O material inovador utilizado pela marca francesa Coperni na Paris Fashion Week está em desenvolvimento desde o início dos anos 2000
por
Rafaela G. Dionello
|
01/12/2022 - 12h

Por Rafaela Guazzelli Dionello

O desfile da marca francesa Corpeni gerou o momento mais falado da temporada primavera-verão 2023, a modelo Bella Hadid fechou o desfile com um vestido que foi feito ao vivo na frente da plateia através de um spray. Por 10 minutos Manel Torres, junto de dois cientistas aplicaram um líquido nebuloso que se transformou, quase instantaneamente, em um material usável, esse líquido foi patenteado por Manel que criou essa tecnologia patenteada spray-on Fabrican, um tecido aerossol, que pode ser borrifado na pele, criando roupas sem costuras e no formato do corpo da pessoa que vai usá-las, o tecido pode ser lavado em máquinas sem problema algum. Para finalizar o vestido, a chefe de design da grife, Charlotte Raymond, subiu ao palco e deu os toques finais.

Modelo Bella Hadid e se vestido sendo construído ao vivo. Créditos: Coperni
Modelo Bella Hadid e se vestido sendo construído ao vivo. Créditos: Coperni

 

“Você pode usar este vestido, guardá-lo como um vestido e colocá-lo em um cabide. Mas se você não quiser mais, você pode colocar o vestido de volta no líquido e pode borrifar-lo imediatamente novamente”, disse o diretor criativo da Coperni e cofundador, Sébastien Meyer ao ser entrevistado pela CNN. Embora o vestido não esteja à venda, Meyer disse que é importante ultrapassar os limites da tecnologia e do design e criar um momento que possa entrar na história da moda.

 

“Além de um momento que vai ficar marcado na história da moda, isso também marca uma nova era aonde a possibilidade de criar moda de uma maneira sustentável é muito grande…a estreia Fabrican está sendo apontada como o auge do integração da moda com a tecnologia, que vem florescendo há tempos” diz a estudante de moda Lívia Lira 

 

O spray geralmente é utilizado para uso médico, pode ser utilizado, por exemplo, como bandagem médica ou no mundo da construção, justamente por sua capacidade de se solidificar imediatamente na forma desejada. Pensando no mundo da moda, onde 30% das roupas produzidas acabam nunca sendo vendidas e a alta produção causada pelas fast fashions e o descarte de peças de roupas pela velocidade que as tendências saem de moda graças a Internet, a sustentabilidade que essa tecnologia oferece é um mar cheio de possibilidades para o mundo da moda. 

O material foi desenvolvido em parceria com Paul Luckan, especialista em tecnologia de partículas, com o Fabrican Spray-on é possível mudar a textura das roupas, basta escolher outro tipo de fibra para ser aplicado. As opções são lã, linho e acrílico, a forma de aplicação também pode resultar em tecidos diferentes ao toque. "No século 21 devemos fazer com que seja a primeira vez que a ciência e o design realmente caminhem juntos, ilustrando assim sua interdependência", diz o CEO da marca.

 

As novas alternativas sustentáveis que vêm surgindo para minimizar os impactos
por |
30/11/2022 - 12h

Por Laura Scandelai Raposo Naito

 

Estima-se que as mulheres usem entre 10 a 15 mil absorventes descartáveis durante suas vidas. Pouco se fala no impacto ambiental que esses absorventes têm para o planeta, desde sua produção até ser descartado após o uso, geralmente acabando em lixões e aterros sanitários. Por isso, alternativas mais sustentáveis, como as calcinhas absorventes, coletores e discos menstruais, vêm ganhando a confiança e preferências de muitas mulheres.  O principal impacto ambiental desses produtos está na extração e no processamento das matérias-primas, que se baseiam na produção dos plásticos (petróleo) e da celulose  (árvores). Isso porque a produção de plástico requer muita energia e cria resíduos de longa duração.

 

O absorvente externo é composto basicamente por celulose, polietileno, propileno, adesivos termoplásticos, papel siliconado, polímero superabsorvente e agente controlador de odor. O corpo do absorvente é formado por um filme de polietileno e nele são adicionados adesivos termoplásticos e papéis siliconados. Enquanto os tampões, são constituídos principalmente por algodão, seda artificial, poliéster, polietileno, polipropileno e fibras. Após usados, esses produtos se tornam resíduos compostos por materiais sintéticos, que demoram em média 100 anos para se decomporem em lixões e aterros sanitários e ainda correm risco de contaminar o ambiente por conterem aditivos químicos, que foram utilizados na sua fabricação​​, inclusive podem produzir dioxinas que persistem no meio ambiente.

 

Pensando em minimizar esse impacto, a empresa canadense Knowaste é dona da patente para reciclar a fibra da celulose, pode ser utilizada em uma variedade de produtos, incluindo materiais de absorção, adoçantes de processo, produtos de papel reciclado etc. O plástico pode entrar em qualquer processo de extrusão e moldagem por injeção para fabricar produtos como madeira plástica e telhas plásticas. Os resultados podem ser usados ​​na produção de energia verde se a economia local permitir. Eles trabalham com outros produtos absorventes, como as fraldas de bebês. 

 

No entanto, outro problema ambiental que é causado pelo descarte errado dos absorventes nos vasos sanitários é a chegada desses resíduos nos rios e mares. Aplicadores de OB e absorventes estão frequentemente listados como lixos encontrados nos oceanos. Além de levarem anos para serem decompostos, também, são digeridos por animais marinhos e por aves, prejudicando o ecossistema oceânico.

 

Pensando na sustentabilidade e na saúde da mulher, a marca brasileira Pantys de calcinhas absorventes vêm se destacando. A consumidora da marca, Jennifer Reis, conta que ainda não utiliza as pantys durante todo seu ciclo, mas que é uma de suas metas. Para ela, as calcinhas ainda têm o diferencial de proporcionar conforto e segurança: "Os absorventes descartáveis são desconfortáveis e muitas vezes eu me sentia insegura, com medo de que vazasse e manchasse minhas roupas. É um problema que eu não tenho mais."

@Pantys

 

Todos os produtos da Pantys são feitos com tecidos biodegradáveis, carbono neutro e vêm em embalagens recicláveis. Ainda, a marca proporciona um programa de doações em que levam calcinhas absorventes à mulheres que vivem em estado de vulnerabilidade social e não têm acesso a produtos de higiene íntima. 

 

Além do impacto ambiental, os absorventes descartáveis podem estar relacionados a alergias e infecções, principalmente em mulheres que têm a pele e a mucosa mais sensíveis às fragrâncias, corantes e materiais sintéticos, que estão na composição de alguns desses produtos. Absorventes com camada de plástico, por exemplo, podem prejudicar a ventilação da área e favorecer, assim, o aparecimento de infecções. As alternativas sustentáveis também servem para solucionar esses problemas. As Pantys são clinicamente testadas, sendo respiráveis e anti-bactérias. 

