Institutos revelam oscilações de opinião do eleitorado em comparação com dados levantados na semana após o primeiro turno
por
Luiza Zaccano
Manuela Abbate
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16/10/2026 - 12h

A dez dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, as pesquisas Quaest e Datafolha indicam uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Divulgados nos dias 14 e 15 de outubro, respectivamente, os levantamentos mostram uma vantagem númerica do candidato do PL, mas dentro da margem de erro, o que caracteriza empate técnico entre os dois concorrentes

Na pesquisa Quaest, Flávio Bolsonaro aparece com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Já o levantamento do Datafolha, registra 47% para o senador e 45% para o atual presidente. Em ambos os levantamentos, a diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro, também de dois pontos, o que impede afirmar que um dos candidatos tenha vantagem estatisticamente consolidada.

O cenário também se mantém equilibrado quando são considerados apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos. Na Quaest, Flávio tem 51% ante 49% de Lula. O Datafolha apresenta o mesmo resultado: 51% para o senador e 49% para o presidencialista. 

 

Montagem com Flávio Bolsonaro a esquerda e Lula a direita
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) aparecem empatados no segundo turno  (Foto 1: Charles Vieira/Campanha | Foto 2: Ricardo Stuckert/Campanha)

Além da intenção de voto, os dois institutos revelam elevada rejeição. Segundo a Quaest, 54% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 53% dizem o mesmo sobre Lula. A proximidade dos índices indica que ambos enfrentam resistência significativa do eleitorado. 

A avaliação do governo federal mostra um desafio para a candidatura à reeleição. No Datafolha, 41% dos entrevistados classificaram a gestão Lula como ruim ou péssima, enquanto 35% a avaliaram como ótima ou boa. Outros 23% consideraram o governo regular. 

De acordo com o Datafolha, Flávio lidera nas regiões Sul, com 24% de vantagem, Centro-Oeste e Norte, com 16%, e Sudeste, com 12%. Lula mantém diferença significativa no Nordeste, com 32 pontos percentuais à frente do candidato do PL.

Houve mudanças em relação à pesquisa divulgada no dia 8. Apesar do empate técnico persistir, o levantamento atual aponta queda de um ponto percentual para Flávio em comparação com aumento do mesmo valor para o atual presidente. 

Em comparação ao levantamento anterior, os números do Sul foram mantidos, enquanto no Sudeste, Lula perdeu 2% para Flávio. Já no Nordeste o cenário foi inverso, havendo uma oscilação positiva de três pontos percentuais para Lula. No agrupamento das regiões Centro-Oeste e Norte, as intenções de voto em Flávio caíram seis pontos percentuais. 

Sobre a migração de votos, a Quaest indicou que, entre os eleitores de Caiado, 42% apoiam Flávio, ante 23% de Lula. Em relação aos eleitores de Augusto Cury, 34% declaram voto em Lula no segundo turno, em comparação com 30% que afirmam votar no senador do PL. Apesar de Renan Santos ter passado a campanha tecendo críticas a Flávio, 40% de seu eleitorado declaram voto no candidato, enquanto 14% manifestam apoio a Lula. 

O Datafolha está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-00466/2026. A pesquisa Quaest está registrada no TSE sob o número BR-08729/2026.

A notícia-crime pede investigação de declarações sobre canibalismo e colonialismo feitas pela parlamentar paulista em podcast.
por
Amanda Tescari
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16/10/2026 - 12h

A deputada federal e ex-ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (Psol-SP), fez uma representação contra a deputada estadual eleita, Eduarda Campopiano (PL-SP), em decorrência das declarações feitas por ela no Redcast, em maio deste ano.

Durante a participação no podcast, Campopiano afirmou que, sem a catequização, povos indígenas estariam praticando canibalismo no Brasil. Na mesma fala, mencionou sacrifícios e o enterro de crianças, atribuindo à colonização e à catequização a interrupção dessas práticas.

Essa mesma fala já havia motivado a rapper indígena Katú Mirim a registrar um boletim de ocorrência sobre o caso. Segundo o registro policial, Katú afirmou que as declarações ofendem a cultura, a história e os povos originários. 

A denúncia de Guajajara inclui a cobrança de providências pelo boletim de ocorrência já registrado pela rapper à época do episódio. Nas redes sociais, Guajajara fez um alerta para a desumanização que esse tipo de discurso traz. 

 

Sonia Guajajara, líderança indígena, eleita deputada federal por São paulo
Sônia Guajajara é reeleita deputada federal por SP. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Em entrevista à AGEMT, Thais Cardoso, cientista política especialista em processo legislativo e direito parlamentar, destacou a necessidade de atenção para manifestações preconceituosas que, ao serem reproduzidas por representantes eleitos, podem passar a ser tratadas sem o devido questionamento. 

Para Thais, o tema ganha uma dimensão ainda maior por se tratar de representantes das instituições legislativas do país, o que pode interferir na formulação de leis, fiscalização de políticas públicas e na garantia de direitos, influenciando como determinadas pautas e populações são tratadas institucionalmente. 

A especialista afirma que o episódio nos leva a refletir sobre o papel das próprias instituições democráticas, em momentos de tensionamento e disputa política. “O Parlamento é, por natureza, um espaço de pluralidade e divergência, mas essa pluralidade não pode significar indiferença diante de manifestações discriminatórias", afirma.

Além da atenção às consequências de manifestações no âmbito institucional, a especialista também chamou atenção para o caráter simbólico do ocorrido. A cientista política explicita que falas como a de Campopiano reafirmam uma visão eurocêntrica sobre a realidade dos povos indígena, diante da qual a presença europeia é associada à civilidade, progresso e desenvolvimento, sem considerar, por outro lado, o histórico de violência, expropriação territorial e imposição cultural sobre povos que já possuíam organização social própria antes da chegada dos Europeus no Brasil.

