No primeiro trimestre de 2026, a Linha 3-Vermelha do metrô de São Paulo registrou a maior entrada de passageiros, com mais de 64 milhões de usuários. A linha férrea, que atravessa a cidade de leste a oeste e é popularmente conhecida como Linha Vermelha, superou a Linha 1-Azul, segunda mais movimentada, em 6,5 milhões de passageiros. Esse movimento intenso gera superlotação extrema nos trens em horários de pico e falhas operacionais.
O último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, mostrou que a população paulistana concentra-se justamente na zona Leste da cidade, com 4 dos quase 11,5 milhões de paulistanos, tornando a evasão dos cidadãos necessária.
Segundo a doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Ana Vitória Wernke, a urbanização industrial, que ocorreu entre o final do século XIX e o início do XX, fez com que a população se estabelecesse nas periferias das cidades, mesmo com os polos laborais concentrados nos centros urbanos. Essa dinâmica, para a especialista, reforça a desigualdade socio-espacial. “Quando a gente pensa em incremento da infraestrutura urbana, (...) estruturas básicas para uma cidade funcionar de maneira plena, existem investimentos muito pesados nas regiões centrais e poucos investimentos na região periférica”, afirma.
“Eu já presenciei briga, discussão, é muito apertado, você não sabe se a pessoa tá tentando alguma coisa ou não (...) é uma falta de segurança, mesmo com câmeras”, contou a auxiliar administrativa Larissa, 27 anos, que leva cerca de 2 horas e 30 minutos para chegar no seu trabalho. Entre as 5 e 9 horas da manhã, quando os trabalhadores vão para os empregos, e das 16 às 19 horas, quando voltam para casa é quando ocorre o maior tráfego de passageiros, conhecido como horário de pico.
Dados oficiais do metrô de São Paulo mostram que, por hora, na capacidade máxima do trem, podem ser transportados cerca de 40.000 passageiros - volume abaixo das quase 75.000 pessoas que passam pela Linha 3 por hora. Essa superlotação faz com que até 7 pessoas dividam o mesmo metro quadrado dentro dos vagões durante uma viagem.
Usuários também enfrentam problemas técnicos, falhas de sinalização e pedestres na via, o que acaba reduzindo a velocidade. Passageiros ouvidos pela reportagem contam que já deixaram de fazer atividades necessárias, como ir ao médico, ou precisaram pegar carros de aplicativos com preços elevados, já que o meio de transporte estava quebrado ou em greve. Como relatou Virgínia de 20 anos que trabalha como auxiliar administrativa e já chegou diversas vezes atrasada.
O desconforto vem da estrutura metroviária que não comporta toda a demanda dos passageiros da Zona Leste e compromete o bem-estar dos trabalhadores, sustenta a urbanista. Para ela, os desafios diários geram trabalhadores estressados, com pouca energia para as demais tarefas, o que evidencia o domínio do capital sobre a vida das pessoas. Wernke também aponta a perda do convívio social e de lazer como um dos impactos dessa subordinação. O trabalhador, além das 44 horas semanais nos empregos, passa pelo menos mais 3 horas diárias no deslocamento. “As vezes o tempo que a gente perde, poderíamos estar estudando e investindo em alguma coisa mais útil”, declarou Daniel de 43 anos que enfrenta dupla jornada de trabalho como vigilante e motorista de ambulância.
Além das dificuldades enfrentadas por todos, passageiras relataram o incômodo e o medo de ser mulher e estar em um trem lotado, questionando o porquê da linha mais movimentada e lotada não ter um vagão exclusivo para mulheres.
Mesmo com todas as dificuldades, o sistema metroviário ainda é o preferido entre os passageiros por ser a opção mais rápida. “O pessoal fala que não tem melhoria, eu acredito que tem, basta [o governo] arregaçar a manga e ir a luta” afirmou Daniel.
Para a especialista, o melhor caminho para combater as dificuldades e obstáculos seria a implementação de multimodais, ou seja, a integração de diferentes formas de transporte, dando preferência a metrôs e ônibus, que comportam mais passageiros, e o aumento de ciclovias.