 

Mas, as calcinhas absorventes não são a única alternativa aos descartáveis. Hoje, a Pantys também produz absorventes reutilizáveis que duram até 100 lavagens. Outra opção muito usada é o coletor menstrual e ainda, existe o disco menstrual. O disco é feito 100% de silicone medicinal, com toque macio e aveludado, e é colocado no fundo do canal vaginal. Lá, ele serve como uma barreira que impede o sangue de descer para o canal vaginal. Assim como o coletor menstrual, é possível usá-lo por 12 horas seguidas. 

Disco da marca My Lumma

 

A estudante Ana Bárbara Rolim falou sobre sua opção pelo disco, por ser mais econômico e sustentável: "Quando se coloca na balança o valor do disco menstrual e ter que estar sempre comprando absorvente, não tem nem comparação. O meu custou entre 50,00 e 60,00 reais, e isso eu gastava em uns 3 ou 4 meses comprando absorventes." Ela ainda completou que esse produto lhe proporcionou a liberdade de não se preocupar com o absorvente e citou que o odor da menstruação mudou completamente.

Como o modelo Home-Office alterou todo o mercado de trabalho
por
Clara Maia
|
01/12/2022 - 12h

Por Clara Maia de Castro Ribeiro

 

Com o desenvolvimento da tecnologia nos últimos trinta anos, a vida cotidiana, rotina e trabalho sofreram grandes transformações. Em todos os âmbitos, a informática se faz presente. Durante o período de pandemia, os ambientes "escolar" e "profissional" mudaram para sempre. O ensino à distância, obrigou professores e alunos a se adaptarem a um novo programa, como as vídeo aulas e materiais digitais.

Já no ambiente profissional, o termo “Home-Office” -  usar a própria casa como escritório - ganhou popularidade e adesão no mercado de trabalho. Os gastos com escritórios diminuíram, como aluguel, contas e despesas e se fez presente no lar de cada funcionário. 

Trabalho Home-office

Existem vários pontos positivos nesse sistema como a flexibilidade de horários, - afinal é possível organizar seu tempo e realizar suas tarefas no momento em que se sente mais concentrado - a comodidade, - não é preciso se deslocar até a empresa, utilizar transportes públicos ou gastar horas e mais horas em um engarrafamento - a qualidade de vida, - com todo o tempo economizado no deslocamento e no horário de almoço, o funcionário pode aproveitar para melhorar a própria qualidade de vida, que é um fator essencial para ter uma boa produtividade. Praticar esportes, passear, passar mais tempo com a família, participar da vida de seus filhos, estudar outros idiomas, tudo isso pode ser conciliado de uma melhor forma trabalhando em casa -  e na economia, seja para o empregador, seja para o empregado - é um fator importante nesta modalidade de trabalho. Diversos gastos podem ser drasticamente reduzidos, sendo eles: manutenção do ponto comercial, alimentação em restaurantes, transporte etc.

Trabalho Home-office

Mas existem também desvantagens nesse sistema. Há a possibilidade de excesso na carga horária, indefinição de horários de trabalho e lazer, se não houver planejamento e disciplina, falta de atualização profissional em processos gerenciais, - mais distante da equipe, é preciso cuidar para que as trocas de experiências continuem acontecendo - entre outras. 

Trabalho Home-office

A estudante de relações públicas da Faculdade Cásper Líbero, Júlia Moreira, de 19 anos relata como é sua rotina de trabalho em seu estágio com o modelo híbrido (dois dias em Home-Office e três de forma presencial); “Modelo hibrido é o melhor dos mundo na minha opinião, vejo minhas amigas trabalhando só no em casa e elas acabam não criando tantos laços ou tendo conexões profundas com suas colegas de trabalho, porém elas têm a comodidade de estar em casa, esse é um dos pontos positivos e é inegável que ele funciona dado a funcionalidade que ele teve na pandemia".

Moreira acredita que o modelo 100% presencial têm desvantagens, "querendo ou não, vir presencialmente todos os dias cansa pelo o motivo de deslocação, o tempo gasto no trânsito ou no transporte público é muito cansativo" e acrescenta "na minha rotina ter o dia para trabalhar em casa é essencial para eu continuar a minha semana".

A estudante por mais de defender a ideia de Home-Office, acredita que o modelo presencial é importante para criar um bom ambiente social e preparado para os desafios do mercado de trabalho "Hoje a maioria das minhas reuniões com os clientes são online, independente se eu estou no escritório ou não, e quase todas as minhas demandas eu consigo fazer pelo computador, então o presencial se tornou mais um espaço de troca mais intimo e um lugar que tenho mais liberdade de falar com os meus superiores, coisas que não conseguimos fazer no Home-Office por ser um ambiente mais objetivo", explica.

Ambos os modelos de trabalho são importantes, pois formam o equilíbrio entre tecnologia e relacionamento interpessoal. Pós pandemia muitas empresas entenderam que para funcionários bons e competentes a saúde mental e física devem ser cuidados, portanto o a carga híbrida é tão utilizada. 

 

Como a Gupy, Cia de talentos e outras plataformas impactam a vida de quem procura emprego.
por
Ana Beatriz Assis
|
29/11/2022 - 12h

Por Ana Beatriz de Souza Assis

 

“É complicado porque, a gente doa tanto tempo para eles com esses testes, e a maioria das empresas não faz o mesmo, não se dão ao trabalho nem de falar que não passamos” Caio da Silva de 21 anos, estudante de Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, viveu dois anos procurando um estágio. Relatou de modo cabisbaixo que passou por incontáveis processos seletivos, sendo a maioria por plataformas de recrutamento.

Ele passava a maior parte de seu dia na frente do computador, estudando e enviando currículos. Mesmo fazendo seu melhor dentro de sua realidade, se sentia improdutivo por não trazer renda para casa, sua autoconfiança não era mais a mesma, por conta das negativas injustificadas na hora da procura por emprego. Não era muito de sair, pois, não tinha dinheiro para bancar as saídas com os colegas.

 “No final, você nem sabe porque não passou” Caio diz que esse é o principal erro das plataformas de captação de perfis – Não dar um feedback apropriado. “Na minha área, não consigo entrar para o mercado de trabalho sem passar por um estágio. É angustiante saber que o tempo está passando e você não consegue nada”. Ele ainda acrescenta que sua autoestima foi afetada diretamente durante esses dois anos, já que, precisava se encaixar nos moldes que essas plataformas exigiam de forma, segundo ele, “discreta” para seguir no processo.

 

As plataformas

 Isabel Alves, analista de recrutamento e seleção, utilizava da plataforma GUPY para auxiliar na contratação em sua última empresa. “A Gupy trata de todo o processo de recrutamento e seleção da pessoa candidata, levando até a fase admissional. Ela nos auxilia a movimentar e a adicionar as pessoas candidatas à fases específicas do processo, bem como o envio de feedback”. A profissional cita que a plataforma agiliza todo o processo de contratar um novo funcionário, é de fácil manuseio e cadastro, sendo uma ótima ferramenta para visualizar todas as etapas do processo.

