Roupas que atravessam gerações, peças garimpadas em brechós e uma indústria que produz em ritmo acelerado mostram que repensar a moda passa pela relação com aquilo que já existe
por
Sophia Coccetrone
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28/09/2026 - 12h

Por Sophia Coccetrone

 

Todos os dias, Sibelle Oliveira leva cerca de uma hora e meia para chegar ao seu brechó, na República, região central de São Paulo. Moradora do Jardim Peri, na zona norte da cidade, ela costuma fazer o trajeto de ônibus para economizar. No caminho, carrega sacolas e malas cheias de roupas que serão garimpadas, higienizadas, avaliadas e colocadas à venda no seu brechó. Aos 29 anos, divide a rotina entre o brechó, o trabalho como esteticista e possui sua carga de ensino técnico de Marketing. O negócio começou de outra maneira. No Brechó Vertical, prédio localizado na República que reúne diferentes brechós, ela inicialmente tentou desenvolver um espaço voltado à estética. Porém, a ideia não se sustentou sozinha. Foi então que decidiu transformar também sua relação com as roupas em trabalho e criou o Brecholezeiras.

Desde então, boa parte das tarefas fica por sua conta. É ela quem procura as peças, seleciona, higieniza, organiza, pensa na apresentação e atende as clientes. O trabalho acontece entre deslocamentos, estudos e outras atividades profissionais. Afirma que é um trabalho muito louco, e é para quem tem disposição.

Para chegar até ali, Sibelle precisa carregar fisicamente o próprio negócio em meio ao transporte público da cidade de São Paulo. “É assim que eu sigo lutando na correria para sustentar meu próprio negócio”.

A história de Sibelle revela uma das faces menos visíveis do consumo de segunda mão. Antes de uma peça chegar ao cabide de um brechó, existe uma série de escolhas, deslocamentos e trabalhos. E, depois que ela é vendida, sua história continua por mais algum tempo, agora no guarda-roupa de outra pessoa.

 

Brechós em São Paulo: veja 14 lojas para garimpar em SP - 04/10/2025 -  Passeios - Guia Folha

Corredor do Brechó Vertical - Imagem: Folha/UOL

 

Para Sibelle, vender roupas usadas não representa apenas uma alternativa de consumo. É também uma forma de trabalho e de construir uma identidade. A maior parte de suas clientes são mulheres próximas de sua idade, entre 20 e 30 anos, que procuram peças diferentes e, muitas vezes, encontram no brechó uma possibilidade de comprar produtos que seriam mais caros novos ou buscar mais alternativas para seu estilo pessoal. Ela afirma que geralmente quem consome muito de brechó, só vive de brechó.

A relação de Sibelle com as roupas também mudou a maneira como ela se veste. Ao passar boa parte dos dias procurando peças e pensando em quem poderia usar, ela começou a entender o garimpo não apenas como uma tarefa comercial, mas como uma forma de descobrir estilos e observar as diferentes maneiras pelas quais as pessoas constroem sua identidade.

Há também uma questão econômica. Para ela, comprar de segunda mão pode significar encontrar produtos de marcas conhecidas por valores mais acessíveis, além de peças antigas ou que já não são produzidas. Mas a escolha também está relacionada ao destino das roupas. Quando uma peça usada encontra uma nova dona, ela deixa de ser apenas algo que poderia ocupar espaço em um armário ou ser descartado. Passa a circular novamente. É uma lógica semelhante à da economia circular, em que produtos permanecem em uso por mais tempo antes de serem transformados em resíduos.

O professor Urbano Nobre, da PUC-SP, observa esse processo a partir da própria duração dos produtos. Para ele, uma das formas mais concretas de tornar o consumo mais consciente é fazer com que aquilo que já foi produzido permaneça em circulação por mais tempo.

 

“Uma das formas de você transformar de forma objetiva o consumo em algo consciente é você alongar a vida dos objetos, fazer com que o ciclo de produção e reprodução de consumo se alongue a três, quatro, cinco estágios.”

A experiência de Sibelle mostra esse prolongamento acontecendo na prática. Mas também evidencia que o consumo de segunda mão não elimina sozinho os problemas da indústria. Para que uma roupa chegue ao brechó, ela primeiro precisou ser produzida. E, enquanto novas peças continuam sendo fabricadas em grandes quantidades, o desafio permanece sendo diminuir a velocidade com que roupas entram e saem dos guarda-roupas.

Uma vida entre o tecidos e não-tecidos

Se Sibelle encontra novas histórias para roupas que já existem, Monika Debasa passou boa parte de sua trajetória pensando em como elas são produzidas. Professora de Moda da Faculdade Santa Marcelina e especialista em têxteis, Monika construiu sua carreira entre a indústria, a pesquisa e o ensino. Formada em Design pela FAAP, passou por diferentes experiências no setor têxtil, trabalhando com estamparia, padronagem, desenvolvimento de produtos e gestão.

Ainda no início da carreira, teve contato direto com o chão de fábrica durante um estágio na TDB Tecidos, empresa voltada à produção de malharia circular para beachwear e lingerie. Depois, atuou em Minas Gerais na área de algodão e desenvolveu uma coleção de estampas. Também trabalhou na Horizonte Têxtil, onde entrou em contato com pesquisas de tendências e chegou a administrar departamentos.

Foi nesse percurso que as questões relacionadas aos materiais e aos resíduos começaram a ganhar espaço em seu trabalho. Em 2009, Monika realizou testes com o Lonapet, tecido produzido a partir de garrafas recicladas de Guaraná Antártica. O material mantinha a cor verde das garrafas e também incorporava restos de fibras curtas de algodão a novos testes.

A experiência fazia parte de uma preocupação maior: entender que a sustentabilidade não começa depois que uma roupa é descartada. Ela também está presente na escolha das fibras, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça permanecer em uso. Monika diz que a estética é, frequentemente, o primeiro fator de atração. A funcionalidade, por sua vez, deve ser adaptada ao contexto de uso. Contudo, a durabilidade é o pilar central da sustentabilidade. Quanto mais duradoura uma peça, mais sustentável ela se torna.

Para ela uma roupa não pode ser considerada sustentável apenas porque foi produzida com determinado material. A fibra utilizada, a qualidade da fabricação, o conforto, a possibilidade de manutenção e até a maneira como a peça é lavada interferem em sua vida útil.

Essa perspectiva acompanha sua trajetória acadêmica. Depois da experiência na indústria, ela se especializou em moda e gestão e realizou mestrado na área de design têxtil na EACH-USP. A pesquisa e a prática profissional passaram a caminhar juntas, até que o ensino se tornou uma parte central de seu trabalho.

Do ativismo à sala de aula

A preocupação de Monika com a sustentabilidade também ultrapassa os processos industriais. Ela participa do Fashion Revolution, movimento internacional criado após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013, que matou mais de mil trabalhadores da indústria têxtil e colocou em evidência as condições de trabalho e produção do setor.

