Marina Silva, Sônia Guajajara e Ediane Maria protagonizaram reflexões sobre políticas públicas dentro da crise climática
por
Amanda Campos
Lorena Basilia
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19/08/2026 - 12h

 

O Tucarena foi palco de um encontro de lideranças femininas com o tema "Racismo Ambiental, Mudanças Climáticas e Economia para a Vida", na terça-feira (11). Estiveram presentes, a deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP), a deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP) e a candidata ao senado Marina Silva (REDE-SP), com mediação do professor José Geraldo Portugal da PUC-SP. O Centro Acadêmico de Jornalismo (Benê) organizou a coletiva de imprensa com as convidadas e as pautas da palestra puderam ser mais debatidas por cada uma delas. Foram discutidos temas como a participação indígena na política, as consequências das crises climáticas para pessoas periféricas e vulnerabilizadas e a necessidade de políticas públicas voltadas à justiça climática.

Participação indígena ganha destaque na fala de Sônia

Sônia Guajajara, ex-ministra dos povos indígenas, trouxe para a discussão a importância da presença desses povos dentro dos espaços de discussão política. Em um ano eleitoral, a eleição de representantes indígenas pode garantir que os conhecimentos e as demandas deste grupo estejam presentes na articulação de políticas públicas relacionadas ao meio ambiente. Segundo Guajajara, esse processo vem sendo construído desde 2017 e ganhou força nas eleições seguintes, com o aumento do número de candidatos e eleitos indígenas.

A deputada destacou avanços conquistados nos últimos anos em relação ao meio ambiente, como a criação do Ministério do Povos Indígenas e a presença indígena na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). “Nós estamos num momento muito oportuno pras pessoas, não para eleger candidatos que nos representam, mas para eleger os próprios indígenas”. 

A fala se deve ao fato de que os indígenas são os principais responsáveis pela preservação de territórios, e ao mesmo tempo, estão entre os mais afetados pela crise climática. Nesse sentido, Sônia defende que a população não indígena reconheça a importância desses territórios e da participação indígena na construção de políticas ambientais.

Ediane Maria na luta contra o racismo ambiental 

A primeira empregada doméstica eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), Ediane Maria, trouxe para o centro do debate o conceito de racismo ambiental na realidade das periferias paulistas, a deputada afirmou que sua experiência nas periferias influenciou diretamente sua atuação política. “Eu sou uma das mulheres das periferias de São Paulo que, por várias vezes, teve medo do telhado voar”, relatou.

Para a parlamentar, a segregação espacial é uma forma de violência política. Ela relembrou que existe uma "cor que foi condenada a não circular no centro" e que é constantemente empurrada para áreas de risco, sem saneamento básico ou documentação. "Existe uma naturalização desses trabalhadores que demoram duas, três horas para vir trabalhar, para vir pro centro e que existem pessoas que não existem no estado de São Paulo, que são subnotificadas", afirmou Ediane, referindo-se à falta de CEP e infraestrutura nas bordas da cidade. Para exemplificação, ela parafraseou Carolina Maria de Jesus para descrever a favela como o "quarto de despejo" da sociedade, onde o poder público só entra em épocas eleitorais para buscar votos.

Assim como Guajajara relaciona a questão climática à falta de participação dos povos indígenas, Ediane Maria relaciona as desigualdades ambientais às questões de gênero e raça. A população negra e periférica estão entre as populações mais afetadas pela ausência de políticas públicas. Durante coletiva para a AGEMT antes do evento, Ediane criticou duramente a gestão de Tarcísio de Freitas, onde aponta a privatização da Sabesp como um golpe contra as populações mais pobres e denuncia a omissão no combate à violência contra a mulher. 

A deputada citou ainda sua atuação junto às trabalhadoras terceirizadas da Alesp. Ediane relata que, ao ouvir funcionárias responsáveis pela limpeza da Assembleia, identificou condições precárias no espaço destinado a elas. Após reivindicações, foi criado um espaço de convivência para as trabalhadoras. "Nós somos o projeto que eles não queriam que sobrevivesse, mas a gente está aqui", declarou, enfatizando que o futuro da política deve ser "indígena, quilombola e preto". 

 “Eu vim do lugar que elas vêm e eu sei que a mudança se faz onde a gente está”.
 

Marina Silva durante sua fala na mesa. Foto: Manoella Marinho
Marina Silva durante sua fala na mesa. Foto: Manoella Marinho



Marina Silva e a economia sustentabilista 

Durante a coletiva, a candidata ao Senado de São Paulo (REDE), Marina Silva, esclareceu que o elemento em falta para o Congresso proteger o meio ambiente é a iniciativa da aplicação das leis. Segundo Marina, a legislação já possui diversas emendas para essa pauta: “nos governos do presidente Lula nós fivemos um esforço muito grande na implementação, tanto na agenda de criação, em terras indígenas, unidades de conservação, políticas de recursos hídricos, de recursos sólidos, o combate ao desmatamento”. 