SS
Visão do recrutador dentro da Gupy (via: Isabel Alves) 
 n
Visão do recrutador dentro da Gupy (via: Isabel Alves) 

 Ao ser questionada sobre a queixa de falta de feedbacks e outras insatisfações, Isabel revela que todas as etapas são de reponsabilidade da recrutadora. “Todas as etapas são “manuais”, ou seja, estão sob controle da pessoa recrutadora ou gestora do processo. A fase de testes também é responsabilidade dela, a duração de testes é também é designada pela pessoa “dona”.  A escolha ou não de dar um retorno, vem do gestor do processo.

sssss
Visão do recrutador dentro da Gupy (via: Isabel Alves) 
ssssssss
Visão do recrutador dentro da Gupy (via: Isabel Alves) 

 

Isabel ainda adiciona que existem testes “padrões” feitos para alinhar o perfil dos candidatos ao da empresa, o que ela chama de “match”, são considerados variáveis como experiências, perfil, formação e resultados dos testes utilizados.

 

A procura pelo "match"

 Segundo investigação de Ianaira Neves, do Intercept Brasil, não são só esses parâmetros utilizados para promover um perfil dentro da plataforma. Ouvindo ex-funcionários de empresas que utilizam da ferramenta foi descoberto outros critérios que eram usados: “formação e localização, perfil e cultura e até interesses. Há também os critérios de idade (quanto mais novo o candidato, melhor a nota, segundo ex-funcionários), tempo de formação (quanto mais recente a formatura, maior a sua pontuação) e moradia (quanto mais próximo da sede, maior sua chance).”

 Além disso, ainda foi descoberto que o algoritmo da Gupy rebaixa notas de mulheres em comparação a de homens quando candidatados para a mesma vaga. Alunos de universidade com maiores notas no MEC tem vantagens acima daqueles que frequentam universidades mais populares.

ssss
Visão do recrutador dentro da Gupy (via: Isabel Alves) 
xxxxx
Visão do recrutador dentro da Gupy (via: Isabel Alves) 

Ainda assim, essas plataformas são rentáveis para as grandes empresas. Segundo dados da Rocketmat, foi reduzido em 73% o tempo médio de triagem em processos seletivos e ainda, segundo eles, asseguram que as ferramentas entregam 75% de acerto no algoritmo de escolha do candidato, o chamado "match".

Thiago Cabral, 21 anos, sofre de ansiedade há cerca de um ano, acredita que foi fruto dos seus meses a procura de um emprego. “ Eu passava muito tempo fazendo testes e mais testes. Teve um que fiz na Cia (Cia de Talentos) que tinha um cronômetro em tempo real em cima da página. Me sentia no Enem de novo.”  Ele cita que em um momento, deixou de preencher seu perfil com sinceridade, mentindo para se encaixar nos “matchs” que as empresas procuravam. “Eu só queria que pelo menos vissem meu currículo, sem eu ter que responder mil perguntas sem sentido” O assistente administrativo, não conseguiu seu cargo atual via plataforma, e sim, pelo modo tradicional, diz não ser adepto ao novo modelo de contratação.

dff
Visão do recrutador dentro da Gupy (via: Isabel Alves) 
eee
Visão do recrutador dentro da Gupy (via: Isabel Alves) 

 

ttt
Visão do recrutador dentro da Gupy (via: Isabel Alves) 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Falta de humanização

oo
comentário retirado do Linkedln em publicação sobre a Gupy.

 

Mariana Rodrigues, consultora de projetos e pesquisas, possui mestrado e duas pós graduações, mas, ainda assim, sofreu com os cortes robóticos das plataformas. “Acho essas plataformas super desumanas. Eu sou una pessoa super preparada. Já tentei inúmeras vezes entrar em seleções para cargos de docência, que já atuo há anos nunca sou chamada, mesmo para dentro da minha área.” A consultora cita que essas plataformas usam de métricas e palavras chaves para continuar com um processo. “As empresas estão perdendo profissionais incríveis ao usar essas plataformas. Uma pena”, conta.

Isabel, diz que a falta de contato humano é algo que a plataformas deixam a desejar. Desabafou que se pelo menos tivesse uma ligação ou um bate papo entre as etapas, já ajudaria muito. “Depende da complexidade da vaga…. Por exemplo: vagas mais “fáceis” como assistente administrativo e consultor de vendas são finalizadas rapidamente. (cerca de 05 a 15 dias no máximo). Agora, vagas mais complexas (um grande exemplo é T.I) é um tanto mais demorado (20 a 40 dias).” Explica a profissional ao ser questionada sobre a duração dos testes.

 “Olha, eu prefiro nem falar o nome da empresa, mas, ano passado (2021), já fiquei cerca de 6 meses dentro de um processo seletivo, só esperando as devolutivas” declara Caio da silva. Com seu celular, ele me mostra o o histórico do processo seletivo, que já foi finalizado, porém com uma duração extensa de meio ano. “ Eu fiz todos aqueles testes chatos, e demorou mais de dois meses para ir para outras etapas. Mandei vídeo de apresentação, fiz redação, cheguei a fazer entrevista com três gestores." Caio disse que estava nutrindo esperanças pela vaga, que chegou até a escolher entre três áreas para trabalhar. “ Falaram que me dariam a resposta em setembro, foram só me responder em dezembro”

 Ferramenta de corte em massa

lkklll
comentário retirado do Linkedln em publicação sobre a Gupy.

 

Bruno Duarte, é consultor de serviços na área da Saúde, diz já ter passado por "perrengues" na procura de emprego via plataforma: “Eu cheguei a enviar mais de 200 currículos e não tive resposta de nenhum” Ele diz que é questão de sorte você chegar a falar com alguém, e que acaba se contentando com respostas automáticas enviadas para todos. “Elas dão a sensação que você está falando com um robô a todo momento e que ninguém na realidade está avaliando o seu currículo.”

Depois de dois anos, Caio enfim conseguiu seu emprego, ironicamente ou não, via plataforma de recrutamento. “Não acredito que a Cia de Talentos facilitou meu lado, pelo contrário, só deixou tudo mais pesado” Caio, foi diagnosticado com ansiedade e assim como Thiago, acredita que um dos gatilhos principais foi a procura por emprego. “Eles utilizam de perímetros inalcançáveis como corte, e tenho certeza que as pessoas mentem dentro do processo, por isso não acredito que seja de todo eficaz”

O agora emprego, diz ter passado por testes de inglês, lógica, português, jogos e teste de Excel para depois ser chamado para entrevista, “ Eu basicamente me condicionei aos padrões da plataforma” Ele ainda conclui que, no dia-a-dia da empresa, não exigem nem metade do que lhe exigiram para passar no processo. “Fico muito feliz de ter conseguido meu emprego, mas, o que esse processo me fez passar, não desejo para ninguém. Só espero que no futuro, o contato humano não seja visto com tanta desfeita como hoje”.

