Marcas europeias dão o nome no maior salão do automóvel do continente, que mais uma vez registrou grande presença de marcas chinesas
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Vítor Nhoatto
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23/10/2026 - 12h

A feira automotiva mais antiga do mundo voltou a Porte de Versailles, em Paris, na França e acontece entre os dias 12 e 18 de outubro. O Mondial de l’Auto 2026 levou mais de meio milhão de pessoas para a bienal, que mostra ter recuperado o seu brilho com grande adesão das marcas europeias, enquanto o crescimento das chinesas continuou.

Na edição passada 41 montadoras compareceram e desta vez foram 43. Algumas com retornos expressivos como Fiat e Mercedes. Experiências interativas, test-drives e mais de cem expositores completaram o evento, que teve a questão da eletrificação como foco novamente, o que inevitavelmente reflete o contexto geopolítico e os desafios econômicos e ambientais atuais.

O setor tem se recuperado após dificuldades na pandemia e em grande parte pela chegada das chinesas ao continente com preços muito competitivos. Para se ter uma ideia, a participação de mercado delas foi de 4,9% em 2025, e a porcentagem de carros feitos na China vendidos na Europa superou a dos veículos fabricados na Turquia, no Japão e no Reino Unido, segundo dados da JATO Dynamics. A resistência europeia ainda existe, principalmente na Alemanha, maior produtora e mercado no continente, mas a questão preocupa.

Em 2024, foram aprovadas taxas de importação de até 35% sobre os 10% padrão nos carros elétricos chineses, e a União Europeia estuda limitar a 350 mil híbridos plug-in (PHEV) do país por ano. O presidente francês Emmanuel Macron compareceu pela última vez ao Paris Motor Show e, em meio a tumultuosos protestos pela França, para advogar justamente pela preferência europeia aos chineses. Além disso, o bloco busca aprovar a criação de uma nova categoria na legislação para subsidiar elétricos produzidos nos países membros. 

Resposta europeia conceitual

Nesse sentido, as marcas europeias voltaram com força ao Salão de Paris buscando referências de suas histórias, e o Grupo Stellantis chamou a atenção com oito carros-conceito. Emanuele Cappellano, Diretor de Operações (COO) do conglomerado para a região da Europa ampliada, destacou que “quer aproveitar ao máximo a vantagem competitiva proporcionada pela singularidade de suas marcas icônicas, oferecendo carros que, ao mesmo tempo, estão enraizados em sua herança e voltados para o futuro.”

A principal aposta do grupo é o novo Citroën 2CV, uma releitura do icônico modelo do século passado, seguindo a tendência de sucesso adotada pela rival Renault com os novos R5, R4 e o rival direto, Twingo. A Citroën promete que o modelo de produção custará a partir de 15 mil euros e será fabricado na Itália. 

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Compacto francês deve chegar ao mercado em 2028, com preço acessível e design carismático. Foto: Divulgação/Stellantis

 

Falando do país, a Fiat retornou a Paris depois de dez anos, e apresentou o conceito Multiplay, que prevê o próximo modelo da marca na Europa, um SUV do segmento C com a funcionalidade das minivans dos anos 2000. Além disso, a italiana mostrou o Multiplina, basicamente a versão de quatro lugares do quadriciclo elétrico Topolino.

Outro retorno ao evento foi a francesa DS, marca premium do grupo que, desde a separação da Citroën em 2015, sofre para conquistar uma fatia em meio a Audi, BMW e Mercedes. A marca apresentou o F3VER, prevendo a próxima geração do DS3, inclusive buscando inspiração nas lanternas traseiras da primeira geração do modelo, de 2009, e que seguindo a nova nomenclatura inspirada em perfumes franceses, se chamará Nº3. 

Rival da DS, a Alfa Romeo chamou a atenção com o conceito Cuorerosso, um sedã que antecipa a direção de design da italiana, mantendo a filosofia de beleza necessária e conexão emocional entre motorista e máquina. No entanto, a marca possui apenas três modelos à venda, sendo dois com uma década de mercado, Giulia e Stelvio, com a nova geração deles com futuro incerto após sucessivos atrasos, e nenhum lançamento há dois anos. 

Seguindo a linha da esportividade e do resgate do passado, a Peugeot apresentou o RCZ Vision, um esportivo elétrico sucessor do cupê dos anos 2010. Além disso, a francesa surpreendeu com o E-T16, conceito que antecipa o próximo 208 e resgata elementos da lenda do rally, o 205 Turbo de 1985. A nova geração do B-hatch estreará o volante Hypersquare, retangular, e promete ser o primeiro do segmento com o sistema steer-by-wire, sem ligação mecânica entre volante e rodas.

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Peugeot E-T16 resgata o passado da marca para os futuros Peugeot 208 e 2008. Foto: Divulgação/Stellantis

 

A Stellantis ainda mostrou o Opel STX Concept, que indica a direção que a marca alemã seguirá e chama a atenção por ser um Station Wagon, carroceria que praticamente desapareceu com a ascensão dos SUVs. 

Nessa mesma linha de apostar em receitas diferentes, mas agora no Grupo Renault, a francesa mostrou o E-Space, uma minivan que resgata a história do modelo que se transformou em um SUV de sete lugares. Elétrico e com visual retrô, não foi confirmado se será produzido, mas comprova que a marca segue com a estratégia de reviver ícones do passado, que vêm sendo referência na indústria europeia pelo sucesso de vendas do R5 e Twingo E-Tech. 

O grupo ainda levou a Alpine para o Porte de Versailles, com o concept A310, que busca explorar o passado da marca esportiva com grande presença em competições. Chama a atenção que Nissan e Mitsubishi, apesar de também pertencerem ao grupo e terem um grande legado no esporte mundial, mais uma vez estiveram ausentes e enfrentam dificuldades financeiras. 

Expansão chinesa continua

Diferente das donas da casa, o destaque das chinesas foi com modelos de produção que prometem ser inclusive fabricados no bloco em alguns anos para escapar das tarifas. A parceira estratégica da Stellantis, a Leapmotor, apresentou três novos modelos. 

Após a ofensiva nos segmentos D e C, agora a chinesa aposta no segmento B. O evento foi palco do primeiro contato do público com o SUV B03X. Com porte de Volkswagen ID.Cross e até 401 km de autonomia, chega custando cerca de 24 mil euros, 4 mil a menos que o alemão. A marca apresentou também o B03, versão hatch do B03X, visando bater de frente com o Renault R5 e o Volkswagen ID.Polo. Ambos os modelos devem chegar ao Brasil em breve. 

A recém-chegada Changan também acelera na conquista do continente europeu, apresentando o SUV CS55, lançado em setembro por aqui, e os modelos de luxo da Avatr. Mas o destaque da ofensiva é o lançamento da Deepal e da NEVO em Paris. A primeira é uma marca com apelo esportivo e premium, com os SUVs elétricos ou híbridos plug-in S07 e S05, dos segmentos D e C, respectivamente. Já a Nevo apresentou o Q05, com 4,43 m de comprimento, elétrico ou PHEV, com mais de um milhão de vendas na China e com chegada prevista para o início de 2027. Um degrau acima estará o Q06, ainda em homologação. 

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Grupo chinês já opera no Reino Unido, e agora avança para a União Europeia. Foto: Divulgação/Changan Global

 

O Grupo Chery revelou o Tiggo 4 para a Europa, que irá no próximo ano completar a linha de SUVs por lá, com conjunto híbrido pleno (HEV) com foco em economia e tecnologia. Além disso, a marca apresentou pela primeira vez fora da China o novo Q, um hatch elétrico do segmento B de última geração, levado para avaliar a recepção do público europeu ao modelo. Paris também foi o palco do novo Omoda 4, apresentado na China no começo do ano, e com grandes expectativas de ser o próximo lançamento da marca no Brasil. Com um visual afiado, tem botão de partida com tampa protetora ao estilo Lamborghini, e opção HEV e elétrica. 

Seguindo o plano de expansão na Europa, a vice-presidente da BYD revelou planos de construção de duas novas fábricas em solo europeu, na França e Espanha, se juntando à unidade na Hungria, com produção em massa prevista para começar ainda este ano. A marca lançou também o elétrico Atto 8, o primeiro com a segunda geração da bateria Blade e sistema Flash Charging, com recarga de até 1.500 kW, o que se traduz em 10 a 97% em apenas nove minutos. 

O salão também foi palco para a estreia de duas novas chinesas, Forthing e Li Auto. A primeira faz parte do grupo Dongfeng, que estreou no Brasil em agosto no Festival Interlagos. Para Paris, o conglomerado que estuda uma parceria com a Stellantis aos moldes de Leapmotor, apresentou a marca Forthing e os modelos TK5 e TK7. O primeiro se trata de um SUV médio e o segundo, curiosamente, é uma minivan, ambos elétricos ou híbridos plug-in. Estava presente também a van V9, e planos de uma planta de produção em solo europeu já no início de 2027 foram anunciados. Já a Li Auto levou o seu SUV com ares de minivan, i6, com previsão de lançamento no ano que vem.