Como uma das embaixadoras brasileiras do movimento, Monika participa de ações voltadas à transparência, às condições de trabalho e à responsabilidade ambiental na moda. Ela costuma comparar o Fashion Revolution a uma espécie de “Greenpeace da moda”, justamente pela tentativa de aproximar questões ambientais e sociais do cotidiano da indústria.

A discussão também chega à Faculdade Santa Marcelina. Um exemplo é o “Setembro da Segunda Mão”, projeto de troca de roupas que incentiva os alunos a fazerem as peças circularem novamente. Na edição mais recente mencionada pela professora, 375 peças foram trocadas. A iniciativa parte de uma ideia simples: Monika gosta de reforçar que a melhor roupa é aquela que já existe.

É uma mudança de perspectiva que também aparece no trabalho de Sibelle. Enquanto Monika discute a durabilidade antes e durante a produção, Sibelle trabalha justamente no momento seguinte, quando a roupa poderia ser esquecida, acumulada ou descartada.

A roupa como trabalho

No cotidiano de um brechó, entretanto, prolongar a vida de uma peça não acontece de maneira automática. Sibelle precisa encontrar as roupas, transportá-las, selecionar o que pode ser vendido, higienizar cada peça, organizar o espaço, fotografar ou apresentar os produtos e conversar com as clientes, tudo sozinha. 

O esforço também aparece na maneira como Sibelle transforma sua própria rotina em expressão. Ela faz rimas de rap improvisado para retratar o trabalho e as situações que vive todos os dias, usando a música como uma maneira de registrar a experiência de manter um negócio próprio e se manter no "corre" do dia a dia.

O brechó, nesse sentido, está longe de ser apenas um espaço onde uma roupa usada muda de dono. Existe uma cadeia de trabalho por trás de cada peça que chega ao cabide. E existe também uma relação afetiva: alguém escolheu aquela roupa antes, alguém decidiu não descartar e outra pessoa agora encontrou nela uma nova oportunidade

O problema começa antes do descarte.

A trajetória de Sibelle acontece em contraste com um mercado de moda cada vez mais acelerado. Segundo dados citados pela CNN Brasil, a quantidade de peças de vestuário produzidas no mundo dobrou desde os anos 2000. No mesmo período, os consumidores passaram a comprar cerca de 60% mais roupas, mas a utilizá-las durante aproximadamente metade de sua vida útil. O problema, portanto, não está apenas no momento em que uma roupa vira lixo. Ele começa antes, na quantidade de peças produzidas, na velocidade com que são substituídas e na forma como o consumidor se relaciona com elas, além da forma do descarte que muitas vezes é irresponsável ambientalmente. 

A experiência de comprar uma roupa nova parece simples, mas envolve uma cadeia que passa pela obtenção da matéria-prima, produção, uso de água e energia, processos químicos, transporte, venda e, finalmente, descarte. É nesse intervalo entre produção e descarte que histórias como a de Sibelle ganham importância. Um brechó não interrompe a produção em larga escala, mas cria uma possibilidade para que algumas peças permaneçam em circulação.

Crescer sem ultrapassar os limites

A relação entre crescimento econômico e limites ambientais também é discutida pelo professor José Geraldo Portugal Júnior, vice-coordenador da FEA PUC-SP. A partir do conceito de Economia Donut, desenvolvido pela economista Kate Raworth, Portugal trabalha com a ideia de que uma sociedade precisa garantir condições mínimas de vida para as pessoas sem ultrapassar os limites ambientais do planeta.

Aplicada à indústria têxtil, essa perspectiva coloca a questão sobre como atender às necessidades de uma população crescente sem depender de uma produção cada vez maior de roupas que são utilizadas por períodos cada vez menores. A resposta não está apenas em trocar um tecido por outro. É preciso observar toda a cadeia e, principalmente, a quantidade de produtos colocados em circulação e o tempo que eles permanecem em uso.

Materiais alternativos, como fibras produzidas a partir do cânhamo, podem fazer parte dessa transformação, dependendo das condições de cultivo e processamento. Mas substituir uma matéria-prima não resolve por si só o problema de uma indústria baseada em produção e consumo acelerados.

A mudança também passa pela maneira como as marcas comunicam seus produtos. Em um mercado no qual a sustentabilidade ganhou valor comercial, existe o risco de que termos como “ecológico”, “consciente” ou “sustentável” sejam utilizados como estratégia de comunicação sem que mudanças correspondentes aconteçam nos processos produtivos. É o chamado greenwashing.

Por isso, a sustentabilidade não pode ficar restrita à publicidade. Ela precisa aparecer nas decisões sobre materiais, produção, qualidade, durabilidade, condições de trabalho e destino dos produtos.

A trajetória de Monika ajuda a mostrar essa diferença. Sua experiência com tecidos reciclados não ficou apenas na comunicação de uma ideia sustentável: envolveu pesquisa, testes e tentativa de encontrar usos para resíduos que normalmente seriam descartados. Já o trabalho de Sibelle acontece em outro lado. Seu negócio não precisa produzir uma nova peça para vender. Ele trabalha com aquilo que já existe e contribui para evitar que o descarte seja o fim inevitável de uma roupa.

Uma transformação que começa no que já existe

A sustentabilidade na indústria têxtil não depende de uma única solução. Ela envolve quem produz, quem cria, quem vende, quem comunica e quem compra. Mas as histórias de Monika e Sibelle mostram que a transformação também pode acontecer em escalas menores.

Monika passou décadas dentro da indústria e da academia investigando materiais, processos e maneiras de tornar as roupas mais duráveis. Hoje, leva essa experiência para a sala de aula e para o ativismo. Sibelle, por outro lado, construiu um negócio independente a partir das próprias dificuldades e descobriu no brechó uma maneira de trabalhar com roupas que já existem.

No fim, as duas trajetórias se encontram em uma ideia simples: uma roupa não precisa terminar sua história quando deixa de ser nova. Para Sibelle, essa história pode continuar no corpo de outra pessoa. Para Monika, ela começa na escolha de um tecido, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça resistir ao tempo.

Em uma indústria acostumada a transformar novidade em necessidade, talvez um dos maiores desafios seja justamente aprender a olhar para aquilo que já existe para que sustentabilidade não seja apenas consumir menos, mas fazer com que as roupas tenham tempo suficiente para cumprir mais de uma história antes de se tornarem descarte.

Foi em resposta a esse cenário de incertezas que nasceu a petição "Amazônia Sem Data Center", lançada pelas organizações Pororoka e Amazônia no Ar. A campanha cobra transparência, estudos de impacto adequados e participação popular
por
Iasmim Silva
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21/09/2026 - 12h

Por Iasmim Silva

 

Em Belém do Pará, às margens da Baía do Guajará, fica o porto de Miramar. É cercado por bairros periféricos marcados pela baixa arborização e por um paredão contínuo de alvenaria com pequenas casas e prédios emparedados uns nos outros. Em alguns trechos, ainda restam casas de madeira. Há poucos anos, a maioria das construções da região era assim, erguidas sobre palafitas que mantinham as casas suspensas acima de córregos que, pela falta de saneamento básico, se transformaram em esgotos a céu aberto. 

