A apresentadora, considerada a Rainha da Televisão Brasileira, ainda hoje é referência no segmento
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Ricardo Dias de Oliveira Filho
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29/09/2022 - 12h

Nesta quinta-feira (29), completam-se 10 anos da morte da ilustre Hebe Camargo. A apresentadora  faleceu, aos 83 anos, vítima de uma parada cardíaca. Ela tratava um câncer no peritônio, contra o qual lutou por dois anos.

A artista iniciou sua carreira como cantora, aos 15 anos de idade, na extinta Rádio Tupi de São Paulo.

Seu programa de TV, intitulado como Hebe, foi exibido entre 1966 e 2012. Semanalmente, ela entrevistava personalidades, um bate-papo descontraído, em seu famoso sofá. Os temas eram diversos - inclusive considerados impróprios e polêmicos para a época - como política, relacionamentos amorosos etc. 

Hebe apresentando seu programa no SBT
Hebe apresentando seu programa no SBT
Foto: Acervo/SBT

Hebe era uma mulher à frente de seu tempo. Por trás dos holofotes, envolveu-se fortemente com a política e as causas sociais. Em 1987, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, a apresentadora apoiou a comunidade LGBTQIA+ em uma época em que, além de ser um tabu, a epidemia da AIDS estava em alta.

Com passagens por diversas emissoras, entre elas Record, TV Tupi, Band, SBT e RedeTV!, respectivamente, Hebe é lembrada como a Rainha da Televisão Brasileira, marcante, presente e respeitada. Ao longo de sua extensa carreira, a apresentadora criou bordões, teve momentos marcantes e distribuiu os famosos "selinhos".

Chamava a todos de "gracinha", famosos como Neymar, Silvio Santos, Susana Vieira, Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, entre outros, tiveram o privilégio de receber um beijo da loira. Durante sua trajetória, ela tornou os "selinhos" sua marca registrada.

Se estivesse viva, a apresentadora teria 93 anos. O programa Encontro, da Rede Globo, homenageou a artista levando alguns de seus figurinos marcantes ao palco.

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Saci, bumba meu boi e outras entidades configuram um imaginário rico e dinâmico que revelam a alma mais profunda de um país complexo
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Anna Cecília Nunes
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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27/09/2022 - 12h

O folclore brasileiro é conhecido por sua riqueza e variedade, com maior destaque às lendas. Um dos personagens mais famosos da cultura brasileira é o Saci-Pererê, uma pequena criatura de uma perna só, que vive na floresta, e é conhecida por suas travessuras. A lenda do Saci teve origem no sul do Brasil e é diretamente influenciada por elementos culturais africanos e indígenas. 

Celebrado no dia 22 de agosto, o Dia Nacional do Folclore foi oficializado no Brasil através do decreto nº 56.747, assinado no dia 17 de agosto de 1965. Com o objetivo de garantir a identidade cultural e preservação do patrimônio folclórico brasileiro, sua perpetuação histórica é rica e importante, pois através dele o saber popular e identidade nacional são mantidos. 

Rodas de contação de história, festas tradicionais como Festas Juninas e Reisados, brincadeiras como pique-pega ou adedonha/stop, expressam a cultura e promovem esses elos entre os membros da comunidade.

“Em nosso Brasil de dimensão continental, teremos uma infinidade de cenários e enredos constituintes da Cultura Brasileira (Folclore Brasileiro) que não se comunicam entre si, contudo vale ressaltar que não existe hierarquia, nem tipologia de maior valor relacionado aos aspectos culturais de um povo”, contou o antropólogo Diogo Moreno.

O aspecto que destaca o Brasil é a riqueza cultural que influencia outros países, mas também desfruta de culturas de outras regiões. Um dos exemplos são os costumes da população de Foz do Iguaçu, que consomem, principalmente, da culinária e da música do Paraguai e Argentina. “É muito comum que cidades de países diferentes em zonas de fronteira compartilhem tantos aspectos culturais que façam com que um brasileiro que more em um desses lugares possa acabar se identificando mais com seus colegas do país vizinho do que com a identidade “nacional” em pessoas do mesmo país mas de outra região”, explica Lorena Herrero, folclorista há mais de 5 anos. 

Bumba meu boi, umas das festas popular no Norte e Nordeste do Brasil
Bumba meu boi, umas das festas popular no Norte e Nordeste do Brasil
Divulgação: Leiturinha

Apesar de aspectos de outros países, existe também uma ‘independência cultural’ entre os estados brasileiros. No folclore goiano, uma história, que foi contada no passado pelos pais para assustar as crianças e fazê-las obedecer às suas ordens em casa, é contada até os dias de hoje. “Em nosso país de dimensão continental podemos afirmar que existem diversos “folclores”, ou seja, a forma como se apresenta na região nordeste não necessariamente é a mesma das outras regiões do país”, confirma Diego Moreno. 

O conto do Velho do Saco fala de um idoso, de aparência simples, que afasta crianças desobedientes de lares e reuniões de adultos, deixando-lhes misteriosas mensagens de sabedoria. Não curiosamente, a história influenciou a formulação do personagem “Velho do Rio” da novela “Pantanal”, da Rede Globo.

