Sessão ao ar livre na Cinemateca reúne fãs do cinema maldito e do personagem mais original do cinema brasileiro.
por
Artur dos Santos
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14/05/2022 - 12h

Na noite desta sexta-feira (13) a Cinemateca Brasileira reabriu ao público com uma exposição inédita de "A Praga", um filme de José Mojica que havia sido considerado perdido. “500 pessoas, isso vai ficar para a história!”, disse Dora Mourão, presidente da Sociedade de Amigos da Cinemateca, sobre o sucesso da exposição do último filme do personagem brasileiro Zé do Caixão. 

"A Praga" foi um filme produzido em 1980, e, segundo Mojica, perdido entre pilhas de rolos de filmes e de histórias em quadrinhos e nunca chegou a ser exibido. Por isso a tamanha importância da sessão sediada hoje na Cinemateca; representou o resgate e a reconstrução parcial do filme para que este fosse exposto de maneira integral.

Quando encontrados, os rolos que continham trechos do filme não estavam com áudio e parte do processo de término do filme envolveu a participação de pessoas com deficiências auditivas para que lessem os lábios dos atores e atrizes para a dublagem que seria realizada.

Durante a abertura, os filhos de Mojica, Liz e Crounel Marins, discursaram sobre a importância do que se estava realizando nesta noite. “Triste de um povo que não tem cultura! Uma cultura com censura não representa a verdadeira cultura de um povo!”, afirmou Crounel ao início de sua fala. “Essa é a casa do cinema independente, autoral e maldito, como era o de meu pai”, conclui o roteirista.

Em conversa com a Agência Maurício Tragtenberg, Crounel afirmou que apenas rodando pelo mundo que se pode entender a importância de seu pai para o Brasil. O roteirista acrescentou que com o evento de hoje, "ressurge a instituição Cinemateca".

O evento foi um sucesso, angariou pessoas saudosas da interação que tinham com a Cinemateca, e a volta não poderia ter filme e data melhores para acontecer.

As próximas propostas de ação já estão sendo planejadas, de acordo com Mourão. "O próximo evento é a semana ABC (Associação Brasileira de Cinematografia), evento criado para a atualização de profissionais da área; um grande evento para a classe cinematográfica”. 

 

 

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Islamismo, Mulçumano e Árabe, termos distintos
por
Vitor Simas
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10/05/2022 - 12h

É comum que as pessoas associem o Islamismo, o mundo mulçumano e o árabe como uma coisa só, isso parte de uma ignorância, um desinteresse estrutural do Ocidente que acaba por gerar repulsa, disseminação de muita desinformação e violência. No Brasil os muçulmanos são a segunda religião que mais sofre intolerância. Estigmas, estereótipos e rótulos são muito exaltados frente a figura do mulçumano, principalmente no que diz respeito a opressão contra as mulheres e ao fundamentalismo e fanatismo religioso. 

No século XIX e início do século XX as potências industrializadas da Europa colonizaram grande parte do mundo, incluindo terras e povos que os europeus pouco conheciam ou compreendiam. Nesse período se deu a divisão entre Ocidente e Oriente, divisão esta que extrapola as medidas geográfica, é uma divisão ideologicamente imposta com o objetivo de segregar e impor. É hegemônico. O termo “oriente” passou a ser usado para se referir a esse mundo tido como exótico para os europeus. Atualmente, essa divisão tem como principal embate a religião, sobretudo no caso da oposição entre as três maiores religiões monoteístas do mundo, o cristianismo, o judaísmo e o islamismo.

Neste podcast feito com a partipação de Thariq Osman Mohamed, graduando do departamento de letras Árabe da USP, você aprenderá um pouco sobre a história do povo árabe, entenderá o que é ser mulçumano, os conceitos do islamismo, desde suas origens, a figura da mulher e sua representatividade mundial, além de desmistificar estigmas generalistas sobre o Islamismo e dogmas extremistas que conduzem algumas minorias ao terrorismo.

