrevista ao Jornal Nacional, na qual apresentou algumas das prioridades defendidas pelo seu partido. Entre as propostas destacadas estão o cancelamento da dívida pública, a reestatização de empresas privadas e a defesa de um salário mínimo de aproximadamente R$8 mil.

Wilson Grassi (Democrata)

Na terça-feira (1), a campanha de Wilson seguiu marcada pela suspensão de sua propaganda eleitoral na internet, dos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e de sua participação em debates na televisão, rádio e podcasts, após decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Já na quarta-feira (2), o candidato esteve em frente ao TSE, em Brasília, para protestar contra a decisão. Grassi classificou a medida como desproporcional e afirmou que as redes sociais eram fundamentais para sua campanha. Na quinta-feira (3), visitou um centro de reabilitação de animais resgatados e afirmou que pretende colocar a proteção da fauna entre as prioridades de um eventual governo.

Posteriormente, Toffoli autorizou a retomada da campanha digital de Grassi, além dos repasses do fundo. A suspensão havia sido determinada em razão de irregularidades na indicação dos perfis que seriam utilizados pelo candidato nas redes sociais.

 

Delegação Paulista foi reconhecida por resultados no Pan-Americano em Uruguai
por
Lawanny Nasc
|
16/09/2026 - 12h

A dedicação de atletas paulistas ao ju-jitsu foi reconhecida na Câmara Municipal de São Paulo na última sexta-feira (11). A solenidade homenageou integrantes da delegação que representaram o Brasil no Campeonato Pan-Americano, realizado em agosto, em Montevidéu, Uruguai. A iniciativa foi do vereador Gabriel Abreu (PODE) e reuniu atletas, técnicos e representantes da modalidade.

Entre os homenageados estavam atletas que conquistaram medalhas na competição e profissionais envolvidos na preparação da delegação. Mais do que os resultados obtidos nos tatames, a cerimônia destacou a trajetória de quem concilia treinamentos, estudos e trabalho para representar São Paulo e o Brasil em competições internacionais.

Para o vereador Gabriel Abreu, o ju-jitsu vai além da formação esportiva e também contribui para a construção dos indivíduos. Em entrevista exclusiva para AGEMT, ele destacou o esporte como uma ferramenta de formação de pessoas e ressaltou que a trajetória de um atleta também é marcada por dificuldades, derrotas e aprendizados. “O esporte é uma grande ferramenta para poder formar pessoas”, afirmou. 

Embora muitos atletas entrem no esporte com o sonho de alcançar o alto rendimento e viver da modalidade, Gabriel afirmou que é preciso estar preparado para enfrentar os obstáculos. “Os atletas vão passar por grandes provações, dificuldades, derrotas, mas sempre transformando todas elas em combustível para vencer, aprendendo com os erros e construindo as vitórias do futuro”, declarou.

O Presidente da Ju-jitsu Brasil, Shihan Fernando, recebeu este título por reconhecimento, anos de prática, experiência e contribuição para a modalidade. Destacou a dedicação dos atletas homenageados. “São pessoas que se esforçam, que treinam, que estudam, muitos trabalham e ainda assim conseguem encaixar na sua rotina, no seu dia a dia, os treinos e a preparação para eventos de grande envergadura.”

Fernando destaca que receber o reconhecimento dentro da Câmara Municipal representa uma valorização que ultrapassa a comunidade do ju-jitsu. Ele afirmou que os atletas já são considerados “grandes heróis e heroínas” pela família da modalidade, mas que o reconhecimento público demonstra que o esforço realizado também é percebido pela cidade.

O Sensei Bruno Gomes, técnico da Seleção Brasileira, reforçou que o reconhecimento é consequência de um longo processo. Para ele, os atletas devem continuar acreditando e se dedicando mesmo quando os resultados não aparecem imediatamente. “Acreditem, continuem treinando, se esforçando, porque o que for para acontecer, vai acontecer na hora certa”.