“O relevo de uma região, suas estações, vegetação, fauna… todos interferem nos modos de vida de uma comunidade e nós nos moldamos a partir da nossa relação com esses fatores. Se vivemos em uma vila no interior, por exemplo, é muito comum que os seres míticos e as lendas da região se relacionem com animais, que os perigos se relacionem com a floresta ou com os rios. Já em grandes metrópoles, os ambientes que se relacionam com o medo passam a ser construções abandonadas, e os “monstros” se tornam mais humanos, como fantasmas, o Homem-do-saco ou a Loira do Banheiro”, explica Lorena Herrero. 

Outro exemplo de como o folclore é retratado no mundo do entretenimento é a minissérie brasileira “Cidade Invisível”. Na série original da Netflix, pessoas do convívio urbano da sociedade encontram personagens como Boto-cor-de-rosa, Iara, Saci-Pererê, Cuca e Curupira. A série tem um tom de suspense policial, mas não deixa de tirar a visão infantil que costumamos ter do Folclore, já que esses personagens nos são apresentados na infância. 

Uma das manifestações artísticas e populares do folclore brasileiro é o  Bumba meu boi, que surgiu no século XVIII, na região do Nordeste. A história envolvendo a dança está relacionada à lenda de uma dupla de escravos conhecidos como Pai Francisco e Mãe Catarina. A atração é um símbolo na cultura brasileira, principalmente no Estado do Maranhão, pois está ligada diretamente à identidade de seu povo. Além disso, a dança possui uma variedade de nomes em várias regiões do país, como: boi-bumbá, boi de reis, boi-surubi, boi-calema ou calumba, rancho de boi, boizinho etc.

É muito comum que tenhamos a ideia de que o Folclore se refere à manifestações culturais especificamente rurais e/ou antigas, elementos que não se relacionam com a maioria da população hoje, que é urbana e vive uma “era da tecnologia” e de avanços científicos. Por conta disso, muita gente entende que o Folclore é algo a ser superado, mas a cultura popular se adapta e está presente no contexto urbano e tecnológico de outras maneiras, ou em aspectos da vida que não entram tanto em conflito com a tecnologia ou a “ciência”.

Apesar de todos os cultos ao folclore nacional, as grandes metrópoles não se conectam da mesma maneira que as regiões interioranas e florestais. “Esse é um embate desigual, pois cada vez mais temos um culto ao que é estrangeiro em detrimento da valorização de uma cultura local, para corroborar como nosso pensamento basta lembrar toda veneração e espaço mercadológico dedicado ao “Halloween”, comenta o antropólogo.

A população tem uma relação dual com o folclore, hora menosprezado hora exaltado. Isso acontece pela diferença da “ideia” que temos de Folclore e como ela se diferencia de como vivemos a cultura popular de fato.

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Racionais MC, Marcelo D2, Planet Hemp, Criolo, Emicida, esses artistas têm algo em comum, eles usam sua arte como forma de denúncia de injustiças sociais
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Maria Clara Alcântara
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26/09/2022 - 12h

    O rap, gênero musical criado na Jamaica e difundido nas periferias norte-americanas, chegou ao Brasil no século passado e hoje é encontrado em todos centros urbanos. De acordo com o rapper Alexandre Bane, músico e estudante de ciências sociais da PUC-SP, ele cumpre o papel de resgatar a autoestima do povo periférico, um povo que por excelência já é sofrido por si só. 

    Como o rap fala sobre injustiças sociais, não é loucura remeter a sua ascensão a momento de crises econômicas e sociais, por isso, surgiu no brasil na cidade de São Paulo, em 1986, um ano após o fim da ditadura militar e quando o país sofria com as consequências da péssima gestão dos militares. 

   Porém, pode se relacionar o surgimento do rap com o final da época de repressão dos militares, pois para o rap ser feito é necessário liberdade para os artistas, principalmente periféricos, que são maioria nesse gênero. 

  Mesmo chegando na década de 80, foi só em meados dos anos 90 que esse estilo começou a se popularizar, com a popularização do grupo Racionais MC, originário  da capital paulista e persistente no cenário até os dias atuais, que abordam temas corriqueiros da cidade, como a violência, o preconceito e as dificuldades do povo periférico.  

   O grupo também abordava a cultura periférica e sua realidade e momentos históricos que impactaram a vida dos paulistas, como o massacre do Carandiru.  

      Na década de 80, São Paulo estava abandonada, o crime era cada vez mais frequente e a desigualdade social era gigante, o rap surgiu nesse meio, era imprescindível o surgimento desses assuntos na música deles, era essa a realidade dos músicos.  

    Com isso, o rap brasileiro se tornou politizado e fala sobre suas dificuldades, fazendo com que em crises sociais e econômicas ele se sobressaia, pois nessa épocas os temas das músicas são mais reais e fácil de se identificar  

     Mesmo falando de temas importantes, o gênero ainda sofria muito preconceito por ser uma arte vinda da favela, era considerado coisa de bandido e não era visto como arte para a maioria da sociedade. 

 Essa realidade foi mudando ao longo dos anos 90, foi nessa época que o rap começou a superar barreiras e sair de um ciclo pequeno para começar a ir para a mídia, e tocar em clubes das cidades.  

    Porém esse movimento não foi visto positivamente pelos rappers, pois os rappers que iam para esses canais tinham uma postura mais polida e menos radical e politizada. "Eu vejo que a gente tem que ir pra mídia sim, entendeu mas com a nossa cara , eu não vou pra mídia pq eu to cantando mais um hino que denigre a imagem de uma mulher, que anda sendo muito banalizado agora. Acho que nossa obrigação como mensageiros é tá em todos os lugares, mas chegar de cabeça erguida”. 

