Nova norma estimula o desenvolvimento e a incorporação mais rápida das novas tecnologias no setor de saúde
por
Carolina Nader
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16/04/2026 - 12h

Na última sexta-feira (10) , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que tem como objetivo facilitar o acesso a remédios, testes diagnósticos e outros produtos de terapia avançada para pacientes da rede pública de saúde. De acordo com o comunicado, as vacinas contra o câncer e outros tratamentos inovadores devem ser disponibilizados gratuitamente e de forma prioritária pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Publicada nesta segunda-feira (13) no Diário Oficial da União (DOU), a nova norma - que já está em vigor - estabelece que as vacinas deverão estar centralizadas na Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer. As vacinas, os medicamentos e os produtos oncológicos de terapia avançada enquadram-se na categoria de precedência prioritária, direito legal que garante atendimento imediato ou preferencial a grupos específicos. 

Como previsto no DOU, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) poderá destinar recursos específicos ao financiamento de pesquisas, projetos e estudos voltados ao desenvolvimento de tecnologias contra o câncer no País. 

Com base no Art. 7°-B, haverá um incentivo à análise genética como ferramenta de apoio ao diagnóstico e à personalização do tratamento oncológico segundo as características biológicas do câncer. Após a análise genética de cada paciente, as vacinas, que são produzidas de forma individual, serão aplicadas para estimular a produção de células de defesa direcionadas ao combate do tumor. 

Pela nova legislação, a regulação sanitária de tecnologias contra o câncer obedecerá a princípios para tornar mais rápida a liberação de vacinas e medicamentos. 

A lei objetiva aumentar a produção científica nacional, reduzindo a dependência de importações e apoiando a aplicação de Inteligência Artificial (IA) em atividades de pesquisa e desenvolvimento, voltados à inovação oncológica e ao fortalecimento de parcerias com universidades e centros de pesquisa públicos e privados. 

Troca de comando do órgão foi anunciada pelo Ministério da Previdência Social; nova mandatária assume com promessa de “solucionar a fila”
por
Khauan Wood
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16/04/2026 - 12h

Gilberto Waller foi demitido do cargo de presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nesta segunda-feira (13). O posto será assumido pela servidora pública de carreira Ana Cristina Viana Silveira.

Waller é procurador federal e integrante da Advocacia-Geral da União (AGU), ele havia sido nomeado pelo presidente Lula em abril de 2025 após a exoneração de Alessandro Stefanutto, afastado devido às investigações da Operação Sem Desconto.

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Waller presidiu o INSS por cerca de 11 meses. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Stefanutto foi preso em novembro no âmbito das investigações, que apurava um esquema bilionário de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.

Deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), a ação apurava suspeitas de fraudes de cerca de R$ 6,3 bilhões relacionadas a descontos não autorizados de mensalidades associativas nos benefícios de aposentados e pensionistas. 

Quem é Ana Cristina Silveira?

Servidora de carreira desde 2003, no cargo de Analista do Seguro Social e graduada em Direito, Ana Cristina ocupava a função de secretária executiva adjunta do Ministério da Previdência Social antes de ser nomeada.

Também foi presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) entre abril de 2023 e fevereiro de 2026. 

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Antes da nomeação Ana Cristina se reuniu com o presidente Lula (PT). Foto: Ricardo Stuckert/PR

De acordo com o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT-PE), a nomeação de Ana Cristina inaugura um novo momento para o INSS. 

O ministro ainda elogiou a visão sistêmica da nova presidente e afirmou que a sua posse cumpre a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "solucionar a fila” do Instituto.

Será a primeira vez em 20 anos que o pleito terá apenas uma representante feminina
por
Carolina Machado
Maria Olívia Almeida
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15/04/2026 - 12h

Em reunião do Diretório Nacional, dia 1 de fevereiro, foi aprovado o nome de Samara Martins como pré-candidata à Presidência da República para as eleições de 2026, representando a Unidade Popular (UP). De acordo com o comunicado oficial do partido, a escolha por Samara é parte da resposta da classe trabalhadora brasileira à escala 6×1, à população negra e à violência contra as mulheres.

Plenária aberta com a pré-candidata Samara Martins.  Imagem: Instagram/Reprodução @unidadepopular
Plenária aberta com a pré-candidata Samara Martins. Foto: Reprodução @unidadepopular

Ao longo da história, algumas mulheres se destacaram no Brasil em disputas à presidência. A primeira candidata foi a advogada Lívia Maria (PN), em 1989. Após nove anos, em 1998, Thereza Ruiz (PTN) foi a segunda a concorrer pelo cargo, ambas com pouca adesão popular.

