Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
por
KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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Após sete anos, evento volta ao calendário impulsionado pelo avanço dos carros eletrificados
por
Fábio Pinheiro
Vítor Nhoatto
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22/11/2025 - 12h

O Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, um dos eventos mais tradicionais do setor automotivo brasileiro, está de volta após um hiato de sete anos. A edição de 2025 acontece entre os dias 22 e 30 de novembro, em um contexto de profundas transformações na indústria e impulsionada pela expansão de veículos eletrificados, entrada de novas marcas no país e a necessidade das montadoras de reconectar consumidores às experiências presenciais.

De acordo com a RX Eventos, organizadora da mostra bienal, a volta acontece em razão da reestruturação e aquecimento do mercado. A última edição havia sido realizada em 2018 e contou com cerca de 740 mil visitantes, mas devido a pandemia de COVID-19 o Salão de 2020 foi cancelado. Nos anos seguintes, a volta do evento ficou só na especulação. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes Automotores (Anfavea), a pausa também pode ser atribuída à crise de matéria-prima, à retração econômica deste então e ao formato caro para as montadoras que estavam distantes do público.

Embora as duas últimas edições tenham sido no São Paulo Expo, esta acontece no Complexo do Anhembi, casa oficial do evento desde 1970. A mudança foi celebrada por expositores e pelo público, já que o Anhembi permite maior fluxo de visitantes, oferece áreas amplas para test-drive e atividades externas, recuperando a identidade histórica do salão. O retorno também faz parte da estratégia de reposicionar o evento como uma grande vitrine de experiências automotivas, com pistas, ativações e zonas imersivas distribuídas pelo pavilhão.

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Renault anuncia o seu novo carro “Niagara” - Foto: Fábio Pinheiro

Entre as montadoras que vão expor, estão nomes de peso que apostam na ocasião para apresentar novidades ao consumidor brasileiro. A BYD leva ao Salão uma linha reforçada de elétricos e híbridos, aproveitando o crescimento expressivo da marca no Brasil, além de lançar no evento a marca de luxo do grupo, Denza. A rival chinesa GWM também estará presente, com o facelift do SUV H6, o jipe Tank 700 e a minivam Wey 09.

Em relação às marcas tradicionais, a Stellantis vai em peso para o Anhembi. A Fiat, apesar de não ter apresentado nenhum modelo novo, trará o Abarth 600, um SUV elétrico esportivo. A Peugeot terá os 208 e 2008 eletrificados e, principalmente, o lançamento da nova geração do 3008 para o mercado nacional, equipado com o tradicional motor THP. 

Enquanto isso, a Toyota investe na divulgação de novidades híbridas flex, com a chegada do Yaris Cross para brigar com o recém-lançado HR-V, e os líderes Hyundai Creta e Chevrolet Tracker. Juntas, as marcas representam parte do movimento de transformação do mercado brasileiro, que tem apostado cada vez mais na eletrificação e em tecnologias avançadas para rivalizar com a expansão chinesa.

O Salão 2025 também será palco de novas marcas como a Leapmotor, parte do grupo Stellantis. O SUV C10 será o primeiro modelo a chegar às ruas, ainda neste ano, e conta com a versão elétrica (R$189.990) e com extensor de autonomia (R$199.990). O segundo modelo será e o C-SUV elétrico B10, por R$172.990, 60 mil a menos que o rival BYD Yuan Plus, e mais recheado de tecnologia, como teto panorâmico, nível 2 de condução semi autônoma, câmera de monitoramento do motorista e airbag central.

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Presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, anunciou os planos para o grupo - Foto: Stellantis / Divulgação

Já a britânica MG Motor, propriedade da chinesa SAIC, investirá em esportividade elétrica, além de custo-benefício. O modelo de maior volume de vendas deve ser o SUV S5, rival de Yaun Plus, e igualmente equipado ao B10. Em seguida, o MG 4 chega para rivalizar com Golf GTI e Corolla GR, com mais de 400 cavalos, tração integral, pacote de ADAS completo, e pela metade do preço dos rivais. Por fim, o Roadster será o chamariz de atenção no estande, com portas de lamborghini e em homenagem à tradição da marca. 

O grupo CAOA também fará a estreia da nova marca que trará ao Brasil a Changan, com a chegada prevista para 2026 com os modelos de super-luxo elétricos Avatr 11 e 12, além do SUV UNI-T, rival do Compass e Corolla Cross. 

