A coalizão “semáforo”, liderada pelo Partido Social-Democrata (SPD), com o Partido Democrático-Liberal (FDP) e Os Verdes, tomou posse oficialmente em Berlim
por
Luan Leão
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08/12/2021 - 12h

Fim de uma era

Nesta quarta-feira (8), Olaf Scholz, do Partido Social-Democrata (SPD), tornou-se oficialmente primeiro-ministro da Alemanha, colocando fim aos 16 anos de governo da democrata-cristã Angela Merkel. No cargo de chanceler federal desde 2005, Merkel deixa o poder aos 67 anos, e após 5.860 dias de governo. A “mutti”, mamãe em alemão, apelido carinhoso que recebeu em 31 anos na vida pública, ficou a 5 dias de bater o recorde de longevidade de Helmut Kohl (1982-1998). Nem mesmo os muitos anos na política desgastaram a popularidade de Merkel, segundo pesquisa recente do Pew Institute, 72% dos entrevistados, em todo o mundo, confiam nela. “Angela Merkel foi uma chanceler que teve êxito”, elogiou o novo chanceler Olaf Scholz, segundo ele, Merkel “permaneceu fiel a ela mesma durante 16 anos marcados por várias mudanças”.

Angela Merkel se despediu do cargo no dia 24 de novembro
Angela Merkel recebeu flores de Olaf Scholz, em Berlim, no dia 24 de novembro. Foto: Markus Schreiber/AP Photo

O social-democrata de 63 anos foi eleito pela câmara baixa do Bundestag (parlamento alemão) por 395 votos a favor, 303 contra e 6 abstenções, dos 736 votos dos deputados. A coalizão “semáforo” tem 416 assentos do parlamento, porém muitos deputados estavam ausentes na votação de hoje (8), que registrou a presença de 707 parlamentares.

Scholz vai liderar a coalizão que conta, além dos social-democratas, com os liberais e os verdes. Isso porque nas eleições de 26 setembro, o SPD foi o partido mais votado, recebendo 25,7% dos votos, ficando à frente da União Cristã Democrata (CDU), partido de Merkel, que registrou seu pior resultado da história com 24,1%. Os Verdes registraram o melhor resultado de sua história com 14,8% dos votos, os liberais obtiveram 11,5%. Essa será a primeira vez que uma tripla coalizão governará a Alemanha desde 1950, e marca a volta dos social-democratas à chancelaria federal, o último social-democrata a comandar o país havia sido Gerhard Schröder (1998-2005).

Olaf Scholz sendo aplaudido por parlamentares
Olaf Scholz é aplaudido por parlamentares alemães após ser eleito para o cargo de chanceler. Foto: Reuters

Após a votação, Scholz, de máscara, recebeu aplausos e buquês de flores de líderes dos diferentes grupos parlamentares do Bundestag. Depois, foi recebido pelo presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, que o entregou a “ata de nomeação”, o que estabelece o início oficial de seu mandato de quatro anos. Em seguida, Scholz retornou ao Bundestag para prestar juramento ao cargo, antes de seguir para a chancelaria federal para a transferência de poder.

Olaf Scholz recebe flores após ser eleito
Olaf Scholz recebe flores após ser eleito chanceler pelo Bundestag. Foto: Fabrizio Bensch/ Reuters


O novo governo

Esse será o primeiro governo com paridade de gêneros nos ministérios. Cumprindo promessa de campanha, oito pastas serão comandadas por mulheres e oito por homens. O percentual de 50% de mulheres comandando ministérios é o maior da história da Alemanha. Por liderar a coalizão, o SPD ocupa mais ministérios, os verdes ficaram com a vice-chancelaria e os liberais com o ministério considerado o mais importante, que é o de finanças. “Estou particularmente orgulhoso de que as mulheres agora estão a partir de agora à frente de ministérios que tradicionalmente não eram ocupados por elas”, afirmou Olaf Scholz.

A média de idade do novo governo é de 50,4 anos, menor do que a média de todos os inícios de legislatura dos quatro governos anteriores governados por Merkel. O último mandato de Merkel tinha média de idade de 51,4 anos. Aos 63 anos, Scholz é o mais velho do governo. As ministras mais jovens são Annalena Baerbock e Anne Spiegel, do partido Verde, que completam aniversário no mesmo dia, e farão 41 anos em 15 de dezembro

Veja a composição do novo gabinete:

Robert Habeck, 52 anos, co-presidente do partido Verde, será o vice-chanceler e ministro da Economia e Energia

Annalena Baerbock, 40 anos, co-presidente do partido Verde, candidata a chanceler pelo partido na última eleição, será a primeira mulher a comandar o ministério do Exterior

Christian Lindner, 42 anos, presidente do partido liberal, será o ministro das Finanças, considerado o mais poderoso dos ministérios

Nancy Faeser, 51 anos, líder do SPD no estado de Hasse, será a primeira mulher a comandar o ministério do Interior

Karl Lauterbach, 58 anos, o parlamentar social-democrata é epidemiologista e ocupará o cargo de ministro da Saúde, o novo ministro defende medidas mais rígidas contra a COVID-19

Christine Lambrecht, 56 anos, a social-democrata comandará o ministério da Defesa, sendo a terceira mulher a comandar a pasta de forma consecutiva

Wolfgang Schmidt, 51 anos, o social-democrata será o chefe da chancelaria federal, que coordena os trabalhos entre os diferentes setores do governo

Svenja Schulze, 53 anos, a social-democrata será uma das remanescentes da gestão Merkel, mas irá migrar de pasta, sairá do ministério do Meio Ambiente e irá para o ministério do Desenvolvimento

Steffi Lemke, 53 anos, do partido Verde assume o ministério do Meio Ambiente

Marco Buschmann, 44 anos, o membro do partido liberal será o novo ministro da Justiça

Anne Spiegel, 40 anos, do partido Verde vai comandar o ministério da Família

Klara Geywitz, 45 anos, a vice-líder do SPD estará a frente do ministério da Construção e Habitação

Bettina Stark-Watzinger, 53 anos, do partido liberal vai ocupar o cargo de ministra da Educação e Pesquisa

Claudia Roth, 66 anos, será a nova ministra da Cultura e Mídia, essa é uma pasta que ainda não tem status de ministério

Hubertus Heil, 49 anos, o social-democrata segue como ministro do Trabalho e Assuntos Sociais

Cem Özdemir, 55 anos, ex-co-presidente do partido Verde, ocupará o cargo de ministro da Agricultura. Essa será a primeira vez que a Alemanha terá um ministro com raízes turcas

Volker Wissing , 51 anos, o liberal será o ministro dos Transportes e Digitalização

O novo governo assume com um agravamento da pandemia no país. Nesta quarta-feira (8) a Alemanha registrou um recorde no número de mortes por COVID-19, com 527 óbitos em 24 horas, maior número em mais de dez meses, segundo autoridades locais. O novo primeiro-ministro e o novo ministro da saúde defendem ações mais rigorosas em relação a pandemia, Scholz já fez a defesa da vacinação obrigatória, o que poderia ocorrer entre fevereiro e março de 2022.