Apenas a partir de 2006, a presença feminina se manteve constante nas eleições para o executivo federal com a presença de Ana Maria Rangel (PRP) e Heloísa Helena (Psol). Em 2010 e 2014, Dilma Rousseff (PT) foi eleita e reeleita, sendo a primeira mulher a alcançar o cargo no país. No pleito de 2014, Luciana Genro (Psol) e Marina Silva, que representava o PSB, disputaram contra a então presidenta. Em 2018, Marina teve novamente seu nome inscrito nas urnas, desta vez pela Rede Sustentabilidade e como candidata a vice-presidente, mas após a morte de Eduardo Campos, ela assumiu a disputa à presidência. Quatro anos depois, a disputa presidencial foi marcada por Simone Tebet, que representava o MDB e alcançou o terceiro lugar, além de Soraya Thronicke (União Brasil),Vera Lúcia (PSTU) e Sofia Manzano (PSB). 

Em entrevista à AGEMT, Francisco Fonseca, sociólogo e doutor em História Social, conta que a participação feminina na política institucional é pequena quando comparada a movimentos sociais e populares. “No Brasil, a mulher ainda é regida pelo patriarcado. Isso porque ela está muito mais presente no cotidiano e na vivência, justamente por ser ainda aquela que cuida sozinha dos filhos e das famílias", acrescenta. 

Protesto pela vida das mulheres, em São Paulo Imagem: Valter Campanato/ Agência Brasil
Protesto pela vida das mulheres, em São Paulo. Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

Samara é dentista no SUS do Rio Grande do Norte, militante e coordenadora nacional da Frente Negra Revolucionária e vice-presidente nacional da UP, além de atuar em movimentos sociais como o Movimento de Mulheres Olga Benário. 

Em 2022, foi candidata a vice-presidente na chapa de Leonardo Péricles (UP) e, juntos, obtiveram 0,05% dos votos no primeiro turno, 53.519 do total. Segundo Fonseca, a baixa porcentagem obtida pelo partido ilustra a dificuldade de romper com a sub-representatividade de gênero e raça enraizada no país. 

Fonseca ainda afirma que, neste momento, o fato de Samara Martins ser a única mulher pré-candidata na disputa pela presidência, chama a atenção. “Sua pré-candidatura é mais um movimento para marcar posição em um cenário em que as mulheres são mais da metade da população e do eleitorado brasileiro”, reiterou.

Em entrevista à AGEMT, Samara Martins ressalta como a UP defende a emancipação das classes oprimidas e a luta contra a opressão patriarcal. Trazendo a importância de uma representação qualificada, apontando não bastar uma candidatura feminina que não defenda em seu projeto político a emancipação da mulher. “É preciso estar comprometido com o que é a raiz do problema: o capitalismo”, arremata. 

Plenário “por que as mulheres devem lutar pelo socialismo?” com a pré-candidata Samara Martins  Imagem: Instagram/Reprodução @unidadepopular
Plenário “por que as mulheres devem lutar pelo socialismo?” com a pré-candidata Samara Martins. Foto: Reprodução @unidadepopular


Samara Martins também destacou a importância de movimentos de base como o movimento Olga Benário, que cria casas de referência para enfrentamento à violência contra mulheres em todo o país, de forma auto organizada. Entre 2025 e 2026, o Brasil registrou recorde de feminicídios. Foram 1.568 vítimas, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Só em janeiro deste ano, 27 mulheres foram mortas no estado de São Paulo. 

A pré-candidata ainda aponta que “é necessário garantir emprego, formação e autonomia para as mulheres com uma política de Estado. Combater a exploração e a precarização do trabalho das mulheres é parte disso, reduzindo a jornada de trabalho, acabar com a escala 6x1 e implantar a escala 4x3, revogar as reformas trabalhistas e da previdência”, apresentando parte do programa da Unidade Popular para a presidência. 

Tanto para Fonseca quanto para Samara, o simbolismo da única pré-candidatura feminina à presidência em 2026 e a histórica participação minoritária do grupo no papel, alimentam o debate social da violência e opressão sofrida por mais da metade da população. Para eles, enquanto houver poucas mulheres na política, deve-se questionar quais mecanismos são utilizados para manter esse padrão.

