No último sábado (19), o rapper Bk celebrou o aniversário de dez anos do disco "Castelos & Ruínas” com um show inédito. O espetáculo marcou a estreia da turnê de mesmo título, e contou com participações de artistas como Marcelo D2, Sain, Marina Sena, Djonga, Evinha, Luccas Carlos, L7NNON, Akira Presidente e Febem.
Pela primeira vez na história, um rapper brasileiro superou o público de outros grandes nomes do hip hop estadunidense, que sempre ocuparam espaços de destaque, como Travis Scott, que reuniu 46 mil pessoas, e Kendrick Lamar, com 32 mil, todos no antigo Allianz Parque.
O show foi dividido em três atos: "A Luz”, “A Sombra” e “Coroação". Durante esse percurso, Abebe Bikila passeou pelas treze faixas do álbum principal da turnê, numa setlist que passou desde os primórdios do Bloco 7 - coletivo do qual fez parte - até os seus últimos álbuns “Icarus” (2022) e "Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer" (2025).
De São Paulo, a turnê parte para Porto Alegre (24/10), seguida por Salvador (19/11), Belo Horizonte (28/11) e Curitiba (19/10), e termina na terra natal do artista, o Rio de Janeiro, no estádio do Maracanã (16/1/27).
O espetáculo "Castelos e Ruínas - 10 Anos" é uma celebração à trajetória do rapper. O álbum aborda temas como a dicotomia entre o desejo do sucesso e o medo do fracasso, a vivência na periferia carioca e outros dilemas da juventude negra, e tornou-se um clássico da nova geração do rap nacional.
Com 760 mil visitantes e cinco dos dez dias com ingressos esgotados, a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo movimentou o mercado literário entre 4 e 13 de setembro. O evento reuniu leitores nos estandes, editoras que registraram aumento no faturamento e títulos que ganharam destaque nas listas de mais vendidos, incluindo obras impulsionadas por adaptações para séries e filmes.
Entre descontos e promoções, compras aumentam na Bienal do Livro
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) registrou nesta edição, um aumento de 57% na média de faturamento dos expositores, comparado a 2024. Nos estandes mais procurados, como os da Rocco, Intrínseca e Companhia das Letras, o tempo também entrava na conta. Durante o primeiro fim de semana, algumas filas chegaram a ultrapassar uma hora, principalmente nos caixas e espaços das grandes editoras. Na edição de 2024, a CBL registrou um ticket médio de R$ 208,14 por visitante, valor que ajuda a dimensionar quanto o leitor costuma gastar durante a feira.
Adaptações atraem novos leitores na Bienal 2026
Um dos destaques da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo foi os estandes de editoras que publicam obras adaptadas para séries e filmes. Lançamentos a partir de produções audiovisuais como Off-Campus e Rivalidade Ardente apareceram entre os mais vendidos divulgados pelas editoras.
O universo de "Rivalidade Ardente" ganhou destaque na Bienal com Jogo a Longo Prazo, continuação da história de amor entre Shane e Ilya. O livro ficou em segundo lugar entre os mais vendidos da Alt e da Globo Livros. A editora também registrou crescimento de 100% nas vendas em relação à Bienal de 2024. Em 2025, a série ganhou uma adaptação produzida pela Crave, no Canadá. Com a repercussão da produção, os direitos de exibição foram adquiridos pela HBO Max, que ampliou o alcance da série. Para parte dos espectadores, o contato com a adaptação também se tornou uma porta para a obra original e despertou o interesse para os livros que deram origem à história.
Com "Off-Campus", o caminho é parecido. A série de Elle Kennedy, conhecida no Brasil como "Amores Improváveis", chegou ao Prime Video em 2026. Na lista da Companhia das Letras, "O Acordo", primeiro livro da série, ficou em nono lugar entre os mais vendidos da Bienal. O box "Amores Improváveis" também apareceu na lista, em sétimo.
