Em meio a pandemia da Covid-19 e conflitos incessantes ao redor do mundo, entenda esse grupo e conheça a uma das instituições que lhes presta apoio no Brasil
por
Marina Daquanno Testi e Thayná Alves
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08/12/2020 - 12h

 

 

     

        O número de refugiados no Brasil vem crescendo a cada ano. Só no ano de 2018, segundo a Agência da ONU Para Refugiados (ACNUR) foram relatadas 80 mil solicitações de reconhecimento de condição de refugiado no Brasil. Os grupos de maior número entre as solicitações são os venezuelanos (61.681), que saíram do país devido à crise humanitária, e os haitianos (7.030), cujo fluxo de migração se intensificou após o terremoto que atingiu o país em 2010.  

        A lei brasileira considera refugiado todo indivíduo que está fora de seu país de origem devido a guerras, terremotos, miséria e questões relacionadas a conflitos de raça, religião, perseguição política, entre outros motivos que violam seus direitos humanos. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a vida, liberdade ou integridade física da pessoa corria sério risco no seu país.

        Para que o imigrante seja reconhecido como refugiado, é necessário enviar uma solicitação para o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE). O processo de reconhecimento, que antes era mais burocrático e mais demorado, atualmente é feito no site do Ministério da Justiça, a partir do preenchimento do formulário que pode ser feito ainda no país de origem. Todas as etapas podem ser acompanhadas pela internet, mas para o processo começar a tramitar, o solicitante deverá comparecer pessoalmente a uma unidade da polícia federal. 

        Dentre a população refugiada reconhecida no Brasil, segundo o censo da ACNUR de 2018, a maioria se concentra nas faixas etárias de 30 a 59 anos (41,80%), seguido de pessoas com idade entre 18 a 29 anos (38,58%). Do total, 34% são mulheres e 66% são homens, ressaltando os sírios, os congoleses como nacionalidades em maior quantidade (respectivamente 55% e 21%). 

         Em janeiro de 2020, o Brasil tornou-se o país com maior número de refugiados venezuelanos reconhecidos na América Latina, cerca de 17 mil pessoas se beneficiaram da aplicação facilitada no processo de reconhecimento, segundo a  Agência da ONU para Refugiados. As autoridades brasileiras estimam que cerca de 264 mil venezuelanos vivem atualmente no país. Uma média de 500 venezuelanos continua a atravessar a fronteira com o Brasil todos os dias, principalmente para o estado de Roraima.

         Apesar de em grande quantidade, apenas 215 municípios têm algum tipo de serviço especializado de atenção a essa população. As maiores dificuldades encontradas por pessoas refugiadas são a adaptação com o mercado de trabalho, com o aprendizado do idioma, o preconceito e a xenofobia, educação (muitos possuem diplomas em seus países de origem que não são aceitos aqui no Brasil), moradia e saúde. 

 

Covid-19 e o amparo aos refugiados

 

        Diante de um quadro de crise em escala global, como o que acontece este ano com a pandemia da Covid-19, essa população de migrantes e refugiados, que já se encontram em extrema vulnerabilidade, conta com o apoio de poucas instituições voltadas especialmente para suas necessidades. Este é o caso da Missão Paz, uma instituição filantrópica de apoio e acolhimento a imigrantes e refugiados, com uma das sedes na cidade de São Paulo, como conta o padre Paolo Parise.

        Nascido e criado na Itália, Parise atua desde 2010 na Missão Paz, atualmente como um dos diretores, e explica que esta instituição está ligada a uma congregação da Igreja Católica chamada Scalabrinianos, que atua com imigrantes e refugiados em 34 países do mundo. “Na região do Glicério - município do estado de São Paulo-, a obra se iniciou nos anos 30 e atualmente está presente em Manaus, Rio de Janeiro, Cuiabá, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Foz do Iguaçu, Corumbá e outros lugares.”

        Sua estrutura atual conta com a Casa do Migrante, um abrigo com capacidade de 110 indivíduos que são acolhidos com alimentação, material de higiene pessoal, roupas, aulas de português, acompanhamento de assistentes sociais e apoio psicológico; e o Centro Pastoral e de Mediação dos Migrantes (CPMM) que oferece atendimento e serviços voltados aos imigrantes, quanto aos seguintes temas: documentação e jurídico; trabalho, capacitação e cidadania; saúde; serviço social; família e comunidade. “Além disso, temos a área de pesquisa em parceria com a revista Travessia, que é o Centro de Estudos Migratórios (CEM), uma biblioteca especializada em migração e a WebRadio Migrantes”, completa Pe. Paolo.

Fonte: Site da instituição Missão Paz - Casa do Migrante
Fonte: Site da instituição Missão Paz - Crianças brincam na Casa do Migrante

        De acordo com o diretor, o maior desafio enfrentado pela instituição, durante a pandemia, foi com a saúde dos refugiados, principalmente pela impossibilidade de viver a quarentena isoladamente, já que muitos vivem em ocupações ou em lugares com muitas pessoas concentradas. Ele ainda denunciou que, dentre tantas vítimas da Covid-19 em São Paulo, um dos grupos mais afetados foi o de imigrantes bolivianos, “muitos foram contaminados e muitos morreram”.

        Diante de instabilidades políticas e econômicas, atualmente, sírios e venezuelanos são as principais nacionalidades afetadas que solicitam entrada no país. O que ratifica o Pe. Parise, “Falando pela Missão Paz, se você utiliza o termo ‘refugiados’, o maior grupo neste momento é de venezuelanos, sejam os que foram acolhidos pela missão paz, sejam os que estão entrando no Brasil. E depois encontramos outros grupos como da República Democrática do Congo. Mas se falamos de imigrantes, temos Colombianos, Bolivianos, Paraguaios, Peruanos, Angolanos e de outros países que estão recorrendo ao Brasil.”

        Mesmo com mudanças críticas, no cenário jurídico e político brasileiro, para que esta população seja recebida no país e tenha seus direitos respeitados, ainda não se pode falar em auxílio do governo ou medidas diretas de apoio a refugiados e imigrantes. 

        Paolo relembra a criação de leis que têm beneficiado a população no Brasil. Uma delas é a lei municipal Nº 16.478 de 2016, onde o Prefeito do Município de São Paulo, Fernando Haddad, instituiu a Política Municipal para a População Imigrante que garantia a esses o acesso a direitos sociais e aos serviços públicos, o respeito à diversidade e à interculturalidade, impedia a violação de direitos e fomentava a participação social; e a outra é a lei federal Nº13.445 de 2017, ou a nova Lei de Migração, que substitui o Estatuto do Estrangeiro e define os direitos e deveres do migrante e do visitante, regula a sua entrada e estada no País e estabelece princípios e diretrizes para as políticas públicas para o emigrante.

        A Missão Paz se mantém através de projetos e dinheiro injetado pela congregação da Igreja Católica. “Neste momento, a Missão Paz não recebe apoio financeiro nem do município, nem do estado e nem do Governo Federal”, relata Parise. Durante a pandemia receberam ajuda da sociedade civil, “[A Instituição] Conseguiu muitas doações de pessoas físicas, de instituições, de campanhas, fosse em dinheiro, em cestas básicas ou kits de higiene pessoal”, e com 200 cestas básicas, por mês, da Prefeitura de São Paulo. Também receberam ajuda com testes de COVID em nível municipal. 