A Lei Geral do Licenciamento Ambiental, citada pela candidata, mostra o risco de flexibilizar ações que causam danos ao meio ambiente em prol do crescimento econômico desenfreado. Essa mudança na lei é estabelecida inclusive quando um projeto é considerado de utilidade pública e pode dispensar determinados procedimentos ambientais. “Se você vai jogar metal pesado no rio, vai contaminar do mesmo jeito, não muda nada ser de utilidade pública. Como exemplo, o aquífero guarani que é contaminado com agrotóxico constantemente”, aponta a candidata. Se não houver planeta Terra para o ser humano habitar nada disso será importante. 

Durante a entrevista, ela esclareceu que o ponto de atenção dentro do contexto político deve ser o Congresso Nacional, onde as leis ambientalistas são mais vetadas. “Temos que evitar que as leis que são boas que já foram aprovadas agora sejam amputadas”. Para além disso, os novos desafios são criar instrumentos para viabilizar a implementação da lei na área de economia e infraestrutura. 

Há uma urgência em extinguir a ideia de que zelar pelo meio ambiente é apenas função dos povos originários e ativistas, as políticas públicas exercem importante função nessa luta. Além disso, a discussão não deve ser limitada ao meio ambiente, pois todas as outras áreas da economia são interdependentes a ele, “a política ambiental não deveria ser sectorial e sim transversal. Ela tem que estar presente no transporte, energia, cultura, educação e em todos os setores. Isso que vai fazer a diferença” conclui a parlamentar. 

Em um recorte menor, Marina Silva esclarece que o estado de São Paulo é um ponto importante para propagar a economia sustentável. A região tem estrutura para migrar da energia “suja” para energia limpa de maneira a não prejudicar a economia, com o etanol por exemplo. Em contexto nacional, a candidata declarou “o Brasil tem uma matriz energética 45% limpa e uma matriz elétrica mais de 90% limpa, então o país como um todo é o lugar para atrair investimentos.”

Os olhares voltados para o meio ambiente não significam que não há preocupação com a economia, os dois podem e devem caminhar lado a lado. A Marina traz um exemplo de uma área que os dois setores convergem e promete trazer bons frutos. “A bioeconomia até 2050 promete gerar até 800 bilhões de reais na indústria brasileira e mais de 600 mil empregos sustentáveis”. 

Marina explica que sua migração para o Senado se deve ao fato de que lá ela consegue exercer seu voto nas decisões a favor do meio ambiente, “eu gosto de estar onde eu sei que eu posso travar uma diferença, pois eu sei que a natureza não se adapta às nossas necessidades, nós é que devemos manejar as leis da natureza”. 


 

Encontro destacou a relação entre vulnerabilidade social e eventos climáticos extremos, além da necessidade de políticas públicas voltadas às populações mais afetadas
por
Daniela Martinho
Marcelo Barbosa
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17/08/2026 - 12h

O debate no teatro Tucarena tratou de justiça climática, racismo ambiental e os caminhos para uma transição ecológica justa. Participaram da discussão a ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado pela REDE/SP, Marina Silva; a deputada federal, candidata à reeleição pelo PSOL/SP e liderança indígena Sônia Guajajara; e a deputada estadual e também candidata à reeleição pelo PSOL, Ediane Maria. A atividade foi mediada pelo professor José Geraldo Portugal, coordenador do curso de Economia da universidade.

O evento foi organizado em parceria entre a Coordenação do curso de Economia da PUC-SP e os Centros Acadêmicos de Jornalismo, Direito e FEA. A proposta foi discutir caminhos para uma transição energética, processo de substituição gradual de fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis por fontes renováveis e de menor impacto ambiental, como estratégia para enfrentar a crise climática, além de abordar sua relação com as desigualdades sociais, raciais e econômicas. 

Na abertura, o professor Portugal destacou que os impactos de eventos climáticos extremos se concentram principalmente entre populações indígenas, negras, periféricas e de baixa renda. Enchentes, deslizamentos, poluição, doenças relacionadas ao clima e ondas de calor evidenciam a necessidade de políticas públicas que considerem as diferentes condições de vulnerabilidade. Ele também defendeu uma economia voltada para as pessoas e para a vida.