Desde segunda-feira (18), os estudantes, funcionários e docentes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aderiram à paralisação estudantil conjunta com outras universidades públicas de São Paulo pela reivindicação de melhorias estruturais, políticas de permanência e contrárias aos projetos de terceirização e privatização do governador Tarcísio de Freitas. Na última quarta-feira (20), estudantes das três estaduais paulistas realizaram uma marcha unificada do Largo da Batata até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.
“Não queremos semear hoje a precarização de amanhã” disse Nicolas Matteo, estudante de economia e Coordenador Geral do DCE-Unicamp e Diretor de Universidades Públicas da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), durante a assembleia que aprovou a paralisação. Segundo o Diretório Central dos Estudantes da Unicamp (DCE - Unicamp), a greve que abrange 65 cursos contou com a presença de mais de 1000 estudantes, além de trabalhadores e docentes em sua assembleia de aprovação na sexta-feira (15). Já no dia seguinte ao ato unificado na capital, a Pró-Reitoria de Graduação da universidade anunciou a suspensão das atividades até o fim do mês.
Em entrevista à AGEMT, Nicolas explicou que a greve não visa afetar negativamente a comunidade universitária, mas sim melhorar as condições de permanência para todos: “Sobretudo a nossa greve é muito sobre unidade. O calendário de greve vem sendo debatido com os trabalhadores e com os docentes, porque não queremos que a universidade seja expandida às custas de uma precarização.”
Reformas estruturais pela vivência acadêmica digna
Os grevistas questionam a falta de clareza e de aumento do orçamento acadêmico ligados às mudanças no ICMS do Estado. Desde 1989, o imposto sobre mercadoria estadual destina 9,67% de sua arrecadação às três universidades grevistas. Atualmente, a Unicamp recebe apenas cerca de 2,19% por ano. Em 2025, o governo Tarcísio de Freitas propôs uma PL que incluiria mais três instituições sem reajustar a cota e nem detalhar como seria a nova distribuição. No começo do mês, frente a mobilização estudantil, o governador desistiu da ideia.
“A gente tem visto que hoje as universidades têm um orçamento que nunca foi atualizado, desde o início do formato o percentual para as universidades segue sendo o mesmo. É inadmissível que o orçamento seja refilado, que tenha larvas no RU (Restaurante Universitário), que a gente não tenha dinheiro para a permanência, para as moradias estudantis”, reitera Nicolas.
Mesmo antes da votação oficial da greve, o campus Limeira já estava totalmente paralisado. Os estudantes reivindicam principalmente que a expansão da universidade discutida pela reitoria não seja feita às custas da dignidade de moradia e bolsas de permanência estudantil. O coordenador do DCE-Unicamp comenta: “Hoje os estudantes de Limeira dependem totalmente do da bolsa de auxílio moradia, que não é suficiente para cobrir os gastos da o custo de se morar em Limeira e mesmo aqui no campus de Barão Geraldo, as obras não foram começadas.”
Corte de gastos afeta na formação dos estudantes
Além da correção orçamentária e reformas estruturais para a utilização plena do campus, incluindo melhorias de acessibilidade, a paralisação visa melhorias sociais e políticas de acolhimento. Entre elas, a expansão dos serviços de atendimento à violência sexual (SAVS), encaminhamento institucional das denúncias de racismo (SAER) e assistência psicológica e psiquiátrica ao estudante (SAPPE) que sofrem de precarização e quadro insuficiente para às demandas da universidade. “Alavancar as pautas dos movimentos sociais, sobretudo, também é alavancar as pautas da Unicamp: é melhorar a vida de todos os estudantes que passam por aqui”, declara o militante.
Da parte dos trabalhadores e docentes, a estagnação do orçamento e dos salários e falta de manutenção da infraestrutura universitária fez a categoria aderir ao movimento. No começo de maio, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) ofereceu um reajuste salarial de apenas 2% para a categoria. Após uma tarde de negociação com o Fórum das Seis - entidade que une sindicalistas e representantes das universidades estaduais paulistas - o Cruesp subiu a oferta à 3,7%, mas o valor segue abaixo do índice de inflação para o período maio/2025 a abril/2026 medida pelo IPC-Fipe.