                                                  

Como novos estudos que surgem na comunidade científica ressaltam os efeitos positivos de viagens controladas com LSD
por
Laura Melo de Carvalho
|
27/11/2022 - 12h

Por Laura Melo de Carvalho

 

“Na primeira hora de efeito meu coração já estava acelerado, as luzes ganharam tonalidades diferentes e um brilho forte, todo o espaço à nossa volta de repente parecia muito maior do que antes, senti a energia fluindo entre minha pele e o som., os galhos no topo das árvores pareciam criar novos ramos, se multiplicando sem nenhuma explicação, as raízes no chão se multiplicavam em novas ramificações, os desenhos psicodélicos agora se mexiam e alteraram sua forma e tamanho. Senti uma sensação de compaixão, êxtase e alegria que nunca havia sentido antes, podia ver as árvores respirarem, sentia como se estivessem conectadas à nós de alguma forma, na verdade podia sentir como se todos estivéssemos conectados”, detalha Vinícius Morgado sobre sua primeira viagem bem sucedida de LSD.

A palavra psicodélico trata de um neologismo, resultante da junção de psique, mente, e delos, digamos que visão. O termo psicodelia sintetiza a ideia de manifestação da “revelação do espírito”, e psicodélico é o que torna visível a alma, sintetizando tudo que  Vinícius vivenciou na sua experiência com alucinógenos.

Apesar de ser um assunto delicado e que envolve muito preconceito e processos burocráticos, nos últimos tempos, estudos que comprovam a eficácia do uso de drogas alucinógenas, em sua maioria ilícitas, no tratamento de doenças neurológicas e distúrbios mentais, têm movimentado a comunidade científica, que vem recebendo investimentos de até 17 milhões de dólares para as pesquisas na área.

Como explica Torsten Passie, pesquisador da farmacologia do LSD, a farmacologia do semi sintético ainda é complicada e um pouco desconhecida, mas garante que não deixa efeitos duradouros no cérebro ou em outras partes do corpo, sendo muito raro casos de overdose, sem casos relatados de morte com overdose do ácido até hoje, além de ser uma droga que não causa dependência. Após mínimos casos de overdose com a droga, pesquisadores e terapeutas identificaram efeitos positivos do alucinógeno nos pacientes, que até então sofriam de transtornos psicológicos, mas que tiveram seus quadros amenizados após a trip.

De acordo com um relato de Lily, trabalhadora do Vale do Silício que teve seu nome ocultado, “se o LSD for consumido em pequenas doses, cerca de um décimo do que seria uma dose “normal”, seus efeitos são bem diferentes do que se espera dessa substância: pessoas que experimentaram essas micro doses garantem que a droga aumenta a concentração e a capacidade, além de reduzir a ansiedade. Além dessas vantagens, o LSD melhora a comunicação interpessoal, aumentando a empatia de quem usa.” Diante disso, no Vale do Silício as experiências com o alucinógeno tem se tornado uma forma de alcançar o maior rendimento no trabalho, virando uma nova tendência entre seus colegas de trabalho.

Sobre o funcionamento do LSD no sistema nervoso, o neurocientista Júlio Santos explica, “O LSD, é uma droga que age diretamente no sistema nervoso central, quando ingerida pelo indivíduo, mimetiza o neurotransmissor serotonina - molécula responsável pela comunicação *entre os neurônios relacionada ao nosso humor e bem-estar - com quem compete ativamente pelo mesmo receptor - 5-HT2A, promove inibição desses receptores e, dessa forma, altera a forma como o cérebro interpreta a realidade, causando alucinações, delírios e ilusões da realidade.”

Portanto, o uso do LSD e outras drogas mais fortes, que são diferentes da Cannabis, em tratamentos de transtornos e doenças psicológicas ainda é muito desconhecido e pouco frequente, muito pelas poucas informações sobre a droga e seus efeitos, e o preconceito que envolve o uso do LSD dentro da sociedade e da comunidade científica, apesar de parecer ter um grande potencial medicinal, ainda não conhecido. 


 

Como as tecnologias influenciam a geração z na militãncia
por
Isadora Verardo Taveira
|
24/11/2022 - 12h

Por Isadora Verardo

Dia 11 de agosto de 2022. Largo São Francisco, centro de São Paulo. Manifestação em defesa do Estado Democrático de Direito, após diversos ataques do atual presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre o sistema eleitoral e as instituições legítimas do país. Lotado. Ver as ruas estreitas do centro da capital tomadas por pessoas, que se uniram e se mobilizaram em prol daquilo que demoramos anos para conquistar: a democracia. Um ponto me chamou a atenção: a quantidade de pessoas mais velhas, que provavelmente viveram a ditadura e a redemocratização do Brasil era muito grande. Onde estavam os jovens?  

“É delicado olhar o presente com os olhos do passado no sentido comparativo” - afirma Maria Luiza Nogueira, estudante de Relações Públicas da ECA-USP e militante do coletivo Afronte, quando questionada sobre as diferenças do ativismo no passado e no presente. Retomando um pouco historicamente, durante os anos de chumbo, a conjuntura política e social do Brasil era completamente distinta dos dias atuais. O contexto era de Guerra Fria, ditadura militar, repressão, além de um país extremamente polarizado, e a militância era condizente com o momento político. O historiador Alcyr, ativista do movimento estudantil durante o período militar enfatiza que “Quando a gente entrava para a luta, a gente tinha a consciência de que a coisa poderia pegar e você poderia morrer, porque eles matavam mesmo. Então quando a gente ia para a militância, nós também não éramos santos, partíamos para a pancada, para a agressão.” 

“Às vezes, tenho a impressão de que, quando estou perto de jovens, existe a noção de que a maneira de promover a mudança é julgar as outras pessoas o máximo possível e que isso é suficiente. Isso não é ativismo, isso não está gerando mudanças. Se tudo o que você faz é atirar pedras, provavelmente não irá muito longe.” declarou o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em coletiva de imprensa. É interessante ver como tudo é inerente aos caminhos e a suposta “evolução” da humanidade. Por mais que atualmente exista uma enorme capacidade e rapidez para veicular notícias - muito maior do que durante o período militar - as capas dos jornais contra-hegemônicos foram substituídas por rasos depoimentos no Twitter, escancarando um enganoso ativismo político da juventude. É injusto afirmar que no passado as lutas eram realmente combativas e nos tempos atuais deixaram de ser, entretanto é inegável a comodidade que a sociedade encontrou atrás das telas dos celulares e da crença de que fazer oposição é uma tarefa simples, assim como postar uma foto nos stories do Instagram.