De acordo com os manifestantes, os protestos acontecem devido s longas filas para compra de alimentos, a falta de medicamentos e a alta dos preços.
por
Mariana Lopes
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02/12/2021 - 12h

Após seis décadas sob o comando dos irmãos Castro, Fidel e Raúl, em 2018, Miguel Díaz-Canel assumiu o poder em Cuba, aos 58 anos de idade.

Naquele momento, há quase três anos, sua entrada no mundo político era uma incógnita para grande parte das pessoas.

Em Villa Clara, sua cidade natal, era visto como um político “comprometido” e “tolerante”, porém, assim que Raúl Castro começou a mostrar interesse nele, tem  feito declarações que o afastam de seu perfil de "pró-abertura". Ele tem reafirmado ideias comunistas e prometido persistir "na marcha triunfante da Revolução".  

Para Antonio Rodiles, ativista anticastrista, Díaz-Canel "é uma pessoa apagada que repete como um robô o que tem sido dito em Cuba nos últimos 60 anos".

No dia 11 de julho de 2021, milhares de cubanos foram as ruas, aos gritos de “abaixo a ditadura” e “não temos medo”. Este movimento teve inicio nas redes sociais. Em resposta, o presidente Miguel Diaz, também pelas redes sociais, pediu que as pessoas fossem as ruas enfrentar os manifestantes.

"Não vamos admitir que nenhum contra-revolucionário, nenhum mercenário, nenhum vendido ao governo dos Estados Unidos, vendido ao império, recebendo dinheiro das agências, se deixando levar por todas as estratégias de subversão ideológica, desestabilize nosso país", adicionou.

"Haverá uma resposta revolucionária", disse ele, conclamando os adeptos ao comunismo a enfrentar os protestos com "determinação, firmeza e coragem". Suas ações foram vistas pela oposição como uma incitação a uma guerra civil.

De acordo com os manifestantes, os protestos acontecem devido s longas filas para compra de alimentos, a falta de medicamentos e a alta dos preços. "O problema é que o governo não tem divisas estrangeiras para importar comida, remédios ou combustível, então há escassez de todos os gêneros de primeira necessidade nas lojas", explica o especialista em assuntos latino-americanos William LeoGrande, professor da American University.

Além disto, continua, "ocorrem blecautes de eletricidade que lembram aos cubanos os piores tempos dos anos 1990, após do colapso da União Soviética; e o povo está frustrado com o alastramento da covid-19".

De acordo com a BBC, que entrevistou inúmeros cubanos, muitos manifestantes relataram a perda de parentes, muitos deles falecendo dentro de suas casas, pois o sistema de saúde do país já havia sofrido um colapso e não havia mais remédios nos hospitais e farmácias.

O presidente americano Joe Biden se mostrou favorável as manifestações e disse: "Estamos do lado do povo cubano e de seu chamado pela liberdade e por um alívio das trágicas garras da pandemia e de décadas de repressão e sofrimento econômico a que os cidadãos têm sido sujeitos pelo regime autoritário de Cuba."

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, também se mostrou solidário com as manifestações. Por outro lado, México e Rússia alertaram os outros países que a situação em Cuba poderia ser pretexto para interferência estrangeira em assuntos cubanos.

Os protestos foram reprimidos pela polícia e em vídeos feitos pelos manifestantes é possível ver esses enfretamentos.

Uma nova Marcha pela Mudança foi marcada para o dia 15 de novembro. O governo cubano proibiu a marcha e a classificou como um o ato de “provocação de Washigton”.

Horas após o ato ter sido proibido, o grupo no Facebook que organiza o evento, Archipiélago publicou: "No dia 15 de novembro, nossa decisão será marchar cívica e pacificamente pelos nossos direitos. Frente ao autoritarismo, responderemos com civismo e mais civismo".

No dia dos protestos, um cerco policial havia sido imposto nos locais que receberiam os manifestantes, o que ao final, deixou os locais praticamente vazios de pessoas.

Aqueles que tentaram quebrar o cerco foram presos ao longo da tarde com a desculpa de que a manifestação fora proibida pelo governo.

A data foi escolhida por ser o primeiro dia em que os turistas voltariam para Cuba após o começo da pandemia e também marcaria o aniversário de Havana.

Até agora, a repressão do movimento já levou a prisão 1.175 pessoas, e mais da metade continua atrás das grades, de acordo com a associação Cubalex, que monitoria as prisões políticas da ilha.

O evento realizado em Glasgow, na Escócia, prometia medidas mais assertivas contra o aquecimento global, mas deixa a desejar. Discursos trazem à tona condições de países que já sofrem com as mudanças climáticas.
por
João Curi
Anna Cecilia Nunes
Matheus Marcolino
Sônia Xavier
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18/11/2021 - 12h

Por Anna Cecilia Nunes, João Curi, Matheus Marcolino e Sonia Xavier

No dia 13 de novembro foi encerrada a COP-26, com previsão inédita da redução gradativa de subsídios aos combustíveis fósseis e do uso de carvão. A conferência foi sediada em Glasgow, na Escócia, e marcou a finalização do livro de regras do Acordo de Paris com a aprovação do artigo 6º, referente ao mercado de carbono.