Após antecipação da saída de Cármen Lúcia, o ministro dirigirá as eleições de 2026
por
Carolina Nader
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15/04/2026 - 12h

Nesta terça-feira (14), o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) elegeu o ministro Nunes Marques como presidente da Corte após a ministra Cármen Lúcia anunciar sua saída do cargo. Ele comandará o Tribunal durante dois anos  ao lado do ministro André Mendonça - eleito vice-presidente do TSE. 

A eleição ocorreu entre os membros do Tribunal, por meio de urna eletrônica, tendo seis votos contra um para Nunes Marques. A votação é simbólica porque o cargo é ocupado em sistema de rodízio por antiguidade entre os ministros do STF. O placar também é uma tradição na corte, pela qual o próximo presidente não vota em si mesmo, mas em quem o sucederá, no caso, André Mendonça.

De acordo com o TSE, a ministra Cármen Lúcia, atual presidente da Corte, antecipou a saída prevista para 3 de junho, para permitir rapidez na transição e na organização das eleições, que ocorrem em outubro. Durante a votação, ela ressaltou a experiência dos magistrados e a responsabilidade diante das eleições que se aproximam, destacando a confiança no seguimento do trabalho feito pela Justiça Eleitoral. 

“Os ministros vêm desenvolvendo as suas condições de juízo com grande seriedade e responsabilidade, fazendo com que todos nós tenhamos, na cidadania brasileira, a tranquilidade de saber que a Justiça Eleitoral continuará a prestar o seu serviço”, concluiu a ministra no pleito, após confirmação da eleição do novo presidente do TSE. 

Quem é Nunes Marques? 

Nascido em Teresina, Piauí, Kassio Nunes Marques atuou como advogado nas áreas cível, trabalhista e tributária por 17 anos, entre 1995 e 2011. Foi juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí de 2008 a 2011 e desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região de 2011 a 2018, onde exerceu a Vice-Presidência, entre 2018 e 2020.

Tornou-se ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020, e ministro efetivo do Tribunal Superior Eleitoral em 2023, tendo assumido a Vice-Presidência da Corte em 7 de maio de 2024. Agora, Nunes Marques comandará o TSE por dois anos, incluindo as Eleições Gerais de 2026.

Na universidade, a resiliência e a resistência histórica do movimento estudantil faz parte do marco dos 62 anos de implementação da ditadura no Brasil
por
Carolina Machado
Carolina Nader
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10/04/2026 - 12h

A passagem dos 62 anos do golpe militar no Brasil, entre 31 de março e 1 de abril de 2026, lembra a resistência do movimento estudantil frente à invasão da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), treze anos após o início da ditadura.

Na instituição, a memória está consolidada no próprio espaço físico, como na placa sobre a “Invasão Policial de 1977” disposta na entrada pela rua Monte Alegre. Isso porque, antes de qualquer marco, a universidade nunca deixou a história ser apagada e sempre trouxe a reflexão à tona ao manter em seu espaço a memória.

Placa presente na entrada da PUC-SP, em memória à invasão de 1977.  Foto: Carolina Nader (@nadercaroll)
Placa presente na entrada da PUC-SP, em memória à invasão de 1977. 
Foto: Carolina Nader/Agemt

Na ocasião, o Brasil estava sob o regime do AI-5 (Ato Institucional nº 5) e a UNE (União Nacional dos Estudantes) foi declarada ilegal. Ainda assim, o movimento estudantil ganhou força na PUC-SP quando os alunos e militantes de esquerda conquistaram maior espaço com a criação dos centros acadêmicos e a nomeação da primeira mulher reitora da universidade, Nadir Kfouri.

Em entrevista à AGEMT, Valdir Mengardo, ex-aluno da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo) e militante presente na invasão à universidade, relata que a revolta da comunidade acadêmica foi muito grande. “Acho que foi um dos impulsionadores de toda a resistência que já estava acontecendo”, afirma.

No dia 21 de setembro, uma reunião do III Encontro Nacional dos Estudantes (ENE) realizada na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), resultou no agrupamento de 15 mil policiais e na prisão de 210 estudantes, pois ao saber da concentração, o Secretário de Segurança do Estado na época, Coronel Erasmo Dias, mandou bloquear estradas para São Paulo e encheu de tropas policiais a FGV, USP e PUC-SP. Os militares não sabiam, mas essa era apenas uma manobra para tirar o foco  do movimento que se realizaria  oficialmente, em segredo, na PUC-SP no dia seguinte.

