Governo de Donald Trump decide fazer mudança no departamento de estado em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Washington e Brasília.
por
Rafael Jorge
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26/08/2026 - 12h

O Governo dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira (17), a troca do chefe de escritório responsável pelas relações entre Brasil e América Latina. Juan Pablo Segura assumiu o cargo de Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, no lugar do embaixador Michael Kozak, que ocupava a função de forma interina desde 2025.

Juan Segura já havia sido indicado pelo presidente Donald Trump em abril deste ano. Em junho, o nome dele passou por uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado, quando foi aprovado. Segundo o departamento de estado, o novo chefe tomou posse no dia 14 de agosto.

Juan Pablo Segura é um membro do partido republicano e empresário americano, filho de imigrantes argentinos. Antes de chegar ao departamento de estado, ele foi secretário de Comércio Exterior da Virgínia, no governo de Glenn Youngkin. Também co-fundou, em 2014, a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada ao acompanhamento pré-natal e pós-parto.

Novo Secretário de Estado em foto oficial
Juan Pablo Segura, novo chefe de escritório responsável pelas relações entre EUA e América Latina. Foto: Departamento de Estado dos Estados Unidos

No mesmo dia em que foi anunciado, Segura utilizou suas redes sociais para dizer que pretende trabalhar em parceria com o Presidente Trump e o secretário de Estado Marco Rubio “Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, se gere prosperidade para os americanos e nossos associados e se assegurem nossas fronteiras. Estou pronto para trabalhar!” afirmou.

 

Publicação no X de Juan Pablo Segura agradecendo a oportunidade no novo cargo
Post de Juan Pablo Segura no dia em que foi oficializado como Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental. Imagem: X/ Reprodução @WHAAsstSecty 

A mudança acontece em meio a uma tensão diplomática entre Estados Unidos e Brasil. No início de agosto, o governo estadunidense revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão aconteceu, segundo o governo dos Estados Unidos, após o Brasil recusar conceder aprovação diplomática ao embaixador Daniel Perez, indicado por Trump para atuar na capital brasileira.

Juan Pablo Segura já usou suas redes sociais para falar sobre o Brasil. Em fevereiro de 2025, ele criticou a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de multar o X (antigo Twitter) por descumprimento de uma ordem judicial “Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com os valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão." 

Já em abril deste ano, Segura compartilhou um texto sobre a decisão dos Estados Unidos em expulsar um delegado brasileiro que estava supostamente envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território americano. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso", dizia a publicação.

O que diz o Itamaraty? 

Até o momento, o Itamaraty não se pronunciou especificamente sobre a nomeação de Juan Pablo Segura. O governo brasileiro, no entanto, tem defendido que a concessão de agrément, autorização formal do país que receberá um embaixador, é um procedimento diplomático necessário e deve ocorrer antes da divulgação pública da indicação.

Na perspectiva de Brasília, a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti e a nomeação de Segura acontecem dentro de um contexto mais amplo de deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro também negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao país, após suspeitas de que a visita poderia estar relacionada a questões políticas e ao sistema eleitoral brasileiro.

 

Em transmissão ao vivo, estudante mata colega e comete suicidio em colégio de Zamboanga
por
Jeórgia Sophia Xavier
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25/08/2026 - 12h
 

Na terça-feira (18) um estudante de um colégio católico na cidade de Zamboanga, no sudoeste das Filipinas, transmitiu ao vivo no Facebook o momento em que atirou e matou o colega Patrick Dylan See, de 15 anos, aluno da primeira série do ensino médio. O atirador era um estudante do 9° ano que, logo após o ocorrido, tirou a própria vida.

Segundo a polícia regional, o estudante levou uma pistola e uma espingarda para dentro da escola – anexa à Universidade Ateneo de Zamboanga –  que pertenciam legalmente ao pai que atuava como oficial da alfândega e foi suspenso preventivamente enquanto as investigações ocorrem. Inicialmente, indicou-se que não havia indícios de convivência ou influência familiar, porém o governo investiga a responsabilidade legal dele por negligência no armazenamento e custódias das armas de fogo.

O estudante, cuja identidade não foi divulgada, começou a atirar sem controle e atingiu um aluno que estava no quarto andar.  A transmissão ao vivo foi confirmada pelo Secretário do Interior, Vitor Remulla, e o perfil do estudante foi desativado. No vídeo, é possível ver crianças correndo e gritando em direção às portas de saída enquanto o autor do crime carrega as armas pelo corredor, semelhante a cena de um jogo eletrônico de tiro em primeira 

Escola sendo evacuada após ataque. Foto: REPRODUÇÃO / YOUTUBE Cna
Escola sendo evacuada após ataque. Foto: REPRODUÇÃO / YOUTUBE Cna

Pouco depois, o reitor da Universidade, Ernald Andal, esclareceu que não havia mais tiroteio em andamento, e confirmou que não houve outras mortes ou feridos, além das já confirmadas. O padre Guillrey Anthony, presidente da universidade, cancelou as aulas e declarou um dia de luto e oração em todos os campus da universidade. "Não queremos que nada disso aconteça. Desejamos priorizar a segurança de todos os nossos alunos", disse Guillrey em relato para a polícia 

Embora os ataques em escolas sejam raros nas Filipinas, devido às regulamentações rigorosas diante da posse de armas, dois meses antes dois alunos abriram fogo contra os colegas em uma escola pública na cidade de Tacloban. O ataque deixou 3 mortos e cerca de 20 feridos. Também é norma a verificação de antecedentes e avaliação psicológica, embora armas de fogo ilegais continuem em circulação. O presidente Ferdinand Marcos ordenou uma investigação. “As escolas também devem estar entre os lugares mais seguros em nosso país", disse ele em um comunicado.

