Driblando aos poucos os efeitos negativos da pandemia, as grandes marcas apostaram nos desfiles online
por
Manuela Troccoli
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08/10/2021 - 12h

Por Manuela Troccoli

Com a pandemia do coronavírus, a maior parte das empresas e centros comerciais se adaptou para uma nova rotina. O trabalho estilo home office é cada dia mais comum nas áreas de  trabalho e existem até aqueles que afirmam que este modelo vai permanecer em vigor por muito tempo, mesmo depois do tão sonhado fim desta pandemia global. Graças ao home office e uma série de hábitos inseridos no cotidiano, vem sendo possível trabalhar, estudar, fazer academia e cursos estrangeiros sem nem sair de casa. Essas coisas já existiam antes e sempre tiveram os adeptos ao “trabalho de casa” e home studying, mas os números destes usuários certamente triplicaram levando em conta o cenário pandêmico.

Fato é que para tudo - ou quase tudo - foi dado um jeito. Escola, trabalho, academia, universidades e até aula de pilates. O acesso a toda esta metodologia já estava disponível, mas às vezes não era dada a relevância necessária para estes mecanismos. E para o mundo da moda, não foi diferente: a tecnologia também veio para salvar. Desde desfiles de grifes específicas como a maison Channel até grandes e muito esperados festivais como o São Paulo Fashion Week, este ano foram realizados no formato online. Alguns exibidos em forma de filmes, outros transmitidos ao vivo estilo “ live” e enormes e importantes coleções foram lançadas através das redes sociais.

A tecnologia possibilitou que acontecessem todos estes eventos. Os comentários sobre a "Semana da Moda" não param, o que ainda dá uma pontinha de esperança de que um dia será possível assistir a tudo isso fora das telas - e aplaudir de pé os grandes estilistas.

Entretanto que para isso tudo permanece um pouco de decepção, afinal, para os amantes de moda, ver um desfile de uma boa grife no formato online nunca foi pra lá um grande sonho: mas é de se admitir que o caminho que a tecnologia trilhou para que tais eventos ocorram de qualquer forma é admirável, e devemos agradecer muito a tecnologia por nos proporcionar tudo isso. Alguns que dizem que a tecnologia “salvou” os efeitos negativos da pandemia, uma vez que se não fosse por ela e por todos seus avanços, não teria sido possível saber o seria possível fazer durante tanto tempo dentro de casa sem contato externo.

Todo o cenário pandêmico engloba um curioso conceito de se "reinventar”, e certamente a tecnologia fez o papel de mostrar para todos os trabalhadores - bem como para o público consumidor - que esta mudança de comportamento (apesar de às vezes acompanhada de um pouco de tristeza) pode acontecer, e a mudança nas tarefas do cotidiano não precisam ser tão drásticas assim.

Com vídeos curtos e interativos, cada vez mais crianças adentram ao aplicativo mais baixado no mundo em 2020 e 2021.
por
Dayres Vitoria
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08/10/2021 - 12h

Por Dayres Vitoria

 

O app de origem chinesa lançado em 2016  que possibilita gravar vídeos curtos rodeados de dinamismo, é atualmente uma das plataformas mais desejadas pela criançada. Com temáticas que vão desde danças, imitações de falas até conteúdos explicativos, hoje dificilmente não há uma criança, ao menos no Brasil, que não conheça ou não tenha acesso a essa ferramenta divertida.  

Criado para ser um produto de consumo rápido, inclusive o seu próprio nome  “TikTok” é inspirado no tique-taque feito pelos ponteiros de um relógio como sinônimo de pressa e rapidez, alcançou recentemente a marca de 1 bilhão de usuários ativos por mês ao redor do mundo.  Uma parte significativa desses novos usuários são as crianças que encontraram no aplicativo uma espécie de aventura digital já que podem ao menos brincarem e se entreterem de suas residências visto que com a pandemia boa parte delas também ficaram isoladas dentro de casa, em alguns casos, sem contato ao menos com outras crianças.  

Além desse fator, boa parte dessa garotada enxerga no aplicativo, além da diversão, uma oportunidade para quem sabe ficar famoso. Por isso, muitos deles se dedicam a aprenderem coreografias e imitações buscando ganhar cada vez mais seguidores. Embora seja contagiante ver a alegria deles ao conseguirem gravar um clipe e o desempenho que colocam nisso, existem fatores que devem ser levados em conta para que a segurança das crianças seja prioridade em todos os aspectos.  

TIKTOK PARA CRIANÇAS 

De acordo com os termos e condições de uso do TikTok, 13 anos é a idade mínima para se ter uma conta como usuário no aplicativo. Porém, crianças menores que essa faixa etária possuem acesso a plataforma. De acordo com a pesquisa “Crianças Digitais”, 49% das crianças brasileiras usaram um dispositivo eletrônico pela primeira vez antes dos seis anos de idade e 72% delas ganharam o próprio smartphone ou tablet antes de completar 10 anos, logo é comum elas estarem conectadas às redes como o Tiktok desde cedo. 

São os pais que geralmente criam uma conta em seus nomes e autorizam os filhos a terem acesso ao app. Com a precocidade da juventude, o interesse da criança por essas tecnologias digitais pode parecer surgir antes do tempo, contudo, proibi-la de ter contato com essas ferramentas não é a melhor escolha a ser tomada. Acompanhá-los em suas atividades online e acima de tudo explicar com clareza os perigos a que estão expostas certamente surtirá mais efeitos positivos na criança do que a proibição. Se não acessam em casa, provavelmente acessarão no celular do amiguinho da escola e isso poderá ocasionar em resultados mais embaraçosos caso não haja a supervisão de um adulto. Por isso, impossibilitar que se conectem na expectativa de estar os protegendo, já não é mais uma alternativa tão válida. 

Sabendo disto e querendo acompanhar sempre a filha durante os minutos conectada, Elaine Cristina Pereira de Carvalho, 29, criou uma conta em seu nome na plataforma para que sua primogênita possa se divertir desde que seja supervisionado tudo o que é gravado e assistido. A mãe conta que no início Maria Eduarda Pereira de Carvalho de apenas 7 anos era muito viciada no aplicativo chegando a passar o dia inteiro assistindo os vídeos. Quando Cristina Pereira percebeu o excesso começou a limitar o tempo de uso e a impor condições: 

“Os dias que ela não tem escola eu falo a ela que é meio como sua folga da semana, porém, ela deve acordar cedo e fazer suas obrigações como secar a louça, cuidar de sua cachorrinha e arrumar a cama dela, isso tudo durante o dia. Quando é de noite ela assiste, mas só depois que ela faz todas as obrigações. (...) Aqui em casa tem dia e hora para tudo”, conta.