Essa combinação - falta de saneamento, ausência de planejamento urbano, pouca arborização e o avanço desordenado de construções de alvenaria sem fiscalização - ajuda a explicar por que os índices de calor nas periferias de Belém chegam a ser 5°C mais altos que em bairros mais arborizados da cidade. A Sacramenta, vizinha do porto de Miramar, é um desses bairros. 

Iracema Farias tem um bar na região desde o início dos anos 2000 e mora na Sacramenta desde 1990. Há poucos anos conseguiu erguer sua casa em tijolo, antes era de madeira, como muitas ainda são. Ela conta que as paredes esquentam quase todas as manhãs, e que a rua onde mora foi asfaltada há menos de dois anos, mas o asfalto não chegou até a frente da sua casa. Quando chove, o esgoto aberto ali na frente transborda e espalha lixo pelas casas na margem; as crianças que brincam na rua costumam adoecer com problemas de pele e no estômago. 

Poucos passos dela mora Mônica Farias, irmã de Iracema. Sua casa ainda é de madeira porque trocar por tijolo custa mais do que ela consegue pagar. Mônica reclama do calor, que ela sente aumentar a cada ano. Quando perguntadas sobre a construção de um data center na região, as duas ficaram confusas. Não sabiam do que se tratava. Perguntaram se era algum tipo de shopping, ou de galeria. 

A confusão é a mesma de muitos da região. A maior parte dos moradores de Miramar e das áreas vizinhas desconhece a construção do data center de inteligência artificial que vai se instalar ao lado de suas casas, e muitos sequer foram consultados sobre isso. Quando explicado do que se tratava, Iracema e Mônica se surpreenderam com a magnitude do empreendimento. Iracema quis saber se aquilo não poderia poluir ainda mais a Baía. Mônica perguntou em que pé estava a obra. 

E, nesse cenário, surgem os debates acerca do chamado BEL1, data center voltado à inteligência artificial que a empresa Elea Data Centers pretende instalar no porto de Miramar, em parceria com a Axia Energia, na avenida Artur Bernardes. O investimento é de R$ 250 milhões, com previsão de entrar em operação no segundo trimestre de 2027. Na primeira fase, a estrutura vai operar com 7,5 megawatts de potência, o suficiente, segundo cálculos baseados em dados da Empresa de Pesquisa Energética, para abastecer mais de 22 mil residências na região Norte, com plano de expansão para até 100 megawatts nos anos seguintes. 

O calor gerado pelos servidores preocupa em uma cidade que já enfrenta ondas de temperatura extrema. Um inquérito civil aberto pelo Ministério Público do Pará, conduzido pelo promotor Márcio Silva Maués de Faria, quer apurar se o empreendimento vai empurrar o entorno de Belém ainda mais para dentro das chamadas "ilhas de calor" - áreas urbanas que ficam sensivelmente mais quentes que as regiões ao redor, por causa da concentração de estruturas que retêm e liberam calor. 

Em nota à Rádio Grande FM, a Elea Data Centers afirmou que o BEL1 vai operar com sistema de resfriamento a ar, sem consumo de água no processo de refrigeração, informação que a própria empresa também descreve em seu site oficial, junto com o uso de energia 100% renovável certificada por I-RECs.  

Segundo apurou o Ministério Público, não houve consultas públicas com moradores de Miramar, Barreiro, Sacramenta e Pratinha, os quatro bairros mais próximos do terreno onde o BEL1 será instalado. Miramar é pequeno, com pouco mais de 500 moradores, e cresceu ao redor de uma antiga usina de energia e de um terminal de descarga de petróleo, o que explica sua vocação industrial até hoje. Fica colado ao Barreiro e não muito longe do Aeroporto Internacional de Belém. Já Sacramenta e Pratinha são bem mais populosas, com 44 mil e 22 mil habitantes respectivamente, e têm perfil majoritariamente residencial, o que reforça a preocupação de especialistas com o impacto térmico e sonoro em áreas onde as pessoas moram e circulam diariamente. 

Do ponto de vista regulatório, o Brasil ainda não tem uma legislação ambiental pensada especificamente para data centers, o que permite que esse tipo de empreendimento avance sem parâmetros claros sobre impacto térmico, sonoro ou hídrico. O estudo "The data heat island effect: quantifying the impact of AI data centers in a warming world", da Universidade de Cambridge, cruzou 20 anos de dados de satélites da Nasa com a localização de mais de 6 mil data centers no mundo e identificou aumento médio de 2°C na temperatura do solo ao redor dessas instalações, com efeito perceptível num raio de até 10 quilômetros. O fenômeno já foi registrado no Brasil, perto de data centers de IA em Teresina (CE/PI). 

Dentro desse raio de 10 quilômetros que está a Ilha das Onças, comunidade ribeirinha a apenas 4,5 km do local do BEL1. Segundo o promotor Márcio Maués, seus moradores sequer foram ouvidos, como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, voltada à proteção dos povos originários. Os rios fazem parte dos povos que moram na Ilha, de todas as formas que "fazer parte" implica. Eles são o rio, e o rio é eles. Os peixes, a venda, as palafitas que sustentam suas casas, as subidas e descidas de maré que guiam suas rotinas e seu trajeto até as outras regiões da cidade. 

Enquanto isso, o próprio licenciamento ambiental do BEL1 segue indefinido. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará afirma que a responsabilidade é da Prefeitura de Belém; a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, por sua vez, informou ao Ministério Público que, até agosto de 2026, nenhum processo de licenciamento havia sido protocolado em relação ao empreendimento. Diante das respostas divergentes, o promotor do caso determinou que a própria Elea Data Centers apresente toda a documentação referente ao projeto. 

Foi em resposta a essas incertezas que nasceu a petição "Amazônia Sem Data Center", lançada pelas organizações Pororoka e Amazônia no Ar. A campanha cobra transparência, estudos de impacto adequados e participação popular antes de qualquer decisão sobre o BEL1, resumindo sua exigência em três frases: antes da obra, informação; antes da licença, estudo; antes da decisão, participação. A petição pede que autoridades garantam informações precisas sobre licenciamento, consumo de energia e água, geração de calor e ruído, e demais impactos socioambientais do empreendimento - pontos que, até o momento, seguem sem resposta clara tanto para pesquisadores quanto para moradores como Iracema e Mônica. 

 

 

Enquanto veículos elétricos avançam como alternativa para reduzir a poluição, a extração do mineral essencial às baterias coloca em debate impactos sobre comunidades
por
Maria Mielli
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28/09/2026 - 12h

Por Maria Mielli

 

Alessandra tem 48 anos e é uma empresária que se encantou pelo carro elétrico antes mesmo de pensar em bateria. Primeiro foi a beleza dos bancos. Depois, o desenho do carro por dentro e por fora. Por fim, a tecnologia. Foi assim, pelos olhos, que ela chegou à decisão de comprar um carro elétrico.