 

Novo fenômeno ocorreu três dias após um terremoto magnitude 7,7 que deixou dezenas de mortos em Flores
por
Vitória Teles
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24/08/2026 - 12h

Na última terça-feira (18), a região de Sumatra, na Indonésia, foi atingida por um tremor de magnitude 6,1, por volta das 13h02 no horário local (3h02 em Brasília), três dias após um terremoto que deixou mais de 60 mortos e cerca de 200 feridos no último sábado (15), na Ilha das Flores. A Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia (BMKG) informou que o tremor atingiu 29 quilômetros de profundidade.

Destroços de uma casa após o terremoto em Flores, no sábado (15). Foto: Wikimedia Commons
Destroços de uma casa após o terremoto em Flores, no sábado (15). Foto: Wikimedia Commons 

Até as últimas atualizações sobre o tremor, não se teve relatos de vítimas. Alertas de tsunami chegaram a ser emitidos, mas posteriormente cancelados após a probabilidade do fenômeno ter sido descartada.

A Agência Nacional de Gestão de Desastres informou que 19 mil pessoas estão abrigadas em tendas, visto que o tremor danificou cerca de 4,5 mil casas. Segundo o órgão federal, 122 unidades de saúde, 252 escolas e 84 locais de culto também foram danificados. “Há mais de 31.000 pessoas desabrigadas. Até o momento, o Ministério de Assuntos Sociais destinou mais de R $14 bilhões (R$4.079.182,80) em recursos para apoio humanitário”, disse o Ministro de Assuntos Sociais, Saifullah Yusuf, na capital Jacarta, no mesmo dia.

O fenômeno chama atenção, principalmente, por ocorrer poucos dias após um terremoto avassalador que deixou uma série de pessoas mortas e feridas. Entretanto, o tremor de 6,1 registrado em Sumatra, pertence a um sistema sísmico diferente do terremoto que atingiu Flores que passou por uma sequência de réplicas próprias, como parte de um processo de reajuste de crosta após o terremoto inicial.

Foto: Reprodução/Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia
Foto: Reprodução/Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia

A Indonésia sofre com uma série de terremotos devido a sua localização, sendo prejudicada pelo chamado “Anel de fogo Pacífico”, uma faixa que concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica da Terra. Além disso, o país está situado no encontro de várias placas tectônicas importantes, entre elas as placas: Indo-Australiana, Eurasiana, do Pacífico e das Filipinas. Apesar de ter ocorrido com poucos dias de diferença, os dois terremotos pertencem a eventos sísmicos distintos. A BMKG afirma manter o monitoramento em tempo real e destaca que todos os fatores de um terremoto são analisados, como: os epicentros, profundidade, mecanismos de falhas, entre outros. 

Em meio a tensões eleitorais, atual presidente é reeleito para novo mandato de 5 anos com cerca de 60% dos votos válidos
por
Lucas Farias Oliveira
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21/08/2026 - 12h

A comissão eleitoral da Zâmbia anunciou na manhã desta terça-feira (18) a vitória do atual presidente, Hakainde Hichilema, já no primeiro turno e de forma antecipada. Os resultados divulgados pela ECZ (Comissão Eleitoral da Zâmbia) mostraram que Hichilema, de 64 anos, recebeu aproximadamente 61,4% dos votos válidos, em comparação com seu principal adversário, Brian Mundubile, que teve cerca de 38%. 

Quando o resultado foi anunciado,  cinco dos 226 círculos eleitorais ainda não haviam sido contabilizados, porém, de acordo com a Comissão Eleitoral, os resultados em falta não influenciariam de forma significativa o resultado global das eleições. “Portanto, declaro Hichilema Hakainde como presidente eleito da República da Zâmbia neste dia 18 de agosto de 2026”, disse o presidente da comissão, Mwangala Zaloumis à National Election Results Center (Centro Nacional de Resultados Eleitorais) durante uma coletiva de imprensa. 

Presidente reeleito Hakainde Hichilema acena para apoiadores
Presidente reeleito Hakainde Hichilema em comício eleitoral. Via UPND.co

Após a vitória, através de suas redes sociais, o presidente reeleito agradeceu seus apoiadores e mandou um recado aos que votaram na oposição, “Aos cidadãos que preferiram as ideias apresentadas por nossos oponentes, nós os ouvimos e continuaremos a trabalhar por vocês”, acrescentou.

Comunidado do Presidente reeleito

Após o anúncio de sua vitória, centenas de apoiadores de Hichilema se reuniram na capital, Lusaka, vestindo a cor vermelha de seu Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND), em comemoração que se estendeu até a madrugada.

Reeleito, agora o chefe de estado assume o segundo mandato em um momento de reconstrução econômica. Sua principal bandeira foi dar continuidade a disciplina fiscal, e agora vem com plano de aumentar investimento na produção de cobre para acelerar o crescimento econômico. 