Outro exemplo da relação entre literatura e audiovisual é "A Hipótese do Amor", de Ali Hazelwood. Publicado originalmente em 2021, o romance acompanha Olive, uma doutoranda que entra em um relacionamento de mentira com o professor Adam Carlsen. O livro ganhou uma adaptação cinematográfica produzida pela Amazon MGM Studios e lançada em 2026, com Lili Reinhart e Tom Bateman nos papéis principais. A chegada do filme às telas no mesmo ano da Bienal também reforçou a circulação da obra entre leitores e espectadores.
A presença desses títulos no topo das vendas mostra como uma adaptação pode devolver o público às páginas. Quem conhece a história pelo streaming pode procurar os livros para continuar acompanhando os personagens, conhecer acontecimentos que não apareceram na série ou simplesmente descobrir a narrativa em sua versão original.
Ao mesmo tempo, os leitores que já conheciam as obras passaram a acompanhar a adaptação com outro olhar. As diferenças entre livro e série viram assunto nas redes sociais, onde fãs comentam escolhas de elenco, mudanças na história e a maneira como os personagens foram transportados para a tela.
O fenômeno não se restringe às adaptações recentes, na editora Rocco, "Jogos Vorazes", de Suzanne Collins, esteve entre os dez livros mais vendidos da Bienal, ao lado de "Amanhecer na Colheita", novo título da franquia. "Harry Potter e a Pedra Filosofal", de J.K. Rowling, também apareceu entre os destaques da editora. São histórias que já possuem adaptações cinematográficas conhecidas, mas continuam chegando a novos leitores.
"Heartstopper", de Alice Oseman, segue um caminho semelhante. A história, que começou nos quadrinhos, ganhou uma adaptação para a Netflix e ampliou seu público. O sexto volume apareceu entre os livros mais vendidos da Companhia das Letras durante a Bienal.
Entre uma série e um livro, as redes sociais têm papel importante. Depois de assistir a uma produção, o público encontra no TikTok, Instagram e outras plataformas vídeos, resenhas e recomendações sobre a história. O interesse pode crescer ainda mais quando leitores começam a comparar a adaptação com o livro.
O BookTok é um dos espaços cujo movimento ganhou força. Histórias que viralizam podem passar muito rápido de uma plataforma para outra, alcançando pessoas que talvez nunca tivessem procurado aquele título em uma livraria. Esse processo também fortalece os fandoms. O público não apenas assiste ou lê, ele comenta, recomenda e compartilha sua relação com os personagens. A história continua circulando mesmo quando não há um novo episódio ou lançamento.
A diferença é que, atualmente, o caminho até o livro pode começar em qualquer lugar. Um jovem pode descobrir uma história no streaming, procurar vídeos sobre ela nas redes sociais e só então comprar o livro. Outro caminho pode ser conhecer a obra pelas páginas e acompanhar a adaptação depois.
A literatura, não perdeu seu espaço para as telas. Em muitos casos, as telas ajudam a levar o público até ela. As adaptações funcionam como uma ponte entre quem já lê e quem ainda está descobrindo esse universo. Na Bienal, essa relação aparece não apenas nos corredores e estandes, mas também nos números de vendas. O sucesso de títulos ligados a adaptações mostra que uma história pode ganhar uma nova vida quando muda de formato.
Autores nacionais e internacionais disputam lista de mais vendidos da Bienal 2026
Ao final do evento, as principais editoras divulgaram os títulos que fizeram mais sucesso com os leitores. Raphael Montes, publicado pela Companhia das Letras, emplacou nove obras entre os mais vendidos da editora, incluindo as duas primeiras posições com "A Estranha na Cama" (2026) e "Jantar Secreto" (2016). Já no estande da Harper Collins, a autora Kristy Boyce, que esteve presente na Bienal 2026, liderou o ranking com a sua série de romance inspirados no mundo geek, "Dungeons e Drama" (2024), "Dates e Dragons" (2025) e, "Dados e Disputas" (2026).
