Na última quarta-feira (13), a Prime Video lançou os 8 episódios da primeira temporada de Off Campus (Amores Improváveis), série baseada nos livros de Elle Kennedy. A nova aposta do streaming rapidamente se tornou um fenômeno de audiência, alcançando o primeiro lugar da plataforma e estreando com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, um dos sites de críticas mais populares do mundo.
O enredo do livro e da primeira temporada da série acompanha Hannah Wells (Ella Bright), uma estudante universitária apaixonada por música, e Garrett Graham (Belmont Cameli), capitão do time de hóquei da Briar University que corre o risco de ficar fora do time pela sua reprovação na matéria de ética. Ao perceber que precisa da ajuda de Hannah, que se destacou na prova e a princípio recusa estudar com ele, Garrett propõe um acordo: em troca das aulas particulares, fingir ser seu namorado para chamar a atenção de Justin, garoto por quem ela é apaixonada e não consegue se aproximar. Mas, o que começa como uma simples troca de favores evolui para uma relação mais complexa.
É comum que séries de romance voltadas ao público jovem recorram ao recurso do triângulo amoroso. Em Off Campus, embora existam outros interesses românticos apresentados ao longo da trama, a narrativa não coloca em dúvida o vínculo central entre os protagonistas. Ainda que a série introduza Justin Kohl como interesse inicial de Hannah e explore, de maneira pontual, os sentimentos de John Logan pela namorada do melhor amigo, esses elementos funcionam mais como uma menção ao enredo dos livros do que como um conflito central. A química entre Ella Bright e Belmont Cameli sustenta o desenvolvimento do casal sem abrir espaço significativo para indecisões típicas do gênero.
Desapegando de uma das estruturas mais comuns das séries românticas, a produção também se destaca ao não concentrar sua narrativa em apenas um casal por vez. Enquanto muitas obras, como Bridgerton, organizam suas temporadas em torno de um único romance central, Off Campus optou por desenvolver mais de uma história por vez. A escolha permite que relações que, nos livros, só ganhariam protagonismo em volumes posteriores comecem a ser construídas desde a primeira temporada.
Os casais dos quatro livros são apresentados enquanto todos ainda estão na faculdade, faz todo o sentido que uma história de amor esteja se desenvolvendo enquanto outra já está começando. Essa abordagem contribui para um senso de continuidade mais verossímil, em que diferentes histórias se cruzam e evoluem ao mesmo tempo. A estratégia funciona como um gancho narrativo eficiente, deixando caminhos abertos para as próximas temporadas e mantendo o interesse do público.
Ao promover mudanças estruturais na narrativa, a série constrói um caminho próprio e, em diversos momentos, mais eficiente. Uma das alterações mais perceptíveis para quem leu os livros está na reformulação do personagem Justin Kohl (Joshua Heuston), figura central para o desenvolvimento da trama e ponto de partida do acordo entre Hannah e Garrett. Tanto no livro quanto na série, a protagonista é apaixonada por Justin e decide fingir um relacionamento com Garrett em troca de ajudá-lo a estudar para uma prova de ética.
A diferença, no entanto, está na construção desse personagem. Se, na obra original, Justin é retratado como um jogador de futebol americano superficial e com pouco desenvolvimento, na adaptação ele é apresentado como um músico ainda superficial, mas inserido em um contexto que dialoga melhor com a trajetória de Hannah. Como estudante de música e profundamente ligada à arte, a aproximação da protagonista com alguém do mesmo meio se torna mais coerente. A série também incorpora ao personagem traços associados ao estereótipo do artista pretensioso e incompreendido, o que contribui para tornar mais consistente o distanciamento gradual de Hannah e o enfraquecimento de seu interesse por ele.