 

 

 

 

 

Referências:

 

Edward W. Said, ORIENTALISMO. O Oriente como invenção do Ocidente, disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1861897/mod_resource/content/1/said%20edward%20w%20-%20orientalismo.pdf

 

POLITIZE! Islamismo: como é a religião mulçumana, disponível em: https://www.politize.com.br/islamismo-como-e-a-religiao-muculmana/

 

LETICIA MORI. News Brasil em São Paulo https://www.bbc.com/portuguese/internacional-58325595

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Em entrevista na "Comix Book Shop" explicamos a maior visibilidade e procura dos Comic Books
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Arthur Pessoa, Bruna Damin e Luciana Zerati.
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05/05/2022 - 12h

Não é novidade para ninguém que a indústria cinematográfica fatura bilhões de dólares com filmes de super-heróis, tanto que quatro das dez maiores bilheterias da história são de filmes da Marvel, uma das principais empresas do ramo, fora outros grandes sucessos de companhias rivais, como as sagas do Batman e Superman da DC Comics, que vão às telonas pela Warner Bros.

A maioria destes personagens surgiram através das revistas em quadrinhos durante os anos de 1930 a 1950. Capitão América, Mulher Maravilha e Flash são apenas alguns dos maiores exemplos. Hoje, o mercado está mudando, e os mangás japoneses estão superando os tradicionais gigantes estadunidenses em vendas, inclusive em pleno território norte-americano. 

Porém, restam perguntas ao ar: como uma sociedade que está perdendo cada vez mais o hábito da leitura, e neste caso, tendo excelentes conteúdos de super-heróis no cinema, serviços de streaming e em video games, está consumindo mais quadrinhos do que antes, e não o contrário? Por que os mangás orientais estão vendendo mais do que as tradicionais HQs nos Estados Unidos e na Europa?

Para responder tais questionamentos, entrevistamos Bruno de Oliveira Kawazuro, 25 anos, funcionário da Comix Book Shop:

 

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Relembre o sucesso nostálgico e os símbolos contra a repressão.
por
Bruna Zanella C Damin e Luciana Meira Zerati
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05/05/2022 - 12h

“Uma Noite em 67” é um documentário brasileiro dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil sobre o Festival de Música Brasileira, ocorrido durante a ditadura militar. O evento contou com a participação de artistas como: Edu Lobo, Chico Buarque, Roberto Carlos e Gilberto Gil. O longa-metragem reproduz o Movimento Tropicalia, abordando a repressão, a censura e a ausência de liberdades democráticas no Brasil da época. Um símbolo muito usado contra o Imperialismo foi a música, por exemplo, “Caminhando” de Geraldo Vandré, que foi considerada o maior hino da resistência política.

 

Ingresso Uma Noite em 67
Ingresso "Uma Noite em 67"

O filme ambienta fielmente um período conturbado e obscuro da história do país, dando voz a esperança das pessoas através da representação artística. O objetivo dos diretores foi passar uma experiência única do que aconteceu na noite final do festival, coisa que, de acordo com o site “Vertentes do Cinema”, foi bem sucedido, podendo ser relembrado independentemente da época.

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Artista revolucionou o cinema brasileiro com sua interpretação de Jeca Tatu
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Dayres Vitoria
Victoria Nogueira
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05/05/2022 - 12h

Reinventou  a figura do caipira e principalmente  o consagrou como parte da cultura popular do Brasil, esse foi Amácio Mazzaropi, importante humorista e cineasta brasileiro que, com sua personalidade, foi capaz de divulgar a imagem do caipira pelo Brasil através de seus filmes, em que na maioria deles  era o  protagonista. 

O “Charles Chaplin brasileiro”, como é considerado por muitos fãs e até mesmo críticos,  ajudou a consolidar uma indústria da comédia cinematográfica 100% nacional ao trazer ao público o modo de viver de um cara simples do interior. Em seu filme  “Jeca Tatu”, de 1959, o personagem caipira Jeca, apesar de ser um homem preguiçoso - ideia  pejorativa atribuída ao conceito de caipira criado por Monteiro Lobato -  desmistifica percepções equivocadas sobre quem é o caipira. 

Segundo o  pesquisador de cinema e professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp) Eduardo José Afonso,  Mazzaropi  fez algo inédito ao ser capaz de jogar por terra esse estereótipo a respeito do personagem cuja a personalidade, conforme o professor aponta, representa a maioria dos pobres majoritariamente desvalorizados e tidos como atrasados e analfabetos.  

Ainda de acordo com o  professor, no retrato de um ser humano engraçado e sensível, se destacava também a capacidade dele de lidar com o preconceito e com  a discriminação. O pesquisador indica que o recado do personagem Jeca para o público que se identificava  era: “Você também pode mostrar àquele que reprime, explora e impõe o preconceito, que ele está errado”. 