A Rocco teve toda a lista de mais vendidos com nomes femininos, as primeiras posições ficaram com Ariani Castelo com o seu mais novo livro, "Coração de Cristal Partido" (2026), Ana Jeckel com Kiwi e "Os garotos perdidos" (2026), e Caro Claire Burke com "Bons Tempos" (2026), ainda se destaca Suzanne Collins que fecha a lista dos mais vendidos com os seus livros, "Amanhecer na Colheita" (2025), "Jogos Vorazes" (2008) e o Box de "Jogos Vorazes" (2010). Na Intrínseca, Lynn Painter dominou a lista, emplacando seis títulos na lista de mais vendidos, as primeiras posições ficam com "Patinando no Amor" (2026) e "Melhor do que nos filmes" (2023).
Na editora Alt, o top cinco de livros mais vendidos foram: "Adversária do Vilão" (2026) de Hannah Nicole Maehrer, "Jogo a longo prazo - The long game" (2026) de Rachel Reid, "Diários de uma apotecária" (2026) de Natsu Hyuuga, Box da série "Os Naturais" (2026) de Jennifer Lynn Barnes e "Em rota de colisão" (2024) de Bal Khabra. No Grupo Editorial Record, Colleen Hoover ficou em primeiro lugar com "Verity" (2018), seguida por Carla Madeira, com o seu novo livro "Quando" (2026) e Babi A. Sette com "Meu Mafioso Favorito" (2026).
Ali Hazelwood, autora publicada pela Editora Arqueiro, foi mais uma das autoras que dominou a lista de mais vendidos de uma editora, com "Jogo de Amor para Dois" (2026), "A Hipótese do Amor" (2021) e "Amor, Teoricamente" (2023) nas primeiras posições. Já na Gutemberg, tanto Paula Pimenta quanto Stephanie Garber empataram com ambas colocando três livros cada uma na lista de mais vendidos, sendo os melhores colocados, "A música da minha vida" - volume 1 (2026) e "Era uma vez um coração partido" (2022).
O segundo fim de semana do Rock in Rio reuniu, ao longo de três dias, diferentes estilos musicais e grandes espetáculos nos palcos da Cidade do Rock. A programação teve pop, K-pop e apresentações de grandes artistas nacionais e internacionais.
Sexta-feira
O Stray Kids fez história sendo o primeiro grupo de K-pop a ocupar a posição de headliner no Rock in Rio, no principal palco do festival. O grupo performou músicas de sucesso como “Topline”, “Maniac” e “God’s Menu”, além de faixas do recém-lançado mini-albúm “This & That”. A passagem do grupo contou com banda ao vivo, performances coreografadas e forte interação com o público.
A estreia do K-pop no festival ocorreu com a primeira apresentação do NEXZ no Brasil. Outro momento histórico da noite foi protagonizado por Hwasa, que se tornou a primeira artista solo de K-pop a se apresentar no Palco Mundo. A cantora levou ao público sucessos de sua carreira, incluindo “I Love My Body” e “Maria”.
O dia também contou com o show de Alok, que transformou o palco em um espetáculo tecnológico. Com a apresentação “Keep Art Human”, o DJ brasileiro impressionou o público ao combinar drones, efeitos pirotécnicos e um painel humano formado por dançarinos em coreografias sincronizadas.
Por fim, o cantor Jão realizou um show especial no pavilhão do Itaú, marcando seu retorno aos palcos após uma pausa na carreira. Em uma apresentação intimista, o artista cantou oito músicas e surpreendeu os fãs ao anunciar o lançamento do clipe oficial de “Aurora”.
Sábado
Inaugurando as atrações do Palco Mundo no segundo dia de apresentações do último final de semana do Rock in Rio, Pedro Sampaio fez um show repleto de hits. O DJ estreou o palco principal do festival distribuindo leques customizados com o nome de sua nova turnê “Abraça o Amigo e Pula” e transformou o gramado em uma festa de "leques batendo". “Sequência Cunt”, música que finalizou a apresentação de Pedro Sampaio, contou com a presença de Clementaum, Isma, Vita e Tasha Kaiala e conquistou o público.