Duda, como carinhosamente é chamada por familiares e amigos, é simplesmente apaixonada pelo aplicativo. A brasileirinha é tão fã da plataforma que como tema de aniversário de 7 anos escolheu justamente o TikTok.  

 

Maria Eduarda Pereira de Carvalho,  7 anos. 

 

Ela conta que o que mais gosta é de gravar vídeos dançando pois adora dançar. Além disto, ela afirma que também gosta muito de vídeos explicativos que frequentemente assiste e em que aprende desde a fazer “continhas” de matemática até a produzir roupas de bonecas. No entanto, sabe que só pode brincar no aplicativo após ter cumprido suas obrigações e sabendo que há um determinado período de tempo para mergulhar no TikTok conforme sua mãe Elaine Cristina impõe.  

SUPERVISÃO DOS PAIS 

Para a psicóloga e pesquisadora Andrea Jotta, do Laboratório de Estudos de Psicologia e Tecnologias da Informação e Comunicação, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), é importante auxiliar a criança no uso e procurar saber o que ela faz na rede e com quem interage. Comunicação com estranhos, conteúdos inapropriados e desafios perigosos que alguns usuários propõem aos demais, são alguns dos fatores nos quais os responsáveis devem ficar em alerta. Por serem crianças e não terem conhecimento dos perigos que os cercam, elas facilmente podem se deixar levar pelo momento e a supervisão dos pais acompanhando cada passo que dão - durante o tempo que passam no aplicativo - é um fator determinante para que a meninada não caia nas armadilhas que as redes oferecem.  

Para tanto, a plataforma TikTok oferece aos pais a ferramenta de “Controle Parental” que permite que os responsáveis tenham acesso aos tipos de conteúdo que a criança consome enquanto utiliza o aplicativo. Além disso, também há a opção da “Sincronização Familiar” que oferece a possibilidade de sincronizarem a conta dos filhos com a sua e assim também acompanhar o que é assistido por eles. Com esses recursos, os pais podem desde gerenciar o tempo de tela que os pequenos gastam expostos na plataforma, até utilizarem o “Modo restrito” para censurar conteúdos que considerem inadequados para a faixa etária da criança. 

A mãe da Maria Eduarda sabe usufruir bem dessas ferramentas que o aplicativo disponibiliza aos pais e especialmente entende a importância que tem a sua supervisão como responsável: “Eu vejo tudo, não é toda música que eu a deixo dançar, quando eu vejo uma música que tem muito palavrão eu denuncio e tem muita coisa que ela segue então no outro dia, antes de trabalhar, eu reviso tudo. (...) Às vezes aparecem vídeos de crianças malcriadas ensinando a fazer birras, ensinando o que não deve... eu corto, eu denuncio, eu bloqueio”, afirma a mãe.  

CUIDADO NUNCA É DEMAIS 

O Tik­Tok,  não diferente das outras redes sociais, também pode mexer com a auto-estima de qualquer usuário, inclusive com o da criança. Uma das principais expectativas que a plataforma induz é de ganhar constantemente mais seguidores. Quando isso não acontece, a criança pode imaginar que não consegue atingir tal meta por acreditar não ser tão bonita ou desinibida quanto outra criança. Devido a isso, é de extrema importância que os pais acompanhem as atividades dos filhos nesses espaços virtuais e reforcem que a intenção de gravar vídeos e interagir é apenas para se divertirem e que comparações não precisam ser feitas. 

Em razão do que foi visto, é provado, e novamente reforçado, que a proibição não é o caminho mais indicado. Acompanhar os filhos durante o tempo logado na web, orientá-los buscando proteger (e ao mesmo tempo ensinar) e principalmente saber impor limites a eles, são bons recursos para serem colocados em prática de início. Saber criar um verdadeiro laço de confiança com a criança através de uma boa comunicação, fará com que ela, além de crescer ciente dos perigos que a rodeia, saiba como lidar com situações incômodas e principalmente a quem deve recorrer em casos assim. Compreender desde cedo que pode contar com seus pais e principalmente confiar neles, para uma criança que ainda está em desenvolvimento, já é um progresso e tanto. 

Com o avanço da Covid-19 escolas foram fechadas e foi preciso refletir sobre questões importantes como utilização das tecnologias.
por
Laura Mariano
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05/10/2021 - 12h

Por Laura Mariano


Com a “desmaterialização” da escola, decorrente do isolamento social devido à pandemia, alunos e professores passaram a conviver num novo espaço de aprendizagem, mediado por telas. Para eles, o novo repertório passou a ser as lives, Zoom, Teams, Google Meet, Moodle, aulas remotas, síncronas e assíncronas, estudo em casa e portais na Internet. A Covid-19 levou escolas públicas e privadas a tentarem solucionar, hoje, questões que estavam sendo debatidas há anos, como a utilização de tecnologias da informação poderia auxiliar no aprendizado.

Prof. Dr. Édison Trombeta
Prof. Dr. Édison Trombeta
(Foto: Divulgação)

As tecnologias digitais tornaram-se imprescindíveis, tanto na gestão escolar, quanto no processo de aprendizagem e de avaliação. Para Édison Trombeta de Oliveira, doutor em Educação pela USP, a tecnologia certamente tem potencial para democratização da educação. “Com o uso da tecnologia, uma pessoa de um local afastado consegue ter acesso aos mesmos conhecimentos - e eventualmente à mesma formação, mesmo diploma - de uma pessoa que está localizada nos grandes centros. [...] As videoaulas produzidas por uma rede estadual de ensino básico podem ser acessadas por pessoas de outros estados etc. Mas, como eu disse, a tecnologia tem potencial para democratizar a educação, e não a democratiza automaticamente. A principal questão é: a tecnologia está democratizada?”, questiona.

No Rio de Janeiro (RJ), por exemplo, embora 80% dos estudantes tenham acesso fácil à rede, o governo estadual doou “chips” de celulares a todos os alunos e professores visando ampliar a possibilidade de acesso à Internet. Além disso, firmou parceria com uma TV aberta para a transmissão de duas horas diárias de aulas.

