Ex-deputado foi sentenciado a quatro anos e dois meses de prisão por coação, além de inelegível por oito anos.
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Isabela Sallum
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23/06/2026 - 12h

Na terça-feira (16), o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou e condenou, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação no curso do processo. A denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que o objetivo de Eduardo Bolsonaro era tentar interferir no processo de julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado ao coagir magistrados e articular sanções junto ao governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro.

A condenação baseia-se no entendimento de que Eduardo utilizou sua posição e influência para intimidar autoridades do Judiciário. Durante o julgamento, o ministro Alexandre de Moraes sinalizou ao menos nove ações específicas do réu para intimidar magistrados, muitas delas envolvendo articulações com o governo de Donald Trump nos Estados Unidos.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Eduardo Bolsonaro teria utilizado o argumento de que estaria sendo alvo de perseguição política por parte do Supremo Tribunal Federal para buscar apoio junto a autoridades e interlocutores nos Estados Unidos. De acordo com a acusação, essa articulação teria como objetivo incentivar a adoção de medidas restritivas contra ministros da Corte, incluindo limitações de visto e a aplicação da Lei Magnitsky, além de pressionar pela imposição de sanções econômicas ao Brasil, como as tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump em 2025.

A defesa do ex-deputado contesta essa interpretação e sustenta que Alexandre de Moraes não possui a imparcialidade necessária para atuar no caso, devendo, portanto, ser considerado impedido. Os advogados afirmam ainda que a denúncia não apresenta elementos suficientes para caracterizar a prática de crime, argumentando que as manifestações de Eduardo Bolsonaro estão amparadas tanto pela imunidade parlamentar quanto pela liberdade de expressão. Em relação às medidas adotadas pelo governo norte-americano, a defesa ressalta que o parlamentar não detém qualquer poder decisório sobre a política externa dos Estados Unidos e que decisões tomadas por autoridades estrangeiras decorrem do exercício da soberania daquele país, não cabendo a um político brasileiro.

No âmbito processual, Moraes rejeitou a alegação de que a intimação deveria ocorrer exclusivamente por meio de cooperação internacional. Para o ministro (e relator do processo), Eduardo Bolsonaro mantém seu principal vínculo domiciliar no Brasil, tem pleno conhecimento das acusações formuladas contra si e estaria dificultando sua localização para fins de notificação. Como o ex-deputado não apresentou defesa prévia após ser intimado por edital, a Defensoria Pública da União foi designada para representá-lo. O órgão, por sua vez, sustenta que, em razão de sua permanência nos Estados Unidos, a comunicação processual deveria ter sido realizada por carta rogatória.

Um ponto central destacado no julgamento foi a negligência com as funções públicas. A ministra Cármen Lúcia ressaltou que Eduardo estava ausente de suas obrigações no cargo de deputado federal e Moraes ironiza: “Não é função do deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”. Embora ele ainda busque participar de pleitos futuros, sua situação jurídica é de ex-parlamentar, tendo se mudado para os Estados Unidos em 2025, o que reforça a tese de abandono de suas funções legislativas em solo brasileiro.

Eduardo Bolsonaro, declara em suas redes sociais que Alexandre de Moraes não poderia estar atuando em seu julgamento, pois seria, ao mesmo tempo, “vítima e juíz”, e adotaria posição parcial. Ele ainda afirmou que a sentença é nula por desrespeitar o devido processo legal e que o objetivo deste processo que o condenou seria uma “manobra” para tirá-lo da política.

O departamento de diplomacia de Donald Trump defende, ainda, que Eduardo Bolsonaro estaria sofrendo uma “perseguição política” e que a sua condenação faz parte de um “padrão de guerra jurídica” movido pelos tribunais brasileiros contra a oposição. Segundo um porta-voz do Departamento de Estado americano, os impasses políticos no Brasil deveriam ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não através de condenações judiciais.

Foto: Reprodução Instagram/@bolsonarosp
Encontro entre Eduardo Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca, em Washington. Foto: Reprodução Instagram/@bolsonarosp

Por ora, o que fica definido em relação à justiça brasileira é que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, condenar o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. Como resultado do julgamento, além da pena de quatro anos e dois meses de reclusão em regime semiaberto, Eduardo foi condenado ao pagamento de aproximadamente R$ 162 mil, correspondentes a 50 dias-multa.

Com o veredito, ele passa a ser considerado “ficha suja”, ficando impedido de disputar eleições por até oito anos, o que frustra seus planos imediatos de concorrer como primeiro suplente ao Senado na chapa de André do Prado este ano. Embora o ex-parlamentar, que reside nos Estados Unidos desde 2025, alegue que a sentença é nula por falta de citação legal e que o objetivo da Corte é apenas retirá-lo da disputa eleitoral, a decisão impõe uma barreira jurídica severa às suas pretensões políticas, restando-lhe ainda a possibilidade de interpor recurso contra a decisão.

O Centro Acadêmico Benevides Paixão será comandado por um novo grupo de alunos
por
Daniella Ramos
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19/06/2026 - 12h

 

Nos dias 16 e 17 aconteceu na PUC-SP, Campus Monte Alegre, a eleição para o Centro Acadêmico Benevides Paixão com a disputa das chapas Glória Maria e Gonzo. Após um debate no dia 15, os alunos puderam votar por dois dias para eleger uma nova representação para o C.A.

A eleição também reacendeu nos alunos a reflexão sobre a importância e história do Centro Acadêmico. Em fim de mandato e no último ano do curso, a presidente Melissa Joanini, comemorou: “é muito bom saber que o Benê não será abandonado”. 

O Centro Acadêmico Benevides Paixão foi fundado em 1984, seis anos após a criação do curso de jornalismo e sete depois da invasão da universidade pela Polícia Militar. O objetivo era representar o movimento estudantil dos alunos do curso no período da redemocratização brasileira após longos anos de ditadura. O diretor da FAFICLA (Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes), Fabio Cypriano, conta que nos primeiros anos do curso ainda havia muito medo instaurado pela invasão, por isso levaram alguns anos para criar o Benê. “Eu entrei na PUC em 1985, mas eu tinha colegas que estudavam jornalismo em 1984, e eu ia para as passeatas das Diretas Já me encontrando com eles”, completou Cypriano ao comentar o papel do C.A. no ano que foi criado.

O nome Benevides Paixão é uma homenagem ao jornalista debochado criado pelo cartunista Angeli.