O pavilhão do Anhembi contará com pistas de test-drive, áreas dedicadas a modelos clássicos como o McLaren de Senna, e até mesmo uma área do CARDE Museu. No Dream Lounge estarão presentes super carros como Ferrari e Lamborghini, além da Racing Game Zone para os amantes de videogame e simuladores de corrida. 

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Área externa do Anhembi terá pista de slalom, frenagem e test-drive de dezenas de modelos - Foto: Salão do Automóvel / Divulgação

Apesar da ausência de marcas como Chevrolet, Ford, Mercedes, Volvo e Volkswagen, 2520 montadoras estarão presentes, incluindo Chery, Hyundai, Mitsubishi e Renault. O Salão espera receber cerca de 700 mil visitantes e a edição 2027 já está confirmada. Os ingressos custam a partir de R$63 (meia-entrada) nos dias de semana.

Longa de Kleber Mendonça Filho com Wagner Moura é novo candidato ao Oscar
por
Fábio Pinheiro
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19/11/2025 - 12h

O filme nacional “O Agente Secreto” protagonizado por Wagner Moura e dirigido por Kleber Mendonça Filho, tem acumulado reconhecimento internacional e resultados expressivos de público no Brasil. Na última semana, o longa venceu dois importantes prêmios da crítica no Key West Film Festival, nos EUA, e de Melhor Fotografia no Festival de Estocolmo, na Suécia - reforçando sua trajetória como forte candidato ao Oscar. 

Além disso, a produção já ultrapassou a marca de meio milhão de espectadores nos cinemas brasileiros, apontando para um desempenho de bilheteria acima da média nacional para estreias.

A trama, ambientada no Brasil de 1977, retrata Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia, que retorna a Recife e descobre estar sob vigilância de agentes da Ditadura Militar. A perseguição desencadeia uma narrativa de suspense político que dialoga com a memória brasileira. 

Com essa proposta, o longa mistura thriller político, referências do neo-noir e elementos de drama histórico, criando uma estética de autoria brasileira marcada por estilo próprio e forte comentário social. A combinação desses gêneros, característica de obras recentes do cinema nacional, ajuda a projetar o filme internacionalmente ao apresentar uma narrativa envolvente que dialoga tanto com a memória do país, quanto com discussões contemporâneas sobre vigilância e Estado.
 

Janja Lula da Silva, Wagner Moura, Presidente Lula e Kleber Mendonça no Palácio da Alvorada
Presidente Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva recebem produção e elenco do filme, em sessão especial no Palácio da Alvorada. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O reconhecimento internacional tem impulsionado a presença do longa nas redes sociais e ampliado a expectativa do público brasileiro. Depois que o perfil oficial do Oscar publicou uma foto de Wagner Moura, internautas do Brasil passaram a comentar em massa, celebrando a possibilidade de ver um filme brasileiro competir nas principais categorias da premiação.

No universo dos prêmios, O Agente Secreto já enviou sua campanha para votantes do Critics Choice Awards e do Globo de Ouro, considerados indicadores do Academy Awards. Seu sucesso em festivais e prêmios técnicos pode indicar a conquista de um espaço no cenário global. 

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Em sua segunda temporada, o spin-off de “The Boys” mantém sua essência
por
Felipe Volpi Botter
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07/11/2025 - 12h

A Prime Video lançou a segunda temporada de Gen em 17 de setembro, com três episódios para abrir a série e um por semana até chegar ao oitavo e último. Com novos personagens como o vilão de codinome “Cipher”, além de outros alunos importantes para a trama, a produção também trouxe personagens da série “The Boys”, que inspira esse universo.

Para quem está chegando agora, um alerta: entender essa temporada pode dar trabalho! É preciso ver as três primeiras de “The boys”; em seguida, assistir à primeira de Gen V; depois a quarta de “The Boys” e só então mergulhar nesta nova temporada. Para quem não é fã, a jornada pode parecer cansativa, mas para os amantes de histórias com super heróis, o entretenimento de altíssimo nível é garantido.

(ALERTA DE SPOILER)

Após os eventos da última temporada de “The Boys”, os heróis da Godolkin (Marie Moreau, Jordan Li, Emma Meyer e Andre Anderson) estão presos em uma prisão para supers chamada Elmira. Infelizmente, com a morte do ator que fazia o personagem Andre (Chance Perdomo), os produtores também criaram uma morte para o seu personagem na própria Elmira.