Para Cardoso, é importante destacar que essa disputa de narrativa transpassa o passado e se refere ao momento atual e a uma reflexão da formação do que se conhece como a história da colonização. “Quando a colonização é apresentada como um processo civilizatório, se reproduz uma lógica de hierarquização, na qual uma cultura é colocada como superior e as demais são tratadas como inferiores ou atrasadas. E isso é preocupante porque, ao romantizar a violência do passado, acabamos legitimando as desigualdades e as formas de exclusão que permanecem no presente”, declarou Thais.

 

Sonia Guajajara, líderança indígena, eleita deputada federal por São paulo
A deputada federal e ex-ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara. Foto: TV Brasil/Reprodução

A deputada Sonia Guajajara reafirmou publicamente seu compromisso com a defesa dos direitos dos povos indígenas, a preservação do Estado Democrático de Direito e o enfrentamento contínuo a todas as formas de intolerância e discriminação.

Para Thais Cardoso, esse é um episódio bastante simbólico das tensões que podem marcar a política nos próximos anos, apesar de não poder afirmar que, isoladamente, ele defina esse cenário. Thais também chama atenção para a falta de diálogo nos momentos de discordância e a formação de um pensamento de silenciamento e combate, mas ressalta que as ações de Campopiano e Guajajara apresentam diferenças importantes, já que as declarações da deputada paulistana envolvem a ofensa à dignidade, identidade e direitos dos povos indígenas

Durante a entrevista para a AGEMT, Thais resgatou uma reflexão de Ailton Krenak, uma das mais importantes lideranças indígenas, que questiona a ideia de uma humanidade homogênea construída a partir da negação de outras formas de existir. Para ela, isso nos leva a pensar por que a diferença incomoda tanto e ainda temos tanta dificuldade de reconhecer que existem diferentes formas de viver, pensar e se relacionar com o mundo.

Ela destaca esse como um dos grandes desafios da democracia nacional, especialmente depois de uma eleição tão polarizada e também evidencia a necessidade de compreensão de que a democracia não pressupõe a ausência de conflitos ou a concordância entre todos, mas exige o reconhecimento da dignidade e dos direitos do outro.

Aprovação prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial e entrará em vigor em 60 dias
por
Isabela Sallum
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16/10/2026 - 12h

Nesta quarta-feira (14), o Senado Federal aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada turno.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) destacou em suas redes sociais a importância das mobilizações do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), do apoio popular e do presidente Lula para que o senado aprovasse a conquista mais importante da classe trabalhadora brasileira dos últimos quarenta anos (após a Assembleia Constituinte, em 1988). Além disso, a deputada defende que o fim da escala 6x1 abre margem para debates sobre outros direitos trabalhistas.

 

Placa escrito "balconistas contra a escala 6x1" em manifestação
Manifestação contra a escala 6x1. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

De autoria do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) e de Érika Hilton (PSOL-SP), a PEC 221/2019 altera o artigo 7º da Constituição Federal para reduzir a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e garantir dois dias de repouso semanal remunerado. A implementação será gradual, inicialmente, o limite será reduzido para 42 horas semanais, 60 dias após a promulgação e a publicação da emenda. Depois de 12 meses, a jornada máxima passará a ser de 40 horas semanais. A mudança visa a substituição da escala 6x1 pelo modelo 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de folga.

Disputa eleitoral e mudança de posição de Flávio Bolsonaro

A votação ocorreu em meio à disputa eleitoral entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na véspera da votação da PEC, Flávio declarou apoio ao fim da escala 6x1, após meses de críticas à proposta. A redução da jornada de trabalho se consolidou como uma das principais pautas da agenda trabalhista do governo Lula e passou a ocupar espaço na disputa política entre os candidatos.

Lula com estudantes pela democracia
Lula em manifestação pela democracia. Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação Campanha Lula

Apesar de ter votado a favor da PEC, Flávio Bolsonaro manteve ressalvas ao modelo aprovado e defendeu uma alternativa baseada na negociação entre empregadores e trabalhadores sobre a jornada e a remuneração, com pagamento proporcional às horas trabalhadas. Antes de mudar de posição, o senador havia criticado a iniciativa e questionado seus possíveis efeitos sobre o emprego, argumentando que a redução da jornada poderia elevar os custos das empresas e ampliar a informalidade.

A mudança ocorreu na reta final da campanha eleitoral, após cobranças públicas de Lula para que o adversário se posicionasse sobre o tema. Em 13 de outubro, Flávio anunciou que votaria favoravelmente à medida, afirmando que a decisão correspondia à vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros. No dia seguinte, 14, participou remotamente da votação enquanto cumpria compromissos de campanha em Porto Alegre (RS).

Flávio Bolsonaro em evento de comerciantes e industriários
Candidato Flávio Bolsonaro em evento de comércio e indústria após visitar o pai preso. Foto: Vittor Sales/Agência Brasil

Apesar do voto favorável, integrantes do PL sinalizaram a intenção de retomar, em 2027, caso o candidato do PL seja eleito, a chamada PEC das Horas Trabalhadas, proposta que prevê maior flexibilização da jornada e da remuneração. O modelo alternativo levanta questões sobre as garantias trabalhistas, especialmente em relação à negociação individual e à possibilidade de redução dos rendimentos. Assim, embora tenha apoiado a PEC aprovada pelo Senado, Flávio continuou defendendo uma alternativa com regras distintas das previstas no texto.

Votação e implementação da PEC

O único voto contrário à PEC foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República durante o governo Jair Bolsonaro. Os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Sergio Moro (PL-PR), Márcio Bittar (PL-AC) e Ciro Nogueira (PP-PI) não registraram votos na sessão.

Senadores após a aprovação da PEC do fim da escala 6x1, em Brasília
Sessão do Senado após a votação da PEC. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Apesar da aprovação no Congresso Nacional, a nova regra não entra em vigor imediatamente. A proposta ainda depende da promulgação no Congresso e da publicação oficial da Emenda Constitucional no Diário Oficial da União. Diferentemente dos projetos de lei, as emendas à Constituição não precisam de sanção presidencial.

