O debate no teatro Tucarena tratou de justiça climática, racismo ambiental e os caminhos para uma transição ecológica justa. Participaram da discussão a ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado pela REDE/SP, Marina Silva; a deputada federal, candidata à reeleição pelo PSOL/SP e liderança indígena Sônia Guajajara; e a deputada estadual e também candidata à reeleição pelo PSOL, Ediane Maria. A atividade foi mediada pelo professor José Geraldo Portugal, coordenador do curso de Economia da universidade.
O evento foi organizado em parceria entre a Coordenação do curso de Economia da PUC-SP e os Centros Acadêmicos de Jornalismo, Direito e FEA. A proposta foi discutir caminhos para uma transição energética, processo de substituição gradual de fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis por fontes renováveis e de menor impacto ambiental, como estratégia para enfrentar a crise climática, além de abordar sua relação com as desigualdades sociais, raciais e econômicas.
Na abertura, o professor Portugal destacou que os impactos de eventos climáticos extremos se concentram principalmente entre populações indígenas, negras, periféricas e de baixa renda. Enchentes, deslizamentos, poluição, doenças relacionadas ao clima e ondas de calor evidenciam a necessidade de políticas públicas que considerem as diferentes condições de vulnerabilidade. Ele também defendeu uma economia voltada para as pessoas e para a vida.
Durante o debate, Sônia Guajajara afirmou que a crise climática já faz parte da realidade de diversos territórios e não deve ser tratada como um problema futuro. Ao abordar o racismo ambiental, definido como a desigualdade na distribuição dos impactos ambientais, que afeta de forma mais intensa populações vulnerabilizadas, a deputada destacou que os efeitos da crise climática não atingem todas as pessoas da mesma maneira. Segundo ela, são as populações indígenas, negras e periféricas as primeiras e mais afetadas pelas consequências das mudanças climáticas. “Quem são as pessoas que estão morrendo primeiro?”, questionou.
Guajajara destacou que o racismo ambiental se deve também às desigualdades históricas que fazem com que comunidades negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas estejam mais expostas a áreas sem infraestrutura e sujeitas a desastres. Ao falar sobre os territórios indígenas, destacou o papel dessas áreas na preservação ambiental e no enfrentamento da crise climática. “Os territórios indígenas têm se apresentado comprovadamente como uma das últimas alternativas para conter a crise climática”, afirmou.
Ediane Maria defendeu que o enfrentamento do racismo ambiental deve envolver a sociedade, as universidades e os movimentos sociais, e não ficar restrito aos governos. Para a deputada, uma transição ecológica justa também precisa considerar quem participa das decisões, quem recebe os benefícios e quem arca com os custos da crise.
A parlamentar citou situações vivenciadas em São Paulo, como as chuvas e deslizamentos no litoral norte, as enchentes e ondas de calor na capital e as secas e incêndios no interior. Segundo ela, esses fenômenos evidenciam como a falta de infraestrutura aumenta a exposição de determinadas populações aos impactos climáticos. O racismo ambiental, explicou, também ocorre quando comunidades são direcionadas para áreas próximas a indústrias poluentes, encostas ou regiões sujeitas a enchentes.
O debate também despertou reflexões entre os estudantes presentes. Em entrevista à AGEMT, o aluno de Jornalismo João Calegari afirmou ser admirador do trabalho das convidadas e destacou a relação do tema com sua formação e sua vida pessoal. “A minha avó morava em uma região de São Paulo que era afetada fortemente pela questão climática”, afirmou.
Marina Silva destacou que a justiça climática está diretamente ligada às desigualdades sociais. Segundo a ex-ministra, comunidades com dificuldades de acesso à moradia, saúde, educação e transporte estão mais expostas aos efeitos dos eventos extremos. Ao tratar da distribuição desigual dos impactos da crise, afirmou que “quem menos contribuiu para a mudança do clima é quem paga o maior preço” pelos seus efeitos.
Marina citou as chuvas que atingiram São Sebastião como exemplo de como a vulnerabilidade social pode ampliar as consequências de um desastre climático. Para a ministra, o enfrentamento da crise deve estar associado a políticas públicas de prevenção e à redução das desigualdades.
Natália Perez, 21, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência Pública, participou do evento por considerar o tema cada vez mais presente na realidade brasileira. Atuando frequentemente na editoria de internacional, ela afirmou acompanhar casos de deslizamentos e outros fenômenos que atingem principalmente populações pobres. “A gente está esperando o desastre acontecer. O governo não lida com isso de uma forma preventiva. Quantos desastres anunciados a gente vai ter que viver?”, questionou.
Você já parou para pensar na pegada de carbono deixada por um filme de ação? Produções como "O Espetacular Homem-Aranha 2" e "Mad Max: Estrada da Fúria" já adotam práticas como o uso de painéis solares e luz natural para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Neste vídeo, exploramos os bastidores da produção eco-responsável a partir de uma conversa com a especialista Carol Marzagão, exclusiva para AGEMT. Confira reportagem completa em vídeo.