Mas a decisão não veio só do encanto. Alessandra conta que viu na compra a chance de ajudar o mundo a ficar um pouco mais limpo. Com tanta poluição e tantos gases sendo lançados o tempo todo, ela acredita que pode, ainda que de maneira pequena, deixar o ambiente e o ar mais limpos. É também uma aposta no futuro: garantir um mundo melhor para o filho e para a família.

Uma preocupação, porém, acompanha o entusiasmo. Alessandra mora em prédio, e o problema é como carregar o carro. Para ela, não seria justo mudar a conta de luz de todos os moradores só para que ela instale um carregador. Depois de comprar o carro, marcou uma conversa com o síndico para entender melhor como fazer a instalação e qual será o procedimento.

Ela não é a única a pensar assim. Em conversas informais realizadas para esta reportagem com pessoas que já compraram ou pensam em comprar um carro elétrico, três motivos se repetiram: a redução da poluição, a menor necessidade de manutenção e a economia com combustível. Para elas, trocar o motor a combustão por um motor elétrico parece uma escolha simples.

O que essas pessoas dificilmente sabem é que, antes de a bateria do carro sair da fábrica, ela carrega uma história de disputa geopolítica e conflito social que começa muito antes de o veículo chegar à concessionária.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sustenta a hipótese de que o lítio, atualmente, pode ser configurado como um dos recursos naturais mais estratégicos, cujas reservas mundiais, quantitativamente e qualitativamente, se concentram na região sul-americana. 

O lítio é um metal alcalino, o átomo de menor tamanho e o mais leve entre todos os metais da tabela periódica, sob condições normais de temperatura e pressão. Por causa de sua baixa massa atômica, ele tem uma alta carga e uma potência específica. Ele não é encontrado em seu estado nativo; ou seja, não existe livre na natureza, sendo localizado na maioria das vezes na condição de composto químico iônico. Por ter um elevado potencial eletroquímico e alta densidade energética, o lítio é utilizado como um ânodo (eletrodo onde acontece a oxidação) para as baterias elétricas. 

Na prática, uma bateria de íons de lítio típica pode gerar aproximadamente 3 volts por célula, comparado com 2,1 volts para a bateria de ácido de chumbo ou 1,5 volts de células de zinco-carbono. A busca por esse mineral se manteve quase que inabalável desde sua descoberta, em 1817 pelo sueco Johan August Arfwedson. Foi somente e principalmente, em 1970 que o lítio passou a ser reconhecido como um possível transmissor de energia.

Segundo o relatório Global Critical Minerals Outlook 2025, publicado pela Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda por lítio cresceu quase 30% em 2024, principalmente por conta dos veículos elétricos, armazenamento em baterias e pelas redes de energia renovável. 

Bernardo Salgado Rodrigues e Raphael Padula, responsáveis pela pesquisa da UFRGS, afirmam que as reservas podem ser encontradas a partir de dois tipos distintos de concentrações de sais de lítio: em minas de rocha dura, principalmente na Austrália, que produzem concentrados minerais de lítio para fins técnicos e conversão em produtos químicos de lítio, quase exclusivamente na China; e em salmouras continentais, por exemplo na Argentina, Chile, China e Afeganistão, mais utilizados para a produção de carbonato de lítio, hidróxido e cloreto. Geralmente, essas regiões são consideradas como de menor custo de exploração e, portanto, mais comercialmente viável.

O Brasil, como um dos países mais ricos da América do Sul, não ficou de fora das questões geopolíticas envoltas na extração do mineral. 

Um relatório feito em 2024 pela Central Nacional de Perícias da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise, órgão da Procuradoria-Geral da República, identificou 248 comunidades tradicionais e quilombolas afetadas pela mineração de lítio em 19 municípios do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Região que concentra parte relevante das reservas de lítio do país.

Em setembro deste ano, a Justiça Federal determinou a suspensão das licenças ambientais e a paralisação das atividades do complexo minerário Grota do Cirilo, operado pela empresa Sigma Lithium, no Vale do Jequitinhonha.

A Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais acusou o empreendimento de apresentar informações incorretas nos estudos de impacto ambiental e afirmaram a ausência de consulta prévia a povos indígenas, quilombolas e tradicionais antes da liberação dos projetos minerários, uma exigência prevista em convenção da OIT (Organização Internacional do Trabalho). A Sigma Lithium é a maior produtora de lítio do País.

É nesse ponto que entra o conceito de justiça climática: a ideia de que os custos ambientais e sociais da transição energética não podem recair de forma desproporcional sobre comunidades e países que menos se beneficiam dela. Chamar o carro elétrico de tecnologia "limpa" olhando apenas para o que sai do escapamento e não para o que acontece nas minas e nas cadeias de refino, é, na prática, deslocar o problema ambiental para outro lugar do mapa, e não resolvê-lo.

Para motoristas como Alessandra, que compram um carro elétrico pensando em reduzir a poluição e deixar um mundo melhor para o filho, a conta de chegada realmente pode ser mais verde. Mas a conta de saída, ou seja, de onde vêm os minerais da bateria, sob que condições eles são extraídos, e quem controla essa cadeia, ainda está longe de ser transparente. E é exatamente aí que mora a diferença entre uma tecnologia que resolve a crise climática e uma que apenas a redistribui.

Apesar da promessa de mais higiene e praticidade, sistema mecanizado causa descontentamento aos moradores
por
João Calegari
Mariana Araujo
Thaina Bezerra
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03/09/2026 - 12h

 

Em outubro de 2025, a Prefeitura de São Paulo iniciou um novo sistema de coleta de lixo domiciliar na região da Vila Mariana, zona sul da cidade. O descarte de resíduos comuns da região substituiu o sistema porta a porta por uma coleta mecanizada.

Os containers têm a altura de um carro grande, ficam espalhados por todo o bairro, três ou quatro por quarteirão, e ofuscam a visibilidade das calçadas. Amanda Youssef Campos tem 22 anos e mora no bairro desde que nasceu. Ela relata que a insegurança aumentou quando a prefeitura instalou o novo sistema: “Se você tá chegando a noite em casa, você não sabe se tem alguma pessoa escondida atrás de um contêiner”.

No lançamento do novo sistema de descarte, o prefeito Ricardo Nunes descreveu os containers como mais higiênicos: “o lixo fica isolado e os caminhões movidos a biometano ajudam a reduzir a poluição. É um avanço bastante significativo para a nossa cidade”, discursou em evento de lançamento do novo sistema.

Segundo a Ecourbis Ambiental, entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, equipes de educação ambiental percorreram as ruas do bairro para orientar os moradores sobre a mudança no sistema de coleta. A concessionária informou os munícipes que “a coleta porta a porta seria interrompida a partir de meados de março, com a continuidade apenas da coleta mecanizada”. 