         A instituição filantrópica ainda conta com a ajuda de vários parceiros, como explica seu diretor “na área de incidências políticas, por exemplo, nós atuamos com a ONG Conectas Direitos Humanos, temos na área de refugiados um projeto com a ACNUR, estamos preparando outro com a OIM (Organização Internacional para as Migrações) e temos algumas ações com a Cruz Vermelha”. 

        Desde o começo do ano, já atenderam por volta de 7 mil imigrantes e refugiados, e, hoje em dia, tem por volta de 40 pessoas na Casa, o que representa ⅓ da capacidade total. Além disso, entregam de 50 a 60 cestas básicas a refugiados, diariamente, e ao redor de 60 a 70 que vão, por dia, procurar os serviços do CPMM. “Outras ações incluíram a disponibilização de atendimentos online, de aulas de português a atendimentos jurídicos, psicológicos ou serviços sociais, além de ajudar a completar aluguel, água ou luz daqueles que precisam da ajuda da instituiçã”, fala Padre Paolo. 

        Todo esse esforço e dedicação da instituição foi feito, sempre, visando seguir as normas de segurança e as indicações da OMS (Organização Mundial da Saúde). Foram fornecidos a seus funcionários e a população migrante e de refugiados álcool para higienizar as mãos, máscaras e demais equipamentos e serviços de proteção e higiene.

As alternativas encontradas pelas mostras para comportar o público em meio à crise sanitária
por
Carlos Kelm, Fernando Fígaro e Rafaela Reis Serra
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27/11/2020 - 12h

As exposições na capital paulista voltaram em meados de outubro com restrições, após seu fechamento temporário em março. O movimento em alguns locais no coração da cidade ainda é pequeno, no entanto, é uma opção cultural para quem visa o relaxamento, além de aproveitar essa opção de lazer sem grandes problemas com tumulto. Um pouco diferente da movimentada Avenida Paulista, cujo movimento não parece ter cessado.

O projeto Japan House, localizado no começo da avenida, promove o “intercâmbio intelectual entre o Japão e o resto do mundo”, possui outras três unidades em Tóquio, Londres e Los Angeles com sua diferenciada e moderna arquitetura, é uma opção para quem não quer passar muito tempo em uma exposição.

duas exposições: “Japonésia” e “O Fabuloso Universo de Tomo Koizumi”. A primeira consiste em um ensaio fotográfico do japonês Naoki Ishikawa com sua câmera analógica, no qual retrata a cultura japonesa, como a dança tradicional e seus pontos turísticos tal qual o Monte Fuji, reforçando a ideia de que o Japão é um arquipélago com bastante diversidade. São 74 fotos no período de 2009 a 2018. Exposição feita exclusivamente para a instituição.

A outra exposição consiste em uma mostra das vestimentas extravagantes e multicoloridas do mundo fashion feitas pelo designer japonês Tomo Koizumi. São treze peças e algumas feitas especialmente para a Japan House. O designer veste celebridades e expôs suas peças na semana de moda de Nova Iorque de 2019. Para conferir as duas exibições gratuitas, é preciso fazer uma reserva antecipada.

 

Japonésia
A exposição "Japonésia" no Japan House. Foto: Carlos Kelm



Porém, até o fechamento desta reportagem, não foi informado sobre a mudança na frequência do estabelecimento.

Em um dos prédios mais famosos da Paulista, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) há três exposições: “Conexões Urbanas”, “Destinos, o Homem Inventa o Homem” e “Retratos de Mulheres por Mulheres”.

 

A primeira exposição traz ao público obras que representam a vida urbana do século XXI e toda sua diversidade cultural. A parceria de dez artistas, traz manifestações culturais misturadas com elementos cotidianos da cidade, como placas de trânsito e pedaços de ônibus interagindo com grafittis, adesivos, skates, HQs, animes, e outros elementos que expressam a sintonia do caos de uma metrópole. A organização decidiu limitar a interação do público com as instalações móveis, no entanto, não impedem que os frequentadores tenham a experiência interativa, apenas recomendam que se evite diante do risco de infecção.

 

Conexões Urbanas
Visitante interagindo com obras da exposição "Conexões Urbanas" na Fiesp. Foto: Rafaela Reis Serra



Nessa exposição, um dos guias de visitação que trabalha há 5 anos na Fiesp, informou que “tinha mais elementos que distraíam a atenção do detalhe, agora a pessoa acaba focando na imagem do detalhezinho.” Por se tratar de uma mostra multilinguística, as pessoas estão mais atentas aos detalhes e não apenas restritas a interação com as obras.

A exposição de José Roberto Aguilar, “Destinos, o Homem Inventa o Homem”  foi outra que marcou a reabertura do Centro Cultural Fiesp. Em suas pinturas Aguilar reúne personagens da matemática, da filosofia, do meio artístico e outras âncoras da  cultura ocidental com arquétipos carnavalescos criticando as ações do homem e alertando suas consequências.

A última exposição conferida pela a reportagem foi a “Retratos de Mulheres por Mulheres”. Uma coletânea de ensaios feitos por importantes fotógrafas contemporâneas, que traz à tona temas como o empoderamento feminino, corpo, padrões estéticos, feminismo, direitos igualitários. A amostra serve como uma ferramenta importante para um diálogo aberto a todas as mulheres.

Saindo um pouco do circuito da Avenida Paulista e adentrando a região dos jardins, há a exposição “John Lennon em Nova York por Bob Gruen”, no Museu da Imagem e do Som (MIS), o qual foi responsável por grandes exposições, como do Castelo Rá-Tim-Bum e do cineasta Alfred Hitchcock. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site Sympla.

A mostra traz uma série de 130 fotografias tiradas pelo fotógrafo nova-iorquino Bob Gruen na década de 1970, período em que foi amigo íntimo de John Lennon e Yoko Ono. O consagrado fotógrafo já fotografou diversos astros do rock, como Eric Clapton, Led Zeppelin, Jerry Garcia, Patti Smith, David Bowie, Tina Turner, entre outros. Nesta exposição única, podemos conhecer de perto a vida do casal de artistas, desde a sua mudança para Nova York, até a morte de Lennon. 

 

John Lennon
Reprodução da praça Strawberry Fields do Central Park, em homenagem a John Lennon, no MIS. Foto: Carlos Kelm



Logo na entrada, podemos ouvir alguns clássicos solo do músico permeando o ambiente. Somos apresentados a exposição através de breves biografias e algumas fotos de Lennon e Yoko; a música ambiente nos acompanha durante todo o percurso. As fotos são diversas e cobrem muitas ocasiões: aventuras noturnas, passeios pela cidade, entrevistas e momentos de intimidade com o filho. Como Gruen era próximo ao casal, as fotos trazem uma ótica detalhada para quem quer um conhecimento mais completo da trajetória dos dois músicos.