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Dongfeng esteve presente nas edições 2023 e 2025 do Salão de Munique, e na edição passada do Paris Motor Show. Foto: Divulgação/Forthing

 

Geely e GAC usaram o evento para fortalecer sua chegada na Europa com os modelos já conhecidos pelos brasileiros. De novidade, a primeira apresentou globalmente o Monjaro EM-i, um D-SUV híbrido plug-in que, apesar do nome curioso, oferece muito espaço e conforto como modelo topo de linha na Europa. Já a segunda revelou o inédito Aion UT Cross, versão aventureira do hatch elétrico.

Chamaram a atenção em Paris ainda as chinesas Aito e Xpeng. A primeira é a marca de luxo do grupo SERES e parceira da gigante de tecnologia Huawei, que também esteve presente em 2024, mas ainda não deslanchou no continente. Já a Xpeng fortalece a ofensiva com a chegada do SUV cupê elétrico ou híbrido L03. Após marcar presença na edição passada do evento e nos dois últimos Salões de Munique, agora aposta em um modelo do segmento D, rival do Tesla Model Y, com 520 km de autonomia, tecnologia de ponta e por cerca de 35 mil euros. 

Lançamentos de produção

Como resposta às chinesas, as marcas tradicionais também aproveitaram o Salão de Paris para mostrar importantes modelos de produção para o futuro da indústria europeia. A Stellantis mostrou os novos Fiat Grizzly e Grizzly Fastback. Como o nome do segundo sugere, eles devem substituir o Fastback atual no Brasil e provavelmente o Pulse. 

O estilo segue o do Grande Panda, que será lançado no Brasil ainda este ano como Argo X. Terá versões a gasolina, híbrida leve (MHEV) e elétrica, e usa a versão simplificada da plataforma e-CMP chamada de Smart Car, desenvolvida em parceria com a indiana Tata.

A coreana Hyundai foi a única asiática não chinesa que apresentou grandes lançamentos neste ano: a segunda geração do SUV Bayon, e a quinta geração do Tucson. O primeiro é um SUV compacto baseado no novo i20 já vendido no Brasil, mas ainda em adequação para o mercado europeu. Ele possui exatamente o mesmo interior do hatch, mas é 11 centímetros mais comprido e seis mais alto, e conta com motorização micro-híbrida por lá, além de futuramente um sistema HEV. Já o Tucson muda completamente em relação à geração atual, que nunca foi vendida no Brasil. Ele continuará contando com opções MHEV, HEV e PHEV, além de um entre-eixos menor que o da versão global, como já adotado pelo atual e pelo Kia Sportage.

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Bayon segue a linguagem de design “Steel of Art”, seguindo a linha do novo Tucson. Foto: Divulgação/Hyundai Group

 

O Grupo Volkswagen vive um momento delicado e levou a sua mais nova aposta para Paris. Após atrasar a nova plataforma elétrica para médios do grupo para 2029, e ter vendas aquém do esperado de seus primeiros elétricos, ID.3, ID.4 e ID.5, a alemã reviu a sua estratégia. Em vez de lançar uma reestilização para os dois últimos, fez mudanças profundas no design, no interior e na nomenclatura. Conforme defendido no Salão de Munique de 2023, o legado das marcas é visto como a principal chave para conquistar os compradores com a chegada dos chineses, e com o sucesso da Renault ao resgatar nomes lendários, a Volkswagen lançou o ID.Tiguan.  

Essencialmente, o modelo é o velho e descontinuado ID.4, recém-lançado no Brasil, com mesma plataforma, bateria e motor. Porém, o exterior é menos arredondado e mais em linha com o Tiguan a combustão, e o interior é completamente novo, sanando o problema da falta de comandos físicos, telas pequenas e acabamento duvidoso. 

Falando em acessibilidade e legado, Paris marcou o retorno de um ícone, o smart #2. Lançado no Paris Motor Show em 1998 como Fortwo, havia sido descontinuado em 2024, e retorna em 2026 mantendo a filosofia de ser realmente pequeno, funcional e divertido. O preço deve começar em 20 mil euros, e a bateria de 35 kW consegue uma autonomia de 290 km para o pequeno com 2,76 de comprimento.

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Primeiras entregas do novo smart #2 começam já este ano em alguns países europeus. Foto: Divulgação/smart

O novo smart será fabricado na China e foi desenvolvido em parceria com a Geely, e reflete bem o momento que a indústria automotiva mundial vive. A produção do #2 em solo europeu não foi descartada, mas a empresa disse que isso teria atrasado seu lançamento em um a dois anos. Ou seja, mesmo que europeias, a colaboração com a China não parece mais opcional, e o tempo mostrará se os conceitos das marcas tradicionais conseguirão chegar a tempo dos chineses de agora.

Após terem imagens divulgadas durante a ocorrência no Campus Monte Alegre, Maykel e Brito receberam manifestações de apoio de estudantes, movimentos estudantis e da Universidade
por
Thaina Bezerra
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23/09/2026 - 12h

Na quarta-feira (16), durante uma assembleia geral dos centros acadêmicos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Lucas Pavanato (PL), vereador de São Paulo e  então candidato a deputado federal, acompanhado de apoiadores e seguranças, ingressou nas dependências da instituição no Campus Monte Alegre, em Perdizes, zona oeste da capital paulista.

A presença do candidato durante a assembleia provocou questionamentos por parte dos estudantes que participavam da atividade. Durante a abordagem, Pavanato respondeu aos estudantes de forma grosseira e manteve-se no local acompanhado de seu grupo. Com a permanência dos apoiadores e seguranças no espaço da universidade, a movimentação do grupo deu início a um cenário de tensão e desordem no campus, fazendo com que a situação se intensificasse e passasse a exigir a atuação dos funcionários.

A preocupação dos funcionários aumentou quando ouviram que os seguranças do candidato estavam supostamente armados. Durante a saída de Pavanato e de seus apoiadores, Maykel e Brito atuaram na mediação da situação, como parte de suas atribuições no campus, buscando preservar a segurança e a integridade da comunidade universitária diante da movimentação no local.

Posteriormente, suas imagens foram registradas e divulgadas sem autorização nas redes sociais vinculadas à equipe de Pavanato. A divulgação foi acompanhada de críticas à atuação dos funcionários durante a ocorrência.

Tumulto entre os apoiadores de Pavanto e alunos durante a saída do candidato.
Momento de tumulto na Universidade durante a saída do candidato. Foto: Thaina Bezerra/Agemt

A exposição dos funcionários provocou manifestações de apoio entre integrantes da comunidade puquiana. Estudantes e movimentos estudantis passaram a se posicionar sobre o ocorrido e a denunciar as publicações realizadas nas redes sociais.
 

Quem são os funcionários expostos em vídeo?

Maykel Chagas Botelho (Diretor de Campus), e Jair Canuto de Brito (Agente Acadêmico), são funcionários da PUC-SP e estavam trabalhando no Campus Monte Alegre no momento da ocorrência. Durante a assembleia estudantil, os dois participaram da contenção do tumulto que aconteceu no local.

Funcionários Maykel e Brito
Maykel e Brito, funcionários da PUC-SP que atuaram durante a ocorrência no Campus Monte Alegre. Foto: Thaina Bezerra/Agemt

Segundo Brito, a atuação dos funcionários começou quando a situação se intensificou durante a saída do grupo. Ele afirma que um dos seguranças teria atingido um estudante com uma cotovelada, momento em que ele e Maykel intervieram para conter a situação. Brito relata que os funcionários pediram que o grupo deixasse o campus, mas que a saída foi marcada por empurrões e ameaças. Ele também afirma ter sido atingido por uma cotovelada.

Após o episódio, imagens de Brito e Maykel foram divulgadas nas redes sociais vinculadas à equipe de Pavanato. Segundo o funcionário, a exposição teve impacto pessoal e profissional. “Eu fiquei super triste, super mal, porque as pessoas ficavam falando: ‘Você está na internet. Você está na internet’. O cara me expôs, expôs a nossa faculdade também, a PUC junto.”

Brito menciona que, após a divulgação das imagens, recebeu apoio de colegas, estudantes e diferentes setores da universidade. Ele destaca a manifestação de estudantes, especialmente do Direito e do Alvorecer, e o apoio da Associação dos Funcionários da PUC-SP (AFAPUC), além da Reitoria e do setor de Recursos Humanos. “Quero agradecer a eles e a toda a comunidade PUC, para quem gosta da PUC como eu gosto.”, menciona o funcionário à AGEMT.

Funcionário da PUC-SP há 19 anos, Brito afirma que sua relação com a universidade vai além do trabalho. “Eu vivo a PUC. Eu trabalho aqui há 19 anos, então ela é minha segunda casa, praticamente a minha casa. Eu gosto muito da PUC, eu amo muito essa faculdade. É uma alegria ajudar um aluno, é uma alegria ajudar um professor. Então, eu gosto do que eu faço.”

A atuação dos funcionários durante a ocorrência também foi acompanhada por estudantes que estavam presentes na assembleia. Em entrevista à AGEMT, Isaac Rocha dos Santos, de 18 anos, aluno do curso de Direito da PUC-SP e integrante do movimento estudantil Coletivo Da Ponte pra Cá, contou que percebeu o questionamento de alguns alunos sobre a postura e a presença de Pavanato na instituição.