 

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Ilustração do cartunista Angeli do personagem Benevides Paixão

 

Nos 42 anos e história, a agremiação dos estudantes de jornalismo passou por altos e baixos. Em 2015 teve o funcionamento suspenso. Em 2019, durante a Vaza Jato (vazamento de conversas entre o ex-juiz Sergio Moro, o então procurador Deltan Dallagnol e outros integrantes da Operação Lava Jato) o Benê foi um dos responsáveis por trazer o jornalista Glenn Greenwald, que liderou a publicação das reportagens do The Intercept Brasil. O Centro Acadêmico também teve um papel fundamental para a criação da Agência de notícias Maurício Tratemberg, a AGEMT, dentro do curso de jornalismo. Apesar do projeto já estar previsto pedagogicamente pelos docentes, faltava a confirmação da Fundação São Paulo (mantenedora da universidade) para sua implementação. Em resposta, o coletivo organizou uma paralisação dos estudantes do curso para que a agência fosse colocada em funcionamento. 

Fabio Cypriano conta que o primeiro presidente do Centro Acadêmico foi Walter Falceta. Já no início dos anos 2000, a presidência foi ocupada por Pedro Venceslau, hoje jornalista da CNN. Nos anos mais recentes, Rafaela Serra esteve à frente do C.A. entre 2021 e 2023, sendo a última presidente eleita por votação oficial. Em 2023, Maria Clara Alcântara assumiu a presidência após a formatura de colegas que integravam a gestão. Na sequência, Giovanna Freitas (2023–2024) e Melissa Joanini (2024–2026), ambas da mesma chapa, assumiram o comando da entidade numa ação que ambas reconhecem como uma "tomada de poder". Dessa forma, a última eleição oficial para a presidência do Benê ocorreu no final de 2021.

Durante a pandemia, Maria Clara Alcântara contou que foi difícil manter o legado, pois muitos estudantes se distanciaram dos movimentos, por isso no final de 2022, ela resolveu entrar para a organização com objetivo de reerguer o local e trazer novamente os alunos para perto. “Era ano de eleição e eu achava que o jornalismo precisava se unir de novo, se reerguer e isso me motivou”, afirmou a ex-presidente.

Além da atuação constante em movimentos sociais e políticos, manifestações e paralisações, há também a criação de programas culturais e de aprimoramento da formação. A mais conhecida pelos alunos e que acontece anualmente é a “Semana de Jornalismo”, que neste ano teve sua 48ª edição. O C.A. também promove o “Benê Cultural” e a “Roda de conversa com o Benê”, um bate-papo com jornalistas formados que já contou com a presença de Mauro Beting, Bruno Paes Manso e Rogério Guimarães. Tem também o “Churrasco do Benê” e a venda de produtos como forma de arrecadação de fundos.

A aluna Beatriz Barbosa, diretora de eventos da chapa de Melissa Joanini, conta que quando assumiram o C.A., não havia dinheiro no caixa, então para conseguirem manter tudo funcionando criaram alguns eventos e produtos, mas o que tiveram de mais diferente em meio a tudo isso foi o “Benê fish”, um peixe Beta que era criado pelos alunos e para contribuir nos seus cuidados, os universitários doavam um valor. 

Em mais de 40 anos de histórias, o Benê continua se reinventando para dar continuidade ao direito estudantil, social e político. Agora, após a eleição realizada nos dias 16 e 17 de junho, a chapa eleita fica responsável por manter o legado e construir cada dia mais uma relação transparente e próxima com os alunos.

Representantes das chapas Glória Maria e Gonzo reúnem propostas e expectativas para a próxima gestão
por
Gabriela Thier
Raissa Santos
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17/06/2026 - 12h

A chapa Glória Maria foi representada pelas candidatas à presidência, Anna Cândida Xavier, à vice-presidência, Manuela Schenk Scussiato, e à tesouraria, Juliana Bertini. Já a chapa Gonzo contou com a participação da presidente, Lara Manasseh, da vice-presidente, Isabella Damião, e da diretora de eventos, Gabriela Dias. Durante o encontro, as candidatas discutiram propostas relacionadas à comunicação com os estudantes, inclusão e permanência estudantil, aproximação com o mercado de trabalho e a estrutura do curso. 

O debate ocorreu no Centro Acadêmico de Ciências Sociais sendo aberto ao público, assim como transmitido pelo instagram da Agência de Notícias Maurício Tragtenberg (Agemt) e mediado pela atual presidente do Benê, Melissa Joanini. 

Durante o debate entre as chapas Glória Maria e Gonzo, candidatas à gestão do C.A., as representantes apresentaram propostas relacionadas à comunicação com os estudantes, formas de arrecadação de recursos e iniciativas de aproximação com o mercado de trabalho.

A Agemt questionou como as chapas pretendem se comunicar com os alunos na prática e ambas destacaram o uso de ferramentas digitais, mas divergiram quanto à centralidade dos espaços presenciais.

Pela Chapa Gonzo, Lara Manasseh afirmou que a gestão pretende utilizar formulários online, e-mail e plataformas digitais para coletar demandas e divulgar informações. Segundo ela, um grupo de informes mais ativo pode facilitar a comunicação entre o centro acadêmico e os estudantes. Ainda assim, a representante ressaltou a importância do contato presencial. “Usar do que a gente dispõe do digital é muito mais fácil do que o boca a boca, embora eu ache que o presencial seja crucial ao fazer política”, afirmou.

Representantes da Chapa Gonzo: Gabriela Dias, Isabella Damião e Lara Manasseh (respectivamente) / Foto: Raissa Santos
Representantes da Chapa Gonzo: Gabriela Dias, Isabella Damião e Lara Manasseh (respectivamente) / Foto: Raissa Santos

 

Já Anna Xavier, da Chapa Glória Maria, também apontou os formulários como uma ferramenta importante para organizar e quantificar demandas estudantis. No entanto, defendeu que a participação presencial não pode ser deixada de lado. “Eu ainda considero muito importante trazer as pessoas para o presencial”, reforçou. A candidata acrescentou que práticas tradicionais do movimento estudantil, como passagens em sala e panfletagens, devem continuar fazendo parte da atuação do Benê.

Ao serem questionadas sobre alternativas de arrecadação para o centro acadêmico além da venda de produtos, as candidatas apresentaram propostas distintas.

A Chapa Glória Maria sugeriu a inserção de publicidades em uma revista estudantil produzida pelo Benê, buscando parcerias com iniciativas ligadas à comunidade universitária. Segundo Anna Xavier, a proposta permitiria arrecadar recursos sem repassar custos aos estudantes. “Assim a gente pode arrecadar dinheiro sem ter que pedir para os alunos”, afirmou. A candidata também mencionou a realização de eventos de grande adesão com ingressos acessíveis, como karaokês.

Representantes da chapa Glória Maria: Manuela Schenk Scussiato, Anna Cândida Xavier e Juliana Bertini (respectivamente) / Foto: Raissa Santos
Representantes da chapa Glória Maria: Manuela Schenk Scussiato, Anna Cândida Xavier e Juliana Bertini  / Foto: Raissa Santos

Por sua vez, a Chapa Gonzo apontou a realização de festas, rifas e iniciativas como o projeto PUC Crochê como possíveis fontes de arrecadação para a entidade.