Após a promulgação e a publicação, a implementação seguirá o cronograma previsto na proposta. Em 60 dias, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas, com garantia de dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. Depois de 12 meses, o limite passará a ser de 40 horas semanais. Assim, a efetivação da mudança dependerá  da adequação das jornadas e da organização dos períodos de descanso seguindo a Emenda da Constituição.

Áudio divulgado pela revista Veja não aparece em nenhuma das três propostas de delação premiada feitas pelo ex-banqueiro
por
Renata Lopes
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15/10/2026 - 12h

A Polícia Federal (PF) e a Advocacia Geral da União (AGU) declararam na sexta-feira, 9, inverídico o áudio de Daniel Vorcaro mostrado na matéria da revista Veja. Nele, o banqueiro afirma sobre um suposto financiamento do documentário “Lula”.

A Veja publicou uma matéria na sexta, 9, que mostra uma gravação de Vorcaro afirmando ter financiado um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a revista, esse material faria parte da proposta de delação premiada, Vorcaro menciona no áudio o pagamento de R$ 30 milhões em espécie para o Instituto Lula por meio de negociações com o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, com objetivo de ter acesso aos fundos de pensão de servidores federais. 

O documentário foi dirigido por Oliver Stone e produzido entre 2022 e 2023, sendo lançado em maio de 2024. Ao apreender o celular de Vorcaro, a PF teve acesso a todo o conteúdo de julho de 2012 a novembro de 2025, e em nenhum momento é citado o filme com a direção de Stone.  

A Polícia Federal afirma que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo que foi declarado pela revista e nem entregou à instituição documentos ou informações sobre o assunto.

Além disso, a PF confirmou o recebimento de uma notícia-crime de dois advogados do grupo Prerrogativas - um coletivo brasileiro formado em sua maioria por advogados, juristas, professores, magistrados, artistas e intelectuais de perfil progressista - com um pedido de providências urgentes ligada à reportagem da Veja. Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, pediram uma perícia nos áudios para buscar esclarecer as circunstâncias em que as gravações foram produzidas. Além de levantar o questionamento sobre a possível utilização das gravações para interferir na disputa presidencial. 

A PGR também negou, em nota, as afirmações da matéria. De acordo com o órgão, não houve depoimento oral de Vorcaro, pois suas propostas de delação premiada não foram aceitas. Todas as tratativas de colaboração com Vorcaro sempre foram mediadas pelos advogados de defesa do banqueiro.

A defesa do banqueiro também negou as informações e afirmaram desconhecer a origem, a autenticidade e a integridade das gravações que foram divulgadas pela revista. 

Em nota, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que irá solicitar direito de resposta e retificação das informações divulgadas sem descartar outras medidas legais. 

 

Jones Manoel (PSOL-PE) denuncia ameaças políticas a estudantes horas antes do terceiro fogo e pede investigação de possível ataque
por
Sofia Martins
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14/10/2026 - 12h

 

Nas últimas duas semanas foram registrados três incêndios na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), que ocorreram em 30 de setembro, 4 e 7 de outubro, em diferentes prédios do campus da universidade, em Recife. O ocorrido não deixou feridos e até o momento, não há evidências de que os casos estejam relacionados, seguindo sem causa definida. 

O primeiro incêndio ocorrido na quarta-feira (30), atingiu o laboratório de pesquisa do Departamento de Física no CCEN (Centro de Ciências Exatas e da Natureza). O fogo começou em torno das 13h30, durante a manipulação de substâncias químicas. A suspeita inicial era de uma acidente de forno mufla (equipamento usado para aquecer substâncias químicas a temperaturas elevadas). 

Entretanto, a causa só poderia ser confirmada pelo Corpo de Bombeiros, seguindo sem causa determinada. Funcionários tentaram apagar as chamas com extintores do laboratório, mas não obtiveram sucesso, foi quando o Corpo de Bombeiros enviou equipes ao local, sendo isolado devido a fumaça e presença de produtos químicos. O fogo causou danos à tubulação e o laboratório foi totalmente perdido. 

Menos de uma semana depois, no domingo (4), outro incêndio atingiu a universidade. O laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no CB (Centro de Biociências) da Federal, foi tomado pelo fogo. O episódio causou danos para a área em que se iniciou o fogo, destruindo um freezer, mas desta vez, em menor proporção. Em coletiva de imprensa, o reitor, Alfredo Macedo Gomes, declara que um dos possíveis motivos para o caso seria uma falha de um ar-condicionado. 

Três dias depois, na quarta-feira (7), ocorreu o terceiro e mais grave incêndio, em um prédio da Cidade Universitária, próximo a moradia estudantil. Diferentemente dos incêndios anteriores, não há identificação de possível origem do acidente, mas as chamas começaram às 20h e foram controladas horas depois por veículos do Corpo de Bombeiros. 

Gomes, afirmou que foram perdidas pesquisas, equipamentos, amostras e dados que eram utilizados entre os estudantes, e que nos laboratórios do primeiro andar teriam perdido “absolutamente tudo”. De acordo com a UFPE, o fogo teria se alastrado rapidamente devido aos tipos de produtos que eram armazenados no prédio, atingindo as vegetações ao redor do estabelecimento. No local atingido estavam os laboratórios de pesquisas na área de genética, informática, fármacos e outros. 

O reitor Alfredo Gomes estima prejuízo de cerca de R$100 milhões e classificou as perdas como “irreparável”, pois tinham dados e materiais ligados a cerca de 80 dissertações e teses, incluindo pesquisas acumuladas ao longo de duas décadas, trabalhos relacionados a câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo. 