Segundo Isaac, em um primeiro momento, os estudantes tentaram conversar com o candidato que, segundo o relato, apresentava comportamento hostil durante a abordagem. Após a recusa do candidato em deixar o campus, os estudantes fizeram uma barreira para sinalizar a oposição à sua permanência e impedir a aproximação entre ele e os demais alunos.

Segundo o estudante, o então candidato e seus seguranças teriam reagido com empurrões e xingamentos, onde Isaac foi um dos estudantes atingidos. “Eu fiquei em choque, é a primeira reação que a gente tem. Mas não esperava que um parlamentar em época de eleição teria a coragem de fazer algo desse tipo”, afirmou o estudante. 

Ele ainda conta que a parte que mais toca em seu sentimento e o revolta é ter sido chamado de vagabundo. “Mostra a cara do vagabundo’, pedindo para o filmmaker dele filmar a minha cara. Eu sou aluno bolsista, já é difícil estar aqui, ele não reconhece ou passou pelo o que passei pra chegar até aqui.”

Isaac, estudante de Direito da PUC-SP
Isaac, estudante de Direito da PUC-SP e integrante do movimento estudantil Coletivo Da Ponte pra Cá. Foto: Thaina Bezerra/Agemt

Após o ocorrido, o Coletivo Da Ponte pra Cá publicou em suas redes sociais uma nota de apoio aos funcionários da PUC-SP e repúdio à exposição de integrantes da comunidade universitária. 

“[…] O Coletivo Da Ponte pra Cá repudia veemente qualquer publicação que exponha alunos, funcionários e professores sem autorização e para autopromoção. Reiteramos todo nosso apoio para os agentes expostos no vídeo, reforçando que nossa luta também é por eles.

Com muito carinho, lembramos do acolhimento prestado, cada palavra dita e o apoio que esses nos oferecem no dia a dia. Temos afeto, amor e uma comunidade inteira que tem eterna gratidão à presença dessas pessoas. Além do trabalho, se tornaram amigos, figuras de liderança e confiança e jamais deveriam ter sua imagem exposta dessa forma. […]”

Alunos da PUC-SP ao lado de Brito durante o ato de apoio ao funcionário
Alunos e representantes dos centros acadêmicos e movimentos estudantis da PUC-SP durante o ato de apoio a Maykel e Brito. Foto: Thaina Bezerra/Agemt

A PUC-SP também se posicionou sobre o ocorrido e publicou, em suas redes sociais, um comunicado em apoio e solidariedade a Maykel e Brito, destacando a atuação dos funcionários durante o episódio.

A instituição classificou a exposição como covarde e irresponsável. Além disso, afirmou que a arena pública brasileira precisa de racionalidade, respeito e discussões propositivas.

Comunicado PUC-SP
Foto: Reprodução/Instagram: @puc_sp

A Associação dos Funcionários Administrativos da PUC-SP (AFAPUC), também publicou em suas redes uma manifestação em apoio aos funcionários e convidou a comunidade puquiana a vestir azul e amarelo, cores da Universidade, na terça-feira (22), como gesto de solidariedade aos colegas envolvidos. A mobilização ocorreu na “prainha” da Universidade, onde funcionários e estudantes se reuniram para registrar uma fotografia coletiva.

No início do encontro, Sandra Aparecida Barbosa Costa, funcionária da PUC-SP, falou em nome da Diretoria da AFAPUC e destacou a mobilização da comunidade após o episódio. Segundo a manifestação da associação, os dois funcionários envolvidos atuavam no exercício de suas funções quando foram expostos em um vídeo publicado nas redes sociais. 

A entidade também ressaltou a reação de estudantes e funcionários, que se mobilizaram em solidariedade aos trabalhadores e denunciaram o conteúdo à plataforma. “Estamos aqui hoje por uma razão muito simples e muito importante: para dizer aos nossos colegas que eles não estão sozinhos”, afirmou Sandra, em nome da Diretoria da AFAPUC.

Na manifestação, a associação também atribuiu à fotografia coletiva um sentido simbólico de união da comunidade. “Esta foto não é apenas uma foto. É um gesto de solidariedade, de pertencimento e de união. É a imagem de uma comunidade dizendo que nenhum trabalhador deve ser exposto ou atacado simplesmente por cumprir sua função.”

Ao final da fala, a AFAPUC relacionou a mobilização aos princípios de participação, respeito às diferenças, responsabilidade e democracia, defendendo uma Universidade em que trabalhadores e estudantes possam “conviver, trabalhar e se manifestar sem intimidação”.

Sandra fala em nome da AFAPUC
Sandra Aparecida Barbosa Costa, funcionária da PUC-SP durante o encontro realizado em apoio aos funcionários. Foto: Thaina Bezerra/Agemt

Na sequência, funcionários da Universidade se reuniram com alunos que apoiaram o ato para realizar uma fotografia coletiva.

Alunos e funcionários da PUC-SP em fotografia coletiva
Funcionários e estudantes da PUC-SP durante o ato de apoio a Maykel e Brito. Foto: Izabel Cristina 

No encontro, Rodrigo Mariano, presidente da AFAPUC, falou sobre a importância do ato em apoio aos funcionários: “Essa mobilização representa a união dos trabalhadores e mostra que quando a gente se une, ficamos mais fortes. E isso se mostrou ainda mais na questão de que conseguimos derrubar a publicação em que os nossos colegas foram expostos.”

Rodrigo Mariano presidente da AFAPUC
Rodrigo Mariano, presidente da AFAPUC. Foto: Thaina Bezerra/Agemt

 

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Falhas técnicas, descarrilamentos e atrasos quase rotineiros afetam a rotina de passageiros e levantam questionamentos sobre a segurança pública nas linhas privatizadas.
por
Alice Begnini
Elisa Almeida
Larissa Bandeira
Sofia Martins
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01/10/2026 - 12h

Somente no mês de Agosto, aconteceram dois descarrilamentos em dias consecutivos, no dia 13 (quinta-feira) na estação Júlio Prestes da Linha 8 Diamante, o trem estava em baixa velocidade e vazio quando saiu dos trilhos. Em menos de 24 horas, no dia 14 (sexta-feira), ocorreu outro acidente com as mesmas características do anterior, entre as estações Comandante Sampaio e Osasco da Linha 9 Esmeralda, dessa vez, o trem estava com uma grande quantidade de passageiros, devido ao horário de pico. Em nenhum dos casos algum passageiro se machucou, mas o ocorrido foi um fator que afetou os passageiros de fora e de dentro do trem, tanto da linha 8 quanto da 9. Estações ficaram lotadas, passageiros sem trens e a operação levou horas para voltar ao normal. Falta de comunicação com aqueles que esperavam um próximo trem, foi uma das várias reclamações daqueles que fazem uso de tais linhas privatizadas.

Na grande São Paulo, o transporte ferroviário — segundo o Estadão Mobilidade — se integra na rotina de mais de 6 milhões de trabalhadores, fazendo com que trajetos longos e demorados sejam reduzidos à viagens ininterruptas de trens. Mesmo assim, nem sempre tais caminhos diretos funcionam como deveriam; muitas vezes são interrompidos por falhas e problemas técnicos no funcionamento dos trens. 

A linha 8 Diamante — que conta com 41 quilômetros de extensão e liga a Capital de São Paulo ao município de Itapevi — transporta cerca de quinhentos mil passageiros por dia; e enfrenta uma série de crises e defeitos, que cresceram exponencialmente em 2021, quando a empresa foi passada para a Via Mobilidade. Apesar de ser tratada como uma venda, o acordo entre CPTM e Via Mobilidade é uma concessão: durante 30 anos, a Via Mobilidade terá responsabilidade sobre a operação dos trens, manutenção, conservação, modernização e realização de investimentos nas linhas 8 Diamante e 9 Esmeralda. 

Após a transição das linhas, o histórico de acidentes fica cada vez mais perceptível. Em março de 2022: colisão de um trem contra a barreira de proteção da estação Júlio Prestes (linha 8) e, no mesmo dia, a morte de um funcionário eletrocutado ao fazer reparo em transformador de energia na estação Pinheiros (linha 9). Depois em dezembro de 2022: descarrilamento na estação Domingos de Moraes. Em janeiro de 2023, trem descarrila com passageiros na Linha-8 Diamante e em março de 2023 trem descarrila na Linha 8-Diamante, entre as estações Júlio Prestes e Barra Funda. São inúmeros os casos de acidentes na linha 8 e 9 desde a mudança, fator que influencia diretamente no funcionamento dos trens. A cronologia dos fatos reforça que o problema já se tornou estrutural e não apenas “casos isolados”. 

Shirley Beatriz, jovem que atua como analista de contas médicas, utiliza a linha 8 Diamante para chegar ao seu trabalho; a passageira relatou que a troca de administração da linha trouxe problemas para o seu trajeto: “Para mim parece até que piorou”. Apenas no mês de agosto deste ano, dois descarrilamentos aconteceram em dias seguidos, afetando tanto a rotina de trabalhadores, que tentavam retornar para casa após o expediente, quanto de estudantes, idosos, crianças, PCD´s e todos que fazem o uso do transporte público.