Outro tema debatido foi a retomada de projetos que aproximem os estudantes do mercado de trabalho por meio de visitas a veículos de comunicação e empresas do setor.

Anna Xavier afirmou que a proposta integra o programa da Chapa Glória Maria. Segundo ela, já existem organizações abertas a receber estudantes para visitas, como a Folha, e os professores podem ter um papel importante na articulação dessas oportunidades. “A gente sabe que tem professores nossos que trabalham na TV Cultura, por exemplo, então eu acho que também temos que cobrar um pouco deles”, declarou.

Lara Manasseh defendeu que essa aproximação também pode ser fortalecida por meio da Semana de Jornalismo; citando como exemplo a participação de  Laura Kotscho, jornalista do ICL, na edição deste ano do evento. Manasseh levantou uma possível oportunidade de contato com os veículos pelos participantes do evento como forma de aproximar os alunos aos canais de comunicação, “Por que não levar um grupo seleto de alunos, ou grupos mensais, para ir visitar esses lugares?”, indagou Lara. Para ela, a iniciativa ajudaria os estudantes a conhecer diferentes possibilidades de carreira. “Eu, por exemplo, adoro a área institucional da comunicação e pouco se fala disso aqui na PUC”, afirmou.

Após o bloco de perguntas da atual gestão do Benê, o debate foi aberto para questionamentos do público presente. Entre os temas levantados pelos estudantes estiveram a manutenção dos espaços físicos do curso, a relação com a Atlética, a inclusão de bolsistas e a situação do bandejão da universidade.

Manutenção do espaço físico e relação com a Atlética

Para a Chapa Glória Maria, a solução passa pela articulação com outras entidades estudantis e cursos da universidade, devendo ser construída coletivamente. “Precisamos entrar em contato com outros centros acadêmicos, conversar com a Atlética e construir uma mobilização conjunta. O Benê precisa estar presente e ser uma das vozes que puxam essa discussão, mas não pode ser a única entidade falando sobre isso”, afirmaram as representantes.

Já a Chapa Gonzo defendeu uma aproximação mais constante entre as duas organizações. Para Lara Manasseh, “o centro acadêmico e a atlética são os dois pilares do curso”, motivo pelo qual as entidades devem “caminhar juntas em eventos, na comunicação com os alunos e na construção de uma comunidade mais integrada dentro do curso”, reiterou a candidata à presidência.

Bolsistas e bandejão

A Chapa Glória Maria destacou as dificuldades enfrentadas por estudantes que conciliam trabalho, deslocamentos longos e a graduação. “Precisamos ter um olhar mais atento para essa questão. É importante entrar em contato com os bolsistas do nosso curso e perguntar como podemos incluí-los melhor”, afirmou Anna Cândida. Ela também relacionou a discussão do bandejão ao acesso e à permanência estudantil, “Muitas vezes eles não conseguem acessar outras coisas da própria universidade. Um pão com ovo na Toca custa R$10, uma refeição no bandejão custa R$18”, concluiu.

A Chapa Gonzo defendeu que as demandas dos bolsistas sejam incorporadas de forma mais ampla pelo centro acadêmico, “o que é problema da PUC é problema de todos os estudantes”. Afirmando que a questão do bandejão deve mobilizar toda a comunidade acadêmica: “Muitos de nós temos o privilégio de não depender do bandejão para almoçar, mas sabemos que muita gente depende. Então o problema do bandejão também é nosso.”

Além das propostas apresentadas pelas chapas, estudantes que acompanharam o debate também comentaram os temas discutidos e as expectativas para a próxima gestão do centro acadêmico. 

Para Rayssa Paulino, estudante do 7° semestre, seria ideal se a nova gestão pudesse trazer uma maior integração entre o Centro Acadêmico e os alunos. Segundo ela, “quando eu entrei, em 2023, eu senti que não tinha muita aderência dos alunos de jornalismo com o Benê. (...) Então eu espero que eles consigam fazer essa mudança e trazer mais pessoas do curso”, declarou a aluna. 

A estudante também destacou a importância de propostas voltadas à grade curricular do curso. Para ela, seria interessante que a nova gestão promovesse discussões quanto a possíveis melhorias na formação oferecida pela universidade, contribuindo, ainda que a longo prazo, para que os alunos concluam a graduação mais preparados para os desafios do mercado de trabalho. “Eu acho que faltam muitas matérias que seriam muito importantes ter no curso de jornalismo. A gente não tem uma matéria sobre como conduzir entrevistas, por exemplo. Então seria interessante, talvez, não ter uma matéria, mas oficinas sobre isso”, afirmou.

Já Maria Fernanda Muller, estudante do 7º semestre, acredita que a próxima gestão deve investir em uma maior aproximação com os alunos e na ampliação da visibilidade das ações do Centro Acadêmico. Para ela, muitos estudantes ainda têm pouco conhecimento sobre os projetos e iniciativas desenvolvidos pela entidade. “Eu acho que o Centro Acadêmico tem sido muito apagado, a gente não tem muita noção do que eles estão fazendo, dos processos, dos projetos. Nós só vemos ele na Semana de Jornalismo”, reiterou.

A estudante defende que uma comunicação mais frequente e transparente pode contribuir para aumentar o engajamento dos alunos nas atividades promovidas pelo Benê, além de fortalecer a participação estudantil nas discussões e decisões que impactam o curso.

A votação para definir a próxima gestão do Benê será realizada nos dias 16 e 17, na Prainha. Os estudantes do período matutino poderão participar do processo eleitoral entre 10h e 12h, enquanto os alunos do noturno poderão votar das 19h às 21h.

 

Em 1947, o boletim de cientistas atômicos criou o relógio do juízo final, instrumento que marca o quão perto a humanidade estaria de sua total destruição
por
Julia Jorge de Oliveira
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16/06/2026 - 12h

O escritor, jornalista e professor Daniel Lopez, nascido em Niterói/RJ, escreve livros sobre geopolítica. O livro “90 Segundos para o Apocalipse” escrito em 2023, relata que no início deste ano, o relógio foi atualizado para 90 segundos da meia-noite. Três anos após o início da pandemia, o mundo vive sob o fantasma de uma Terceira Guerra Mundial, e com rumores de escassez energética, alimentar e de uma ofensiva cibernética global, sem falar numa próxima pandemia.

Na verdade, o livro trata de um pequeno grupo de superpoderosos globais que se fortalece com base na fome, na guerra, no medo e na desgraça dos povos. É de controle que se trata. A palavra apocalipse, em grego, significa “desvelamento”, “revelação”. Desejamos que o verdadeiro apocalipse seja um evento, não da destruição e morte, mas de esclarecimento e autonomia.