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Marie, Jordan e Emma Foto: Reprodução/Prime Video

Maurie consegue fugir da prisão e após a morte de Andre - e mais uma bela jogada de marketing da Vought - Emma e Jordan Li voltam para a universidade. Após alguns dias, Marie também retorna com o acordo entre os três personagens e a Vought, no qual eles iriam para o time principal de supers da empresa, se parassem de lutar contra ela. Porém, com Cipher como reitor, as coisas não serão tão simples.

Cipher começa a se aproximar de Marie e se mostra muito perigoso. Ele tem grandes planos, não só para a Marie como também para a Godolkin. O projeto "Odessa", nova descoberta dos jovens, promete ser capaz de dar um fim ao Capitão Pátria. 

Com novos supers, novos poderes e novos desafios, Marie e os demais enfrentam muitos perigos nesta temporada, que acaba com um incrível gancho para o futuro do universo. Vale conferir!

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Compositor foi um dos responsáveis pelo clássico ‘Clube da Esquina’
por
Maria Mielli
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04/11/2025 - 12h

Lô Borges teve a morte confirmada pela família nesta segunda-feira (3), em Belo Horizonte. O artista estava internado desde o dia 17 de outubro no Hospital Unimed de BH, por conta de uma intoxicação medicamentosa. Segundo o boletim médico, Lô morreu na noite de domingo (2) às 20:50 em decorrência de falência múltiplas dos órgãos. O cantor deixa um filho, Luca Arroyo Borges, de 27 anos. 

Nas redes sociais oficiais de Lô, a família pediu privacidade e agradeceu todas as manifestações de carinho. O irmão de vida e parceiro na criação do ‘Clube da Esquina’, Milton Nascimento, o Bituca, publicou em seu Instagram: “Lô nos deixará um vazio e saudades enormes, e o Brasil perde um de seus artistas mais geniais, inventivos e únicos. Desejamos muito amor e força à família Borges, a qual acolheu Bituca em sua chegada a Belo Horizonte, lá nos anos 60 e, principalmente, ao seu filho Luca. Descanse em paz, Lô.

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Bituca e Lô foram os grandes heróis das estradas. / Foto: Reprodução Instagram Milton Nascimento

Salomão Borges Filho, nasceu em Santa Tereza, região leste de Belo Horizonte. Sua casa passava por algumas obras, por isso, ainda criança, se mudou para o centro da cidade e foi exatamente lá que sua história com a música se iniciou. 

Aos 10 anos, Lô conheceu seu vizinho: Milton Bituca Nascimento. Em entrevista cedida ao jornalista Pedro Bial, em seu programa Conversa com o Bial, de 2023, Lô contou que estava sentado na escadaria do Edifício Levy, na rua Amazonas, quando deu de cara com um homem tocando violão. “…era o Bituca. Eu tinha 10(anos) ele tinha 20. Fiquei vendo o Bituca tocando violão, e ele assim comigo: ‘Você gosta de música, né, menino?”. Ainda durante essa entrevista, ele contou que a vivência no centro lhe fez conhecer, certo tempo depois, Beto Guedes que mais tarde foi seu parceiro de composição.

Já crescido, o artista e a família Borges voltaram a morar em Santa Tereza. Na época, já não eram mais vizinhos, mas o cantor relatou que Bituca continuava visitando a casa da família. “Tocou a campainha lá na casa da minha mãe, era o Milton Nascimento falando: 'Cadê o Lô?'. 'Ah, o Lô tá na esquina, num lugar que eles chamam de 'clube da esquina', ele está lá'. Aí o Bituca veio com o violãozinho dele, comecei a mostrar a harmonia que eu estava fazendo, era uma harmonia do Clube da Esquina, ele começou a fazer a melodia, e aí a gente fez a parceria Clube da Esquina. E na época ele já era famoso, eu era anônimo", contou Lô ainda no programa do Bial.

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Família Borges / Foto: Reprodução Telo Borges Instagram

Em 1972, Alaíde Costa, Beto Guedes, Lô Borges e Bituca lançaram o álbum Clube da Esquina. O álbum conta com sucessos como: “Tudo O Que Você Podia Ser” e “Um Girassol da Cor de Seu Cabelo”. Foi aclamado no mundo todo e em 2023, foi eleito pela revista norte americana ‘Paste Magazine’, o 9° melhor álbum de todos os tempos. 

