O Primeiro-Ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou ao posto, em um discurso feito na Downing Street, a residência oficial dos governantes britânicos, na última segunda-feira (22).
No discurso lido durante o anúncio, Stamer afirmou que todas as decisões que ele tomou foram sobre colocar o país em primeiro lugar. Em seguida, declarou sua renúncia ao posto e disse que, antes de sua decisão, conversou com o rei para informá-lo sobre a escolha que tomou.
Ainda durante o discurso, Starmer homenageou a família e citou sua esposa, Vic, além dos filhos, que descreveu como “meu orgulho e alegria”. Em seguida, agradeceu e encerrou a coletiva.
Ao centro da tela, Keir Starmer sorri/ Reprodução: Instagram/ Keir Starmer
No Reino Unido, as eleições não podem ocorrer novamente após a renúncia e, por conta disso, o Partido Trabalhista será responsável por escolher um substituto. Com o anúncio, Starmer estabeleceu um cronograma para que a saída seja feita da melhor maneira.
O favorito para ocupar o posto é o ex-prefeito de Manchester, Andy Burnham, que era cotado junto do então maior rival em potencial, Wes Streeting, o ex-secretário da saúde, que desistiu de concorrer e anunciou apoio do antigo prefeito de Manchester.
O Primeiro-Ministro enfrentava uma pressão interna pelo Partido Trabalhista há alguns meses. Isso ocorreu porque Andy Burnham, conhecido no país como o principal opositor de Starmer no partido, conseguiu uma cadeira no Parlamento e, como resultado, criou uma pressão ao redor de Starmer.
A saída de Starmer revela um cenário de instabilidade no Reino Unido, que já contou com sete chefes de governo desde o Brexit, há dez anos atrás.
Com isso, o país enfrentou dificuldades para conduzir a economia, que apresentou baixo crescimento comparado ao cenário anterior ao Brexit. A economia apresentou déficits em razão das dívidas altas devido à volatilidade política.
Starmer se manteve no poder por menos de dois anos. Ele sofreu uma forte pressão no partido, que esperava que Starmer conduzisse a economia de uma maneira diferente da que ele apresentou.
O Partido esperava que Starmer fosse capaz de reverter a política de altos gastos nos serviços públicos. No entanto, as expectativas não foram atendidas, com aumentos de impostos - o que foi mal recebido pela sociedade e, como consequência, houve um recuo na medida.
Além disso, uma medida que causou polêmica no Reino Unido foi à aderência às políticas de migração brandas. Isso fortaleceu críticas de opositores, como de Nigel Farage, parlamentar na Câmara dos Comuns. Ainda houve um escândalo no governo, quando Starmer declarou que o indicado para a embaixada nos Estados Unidos, Peter Mandelson, não foi aprovado pelo sistema de segurança para acessar documentos do país e posteriormente deixou o cargo por envolvimento com Jeffrey Epstein.
Kier Stamer segue no cargo até a escolha de um sucessor.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um Memorando de Entendimento com o Irã, em Versalhes, na França, na última quarta-feira (17). O acordo interino também foi assinado pelo presidente do Parlamento Iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf.
De acordo com informações disponibilizadas pela Casa Branca, o presidente Donald Trump e o vice-presidente JD Vance assinaram o acordo com o intuito de impedir que o Irã obtenha armamentos nucleares, além da reabertura do Estreito de Ormuz para livre navegação internacional.
A Casa Branca afirmou, nas redes sociais, que Donald Trump resolveu a “ameaça iraniana”:
“O presidente Donald J. Trump resolveu uma ameaça que Washington passou quarenta anos tentando administrar: o Irã jamais terá uma arma nuclear. Uma vitória para os Estados Unidos”
No texto do memorando, que foi lido em uma teleconferência com jornalistas na quarta-feira, foi estabelecido que deve haver um término imediato e permanente das operações militares que ocorrem em todas as frentes. Isso inclui a retirada do bloqueio naval imposto ao Irã. O processo deve ser concluído em até 30 dias, além de retirar suas forças nas proximidades do país no mesmo prazo. O conteúdo ainda estabelece que o acordo se estende também ao território do Líbano.
A previsão de encerramento imediato das operações militares também no território libanês provocou reação de Israel, que declarou não reconhecer o acordo e afirmou que continuará suas operações militares.
Em contrapartida, o Irã garantirá a livre e segura navegação comercial pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz, a desminagem da região em até 30 dias já foi iniciada e está em negociação, com Omã e outros países litorâneos, um modelo de administração do estreito conforme o direito internacional.