Desde que assumiu o poder em 2021, sua gestão liderou a reestruturação da dívida soberana do país para atrair investimentos estrangeiros. Porém, grande parte da população ainda não sentiu o efeito da recuperação, segundo dados  do Banco Mundial, entre 2022 e 2023 mais de 70% dos 22 milhões de habitantes da Zâmbia vivem com menos de US$3 por dia.

Oposição alega que houve fraude e tensão eleitoral

Formada por uma coalizão de forças oposicionistas, o Partido Nacional de Reconciliação para a Unidade e Prosperidade (NRPUP) liderado por Mundubile formou a Tonse Alliance, focava  em propostas de alívio econômico e reestruturação institucional. A principal crítica dos adversários de Hichilema, de acordo com manifesto publicado no site oficial da coligação, foi o descontentamento com o custo de vida, pobreza e desemprego, argumentando que os ganhos macroeconômicos do governo não chegavam suficientemente às famílias. 

O manifesto da oposição apresentou  a inflação e o aumento dos preços como uma das principais falhas do governo Hichilema. Segundo o manifesto da Tonse Alliance, a cesta de necessidades básicas e alimentação para uma família de cinco pessoas em Lusaka passou de cerca de 7 mil kwachas em 2021 para mais de 11 mil entre 2024 e 2025, uma alta superior a 60%, segundo a oposição. 

Opositor de Hichilema, Brian Mundubile acena para apoiadores durante passeata
Brian Mundubile em passeata pré-eleição. Via NRPUP Zambia

O período que antecedeu a  eleição de 13 de agosto foi marcada por um período relativamente tranquilo,  no entanto,  a suspensão inédita da contagem de votos em todo o território, após ataques contra funcionários eleitorais e o roubo de boletins já marcados, tensionaram o cenário eleitoral e levantaram acusações de fraude da oposição. 

Na noite da eleição, as autoridades prenderam 11 pessoas, incluindo figuras importantes da oposição, em uma operação que envolveu troca de tiros, na qual Mundubile estava presente. O governo afirmou que a operação teve como alvo "atividades de milícias", e os detidos teriam sido flagrados em posse de armas de uso militar destinadas a uma insurreição armada. O Partido Nacional de Reconciliação para a Unidade e Prosperidade rejeitou essa versão, afirmando que a operação ocorreu na casa de seu líder e deixou um membro do parlamento ferido por disparos.

No dia seguinte, a comissão eleitoral suspendeu a contagem de votos por horas devido a relatos de violência contra funcionários das seções eleitorais e roubo de cédulas. Mundubile afirmou ter recebido informações sobre a possível alteração dos formulários de resultados das seções eleitorais e pediu uma investigação independente urgente. A equipe de Hichilema argumenta  que ele estava mentindo.

A Tonse Alliance, em declaração à Grindstone Television Zambia, anunciou que pretende contestar judicialmente o resultado das eleições. De acordo com a Reuters, a missão eleitoral da União Europeia também apontou problemas no processo, além do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos manifestou preocupação com as prisões e pediu respeito ao devido processo legal. 

Apesar das constatações apresentadas pela oposição e das críticas dos observadores internacionais sobre o processo eleitoral, a reeleição de Hichilema foi reconhecida diplomaticamente por diversos países, entre eles China e Estados Unidos. Brasil não se manifestou sobre.

Ex-ditador sírio foi condenado à revelia por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante os 14 anos de conflito e se encontra exilado na Rússia
por
Isabela Sallum
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20/08/2026 - 12h

Na terça-feira (11), o Quarto Tribunal Criminal de Damasco, capital da Síria, condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante os quase 14 anos de conflito civil no país. Seu irmão, Maher al-Assad, também recebeu a pena. A decisão é a primeira condenação judicial contra Bashar ou integrantes de seu círculo mais próximo desde a queda do regime, em dezembro de 2024, e representa um marco no processo de responsabilização pelos crimes cometidos durante o governo da família Assad. O juiz Fakhr al Din al Aryan afirmou durante a sessão que Bashar utilizou órgãos do Estado para cometer crimes de guerra e contra a humanidade.

http://www.kremlin.ru/events/president/news/57488/photos
Ex-presidente sírio Bashar al-Assad. Foto: arquivo oficial da Presidência da Rússia.

A condenação ocorre em meio à tentativa do atual governo sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa, de estabelecer um processo de justiça de transição após mais de cinco décadas de domínio da família Assad. Bashar chegou ao poder em 2000, sucedendo seu pai, Hafez al-Assad, que havia governado o país desde 1971. Juntos, pai e filho permaneceram por mais de meio século no comando da Síria, mantendo uma estrutura política marcada pelo autoritarismo, pela repressão das forças de oposição e pelo controle do Estado pelo partido Baath.

A Guerra Civíl teve início em março de 2011, quando manifestações contra o governo começaram na cidade de Daraa, no contexto da Primavera Árabe, quando ocorriam protestos, revoltas e guerras civis em diversos países do Oriente Médio e no Norte da África, por volta de 2010. Neste contexto de descontentamento político,  protestos rapidamente se espalharam pelo país e as forças militares prenderam e torturaram adolescentes que haviam escrito mensagens contra o regime. Isso contribuiu para a transformação das manifestações inicialmente pacíficas em um conflito armado. Ao longo dos anos seguintes, a guerra matou cerca de 500 mil pessoas, além de deslocar famílias, provocar a destruição de cidades, hospitais, escolas e grande parte da infraestrutura síria.