No campo das relações entre o grupo de protagonistas, a adaptação também se destaca. Diferentemente dos livros, em que as amizades são frequentemente afirmadas diretamente por meio das falas dos personagens, a série aposta em uma construção mais orgânica, baseada na dinâmica entre os atores e na química do elenco. Relações como as de Hannah e Allie (Mika Abdalla), Garrett e Logan (Antonio Cipriano), e Dean (Stephen Kalyn)e Beau (Khobe Clarke) ganham mais consistência.
No caso de Hannah e Allie, por exemplo, a proximidade que nos livros se apoia sobretudo no fato de serem colegas de quarto passa a ser melhor desenvolvida na série. Os diálogos e interações entre as duas reforçam uma conexão mais convincente, evidenciando uma amizade construída para além da convivência cotidiana. Já entre Garrett e Logan, a diferença é ainda mais evidente: enquanto nos livros a relação é reforçada quase exclusivamente por declarações de que são “melhores amigos”, a adaptação se preocupa em desenvolver esse vínculo no próprio roteiro, com diálogos que traduzem intimidade, apoio e conflito.
A série também acerta ao integrar a amizade ao desenvolvimento dramático do protagonista. À medida que Garrett enfrenta questões pessoais e seu relacionamento amoroso com Hannah se torna instável, sua relação com Logan também é impactada, evidenciando o peso dessas conexões em sua trajetória. Esse tipo de escolha no roteiro evidencia que os laços de amizade têm relevância comparável aos romances.
Um dos exemplos mais estratégicos dessa abordagem está na relação entre Dean Di Laurentis e Beau Maxwell. Nos livros, essa dinâmica ganha importância apenas no terceiro volume, mas a série antecipa sua construção já na primeira temporada. A escolha não apenas fortalece a coerência do universo narrativo, como também prepara o terreno para arcos futuros. Com a naturalidade das atuações, a amizade entre os personagens se estabelece de forma consistente, o que tende a potencializar o impacto de seus desdobramentos nas próximas temporadas.
Outro ponto em que a série se destaca é na reformulação de seu conflito central, especialmente no arco final dos protagonistas. Sem recorrer a grandes reviravoltas ou à lógica tradicional de triângulos amorosos, a narrativa aposta em um desenvolvimento mais emocional e psicológico, aprofundando questões familiares e traumas pessoais do Garrett. A série atualiza o conflito final, mudando toda a dinâmica do chamado término do terceiro ato, construindo um protagonista mais vulnerável, complexo e coerente com o contexto contemporâneo. Suas decisões passam a fazer mais sentido dentro da narrativa e de uma produção lançada em 2026.
Em meio a um cenário em que leitores frequentemente cobram fidelidade quase integral às obras originais, Off Campus: Amores Improváveis demonstra que mudanças bem pensadas não apenas funcionam, como podem enriquecer a narrativa. Ainda que exista uma expectativa consolidada de que os livros ofereçam maior profundidade no desenvolvimento de personagens, a série evidencia o potencial do audiovisual para construir arcos consistentes e personagens complexos a partir de outras estratégias narrativas. No fim, a produção se afirma como uma releitura que amplia possibilidades e atualiza temas para que façam mais sentido com o contexto atual.
A edição latina do maior festival de games do mundo retornou ao Distrito Anhembi em São Paulo. Do dia 30 de abril ao dia 3 de maio, foram mais de 154 mil visitantes durante todos os dias do evento, um crescimento de cerca de 17% em relação aos anos anteriores.
Foram dias recheados de ativações, encontros com influenciadores e divulgações dos mais novos projetos de inúmeras empresas, publicadoras e desenvolvedores independentes.