Quando perguntado sobre as diferenças entre a militância do passado e do presente, Alcyr afirma que atualmente o ativismo está muito devagar “Existe uma indústria de desinformação, hoje as fontes vem das redes sociais, e com ela vem tudo que é bom e tudo que é ruim também. As fake news prejudicaram esse acesso à informação, então hoje a militância está muito comprometida, e feita de uma forma muito precária.” O historiador complementa que, quando era militante pelo movimento estudantil em 1977, a oposição era mais sólida e combativa: “A gente lutava e partia para o corpo a corpo, muitos queriam fazer uma reforma agrária, ir para o campo, imitar os movimentos de Fidel Castro, a guerrilha urbana.”

Em contrapartida, Maria Luiza assegura que hoje a juventude, principalmente com o advento das redes sociais, com mobilizações, tendências mundiais, vêm se organizando e protagonizando lutas em várias esferas. “Eu acredito que esse setor segue protagonizando uma série de ações sociais no Brasil e no mundo inteiro, mas de formas diferentes. Acho que durante a ditadura militar foi construído o que é uma herança, inclusive para a juventude brasileira que é o próprio movimento estudantil, que também cumpriu um papel muito importante nesses últimos tempos.” As tecnologias trouxeram uma mobilidade muito grande, uma capacidade de alcance invejável. Com um clique é possível engajar um milhão de pessoas, jovens que estão constantemente conectados. Mesmo com as diferenças, principalmente na conjuntura política e social do Brasil nos dois períodos, é necessário abordar a comodidade que as redes sociais trouxe para a militância. 

Basta ligar a TV para ver o grande engajamento da juventude em movimentos, principalmente pelo clima. O ativismo climático tornou-se pauta da geração atual, e é inegável o protagonismo dos jovens. Ativistas como Greta Thunberg – a adolescente sueca que criou o movimento Fridays for Future e se tornou o maior símbolo do ativismo de sua geração – usam suas vozes para protestar e exigir das lideranças globais ações para combater a crise climática e garantir o futuro do planeta. “O tema que é mais atual que nunca, das mudanças climáticas ao racismo ambiental, do combate ao colapso ambiental, também tem uma cara muito jovem no Brasil e no mundo inteiro”, acrescenta Malu. 

Fica claro o abismo que existe entre opiniões, dados, tempo e espaço. Falar sobre a geração que cresceu em meio a tecnologia, e relacionar as consequências dessa (re)volução com os anos de chumbo é uma tarefa, no mínimo, delicada. A estudante afirma que “As redes sociais não são o suficiente, não substituem o corpo a corpo, o dia a dia e o cotidiano que é necessário para qualquer tipo de construção de ativismo.” O que as tecnologias trouxeram é impressionante, fascinante. Mas nada é capaz de substituir o olho no olho, a troca, as conexões. E isso se aplica em todos os âmbitos da sociedade, desde relações pessoais até as relações com o mundo, com a militância, a luta por direitos. Alcyr finaliza com a pergunta “O que é ativismo com a tecnologia? Hoje eu enxergo uma terra de ninguém” - responde o historiador. 

O modelo clássico do sistema de educação vem se tornando cada vez mais obsoleto e desinteressante para os alunos, mas a tecnologia tem tudo para mudar isso.
por
Henrique Baptista Martin
|
21/11/2022 - 12h

Por Henrique Baptista Martin

A educação é um dos pilares mais importantes na construção de uma sociedade.Além de ser um direito imprescindível, é uma chave para criar cidadãos mais críticos, conscientes e participativos em relação aos seus direitos e deveres. No Brasil, a taxa de abandono escolar vinha apresentando queda desde 2010. Em 2020, cerca de 2,6% dos alunos matriculados no ensino médio das redes estaduais de ensino abandonaram a escola. Em 2021, esse número mais que dobra: chegando a 5,8%, um pouco acima da taxa de abandono de 2019 (5,5%).  

 

 

Sim, após a pandemia e “obrigatoriedade” instantânea de adaptação tecnológica, esses números vem subindo, mas não deveria ser ao contrário? Bem, isso simplesmente não aconteceu e os alunos ficaram sem aulas como no caso de muitas escolas da rede pública, e mesmo quando feito foi realizado de uma forma muito negativa, simplesmente transmitir uma aula sem qualquer tipo de interação como foi feito não tem nada de adaptação tecnológica. 

Para esclarecer alguns pontos e contar também um pouco o lado do educador convidamos o professor Edson Ciotti, que já exerce sua profissão há mais de 15 anos e é um apoiador do uso tecnológico nas salas de aula. Quando perguntado sobre o período pândemico e a relação professor-aluno na classe, Edson ressalta que: “O professor precisou se reinventar para fazer aulas 100% virtuais. Muitas escolas acabaram investindo em estruturas tecnológicas digitais, mesmo as que possuem menos recursos (...) As aulas eram transmitidas, pois não havia interação dos alunos com o professor, câmeras fechadas, microfones fechados, alunos desconectados.” 

Ciotti também projeta o que vê como ideal para o futuro da educação digital, “Espaços cada vez mais interativos, onde os alunos sejam protagonistas, participem mais de tudo para melhor conexão com o conhecimento.” e complementa dizendo que gostaria que esses espaços fossem sem fronteiras tanto para instituições públicas quanto privadas. 

Em suma, a educação no Brasil parece não estar nem perto desse ideal de integração tecnológica, e ainda encontra problemas básicos de infraestrutura, o que dificulta muito um pensamento nesse sentido no momento, porém é muito importante que esses temas sejam discutidos e tenham um investimento desde já nessa área para que no futuro o terreno já esteja preparado para uma inevitável revolução tecnológica no sistema educacional.  
 

Após o assassinato da jovem iraniana a Internet se uniu na busca por justiça dela e de muitas outras mulheres que morreram nessa luta
por
Beatriz Vasconcelos
|
22/11/2022 - 12h

Por Beatriz Camargo Vasconcelos

 

No dia 13 de setembro, a jovem de 22 anos, Mahsa Amini foi detida pela polícia acusada de usar o hijab de maneira imprópria deixando o cabelo aparecer, assim desrespeitando o código de vestimenta feminina implementado pelo governo iraniano. Três dias depois, 16 de setembro, Amini foi espancada até a morte sob custódia da polícia. O governo iraniano insistiu que a  morte foi causada por um ataque cardíaco, mas relatos indicam que ela sofreu uma fratura no crânio devido a fortes pancadas na cabeça. Após a morte da jovem, protestos de rua se espalharam por todo o Irã e o caso se transformou em um símbolo de revolta no país. Com o slogan “mulheres, vida, liberdade”, mulheres de todo o país estão lutando pelos direitos humanos. Como forma de conter os protestos o governo vem agindo com muita violência e rigidez. De acordo com a ONG Iran Human Rights, até a última segunda-feira (7), haviam morrido 304 pessoas, sendo elas pelo menos 41 crianças e 24 mulheres.