O conflito, porém, não se limitou a uma disputa entre o governo Assad e grupos opositores. A guerra envolveu uma multiplicidade de forças políticas e militares e rapidamente adquiriu dimensão internacional. A Rússia e, sobretudo, o Irã foram os principais aliados de Bashar al-Assad, enquanto diferentes grupos da oposição receberam apoio externo. O governo iraniano forneceu recursos financeiros, armas, inteligência e apoio militar, enquanto o governo russo ampliou sua intervenção a partir de 2015, contribuindo decisivamente para o fortalecimento de Assad e para a retomada de territórios pelas forças governistas. Já países como Turquia, Arábia Saudita e Estados Unidos apoiaram, em diferentes contextos globais, grupos da oposição ou atuaram diretamente no conflito, movidos também por interesses próprios.

Após a queda, os irmãos Bashar e Maher al-Assad fugiram para a Rússia, onde receberam asilo. Desde então, o ex-presidente permanece em Moscou, fora do alcance das novas autoridades sírias. É justamente essa condição que limita os efeitos práticos da condenação. O julgamento foi realizado à revelia, isto é, o réu foi avisado oficialmente de um processo, mas não apresenta sua defesa dentro do prazo da lei, Assad não estava presente no tribunal, e a Syrian Network for Human Rights avalia que, no curto prazo, não existe uma perspectiva realista de sua extradição ou prisão. Segundo a organização, entretanto, o processo possui importância mesmo sem a presença física do acusado, pois pode produzir um registro judicial oficial dos crimes, das provas e da cadeia de responsabilidade que poderá ser utilizado em futuras iniciativas de responsabilização.

O julgamento também faz parte de um processo mais amplo contra integrantes do antigo regime. Além de Bashar e Maher, outros funcionários receberam sentenças no mesmo processo. Entre eles está Atef Najib, primo de Bashar e antigo chefe da Segurança Política em Daraa, que estava sob custódia e foi o único dos principais acusados a comparecer pessoalmente ao tribunal. Najib foi responsabilizado pela repressão aos protestos de 2011, incluindo a prisão e tortura de adolescentes, episódio que ajudou a desencadear a revolta contra o governo Assad.

A sentença também foi alvo de críticas de organizações de direitos humanos. A Anistia Internacional reconhece que a abertura de processos contra responsáveis por graves violações representa um avanço, mas aponta que a legislação síria ainda não incorporou adequadamente crimes previstos no direito internacional, como crimes contra a humanidade e crimes de guerra. A mesma organização questiona se o sistema judicial atual oferece garantias suficientes para um julgamento justo e observa que a Síria mantém a pena de morte.

Assim, a condenação à morte por um lado, serve como uma sinalização política para potências como os Estados Unidos e Israel enquanto tenta conferir legitimidade ao novo governo central de Damasco. Por outro, para as milhões de vítimas e refugiados, a sentença representa um reconhecimento formal das atrocidades cometidas, ainda que a punição física do ex-ditador pareça, no momento, impossível de se concretizar.

Cidade da Espanha recebe mais de 72 mil marroquinos em dois dias através de sua fronteira marítima
por
Manuela Abbate Gonçalves
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13/08/2026 - 12h

No dia 31 de julho, a cidade espanhola autónoma de Ceuta, localizada no norte do continente africano, se deparou com um denso fluxo migratório de cidadãos vindos do Marrocos. A fronteira entre os territórios, embora registre fluxos de migração irregulares há anos, com um episódio de 10 mil migrantes em 2021, nunca lidou com um movimento de larga escala como esse, efetuado por via marítima.  

Mapa que mostra a área do Estreito de Gibraltar, com o continente africano na parte de baixo, o continente europeu em cima e a cidade de Ceuta destacada

Localização geográfica de Ceuta, território ultramarino espanhol que faz fronteira com Marrocos – Imagem: : Google Earth

A travessia é impulsionada pela busca de uma melhor qualidade de vida por parte dos jovens marroquinos. Em entrevista para AGEMT, o  geógrafo e pesquisador Pedro Paulo Coelho comenta: “Não deixa de ser uma crise humanitária, pela magnitude, pela velocidade que aconteceu, pelo perfil de pessoas jovens do Marrocos que estão experimentando desafios sociais econômicos, sobretudo o desemprego.” O país enfrenta uma taxa de desemprego de 9,5%, com o desemprego juvenil, que engloba aqueles entre 15 e 24 anos, aparecendo em 27,2%, de acordo com o Trading Economics para o último bimestre de 2026.

Em entrevista à RFI, (Radio France Internationale), Ali, cidadão marroquino de 22 anos, conta, ao retornar após não conseguir se estabelecer em Ceuta: "Muitos jovens partiram daqui. Eu não me arrependo, quero continuar tentando. Vou continuar pensando na Europa até ficar velho. Nosso país é bonito, mas a Europa é melhor. Se você ficar aqui, pode trabalhar durante 30 anos e ainda assim não sair do lugar, como um hamster girando na roda".