O descarrilamento coloca em risco a vida de quem depende do transporte. Após a evacuação do trem, os passageiros são obrigados a caminhar pelos trilhos até a próxima estação, contando apenas com a iluminação natural do dia, situação que por si só representa risco de acidentes. No descarrilamento do dia 14 de agosto, enquanto os passageiros faziam esse trajeto a pé, um outro trem passou em alta velocidade pelo mesmo trecho, o que poderia ter causado um grave acidente.

Plataformas lotadas após o descarrilhamento do dia 14 de agosto. Foto: Elisa
Plataformas lotadas após o descarrilhamento do dia 14 de agosto. Foto: Elisa Almeida/ AGEMT

“Nesses casos, acontece o acompanhamento sempre com a equipe  de segurança no local, Também prestamos atendimento de primeiros socorros (APS) e acompanhamos pessoas que apresentem dificuldade de locomoção, garantindo maior segurança e assistência durante a ocorrência. Se necessário, fazemos o encaminhamento para uma unidade hospitalar, a Motiva dispõe de ambulância e profissionais de segurança devidamente treinados e habilitados para realizar o acompanhamento e o transporte até a unidade de saúde mais próxima, conforme os procedimentos estabelecidos.” enfatiza o segurança da via mobilidade que solicitou anonimato na divulgação da matéria. Mesmo com esses procedimentos padronizados para emergências, a Via Mobilidade falha em um ponto essencial, deixando de lado a comunicação com os passageiros. Enquanto a resposta a acidentes já ocorridos parece estruturada, a prevenção, e a melhoria efetiva do funcionamento das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, continua em segundo plano. 

Tais falhas evidenciam um descaso sistêmico com pessoas que dependem de transportes públicos, indivíduos que em sua maioria, pertencem a uma classe social baixa. No entanto, na Via Mobilidade — empresa que agora detém os trens e serviços da linha 8 Diamante e 9 Esmeralda — existem processos de segurança para que os passageiros, apesar das falhas, não enfrentem nenhum risco à sua vida. “É realizada uma prevenção mensal, porém sabemos que nada é 100% seguro. Também contamos com inspeções realizadas por empresas e órgãos públicos nas estações de trens. Após a inspeção, a Motiva possui um prazo determinado para realizar as adequações ou melhorias necessárias”, declara o segurança da Via Mobilidade.

Affonso Romero, funcionário administrativo da CPTM, antiga mantenedora dos trens da linha 8 e da linha 9, afirma que: “Todos os trens passam, quase todos os dias, pela oficina. Em algum momento o trem é retirado da circulação e passa pela oficina. Tem a revisão de área, tem revisão semanal, tem revisão mensal”, portanto, durante o período em que as linhas eram mantidas pela companhia estatal, as falhas técnicas eram reduzidas devido ao processo de manutenção dos trens. 

É importante ressaltar, que as linhas Diamante e Esmeralda atendem, majoritariamente, uma população de menor renda, que depende exclusivamente do transporte público para ir trabalhar, estudar, em consultas médicas e compromissos cotidianos num todo. Para esses passageiros, que enfrentam diariamente longos e cansativos trajetos, interrupções e falhas técnicas não representam meros atrasos, mas é uma forma de opressão indireta com a minoria, representa horas de vida perdida, horas de descanso, que já é limitado, perdido e maior desgaste físico e psicológico.

Dia comum, fora de horário de pico na linha 8 diamante. Foto: Alice Begnini/AGEMT
Dia comum, fora de horário de pico na linha 8 diamante. Foto: Alice Begnini/AGEMT

 Apesar de a Via Mobilidade ter informado sobre o ocorrido e orientado os passageiros que estavam dentro do trem, a comunicação com os usuários que estavam fora da composição não ocorreu da mesma forma. Passageiros afetados pela interrupção relataram falta de informações sobre a previsão dos próximos trens, alternativas de trajeto e como deveriam prosseguir diante da paralisação do serviço. 

Essas falhas não são apenas uma percepção dos passageiros. O Ministério Público de São Paulo já instaurou inquérito civil para apurar problemas na prestação do serviço pela Via Mobilidade. O procedimento resultou em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e, posteriormente, a ARTESP informou ao órgão a adoção de medidas corretivas e sancionatórias, incluindo a abertura de 20 processos administrativos contra a concessionária. Entretanto, até o momento, tais ações não contribuem efetivamente para uma melhoria no cotidiano dos passageiros.

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Enquanto algumas universidades abrem espaço para a livre expressão dos alunos, outras criminalizam a prática
por
Beatriz Foz
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25/09/2026 - 12h

Nas paredes de universidades como a Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cores e palavras de ordem disputam espaço com o concreto acadêmico. Corredores e muros se transformam em murais de reivindicação, mas também de afirmação de identidade e expressão da arte jovem. Mesmo tão presentes, porém, pichos e grafites enfrentam desafios para não serem apagados.  

O grafite brasileiro carrega um histórico de disputas de legitimação. Um dos seus períodos mais desafiadores foi o da Ditadura Militar, na década de 1970. Neste período, as ruas se tornaram um espaço de expressão e contestação do modelo político vigente e de reivindicação pública de direitos. 

A resposta do governo era uma forte repressão policial que tentava silenciar os artistas urbanos. Embora o grafite só tenha sido enquadrado na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), em 1998. A lei previa detenção para aqueles que grafitassem nos espaços urbanos. Em 2011, a prática foi oficialmente descriminalizada e a palavra "grafitar" foi retirada da legislação sobre crimes ambientais, desde que houvesse consentimento do proprietário e o intuito de valorização artística do espaço. 

Institucionalmente, hoje o grafite é reconhecido como uma pintura ou manifestação artística legalizada, usada com o objetivo de valorizar o espaço (público ou privado). A modalidade se difere do picho, ainda considerado um meio de conspurcar (sujar ou danificar) uma edificação e que entra na esfera do vandalismo, regulamentado pelo artigo 65 da Lei nº 9.605/1998. 

Mas o picho também ocupa as paredes das cidades, e apesar de visto como vandalismo, é uma forma de arte contra-hegemônica, como explica o urbanista e professor Enk Te Winkel, formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie: “A força política dele está justamente aí, ele não pede licença”. Com traços mais simples e menos cores, a  preocupação principal do picho não é agradar visualmente o público ou ser belo, mas denunciar desigualdades sociais e levantar debates que são sistematicamente ignorados pela sociedade. 

O urbanista destaca que o picho carrega uma força política poderosa por estabelecer um canal de comunicação direto com quem está na rua: “Eu acho isso de uma potência enorme, o que acabou de ser escrito e pode ser visualizado por centenas de pessoas. Na falta de um espaço institucional, uma voz aparece no muro”, reforça. 

Nos espaços universitários - de emergência de debates, trocas de ideias, estimulação do pensamento crítico - essa arte então se transforma em um importante mecanismo de expressão legítima no ambiente estudantil. Impulsionada por iniciativas de centros acadêmicos, coletivos de alunos e artistas convidados, as paredes de alguns espaços universitários como USP, PUC-SP e Unicamp, se enchem de frases e desenhos, que criam uma comunicação indireta entre os estudantes. 

Na USP, os grafites e pichos estão espalhados por todas as faculdades, nos centros acadêmicos e também em algumas paredes externas de seus prédios. Diego Griese, estudante de biologia da USP,  comenta que os grafites no Centro Acadêmico de Biologia (CABio) são feitos pelos alunos de maneira livre e que são incentivados internamente: “isso é muito importante. Se pensarmos do ponto de vista da integração, todos têm o direito de expor uma parte de si e de deixar sua marca na universidade.” 

Diego complementa que a coordenação do curso de biologia aceita a perseverança da tradição de expor nas paredes do CABio os pensamentos dos estudantes.

Picho assinado pelo UJR e PCR em parede no exterior do prédio da Letras na FFLCH USP. Foto: Paula Ponte.
Picho assinado pelo UJR e PCR em parede no exterior do prédio da Letras na FFLCH USP. Foto: Paula Ponte

Sofia Terpins, estudante de Artes Visuais da Unicamp, considera os grafites importantes para o espaço da universidade, com a maioria localizados no centro da universidade, próximos ao Instituto de Artes. “Eu gosto muito dos grafites que ocupam a Unicamp. Além de colorir o espaço, transmitem ideias e pautas importantes para os estudantes e pessoas de fora que permeiam a universidade”, explicou a estudante.

Na PUC-SP, os chamados 'emparedados’ se dividem entre aqueles produzidos por artistas convidados e os outros, pichados por alunos. Os profissionais, no entanto, nem sempre refletem o poder de expor uma ideia, levantar um debate ou exercer a liberdade de expressão. 

Fábio Cypriano, critico de arte e diretor da Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes da PUC-SP (FAFICLA), avalia que quando o grafite passa para ambientes domésticos e internos, ele pode se transformar em uma decoração: “É uma questão complexa, porque eles não exatamente tem a ver com a gênese do movimento do grafite e da pichação”. 

O diretor complementa que a universidade sempre teve uma história marcada por movimentos estudantis sociais e que suas paredes estão acostumadas aos grafites e às pichações, mas que hoje em dia a atitude interna na universidade não é mais tão radical. 