Ultrapassagens de tirar o fôlego, velocidades para além dos 300km/h e a diferença de milissegundos entre os pilotos que fazem o coração disparar. Emoções comumente associadas à Fórmula 1 quando se fala de automobilismo, mas que também são intrínsecas à Fórmula E, a primeira categoria de monopostos 100% elétricos do mundo.
A ideia de criar um campeonato automobilístico internacional de alto nível sem usar combustível começou há mais de uma década. O ano era 2011, já haviam sido realizadas 16 conferências do clima (COP) e o primeiro carro elétrico de produção em massa havia sido lançado pela Nissan. Com isso em mente, o então presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Jean Todt, e o empresário entusiasta do automobilismo, Alejandro Agag, esboçaram em um guardanapo de um restaurante em Paris o que seria a Fórmula E.
O objetivo central era simples e, ao mesmo tempo, audacioso: mostrar que a mobilidade sustentável é capaz, segura e emocionante, advogando por um futuro mais limpo e sustentável. Realizadas estrategicamente nos grandes centros urbanos, as corridas buscam conscientizar o público sobre as mudanças climáticas e incentivar o uso de carros elétricos.
Com o sinal verde da FIA, os trabalhos começaram. Agag se tornou o CEO, enquanto o piloto brasileiro Lucas Di Grassi foi fundamental para o desenvolvimento técnico, cocriando e pilotando o primeiro protótipo em 2012. Dois anos mais tarde, a Fórmula E estreou oficialmente com o ePrix de Pequim, na China.
De lá para cá os números da competição não pararam de crescer. Em 2019, a categoria ganhou o status de campeonato mundial pela FIA e fabricantes de peso como Porsche e Jaguar ingressaram no grid. Na temporada atual (2025/2026) já foram 17 corridas em 10 países, quase o dobro da primeira edição. Por outro lado, as emissões de CO2 da categoria diminuíram consecutivamente de uma edição para outra, 24% entre a quinta e a oitava temporada, segundo relatório de sustentabilidade da FIA.
Isso torna a FE, desde 2023, o “esporte mais sustentável do mundo” de acordo com a Global Sustainability Benchmark in Sports. A divisão também possui o selo ISO de três estrelas de sustentabilidade graças ao uso de materiais reciclados nos carros e à reciclabilidade deles no seu fim de vida, inclusive das baterias, medidas que visam diminuir a pegada de carbono da logística do evento, responsável por 99% das emissões.
Além disso, a Fórmula E é signatária da agenda da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre emissão neutra de carbono no mundo até 2050. Desde 2020, tornou-se o primeiro esporte internacional certificado como carbono neutro do mundo. Isso se deve à compensação das emissões com iniciativas ao redor do mundo, mas com o objetivo de reduzir a pegada de carbono de modo geral, 60% até 2030, de acordo com a FIA.
Já na pista, a diferença é primordialmente o barulho e o cheiro. O ruído produzido pelos motores elétricos é mais amigável do que o dos motores a combustão, enquanto o cheiro predominante é o da borracha queimada dos pneus para todos os climas, em vez da poluente gasolina.
E ao contrário do que alguns podem imaginar, a emoção está longe de ser menor, como comenta Régis Gourdon, ex-piloto da Porsche Carrera Cup France e fundador da equipe de corrida racing Technology: “Eu amo automobilismo, o pratiquei por anos, e a Fórmula E é muito interessante, além de importante para as nossas crianças, uma boa solução para o futuro”.
Do alto de seus 66 anos de carreira com passagem por muitos circuitos, ele garante que os elétricos são muito bons de pilotar e empolgantes de assistir, destacando que todo ano vem ao lendário circuito de Mônaco para assistir a Fórmula 1 e a Fórmula E.
Em relação aos carros, os números evoluíram massivamente na categoria. A chamada Gen1 começou com 270 cavalos, 225km/h de velocidade máxima e um 0 a 100 em 3 segundos. Hoje, a Gen3 Evo alcança 470 cavalos, 320km/h e impressionantes 1,86 segundos, mais rápido que um carro de Fórmula 1.
Na prática, esses números se traduzem em momentos ainda mais emocionantes devido ao maior número de ultrapassagens, ao torque instantâneo que só um elétrico consegue proporcionar, e ao chamado “Attack Mode”, que pode ser usado em determinados momentos da corrida como um turbo, um acréscimo de 50 kW de potência (cerca de 67 cavalos).
“20 anos atrás eu comprei um carro elétrico, era um dos únicos na França com um na época, e eles são muito bons de pilotar, um pouco pesados, mas fantásticos”, destaca Gourdon.
Nesse quesito, o número de telespectadores do evento cresceu 14% entre as temporadas 2023/2024 e 2024/2025, atingindo mais de 560 milhões de pessoas. A categoria também ampliou sua presença global, com corridas acontecendo em diversas partes do mundo, incluindo São Paulo desde a temporada de 2022/2023.