Um capítulo interessante do livro de Lopez é “Aquele que controlar o Brasil controlará o mundo’’: um exercício de geopolítica especulativa. O autor utiliza essa frase como eixo para defender que o poder global está migrando de armas e território para recursos vitais e capacidade de sustentação do planeta. Ele desmonta a ideia clássica de poder baseada apenas em arsenais nucleares. O argumento é que, em um cenário de crise prolongada (climática, energética e alimentar), o que define liderança não é destruir o inimigo, mas manter populações vivas e economias funcionando. É aí que o Brasil entra como peça-chave.

Lopez descreve o Brasil como uma espécie de “reserva energética global”, apoiada em três eixos: Clima, água doce e capacidade agroalimentar. O clima refere-se à Amazônia; água: o país é referência como um dos maiores detentores de água potável do mundo; agroalimentar se relaciona à definição de “celeiro do mundo".

Um ponto central do capítulo é redefinir o que significa “controlar”. Lopez deixa claro que não se trata, necessariamente, de invasão militar. Ele trabalha com formas mais sutis: dependência econômica, influência política e controle tecnológico. O autor alerta que essa posição pode tornar o Brasil vulnerável a disputas entre grandes potências, tentativas de interferência em políticas ambientais e conflitos econômicos.

Mais do que uma análise fria, há uma intenção clara de provocar o leitor, especialmente o brasileiro. Lopez questiona a visão de que o país é periférico no cenário global e sugere o oposto: ele pode ser central sem perceber. O livro é

essencial para abordar uma tese geopolítica ousada, alertar sobre soberanias e com retórica estratégica para engajar o leitor.

Daniel Lopez escreveu inúmeros livros sobre geopolítica, como “A Beira do Abismo”, “A Jogada Final”, “A Jornada do Leitor” e “Teatro das Sombras”. A escrita do autor tem um estilo bem-marcado e isso ajuda a explicar por que os seus livros prendem tanto a atenção do leitor. Uma das características mais evidentes é o tom de urgência e dramatismo.

Lopez escreve como se o leitor estivesse diante de uma contagem regressiva real, utilizando frases diretas e, muitas vezes, curtas, para dar a sensação de rapidez e imediatismo. Outro ponto é a linguagem acessível diante de assuntos tão complexos.

PDL 3/25 dificulta acesso de menores vítimas de abuso sexual ao aborto legal
por
Isabelle Rodrigues
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13/06/2026 - 12h

Na  terça-feira (2), foi aprovado, em requerimento de urgência pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que dificulta o acesso de menores de quatorze anos vitimas de crimes sexuais ao aborto legalizado.
O PDL 3/25 anula os efeitos da resolução n°258/24, elaborada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) que defendia o direito consignado por lei da interrupção legal de gestações ocasionadas por crimes sexuais, risco à vida da gestante e outras situações previstas pela legislação brasileira. 


A medida ficou conhecida publicamente entre opositores como “PL da Pedofilia”, gerando ampla mobilização contrária por parte de movimentos sociais e organizações de defesa dos direitos humanos com críticas nas plataformas digitais.


O debate ocorre em meio ao aumento dos registros de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes e a ascensão do conservadorismo no cenario politico anual. Segundo os dados apresentados pela Fundação Abrinq, foram registradas 59.887 notificações de abuso sexual contra crianças e adolescentes somente em 2025. Um número alarmante que representa um aumento de mais de 180% se equiparado a 2015, que registrou 21.122 notificações.


O projeto é de autoria da deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) juntamente com outros 41 parlamentares, contando com suporte da Senadora Damares Alves (Republicanos-DF). A medida foi aprovada em tempo recorde, com 374 votos a favor em menos de dois minutos.  


A Senadora é vista como uma das lideranças contra a legalidade do aborto em menores de idade, em 2020 a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) solicitou em requerimento a investigação da participação de Damares na mobilização causada para impedir a interrupção da gravidez de uma menor de dez anos no Espirito Santo.

A tramitação do PL segue em andamento e continua dividindo opiniões entre parlamentares e a população. O projeto fomentou o debate nas redes sociais sobre a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência e os limites do direito reprodutivo de menores de idade.
 

Vereador insultou professores em greve que se opõem ao reajuste salarial proposto por Ricardo Nunes.
por
Isabela Sallum
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27/05/2026 - 12h

O vereador de São Paulo, Lucas Pavanato (PL), durante a votação do PL 354/2026, que discutia o reajuste dos servidores municipais, afirmou que professores grevistas são “vagabundos” e “burros”. A fala ocorreu durante o debate do projeto de reajuste salarial da data-base enviado pela gestão de Ricardo Nunes (MDB). 

Lucas Pavanato (PL) em discurso. Foto: REPRODUÇÃO/YOUTUBE Câmara Municipal de São Paulo
Lucas Pavanato (PL) em discurso. Foto: REPRODUÇÃO/YOUTUBE Câmara Municipal de São Paulo

A greve dos profissionais da educação da rede municipal teve início em 28 de abril, eles reivindicam um reajuste de 14,56% nos salários a partir de maio de 2026. Segundo a categoria, o percentual considera a inflação medida pelo IBGE acrescida de 10% de aumento real nos salários. A mobilização ocorre em resposta à proposta de Nunes, que previa aumento parcelado de 3,51%, sendo inferior à inflação acumulada e às demandas dos profissionais da área.

A fala de Pavanato ocorreu na 126ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de São Paulo, em 13 de maio. O vereador iniciou o  discurso dizendo não esperar educação de sindicalistas e complementou: “de gente burra eu quero vaias mesmo”, referindo-se ao público presente, ao citar o escritor Nelson Rodrigues, conhecido pelo apoio fervoroso à Ditadura Militar.

Durante sua fala, Pavanato alegou que “a militância de sindicalista é só quando não é alguém [algum prefeito] de esquerda”, pois quando Fernando Haddad foi prefeito da cidade de São Paulo o reajuste salarial foi expressivamente menor e ainda responsabilizou  políticos de esquerda pela situação financeira do país.

A fala gerou reação entre os demais parlamentares, a vereadora Silvia Ferraro (PSOL) subiu à tribuna e tentou retirar o microfone do vereador. Além de Ferraro, Luana Alves, outra vereadora do PSOL, também defendeu a classe dos profissionais da educação e criticou “Você nunca trabalhou na sua vida, moleque”.

Nas redes sociais, o parlamentar afirmou categoricamente que a esquerda teria “distorcido sua fala”. De acordo com ele, os conteúdos compartilhados nas redes passaram a acusá-lo de ter votado pela redução salarial dos professores e de ter ofendido a categoria. Ele nega ambas as versões e afirma que os vídeos foram editados fora de contexto.