Para a curadora Stephanie Guarido, as exposições continuarão seguindo de forma presencial mesmo depois da pandemia e também terá outra abordagem online, visando novos meios, “existe uma grande dificuldade por parte das instituições de se atualizarem para também atender de maneira eficiente um novo público, que acaba sendo muito mais amplo, já que em qualquer lugar do mundo você pode ver as exposições.”

Para a curadora e um dos guias da Fiesp, é consenso que o público deveria voltar às exposições, pois as medidas de segurança são mais que eficientes, além de existir um controle do número de pessoas e medidas sanitárias para o recebimento dos visitantes.

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Como o veganismo popular pode desalinhar o interesse insólito do capitalismo no movimento.
por
Rafaela Correa de Freitas
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13/11/2020 - 12h

Em pesquisa feita pelo IBOPE em 2018, cresce o número de brasileiros que se declaram veganos, somando 30 milhões no país. Além disso, entre janeiro de 2018 e novembro de 2020, o número de pesquisas pelo termo “vegano” no google, cresceu significativamente com altos picos de interesse ao longo dos 3 anos.

Contudo, o número só é expressivo em regiões como São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o que chama atenção para o pensamento recorrente de que o veganismo não é para todos. Muitos influencers, profissionais e estudiosos vêm tentando desmentir essa afirmação e mostrar o lado acolhedor do movimento, como é o caso de Caroline Soares, estudante de nutrição e moradora de Guarulhos em São Paulo. Em seu Instagram, Caroline conta seu dia a dia como uma mulher vegana, feminista e periférica com receitas e esclarecimentos de dúvidas sobre a alimentação cruelty-free.

 

Nessa foto, Caroline está apontando para sua blusa com desenhos de animais e com a escrita "Não Matarás"
Foto: Instagram @logoeu_veganapobre

Seu despertar começou há 10 anos atrás, quando se perguntou sobre como compactuava com a exploração animal e, então, após uma parada respiratória quase fatal, Caroline decidiu mudar sua vida “Comecei a pensar em como fazer da minha vida algo produtivo, comecei várias mudanças e o veganismo foi uma delas.” Desde então, Caroline luta por um movimento justo e transparente, ainda que as dificuldades pareçam não ter fim.

Apesar de político, o movimento também tem suas ramificações, onde alguns preferem somente deixar o sofrimento animal fora de seus pratos, mas não de seu consumo. Isso aconteceu depois que algumas empresas como Friboi, Sadia e outras passaram a produzir mercadorias veganas, mesmo que sejam empresas condizentes com os grandes impactos ambientais repudiados pelo veganismo.

Esse é um problema que muitos passaram em sua fase de transição, como Caroline “No começo eu acreditava muito em qualquer coisa que me falassem para flexibilizar minha culpa... e de fato eu não queria me aprofundar para não ter o conhecimento”, já outros preferem continuar consumindo mesmo depois de criar consciência sobre a exploração por trás do capitalismo "vegano".

O veganismo alinhado aos valores capitalistas pode ser um perigo para si mesmo e seus adeptos. Quando espalhado por vozes do mercado, a impressão de que o mesmo público e somente ele pode consumir determinado produto (seja pelo preço pedido pela empresa ou inacessibilidade de estabelecimentos equipados com a mercadoria) é facilmente comprada, “O grande problema disso tudo é que os influenciadores que falam sobre veganismo sempre são pessoas brancas, classe média alta. Isso faz com que quem vê de fora, acha que todo movimento vegano é assim, sendo que existem várias pessoas periféricas assim como eu que são veganas e vivem normalmente o dia a dia sem gastar muito”

“Temos a invasão de grandes corporações vendendo produtos ‘veganos’ com preços absurdos, o capitalismo ver o movimento comunista de mercado faz com que vire lucro, isso já aconteceu e faz com que as pessoas vejam alimentos industrializados como a única maneira de se tornarem veganos. A indústria ludibria tanto as pessoas que elas esquecem que arroz e feijão são alimentos veganos.”

Além da sombra do capitalismo pairando sobre o movimento, Caroline conta que para acabar com o preconceito em cima dele depende de um trabalho de base, educando pessoas sobre alimentação real e como a indústria é cruel com os animais. Faz-se necessário uma reeducação alimentar e, segundo ela, não tirar da pauta o veganismo popular e político

 

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A pandemia da Covid-19 ocasionou o fechamento de estabelecimentos, como os cinemas - que foram paralisados no dia 14 de março. Consequentemente a pausa interrompeu lançamentos que estavam previstos para esse ano e também produções cinematográficas.
por
Maria Luiza Oliveira e Giulia Palumbo
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06/11/2020 - 12h

Claramente, 2020 não foi o ano do audiovisual. Com milhares de séries e filmes travados, produtores e distribuidores consideram esse um ano perdido em virtude da pandemia do novo coronavírus. A paralisação teve início em meados de março, mas reabriu dia 10 de outubro. O que não reparou os danos causados ao longo desses meses, pelo contrário, acaba abrindo porta para outros, como por exemplo, uma nova onda da doença. 

Para a indústria cinematográfica, a crise já significou uma perda de 10 bilhões de dólares em bilheterias. Enquanto isso, o sindicato da indústria de entretenimento dos EUA, a Aliança Internacional de Empregados Teatrais (IATSE), relata que até agora 120.000 trabalhadores foram demitidos em Hollywood como resultado da suspensão das atividades. O impacto imediato foi trágico, mas a preocupação também está crescendo em relação ao futuro da produção cinematográfica. À medida que o distanciamento social e o isolamento se tornam a nova norma, será que um negócio construído em torno de uma experiência comunitária consegue sobreviver? 

Dizem que uma nova onda vem por aí, assim como já chegou em outros países como Itália e Portugal, mas segundo André Sturm, diretor do Petra Belas Artes, o novo normal não existe, as coisas já estão como eram antes, “Primeiro que eu não acredito em “nova normalidade”, ela não existe. É só você olhar em volta, você vê as praias lotadas, os bares lotados, os cinemas, os restaurantes lotados. A vida voltou, vai voltar completamente ao normal, com exceção para meia dúzia de pessoas, que enfim, são chatas”, ressalta Sturm. 

Para aqueles que estão no meio de uma produção, a paralisação pode ser ainda pior. Até então, a pandemia interrompeu pelo menos 34 filmes e 144 séries de TV.  Entre os filmes, estão incluídos lançamentos de grande orçamento, como A Pequena Sereia, Matrix 4, Jurassic World 3, The Batman. Essa pausa pode ocasionar um custo de até 350.000 dólares por dia para a Disney, de acordo com o The Hollywood Reporter. Dessa forma, o verdadeiro impacto do encerramento pode não ser sentido por meses.

Aos poucos, as lacunas deixadas na programação tanto nas telonas quanto nas telinhas estão sendo preenchidas, com o retorno das gravações que seguem todos os protocolos de segurança. O produtor e sócio da Kurundo Filmes, Alexandre Petillo afirma que no início da pandemia parou totalmente com seus trabalhos e projetos e só em meados de agosto voltou com suas atividades, mesmo que remotamente: “ficamos durante um mês parados. Tudo que estava em produção ou em pré, parou. Paramos para entender como seriam os próximos passos do mundo cinematográfico. Logo na sequência, os clientes começaram a entender a importância da linguagem do audiovisual e a partir daí, começamos a fazer algumas edições com imagens captadas pelo próprio cliente. Por dois meses isso ajudou de verdade a pagar as contas. ”, ressalta Petillo. Alexandre também aponta que 2020 adiou os dois projetos mais importantes que a produtora tinha em mente, o que não deve ter sido diferente para milhões de produtores espalhados pelo Brasil.