Reunindo cerca de 2 mil alunos diante do TUCA, o Ato Público iniciou-se com a leitura de uma carta aberta que foi rapidamente interrompida por uma violenta operação policial coordenada por Erasmo Dias. “Na época, o que a gente ouviu falar é que o motivo da agressão contra os alunos era por causa da mobilização subversiva à ditadura”, afirma Boaventura Inglez ou “Senhor Benê”, como todos conhecem, caseiro e funcionário da manutenção na universidade a mais 50 anos, em entrevista à AGEMT.

Capa edição de setembro de 1979 do Porandubas Foto: Arquivo/Comissão da Verdade da PUC-SP
Capa edição de setembro de 1979 do Porandubas. Foto: Arquivo/Comissão da Verdade da PUC-SP

De acordo com a Comissão da Verdade da PUC-SP, os policiais lançaram bombas, agrediram os estudantes que estavam na mesa do ato, rasgaram os cartazes e encurralaram aqueles que tentavam furar o cerco policial.  “Eles levaram os alunos em fila indiana, todo mundo com a mão no ombro do outro e subindo a rampa do restaurante. Puseram ônibus lá na esquina, num terreno vazio, para fazer a triagem do pessoal e para que depois os levassem para delegacia”, acrescenta o senhor Benê.

O ex-aluno da ECA-SP, Valdir, presente no ocorrido, ainda disse que a repercussão pelo corpo docente levou a uma reação muito forte por parte da reitora. “A dona Nadir não quis cumprimentar o Erasmo Dias quando ela foi vistoriar os estragos que estavam sendo feitos na universidade”, conta.  ​​

Em registro histórico feito pela PUC-SP, no jornal Porandubas, houve depoimentos prestando solidariedade às vítimas. Os reitores de outras Pontifícias e a da própria PUC de São Paulo, lamentaram as agressões e criticaram a repressão vivenciada pelos estudantes e funcionários da instituição.

Relatos retirados da edição de outubro de 1977 do jornal Porandubas  Foto: Arquivo/Comissão da Verdade da PUC-SP
Relatos retirados da edição de outubro de 1977 do jornal Porandubas. Foto: Arquivo/Comissão da Verdade da PUC-SP

A reitoria escreveu aos pais dos alunos sobre o ocorrido, a fim de esclarecer insinuações que cercavam a invasão. “A Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo, tendo sido vítima de brutal agressão física e moral, continua firme no difícil intento de oferecer aos seus alunos uma educação que parta dos valores e dos princípios fundamentais do humanismo cristão, e uma formação profissional digna do nível que, através de três dezenas de anos, conseguiu atingir”, declarou a reitora no impresso Porandubas.

Em um dos relatos feitos no impresso, na parte de “reações”, houve a seguinte afirmação por parte da reitoria: “a invasão foi para descaracterizar a PUC, como um aviso, pois cumpre funções de universidade democrática”.

Professores de outras faculdades participaram da reunião organizada pela Associação de Professores da PUC-SP (APROPUCSP). Nela, buscaram relatar a humilhação e a vergonha da classe docente, diante de uma invasão sem precedentes nas faculdades de São Paulo, que afetou o direito livre de expressão.

Os registros do jornal Porandubas serviram como uma resposta da comunidade universitária para reafirmar valores de diálogo, formação crítica e liberdade. A memória da invasão permanece, assim, como símbolo da defesa da universidade democrática e de seu papel social.

Para o senhor Benê, o que fica é a história de preservação e de luta democrática que, assim como para Mengardo, não é lembrada “apenas pelo heroísmo”, mas também pela lembrança contra possíveis novas agressões nesse sentido. “A gente já viu na eleição passada e estamos vendo novamente correntes conservadoras com as mesmas bandeiras que o senhor Erasmo defendia em 1977, precisamos estar sempre em alerta para não acontecer de novo”, concluiu Valdir.

Mais de seis décadas depois, a data relembra o começo da ditadura militar e seus impactos na democracia brasileira
por
Carolina Nader
Vitória Teles
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01/04/2026 - 12h

Na terça-feira (31), o Brasil recordou os 62 anos de um dos períodos mais marcantes de sua história. A deposição do presidente João Goulart, que aconteceu no dia 31 de março daquele ano, iniciou um regime que durou mais de duas décadas e que hoje ainda influencia debates sobre democracia, memória nacional e direitos dos cidadãos no país. 