 

Alunos da PUC-SP reunidos com  Marina Silva, Sonia Guajajara e Ediane Maria no Tucare
Alunos da PUC-SP reunidos com  Marina Silva, Sonia Guajajara e Ediane Maria no Tucare. Foto: @manoellamaarinho
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Durante o debate, Sônia Guajajara afirmou que a crise climática já faz parte da realidade de diversos territórios e não deve ser tratada como um problema futuro. Ao abordar o racismo ambiental, definido como a desigualdade na distribuição dos impactos ambientais, que afeta de forma mais intensa populações vulnerabilizadas, a deputada destacou que os efeitos da crise climática não atingem todas as pessoas da mesma maneira. Segundo ela, são as populações indígenas, negras e periféricas as primeiras e mais afetadas pelas consequências das mudanças climáticas. “Quem são as pessoas que estão morrendo primeiro?”, questionou. 

Guajajara destacou que o racismo ambiental se deve também às desigualdades históricas que fazem com que comunidades negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas estejam mais expostas a áreas sem infraestrutura e sujeitas a desastres. Ao falar sobre os territórios indígenas, destacou o papel dessas áreas na preservação ambiental e no enfrentamento da crise climática. “Os territórios indígenas têm se apresentado comprovadamente como uma das últimas alternativas para conter a crise climática”, afirmou.

Ediane Maria defendeu que o enfrentamento do racismo ambiental deve envolver a sociedade, as universidades e os movimentos sociais, e não ficar restrito aos governos. Para a deputada, uma transição ecológica justa também precisa considerar quem participa das decisões, quem recebe os benefícios e quem arca com os custos da crise.

A parlamentar citou situações vivenciadas em São Paulo, como as chuvas e deslizamentos no litoral norte, as enchentes e ondas de calor na capital e as secas e incêndios no interior. Segundo ela, esses fenômenos evidenciam como a falta de infraestrutura aumenta a exposição de determinadas populações aos impactos climáticos. O racismo ambiental, explicou, também ocorre quando comunidades são direcionadas para áreas próximas a indústrias poluentes, encostas ou regiões sujeitas a enchentes.

O debate também despertou reflexões entre os estudantes presentes. Em entrevista à AGEMT, o aluno de Jornalismo João Calegari afirmou ser admirador do trabalho das convidadas e destacou a relação do tema com sua formação e sua vida pessoal. “A minha avó morava em uma região de São Paulo que era afetada fortemente pela questão climática”, afirmou.

Marina Silva destacou que a justiça climática está diretamente ligada às desigualdades sociais. Segundo a ex-ministra, comunidades com dificuldades de acesso à moradia, saúde, educação e transporte estão mais expostas aos efeitos dos eventos extremos. Ao tratar da distribuição desigual dos impactos da crise, afirmou que “quem menos contribuiu para a mudança do clima é quem paga o maior preço” pelos seus efeitos.

Marina citou as chuvas que atingiram São Sebastião como exemplo de como a vulnerabilidade social pode ampliar as consequências de um desastre climático. Para a ministra, o enfrentamento da crise deve estar associado a políticas públicas de prevenção e à redução das desigualdades.

Natália Perez, 21, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência Pública, participou do evento por considerar o tema cada vez mais presente na realidade brasileira. Atuando frequentemente na editoria de internacional, ela afirmou acompanhar casos de deslizamentos e outros fenômenos que atingem principalmente populações pobres. “A gente está esperando o desastre acontecer. O governo não lida com isso de uma forma preventiva. Quantos desastres anunciados a gente vai ter que viver?”, questionou.


 

O desafio de "esverdear" as grandes produções de cinema
por
Chiara Abreu
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09/06/2026 - 12h

Você já parou para pensar na pegada de carbono deixada por um filme de ação? Produções como "O Espetacular Homem-Aranha 2" e "Mad Max: Estrada da Fúria" já adotam práticas como o uso de painéis solares e luz natural para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Neste vídeo, exploramos os bastidores da produção eco-responsável a partir de uma conversa com a especialista Carol Marzagão, exclusiva  para AGEMT. Confira reportagem completa em vídeo

Categoria criada com expertise de brasileiro busca conscientizar o público sobre o meio ambiente sem abrir mão da emoção na pista
por
Vítor Nhoatto
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09/06/2026 - 12h

Ultrapassagens de tirar o fôlego, velocidades para além dos 300km/h e a diferença de milissegundos entre os pilotos que fazem o coração disparar. Emoções comumente associadas à Fórmula 1 quando se fala de automobilismo, mas que também são intrínsecas à Fórmula E, a primeira categoria de monopostos 100% elétricos do mundo.

A ideia de criar um campeonato automobilístico internacional de alto nível sem usar combustível começou há mais de uma década. O ano era 2011, já haviam sido realizadas 16 conferências do clima (COP) e o primeiro carro elétrico de produção em massa havia sido lançado pela Nissan. Com isso em mente, o então presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Jean Todt, e o empresário entusiasta do automobilismo, Alejandro Agag, esboçaram em um guardanapo de um restaurante em Paris o que seria a Fórmula E.