Com quase 200 países signatários, o documento sofreu críticas quanto às reivindicações não atendidas de países em desenvolvimento, que clamam por justiça climática e recursos financeiros para ações preventivas. “As mudanças climáticas e o aumento do nível do mar são riscos mortais e existenciais”, discursou Simon Kofe, ministro de Tuvalu, em vídeo gravado de dentro do mar. “Estamos afundando, mas o mesmo está acontecendo com todos. E não importa se sentimos os efeitos hoje, como Tuvalu, ou daqui a 100 anos. Todos vamos sentir os efeitos mortais dessa crise global um dia”.

Ministro Simon Kofe, de Tuvalu, grava discurso para COP-26 de dentro do mar. (Reprodução/Governo de Tuvalu/Redes sociais)
Ministro Simon Kofe, de Tuvalu, grava discurso para COP-26 de dentro do mar. (Reprodução/Governo de Tuvalu/Redes sociais)

O relatório definiu o compromisso de “reduzir o uso de carvão e subsídios aos combustíveis fósseis”, após pedido de última hora da delegação indiana, com apoio da China e dos Estados Unidos, para substituir o termo “eliminar”, sugerido inicialmente. “Os textos aprovados são um compromisso”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. “Eles refletem os interesses, condições, contradições e o estado das vontades políticas”.

 

Acordo de Paris

No dia 12 de dezembro de 2015, em reunião composta por quase 200 países, foi aprovado  o Acordo de Paris. O tratado substituiu o Protocolo de Kyoto, em razão de estar mais alinhado aos desejos das novas ideologias e nações. 

“O Protocolo de Kyoto tinha uma aplicação mais restrita, sendo aplicável aos países considerados desenvolvidos em 1997, e não tendo instrumentos de revisão que permitissem lidar com transformações no cenário econômico internacional”, explica Pedro Silva, pesquisador e doutorando em Relações Internacionais da PUC-Rio. “Isso excluiu, por exemplo, a China, que teve um intenso processo de industrialização e desenvolvimento, das obrigações relativas ao protocolo”.

Silva também afirma que o documento anterior considerava apenas a limitação do efeito estufa, ao passo que o Acordo de Paris tem por objetivo principal impedir a aceleração do aquecimento global, além da vantagem de ser aplicado a todos os países.

De acordo com um comunicado da OMM (Organização Meteorológica Mundial), publicado no início de 2021, os últimos seis anos foram os mais quentes da história da humanidade desde o início da “era industrial”, em 1880. Só no ano passado, o planeta registrou um aumento de 1,2ºC.

O tratado, em vigor desde 2016, estabelece medidas para o combate às mudanças climáticas; entre elas, limitar o aumento de temperatura global a 1,5ºC, aumentar o uso de fontes alternativas de energia, utilizar tecnologia limpa nas indústrias e diminuir os índices de desmatamento.

 

Mercado de carbono

O artigo 6º do Acordo de Paris se refere ao carbono como uma forma simples de nomear os gases que contribuem para o aquecimento global - já que o CO2, ou gás carbônico, é o mais comum desse tipo.

Tudo funciona como um mercado: existe a compra e venda de “créditos de carbono”, de acordo com a taxa de emissão de cada país. Aqueles que mais cortarem a emissão de CO2 terão direito a mais créditos e, consecutivamente, podem vendê-los por dinheiro real. Esta é uma estratégia para envolver mais o mercado, de forma a impulsionar as medidas climáticas.

Pedro Silva reforça a importância do envolvimento de empresários neste processo, mas teme que o financeiro se sobreponha ao ambiental e que a novidade não seja efetiva. “Isso [mercado de carbono] é defendido como mecanismo válido de política ambiental, mas, no fim, não viabiliza nem estimula nenhuma redução nos níveis de emissão de gases poluentes. Apenas tenta precificar as emissões”.

 

Maiores emissores de CO2

Os Estados Unidos e a China são os países com o maior acúmulo de emissões de gases de efeito estufa no mundo, considerando o período de 1850 a 2021, seguidos por Rússia, Brasil e Indonésia. Nos dois últimos, a maior parte das emissões vêm do desmatamento e do uso do solo para a agropecuária, ao contrário dos três primeiros colocados, que têm os combustíveis fósseis como principal fonte.

Em 2019, segundo análise do Grupo Rhodium, a China emitiu cerca de 2,5 vezes mais gases de efeito estufa do que os Estados Unidos. Em termos equivalentes de CO2, a gigante asiática emitiu 14,1 bilhões de toneladas métricas no ano analisado, o que equivale a um quarto das emissões totais do mundo.

Apesar da China ser atualmente o maior emissor, nenhum país lançou mais gases de efeito estufa na atmosfera do que o gigante capitalista Estados Unidos.  Isso se torna importante devido às emissões liberadas há centenas de anos, que contribuem para o aquecimento global ainda nos tempos atuais.

Mesmo sendo um país enorme com 1.4 bilhão de habitantes, as emissões per capita chinesas (10,1 toneladas) ainda foram menores, se comparadas às americanas (17,6 toneladas), em parte pela diferença no estilo de vida entre as nações. Os estadunidenses ganham mais dinheiro, possuem mais carros que consomem gasolina e voam mais do que o cidadão chinês médio, segundo o Relatório de Transparência Climática de 2021.

Gráfico da BBC indicando os países com maior acúmulo de emissões de 1850 a 2021
(Reprodução/BBC)

Os combustíveis fósseis representam 87% da matriz energética da China:  60 % carvão, 20% petróleo e 7% gás natural. Nos Estados Unidos, 80% da sua matriz depende também desses combustíveis, cerca de 33% vêm do petróleo, 36% do gás natural e 11% do carvão, de acordo com dados da Enerdata, empresa independente de pesquisa de energia.

A China hoje é a maior consumidora e produtora de carvão mundial. Não à toa o país pressionou por uma mudança-chave no texto final da COP 26.

 

Ainda há muito a ser feito

Os países signatários do Acordo de Paris se comprometeram a estabelecer Contribuições Nacionais Determinadas (NDC, na sigla em inglês), definindo metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2030. Enquanto o principal objetivo é estabilizar o aquecimento global em uma temperatura “muito abaixo” dos 2ºC, as expectativas atuais chegam a 2,7ºC, em comparação com níveis pré-industriais.

