A recente polêmica envolvendo os bastidores do filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, trouxe à tona um debate que vai muito além da política partidária. O trailer do longa-metragem apresenta o protagonista como uma voz injustiçada. E em sua produção há uma crítica dos bastidores: financiamento por setores da elite e contradições éticas. Para a psicanalista Vivian Vigar, doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP, esse episódio é um exemplo claro do que ela define como a "pós verdade como um sintoma social".
Em sua tese de doutorado, defendida em 2023, Vigar investigou os mecanismos psíquicos que levam indivíduos a se desatrelar da realidade factual para abraçarem narrativas fabricadas. Utilizando a teoria dos discursos do psicanalista francês Jacques Lacan, a pesquisadora propõe que a pós-verdade não se resume à mera disseminação de mentiras ou fake news, mas representa um fenômeno estrutural de uma sociedade adoecida pela hiperconexão e pelo desejo sobre os fatos.
O Descolamento da realidade e a teoria de Lacan
O interesse de Vivian Vigar pelo tema surgiu em meados de 2016, período em que o termo "pós-verdade" ganhou notoriedade global. Na época, a psicanalista observava o que descreve como um "enlouquecimento social", exemplificado pelo ressurgimento de movimentos como o terraplanismo. A questão central que norteou sua pesquisa foi compreender o que ocorre psiquicamente para que uma pessoa perca o laço com o bom senso e com a realidade compartilhada.
Para responder a essa indagação, Vigar recorreu a Jacques Lacan, autor que, segundo ela, foi o responsável por situar a psicanálise no campo da linguagem. Lacan compreendia que o universo simbólico humano é construído através da linguagem e que o inconsciente se estrutura como tal. Ou seja, a pós-verdade encontra terreno fértil quando a linguagem é manipulada não para descrever a realidade, mas para validar crenças preexistentes e desejos inconscientes de um determinado grupo.
No caso do filme Dark Horse, a narrativa construída na tela atende a uma demanda simbólica de seus apoiadores: a necessidade de enxergar o líder como um herói perseguido pelo sistema. Vigar aponta que "o filme mostra ele como um defensor, um herói, mas toda a produção é feita com o dinheiro da elite corrupta, os bastidores é tudo que o filme critica”.
Vigar admite não ser otimista quanto a uma mudança estrutural em curto prazo, especialmente frente aos interesses econômicos envolvidos. No entanto, ela resgata um conceito fundamental da psicanálise lacaniana como uma forma de resistência individual e coletiva: a "ética do bem-dizer". Segundo a psicanalista, esse conceito não significa dizer o que o outro deseja ouvir, mas sim expressar aquilo que provém de um lugar de verdade e desejo autêntico do sujeito, sem perder a responsabilidade com o outro. "A ética do bem-dizer é dizer aquilo que vem de um lugar desejante, de verdade, mas levando em consideração o desejo do outro também. É um campo comprometido com o desejo de cada um, mas também com o coletivo"
Em tempos onde narrativas como as de Dark Horse tentam reescrever a realidade para atender a conveniências políticas e financeiras, a ética do bem-dizer surge como uma solução necessária para combater esses sintomas.
Na noite da última quarta-feira (27/05), a Câmara dos Deputados aprovou o fim da escala 6x1, Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Erika Hilton (PSOL) e Leo Prates (Republicanos) que reduz a jornada máxima para 40 horas semanais e estabelece a escala 5x2. A votação, aprovada em dois turnos, foi marcada por divergências envolvendo parlamentares do PL, que defenderam outra possibilidade de jornada de trabalho e remuneração durante o debate em plenário.
A PEC foi aprovada após votação em dois turnos. No primeiro, foram 472 votos favoráveis e 22 contrários. Já no segundo turno, o texto recebeu 461 votos a favor e 19 contra. O texto aprovado pelos deputados é um substitutivo apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) para propostas dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) e ainda depende da aprovação do Senado.