Vida normal às avessas: 

O Estado de São Paulo, além de outros, entrou na fase verde da pandemia, e com isso foi autorizada a reabertura dos cinemas no dia 10 de outubro na capital paulista, porém eles precisam seguir uma série de medidas de segurança, como explica o diretor do Petra Belas Artes, André Sturm: "O comitê de covid do Estado criou um protocolo para o cinema, um tanto rigoroso e o cinema está cumprindo. Os funcionários estão usando máscara, fizemos marcações no chão de distanciamento e pontos de álcool em gel." 

Já as gravações do audiovisual tiveram seu retorno antecipado, porém sob novas regras de segurança, "(...) parei durante 3 meses, mas depois não tive escolha a não ser voltar às atividades, com todos os procedimentos de segurança. ”, é o que fala o diretor e produtor da Agrião Filmes, Lucas Valentim. Com o atraso nas produções e nos lançamentos previstos para 2020 tudo precisou ser realocado e readaptado: “Muitos filmes que iam estrear tiveram adiamento de suas estreias. Tem filmes que foram reprogramados para começar só em 2021. Então você tem aí um estoque de filmes para estrear. ”- afirma Sturm.

Com o isolamento social muitas pessoas começaram a usar serviços de streamings. Segundo pesquisa da Conviva (empresa de inteligência integrada de dados), no mês de março houve um crescimento de 20% na utilização desse recurso. É o caso da jovem estudante, Gabriela Pires (22): “(...) a facilidade de encontrar filmes nessas plataformas aumentou significativamente a quantidade de filmes que eu assisto, contudo não trocaria a experiência de ir ao cinema por nada! ”  Diferente do fotógrafo João Pedro Garcia (21), ele diz que não assistiu muitos filmes online, “a quantidade de filmes que eu assistia diminuiu bastante”, Garcia frequentava o cinema cerca de três vezes ao mês antes da pandemia.   

Além disso, há também quem aproveite a oportunidade para assistir a programação do cinema drive-in. Na opinião de Petillo, essa a prática veio para ficar, uma vez que o retorno dos cinemas será um processo lento. Ao contrário, o diretor do Petra Belas Artes não teme a concorrência: “(..) acho que foi uma solução daquele momento, que você não tinha nenhuma possibilidade de diversão, que estava tudo fechado e o drive-in surgiu. Teve uma mistura de uma coisa de nostalgia e uma curiosidade de conhecer”

Agora, com os cinemas voltando a funcionar, muitas pessoas voltam a frequentá-los, mas Garcia questiona sobre a segurança desse lugar, “(...) é algo que fico muito inseguro ainda, não sinto necessidade, gostaria, mas não agora. Não me sinto seguro, é muito incerto o que estamos vivendo, então prefiro evitar. “ Mas há quem discorda, como Pires: “(...) acredito que no cinema é mais fácil de aplicar as medidas de segurança, é muito mais fácil controlar o número de pessoas do que em um bar, por exemplo. ”

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A criação de apps que possibilitam a publicação de textos online e o advento dos E-books, criam uma geração de autores independes que autopublicam seus trabalhos.
por
Lidiane Domiciano Miotta
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18/09/2020 - 12h

Não é novidade a dificuldade que os autores encontram para publicar livros no mercado editorial brasileiro, principalmente se o escritor não tiver o apoio de uma grande editora, se for pouco conhecido ou novo no mercado. Porém, com o surgimento de apps que possibilitam que qualquer pessoa poste seus trabalhos online e dos E-books que facilitaram a publicação de livros nesse formato, uma nova geração de autores independentes é criada.

Essa nova geração de escritores não precisa de uma editora para ter seus livros publicados, pois eles passam a ter uma maior liberdade, já que o próprio autor passa a ter o poder autopublicar seus trabalhos a qualquer momento na internet por meio dos apps ou no formato de E-books, que demora no máximo 48 horas para aparecer para o público leitor. Porém para esses autores surge uma maior dificuldade para publicar seus trabalhos no formato físico, já que ele mesmo tem que financiar os gastos com a fabricação do livro físico, por isso para muitos desses escritores é uma grande vitória a publicação de seus livros em formato físico.

Segundo a autora independente Aline Santos de 19 anos, que acaba de publicar seu primeiro livro “E eu vos declaro, Aro” nos dois formatos e que está muito animada com essa conquista, todo autor deveria ter a experiência de ter seu livro publicado em formato físico e, assim, ter a oportunidade de poder segurar em suas mãos, já que segundo ela que viveu essa experiência, é indescritível ver o trabalho que você sonhou e trabalhou nele publicado e ter a chance de o tocar.

A dificuldade da publicação de livros físicos faz com que o público desses escritores seja limitado, já que limita que o contato do leitor com a obra seja apenas pela internet, porém também fez com que esses autores alcançassem de forma notória o público das redes sociais, principalmente o público jovem, já que esse é o principal meio de divulgação de suas obras. Muitos desses autores também utilizam grupos e fóruns nas redes sociais que são dedicados a autores independentes e que tem como objetivo dar voz e espaço a todos que querem publicar e apresentar suas obras para o público. Além disso, esses autores têm costume de criar parcerias entre eles, pois todos eles sabem da dificuldade de conseguir alcançar um maior número de leitores sem o marketing que uma editora poderia fornecer.

Apesar da dificuldade de alcançar leitores, a relação desses autores e seus leitores acaba ficando mais próxima, com as redes sociais os leitores acabam acompanhado todo o processo de criação e publicação do autor e acabam entrando em diálogo direto com o ele, criando assim uma maior liberdade de interação entre as duas partes. Além disso muitos apps que são usados por esses autores tem mecanismo que dão ao leitor a possibilidade de comentar os textos, deixando assim suas opiniões e interações para o autor ler e até mesmo responder a esses comentários.

Sendo assim, ser um autor independente significa que recai sobre ele todo o trabalho para a publicação e marketing do seu livro, isso é, ele que tem que planejar, escrever, revisar, editar e pensar a melhor estratégia de marketing que se encaixe com seu livro e com o seu público leitor.

Apesar de toda a dificuldade e trabalho que ser um autor independente significa, é uma jornada muito única e prazerosa e que traz para os autores uma maior liberdade criativa, maior direito sobre suas obras e maiores royalties que esses autores não teriam caso fossem contratados por uma editora. Em sua maioria, esses autores optam por autopublicar suas obras por terem sido rejeitados por editoras, principalmente por estarem no começo de suas carreiras.