A proporção do ocorrido foi caracterizada tanto pelo governo marroquino quanto pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, como fruto de informações falsas que circularam pelas redes sociais sobre uma decisão da Suprema Corte espanhola no dia 29 de Junho.  

A nova política, em questão, proibiu a devolução imediata de interceptados ao mar, as chamadas “devoluciones en caliente”, entretanto não proíbe o retorno desses indivíduos aos seus países de origem. A medida judicial sofreu distorções na mídia, sendo interpretada como uma flexibilização no processo de deportação espanhol que ultimamente beneficiaria os migrantes que fazem a travessia.  

Tal manifestação jurídica impulsionou publicações falsas em redes sociais que geraram uma tentativa em massa de migração pelas águas, sobrecarregando as estruturas da cidade de 80 mil habitantes, sem estrutura hábil para absorver o crescente número de imigrantes. Essa incapacidade resulta na crise humanitária que Ceuta enfrenta: serviços de saúde cheios, polícia local saturada e pessoas desamparadas vagando pelas ruas. 

O ocorrido gerou atritos entre os governos de Marrocos e da Espanha, que mantinham relação de cooperação, após Sánchez indicar possível descaso por parte do Estado marroquino na área da fronteira.  

Primeiro- Ministro da Espanha, Pedro Sánchez, discursando em um púlpito. Ao fundo, estão uma bandeira da Espanha e outra da União Europeia.
Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em declaração oficial sobre crise migratória em Ceuta de 2021. Foto: Borja Puig de la Bellacasa - La Moncloa

“A temática da imigração é uma pauta desafiadora para a União Europeia, que direciona muito da política interna e da política externa”, indica Pedro Coelho quanto aos efeitos da série de acontecimentos em âmbito mundial. O especialista explica que o contexto global atual é permeado por discursos de viés anti migratório, mas que o governo de Sánchez e o partido operário da Espanha assumem o que Coelho caracteriza como “uma postura que contrasta com a tendência anti migração da Europa”.

Sobre o atual governo da Espanha, o entrevistado explica: “O discurso [espanhol] anterior a essa crise era de que a imigração não seria levada como um caso só de polícia e de expulsão. Ainda esse ano tinha acontecido uma regularização de muitos imigrantes que estavam em situação irregular na Espanha, na informalidade”. Tendo em vista esse episódio, entretanto, Pedro Coelho conclui: ​”Depois que dispara a crise humanitária, com certeza o governo espanhol vai começar a se movimentar de outra forma.”

Políticos de extrema direita utilizam o ocorrido para antagonizar a esquerda. Entre eles encontram-se: Santiago Abascal, líder do partido espanhol ultradireitista, Vox; Primeira-Ministra da Itália, Giorgia Meloni; Nigel Farasi, do Reform UK e Donald Trump, que comentou publicamente sobre a situação. No depoimento, a Casa Branca culpou as “políticas globalistas de extrema esquerda” pelo fenômeno e não citou Marrocos. 

Atualmente, cerca de 70 mil indivíduos já foram retornados para Marrocos pela fronteira terrestre. Entretanto, a cidade de Ceuta ainda enfrenta um estado de crise migratória e humanitária, com mais de 88 mortos confirmados, vítimas da travessia, e cerca de 2 mil indivíduos em situações de ocupação precária em território europeu.   

 

O visto da embaixadora do Brasil em Washington é anulado em represália à demora do Itamaraty em aprovar o novo embaixador americano indicado por Trump
por
Stefany Santos
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12/08/2026 - 12h

O governo brasileiro divulgou uma nota oficial de repúdio após os Estados Unidos revogarem, na terça-feira (4), o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Em entrevista ao podcast Meteoro Brasil, nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão americana como "irresponsável" e afirmou que não vai analisar novas indicações diplomáticas dos Estados Unidos até depois das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para outubro deste ano.

Segundo o Departamento de Estado americano, a medida tem caráter recíproco e é uma resposta à demora do Brasil em conceder a autorização formal exigida pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, para que Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump, assumisse a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Perez foi indicado ao cargo em 1º de junho para  o posto que está vago desde janeiro de 2025, quando Trump ganhou a candidatura.

Não houve, até o momento, declaração formal de persona non grata e o governo norte americano esclareceu que a revogação não significa expulsão. Mas sim que Maria Luiza Viotti pode permanecer em território americano, mas sem visto válido,  não poderá retornar aos Estados Unidos caso deixe o país. 

Em nota, o governo brasileiro afirmou que os Estados Unidos anunciaram publicamente o nome do candidato à embaixada antes mesmo de apresentar o pedido formal ao Brasil, e destacou que a Convenção de Viena não estipula prazo para a concessão do aval, que segundo o Planalto, ainda está em análise.

A nota também lembra que seguem em vigor sanções individuais dos EUA contra autoridades brasileiras, como cancelamento de vistos diante da alegação de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atingindo inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal como o ministro Alexandre de Moraes que no dia 18 de julho de 2025 teve seu visto negado, assim como integrantes do primeiro escalão do Executivo.

O governo brasileiro classificou a revogação do visto da diplomata brasileira como parte de uma escalada deliberada de medidas motivadas por razões ideológicas, e sinalizou preocupação com uma possível tentativa de interferência na eleição presidencial brasileira. Ainda assim, reafirmou preferência pelo diálogo em vez de um possível confronto. E o Brasil decidiu manter a embaixadora no cargo em Washington mesmo após a revogação do visto. A avaliação no Planalto é que o retorno da embaixadora ao Brasil neste momento causaria ainda mais impasses com os americanos.