A preparação para a superação exige disciplina. Para o Sensei Alex Ladislau, 4º dan  (graduação de mestre, acima da faixa-preta tradicional), técnico e fundador da Escola Kobudo de ju-jitsu, os obstáculos enfrentados durante a preparação funcionam como etapas até a conquista dos resultados. A competição, representa apenas uma parte de um processo que começa muito antes da chegada ao tatame, sendo apenas a “cereja do bolo”.

Entre os atletas homenageados está Kethelyn Sodré, de 19 anos, conhecida como Juma, atualmente faixa azul e em 13° no ranking feminino mundial de ju-jitsu. Ela conquistou o bronze no Pan-Americano realizado em Montevidéu. 

A atleta destaca as batalhas pessoais diárias vencidas; desde o medo, a ansiedade e a pressão que antecedem a entrada no tatame, além de todo o processo de construção pessoal necessário antes da competição.“A medalha é só parte do que aparece, mas por trás delas existe uma história que ninguém consegue enxergar inteira."

Mulher segurando certificado.
Kethelyn Sodré, a Juma, destaca o valor mais profundo que a medalha representa. Foto: Lawanny Nasc/AGEMT

Outro atleta homenageado foi Pedro Barreto, de 19 anos, faixa azul e atualmente 38° no ranking mundial masculino e que também conquistou a medalha de bronze na competição realizada no Uruguai.

Pedro acredita que o esporte ensina valores que ultrapassam as técnicas aprendidas durante os treinos. Entre eles, a empatia com o próximo, já que a prática exige responsabilidade para não machucar o outro durante a execução dos movimentos. 

Pedro afirma que os ensinamentos adquiridos refletem na vida cotidiana ao apontar que a modalidade não se limita à prática esportiva. “A arte marcial pode mudar vidas. Depois que você entra, vira uma pessoa muito melhor.”  

Homem segura certificado em mãos.
Pedro Barreto, medalhista de bronze no Pan-Americano de Ju-Jitsu, considera o esporte como formador de boas pessoas. Foto: Lawanny Nasc/AGEMT

 

 

Confira o desempenho dos principais nomes nas pesquisas mais recentes e como está a avaliação do eleitorado mineiro
por
Camila Bucoff
Gustavo Tonini
|
11/09/2026 - 12h

As últimas pesquisas de intenção de voto para governador de Minas Gerais mostram Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança, embora os levantamentos apresentem diferenças nos percentuais atribuídos aos candidatos. A seguir, veja os resultados mais recentes e relembre as pesquisas passadas.

Na terça-feira (8), duas pesquisas sobre intenção de voto para governador de Minas Gerais foram divulgadas. A Quaest, registrada no TSE sob o nº MG-04716/2026 e contratada pela Globo, ouviu 1.506 eleitores do estado presencialmente, entre 4 e 7 de setembro. Sua margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Já a segunda, da AtlasIntel, foi registrada no TSE sob o nº MG-01579/2026. Ela ouviu 1.804 eleitores do estado por recrutamento digital aleatório, entre 30 de agosto e 4 de setembro. Sua margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto.

O que diz a pesquisa Quaest

Na pesquisa estimulada para o primeiro turno, na qual o entrevistador apresenta uma lista com todas as opções de resposta para que o entrevistado escolha sua alternativa, Cleitinho Azevedo (Republicanos) está na frente, com 32% de intenção de voto.

Em seguida estão: Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT), com 11% cada; Mateus Simões (PSD), com 8%; Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL), com 3% cada; Ben Mendes (Missão), com 2%; e Indira Xavier (UP), com 1%.

Para votos em branco, nulo ou “não vai votar”, o percentual foi de 12%, enquanto a categoria “indecisos” marcou 19%. Além disso, o Professor Túlio Lopes (PCB), Rafael Duda (PSTU) e Henrique Áreas (PCO) não pontuaram.

Para o segundo turno, a pesquisa simulou seis disputas diretas. As três com Cleitinho são:

  • Cleitinho (49%) x Kalil (27%) — com 14% de indecisos e 10% em branco/nulo/nenhum.

  • Cleitinho (51%) x Patrus (26%) — com 12% de indecisos e 11% em branco/nulo/nenhum.