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Carnaval de São Paulo passa por uma dura crise provocada pela pandemia, entrevistei pessoas ligadas ao carnaval em diversas áreas para saber a melhor solução que estão encontrando para sobreviver
por
Lucas Malagone
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18/09/2020 - 12h

 

Carnaval de São Paulo passa por uma dura crise provocada pela pandemia, entrevistei pessoas ligadas ao carnaval em diversas áreas para saber a melhor solução que estão encontrando para sobreviver

A pandemia do Coronavirus impactou diversas áreas da sociedade e da economia brasileira, mas nenhuma outra foi tão afetada como a cultural, uma área que já vem sofrendo diversos ataques pelo atual governo com diversos cortes de verbas. Mas uma em especifico vem sofrendo mais nessa pandemia é o carnaval nossa maior festa popular brasileira que no ultimo ano movimentou de acordo com dados da prefeitura de São Paulo cerca de 15 milhões de pessoas na cidade com um faturamento próximo da casa de 2,3 bilhão de reais. A grande atração principal é o desfile das escolas de samba que acontece todo ano no Sambódromo do Anhembi.

Apesar das dificuldades a LIGA  que organiza os desfiles junto ao atual prefeito da cidade Bruno Covas preferiram invés de cancelar a festa preferiam adiar a festa para o meio de 2021 em coletiva dada no dia 22 de julho Estamos definindo ou final de maio ou começo de julho. "Estamos definindo tanto com os blocos quanto com as escolas e com as outras cidades a nova data que deve se dar a partir de maio do ano que vem. Muito dificilmente ocorrerá em junho porque coincide com os festivais de São João no Nordeste. Estamos definindo ou final de maio, ou começo de junho para realização do carnaval na cidade de São Paulo", afirmou Covas.Ele ainda ressaltou que essa previsão pode ser revista mais pra frente “É claro que essa data (maio ou julho) pode ser revista lá pra frente, da mesma forma que aconteceu com a Marcha para Jesus e a Parada LGBTQI+, que passaram os eventos para novembro e agora estão ou cancelando ou revendo o modelo do evento. Não há a menor dúvida que, de repente, lá na frente, seja preciso uma nova avaliação. Estamos tentando dar é a maior previsibilidade possível para as pessoas e, neste momento, não há como garantir nada em fevereiro, razão pela qual resolvemos adiar

Covas ainda afirmou que esta conversando constantemente com prefeitos de outras cidades do estado e do pais sobre essa decisão “Estamos definindo isso em conversa com outras cidades, pra que a gente possa fazer esse movimento em conjunto. E também estamos conversando com as escolas de samba e com os blocos. Segurança ninguém pode dar com o que vai acontecer mês que vem e é exatamente pela falta de segurança que adiamos os preparativos para a realização em fevereiro. Adiar o carnaval e os preparativos para fevereiro do ano que vem é ter tranquilidade em relação a como estaríamos em algumas semanas, que é quando as escolas começariam seus ensaios, que reúnem 2, 3 mil pessoas em um espaço fechado”

O presidente da LIGA Sidnei Carriuolo disse que a medida precisou ser tomada para garantir tempo hábil para as escolas se preparem para os desfiles, porem garantiu um carnaval totalmente diferente do que estamos habituados “Carnaval nos mesmos moldes de costume é impossível, já pensamos em adaptações. O que toma muito tempo e suporte financeiro é o preparo de fantasia e alegoria", afirmou. Sidnei também afirmou que a LIGA seguira tudo que for determinado pelas autoridades sanitarias“Nós estamos defendendo muito o posicionamento da Prefeitura, estamos indo muito em cima daquilo que os órgãos governamentais colocam pra gente. Não vamos fazer nada fora daquilo que seja determinado pelas autoridades”

Alguns presidentes de Escolas como Luciana Silva da Tom Maior se mostraram favoráveis a decisão ressaltando a importância de pensar em quem trabalha no dia a dia da escola “Nós participamos dessa mudança de data e ela mudança se deu pela necessidade do momento, onde a prioridade é preservar vidas. Mas em paralelo a isso, não podemos ignorar que o profissional do carnaval precisa sobreviver. Com isso fomos trabalhando em conjunto com a prefeitura, para assim determinar uma nova data”, disse Luciana, em entrevista publicada no site da escola. 

O carnavalesco da escola Tom Maior, Flavio Campello também se pronunciou como a crise vem afetando a rotina da escola e do carnaval  “Enquanto isso, seguimos no desenvolvimento do projeto. Vamos pensar num cronograma onde possamos pelo menos deixarmos pilotos das fantasias prontos, projeto de alegorias engatilhados”, explicou o artista. “Assim que tivermos o start quanto a data do desfile e informações sobre o aporte que cada escola terá, darmos sequência ao trabalho de barracão e reprodução dessas fantasias”

A presidente da escola Mocidade Alegre Solange Bichara também se posicionou sobre o adiamento “A gente tem que entender que a construção do desfile é uma coisa, o desfile é outra. Para construir, para trabalhar no barracão e dar andamento aos processos, nós não necessitamos de aglomeração. Podemos todos trabalhar com máscaras, luvas, utilizar o álcool em gel e respeitar as normas. E a gente consegue empregar as pessoas que são profissionais do Carnaval, que necessitam desse trabalho para sobreviver”, explicou Solange.

Ensaios como esse não são possíveis no momento as escolas tiveram que achar outros caminhos ( FOTO: Reprodução)
Ensaios como esses realizados na Mancha Verde não serão possíveis, as escolas tiveram que se reinventar (FOTO: Escola Mancha Verde)

Mesmo com o carnaval garantido as escolas de samba tem toda um ciclo que funciona o ano todo gerando receitas, empregos e eventos culturais para colocar a festa na rua todo ano em fevereiro, como eventos em suas quadras que deixaram de acontecer, eram importantes fontes de renda extra. Agora as escolas tem sua rotina comprometida e todo esse sistema comprometido. Para Saber mais o que se passa entrevistei três pessoas ligadas ao dia a dia das escolas de São Paulo

Juliana Eyko Yamamoto tem 22 anos é porta- bandeira e já trabalhou na Unidos de Vila Maria atualmente trabalha como reporter e produtora do site especializado em carnaval o Carnavalize; Dean Fábio Gomes tem 30 anos é pesquisador acadêmico e ligado a escola Vai-Vai; Carlos Costa tem 28 anos é harmonia de mestre sala e porta bandeira pela Unidos do Vale Encantado além de produtor do programa Carnaval Show. Nessas entrevistas eles mostram diversas perspectivas do que esta acontecendo no âmbito do carnaval e das escolas de samba nesse período, confira:

Como a crise do Coronavírus atrapalhou o seu trabalho no carnaval? Qual foi a solução que foi encontrada para enfrentar essa dificuldade ?

Juliana: Por ser porta-bandeira, esse ano estava me organizando para fazer cursos e aulas particulares. Porém, com a pandemia os cursos presenciais foram adiados e meus planos também. Para não ficar parada, comecei a treinar em casa e também iniciei um curso de mestre-sala e porta-bandeira totalmente online. Mesmo sendo à distância, é uma forma de adquirir conhecimento e não ficar parada durante esses tempos difíceis.

Dean : Alterou toda a rotina da Escola, problemas que ela já passavam se intensificaram. As medidas foram o contato com a comunidade por meio de lives é uma aproximação maior via digital com os setores da Escola buscando unir esforços para a crise da pandemia

Carlos: A crise atrapalhou meu desenvolvimento como harmonia e coordenador de Mestre Sala e Porta Bandeira. A solução foi investir em vídeos online e na produção do Carnaval Show.