    No governo Bolsonaro e na pandemia do covid19, o rap também se beneficiou de uma onda de criatividade, dada aos fatos do cotidiano difícil do país, assuntos como o isolamento, as mortes e a crise que aumentou a fome serviram de ferramenta para a criação de músicas. 

Vários artistas do gênero vieram a público mostrar a realidade da pandemia de dentro das favelas, um exemplo foi o rapper Emicida que em entrevista ao Domingão do Faustão disse: 

“Eu acho que a gente tem uma situação muito emblemática na realidade do Brasil que é: a primeira vítima do coronavírus foi uma empregada doméstica, que pegou coronavírus da sua patroa, aparentemente. Isso é muito simbólico, muito forte. As pessoas pobres se contaminam mais, elas têm menos condições de se cuidar” 

Mas não foi só através da música que os rappers ajudaram sua comunidade, artistas mais reconhecidos como  Djonga, Emicida e GOG conseguiram juntar aproximadamente um milhão de reais para ajudar as comunidades a enfrentarem o problema. 

Ao lembrar do lado profissional da pandemia, o estudante Alexandre declarou: "A pandemia foi aquele tombo do último andar que ninguém imaginava, parou shows, vendas, o mundo. E a arte e a música no brasil já não é valorizada, aí vem uma pandemia e acaba com tudo de uma vez. Eu tive que me virar, a pandemia acabou sendo um aprendizado” 

Mesmo com as mudanças desde a década de 80 até os dias atuais, o foco do rap é o mesmo, denunciar injustiças e aclamar por igualdade e respeito. 

 “Continua o mesmo sofrimento as mesmas mazelas e o rap surgiu nessa caminhada pra ser aquele contraponto de resistência certo, aquele lance que consegue olhar pra um cara totalmente desesperançado e falar acorda vc tem muito o que lutar ainda, acorda vc é descendente de reis e rainhas, vc tem força pra lutar sim. Essa é a função do rap” Finaliza Alexandre. 

 

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A inclusão de 10 milhões de brasileiros ocorrem nas batalhas, com mistura da língua brasileira de sinais e portuguesa.
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Laís Bonfim
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26/09/2022 - 12h

 


                                                                      

                   https://d1fdloi71mui9q.cloudfront.net/vhYUWB23SPiVqkL0PxVC_CONJUNTO%20DE%20PROJETOS-LINKTREE.pdf Créditos:Malu Dini 

Operando desde 2008 em São Paulo, o Slam do Corpo se define, em seu documento oficial, como: “ um grupo que pesquisa e produz arte, aberto a surdos e ouvintes que se interessam pela Língua Brasileira de Sinais” (Libras). Sendo o primeiro grupo brasileiro a fazer esse movimento, ele apresenta uma ponte entre a poesia, a palavra falada, os sinais e a performance, a qual valoriza  o que o corpo tem a dizer. 

 As apresentações são abertas para o público e têm 2h30 de duração. Elas iniciam com o “corpo aberto”, momento no qual ocorrem apresentações livres de autoria e tempo de duração; e finalizam com a batalha, a qual possui regras: 

  • Os poemas devem ter até 3 minutos de duração e ser autoral, não é permitido o uso de figurinos ou objetos de cena; 

  •  O evento é apresentado por uma dupla composta por um surdo e um ouvinte, e conta com dois tradutores intérpretes de Libras;  

  •  Para a dupla vencedora, o prêmio é um conjunto de livros de arte e poesia. 

 O Slam do Corpo é um espaço de protesto, que a poesia mostra a realidade dos surdos, como revela a apresentação de Catharine Moreira e Amanda de Lima no Programa Manos e Minas na TV Cultura. "Eu sou surda e tenho a minha voz, não preciso falar sua língua pra ter voz.", diz a poesia das artistas, a qual revela como o preconceito com a Língua Brasileira de Sinais causa sofrimento.  

 “

Separar o surdo da Libras é como separar a alma do corpo", diz David Farias, professor de Libras e intérprete. Ele coloca a importância da língua para a cultura surda, e reforça a importância da  execução da LEI Nº 10.436, que exige intérpretes em estabelecimentos e instituições. 

A inclusão é uma pauta importante no país. No Brasil, segundo o IBGE, cerca de 5% da população é surda. Esse número representa 10 milhões de pessoas, sendo que 2,7 milhões têm perda auditiva profunda.  

 Dessa parcela popular, como resultado da exclusão desse grupo,  7% têm ensino superior completo, 15% frequentaram a escola até o ensino médio, 46% até o fundamental e 32% não têm um grau de instrução. Esses dados foram apresentados pela pesquisa do Instituto Locomotiva e a Semana da Acessibilidade Surda em 2019. 

 Farias, como educador nas escolas estaduais e municipais no estado de Alagoas e Sergipe, diz que um dos caminhos para mudar esse quadro na educação “é oferecer acessibilidade e incluir o ensino da Libras do ensino básico até o médio, como tem as disciplinas de espanhol e inglês”.  

 Além disso, expõe a importância da adaptação das atividades escolares para os surdos. Visto que, há um cenário de vitimização deles por parte dos educadores, que reflete no aprendizado. 

 Como visto que a acessibilidade é um dos pontos na defasagem educacional, o intérprete disserta sobre a importância do Slam do Corpo, principalmente pela participação das crianças. “Existem crianças surdas que fazem a leitura de poemas e é muito enriquecedor para a Libras. No meu olhar, o Slam do Corpo deveria ter em todos os lugares do Brasil para fortalecer a cultura surda.” 