Por volta do início da década de 1960, o Brasil possuía cenário político instável e apresentava crises econômicas durante o governo de Goulart, que defendia as Reformas de Base nas áreas agrária, educacional e econômica, o que aumentou a polarização no país. Durante a Guerra Fria, o medo de uma aproximação com o comunismo intensificou as tensões internas, levando setores das elites, grupos conservadores e parte das Forças Armadas a defenderem a saída do presidente, alegando mais estabilidade política e econômica.

Em 31 de março de 1964, tropas militares se mobilizaram contra o governo. Dias depois, o Congresso declarou vaga a Presidência, e os militares assumiram o poder.

Familiares de mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar recebem as certidões de óbito com a verdadeira causa mortis de seus parentes. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto.
Familiares de mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar recebem as certidões de óbito com a verdadeira causa mortis de seus parentes. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto. 

Após a chegada ao poder, os militares implantaram um regime baseado na centralização política e na limitação das liberdades democráticas. O governo passou a ser conduzido por presidentes militares, os quais eram escolhidos sem eleições diretas pela população.

Os Atos Institucionais serviram de ampliadores aos poderes do Executivo durante o regime militar, permitindo mudanças constitucionais sem participação popular. Segundo o Portal da Câmara dos Deputados, decretado em 1968, o AI-5 marcou o período mais rígido do regime, com o fechamento do Congresso, a restrição de direitos políticos e o fortalecimento de medidas autoritárias contra opositores. Os integrantes de partidos, estudantes, jornalistas e sindicalistas foram alvo de perseguições que resultaram em prisões, afastamentos e exílios. 

Em entrevista à AGEMT, o encarregado dos serviços administrativos e caseiro, Boaventura Inglez, que trabalha na PUC-SP há 50 anos, contou da invasão militar que ocorreu na universidade em 1977, comandada por Erasmo Dias. “Eles (militares) entraram no centro acadêmico, arrebentaram tudo procurando algum material subversivo, pegaram as máquinas e jogavam para cima para estourar no chão. Pareciam animais” 

Inglez relatou também que, após a invasão, os militares ficaram nos arredores da instituição, causando medo e apreensão aos alunos e funcionários. “Tínhamos que sair com o documento na mão para trabalhar”, explica. 

Segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade (2014), mais de 400 pessoas foram mortas ou desapareceram por motivos políticos durante o período. O documento aponta o uso sistemático de práticas de repressão por órgãos de segurança e inteligência criados para monitorar e controlar atividades políticas.

As investigações conduzidas após a redemocratização buscaram reconhecer violações de direitos humanos ocorridas entre 1964 e 1985 e contribuir para a preservação da memória histórica brasileira.

Familiares de pessoas mortas na ditadura levantam cartazes de protestos. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto
Familiares de pessoas mortas na ditadura levantam cartazes de protestos. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto

Ao relembrar o golpe militar, é importante citar a mobilização social desse período. Greves operárias, manifestações estudantis, músicas e peças de teatro contra o regime, ações de resistência da sociedade civil.

Um dos movimentos que aglutinou diferentes espectros políticos foi o pelas “Diretas Já”, que exigia a volta das eleições diretas para presidente da República, suspensas pelo regime militar. O movimento reuniu milhares de brasileiros em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. 

Outro marco importante foi a Lei da Anistia, que permitia o retorno dos exilados e a libertação de presos políticos. A preservação dessa memória segue relevante, sobretudo diante de famílias que ainda buscam justiça e respostas. Até hoje, o período do regime militar gera interpretações divergentes: enquanto parte da sociedade o vê como uma fase de autoritarismo, censura e violações de direitos humanos, outra o associa à ideia de ordem e crescimento econômico.

A ditadura é frequentemente usada como referência para discutir o presente, debates sobre liberdade de expressão, comparações de ameaças à democracia, discussões sobre golpes, entre outros fatores que agregam e estimulam ainda mais argumentações sobre esse assunto.   

De acordo com o site oficial ‘Memórias da Ditadura’, os direitos da Justiça de Transição promovem o reconhecimento e lidam com o legado de atrocidades de um passado violento e de um presente e futuro que precisam ser diferentes. Lembrar 62 anos depois é reconhecer a necessidade de usar da história como ferramenta de proteção dos direitos humanos.  