Mulheres cortam o próprio cabelo em protestoOs protestos se propagaram pela Internet através de vídeos das manifestações de rua no Irã que viralizaram. Mulheres de todos os países começaram a cortar o próprio cabelo em suas redes sociais como forma de apoio. A hashtag #mahsaamini, atualmente tem 1,5 bilhões de visualizações no Tik Tok e 1,2 milhões de publicações no Instagram. As publicações variam de vídeos de apoio aos protestos a vídeos informativos contando o caso da jovem e mostrando imagens dos protestos para aqueles que estão alheios à situação.

Em um mundo movido pela tecnologia e pelas redes sociais, essa forma de apoio é cada vez mais recorrente, porém em um país tão rígido e conservador como o Irã, esse tipo de amparo realmente ajuda? “Não penso que atrapalhe. Esse movimento é uma revolução das mulheres contra um regime de apartheid de gênero. Se os protestos tomaram essas proporções, é porque estamos diante de algo que fere a humanidade como um todo. É a dignidade sendo tirada de milhares de filhas, mães e avós. Infelizmente é algo que não é recente, e sim enraizado. A agressão e rigidez do governo foi desde o começo dos protestos explicitamente violenta. O que contribui para que essa brutalidade continue por anos e mais anos é o abafamento.” conta a estudante de direito e criminologia Helena Grani.

Em entrevista, o professor, jornalista e escritor José Arbex Jr. opina sobre o tema: "Se por exemplo elas (manifestações nas redes sociais) estimularem um processo de manifestação de rua, combinado com a pressão internacional de outros governos sobre o regime iraniano, talvez resulte em alguma coisa, mas não me parece o caso. O Irã tem um regime muito forte que é capaz de aguentar pressões muito grandes, e eu não acho que nós estejamos em um ponto que o regime vai ser obrigado a alterar alguma coisa em função desses atos que estão acontecendo agora. Nós já tivemos manifestações bem mais fortes no Irã em outras circunstâncias que não resultaram em grande mudança.”

professor e jornalista José Arbex Jr.O jornalista também explica que o Irã se encontra em uma situação de crise que não diz respeito apenas a esse evento em si, mas a uma crise social e financeira, que é provocada por pressões dos Estados Unidos e é resultado de uma situação muito mais complicada que diz respeito ao equilíbrio geopolítico do Oriente Médio. “Então é óbvio que uma  manifestação de rua provocada pelo assassinato da moça pode sim ser como acender um palito de fósforo num depósito de pólvora.”

Além de ser estudante, Grani também cria conteúdo nas redes sociais e participou do movimento de apoio aos protestos. “Quando posto esse tipo de conteúdo, procuro aos poucos trazer a atenção para problemas maiores, geralmente estruturais. A desinformação mata, nós vemos isso no dia a dia. Pessoas protestando sem fundamentos, a polarização política, e até mesmo o desconhecimento da lei. Prefiro gastar alguns minutos informando, e se conseguir fazer com que pelo menos uma pessoa pare o que está fazendo e fique a par de uma situação de violência estrutural que afeta não só as mulheres iranianas, mas o mundo como um todo, já vou estar feliz. Imagino que num mundo onde as pessoas esquecem as coisas rápido, quanto mais interação elas tiverem com a informação maior será a chance de lembrarem daquilo depois.” disse.

Por conta das proporções que os protestos tomaram, o governo iraniano desligou a Internet em partes do Teerã e do Curdistão e chegou a bloquear plataformas de redes sociais. “Considero essa estratégia eficaz se estivermos falando de um retrocesso dos direitos humanos. Como cidadã de um país democrático, acredito que nenhum silenciamento é eficaz para combater conflitos.” comentou a estudante.

Levando em consideração outro ponto de vista, Arbex concorda parcialmente. “Nós sabemos que as tentativas de abafar a circulação de informações pelas redes sociais são eficazes até certo ponto. Sempre é possível driblar a censura porque os provedores das redes sociais estão situados em várias partes do mundo e é impossível o país bloquear completamente as redes, até porque grande parte dos serviços da burocracia estatal, das comunicações, hoje são feitas via internet. Então é impossível manter completamente bloqueado. Eu acho que numa certa medida eles são eficazes, mas não 100%.”

Os protestos se espalharam pelas universidades, mesmo com o movimento estudantil paralisado nos últimos anos, por conta da forte repressão governamental. Após todos esses anos os campi voltam a ser um ambiente primordial para os protestos. De acordo com o Iran Human Rights, o governo tem entrado nas universidades para prender os estudantes de forma violenta. Também existem evidências de que, além das forças armadas, forças à paisana, que também estavam armadas, se passaram por estudantes e atacaram e sequestraram estudantes da universidade. Condenando todas essas ações, no dia 30 de outubro, a ONG utilizou da Internet, por meio de seu site, para publicar uma nota pedindo que outras universidades e instituições acadêmicas do mundo repudiem o ocorrido como forma de apoio.

“A internet evolui um pouco a cada dia. Não há muito tempo, sua única função era fazer e receber ligações, enviar e-mails. Eu sinto que a nternet é um lugar perigoso. Na medida que os aplicativos nos possibilitaram expor nossas opiniões e circular conteúdos, de forma democrática e muitas vezes anônima, os usuários puderam usufruir dela de acordo com suas intenções. Não é à toa que mais da metade dos crimes ocorrem por trás das telas. A tecnologia inova, as possibilidades de infração também. Entretanto, existe um lado da Internet muito bonito. É o lado digital do direito, que se utiliza da rede mundial como ferramenta de justiça. Como sabemos, o sistema penal é falho. Uns casos têm mais atenção que outros, devido a desigualdades e preconceitos sociais, de raça, gênero... O uso da internet para a veiculação, conhecimento e conscientização da criminalidade e onde ela ocorre é um grande passo para uma sociedade mais atenta, empática e justa.” adiciona Grani.

Na luta conjunta pela justiça, todos querem ajudar de alguma forma, mesmo que seja do outro lado do mundo. “Compartilhar, comentar, e ajudar o conteúdo a engajar nas redes sociais. Pesquisar de que outras formas você pode ajudar mesmo remotamente. Mas antes disso, tomar muito cuidado com a fonte e a veracidade das informações. Quem não questiona apenas contribui para a propagação do ódio e das fake news.” conclui Helena.

 

 

A Startup Onkos reinventa os exames oncológicos trazendo resultados mais precisos e um tratamento menos agressivo para pacientes
por
Beatriz Vasconcelos
|
17/11/2022 - 12h

Por Beatriz Camargo Vasconcelos

Todo ano no Brasil cerca de 700 mil pessoas recebem o diagnóstico de câncer e 225 mil morrem por conta da doença, conforme aponta um levantamento feito pelo Instituto Oncoguia, em 2020. Um dos principais procedimentos para o diagnóstico do câncer, as biópsias, tiveram uma redução de 39,11%, quando comparados os meses de março a dezembro de 2019 e 2020. Esses números em situações comuns no Brasil já são baixos, considerando que o país tem uma alta taxa de diagnósticos tardios, porém com a condição atípica mundial, a pandemia da COVID-19, esses números tendem a diminuir. 