Assim como no RJ, o Governo de São Paulo lançou o Centro de Mídias da Educação de SP, uma plataforma que permite que os estudantes da rede estadual tenham acesso gratuitamente a aulas ao vivo, videoaulas e outros conteúdos pedagógicos durante o período do isolamento social. A plataforma tem capacidade para atender os 3,5 milhões de alunos da rede pública. Além da ferramenta, a TV Cultura transmite as aulas por meio do Canal digital 2.3.

Outra iniciativa da Secretaria da Educação de SP foi distribuir kits com materiais impressos contendo fascículos de Matemática e Língua Portuguesa, quadrinhos da Turma da Mônica, livros paradidáticos e manual de orientações às famílias com informações sobre como estudar em casa no período de suspensão das aulas presenciais.

Na Paraíba, em que apenas 27% dos alunos possuem computadores em casa e 63% têm acesso ao celular, foi preciso criar mais soluções para garantir o ensino: plataforma educacional, templates, aulas via TV aberta e até o tradicional uso de material impresso e roteiros de estudo para estudantes e professores.

Apesar das iniciativas públicas, ainda existe uma grande dificuldade acerca do assunto: o isolamento dos docentes e estudantes. As ações mais evidentes seriam as que envolvem o uso de vídeo e atividades síncronas. Sempre que possível, fazer reuniões ou aulas com câmera aberta aproxima mais do que deixar apenas a foto estática. 

"Agora, como fazer com que essa aproximação ocorra onde não há essa conexão com a internet de qualidade? Mais uma vez, a desigualdade bate à porta... Me lembro de ter visto, nas redes sociais, uma tarefa de uma aluno dizendo que não havia feito direito porque nenhum familiar pôde fazer com ela; e a professora respondeu, com todo carinho, que elas fariam juntas quando voltassem presencialmente. Essa professora, com certeza, fez seu melhor nas condições dadas para diminuir o isolamento dessa aluna. Mas a questão estrutural não ajuda”, afirma Édison.

Regina Nunes é professora da rede municipal de educação infantil na cidade de Votorantim, interior de São Paulo, e segue as normas da Base Nacional Comum Curricular que prioriza o “brincar e interagir” na fase preambular da educação, sendo assim, ensinar por meio de telas não foi tão benéfico quanto a vivência presencial e foi preciso adaptar-se ao “novo normal”.

"Nós oferecíamos contato indireto, através do Google Meet. Eu tive que aprender a mexer na plataforma para dar as minhas aulas, e assim eles passaram a me conhecer, ver como eu sou, como eu falo, mas não houve a interação direta, por isso não houve tanto benefícios para educação infantil, porque o eixo norteador da educação infantil é o ‘brincar e o interagir’”, conta a professora.

A estruturação da rotina dentro da sala de aula é muito importante nos anos iniciais da escola. A falta dessa interação social abre uma lacuna na alfabetização das crianças que, por conta da crise sanitária, foram impossibilitadas de frequentar esse ambiente. “A gente propunha nas aulas atividades de brincadeiras, de jogos, mas o contato na sala de aula, onde eles se vêem, riem, trocam ideias, não foi possível, isso foi muito negativo [...], queimou uma fase, as crianças ficaram com um ‘buraco’, porque eles não tiveram acesso ao parque, à Educação Física, momento do lanche e de ouvir a história”, argumenta Regina.

A desigualdade social existente no ensino presencial permaneceu no ensino remoto, por isso até mesmo o conceito de meritocracia precisa ser revisitado. Os estudantes com condições financeiras melhores, continuaram a ter mais oportunidades, inclusive melhor Internet para estudar, enquanto os demais seguem sendo prejudicados, principalmente pela falta de infraestrutura. “Não é uma questão de ter ou não ter tecnologia no ensino, é uma questão de desigualdade educacional”, afirma Trombeta.

Todos os modelos de ensino possuem desafios, o que não seria diferente com a utilização do Ensino à Distância. Apesar de haver um crescimento exponencial de alunos que procuram cursos de graduação do EaD, segundo dados do INEP 2018, nos anos de 2008 e 2018, tiveram um aumento de 182,5%, enquanto os cursos de graduação presencial obtiveram apenas um aumento de 25,9% nesse mesmo período. O que determina um crescimento na participação em torno de 24,3% do total de matrículas.

Ainda assim, aula remoao não é algo tão eficiente nos anos escolares. Para Regina, o ensino dessa forma deixou muito a desejar. Era preciso se reinventar a todo momento, para poder atender ao mínimo que os docentes conseguiam oferecer aos alunos. Educar via telas é uma iniciativa muito difícil, especialmente no início do ciclo escolar.

"Acredito que um grande legado seja ‘quebrar a resistência’ daqueles que, mesmo desconhecendo o assunto, eram contrários [ao ensino à distância]. Mais do que isso: mais importante de tudo é perceber a importância do docente, da escola, da comunidade. Não existe uma tecnologia que resolva um problema da educação. Há tecnologias que podem ser adotadas pelos docentes ou pela comunidade escolar para, com determinada intencionalidade educacional, apoiar a ação didática. Mas o centro disso tudo é a relação professor - aluno, e jamais a tecnologia em si”, finaliza Édison Trombeta.

O brasileiro voltou a encarar o tema do racionamento como necessidade para o bolso e para a economia
por
Gabriel Porphirio
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05/10/2021 - 12h

Por Gabriel Porphirio

Com usinas hidrelétricas sendo possivelmente desativadas por conta da seca, o Brasil passa atualmente por uma das maiores crises hídricas dos últimos tempos, podendo acarretar apagões de energia no País. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as duas maiores usinas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, a Ilha Solteira, a maior do estado de São Paulo, e a Três Irmãos, têm apenas 1,45% e 5% de água respectivamente. O que preocupa, uma vez que a ONS diz que é preciso ter atenção a uma operação funcionando abaixo dos 10%.

Um dos principais fatores para isso são os largos períodos de seca recentes que deixam os registros de chuvas para a geração de energia no País como o pior em 91 anos. E de acordo com a relação divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão de chuvas para a primavera não é animadora.