Agentes e peritos da PF examinam o local deteriorado. Foto: Arnaldo Sete/ Divulgação Marco Zero
Agentes e peritos da PF examinam o local deteriorado. Foto: Arnaldo Sete/ Divulgação Marco Zero

Órgãos públicos se posicionaram diante do caso. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou o repasse de R$28 milhões para a construção de um novo prédio destinado aos estudantes, ampliando a área de três mil para sete mil metros quadrados. Além disso, o Ministério da Educação (MEC) comprometeu-se a financiar a reposição integral dos equipamentos dos laboratórios, com orçamento inicial de R$100 milhões. 

Apesar de não haver relações, até o momento, entre os três incêndios, a PF (Polícia Federal) declarou a abertura de um inquérito para investigar as causas dos incêndios e se pode ter sido criminoso. Os investigadores já informaram que cada detalhe está sendo analisado e que todas as pessoas envolvidas com o caso já foram ouvidas. 

O incêndio mais recente ocorreu após manifestações políticas dos alunos da Universidade a favor do candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva. O que causou apreensão nos alunos foi que depois do ato pró-Lula, estudantes receberam ameaças com viés político, atribuídas a eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), via redes sociais, as ameaças dizem: “Vamos explodir o departamento de vocês, no segundo turno é Flávio. Nosso ato vai vir mais forte e não vai ser só amor igual vocês esquerdistas de merda. Se arrependam e dobrem os joelhos seus acéfalos. Fiquem espertos com a bomba”. As mensagens vieram de um usuário anônimo via Instagram, a identidade do autor e autenticidade das mensagens seguem desconhecidas. 

O caso foi denunciado pelo deputado federal e comunicador Jones Manoel (Psol-PE), que divulgou as mensagens de ameaças direcionadas aos estudantes e vídeos dos incêndios em suas redes sociais. O deputado, que se formou pela UFPE, afirma ter recebido mensagens dos estudantes sobre ameaças antes do episódio. Manoel afirmou que é necessária uma investigação imediata da PF e MPF (Ministério Público Federal) diante da suspeita de ataques com motivação política ao prédio da universidade. 

Manoel anunciou em plataformas digitais que realizou a denúncia à PF contra grupos de Whatsapp com ameaças de atentado contra universidades públicas de Pernambuco. O comunicador também esteve presente na UFPE na sexta-feira (9), para debater com os alunos a onda de ataques que a extrema-direita vem promovendo contra universidades. Manoel pondera que “O medo é uma arma paralisante”.

Além das mensagens recebidas pelo Instagram, circulam capturas de tela de grupos de WhatsApp “anti-Lula” voltados a universidades de Pernambuco. Segundo o portal Fala News, nesses grupos houve discursos de ódio e ameaças contra nordestinos e opositores políticos. Em alguns deles aparece o número associado ao vereador do Recife e deputado federal eleito, Thiago Medina (PL-PE), entre os administradores.

Medina admitiu ter criado o grupo “UFPE anti-Lula” para “combater” movimentos estudantis pró-Lula, mas negou envolvimento no incêndio e qualquer ligação com as ameaças. Até o momento, nenhuma relação entre os grupos, as ameaças e os incêndios foi comprovada.

O reitor da universidade, Alfredo Gomes, afirmou na segunda-feira (12), que os escombros do prédio incendiado no campus do Recife devem ser escorados em até 15 dias. A medida é necessária para que peritos da Polícia Federal possam entrar no imóvel com segurança e realizar a perícia que vai investigar a causa do fogo.

A deputada eleita do PL é acusada de transfobia, injúria transfóbica e violência de gênero
por
Isabella Damião
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14/10/2026 - 12h

Na segunda-feira (5), a deputada estadual de São Paulo Sofia Favero (PSOL) acionou o Ministério Público contra a deputada Eduarda Campopiano (PL). Eleitas deputadas do estado no domingo (4). Eduarda foi a deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1,9 milhão de votos, enquanto Sofia ficou em terceiro lugar, com 407 mil votos. 

A publicação que motivou a denúncia foi feita no perfil do X de Campopiano na madrugada do dia 5 e atacou diretamente a deputada federal mais votada da história, Erika Hilton (PSOL), que teve mais de 1,5 milhão de votos. No texto, Erika Hilton, uma mulher trans, é chamada de “homem biológico”.

A deputada Eduarda Campopiano publicou em seu X: “Oi @ErikaHilton. Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs.”
Post de Eduarda Campopiano (PL) é apontado como transfóbico. Reprodução: X/@DudaCampopiano.

 

Em 2019, o Supremo Tribunal Federal enquadrou os crimes de homofobia e transfobia na Lei do Racismo (nº 7.716/1989). Desde então, a pena para quem comete esses crimes pode chegar a cinco anos de reclusão caso envolva divulgação massiva nas redes sociais, além do pagamento de uma indenização à vítima. 

A  publicação de Eduarda Campopiano acumulou 7.6 milhões de visualizações no X. 

A deputada Sofia Favero publicou em seu X: “QUEM NÃO TEM PROJETO VIVE DE ÓDIO. A Eduarda Campopiano ganha atenção fazendo de pessoas LGBT o alvo. Dessa vez foi a Erika Hilton, em mais um ataque transfóbico que atinge toda a nossa comunidade, especialmente as pessoas trans. Por isso acionei o Ministério Público. Transfobia é crime, e quem comete vai ser responsabilizado. Esse tipo de discurso mata e não é liberdade de expressão E a democracia não se sustenta quando o discurso de ódio é permitido. E vou avisando: serei a pedra no sapato dos LGBTfóbicos. Não aceitaremos voltar aos tempos que nos perseguiram. Eles querem Operação Tarântula. Nós seremos Ferro´s Bar.”
Sofia Favero (PSOL) reitera sua acusação contra Eduarda Campopiano (PL). Reprodução: X/@SofiaFavero_ 

“Esse tipo de discurso mata e não é liberdade de expressão”, afirmou Sofia Favero (PSOL) em seu perfil no X. “Transfobia é crime, e quem comete vai ser responsabilizado”.