Você conhece alguém que perdeu seu trabalho no carnaval por conta da Pandemia? por qual motivo?

Juliana: Não conheço, mas sei que muitas pessoas que trabalham em barracões e ateliês de fantasias vem sofrendo muito com a pandemia. Perderam seus empregos ou tiveram seus salários diminuídos drasticamente. Grande parte desses vivem do carnaval, é sua principal fonte de renda e não tem outra opção.

Dean: Vários. Costureiras principalmente. Prestadores de serviço em geral

Carlos: Ainda não conheci nenhum profissional prejudicado, mas sei que principalmente o pessoal dos ateliês encarregados por fantasias e do barracão responsáveis pelas alegorias estão sofrendo com a crise.

Quais foram a saídas que o carnaval encontrou para manter empregos e o planejamento com a crise? 

Juliana: Infelizmente eu vejo que as escolas de samba não estão procurando formas para manter os empregos dos seus funcionários e muito menos como lidar com a crise. Já vem de anos que as agremiações precisam se reinventar e buscar novas formas de adquirir recursos para driblar possíveis crises como essa e não ficarem a mercê apenas do governo. No Rio de Janeiro, as escolas dependem muito da subvenção para colocar seus desfiles na rua. E várias já cortaram metade dos quadros de funcionários e não parecem se mexer à procura de soluções para criar um “caixa” e manter os salários dos atuais empregados. Já em São Paulo, a escola que vejo que está se mexendo para conseguir novas formas de arrecadar recursos é a Dragões da Real com sua lojinha online e os seus ensaios drive-in. Pode ser pouco, mas é a escola mais “ativa” da cidade e conseguindo gerar renda mesmo em época de pandemia. As agremiações precisam se reinventar em tempos de crises, são patrimônios culturais do país e faz parte da nossa identidade; é preciso procurar novas formas de se sustentar.

Dean: Penso que optar pelo essencial para manter a comunidade vinculado com a Escola seja por lives encontro virtual , para evitar assim uma debandada dos membros sobretudo dos mais jovens .

Carlos: Acho que a forma foi ajudar e incentivar a comunidade através dos trabalhos sociais que ficaram ainda mais importantes nesses tempos de crise, é uma forma também de aproximar a escola com seu povo já que temos no momento uma rotina de eventos e ensaios praticamente inexistente.

Você acredita que deveríamos ter o carnaval com uma vacina mesmo que seja fora de época ano que vem? Qual o modelo ideal para realizar os desfiles dado as dificuldades financeiras encontradas pela pandemia? 

Juliana: Deveríamos ter carnaval ano que vem sim caso surja a vacina, mesmo fora de época. Antes de mais nada, o carnaval é resistência. O carnaval é uma festa popular brasileira, faz parte da nossa cultura e da nossa identidade, não podemos deixar passar em branco. Além disso, muitas pessoas trabalham com o carnaval e vivem dessa festa que gera milhões de empregos diretos e indiretos. Ter um carnaval mesmo que fora de época e menor porte, é gerar empregos para essas pessoas, é fazer a economia girar. Ao meu ver, os desfiles só devem acontecer depois da vacina. Com isso, acredito que os desfiles serão com uma quantidade menor de carros e um número também menor de componentes. O importante é a festa acontecer, mesmo que os foliões desfilem apenas de blusa e calça. Carnaval é representatividade, é patrimônio e não podemos deixar passar.

Dean: Sem Vacina sem Carnaval! Penso que se não houver vacina as Escolas devem buscar algum evento alternativo com o intuito de apenas celebrar mesmo que seja a distância para manter a tradição viva ! Em relação aos recursos se tivermos vacina e ele for realizado penso Maio uma boa data , que seja um desfile menor por conta dos recursos .

Carlos: Não, pois atrapalharia todo o projeto para 2022. O que deveria ser feito são desfiles simbólicos, reforçando que quando tudo voltar ao normal, a festa vai crescer ainda mais.

 

 

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Sem poder realizar debates e exibições presenciais, eventos para cinéfilos tem maior adesão na realização à distância.
por
Pedro Kono
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18/09/2020 - 12h

Em meio à pandemia, festivais de cinema do Brasil contabilizam seus maiores números de público entre todas as edições. A marca se deve à adequação ao formato online com o intuito de respeitar o isolamento social.

 

Daniel Diaz (27), coordenador geral do Festival Ecrã, que presencialmente acontecia no Rio de Janeiro, relata que, se a edição física de 2019 teve um público de cerca de 2 mil pessoas, a digital deste ano atingiu um número que superou a marca de 20 mil usuários e 49 países. ‘‘Tínhamos uma expectativa de multiplicar o público do ano passado, talvez um pouco mais por ser online, mas foi muito além do que a gente imaginava’’.

 

Além da popularidade, Diaz conta que as plataformas digitais ‘‘abriram portas e possibilidades que, na verdade, eram muito óbvias’’. Identificado como um festival que extrapola o cinema e possui experimentações mais livres que envolvem o audiovisual, o Ecrã aproveitou a oportunidade para explorar meios de exibições mais criativos. Dois exemplos são os filmes ‘‘Nelson’’, de Matheus Strelow, obra de 13 minutos filmada com uma webcam que foi expandida para uma instalação de 24 horas em uma plataforma digital, e ‘‘E Eu Vivi Minhas Fantasias’’, de Naama Freedman, que foi exibido na ferramenta de transmissão ao vivo da rede social Instagram.

 

‘‘O que nós não imaginávamos era sair da esfera de São Paulo e entrar para a esfera do Brasil.’’, diz Ricardo Albuquerque (22), social media do Kinoforum, associação responsável por realizar o Festival Internacional de Curtas-Metragens de SP. Confirmado no formato digital em Junho, o festival aconteceu no mês de Agosto e, segundo Albuquerque, conseguiu extrapolar seu nicho e alcançar um público maior.

 

Albuquerque também conta que a interação entre os espectadores, realizadores e pessoas do meio do audiovisual, um dos principais atrativos de um festival de cinema, aconteceu na edição não presencial deste ano. Além do elevado engajamento pelas redes sociais, a instituição realizava happy hours via plataforma digital Zoom após as sessões, juntando entusiastas e cineastas para um bate-papo mais descontraído. Os já tradicionais bate-papos e mesas redondas com diretores e elenco, antes e depois da exibição de seus filmes, também foram adaptados para o formato à distância. ‘‘Alguns realizadores me falaram que até preferem que esses debates continuem via online’’, conta Diaz.

 

Questionado sobre a possibilidade de uma edição online em um mundo pós-pandemia, Albuquerque responde que ‘‘essa é a pergunta que todos os festivais de cinema estão fazendo agora...precisaríamos de um desenho de produção totalmente novo, mas é uma questão’’. A resposta positiva à edição deste ano não levantou a questão apenas para o Kinoforum, na medida em que Diaz relata que pretende utilizar novamente as possibilidades de um evento à distância para futuras edições do Ecrã: ‘’Nós não pensamos mais a edição online deste ano como uma coisa pontual.’’. Diaz também conta que a equipe do festival está realizando uma coleta de dados para talvez idealizar uma edição mista entre o presencial e o online no futuro.