Gráfico "Quanto pode piorar?", da BBC. Emissões e aquecimento global esperado até 2100, segundo dados da Climate Action Tracker.
(Reprodução/BBC)

“O problema é que nós temos uma lacuna de emissões entre uma carta de boas intenções dos governos, e o que é submetido por cada país na prática”, alerta a cientista e professora Joana Portugal, em entrevista à ONU News. “Nós estamos caminhando numa forma muito lenta, com passos de caracol, quando deveríamos estar pegando o trem-bala japonês”.

Em referência ao “Relatório sobre as Lacunas de Emissões 2021”, publicado pelas Nações Unidas em outubro deste ano, a coautora revela que foram avaliadas as metas e os compromissos firmados pelo grupo de países do G20, e que “nenhum deles têm metas ambiciosas e compatíveis com o Acordo de Paris”.

Com a Conferência do Clima em Glasgow, 124 delegações - 123 países mais a União Europeia - apresentaram novas metas para os próximos anos. Embora alguns países não tenham reforçado suas ambições, como México, Brasil, Austrália, Indonésia e Rússia, os demais membros do G20 submeteram NDC’s mais expressivas, segundo dados da Climate Action Tracker (CAT).

Das lacunas aos avanços históricos nas negociações climáticas, a aprovação unânime do documento não correspondeu à notável decepção de representantes com o texto final.

Ativistas também manifestaram duras críticas à conferência.

“A #COP26 acabou. Aqui está um breve resumo: Blah, blah, blah”, publicou Greta Thunberg em suas redes sociais. “Mas o verdadeiro trabalho continua fora desses corredores. E nunca vamos desistir, nunca”.

Após semanas de negociações, e dois meses após a eleição, a coalizão “semáforo” chegou a um acordo na tarde desta quarta-feira (24).
por
Luan Leão
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24/11/2021 - 12h

Olaf Scholz, de 63 anos, do Partido Social-Democrata (SPD), atual vice-chanceler, deve ser eleito pelo Bundestag (Parlamento) para o cargo de chanceler, substituindo Angela Merkel após 16 anos. O último chanceler do SPD foi Gerhard Schroeder, entre 1998 e 2005.

Quase dois meses após as eleições, ocorridas em 26 de setembro, o SPD chegou a um acordo de coalizão junto ao Os Verdes e ao Partido Liberal Democrático (FDP). A coalizão denominada de “Ampel”, que significa semáforo em alemão, recebeu esse nome em referência às cores dos partidos: vermelho do SPD, amarelo do FDP e verde.

Os três partidos negociavam desde o final de outubro, e convocaram uma entrevista coletiva para a tarde desta quarta-feira (24) para apresentar detalhes do acordo. A expectativa é que o líder social-democrata Olaf Scholz seja eleito na semana do dia 6 de dezembro.

Líderes da coalizão "Ampel"
Annalena Baerbock, Os Verdes, Olaf Scholz, SPD, e Christian Lindner, FDP, em coletiva no final de outubro. Reprodução: Reuters 

“O semáforo existe”, afirmou Scholz na coletiva desta quarta. Para o futuro chanceler, a aliança vai “promover, impulsionar e levar adiante a soberania europeia”. A coalizão liderada pelos social-democratas terá 416 dos 736 assentos do Bundestag, e será a primeira coalizão tripartidária a governar a Alemanha desde 1950. É a primeira vez que a coalizão “semáforo” governa em nível federal.

O SPD foi o partido mais votado na última eleição com 25,7% dos votos. Os Verdes atingiram o melhor resultado de sua história com 14,8% dos votos, e os liberais alcançaram 11,5%. A União Democrata-Cristã (CDU), partido de Angela Merkel, e seu partido irmão, a União Social-Cristã (CSU), amargaram seu pior resultado da história, com 24,1% dos votos. Vale lembrar que a coalizão liderada por Merkel desde 2013, e chamada de “grande coalizão”, tem como integrantes a CDU/CSU e o SPD. Neste pleito, os partidos descartaram a manutenção da aliança. 

O líder dos liberais, Christian Lindner, reforçou a confiança em Scholz. “Olaf Scholz será um chanceler forte para a Alemanha”, afirmou na coletiva. Assim como Merkel, Scholz é tido como um político pragmático e pouco carismático, mas também como alguém que cumpre metas e capaz de lidar com temas espinhosos.

"Ousadia para mais progresso"

O acordo divulgado entre os partidos é intitulado de “Ousadia para mais progresso. Aliança para a liberdade, justiça e sustentabilidade”. Segundo o acordo, o líder dos liberais, Christian Lindner, substituirá Olaf Scholz e será o novo ministro das Finanças. A líder dos verdes, Annalena Baerbock, será a ministra das Relações Exteriores, e o também líder dos verdes, Robert Habeck, será o responsável pelo superministério da Economia, Energia e Clima. Por serem majoritários na coalizão, os social-democratas terão mais pastas, incluindo Saúde, Trabalho, Interior e Defesa. 

O acordo prevê um aumento do salário mínimo de 9,60 para 12 euros a hora. Além disso, a coalizão espera uma expansão maciça das energias renováveis, com a meta de que até 2030, as energias eólicas e solar sejam responsáveis por 80% da produção de energia do país. Scholz prometeu também distribuir 1 bilhão de euros em bônus para trabalhadores da saúde na linha de frente do combate a COVID-19. 

A Alemanha vive um agravamento da crise sanitária do país, batendo recordes de contágios diários, e vendo uma elevação no número de mortos. O agravamento já obrigou diversos estados a adotarem medidas restritivas, como o fechamento de mercados de Natal e a proibição da entrada de não vacinados em restaurantes. 

 

Representantes do Partido Social Democrata (SPD), do Os Verdes e do Partido Liberal Democrático (FDP) encerraram as negociações preliminares e recomendaram o início de negociações formais para formar uma coalizão de governo.
por
Luan Leão
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16/10/2021 - 12h

Em coletiva realizada na sexta-feira 15/10, em Berlim, Olaf Scholz, candidato a chanceler do Partido Social Democrata (SPD), Annalena Baerbock, do Os Verdes, e Christian Lindner, do Partido Liberal Democrático (FDP), anunciaram que estão dispostos a iniciar negociações formais para a formação de um governo.