 

Mazzaropi ressignificou a figura do caipira no cinema brasileiro | Reprodução
Amácio Mazzaropi ressignificou a figura do caipira no cinema brasileiro | Reprodução.

 

Já no filme “Tristeza do Jeca”, de 1961, o artista apresenta outro aspecto do caipira que foge da construção de imagem que a sociedade tem deste indivíduo. Nesta obra cinematográfica Jeca continua sendo o mesmo cara simples e humilde do campo, só que agora ele também passa a ser representado como um líder, capaz de influenciar diretamente as opiniões daqueles que vivem em sua região. Pelo prestígio que tem em meio a sua comunidade,  seu valor - como cidadão  influente - passa a ser ainda maior para os políticos ambiciosos que querem garantir votos. 

De um homem simplório - como é retratado o caipira - ele passa a ser visto como líder, uma peça chave para o desdobramentos dos acontecimentos na cidade. Assim, o  filme é apenas um dos muitos sucessos de público de Mazzaropi que esgotaram bilheterias. Muitos daqueles brasileiros, vindos da roça para a cidade,  grande parte  em busca de trabalho, se identificavam com os diversos aspectos retratados na figura do homem comum da roça. As altas risadas que a comédia nacional ainda proporciona aos telespectadores e fãs também gera, além do efeito cômico, identificação. Jeca - com seu dialeto, a fala arrastada e toda sua  construção  como um morador da roça -  também representa ao mesmo tempo a real vivência de muitos brasileiros,  logo, fazendo assim, quase que instantaneamente, que se sintam representados nas telas. Nessas mesmas telas eles presenciaram uma versão de seus “eus”, o que lhes reforçava a ideia de que não necessariamente precisavam se moldar para o  formato do “bom cidadão” da cidade grande. 


“É marcante ele ter dado ao povo brasileiro, predominantemente de classe média baixa, consciência de seu papel como brasileiros e cidadãos atuantes”, reforça Eduardo. Mazzaropi ao produzir seus filmes falava ao mesmo tempo de um Brasil diversificado e  também de si. O gosto pela vida no campo surgiu ainda na infância, em que aprendeu os valores da roça  e do trabalho duro. O  comediante  fez do interior seu lar, logo, retratar o caipira da roça também era contar um pouco de sua história e de sua vivência na fazenda. 

As vestimentas simples e maltrapilhas  - com um chapéu de palha sempre na cabeça, pés descalços e com o jeito desengonçado de andar -  o consagrou como  símbolo nacional do homem pacato e simples  e foi essa representação do caipira que  o trouxe ao patamar de artista talentoso,  o “Charles Chaplin brasileiro”, que é considerado hoje. 

Com todas suas contribuições, Mazzaropi fez do caipira não somente um sujeito conhecido, mas um representante da cultura do país ao tornar o personagem atemporal. Como o professor Eduardo Afonso afirma: “Mazzaropi, à frente do seu tempo, foi ator, cantor, palhaço, humorista, diretor, empresário, publicitário, enfim um homem voltado integralmente ao cinema e aos espetáculos circenses. Mazzaropi não pode ser visto, apenas como aquele Jeca Tatu, que muitos viram nas telas. Ele é um representante do Brasil”.

O CAIPIRA NA ATUALIDADE

Apesar das representações  construídas em torno do caipira, ainda fortes no senso comum, um estudo encabeçado pela pesquisadora Lívia Carolina Baenas Barizon, da Universidade de São Paulo (USP), apontou que o dialeto caipira vem caindo em desuso. O levantamento, por sua vez, levou em conta dados coletados de moradores do interior de São Paulo.

Para reunir as informações, o relatório, por meio de um bate papo informal, apresentou aos entrevistados um conjunto de desenhos na quais deveriam ser nomeadas as partes do corpo humano de acordo com a palavra que lhes era comum nas respectivas cidades.

O resultado revelou que a queda é mais acentuada entre jovens e mulheres. Já a presença é maior na faixa etária acima dos 60 anos, que preservam com veemência o "erre mais rasgado". Segundo a autora da pesquisa, a menor influência das mídias digitais sobre essa faixa etária pode estar associada à conservação do dialeto.

Em entrevista ao Jornal da USP, Lívia explicou que “o dialeto caipira teria surgido nos núcleos familiares das cidades paulistas a partir do século XVIII e sido levado pelas monções para dentro do território paulista. Em sua caminhada rumo ao Mato Grosso (o Rio Tietê deságua no Rio Paraná, na fronteira com o Mato Grosso) para desbravar terras e retirar ouro, os bandeirantes saíam da capital paulista e seguiam a rota do Rio Tietê”, afirmou.