J. Balvin pintou novamente o público de amarelo ao fazer uma parceria com Pedro Sampaio e Mellody, trazendo os dois para o palco com a performance de “Jetski”. O colombiano esquentou a multidão com suas músicas de sucesso e suas artes visuais, que foram destaque nos novos leds do palco Mundo. Misturando o Brasil com a Colômbia, J. Balvin fez remixes de “Bum Bum Tam Tam”, “Downtown” e “Bola Rebola”. Suas músicas como “Safari”, “Amarillo” e “In da Getto” em ritmo de reggaeton foram a única apresentação latino-americana que não foi brasileira, no palco principal do Rock in Rio.
O palco Sunset contou com a apresentação dos Gilsons. O grupo, que leva para o palco membros da família Gil, convidou para sua apresentação Olodum e Daniela Mercury e trouxe para o evento a representação da música baiana, do axé e do samba-reggae.
Com músicas e batidas contagiantes, a apresentação dos Gilsons e convidados animou o público, que dançava e cantava junto com os artistas. No final da apresentação, Daniela Mercury transformou o palco em uma roda de samba, e levantou uma bandeira da Estação Primeira de Mangueira, em homenagem ao samba carioca. Além da representação do samba, a cantora trouxe provocações sobre a atual situação da política brasileira; um cavalo preto distribuía dinheiro para o público, em alusão à origem dos fundos do filme “Dark Horse” e estão sendo investigados pela ligação com Daniel Vorcaro, do Banco Master. O longa conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho e atual candidado à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, teve áudios vazados em que pedia verba a Vorcaro.
Também representando a música brasileira, João Gomes e a Orquestra Brasileira, grupo criado especialmente para essa apresentação, transformaram o Sunset em um desfile da cultura nordestina. Reunindo diversas representações do carnaval brasileiro, o pernambucano trouxe para o palco estandartes, O Homem da Meia-Noite, o Boi da Macuca, um grupo de pernas de pau, e bonecos de Olinda de João, Chico Science e Gonzagão. Encantando o público, o brasileiro cantou músicas como “Lembrei de Nós” com a participação de Mestrinho, que também se apresentou no palco Global Village, no mesmo dia de festival. Sucessos como “Mete um Block Nele” e “Filho do Dono” também fizeram parte do espetáculo encantador protagonizado por João Gomes.
No palco Supernova, o destaque foi de Milo J, cantor argentino que trouxe para o público a memória indígena de seu país. Apesar da apresentação em um palco menor do Rock in Rio, Milo J reuniu espectadores ansiosos para seu show. Em seu álbum “La Vida Era Más Corta”, o argentino mistura rap com músicas folclóricas, clássicos latino-americanos e até música popular brasileira.
De volta ao principal palco do festival, com um dos shows mais esperados da noite, Demi Lovato balançou o público com músicas de seu novo álbum “It’s Not That Deep”, iniciando sua apresentação com três novos hits. Apesar da nova “era”, a cantora não deixou de lado antigos sucessos que marcaram uma geração de fãs: “Heart Attack”, “Sorry Not Sorry” e “Give Your Heart a Break” fizeram parte do show e levaram o público ao delírio. “Cool for the Summer”, música de Demi Lovato que destaca a representatividade queer, contou com a participação de Pabllo Vittar, que cantou ao lado da estadunidense. Com esse feat, Demi Lovato encerrou seu show de sucessos globais, contando com grande participação do público.
No fim da noite, no palco Mundo, a banda Maroon 5 deu início ao seu espetáculo com “This Love” e “Stereo Hearts”. Esbanjando presença de palco e carisma, o vocalista Adam Levine interagiu com o público carioca e entregou uma série de músicas marcantes. “Memories”, “Payphone” e “Moves Like Jagger” movimentaram o público que esperava pelo show do grupo. Mesmo com presença recorrente em festivais no Brasil, Maroon 5 reuniu cerca de 100 mil pessoas no Rock in Rio, finalizando a noite no palco principal do festival com uma apresentação clássica e bem planejada.