Após a desistência de Ratinho Junior, o governador de Goiás supera Eduardo Leite e garante espaço na disputa presidencial de 2026
por
Carolina Machado
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31/03/2026 - 12h

Na última segunda-feira (30), Ronaldo Caiado oficializou sua candidatura à presidência da República pelo PSD (Partido Social Democrático) e deve deixar o cargo como governador de Goiás até o fim desta semana. Seu nome foi confirmado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, durante coletiva de imprensa em São Paulo.

Em 14 de março, o governador de Goiás formalizou sua filiação ao PSD, em um movimento para viabilizar a candidatura presidencial. Durante o ato, em Jaraguá, ele apresentou seu vice, Daniel Vilela, como pré-candidato à sucessão no governo estadual.

Formalização da filiação de Ronaldo Caiado ao PSD  (Partido Social Democrático), em 14 de março de 2026. Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado
Formalização da filiação de Ronaldo Caiado ao PSD (Partido Social Democrático), em 14 de março de 2026.
Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado

No PSD, disputavam a indicação para a Presidência, além de Ronaldo Caiado, os governadores Ratinho Júnior e Eduardo Leite.

O caminho para Caiado no embate interno no partido ficou livre após a desistência de Ratinho Junior (PSD). O governador paranaense era considerado o favorito e estava prestes a ser confirmado como pré-candidato, quando recuou para se dedicar à campanha estadual e tentar um sucessor de seu grupo político na eleição contra Sergio Moro (PL), que concorrerá ao governo do Paraná.

Caiado superou seu último concorrente e governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). Sobre a decisão, o gaúcho se manifestou afirmando estar “desencantado” e que a escolha mantém a radicalização política no Brasil. “Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão”, disse Leite, em vídeo publicado em seu Instagram.

Enquanto candidato, Ronaldo Caiado diz ter como objetivo “pacificar o Brasil” e que, para isso, pretende “anistiar todos, inclusive o ex-presidente”, pelos crimes contra a democracia que culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Poderes, em Brasília. “Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia ampla, geral e irrestrita […] estarei dando uma amostra de que a partir dali eu vou cuidar das pessoas”, afirmou Caiado em entrevista coletiva.

Em ato do PSD (Partido Social Democrático) sobre a disputa presidencial. Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado
Em ato do PSD (Partido Social Democrático) sobre a disputa presidencial.
Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado

No cenário da disputa presidencial, o governador de Goiás declara, sabendo que competirá pelo mesmo eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL), mas sem citá-lo, que não se pode aprender na cadeira. Sobre o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado diz que o difícil não é ganhar a eleição, mas sim governar para que o PT (Partido dos Trabalhadores) não seja mais opção no país.

Após crescimento de crimes de ódio contra mulheres no Brasil, proposta de lei é mandada para a câmara dos deputados
por
Juliana Hochman
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31/03/2026 - 12h

Na terça-feira (24), o plenário do Senado Federal aprovou, com 67 votos a favor e nenhum contra, a inclusão da misoginia como crime de preconceito, incluíndo a “condição de mulher” na interpretação da Lei do Racismo, ao lado de cor, etnia, religião e nacionalidade. O projeto de Lei 896/2023, da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e relatado por Soraya Thronicke (Podemos-MS), determina pena de dois à cinco anos de reclusão, além de multa, podendo aumentar se ocorrer o crime com duas ou mais pessoas ou se for em lugares públicos, redes sociais inclusas.

De acordo com o decreto do Congresso Nacional, a misoginia consiste em discriminação, preconceito, aversão e propagação de ódio por condição do sexo feminino. Ao defender a proposta na tribuna, a senadora Ana Paula Lobato afirma a importância da lei, “Nós brasileiros passamos a acordar e dormir com várias notícias de violências contra mulheres. Nós só ficamos sabendo quando já é tarde demais, porém isso começa lá atrás de inúmeras maneiras, e uma delas é a misoginia”, relatou em seu discurso no senado durante a sessão.

As senadoras Ana Paula Lobato e Natércia Campos no senado federal para a aprovação do crime misógino. Foto: Divulgação/Senado Federal.
As senadoras Ana Paula Lobato e Natércia Campos no senado federal para a aprovação do crime misógino. Foto: Divulgação/Senado Federal.