O debate referente ao reajuste salarial dos servidores municipais incluiu também os servidores públicos, grupo ao qual Pavanato pertence e votou a favor. Segundo fontes oficiais, seu salário de R$26.080,98 — valor que, acrescido de benefícios, chega à R$36.018,75 mensais atualmente — terá um aumento de 3,51%, passando a ser R$26.995,69 (+ benefícios).

Em seus quase dois anos de mandato, Lucas Pavanato aprovou seis Projetos de Lei, sendo dois de cunho religioso — o primeiro, que inclui no calendário de eventos da cidade o “Dia da Escola Bíblica” e o segundo, que altera o nome do viaduto Bresser-Romualdo Hatty para viaduto Bispa Keila Ferreira, que foi líder da Assembléia de Deus. Além disso, o vereador também instituiu no calendário oficial do município de São Paulo a “Semana de conscientização da síndrome pós-aborto”.

A justiça italiana determinou a soltura imediata da ex-deputada, do PL
por
Lara Manasseh
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26/05/2026 - 12h

Na última sexta-feira (22), Carla Zambelli, condenada pelos crimes de invasão do sistema do CNJ e falsidade ideológica, teve sua extradição negada pela Suprema Corte de Cassação de Roma, última instância do judiciário italiano. A decisão também incluiu a libertação imediata da ex-deputada do Partido Liberal, que estava em um presídio nos arredores da capital italiana. 

Em 11 de junho do ano passado, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, pediu ao governo federal a extradição de Zambelli. Somente em março deste ano, a Corte de Apelação de Roma determinou a deportação da ex-deputada, mas a defesa recorreu e acabou vencendo o processo. Com isso, a decisão da corte será levada ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que terá 45 dias para dar seu parecer sobre a extradição.

Os advogados de Zambelli argumentaram que ela seria alvo de perseguição política e que supostamente haveria parcialidade no Supremo Tribunal Federal (STF). Tentaram também caracterizar os processos como de natureza política, argumento comum em ações internacionais de extradição. 

Em vídeo feito nas redes sociais, o deputado estadual Bruno Zambelli (PL), irmão de Carla Zambelli, diz que a decisão da corte foi “um milagre”.

Carla Zambelli a esquerda e seu advogado intaliano a direita
Zambelli aparece ao lado de seu advogado, após ser solta Foto: Reprodução Instagram/@carla.zambelli 

A ex-deputada fugiu para a Itália em 2025, após o STF estabelecer uma pena de dez anos pelos crimes cometidos. Com sua cidadania italiana em mãos, ela fixou residência na Itália e alegou ter sofrido perseguição política pelo judiciário brasileiro, mas acabou detida em Roma por uma operação conjunta entre a Polícia Federal brasileira, autoridades locais e a INTERPOL, em 29 de julho de 2025. 

O tratado recíproco de extradição entre o Brasil e a Itália está em vigor desde 1933 e determina que os países sejam obrigados a entregar, um ao outro, foragidos e figuras procuradas para cumprir sua pena ou serem levados para julgamento. 

Além dos crimes de invasão do sistema de mandatos judiciais com auxílio do hacker Walter Delgatti e falsidade ideológica, Zambelli também está sendo julgada por porte ilegal de armas e constrangimento ilegal com o emprego de arma de fogo. O Plenário do Supremo Tribunal Federal determinou pena de cinco anos de prisão pelo episódio que ocorreu dias antes das votações nas eleições de 2022 e atualmente se encontra pendente na corte italiana. Com isso, há dois processos de extradição, um feito pelo Ministro Alexandre de Moraes e outro pelo Ministro Gilmar Mendes. 

Em vídeo publicado no instagram de seu advogado, Pieremilio Sammarco, Zambelli comemora sua soltura e alega que sua vitória foi “consagrada à Deus”. De acordo com Fabio Pagnozzi, advogado da ex-deputada que cuida do caso no Brasil, ela permanecerá na Itália aguardando a aprovação do ministro Carlo Nordio. 

Manifestação em defesa da educação em São Paulo permitiu que chefes do movimento falassem com representantes do governo do estado
por
Gustavo Tonini
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22/05/2026 - 12h

Entre a tarde e a noite da última quarta-feira (20), representantes dos movimentos das faculdades estaduais de São Paulo, juntamente com profissionais da educação pública superior e básica e representantes de partidos de esquerda, realizaram uma marcha contra o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A manifestação foi do Largo da Batata até o Palácio dos Bandeirantes e contou com cerca de 30 mil pessoas, segundo informação dos organizadores. Ao final do ato, devido ao bloqueio feito pela Polícia Militar, somente alguns representantes selecionados tiveram a permissão de entrar na sede do governo para compor uma possível mesa de negociação. 

Desde o começo, a manifestação contou com forte policiamento. No início do dia, estudantes da UNESP (Universidade Estadual Paulista) denunciaram que a Polícia Militar estaria parando os ônibus que os levavam até São Paulo nas rodovias e os revistando. Além disso, na estação Faria Lima, próxima ao ponto inicial do ato, integrantes da Tropa de Choque da PM estavam posicionados em frente as catracas. E às 14h30, os mesmos policiais mandaram todos os grupos que se organizaram em blocos dentro da estação saírem para não atrapalhar o fluxo.

 

Na saída da estação, os policiais militares também estavam postados por onde os estudantes entravam no ato. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
Na saída da estação, policiais militares acompanhavam entrada de estudantes no ato. Foto: Gustavo Tonini/ AGEMT

A PM acompanhou todo o trajeto dos estudantes, da saída do Largo da Batata ao Palácio dos Bandeirantes. Cerca de 20 motos, oito carros, um ônibus e um helicóptero da PM, juntamente com carros da Guarda Civil Metropolitana e da CET, seguiram a marcha fechando as ruas, quando necessário.

 

Os estudantes que estavam atrás fizeram uma corrente humana em frente aos automóveis da PM. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
Os estudantes que estavam atrás organizaram uma corrente humana entre a marcha e os automóveis da PM. Foto: Gustavo Tonini/ AGEMT

Até esse momento, só havia um caso de briga ou confusão, que ocorreu quando o ex-deputado estadual e filiado ao União Brasil, Douglas Garcia, provocou alguns estudantes que o responderam. A situação paralisou a manifestação por alguns minutos. Motoristas e pedestres também chegaram a criticar os estudantes. Em um momento, um homem que dirigia um Toyota Hilux branco na altura do Parque do Povo chamou os manifestantes de "vagabundos". E uma mulher inconformada disse que os "jovens não deviam estar aqui pedindo a queda do Tarcísio" fez gestos de desaprovação e completou dizendo que “o movimento estudantil não devia fazer política”.