O objetivo central era simples e, ao mesmo tempo, audacioso: mostrar que a mobilidade sustentável é capaz, segura e emocionante, advogando por um futuro mais limpo e sustentável. Realizadas estrategicamente nos grandes centros urbanos, as corridas buscam conscientizar o público sobre as mudanças climáticas e incentivar o uso de carros elétricos.

Com o sinal verde da FIA, os trabalhos começaram. Agag se tornou o CEO, enquanto o piloto brasileiro Lucas Di Grassi foi fundamental para o desenvolvimento técnico, cocriando e pilotando o primeiro protótipo em 2012. Dois anos mais tarde, a Fórmula E estreou oficialmente com o ePrix de Pequim, na China.

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Atualmente dois brasileiros integram o time de pilotos da Fórmula E: Lucas di Grassi e Felipe Drugovich, que terminou em segundo lugar no GP de Mônaco, realizado em 17 de maio - Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

De lá para cá os números da competição não pararam de crescer. Em 2019, a categoria ganhou o status de campeonato mundial pela FIA e fabricantes de peso como Porsche e Jaguar ingressaram no grid. Na temporada atual (2025/2026) já foram 17 corridas em 10 países, quase o dobro da primeira edição. Por outro lado, as emissões de CO2 da categoria diminuíram consecutivamente de uma edição para outra, 24% entre a quinta e a oitava temporada, segundo relatório de sustentabilidade da FIA.

Isso torna a FE, desde 2023, o “esporte mais sustentável do mundo” de acordo com a Global Sustainability Benchmark in Sports. A divisão também possui o selo ISO de três estrelas de sustentabilidade graças ao uso de materiais reciclados nos carros e à reciclabilidade deles no seu fim de vida, inclusive das baterias, medidas que visam diminuir a pegada de carbono da logística do evento, responsável por 99% das emissões.

Além disso, a Fórmula E é signatária da agenda da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre emissão neutra de carbono no mundo até 2050. Desde 2020, tornou-se o primeiro esporte internacional certificado como carbono neutro do mundo. Isso se deve à compensação das emissões com iniciativas ao redor do mundo, mas com o objetivo de reduzir a pegada de carbono de modo geral, 60% até 2030, de acordo com a FIA.

Já na pista, a diferença é primordialmente o barulho e o cheiro. O ruído produzido pelos motores elétricos é mais amigável do que o dos motores a combustão, enquanto o cheiro predominante é o da borracha queimada dos pneus para todos os climas, em vez da poluente gasolina.

E ao contrário do que alguns podem imaginar, a emoção está longe de ser menor, como comenta Régis Gourdon, ex-piloto da Porsche Carrera Cup France e fundador da equipe de corrida racing Technology: “Eu amo automobilismo, o pratiquei por anos, e a Fórmula E é muito interessante, além de importante para as nossas crianças, uma boa solução para o futuro”.

Do alto de seus 66 anos de carreira com passagem por muitos circuitos, ele garante que os elétricos são muito bons de pilotar e empolgantes de assistir, destacando que todo ano vem ao lendário circuito de Mônaco para assistir a Fórmula 1 e a Fórmula E. 

Em relação aos carros, os números evoluíram massivamente na categoria. A chamada Gen1 começou com 270 cavalos, 225km/h de velocidade máxima e um 0 a 100 em 3 segundos. Hoje, a Gen3 Evo alcança 470 cavalos, 320km/h e impressionantes 1,86 segundos, mais rápido que um carro de Fórmula 1. 

Na prática, esses números se traduzem em momentos ainda mais emocionantes devido ao maior número de ultrapassagens, ao torque instantâneo que só um elétrico consegue proporcionar, e ao chamado “Attack Mode”, que pode ser usado em determinados momentos da corrida como um turbo, um acréscimo de 50 kW de potência (cerca de 67 cavalos).

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Gen 3 Evo é o atual modelo usado nas corridas, surpreendendo por uma performance singular no mundo das corridas - Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

“20 anos atrás eu comprei um carro elétrico, era um dos únicos na França com um na época, e eles são muito bons de pilotar, um pouco pesados, mas fantásticos”, destaca Gourdon. 

Nesse quesito, o número de telespectadores do evento cresceu 14% entre as temporadas 2023/2024 e 2024/2025, atingindo mais de 560 milhões de pessoas. A categoria também ampliou sua presença global, com corridas acontecendo em diversas  partes do mundo, incluindo São Paulo desde a temporada de 2022/2023.