No relato de Soraia Rachid Youssef de Campos, médica de 60 anos, que mora no bairro desde os 17 anos, a comunicação poderia ter sido mais ampla, principalmente no processo de implementação dos contêineres. “Talvez tenha faltado comunicação para a colocação e para ouvir a opinião pública, mas o que vejo é que no final parece ter tido pontos bem positivos”. 

Em nota à AGEMT, a EcoUrbis Ambiental, responsável pelo descarte de lixo em 19 subprefeituras das zonas leste e sul de São Paulo, revelou investir R$22.566.000,00 na implantação do sistema. Atualmente, segundo a concessionária, o modelo faz parte do descarte de 15.626 domicílios, cerca de 31,7 mil munícipes e contempla 73,9 quilômetros de vias da subprefeitura. 

O valor foi designado para a instalação de 912 contêineres de lixo, três caminhões compactadores de carga lateral e um caminhão lava-contêiner. A retirada do material é realizada três vezes por semana e as lavagens quinzenalmente. Segundo a Ecourbis, os contêineres foram distribuídos com uma distância média de 120 metros entre si, para que os moradores precisem caminhar, no máximo, cerca de 60 metros até um ponto de descarte. 

Para Julio Wainer, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela USP, é difícil se opor à implementação da coleta mecanizada, já que o sistema pode contribuir para uma maior organização e higiene no descarte dos resíduos.  “É difícil objetivamente ser contra isso”, afirma. Para ele, a possibilidade de descartar o lixo sem depender de horários específicos, além da proteção contra chuvas e do menor risco de entupimento de bocas de lobo, são vantagens evidentes do modelo. 

Ao mesmo tempo, Wainer identifica uma contradição no processo de mecanização. Para o pesquisador, tornar o descarte mais prático e eficiente pode também contribuir para o que chama de ‘desaparecimento do lixo’ da percepção cotidiana dos cidadãos. ‘Parece positivo, mas há algo de desumanização’, afirma. Na avaliação do professor, a antiga rotina de colocar os sacos na calçada e acompanhar a passagem dos garis também estabelecia uma relação mais visível entre o cidadão, os resíduos que produz e os trabalhadores responsáveis por recolhê-los. 

Na avaliação do pesquisador, a coleta porta a porta também podia estimular os moradores a estabelecer uma rotina para retirar o lixo de casa e perceber o próprio papel na gestão dos resíduos produzidos. “Eu acho que engajar as pessoas com a gestão da cidade, com a produção do seu lixo, fazer o morador enxergar o seu lixo, enxergar o seu papel higiênico, olhá-lo, dar uma espiada nos seus vizinhos, sabe? E se situar na ecologia humana. Eu acho uma coisa positiva.”

Apesar da adaptação, problemas relacionados ao uso dos equipamentos ainda são percebidos pelos moradores. Soraia afirma já ter encontrado lixo acumulado para fora dos contêineres e relata casos de descarte inadequado de objetos, como vasos sanitários, que não deveriam ser destinados ao sistema de coleta comum, o que inclusive danificou um caminhão compactador de carga lateral. Para ela, a eficiência da mecanização também depende da participação da população: ‘Acho que as pessoas precisam ser mais educadas e, ao fazer o descarte, fazê-lo de maneira adequada, com sacos fechados e fechar a tampa após o descarte’. 

 

Lixeira nos fundos da quermesse do bairro. Foto: João Calegari/AGEMT

​​​​​​Lixeira nos fundos da quermesse do bairro. Foto: João Calegari/AGEMT

 

Marina Silva, Sônia Guajajara e Ediane Maria protagonizaram reflexões sobre políticas públicas dentro da crise climática
por
Amanda Campos
Lorena Basilia
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19/08/2026 - 12h

 

O Tucarena foi palco de um encontro de lideranças femininas com o tema "Racismo Ambiental, Mudanças Climáticas e Economia para a Vida", na terça-feira (11). Estiveram presentes, a deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP), a deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP) e a candidata ao senado Marina Silva (REDE-SP), com mediação do professor José Geraldo Portugal da PUC-SP. O Centro Acadêmico de Jornalismo (Benê) organizou a coletiva de imprensa com as convidadas e as pautas da palestra puderam ser mais debatidas por cada uma delas. Foram discutidos temas como a participação indígena na política, as consequências das crises climáticas para pessoas periféricas e vulnerabilizadas e a necessidade de políticas públicas voltadas à justiça climática.

Participação indígena ganha destaque na fala de Sônia

Sônia Guajajara, ex-ministra dos povos indígenas, trouxe para a discussão a importância da presença desses povos dentro dos espaços de discussão política. Em um ano eleitoral, a eleição de representantes indígenas pode garantir que os conhecimentos e as demandas deste grupo estejam presentes na articulação de políticas públicas relacionadas ao meio ambiente. Segundo Guajajara, esse processo vem sendo construído desde 2017 e ganhou força nas eleições seguintes, com o aumento do número de candidatos e eleitos indígenas.

A deputada destacou avanços conquistados nos últimos anos em relação ao meio ambiente, como a criação do Ministério do Povos Indígenas e a presença indígena na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). “Nós estamos num momento muito oportuno pras pessoas, não para eleger candidatos que nos representam, mas para eleger os próprios indígenas”. 

A fala se deve ao fato de que os indígenas são os principais responsáveis pela preservação de territórios, e ao mesmo tempo, estão entre os mais afetados pela crise climática. Nesse sentido, Sônia defende que a população não indígena reconheça a importância desses territórios e da participação indígena na construção de políticas ambientais.

Ediane Maria na luta contra o racismo ambiental 

A primeira empregada doméstica eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), Ediane Maria, trouxe para o centro do debate o conceito de racismo ambiental na realidade das periferias paulistas, a deputada afirmou que sua experiência nas periferias influenciou diretamente sua atuação política. “Eu sou uma das mulheres das periferias de São Paulo que, por várias vezes, teve medo do telhado voar”, relatou.

Para a parlamentar, a segregação espacial é uma forma de violência política. Ela relembrou que existe uma "cor que foi condenada a não circular no centro" e que é constantemente empurrada para áreas de risco, sem saneamento básico ou documentação. "Existe uma naturalização desses trabalhadores que demoram duas, três horas para vir trabalhar, para vir pro centro e que existem pessoas que não existem no estado de São Paulo, que são subnotificadas", afirmou Ediane, referindo-se à falta de CEP e infraestrutura nas bordas da cidade. Para exemplificação, ela parafraseou Carolina Maria de Jesus para descrever a favela como o "quarto de despejo" da sociedade, onde o poder público só entra em épocas eleitorais para buscar votos.