A proposta aprovada altera o artigo 7º da Constituição e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. O novo modelo estabelece dois dias de repouso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos, encerrando a escala tradicional de seis dias de trabalho para um de descanso. O texto prevê ainda um período de transição para a implementação das mudanças e a regulamentação específica para algumas categorias profissionais. A última mudança de grande impacto nas regras da jornada de trabalho ocorreu com a Constituição de 1988, que reduziu a carga semanal de 48 para 44 horas.
A proposta da deputada Erika Hilton previa uma redução mais ampla da jornada, limitada a 36 horas semanais distribuídas em quatro dias de trabalho (escala 4x3). Durante a votação, tanto PSOL quanto PL apresentaram destaques relacionados à possibilidade de priorizar a análise desse modelo. Parlamentares do PSOL defenderam a semana de quatro dias como um avanço nas condições de trabalho e na qualidade de vida dos trabalhadores, argumentando que a redução da jornada poderia ampliar o tempo de descanso e convivência social sem necessariamente comprometer a produtividade. Já setores do PL e outros partidos ligados ao empresariado alegam que uma redução mais acelerada da carga horária poderia elevar custos para empresas e dificultar a aprovação da PEC principal.
Simultaneamente ao debate sobre a jornada 4x3, parlamentares do PL defenderam um modelo de remuneração baseado nas horas efetivamente trabalhadas, proposta apresentada pelo deputado Mauricio Marcon (PL) e apoiada pelo senador e pré-candidato à Presidêcncia, Flávio Bolsonaro (PL). O modelo, associado à lógica da uberização do trabalho, prevê maior flexibilidade nas relações trabalhistas e não segue as regras previstas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL) passou a defender em plenário uma jornada ainda menor e propôs a votação separada do modelo 4x3. Parlamentares contrários à iniciativa interpretaram a medida como uma tentativa de dificultar a aprovação do acordo construído em torno da jornada 5x2. Já deputados do PL afirmaram apoiar uma redução ainda maior da jornada de trabalho e negaram que a proposta tivesse caráter obstrutivo. Ao final, a Câmara rejeitou a votação destacada da escala 4x3 e manteve o texto negociado pelo relator Leo Prates.
Contudo, a discussão sobre uma semana de quatro dias não se encerra com a votação desta PEC. Propostas que estabelecem jornadas de 36 horas e três dias de descanso continuam em tramitação no Congresso e podem voltar ao debate em futuras negociações legislativas.
Com a aprovação na Câmara, a PEC segue agora para análise do Senado Federal, onde precisará ser aprovada novamente em dois turnos antes de ser promulgada e incorporada à Constituição. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já recebeu representantes do setor empresarial para discutir os impactos da aprovação do fim da escala 6x1. Paralelamente, Alcolumbre encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma PEC alternativa baseada na remuneração por horas trabalhadas e já reúne apoio de alguns senadores, entre eles Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) e Izalci Lucas (PL-DF).
No primeiro trimestre de 2026, a Linha 3-Vermelha do metrô de São Paulo registrou a maior entrada de passageiros, com mais de 64 milhões de usuários. A linha férrea, que atravessa a cidade de leste a oeste e é popularmente conhecida como Linha Vermelha, superou a Linha 1-Azul, segunda mais movimentada, em 6,5 milhões de passageiros. Esse movimento intenso gera superlotação extrema nos trens em horários de pico e falhas operacionais.
O último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, mostrou que a população paulistana concentra-se justamente na zona Leste da cidade, com 4 dos quase 11,5 milhões de paulistanos, tornando a evasão dos cidadãos necessária.
Segundo a doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ana Vitória Wernke, a urbanização industrial, que ocorreu entre o final do século XIX e o início do XX, fez com que a população se estabelecesse nas periferias das cidades, mesmo com os polos laborais concentrados nos centros urbanos. Essa dinâmica, para a especialista, reforça a desigualdade socio-espacial. “Quando a gente pensa em incremento da infraestrutura urbana, (...) estruturas básicas para uma cidade funcionar de maneira plena, existem investimentos muito pesados nas regiões centrais e poucos investimentos na região periférica”, afirma.