Loredana Ernst, belga de 27 anos de idade apaixonada pelo mundo das quatro rodas, é um exemplo dessa pluralidade e crescimento da modalidade. Pela primeira vez, a atriz esteve em Mônaco para acompanhar uma corrida, justamente dos monopostos elétricos.

“Eu acompanho a Fórmula E faz alguns anos já e realmente adoro a categoria [...] e acho que a primeira vez que fiquei sabendo dela foi quando Stoffel Vandoorne entrou na Fórmula E, porque ele era da Fórmula 1 e é um piloto belga, então eu acompanho ele”

Outra frente importante pensada por Todt e Agag desde a criação da categoria era trazer grandes nomes do automobilismo com o intuito de quebrar a barreira cultural em relação à aceitação dos carros elétricos. Nomes como Pierre Gasly, da Fórmula 1, o tricampeão das 24 horas de Le Mans, Brendon Hartley e o brasileiro Felipe Massa, já integraram o time de pilotos da FE.

No quesito escuderias, atualmente nomes como Jaguar, Andretti, Citroën e Nissan integram as 10 participantes, e a modalidade já teve a presença da Renault, McLaren e Maserati, por exemplo. Além disso, os elétricos proporcionaram o histórico embate direto entre as quatro grandes fabricantes alemãs durante a temporada 2019/2020, com Audi, BMW, Mercedes e Porsche no grid.

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Curvas extremas, derrapadas que levam os carros ao limite, ultrapassagens acirradas e às vezes acidentes, destacam o quão capaz e segura a tecnologia elétrica é. Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

Ernst, que mora perto do circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica, comenta que assistiu a uma corrida da FE pela primeira vez no ano passado, em Berlim, e lembra da sustentabilidade da modalidade sem abrir mão da emoção, mesmo com essa provocada de um jeito diferente. 

“O som por exemplo, é algo totalmente diferente, e eu honestamente gosto de ambos, e acho muito legal a Fórmula E ser essa alternativa sustentável a Fórmula 1. Eu já me preocupo com sustentabilidade no meu dia a dia, e para visitar realmente prefiro a Fórmula E inclusive”.

Ao contrário do que se pode imaginar, já que carros elétricos comuns não fazem barulho, os monopostos da competição emitem um som de cerca de 80 decibéis, mais alto que um carro a combustão convencional. Remetendo a filmes futuristas como Tron, são envolventes,  direcionando a emoção para as acirradas ultrapassagens e arrancadas ao longo da corrida, que dura 45 minutos. 

Nesse aspecto, a duração da prova é calculada para contemplar uma carga completa sem paradas para recarga ou troca de carros, como acontecia até a temporada de 2017/2018 com os carros da Gen1. A emoção é atiçada pelo uso estratégico da bateria, desse modo, administrada pelos pilotos que devem usar com sabedoria o “Attack Mode”, e os veículos recuperam até 40% da carga durante a corrida devido às frenagens, que transformam força cinética em elétrica.

Cada etapa consiste em dois treinos livres e sessões qualificatórias pela manhã, enquanto a corrida acontece após o intervalo para o almoço.  O sistema de pontuação segue o padrão estabelecido pela FIA para eventos internacionais. O primeiro lugar recebe 25 pontos, o segundo 18 e o terceiro 15. Do quarto lugar até o décimo são 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1 ponto, respectivamente. Mas algo exclusivo da FE são os pontos extras, 3 pela pole position e 1 pela volta mais rápida, desde que o piloto termine no top 10. 

A temporada 2025/2026 começou com o ePrix de São Paulo, em dezembro, sendo a última com os carros da Gen3 Evo, dando lugar aos Gen4, que prometem revolucionar a categoria. Com 804 cavalos de potência e 335 km/h de velocidade máxima, crescem em tamanho e se aproximam visualmente dos carros da Fórmula 1, ao mesmo tempo que abraçam o conceito de economia circular, sendo 100% recicláveis.

Professor de geografia alerta sobre os desafios da crise climática
por
Anna Sofia Carsughi
Larissa Viana
Olivia Ferreira
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08/06/2026 - 12h

O Brasil prevê a chegada em julho, mas o pico do “El Niño" acontecerá na primavera. O fenômeno “El Niño", resultado das variações de ventos e temperaturas do mar no oceano Pacífico. O evento climático, que costuma ocorrer no final do ano, antecipou sua chegada e traz diversos efeitos ao redor do mundo. No Brasil, as cinco regiões do país sofrem com diferentes consequências do aquecimento anormal das águas. O caráter de incerteza na intensidade do fenômeno provoca nos especialistas alarde e preocupação com as possíveis medidas de precaução a serem tomadas. Assista a entrevista em vídeo.