 O grupo tem um espaço destinado para as crianças. “O Slam do Corpinho é o primeiro no país que aproxima crianças-poetas surdas e ouvintes, poemas em língua de sinais e em língua portuguesa", apresenta a equipe em seu documento oficial.  

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Inspirado na obra de Clarice Lispector, o filme nacional teve sua estréia nos cinemas na última semana
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Isabel Bartolomeu
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26/09/2022 - 12h

Imagem: Vitrine Filmes/Divulgação

 

Dirigido por Marcela Lordy e roteirizado por Josefina Trotta, o filme narra a história de Lóri (interpretada por Simone Spoladore), professora do ensino fundamental, uma mulher livre, porém, melancólica e solitária. A protagonista carrega a aura introspectiva presente na personalidade de Clarice Lispector e suas obras.

No longa, o espectador é convidado a acompanhar a jornada de Lóri descobrindo a verdadeira liberdade e o amor, tanto o próprio quanto o compartilhado com o outro. No cotidiano, Lóri mostra-se perdida, em puro devaneio e desconexão com a realidade.

Ela, uma mulher furtiva em seus relacionamentos, é confrontada pelo pensamento existencialista ao conhecer Ulisses (interpretado por Javier Drolas). O professor de filosofia e amante contribui para o debate sobre Lóri ser "humana e contraditória". Durante o filme, o desenvolvimento da personagem coloca em perspectiva a descoberta de si, a "dor de existir" e a chegada da intimidade.

 

Aconteceu no Belas Artes: Uma Aprendizagem

 

Imagem: Isabel Bartolomeu

Legenda: Estão presentes na foto a diretora Marcela Lordy, a professora e literária Eliane Fittipaldi e a jornalista Paula Jacob.

 

Na última sexta-feira (23), o filme contou com uma sessão especial, seguida por debate, no Cine Petra Belas Artes. Com uma sala repleta de mulheres, o encontro teve a participação da diretora Marcela Lordy e da professora Eliane Fittipaldi. A mediação foi realizada pela jornalista Paula Jacob.

No debate, as convidadas comentaram as questões acerca do filme. A diretora Marcela Lordy destacou que esse é “um filme para sentir”. Inclusive, esse é o primeiro longa-metragem da diretora, que revelou que as produções do filme iniciaram há cerca de 10 anos, e demonstra a maturidade adquirida tanto por ela quanto pela personagem.

Já Eliane Fittipaldi, crítica literária e tradutora, comentou sobre a “atmosfera clariciana” e a “liberdade desencontrada” presente no longa. Também, contou que ela e Marcela trocaram correspondências na pandemia para falar sobre as experiências do filme, que na época já estava pronto, e aguardava lançamento.

O evento contou com a organização e o apoio da Revista Claudia, Vitrine Filmes, Editora Rocco e da livraria Gato Sem Rabo.

O trailer do filme está disponível no Youtube.

 

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A história do bairro remete à origem escravista durante o período imperial, que reaparece nas obras da região ainda nos dias de hoje, revela o historiador Eduardo Nakashima
por
João Curi
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24/09/2022 - 12h
Fachada da Bunkyo, acompanhada de uma visão horizontal da rua e alguns postes de luz tradicionais do bairro da Liberdade
(Reprodução/Gabriel Inamine/Descubra Nikkei)

O bairro da Liberdade é comumente associado à comunidade japonesa, considerando a efervescência cultural reforçada pelo comércio local e instituições nipo-brasileiras situadas na região. Desde a chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao estado de São Paulo, em 1908, por incentivo do governo em suprir a mão-de-obra da produção cafeeira, o Japão desencadeou no Brasil um novo processo de intercâmbio cultural.

            Para além dos imigrantes europeus, melhor recepcionados pelas políticas de imigração na época, os japoneses se instalaram nas fazendas paulistas com o objetivo de encontrarem melhores oportunidades de trabalho, que careciam no Japão recém-aberto ao exterior. Mediante assinatura de tratados e acordos internacionais, em menos de dez anos foram enviados cerca de 10 mil trabalhadores japoneses ao estado de São Paulo.

 

            + Para mais informações, clique aqui para acessar a visita virtual ao Museu da Imigração Japonesa!

 

            O historiador e secretário-geral administrativo da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), Eduardo Nakashima, revela que, apesar da ocupação significativa de japoneses no bairro da Liberdade, no começo do século XX, existem questões maiores relativas aos afrodescendentes. “Os primeiros habitantes do bairro da Liberdade eram negros”, conta. “Não era um local que tinha uma função muito digna. Era um bairro onde se executavam criminosos e, em geral, escravos fugidos”.

            Eduardo ainda explica que, por consequência desse histórico do período imperial e mediante a ocupação antecessora de demais imigrantes (italianos, judeus, árabes) em outras regiões de São Paulo, o bairro da Liberdade era um lugar vazio e barato que, por ser próximo do Centro, os japoneses passaram a ocupar – principalmente, a Baixada do Glicério. “Por volta de 1930, os japoneses vão ocupar e transformar o local em bairro comercial, que é a imagem que permanece até hoje”, relata. “Oficialmente, o bairro da Liberdade nunca foi japonês. Ele foi considerado bairro oriental, mesmo quando só tinha japonês lá”.