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Para Badu Morais, em cartaz no TUCA com Morte e Vida Severina, a volta significa resiliência
por
Helena Cardoso Guimarães
Marina Jonas
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05/05/2022 - 12h

A pandemia afetou diretamente a vida dos atores e toda a produção presente nas apresentações teatrais. Para Badu Morais, atriz e cantora, atualmente em cartaz com a peça ‘Morte e vida Severina’ no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o TUCA, afirma que “todos os projetos que tinha em andamento, pararam” e mesmo fazendo tudo o que podia de maneira remota, a produção cultural durante o período era bastante escassa.  

Diversos campos da sociedade foram afetados durante o período pandêmico. O setor cultural não ficou imune a este impacto e foi um dos primeiros a parar suas atividades, logo que a crise sanitária parou o planeta, no início de 2020. Hoje, com cerca de 70% da população brasileira completamente vacinada, os teatros finalmente conseguiram retornar com as suas apresentações, mesmo que em um formato diferente, quando comparadas ao período pré pandêmico. 

A 5ª arte está se levantando aos poucos e com muitas dificuldades, mas sempre esteve presente no cotidiano das pessoas. Os artistas tiveram que se reinventar e adaptar o seu trabalho para manter a arte viva. Com a possibilidade de realizar transmissões ao vivo, as famosas lives, artistas conseguiram inovar e realizar contação de histórias, performances e até mesmo aulas de teatro nas mais diversas plataformas digitais.  

Para Badu, a crise mundial foi responsável pelos espectadores adquirirem uma nova visão em relação aos teatros e suas apresentações; e do mundo de maneira geral, revendo seus valores e suas crenças. Isso permitiu que as produções tivessem um teor diferente, “Depois da pandemia, todos estamos diferentes e acredito que isso seja o suficiente para que o público e as produções terem um novo olhar”, acrescentou. 

No entanto, com o protocolo de combate ao vírus e o avanço da vacinação no país, aos poucos, as plateias voltaram a ocupar teatros, mesmo que com o público reduzido. Para Badu, “estar em um palco em frente a uma plateia é a maior sensação de resiliência possível”, já que é muito especial conseguir voltar a exercer sua profissão e ter o contato com o público após o retorno, principalmente após um período tão delicado, com inúmeras perdas. 

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O evento beneficente ocorreu nesta segunda-feira, 2/05, em Nova York, e contou com a presença de celebridades e personalidades da moda.
por
 Maria Clara Alcântara 
Ana Kézia Andrade
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04/05/2022 - 12h

    O Met Gala é considerado um dos mais relevantes eventos do mundo da moda, a concorrida festa no Metropolitan Museum, em Nova York, aconteceu na primeira segunda-feira de maio, conforme segue sua tradição.

    Com o intuito de arrecadar fundos para financiar o departamento de moda do museu, o evento também inaugura a exposição anual do “The Costume Institute” que este ano dá continuidade a edição anterior com o tema "Na América: Uma Antologia da Moda", um resgate dos séculos XIX e XX.

    A mostra de arte conta a história da moda na intitulada “era dourada” (Golden age, em inglês), momento onde houve grandes avanços tecnológicos e industriais no país norte-americano, formando uma elite que exibia seu poder aquisitivo por meio da moda. Dentre alguns hábitos deste período, os espartilhos, as extensas camadas de roupas e o exagero no uso de jóias. Outro fato relevante da época foi o lançamento da revista Vogue, dedicada ao comportamento e o consumo de luxo e atual anfitriã e organizadora do Met Gala.
  
    O tema da exposição e do evento deve, no melhor dos cenários, ser refletido nos trajes escolhidos pelos convidados. Portanto, os looks deveriam remeter à “era dourada” da história norte-americana. Abaixo, listamos os looks mais comentados da noite.

 Com look inspirado na Estátua da Liberdade, Blake Lively é prestigiada nas redes sociais (Foto: Reprodução/ Instagram @obsessedwithversace)

Com look inspirado na Estátua da Liberdade, Blake Lively é prestigiada nas redes sociais (Foto: Reprodução/ Instagram @obsessedwithversace)

    A atriz foi uma das co-anfitriãs do evento. Seu vestido, assinado pela Versace, homenageia um monumento marcante da Golden age, a Estátua da Liberdade. Em entrevista à imprensa local, Blake revelou que se inspirou na arquitetura de Nova York, trazendo elementos de edifícios clássicos da cidade, como o Empire State Building e a constelação da Grand Central Station. 