Aumento do crime contra as mulheres 

Em 2015, houve a tipificação do feminicídio no Brasil, no qual são mantidos dados de mulheres assassinadas.  No ano passado, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública, atingindo o recorde de feminicídio, com quatro mulheres mortas por dia, houve um aumento de 4,7% em comparação à 2024.

A pesquisa “Retratos dos feminicídios no Brasil”, divulgada pelo fórum brasileiro, aponta que o crime contra as mulheres é a “manifestação extrema de um regime de desigualdades entre homens e mulheres na sociedade brasileira” e que o autor do feminicídio é alguém que divide a vida cotidiana com a vítima. Cerca de 59,4% das vezes é o companheiro afetivo, em 21,3% dos casos, o ex-companheiro, e dificilmente o agressor é um desconhecido. 

Dentro da internet 

A chamada “Machosfera” é um conjunto de perfis de “coaches da masculinidade” nas redes sociais que, sob  discurso de “melhoria masculina” e “desenvolvimento pessoal”, propagam a misoginia, violência simbólica e apologia à agressões contra mulheres, recompensados por monetização e viralização. Suas principais características são: a idéia que o homem é prejudicado em prol do favorecimento das mulheres,  generalização estereotipada do comportamento feminino,  defesa de que o homem deve exercer a figura de autoridade em uma relação e a mulher de submissão.

Nesse ambiente, meninos e jovens são levados à odiar mulheres, vendo-as como concorrentes, voltando à masculinidade tóxica enraizada na sociedade. Dentro dessas comunidades a agressão, física, psicológica e dentro da internet, é normalizada por meio de memes e piadas misóginas, levando à ameaças diretas, perseguição online e chantagens, contribuindo para a banalização do desrespeito, aumentando o antagonismo entre os gêneros e a transformação da violência como um comportamento aceitável.

Críticas à Lei

Membros da direita da Câmara dos deputados prometem, em suas redes sociais, resistência ao projeto, ao observarem risco à liberdade de expressão, apesar da proposta ter sido aceita com unanimidade no Senado. 

O Deputado Nikolas Ferreira declara em suas redes sociais ser contra o projeto de lei 896/23. Foto: Divulgação/X.
O Deputado Nikolas Ferreira declara em suas redes sociais ser contra o projeto de lei 896/23. Foto: Divulgação/X.

Deputados majoritariamente do Partido Liberal se opõem à proposta. Nikolas Ferreira (PL-MG) usou as redes sociais para desaprovar e questionar o que é a misoginia tratada na lei, já a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) levantou dúvidas sobre a aplicação direta da lei, alegando o processo penal como “muito aberto e a critério dos julgadores”, afirmando que a censura está passando oblíqua sob o manto de defesa das mulheres. Sâmia Bomfim (Psol-SP) critica a atitude dos políticos que são contra o projeto de lei e as informações falsas que circulam na rede. 

 

 

Após reunião da diretoria, a sigla agora conta com o historiador como pré-candidato
por
Daniella Ramos
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31/03/2026 - 12h

Nesta sexta-feira (27), a diretoria do Psol (Partido Socialismo e Liberdade) aprovou por unanimidade a filiação do pernambucano Jones Manoel. A notícia foi dada pela Executiva Nacional do partido, Paula Coradi, e comemorada no dia seguinte nas redes sociais por suas novas colegas de sigla, Sâmia Bomfim e Fernanda Melchionna. 

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Publicação de Sâmia Bomfm feita no X comemorando a chegada de Jones Manoel ao partido. Foto: Redes sociais / X @samiabomfim

Jones Manoel é pernambucano, natural de Recife, tem 36 anos e é historiador, escritor, militante, político e influenciador. Aos 21 anos entrou para faculdade de história na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e simultaneamente iniciou sua militância pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro). 

Nas eleições de 2022, foi candidato ao governo do estado de Pernambuco e ocupou o 6° lugar. 

Neste ano, Jones Manoel entra para o PSOL para tentar disputar a vaga de deputado federal por Pernambuco e sua filiação deve ser oficializada em evento nas próximas semanas. Sua ida foi apoiada e articulada pelo pré-candidato a governador de Pernambuco, Ivan Moraes.  

Para que Jones fosse aceito no partido houve algumas exigências, entre elas o apoio à candidatura do presidente Lula (PT) desde o primeiro turno e alinhamento com a tática eleitoral do Psol. 