Ele também comenta que, durante a construção do primeiro trecho da linha azul do metrô, do Jabaquara para a Liberdade, as avenidas foram tomadas por trincheiras, que atrapalhavam o comércio e moradores. “Ao mesmo tempo, São Paulo fazia essa ligação Leste-Oeste [Viaduto Leste-Oeste] e rasgou parte da Liberdade, e quando cavaram lá saiu um monte de osso, que são as ossadas dos executados”, relata. “Até hoje, quando vai fazer alguma construção ali, aparece”.

No Brasil há quase 30 anos, o senhor Kawarazaki compartilha sua acomodação com a cultura nipo-brasileira. No começo, os beijos e abraços se diferiram bastante do costume de cumprimentar com reverências, que é mais tradicional no oriente. Mesmo assim, o conforto do seu estilo de vida aqui logo tornou fácil a adaptação. “Eu moro no bairro da Liberdade há mais de 10 anos”, conta. “Aqui tem mais facilidade para tudo, não somente para o lado japonês (comidas etc.) mas também para todas as outras necessidades. Para viver aqui me sinto mais livre do que lá no Japão”.

Engajado na música popular japonesa, Kawarazaki já contribuiu em diversos eventos do nicho como membro das bandas tradicionais e, ainda hoje, prossegue com as atividades semanalmente nos bairros da Saúde e Vila Mariana. “Como sou do Japão, não preciso me esforçar para conservar a minha cultura”.

Kawarazaki ainda relata que, enquanto membro do comitê cultural da Bunkyo, comparecia a reuniões em que ninguém falava japonês, apesar da ênfase de alguns membros em ensinar o idioma. “Acho melhor conduzir a reunião falando japonês”, opina. “Assim eles vão virar exemplos”.

Na mesma linha, Kawarazaki lamenta a pouca incidência de nikkeis que conhecem o idioma, ainda que se identifiquem com a cultura nipônica. Com isso, ele teme que os brasileiros recebam informações erradas ou ultrapassadas ao abordarem essas pessoas menos engajadas culturalmente. “Poucos descendentes buscam informações atualizadas do Japão porque não sabem ler japonês”, defende o músico.

Da mesma forma, uma das maiores impressões sobre a cultura nipo-brasileira aqui em São Paulo é, na verdade, precipitada. Embora a densidade populacional de japoneses na Liberdade não seja tão expressiva hoje quanto era no século passado, existe uma carga cultural que estampa o comércio da região. “As maiores lojas hoje do bairro da Liberdade os donos são chineses, mas o marketing é japonês”, revela Eduardo. “O bairro acabou criando essa identidade, e eu acho que esse é o legado”.

O historiador aponta que a identidade japonesa, apesar de ser mais difundida culturalmente na Liberdade, não se resume ao bairro. Ele menciona que na região da Saúde, hoje, há expressivo índice populacional de nipo-descendentes; além de relembrar a influência no cultivo de pêssegos e morangos em Itaquera, onde passou a infância, cercado de características japonesas. “Da mesma forma que árabes, espanhóis, italianos e portugueses, os japoneses já estão há mais de cem anos aqui no Brasil, então essa identidade de um bairro japonês não existe mais”.

Por outro lado, Eduardo aponta que na Vila Carrão, na Zona Leste, ainda resta um forte núcleo de atividade nipo-brasileira. O distrito concentra nikkeis da província de Okinawa, um arquipélago situado no extremo sul do Japão. É uma cultura comparável à basca, na Espanha, uma vez que detém dialeto próprio e guarda uma herança geopolítica que a difere das demais províncias japonesas. “É curioso que essa identidade okinawana é, proporcionalmente, mais evidente no Brasil do que no Japão”, demarca o historiador.

Há 114 anos, 793 imigrantes japoneses desembarcaram do navio Kasato Maru, dos quais apenas 131 permaneceram nas fazendas contratantes. Hoje, são mais de 2 milhões de japoneses e nipo-descendentes vivendo no Brasil, sendo a maior população nipônica fora do Japão em todo o mundo. “Se você for aos Estados Unidos, à Europa, América Latina, até na Ásia, quando se fala de Oriente, fala-se China”, denota Eduardo. “O Brasil é o único país que, quando se fala de Oriente, o nome que vem primeiro é Japão”.

Ainda assim, a política de imigração decaiu com as eventuais crises econômicas que afetaram a produção cafeeira e, mais tarde, também sofreu os impactos da Segunda Guerra Mundial. A partir das décadas de 1970-1980, houve alterações na legislação que tornaram o processo imigratório mais restritivo, quando comparado ao início do século, mesmo diante do sucesso de projetos governamentais de assentamento no Cerrado, que se expandiu para a Bahia, Pará, Tocantins e no Sul. “Em algum momento, o Brasil considerou que já tinha gente suficiente para tocar esse país”, afirma Eduardo. “Essa coisa de Brasil ‘país de imigrantes’ é coisa de passado”.

Não obstante, o secretário-geral administrativo da Bunkyo demonstra preocupação com as impressões do mundo sobre a China. Tanto nas questões militares quanto econômicas, e também no que tange ao preconceito intensificado pela pandemia do coronavírus, ele alerta sobre os riscos de associação aos países orientais como um todo. “Até hoje, quando as coisas ficam difíceis, o mundo começa a dividir os seres humanos pela cor da pele”, expõe. “Em 2001, chamaram os ataques às Torres Gêmeas de ‘Pearl Harbor do Século XXI’ e igualaram os pilotos terroristas da Al-Qaeda aos kamikazes japoneses”.