 

Financeiramente, os festivais cortaram os custos de equipamentos e locomoção de seus realizadores. Preservando, como sempre, a entrada gratuita, e se mantendo com o pagamento das inscrições e a ajuda de parceiros, as instituições não sofreram grandes prejuízos.

 

Apesar de acontecerem online, ambos os festivais realizaram projetos que ocuparam espaços físicos. O Festival de Curtas contou com um cinema drive-in e o projeto ‘‘A Cidade é Uma Tela’’, caracterizado pela exibição de curtas-metragens na parede de um prédio situado na Vila Buarque. O Festival Ecrã também projetou filmes em paredes e prédios para o público de algumas regiões do Rio de Janeiro. Diaz conta que fez a curadoria destas obras e que buscou exibir filmes que se adequassem ao formato, priorizando curtas sem áudio.

 

No Brasil, os cinemas já foram reabertos em algumas cidades selecionadas. O Festival De Volta Para o Cinema teve início no começo de Setembro e conta com a exibição de blockbusters americanos consagrados, como ‘‘Vingadores’’, ‘‘Star Wars’’ e ‘‘Harry Potter’’. Perguntado se a realização presencial deste festival tão próximo da edição deste ano do Ecrã tenha resultado em algum desconforto, Diaz respondeu que ‘‘nem estava sabendo da existência (do festival)...particularmente, não acho que é o momento, mas talvez eles tenham uma estrutura para cumprir com as recomendações de higiene.’’. Albuquerque também nega qualquer tipo de repercussão no Kinoforum e acredita que são eventos para públicos diferentes.

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Críticos e estudiosos do cinema visualizam um cenário de maior acesso a filmes que estão longe do grande circuito comercial
por
Gabriel Iquegami
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03/07/2020 - 12h

Cássio Starling Carlos, crítico cinematográfico do jornal ‘Folha de São Paulo’, acredita que o cinema independente pode ganhar uma maior audiência por meio da ascensão das plataformas de streaming – também chamadas de VoD. “Festivais menores vão incluir um novo público que antes [da pandemia da Covid-19] limitava-se ao acesso presencial”, diz Starling Carlos.

Filmes que se restringiam a um circuito comercial de baixa visibilidade, ganharam um novo destaque com a sua migração ao VoD. Com isso, os limites geográficos que determinavam o acesso de tais obras já não existem, fazendo com que elas alcancem um público muito maior. “Festivais secundários podem tirar mais proveito, tive a possibilidade de assistir a um pequeno festival italiano que há anos tinha interesse”.

Antes da pandemia, o blockbuster chegava a ocupar tamanho espaço na grade horária que os filmes independes acabavam sendo limitados. Já sobre o atual momento, o crítico afirmou “todos agora estão, de certo modo, no mesmo nível”. Portanto, com a migração ao streaming – ainda que os filmes de apelo popular tenham o maior destaque – a película menos comercial tem mais chance de ser notada.

Carol Moreira, youtuber e apresentadora, ressaltou a possibilidade de descobertas quanto ao cinema estrangeiro por meio do VoD, filmes considerados de um nicho muito específico. “Existem ótimos exemplos de séries de outros países que, em outro contexto, nunca veríamos no Brasil e isso serve também para que vários filmes, que chegam ao alcance do público com muito mais facilidade”, disse Moreira.

Além disso, a apresentadora ainda ressaltou a possibilidade do streaming receber uma maior aceitação após a pandemia por parte de um público mais tradicional e pouco familiarizado com as tecnologias. “Até o Oscar teve que ceder, liberando filmes que estrearam nada mais nas plataformas”, referiu Moreira ao comentar a mudança feita pela Academia, que antes só aceitava filmes com um tempo mínimo de exibição nas salas de cinema.

Quanto ao futuro da indústria cinematográfica, tanto Starling Carlos quanto Moreira dizem que irá se confirmar algo já esperado, a consolidação do streaming e o surgimento de novas plataformas.

Imagem do acervo pessoal de Carol Moreira
Imagem: Acervo Pessoal

Já o professor de multimeios da PUC-SP, Mauro Peron, conta detalhes sobre suas descobertas na pandemia. “A pouco tempo atrás o festival de documentários ‘É Tudo Verdade’, abriu sua plataforma. Ele dificilmente chegaria ao grande público sem o auxílio da internet”, disse o professor, referindo-se, também, questão de filmes de nicho ganharem mais destaque.

Ademais, Peron aborda a questão sobre o fechamento das salas de cinema, ele explica que esse cenário pode se manter por muito tempo. Tais locais acabaram se tornando um ambiente propício à propagação do vírus e mesmo quando a pandemia termine, ele acredita que demorará muito para a ocupação das salas com a mesma frequência de antes.

Ainda assim, os três cinéfilos entrevistados compartilham da visão de que a experiência de ir ao cinema físico é incomparável, ressaltando o fato de que a imersão ao ver um filme em casa é diferente das telonas. “Há uma mística no imaginário daqueles que frequentam o cinema físico. A experiência na tela grande é algo que não se reproduz no ambiente doméstico”, disse Peron.

(Foto: Acervo Pessoal)
Imagem: Acervo Pessoal

Saindo do ambiente acadêmico e conhecendo a opinião do público apreciador de cinema, Pedro Ghiotto, estudante de direito, disse concordar com a ideia de Peron. “Quando você está na sala de cinema a experiência é algo totalmente diferente, o ambiente é mais imersivo. Já em casa temos muitas distrações”. Além disso, o futuro advogado acrescentou “é diferente assistir algo pela tela do celular, você capta muito menos os detalhes”.

Por fim, Ghiotto confirmou aquilo que se espera dos cinéfilos. “Eu vou continuar indo ao cinema mesmo depois da pandemia, mesmo que demore um pouco”, declarou o estudante ao valorizar o ato tradicional de se assistir a um filme.

Quanto as plataformas que Ghiotto consome, ele relata ser é cliente da Netflix e Amazon Prime. Também comenta ter tido grande proveito no seu consumo cultural durante sua quarentena, uma vez que se tornou um consumidor mais assíduo por estar sempre em casa. “Assisti muitos filmes e séries, isso ajuda não só a passar o tempo, mas também a ampliar meu conhecimento de mundo”.

Imagem do acervo pessoal dde Ghiotto
Imagem: Acervo Pessoal
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Grupos organizados do Corinthians vão à Avenida Paulista para se manifestar contra autoritarismo
por
João Carlos Ambra de Oliveira
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01/07/2020 - 12h

         

           No dia 9 de maio integrantes da torcida organizada Gaviões da Fiel foram à Avenida Paulista defender a democracia. Torcedores do Corinthians impediram uma outra manifestação que ocorreria no mesmo local em apoio ao governo do Presidente Jair Bolsonaro.

          De acordo com o site Meu Timão, a concentração foi por volta de 13h30 tendo como maioria moradores da zona norte de São Paulo, assim como membros da organizada Gaviões da Fiel. Já os apoiadores do presidente não apareceram, concretizando o objetivo dos manifestantes.