 

O presidente cumpriu agenda internacional e assegura novas medidas econômicas
por
Lara Manasseh
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06/10/2026 - 12h

O presidente Luis Inácio Lula da Silva abriu a 81ª Assembleia Geral da ONU que ocorreu na terça-feira, 22, reafirmando a soberania nacional: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. O discurso abordou os momentos mais críticos da história das Nações Unidas e reforçou que a organização está falhando em evitar guerras. 

O presidente criticou o imobilismo do Conselho de Segurança, afirmando que a comunidade internacional é refém da paralisia de uma organização que falha em cumprir seu papel de livrar a comunidade da guerra e de proteger os mais vulneráveis. Além de defender a reforma da comissão. 

Ele criticou o Direito de Veto, capacidade dos cinco membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), e relembrou que desde a primeira sessão da Assembleia, ocorrida em 1946, o Brasil já alertava do alto preço da medida. Lula classificou essa prerrogativa como “Vício de Origem” da Carta da ONU,  que garantiu que grandes potências tivessem o “privilégio da insensatez”, segundo ele. 

O presidente também mencionou conquistas nacionais como o sistema Pix e a queda de 50% no desmatamento da Amazônia, que marcou o menor patamar em 11 anos.

A reunião integrou a agenda de Lula com a abertura da Assembleia Geral da ONU. O secretário-geral, António Guterres, afirmou ao atual presidente que conta com o Brasil para avançar na agenda multilateral e abordar temas, pautados no discurso de abertura, como a reforma do Conselho de Segurança, a equidade de gênero e uma possível solução para o conflito palestino. 

Nos Estados Unidos, o presidente Lula também se encontrou com o prefeito nova-iorquino, Zohran Mamdani. Os líderes políticos debateram sobre a importância da democracia e conversaram sobre o custo de vida em ambos os países, o combate à pobreza e o fim da escala 6x1, tema que tem gerado diversos debates no Brasil. 

Mamdani, o primeiro prefeito muçulmano a governar a metrópole estadunidense, elogiou Lula, afirmando que ele era uma grande “fonte de inspiração”, dada a sua relevância na defesa dos trabalhadores.  O presidente também presenteou o prefeito com uma camiseta do Corinthians e formulou um convite oficial para que ele visitasse o Brasil em breve. 

No mesmo encontro, Lula se reuniu com o senador norte-americano, Bernie Sanders, político independente com mais tempo de mandato na história do Congresso. Segundo o governo brasileiro, eles conversaram sobre a defesa do multilateralismo, sistema em que diversos países cooperam, com regras e instituições compartilhadas, além de negociações coletivas visando à solução de problemas globais. 

Na reunião, os políticos pautaram o combate ao extremismo presente no pleito brasileiro e nas eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos. Conforme relatado por veículos de imprensa, Sanders e outros legisladores norte-americanos enviaram uma carta ao Secretário de Estado, Marco Rubio, na qual expressaram preocupações com pressões da administração americana sobre a política brasileira. 

Lula também se encontrou com  o Presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, na segunda-feira, 21, na residência oficial do embaixador do Brasil em Nova York. A reunião durou, aproximadamente, 50 minutos e foram pautadas durante a conversa a integração da América Latina e do Caribe, o fortalecimento do Mercosul e o combate ao extremismo político e à desinformação. 

Lula manifestou interesse em conhecer a experiência e a regulação uruguaia em relação às bets (mercado de apostas digital)  e ampliar o comércio, a segurança nas fronteiras, a cooperação sanitária e o intercâmbio cultural. 
Antes e depois da viagem internacional, Lula cumpriu agenda oficial pelo país. No Rio de Janeiro, participou da apresentação conjunta das forças de segurança. O evento aconteceu na sexta-feira, 18, no pátio do Complexo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Irajá, no Rio de Janeiro, e reuniu representantes, como o prefeito do Rio de Janeiro, desembargadores, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. 

Foram anunciadas na cerimônia ações integradas de combate ao crime organizado, além do debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que busca alterar as competências dos estados e dos municípios na área de segurança. 

Na quinta-feira, 24, o presidente vistoriou as obras de ampliação e modernização da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. As melhorias no trecho somam cerca de R$ 997 milhões. A construção  já atingiu 70% de sua conclusão e tem como objetivo reduzir o tempo de percurso entre o Trevo das Margaridas e a Avenida Brasil, visando ampliar a capacidade de tráfego e a segurança para os moradores da região. 

O governo federal anunciou na sexta-feira, 25, diversos tipos de medidas econômicas voltadas para a proteção da economia popular e o combate ao endividamento das famílias. 

O presidente assinou uma Medida Provisória (MP nº 1394) que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas e cassinos virtuais, as chamadas bets. Os sites e aplicativos serão bloqueados e sairão do ar a partir do dia 06 de outubro, e os apostadores terão até o dia 05 para realizar o resgate de saldos depositados nas plataformas. Contratos de publicidade e marcas de patrocínio também deverão ser removidos do ar e foi enviado ao Congresso um Projeto de Lei para tipificar crimes associados à exploração ilegal e fraudes no setor de apostas. 

Lula também anunciou o lançamento do programa Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas focado na recuperação financeira dos cidadãos. O mecanismo vai funcionar a partir do Tesouro Nacional, que comprará diretamente os débitos com descontos substanciais, permitindo que os endividados paguem o valor renegociado diretamente à União. 

O governo oficializou a manutenção do subsídio ao óleo diesel em R$ 2,12 por litro, além de prorrogar por 120 dias o Desenrola Adimplentes, programa voltado para a renegociação de trabalhadores informais que estão com as contas em dia. 

Ainda na sexta-feira, 25, o Presidente se reuniu com empresários e figuras econômicas centrais no Hotel Tivoli Mofarrej, localizado na região do Jardins em São Paulo. Estiveram presentes no evento representantes de diversos bancos, economistas, advogados e ministros. 