    Blake protagonizou um dos momentos mais comentados da noite quando, ao chegar nas escadas do evento, local reservado à imprensa, seu vestido adquiriu tons azulados sobre parte do cobre, em referência ao processo de oxidação sofrido pelo monumento histórico.
 

Anitta usando Moschino exclusivo (Foto: Reprodução/ Instagram @anitta)

Anitta usando Moschino exclusivo (Foto: Reprodução/ Instagram @anitta)

    A cantora brasileira Anitta, criticada por ter usado um look considerado básico na última edição, compareceu ao Met Gala pela segunda vez e surpreendeu positivamente seus fãs com um vestido da Moschino, assinado pelo diretor criativo Jeremy Scott. A cor roxa - associada à alta sociedade da época - e as jóias de pérolas casaram bem com o tema, já que na era dourada as mulheres abusavam das jóias. O traje da “Garota do Rio” foi muito elogiado nas redes sociais por especialistas e seguidores. 

Vestido é inspirado em arte da “gilded age” (Reprodução/Getty Images)
Vestido é inspirado em arte da “Golden age” (Reprodução/Getty Images)

    Umas das figuras mais aguardadas da noite, Billie Eilish apareceu com um vestido inspirado no retrato de “Madame Paul Poirson”, do pintor italiano John Singer Sargent, assinado em 1885. A produção, feita sob medida pela Gucci, acrescentou toques modernos ao traje da era dourada, combinando com o estilo despojado e moderno da cantora sem tangenciar o tema.

 Evan Mock atraiu olhares para os trajes masculinos no evento (Foto: Reprodução/instagram @headofstate)

Evan Mock atraiu olhares para os trajes masculinos no evento (Foto: Reprodução/instagram @headofstate)

    Os homens convidados para o Met Gala normalmente são criticados pelos espectadores por usarem trajes simples e comuns, como o smoking ou um traje social. Distante dessa prática o ator Evan Mock surpreendeu a todos usando um look assinado pela grife Head of State, novidade no cenário do Met. A vestimenta foi bastante elogiada por homenagear o estilo da época e seguir seus padrões. 
   
Donatella Versace e Ashton Sanders fizeram a junção do jeans e dourado (Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace e @ashtonsanders)

Donatella Versace e Ashton Sanders fizeram a junção do jeans e dourado (Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace e @ashtonsanders)

    A marca estadunidense de vestuário especializada em jeans, Levi 's, foi fundada em 1853 e consolidou o tecido na sociedade. Por isso, era esperado que os convidados usassem essa referência. A expectativa foi cumprida pela designer e vice-presidente do grupo Versace, Donatella Versace, e pelo ator Ashton Sanders. Os dois seguiram a mesma linha de vestimenta e ousaram ao misturar o jeans com elementos dourados, referenciando a moda  de diferentes classes sociais da época.

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Como o Festival da MPB revolucionou a música no Brasil da ditadura
por
Ana Beatriz Villela
Kiara Elias
Vitor Simas
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03/05/2022 - 12h

O ano de 1967 foi o “ano de ouro” do Festival de Música Popular Brasileira, exibido na TV Record. O festival revolucionou a MPB, por estarem concorrendo aos maiores prêmios os cinco maiores nomes da música brasileira até hoje: Gilberto Gil, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Chico Buarque e Edu Lobo.

No dia anterior ao festival havia um clima de rebeldia política, cultural e ideológica, com passeatas por todo o país (inclusive uma contra a guitarra elétrica). Com o tropicalismo, começam a surgir canções de protesto, principalmente com Gil e Caetano, que revolucionaram a música brasileira.

festival
Reprodução: Belas Artes

O documentário do festival, que ficou conhecido pelo número de vaias, mescla imagens das apresentações com depoimento dos artistas, mais de 40 anos depois. Narra o momento histórico onde Sérgio Ricardo, que vaiado de maneira contínua com Beto Bom de Bola, quebra o violão e o atira contra a plateia. O que mais marcou as propostas musicais apresentadas, foi a evolução dos artistas baianos: Gilberto Gil e Caetano Veloso. As letras de suas composições tinham coincidentemente a mesma forma, os arranjos soavam com uma ruptura dos padrões estabelecidos, ainda que contendo ritmos essencialmente brasileiros.