Cronologia da tensão

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos não é recente e tem se intensificado ao longo do último ano. Em julho de 2025, Trump enviou uma carta ao governo brasileiro anunciando tarifas em produtos. Em setembro, os presidentes dos dois países se encontraram e as tarifas foram revistas. Em maio deste ano, um novo encontro entre os dois  indicava melhora nas relações diplomáticas.

 

Presidente Lula e Donald Trump
Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro na Casa Branca, em maio de 2026.        Reprodução: Instagram/@lulaoficial

Já em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado norte americano classificou o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas globais, essa decisão marcou uma escalada inédita na relação entre os dois países e serviu de pano de fundo para a crise diplomática que se seguiria. Em 15 de julho de 2026, o governo dos EUA voltou a impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, oficialmente justificadas por uma investigação da Seção 301 do USTR, a qual apontava práticas brasileiras consideradas desleais ao comércio americano, como o sistema de pagamentos PIX, desmatamento e proteção insuficiente à propriedade intelectual. Essa medida, no entanto, repete o padrão de uma tarifa anterior, anunciada em julho de 2025, que havia sido justificada abertamente pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, então em julgamento no Brasil. 

No dia 4 de agosto de 2026, a crise ganhou um novo capítulo com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Atualmente, os Estados Unidos não têm embaixador titular no Brasil, apenas um encarregado de negócios. A indicação de Daniel Perez segue sem aval formal do governo brasileiro, que tem adotado cautela diante do que avalia como sinais de possível interferência americana no processo eleitoral brasileiro, como por exemplo episódios em que autoridades ligadas a Trump teriam questionado publicamente o sistema eleitoral do país.

Um desses episódios ocorreu em julho de 2026, quando o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson, ambos do Departamento de Estado dos EUA, solicitaram vistos, em 20 de julho, para viajar ao Brasil com a missão de lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro. No dia seguinte, 21 de julho, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) divulgou informações falsas sobre as urnas eletrônicas. Ao identificar uma possível ligação entre esse ataque às urnas e a viagem dos dois diplomatas americanos, o Itamaraty negou os vistos em 24 de julho, por avaliar que havia risco de interferência política ligada à agenda eleitoral do pré-candidato.

Quem é Maria Luiza Viotti

Natural de Belo Horizonte, Maria Luiza Ribeiro Viotti foi a primeira mulher a ocupar o cargo de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, com aprovação pelo plenário do Senado Federal em maio de 2023. Ingressou na carreira diplomática em 1976, formou-se em Ciências Econômicas pela Associação de Ensino Unificado de Brasília em 1978, onde também concluiu os cursos de Aperfeiçoamento de Diplomatas (1982) e Altos Estudos (1995), também é mestre em Economia pela Universidade de Brasília.

Foi representante permanente do Brasil junto à ONU entre 2007 e 2013, período em que chefiou a delegação brasileira no Conselho de Segurança e presidiu o próprio Conselho. Também foi embaixadora do Brasil na Alemanha (2013–2016) e chefe de Gabinete do secretário-geral da ONU, durante o primeiro mandato de Antônio Gueterres (2017–2021).

Quem é Daniel Perez

Indicado por Trump em 1º de junho para a embaixada americana no Brasil, Daniel Perez ainda precisa ter o nome aprovado pelo Senado dos Estados Unidos. Aos 38 anos, preside desde 2024 a Câmara dos Representantes da Flórida.

Filiado ao Partido Republicano e aliado de Trump, chegou a ser citado no ano passado como possível candidato a procurador-geral da Flórida. Filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York e mudou-se ainda criança para a Flórida, em 1993. Formado em Direito pela Loyola University New Orleans, é casado e pai de três filhos.

Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2017, tem atuação parlamentar voltada a temas como bem-estar infantil, saúde, fortalecimento das famílias, educação e integridade eleitoral. Nas redes sociais, costuma associar-se ao movimento "Make America Great Again" (MAGA) e manifestar apoio às pautas de Trump.

Se confirmado pelo Senado, Perez será o primeiro embaixador americano no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada pelo ex-presidente Joe Biden.

A revogação do visto é mais um capítulo entre uma crise nas relações entre Brasil e Estados Unidos, um movimento que se soma à guerra tarifária já em curso. O impasse permanece sem solução à vista, com os dois lados aguardando desdobramentos em meio à proximidade das eleições presidenciais no Brasil.


 

Ofensas do presidente argentino a Lula e Moraes na candidatura de Bolsonaro expõe planos ideológicos e riscos às relações diplomáticas com o Brasil.
por
Evandro Tortolani
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11/08/2026 - 12h

 

No último domingo (02) , o presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “corrupto” e “condenado” em entrevista à emissora LN+. O alinhamento ideológico com a extrema direita brasileira e estadunidense e as falas controversas do argentino põem em risco a relação de estabilidade econômica e diplomática entre os dois países vizinhos. 

O chefe de estado argentino defendeu suas últimas declarações sobre Lula . Ele afirmou não ter intervindo no cenário político brasileiro mesmo após ataques acalorados ao petista.