Setor registrou crescimento de 29% em 2023, mas 24 empreendimentos comunitários apoiados pela FAS faturaram juntos R$ 2 milhões
por
Lueny Gomes
Vinícius Evangelista
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21/05/2026 - 12h

O turismo no Amazonas gerou R$ 942 milhões em 2023, segundo a Amazonastur, com alta de 370% no fluxo de turistas estrangeiros. No mesmo ano, 24 pequenos empreendimentos comunitários dentro de reservas de desenvolvimento sustentável faturaram, juntos, pouco mais de R$ 2 milhões, recebendo cerca de 3.200 visitantes, de acordo com dados da Fundação Amazônia Sustentável. A distância entre os dois números resume o problema que este podcast investiga: quem, de fato, lucra com o ecoturismo amazônico. Ouça agora

 

 

Com mais de 1 milhão de habitantes a maior cidade do Brasil vem criando insatisfação com a falta de áreas verdes em zonas periféricas
por
Eduardo Bettini
Giovanna Hagger
|
27/04/2026 - 12h

Guarulhos expõe um desequilíbrio na arborização urbana. Enquanto o principal parque da cidade reúne extensa cobertura vegetal e uma mata nativa remanescente da Mata Atlântica, bairros mais periféricos apresentam menor presença de natureza. O Bosque Maia, fundado em 1972, com cerca de 170 mil metros quadrados, é um dos principais pontos de lazer para os cidadãos. Localizado na região central da cidade conta com diversas espécies nativas, como Ipês, Pau Brasil e Pitangueira. A presença significativa de árvores contribui para a redução de temperatura local, melhorando a qualidade do ar e abafa os ruídos que o ambiente urbano proporciona, fatores diretamente associados a qualidade devida da população.  Apesar de no centro ter uma grande quantidade de árvores, em alguns casos a arborização é bem escassa ou até inexistente, a falta de planejamento voltado à expansão de áreas verdes intensifica problemas como ilhas de calor, aumento da poluição e gera um déficit de áreas de lazer. 

Levantamentos feitos pela Prefeitura de Guarulhos indicam que a arborização urbana ainda se concentra em locais com maior infraestrutura e investimento público. Este padrão reforça a desigualdade histórica no desenvolvimento da cidade, em que áreas centrais e turísticas recebem mais atenção em projetos de urbanização, enquanto periferias enfrentam carências de serviços sociais básicos, incluindo a falta de vegetação. 

Imagem do google Maps do Bosque Maia
Imagem Google Maps satélite- região Bosque Maia

 

Imagem periferia
Imagem google Maps - Região periférica 

 A diferença de verde nas regiões impacta diretamente a vida dos moradores. No caso de Guarulhos, o segundo lugar mais arbóreo do município, a Lagoa dos Patos, tem uma temperatura amena, favorecendo a população ao redor ter uma melhor qualidade de vida. Já em bairros com pouca cobertura vegetal, o excesso de concreto contribui para o aumento da temperatura e a diminuição do conforto térmico, sobretudo em períodos de calor intenso. 'Em periferias a escassez desses ambientes limita o acesso da população a esses benefícios que deveriam ser acessíveis a todos, pois preciso ir de carro ou pegar ônibus para chegar lá", desabafa à AGEMT a estudante Camilla Macedo, moradora de Taboão.    

"Minha região é muito conhecida pela quantidade de lojas e mercados, mas ela em si é escassa de arborização. É um local muito movimentado, porém quase impossível de andar no calor.’’  E acrescenta: "eu frequento muito o centro de Guarulhos e principalmente essa região do bosque Maia e é surreal a diferença de temperatura", diz.

Um estudo da UNICRUZ comprova que a presença de árvores na cidade ajudam na qualidade de vida das pessoas que lá habitam, “Eu acho que se tivéssemos mais da natureza, no nosso dia a dia seria menos estressante", conclui Macedo. 

Fogo mobilizou 16 viaturas e mais de 40 agentes do Corpo de Bombeiros
por
Isabelle Muniz
Vitória Teles
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24/03/2026 - 12h

Na manhã desta segunda-feira (23), um incêndio de grande proporção atingiu a loja Tintas ABC, em Santo André, região do ABC Paulista. O corpo de bombeiros atuou desde às 9h para combater o fogo e mobilizou cerca de 16 viaturas e mais de 40 profissionais no local do acidente. As causas da ocorrência ainda são desconhecidas.  

A loja fica localizada na Avenida Dom Pedro I, 1720, na Vila América. Apesar do ocorrido ter afetado a rotina dos moradores da região, não há registro de quantos imóveis foram afetados. O incidente não deixou vítimas. Em nota publicada nas redes sociais, a Tintas ABC informou  que seus funcionários e clientes presentes foram evacuados em segurança. “Reforçamos que a segurança sempre foi uma prioridade em nossas operações, seguindo rigorosamente as normas e procedimentos vigentes.” afirmou o estabelecimento. 
 