 

A manifestação fechou diversas ruas e provocou diversos engarrafamentos. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
A manifestação fechou diversas ruas enquanto avançava rumo ao Palácio. Foto: Gustavo Tonini/ AGEMT

Assim que o ato chegou na bifurcação entre a Avenida Morumbi e a Avenida Giovanni Gronchi, próximo a uma das entradas da sede do Governo do Estado de São Paulo, os manifestantes se depararam com um bloqueio feito pela PM, que contava com grades de rua, uma corrente de policiais com escudos antimotim, além de integrantes do batalhão de choque e da cavalaria. 

 

A recomendação inicial da PM era impedir a passagem de qualquer manifestante. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT.
A recomendação inicial da PM era impedir a passagem de qualquer manifestante. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT.

Os estudantes sustentaram os gritos e as palavras de ordem, até que, após um período de espera, um representante da manifestação falasse com um negociador. A representante escolhida foi a diretora do DCE USP e integrante do Movimento Correnteza, Dany Oliveira. 

Apenas seis pessoas estavam autorizadas a furar o bloqueio, mas os estudantes pediam oito representantes, além de um advogado e um membro da imprensa. Após uma conversa com os policiais de alta patente e seus superiores, o negociador negou o pedido dos alunos e liberou apenas a entrada suplementar de dois advogados e da deputada estadual Mônica Seixas (Psol). Os estudantes que puderam conversar com os integrantes da Secretaria Estadual da Casa Civil, que atua no assessoramento do governador, eram  quatro do DCE da USP, um integrante do DCE da Unesp e outro do DCE da Unicamp. 

 

O negociador conversou com a imprensa enquanto fazia as negociações. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
Negociador conversou com a imprensa e a polícia antes de receber alunos. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT

 

Ao final da conversa, a representante da UNICAMP e integrante da Secretária Geral do UEESP (União Estadual dos Estudantes de São Paulo), Malena Rojas, afirmou à imprensa que a mobilização segue forte e unificada já que o grupo ouviu apenas que estão sendo ouvidos, mas que ninguém poderia "dar nenhuma garantia” de que haverá alguma reunião direta com representantes mais próximos do governador ou com os reitores. A representante também reiterou que “essa posição do governo, não é só uma expressão de fechar um diálogo, mas expressão de um projeto político que hoje abre mão de garantir a valorização de serviços tão essenciais”.

No momento em que os representantes furaram o bloqueio, os estudantes atearam fogo em apostilas e inflamaram seus cantos. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT.
No momento em que os representantes furaram o bloqueio, os estudantes atearam fogo em apostilas e inflamaram seus cantos. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT.

 

Em nota, o Governo do Estado de São Paulo afirmou que as reivindicações serão encaminhadas para a avaliação dos responsáveis, que acompanham a situação junto às reitorias e afirmou que as tratativas com os estudantes nas três faculdades estaduais estão em andamento.

A nota também finaliza com a informação de que mais de 64 bilhões de reais teriam sido investidos nas faculdades estaduais desde 2023. O valor representa, aproximadamente, 7% do que teria sido investido no estado, durante toda a gestão - montante apresentado pelo próprio governo, em 2025. Segundo Tarcísio, o governo teria investido 910 bilhões, sendo 540 bilhões oriundos de investimentos da iniciativa privada e 370 vindos de leilões, parcerias e concessões. 

Até a manhã da última terça-feira (21), segundo nota do DCE USP, apesar da tentativa de negociação com a reitoria, não houve apresentação de propostas novas e a mesa de negociação foi postergada para a próxima segunda-feira (25).

Mesmo com indícios de avanço, as greves na USP, UNICAMP e UNESP continuam, ainda sem data para terminar.

Pressões econômicas e articulações políticas revelam uma continuidade histórica sob novas formas de atuação do governo Trump.
por
Isabela Sallum
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27/05/2026 - 12h

No final de 2025 a  Casa Branca divulgou a nova estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, o documento cita a Doutrina Monroe e diz que deve-se "retomar" os princípios no relacionamento com a América Latina. Ao trazer essa lógica histórica de influência dos EUA sobre a região, o governo de Donald Trump parece operar uma espécie de atualização informal daquela doutrina, agora com menos coerência diplomática e mais por imprevisibilidade estratégica. Em vez da negociação multilateral, o que é observado é a substituição do diálogo por pressões econômicas, ameaças políticas e iniciativas unilaterais que tensionam as relações regionais.

A Doutrina Monroe, formulada em 1823 sob o lema “América para os americanos”, foi uma política externa estadunidense responsável por construir as primeiras relações do país com a América Latina. Inicialmente apresentada como um instrumento de oposição às tentativas de recolonização europeia no continente, a doutrina transformou-se, ao longo do tempo, em justificativa para a consolidação da influência norte-americana no hemisfério.

Para Sergio Simoni, professor doutor em ciência política da USP, esse movimento não é inteiramente novo, governos norte-americanos sempre buscaram ampliar sua influência no continente. Mas o atual momento se distingue por ultrapassar os padrões considerados esperados da diplomacia contemporânea. Para o professor, a política externa de Trump “vai além do esperado tanto no âmbito político quanto no âmbito diplomático e econômico”.

Segundo o professor de História da PUC-SP, Daniel Carvalho De Paula, no século XIX a Doutrina Monroe possuía um caráter mais defensivo e simbólico, mas passou por uma importante reinterpretação no início do século XX com o Corolário Roosevelt. “Ela foi reinterpretada como fundamento do direito de intervenção dos Estados Unidos em países latino-americanos, especialmente em nome da estabilidade política, da proteção de interesses econômicos e da segurança regional”, explica.

Na avaliação de De Paula, as preocupações atuais dos Estados Unidos concentram-se em temas como migração, narcotráfico, segurança energética e, sobretudo, no avanço da presença chinesa na América Latina. Ainda assim, o historiador ressalta uma diferença importante em relação ao passado: “Hoje existe uma América Latina mais diversificada em suas alianças internacionais e com maior capacidade de negociação, o que torna a hegemonia norte-americana menos absoluta e mais sujeita a disputas políticas, econômicas e diplomáticas no cenário hemisférico atual”.

 

Doutrina Monroe 2.0

Essas pressões sobre países como México, Colômbia e Brasil, frequentemente apresentadas no discurso do combate ao narcotráfico e ao terrorismo, podem ser entendidas como parte de uma continuidade histórica mais ampla da política externa dos Estados Unidos na região, como Simoni destaca: “O governo Trump está tomando diversas iniciativas para manter ou aumentar a influência dos Estados Unidos na América Latina. O exemplo clássico é a Doutrina Monroe, que foi um documento doutrinário sobre isso e que o Trump agora até diz que está atualizando”

Mesmo quando não se concretizam em intervenções diretas, essas iniciativas, sejam sanções, ameaças diplomáticas ou pressões econômicas, já produzem efeitos internos importantes. Elas reorganizam o campo político doméstico, reforçam atores e discursos mais alinhados a Washington e reconfiguram disputas que passam a ser atravessadas por esse eixo externo. Nesse sentido, não se trata apenas de “ações pontuais”, mas de fatores que interferem na dinâmica política dos países, deslocando prioridades governamentais e influenciando a formação de coalizões.