  • Cleitinho (50%) x Mateus Simões (20%) — com 15% de indecisos e 15% em branco/nulo/nenhum.

Nas simulações sem Cleitinho, os resultados são:

  • Kalil (42%) x Patrus (18%) — com 15% de indecisos e 25% em branco/nulo/nenhum.

  • Kalil (32%) x Mateus Simões (32%) — com 16% de indecisos e 20% em branco/nulo/nenhum.

  • Mateus Simões (34%) x Patrus (34%) — com 14% de indecisos e 18% em branco/nulo/nenhum.

O que diz a pesquisa AtlasIntel

Na pesquisa estimulada para o primeiro turno, Cleitinho Azevedo (Republicanos) segue na frente, com 41% de intenção de voto. Em seguida estão Patrus Ananias (PT), com 30%, e Alexandre Kalil (PDT), com 9,2%.

O restante dos candidatos teve percentuais abaixo de 5%: Gabriel Azevedo (MDB) pontuou 4,7%, enquanto Ben Mendes (Missão), Flávio Roscoe (PL) e Mateus Simões (PSD) pontuaram 4% cada. “Outros” marcou 0,5%, enquanto brancos e nulos somaram 0,4% e “não sei” registrou 2,2%. Indira Xavier (UP) aparece dentro da categoria “Outros”, com 0,5%, enquanto Professor Túlio Lopes (PCB) e Rafael Duda (PSTU) não pontuaram.

Já no segundo turno, foram feitas cinco simulações. As três com Cleitinho são:

  • Cleitinho (53,4%) x Patrus (39,3%) — com 7,2% em branco/nulo/não sabe.

  • Cleitinho (55,3%) x Gabriel (21,9%) — com 22,8% em branco/nulo/não sabe.

  • Cleitinho (53,3%) x Alexandre Kalil (35,5%) — com 11,2% em branco/nulo/não sabe.

Nas simulações sem Cleitinho, os resultados são:

  • Patrus (43,4%) x Mateus Simões (30,8%) — com 25,8% em branco/nulo/não sabe.

  • Patrus (44,3%) x Flávio Roscoe (28,2%) — com 27,6% em branco/nulo/não sabe.

A pesquisa também mapeou quais são, na percepção dos entrevistados, os principais problemas do estado de Minas Gerais. Os cinco mais citados são a qualidade da educação (35,1%), o acesso à saúde (33,3%), a criminalidade (31%), a infraestrutura (30%) e a situação financeira do estado (26,4%).

O que mudou em relação às pesquisas anteriores?

A AtlasIntel havia previsto divulgar uma pesquisa anterior em 1º de setembro, mas o levantamento foi cancelado após um erro no questionário registrado no TSE. Nele, Romeu Zema e Renan Santos, candidatos à presidência, apareciam em cenários de segundo turno contra Patrus Ananias. O instituto então registrou um novo levantamento, que foi divulgado em 8 de setembro.

Em relação à pesquisa da Quaest, Cleitinho Azevedo manteve a liderança e passou de 29% para 32% no primeiro turno — uma oscilação de três pontos percentuais, exatamente no limite da margem de erro. O candidato manteve o seu favoritismo em todos os cenários de segundo turno feitos pela pesquisa (contra Patrus, Kalil e Mateus Simões), e obteve os mesmos resultados da primeira pesquisa, de acordo com a margem de erro. 

Enquanto isso, Patrus Ananias viu sua popularidade cair. Por mais que já estivessem empatados de acordo com a margem de erro, Kalil subiu sua intenção de voto no primeiro turno de 10% para 11%, igualando-se de vez com o candidato do PT, que não alterou seu percentual. Além disso, com a nova pesquisa, Patrus não ganha em nenhum cenário de segundo turno, antes só ganhava de Mateus Simões e viu seu percentual cair de 35% para 34%, enquanto o adversário subiu de 31% para 34%. 