Grafites produzidos por artistas convidados pela PUC - SP no prédio novo. Foto: Beatriz Foz/ AGEMT.
Grafites produzidos por artistas convidados pela PUC - SP no prédio novo. Foto: Beatriz Foz/ AGEMT. 

O grafite e o picho universitário podem representar, de fato, uma urgência de expressão, mas nem sempre são aceitos pela direção das universidades. Na Universidade Estadual de Campinas, por exemplo, Alexandre Mendes Filho, estudante de economia, foi levado à delegacia por pichar um muro da universidade. 

Ele conta que durante um evento chamado ‘Unipunk’, que serviria como um espaço para os estudantes fazerem “barulho” durante a greve da Unicamp no primeiro semestre de 2026, ele pichou o nome do evento em um muro já pichado do prédio do DCE na universidade. “Apareceram cinco carros da Secretaria de Vivência nos Campi (SVC), cinco motos da SVC e três policiais da Polícia Militar para me levar para a delegacia do centro de Campinas”, relatou o estudante. 

Alexandre analisa que o grafite denuncia uma forma de abandono, de um espaço que sofreu uma precarização. Ele conta que a sua pichação continua no mesmo muro, mesmo depois de meses do ocorrido: “Era só pintar e eles sabem disso e eu me ofereci, porque que não fizeram?”, questiona.

Muro do DCE do campus da Unicamp que foi pixado com as palavras “Unipunk” durante evento. Foto: Alexandre Mendes Filho.
Muro do DCE do campus da Unicamp que foi pichado com as palavras “Unipunk” durante evento. Foto: Alexandre Mendes Filho/arquivo pessoal

O estudante avalia que as últimas reitorias da universidade têm tomado posições autoritárias sobre o grafite no campus e que o grafite em forma de desenho é sempre mais legitimado do que o picho: “No prédio da Ciências Sociais, eles têm uma parede cheia de desenhos e textos que foram permitidos em um evento relacionado ao hip-hop, é um grafite permitido”, explica o estudante. 

 

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Pelo quinto ano consecutivo, evento foi palco para dezenas de modelos e quatro novas montadoras
por
Vítor Nhoatto
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04/09/2026 - 12h

A edição Auto do Festival Interlagos 2026 ocorreu entre os dias 27 e 30 de agosto, e mais uma vez foi dominada por marcas chinesas. Na zona sul de São Paulo, o evento reuniu apresentações musicais, test-drives, shows de drift e milhares de metros quadrados ocupados por carros populares, esportivos, jipes e picapes. 

Este ano 215 mil pessoas estiveram presentes para ver 32 montadoras, contra 18 da edição anterior, e a estrutura estava visivelmente maior para comportar os expositores. Tal número é ainda mais expressivo considerando o retorno do tradicional Salão do Automóvel em novembro do ano passado, que contou com 25 marcas, e ofereceu alguns test-drives ao público.

Vale lembrar que o Festival Interlagos foi criado em 2022 com o intuito de fomentar o setor e os amantes das quatro rodas com o hiato do Salão desde 2018. Seu formato é bem diferente, sendo um evento de experiência automotor, isto é, focado em uma interação entre público, marcas e carros. A maioria dos modelos pode ser dirigida na pista, e os próprios concessionários os expõem.

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Diferente dos tradicionais Salões, no Festival, interessados podem experimentar os modelos na pista e na terra. Foto: Vítor Nhoatto

Novas marcas chinesas

Não é de ontem que o mercado nacional tem se transformado, com os motores dessa mudança sendo as montadoras chinesas. Oferecendo tecnologia de ponta por preços bem abaixo das marcas tradicionais, nomes como BYD e GWM já estão entre as 10 maiores no Brasil, e com menos de 5 anos de mercado. 

Em 2024 a Neta Auto usou o festival como palco, hoje em recuperação judicial na China. Ano passado foi a vez da conterrânea GAC, hoje em quarto lugar entre as marcas que mais vendem elétricos no país segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Seguindo a tendência, três novas marcas, todas do país asiático, estrearam este ano em Interlagos, também focadas em eletrificação.

A primeira delas é a BAIC, abreviação para Beijing Automotive Industry Holding Co,que apresentou a maior meta de expansão entre as estreantes. Seu objetivo é alcançar o top 10 de vendas no Brasil em cerca de dois anos, e para isso promete 50 lojas até dezembro, 150 até o fim de 2027 e 10 modelos até 2028 divididos entre as submarcas BAIC (híbridos), Arcfox (elétricos), e Stelato (premium). Os primeiros a chegarem serão os Arcfox T1, rival de BYD Dolphin, e o T5, para brigar com Geely EX5, ambos ainda em homologação pelo Inmetro e sem autonomia ou preço divulgados.

Arcfox T1 deve chegar na casa dos R$ 130 mil para ser competitivo, enquanto T5 passará dos R$ 200 mil. Foto: Vítor Nhoatto
Arcfox T1 deve chegar na casa dos R$ 130 mil para ser competitivo, enquanto T5 passará dos R$ 200 mil. Foto: Vítor Nhoatto

A BAIC pretende lançar ainda em 2027 o híbrido plug-in B30, com um estilo quadrado, e em 2028 o X55, primeiro híbrido flex da marca no país. Além disso, fala em abrir uma fábrica em solo nacional no sistema de carros desmontados (CKD), com a meta da operação brasileira ser a maior fora da China, mas sem informações sobre prazos, local ou parceiros.

Caminhando para fora dos boxes, para o meio da pista e bem próximo ao palco que recebeu atrações como Belo, Dennis e Matuê, estava a DFM. Conhecida como Dongfeng e por ser parceira de marcas como Nissan e Honda na China, apresentou a dupla BOX e VIGO, modelos 100% elétricos já homologados e disponíveis para test-drive na pista, mas ainda sem preços.

O hatch BOX será o modelo de entrada, mirando o sucesso do Geely EX2 e de BYD Dolphin Mini, com autonomia de 275 km, ligeiramente inferior à dos rivais, com 289 km e 280 km respectivamente. Logo acima estará o VIGO, um SUV com porte de Hyundai Creta e 302 km com uma carga. Ambos os modelos contarão com a tecnologia V2L, que basicamente transforma o carro em um power bank gigante, além de um pacote tecnológico competitivo, inclusive com leitor de placas de trânsito, ausente nos dois rivais.

São planejadas 60 concessionárias por 21 estados, com produção nacional em estudos, além da venda direta pelo Mercado Livre em breve, tal qual a GWM pratica. Além disso, no prédio principal do Festival estavam expostos os modelos da submarca premium da DFM, a Voyah, nos planos para os próximos passos no Brasil.

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Box carrega de 30% a 80% em 30 minutos, enquanto Vigo dobra a potência e chega à marca em apenas 18 minutos. Foto: Vítor Nhoatto

A terceira estreante no evento foi a Icaur, mais uma do Grupo Chery, que já opera no Brasil pela Caoa Chery, Omoda & Jaecoo, e mais recentemente pela Jetour. O jipe V27 foi apresentado, com um design que lembra muito a britânica Defender. Durante a coletiva de imprensa, no estande da Jaecoo inclusive, foi destacado o posicionamento premium do modelo que chega no primeiro semestre de 2027 e o conjunto mecânico REEV. Semelhante a um híbrido plug-in, se diferencia pelas rodas serem impulsionadas exclusivamente pelos motores elétricos, com o motor a combustão apenas como gerador, mesma tecnologia da Leapmotor.

Para finalizar, a MG, britânica de origem mas controlada pela chinesa SAIC, usou o evento para apresentar a submarca IM. A estratégia será vender os modelos em espaços exclusivos dentro das concessionárias da MG, que chegou ao Brasil ano passado durante o Salão do Automóvel. Focada em luxo e desempenho, chega com o SUV IM6, semelhante em tamanho a um Porsche Cayenne, com 767 cavalos e 0 a 100km/h em apenas 3,5 segundo na versão topo de linha, que podia ser inclusive provado na pista.

Mais lançamentos

Ainda sobre a MG, a marca aproveitou o seu estande no gramado para mostrar ao público pela primeira vez o MG 4 Urban, lançado no mês passado a partir de R$ 129.990. Com ADAS de série, inclusive sensor de monitoramento do motorista e reconhecimento de sinais de trânsito, é um modelo totalmente independente do hatch 4, mais barato e similar a um crossover para brigar com Geely EX2 e BYD Dolphin.

Falando nas rivais, a BYD teve a sua menor participação até então no Festival, sem nenhum modelo novo apresentado. O destaque foi a aparição ainda camuflada, e de amarelo canário, da picape Mako nos boxes, rival da Volkswagen Tukan. Em relação a Geely, a ideia foi aproveitar o ótimo momento do EX2, terceiro elétrico mais vendido do país. Foram apresentadas duas versões do hatch customizadas para drift, que arrancavam sorrisos dos visitantes pelas suas pinturas ousadas.  

Outra chinesa que chamou a atenção foi a Leapmotor, do grupo Stellantis, o mesmo de Fiat, Jeep e Peugeot. Estavam presentes os SUVs B10 e C10 em suas versões REEV, figuras carimbadas na pista. Foi confirmada a chegada da versão de 7 lugares do C10, chamado de C16, também no estande. No entanto, o destaque do espaço foi o hatch médio elétrico B05, em seu alegre tom amarelo.