Loredana Ernst, belga de 27 anos de idade apaixonada pelo mundo das quatro rodas, é um exemplo dessa pluralidade e crescimento da modalidade. Pela primeira vez, a atriz esteve em Mônaco para acompanhar uma corrida, justamente dos monopostos elétricos.
“Eu acompanho a Fórmula E faz alguns anos já e realmente adoro a categoria [...] e acho que a primeira vez que fiquei sabendo dela foi quando Stoffel Vandoorne entrou na Fórmula E, porque ele era da Fórmula 1 e é um piloto belga, então eu acompanho ele”
Outra frente importante pensada por Todt e Agag desde a criação da categoria era trazer grandes nomes do automobilismo com o intuito de quebrar a barreira cultural em relação à aceitação dos carros elétricos. Nomes como Pierre Gasly, da Fórmula 1, o tricampeão das 24 horas de Le Mans, Brendon Hartley e o brasileiro Felipe Massa, já integraram o time de pilotos da FE.
No quesito escuderias, atualmente nomes como Jaguar, Andretti, Citroën e Nissan integram as 10 participantes, e a modalidade já teve a presença da Renault, McLaren e Maserati, por exemplo. Além disso, os elétricos proporcionaram o histórico embate direto entre as quatro grandes fabricantes alemãs durante a temporada 2019/2020, com Audi, BMW, Mercedes e Porsche no grid.
Ernst, que mora perto do circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica, comenta que assistiu a uma corrida da FE pela primeira vez no ano passado, em Berlim, e lembra da sustentabilidade da modalidade sem abrir mão da emoção, mesmo com essa provocada de um jeito diferente.
“O som por exemplo, é algo totalmente diferente, e eu honestamente gosto de ambos, e acho muito legal a Fórmula E ser essa alternativa sustentável a Fórmula 1. Eu já me preocupo com sustentabilidade no meu dia a dia, e para visitar realmente prefiro a Fórmula E inclusive”.
Ao contrário do que se pode imaginar, já que carros elétricos comuns não fazem barulho, os monopostos da competição emitem um som de cerca de 80 decibéis, mais alto que um carro a combustão convencional. Remetendo a filmes futuristas como Tron, são envolventes, direcionando a emoção para as acirradas ultrapassagens e arrancadas ao longo da corrida, que dura 45 minutos.
Nesse aspecto, a duração da prova é calculada para contemplar uma carga completa sem paradas para recarga ou troca de carros, como acontecia até a temporada de 2017/2018 com os carros da Gen1. A emoção é atiçada pelo uso estratégico da bateria, desse modo, administrada pelos pilotos que devem usar com sabedoria o “Attack Mode”, e os veículos recuperam até 40% da carga durante a corrida devido às frenagens, que transformam força cinética em elétrica.
Cada etapa consiste em dois treinos livres e sessões qualificatórias pela manhã, enquanto a corrida acontece após o intervalo para o almoço. O sistema de pontuação segue o padrão estabelecido pela FIA para eventos internacionais. O primeiro lugar recebe 25 pontos, o segundo 18 e o terceiro 15. Do quarto lugar até o décimo são 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1 ponto, respectivamente. Mas algo exclusivo da FE são os pontos extras, 3 pela pole position e 1 pela volta mais rápida, desde que o piloto termine no top 10.
A temporada 2025/2026 começou com o ePrix de São Paulo, em dezembro, sendo a última com os carros da Gen3 Evo, dando lugar aos Gen4, que prometem revolucionar a categoria. Com 804 cavalos de potência e 335 km/h de velocidade máxima, crescem em tamanho e se aproximam visualmente dos carros da Fórmula 1, ao mesmo tempo que abraçam o conceito de economia circular, sendo 100% recicláveis.
O Brasil prevê a chegada em julho, mas o pico do “El Niño" acontecerá na primavera. O fenômeno “El Niño", resultado das variações de ventos e temperaturas do mar no oceano Pacífico. O evento climático, que costuma ocorrer no final do ano, antecipou sua chegada e traz diversos efeitos ao redor do mundo. No Brasil, as cinco regiões do país sofrem com diferentes consequências do aquecimento anormal das águas. O caráter de incerteza na intensidade do fenômeno provoca nos especialistas alarde e preocupação com as possíveis medidas de precaução a serem tomadas. Assista a entrevista em vídeo.
O turismo no Amazonas gerou R$ 942 milhões em 2023, segundo a Amazonastur, com alta de 370% no fluxo de turistas estrangeiros. No mesmo ano, 24 pequenos empreendimentos comunitários dentro de reservas de desenvolvimento sustentável faturaram, juntos, pouco mais de R$ 2 milhões, recebendo cerca de 3.200 visitantes, de acordo com dados da Fundação Amazônia Sustentável. A distância entre os dois números resume o problema que este podcast investiga: quem, de fato, lucra com o ecoturismo amazônico. Ouça agora