A precarização no quadro docente sem substituição e adição adequada também causa incerteza quanto ao futuro e oferta adequada de alguns cursos com risco de encerramento de atividades. “É sobretudo o sonho dos nossos ancestrais que a gente esteja aqui, assim como os as pessoas que vão vir depois da gente são os nossos sonhos”, fala o estudante.
Autarquização impacta o futuro da comunidade
O movimento também critica a proposta de autarquização - processo que dá autonomia administrativa a uma instituição pública - do complexo de saúde da Unicamp que pode levar à futura privatização do serviço. “Frente a um governo como o do Tarcísio de Freitas que é um privatista que precariza o serviço da saúde, sabemos que é muito perigoso a autarquização do complexo de saúde do Unicamp justamente por conta do risco de privatização e não ser um hospital mais 100% SUS que serve de estágio para os alunos e ao serviço dos trabalhadores”, explica o coordenador.
Enquanto isso, os grevistas seguem organizando atos, ocupações e discussões. “A verdade é que não queremos a greve infinita, queremos que as nossas demandas sejam ouvidas até porque quanto mais rápido a Unicamp olhar para nossas demandas e entender a importância delas, mais rápido sairemos da greve.”
Até o momento, o governo estadual tem se mostrado pouco aberto ao diálogo. Na quarta-feira, a caminho de São Paulo, os dez ônibus de estudantes que saíram da Unicamp foram parados pela Polícia Rodoviária Estadual, o que atrasou a chegada dos estudantes à manifestação. Durante o ato unificado, a presença da PM foi constante.
Contra a precarização das instituições e pela abertura de diálogo com a comunidade universitária, a paralisação na Unicamp não tem data para acabar - junto às demais universidades estaduais o movimento segue ampliando a pressão sobre o Cruesp e ao governador Tarcísio de Freitas que se limitou a dizer não entender a greve estudantil, sem mobilizar negociações, o governador tem utilizado o aparato policial para tentar conter o movimento estudantil.
O vereador de São Paulo, Lucas Pavanato (PL), durante a votação do PL 354/2026, que discutia o reajuste dos servidores municipais, afirmou que professores grevistas são “vagabundos” e “burros”. A fala ocorreu durante o debate do projeto de reajuste salarial da data-base enviado pela gestão de Ricardo Nunes (MDB).
A greve dos profissionais da educação da rede municipal teve início em 28 de abril, eles reivindicam um reajuste de 14,56% nos salários a partir de maio de 2026. Segundo a categoria, o percentual considera a inflação medida pelo IBGE acrescida de 10% de aumento real nos salários. A mobilização ocorre em resposta à proposta de Nunes, que previa aumento parcelado de 3,51%, sendo inferior à inflação acumulada e às demandas dos profissionais da área.
A fala de Pavanato ocorreu na 126ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de São Paulo, em 13 de maio. O vereador iniciou o discurso dizendo não esperar educação de sindicalistas e complementou: “de gente burra eu quero vaias mesmo”, referindo-se ao público presente, ao citar o escritor Nelson Rodrigues, conhecido pelo apoio fervoroso à Ditadura Militar.
Durante sua fala, Pavanato alegou que “a militância de sindicalista é só quando não é alguém [algum prefeito] de esquerda”, pois quando Fernando Haddad foi prefeito da cidade de São Paulo o reajuste salarial foi expressivamente menor e ainda responsabilizou políticos de esquerda pela situação financeira do país.
A fala gerou reação entre os demais parlamentares, a vereadora Silvia Ferraro (PSOL) subiu à tribuna e tentou retirar o microfone do vereador. Além de Ferraro, Luana Alves, outra vereadora do PSOL, também defendeu a classe dos profissionais da educação e criticou “Você nunca trabalhou na sua vida, moleque”.
Nas redes sociais, o parlamentar afirmou categoricamente que a esquerda teria “distorcido sua fala”. De acordo com ele, os conteúdos compartilhados nas redes passaram a acusá-lo de ter votado pela redução salarial dos professores e de ter ofendido a categoria. Ele nega ambas as versões e afirma que os vídeos foram editados fora de contexto.
O debate referente ao reajuste salarial dos servidores municipais incluiu também os servidores públicos, grupo ao qual Pavanato pertence e votou a favor. Segundo fontes oficiais, seu salário de R$26.080,98 — valor que, acrescido de benefícios, chega à R$36.018,75 mensais atualmente — terá um aumento de 3,51%, passando a ser R$26.995,69 (+ benefícios).