A área espaçosa do Anhembi segue sendo a escolha dos organizadores para o evento, devido ao seu tamanho e possibilidade de concentrar milhares de visitantes sem criar um ambiente sufocante e lotado. Em entrevista para a AGEMT, Mel Duarte Munhoz, que esteve no evento, comenta: “Tinha bastante espaço no evento, então consegui me locomover, e a maior parte das filas que peguei estavam tranquilas”
Durante os dias do evento, inúmeras empresas marcaram presença com seus jogos e ativações. A desenvolvedora chinesa “S-Game” chegou com seu mais novo projeto, o Phantom Blade Zero, jogo com a premissa de mesclar elementos de franquias como “Devil may cry” e “Dark Souls” em uma gameplay apelidada pelos desenvolvedores de “Kung-fu-punk”.
Além disso, empresas já conhecidas como a Nintendo também estiveram no evento. No caso da gigante japonesa, diversos jogos de Nintendo Switch 2 estavam disponíveis para teste, como Mario Kart World, Donkey Kong Bananza e as versões remasterizadas de Super Mario Galaxy e Super Mario Galaxy 2. Além da novidade “Pokopia”, jogo para o novo console da empresa.
Um dos grandes destaques foi a presença da “Warner Bros Games”, trazendo uma demo do esperadíssimo “LEGO Batman, o legado do cavaleiro das trevas”, novo jogo do encapuzado, que já tem lançamento marcado para o dia 22 de maio deste ano.
Jogos independentes também tiveram vez no evento, a área dedicada para desenvolvedores nacionais continua presente, e trouxe novidades nacionais. Alguns nomes são “Afantasia”, desenvolvido por Leon Steffens; “My Girlfriend is a VAMP” do TinyTank Studio; e “Dreamcards”, projeto da equipe “Soneka”.
A “Critical Reflex”, publicadora de jogos como “Mouthwashing” e “No. i’m not human”, títulos de terror aclamados nos últimos dois anos, não ficou de fora. E trouxe um estande com todos os seus lançamentos e projetos, apresentando jogos de terror; fantasia, o caso do novo “Lunacid”, já disponível; e aventura, como “Altered Alma”, ainda sem data de lançamento confirmada.
A gamescom Latam também contou com mais uma edição do BIG Festival, maior premiação de jogos independentes do mundo. E assim como no ano passado, disponibilizou os finalistas para serem testados no próprio Anhembi. Dessa vez, os títulos foram separados em 4 áreas de acordo com a temática do jogo.
Além disso, diversas iniciativas do governo também estavam presentes, como a ADE Sampa/Sampa Games, que dá aporte financeiro para empresas e desenvolvedores independentes, e a Futuro Gamer, escola móvel que oferece aulas e cursos gratuitos de desenvolvimento de jogos nas comunidades da periferia de São Paulo.
A feira não contou apenas com jogos, e trouxe inúmeros influenciadores e criadores de conteúdo para palestras, meet & greet (M&G) e outras ativações. Alguns nomes que estavam presentes no evento foram: Isabela Tiemi, streamer conhecida como “Tiemiau”, que frequentou todos os dias do evento; Felipe Zaghetti, o Felps, e o grupo de Youtubers de Minecraft, Creative Squad, para um meet & greet no domingo
Outro criador presente no evento foi Rafael Lange, o Cellbit, marcando seu retorno após 3 anos sem frequentar esses espaços. Ele apresentou um painel mediado por Guilherme Nogueira, o Phoenix onde conversou sobre criação de histórias e sobre o processo criativo dentro de seu próprio universo, o “Ordem Paranormal”, tanto nas sessões de RPG, quanto na idealização do jogo lançado em Novembro de 2024, Enigma do Medo.
Após o painel, o influenciador foi para um (M&G) que reuniu milhares de fãs, gerando uma fila e “esgotando” as vagas em poucos minutos, fazendo com que algumas pessoas perdessem a oportunidade de conhecê-lo.
Por mais um ano, a Gamescom reúne fãs de jogos das mais diversas idades e também traz a oportunidade de cosplayers exibirem suas fantasias e trajes.
