Na terça-feira (31), o Brasil recordou os 62 anos de um dos períodos mais marcantes de sua história. A deposição do presidente João Goulart, que aconteceu no dia 31 de março daquele ano, iniciou um regime que durou mais de duas décadas e que hoje ainda influencia debates sobre democracia, memória nacional e direitos dos cidadãos no país.
Por volta do início da década de 1960, o Brasil possuía cenário político instável e apresentava crises econômicas durante o governo de Goulart, que defendia as Reformas de Base nas áreas agrária, educacional e econômica, o que aumentou a polarização no país. Durante a Guerra Fria, o medo de uma aproximação com o comunismo intensificou as tensões internas, levando setores das elites, grupos conservadores e parte das Forças Armadas a defenderem a saída do presidente, alegando mais estabilidade política e econômica.
Em 31 de março de 1964, tropas militares se mobilizaram contra o governo. Dias depois, o Congresso declarou vaga a Presidência, e os militares assumiram o poder.

Após a chegada ao poder, os militares implantaram um regime baseado na centralização política e na limitação das liberdades democráticas. O governo passou a ser conduzido por presidentes militares, os quais eram escolhidos sem eleições diretas pela população.
Os Atos Institucionais serviram de ampliadores aos poderes do Executivo durante o regime militar, permitindo mudanças constitucionais sem participação popular. Segundo o Portal da Câmara dos Deputados, decretado em 1968, o AI-5 marcou o período mais rígido do regime, com o fechamento do Congresso, a restrição de direitos políticos e o fortalecimento de medidas autoritárias contra opositores. Os integrantes de partidos, estudantes, jornalistas e sindicalistas foram alvo de perseguições que resultaram em prisões, afastamentos e exílios.
Em entrevista à AGEMT, o encarregado dos serviços administrativos e caseiro, Boaventura Inglez, que trabalha na PUC-SP há 50 anos, contou da invasão militar que ocorreu na universidade em 1977, comandada por Erasmo Dias. “Eles (militares) entraram no centro acadêmico, arrebentaram tudo procurando algum material subversivo, pegaram as máquinas e jogavam para cima para estourar no chão. Pareciam animais”
Inglez relatou também que, após a invasão, os militares ficaram nos arredores da instituição, causando medo e apreensão aos alunos e funcionários. “Tínhamos que sair com o documento na mão para trabalhar”, explica.
Segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade (2014), mais de 400 pessoas foram mortas ou desapareceram por motivos políticos durante o período. O documento aponta o uso sistemático de práticas de repressão por órgãos de segurança e inteligência criados para monitorar e controlar atividades políticas.
As investigações conduzidas após a redemocratização buscaram reconhecer violações de direitos humanos ocorridas entre 1964 e 1985 e contribuir para a preservação da memória histórica brasileira.

Ao relembrar o golpe militar, é importante citar a mobilização social desse período. Greves operárias, manifestações estudantis, músicas e peças de teatro contra o regime, ações de resistência da sociedade civil.
Um dos movimentos que aglutinou diferentes espectros políticos foi o pelas “Diretas Já”, que exigia a volta das eleições diretas para presidente da República, suspensas pelo regime militar. O movimento reuniu milhares de brasileiros em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Outro marco importante foi a Lei da Anistia, que permitia o retorno dos exilados e a libertação de presos políticos. A preservação dessa memória segue relevante, sobretudo diante de famílias que ainda buscam justiça e respostas. Até hoje, o período do regime militar gera interpretações divergentes: enquanto parte da sociedade o vê como uma fase de autoritarismo, censura e violações de direitos humanos, outra o associa à ideia de ordem e crescimento econômico.
A ditadura é frequentemente usada como referência para discutir o presente, debates sobre liberdade de expressão, comparações de ameaças à democracia, discussões sobre golpes, entre outros fatores que agregam e estimulam ainda mais argumentações sobre esse assunto.
De acordo com o site oficial ‘Memórias da Ditadura’, os direitos da Justiça de Transição promovem o reconhecimento e lidam com o legado de atrocidades de um passado violento e de um presente e futuro que precisam ser diferentes. Lembrar 62 anos depois é reconhecer a necessidade de usar da história como ferramenta de proteção dos direitos humanos.
Na última segunda-feira (30), Ronaldo Caiado oficializou sua candidatura à presidência da República pelo PSD (Partido Social Democrático) e deve deixar o cargo como governador de Goiás até o fim desta semana. Seu nome foi confirmado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, durante coletiva de imprensa em São Paulo.
Em 14 de março, o governador de Goiás formalizou sua filiação ao PSD, em um movimento para viabilizar a candidatura presidencial. Durante o ato, em Jaraguá, ele apresentou seu vice, Daniel Vilela, como pré-candidato à sucessão no governo estadual.

Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado
No PSD, disputavam a indicação para a Presidência, além de Ronaldo Caiado, os governadores Ratinho Júnior e Eduardo Leite.
O caminho para Caiado no embate interno no partido ficou livre após a desistência de Ratinho Junior (PSD). O governador paranaense era considerado o favorito e estava prestes a ser confirmado como pré-candidato, quando recuou para se dedicar à campanha estadual e tentar um sucessor de seu grupo político na eleição contra Sergio Moro (PL), que concorrerá ao governo do Paraná.
Caiado superou seu último concorrente e governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). Sobre a decisão, o gaúcho se manifestou afirmando estar “desencantado” e que a escolha mantém a radicalização política no Brasil. “Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão”, disse Leite, em vídeo publicado em seu Instagram.
Enquanto candidato, Ronaldo Caiado diz ter como objetivo “pacificar o Brasil” e que, para isso, pretende “anistiar todos, inclusive o ex-presidente”, pelos crimes contra a democracia que culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Poderes, em Brasília. “Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia ampla, geral e irrestrita […] estarei dando uma amostra de que a partir dali eu vou cuidar das pessoas”, afirmou Caiado em entrevista coletiva.

Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado
No cenário da disputa presidencial, o governador de Goiás declara, sabendo que competirá pelo mesmo eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL), mas sem citá-lo, que não se pode aprender na cadeira. Sobre o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado diz que o difícil não é ganhar a eleição, mas sim governar para que o PT (Partido dos Trabalhadores) não seja mais opção no país.
Na terça-feira (24), o plenário do Senado Federal aprovou, com 67 votos a favor e nenhum contra, a inclusão da misoginia como crime de preconceito, incluíndo a “condição de mulher” na interpretação da Lei do Racismo, ao lado de cor, etnia, religião e nacionalidade. O projeto de Lei 896/2023, da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e relatado por Soraya Thronicke (Podemos-MS), determina pena de dois à cinco anos de reclusão, além de multa, podendo aumentar se ocorrer o crime com duas ou mais pessoas ou se for em lugares públicos, redes sociais inclusas.
De acordo com o decreto do Congresso Nacional, a misoginia consiste em discriminação, preconceito, aversão e propagação de ódio por condição do sexo feminino. Ao defender a proposta na tribuna, a senadora Ana Paula Lobato afirma a importância da lei, “Nós brasileiros passamos a acordar e dormir com várias notícias de violências contra mulheres. Nós só ficamos sabendo quando já é tarde demais, porém isso começa lá atrás de inúmeras maneiras, e uma delas é a misoginia”, relatou em seu discurso no senado durante a sessão.

Aumento do crime contra as mulheres
Em 2015, houve a tipificação do feminicídio no Brasil, no qual são mantidos dados de mulheres assassinadas. No ano passado, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública, atingindo o recorde de feminicídio, com quatro mulheres mortas por dia, houve um aumento de 4,7% em comparação à 2024.
A pesquisa “Retratos dos feminicídios no Brasil”, divulgada pelo fórum brasileiro, aponta que o crime contra as mulheres é a “manifestação extrema de um regime de desigualdades entre homens e mulheres na sociedade brasileira” e que o autor do feminicídio é alguém que divide a vida cotidiana com a vítima. Cerca de 59,4% das vezes é o companheiro afetivo, em 21,3% dos casos, o ex-companheiro, e dificilmente o agressor é um desconhecido.
Dentro da internet
A chamada “Machosfera” é um conjunto de perfis de “coaches da masculinidade” nas redes sociais que, sob discurso de “melhoria masculina” e “desenvolvimento pessoal”, propagam a misoginia, violência simbólica e apologia à agressões contra mulheres, recompensados por monetização e viralização. Suas principais características são: a idéia que o homem é prejudicado em prol do favorecimento das mulheres, generalização estereotipada do comportamento feminino, defesa de que o homem deve exercer a figura de autoridade em uma relação e a mulher de submissão.
Nesse ambiente, meninos e jovens são levados à odiar mulheres, vendo-as como concorrentes, voltando à masculinidade tóxica enraizada na sociedade. Dentro dessas comunidades a agressão, física, psicológica e dentro da internet, é normalizada por meio de memes e piadas misóginas, levando à ameaças diretas, perseguição online e chantagens, contribuindo para a banalização do desrespeito, aumentando o antagonismo entre os gêneros e a transformação da violência como um comportamento aceitável.
Críticas à Lei
Membros da direita da Câmara dos deputados prometem, em suas redes sociais, resistência ao projeto, ao observarem risco à liberdade de expressão, apesar da proposta ter sido aceita com unanimidade no Senado.