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O uso de novas tecnologias para experiências estéticas cria inúmeras possibilidades de diálogo entre a máquina, o simbólico e o humano.
por
Sophia G. Dolores
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23/09/2022 - 12h

A história das obras interativas começa nos últimos anos da década de 1960, quando os primeiros passos em relação a projetar obras de arte que fossem capazes de reagir em tempo real aos movimentos e sentimentos dos espectadores foram dados. As chamadas ‘exposições imersivas’ começam a se desenvolver como uma vertente da arte contemporânea e moderna, a partir da ideia inicial de levar ao público experiências que poderiam ser classificadas como intensas e polissensoriais, utilizando de diversas projeções de vídeos, luzes, cores, sons e até de essências olfativas, no intuito de envolver e incluir qualquer tipo de visitante por completo.

Não é à toa que essas experiências chamam a atenção do público até os dias de hoje, elas acabam ganhando cada vez mais espaço uma vez que atraem importantes investimentos e grandes artistas interessados na intersecção entre a arte, a tecnologia, e talvez o mais temido, entretenimento.

Foi o caso de Van Gogh, Cândido Portinari, Leonardo da Vinci e outros artistas que, embora não estejam mais no mesmo plano que seus admiradores, foram aclamados pela crítica e por milhares de espectadores que passaram em suas salas todos os dias enquanto a imersão durou. Alguns museus, salas e galerias do Brasil receberam nos últimos anos, instalações de grandes nomes que compõem a arte no cenário nacional e no mundo.

Portinari para todos, Maio de 2022 - Acervo Pessoal
Portinari para todos, Maio de 2022 - Acervo Pessoal

 

 A popularização das exposições imersivas acompanha o aumento geral da visitação de diversos públicos aos museus e demais espaços culturais. No momento em que praticamente tudo que é vivenciado é registrado e postado na internet, a experiência na arte, claro, não poderia ficar de fora. Enquanto esses fragmentos de pinturas tomam conta do espaço expositivo, a arte passa a ser vista também como um plano de fundo para os registros nas redes sociais. Seria esse um raso interesse, de fato, pelo mundo das artes? Luciana Nemes, graduada em Educação Artística e pós-graduada em Museologia pela Universidade de São Paulo e ex docente das disciplinas de Concepção; Planejamento de Exposições; e Montagem de Exposição; Sistema de Ações Museológicas no Centro Universitário Belas Artes acredita que todas as linguagens de hoje são interessantes, cabe aos curadores e expositores dialogarem com a melhor forma de representação sem distorcer a história de cada artista. “As exposições imersivas estão caminhando com a evolução da tecnologia, e é mais uma linguagem que as instituições culturais podem se apropriar para diversificar e atingir todo tipo de público [...] no mundo de hoje, a gente tem que usar isso da melhor forma possível. Por outro lado, a relação com o objeto, com a fatura produzida pelo artista é insubstituível. Quando a gente mescla as duas linguagens, pode ser muito interessante ao visitante, poder dar a oportunidade de chegar mais perto.”

Ainda que o número de visitantes e o montante dos lucros possa crescer, é importante questionar se o contato com a arte é enriquecido na mesma proporção pela busca dessas novas experiências. Se direcionarmos a questão para a absorção do conhecimento nas instituições culturais, e perguntarmos de que modo ela é aprofundada, revigorada ou fortalecida pelas imersivas, o que as pessoas têm aprendido verdadeiramente? Em outras palavras: “ as exposições espetaculares e envolventes estão atraindo grandes multidões, mas estão mudando a experiência dos museus? Estão impactando e tocando os espectadores da forma que os artistas que estão sendo homenageados gostariam de transmitir através de suas obras? 

Luciana, que já atuou diretamente com o público, e hoje coordena a área de Exposições do Museu de Arte Moderna de São Paulo, ressalta que a experiência é um assunto complexo. “Hoje em dia muito se fala sobre ‘qual experiência que eu quero que o público tenha em relação a uma exposição? Qual o meu objetivo?’ Se a gente pensar que essas exposições proporcionam uma experiência com o corpo, pode ser muito interessante sentir a projeção, uma música, um apelo visual, ou mesmo uma fotografia detalhista. Eu não gosto de limitar essas exposições, pois para um público que não têm a prática e vivência de visitar exposições, isso pode ser muito valioso, pode quebrar o estigma que museu é lugar de coisa velha, ou de um lugar que não é para todos [...] o ideal é pensar em como unir todas as linguagens, e se utilizar desses recursos que hoje estão nas nossas mãos.” Já Cauê Alves, curador da mais nova exposição do Museu de Arte Moderna: “Sob as Cinzas, brasa” e também docente do curso de História da Arte da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo acredita que de fato as experiências imersivas estão tocando e mudando a vivência de seus visitantes. “Os museus estão tendo que se reinventar, não só pelas experiências imersivas, acho que a pandemia acelerou esse processo, teve uma mudança enorme na relação digital. Já existia aquelas experiências em 3D, aquelas amostras que poderiam ser vistas pela internet, mas o museu digital sendo uma realidade, é claro como os acervos têm se preocupado em se mostrar visíveis nas redes sociais, a comunicação dos museus se transforma, ou seja, têm impactado as instituições e a relação que o público cria com as obras [...] é inevitável que os museus incentivem que as pessoas postem, fotografem, divulguem. O que a gente fala do antigo boca a boca, hoje em dia são os posts espontâneos. O caminho é apenas uma transformação do analógico para o digital, e mais a concepção de projetos que já nascem e se desenvolvem em meios digitais, claramente transformando não só os museus, mas a arte de uma forma mais ampla.”