Diferentemente de leituras que aproximam esse cenário do Plano Condor, o docente ressalta uma distinção fundamental: o contexto atual é marcado por regimes democráticos, e não por ditaduras militares articuladas sob a lógica da Guerra Fria. Ainda assim, isso não significa ausência de influência externa, mas sim uma transformação de seus mecanismos. Em vez da repressão direta, o que acontece é uma articulação transnacional de grupos de extrema-direita, capazes de influenciar agendas, eleições e governos.

 

As tarifas

Na economia, a política tarifária se tornou um dos principais instrumentos estratégicos de Donald Trump. Segundo Simoni “A questão das tarifas, que era algo que ele já tinha feito no primeiro mandato e anunciado na campanha [eleitoral] que iria fazer. É algo que afeta o mundo todo, não só países da América Latina”.

Em julho de 2025, o Brasil foi o país mais afetado pelo tarifaço de Trump, com taxa de 50% de aumento, mas deixou de fora itens estratégicos, como o petróleo. Ainda em 2025, o presidente dos Estados Unidos recuou e isentou itens como café, carnes, frutas e minerais. A medida foi formalizada por meio de uma nova ordem executiva assinada por Donald Trump e publicada no site da Casa Branca.

A imposição de tarifas, que chegaram a patamares médios elevados desde 2025, não apenas reorganiza fluxos comerciais, mas também funciona como mecanismo de pressão política sobre países parceiros. Mais do que medidas protecionistas, essas tarifas operam como ferramentas de negociação, frequentemente aplicadas ou suspensas conforme interesses conjunturais. Resultando em um ambiente de instabilidade que afeta diretamente a autonomia econômica da América Latina.

Protesto contra medidas econômicas do governo dos EUA contra o Brasil, na frente da embaixada americana em Brasília. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Protesto contra medidas econômicas do governo dos EUA contra o Brasil, na frente da embaixada americana em Brasília. Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

Resposta brasileira às políticas estadunidenses

No Brasil, diante de pressões externas (como ameaças tarifárias e disputas financeiras), o governo Lula passou a mobilizar um discurso nacionalista historicamente associado à direita. Ao defender a soberania econômica frente às investidas norte-americanas, o governo desloca temporariamente as fronteiras ideológicas tradicionais, evidenciando como a política externa de Trump reconfigura não apenas relações internacionais, mas também disputas internas.

Pessoa com fantasia de Jair Bolsonaro e Donald Trump participam de ato pela Soberania do Brasil, na Faculdade de Direito da USP. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Pessoa com fantasia de Jair Bolsonaro e Donald Trump participam de ato pela Soberania do Brasil, na Faculdade de Direito da USP. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Sobre as estratégias brasileiras, Sergio Simoni afirma: “A gente teve alguns indícios de que o governo Lula conseguiu beliscar um pouco dessa pauta que é tradicional da direita brasileira, de defesa do nacionalismo, quando o governo começou a defender e levantar essa bandeira para combater as tarifas que o Trump estava fazendo e as ameaças ao PIX.”

O que seria a “Doutrina Monroe 2.0” não se apresenta como um projeto estruturado e coerente, mas como uma prática marcada pela volatilidade. Entre tarifas, ameaças e articulações políticas transnacionais, a América Latina volta a ocupar um lugar central na estratégia dos Estados Unidos, não mais como território de intervenção direta, mas como espaço de disputa em um cenário global cada vez mais instável.

 

O sequestro de Nicolás Maduro

Foto publicada pela Casa Branca mostra Nicolás Maduro após sequestro . Foto: Reprodução White House
Foto publicada pela Casa Branca mostra Nicolás Maduro após sequestro. Foto: White House

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças norte-americanas, anunciada por Donald Trump em janeiro de 2026, trouxe à tona o debate sobre os limites da atuação dos Estados Unidos na América Latina e discussões sobre soberania e intervenção no continente. Segundo o governo norte-americano, Maduro foi retirado da Venezuela para responder em solo estadunidense a acusações ligadas ao narcotráfico. A operação gerou reações diplomáticas imediatas e foi classificada por governos e organizações internacionais como um episódio sem precedentes recentes nas relações hemisféricas.

Na avaliação do professor Daniel, o episódio representa simultaneamente ruptura jurídica e diplomática e continuidade histórica. “É ruptura porque a captura de um chefe de Estado em território estrangeiro, por forças norte-americanas, ultrapassa formas tradicionais de pressão diplomática, sanções econômicas ou apoio indireto a opositores”, afirma o docente. Para ele, o caso foi denunciado como possível violação da soberania venezuelana e das normas internacionais, mas não pode ser compreendido como um acontecimento isolado.

Segundo o acadêmico, existe uma continuidade histórica que conecta o episódio às práticas anteriores da política externa dos Estados Unidos na região. “A Doutrina Monroe, o Corolário Roosevelt, as ocupações militares no Caribe e na América Central e o apoio a golpes durante a Guerra Fria mostram que muda a linguagem legitimadora, mas permanece a pretensão de Washington de agir unilateralmente quando considera que a região afeta sua segurança estratégica”, explica.

Nesse sentido, o caso Maduro aparece como um dos exemplos mais explícitos daquilo que parte dos analistas descreve como uma “Doutrina Monroe 2.0”: não necessariamente baseada em ocupações prolongadas ou operações sistemáticas, mas marcada por ações de alto impacto político, justificadas por argumentos ligados à segurança, ao combate ao crime organizado ou à estabilidade regional.

 

A questão cubana

As tensões envolvendo Cuba também ajudam a compreender a centralidade renovada da América Latina na política externa norte-americana. Desde a Revolução Cubana de 1959, a ilha ocupa um lugar singular na estratégia dos Estados Unidos, funcionando simultaneamente como adversário político e símbolo histórico das disputas por influência no continente.

Durante a Guerra Fria, Cuba tornou-se um dos principais pontos de confronto entre os Estados Unidos e a União Soviética. O embargo econômico, as tentativas de isolamento diplomático e os sucessivos episódios de tensão consolidaram a ilha como um símbolo da resistência à hegemonia estadunidense na região. Embora o contexto internacional tenha mudado, parte dessa lógica permanece.

Segundo Daniel Carvalho de Paula, Cuba continua sendo percebida pelos Estados Unidos como peça estratégica no Hemisfério Ocidental. “Desde a Revolução Cubana de 1959, a ilha tornou-se um desafio histórico à hegemonia norte-americana na América Latina, sobrevivendo à Guerra Fria, ao embargo econômico e às tentativas de isolamento diplomático”, afirma.