A quarta edição do evento, a Gamescom Latam 2027 ainda não tem data definida, no entanto, a versão estrangeira, que acontece em Colônia, na Alemanha tem data marcada, dos dias 26 a 30 de Agosto, iniciada pela cerimônia de abertura, no dia 25, evento transmitido ao vivo e conhecido por divulgar inúmeros anúncios dos mais variados jogos.
A primeira passagem do grupo sul-coreano XLOV pelo Brasil na noite do primeiro domingo (03) do mês terminou sem show. Com fãs na fila, a apresentação prevista para às 20h no Tokio Marine Hall, na capital paulista, foi repentinamente adiada para o fim do ano após uma hora e meia de atraso.
Ontem (19), o deputado estadual Guilherme Cortez, do PSOL, comentou o ocorrido em seu perfil no X (antigo Twitter) e disse que irá acionar o PROCON para uma investigação das empresas envolvidas: “Esse deve ser o caso mais absurdo de violação aos direitos dos fãs que eu já vi desde que comecei a investigar a máfia dos ingressos. Se hoje foi com eles, amanhã pode ser com qualquer fandom.”
Em suas redes sociais, a Ninshi Entertainment, responsável pela promoção dos shows do grupo na América Latina, lamentou o ocorrido e apontou as empresas a serem contatadas para maiores esclarecimentos sobre o adiamento e o reembolso - se abstendo de responsabilidades. A produtora Rider 2, que exercia função intermediadora entre a Ninshi e o Tokio Marine Hall, afirmou que o adiamento repentino partiu da 257 Entertainment, gerência asiática do grupo que era contra a realização do show sem a participação de todos os membros.
Embora considerado um grupo de K-pop, o XLOV é formado por quatro integrantes de nacionalidades distintas: o líder Wumuti é da China, Hyun da Coreia do Sul, Haru do Japão e Rui de Taiwan. Com somente um ano de grupo, essa era a primeira turnê deles, sendo também a primeira vez dos integrantes em vários dos países.
Sem a existência de um acordo diplomático direto com Taiwan, Rui precisava de um visto para ingressar no Brasil. A exigência não se aplicava às demais paradas da turnê na América Latina - México e Chile. Assim, o taiwanês acabou detido ao desembarcar em Guarulhos no sábado (02), dia que antecedia o show, após a performance em Santiago na sexta-feira. Segundo o portal UOL, a falha foi resultado da ignorância quanto à burocracia brasileira por parte das agências Ninshi Entertainment e 257 Entertainment que esperavam conseguir a aprovação do visto no final de semana.
Até o momento do show, corria somente um boato sobre um possível problema de visto com o integrante. “Dois seguranças falaram que o Rui ficou preso no aeroporto. Só que a empresa não deu comunicado de nada. Cadê o comunicado oficial? A gente vai ficar nisso de disse me disse? Quem tem que dar essa informação não é nem a casa de shows, é a empresa que contratou eles, não?”, indaga a fã curitibana Mariana Machado em entrevista à AGEMT ainda em frente ao local da performance.
O primeiro comunicado oficial do grupo sobre a situação veio às 20h18 - após o horário previsto de início do show - no perfil XLOV_official no X (Antigo Twitter). A publicação não deixava claro se o show aconteceria ou não, somente que Rui estaria ausente da programação por razão de um “atraso inesperado na aprovação do visto durante o processo de emissão”.
Mariana, assim como demais fãs que adquiriram o pacote VVIP com direito a entrada antecipada para acompanhar a passagem de som (sound-check) do show estavam há seis horas em frente ao local: “Anunciaram um horário de 14h às 17h para fazer o check-in, fazer comprovação de meia, etc, mas simplesmente ninguém apareceu. Ninguém perto da fila do VVIP almoçou, passamos o dia inteiro com fome, porque eles falaram que íamos entrar às 14h”. No momento da entrevista eram oito da noite, mesmo horário em que o show estava previsto para começar.