Líderes do partido Verde, Olaf Scholz (SPD) e Christian Lindner (FDP)
Da esq. para dir.: Robert Habeck e Annalena Baerbock (Os Verdes), Olaf Scholz (SPD) e Christian Lindner (FDP). Reprodução: REUTERS

Encerradas as negociações preliminares, três semanas depois da eleição geral, os partidos se mostraram otimistas quanto ao sucesso da coalizão. A união é chamada de “ampel” (semáforo em alemão), devido às cores dos partidos: vermelho, dos sociais-democratas, amarelo, dos liberais, e verde. Os partidos também apresentaram um documento de 12 páginas com os resultados preliminares das negociações em torno de um projeto comum. 

Olaf Scholz classificou como “muito bom” o resultado desta primeira rodada de debates. O social-democrata destacou a modernização da Alemanha e as preocupações com as mudanças climáticas como pontos centrais.

"Um novo começo é possível com as três partes se unindo", disse Scholz. 

O SPD foi o partido mais votado nas eleições do dia 26 de setembro, tendo 25,7% dos votos. Caso as negociações avancem, Olaf Scholz, que é o atual vice-chanceler e ministro das finanças, deverá ser eleito pelo Bundestag (Parlamento) para suceder Angela Merkel, após 16 anos. 

Os Verdes, de Annalena Baerbock, conquistaram seu melhor resultado da história, alcançando 14,8%. Os liberais tiveram 11,5% dos votos. Por tradição, o governo necessita alcançar maioria absoluta do parlamento, o que garante a votação do chanceler, já que os partidos alemães são resistentes a governos de minoria. Se confirmada a aliança da coalizão “semáforo”, será a primeira vez que a aliança governará em nível federal, e a primeira aliança tripartidária a governar a Alemanha desde 1950. 

O líder do FDP, Christian Lindner, classificou a coalizão tripartite como uma oportunidade.

"Estamos agora convencidos de que por muito tempo não houve uma oportunidade como essa para modernizar a sociedade, a economia e o governo", afirmou Lindner.

A percepção é de que Os Verdes e o FDP têm um eleitorado parecido: jovem, urbano, e elevado grau de escolaridade, além de pontos em comum na política social. O que os distancia é a política econômica. 

Ainda assim, segundo Baerbock, foi possível “encontrar pontes” durante as sondagens. Ela afirmou que o objetivo é "garantir uma verdadeira renovação por meio de uma coalizão progressista".

Os partidos devem submeter à análise interna, durante o final de semana, o documento apresentado no dia 15/10. Baseado neste documento, as três partes irão aprofundar as conversas e definir, ponto a ponto, os detalhes de uma futura aliança. A decisão, de prosseguir ou não com os debates, deve ser entregue na segunda-feira, de acordo com Olaf Scholz.

 

Olaf Scholz e o SPD confirmaram o favoritismo sobre a CDU de Armin Laschet. A vitória apertada indica que as negociações por coalizão serão longas.
por
Luan Leão
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01/10/2021 - 12h

Os eleitores alemães foram às urnas no domingo (26) para escolher o sucessor de Angela Merkel, que deixa a chancelaria federal após 16 anos de governo.

As pesquisas já mostravam que a disputa seria apertada, com margem mínima de vantagem para Olaf Scholz, do Partido Social Democrata (SPD). No sábado (25), no último ato eleitoral da União Democrata-Cristã (CDU), Angela Merkel fez um apelo em favor de Armin Laschet, e apostou nos indecisos para uma virada na véspera da eleição. 

Eleitores sociais-democratas em evento do SPD
Eleitores agitam bandeiras dos social-democratas em evento do SPD, após a divulgação das pesquisas de boca de urna. Foto: ODD ANDERSEN/ AFP

As projeções de pesquisa das redes de televisão local ARD e ZDF confirmaram que se esperava. O SPD liderou a corrida com 25,9%. Em segundo lugar aparece a CDU/CSU com 24,1%. Na terceira colocação aparecem Os Verdes com 14,7%, seguidos pelo Partido Democrático Liberal (FDP) com 11,5%. O Bundestag será formado por 730 cadeiras, superando as 709 eleitas em 2017.

A distribuição de assentos será a seguinte:

-205 cadeiras para o SPD

-194 cadeiras para a CDU/CSU

-117 cadeiras para Os Verdes

-91 cadeiras para o FDP

-82 cadeiras para a AfD

-40 cadeiras para o Die Linke

-1 cadeira para outros

O resultado desta eleição entra para história. Para além do fato de ser escolhido o sucessor de Angela Merkel, esses são os piores números já conquistados até agora pela CDU, partido de Merkel. 

 

Reações das Campanhas 

SPD

O Secretário-Geral do Partido Social Democrata (SPD), Lars Klingbeil, reagiu aos números iniciais e afirmou que o partido tem condições de liderar uma coalizão.

“O SPD tem o mandato de governar. Queremos que Olaf Scholz seja chanceler (...) Sabíamos que seria uma campanha renhida”, afirmou Klingbeil à emissora ZDF, completando que estava muito contente. 

CDU

“As perdas são amargas em comparação com as últimas eleições”, assim definiu Paul Ziemiak, Secretário-Geral da CDU, ao comparar os resultados com a eleição de 2017, quando a CDU/CSU obteve mais de 30%. Apesar das projeções, em um discurso em Berlim, o líder do CDU/CSU, Armin Laschet, manifestou o desejo de uma coalizão com Os Verdes e o FDP. “Quero liderar uma coligação do futuro”, disse Laschet ao lado de políticos do partido, entre eles a chanceler Angela Merkel. 

Os Verdes 

O coordenador federal do Os Verdes, Michael Kellner, avaliou os resultados e não escondeu certa decepção. “Fizemos ganhos significativos, mas é difícil para mim estar realmente satisfeito com estes ganhos”, afirmou Kellner à agência DPA. O coordenador do partido verde felicitou o SPD pelo que chamou de “um grande sucesso eleitoral”, e adiantou a preferência por uma coligação com os sociais-democratas. 

Para Annalena Baerbock, candidata a chanceler do partido, o país precisa de um novo governo que tenha compromisso com questões climáticas. “Concorremos pela primeira vez para moldar este país como uma força líder (...) Este país precisa de um governo climático (...) É isso que continuamos a lutar”. A candidata se mostrou aberta para iniciar conversas com os liberais sobre possíveis coligações. 