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B05 tem porte de Volkswagen Golf, e deve chamar consumidores mais jovens para a marca com tecnologia e performance. Foto: Vítor Nhoatto

No segmento de SUVs elétricos, a Omoda apresentou o facelift da versão elétrica do Omoda 5. Chamado de E5, passa a adotar linguagem visual independente da versão híbrida, se aproximando do Omoda 7, e com 13 centímetros de comprimento a mais. Por dentro, novo multimídia e seletor de marchas na coluna de direção, exclusivos do elétrico também. Apesar de não revelar o preço, a marca deve reposicionar o E5 para se tornar competitivo frente ao GWM Ora 5, R$ 50 mil mais em conta que os R$ 209.990 cobrados pela Omoda, cifra atraente até ano passado, quando chegou ao Brasil.

Em relação à GWM, o Tank 400 estreou, híbrido plug-in e com foco total no luxo. Ficará posicionado acima do Tank 300, na casa dos R$ 500 mil. Além dele, estavam presentes o Ora 5 que, de acordo com os concessionários da marca, está com fila de espera até dezembro.

A parceira de concessionária da Omoda, a Jaecoo, escolheu Interlagos para o lançamento dos SUVs híbridos 5 e 8. O menor ficará posicionado abaixo do 7, concorrendo com Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta com um conjunto HEV (hybrid), semelhante ao sistema do Toyota Corolla, e não MHEV (micro-híbrido) como o do Jeep Renegade por exemplo. A pré-venda começa em novembro, prometendo bom nível de equipamento, apesar de um painel de instrumentos um tanto quanto simples. Já o 8, será o modelo topo de linha, com sete lugares para disputar com Jeep Commander, mas com o diferencial do PHEV (híbrido plug-in).

Nesse mesmo segmento e também como PHEV, a GAC lançou o GS9 por R$ 379.990, que apesar de bem equipado e competitivo, repete a falta de leitor de placas de trânsito dos demais modelos da marca. Em seu segundo ano consecutivo no evento, estava inclusive no mesmo lugar do ano passado, com um dos maiores estandes e mais de 50 concessionárias no país, como previsto.

Fechando o Grupo Chery, a Jetour teve participação tímida, mas aproveitou bem a pista off-road, na qual os visitantes podiam se aventurar durante o evento sem necessidade de agendamento prévio. A Caoa Chery levou apenas o novo Tiggo 7, exposto sozinho no segundo andar do prédio perto do refeitório, exclusivo para os expositores. Sobre isso, a oferta de opções alimentares era consideravelmente menor, sem opções veganas, e apenas fast food para os visitantes por preços na casa dos R$40.

Marcas tradicionais 

Não só de chinesas Interlagos foi preenchido, apesar da ausência de grandes lançamentos por parte das tradicionais, e ausência de Chevrolet e Volkswagen. A Abarth apresentou o conceito Pulse Scorpionissima, versão com mudanças sutis no design que o aproxima dos modelos europeus da marca, para avaliar a recepção do público. Ainda em comemoração aos 50 anos de Brasil, lá estava o Stilo Schumacher, inclusive autografado.

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Lendas da história da Fiat podiam ser vistas também, como o Marea das Mil Milhas, e o Palio Rally. Foto: Vítor Nhoatto

A Peugeot mostrou, e fez barulho, com a versão Rallye do 208, em uma tentativa de recuperar a atenção do público. As vendas da marca despencaram 28% em comparação ao ano passado, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A Citroën nem sequer estava presente, sem lançamentos, e categorizada como regional e não mais global pela Stellantis com o plano FaSTLAne 2030.

Em compensação, a Jeep desponta como nome de peso dentro do grupo, e apresentou ao público o recém-lançado Avenger. Em sua cor vibrante Verde Boreal, andava pela pista, e era o único modelo no estande da marca, demonstrando a sua importância para a marca. Logo ao lado, a RAM mostrava sua linha de picapes, mas sem novidades. 

Resgatando também a relação com o passado, e a ligação com as corridas graças a Ayrton Senna, a Honda focou na chegada do Prelude. A reinterpretação do clássico de duas portas, apresentado no Salão do Automóvel do ano passado, manteve a carroceria, mas agora é HEV e tem apenas câmbio CVT. Dois estandes podiam ser vistos, um nos boxes e outro no gramado, e chamava a atenção a diferença na abordagem da japonesa frente às chinesas. Interiores simples, telas pequenas e botões grandes, que fazem parecer as recém-chegadas, futuristas. 

Estiveram presentes também as conterrâneas Toyota, com destaque ao GR Yaris, da divisão de desempenho da marca, e a Mitsubishi. Sem qualquer lançamento, e em posição delicada dentro do Grupo Renault-Nissan-Mitsubishi, levou carros dos tempos de ouro da marca, como o Lancer Evolution e o Eclipse GS-T. 

A Renault marcou presença novamente, mas com estande menor e com apenas um vislumbre do novo Kwid como atração principal. Também mantendo a constância na mostra, a estadunidense Ford levou seus modelos mais caros para reforçar sua posição como marca de importados, com destaque para o lançamento da F-150 Raptor.

No mercado premium, a única alemã presente foi a BMW, e apresentou o novo SUV iX3. Estreando uma nova geração de elétricos, chamada de Neue Klasse, é o elétrico com maior autonomia do Brasil, 570 km com uma carga graças à nova plataforma. Inicia também uma nova linguagem visual, por dentro e por fora, custando a partir de R$582.950. O grupo ainda levou a MINI para Interlagos, mas sem lançamentos.

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Novo iX3 é considerado o modelo mais importante para a marca em décadas, transformando a tecnologia e o design da BMW. Foto: Vítor Nhoatto

Remando contra a maré, Lexus e Volvo apresentaram dois sedãs. A japonesa apresentou o ES 500e, PHEV que deve chegar ano que vem ao país, contando com sensor de monitoramento do motorista, tração integral e 343 cavalos. Já a sueca Volvo completa a sua atuação no mercado de elétricos com o ES90. Construído sob a plataforma do SUV EX90, chega com autonomia de 524 km por R$659.950, e resgata a tradição de sedãs da marca.

Em uma área nova no evento, em frente à roda-gigante do complexo e à pista de arrancada, estiveram presentes de forma oficial pela primeira vez marcas de luxo. A Aston Martin levou o novo Vantage S, e a McLaren o Artura Spider. Logo ao lado ficava o estande da Porsche com 911 e Cayenne, apesar da ausência do novo Macan EV. Antes ainda estava a área da Caterham, conhecida pelos esportivos britânicos à moda antiga.

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Como de costume, superesportivos, clássicos, modificados e empresas de acessórios completam a experiência dos visitantes. Foto: Vítor Nhoatto

Estrategicamente posicionadas ao lado delas, estavam ainda a Denza e dois modelos da Avatr, sem novidades, mas com a intenção de reforçar a imagem da BYD e da Caoa Changan, proprietárias das marcas. A edição 2027 do Festival Interlagos já foi confirmada, e tendo em vista seu retrospecto, promete seguir como importante vitrine no setor.

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O complexo que põe em xeque os limites do espaço público do Parque Villa-Lobos
por
Gustavo Tonini
Beatriz Foz
|
17/08/2026 - 12h

Inaugurada no início de 2026, a Orla TotalPass, grande complexo de gastronomia e esportes que se assemelharia a uma praia, revela uma nova forma de se entender o espaço. O complexo faz parte da nova fase da gestão do Parque Villa-Lobos, concedido à empresa Reserva Novos Parques desde agosto de 2022.

Somente nos primeiros meses de 2026, o parque inaugurou no espaço a Heineken House, e iniciou as construções da Casa Cazé TV. Além disso, quadras de tênis com arquibancadas também foram erguidas, onde ocorrerá anualmente o torneio de tênis SP Open. Desses projetos, somente a Orla TotalPass e a Heineken House são de entrada gratuita.  

Ainda em maio desse ano, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma investigação contra a Reserva Novos Parques, consórcio responsável pela gestão do parque. A investigação foi motivada por uma suspeita de “exploração econômica excessiva”, devido ao grande número de eventos privados e ações comerciais, cujas montagens e desmontagens restringem o acesso do público. Houve a tentativa de contato com a empresa, que não quis se pronunciar até o momento da publicação.

O contrato assinado para a concessão prevê a fiscalização da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) nas ações realizadas no parque. Em nota, a agência afirma que o contrato permite a delimitação das áreas do parque, desde que não prejudique as demais atividades realizadas nele. Na nota, ainda reitera que a realização de qualquer evento é permitida desde que esteja de acordo com as finalidades do parque: “voltadas ao lazer, esporte, cultura e recreação”.