Em seus quase dois anos de mandato, Lucas Pavanato aprovou seis Projetos de Lei, sendo dois de cunho religioso — o primeiro, que inclui no calendário de eventos da cidade o “Dia da Escola Bíblica” e o segundo, que altera o nome do viaduto Bresser-Romualdo Hatty para viaduto Bispa Keila Ferreira, que foi líder da Assembléia de Deus. Além disso, o vereador também instituiu no calendário oficial do município de São Paulo a “Semana de conscientização da síndrome pós-aborto”.
Na última sexta-feira (22), Carla Zambelli, condenada pelos crimes de invasão do sistema do CNJ e falsidade ideológica, teve sua extradição negada pela Suprema Corte de Cassação de Roma, última instância do judiciário italiano. A decisão também incluiu a libertação imediata da ex-deputada do Partido Liberal, que estava em um presídio nos arredores da capital italiana.
Em 11 de junho do ano passado, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, pediu ao governo federal a extradição de Zambelli. Somente em março deste ano, a Corte de Apelação de Roma determinou a deportação da ex-deputada, mas a defesa recorreu e acabou vencendo o processo. Com isso, a decisão da corte será levada ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que terá 45 dias para dar seu parecer sobre a extradição.
Os advogados de Zambelli argumentaram que ela seria alvo de perseguição política e que supostamente haveria parcialidade no Supremo Tribunal Federal (STF). Tentaram também caracterizar os processos como de natureza política, argumento comum em ações internacionais de extradição.
Em vídeo feito nas redes sociais, o deputado estadual Bruno Zambelli (PL), irmão de Carla Zambelli, diz que a decisão da corte foi “um milagre”.
A ex-deputada fugiu para a Itália em 2025, após o STF estabelecer uma pena de dez anos pelos crimes cometidos. Com sua cidadania italiana em mãos, ela fixou residência na Itália e alegou ter sofrido perseguição política pelo judiciário brasileiro, mas acabou detida em Roma por uma operação conjunta entre a Polícia Federal brasileira, autoridades locais e a INTERPOL, em 29 de julho de 2025.
O tratado recíproco de extradição entre o Brasil e a Itália está em vigor desde 1933 e determina que os países sejam obrigados a entregar, um ao outro, foragidos e figuras procuradas para cumprir sua pena ou serem levados para julgamento.
Além dos crimes de invasão do sistema de mandatos judiciais com auxílio do hacker Walter Delgatti e falsidade ideológica, Zambelli também está sendo julgada por porte ilegal de armas e constrangimento ilegal com o emprego de arma de fogo. O Plenário do Supremo Tribunal Federal determinou pena de cinco anos de prisão pelo episódio que ocorreu dias antes das votações nas eleições de 2022 e atualmente se encontra pendente na corte italiana. Com isso, há dois processos de extradição, um feito pelo Ministro Alexandre de Moraes e outro pelo Ministro Gilmar Mendes.
Em vídeo publicado no instagram de seu advogado, Pieremilio Sammarco, Zambelli comemora sua soltura e alega que sua vitória foi “consagrada à Deus”. De acordo com Fabio Pagnozzi, advogado da ex-deputada que cuida do caso no Brasil, ela permanecerá na Itália aguardando a aprovação do ministro Carlo Nordio.
Entre a tarde e a noite da última quarta-feira (20), representantes dos movimentos das faculdades estaduais de São Paulo, juntamente com profissionais da educação pública superior e básica e representantes de partidos de esquerda, realizaram uma marcha contra o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A manifestação foi do Largo da Batata até o Palácio dos Bandeirantes e contou com cerca de 30 mil pessoas, segundo informação dos organizadores. Ao final do ato, devido ao bloqueio feito pela Polícia Militar, somente alguns representantes selecionados tiveram a permissão de entrar na sede do governo para compor uma possível mesa de negociação.