Conforme ilustra o Prognóstico Climático da Primavera 2021, a região Sul irá provavelmente continuar com chuvas abaixo da média histórica no período, quando deveria começar a estação chuvosa para recuperar os reservatórios. Com tudo isso as contas a pagar do brasileiro tendem a aumentar, principalmente por conta da dependência do Brasil em relação às hidroelétricas, uma vez que o País tem 63% de sua matriz elétrica originada dessa fonte de energia. Sendo assim, com a falta de uso das bacias e seus rios é preciso usar mais da energia proveniente das usinas termelétricas que são muito mais caras e poluentes.

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Reservatório da hidrelétrica de Ilha Solteira, no rio Paraná  Imagem: CESP/Divulgação

Clarice Ferraz professora de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora associada do grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ não acha que o problema é ter um grande percentual de hidrelétricas, mas sim não prestar atenção no que está acontecendo com os rios, padrões de chuvas e continuar colocando fontes que sejam mais poluentes e que não colaborem com a transição energética.

“Dado que se há muitas hidroelétricas com reservatórios, para remediar essa crise deveriam [o governo] pensar em como reduzir o consumo promovendo programas de eficiência energética, com estímulos verdadeiros à indústria, com trocas de equipamentos e sabendo consumir o recurso com o máximo de aproveitamento", avalia.

O governo, por exemplo, estabeleceu no início de setembro o valor da bandeira tarifária de conta de luz vermelha, patamar 2, em mais de 50% com a criação de uma nova bandeira chamada de bandeira de escassez hídrica - O sistema de bandeiras indica quanto será cobrado pela luz (na bandeira verde, em cenários favoráveis, não há acréscimo). Se houver dificuldades, o País entra nas modalidades amarela e vermelha. Portanto, na bandeira vermelha, patamar 2, o valor que era de R$ 9,49 por 100 kilowatt-hora (KWh) agora passa a ser de R$ 14,20 para cada 100 KWh.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, garantiu durante coletiva de anúncio das novas medidas que elas são suficientes para garantir a oferta. "Nós trabalhamos para ter a oferta suficiente para a demanda de todas as unidades consumidoras no País. Estamos presenciando a maior seca que o país, o Brasil, já passou. E isso com reflexos na capacidade dos nossos reservatórios das usinas hidroelétricas", argumentou.

 

Músicos e técnicos de produção audiovisual foram os mais afetados durante a pandemia que já dura quase dois anos
por
Júlia Takahashi
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28/09/2021 - 12h
Foto de Cleber Akio tocando guitarra por Murilo Manna.
Foto de Cleber Akio tocando guitarra por Murilo Manna.

Por Julia Takahashi

A pandemia da Covid-19 fez com que 2020 fosse considerado o ano em que o mundo parou. A sociedade teve que se isolar para não se contaminar com o vírus atualmente, estão contabilizados mais de 21 milhões de casos no Brasil, segundo os dados da Secretaria Estaduais de Saúde e, consequentemente, os espaços públicos foram interditados. Crianças, jovens e professores  tiveram que aprender a lidar com aulas online enquanto outros tipos de trabalhos ficavam em home office. Todos foram afetados de alguma maneira, porém uma  grande quantidade de pessoas não puderam trabalhar de casa e  foram obrigados a se reinventarem para ganhar dinheiro. Muitos até perderam seus empregos devido ao corte de gastos das empresas. 

Entre eles estão os artistas, por dependerem muito do público.  A cantora Isadora Morais comenta que antes de iniciar a  quarentena tinha muitos planos para a carreira, “antes da pandemia eu estava montando meu primeiro show autoral, eu tinha até um teste de luz no dia 16 ou 18 de março, a gente ia para um teatro e tínhamos algumas data fechadas para abrir com a banda. Aí foi uma pena, porque nosso ensaio foi cancelado, achamos que pudesse retomar na semana seguinte, mas está durando um ano e meio”, conta.

Essa pausa abrupta obrigou artistas  a encontrarem outras maneiras de sobreviverem. Uma dessas saídas para continuar divulgando suas artes foi por meio de lives nas redes sociais, principalmente no Instagram e no Youtube. Cleber Akio, músico e produtor,  explica sobre essa mudança: "os shows presenciais pararam, então passei a fazer algumas lives, alguns incentivos da prefeitura". "A Lei Aldir Blanc ajudou muito", diz. Quem tem um trabalho mais “sério” conseguiu pegar incentivo, fazer shows virtuais, fazer vídeo aula. Pelo estúdio eu produzi algumas lives, mas fui chamado também para fazer algumas lives”, diz. 

Ambos os músicos comentam que as lives os ajudaram, principalmente na expansão do público, algo que era muito restrito a apenas a cidade pode ser acessada em todo Brasil e em qualquer lugar do mundo. Porém o maior ponto negativo é a falta de público. “É bem diferente tocar para as pessoas que estão lá com você, com o público interagindo, é bem diferente tocar para uma câmera, tocando para ninguém e falando sozinho”, afirma Cleber. 

Contudo, uma outra profissão muito afetada são os técnicos do audiovisual. Segundo um levantamento feito pelo Glassdoor, o Workplace Trends 2021, as profissões mais afetadas, que mais tiveram sua atuação paralisada durante a pandemia são técnico e coordenador de eventos. O produtor de audiovisual, Luiz da X3m Luz & Som, comenta “Vi muitos amigos, parceiros, tendo se desfazer de muitos equipamentos de trabalho, para manter o sustento de sua família, mas acredito que o pessoal de montagem foram mais afetados, são a maioria dentro de um evento, e com a parada, não tinham onde se encaixar, a maioria desses profissionais, trabalham por conta (freelance), então dependem diretamente do dia de trabalho e não tendo aonde recorrer, e ainda tiveram auxílios negados, pois nem a categoria existia nos cadastros, ficaram à margem da sociedade”, explica.

Aos poucos, os espaços públicos, eventos, shows começam a voltar e as lives passam para um segundo plano, já que os gastos com elas são maiores que os cachês. Os artistas consagrados foram os que mais se beneficiaram com os patrocínios. Muitos acreditam que as "lives" não vão acabar por completo, até porque elas ajudam na divulgação do trabalho e podem dar mais visibilidade para conseguir chegar em uma platéia mais amplificada.