Com o encerramento da noite no Palco Mundo, o DJ Alok acendeu as luzes da Cidade do Rock no New Dance Order, palco eletrônico do festival. Em seu show “Alok & Family Pres. Rave the World”, Alok, ao lado de seus pais — os DJ’s Ekanta Jake e Swarup —, transformaram o evento em uma rave. Com uma proposta diferente do espetáculo pirotécnico apresentado no dia anterior no festival, o DJ usou o New Dance Order como forma de reconexão com a música eletrônica e a nova geração.
Domingo
No domingo, o Rock in Rio fechou sua edição de 2026 com uma programação marcada pela diversidade musical e pela presença de grandes nomes nacionais e internacionais. A chuva acompanhou parte das apresentações na Cidade do Rock, mas isso não impediu o público de aproveitar muito os shows de artistas como Halsey, Marina Sena, Zara Larsson e Twenty One Pilots.
Ivete Sangalo abriu o Palco Mundo e levou ao festival um repertório com influência de ritmos latinos, além de sucessos que marcaram sua carreira como “Festa”, “Sorte Grande” e “Tempo de Alegria”. A apresentação marcou sua 20° participação no festival, incluindo também edições realizadas fora do Brasil. Apesar da chuva, Ivete conseguiu manter o público animado durante todo o show.
Marina Sena e Céu foram destaque no Palco Sunset. A apresentação aconteceu à noite e combinou músicas e elementos teatrais com elementos de terror, que chamaram a atenção do público. Apesar da dificuldade de circulação na área, ocasionada pela chuva, os fãs aproveitaram o show.
Halsey também foi destaque no Palco Mundo. A cantora fez sua estreia a noite, com um show performático com músicas como “Nightmare”, “Bad at Love” e “Without Me”. A sueca Zara Larsson encerrou o Palco Sunset com os sucessos de sua carreira “Lush Life”, “Never Forget You”, “Ain’t My Fault” e “Midnight Sun”, com uma estética colorida, sua marca registrada. Ela também se apresentou com uma banda formada exclusivamente por mulheres e apesar da chuva e do público reduzido, Zara manteve a energia do espetáculo.
Enquanto isso, os outros palcos do festival mantiveram a programação. O Espaço Favela contou com apresentações de Marvvila, Suel e Dennis. No Supernova se apresentaram Ar Baby, Bruna Black, Sant e Lourena e por fim, o New Dance Order recebeu Illusione, Roddy Lima e John Summit, nomes da música eletrônica.
Twenty One Pilots zerou a programação do Palco Mundo de madrugada. A apresentação teve muita interação com o público e muita chuva. A banda ainda convidou um fã ao palco durante a música “Ride”, uma das mais famosas.
A despedida do festival foi no Pavilhão Itaú, onde É o Tchan realizou uma apresentação surpresa com Beto Jamaica, Compadre Washington e Sheila Mello. O Rock in Rio 2026 reuniu mais de 700 mil pessoas e já confirmou seu retorno para 2028.
Começou na quarta-feira, dia 9 de setembro, a mostra 1976 - 50 anos depois, realizada pela Cinemateca Brasileira, a qual reuniu clássicos do cinema nacional e internacional, além de curtas, para exibição. As sessões acontecem até o dia 20 no local.
A mostra teve sua primeira edição em 2022 , idealizada pelo cineasta Paulo Sacramento em parceria com a Difusão de Filmes da Cinemateca Brasileira. Esta edição contém filmes recém-digitalizados, além de clássicos do cinema. A sessão de abertura foi marcada pelo terror “Carrie, a Estranha”, e os amantes do cinema nacional puderam aproveitar a exibição de Dona Flor e Seus Dois Maridos, que contou com cenas extras e um curta de bastidores da obra.
Entre outros destaques, estão os filmes “Império dos Sentidos”, “Cria Cuervos”, “Taxi Driver”, “Jonas que Terá Vinte e Cinco Anos no Ano 2000” e “King Kong”. Já entre os filmes nacionais, a programação inclui títulos como “Aleluia Gretchen”, “Inferno Carnal” e “Xica da Silva”.
O evento destaca narrativas com o protagonismo feminino e grupos marginalizados, permitindo ao público analisar de forma crítica os valores do passado,dentre muitos que ainda podem ser observados até os dias de hoje.