Desde o começo, a manifestação contou com forte policiamento. No início do dia, estudantes da UNESP (Universidade Estadual Paulista) denunciaram que a Polícia Militar estaria parando os ônibus que os levavam até São Paulo nas rodovias e os revistando. Além disso, na estação Faria Lima, próxima ao ponto inicial do ato, integrantes da Tropa de Choque da PM estavam posicionados em frente as catracas. E às 14h30, os mesmos policiais mandaram todos os grupos que se organizaram em blocos dentro da estação saírem para não atrapalhar o fluxo.
A PM acompanhou todo o trajeto dos estudantes, da saída do Largo da Batata ao Palácio dos Bandeirantes. Cerca de 20 motos, oito carros, um ônibus e um helicóptero da PM, juntamente com carros da Guarda Civil Metropolitana e da CET, seguiram a marcha fechando as ruas, quando necessário.
Até esse momento, só havia um caso de briga ou confusão, que ocorreu quando o ex-deputado estadual e filiado ao União Brasil, Douglas Garcia, provocou alguns estudantes que o responderam. A situação paralisou a manifestação por alguns minutos. Motoristas e pedestres também chegaram a criticar os estudantes. Em um momento, um homem que dirigia um Toyota Hilux branco na altura do Parque do Povo chamou os manifestantes de "vagabundos". E uma mulher inconformada disse que os "jovens não deviam estar aqui pedindo a queda do Tarcísio" fez gestos de desaprovação e completou dizendo que “o movimento estudantil não devia fazer política”.
Assim que o ato chegou na bifurcação entre a Avenida Morumbi e a Avenida Giovanni Gronchi, próximo a uma das entradas da sede do Governo do Estado de São Paulo, os manifestantes se depararam com um bloqueio feito pela PM, que contava com grades de rua, uma corrente de policiais com escudos antimotim, além de integrantes do batalhão de choque e da cavalaria.
Os estudantes sustentaram os gritos e as palavras de ordem, até que, após um período de espera, um representante da manifestação falasse com um negociador. A representante escolhida foi a diretora do DCE USP e integrante do Movimento Correnteza, Dany Oliveira.
Apenas seis pessoas estavam autorizadas a furar o bloqueio, mas os estudantes pediam oito representantes, além de um advogado e um membro da imprensa. Após uma conversa com os policiais de alta patente e seus superiores, o negociador negou o pedido dos alunos e liberou apenas a entrada suplementar de dois advogados e da deputada estadual Mônica Seixas (Psol). Os estudantes que puderam conversar com os integrantes da Secretaria Estadual da Casa Civil, que atua no assessoramento do governador, eram quatro do DCE da USP, um integrante do DCE da Unesp e outro do DCE da Unicamp.
Ao final da conversa, a representante da UNICAMP e integrante da Secretária Geral do UEESP (União Estadual dos Estudantes de São Paulo), Malena Rojas, afirmou à imprensa que a mobilização segue forte e unificada já que o grupo ouviu apenas que estão sendo ouvidos, mas que ninguém poderia "dar nenhuma garantia” de que haverá alguma reunião direta com representantes mais próximos do governador ou com os reitores. A representante também reiterou que “essa posição do governo, não é só uma expressão de fechar um diálogo, mas expressão de um projeto político que hoje abre mão de garantir a valorização de serviços tão essenciais”.
Em nota, o Governo do Estado de São Paulo afirmou que as reivindicações serão encaminhadas para a avaliação dos responsáveis, que acompanham a situação junto às reitorias e afirmou que as tratativas com os estudantes nas três faculdades estaduais estão em andamento.
A nota também finaliza com a informação de que mais de 64 bilhões de reais teriam sido investidos nas faculdades estaduais desde 2023. O valor representa, aproximadamente, 7% do que teria sido investido no estado, durante toda a gestão - montante apresentado pelo próprio governo, em 2025. Segundo Tarcísio, o governo teria investido 910 bilhões, sendo 540 bilhões oriundos de investimentos da iniciativa privada e 370 vindos de leilões, parcerias e concessões.
Até a manhã da última terça-feira (21), segundo nota do DCE USP, apesar da tentativa de negociação com a reitoria, não houve apresentação de propostas novas e a mesa de negociação foi postergada para a próxima segunda-feira (25).
Mesmo com indícios de avanço, as greves na USP, UNICAMP e UNESP continuam, ainda sem data para terminar.