O presidente cumpriu agenda internacional e assegura novas medidas econômicas
por
Lara Manasseh
|
06/10/2026 - 12h

O presidente Luis Inácio Lula da Silva abriu a 81ª Assembleia Geral da ONU que ocorreu na terça-feira, 22, reafirmando a soberania nacional: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. O discurso abordou os momentos mais críticos da história das Nações Unidas e reforçou que a organização está falhando em evitar guerras. 

O presidente criticou o imobilismo do Conselho de Segurança, afirmando que a comunidade internacional é refém da paralisia de uma organização que falha em cumprir seu papel de livrar a comunidade da guerra e de proteger os mais vulneráveis. Além de defender a reforma da comissão. 

Ele criticou o Direito de Veto, capacidade dos cinco membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), e relembrou que desde a primeira sessão da Assembleia, ocorrida em 1946, o Brasil já alertava do alto preço da medida. Lula classificou essa prerrogativa como “Vício de Origem” da Carta da ONU,  que garantiu que grandes potências tivessem o “privilégio da insensatez”, segundo ele. 

O presidente também mencionou conquistas nacionais como o sistema Pix e a queda de 50% no desmatamento da Amazônia, que marcou o menor patamar em 11 anos.

A reunião integrou a agenda de Lula com a abertura da Assembleia Geral da ONU. O secretário-geral, António Guterres, afirmou ao atual presidente que conta com o Brasil para avançar na agenda multilateral e abordar temas, pautados no discurso de abertura, como a reforma do Conselho de Segurança, a equidade de gênero e uma possível solução para o conflito palestino. 

Nos Estados Unidos, o presidente Lula também se encontrou com o prefeito nova-iorquino, Zohran Mamdani. Os líderes políticos debateram sobre a importância da democracia e conversaram sobre o custo de vida em ambos os países, o combate à pobreza e o fim da escala 6x1, tema que tem gerado diversos debates no Brasil. 

Mamdani, o primeiro prefeito muçulmano a governar a metrópole estadunidense, elogiou Lula, afirmando que ele era uma grande “fonte de inspiração”, dada a sua relevância na defesa dos trabalhadores.  O presidente também presenteou o prefeito com uma camiseta do Corinthians e formulou um convite oficial para que ele visitasse o Brasil em breve. 

No mesmo encontro, Lula se reuniu com o senador norte-americano, Bernie Sanders, político independente com mais tempo de mandato na história do Congresso. Segundo o governo brasileiro, eles conversaram sobre a defesa do multilateralismo, sistema em que diversos países cooperam, com regras e instituições compartilhadas, além de negociações coletivas visando à solução de problemas globais. 

Na reunião, os políticos pautaram o combate ao extremismo presente no pleito brasileiro e nas eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos. Conforme relatado por veículos de imprensa, Sanders e outros legisladores norte-americanos enviaram uma carta ao Secretário de Estado, Marco Rubio, na qual expressaram preocupações com pressões da administração americana sobre a política brasileira. 

Lula também se encontrou com  o Presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, na segunda-feira, 21, na residência oficial do embaixador do Brasil em Nova York. A reunião durou, aproximadamente, 50 minutos e foram pautadas durante a conversa a integração da América Latina e do Caribe, o fortalecimento do Mercosul e o combate ao extremismo político e à desinformação. 

Lula manifestou interesse em conhecer a experiência e a regulação uruguaia em relação às bets (mercado de apostas digital)  e ampliar o comércio, a segurança nas fronteiras, a cooperação sanitária e o intercâmbio cultural. 
Antes e depois da viagem internacional, Lula cumpriu agenda oficial pelo país. No Rio de Janeiro, participou da apresentação conjunta das forças de segurança. O evento aconteceu na sexta-feira, 18, no pátio do Complexo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Irajá, no Rio de Janeiro, e reuniu representantes, como o prefeito do Rio de Janeiro, desembargadores, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. 

Foram anunciadas na cerimônia ações integradas de combate ao crime organizado, além do debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que busca alterar as competências dos estados e dos municípios na área de segurança. 

Na quinta-feira, 24, o presidente vistoriou as obras de ampliação e modernização da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. As melhorias no trecho somam cerca de R$ 997 milhões. A construção  já atingiu 70% de sua conclusão e tem como objetivo reduzir o tempo de percurso entre o Trevo das Margaridas e a Avenida Brasil, visando ampliar a capacidade de tráfego e a segurança para os moradores da região. 

O governo federal anunciou na sexta-feira, 25, diversos tipos de medidas econômicas voltadas para a proteção da economia popular e o combate ao endividamento das famílias. 

O presidente assinou uma Medida Provisória (MP nº 1394) que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas e cassinos virtuais, as chamadas bets. Os sites e aplicativos serão bloqueados e sairão do ar a partir do dia 06 de outubro, e os apostadores terão até o dia 05 para realizar o resgate de saldos depositados nas plataformas. Contratos de publicidade e marcas de patrocínio também deverão ser removidos do ar e foi enviado ao Congresso um Projeto de Lei para tipificar crimes associados à exploração ilegal e fraudes no setor de apostas. 

Lula também anunciou o lançamento do programa Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas focado na recuperação financeira dos cidadãos. O mecanismo vai funcionar a partir do Tesouro Nacional, que comprará diretamente os débitos com descontos substanciais, permitindo que os endividados paguem o valor renegociado diretamente à União. 

O governo oficializou a manutenção do subsídio ao óleo diesel em R$ 2,12 por litro, além de prorrogar por 120 dias o Desenrola Adimplentes, programa voltado para a renegociação de trabalhadores informais que estão com as contas em dia. 

Ainda na sexta-feira, 25, o Presidente se reuniu com empresários e figuras econômicas centrais no Hotel Tivoli Mofarrej, localizado na região do Jardins em São Paulo. Estiveram presentes no evento representantes de diversos bancos, economistas, advogados e ministros. 

O principal foco foi na responsabilidade fiscal e na trajetória da dívida pública em relação ao PIB e no patamar elevado dos juros. Lula e seus apoiadores prometeram segurança jurídica e previsibilidade econômica para atrair investimentos privados caso ele seja eleito. Além de defender a necessidade de ajustar as contas públicas sem prejudicar os trabalhadores nem precarizar os programas sociais. 

Na segunda-feira, 28, o presidente sancionou a Lei nº 15.522/2026, que estabelece diretrizes nacionais permanentes para transformar o futebol feminino em prioridade nas políticas públicas esportivas. 

A legislação estabelece a obrigatoriedade dos clubes de manter equipes femininas equivalentes aos times masculinos e assegura medidas específicas de proteção à gravidez e à maternidade das atletas, além de estabelecer protocolos contra a violência e o preconceito. 

 

Encontro promovido pelo Podcast 3 Irmãos reuniu cinco presidenciáveis para discutir propostas e visões sobre o país
por
Carolina Nader
Manuela Abbate Gonçalves
|
02/10/2026 - 12h

Na última semana da corrida eleitoral, os candidatos à Presidência da República com menor porcentagem buscam inovar em suas estratégias de campanha. A reta final traz debates entre os concorrentes e a intensificação das participações em suas plataformas. 