“Eles falam sobre interferência política na região. Se alguém está interferindo politicamente na região, é Lula, contaminando tudo com o socialismo [...] O pior é que eles me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti. Quando respondo com verdades, o senhor Lula se sente atacado? Ele é um corrupto e um ladrão. É um condenado. Saiu da prisão por meio de um recurso administrativo. Eu fui ao Brasil e falei em defesa dos brasileiros. Falei sobre Lula, o corrupto, o condenado, e sobre o juiz Alexandre de Moraes [do STF], que me negou uma visita a [Jair] Bolsonaro” , afirmou Milei.

No dia 25 de julho, o presidente argentino esteve no Brasil e participou do evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) , à Presidência da República em São Paulo. 

“É um grande prazer para mim estar nesse país, entre aqueles que compartilham minha paixão pela liberdade. E isso se torna especial em tempos como este, quando uma nação se debate entre a libertação ou uma prolongação da esquerda.”

Milei compartilha posicionamentos ideológicos e políticos com a família Bolsonaro, visto que ambos planejavam uma coalizão entre os países latinos contra pautas socialistas. A aparição do argentino na candidatura do filho do ex-presidente mostra seu apoio aos planos da direita brasileira contra o Governo Lula.

Em um discurso apelativo, Milei enalteceu a economia argentina, criticou Lula e as ideias socialistas.

Presidente Javier Milei e Flávio Bolsonaro juntos na convenção nacional do PL
Milei e Flávio Bolsonaro na Convenção Nacional do PL. Foto: Foto: Vittor Sales/Campanha PL/ Divulgação

 

Ainda na convenção do PL, além do presidente Lula, o político argentino fez também proferiu ofensas ao ministro Alexandre de Morais (STF) , por ter sido impedido de visitar Jair Bolsonaro na prisão:
“Para piorar, o lixo careca não me permitiu visitar meu amigo, injustamente preso.”

Após o ocorrido, o Ministro das Relações Exteriores convocou o Embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para  prestar esclarecimentos e manifestar a repulsa do governo brasileiro sobre os comentários, medida que evidencia a tensão diplomática entre os países. 

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro” , disse o Itamaraty em nota publicada no dia 26 de julho. 

Raimondi deixará o Brasil no domingo (9), após o Ministério das Relações Exteriores rebaixar a relação diplomática com o governo de Milei apenas para fins de negócios. 

As falas de Milei também repercutiram na imprensa argentina. 

No La Nación, o jornalista Carlos Pagni comentou sobre a atitude de Milei.  Para ele, a aproximação com Trump é uma evidência de que a necessidade por apoio financeiro americano tem influenciado diretamente nas decisões diplomáticas do presidente argentino.

“Há um jogo geopolítico em curso, no qual o conflito entre a China e os Estados Unidos é projetado na América do Sul, com Lula e Milei como lados opostos. Milei está jogando esse jogo. Isso nos ajuda a entender melhor por que ele está agindo dessa maneira. Não se trata apenas de temperamento. Há uma lógica por trás de sua decisão, ligada a uma certa fragilidade que o governo está enfrentando diante da opinião pública. Essa fragilidade está ligada às finanças e, por sua vez, as finanças estão ligadas a Trump”. , 

No dia 29 de julho, durante a convenção do PSB, o petista respondeu aos ataques de Milei e o desconsiderou possíveis intervenções estrangeiras no Brasil: “Vocês viram a patacoada que ele fez no final de semana. Eu não falei nada, não vou ficar trocando ofensas com aquela coisa. Eu aprendi desde cedo que não sou melhor nem pior que ninguém. E enquanto eu for presidente e vivo ninguém vai meter o bedelho nas eleições brasileiras.”

As ofensas de Milei a Lula em território brasileiro explicitam o desgaste na relação Brasil-Argentina, apesar do histórico de êxito diplomático e econômico entre os dois países. Os posicionamentos do argentino rompem a parceria de longa data entre as nações, visto que seu país é o terceiro principal parceiro comercial do Brasil.

Em meio à instabilidade política, Starmer foi pressionado a renunciar
por
Marcelo Barbosa
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30/06/2026 - 12h

 

O Primeiro-Ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou ao posto, em um discurso feito na Downing Street, a residência oficial dos governantes britânicos, na última segunda-feira (22).

No discurso lido durante o anúncio, Stamer afirmou que todas as decisões que ele tomou foram sobre colocar o país em primeiro lugar. Em seguida, declarou sua renúncia ao posto e disse que, antes de sua decisão, conversou com o rei para informá-lo sobre a escolha que tomou.

Ainda durante o discurso, Starmer homenageou a família e citou sua esposa, Vic, além dos filhos, que descreveu como “meu orgulho e alegria”. Em seguida, agradeceu e encerrou a coletiva.


Ao centro da tela, Keir Starmer sorri/ Reprodução: Instagram/ Keir Starmer



No Reino Unido, as eleições não podem ocorrer novamente após a renúncia e, por conta disso, o Partido Trabalhista será responsável por escolher um substituto. Com o anúncio, Starmer estabeleceu um cronograma para que a saída seja feita da melhor maneira.

O favorito para ocupar o posto é o ex-prefeito de Manchester, Andy Burnham, que era cotado junto do então maior rival em potencial, Wes Streeting, o ex-secretário da saúde, que desistiu de concorrer e anunciou apoio do antigo prefeito de Manchester.