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Fora do calendário convencional, os desfiles das escolas de samba de São Paulo ocorreram nos dias 21 a 24 de abril.
por
Ana Kézia Andrade
João Curi
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03/05/2022 - 12h

Em 2022, a porcentagem de vacinação trouxe maior segurança ao retorno das atividades presenciais. Considerados uns dos maiores eventos do mundo, os desfiles de escolas de samba atraem milhares de turistas e fãs de carnaval. Depois de dois anos, Rio de Janeiro e São Paulo foram palcos das festividades, que ocorreram em meio ao feriado de Tiradentes, fora da época convencional.
    Segundo a estimativa divulgada pela São Paulo Turismo (SPTuris), os dois dias de desfiles no Sambódromo do Anhembi atraíram 64 mil pessoas. Ao todo, foram 17 blocos e 14 escolas do grupo especial desfilando entre os dias 21 e 24 de abril.
Apesar de alguns contratempos, como atrasos e problemas técnicos, o primeiro dia em São Paulo foi marcado pelos desfiles da Colorado do Brás, que homenageou a escritora Carolina Maria de Jesus; da Mancha Verde, que assumiu a avenida com o enredo “Planeta Água”; da Tom Maior, que homenageou o nordeste brasileiro em conjunto com uma adaptação do livro “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry; da Unidos de Vila Maria, que apostou no enredo “O mundo precisa de cada um de nós” e destacou, de forma emocionante, a colaboração e a fraternidade diante da vida “pós-covid19”; da Acadêmicos da Tatuapé, que trouxe à avenida a importância do café na história e na economia do Brasil; e, finalizando o primeiro dia, a Dragões da Real homenageou o sambista Adoniran Barbosa, grande nome da música brasileira.
O segundo dia de desfile se iniciou com a maior detentora de títulos do carnaval paulista, a Vai Vai, que apostou na homenagem aos povos africanos. Em seguida, a Gaviões da Fiel tratou em seu enredo o preconceito, a desigualdade social e a exploração; na sequência, a Mocidade Alegre homenageou a sambista Clementina de Jesus, mulher negra e referência dentro da música brasileira. Já a campeã do último desfile de 2020, Águia de Ouro, prestou homenagem ao orixá Oxalá, apostando no branco e promovendo a valorização da cultura afro-americana. Mergulhada na madrugada, a escola Barroca Zona Sul esbanjou uma homenagem à entidade religiosa Zé Pilintra, abordando uma visão positiva do arquétipo “malandro”. A Rosas de Ouro, por sua vez, encantou os espectadores com exaltações a rituais religiosos, à fé e à ciência, e ainda teceu críticas a declarações feitas pelo atual presidente da República. Encerrando as festividades em São Paulo,  a Império de Casa Verde apresentou um enredo voltado para a importância e o poder da comunicação, tratando desde o início das verbalizações até seu impacto na tecnologia atual.
    O resultado das apurações dos desfiles foi divulgado dois dias após o evento e a grande campeã foi a Mancha Verde. Ao todo, nove quesitos foram considerados para a atribuição das notas para as escolas: harmonia, mestre-sala e porta-bandeira, enredo, evolução, bateria, fantasia, alegoria, samba-enredo e comissão de frente. Ao fim da apuração, punições da Liga e problemas internos demarcaram o rebaixamento das escolas Colorado do Brás e Vai-Vai ao grupo de acesso.
    Durante o desfile das escolas campeãs, realizado no dia 29 de abril, oito agremiações retornaram ao Sambódromo do Anhembi. O evento de comemoração foi introduzido pela Nenê de Vila Matilde, que venceu o grupo de acesso 2 - em uma disputa acirrada contra a Unidos do Peruche - com a reapresentação de um enredo da década de 1980. A bicampeã do Carnaval de São Paulo, Mancha Verde, trouxe à avenida sua consagrada rainha de bateria Viviane Araújo, grávida de quatro meses, que fez questão de comemorar o título desfilando, já que não pôde comparecer ao desfile oficial. Na mesma noite, também se apresentaram outras quatro escolas do grupo especial, além da Independente Tricolor e da Estrela do Terceiro Milênio, que retornam à elite paulista em 2023.
 