Clariana Barão, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Wilson Grassi no dia 26, participaram do Podcast 3 Irmãos, do Kritikê e do Canal MyNews para debater sobre suas propostas de governo. Todos os presidenciáveis foram chamados ao evento, no entanto, o programa foi apenas acolhido pelos candidatos com menor potencial de voto. 

Mário Speziano, apresentador do debate, afirmou em entrevista ao Canal MyNews que: “É o fim da superficialidade e do espetáculo de ataques a que estamos acostumados, em favor de um debate profundo sobre propostas reais”. , Segundo o MyNews, o debate teve a proposta de oferecer ao público contato com diferentes projetos, ideias e visões sobre o futuro do Brasil, abordando temas ligados ao cotidiano dos brasileiros e questões fora dos formatos convencionais. 

 

Clariana Barão (DC)

Nesta segunda-feira (28), a candidata fez uma visita ao Mercadão de São Paulo para a captação de imagens para sua campanha. Na terça-feira (29), Clariana participou de um evento social em São Paulo, na capital, que ocorreu em uma clínica. O evento teve como um dos objetivos a captação de imagens para a divulgação de sua campanha eleitoral nas redes sociais e mídias eletrônicas.

Quarta-feira (30), concedeu entrevista para a Rádio Cultura de Cuiabá (MT). Clariana reforçou sua ligação com o Mato Grosso e defendeu a necessidade de maior protagonismo feminino para a consolidação da democracia. Além disso, também abordou propostas de combate à violência doméstica, defendeu valores de direita com rejeição ao extremismo e criticou o atual cenário das contas públicas.

 

Edmilson Costa (PCB)

O candidato publicou em seu Instagram seu apoio à proibição das BETS, informando que a medida já estava prevista em seu plano de governo. "Sempre foi claro que as casas de apostas e cassino online nunca trouxeram qualquer elemento positivo para a economia nacional ou para a sociedade", afirma. 

Na segunda-feira (28), Edmilson participou de uma conversa no Instagram com a jornalista Renata Regina. O foco da entrevista foi nas propostas do partido voltadas às transformações sociais e econômicas, como a construção do Poder popular, jornal oficial vinculado ao PCB e a defesa dos trabalhadores. Além disso, o candidato reforçou sua oposição às altas taxas de juros e à inflação, defendendo reformas na tributação. 

Na terça-feira (29), participou de uma roda de conversa para apresentação do programa anticapitalista e anti-imperialista do PCB a Presidência do Brasil, em Taguatinga (DF).

Na quarta-feira (30), ainda no Distrito Federal, o presidenciável fez panfletagem na feira do Guará e no terminal de metrô. Ainda nesse dia, almoçou com o deputado distrital Max Maciel (PSOL) na feira da Ceilândia. 

 

Hertz Dias (PSTU)

O candidato se manifestou em suas redes sociais sobre a proibição das Bets, anunciada pelo presidente Lula na sexta-feira (25). Hertz enfatizou que a proibição das casas de apostas online já estava presente em seu plano de governo, e se posicionou a favor da medida de Lula. 

No sábado (26), Dias participou do debate organizado pelo Podcast 3 Irmãos. O candidato se destacou ao lado de Wilson Grassi na dinâmica “Brasil em números”, que buscava testar o conhecimento sobre estatísticas dos concorrentes por meio de um quiz. 

Questionado sobre pautas trabalhistas e escala 6x1, Hertz afirmou: “Nós defendemos o fim dessa escala de trabalho, sem redução de nenhum direito, sem redução salarial”. O candidato propõe como alternativa à escala 6x1, a jornada de trabalho 4x3. 

Dias também frisou sua oposição quanto à exploração das terras raras brasileiras pelos Estados Unidos. O candidato tem como proposta a criação de uma empresa estatal com o objetivo de manter os recursos na indústria brasileira. “Soberania nacional significa o povo brasileiro controlar suas próprias riquezas”, declara.

 

Rui Costa Pimenta (PCO)

Na terça-feira (29), às 13h, o candidato participou do programa Análise da Terça na Rádio Causa Operária. Na Quarta-feira (30), em Recife (PE), esteve presente em um ato de encerramento de campanha no Sinttel.

Nesta sexta-feira (02), a dois dias do Primeiro Turno, Rui Costa Pimenta fecha a campanha do PCO com um jantar em São Paulo com militantes e apoiadores do partido.

 

Samara Martins (UP)

A candidata segue com a publicação de sua série nas redes sociais “Propostas da UP para mudar o Brasil”. Nesta semana, foram publicados conteúdos sobre a soberania nacional, fim das privatizações, transporte público, mobilidade urbana e a garantia do livre acesso do povo ao esporte. 

No debate do Podcast 3 irmãos, Samara focou suas respostas no viés socialista de sua candidatura. “É possível não só mudar a política, mas mudar o sistema”, afirmou. 

Samara erguendo bandeira de sua campanha
Samara Martins em comício por São Paulo | Reprodução: Instagram/ @samaramartinsup - Fotógrafo: Gabriel Teles

No dia sábado (26), a Unidade Popular realizou um comício pelo centro da capital paulista, do qual a candidata fez parte. 

No dia 28, Martins esteve no Vão do MASP, em conjunto com a UP e o Movimento de Mulheres Olga Benário para celebrar o dia Latino-americano e Caribenho de Luta Pela Descriminalização e Legalização do aborto. A candidata afirma “Seguimos lutando pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito garantido pelo SUS e, portanto, pelo direito de mulheres, meninas e crianças viverem com dignidade e autonomia sobre seu próprio corpo”. 

 

Wilson Grassi (Democrata)

O candidato levou, na quarta-feira (01), uma denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA). A reunião tratou do que que Grassi caracterizou como “a completa manipulação da eleição brasileira”, dada a falta de espaço dos candidatos nanicos na grande mídia. Wilson também presente no debatedo Podcast 3 Irmãos, o concorrente afirmou: “Esse foi o único debate democrático desse ano. Foi o único que convidou todo mundo e veio quem quis”.

Levantamento realizado em 191 escolas mostra que 20,4% dos estudantes entrevistados já fizeram apostas online, mesmo com a proibição para menores de idade; Leandro Moreno começou aos 17 anos depois de acompanhar lives e apostar com amigos
por
Luciano Carvalho
|
01/10/2026 - 12h

Cinco amigos, cerca de R$ 10 de cada um e uma múltipla de futebol. Foi assim que Leandro Moreno fez sua primeira aposta, quando ainda tinha 17 anos. O grupo perdeu os aproximadamente R$ 50 colocados naquela aposta e, para quase todos, a experiência terminou ali. Mas Leandro decidiu continuar.

"Nois colocou uns 10 reais, perdeu e os caras largaram. Mas eu fiquei maluco. Aí fui e coloquei 50 conto pra recuperar tudo que o pessoal tinha perdido”, conta.