O documento também prevê que os EUA, em conjunto com parceiros regionais, elaborem um plano de reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã com orçamento mínimo de US$300 bilhões, além de conceder licenças para transações financeiras relacionadas ao plano.
O texto determina ainda que os Estados Unidos eliminem, de forma gradual e conforme o cronograma acordado, todas as sanções impostas ao Irã, isso inclui sanções unilaterais, resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). O país também é obrigado a emitir autorizações para a exportação de petróleo iraniano e liberar integralmente os fundos e ativos iranianos atualmente congelados, mediante procedimentos a serem definidos entre as partes.
Ao mesmo tempo, o Irã firmou o compromisso de não desenvolver nem adquirir armas nucleares, enquanto ambos os países negociam um mecanismo, sob supervisão da AIEA, para tratar do estoque de urânio enriquecido e de outras questões relacionadas ao programa nuclear iraniano. O texto ainda prevê que, caso não seja firmado um acordo definitivo, as partes manterão o status quo: o Irã preservará seu atual programa nuclear e os Estados Unidos não aplicarão novas sanções nem ampliarão sua presença militar na região.
Por fim, o memorando prevê a criação de um mecanismo executivo para monitorar o cumprimento das medidas previstas e da futura implementação do acordo definitivo, que deverá ser concluído em até 60 dias em diversos pontos pendentes e posteriormente endossado por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.
Apesar da assinatura do acordo, representantes dos dois países ainda discutiram nesta semana os mecanismos de implementação. No entanto, um porta-voz da Casa Branca informou que o vice-presidente desistiu da viagem em que se reuniria com negociadores iranianos na terça-feira.
O anúncio da decisão foi feito na última quinta-feira (28) pelo secretário de Estado do governo norte-americano, Marco Rubio, um dia após encontro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As facções serão denominadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e como “Organizações Terroristas Estrangeiras”. Segundo o Departamento de Estado, as definições devem entrar em vigor oficialmente a partir do dia 5 de junho, quando forem publicadas no Diário Oficial Americano.
Apesar da divulgação recente, o assunto já vinha sendo discutido há alguns meses na Casa Branca. O pronunciamento oficial definiu o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como duas das organizações criminosas “mais violentas do Brasil”. O comunicado justifica a medida ao apontar que os grupos “orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis”, estendendo suas ações ilícitas para além das fronteiras nacionais.
De acordo com o texto, a estratégia da gestão de Donald Trump busca impedir o financiamento do crime organizado ao “interromper o fluxo de receitas que financia os narcoterroristas”, sendo juridicamente amparada pela Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos.
Em entrevista à AGEMT, a internacionalista e especialista em políticas públicas Luciana Maselli explica que o efeito mais rápido da ação tomada em Washington não será militar, mas sim regulatório. A pressão recairá diretamente sobre o meio corporativo brasileiro que opera com a moeda norte-americana.
“O efeito que se sente primeiro recai sobre bancos, traders, seguradoras, operadores portuários e empresas com pagamentos em dólar. O incentivo dessas instituições é o ‘de-risking’: cortar relações, travar contratos e revisar severamente clientes para evitar exposição à sanções secundárias e ao crime federal americano de “material support” (apoio material)”, explica Maselli.
A especialista também avalia, que uma onda de prisões sob a acusação de terrorismo é improvável no Brasil devido aos critérios da legislação nacional.
“A base legal interna não mudou. A Lei Antiterrorismo (Lei 13.260/2016) exige motivação de xenofobia, discriminação ou preconceito, filtro que as facções de lucro criminal dificilmente preenchem. O que tende a aumentar é a repressão por organização criminosa, tráfico e lavagem, com mais bloqueio de ativos e isolamento de lideranças prisionais", analisa
Outros países já começaram esse movimento de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Em outubro do ano passado, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, assinou um decreto que classificou as ações desses grupos como atos terroristas. Na prática, a medida permitiu que o país utilizasse suas Forças Armadas no combate ao crime organizado e que integrantes dessas organizações fossem submetidos a penas mais severas.
A Argentina, governada por Javier Milei, seguiu um caminho semelhante ao incluir o PCC e o Comando Vermelho (CV) no Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo (REPET), enquadrando as duas organizações como narcoterroristas. Com isso, as Forças Armadas argentinas passaram a auxiliar na vigilância e no patrulhamento de áreas consideradas estratégicas para o combate ao tráfico de drogas.