“Eu já presenciei briga, discussão, é muito apertado, você não sabe se a pessoa tá tentando alguma coisa ou não (...) é uma falta de segurança, mesmo com câmeras”, contou a auxiliar administrativa Larissa, 27 anos, que leva cerca de 2 horas e 30 minutos para chegar no seu trabalho. Entre as 5 e 9 horas da manhã, quando os trabalhadores vão para os empregos, e das 16 às 19 horas, quando voltam para casa é quando ocorre o maior tráfego de passageiros, conhecido como horário de pico.
Dados oficiais do metrô de São Paulo mostram que, por hora, na capacidade máxima do trem, podem ser transportados cerca de 40.000 passageiros - volume abaixo das quase 75.000 pessoas que passam pela Linha 3 por hora. Essa superlotação faz com que até 7 pessoas dividam o mesmo metro quadrado dentro dos vagões durante uma viagem.
Usuários também enfrentam problemas técnicos, falhas de sinalização e pedestres na via, o que acaba reduzindo a velocidade. Passageiros ouvidos pela reportagem contam que já deixaram de fazer atividades necessárias, como ir ao médico, ou precisaram pegar carros de aplicativos com preços elevados, já que o meio de transporte estava quebrado ou em greve. Como relatou Virgínia de 20 anos que trabalha como auxiliar administrativa e já chegou diversas vezes atrasada.
O desconforto vem da estrutura metroviária que não comporta toda a demanda dos passageiros da Zona Leste e compromete o bem-estar dos trabalhadores, sustenta a urbanista. Para ela, os desafios diários geram trabalhadores estressados, com pouca energia para as demais tarefas, o que evidencia o domínio do capital sobre a vida das pessoas. Wernke também aponta a perda do convívio social e de lazer como um dos impactos dessa subordinação. O trabalhador, além das 44 horas semanais nos empregos, passa pelo menos mais 3 horas diárias no deslocamento. “As vezes o tempo que a gente perde, poderíamos estar estudando e investindo em alguma coisa mais útil”, declarou Daniel de 43 anos que enfrenta dupla jornada de trabalho como vigilante e motorista de ambulância.
Além das dificuldades enfrentadas por todos, passageiras relataram o incômodo e o medo de ser mulher e estar em um trem lotado, questionando o porquê da linha mais movimentada e lotada não ter um vagão exclusivo para mulheres.
Mesmo com todas as dificuldades, o sistema metroviário ainda é o preferido entre os passageiros por ser a opção mais rápida. “O pessoal fala que não tem melhoria, eu acredito que tem, basta [o governo] arregaçar a manga e ir a luta” afirmou Daniel.
Para a especialista, o melhor caminho para combater as dificuldades e obstáculos seria a implementação de multimodais, ou seja, a integração de diferentes formas de transporte, dando preferência a metrôs e ônibus, que comportam mais passageiros, e o aumento de ciclovias.
Desde segunda-feira (18), os estudantes, funcionários e docentes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aderiram à paralisação estudantil conjunta com outras universidades públicas de São Paulo pela reivindicação de melhorias estruturais, políticas de permanência e contrárias aos projetos de terceirização e privatização do governador Tarcísio de Freitas. Na última quarta-feira (20), estudantes das três estaduais paulistas realizaram uma marcha unificada do Largo da Batata até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.
“Não queremos semear hoje a precarização de amanhã” disse Nicolas Matteo, estudante de economia e Coordenador Geral do DCE-Unicamp e Diretor de Universidades Públicas da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), durante a assembleia que aprovou a paralisação. Segundo o Diretório Central dos Estudantes da Unicamp (DCE - Unicamp), a greve que abrange 65 cursos contou com a presença de mais de 1000 estudantes, além de trabalhadores e docentes em sua assembleia de aprovação na sexta-feira (15). Já no dia seguinte ao ato unificado na capital, a Pró-Reitoria de Graduação da universidade anunciou a suspensão das atividades até o fim do mês.