O caso de Leandro ajuda a colocar uma história por trás de um número divulgado no dia 10 de setembro pela Frente Parlamentar Mista da Educação. Um levantamento feito em parceria com o Equidade.info ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas e mostrou que 20,4% dos alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio já fizeram apostas online. Aos 17 anos, idade em que Leandro começou, esse número chega a 32,3%. Entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, 49,7% afirmaram já ter apostado.

Mas existe uma contradição nesses números. A utilização de plataformas de apostas por menores de 18 anos é proibida no Brasil. A regulamentação prevê punições para os operadores e determina que as empresas autorizadas façam identificação dos apostadores, inclusive com reconhecimento facial e prova de vida.

Antes da aposta, vieram as lives

Leandro já conhecia esse universo antes de colocar dinheiro pela primeira vez. Ele acompanhava streamers e influenciadores que faziam conteúdos relacionados a cassino e apostas, principalmente junto com os próprios amigos.

"Eu sempre vi muita live e o Yuri começou a fazer live de cassino, muito mais do que de gameplay. Então eu gostava de assistir e eu ficava assistindo as lives do Yuri junto com os moleques. Então a gente começou junto, a gente decidiu ali junto, naquele dia, que a gente ia fazer uma, porque o Yuri tinha mostrado na live uma múltipla que ele fez e nois copiou.”

O fácil acesso às plataformas digitais pode exacerbar o risco de vício em uma comunidade altamente conectada como a universitária (Foto: Marco Cavalcanti)
O fácil acesso às plataformas digitais pode exacerbar o risco de vício em uma comunidade altamente conectada como a universitária (Foto: Marco Cavalcanti)

Apesar de ser menor de idade, Leandro conta que sabia que aquele conteúdo não era destinado para ele. Segundo ele, os próprios streamers repetiam os avisos para maiores de 18 anos. A proibição, porém, não era vista pelo grupo como uma grande dificuldade.

“Os caras falam toda hora que é pra maiores de 18. Só que não é muito difícil de jogar, sabe? No chat mesmo todo mundo conversava sobre, pedia o CPF da mãe, do pai e fazia o login e criava a conta. Era muito fácil.”

Hoje, para operar legalmente no Brasil, as plataformas precisam exigir dados do usuário e mecanismos de identificação. O apostador também deve cadastrar uma conta bancária ou de pagamento em seu próprio nome, e as empresas não podem aceitar depósitos feitos por contas de terceiros.

A experiência relatada por Leandro aconteceu antes do modelo atual de regulamentação estar totalmente estabelecido, mas o levantamento da Frente Parlamentar mostra que o problema não desapareceu. Crianças e adolescentes continuam relatando contato com as apostas mesmo depois do endurecimento das regras.

O próprio Guilherme Lichand, professor da Universidade Stanford e responsável pela supervisão da pesquisa, levantou essa dúvida ao divulgar os resultados: “Como crianças e adolescentes descobrem essas plataformas? Como contornar as restrições de idade?”

Quando perder vira motivo para continuar

No caso de Leandro, a primeira derrota não serviu para afastá-lo. Depois que os amigos perderam os R$ 10 de cada um, ele colocou sozinho aproximadamente o que todos haviam apostado juntos para tentar recuperar o prejuízo.

A psicóloga Vivian Bandeira explica que o círculo social pode ter um peso importante nesse tipo de comportamento, principalmente entre os jovens.

“Quando uma prática é constantemente apresentada por pessoas com as quais o jovem se identifica, seja por amigos ou por figuras que ele acompanha nas redes, existe uma tendência de normalização daquele comportamento. Ele deixa de enxergar aquilo como algo distante ou excepcional”, explica.

No caso de Leandro, não existia apenas a influência das pessoas que acompanhava pela internet. Os próprios amigos consumiam aquele conteúdo e decidiram começar a apostar juntos.

Vivian também destaca que o comportamento da pessoa dentro de um ambiente de aposta pode ser diferente daquele apresentado normalmente no dia a dia.

“Existe uma expectativa de recompensa muito intensa. Mesmo uma pessoa que não demonstra uma busca exagerada por dinheiro no cotidiano pode, dentro daquele ambiente, entrar em uma lógica de querer ganhar mais ou recuperar imediatamente aquilo que perdeu.”

A tentativa de buscar o dinheiro de volta é um comportamento também apontado por outros profissionais. A psiquiatra Giovanna Quinet afirmou à Agência Brasil que uma pessoa pode começar a perder mais dinheiro e aumentar o valor das apostas justamente tentando recuperar o prejuízo anterior.

Das apostas esportivas para o pôquer

Com o tempo, a forma como Leandro jogava também mudou. As apostas esportivas perderam espaço e o pôquer passou a ser a principal atividade. Hoje, ele joga tanto online quanto presencialmente e já participou de torneios.

“Poker é o que eu jogo hoje. Já fui até jogar presencial. Às vezes eu jogo online também pra treinar. Mas cassino hoje eu uso mais como treino de mentalidade. Aposta esportiva eu larguei.”

Leandro se define atualmente como uma pessoa viciada em pôquer. Mesmo assim, existe uma diferença entre essa prática e as apostas esportivas quando se fala especificamente da regulamentação das bets. O pôquer, por envolver habilidade entre os participantes, não entra da mesma maneira na modalidade de aposta de quota fixa regulamentada pelo governo.

Mas a relação de Leandro com apostas não ficou marcada apenas pela mudança do tipo de jogo. Ao longo dos anos, ele teve períodos de ganhos e perdas e conta que chegou a perder valores maiores do que pretendia e um desses momentos aconteceu quando colocou R$ 3 mil em uma aposta.

“Eu já não tava aguentando mais. Eu tava perdendo muito dinheiro naquela época. Aí teve um dia que eu coloquei 3 mil e eu perdi. Aí eu fui falar com a minha mãe, contei sobre todos os meus vícios em aposta e prometi pra ela que eu não ia mais jogar.”

O valor não foi necessariamente a maior perda que Leandro já teve, mas marcou um momento em que ele decidiu mudar sua relação com as apostas esportivas. Desde a conversa com a mãe, ele afirma que deixou de apostar da mesma maneira que fazia anteriormente.

As apostas também mudaram o futebol

O futebol foi a porta de entrada para a primeira aposta de Leandro, mas também acabou sendo afetado pela relação que ele criou com o dinheiro.

Corintiano, ele percebeu principalmente isso quando começou a colocar dinheiro em jogos do próprio clube.

“Eu nunca gostei muito de apostar no Corinthians. Porque quando o Corinthians perdia e eu tinha apostado, ficava mais puto ainda, dobrava a raiva e me afastava um pouco até do time. Eu ficava com raiva do time a semana inteira. Então acabou misturando muito e eu parei de apostar no Corinthians.”

 A experiência de Leandro começou antes dos 18 anos, idade em que ele legalmente ainda não poderia utilizar uma plataforma de apostas. Mas o caso dele está longe de ser isolado. O levantamento divulgado pela Frente Parlamentar da Educação mostra que um em cada cinco estudantes entrevistados já teve algum contato com apostas online.

As regras atuais aumentaram as exigências para identificar quem está apostando e também endureceram restrições de publicidade para crianças e adolescentes. Mesmo assim, os números mostram que o acesso de menores continua sendo um problema.