As exposições podem carregar diversas linguagens e interpretações. Podem ser “instagramáveis” e servirem para curtidas na rede social, como também podem ser vazias de conteúdo e nada fotogênicas. Estabelecer e entender, principalmente,  que cada era tem a sua linguagem e independente de qual seja, elas conversam entre si, vai muito além da arte. Esse diálogo pode ser a resposta da sociedade que construímos e quais valores foram aprendidos. A arte dialoga com a arte seja ela qual for, e todas as relações e correlações serão possíveis independente da época.

Portinari para todos, Maio de 2022 - Acervo Pessoal
Portinari para todos, Maio de 2022 - Acervo Pessoal

 

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Romance da Netflix retorna com adições no elenco
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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22/09/2022 - 12h

Por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais, a Netflix anunciou que as filmagens da segunda temporada da série “Heartstopper” começaram.

Ainda sem previsão de lançamento, a plataforma anunciou que quatro novos personagens serão incluídos nessa nova fase: Sarah Zahid (Leila Khan), uma estudante; Jack Barton (David Nelson), o irmão mais velho de Nick; James McEwan (Bradley Riches), outro estudante; e Nima Taleghani (Sr. Farouk), professor do Colégio Truham.

Elenco da segunda temporada de “Heartstopper”
Elenco da segunda temporada de “Heartstopper”
Foto: Divulgação/Netflix


O seriado, que entrou em produção no Reino Unido, confirmou o retorno de todo o elenco principal: Joe Locke como Charlie Spring, Kit Connor como Nick Nelson, William Gao como Tao, Yasmin Finney como Elle, Corinna Brown como Tara Jones, Kizzy Edgell como Darcy, Sebastian Croft como Ben Hope, Tobie Donovan como Isaac, Rhea Norwood como Imogen e Jenny Walser como Tori Spring.

A trama, baseada na série de graphic novels da autora Alice Oseman, acompanha os jovens Charlie e Nick, que se conhecem no ensino médio do Colégio Truham. Ao descobrirem que são mais do que apenas amigos, eles encaram uma jornada de autodescoberta, apoiando um ao outro nas dificuldades da vida escolar e amorosa.

A primeira temporada de "Heartstopper", que conta com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes pela crítica especializada, é recebida com muito carinho pelo público. Lançada em 22 de abril de 2022, a obra alcançou o TOP10 em mais de 60 países.
 

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Alexandre Ribeiro, que hoje mora na Alemanha, cresceu na Favela das Torres, em Diadema, e já vendeu um de seus livros para o presidente de Portugal
por
Lucas G. Azevedo
Matheus Marcolino
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22/09/2022 - 12h

“É difícil de explicar pra um alemão que pegar um ‘busão’ lotado ou um metrô lotado pode estragar seu dia”. Para Alexandre Ribeiro, de 24 anos, ainda é difícil abordar algumas diferenças culturais entre o Brasil e a Alemanha, onde vive desde 2019. O escritor paulista, representante da literatura periférica (apesar de rechaçar rótulos), acaba de lançar seu novo livro, “Da Quebrada Pro Mundo”, que traz muito de sua herança como morador da Favela das Torres, em Diadema, região metropolitana de SP. 

Alexandre com o seu livro na Favela das Torres, em Diadema. Divulgação: Da Quebrada Pro Mundo.
Alexandre com o seu livro na Favela das Torres, em Diadema. Divulgação: Da Quebrada Pro Mundo.

Em entrevista concedida à reportagem, Alexandre falou sobre sua carreira e contou um pouco de sua história no mundo da leitura. “Eu não cresci num ambiente onde a leitura foi cultivada. Sou filho de mãe diarista e pai segurança de firma, e não lembro de ter visto meus pais com livros. Mas eles pensavam na nossa educação, e eu não estudei em Diadema. Fui estudar em São Bernardo do Campo, cidade vizinha, e foi lá que eu comecei”, conta.  

“Lembro que li meu primeiro livro, O Menino Maluquinho, anos se passaram, não peguei o gosto pela leitura e isso foi voltar pra mim quando meu ‘coroa’ faleceu. Ele morreu em 2009, infelizmente, por conta da gripe suína, e marcou muito minha história. Eu não lembro do meu pai lendo um livro, mas lembro dele lendo gibis pra gente”, lembra o escritor paulista. Nesse contexto, os livros se perpetuaram na vida de Alexandre também como uma forma de memória: “A leitura veio pra mim como os abraços do pai que eu não tinha, comecei a olhar para trás, lembrar que meu pai me fazia ler e lembrar dele, e comecei a ler cada vez mais; em alguns momentos que eu sentia que tava tudo dando errado e aí a leitura voltou na minha adolescência com outra roupagem”.  

Lançado em julho deste ano, “Da Quebrada Pro Mundo” é o segundo romance de Alexandre Ribeiro - o autor também lançou “Reservado” (2019), vendido diretamente para o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, na Feira do Livro de Porto em 2020. Os dois livros abordam questões sociais, raciais e a vivência dos jovens periféricos, mas a mais recente obra (com prefácio do rapper Emicida) retrata um Brasil futurista, que está “sendo revolucionado por uma vacina contra o vírus do racismo”. 

Momento que Alexandre vende seu livro ao presidente de Portugal. Divulgação: Da Quebrada Pro Mundo.
Momento que Alexandre vende seu livro ao presidente de Portugal. Divulgação: Da Quebrada Pro Mundo.