Clássico atemporal, o Clube da Esquina volume 1 & 2, fizeram história nacionalmente e mundialmente , criando nos corações de todo um povo um sentimento de encantamento e de curiosidade. Afinal de contas, o que será que o clube da esquina tinha de tão especial assim? Para o mineiro e apaixonado pela música Richard Lucas, de 19 anos, é a identificação e representatividade que esses garotos conseguiam transparecer: “Falar do Lô Borges e do Clube da Esquina é falar da nossa casa, aquilo lá é Minas puro, ‘saca?’”. E também lembrou que, fora do Clube da Esquina, as músicas e composições de Lô seguiam sendo “fenomenais”. 

Fato é que, Lô fez história. Marcou o coração de todo um povo que jamais vai esquecer sua voz e seus dizeres. Suas letras estão gravadas no coração de cada amante da música e suas melodias, fixadas na memória. Nosso eterno Lô recebeu milhares de homenagens, dentre elas um encontro de fãs na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis – lugar que deu origem ao Clube da Esquina. 

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“Se eu morrer não chore, não. É só a lua”-Um Girassol da Cor de Seu Cabelo/ Foto: Reprodução Twitter @thalescmachado

O velório aconteceu nesta terça-feira (4), no Foyer do Grande Teatro Cemig do Palácio das Artes, em Minas. Das 9h às 15h, a cerimônia esteve aberta ao público. Já o enterro, que ocorreu logo em seguida, foi restrito à família e amigos. 

O governo do Estado de Minas Gerais decretou luto oficial de três dias pelo falecimento do artista.

 

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Agricultores como Maria da Paixão enfrentam um clima cada vez mais imprevisível enquanto o mundo discute soluções tecnológicas que podem alterar o futuro do planeta
por
Juliana Salomão
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04/11/2025 - 12h

Por Juliana Salomão

 

O amanhecer em Ibiúna, no interior de São Paulo, começa silencioso. A neblina que costumava cobrir os morros já não permanece por muito tempo, e o ar parece mais seco do que o habitual. Maria da Paixão, agricultora de 66 anos, observa o céu enquanto ajeita o chapéu gasto pelo sol. O tempo, diz ela, anda diferente. As chuvas deixaram de seguir o calendário que a memória do campo conhecia. As estações, que antes marcavam o ritmo da colheita, agora se misturam num descompasso difícil de entender. Maria aprendeu a plantar com o pai, que lia o vento e o comportamento dos pássaros antes de prever a chuva. Hoje, essas referências já não bastam. Ela tenta manter a plantação de alface e couve que sustenta a família, mas o solo endurece com o calor e o excesso de sol. Em alguns meses, a seca atrasa o crescimento; em outros, a enxurrada arranca tudo de uma vez. O tempo, que antes era aliado, se tornou um mistério para boa parte dos cientistas do planeta.

Às vezes, enquanto cuida dos canteiros, Maria comenta que o campo perdeu parte das certezas que costumavam guiar a vida de quem planta. Diz que o cheiro da terra mudou, que a poeira sobe mais cedo e que até os animais parecem confusos, aparecendo fora de época ou sumindo do nada. Ela lembra que, quando era jovem, bastava observar onde as formigas faziam os carreadores ou como as nuvens se acumulavam no horizonte para saber quando viria a chuva forte. Hoje, até esses sinais se tornaram menos confiáveis, como se a natureza estivesse desaprendendo a falar a própria língua. À noite, antes de dormir, ela ainda tenta decifrar essas mudanças, observando a lua, o vento, os sons da mata — mas tudo parece falar em códigos que já não conhece tão bem.

Enquanto ela trabalha na roça, o mundo discute novas formas de interferir no clima. À medida que se aproxima a COP30, conferência que reunirá líderes e governos em Belém, cresce o debate sobre geo-engenharia, um conjunto de tecnologias que pretende manipular o sistema climático do planeta, seja refletindo parte da luz do sol, seja retirando gases de efeito estufa da atmosfera.

Mas esse debate ficou mais intenso nos últimos anos, especialmente após ondas de calor recordes e eventos extremos. Entre as propostas mais discutidas está a injeção de aerossóis na estratosfera, uma técnica que imitaria o efeito de grandes erupções vulcânicas ao espalhar partículas capazes de refletir a luz solar. Outra aposta é o clareamento de nuvens marinhas, que busca aumentar a luminosidade refletida pelos oceanos. Há ainda projetos de fertilização dos mares, captura direta de carbono e até manipulação da composição das nuvens de chuva para tentar estimular precipitações em áreas secas.