O principal foco foi na responsabilidade fiscal e na trajetória da dívida pública em relação ao PIB e no patamar elevado dos juros. Lula e seus apoiadores prometeram segurança jurídica e previsibilidade econômica para atrair investimentos privados caso ele seja eleito. Além de defender a necessidade de ajustar as contas públicas sem prejudicar os trabalhadores nem precarizar os programas sociais. 

Na segunda-feira, 28, o presidente sancionou a Lei nº 15.522/2026, que estabelece diretrizes nacionais permanentes para transformar o futebol feminino em prioridade nas políticas públicas esportivas. 

A legislação estabelece a obrigatoriedade dos clubes de manter equipes femininas equivalentes aos times masculinos e assegura medidas específicas de proteção à gravidez e à maternidade das atletas, além de estabelecer protocolos contra a violência e o preconceito. 

 

Encontro promovido pelo Podcast 3 Irmãos reuniu cinco presidenciáveis para discutir propostas e visões sobre o país
por
Carolina Nader
Manuela Abbate Gonçalves
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02/10/2026 - 12h

Na última semana da corrida eleitoral, os candidatos à Presidência da República com menor porcentagem buscam inovar em suas estratégias de campanha. A reta final traz debates entre os concorrentes e a intensificação das participações em suas plataformas. 

Clariana Barão, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Wilson Grassi no dia 26, participaram do Podcast 3 Irmãos, do Kritikê e do Canal MyNews para debater sobre suas propostas de governo. Todos os presidenciáveis foram chamados ao evento, no entanto, o programa foi apenas acolhido pelos candidatos com menor potencial de voto. 

Mário Speziano, apresentador do debate, afirmou em entrevista ao Canal MyNews que: “É o fim da superficialidade e do espetáculo de ataques a que estamos acostumados, em favor de um debate profundo sobre propostas reais”. , Segundo o MyNews, o debate teve a proposta de oferecer ao público contato com diferentes projetos, ideias e visões sobre o futuro do Brasil, abordando temas ligados ao cotidiano dos brasileiros e questões fora dos formatos convencionais. 

 

Clariana Barão (DC)

Nesta segunda-feira (28), a candidata fez uma visita ao Mercadão de São Paulo para a captação de imagens para sua campanha. Na terça-feira (29), Clariana participou de um evento social em São Paulo, na capital, que ocorreu em uma clínica. O evento teve como um dos objetivos a captação de imagens para a divulgação de sua campanha eleitoral nas redes sociais e mídias eletrônicas.

Quarta-feira (30), concedeu entrevista para a Rádio Cultura de Cuiabá (MT). Clariana reforçou sua ligação com o Mato Grosso e defendeu a necessidade de maior protagonismo feminino para a consolidação da democracia. Além disso, também abordou propostas de combate à violência doméstica, defendeu valores de direita com rejeição ao extremismo e criticou o atual cenário das contas públicas.

 

Edmilson Costa (PCB)

O candidato publicou em seu Instagram seu apoio à proibição das BETS, informando que a medida já estava prevista em seu plano de governo. "Sempre foi claro que as casas de apostas e cassino online nunca trouxeram qualquer elemento positivo para a economia nacional ou para a sociedade", afirma. 

Na segunda-feira (28), Edmilson participou de uma conversa no Instagram com a jornalista Renata Regina. O foco da entrevista foi nas propostas do partido voltadas às transformações sociais e econômicas, como a construção do Poder popular, jornal oficial vinculado ao PCB e a defesa dos trabalhadores. Além disso, o candidato reforçou sua oposição às altas taxas de juros e à inflação, defendendo reformas na tributação. 

Na terça-feira (29), participou de uma roda de conversa para apresentação do programa anticapitalista e anti-imperialista do PCB a Presidência do Brasil, em Taguatinga (DF).

Na quarta-feira (30), ainda no Distrito Federal, o presidenciável fez panfletagem na feira do Guará e no terminal de metrô. Ainda nesse dia, almoçou com o deputado distrital Max Maciel (PSOL) na feira da Ceilândia. 

 

Hertz Dias (PSTU)

O candidato se manifestou em suas redes sociais sobre a proibição das Bets, anunciada pelo presidente Lula na sexta-feira (25). Hertz enfatizou que a proibição das casas de apostas online já estava presente em seu plano de governo, e se posicionou a favor da medida de Lula. 

No sábado (26), Dias participou do debate organizado pelo Podcast 3 Irmãos. O candidato se destacou ao lado de Wilson Grassi na dinâmica “Brasil em números”, que buscava testar o conhecimento sobre estatísticas dos concorrentes por meio de um quiz. 

Questionado sobre pautas trabalhistas e escala 6x1, Hertz afirmou: “Nós defendemos o fim dessa escala de trabalho, sem redução de nenhum direito, sem redução salarial”. O candidato propõe como alternativa à escala 6x1, a jornada de trabalho 4x3. 

Dias também frisou sua oposição quanto à exploração das terras raras brasileiras pelos Estados Unidos. O candidato tem como proposta a criação de uma empresa estatal com o objetivo de manter os recursos na indústria brasileira. “Soberania nacional significa o povo brasileiro controlar suas próprias riquezas”, declara.

 

Rui Costa Pimenta (PCO)

Na terça-feira (29), às 13h, o candidato participou do programa Análise da Terça na Rádio Causa Operária. Na Quarta-feira (30), em Recife (PE), esteve presente em um ato de encerramento de campanha no Sinttel.

Nesta sexta-feira (02), a dois dias do Primeiro Turno, Rui Costa Pimenta fecha a campanha do PCO com um jantar em São Paulo com militantes e apoiadores do partido.

 

Samara Martins (UP)

A candidata segue com a publicação de sua série nas redes sociais “Propostas da UP para mudar o Brasil”. Nesta semana, foram publicados conteúdos sobre a soberania nacional, fim das privatizações, transporte público, mobilidade urbana e a garantia do livre acesso do povo ao esporte. 

No debate do Podcast 3 irmãos, Samara focou suas respostas no viés socialista de sua candidatura. “É possível não só mudar a política, mas mudar o sistema”, afirmou. 