Assim como Guajajara relaciona a questão climática à falta de participação dos povos indígenas, Ediane Maria relaciona as desigualdades ambientais às questões de gênero e raça. A população negra e periférica estão entre as populações mais afetadas pela ausência de políticas públicas. Durante coletiva para a AGEMT antes do evento, Ediane criticou duramente a gestão de Tarcísio de Freitas, onde aponta a privatização da Sabesp como um golpe contra as populações mais pobres e denuncia a omissão no combate à violência contra a mulher. 

A deputada citou ainda sua atuação junto às trabalhadoras terceirizadas da Alesp. Ediane relata que, ao ouvir funcionárias responsáveis pela limpeza da Assembleia, identificou condições precárias no espaço destinado a elas. Após reivindicações, foi criado um espaço de convivência para as trabalhadoras. "Nós somos o projeto que eles não queriam que sobrevivesse, mas a gente está aqui", declarou, enfatizando que o futuro da política deve ser "indígena, quilombola e preto". 

 “Eu vim do lugar que elas vêm e eu sei que a mudança se faz onde a gente está”.
 

Marina Silva durante sua fala na mesa. Foto: Manoella Marinho
Marina Silva durante sua fala na mesa. Foto: Manoella Marinho



Marina Silva e a economia sustentabilista 

Durante a coletiva, a candidata ao Senado de São Paulo (REDE), Marina Silva, esclareceu que o elemento em falta para o Congresso proteger o meio ambiente é a iniciativa da aplicação das leis. Segundo Marina, a legislação já possui diversas emendas para essa pauta: “nos governos do presidente Lula nós fivemos um esforço muito grande na implementação, tanto na agenda de criação, em terras indígenas, unidades de conservação, políticas de recursos hídricos, de recursos sólidos, o combate ao desmatamento”. 

A Lei Geral do Licenciamento Ambiental, citada pela candidata, mostra o risco de flexibilizar ações que causam danos ao meio ambiente em prol do crescimento econômico desenfreado. Essa mudança na lei é estabelecida inclusive quando um projeto é considerado de utilidade pública e pode dispensar determinados procedimentos ambientais. “Se você vai jogar metal pesado no rio, vai contaminar do mesmo jeito, não muda nada ser de utilidade pública. Como exemplo, o aquífero guarani que é contaminado com agrotóxico constantemente”, aponta a candidata. Se não houver planeta Terra para o ser humano habitar nada disso será importante. 

Durante a entrevista, ela esclareceu que o ponto de atenção dentro do contexto político deve ser o Congresso Nacional, onde as leis ambientalistas são mais vetadas. “Temos que evitar que as leis que são boas que já foram aprovadas agora sejam amputadas”. Para além disso, os novos desafios são criar instrumentos para viabilizar a implementação da lei na área de economia e infraestrutura. 

Há uma urgência em extinguir a ideia de que zelar pelo meio ambiente é apenas função dos povos originários e ativistas, as políticas públicas exercem importante função nessa luta. Além disso, a discussão não deve ser limitada ao meio ambiente, pois todas as outras áreas da economia são interdependentes a ele, “a política ambiental não deveria ser sectorial e sim transversal. Ela tem que estar presente no transporte, energia, cultura, educação e em todos os setores. Isso que vai fazer a diferença” conclui a parlamentar. 

Em um recorte menor, Marina Silva esclarece que o estado de São Paulo é um ponto importante para propagar a economia sustentável. A região tem estrutura para migrar da energia “suja” para energia limpa de maneira a não prejudicar a economia, com o etanol por exemplo. Em contexto nacional, a candidata declarou “o Brasil tem uma matriz energética 45% limpa e uma matriz elétrica mais de 90% limpa, então o país como um todo é o lugar para atrair investimentos.”

Os olhares voltados para o meio ambiente não significam que não há preocupação com a economia, os dois podem e devem caminhar lado a lado. A Marina traz um exemplo de uma área que os dois setores convergem e promete trazer bons frutos. “A bioeconomia até 2050 promete gerar até 800 bilhões de reais na indústria brasileira e mais de 600 mil empregos sustentáveis”. 

Marina explica que sua migração para o Senado se deve ao fato de que lá ela consegue exercer seu voto nas decisões a favor do meio ambiente, “eu gosto de estar onde eu sei que eu posso travar uma diferença, pois eu sei que a natureza não se adapta às nossas necessidades, nós é que devemos manejar as leis da natureza”. 


 

Encontro destacou a relação entre vulnerabilidade social e eventos climáticos extremos, além da necessidade de políticas públicas voltadas às populações mais afetadas
por
Daniela Martinho
Marcelo Barbosa
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17/08/2026 - 12h

O debate no teatro Tucarena tratou de justiça climática, racismo ambiental e os caminhos para uma transição ecológica justa. Participaram da discussão a ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado pela REDE/SP, Marina Silva; a deputada federal, candidata à reeleição pelo PSOL/SP e liderança indígena Sônia Guajajara; e a deputada estadual e também candidata à reeleição pelo PSOL, Ediane Maria. A atividade foi mediada pelo professor José Geraldo Portugal, coordenador do curso de Economia da universidade.

O evento foi organizado em parceria entre a Coordenação do curso de Economia da PUC-SP e os Centros Acadêmicos de Jornalismo, Direito e FEA. A proposta foi discutir caminhos para uma transição energética, processo de substituição gradual de fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis por fontes renováveis e de menor impacto ambiental, como estratégia para enfrentar a crise climática, além de abordar sua relação com as desigualdades sociais, raciais e econômicas. 

Na abertura, o professor Portugal destacou que os impactos de eventos climáticos extremos se concentram principalmente entre populações indígenas, negras, periféricas e de baixa renda. Enchentes, deslizamentos, poluição, doenças relacionadas ao clima e ondas de calor evidenciam a necessidade de políticas públicas que considerem as diferentes condições de vulnerabilidade. Ele também defendeu uma economia voltada para as pessoas e para a vida.

 

Alunos da PUC-SP reunidos com  Marina Silva, Sonia Guajajara e Ediane Maria no Tucare
Alunos da PUC-SP reunidos com  Marina Silva, Sonia Guajajara e Ediane Maria no Tucare. Foto: @manoellamaarinho
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Durante o debate, Sônia Guajajara afirmou que a crise climática já faz parte da realidade de diversos territórios e não deve ser tratada como um problema futuro. Ao abordar o racismo ambiental, definido como a desigualdade na distribuição dos impactos ambientais, que afeta de forma mais intensa populações vulnerabilizadas, a deputada destacou que os efeitos da crise climática não atingem todas as pessoas da mesma maneira. Segundo ela, são as populações indígenas, negras e periféricas as primeiras e mais afetadas pelas consequências das mudanças climáticas. “Quem são as pessoas que estão morrendo primeiro?”, questionou. 

Guajajara destacou que o racismo ambiental se deve também às desigualdades históricas que fazem com que comunidades negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas estejam mais expostas a áreas sem infraestrutura e sujeitas a desastres. Ao falar sobre os territórios indígenas, destacou o papel dessas áreas na preservação ambiental e no enfrentamento da crise climática. “Os territórios indígenas têm se apresentado comprovadamente como uma das últimas alternativas para conter a crise climática”, afirmou.