 Por isso, a principal questão levantada pela pesquisa não é apenas quantos jovens estão apostando, mas como eles chegam até esse ambiente tão cedo. No caso de Leandro, o caminho passou por lives, amigos, futebol e uma primeira aposta de R$ 10. Depois vieram valores maiores, outros tipos de jogo e uma relação com as apostas que começou ainda antes da idade permitida.

A ação do presidente restringe tanto apostas esportivas quanto jogos de cassino online
por
Amanda Tescari
Ingrid Lacerda
|
30/09/2026 - 12h

Na última sexta-feira (25), o Presidente Lula assinou a Medida Provisória (MP) que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas no país, as chamadas bets.

Com a decisão, as casas de apostas, até então legalizadas, não poderão mais disponibilizar apostas ou fazer qualquer tipo de publicidade. Além disso, não serão permitidos novos depósitos nas contas, e os sites ficarão disponíveis para os apostadores resgatarem seus saldos até às 23h59 de 5 de outubro.

A partir do dia seguinte, 6 de outubro, os sites e aplicativos de apostas sairão do ar e as bets deverão informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF, e realizar a devolução desses valores através dos bancos.

 

Presidente Lula fala sobre os impactos das apostas online no Brasil
A medida não atinge outras modalidades de loteria com autorização prevista em lei.
Foto: Rafael Nascimento/Agência Brasil

A MP prevê sanções administrativas para pessoas físicas e jurídicas que desrespeitarem as novas regras. As punições podem incluir advertência, multas de até R$2 bilhões, suspensão parcial das atividades ou suspensão total das atividades, no caso de empresas.

O Governo Federal justificou que a extinção ocorreu por motivo de interesse público, principalmente por questões de saúde e impacto financeiro. O transtorno do jogo está associado a fatores como ansiedade, depressão, alterações no sono e humor, e prejuízos às relações pessoais e profissionais. 

Além da Medida Provisória, o governo elaborou um Projeto de Lei (PL) para tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. O PL criminaliza cinco condutas: exploração de apostas de quota fixa, ainda que autorizado por autoridade estrangeira; a divulgação de apostas ou captação de apostadores; o uso de dados pessoais para captação de apostadores; facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa e o fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa. As penas variam entre 2 a 6 anos de reclusão.

A MP produz efeitos imediatos a partir da publicação, mas o processo legislativo continua no Congresso Nacional. O Parlamento tem até 120 dias para votar o texto, sob pena de perda da eficácia da Medida Provisória.

Entrando na última semana da corrida eleitoral, os seis concorrentes aceleram a participação nas ruas e nas redes sociais
por
Carolina Nader
Kaleo Ferreira
Manuela Abbate Gonçalves
|
30/09/2026 - 12h

Na reta final da campanha, os candidatos nanicos intensificam as agendas para ganhar espaço antes do dia da votação. Com campanhas de menor porte, os presidenciáveis apostaram em encontros com eleitores e vídeos nas plataformas digitais para aumentar a visibilidade e conquistar votos dos indecisos.

Clariana Barão (DC) 

Nesta segunda-feira (21), a candidata fez adesivaço na Maçonaria da Rua Alagoas, em Imperatriz (MA). Na terça-feira (22), em João Pessoa, esteve presente na inauguração do comitê do candidato a governador Pedro Coutinho, do Democracia Cristã. 

Clariana não teve agenda pública divulgada na quarta-feira (23), mas manteve seu instagram ativo com publicações divulgando sua campanha eleitoral e suas opiniões sobre o crime organizado. Na quinta-feira (24), continuou ativa nas redes sociais ativas, publicando vídeos sobre suas propostas para combater a violência contra as mulheres. Além disso, também concedeu entrevista ao portal Pleno News, onde falou sobre os principais acontecimentos políticos do Brasil.  Na entrevista, defendeu medidas mais rígidas contra a violência à mulher e disse que vai trabalhar para que agressores nem passem por audiência de custódia. 

Edmilson Costa (PCB)

Na segunda-feira (21), Edmilson participou, junto de Cleusa Santos, candidata à vice-presidência, de uma conversa no Youtube sobre educação, trabalho, cultura, lazer e os direitos da juventude brasileira. Na conversa, Costa defendeu a educação 100% pública e gratuita, com a estatização do sistema privado de ensino.

Na terça-feira (22), o candidato fez panfletagem e caminhou pelo centro de Belo Horizonte e participou de ato de campanha das candidaturas do PCB na Casa dos Jornalistas. 

Durante a quarta-feira (23),  o candidato visitou o Memorial de Direitos Humanos (antigo Dops) em Belo Horizonte. Nesse mesmo dia, participou do ato do comando de greve de bancários, também na capital mineira, e declarou apoio aos grevistas.

Já na quinta-feira (24), participou do debate sobre o Programa Anticapitalista e Anti-imperialista para o Brasil do Partido Comunista Brasileiro, na Lapa, no Rio de Janeiro (RJ).

Hertz Dias (PSTU)

No dia 19, o candidato republicou em seu Instagram uma coluna da Opinião Socialista sobre o “voto útil”, lógica que, segundo Hertz, muitas vezes impede o eleitor de votar em candidatos menores. A

enfatiza a importância do voto como ferramenta de fortalecimento de projetos que se alinham com os valores dos eleitores, não apenas como produto da polarização política atual.  

Hertz seguiu enfatizando esse debate. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o candidato afirmou:: “Voto útil é voto que faz avançar a organização e consciência da classe trabalhadora”, disse. 

imagem de Hertz com a frase “Voto útil é com os trabalhadores contra o sistema”
Panfleto de Hertz  sobre seu posicionamento quanto a discussão do voto útil | Reprodução: Instagram/ @hertzdiaspstu

O candidato segue rodando o país em busca de expandir seu eleitorado e trazer forças para seu partido. Entre os dias 23 e 25, o candidato esteve em Belo Horizonte, onde realizou panfletagens e participou de debates. Nos dias 27 e 28, Hertz esteve em  Brasília, onde participou de uma roda de conversa na UnB e concedeu entrevistas para o Poder 360 e ao Metrópoles. 

Rui Costa Pimenta (PCO)

Nos dias19 e 20 de setembro, foi divulgado seu plano de governo ao TSE. O documento reafirma a linha de inspiração marxista e trotskista tradicional do PCO, organizada em 15 eixos: salário mínimo de R$ 7,5 mil, revogação da reforma trabalhista, jornada de 35 horas semanais, estatização integral do ensino privado e fim dos vestibulares, abertura irrestrita de cursos de medicina e enfermagem nas universidades públicas, expropriação de imóveis vagos e construção massiva de moradias populares, reforma agrária com assentamento imediato de sem-terra, demarcação de terras indígenas, cancelamento de todas as privatizações, corte de 50% no preço dos combustíveis e taxação de grandes fortunas.

O candidato esteve na Aldeia Jaguapiru, em Dourados (MS), no lançamento das candidaturas do PCO no estado, que reuniu mais de 200 pessoas.  No evento, o presidenciável ouviu denúncias sobre a falta de água, moradia e outros serviços nas aldeias e defendeu a autodemarcação das terras e o direito de autodefesa contra pistoleiros e forças policiais que protegem latifundiários.