Samara erguendo bandeira de sua campanha
Samara Martins em comício por São Paulo | Reprodução: Instagram/ @samaramartinsup - Fotógrafo: Gabriel Teles

No dia sábado (26), a Unidade Popular realizou um comício pelo centro da capital paulista, do qual a candidata fez parte. 

No dia 28, Martins esteve no Vão do MASP, em conjunto com a UP e o Movimento de Mulheres Olga Benário para celebrar o dia Latino-americano e Caribenho de Luta Pela Descriminalização e Legalização do aborto. A candidata afirma “Seguimos lutando pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito garantido pelo SUS e, portanto, pelo direito de mulheres, meninas e crianças viverem com dignidade e autonomia sobre seu próprio corpo”. 

 

Wilson Grassi (Democrata)

O candidato levou, na quarta-feira (01), uma denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA). A reunião tratou do que que Grassi caracterizou como “a completa manipulação da eleição brasileira”, dada a falta de espaço dos candidatos nanicos na grande mídia. Wilson também presente no debatedo Podcast 3 Irmãos, o concorrente afirmou: “Esse foi o único debate democrático desse ano. Foi o único que convidou todo mundo e veio quem quis”.

Levantamento realizado em 191 escolas mostra que 20,4% dos estudantes entrevistados já fizeram apostas online, mesmo com a proibição para menores de idade; Leandro Moreno começou aos 17 anos depois de acompanhar lives e apostar com amigos
por
Luciano Carvalho
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01/10/2026 - 12h

Cinco amigos, cerca de R$ 10 de cada um e uma múltipla de futebol. Foi assim que Leandro Moreno fez sua primeira aposta, quando ainda tinha 17 anos. O grupo perdeu os aproximadamente R$ 50 colocados naquela aposta e, para quase todos, a experiência terminou ali. Mas Leandro decidiu continuar.

"Nois colocou uns 10 reais, perdeu e os caras largaram. Mas eu fiquei maluco. Aí fui e coloquei 50 conto pra recuperar tudo que o pessoal tinha perdido”, conta.

O caso de Leandro ajuda a colocar uma história por trás de um número divulgado no dia 10 de setembro pela Frente Parlamentar Mista da Educação. Um levantamento feito em parceria com o Equidade.info ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas e mostrou que 20,4% dos alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio já fizeram apostas online. Aos 17 anos, idade em que Leandro começou, esse número chega a 32,3%. Entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, 49,7% afirmaram já ter apostado.

Mas existe uma contradição nesses números. A utilização de plataformas de apostas por menores de 18 anos é proibida no Brasil. A regulamentação prevê punições para os operadores e determina que as empresas autorizadas façam identificação dos apostadores, inclusive com reconhecimento facial e prova de vida.

Antes da aposta, vieram as lives

Leandro já conhecia esse universo antes de colocar dinheiro pela primeira vez. Ele acompanhava streamers e influenciadores que faziam conteúdos relacionados a cassino e apostas, principalmente junto com os próprios amigos.

"Eu sempre vi muita live e o Yuri começou a fazer live de cassino, muito mais do que de gameplay. Então eu gostava de assistir e eu ficava assistindo as lives do Yuri junto com os moleques. Então a gente começou junto, a gente decidiu ali junto, naquele dia, que a gente ia fazer uma, porque o Yuri tinha mostrado na live uma múltipla que ele fez e nois copiou.”

O fácil acesso às plataformas digitais pode exacerbar o risco de vício em uma comunidade altamente conectada como a universitária (Foto: Marco Cavalcanti)
O fácil acesso às plataformas digitais pode exacerbar o risco de vício em uma comunidade altamente conectada como a universitária (Foto: Marco Cavalcanti)

Apesar de ser menor de idade, Leandro conta que sabia que aquele conteúdo não era destinado para ele. Segundo ele, os próprios streamers repetiam os avisos para maiores de 18 anos. A proibição, porém, não era vista pelo grupo como uma grande dificuldade.

“Os caras falam toda hora que é pra maiores de 18. Só que não é muito difícil de jogar, sabe? No chat mesmo todo mundo conversava sobre, pedia o CPF da mãe, do pai e fazia o login e criava a conta. Era muito fácil.”

Hoje, para operar legalmente no Brasil, as plataformas precisam exigir dados do usuário e mecanismos de identificação. O apostador também deve cadastrar uma conta bancária ou de pagamento em seu próprio nome, e as empresas não podem aceitar depósitos feitos por contas de terceiros.

A experiência relatada por Leandro aconteceu antes do modelo atual de regulamentação estar totalmente estabelecido, mas o levantamento da Frente Parlamentar mostra que o problema não desapareceu. Crianças e adolescentes continuam relatando contato com as apostas mesmo depois do endurecimento das regras.

O próprio Guilherme Lichand, professor da Universidade Stanford e responsável pela supervisão da pesquisa, levantou essa dúvida ao divulgar os resultados: “Como crianças e adolescentes descobrem essas plataformas? Como contornar as restrições de idade?”

Quando perder vira motivo para continuar

No caso de Leandro, a primeira derrota não serviu para afastá-lo. Depois que os amigos perderam os R$ 10 de cada um, ele colocou sozinho aproximadamente o que todos haviam apostado juntos para tentar recuperar o prejuízo.

A psicóloga Vivian Bandeira explica que o círculo social pode ter um peso importante nesse tipo de comportamento, principalmente entre os jovens.

“Quando uma prática é constantemente apresentada por pessoas com as quais o jovem se identifica, seja por amigos ou por figuras que ele acompanha nas redes, existe uma tendência de normalização daquele comportamento. Ele deixa de enxergar aquilo como algo distante ou excepcional”, explica.

No caso de Leandro, não existia apenas a influência das pessoas que acompanhava pela internet. Os próprios amigos consumiam aquele conteúdo e decidiram começar a apostar juntos.