          "Estávamos lá, como torcedores brasileiros, que avaliam o momento e têm a história da Democracia Corinthiana como diretriz. É o mesmo grupo que tem se reunido para entregar marmitex e cestas básicas”, disse Danilo Pássaro, um dos líderes da manifestação ao site Meu Timão.

          Já no dia 31 de maio o grupo voltou a se encontrar, porém desta vez com a participantes de outras torcidas da cidade, para nova manifestação contra o fascismo, ocorreu também na mesma data e local ato em prol do presidente. 

          Estiveram presentes grupos como: Coletivo Democracia Corintiana, Gaviões da Fiel e as palmeirenses Porcomunas e Palestra Antifascista . “O futebol é o que une as pessoas nesse país, não poderia ser diferente em um momento como esse”, disse Wagner de Souza, torcedor do palmeiras e integrante da torcida Palestra Antifascista, à reportagem do jornal Folha de S.Paulo. 

          Por volta das 14:00 na Avenida Paulista, altura da Br. Luiz Antônio, houve concentração de bolsonaristas vestidos com camisetas da Seleção Brasileira de Futebol, já em frente ao MASP os antifascistas se agrupavam de maneira pacífica, quando uma manifestante bolsonarista portando um taco de beisebol, provocou os rivais, causando conforto entre os grupos. A Polícia Militar interveio com violência contra os que se manifestavam a favor a democracia, não agindo da mesma maneira com o outro grupo.

          Os torcedores do alvinegro paulista marcaram presença também na manifestação domingo (7), em ato antifascista que aconteceu no Largo da Batata zona sul de São Paulo que foi o principal evento entre os três citados.

          Segundo Lucas Toth Neves Bezerra, 28 anos, membro da torcida Gaviões da Fiel e estudante de jornalismo da PUC-SP, os torcedores estavam se sentido incomodados com atitudes que boslonaristas vinham tendo em seguidas manifestações como agredir e intimidar enfermeiras e profissionais da saúde

“ A Gaviões de fora acham  que é todo mundo comunista, anarquista... Mas não é nada disso, enfim houve um consenso do que estava acontecendo era errado os bolsonaristas tentando agredir enfermeira, intimidando enfermeira, intimidando profissionais da saúde, a partir daquele  momento muitos ali pensaram: “Não, tá errado, esses caras indo pra rua, estamos quietos aqui e precisamos fazer uma demonstração de força.”

         O aluno de jornalismo participou de uma das reuniões que foram responsáveis por organizar os atos a favor da democracia.

“Na reunião que eu participei, pra segunda manifestação, que foi a que teve o episódio do taco de baseball, a reunião foi na quarta-feira (27) antes do ato, estávamos em umas 15 pessoas e ficou decidido que teríamos dois objetivos. O primeiro era incentivar e motivar os movimentos democráticos a voltar às ruas e um segundo objetivo era constranger e mostrar aos bolsonaristas e aqueles que estão pedindo a volta dos militares e o fim do STF por exemplo uma intimidação.”

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Experimentação, novos formatos e lives são os recursos utilizados pelos profissionais da cultura para se manter durante a quarentena.
por
Carlos E. Kelm
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26/06/2020 - 12h
Marietta posa para foto
Marietta. Foto: Raquel Vital

Artistas recorrem à experimentação para se adaptar à pandemia. As políticas de distanciamento social inviabilizaram shows e espetáculos, interrompendo a principal fonte de renda destes profissionais.

“A gente trabalha com aglomerações”, comenta Marietta, que teve o lançamento do seu novo álbum “Analógica” adiado. “O retorno estava totalmente apoiado nas ações voltadas pros shows, que ainda são a maior fonte de renda da música”

A cantora trabalhava no projeto há três anos e chegou a lançar o primeiro single “Analógica” em janeiro. Mãe solteira, revelou que a rotina tem sido difícil: “Eu tenho uma filha pequena e, sem a creche, meu trabalho tá muito grande”

Marietta está produzindo uma série de vídeos caseiros intitulada “Videobilhetes” para o seu canal no IGTV e planeja lançar mais um single ainda na quarentena: “Este momento está forçando tanto artistas quanto outros profissionais a pensar alternativas”, conclui.

A cantora revelou que planeja fazer uma live, mas lembra: “A live não substitui o show. A qualidade técnica ainda não chegou num patamar que possa garantir a integridade do trabalho”

“Já era difícil antes”, declara ao falar sobre a situação da cultura no país, “A princípio houve uma grande morte do setor”. No entanto, a cantora é otimista quanto à comunidade artística: “Acredito que a gente vai conseguir se organizar e trazer medidas práticas que possam reduzir os danos”

 

Foto de André Grecco
André Grecco. Foto: Acervo pessoal.

 

A comédia “A Banheira”, na qual ator e diretor de teatro André Grecco atua há dois anos foi suspensa, assim como o seu monologo “A Dama da Noite”, que entraria em cartaz na Biblioteca Mário de Andrade.

Sem as bilheterias, Grecco, que também é professor, ministra aulas remotas para se manter. “Estamos entre artistas que tinham uma reserva financeira e estão vivendo com ela, artistas que, como eu, dão aula e estão dando aulas de maneira remota, e artistas que estão dependendo de fundos levantados por colegas ou de ações do governo para poder sobreviver”

Grecco pretende aderir às plataformas virtuais e planeja realizar uma montagem que será apresentada remotamente, tendo parte de sua casa como cenário. “Eu acho que esses novos formatos podem ser muito interessantes, pode ser um momento de muitas descobertas na relação entre arte e tecnologia”, comenta o ator. No entanto, não acredita que o teatro físico possa ser substituído: “Acho que teatro é o ‘pessoalmente’ não só o ‘ao vivo’”

O ator também critica a falta de preocupação do Governo Federal com a cultura: “A cultura sempre esteve em último lugar, eles querem que ela sirva à religião deles e à ideologia deles”

Para Grecco, a cultura desempenha papel importante na Saúde Pública: “Se não tivesse nenhum tipo de arte agora, cinema, séries, as lives, a saúde psicológica do povo não estaria pior?”

O ator revela que artistas e técnicos das artes cênicas estão se mobilizando para pressionar os órgãos públicos: “Estamos lutando para que, através do Fundo Nacional da Cultura, façam alguma coisa por nós, para que os teatros que não estão tendo como se sustentar possam sobreviver a essa crise”

“A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, na figura Hugo Possolo está lutando, e agora conseguiram apressar os editais para que recebamos pelo menos uma parte do dinheiro e consigamos produzir ainda esse ano”, comenta Grecco.

Comedia "A Banheira". Escrita por Gugu Keller.
Comédia "A Banheira". Direção: Alexandre Reinecke

Foi aprovada no dia 4 de junho, a lei de auxilio emergencial à Cultura, por unanimidade no Senado. O projeto visa direcionar R$ 3 bilhões à classe artística. Para ser aplicada, a lei ainda deve passar pela sanção presidencial; caberá ao Presidente da República, Jair Bolsonaro, a sua aprovação ou veto.

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