A startup Onkos, criada em 2015 em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, torna este processo de diagnósticos mais simples e eficiente. “O laboratório foi criado com o intuito de minimizar ou evitar terapias, procedimentos e cirurgias desnecessárias. ” diz Mirela Prates, Analista Pleno de Laboratório.  Em parceria com o Hospital de Câncer de Barretos, diversos laboratórios e universidades como UNICAMP, USP, UNESP, a Onkos utiliza de uma plataforma tecnológica para evitar que pacientes com neoplasias passem por tratamentos agressivos. 

Os exames realizados são feitos por sistemas de computador que aprendem à medida que recebem novas informações e criam escalas de risco baseadas no material genético das células que sofreram as mutações. “Todos os exames são desenvolvidos a partir de uma plataforma tecnológica proprietária chamada de Gene Expression Profiling, unindo o conhecimento de técnicas de Biologia Molecular com sofisticadas análises de Inteligência Artificial. Esta plataforma visa identificar assinaturas genéticas específicas e personalizadas que respondam com maior acurácia e precisão dúvidas diagnósticas não solucionadas por completo pelas técnicas atuais. ” explica Prates.

infográfico sobre gene expression profile
Infográfico explicativo por: onkos

 

O objetivo desses testes é eliminar qualquer incerteza da classificação dos riscos que o paciente corre e evitar tratamentos agressivos desnecessários. Para isso, os pesquisadores investigam a atividade de moléculas chamadas microRNAs. Elas são como pequenos RNAs que não traduzem a informação do DNA em proteína com função específica, mas com capacidade de controlar a atividade do próprio RNA. Em alguns processos patológicos, como o câncer, essas moléculas reprimem ou desregulam uma expressão gênica para ter atividade oncogênica ou mesmo suprimi-la.

 

Nódulos da tireoide

O diagnóstico dos nódulos de tireoide é o principal trabalho realizado pela Onkos. A Analista, responsável técnica na realização e análise de todos os exames realizados pelo laboratório (mir-THYpe  full e mir-THYpe pre-op), conta como funciona o processo da realização dos exames por meio dessa plataforma tecnológica. “O exame de classificação molecular de nódulo de tireoide indeterminado é indicado para pacientes com nódulos de tireoide indeterminados, ou seja, que na análise citológica da(s) lâmina(s) de PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina) tiveram classificação no Sistema de Bethesda categorias III ou IV e, em casos selecionados, V. [...] O exame analisa também um perfil de expressão de microRNAs e, através de um algoritmo, auxilia de forma acurada na classificação de nódulos de tireoide indeterminados avaliando o comportamento molecular da amostra para malignidade em “positivo” ou “negativo”. A performance do exame foi calculada com base em um estudo de validação que comparou os resultados obtidos pelo mir-THYpe utilizando o material genético extraído de amostras de lâminas de citologia de PAAF de pacientes com nódulos de tireoide indeterminados, com os resultados do exame histológico pós-cirúrgico dos mesmos nódulos. O exame também faz a análise isolada da expressão dos microRNAs miR-146b (biomarcador preditor de comportamento potencialmente mais agressivo em carcinoma papilífero) e miR-375 (biomarcador de carcinoma medular de tireoide). O teste possui 94% de sensibilidade e 81% de especificidade”.

infográfico sobre o funcionamento do teste molecular para nódulos de tireóide
Infográfico explicativo por: onkos

Antes da iniciativa da startup, os exames de diagnóstico para os nódulos de tireoide tinham uma significativa parte dos laudos com resultado indeterminado. “A classificação Bethesda III e Bethesda IV, são denominadas indeterminadas, isso significa que ela não conseguiu identificar se aquele nódulo é benigno ou maligno (câncer), uma prática geral é a de realizar cirurgia em casos de nódulos indeterminados, e é aí que nosso exame mir-THYpe® full é indicado. Utilizando a PAAF já coletada o teste molecular “reclassifica” o nódulo “benigno” ou “maligno” com uma alta precisão. Quando nosso teste reclassifica um nódulo, que era indeterminado em “benigno”, pode-se evitar uma cirurgia diagnóstica e manter a tireoide do paciente intacta!” explica a assessoria da empresa.

Todo esse processo da realização dos exames para diagnósticos mais precisos são muito importantes na tomada de decisões do médico. Quando se trata de pacientes com tumores, essas escolhas feitas, seja por uma clínica ou pelo próprio médico são cruciais para a vida dessa pessoa. Por isso, para que o profissional possa deliberar com certeza e precisão, é preciso que os exames tenham muita acurácia e precisão. Nesse quesito a tecnologia é uma ajuda muito bem-vinda. “O exame pode ajudar a prevenir cirurgias desnecessárias através da reclassificação do nódulo indeterminados na tireoide em potencialmente negativo (benigno) ou positivo (maligno) para malignidade, facilitando a tomada de decisão do médico. ” conclui Prates.

            Os benefícios do teste não acabam por aí, a assessoria da Onkos conta mais alguns pontos positivos do exame. “[...]geralmente quando um nódulo é classificado como indeterminado isso causa muitas dúvidas, incertezas e medo para ao paciente e seus familiares e, ao usar o teste molecular para “reclassificar” o nódulo, o médico consegue diminuir esse sentimento de angústia e dúvida e proporcionar um diagnóstico mais preciso ao paciente. Para nódulos com indicação cirúrgica, a personalização da cirurgia que os teste moleculares proporcionam é muito vantajosa ao médico, pois economiza tempo, recursos, proporciona uma assertividade melhor na cirurgia além de trazer mais segurança ao paciente, pois indica se aquela cirurgia precisará ser urgente ou não. ”

            Atualmente a empresa está desenvolvendo um novo tipo de exame, ainda não disponível no mercado, “Nossa equipe de pesquisa e desenvolvimento em parceria com a FAPESP estão desenvolvendo um novo teste para identificação de origem tumoral para cânceres metastáticos de origem primária desconhecida será lançado em breve.[...] Nosso exame visa a partir de biomarcadores realizar a identificação do sítio primário do câncer para um tratamento mais adequado.” conta a assessoria.

            Testes moleculares como os disponibilizados pela Onkos trazem muitos benefícios tanto para os pacientes quanto para os médicos. “Além de serem pioneiros no país, nossos exames são validados com pacientes brasileiros e proporcionam inovação na área médica brasileira. A medicina de precisão é o futuro da área médica, pois consegue analisar paciente por paciente, diminuindo tratamentos generalistas e proporcionando mais acurácia nos diagnósticos.” conclui.