No domingo, dia 27, Costa encerrou a sua campanha com o ato nacional “Rui Presidente”, em São Paulo, na Avenida Paulista. O evento reuniu militantes, candidatos e apoiadores de vários estados, que chegaram em caravanas.

Samara Martins (UP)

A candidata segue com uma de série postagens em seu instagram que expõem as propostas da Unidade Popular. Até o momento as publicações tratam sobre pautas femininas, saúde pública, combate à corrupção, dívida pública, pautas trabalhistas, educação, juventude, combate à opressão, ecologia e cultura. Também pelas redes sociais, Samara se posicionou contra as apostas online, afirmando que pretende proibir as bets no Brasil: “Só servem para endividar o povo e encher os bolsos dos donos dessas plataformas.”, disse a candidata.

Martins investiu em comícios e panfletagens na reta final, realizando uma passagem na Estação da Luz na capital paulista no dia 26. No mesmo dia, a candidata participou de uma roda de conversa no bairro do Belenzinho, sobre a luta das mulheres pelo fim da violência de gênero. No dia 27, Samara visitou Florianópolis, realizou uma  caminhada na Praça Panorama e no Monte Cristo. 

Wilson Grassi (Democrata)

No sábado, dia 19, Grassi não teve ato de campanha, comício ou caminhada divulgados. O único compromisso que constava em sua agenda era a participação no Rocky Mountain Games, festival de esportes de montanha realizado no Pico do Jaraguá, em São Paulo.

No dia 19 e 20 de setembro, foi divulgado seu plano de governo protocolado no TSE. O documento “Brasil em Primeiro Lugar”, com 58 páginas, carta ao eleitor e 14 eixos de propostas, inclui um cronograma para os 100 primeiros dias de um eventual governo.  Entre os destaques estão a criação de um Imposto Único Federal e um plebiscito sobre a adoção de presídios de segurança máxima nos moldes de El Salvador. 

Acusações de corrupção e tráfico de influência vem à público e abala campanha do senador
por
Vitória Teles
|
29/09/2026 - 12h

Nesta terça-feira (29), o empresário Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e ex-amigo de Flávio Bolsonaro (PL), tornou públicos detalhes da relação que manteve com o senador. A reportagem exclusiva da PlatôBR, realizada pelo jornalista Rodrigo Rangel, mostra que Santini apresentou mensagens, fotografias e registros de encontros privados com garotas de programa à esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro.

De acordo com a reportagem, o rompimento ocorreu em meio a uma disputa financeira que envolvia uma parceria comercial, que surgiu no início dos anos 2000, no Rio de Janeiro, por intermédio de amigos em comum. Alexandre entrou em conflito com Flávio ao cobrar judicialmente cerca de R$1,4 milhão, que afirma ter a receber da antiga sociedade.

A parte mais sensível das declarações de Alexandre Santini envolve o STF. Segundo as reportagens, Santini enviou uma mensagem a Flávio em 2023 demonstrando ter conhecimento sobre uma suposta atuação do senador em favor de um cliente de Alan Belaciano, que teria um processo em andamento no gabinete do ministro Kassio. A mensagem fazia parte de uma série de cobranças e acusações trocadas durante a disputa financeira entre os ex-sócios.

Mensagens enviadas por Santini, em que o ex-sócio afirma que Flávio teria atuado a favor de um cliente de Belaciano. Foto: Reprodução/PlatôBR
Mensagens enviadas por Santini, em que o ex-sócio afirma que Flávio teria atuado em favor de um cliente de Belaciano. Foto: Reprodução/PlatôBR

Outro registro que chama atenção nessas revelações feitas por Alexandre Santini é a respeito de um Rolex, relógio de luxo, supostamente pago por um terceiro próximo de Flávio Bolsonaro. O objeto de alto valor, avaliado em mais de R$300 mil, foi comprado em fevereiro de 2022 pelo advogado Alan Belaciano. De acordo com a reportagem, o relógio foi adquirido para uso pessoal de Flávio.

A reportagem também menciona outras despesas. Segundo relatos publicados, Belaciano também arcou com outros gastos atribuídos ao senador, como por exemplo: equipamentos de academia instalados na residência de Flávio, em Brasília, com valor estimado em R$90 mil. Sobre os aparelhos para exercícios, o candidato à Presidência já havia afirmado anteriormente que se tratava de um “empréstimo pessoal”.

Entre os registros conservados pelo ex-sócio estão fotografias, recibos e trocas de mensagens por aplicativos que detalham a organização de encontros privados em hotéis de luxo, no Rio. Nas mensagens, Santini combina encontros particulares e faz referências à participação de Flávio, identificado pelo termo “meu filho” por Santini. Em busca de recuperar valores que alegava ter direito, Santini apresentou o acervo diretamente à esposa do senador, a dentista Fernanda Bolsonaro.

Prints de conversas em que Alexandre se refere a Flávio como “meu filho”. Foto: Reprodução/PlatôBR
Prints de conversas em que Santini se refere a Flávio como “meu filho”. Foto: Reprodução/PlatôBR

O episódio teria causado um grande abalo na vida conjugal do senador durante a campanha eleitoral de 2022. Em uma mensagem posterior a Santini, Flávio confessou ter feito "muitas escolhas erradas” e que não pretendia cometer os mesmos erros com sua família. O senador também teria pedido para que o ex-sócio deixasse Brasília e interrompesse o contato com Fernanda.

Flávio Bolsonaro em entrevista coletiva, em abril de 2026. Foto: Flickr/Ton Molina/ Agência Senado
Flávio Bolsonaro em entrevista coletiva, em abril de 2026. Foto: Flickr/Ton Molina/ Agência Senado 

Além da franquia de chocolates Bolsotini Chocolates e Café Ltda, ligada à marca Kopenhagen, Santini manteve proximidade com o candidato à Presidência por quase 20 anos, desde 2001 quando ambos foram apresentados por amigos em comum. Desde então, Santini participou de viagens e eventos privados da família Bolsonaro.

A empresa de chocolates ganhou notoriedade anos depois, quando foi citada em um esquemas de “rachadinhas” envolvendo o antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O Ministério Público do Rio de Janeiro apurava suspeitas de que o estabelecimento pudesse ter sido usado para movimentar ou ocultar recursos supostamente obtidos por meio do esquema investigado.

Presidente Lula segue agenda institucional em meio à campanha
por
Anna Cândida
Beatriz Barbosa
Lara Manasseh
|
29/09/2026 - 12h
mesa composta por representantes e lula no centro comentando sobre a taxa das blusinhas
Sanção do PLV 13/2026, que trata das regras de tributação de remessas postais internacionais (taxa das blusinhas). Foto: Ricardo Stuckert/Flickr

Fim da ‘Taxa das Blusinhas’

Na quinta-feira, 10, com o apoio do Congresso Nacional, o presidente pôs fim ao imposto de 20% na importação de compras internacionais, chamado de “taxa das blusinhas”. A nova legislação também diminuiu em 30% as tarifas aplicadas sobre mercadorias de até 3 mil dólares. 