FDP

O líder dos liberais, Christian Lindner, disse ser favorável a uma coligação liderada pelo CDU/CSU em conjunto com Os Verdes. “Acho que a probabilidade de colocarmos a nossa política em prática é maior nesta constelação”.

 

Coligações e Futuro Chanceler 

Para formar maioria no parlamento será necessário uma coalizão entre três partidos. Obter maioria com apenas dois partidos só seria possível se CDU/CSU e SPD mantivessem a aliança que governa o país desde 2013, o que é improvável. 

Uma coligação entre CDU/CSU, Os Verdes e o FDP é chamada de “Jamaica”, pelas cores dos três partidos lembrarem as cores da bandeira do país caribenho. 

Por outro lado, os liberais não descartam uma coalizão com o SPD e Os Verdes, chamada de “ampel” (semáforo, em alemão), pelas cores vermelho (SPD), amarelo (FDP) e verde. Sabe-se que o partido verde tem a preferência por uma coligação liderada pelo SPD, enquanto os liberais simpatizam por uma coalizão liderada pelo CDU/CSU.

Dadas as situações, reunir o próximo governo de coalizão para a maior economia da Europa pode levar semanas de negociações. Pelo modelo eleitoral, o partido que termina em primeiro lugar, neste caso o SPD, está mais bem colocado, mas não garantido de formar um novo governo. 

Vale lembrar que até que uma nova coligação seja formada, quem segue no governo é Angela Merkel. 

 

Após manter distância da escolha de seu sucessor e vê-lo patinar nos números, Angela Merkel participou do último ato eleitoral da CDU para tentar dar fôlego à candidatura de seu partido.
por
Luan Leão
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25/09/2021 - 12h

Na véspera da eleição mais incerta dos últimos anos, Angela Merkel, que estava afastada da disputa eleitoral que escolherá seu sucessor, não poupou esforços para que o novo chanceler seja Armin Laschet, candidato da união conservadora dos partidos União Democrata-Cristã (CDU) e União Social-Cristã. Uma vitória de Laschet é considerada, segundo as pesquisas, improvável, mas uma derrota do partido pode representar uma pequena mancha no legado de 16 anos de governo construído por Merkel. 

“É apenas a cada quatro anos que vocês têm a chance de decidir em nível federal quem deve moldar o futuro em Berlim. (...) É preciso tomar as decisões certas (...) porque trata-se do país de vocês e vocês decidem o futuro do governo”, afirmou Merkel em Aachen, ao lado do candidato democrata-cristão Armin Laschet.

Os conservadores correm o risco de obter o seu pior desempenho eleitoral, a centro-direita sempre obteve mais de 30% dos votos nas eleições nacionais, e forneceram ao país cinco dos oito chanceleres do pós-guerra. 

Mas o cenário encontrado nesta eleição é adverso. O candidato da aliança CDU-CSU se mostrou impopular e desajeitado, além de inseguro, e viu o candidato do Partido Social-Democrata (SPD), Olaf Scholz, assumir a dianteira nas pesquisas. SPD e CDU governam a Alemanha em conjunto desde 2013, mas a relação vem se desgastando nas últimas semanas. Isso porque, para desespero da CDU, é Olaf Scholz, atual ministro das finanças e vice-chanceler, e não Armin Laschet, que é considerado “nova Merkel”, o candidato da continuidade tranquilizadora. 

Olaf Scholz, Annalena Baerbock e Armin Laschet
Olaf Schol (à esquerda), Annalena Baerbock (centro) e Armin Laschet (à direita), no debate de 19 de Setembro. EPA/FILIP SINGER

Em terceiro lugar nas pesquisas, com cerca de 16%, aparece Annalena Baerbock, colíder do Os Verdes. Assim como Laschet, a deputada e colíder do partido verde teve altos e baixos em sua campanha, chegando a liderar com 30% por um período em Maio. Annalena Baerbock foi o principal alvo de notícias falsas durante a campanha na Alemanha, tendo 71% dos conteúdos mentirosos direcionados a sua campanha, segundo a organização não-governamental Avaaz. Sobre os ataques a Baerbock, o diretor de campanha da Avaaz afirmou que é difícil identificar os motivos.

"Neste caso, Annalena Baerbock é uma mulher, é nova, quer uma mudança, talvez mais do que os outros candidatos. E, talvez por isso, enfrente uma maior resistência e haja interesse em espalhar informação falsa para que ela seja vista de uma outra forma".

 

O que movimenta o eleitorado ?

A Alemanha firmou compromisso de tornar neutra a emissão de gases do efeito estufa até 2045, a grande questão é como a maior economia da Europa, e a quarta do mundo, fará para conter a poluição de suas indústrias e do seu sistema de transporte. 

Os Verdes e o Die Linke (A Esquerda) têm uma projeção ousada, eliminando as usinas de carvão até 2030. Os liberais do FDP projetam alcançar a neutralidade até 2050. A extrema-direita com o AfD rejeita as evidências científicas sobre os impactos causados pelo homem ao meio ambiente. 

As consequências econômicas da pandemia também é um tema dominante. A Alemanha precisou assumir grandes dívidas para arcar com as consequências econômicas de dois lockdowns prolongados. CDU e o Partido Liberal Democrático (FDP) rejeitam a ideia de futuros aumentos de impostos, os liberais prometem até reduções. Já SPD e Os Verdes falam em benefícios fiscais para pequenas empresas e na reintrodução de imposto sobre a fortuna de cerca de 1% para os que ganham mais.

 Novo Governo 

O desenho de coalizão mais provável é uma união entre o Partido Social-Democrata (SPD), Os Verdes e o Die Linke (A Esquerda). Outra possibilidade é uma coalizão entre SPD, Os Verdes e o Partido Liberal-Democrático (FDP). Pelo que apontam os números, um eventual vencedor terá que negociar uma coalizão com ao menos três partidos para garantir a maioria do Bundestag, algo que não acontece na Alemanha desde os anos 1950.