Com o crescimento de casos de crianças portadoras do Transtorno do Espectro Autista, muitos cientistas e pesquisadores passaram a estudar os benefícios da alimentação no tratamento
por
Nathalia Teixeira
|
16/11/2022 - 12h

Por Nathalia Cristina Teixeira Bezerra

Nos últimos anos, os casos de crianças portadoras do Transtorno do Espectro Autista (TEA) aumentaram significativamente. Dados do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostram que, em 1970 a proporção de crianças autistas era de uma a cada dez mil. Já em 1995 aumentou para uma a cada mil. Em 2018 os números começaram a ficar preocupantes: uma a cada 59 crianças eram portadoras desse transtorno de neurodesevolvimento. Em 2020 foi registrado um para cada 54 e agora, em 2022, uma a cada 44 crianças é autista.

Com a ascensão nos números de crianças neuroatípicas, cientistas do mundo inteiro passaram a estudar o que pode ter ocasionado esse boom do TEA. Apesar das pesquisas ainda estarem em um estágio inicial, profissionais da área se dividem em sugestões do que pode ser a explicação para o fenômeno. Uma das principais hipóteses envolve a alimentação e a quantidade de substâncias pesadas que os seres humanos passaram a ingerir nos últimos anos, como por exemplo os metais. No Brasil, a ingestão de metais pesados como mercúrio, chumbo, cádmio e outros, pode ter sido decorrente do acidente da Vale, que aconteceu em 2014. Outro ponto é a contaminação dos peixes, principalmente nas regiões ribeirinhas do Espírito Santo, que pode estar promovendo problemas de saúde diversos na população brasileira.

Ao relacionar autismo e nutrição há um outro aspecto que também é importante ressaltar. Após o diagnóstico, a alimentação passa a ser um fator determinante no tratamento. Isso porque portadores do TEA, principalmente crianças, possuem intolerância à glúten, lactose e outras restrições alimentares a depender de cada caso. Viviane de Oliveira, estudante de medicina e mãe de Luiz Filipe, um menino autista de cinco anos de idade, fala um pouco melhor sobre como descobriu que a alimentação de seu filho poderia influenciar no TEA: “após quatro meses de vida ele já começou a apresentar reações alergênicas. [...] Ele tomou muitos corticoides, antibióticos e outros remédios, pois sempre estava com rinite alérgica, sempre com problemas pulmonares que liberavam muito muco. Isso já foi um alerta para eu ter uma atenção especial à saúde dele”, relembrou a estudante. “Quando ele teve o diagnóstico de autismo, comecei a pesquisar sobre e descobri uma médica cujo filho é autista e que começou um tratamento de disbiose intestinal, que seria a desinflamação do intestino. Achei super interessante e vi que a primeira coisa que se fazia nesse tratamento era a retirada do glúten, que é um agente inflamatório pro intestino e o leite, que provocava toda essa mucosidade nele”, disse. A partir daí, ela contou que assim que retirou o leite percebeu que seu filho nunca mais teve problemas com mucosidade. Depois, ao retirar o glúten, as crises de dermatite acabaram e inicialmente a ideia era essa de que a retirada desses alimentos iria curar apenas as alergias.

A terapia alimentar é bastante eficiente para o tratamento de autistas. Estudos recentes apontam que, além de reduzir as alergias típicas do TEA, a restrição de certos alimentos para crianças autistas faz com que elas se desenvolvam mais rápido do que outros indivíduos com a mesma condição. No caso de Luiz Filipe de Oliveira, a terapia alimentar fez com que ele desenvolvesse a fala. Como contou Viviane, “com a retirada do glúten e do leite percebi uma grande melhora nele na questão da saúde mesmo. Só que aí eu e os médicos começamos a perceber que o Luiz passou a ter um avanço cognitivo. As terapeutas começaram a elogiar ele, alegando que estava mais atento, fazendo as atividades corretamente e com maior tempo de concentração. Foi aí que me deu mais força de continuar a seguir nesse padrão, juntamente com uma médica ortomolecular que ajudou a fazer uma suplementação específica para ele e com isso eu só tenho visto melhoras”, sendo uma dessas melhorias a questão da fala. Ela contou que, conversando com outras mães, elas afirmaram que ao aderir o tratamento, tiveram ganhos e avanços no tratamento dos filhos. “Não só sobre autismo, conheço mães com filhos com TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) e com TOD (Transtorno opositor desafiador), que ajuda muito também a criança a se acalmar, tranquilizar e prestar mais atenção nas atividades”, pontuou.

 

Seletividade alimentar

A nutricionista Patrícia Ferraz explicou que a terapia alimentar auxilia também na questão da seletividade alimentar. A seletividade é uma característica típica de crianças autistas, que vale ressaltar, também possuem transtorno comportamental. Basicamente, ela consiste na rejeição de certos alimentos, como por exemplo legumes e verduras, que pode prejudicar diretamente as vitaminas e os nutrientes necessários para a alimentação da criança.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Medicina de Massachusetts apontou que que crianças com TEA expuseram mais recusa alimentar do que as crianças com desenvolvimento típico, sendo representado cerca de 41%. Além disso, o repertório alimentar dos que participaram do estudo é bastante limitado: apenas 19% dos alimentos apresentados foram aceitos pelo grupo.

Segundo a profissional, “as crianças que não se alimentam corretamente, chegam com queixa de dores e irritações que são decorrentes da má alimentação [...]. Cada caso é único e é preciso analisar o contexto em que o pequeno está inserido, para estudar qual o melhor tipo de alimentação e como superar a seletividade alimentar”, isso porque, como disse a nutricionista, não existe um tipo de alimento específico que seja benéfico para o autista. Cabe ao profissional estudar e entender o que funciona para aquele indivíduo e proporcionar um plano alimentar adequado ao paciente.

 

A eficácia da nutrição é comprovada pela ciência?

Atualmente o tratamento com maior índice de estudos dentro da questão do autismo está baseado em intervenções dietéticas e nutricionais, O objetivo é minimizar qualquer tipo de efeitos deletérios causados pela má metabolização de substâncias alimentares agravadoras do espectro, como por exemplo o glúten.

O que ocorre é que os estudos, por estarem em fase inicial, ainda são bastante controversos e contraditórios. Ainda não há uma ciência que comprove a efetiva  melhora ou não no quadro clínico da criança, por isso a necessidade da avaliação de casos individuais. Tudo que se sabe relacionado à autismo e nutrição é baseado em casos específicos e relatos de pessoas que vivem na pele as melhorias. Apesar de profissionais da saúde acompanharem - e até mesmo indicarem - esse tipo de tratamento, a grande problemática é que os cientistas não conseguiram comprovar a efetividade através das pesquisas.

Em suma, a nutrição dentro do autismo é um tema que vai demandar muito a ciência nos próximos anos. Tanto pelo aumento do número de casos, quanto pela complexidade do assunto, são diversos os fatores que ligam a nutrição e o Transtorno do Espectro Autista, sendo os principais a ingestão de substâncias maléficas para o corpo humano, que é o fator mais provável - de acordo com as pesquisas que saíram até o momento - que causou o aumento repentino de crianças autistas, a prevenção de alergias e mal estar à autistas e a luta contra a seletividade alimentar, aspecto comportamental que é potencializado neste grupo.