 

Lula cobra celeridade na entrega de obras urbanas no Rio Grande do Sul 

Na capital do Rio Grande do Sul, Lula participou de uma reunião sobre o Fundo de Apoio à Infraestrutura e Adaptação a Eventos Climáticos na Base Aérea de Canoas. Na ocasião, o presidente se encontrou com o governador Eduardo Leite (PSD) e com os prefeitos de Porto Alegre, Canoas e Eldorado do Sul. 

O foco do encontro foi discutir os repasses financeiros e o andamento das obras de proteção e resiliência urbana, necessárias após as enchentes que atingiram o Estado. Lula cobrou explicações sobre a lentidão na entrega das obras e enfatizou que o dinheiro público não pode ficar paralisado. “Não podemos mais liberar dinheiro se não tiver projeto”, comentou.  

 

Sanções do início da semana 

Na segunda, 14, o presidente sancionou o Projeto de Lei de Conversão (PLV), que amplia e transforma o programa “Move Brasil” em lei definitiva. A sanção garantiu condições especiais de financiamento para motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores de aplicativo, na compra de carros, motos e bicicletas elétricas. 

Já na terça-feira, 15, Lula sancionou o Projeto de Lei 278/2026, de autoria do deputado José Guimarães (PT-CE), que deu origem à Lei nº 15.504, instituindo oficialmente o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter. A medida, chamada de REDATA, visa impulsionar a infraestrutura digital, a computação em nuvem e o avanço da Inteligência Artificial no Brasil. 

Essa decisão faz com que os centros de processamento voltados ao armazenamento, ao processamento e à gestão de dados e aplicações digitais  tenham cinco anos de suspensão de tributos federais na aquisição de componentes eletrônicos, servidores e máquinas no mercado interno ou via importação. 

 

Atualização monetária do Bolsa Família 

Lula anunciou a atualização monetária do Bolsa Família na quinta-feira, 17. Com a correção de 15,04% anunciada pelo governo, o piso do programa passará dos atuais R$600,00 para R$691,00, enquanto o benefício médio deverá subir para R$777,00. O reajuste passa a valer em outubro, com pagamentos a partir do dia 19, entre o primeiro e o segundo turno das eleições. 

O ministro Gilmar Mendes, do STF, decidiu que o decreto que reajusta o valor do benefício do Bolsa Família não fere as regras eleitorais. O ministro afirma que o aumento concedido é apenas "atualização dos valores" pelo critério de correção monetária. 

O reajuste anunciado difere, portanto, das medidas adotadas por Jair Bolsonaro em 2022, quando o então presidente divulgou um aumento de 50% do Auxílio Brasil, de R$400 para R$600. Na época, também aumentou o Auxílio-Gás e criou um novo benefício, um voucher de R$ 1 mil para caminhoneiros. A correção atual, por outro lado, apenas recompõe a inflação acumulada desde a recriação do Bolsa Família, sem ganho real para os beneficiários. 

 

Guerra de ofícios entre ministros do STF mostra como as instituições democráticas podem ser corrompidas pelo capital financeiro
por
Isabella Damião
Isabela Sallum
|
24/09/2026 - 12h

O primeiro envolvido

O primeiro dia de setembro foi marcado pela divulgação de mensagens trocadas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. 

Os prints, obtidos pela Polícia Federal no celular apreendido de Vorcaro, mostram que os dois combinavam de se encontrar dois dias antes da prisão do banqueiro, em 17 de novembro de 2025. "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?", questiona Vorcaro a Moraes, em 16 de novembro. Entre as mensagens, Vorcaro discute com Moraes, também, o andamento da investigação do Banco Master. Como as conversas foram feitas por mensagens temporárias, a PF não conseguiu acessar as respostas de Moraes. 

Mensagens recuperadas pela PF de Vorcaro ao Ministro Alexandre de Moraes

Mensagens de Vorcaro supostamente direcionadas a Moraes, recuperadas pela PF. Foto: Reprodução

O envolvimento de Moraes no caso Master já era discutido desde o início da investigação, após a divulgação de mensagens que indicaram um contrato de 130 milhões de reais entre o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro, Daniel Vorcaro. Em nota, o escritório Barci de Moraes negou qualquer envolvimento com Vorcaro em março. 

Além deste primeiro, foi identificado pela PF um segundo contrato entre o e Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro. O segundo contrato, encontrado em trocas de mensagem do ex-banqueiro com seu advogado, Leonardo Palhares, foi dado em 12 de maio de 2025 e firmado entre o escritório Barci de Moraes e a empresa Viking Participações LTDA, que tem Vorcaro como sócio. 

Em  1º de setembro foram divulgados mais arquivos do celular de Vorcaro, entre estes está um contrato de 50 milhões (líquido) que envolvia como forma de pagamento dinheiro, bens móveis ou imóveis associado ao escritório de Viviane, que, por sua vez, se posicionou e negou, mais uma vez, seu envolvimento com Vorcaro: "O escritório possuía somente uma contratação com o Master e nega qualquer transferência ou substituição do contrato. A proposta do Banco Master não foi aceita, nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição."

No dia 9 de setembro, o ministro e presidente do STF, Edson Fachin autorizou a sessão solicitada por Mendonça para iniciar a investigação de Moraes, que ficou marcada para o dia 15 de setembro.

A suposta parcialidade de Mendonça

No dia 2 de setembro, supostos encontros do ministro André Mendonça, relator do caso Master, com Daniel Vorcaro, principal investigado do mesmo caso, foram denunciados em outras conversas do banqueiro, reveladas pela PF. Ainda na mesma manhã, o ministro enviou à imprensa uma nota que confirmava tais encontros e confirmava, ainda, encontros com o advogado do banqueiro. A reunião ocorreu em 14 de março de 2025, em São Paulo, durou cerca de duas horas e foi realizada no endereço de um instituto fundado pelo próprio juiz.

Depois que o encontro entre Mendonça e Vorcaro foi divulgado, a Câmara dos Deputados enviou um pedido ao presidente do STF a respeito da "parcialidade” na condução das investigações de Mendonça. Além disso, Mendonça estaria deixando de lado as investigações acerca do caso "Dark Horse”, que ligaria Flávio Bolsonaro ao Banco Master. 
 

O contra-ataque de Moraes

No dia 4 de setembro, a história se inverteu: foi a vez do ministro Alexandre de Moraes enviar a Fachin um pedido de investigação contra André Mendonça, acusado da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS.

Na noite do dia 14, Moraes afirmou que o colega teria cometido irregularidades processuais ao investigá-lo ao não apresentar pedido formal para a abertura de investigação contra ele nesta Petição (16.662), em manifestação de 121 tópicos entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin.

A partir das investigações de mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro pela Polícia Federal, outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também estão relacionados ao dono do Banco Master. Entre eles está listado André Mendonça, que teve, ao menos, um encontro presencial com Daniel Vorcaro. A reunião ocorreu em 14 de março de 2025, em São Paulo, durou cerca de duas horas e foi realizada no endereço de um instituto fundado pelo próprio juiz.