Ao mesmo tempo que restringem o espaço do parque, as privatizações podem dar nova vida a ele. Edilson Carneiro, que diz frequentar o parque desde sua inauguração, afirma que "se não fosse a privatização, o parque estaria mais largado. Traz mais turistas, traz mais gente". Ele ainda considera que com a entrada de empresas no parque, permite-se que circule mais dinheiro nele, melhorando sua infraestrutura. Mas qual infraestrutura está sendo melhorada?

imagem entrada orla 1
A Orla TotalPass propõe uma nova forma de experienciar o parque, com um espaço gourmet e construções sofisticadas, oferecendo diversas atividades desde a gastronomia até os esportes - Foto: Gustavo Tonini

 

imagem propaganda mercado livre, quadra de areia e entrada
"É muito bacana essa integração desses dois mundos, tanto dessa infraestutura com o espaço do parque" Rafael Barbieri, visitante do espaço, destaca como o complexo mescla seus espaços de areia com as plantações típicas do parque.- Foto Gustavo Tonini

 

imagem do Sulamerica Lounge, espaço gourmet
O complexo oferece um espaço de convivência acolhedor com cinco quiosques-restaurantes, que vão de comida japonesa até petiscos. Entre eles se destaca o SulAmérica Lounge, com cardápio de alma brasileira assinado pela chef Alessandra Ramos. - Foto: Gustavo Tonini

 

imagem feira de vinhos, bandeira da Itália ao fundo
Além da oferta gastronômica permanente, o complexo também oferece feiras sazonais de gastronomia e de degustação de rótulos de vinhos. Na semana do Dia dos Pais, o foco era majoritariamente em vinhos e produtos italianos, com barracas de lugares como o Empório Matarazzo ou a Menin Wine Company. - Foto: Gustavo Tonini

 

imagem fonte, espaço para as crianças
É possível encontrar na segunda entrada um chafariz onde as crianças podem brincar e se refrescar em um dia de muito calor. "Um lugar muito chique, quando eu fui lá eu achei que estava no Recife. Traz novos valores ao parque." relata Edilson Carneiro - Foto: Gustavo Tonini

 

imagem quadra de areia, propaganda do Itaú ao fundo
O espaço possui cinco quadras de areia, sendo duas de acesso gratuito e três que funcionam por meio de locação. Felipe Bianchi, que estava pela primeira vez na orla, considerou o preço de R$200 por dupla para o pacote day use (uso livre da quadra por um dia) como um bom preço, o que o incentivou a voltar mais vezes para o complexo - Foto: Gustavo Tonini 

 

imagem concierge Total Pass, patrocínio Leroy Merlin
O aluguel das quadras fica restrito somente ao pacote day use, podendo ser feito no Concierge da própria Total Pass, que fica ao lado de uma das quadras gratuitas do complexo, também sujeitas a reserva, já que possuem tempo máximo de permanência de 45 minutos. - Foto: Gustavo Tonini

 

 

imagem sorvete por trás das grades
As garrafas vendidas pela Empório Matarazzo, dependendo do rótulo, podem custar  de R$240, enquanto os da Menin Wine Company custam em média R$195. - Foto: Gustavo Tonini

 

imagem entrada orla 2
“Nem tem bebedouro dentro da Orla. A privatização tira um espaço do parque que era público e reduz o acesso de muitas pessoas", relato de Gabriela Marquês, frequentadora do Parque Villa-Lobos. O espaço também conta com seguranças aos finais de semana - Foto: Gustavo Tonini

 

imagem quadra de areia fora da orla
"Eu não fiquei na Orla porque achei lá mais reservado, achei assim um lugar, de pessoas de mais classe alta. Essa parte é mais do povão aqui, fiquei mais confortável ", ponderou uma visitante, que não quis se identificar,  que frequentava uma das três quadras de areia públicas fora do projeto Orla. Nesse espaço, não há nenhum tipo de segurança/monitoramento nem portas.  - Foto: Gustavo Tonini

 

imagem trabalhadores separados da orla pela grade
"A ideia dessas conceções seria você ter uma manutenção permanente, equipamentos de qualidade novos usos para esses espaços tão importantes da cidade né. Na prática a gente não vê isso acontecer", alerta Marco D'Elia, especialista em arquitetura pós-graduado pela FAU-USP. Tapumes e grades tornam-se uma paisagem comum no parque - Foto: Gustavo Tonini  

 

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Espaço que prometia aproximar a praia dos paulistanos vira zona restrita
por
Beatriz Foz
Gustavo Loreto
|
14/08/2026 - 12h

A promessa de aproximar a praia da cidade grande foi concretizada no início de 2026 com a inauguração da Orla TotalPass no Parque Villa-Lobos: um complexo de 12 mil m2 com cinco quadras esportivas de areia e 12 quiosques gastronômicos. O projeto foi idealizado pela empresa de infraestrutura Orla Brasil, em parceria com a plataforma de bem-estar TotalPass, tendo ainda a SulAmérica, a Smartfit e a Red Bull como patrocinadoras. O espaço surge como uma alternativa para aqueles que não tinham a oportunidade de utilizar as quadras de areia para a prática de beach tênis e beach vôlei.

A estrutura das quadras é dividida em duas modalidades: duas são abertas para o público geral e as outras 3 são reservadas para um pacote de day use, pelo qual são cobrados R$200,00 a diária, por dupla. Em conversa com funcionários da área esportiva do complexo, foi destacado que a dúvida que eles mais recebem é se precisa ter o aplicativo para utilizar as áreas. A resposta é que o TotalPass é só o patrocinador máximo do projeto e que não é preciso tê-lo para utilizar o espaço. Qualquer pessoa pode agendar as quadras de forma gratuita, acrescentou um dos funcionários, referindo-se às 2 quadras que funcionam dessa forma.  

Sobre o day use, ele afirma que o valor é super acessível e ressalta que, durante a semana o valor do aluguel das quadras é convertido em consumação total para o restaurante, dando direito também a um lounge (área exclusiva). 

 

Lounge privativo incluso no day use das quadras. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
Lounge privativo incluso no day use das quadras. Foto: Gustavo Tonini/ AGEMT

Ao entrar na Orla a sensação é de adentrar em um lugar completamente separado do parque. Isso porque a modernização, a inovação e os investimentos na infraestrutura do local criam um contraste com as demais áreas públicas do parque, que não recebem a mesma atenção. Edilson Carneiro, frequentador assíduo do Villa-Lobos comentou que a privatização valoriza o parque e ajuda o local por trazer mais turistas. “Se não fosse a privatização, o parque estaria mais largado”, acrescentou. Sobre o projeto da Orla, Edilson pontuou que o lugar é sofisticado e traz um glamour ao parque: “Quando fui lá eu achei que estava no Recife”. 

Já o arquiteto Marco D’Elia, formado pela FAU Mackenzie e pós-graduado pela FAU-USP, analisa que as privatizações nascem de uma falha do poder público na administração digna das áreas dos parques. Para o especialista essas concessões deveriam buscar a potencialização dos espaços do parque, porém “na prática, não vemos isso acontecer”.

E realmente não são todos que podem usufruir do espaço da Orla. As quadras gratuitas abertas ao público (apenas duas) não são suficientes para comportar a quantidade de pessoas que visita o parque durante os finais de semana que, de acordo com os funcionários, são os dias mais cheios da Orla. Eles explicam que domingo é o dia mais movimentado e durante a semana o público é predominantemente do Alto de Pinheiros. Além disso, o preço do day use para as demais quadras, mesmo com seus benefícios, não é acessível ao público geral.  

Fora do perímetro da Orla e caminhando para o outro lado do parque, encontram-se três quadras de areia totalmente abertas ao público. A infraestrutura é simples: redes antigas e areia. Um diferencial entre as quadras da Orla e as quadras afastadas foi apontada pelo funcionário da TotalPass: “Lá você encontra pedras, aqui não”, se referindo à qualidade do solo das quadras. 

 

 

As quadras de areia fora da orla ficam próximas a entrada e funcionam no horário de funcionamento comum do parque. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
As quadras de areia fora da orla ficam próximas a entrada e funcionam no horário de funcionamento comum do parque. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT 

Na quadra pública externa, uma frequentadora do parque praticava esportes. Ela conta que até visitou a Orla, mas não permaneceu no local por ser muito reservado e de pessoas de classe mais alta. A visitante ainda reiterou que se sentiu mais confortável no espaço externo por ser mais popular.

Além deste relato, a estudante Gabriela Marques também migrou da Orla para as quadras gratuitas. Ela relata uma experiência negativa na Orla: “Chegamos lá e não tinha mais quadra gratuita disponível. Vimos que tinham três quadras novas que estavam vazias e perguntamos se podíamos usar aquelas, mas eram 200 reais por dupla para alugá-las durante o dia”. Depois de desistir, Gabriela e seus colegas encontraram as quadras públicas: “Eram três quadras de vôlei de areia que são bem antigas. Uma estava vazia e acabamos jogando lá”.  A estudante pondera que, embora a privatização traga melhorias para o parque, também restringe o acesso ao espaço: “Nem tem bebedouro dentro da Orla. A privatização tira um espaço do parque que era público e reduz o acesso de muitas pessoas”.  