Em entrevista à AGEMT, Nicolas explicou que a greve não visa afetar negativamente a comunidade universitária, mas sim melhorar as condições de permanência para todos: “Sobretudo a nossa greve é muito sobre unidade. O calendário de greve vem sendo debatido com os trabalhadores e com os docentes, porque não queremos que a universidade seja expandida às custas de uma precarização.”
Reformas estruturais pela vivência acadêmica digna
Os grevistas questionam a falta de clareza e de aumento do orçamento acadêmico ligados às mudanças no ICMS do Estado. Desde 1989, o imposto sobre mercadoria estadual destina 9,67% de sua arrecadação às três universidades grevistas. Atualmente, a Unicamp recebe apenas cerca de 2,19% por ano. Em 2025, o governo Tarcísio de Freitas propôs uma PL que incluiria mais três instituições sem reajustar a cota e nem detalhar como seria a nova distribuição. No começo do mês, frente a mobilização estudantil, o governador desistiu da ideia.
“A gente tem visto que hoje as universidades têm um orçamento que nunca foi atualizado, desde o início do formato o percentual para as universidades segue sendo o mesmo. É inadmissível que o orçamento seja refilado, que tenha larvas no RU (Restaurante Universitário), que a gente não tenha dinheiro para a permanência, para as moradias estudantis”, reitera Nicolas.
Mesmo antes da votação oficial da greve, o campus Limeira já estava totalmente paralisado. Os estudantes reivindicam principalmente que a expansão da universidade discutida pela reitoria não seja feita às custas da dignidade de moradia e bolsas de permanência estudantil. O coordenador do DCE-Unicamp comenta: “Hoje os estudantes de Limeira dependem totalmente do da bolsa de auxílio moradia, que não é suficiente para cobrir os gastos da o custo de se morar em Limeira e mesmo aqui no campus de Barão Geraldo, as obras não foram começadas.”
Corte de gastos afeta na formação dos estudantes
Além da correção orçamentária e reformas estruturais para a utilização plena do campus, incluindo melhorias de acessibilidade, a paralisação visa melhorias sociais e políticas de acolhimento. Entre elas, a expansão dos serviços de atendimento à violência sexual (SAVS), encaminhamento institucional das denúncias de racismo (SAER) e assistência psicológica e psiquiátrica ao estudante (SAPPE) que sofrem de precarização e quadro insuficiente para às demandas da universidade. “Alavancar as pautas dos movimentos sociais, sobretudo, também é alavancar as pautas da Unicamp: é melhorar a vida de todos os estudantes que passam por aqui”, declara o militante.
Da parte dos trabalhadores e docentes, a estagnação do orçamento e dos salários e falta de manutenção da infraestrutura universitária fez a categoria aderir ao movimento. No começo de maio, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) ofereceu um reajuste salarial de apenas 2% para a categoria. Após uma tarde de negociação com o Fórum das Seis - entidade que une sindicalistas e representantes das universidades estaduais paulistas - o Cruesp subiu a oferta à 3,7%, mas o valor segue abaixo do índice de inflação para o período maio/2025 a abril/2026 medida pelo IPC-Fipe.
A precarização no quadro docente sem substituição e adição adequada também causa incerteza quanto ao futuro e oferta adequada de alguns cursos com risco de encerramento de atividades. “É sobretudo o sonho dos nossos ancestrais que a gente esteja aqui, assim como os as pessoas que vão vir depois da gente são os nossos sonhos”, fala o estudante.
Autarquização impacta o futuro da comunidade
O movimento também critica a proposta de autarquização - processo que dá autonomia administrativa a uma instituição pública - do complexo de saúde da Unicamp que pode levar à futura privatização do serviço. “Frente a um governo como o do Tarcísio de Freitas que é um privatista que precariza o serviço da saúde, sabemos que é muito perigoso a autarquização do complexo de saúde do Unicamp justamente por conta do risco de privatização e não ser um hospital mais 100% SUS que serve de estágio para os alunos e ao serviço dos trabalhadores”, explica o coordenador.