Vivian também destaca que o comportamento da pessoa dentro de um ambiente de aposta pode ser diferente daquele apresentado normalmente no dia a dia.

“Existe uma expectativa de recompensa muito intensa. Mesmo uma pessoa que não demonstra uma busca exagerada por dinheiro no cotidiano pode, dentro daquele ambiente, entrar em uma lógica de querer ganhar mais ou recuperar imediatamente aquilo que perdeu.”

A tentativa de buscar o dinheiro de volta é um comportamento também apontado por outros profissionais. A psiquiatra Giovanna Quinet afirmou à Agência Brasil que uma pessoa pode começar a perder mais dinheiro e aumentar o valor das apostas justamente tentando recuperar o prejuízo anterior.

Das apostas esportivas para o pôquer

Com o tempo, a forma como Leandro jogava também mudou. As apostas esportivas perderam espaço e o pôquer passou a ser a principal atividade. Hoje, ele joga tanto online quanto presencialmente e já participou de torneios.

“Poker é o que eu jogo hoje. Já fui até jogar presencial. Às vezes eu jogo online também pra treinar. Mas cassino hoje eu uso mais como treino de mentalidade. Aposta esportiva eu larguei.”

Leandro se define atualmente como uma pessoa viciada em pôquer. Mesmo assim, existe uma diferença entre essa prática e as apostas esportivas quando se fala especificamente da regulamentação das bets. O pôquer, por envolver habilidade entre os participantes, não entra da mesma maneira na modalidade de aposta de quota fixa regulamentada pelo governo.

Mas a relação de Leandro com apostas não ficou marcada apenas pela mudança do tipo de jogo. Ao longo dos anos, ele teve períodos de ganhos e perdas e conta que chegou a perder valores maiores do que pretendia e um desses momentos aconteceu quando colocou R$ 3 mil em uma aposta.

“Eu já não tava aguentando mais. Eu tava perdendo muito dinheiro naquela época. Aí teve um dia que eu coloquei 3 mil e eu perdi. Aí eu fui falar com a minha mãe, contei sobre todos os meus vícios em aposta e prometi pra ela que eu não ia mais jogar.”

O valor não foi necessariamente a maior perda que Leandro já teve, mas marcou um momento em que ele decidiu mudar sua relação com as apostas esportivas. Desde a conversa com a mãe, ele afirma que deixou de apostar da mesma maneira que fazia anteriormente.

As apostas também mudaram o futebol

O futebol foi a porta de entrada para a primeira aposta de Leandro, mas também acabou sendo afetado pela relação que ele criou com o dinheiro.

Corintiano, ele percebeu principalmente isso quando começou a colocar dinheiro em jogos do próprio clube.

“Eu nunca gostei muito de apostar no Corinthians. Porque quando o Corinthians perdia e eu tinha apostado, ficava mais puto ainda, dobrava a raiva e me afastava um pouco até do time. Eu ficava com raiva do time a semana inteira. Então acabou misturando muito e eu parei de apostar no Corinthians.”

 A experiência de Leandro começou antes dos 18 anos, idade em que ele legalmente ainda não poderia utilizar uma plataforma de apostas. Mas o caso dele está longe de ser isolado. O levantamento divulgado pela Frente Parlamentar da Educação mostra que um em cada cinco estudantes entrevistados já teve algum contato com apostas online.

As regras atuais aumentaram as exigências para identificar quem está apostando e também endureceram restrições de publicidade para crianças e adolescentes. Mesmo assim, os números mostram que o acesso de menores continua sendo um problema.

 Por isso, a principal questão levantada pela pesquisa não é apenas quantos jovens estão apostando, mas como eles chegam até esse ambiente tão cedo. No caso de Leandro, o caminho passou por lives, amigos, futebol e uma primeira aposta de R$ 10. Depois vieram valores maiores, outros tipos de jogo e uma relação com as apostas que começou ainda antes da idade permitida.

A ação do presidente restringe tanto apostas esportivas quanto jogos de cassino online
por
Amanda Tescari
Ingrid Lacerda
|
30/09/2026 - 12h

Na última sexta-feira (25), o Presidente Lula assinou a Medida Provisória (MP) que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas no país, as chamadas bets.

Com a decisão, as casas de apostas, até então legalizadas, não poderão mais disponibilizar apostas ou fazer qualquer tipo de publicidade. Além disso, não serão permitidos novos depósitos nas contas, e os sites ficarão disponíveis para os apostadores resgatarem seus saldos até às 23h59 de 5 de outubro.

A partir do dia seguinte, 6 de outubro, os sites e aplicativos de apostas sairão do ar e as bets deverão informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF, e realizar a devolução desses valores através dos bancos.

 

Presidente Lula fala sobre os impactos das apostas online no Brasil
A medida não atinge outras modalidades de loteria com autorização prevista em lei.
Foto: Rafael Nascimento/Agência Brasil

A MP prevê sanções administrativas para pessoas físicas e jurídicas que desrespeitarem as novas regras. As punições podem incluir advertência, multas de até R$2 bilhões, suspensão parcial das atividades ou suspensão total das atividades, no caso de empresas.

O Governo Federal justificou que a extinção ocorreu por motivo de interesse público, principalmente por questões de saúde e impacto financeiro. O transtorno do jogo está associado a fatores como ansiedade, depressão, alterações no sono e humor, e prejuízos às relações pessoais e profissionais. 

Além da Medida Provisória, o governo elaborou um Projeto de Lei (PL) para tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. O PL criminaliza cinco condutas: exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira; a divulgação de apostas ou captação de apostadores; o uso de dados pessoais para captação de apostadores; facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa e o fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa. As penas variam entre 2 a 6 anos de reclusão.

A MP produz efeitos imediatos a partir da publicação, mas o processo legislativo continua no Congresso Nacional. O Parlamento tem até 120 dias para votar o texto, sob pena de perda da eficácia da Medida Provisória.