A medida anunciada pelo governo dos Estados Unidos pode acionar leis de alcance extraterritorial, como o Patriot Act, que exige que corporações internacionais comprovem a ausência de vínculos com os grupos citados. Para a especialista ouvida pela AGEMT, isso gera uma “extraterritorialidade indireta”, onde diretrizes americanas moldam o mercado brasileiro por canais privados de compliance (conformidade), sem passar pelas instituições nacionais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes do governo federal criticaram a decisão americana. Lula também comentou a atuação de Flávio Bolsonaro, afirmando que o parlamentar busca uma intervenção estrangeira em assuntos internos do Brasil. Em resposta, o senador afirmou que o governo estaria sendo leniente no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho.
O Palácio do Planalto divulgou uma nota em resposta à decisão dos Estados Unidos, reafirmando o compromisso do governo brasileiro com o combate ao crime organizado e destacando diversas frentes de atuação da União. O documento afirma que a cooperação internacional é bem vinda, desde que respeite a soberania nacional.
A disputa entre China e Estados Unidos é uma das principais tensões geopolíticas no mundo atual. Não é uma guerra direta, mas uma constante competição em várias áreas, da tecnologia à econômica e militar. As duas potências disputam a liderança global há décadas.
Após o final da Guerra Fria e o colapso soviético, os EUA ficaram sem um rival equivalente e o modelo capitalista liberal ganhou força. Enquanto isso, a China passava por uma grande transformação econômica, mantendo o controle do Partido Comunista Chinês, mas preparando as bases para a abertura ao mercado internacional. A rivalidade surgiu após o crescimento econômico rápido da China, que a tornou uma ameaça para a hegemonia estadunidense.
Os dois países querem ser o centro da economia mundial, ambos brigam com tarifas, acordos e influências sobre outros países. Enquanto a China lidera o mercado de exportação mundial, os EUA ainda dominam as finanças e grandes empresas.
A tecnologia é o campo mais sensível e estratégico dessa disputa, com a corrida pelo domínio no mercado de inteligência artificial no centro da batalha. A concorrência é tanta, que empresas como Huawei viraram alvo de restrições dos EUA, que tentam também limitar o acesso da China a chips avançados. Todavia, quem liderar a tecnologia, irá dominar o futuro.
Em entrevista à AGEMT, o professor do curso de Relações Internacionais na PUC-SP, Augusto Rinaldi, destacou que o crescimento tecnológico chinês pressiona setores sensíveis dos EUA, sobretudo os de semicondutores, inteligência artificial e equipamentos de fabricação de chips, porém ao mesmo tempo, o impacto é limitado pelo peso estrutural da economia americana. “Ainda que os dois países estejam engolfados numa "guerra comercial", eles são profundamente interdependentes; portanto, a queda de um afetará o outro”, comenta Rinaldi.
O governo Trump anunciou restrições severas de viagem contra a China caso Pequim não acelere a repatriação de cidadãos em situação irregular nos EUA. A ameaça ocorre às vésperas da visita de Trump a Pequim, que ocorrerá nos dias 14 e 15 de maio de 2026, onde o presidente deve cobrar Xi Jinping pessoalmente. Atualmente, há mais de 100 mil chineses indocumentados nos EUA e 30 mil deles já possuem ordens de remoção.
As preocupações quanto à função do Brasil em meio a essa disputa crescem conforme a situação de discórdia se agrava. Vale ressaltar que a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Empresas chinesas investem em energia, portos e infraestrutura no país, o que torna o Brasil dependente da demanda chinesa. Por outro lado, os investimentos americanos no país também são expressivos, por mais que seu maior parceiro comercial seja a China, o Brasil ainda funciona dentro de um sistema liderado pelos EUA.
Rinaldi enfatiza que a disputa entre China e Estados Unidos pode interferir de forma relevante em outros países, inclusive no Brasil, cada vez mais cobiçado pelas duas grandes potências pela sua relevância em setores econômicos estratégicos. "A China não interfere nos assuntos domésticos dos países, ao passo que os EUA, em particular no governo Trump, têm desempenhado papel central no apoio a candidaturas e forças políticas de oposição ao governo Lula”, afirma o professor.
A relação da China e do Brasil dentro do BRICS é uma das mais importantes do bloco, atuando juntos para fortalecer economias emergentes. A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, empresas chinesas investem no Brasil em energia elétrica, infraestrutura, ferrovias e entre outros campos estratégicos. O BRICS representa uma parte enorme do mundo, com a economia chinesa sendo a maior do bloco.