Na tarde da sexta - feira, uma sessão de curtas destacou narrativas emblemáticas do país sob novos ângulos. O primeiro foi “Rua São Bento, 405” que conta a história do Edifício Martinelli, primeiro arranha-céu de São Paulo, e como eram as vidas de seus moradores, e dos comerciantes ali estabelecidos.
Outro curta exibido na sessão foi “A mulher no cangaço”, que trouxe depoimentos de ex-integrantes do cangaço. Este documentário ilustra o sofrimento, abandono e busca por liberdade enfrentados pelas cangaceiras do sertão nordestino.
A Cinemateca está aberta todos os dias, das 8 às 18h. Localizada na Rua Largo Senador Raul Cardoso 207, na Vila Mariana, a instituição oferece ingressos gratuitos para todas as sessões.
São Paulo recebe uma das maiores exposições dedicadas a Joan Miró (1893–1983) realizadas no país nos últimos anos. Em cartaz no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB FAAP), em Higienópolis, Miró: Mestre das Formas reúne 140 obras originais do artista catalão e apresenta ao público diferentes momentos de uma trajetória marcada pela experimentação e criação de uma linguagem visual própria. A exposição permanece em cartaz até 12 de outubro.
Distribuída por aproximadamente 1.200 metros quadrados, a mostra reúne pinturas, esculturas, gravuras, tapeçarias, fotografias e filmes. Entre as obras selecionadas estão peças inéditas no Brasil. O conjunto reúne trabalhos provenientes de três museus, 14 coleções particulares europeias e da família de Miró.
Com curadoria do espanhol Jordi J. Clavero, a exposição é organizada em cinco núcleos temáticos. Em vez de seguir apenas uma classificação cronológica, o percurso procura apresentar diferentes aspectos da produção de Miró e as transformações de sua linguagem ao longo de mais de seis décadas de carreira. A proposta permite observar como o artista passou por diferentes referências e técnicas sem se limitar às escolas artísticas do período.
Nascido em Barcelona, em 1893, Miró desenvolveu uma linguagem artística marcada por elementos como estrelas, pássaros, figuras humanas, linhas e formas orgânicas. Sua obra esteve próxima de movimentos da arte moderna, especialmente do surrealismo, mas sua produção não se restringiu a uma única corrente. Ao longo de sua carreira, o artista explorou diferentes materiais e maneiras de representar o mundo, aproximando imaginação, sonho e realidade.
Essa liberdade aparece também na forma como as obras são apresentadas na exposição. Ao lado das pinturas e gravuras, o público encontra esculturas e tapeçarias que ampliam a compreensão sobre o processo criativo do artista. Fotografias e filmes ajudam a contextualizar sua trajetória e permitem observar aspectos da produção para além das obras finalizadas.
Miró: Mestre das Formas convida o público a conhecer a maneira particular como o artista compreendia a criação. Em suas obras, figuras e objetos reconhecíveis são transformados em símbolos, linhas e manchas de cor, abrindo espaço para diferentes interpretações. O resultado é uma linguagem visual marcada pela liberdade de formas e pela capacidade de provocar novas leituras, mesmo quando se distancia da representação tradicional.
Para o visitante, a exposição funciona ainda como uma oportunidade de perceber a variedade da produção do artista. A reunião de diferentes técnicas evidencia que sua pesquisa não estava restrita à pintura: gravura, escultura, tapeçaria, fotografia e outras formas de expressão fizeram parte de seu percurso artístico.
Serviço
Exposição: Miró: Mestre das Formas
Local: Museu de Arte Brasileira da FAAP (MAB FAAP)
Endereço: Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo
Período: até 12 de outubro de 2026
Horário: das 9h às 20h
Classificação: livre
Ingressos: de R$ 50 a R$ 60 (inteira) e de R$ 25 a R$ 30 (meia-entrada), conforme o dia da visita.
A mostra ocupa cerca de 1.200 m² e tem duração média de visita de aproximadamente uma hora. O espaço é acessível para pessoas com mobilidade reduzida e conta com recursos de audiodescrição.