Apesar da ambição dessas ideias, Maria dificilmente se vê em qualquer uma dessas conversas. Para ela, mexer no céu parece como tentar arrumar um bordado puxando os fios errados. Cientistas também alertam que essas soluções carregam riscos imensos: resfriar demais algumas regiões, alterar padrões de chuvas em continentes inteiros ou criar dependências tecnológicas difíceis de controlar. Uma decisão tomada em laboratório poderia, por exemplo, secar ainda mais certas áreas da África, provocar chuvas intensas no Sudeste Asiático ou afetar diretamente regiões agrícolas brasileiras.

A promessa é conter o aquecimento global, mas, entre cientistas e ambientalistas, o consenso ainda está longe. Há quem enxergue nessas ideias uma tentativa de corrigir o desequilíbrio causado pela ação humana. Outros alertam que, ao tentar controlar o céu, a humanidade corre o risco de aprofundar desigualdades antigas.

Países ricos, capazes de financiar esses experimentos, teriam um poder inédito: decidir quanto sol cada região receberia, ou quais áreas poderiam ficar mais secas ou mais úmidas. Alguns especialistas chamam isso de “governança climática assimétrica”, um termo que, no fim das contas, significa que quem tem mais dinheiro também teria mais controle sobre o clima do planeta. E é justamente isso que preocupa Maria quando ouve falar dessas soluções distantes. Para ela, se já é difícil ser ouvida em debates sobre água e agricultura na própria cidade, imaginar que alguém possa mexer no céu sem consultar quem vive dele parece quase inimaginável.

Na prática, as consequências desse tipo de intervenção ainda são incertas, porque uma mudança no regime de ventos, uma alteração nas chuvas ou no comportamento das nuvens pode transformar realidades inteiras. E são justamente os que vivem da terra, agricultores, pescadores, povos tradicionais, os primeiros a sentir o impacto de decisões tomadas longe de suas casas.

Muitas organizações indígenas e rurais têm participado dos debates internacionais justamente para alertar que o clima não é apenas um sistema físico, mas também cultural, espiritual e histórico. Para esses grupos, alterar o comportamento do céu é tocar em algo que estrutura modos de vida inteiros, e não apenas mexer em variáveis matemáticas. Maria, mesmo sem usar essas palavras, expressa a mesma preocupação quando diz que o tempo não é para ser domado, mas para ser respeitado.

A cada dia que passa Maria sente e percebe um distanciamento ao ouvir falar de soluções globais, mas segue enfrentando o sol que racha o chão e a falta d’água que ameaça a lavoura. Para ela, o clima não é uma ideia abstrata: é o que decide se haverá alimento na mesa, se a safra dará certo, se o trabalho valerá a pena. Ela acredita que quem vive do campo entende o tempo de outro modo, não como algo a ser controlado, mas como um parceiro com quem é preciso aprender a conviver.

Nos últimos anos, Maria também aprendeu a adaptar o plantio, trocando algumas sementes, reduzindo áreas e apostando em sistemas simples de captação de água da chuva, quando ela vem. Diz que nunca imaginou que precisaria reinventar métodos que aprendeu desde a infância, mas que não há outra escolha. Afinal, quem depende da terra sabe que teimosia não faz brotar nada — é preciso observar, experimentar e aceitar que a natureza tem seus próprios planos. Ela também conta que, algumas vezes, pensa no futuro das próximas gerações e teme que os jovens do campo encontrem ainda mais incertezas do que ela encontrou ao longo da vida.

Enquanto os governantes se reúnem para discutir o futuro climático em auditórios climatizados, a vida de quem depende da terra segue em movimento. No interior, Maria se prepara para mais um dia de plantio. Ajusta o sistema de irrigação improvisado e observa o céu, tentando reconhecer nela algum sinal familiar. Ainda que o tempo pareça confuso, ela insiste em acreditar que a natureza, de algum modo, sempre responde.

E, enquanto espera por essa resposta, segue em frente — confiando no pouco de previsibilidade que resta, nas lições que herdou e na esperança de que, mesmo diante de tantas mudanças, a terra ainda tenha força para ensinar o caminho. Às vezes, ao final da tarde, ela se senta na sombra do barracão, observa os campos ao redor e imagina como seria se o clima voltasse a ter o ritmo de antes. Pensa nos anos em que a chuva vinha na hora certa, nos tempos em que bastava olhar para o céu para saber o que fazer no dia seguinte. Mesmo sabendo que esse cenário talvez não volte, guarda dentro de si uma resistência silenciosa: a certeza de que o campo sempre encontrou maneiras de sobreviver — e que ela, assim como seus antepassados, também vai encontrar.