Dessa forma, a decisão mais estratégica para o Brasil é não escolher um lado. O Brasil é a maior economia da América Latina, o que aumenta bastante seu valor geopolítico. O ideal seria manter negócios com o mercado chinês e estadunidense. Porém, essa posição apresenta desafios, como se tornar dependente ao extremo do capital chinesa e sofrer pressão política dos EUA, pois se a tensão aumenta, a neutralidade se torna impossível.
A disputa se tornou um assunto tão atual e discutido em debates que, recentemente, virou palco para um novo quadro divulgado no Fantástico. “Entre dois Mundos” foi criado pelo programa como uma forma mais dinâmica de mostrar como essa rivalidade pode moldar o cenário geopolítico atual. Apresentada pelo jornalista Felipe Santana, a série promete mostrar o desenvolvimento das duas grandes potências.
Diante desse cenário, outro fator que chama atenção é de como essa rivalidade torna a convivência mais delicada entre os países. Partindo do ponto de vista geopolítico, Rinaldi acredita que essas disputas podem contribuir para desestabilizar os mercados financeiros, podendo gerar uma grande crise econômica global. “Para países em desenvolvimento, o desafio nesse cenário é preservar o acesso a ambos os mercados e evitar os custos de alinhamento a um deles”, destaca o professor.
No dia 24 de abril o governo Trump aprovou a implementação de novas medidas nas políticas de pena de morte, que agora incluem pelotão de fuzilamento, para presos federais, além de cadeira elétrica, asfixia por gás nitrogênio e injeção letal. O comunicado foi emitido pelo Departamento de Justiça estadunidense (DOJ), que afirma cumprir uma ordem direta do presidente Donald Trump, para que sejam ampliadas e agilizadas as execuções no país.
A aprovação representa uma alteração no uso da pena de morte dentro da legislação, quando comparada com as políticas apresentadas no governo anterior. No fim de sua gestão, Joe Biden, após a confirmação da vitória de Trump nas urnas, trocou a sentença de 37 dos 40 condenados à injeção letal para prisão perpétua, a fim de evitar que estes fossem executados pelo republicano.
Na ocasião, em dezembro de 2024, o ex-presidente afirmou: “Em sã consciência, não posso recuar e deixar uma nova administração retomar as execuções que eu interrompi”. A comutação das penas ocorreu após o governo Biden acatar pesquisas do próprio Departamento de Justiça, que afirmavam que o método de execução “causava dor e sofrimento desnecessário”.
Após a aprovação de Donald Trump, o DOJ apontou em seu comunicado que a análise do governo democrata era “profundamente falha”: “A administração anterior fracassou em seu dever de proteger o povo americano”.
Veja o comunicado feito em post do perfil oficial do Departamento de Justiça na rede social X
Como será aplicada a nova lei
A pena de morte é prevista na legislação estadunidense, e a injeção letal, método utilizado por padrão no país, está presente no código penal. No entanto, esta política é descentralizada, o que significa que diferentes modos de execução são utilizados em cada estado.
Por base, 27 dos 50 estados do país tem a pena de morte legalizada, o que era, até então, aplicado para presos estaduais. O comunicado de Donald Trump se aplica como um parâmetro, buscando facilitar a execução das penas em nível federal, para casos onde a injeção letal não era possível ou fora ineficaz.
Como exemplo, em 2025, na Carolina do Sul, um homem foi executado através do pelotão de fuzilamento, na falta de disponibilidade do medicamento necessário para o método padrão. Atualmente, este método já é permitido em 5 estados do país: Carolina do Sul, Idaho, Mississipi, Oklahoma e Utah.
Um caso anterior, de 2024, no Alabama, também se popularizou quando um homem foi submetido à asfixia por gás nitrogênio como método, após falhas da injeção letal e adiamento da execução. O uso desta substância, no entanto, enfrentou denúncias após ser qualificado pela ONU como forma de tortura.
Esta mudança nas políticas penais dos EUA refletem promessas feitas por Donald Trump desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na ocasião, o republicano retomou a pena de morte em nível federal após 20 anos de sua suspensão. Nos primeiros meses de mandato, seu governo executou 13 condenados por injeção letal. Nos 50 anos antes de sua posse, somente três pessoas haviam sido submetidas ao método.
No momento, mais de 40 presos federais aguardam julgamento que pode resultar na pena capital nos EUA. No entanto, esses processos ainda podem levar anos.