Quem articulou o encontro entre Mendonça e Vorcaro foi o advogado Ciro Rocha Soares, que em mensagem de áudio enviada ao banqueiro encontrada nas investigações da PF, afirmou estar “trabalhando” para Vorcaro ao levar relator do caso Master no STF em alfaiataria. Documentos evidenciam encontro prévio do advogado com Mendonça sobre uma situação relacionada aos problemas enfrentados pelo Master no Banco Central.

A quem interessa o sigilo?

Em 9 de setembro, o presidente Lula se manifestou em seu perfil oficial do X a favor da quebra do sigilo do Caso Master. 

Presidente Lula solicita transparência no Poder Judiciário. Reprodução: X/@LulaOficial
Presidente Lula solicita transparência no Poder Judiciário. Reprodução: X/@LulaOficial

O sigilo mencionado se trata do sigilo estabelecido por outro ministro do STF, o Dias Toffoli, que restringia documentos, petições e processos do Supremo contra Vorcaro. Toffoli estabeleceu o sigilo em dezembro de 2025 após pedido dos advogados de defesa do banqueiro. 

No dia 10 de setembro, o ministro e presidente do STF, Edson Fachin, solicitou a divulgação do sigilo a Mendonça antes da sessão do dia 15. As informações presentes no sigilo incluíam mensagens de Moraes a Vorcaro, encontros de Vorcaro com a família Bolsonaro e o financiamento do “Dark Horse”. Foram associados ao Vorcaro os senadores Ciro Nogueira (PP) e Jaques Wagner (PT), além do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Mensagens dos ministros Luiz Fux, do STF, e de Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, com o ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, também foram encontradas.

A intersecção entre o STF e o Banco Master

A partir das investigações de mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro pela Polícia Federal, outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também estão relacionados ao dono do Banco Master. Dias Toffoli é um deles, embora o mesmo tenha conduzido o caso Master como relator das investigações no Supremo. Após surgirem indícios de sua proximidade com o entorno de Daniel Vorcaro. A PF encontrou no celular do banqueiro mensagens que mencionam Toffoli e apontou conexões indiretas envolvendo negócios da família do ministro com um fundo ligado ao grupo investigado.

Outro membro do STF encontrado entre os contatos de Vorcaro foi o ministro Gilmar Mendes, segundo conversas extraídas do celular do ex-dono do Banco Master, o escritório de Dalide Corrêa (advogada sócia de Gilmar Mendes) recebeu cobranças de repasses de Daniel Vorcaro. Além disso, segundo apuração da PF, o gabinete de Gilmar Mendes informou que recebeu Vorcaro e advogados do banco em abril de 2024 para tratar do caso, mas disse que Dalide não participou. 

O ministro Kassio Nunes Marques, no mesmo contexto dos demais membros do STF, aparece nas investigações da Polícia Federal por meio de seu filho, Kevin Marques. Mensagens encontradas pela PF mencionam um possível pagamento de R$ 500 mil mensais a Kevin. A empresa pela qual ele prestava serviços teria recebido cerca de R$ 6,6 milhões do Banco Master, segundo informações baseadas em dados do Coaf. Além disso, a PF encontrou um contrato de honorários de até R$ 427 milhões relacionado a 12 processos de precatórios de interesse do Banco Master.

Além destes, Luiz Fux e seu filho, Rodrigo Fux, também aparecem na lista de contatos de Daniel Vorcaro. Em mensagens trocadas em 17 de maio de 2024, foi identificada uma relação de proximidade entre Rodrigo Fux e o banqueiro. Chamam um ao outro de “irmão”, e Rodrigo convida Vorcaro para ir ao seu escritório tomar um café, com direito a “tapete vermelho”. Alguns dias depois, em 24 de maio, mensagens indicam que Vorcaro teria articulado o custeio da viagem de Luiz Fux e de sua esposa a Nova York, incluindo passagens, hospedagem e um almoço em homenagem ao ministro. Fux, porém, nega ter sido convidado por Vorcaro e afirma que a viagem ocorreu a convite da Forbes, onde participou de um evento e proferiu uma palestra.

Os desentendimentos entre os ministros e os documentos que comprovam o envolvimento Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux com Daniel Vorcaro e/ou com o Banco Master colocam em cheque a validade das instituições que visam a manutenção do Estado Democrático de Direito e afunda o país em uma crise política que coloca em xeque a credibilidade das instituições políticas. 

Sob esta perspectiva, a ministra Cármen Lúcia, na sessão do dia 15 de setembro que debatia o curso da investigação do envolvimento dos ministros ao Caso Master, se disse envergonhada pela situação do Supremo Tribunal Federal. “Estou pedindo desculpas ao presidente do Supremo, a todos os colegas, mas ao povo brasileiro, porque realmente queria ter sido melhor em poder ter ajudado a acalmar as coisas e não consegui”, lamentou a ministra.

Ministra Cármem Lúcia no julgamento de Moraes, em 15 de setembro.
Ministra do STF, Cármen Lúcia, em sessão plenária extraordinária. Foto: Rosinei Coutinho/STF

 

As agendas incluem caminhadas, panfletagens, entrevistas, debates e publicações nas redes sociais durante o último mês da disputa
por
Carolina Nader
Kaleo Ferreira
Manuela Abbate Gonçalves
|
22/09/2026 - 12h

Durante o último mês da corrida eleitoral, os seis candidatos com os menores índices de intenção de voto intensificam suas participações nas ruas e, principalmente, na mídia. 

 

Clariana Barão (DC) 

Na segunda-feira (14), às 10h, a candidata participou de uma entrevista ao vivo na rádio Metrópole FM Cuiabá, 105,9 FM. Durante a conversa, discutiu suas propostas de governo e enfatizou sua ligação com o estado de Mato Grosso e a importância de representar a região na disputa presidencial. Às 15h do mesmo dia, gravou uma entrevista para a MidiaNews, em Cuiabá, onde chamou a atual gestão do presidente Lula de “publicidade” e o rotulou como um “ator” que não conseguiu cumprir o que promete há duas décadas. Além disso, criticou também Flávio Bolsonaro (PL) e detalhou os atritos públicos e as acusações de misoginia envolvendo Augusto Cury (Avante). 

Na terça-feira (15) Clariana esteve nos podcasts MidiaJur, em Cuiabá (MT) e O Empallador, em Várzea Grande (MT). 

Já na quinta-feira (17), esteve na Feira de Toritama (PE) e foi à Feira de Santa Cruz do Capibaribe (PE), onde defendeu a valorização dos trabalhadores locais por meio de propostas como a redução de custos básicos e a criação de linhas de crédito facilitadas. 

Finalizando a semana, na sexta-feira (18), visitou a feira de artesanato e visitou o bairro Alto do Moura, em Caruaru (PE). 

montagem com Clariana envolta por bandeira do Brasil

Candidata às eleições para presidente em 2026. Foto: Instagram/@clarianabarao 

Edmilson Costa (PCB)

A agenda prevista para segunda-feira (14), no litoral norte de São Paulo, foi cancelada em razão das condições climáticas.