Professora da UFRJ culpabiliza o poder executivo e alerta sobre a gravidade do problema
por
Carlos E. Kelm
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28/09/2021 - 12h

Por Carlos E. Kelm

Os efeitos da crise hídrica já reverberam em diversos setores da economia. Diante da falta de água nos reservatórios o governo acionou usinas termelétricas para suprir a demanda de energia, o que acabou encarecendo a conta de luz. A professora e pesquisadora, Clarice Ferraz, do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, questiona as medidas do Governo e avisa que o problema pode piorar.

“Há mais de dez anos a gente observa que as hidrologias não são as mesmas; os reservatórios não estão ficando com o nível de armazenamento elevado”, explica Clarice. Para a professora, a causa do problema é estrutural e medidas como a nova bandeira tarifaria de “Escassez hídrica” indicam que a crise vai continuar: “se o Governo não agir sobre o problema e ficar só remediando, podemos esperar que essa bandeira seja disparada com uma certa frequência”.

A principal fonte de energia no Brasil vem dos rios. O nosso grande potencial hídrico garante uma energia limpa e renovável, no entanto, existem fatores que podem interferir no ciclo das águas. Podemos dividir estes fatores em dois grupos: os de ordem natural e os administrativos. Para Clarice, a atual crise hídrica foi agravada por questões administrativas, “O problema é você ter um grande percentual de hidrelétricas e não prestar atenção no que está acontecendo com os seus rios, com o seu padrão de chuva, e continuar colocando fontes que sejam mais poluentes, que não colaborem com a transição energética”. A fonte em questão é a termoelétrica: gerada a partir da combustão, libera grandes quantidades de gás carbônico, por isso, vem sendo substituída em diversos países por fontes mais baratas e limpas.

Para Clarice, a crise deveria ser contornada com um programa de eficiência energética: “Dado que você tem muitas hidrelétricas com reservatórios, para remediar essa crise você deveria pensar como reduzir o consumo promovendo programas de eficiência energética, com estímulos verdadeiros a indústria, com trocas de equipamento, com auditorias que a gente faz nos prédios pra ver se tem alguma fuga. Então, saber consumir o recuso com o máximo de aproveitamento”, explica.

A professora considera que a seca está diretamente relacionada a fatores ambientais, como a deflorestação e as queimadas na Amazônia: “Desmatando a floresta lá na Amazônia a gente diminui os fenômenos dos rios voadores, que são trazidos aqui pra região sudeste. Afetando esse ciclo, teremos cada vez menos água. Falta planejamento e isso é responsabilidade do governo, sobretudo do poder executivo”Usina termelétrica

Clarice reafirma que continuar recorrendo a energias poluentes como a termelétrica pode agravar ainda mais um problema que é crônico. Mas então, por que optamos pelas termoelétricas?  “O argumento normalmente usado, mas que já foi superado é o de que precisamos de uma geração que não oscile, e a eólica e solar têm uma variabilidade. Mas o padrão do Nordeste é espetacular, as eólicas geram muito bem, é uma coisa de recorde mundial mesmo. Então, a alegação é esta, mas isso não se comprova”, diz.

Outra explicação para a utilização da energia suja, seria o interesse econômico por detrás dessas usinas. Clarice revela que há pessoas se beneficiando da situação, “Todos os bancos. As pessoas que vão ganhar dinheiro enquanto o sistema não entrar em colapso, como foi o caso do Texas. Comercializadores; os seguradores dos comercializadores, as pessoas que estão por trás dessas térmicas novas” mas a professora prevê grandes prejuízos econômicos e diz que já existem empresas falindo por não perceber a escala do problema. “A gente tá nessa situação gravíssima hoje e a gente já sabe que ano que vem vai ser pior, por que todas as medidas que estão sendo tomadas contribuem para o agravamento do problema, e isso que a privatização ainda não entrou em vigor”, prevê.

Geradores eólicosDiante deste quadro, ela sugere fontes renováveis que contribuam para uma transição energética: “Somos um dos raros países, se não o País melhor habilitado a promover a transição energética, porque temos enormes estoques de água que podem ser usados como reservatórios de hidro-eletricidade. Sendo assim, a gente podia avançar no uso das renováveis, e como a energia que mais rapidamente entra em operação é a hidroelétrica de reservatório, qualquer oscilação das renováveis, a gente compensa com a água dos reservatórios”, conclui.

De acordo com pesquisa promovida pela Ilumeo, o uso de assistentes virtuais cresceu 47% no Brasil durante a pandemia, vista como a nova onda do mercado de tecnologia, o produto é controverso.
por
Luiza Fernandes
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28/09/2021 - 12h

Por Luiza Fernandes

 

O primeiro assistente virtual surgiu em 2011- quando a Apple lançou a "Siri". A tecnologia foi considerada revolucionária à época.  Um software que reconhece sua voz, obedece seus comandos e permite a ativação de diversos recursos em seu aparelho celular. Desde então, esse tipo de tecnologia evoluiu muito, passando para aparelhos exclusivos: Agora não mais em celular, os assistentes virtuais migraram para as caixinhas de som, que também reconhecem a sua voz e funcionam exclusivamente por esse comando. O sucesso do modelo fez com que todas as grandes empresas de tecnologia lançassem um tipo, os mais conhecidos são: "Alexa" da Amazon, "Google Assistente" e "Microsoft Cortana".

A Amazon vem sendo pioneira em expandir os comandos que a Alexa pode realizar e hoje é possível conectá-la com: cortinas, geladeiras, ar-condicionado, lâmpadas e TV´s. Foi promovendo a facilidade de poder controlar sua casa por voz, que a empresa vendeu 50 milhões de unidades desses smart speakers no ano de 2019, um crescimento de 70%, segundo dados da Strategy Analytics. Porém, o funcionamento desses produtos é considerado contraditório por inúmeros pesquisadores da área de tecnologia. Muito se questiona sobre como é o seu funcionamento e principalmente, como eles armazenam os dados que coletam.

Em meio a febre do conceito de “Casa Inteligente”, quando uma assistente virtual pode controlar seus aparelhos domésticos, vale o questionamento de como essas tecnologias de fato funcionam. Do ponto de vista técnico, os assistentes virtuais são um conjunto de microfones, ligados a um alto-falante, que são controlados por um processador que pode enviar e receber informações da nuvem, onde esses dados são processados. Com a ajuda de algoritmos de inteligência artificial, implementados na nuvem e sempre atualizados no processador, o aparelho traz respostas rápidas.