 

A Orla TotalPass não é o único espaço privatizado do parque, que é cada vez mais dominado por tapumes de construção. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT
A Orla TotalPass não é o único espaço privatizado do parque, cada vez mais dominado por tapumes de construção. Foto: Gustavo Tonini/AGEMT

Marco D’Elia explica que o principal problema da privatização nesses locais não é a concessão em si, mas o modo como ela vem sendo gerida e falta de fiscalização por parte da prefeitura de São Paulo. “Você não pode ter fechamentos e cercas que impeça o acesso das pessoas mediante a cobrança de ingresso…esse tipo de coisa é absurda”, comenta.

A AGEMT entrou em contato com a gestão do parque para pedir esclarecimentos, porém nenhuma resposta foi obtida até a publicação desta reportagem. 

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Funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade retomam as atividades após paralisação, enquanto governo discute medidas para garantir os empregos da categoria
por
Luiza Passos
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13/08/2026 - 12h

No dia 05 de agosto, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil decretou, em assembleia, o fim da greve dos funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM. A paralisação havia começado à meia-noite da terça-feira (4), em meio às reivindicações dos trabalhadores contra a concessão das linhas à iniciativa privada e pela garantia de seus empregos.

Após o encerramento da paralisação, a circulação dos trens foi normalizada. No entanto, os trabalhadores decidiram permanecer em estado de greve, o que significa que uma nova paralisação poderá ser realizada caso a categoria aprove a medida em outra assembleia.

A paralisação afetou a mobilidade urbana. Durante a greve, passageiros precisaram recorrer a ônibus, carros e outros meios de transporte para chegar aos seus destinos. Como consequência, o trânsito também foi afetado e a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos durante os dias da paralisação.

Gabriela Thier, 23, mora em Ferraz de Vasconcelos e depende da linha 11-Coral para se locomover. Ela descreve sua situação como "cidade dormitório", já que sua rotina está concentrada na capital. Durante a greve, ela não conseguiu ir às aulas, perdeu uma consulta e seus pais também não conseguiram chegar ao trabalho.

“Tentamos ônibus e carro mas as filas eram quilométricas, impossível chegar na hora”, afirma a estudante. Apesar dos transtornos, Gabriela diz entender a paralisação diante dos problemas enfrentados no transporte.

A greve aconteceu em meio à discussão sobre a concessão das linhas à iniciativa privada. As linhas haviam sido transferidas para a concessionária Trivia Trens em julho, mas a CPTM retomou temporáriamente a operação após uma série de falhas registradas nos primeiros dias da gestão privada.

Durante a paralisação, o governador Tarcísio de Freitas declarou apoio às privatizações e classificou a greve como “baderna”:

“Uma concessão é feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações mais acessíveis, eliminar falhas na via aérea de alimentação e nas subestações, estender as linhas até Bonsucesso ou até César de Souza e dar mais confiança ao sistema”, afirmou.

Captura de tela de uma publicação de Tarcísio Gomes de Freitas, datada de 4 de agosto. O texto: Nosso compromisso é com quem acorda cedo todos os dias e precisa de um transporte público confiável para chegar ao trabalho, estudar, ir a uma consulta ou realizar um exame. A greve de hoje é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem, que já não suportam mais ver justamente aqueles políticos que dizem defender os seus interesses atuando para ferir seu direito de ir e vir.  A aposta na baderna e na paralisação dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo. Uma concessão é feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações mais acessíveis, eliminar falhas na via aérea de alimentação e nas subestações, estender as linhas até Bonsucesso ou até César de Souza e dar mais confiança ao sistema.
Recorte de uma publicação do governador Tarcísio de Freitas, realizada em 4 de agosto de 2026, no aplicativo X (antigo Twitter), disponível no perfil @tarcisiogdf

Porém, desde a transferência da operação para a iniciativa privada, foram registrados problemas nas linhas. Como no dia 23 de julho, quando uma falha elétrica provocou um incêndio em um vagão da Linha 12-Safira, afetando a circulação dos passageiros.

Uma das principais reivindicações da categoria é justamente a manutenção dos postos de trabalho. O Projeto de Lei 730/2025, do deputado Guilherme Cortez (PSOL), propõe que trabalhadores da CPTM possam ser absorvidos por outros órgãos ou entidades da administração pública estadual após a transferência dos serviços para empresas privadas.

Agora, com o fim da greve, o governo precisa avançar nas próximas etapas do acordo. A proposta deverá ser encaminhada à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde será analisada e votada pelos deputados. Se aprovada, seguirá para sanção do governador.
 

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Além do ex-ministro, o evento contou com a presença de nomes de destaque na economia
por
Marcelo Barbosa
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19/06/2026 - 12h

Na última quarta-feira (17), a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) recebeu o pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo, Fernando Haddad, para lecionar o seminário “Desenvolvimento, Democracia e Mudança Estrutural” e reuniu alunos e professores para compor a solenidade. O evento também contou com a presença de Luiz Gonzaga Belluzzo, economista reconhecido por presidir o Palmeiras entre 2009 e 2011.

O debate teve início com a fala de Belluzzo, que abordou, de forma crítica, as teorias econômicas. Segundo ele, essas teorias não analisam criticamente o contexto de um país, mas justificam os fatos econômicos que ocorrem . “Você não pode ser dogmático, mas investigador”, afirmou ao discutir as relações dentro da economia.

Belluzzo defende uma ordenação das relações econômicas na sociedade por meio das articulações das instituições e, por conta disso, acredita que deve haver uma mobilização dos movimentos sociais nas redes digitais. Também afirmou que, diferentemente da época das Diretas já!, movimento do qual participou no final dos anos 1980, a comunicação das pessoas passou a se resumir a “manifestações em poucas linhas”.
 

Reprodução: Cláudio Oliveira| PUC-SP | Imagem dos palestrantes sentados na frente da plateia
Palestrantes aguardam o início do evento no Teatro Tuca, na PUC-SP Foto: Cláudio Oliveira 
 

A palestra seguiu com Fernando Haddad, que falou sobre os pressupostos do desenvolvimento. Assim como Belluzzo, Haddad defendeu um plano de desenvolvimento baseado nas articulações das instituições. “Não basta vontade. Precisamos de posicionamento e de uma classe dirigente que seja diferente da que foi estabelecida desde o Segundo Reinado”, afirmou

Em entrevista à AGEMT, Haddad comentou sobre sua candidatura ao Governo de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadore puxando o gancho da sua palestra. Ele se disse preocupado com a economia paulista. “Eu tive que capitanear, a pedido do presidente Lula, junto ao Rodrigo Pacheco, a renegociação da dívida do Estado. Tivemos que abrir espaço orçamentário de mais de 11 bilhões por ano para ajudar no Estado de São Paulo”, disse.

Haddad citou o atraso à adesão do Governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (PROPAG), o plano federal voltado à reestruturação e repactuação das dívidas dos entes federativos com a União. “Nós perdemos uma SABESP pelo atraso à adesão ao PROPAG. Então, o que nós pudemos fazer pelo Estado no Governo Federal, com renegociação da dívida, linhas de crédito do BNDES e dinheiro a fundo perdido no PAC, nós fizemos”, exclamou. “Precisamos de raízes aqui para que o Estado volte a se desenvolver”, continuou. No entanto, finalizou sua fala cauteloso - “Não existe respaldo político para ajustar as contas. Quem dirá um plano de desenvolvimento”.

Após a fala de Haddad, a professora doutora Cristina Helena Pinto de Mello enfatizou que, atualmente, existem duas instituições importantes no funcionamento da sociedade: o mercado e o Estado. Ao utilizar os Estados Unidos de exemplo, Cristina afirmou que “a economia digital sobrecarregou os postos de trabalho”.

A professora Laura Carvalho deu continuidade ao tema e criticou a falta de revisão das políticas dos anos 2000. Segundo ela, não rever algumas políticas faz com que as leis não acompanhem as mudanças da sociedade, como o aumento da informalidade. Ela também criticou a ‘plataformazação' do mercado, argumentando que o fenômeno auxilia no aprofundamento das desigualdades de classe.

Quem falou por último foi o professor Luís Fernando de Paula que destacou a importância da macroeconomia aliada a uma estratégia de desenvolvimento e criticou a forma como a política de juros, em sua avaliação, dificulta o desenvolvimento econômico. “ A política fiscal não deve ser subordinada à política monetária”, afirmou. Além disso, o professor acredita que ter o agronegócio como fator determinante da economia é uma questão problemática para o país e finalizou defendendo a revisão da meta de inflação.

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Como o aumento dos prédios diminui a qualidade de vida da população paulistana
por
Annick Borges
Davi Madi
Rafael Pessoa
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09/06/2026 - 12h

A cidade de São Paulo cresce para os lados ou para o alto? E quais são os impactos desse processo no dia a dia da população? Neste podcast, os repórteres da AGEMT Annick Borges, Davi Madi e Rafael Pessoa conversam com o professor de Geografia Tiago Fuoco sobre a verticalização da capital paulista e o aumento dos edifícios na maior cidade do país.

Você também vai entender como São Paulo foi planejada a partir de referências europeias e norte-americanas e por que essa lógica urbana continua influenciando a organização da cidade até os dias atuais. Um bate-papo que ajuda a compreender as transformações do espaço urbano e os desafios do crescimento de São Paulo. O programa é acompanhado pela banda "Izaias e Seus Chorões". Confira aqui: 

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