 

Alemães votam neste domingo (26) para eleger os integrantes do 20º Bundestag (parlamento) do pós-guerra.
por
Luan Leão
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25/09/2021 - 12h

O sistema eleitoral alemão é distrital misto. O voto não é obrigatório e não existe título de eleitor como no Brasil. Algumas semanas antes do dia da eleição os eleitores recebem em casa instruções sobre seu local de votação. Também é possível votar pelos correios, neste ano espera-se que cerca da metade dos eleitores aptos a votar escolham essa opção, como fez a própria chanceler Angela Merkel que optou por votar de casa.

 

Eleição

O eleitor alemão dispõe de dois votos. No primeiro voto, o eleitor escolhe o candidato do seu distrito, por voto direto, e é eleito o candidato que obtiver mais votos. Cada partido tem o direito de lançar um candidato por distrito ou zona eleitoral. A Alemanha tem 299 distritos eleitorais, um para cada 250 mil habitantes. 

Esses 299 representantes eleitos pelo voto direto formam metade do Bundestag, o parlamento alemão, composto regularmente por 598 representantes. 

A outra metade do Bundestag é definida pelo segundo voto, ou voto em legenda. Ele vai determinar o tamanho de cada partido dentro do parlamento. Por exemplo, se um partido obtiver 30% dos votos em legenda, ele detém 30% dos assentos no Parlamento. Para definir quem serão os deputados, os partidos definem previamente uma lista. 

É possível que o eleitor conceda o primeiro voto ao candidato de um partido, e escolha um partido diferente para o seu segundo voto. 

 

Formação do Parlamento

Para obter cadeiras no Parlamento alemão os partidos precisam conquistar pelo menos três mandatos por voto direto ou 5% dos votos em legenda. A formação do Bundestag respeita a proporcionalidade, evitando que o voto direto tenha mais peso do que o voto na legenda. 

Por exemplo, um partido obteve 30% dos votos em legenda, logo tem direito a 180 assentos no Bundestag. Se esse partido elegeu 90 deputados por voto direto, estes serão os primeiros a ocupar os assentos no Parlamento, e os demais 90 serão ocupados conforme a lista do partido. 

Foto: Michele Tantussi/REUTERS
Câmara baixa do Parlamento da Alemanha, em Berlim. Foto: Michele Tantussi/REUTERS

Porém, se esse partido eleger 200 deputados por voto direto, ele tem mais deputados eleitos por voto direto do que assentos garantidos pela porcentagem da legenda. O sistema eleitoral permite que todos esses 200 tomem posse, mas, para compensar, os demais partidos ganham assentos adicionais conforme suas porcentagens de voto na legenda. Interessa que ao final as bancadas correspondam a porcentagem de votos obtidos pelo partido no segundo voto.

Na eleição de 2017, devido a esse sistema de compensação, o Bundestag que, em tese, seria composto por 598 representantes, empossou 709 deputados, um recorde. 

 

 

 

 

Proporção populacional 

A composição do Parlamento é dividida por estados e leva em conta a população de cada um deles no dia 31 de Dezembro do ano anterior. Com isso, enquanto o estado mais populoso do país, Renânia Norte-Vestfália, pode eleger 135 deputados, o menos populoso, a cidade-estado de Bremem, elege apenas cinco. 

 

Partidos

Com uma antecedência mínima de 79 dias, a Comissão Eleitoral determina quais partidos poderão participar da eleição, a partir do número de filiados e grau de popularidade. Atualmente, os partidos com representação no Bundestag são os conservadores União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU), que formam uma bancada única, o Partido Social Democrata (SPD), o Aliança 90/Os Verde, Die Linke (A Esquerda), Partido Liberal Democrático (FDP) e a Alternativa para a Alemanha (AfD).

Como é eleito o chanceler federal ?

A lei alemã não prevê a eleição por voto direto para escolha do chanceler federal. O chanceler é escolhido por meio do Bundestag, ou seja, de forma indireta.

No início das campanhas eleitorais alguns partidos já indicam candidatos a chanceler, na prática, estão dizendo ao eleitor quem eles vão submeter ao voto do Bundestag, caso liderem uma coalizão de governo. Nem todos indicam previamente os nomes. Geralmente, só os que realmente se veem com chances de liderar uma coalizão o fazem. 

Nas atuais eleições, três partidos indicaram candidatos oficiais: A CDU e a CSU apresentaram o líder da CDU e ministro-presidente do estado da Renânia Norte-Vestfália, Armin Laschet. O atual ministro das finanças e vice-chanceler Olaf Scholz, é o nome do SPD. E Os Verdes escolheram sua colíder Annalena Baerbock. Esta é a primeira vez que Os Verdes indicam um nome para o cargo de chanceler federal. 

 

Apuração e resultados 

Os votos são contabilizados logo após o fechamento das urnas e costumam ser anunciados nas horas seguintes. Segundo a lei, os deputados eleitos devem tomar posse até 30 dias depois da eleição. 

Caso nenhum partido obtenha maioria absoluta dos votos, o que é provável, duas ou três legendas iniciam contatos para formar uma coalizão. Ao chegarem a bases para negociar, passam a definir quais partidos ocupam quais funções no futuro governo, e quais políticas serão implementadas, isso tudo é formalizado em um documento, o acordo de coalizão. 

O chanceler só é eleito pelos deputados depois que a nova coalizão chega a um acordo. As negociações não têm prazo para terminar, e podem se estender por semanas ou meses. Durante todo esse período, segue no cargo o governo que já está.

Após o acordo, o presidente da Alemanha formaliza a indicação do chanceler e envia o nome de volta ao Parlamento para votação. Os parlamentares votam se aprovam ou não o candidato a chanceler. Se o nome for aprovado, o que costuma acontecer sem sustos, o chanceler é confirmado no cargo e a Alemanha tem novo governo.

 

Depois de 16 anos como chanceler alemã, Merkel decidiu não concorrer à reeleição. Os alemães votam neste domingo.
por
Luan Leão
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23/09/2021 - 12h

Desde 2018 já se sabe que Angela Merkel não disputaria as atuais eleições. No poder desde 2005, Merkel optou por não concorrer à reeleição. Líder do principal partido alemão, a União Democrata-Cristã, ou CDU, ainda em 2018 indicou um nome para lhe suceder nas próximas eleições: Annegret Kramp-Karrenbauer. 