Deputados majoritariamente do Partido Liberal se opõem à proposta. Nikolas Ferreira (PL-MG) usou as redes sociais para desaprovar e questionar o que é a misoginia tratada na lei, já a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) levantou dúvidas sobre a aplicação direta da lei, alegando o processo penal como “muito aberto e a critério dos julgadores”, afirmando que a censura está passando oblíqua sob o manto de defesa das mulheres. Sâmia Bomfim (Psol-SP) critica a atitude dos políticos que são contra o projeto de lei e as informações falsas que circulam na rede.
Nesta sexta-feira (27), a diretoria do Psol (Partido Socialismo e Liberdade) aprovou por unanimidade a filiação do pernambucano Jones Manoel. A notícia foi dada pela Executiva Nacional do partido, Paula Coradi, e comemorada no dia seguinte nas redes sociais por suas novas colegas de sigla, Sâmia Bomfim e Fernanda Melchionna.
Jones Manoel é pernambucano, natural de Recife, tem 36 anos e é historiador, escritor, militante, político e influenciador. Aos 21 anos entrou para faculdade de história na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e simultaneamente iniciou sua militância pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro).
Nas eleições de 2022, foi candidato ao governo do estado de Pernambuco e ocupou o 6° lugar.
Neste ano, Jones Manoel entra para o PSOL para tentar disputar a vaga de deputado federal por Pernambuco e sua filiação deve ser oficializada em evento nas próximas semanas. Sua ida foi apoiada e articulada pelo pré-candidato a governador de Pernambuco, Ivan Moraes.
Para que Jones fosse aceito no partido houve algumas exigências, entre elas o apoio à candidatura do presidente Lula (PT) desde o primeiro turno e alinhamento com a tática eleitoral do Psol.
O Counter Strike, mais conhecido como CS, marcou a vida de toda uma geração de brasileiros. Fez época nas lan houses nos anos 2000 e permanece popular até os dias atuais. Atualmente o jogo é uma das principais modalidades de e-sports, com campeonatos em todo o mundo e premiações milionárias. O Brasil, inclusive, esteve no topo dos torneios mundiais em várias eras do game. Mas essa popularidade esconde uma batalha: a das mulheres em busca de reconhecimento no mundo competitivo do CS e dos e-sports em geral.
O público feminino é maioria na comunidade gamer. Segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB), as mulheres representam 53,2% dos gamers no Brasil. Nos e-sports, porém, o panorama é diferente, apenas uma parcela segue carreira competitiva. Marina Sabia, que utiliza o nickname de "LyttleZ" profissionalmente, é jogadora de Counter Strike 2 pelo time da Atrix. Ela explica que, embora o cenário competitivo de CS esteja sempre crescendo, a presença feminina ainda é recente.
Apesar do sucesso da modalidade, os principais times do mundo ainda são masculinos. LyttleZ explica que o cenário feminino sofre por falta de visibilidade, investimentos e poucos campeonatos ao longo do ano "as meninas estão acostumadas com esses altos e baixos, um ano ter muitos campeonatos e no outro cair um pouco". A jogadora ainda comenta que, em 2026, torneios de CS, sobretudo na América do Sul, serão escassos.
Para ela, a instabilidade de patrocinadores traz inconstância e perda de oportunidade para as atletas. "Não é um cenário que gera retorno financeiro ainda, mas quando começamos a crescer, os investimentos pararam", ela continua. "Teria que ser algo a longo prazo, mas nem sempre a galera quer fazer isso". Ela complementa dizendo que as jogadoras são desvalorizadas por uma comunidade que ainda é machista dentro dos jogos.

Para as mulheres, entrar no mundo dos games não é fácil. LyttleZ conta que isso é uma questão do machismo estrutural "Enquanto uma menina está ganhando uma boneca, um menino ganha um PlayStation. Desde o começo não somos incentivadas a jogar. As jogadoras que furaram a bolha tiveram que dar a cara à tapa. Sempre foi muito difícil". O ambiente dos jogos online competitivos também não é agradável às mulheres. "Você entra para jogar e o cara já te xinga ou fica dando em cima de você. Conheço muitas meninas que pararam de jogar por causa disso. Eu já passei por isso inúmeras vezes", disse LyttleZ.
Ela ainda diz que muitas jogadoras perdem até a vontade de abrir o microfone durante o jogo, devido aos xingamentos. Todo o preconceito fez com que muitas competidoras se unissem para continuar jogando. É o caso do projeto Lotus, criado pela comunidade feminina, que busca criar um espaço seguro para as atletas jogarem. "A gente tentou unir mais a comunidade, divulgamos isso para jogarmos entre nós e até fazer alguns eventos", explica LyttleZ. Ela diz que muitas mulheres se ajudam no projeto: "Eu já até vi a galera mandando vaga de emprego. É algo que as meninas criaram pra se ajudar. É legal que isso sai do jogo também".
Além disso, o atual time da jogadora, a Atrix, é uma organização que também foi criada pelas atletas. "Me juntei com algumas jogadoras que já conhecia e estavam sem time. Tentamos procurar muitas organizações, tivemos muitas reuniões que não levaram em nada", diz LyttleZ. Ela conta que, após isso, decidiram ir em frente na criação da equipe "A gente vai fazer do nosso jeito, de nós pra nós, mulheres".
A jogadora explicou que, dentro do cenário competitivo, aos poucos as meninas estão conseguindo conquistar seu espaço. Em anos anteriores, os campeonatos femininos tiveram premiações que chegaram a 200 mil dólares. E mesmo sem o circuito forte atualmente, ainda existem esperanças de que o investimento volte. Por outro lado, ela comenta que as jogadoras casuais ainda sofrem muito dentro do cenário online, com um ambiente tóxico e machista no dia a dia das gameplays.