Falando em Mateus Simões, ele é outro que teve uma crescente entre as duas pesquisas. Mesmo ainda com um percentual baixo nas intenções de voto para o primeiro turno (de 7% para 8%), o candidato cresceu na pesquisa do segundo turno. Contra Patrus, igualou o percentual do adversário, passando de 30% para 32%, enquanto o candidato caiu de 32% para 30%.  Contra Cleitinho também cresceu, mesmo ainda perdendo, saindo de 17% para 20%.

Já Alexandre Kalil se tornou de fato o candidato mais bem cotado abaixo de Cleitinho Azevedo. Sendo o que fica mais próximo dele no segundo turno. Kalil manteve seu 27% de intenção de votos em relação ao crescimento de 48% para 49% do adversário. Porém, o candidato ainda tem um percentual muito abaixo do favorito e também viu Mateus Simões se aproximar em um eventual segundo turno contra ele. 

Já para os outros candidatos, a intenção de voto não variou além da margem de erro entre as duas pesquisas. Os destaques ficam para Professor Túlio Lopes e Rafael Duda, que saíram de 1% de intenção para voltar a não pontuar. 

Retorno ocorre em meio à disputa entre ministros sobre relatórios da PF sobre as investigações do Caso Master
por
Amanda Campos
|
10/09/2026 - 12h

 

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9), a reintegração imediata de Andrei Augusto Passos Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, um dia depois do ministro André Mendonça determinar seu afastamento no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. Dino também mandou reconduzir Leandro Almada da Costa ao cargo de diretor de Inteligência da PF e considerou que a decisão de Mendonça tinha problemas na forma como foi tomada e poderia prejudicar investigações em andamento.

No dia 1° de setembro, vieram a público mensagens e informações sobre a relação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com os ministros do STF Alexandre de Moraes e André Mendonça. O próprio Mendonça confirmou ter se reunido com o banqueiro, preso desde março deste ano.

Documentos extraídos do celular de Vorcaro, e tornados públicos por Mendonça, mencionavam Moraes. Em resposta, o ministro enviou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório da PF com suspeitas sobre a atuação do colega em investigações relacionadas ao Banco Master e ao caso dos descontos do INSS, o que escalonou a tensão no Supremo. 

Foi a partir desse relatório que Mendonça passou a alegar que vinha sendo monitorado ilegalmente pela inteligência da Polícia Federal. Segundo ele, ao menos seis relatórios sobre sua atuação teriam sido produzidos entre 03 e 31 de agosto. 

Na terça-feira (8), Mendonça decidiu então afastar Rodrigues e Almada de suas funções. O pedido havia sido apresentado pelo Partido Novo, que já pedia por medidas mais duras contra o diretor-geral da PF.

André Mendonça durante sessão plenária do STF.
André Mendonça também suspendeu a produção de relatórios de inteligência destinados a analisar atos de autoridades Foto: Nelson Jr./SCO/STF.

 

A decisão provocou grande reação dentro da própria Polícia Federal. Dos 13 diretores da corporação, 11 colocaram seus cargos à disposição em apoio a Rodrigues e Almada. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) também criticou o afastamento e defendeu que a questão fosse analisada pelo Plenário do STF.

O afastamento chegou a obter maioria na Segunda Turma do STF. Os ministros Nunes Marques e Luiz Fux acompanharam Mendonça, mas o julgamento foi interrompido após um pedido de vista de Gilmar Mendes.

Andrei Rodrigues recorreu então ao Supremo para voltar ao cargo. O pedido foi analisado por Dino na Petição 16.669, que envolve investigações relacionadas e estava sob a relatoria do ministro. Dino afirmou que o Partido Novo não poderia ter feito o pedido de afastamento, porque partidos políticos não têm legitimidade para solicitar esse tipo de medida em uma investigação criminal. O ministro também entendeu que a questão deveria ser analisada pelo Plenário do STF, já que a Presidência da Corte havia aberto um procedimento para discutir os mesmos relatórios da PF.

Com esses argumentos, Dino determinou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurasse o retorno imediato de Rodrigues ao comando da PF e de Almada à Diretoria de Inteligência. A decisão também impede, preventivamente, novas medidas contra os dois por atos praticados no cumprimento de suas funções, desde que respeitados os procedimentos legais.