Ediane Maria defendeu que o enfrentamento do racismo ambiental deve envolver a sociedade, as universidades e os movimentos sociais, e não ficar restrito aos governos. Para a deputada, uma transição ecológica justa também precisa considerar quem participa das decisões, quem recebe os benefícios e quem arca com os custos da crise.

A parlamentar citou situações vivenciadas em São Paulo, como as chuvas e deslizamentos no litoral norte, as enchentes e ondas de calor na capital e as secas e incêndios no interior. Segundo ela, esses fenômenos evidenciam como a falta de infraestrutura aumenta a exposição de determinadas populações aos impactos climáticos. O racismo ambiental, explicou, também ocorre quando comunidades são direcionadas para áreas próximas a indústrias poluentes, encostas ou regiões sujeitas a enchentes.

O debate também despertou reflexões entre os estudantes presentes. Em entrevista à AGEMT, o aluno de Jornalismo João Calegari afirmou ser admirador do trabalho das convidadas e destacou a relação do tema com sua formação e sua vida pessoal. “A minha avó morava em uma região de São Paulo que era afetada fortemente pela questão climática”, afirmou.

Marina Silva destacou que a justiça climática está diretamente ligada às desigualdades sociais. Segundo a ex-ministra, comunidades com dificuldades de acesso à moradia, saúde, educação e transporte estão mais expostas aos efeitos dos eventos extremos. Ao tratar da distribuição desigual dos impactos da crise, afirmou que “quem menos contribuiu para a mudança do clima é quem paga o maior preço” pelos seus efeitos.

Marina citou as chuvas que atingiram São Sebastião como exemplo de como a vulnerabilidade social pode ampliar as consequências de um desastre climático. Para a ministra, o enfrentamento da crise deve estar associado a políticas públicas de prevenção e à redução das desigualdades.

Natália Perez, 21, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência Pública, participou do evento por considerar o tema cada vez mais presente na realidade brasileira. Atuando frequentemente na editoria de internacional, ela afirmou acompanhar casos de deslizamentos e outros fenômenos que atingem principalmente populações pobres. “A gente está esperando o desastre acontecer. O governo não lida com isso de uma forma preventiva. Quantos desastres anunciados a gente vai ter que viver?”, questionou.


 

O desafio de "esverdear" as grandes produções de cinema
por
Chiara Abreu
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09/06/2026 - 12h

Você já parou para pensar na pegada de carbono deixada por um filme de ação? Produções como "O Espetacular Homem-Aranha 2" e "Mad Max: Estrada da Fúria" já adotam práticas como o uso de painéis solares e luz natural para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Neste vídeo, exploramos os bastidores da produção eco-responsável a partir de uma conversa com a especialista Carol Marzagão, exclusiva  para AGEMT. Confira reportagem completa em vídeo. 

Categoria criada com expertise de brasileiro busca conscientizar o público sobre o meio ambiente sem abrir mão da emoção na pista
por
Vítor Nhoatto
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09/06/2026 - 12h

Ultrapassagens de tirar o fôlego, velocidades para além dos 300km/h e a diferença de milissegundos entre os pilotos que fazem o coração disparar. Emoções comumente associadas à Fórmula 1 quando se fala de automobilismo, mas que também são intrínsecas à Fórmula E, a primeira categoria de monopostos 100% elétricos do mundo.

A ideia de criar um campeonato automobilístico internacional de alto nível sem usar combustível começou há mais de uma década. O ano era 2011, já haviam sido realizadas 16 conferências do clima (COP) e o primeiro carro elétrico de produção em massa havia sido lançado pela Nissan. Com isso em mente, o então presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Jean Todt, e o empresário entusiasta do automobilismo, Alejandro Agag, esboçaram em um guardanapo de um restaurante em Paris o que seria a Fórmula E.

O objetivo central era simples e, ao mesmo tempo, audacioso: mostrar que a mobilidade sustentável é capaz, segura e emocionante, advogando por um futuro mais limpo e sustentável. Realizadas estrategicamente nos grandes centros urbanos, as corridas buscam conscientizar o público sobre as mudanças climáticas e incentivar o uso de carros elétricos.

Com o sinal verde da FIA, os trabalhos começaram. Agag se tornou o CEO, enquanto o piloto brasileiro Lucas Di Grassi foi fundamental para o desenvolvimento técnico, cocriando e pilotando o primeiro protótipo em 2012. Dois anos mais tarde, a Fórmula E estreou oficialmente com o ePrix de Pequim, na China.

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Atualmente dois brasileiros integram o time de pilotos da Fórmula E: Lucas di Grassi e Felipe Drugovich, que terminou em segundo lugar no GP de Mônaco, realizado em 17 de maio - Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

De lá para cá os números da competição não pararam de crescer. Em 2019, a categoria ganhou o status de campeonato mundial pela FIA e fabricantes de peso como Porsche e Jaguar ingressaram no grid. Na temporada atual (2025/2026) já foram 17 corridas em 10 países, quase o dobro da primeira edição. Por outro lado, as emissões de CO2 da categoria diminuíram consecutivamente de uma edição para outra, 24% entre a quinta e a oitava temporada, segundo relatório de sustentabilidade da FIA.

Isso torna a FE, desde 2023, o “esporte mais sustentável do mundo” de acordo com a Global Sustainability Benchmark in Sports. A divisão também possui o selo ISO de três estrelas de sustentabilidade graças ao uso de materiais reciclados nos carros e à reciclabilidade deles no seu fim de vida, inclusive das baterias, medidas que visam diminuir a pegada de carbono da logística do evento, responsável por 99% das emissões.

Além disso, a Fórmula E é signatária da agenda da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre emissão neutra de carbono no mundo até 2050. Desde 2020, tornou-se o primeiro esporte internacional certificado como carbono neutro do mundo. Isso se deve à compensação das emissões com iniciativas ao redor do mundo, mas com o objetivo de reduzir a pegada de carbono de modo geral, 60% até 2030, de acordo com a FIA.

Já na pista, a diferença é primordialmente o barulho e o cheiro. O ruído produzido pelos motores elétricos é mais amigável do que o dos motores a combustão, enquanto o cheiro predominante é o da borracha queimada dos pneus para todos os climas, em vez da poluente gasolina.

E ao contrário do que alguns podem imaginar, a emoção está longe de ser menor, como comenta Régis Gourdon, ex-piloto da Porsche Carrera Cup France e fundador da equipe de corrida racing Technology: “Eu amo automobilismo, o pratiquei por anos, e a Fórmula E é muito interessante, além de importante para as nossas crianças, uma boa solução para o futuro”.