Até aquele momento, uma hora e meia após a confusão, muitos fãs seguiam na fila esperando se o adiamento seria concretizado ou não. Já que a primeira publicação oficial sobre o assunto só explicitava a ausência de Rui. Pouco tempo depois, os demais integrantes Wumuti, Haru e Hyun abriram uma curta transmissão ao vivo pelo Instagram. Nítidamente maquiados e arrumados para a performance, Wumuti pediu desculpas e comentou que embora o grupo estivesse de acordo em seguir com o show em trio, incluindo Rui por ligação no telão, foram impedidos de subir ao palco. A live foi encerrada segundos depois.
“Desculpa todo mundo por esperar, estamos muito chocados e tristes com o que aconteceu com o Rui, e ele ficou triste com a situação pois queria muito encontrar as pessoas no Brasil. Queríamos fazer o show como trio e chamar o Rui por vídeo para ele participar e dar oi. Estamos confusos pois disseram que não podemos ir pro palco. Desculpa evols (apelido dado aos fãs), queríamos nos apresentar hoje.”, foi o que Wumuti, líder do grupo XLOV, disse em trecho da transmissão.
Depois disso, às 21h05 - uma hora após o horário em que o show deveria começar - o perfil oficial do grupo no X se pronunciou novamente. Dessa vez, anunciando que o show havia sido “inevitavelmente adiado” devido a “preocupações com a segurança”.
Em entrevista ao UOL, o assessor de imprensa Marcos Franke, da Rider 2, produtora intermediária entre Ninshi e Tokio contou: "O problema foi da parte asiática, que queria os quatro no palco e disse que sem os quatro não iria rolar. Existiu uma correria, preocupação, deixamos até van em Guarulhos, caso ele conseguisse o visto".
Somente na quinta-feira (07), a empresa Rider 2 publicou um comunicado oficial sobre o acontecimento. Lamentando o ocorrido, a empresa disse que segue “trabalhando para realizar esse encontro em breve, da forma que o público merece”. Além disso, reiterou que a decisão de adiar o show em cima da hora foi feita de forma conjunta com a agência do grupo, a sul-coreana 257 Entertainment, que até o momento não se pronunciou.
Para os fãs que ficaram na fila por horas, no frio e garoa, esperando o show que nunca aconteceu, o sentimento geral era de decepção. “Foi um descaso muito grande. Os seguranças disseram que a produtora falou que não podiam dar informação de nada.”, desabafou Mariana. Muitos se organizaram nas redes sociais em grupos para se ajudarem com informações de como proceder juridicamente. “Eu moro em Curitiba, vim de ônibus e trabalho amanhã às 7 horas da manhã. O que eu vou fazer agora? Quem é que vai me ressarcir?” relata ela.
A AGEMT entrou em contato com a Meaple, plataforma responsável pelos ingressos, e esclareceu que o reembolso do valor total dos ingressos será feito para aqueles que assim solicitarem: “O estorno será feito na mesma forma de pagamento utilizada na compra. O prazo para o valor aparecer pode ser de ATÉ 30 dias a partir da sua confirmação, e varia conforme a forma de pagamento escolhida e o processamento realizado pela operadora ou banco, algo que infelizmente está fora do nosso controle direto.” A empresa reiterou também que o evento foi reagendado, e que os ingressos atuais serão válidos para a futura data a ser divulgada em breve pela produtora.
Sem comentários da agência sul-coreana 257 Entertainment sobre a desastrosa passagem do grupo pelo Brasil, o XLOV segue em turnê para a Oceania. Na semana sequinte, fãs australianos criticaram nas redes sociais o atraso de duas horas e meia para o início do show de Melbourne. Sem explicações da organização sobre o motivo do atraso, o concerto seguiu normalmente após isso.
A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.
A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.
O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.
“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,
Ariana Nuala, uma das curadoras.
A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.
De onde surgiu a ideia
A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.
As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.
A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.
A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.
Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa.
De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).
A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.
Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.
A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.