O Google define em seu site, o serviço prestado pelo seu aparelho "Google Assistente", da seguinte forma: “É uma assistente pessoal virtual desenvolvida pela Google que pode realizar tarefas do dia a dia, como ligar para pessoas, mandar mensagens, pesquisar, e ainda conversar com o usuário”

            Já a Apple, pioneira no cenário dos assistentes por voz, define a "Siri", que ainda é presente em todos os seus aparelhos, com o seguinte slogan: “A "Siri" faz mais. Mesmo antes de você pedir.” De acordo com a empresa, a "Siri" consegue fazer tudo mais rápido, define alarmes, timers, lembretes das atividades do dia e tudo isso sem que seja preciso tocar no aparelho.

A visão destas assistentes virtuais como facilitadoras do dia a dia, como são atualmente vendidas pela publicidade, é contraposta pelo que dizem muitos pesquisadores de tecnologia. De acordo com Luã Fergus Cruz, pesquisador da área de telecomunicações e direitos digitais do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) e integrante da Coalizão Direitos na Rede, é preciso ficar atento ao que os aparelhos coletam durante seu funcionamento. “Eles te vendem falsas facilidades, afinal, sempre foi possível apagar a luz com o interruptor, quando na verdade o pano de fundo por trás do produto é extrair informações do usuário, eles querem obter dados que é o que dá dinheiro a longo prazo”

Dados são todos os “rastros” que deixamos quando utilizamos algum serviço de Internet, desde fazer um cadastro pessoal com RG, CPF e cartão, ou até mesmo quando utilizamos o Google. A recente Lei Geral De Proteção de Dados (LGPD), define da seguinte forma: “É considerado dado pessoal qualquer informação que permita identificar, direta ou indiretamente, uma pessoa que esteja viva”.

Se popularizou a expressão de que os “dados são o novo petróleo", como forma de dimensionar seu valor econômico. Para Luã, a expressão tem um limite de dimensão, uma vez que “As empresas de tecnologia valem muito mais do que as de petróleo, por que uma riqueza vem da extração de algo não renovável, já os dados estão sempre se atualizando e se aperfeiçoando”, explica. Uma investigação do jornal Washington Post, de 2019, descobriu que a Amazon mantinha uma cópia de tudo o que a Alexa registrava depois de escutar o seu comando de ativação, o seu nome. Porém, à época, os usuários não eram avisados disso nas privacidades e não havia informações sobre como esses dados eram armazenados.

 Recentemente no Brasil foi aprovada a Lei Geral de Proteção de Dados, lei n° 13.709, agosto de 2018, sua vigência iniciou-se em agosto de 2020. A partir dela, passa a existir um novo cenário sobre segurança jurídica na Internet quando falamos da captação de dados, existem agora normas e práticas que devem ser seguidas.

Luã comenta a importância da atuação do Estado, para que os dados possam ser protegidos: “A LGPD é um grande marco porque ela passa a abranger todo o tipo de atividade que envolva o tratamento de dados pessoais, toda e qualquer atividade precisa seguir uma lei e isso é muito importante para regular e para instigar o debate, em sociedade”, avalia.

Outro ponto controverso sobre o uso das assistentes pessoais é a possibilidade dessas informações serem obtidas ilegalmente. É preciso se preocupar com a forma como as empresas coletam e armazenam esses dados, mas também, é preciso pensar sobre o perigo de um microfone conectado à sua casa cair nas mãos erradas. “Não é difícil de se imaginar que um dispositivo como esse pode ser facilmente hackeado, é um tipo de tecnologia muito frágil e perigosa, frente às facilidades que eles vendem” argumenta Luã.

As políticas de privacidade encontradas nos sites das empresas Amazon, Google e Apple informam que os áudios só são registrados e gravados pelo aparelho quando o comando de voz é ativado e que essas gravações podem ser revistas e apagadas pelo usuário. Além disso, as três empresas oferecem alteração das opções de privacidade.  Mesmo assim, o juiz Jeffrey White, do Tribunal de Oakland, na Califórnia decidiu dar prosseguimento a uma ação coletivo contra a Apple. A acusação é de que a empresa grava conversas captadas pela "Siri" sem o comando de voz ser ativado e repassa essas informações para outras empresas. Google e Amazon também têm processos abertos por gravarem áudios quando os assistentes não foram chamados. A abertura desses processos coloca em xeque a proteção que as empresas afirmam ter, além de dar eco para os questionamentos feitos por especialistas em tecnologia.  

Máquinas de fliperama ainda fazem sucesso entre aficcionados pelo jogo
por
Marcela Foresti
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05/10/2021 - 12h

Por Marcela Foresti

A paixão por games abre museus, restaura jogos, cria novas versões, coleciona. O Pinball, que era encontrado apenas em fliperamas, hoje é artigo de decoração e coleção, em suas versões mais antigas até as  mais tecnológicas. O famoso jogo teve sua primeira versão criada pelo britânico Montague Redgrave, em 1869 nos Estados Unidos, e originalmente se chamava Bagatelle. 

Bagatelle
Bagatelle - Museu do Pinball de Itu.

As máquinas no estilo conhecido hoje e com o nome Pinball, surgiram em 1930 e fizeram da cidade de Chicago, nos EUA, até então, o centro das produções. Durante a grande depressão no país norte-americano, o jogo virou uma das fontes de entretenimento mais procuradas, já que era barato. Foi nessa época que houve o  boom das máquinas.

O pioneiro dos games, porém, teve que aprender a se reinventar ao longo dos anos para acompanhar as novas tendências e se manter entre os favoritos. Com o surgimento dos videogames, por volta dos anos 70, o jogo perdeu um pouco da popularidade e muitas fábricas acabaram fechando. As máquinas começaram a incorporar novas tecnologias e trazer como tema do jogo personagens e filmes do momento, tudo com o intuito de continuar chamando a atenção do público.

O jogo amado desde os anos 30  teve grande influência na cultura pop desde sua criação. Foi tema, em 1969, do  álbum “Tommy” de Ópera Rock (história narrada por músicas), do quarteto britânico “The Who”.  

O álbum conta a história de um menino traumatizado que não fala,  não enxerga e não ouve, mas é o gênio do Pinball. “Tommy” virou um filme estrelado pela própria banda, em pequenos clipes, com participação de nomes como Elton John. Também  foi transformado em musical pela Broadway nos anos 90 e, novamente, em 2019. 