Na avaliação do professor, as pressões contemporâneas não se explicam apenas por divergências ideológicas. “Hoje, essa lógica aparece associada não apenas à dimensão ideológica, como ocorreu durante a Guerra Fria, mas também à crescente influência de países como China e Rússia na América Latina e no Caribe, envolvendo interesses econômicos, tecnológicos, militares e estratégicos”, explica. Para Daniel, esse processo evidencia permanências históricas mais profundas. “Cuba continua funcionando como um símbolo das disputas sobre soberania, autonomia regional e limites da hegemonia norte-americana no continente”, conclui.

Entenda as acusações e quem são os envolvidos na investigação feita pela Polícia Federal
por
Lara Manasseh
Maria Eduarda Cepeda
|
21/05/2026 - 12h

 

Na última quarta-feira (13), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de sua decisão contra a organização criminosa ligada à gestão do Banco Master e à família Vorcaro. A instituição está sendo investigada por uma fraude financeira que resultou no desvio de R$ 47 bilhões. Em entrevista a jornalistas na entrada do ministério da fazenda, o ex-ministro Fernando Haddad classificou o escândalo como “a maior fraude bancária da história do Brasil”.  

O caso veio à tona após a Operação Compliance Zero, feita pela Polícia Federal, revelando a fraude de R$ 12 milhões na fabricação de carteiras falsas de crédito consignado. O que resultou na liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado.

A postura da instituição no mercado financeiro era caracterizada por sua agressividade, variando entre o patrocínio de times de futebol e a compra de instituições menores. A empresa já vinha sendo monitorada por fornecer taxas acima da média do mercado e investimentos considerados arriscados para pessoas físicas. 

Decisão Judicial

Após o desdobramento da operação, foi iniciada a investigação contra Daniel Vorcaro, dono do banco Master e  seu pai, Henrique Moura Vorcaro, expondo que a organização criminosa estava dividida em grupos, todos gerenciados por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário".  

O apelido ligado a “assassino de aluguel” e “crueldade”, não é por acaso. Mourão tinha contato direto com Vorcaro e era responsável por práticas violentas, monitorando e intimidando possíveis vítimas escolhidas pelo investigado. 

Na decisão do ministro Mendonça, os envolvidos foram organizados em grupos. “A Turma”, liderada por Daniel, foi responsável por coagir jornalistas, intimar adversários, realizar levantamentos clandestinos e obter dados através de ameaças e intimidações físicas. O demais integrantes são:

  • Marilson Roseno da Silva, ex-policial federal e líder do núcleo;

  • Manoel Mendes Rodrigues, “bicheiro”;

  • Anderson Wander da Silva Lima, policial federal;

  • Sebastião Monteiro Júnior, ex-policial federal.

Já “Os meninos”, braço tecnológico, atuavam como hackers, realizando invasões digitais, monitoramento telemático e desativação de perfis nas redes, com o objetivo de derrubar conteúdos negativos e promover publicações favoráveis. São eles:

  • David Henrique Alves, líder do núcleo e responsável por liderar os ataques cibernéticos;

  • Victor Lima Sedlmaier, operador auxiliar,

  • Rodrigo Pimenta Franco, “Rodriguinho”, colaborador aquisitor de domínios da internet para hacking.

A PF aponta que o empresário Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, teve um papel fundamental no financiamento dos grupos, além de solicitar, recorrentemente, os serviços ilegais. Conversas analisadas indicaram pagamentos mensais para manter os núcleos ativos, mesmo após o início das investigações. Enquanto David Henrique Alves era encarregado de coordenar ataques cibernéticos e monitorar ações para proteger os interesses do grupo. 

A investigação afirmou que houve a tentativa de ocultação dos equipamentos eletrônicos e provas e que policiais suspeitos acessaram sistemas internos com o objetivo de repassar informações sigilosas sobre o andamento do inquérito. 

A imagem mostra a fachada da polícia federal à luz do dia
Superintendência da Polícia federal em Brasília, onde Daniel Vorcaro está preso. Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Após o ministro André Mendonça recolher os pedidos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, foi determinada a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, dos três integrantes responsáveis pelos ataques cibernéticos, e de três integrantes da “turma”, Manoel Mendes Rodrigues, Anderson Wander da Silva Lima e Sebastião Monteiro Júnior. Mourão também foi preso, mas morreu enquanto estava sob custódia da PF. A versão oficial é de suicídio. 

No despacho, Mendonça aponta a existência de uma organização criminosa robusta e ativa, responsável por diversos crimes graves e estruturados como lavagem de dinheiro; emissão de notas fiscais frias; ameaça; extorsão e intimidação; invasão de dispositivo informático e crimes cibernéticos; violação de sigilo funcional; corrupção; infiltração na polícia federal; realização de consultas indevidas no sistema e-Pol; falsidade ideológica e ocultação de provas.

Esfera política 

O cientista político, Eduardo Viveiros, apontou a fragilidade dentro das instituições estatais. “O que chama a atenção é como um banco de dimensão pequena do sistema bancário foi capaz de capturar toda a estrutura do poder político, chegando até o judiciário, passando pelo legislativo e agora a evidente relação com a família Bolsonaro”. 

O inquérito também teve como objetivo analisar o envolvimento de políticos e membros do STF (Supremo Tribunal Federal). Um deles foi o vazamento dos áudios do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) com Vorcaro, em que o parlamentar cobrava 134 milhões de reais para o financiamento de uma produção cinematográfica sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro não foi o único envolvido. O senador Ciro Nogueira (PP) também foi alvo da investigação, sob suspeita de receber repasses mensais ilegais de 300 mil reais de Vorcaro. Em troca, o político usou seu mandato para defender interesses do Master. O político apresentou uma emenda parlamentar, redigida pela assessoria do Banco Master, que visava aumentar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Essa medida faria com que o banco multiplicasse suas captações. 

Segundo Viveiros, a relação entre política e crimes está institucionalizada, a ponto de parlamentares usarem a prerrogativa de emendas ao orçamento federal para atividades paralelas. “É uma grave ameaça à democracia; é um sintoma da captura do poder político pelo crime organizado, ou seja, a estrutura do crime está a serviço de uma parte do sistema político”, acusa o cientista. 

Em janeiro, o bilionário Nelson Tanure foi alvo de busca e apreensão durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. Ele está sendo investigado por ameaça, perseguição e intimidação contra o fundador da Esh Capital, Vladimir Timerman. 

“Esse escândalo do Banco Master joga luz sobre a relação entre crime financeiro e a sustentação do poder político no Brasil”, afirma Viveiros. Para ele, a proteção da democracia depende do cuidado de aplicar a lei e promover a perseguição dos criminosos antes que o Estado seja capturado por um sistema infrator.