 Nota oficial da loja Tintas ABC. Reprodução: Instagram/ @tintasabc_oficial
 Nota oficial da loja Tintas ABC. Reprodução: Instagram/ @tintasabc_oficial

 

A Prefeitura de Santo André afirmou que o Departamento de Proteção e Defesa Civil foi acionado para o local às 10h30. Moradores e pessoas que frequentam a região, foram orientados a ficarem dentro de suas casas, com janelas e portas fechadas, devido à fumaça, que pode ser prejudicial quando inalada.  
 
Além dos danos à loja, a rotina dos moradores foi afetada. Em entrevista à AGEMT, a analista financeira, Thania Strina, que mora há dez minutos do local, afirmou que estava trabalhando com a janela aberta quando reparou a fumaça e precisou fechá-la por causa do odor. “Na escola da minha filha, foi preciso a troca de sala”, relatou. 
   
 

Imagem reprodução/ Arquivo pessoal: Thania Strina
Fumaça vista pelos moradores da região. Imagem reprodução/ Arquivo pessoal: Thania Strina

A empreendedora Daniele Colimo, também em entrevista à AGEMT, afirmou que mora há 1km do local e que, da sua sacada, notou a fumaça. Ela relatou que sentiu dificuldade de locomoção pela cidade devido ao congestionamento gerado pelo incidente, “A loja, está localizada em uma avenida movimentada no bairro, onde trafegam ônibus para todos os lugares, quando aconteceu o acidente, alguns acessos a padaria, loja de embalagens por exemplo, ficaram impossíveis de acessar.”, afirmou. 

A moradora também informou que, em escolas próximas, vizinhos tiveram que buscar seus filhos mais cedo. Após a contenção do incêndio, os móveis de sua casa ficaram cobertos de fuligem. Daniele contou ainda que trabalhou por sete anos em frente ao local e elogiou o estabelecimento e seus funcionários, que agora tentam se reerguer e buscar a causa do incêndio.       

Moradores ainda lidam com os transtornos e tentam retomar a normalidade. A expectativa é por esclarecimentos sobre as causas do incidente e por medidas que reforcem a segurança local.   

Juiz de Fora e Ubá batem recordes de chuvas e população sobre com desastre climático
por
Vitoria Wu
Gustavo Tonini
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02/03/2026 - 12h

Da noite de segunda-feira (23) para a madrugada de terça-feira (24), a região Sudeste de Minas Gerais foi atingida por intensas chuvas. No município de Juiz de Fora, de acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), foi registrado um volume total de 209,4 milímetros, um recorde histórico para o mês de fevereiro. No município de Ubá, as chuvas provocaram a inundação do rio Ubá e alcançou a marca histórica de 7,82 metros de altura

Os índices pluviométricos extremos provocaram inundações e deslizamentos que resultaram em mortes e desaparecimentos nos municípios afetados. Em Juiz de Fora, até o momento, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG) registrou 69 mortes. Em Ubá, foram confirmadas seis mortes. Juiz de Fora chegou a registrar 16 desaparecidos, enquanto em Ubá, duas pessoas. Além das vítimas fatais, a prefeitura de Juiz de Fora confirmou 8.584 desabrigados e desalojados, enquanto Ubá registrou 396 desalojados e 25 desabrigados. As buscas aconteceram na manhã da última segunda-feira (02).

(Os rastros de destruição deixados após o desastres em juiz de fora,@engenhariaambientalbr)
Os rastros de destruição deixados pelas chuvas, em Juiz de Fora. Foto: Instagram/@engenhariaambientalbr

 

Fazendo fronteira com Juiz de Fora, pontos do município de Matias Barbosa também sofreram com os temporais. Mesmo sem registros de óbitos, 300 imóveis foram atingidos, deixando mil pessoas desabrigadas, de acordo com estimativas da prefeitura.

Para lidar com a situação, os bombeiros locais organizaram oito frentes de trabalho; seis em Juíz de Fora e duas em Ubá. As prefeituras de ambos os municípios declararam estado de calamidade pública, medida que possibilita o recebimento de recursos estaduais e federais para o controle da situação, além da instauração de um plano de contingência. 

O presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou estado de calamidade pública federal, mobilizando a Força Nacional do SUS para auxiliar na situação. 