No Brasil as máquinas chegaram por volta dos anos 30, mas ficaram proibidas por muito tempo por serem consideradas jogo de azar. O empresário Paulo Esteban, da fábrica Matic, explica que no início da empresa criada em 1972,  por seu pai Inocêncio Esteban Rodrigues, a importação era proibida no País e a fábrica surgiu da necessidade das operadoras de fliperama. 

Paulo Esteban
        Paulo Esteban.

No começo a fábrica produzia Pinballs eletromecânicos. “Antigamente as máquinas eram produzidas de forma artesanal e quase não tinham elétricos embarcados no produto", conta Esteban. 

O antecessor dos games passou por inúmeras mudanças. “No início eram apenas bolinhas sendo lançadas para cima, os “flipers” que rebatem as bolas para cima só foram acrescentados depois, assim como os sons com sirene de cobre”, explica.

Hoje as máquinas possuem microcontroladores e monitores e ainda esse ano há um projeto onde elas serão interligadas pela Internet. “Os jogadores poderão disputar partidas online, independente do local onde se encontram", prevê Esteban.

O jogo voltou a crescer em meados de 2015. “Alguns entusiastas estavam pegando máquinas antigas e novas para criar seus próprios Game Rooms”, conta o empresário.

Luis Culik
Luis Francisco Culik.

Luis Francisco Culik, por exemplo, dono do Museu do Pinball de Itu, começou com uma coleção pessoal e hoje abre para que amantes do jogo, assim como ele, possam se divertir. “Em 2015 resolvi fazer um aniversário aqui e todos falavam que parecia um museu do Pinball. E aí todo ano nós abrimos no meu aniversário, conforme o tempo foi passando e a procura aumentando começamos a abrir frequentemente”, conta Culik. 

Atualmente o museu conta com 112 máquinas funcionando e 40 em processo de restauração e  o dono do museu conta que sua paixão pelo jogo vem de anos. “O Pinball faz parte da minha vida desde sempre, quando comecei a jogar tinha 13 anos”, explica.

Para ele o jogo é importante porque ir aos fliperamas era mais do que só para jogar, era uma forma de conhecer e interagir com mais pessoas.

O Museu tem uma conta no Instagram onde mostram e explicam mais sobre cada máquina e um canal no Youtube onde fazem game play dos jogos.

Com o interesse de colecionadores nas máquinas novas e antigas, o empresário da Matic explica que muitos operadores estão voltando a adquirir as versões antigas do Pinball. “O retrô está na moda”. Esta paixão pelo jogo é algo de escala mundial, existem diversos clubes de colecionadores, restaurantes e bares temáticos em diversos países.







 

 


 

Adaptando-se às demandas do mercado do entretenimento, o futebol também utiliza a tecnologia para reduzir os erros de arbitragem.
por
Guilherme Lima Alavase
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01/10/2021 - 12h

 Por Guilherme Lima Alavase

O futebol é o esporte mais popular do mundo e considerado uma paixão nacional. Nas últimas décadas foi se profissionalizando e virando um grande negócio financeiro. Os clubes  passaram a movimentar cifras astronômicas. Copiando o modelo europeu, vários clubes brasileiros deram uma guinada na forma de conduzir o futebol. O esporte para ser rentável e competitivo precisava ser eficiente, como uma empresa. Criou-se nos clubes a profissionalização dos dirigentes, contratando especialistas em diversas áreas para comandar o departamento de futebol.

A partir deste ponto, passou a ser pensado como uma mercadoria e ser vendida pelo melhor preço. Acabou a era das improvisações, das jogadas desconcertantes do futebol alegre. Na modernidade o que importa é vencer. Aos jogadores, para ganhar muito dinheiro, resta cumprir as determinações do treinador, baseadas em dados estatísticos, repetindo a mesma jogada ensaiada até que dê certo. Como mercadoria que precisava ser comercializada em todos os cantos do planeta, as emissoras de TV investiram muito dinheiro em equipamentos tecnológicos que mostravam os jogos com diversas câmeras posicionadas de forma a cobrir todos os espaços do campo.

A partir das transmissões de TV, os árbitros de futebol passaram a sofrer uma pressão fora do comum, sendo o erro, mostrado em detalhes, imperdoável. As empresas patrocinadoras dos times investiam altos valores e não aceitavam ser prejudicadas em suas estratégias comerciais por equívocos da arbitragem. Era preciso, assim como em outros esportes, investir em tecnologia para que os erros banais fossem eliminados dos jogos. Quem nunca ouviu falar da história do gol de mão do jogador argentino Maradona em jogo contra a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986.

A primeira experiência com uso de tecnologia para auxiliar a arbitragem no jogo foi a “tecnologia na linha do gol”, que consistia em um chip colocado dentro da bola que avisava o árbitro, através de seu relógio, se a bola havia ultrapassado ou não a linha do gol. Essa tecnologia foi utilizada, para avaliação, no torneio mundial de clubes de 2012 e implantado definitivamente a partir da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil.

Implantado, a partir da Copa de 2018, na Rússia, o árbitro assistente de vídeo (VAR) consiste em uma equipe auxiliar, localizada em uma sala, que acompanha e analisa os lances do jogo através de monitores de vídeo. O operador do sistema pode ver o lance em vários ângulos, em câmera lenta, observando os detalhes da movimentação dos jogadores. Se o lance merece ser revisado, avisam o árbitro principal, através de um sistema de comunicação em tempo real, ou seja, são vários olhos (humanos e tecnológicos) observando tudo o que acontece durante o jogo.

Nos protocolos da FIFA, o VAR só pode ser utilizado, para confirmar ou anular um gol, para lances de pênalti, cartão vermelho direto e em momentos que o arbitro não consegue identificar jogadores que participaram de lances polêmicos sem que fossem observados. No caso de lances objetivos, como um impedimento, basta o VAR indicar para o árbitro para que ele acate a orientação. Em casos subjetivos, ou interpretativos, o árbitro é alertado para que veja o lance através de monitor instalado na lateral do gramado. Após assistir o lance, cabe a ele tomar a decisão.

Segundo dados da FIFA, o VAR foi utilizado 355 vezes nos 48 jogos da primeira fase da Copa da Rússia, sendo que todos os 122 gols foram verificados. O uso do VAR, com toda a sua demora, elevaram os acertos da arbitragem a 99,3% na Copa.