Do alto de seus 66 anos de carreira com passagem por muitos circuitos, ele garante que os elétricos são muito bons de pilotar e empolgantes de assistir, destacando que todo ano vem ao lendário circuito de Mônaco para assistir a Fórmula 1 e a Fórmula E. 

Em relação aos carros, os números evoluíram massivamente na categoria. A chamada Gen1 começou com 270 cavalos, 225km/h de velocidade máxima e um 0 a 100 em 3 segundos. Hoje, a Gen3 Evo alcança 470 cavalos, 320km/h e impressionantes 1,86 segundos, mais rápido que um carro de Fórmula 1. 

Na prática, esses números se traduzem em momentos ainda mais emocionantes devido ao maior número de ultrapassagens, ao torque instantâneo que só um elétrico consegue proporcionar, e ao chamado “Attack Mode”, que pode ser usado em determinados momentos da corrida como um turbo, um acréscimo de 50 kW de potência (cerca de 67 cavalos).

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Gen 3 Evo é o atual modelo usado nas corridas, surpreendendo por uma performance singular no mundo das corridas - Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

“20 anos atrás eu comprei um carro elétrico, era um dos únicos na França com um na época, e eles são muito bons de pilotar, um pouco pesados, mas fantásticos”, destaca Gourdon. 

Nesse quesito, o número de telespectadores do evento cresceu 14% entre as temporadas 2023/2024 e 2024/2025, atingindo mais de 560 milhões de pessoas. A categoria também ampliou sua presença global, com corridas acontecendo em diversas  partes do mundo, incluindo São Paulo desde a temporada de 2022/2023.

Loredana Ernst, belga de 27 anos de idade apaixonada pelo mundo das quatro rodas, é um exemplo dessa pluralidade e crescimento da modalidade. Pela primeira vez, a atriz esteve em Mônaco para acompanhar uma corrida, justamente dos monopostos elétricos.

“Eu acompanho a Fórmula E faz alguns anos já e realmente adoro a categoria [...] e acho que a primeira vez que fiquei sabendo dela foi quando Stoffel Vandoorne entrou na Fórmula E, porque ele era da Fórmula 1 e é um piloto belga, então eu acompanho ele”

Outra frente importante pensada por Todt e Agag desde a criação da categoria era trazer grandes nomes do automobilismo com o intuito de quebrar a barreira cultural em relação à aceitação dos carros elétricos. Nomes como Pierre Gasly, da Fórmula 1, o tricampeão das 24 horas de Le Mans, Brendon Hartley e o brasileiro Felipe Massa, já integraram o time de pilotos da FE.

No quesito escuderias, atualmente nomes como Jaguar, Andretti, Citroën e Nissan integram as 10 participantes, e a modalidade já teve a presença da Renault, McLaren e Maserati, por exemplo. Além disso, os elétricos proporcionaram o histórico embate direto entre as quatro grandes fabricantes alemãs durante a temporada 2019/2020, com Audi, BMW, Mercedes e Porsche no grid.

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Curvas extremas, derrapadas que levam os carros ao limite, ultrapassagens acirradas e às vezes acidentes, destacam o quão capaz e segura a tecnologia elétrica é. Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

Ernst, que mora perto do circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica, comenta que assistiu a uma corrida da FE pela primeira vez no ano passado, em Berlim, e lembra da sustentabilidade da modalidade sem abrir mão da emoção, mesmo com essa provocada de um jeito diferente. 

“O som por exemplo, é algo totalmente diferente, e eu honestamente gosto de ambos, e acho muito legal a Fórmula E ser essa alternativa sustentável a Fórmula 1. Eu já me preocupo com sustentabilidade no meu dia a dia, e para visitar realmente prefiro a Fórmula E inclusive”.

Ao contrário do que se pode imaginar, já que carros elétricos comuns não fazem barulho, os monopostos da competição emitem um som de cerca de 80 decibéis, mais alto que um carro a combustão convencional. Remetendo a filmes futuristas como Tron, são envolventes,  direcionando a emoção para as acirradas ultrapassagens e arrancadas ao longo da corrida, que dura 45 minutos. 

Nesse aspecto, a duração da prova é calculada para contemplar uma carga completa sem paradas para recarga ou troca de carros, como acontecia até a temporada de 2017/2018 com os carros da Gen1. A emoção é atiçada pelo uso estratégico da bateria, desse modo, administrada pelos pilotos que devem usar com sabedoria o “Attack Mode”, e os veículos recuperam até 40% da carga durante a corrida devido às frenagens, que transformam força cinética em elétrica.

Cada etapa consiste em dois treinos livres e sessões qualificatórias pela manhã, enquanto a corrida acontece após o intervalo para o almoço.  O sistema de pontuação segue o padrão estabelecido pela FIA para eventos internacionais. O primeiro lugar recebe 25 pontos, o segundo 18 e o terceiro 15. Do quarto lugar até o décimo são 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1 ponto, respectivamente. Mas algo exclusivo da FE são os pontos extras, 3 pela pole position e 1 pela volta mais rápida, desde que o piloto termine no top 10. 

A temporada 2025/2026 começou com o ePrix de São Paulo, em dezembro, sendo a última com os carros da Gen3 Evo, dando lugar aos Gen4, que prometem revolucionar a categoria. Com 804 cavalos de potência e 335 km/h de velocidade máxima, crescem em tamanho e se aproximam visualmente dos carros da Fórmula 1, ao mesmo tempo que abraçam o conceito de economia circular, sendo 100% recicláveis.

Professor de geografia alerta sobre os desafios da crise climática
por
Anna Sofia Carsughi
Larissa Viana
Olivia Ferreira
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08/06/2026 - 12h

O Brasil prevê a chegada em julho, mas o pico do “El Niño" acontecerá na primavera. O fenômeno “El Niño", resultado das variações de ventos e temperaturas do mar no oceano Pacífico. O evento climático, que costuma ocorrer no final do ano, antecipou sua chegada e traz diversos efeitos ao redor do mundo. No Brasil, as cinco regiões do país sofrem com diferentes consequências do aquecimento anormal das águas. O caráter de incerteza na intensidade do fenômeno provoca nos especialistas alarde e preocupação com as possíveis medidas de precaução a serem tomadas. Assista a entrevista em vídeo.

Setor registrou crescimento de 29% em 2023, mas 24 empreendimentos comunitários apoiados pela FAS faturaram juntos R$ 2 milhões
por
Lueny Gomes
Vinícius Evangelista
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21/05/2026 - 12h

O turismo no Amazonas gerou R$ 942 milhões em 2023, segundo a Amazonastur, com alta de 370% no fluxo de turistas estrangeiros. No mesmo ano, 24 pequenos empreendimentos comunitários dentro de reservas de desenvolvimento sustentável faturaram, juntos, pouco mais de R$ 2 milhões, recebendo cerca de 3.200 visitantes, de acordo com dados da Fundação Amazônia Sustentável. A distância entre os dois números resume o problema que este podcast investiga: quem, de fato, lucra com o ecoturismo amazônico. Ouça agora