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, declarou estado de luto e, em entrevista coletiva na terça feira (24), declarou que em “15 ou 30 dias” fará uma avaliação de como o governo auxiliará para a reconstrução de estradas e pontes nos municípios afetados - o que será feito com a verba federal. Até o momento, o Governo do Estado antecipou R$ 8 milhões para Ubá e R$ 38 milhões para Juiz de Fora, para gastos emergenciais.

reproduçao:Instagram,@cartunistagilmar
Charge denuncia a responsabilidade e pouca assistência do governo estadual de Minas Gerais. Reprodução: Instagram/@cartunistagilmar

     

O que aconteceu?

O verão brasileiro tem sido afetado por anomalias climáticas recorrentes. Segundo pesquisas feitas no INMET pela meteorologista Andrea Ramos, os riscos de temporais aumentaram muito nos meses de Janeiro e Fevereiro, e chuvas como as ocorridas em Minas Gerais são classificadas como extremas.

Segundo ela, o principal fator para os temporais foi uma Supercélula, sistema de tempestade de grande desenvolvimento vertical. O fenômeno se intensifica com a presença do calor, da alta umidade e de um cavalo atmosférico, uma área de baixa pressão em níveis médios e altos da atmosfera, caracterizada por uma ondulação de fluxos de ventos que atua como área de instabilidade. 

Ainda de acordo com o INMET, o cenário de instabilidade tende a continuar nos próximos dias.

 

Para Rafael Morales, consumidores e mercado também têm papel importante na cobrança de sustentabilidade
por
Gustavo Song Jun Choi
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03/12/2025 - 12h

A inteligência artificial, também conhecida como IA, tornou-se uma conveniência na vida das pessoas tão importante quanto o smartphone ou a internet. No entanto, também é um grande alvo de polêmica por conta das especulações sobre seu potencial destrutivo contra a humanidade e o meio ambiente.  

Segundo Rafael de Carvalho Morales, profissional de tecnologia, professor e consultor da área de sustentabilidade, um dos impactos mais significativos é o consumo de água, usada pelos data centers para regular o sistema de resfriamento de seus diversos servidores. 

Rafael de Carvalho Morales, consultor de sustentabilidade.
Rafael de Carvalho Morales - Foto: Divulgação


“Tem alguns casos de construção de data centers em áreas de escassez hídrica, ou seja, em locais com pouca água”, diz Morales, alertando para as possíveis consequências de operações desse tipo. “Se você acabar com a água desse lugar, a cidade vai ficar sem água, a população vai ficar sem água e o entorno também vai sofrer com isso.”

O consultor também destaca a degradação ambiental provocada pela mineração de recursos necessários para a fabricação de peças utilizadas nos data centers, como lítio, cobre e silício. Trata-se de minerais escassos e valiosos, cuja extração, se não for gerenciada devidamente, produz o risco de um esgotamento rápido das reservas.

De acordo com o consultor, a falta de compromisso das empresas de tecnologia com a rastreabilidade da cadeia de minérios que fazem parte das unidades de processamento acaba estimulando uma técnica de extração de recursos de altíssimo impacto, que é a mineração artesanal. Mais conhecida como garimpo, esse modelo é mais prejudicial ao meio ambiente do que até mesmo a mineração industrial, pela falta de regulação e código de conduta apropriados. “É um grupo de pessoas, coordenadas ou não, que vão para uma determinada localidade em que se imagina que tenha minério e mineram com práticas de alto impacto, com uso de mercúrio e outros métodos nocivos para a natureza”, explica Morales. 

Sobre possíveis formas de minimizar os impactos, o profissional diz que o Estado tem o papel de exigir, do ponto de vista legal, que as empresas adotem alguns princípios ao construir seus data centers, como a definição de limites para o consumo de água e a utilização de energia renovável. “Os Estados têm essa obrigação”, frisa Morales.

Ele também aponta a responsabilidade do mercado financeiro - que não deveria financiar operações sem compromisso com a sustentabilidade - e o papel dos próprios consumidores, que podem deixar de utilizar plataformas de empresas que não respeitam as normas ambientais.

Quando questionado sobre o futuro da humanidade e o lugar da IA nele, Moraes avalia que essa tecnologia veio para ficar, especialmente no contexto de uma sociedade no modelo capitalista de alta produtividade, que preza a produção de mais resultados com menos esforço e gastos. Neste sentido, diz ele, além de altamente lucrativa, a inteligência artificial se tornou uma “benção”, um acelerador de capital essencial para o atual estágio do capitalismo.  “Já vi pessoas que conheço e respeito falando que a IA vai ajudar muito na produtividade”, afirma, citando a perspectiva de criação de empregos e funções inexistentes hoje.

Ainda assim, o consultor reconhece os malefícios que, para além dos impactos ambientais, a tecnologia pode trazer, como a dependência nos usuários - considerando a relação praticamente inseparável que as pessoas têm com seus smartphones - e as consequências psíquicas do uso abusivo.