Na terça-feira (15), em Campinas (SP), fez panfletagem no CAPS Reviver e no centro da cidade. À noite, acompanhou o lançamento do documentário "Afrontosa", no Centro de Convivência Cultural. 

Na quarta-feira (16) e quinta-feira (17), Costa participou da caravana com candidatos do PCB em Franca (SP) e em São José do Rio Preto respectivamente.

No dia 18, sexta-feira, passou o dia em São José do Rio Preto, onde fez panfletagem no calçadão e no terminal urbano. 

Hertz Dias (PSTU)

O candidato à presidência fez outra aparição no Jornal Nacional na sexta-feira (11).  Na breve participação, Hertz utilizou seu tempo para apontar que procura criar plataformas públicas para motoristas de aplicativo. A iniciativa seria financiada pelo excedente advindo da estatização de empresas que o candidato caracterizou como “estratégicas”, e teria como objetivo garantir os direitos trabalhistas dos motoristas empregados informalmente por essas plataformas. 

Na segunda-feira (14), Dias concedeu uma entrevista à Band Maranhão. No veículo, o concorrente teve 30 minutos de visibilidade, em que expôs suas propostas. O candidato iniciou a fala explicando sobre a lei das drogas. “A questão das drogas tem que ser considerada como um problema de saúde pública e não como um problema de repressão do Estado. o Estado tem que girar para o setor financeiro se quiser combater as facções criminosas”, ele indica. 

Ao longo da entrevista, Hertz focou em relacionar suas respostas com seus programas de estatização de empresas, de estabelecimento da soberania brasileira e da valorização da classe trabalhadora. Dias também pontuou sobre a crise do STF, afirmando que busca instituir cargos revogáveis, júri popular e um processo de eleição dos parlamentares, visando remediar esse tipo de situação e erradicar a corrupção. 

Na sexta-feira (18), Hertz esteve em um encontro no Partisan da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro. O propósito do evento é discutir sobre o meio ambiente, ao lado de defensores ambientalistas.  

Nessa semana, o candidato também declarou em uma coluna para o Brasil de Fato  apoio ao movimento “Legalize já!”, incluindo-o entre as propostas de governo do PSTU. “Legalizar é retirar do crime organizado e da milícia o controle de um mercado bilionário, e tirar da polícia o pretexto para invadir e matar”, diz. 

Rui Costa Pimenta (PCO)

Na segunda-feira (14), o candidato do PCO dedicou o dia a uma reunião com a coordenação de sua campanha e com candidatos locais em Dourados, no interior do Mato Grosso do Sul.

Essa etapa se insere em um roteiro nacional mais amplo, batizado de “Rui Presidente”, que já passou por Porto Alegre e Belo Horizonte e segue, além de Dourados, rumo a Recife e Curitiba.

Samara Martins (UP)

A candidata vem realizando, nesta última semana, uma série de posts nas suas redes sociais intitulados  “Propostas da UP para mudar o Brasil”. As postagens, até o momento, cobrem os posicionamentos do partido quanto à saúde pública, a jornada de trabalho e a dívida pública. 

Na sexta (18), às 19 horas, Samara participou do seu primeiro debate, organizado pelo Metrópoles. Os dois principais candidatos, Flávio Bolsonaro e Lula, negaram participação. Caiado e Renan Santos desistiram da aparição na véspera do evento, dia 17. O programa contou com Samara, Augusto Cury e Romeu Zema. 

A agenda da concorrente também consta aparição e panfletagem no sábado (19), em Madureira e nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. 

Wilson Grassi (Democrata)

Na segunda-feira (14), o candidato concedeu uma entrevista à Rádio Líder FM, de Pernambuco, onde defendeu a redução do número de ministérios e de cargos comissionados como parte de uma estratégia para cortar gastos públicos e viabilizar sua proposta de redução do imposto de renda.

Questionado sobre proposta de isenção do Imposto de Renda em rendas de até R$ 8 mil por mês, Grassi afirmou que, para compensar a renúncia de receita, seria necessário combinar redução de impostos com cortes de despesas e combate ao que considera desperdícios na administração pública.

Na sexta-feira (18), quando publicou um vídeo em sua conta oficial do Instagram, afirmou que, se eleito, se comprometeria a cancelar o próprio plano de saúde e a utilizar o Sistema Único de Saúde (SUS) durante o mandato. “É um compromisso de campanha que acho que todo candidato deveria assumir. Se eu for eleito, a primeira coisa que irei fazer é cancelar o meu plano de saúde e utilizar somente o SUS”, disse Grassi na publicação.

Ex deputado federal é demitido pelo Ministério da Justiça por abandono de cargo
por
Vitória Teles
|
22/09/2026 - 12h

Nesta segunda-feira (21), o Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou a demissão do ex-deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL), do seu cargo de escrivão da Polícia Federal (PF). O motivo da demissão alegado pelo órgão federal é infração disciplinar e abandono de cargo, após Eduardo não comparecer ao serviço durante trinta dias consecutivos sem justificativa.  

O filho de Jair Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde março de 2025, com a justificativa de uma suposta perseguição política e jurídica no Brasil. Em julho deste ano, recebeu o Green Card — documento de residência permanente no país — pelo governo norte-americano. Para manter seu cargo de escrivão da Polícia Federal, Eduardo teria que retornar ao Brasil, já que o serviço não pode ser exercido de forma remota.   

Eduardo Bolsonaro ingressou na Polícia Federal (PF) em 2010, após ser aprovado em um concurso público para ser escrivão. Eduardo estava afastado de suas funções no cargo para cumprir seu mandato na Câmara dos Deputados, porém teve seu mandato cassado em dezembro de 2025 por ultrapassar o limite de ausências permitido pela Constituição.

A decisão da demissão foi assinada pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, na sexta-feira (19) e publicada no Diário Oficial da União hoje (21). Com sua saída, Bolsonaro encerra um vínculo funcional com a Polícia Federal. Além disso, a PF determinou a devolução da carteira funcional e da arma de fogo vinculada ao cargo.

Eduardo Bolsonaro no encontro com Francis e Suárez em 2019. Foto: Marcos Correa/Wikimedia Commons
Eduardo Bolsonaro no encontro com Francis e Suárez em 2019. Foto: Marcos Correa/Wikimedia Commons 

Além do procedimento administrativo na Polícia Federal, Eduardo também foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em junho de 2026, pelo crime de coação no curso do processo. A condenação está relacionada às investigações  e aos julgamentos da chamada “trama golpista” de 2022.  

A condenação fixou 4 anos e 2 meses de prisão, com um cumprimento inicial de regime semiaberto. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo teria atuado nos Estados Unidos com uma tentativa de promover medidas de pressão contra autoridades brasileiras, em específico ministros do STF, com o objetivo de dificultar o julgamento envolvendo seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, concluiu que havia provas o suficiente para caracterizar o ato como crime de coação no curso do processo. Seu voto foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, o que formou uma unanimidade na Primeira Turma. 

Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos e, até o momento, não tem previsão de retorno ao Brasil.