Enquanto isso, os grevistas seguem organizando atos, ocupações e discussões. “A verdade é que não queremos a greve infinita, queremos que as nossas demandas sejam ouvidas até porque quanto mais rápido a Unicamp olhar para nossas demandas e entender a importância delas, mais rápido sairemos da greve.”
Até o momento, o governo estadual tem se mostrado pouco aberto ao diálogo. Na quarta-feira, a caminho de São Paulo, os dez ônibus de estudantes que saíram da Unicamp foram parados pela Polícia Rodoviária Estadual, o que atrasou a chegada dos estudantes à manifestação. Durante o ato unificado, a presença da PM foi constante.
Contra a precarização das instituições e pela abertura de diálogo com a comunidade universitária, a paralisação na Unicamp não tem data para acabar - junto às demais universidades estaduais o movimento segue ampliando a pressão sobre o Cruesp e ao governador Tarcísio de Freitas que se limitou a dizer não entender a greve estudantil, sem mobilizar negociações, o governador tem utilizado o aparato policial para tentar conter o movimento estudantil.
O vereador de São Paulo, Lucas Pavanato (PL), durante a votação do PL 354/2026, que discutia o reajuste dos servidores municipais, afirmou que professores grevistas são “vagabundos” e “burros”. A fala ocorreu durante o debate do projeto de reajuste salarial da data-base enviado pela gestão de Ricardo Nunes (MDB).
A greve dos profissionais da educação da rede municipal teve início em 28 de abril, eles reivindicam um reajuste de 14,56% nos salários a partir de maio de 2026. Segundo a categoria, o percentual considera a inflação medida pelo IBGE acrescida de 10% de aumento real nos salários. A mobilização ocorre em resposta à proposta de Nunes, que previa aumento parcelado de 3,51%, sendo inferior à inflação acumulada e às demandas dos profissionais da área.
A fala de Pavanato ocorreu na 126ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de São Paulo, em 13 de maio. O vereador iniciou o discurso dizendo não esperar educação de sindicalistas e complementou: “de gente burra eu quero vaias mesmo”, referindo-se ao público presente, ao citar o escritor Nelson Rodrigues, conhecido pelo apoio fervoroso à Ditadura Militar.
Durante sua fala, Pavanato alegou que “a militância de sindicalista é só quando não é alguém [algum prefeito] de esquerda”, pois quando Fernando Haddad foi prefeito da cidade de São Paulo o reajuste salarial foi expressivamente menor e ainda responsabilizou políticos de esquerda pela situação financeira do país.
A fala gerou reação entre os demais parlamentares, a vereadora Silvia Ferraro (PSOL) subiu à tribuna e tentou retirar o microfone do vereador. Além de Ferraro, Luana Alves, outra vereadora do PSOL, também defendeu a classe dos profissionais da educação e criticou “Você nunca trabalhou na sua vida, moleque”.
Nas redes sociais, o parlamentar afirmou categoricamente que a esquerda teria “distorcido sua fala”. De acordo com ele, os conteúdos compartilhados nas redes passaram a acusá-lo de ter votado pela redução salarial dos professores e de ter ofendido a categoria. Ele nega ambas as versões e afirma que os vídeos foram editados fora de contexto.
O debate referente ao reajuste salarial dos servidores municipais incluiu também os servidores públicos, grupo ao qual Pavanato pertence e votou a favor. Segundo fontes oficiais, seu salário de R$26.080,98 — valor que, acrescido de benefícios, chega à R$36.018,75 mensais atualmente — terá um aumento de 3,51%, passando a ser R$26.995,69 (+ benefícios).
Em seus quase dois anos de mandato, Lucas Pavanato aprovou seis Projetos de Lei, sendo dois de cunho religioso — o primeiro, que inclui no calendário de eventos da cidade o “Dia da Escola Bíblica” e o segundo, que altera o nome do viaduto Bresser-Romualdo Hatty para viaduto Bispa Keila Ferreira, que foi líder da Assembléia de Deus. Além disso, o vereador também instituiu no calendário oficial do município de São Paulo a “Semana de conscientização da síndrome pós-aborto”.