Vista por muitos como moderada, cautelosa e capaz de dar continuidade ao governo de Merkel, Karrenbauer não conseguiu formar sua própria base e não obteve sucesso em popularidade nem dentro do partido. Com o esvaziamento da pré-candidatura, Karrenbauer abandou a liderança do partido em Janeiro deste ano. Em seu lugar, assumiu Armin Laschet, a atual aposta para a sucessão de Angela Merkel. Desde Junho de 2017, Laschet é Ministro-presidente do estado da Renânia do Norte-Vestfália, o mais populoso da Alemanha.

Apesar de reunir características que agradam a base da CDU, Laschet não empolga e se viu em queda livre nas pesquisas eleitorais desde o começo da campanha. Em teoria, após 16 anos de governo Merkel, não teria dificuldade em emplacar um sucessor. Ainda mais se olharmos para a história: nos últimos 72 anos, a CDU esteve no poder durante 52. 

Angela Merkel e Armin Laschet. POOL/REUTERS
 Angela Merkel cumprimenta Armin Laschet, em Düsseldorf. POOL/REUTERS

O que atrapalha Armin Laschet ?

O político de 60 anos e formado em Direito é visto por muitos como inseguro, despreparado e pouco sério diante de problemas graves. O caso que abalou sua popularidade, e é considerado o motivo de sua queda nas pesquisas, aconteceu há pouco tempo, envolvendo sua reação às enchentes que mataram 180 pessoas na Alemanha. Em 17 de Julho, ao visitar uma região do estado que governa, duramente castigada pela enchente, Laschet foi flagrado rindo de uma piada no exato momento em que o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier discursava e prestava solidariedade às vítimas. 

Quem também estava no local era o principal rival de Laschet nessas eleições, o ministro da economia e candidato do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), Olaf Scholz, que permaneceu sério e falou sobre liberação de verbas e medidas imediatas de reconstrução. Dias após o episódio, Laschet se retratou à emissora ZDF: “Foi estúpido e não deveria ter acontecido e eu me arrependo”, disse ele.

O que dizem as pesquisas ?

Olaf Scholz (SPD) lidera as pesquisas. De acordo com os últimos números, os social-democratas aparecem com cerca de 25%, enquanto a CDU de Armin Laschet obtêm entre 20% e 22% – um dos piores resultados já registrados pelos conservadores em pesquisas. 


 

O acidente nuclear responsável por criar a maior cidade fantasma da Europa faz aniversário
por
Isabela Gama Figueroa
Fabrício De Biasi
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15/05/2021 - 12h

Na madrugada do dia 26 de abril de 1986, na cidade de Chernobyl, um dos reatores da Usina V.I Lenin explodiu após uma falha humana, e acarretou um verdadeiro desastre para a população.  

Tudo começou com um teste de segurança que estava em curso, e por uma falha, ocasionou na explosão do reator 4, que matou 31 trabalhadores de início, e na sequência, iniciou-se um incêndio que se estendeu por dias, isso porque a exposição nuclear ficou muito grande, impossibilitando uma ação humana mais "direta". Além disso, essa explosão liberou quantidades enormes de materiais radioativos, entre eles, o IODO-131 e o CÉSIO-137. 

É válido lembrar que as consequências deixadas pelo acidente foram enormes, tanto para a área ambiental quanto para a política e economia da antiga URSS. Em conversa com o professor da PUC-SP José Arbex Jr, que já morou por um período em Moscou, ele nos revela que a Guerra Fria, por um lado, obteve sua influência a respeito do acidente, levando-se em conta que havia uma certa “pressa” por parte dos EUA e da URSS em se desenvolverem cientificamente. Por outro lado, já havia também, de acordo com o entrevistado, um problema de gestão no governo, nas palavras dele: “uma carência de fundos também contribuiu para o acidente”. Quando perguntado sobre a influência deixada para a eventual abertura da URSS, ele nos conta que o acidente ajudou a acelerar o processo de reforma, acarretando, posteriormente, na sua dissolução no dia 25 de dezembro de 1991. 

A região de Chernobyl ainda não é habitável, mas apesar disso, atualmente as viagens às cidades de Pripyat e Chernobyl são recorrentes. 

Guichê de informações da “Chernobyl Tour”   Foto: NurPhoto / Sygma via Getty Images

Em conversa com a jornalista Fernanda Ezabella, que visitou a Ucrânia em 2018, e Lucas Estevam, responsável pelo blog de viagem “Estevam pelo mundo", que visitou em 2019, eles nos revelaram que não há burocracia para o passeio turístico, é possível acionar umas das dez agências que realizam os tours pela internet, e são elas que cuidam de toda a parte documental da viagem, “Arranjamos tudo on-line, e encontramos a guia e a van no centro de Kiev”, afirma Fernanda. 

Em relação ao passeio, os entrevistados contam que é possível alugar um contador Geiger, aparelho utilizado para medir Sievert, unidade de medida para radiações ionizantes, desse modo é possível acompanhar o índice de radiação nos objetos encontrados. Já sobre os lugares visitados, Fernanda conta: “A agência tem alguns tipos de roteiro. Visitamos uma escola, um campo de futebol, uma piscina vazia, a praça central de Pripyat, um supermercado, etc.” Mas para todos que viajam para Chernobyl, o ponto turístico mais aguardado é o sarcófago que protege o reator 4, só é permitido permanecer 7 minutos no local e a 270 metros de distância da cobertura de concreto e aço. A jornalista também comenta de monumentos dedicados aos bombeiros que chegaram primeiro no local do acidente e também de uma estátua do Lenin, a última que segue de pé na Ucrânia. Além disso, há um restaurante em Chernobyl Town, o único que permite o almoço de turistas, “A guia fez questão de dizer que a comida vinha de Kiev, não tinha nenhum problema de ser 'radioativa'”, afirmou Fernanda.  

Quando perguntado o que mais impressionou os viajantes, Fernanda apontou detalhes da natureza, "Só conseguimos reconhecer o campo de futebol por causa das arquibancadas”. E um ponto em comum com os dois viajantes foi a sensação de volta para o passado, “Foi como estar dentro de um filme. Difícil descrever em palavras”, afirmou Lucas Estevam. 

 Parque de diversões em Pripyat tomado pela vegetação  Foto:Edward Neyburg/ Sygma via Getty Images