Flávio Dino durante sessão plenária no STF.
Dino determinou que as medidas sob sua relatoria fossem cumpridas pela PF sem interferência externa. Foto: Victor Piemonte/STF

 

A decisão de Dino foi posteriormente suspensa pelo presidente do STF, Edson Fachin. O ministro suspendeu tanto o afastamento determinado por Mendonça quanto a reintegração decidida por Dino e manteve Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal. Fachin afirmou que as decisões conflitantes em menos de 24 horas provocaram uma “grave lesão à ordem pública” e que a questão precisa ser tratada de forma institucional pela Corte.

Fachin também determinou que qualquer nova investigação envolvendo ministros do STF passe previamente pela Presidência da Corte e convocou uma sessão extraordinária do Plenário para 15 de setembro, quando os ministros deverão analisar os desdobramentos do caso.

Com isso, Andrei Rodrigues permanece no cargo até uma nova decisão do Supremo. O afastamento determinado por Mendonça e a posterior reintegração por Dino ficam suspensos, enquanto o STF busca uma solução para a disputa envolvendo os relatórios da PF e as investigações relacionadas ao Banco Master.

Reportagem do ICL mostrou o deputado pedindo a liberação de ativo minerário ao banqueiro do Banco Master.
por
Sophia Aquino
|
08/09/2026 - 12h

 

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu ajuda, em áudio revelado pelo portal do ICL Notícias no dia 04 de setembro, ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master para destravar um negócio que envolvia o ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria de um ativo minerário que estava pendente.  

No áudio, gravado em março de 2025, Nikolas chama Vorcaro de “Dani” e “Lindão” e afirma que gostaria de se aproximar do ex-banqueiro. A troca de mensagens revelada mostra também que o banqueiro bancou todos os voos do deputado. Nikolas confirmou publicamente o uso de aeronaves cedidas pelo banqueiro durante o segundo turno das eleições de 2022, mas afirma que, à época, não sabia da relação do empresário com o Banco Master nem dos problemas que viriam a envolvê-lo. 

Nikolas Ferreira no Congresso Nacional. Foto:Geraldo Magela/Agência Senado
Nikolas Ferreira no Congresso Nacional. Foto:Geraldo Magela/Agência Senado

 

O congressista divulgou em suas redes sociais um vídeo explicando que havia um laudo da PF que comprova sua inocência nas conversas com o ex-dono do Banco Master. O arquivo, porém, era falso com a marca d'água da OpenAI e a data de extração do documento foi no dia 18 de novembro de 2025, mesmo dia em que Daniel Vorcaro foi preso. A Polícia negou a autoria do documento. 

Ao jornal Metrópoles, Nikolas disse que repostou a publicação de um perfil no X que divulgou o suposto relatório, mas logo em seguida apagou a publicação. As checagens encontraram inconsistências internas no documento, no qual situava as conversas entre Nikolas e Vorcaro em janeiro de 2025, quando na verdade o áudio havia sido enviado em março daquele ano, e citava uma página de um suposto relatório da PF que não continha qualquer referência ao caso. 

A censura do termo “Lindão”

No domingo (6), o magistrado censurou a reportagem no site e nas redes sociais Facebook e Instagram. A justificativa foi que, ao reexaminar o áudio original, identificou a palavra "Dani" no lugar de "lindão", considerando que a mudança alterava o sentido da fala atribuída ao deputado. 

No domingo (06), o deputado recorreu à Justiça Eleitoral e pediu a retirada da reportagem do ICL do site, do Instagram e Facebook. O pedido foi analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) e o juiz do caso autorizou a republicação da reportagem que revelou o áudio do Nikolas para Vorcaro, mas censurou o uso do termo "lindão". 

O ICL, em nota oficial à imprensa, classificou a decisão como censura judicial e reforçou que o áudio usado como base da reportagem foi extraído do celular de Vorcaro pela própria PF, que o próprio deputado não contesta ter enviado a mensagem ao banqueiro, e que o conteúdo integral do áudio foi disponibilizado aos leitores desde a publicação original.