O Primeiro-Ministro enfrentava uma pressão interna pelo Partido Trabalhista há alguns meses. Isso ocorreu porque Andy Burnham, conhecido no país como o principal opositor de Starmer no partido, conseguiu uma cadeira no Parlamento e, como resultado, criou uma pressão ao redor de Starmer.


A saída de Starmer revela um cenário de instabilidade no Reino Unido, que já contou com sete chefes de governo desde o Brexit, há dez anos atrás.

Com isso, o país enfrentou dificuldades para conduzir a economia, que apresentou baixo crescimento comparado ao cenário anterior ao Brexit. A economia apresentou déficits em razão das dívidas altas devido à volatilidade política.

Starmer se manteve no poder por menos de dois anos. Ele sofreu uma forte pressão no partido, que esperava que Starmer conduzisse a economia de uma maneira diferente da que ele apresentou.

O Partido esperava que Starmer fosse capaz de reverter a política de altos gastos nos serviços públicos. No entanto, as expectativas não foram atendidas, com aumentos de impostos - o que foi mal recebido pela sociedade e, como consequência, houve um recuo na medida.

Além disso, uma medida que causou polêmica no Reino Unido foi à aderência às políticas de migração brandas. Isso fortaleceu críticas de opositores, como de Nigel Farage, parlamentar na Câmara dos Comuns. Ainda houve um escândalo no governo, quando Starmer declarou que o indicado para a embaixada nos Estados Unidos, Peter Mandelson, não foi aprovado pelo sistema de segurança para acessar documentos do país e posteriormente deixou o cargo por envolvimento com Jeffrey Epstein.

Kier Stamer segue no cargo até a escolha de um sucessor.

O acordo, proposto e mediado pelo Paquistão, busca interromper temporariamente os confrontos na região
por
Marcelo Barbosa
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23/06/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um Memorando de Entendimento com o Irã, em Versalhes, na França, na última quarta-feira (17). O acordo interino também foi assinado pelo presidente do Parlamento Iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf.

De acordo com informações disponibilizadas pela Casa Branca, o presidente Donald Trump e o vice-presidente JD Vance assinaram o acordo com o intuito de impedir que o Irã obtenha armamentos nucleares, além da reabertura do Estreito de Ormuz para livre navegação internacional.

A Casa Branca afirmou, nas redes sociais, que Donald Trump resolveu a “ameaça iraniana”:
“O presidente Donald J. Trump resolveu uma ameaça que Washington passou quarenta anos tentando administrar: o Irã jamais terá uma arma nuclear. Uma vitória para os Estados Unidos”


 

Trump assina Memorando / Reprodução: Casa Branca
Trump assina Memorando no Palácio de Versalhes / Reprodução: Casa Branca



No texto do memorando, que foi lido em uma teleconferência com jornalistas na quarta-feira, foi estabelecido que deve haver um término imediato e permanente das operações militares que ocorrem em todas as frentes. Isso inclui a retirada do bloqueio naval imposto ao Irã. O processo deve ser concluído em até 30 dias, além de retirar suas forças nas proximidades do país no mesmo prazo. O conteúdo ainda estabelece que o acordo se estende também ao território do Líbano.

A previsão de encerramento imediato das operações militares também no território libanês provocou reação de Israel, que declarou não reconhecer o acordo e afirmou que continuará suas operações militares.


Em contrapartida, o Irã garantirá a livre e segura navegação comercial pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz, a desminagem da região em até 30 dias já foi iniciada e está em negociação, com Omã e outros países litorâneos, um modelo de administração do estreito conforme o direito internacional.

O documento também prevê que os EUA, em conjunto com parceiros regionais, elaborem um plano de reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã com orçamento mínimo de US$300 bilhões, além de conceder licenças para transações financeiras relacionadas ao plano.

O texto determina ainda que os Estados Unidos eliminem, de forma gradual e conforme o cronograma acordado, todas as sanções impostas ao Irã, isso inclui sanções unilaterais, resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). O país também é obrigado a emitir autorizações para a exportação de petróleo iraniano e liberar integralmente os fundos e ativos iranianos atualmente congelados, mediante procedimentos a serem definidos entre as partes.

Ao mesmo tempo, o Irã firmou o compromisso de não desenvolver nem adquirir armas nucleares, enquanto ambos os países negociam um mecanismo, sob supervisão da AIEA, para tratar do estoque de urânio enriquecido e de outras questões relacionadas ao programa nuclear iraniano. O texto ainda prevê que, caso não seja firmado um acordo definitivo, as partes manterão o status quo: o Irã preservará seu atual programa nuclear e os Estados Unidos não aplicarão novas sanções nem ampliarão sua presença militar na região.

Por fim, o memorando prevê a criação de um mecanismo executivo para monitorar o cumprimento das medidas previstas e da futura implementação do acordo definitivo, que deverá ser concluído em até 60 dias em diversos pontos pendentes e posteriormente endossado por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

Apesar da assinatura do acordo, representantes dos dois países ainda discutiram nesta semana os mecanismos de implementação. No entanto, um porta-voz da Casa Branca informou que o vice-presidente desistiu da viagem em que se reuniria com negociadores iranianos na terça-feira.