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“Ela é vida e, ao mesmo tempo, parte dela, onde se revelam as verdades eternas comuns aos homens no desenrolar do mundo e seus movimentos”
por
Clara Maia
Flavia Cury
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03/05/2022 - 12h

Quando se fala de literatura, é normal que a associe aos livros clássicos, escolas literárias e tudo aquilo que é instruído no ensino básico. Entretanto, ela é muito mais que isso; está presente na letra das músicas, nas peças de teatro, nas oralidades. Na história, não existe uma sociedade sequer que não presenciou algo como ela.

Tânia de Oliveira, professora de literatura para alunos do Ensino Médio em São Paulo, acredita que “ela é vida e, ao mesmo tempo, parte dela, onde se revelam as verdades eternas comuns aos homens no desenrolar do mundo e seus movimentos”. Ou seja, ela é uma expressão dos anseios, desejos, sentimentos e sensações do ser frente ao período que vive. É um memorial da humanidade.

Já para Diogo de Hollanda Cavalcanti, coordenador do curso de jornalismo da PUCSP, um trabalho de memória é um trabalho político. Inclusive, a arte literária pode ser política de várias formas, podendo trazer luz à aspectos ocultos ou em esquecimento da sociedade. “Quanto da história não ficou guardado pela literatura? Os horrores do holocausto tiveram um alcance grande por causa da literatura de testemunha, escrita por autores como Primo Levi, que sobreviveram aos campos de concentração.”, diz Cavalcanti. Outros exemplos, são as obras de jornalismo literário, desde a A Ilha de Sacalina (Anton Tchékhov, 1895) até as reportagens da Eliane Brum. “Esses livros tiveram uma permanência grande, não pelos fatos que contam, mas pela maneira que narram", ressalta. 

Além disso, Cavalcanti entende que existe na arte literária um caráter político por atender necessidades essenciais do ser humano. A vontade do devaneio, de viver outras histórias, de sonhar acordado. “Você pode até dizer que política não te interessa e que quer viver alheio a ela, mas a política te afeta, ela vai bater na sua porta”, acrescenta Cavalcanti.

Um grande temor compartilhado por ambos educadores é de o afastamento da sociedade da leitura gere falta de empatia. “Um dos combustíveis da literatura é essa curiosidade pelo outro” comenta Cavalcanti e acrescenta “você se emociona com histórias de personagens inventados, mas que também acabam falando muito dos seus próprios dramas, angústias, emoções. Tudo que é humano, tudo que faz parte da nossa vida, dos nossos medos, das nossas possibilidades, tudo isso interessa a literatura”, enfatiza o coordenador de curso.

Outro efeito nocivo desse distanciamento é a falta de contato com realidades diferentes, criando-se “bolhas sociais”. Criam-se supostas zonas de conforto em que se acessa somente o que está em seu campo direto de interesse, reduzindo a capacidade reflexiva e a inquietude saudável de explorar novas possibilidades de ideias e universos, que a Literatura é capaz de criar. “Há de se ter maturidade de pensamento para compreender que ler um livro e mergulhar em uma história que não é de seu tempo, faz com que você entenda o homem, o que fomos e como chegamos no ponto em que estamos.”, diz Oliveira.

A professora diz que “A literatura clássica é o principal instrumento para o desenvolvimento do pensamento crítico sobre o nosso tempo e o mundo, porém, tento continuamente fazer com que os alunos entendam que a literatura de entretenimento é muito válida e é um meio interessante para que criem o hábito de ler”. A educadora aborda também a importância de despertar o interesse na leitura desde a infância, através da leitura de contos.

Oliveira comenta ainda que vários professores criam projetos de leitura, saraus, propõem trabalhos e atividades para colocar o aluno em contato direto com a leitura de maneira lúdica, reflexiva e imersiva. “Mas dependemos exclusivamente da adesão dos alunos às estratégias para que elas funcionem e isso nem sempre acontece. Mas mesmo que atinjamos profundamente apenas alguns em lugar de todos, já será uma vitória”, enfatiza.

Cavalcanti acredita que a maneira de estimular os alunos é ver como a literatura atravessa a vida em todas as suas esferas, “Como a gente pode olhar o mundo de forma literária, no sentido de uso da imaginação, de pensar em outras leituras em relação ao que a gente vê”. 

“Gosto de uma frase do Eduardo Galeano que diz: muito mais do que ossos, músculos, células, nós somos feitos de histórias, as histórias têm esse poder de nos situar, de nos constituir, de gerar uma identidade.” complementa Cavalcanti.

 

 

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