VAR brasileiro

No Brasil, o VAR foi usado experimentalmente no campeonato Pernambucano de 2017. No campeonato Brasileiro o VAR começou a ser utilizado a partir de 2019, colecionando muitos elogios e críticas por parte dos torcedores, dirigentes dos clubes e da mídia esportiva.

Após três anos de sua implantação, o VAR ainda levanta muitas discussões no futebol brasileiro, porém, contra fatos concretos os argumentos contrários ficam fragilizados. Gols, com erros grosseiros do árbitro, praticamente foram eliminados, lances violentos não estão ficando impunes, o agarra-agarra dentro da área nos escanteios diminuíram sensivelmente, o cai-cai para cavar um pênalti sumiu dos jogos, ou seja, a malandragem do futebol parece que ficou no passado.

A ex-árbitra de futebol e hoje comentarista de arbitragem da ESPN, Renata Ruel, em entrevista concedida ao jornalista Diogo Magri do “El País” foi didática em suas explicações para elucidar duvidas dos interessados pelo esporte. Observa que o VAR é uma poderosa ferramenta de auxílio da arbitragem, pois legitima o resultado de uma partida, porém, afirma que é preciso investir na formação dos profissionais da arbitragem. Opina que, "Se o VAR está precisando corrigir muitos lances é porque os erros estão sendo cometidos. Vemos alguns árbitros se escondendo atrás da ferramenta, usando como bengala".

O auxiliar (bandeirinha) Emerson Carvalho, que atuou nas últimas Copas do Mundo, participou do podcast “Hoje Sim” do locutor Cleber Machado e relatou que a principal dificuldade enfrentada pelos árbitros é o medo de errar, pois um erro individual em um jogo sem o suporte da tecnologia já é ruim para o prestígio do profissional, imagine um erro sendo cometido com todo o suporte tecnológico e com o auxílio de uma equipe remota o orientando na tomada de decisão. Esse medo faz o árbitro ver e rever o lance diversas vezes.

Como no futebol, quase tudo acaba em polêmica, alguns freqüentadores dos jogos nos estádios ficam angustiados esperando, às vezes, alguns minutos para saber se o grito de gol do locutor valeu ou foi anulado pela tecnologia.

 

Especialista analisa o sucesso do formato digital e o futuro tecnológico para o áudio
por
Daniel Seiti
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08/10/2021 - 12h

Por Daniel Seiti

 

Em 40 anos, a indústria fonográfica evoluiu drasticamente a partir do surgimento de novas tecnologias. Dos românticos discos de vinil, hoje rodeados por uma áurea nostálgica, ao uso diário das plataformas de streaming, a venda e o consumo de música se adequa a popularidade do mercado. Até meados dos anos 1980 era comum o hábito de, ao voltar das lojas de disco, deitar-se no chão de casa e ouvir a recente aquisição enquanto observava os detalhes do seu encarte.

Entretanto, o ato romântico e tátil no contato com a música, conduzido pela valsa nas rotações do LP, se perde em meio a automatização e evolução tecnológica, em que, cada vez mais, o indivíduo se distancia de um contato físico com produto – hoje, limitado a um breve e indiferente toque na tela do celular. Após a febre dos CD´s e dos reprodutores de MP3, o streaming se populariza e domina a maior parte do mercado fonográfico.

De acordo com dados da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica), em 2020, as plataformas de música digital, lideradas por Spotify, Apple Music e Deezer, representam 62,1% de toda a receita global da indústria. Juntas, as três empresas acumulam 443 milhões de assinantes pagantes. “O streaming, no contexto popular, é melhor compreendido como um adendo ao smartphone, tal como um aplicativo e sobre seu uso em aspectos musicais. Eu prefiro me abster a comentar a vulgaridade ou mediocridade que isso possa representar em termos mercadológicos e de consumo”, afirma Sami Douek, engenheiro especialista em áudio.

Apesar das poucas diferenças no meio de gravação, Douek considera que fisicamente, a mudança está relacionada ao formato do registro sonoro. Assim, enquanto os modelos de gravação anteriores estão associados ao processo mecânico e analógico, no streaming a música perde essa característica ao se tornar um domínio numérico. O especialista também ressalta que a impulsão das inovações tecnológicas nesse setor está diretamente atrelada ao mercado e ao consumo.

Sami Douek
Sami Douek. Foto: Reprodução

“Se o assunto é música, o streaming é mais um bom mecanismo de busca do que uma oferta de conteúdo, pois o algoritmo implicado neste processo não está orientado para arte ou cultura, mas para o consumo”, explica. Diante dessa pauta, Douek afirma que o mercado fonográfico tem uma leve evolução tecnológica diante de uma boa evolução mercadológica. "Não teremos evoluções, mas comemorações no conhecido modelo de gravar, empacotar e distribuir um conteúdo cultural e musical”, analisa.

Em termos comparativos, entre o analógico e o digital, não é possível estabelecer critérios que determinem superioridade de formatos. Tratam-se de propostas e períodos diferentes. Essas diferenças, em combinação com as bagagens e vivências individuais, resultam na pluralidade de percepções e opiniões de cada um ao entrar em contato com a música, dependendo do formato utilizado. “Sobre a superioridade de um formato para o outro, não há regras que possam me sugerir absoluta sensatez, pois a interpretação depende de um contexto absolutamente humano, sensorial e neurológico. A qualidade percebida está relacionada também à memória e cultura de cada ouvinte", diz. Douek conta que este processo qualitativo tem uma construção social e política antes de ser estritamente técnica. "Não há como julgar qualidade de um formato sem reconhecer qualidade do conteúdo - muito variável - que não está mais relacionado com fidelidade da informação sonora com o registro fonte. Afinal, a nossa percepção auditiva é orgânica, pois não temos um par de microfones captadores associados ao cérebro”, observa o especialista.

Assim, no presente, ao ter contato com uma diversidade de formatos para o consumo de música, cabe ao ouvinte entender qual destes se adequa ao sentimento a provocações de sensações desejadas no momento. De um lado, a nostalgia dos meios do passado que carregam, não somente a história, mas uma experiência tátil com a música – uma espécie de herança romântica. Do outro, a evolução tecnológica das plataformas streaming que proporcionam o acesso um universo de possibilidades de maneira instantânea e permitem a busca por infinitos trabalhos em apenas um único aparelho remoto.