Apesar de participações em importantes feiras literárias na Europa, em cidades como Porto-POR e Frankfurt-ALE, Alexandre relata dificuldades em encontrar reconhecimento dentro da literatura. “Eu ainda sinto muita dificuldade de ser reconhecido no mundo literário. Existe uma demanda pela literatura de periferia, mas ou ela é olhada como commodity, ou a gente é transformado só na nossa história, só o que a gente viveu, aí a gente não tem qualidade literária; ou ignoram de fato”. “A minha literatura fala tanto de quebrada quanto de voos internacionais, que é o tema do meu livro ‘Da Quebrada pro Mundo’. Eu gosto de falar que eu sou morador de quebrada, escritor de quebrada, mas não sou só isso”. 

A recepção de seu trabalho em solo europeu, no entanto, tem sido agradável, como conta o autor. Para ele, chama atenção o conhecimento internacional do termo “favela”. “Uma coisa que eu enxergo é o fascínio, a palavra ‘favela’ é internacional, se você fala ‘I am from a favela’ as pessoas entendem o que você tá falando. [...] As pessoas sabem o que é uma favela. Não somente sabem, mas tem gente interessada e querendo ouvir quem é da favela”, conta. 

O choque cultural entre Brasil e Alemanha também é um aspecto muito relevante na experiência de Alexandre. “Eu falo muito sobre o valor da vida para um jovem pardo no livro. Esse valor é muito deturpado, e num país onde isso é valorizado (Alemanha), é até difícil de explicar o valor das pequenas coisas. É difícil de explicar pra um alemão que pegar um ‘busão’ lotado pode estragar seu dia. Pouca gente sabe o que é ter medo da polícia aqui. Eles podem ter medo da polícia, mas não têm medo de - como aconteceu comigo quando eu tava escrevendo esse livro - ver a polícia parar a viatura perto da praça e sentir medo de morrer”.

Foto de divulgação do livro "Da Quebrada Pro Mundo". Acervo pessoal.
Foto de divulgação do livro "Da Quebrada Pro Mundo". Acervo pessoal.

Sem se limitar ao rótulo de “escritor de quebrada”, Ribeiro reforça a questão da identificação como jovem periférico e fala sobre se sentir “privilegiado” dentro da favela onde cresceu. “Eu enxerguei que era um ser favelado periférico não na minha favela, e sim quando saí dela, pra trabalhar na Oscar Freire, quando tinha quinze anos. Eu sou muito mais favela quando tô rodeado de playboy. Na quebrada, sou minoria: faço parte de uma elite intelectual lá, um dos moleques que leu Kant e que ‘tá inteirado’ em debates raciais. Como que eu vou debater teoria racial com minha mãe que terminou o ensino médio junto comigo? Eu quero, mas não dá pra negar que tem uma questão”, afirma o escritor. “A leitura na periferia não é vista como direito, então, infelizmente, eu sou mais um desses que usou da leitura como ato revolucionário”.  

Alexandre se vê como uma ferramenta que pode ajudar a "abrir portas” para pessoas periféricas que buscam cultura e conhecimento, assim como ele. Além de seus livros, o escritor paulista lançou também um curso popular de língua inglesa - que carrega o mesmo nome de seu mais recente livro. “A gente começa a ter um outro olhar quando a realidade se parece com a gente, começamos a entender que ela é possível. Quando eu escrevo minhas histórias, com a literatura periférica, com personagens negros, mulheres e LGBTQIA+, e isso reflete também fora da literatura, no mundo real. Fazemos esse trabalho de inglês de forma completamente gratuita pra essas pessoas que tiveram esse acesso negado e pra quem quiser fortalecer, que entende o valor do que a gente faz”, conta o autor, que completa: "O dinheiro não compra o acesso, mas que na verdade ele socializa o sonho” .

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A sensação do pop nacional concorre nas categorias de “Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa” e “Melhor Canção em Língua Portuguesa”
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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21/09/2022 - 12h

2022, um ano e tanto para o Jão. Após colocar todas as músicas do álbum "PIRATA" no top 60 do Spotify Brasil, o cantor recebeu, na manhã desta terça-feira (20), duas nomeações para o Grammy Latino 2022, premiação de grande prestígio no mundo da música.

Com hits como "Idiota", "Coringa" e "Não Te Amo", o álbum "PIRATA" foi indicado para a categoria “Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa”. Composto por onze músicas e mais de 100 milhões de streamings no Spotify, o disco é caracterizado pelo cantor como um projeto sobre amor, sexo, descobertas e despedidas.

Capa do álbum “PIRATA”
Capa do álbum “PIRATA”
Reprodução: Divulgação

Além disso, a faixa "Idiota" foi indicada na categoria “Melhor Canção em Língua Portuguesa”. Em janeiro deste ano, a música, que viralizou na plataforma TikTok, entrou para o Top 50 Viral Global do Spotify, se tornando um sucesso "orgânico".

A música, que é sucesso nas rádios ,tornou-se a melhor colocação da carreira de Jão na parada das mais ouvidas do Spotify Brasil, alcançando a 13ª posição da parada. O videoclipe, que referencia casais famosos do cenário pop, conta com mais de 27 milhões de visualizações.

A 23º edição do Grammy Latino de 2022 acontece no dia 17 de novembro, na Michelob Ultra Arena do Mandalay Bay Resort e Casino, em Las Vegas.

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