A luta das mulheres contra o preconceito e machismo no universo dos games
por
Rafael Jorge
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30/03/2026 - 12h

O Counter Strike, mais conhecido como CS, marcou a vida de toda uma geração de brasileiros. Fez época nas lan houses nos anos 2000 e permanece popular até os dias atuais. Atualmente o jogo é uma das principais modalidades de e-sports, com campeonatos em todo o mundo e premiações milionárias. O Brasil, inclusive, esteve no topo dos torneios mundiais em várias eras do game. Mas essa popularidade esconde uma batalha: a das mulheres em busca de reconhecimento no mundo competitivo do CS e dos e-sports em geral.

O público feminino é maioria na comunidade gamer. Segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB), as mulheres representam 53,2% dos gamers no Brasil. Nos e-sports, porém, o panorama é diferente, apenas uma parcela segue carreira competitiva. Marina Sabia, que utiliza o nickname de "LyttleZ" profissionalmente, é jogadora de Counter Strike 2 pelo time da Atrix. Ela explica que, embora o cenário competitivo de CS esteja sempre crescendo, a presença feminina ainda é recente.

Apesar do sucesso da modalidade, os principais times do mundo ainda são masculinos. LyttleZ explica que o cenário feminino sofre por falta de visibilidade, investimentos e poucos campeonatos ao longo do ano "as meninas estão acostumadas com esses altos e baixos, um ano ter muitos campeonatos e no outro cair um pouco". A jogadora ainda comenta que, em 2026, torneios de CS, sobretudo na América do Sul, serão escassos.

Para ela, a instabilidade de patrocinadores traz inconstância e perda de oportunidade para as atletas. "Não é um cenário que gera retorno financeiro ainda, mas quando começamos a crescer, os investimentos pararam", ela continua. "Teria que ser algo a longo prazo, mas nem sempre a galera quer fazer isso". Ela complementa dizendo que as jogadoras são desvalorizadas por uma comunidade que ainda é machista dentro dos jogos.

Jogadora profissional competindo
LyttleZ competindo. Foto: Talita Morena/ HLTV.org

 

Para as mulheres, entrar no mundo dos games não é fácil. LyttleZ conta que isso é uma questão do machismo estrutural  "Enquanto uma menina está ganhando uma boneca, um menino ganha um PlayStation. Desde o começo não somos incentivadas a jogar. As jogadoras que furaram a bolha tiveram que dar a cara à tapa. Sempre foi muito difícil". O ambiente dos jogos online competitivos também não é agradável às mulheres. "Você entra para jogar e o cara já te xinga ou fica dando em cima de você. Conheço muitas meninas que pararam de jogar por causa disso. Eu já passei por isso inúmeras vezes", disse LyttleZ.

Ela ainda diz que muitas jogadoras perdem até a vontade de abrir o microfone durante o jogo, devido aos xingamentos. Todo o preconceito fez com que muitas competidoras se unissem para continuar jogando. É o caso do projeto Lotus, criado pela comunidade feminina, que busca criar um espaço seguro para as atletas jogarem. "A gente tentou unir mais a comunidade, divulgamos isso para jogarmos entre nós e até fazer alguns eventos", explica LyttleZ. Ela diz que muitas mulheres se ajudam no projeto: "Eu já até vi a galera mandando vaga de emprego. É algo que as meninas criaram pra se ajudar. É legal que isso sai do jogo também".

Além disso, o atual time da jogadora, a Atrix, é uma organização que também foi criada pelas atletas. "Me juntei com algumas jogadoras que já conhecia e estavam sem time. Tentamos procurar muitas organizações, tivemos muitas reuniões que não levaram em nada", diz LyttleZ. Ela conta que, após isso, decidiram ir em frente na criação da equipe "A gente vai fazer do nosso jeito, de nós pra nós, mulheres".

A jogadora explicou que, dentro do cenário competitivo, aos poucos as meninas estão conseguindo conquistar seu espaço. Em anos anteriores, os campeonatos femininos tiveram premiações que chegaram a 200 mil dólares. E mesmo sem o circuito forte atualmente, ainda existem esperanças de que o investimento volte. Por outro lado, ela comenta que as jogadoras casuais ainda sofrem muito dentro do cenário online, com um ambiente tóxico e machista no dia a dia das gameplays.