Octávio Paz, poeta e pensador mexicano. nasceu na Cidade do México, Começou a escrever desde a adolescência, convivendo com as maiores expressões da poesia hispânica. No capítulo III do livro O Labirinto da solidão, ele expressa a festa como grito entalado na garganta, descarrego da alma, aquilo que está escondido e precisa ser achado.
Festa cujo significado é, reunião de pessoas com fins recreativos, acompanhada de música, dança, bebidas e comidas. Ele ressalta a importância de festejar, tudo é pretexto para interromper o tempo, isso é como um luxo, substituto para o teatro, as férias, quando deixamos de ser “normal” aos olhos da sociedade e passamos a ser, quem realmente somos.
No livro ele mostra como o povo Mexicano importa-se com o celebrar, “o país inteiro reza, grita, come, embriaga-se e mata, em honra à Virgem de Guadalupe ou ao general Zaragoza. Todo ano, no dia 15 de setembro às onze horas da noite, em todas as praças do México, celebramos a Festa do Grito”. Cada momento é vivido como se fosse o último.
No decorrer do capítulo, veremos como a sociedade incomodasse com o festejar, assim até os dias de hoje. Como exemplo, o carnaval, a festa da carne é alvo de opiniões que tentam limitá-lo. Somos seres em construção, descobrindo-se a cada dia. Ele deixa claro no livro: o humano quando está em festa, sai de si mesmo, transforma-se. Na festa podemos ser quem queremos, sem restrição.
A relação entre brincadeira e cultura no jogo da vida, revela-se que o ato de brincar constitui um dos principais meios pelos quais o indivíduo se estrutura enquanto ser social. Tendo como fundamento Fundamentado no desenvolvimento da criança, ajudando a explorar o mundo e expressar emoções, também estimulando além de estimular habilidades cognitivas, motoras e socioeconômica socioemocionais.
Quando transpostas para vida adulta, certas brincadeiras da infância assumem contornos simbólicos que preparam o sujeito para a convivência em sociedade, como a dança das cadeiras: inicialmente divertida e engraçada inicialmente é divertido, dar boas risadas, mas a partir do momento que passa a ter regras, na qual o último que sobrar é o grande vencedor, tornando-se uma competição.
Ao colocamos colocarmos essa brincadeira aparentemente inofensiva no âmbito social, observamos suas manifestações em diversas esferas da vida cotidiana. A disputa por assento no transporte público, por exemplo, pode ser compreendida como uma manifestação desse mesmo princípio competitivo, evidenciando como o chamado "jogo da vida".
Sob uma perspectiva cultural, a dança das cadeiras encontra paralelos em manifestações artísticas. Nas quadrilhas juninas, o último da fila não tem o brilho desejado, mas contempla integralmente o espetáculo. No teatro é a mesma coisa, o ator a que se apresentar por último, experiencia vivencia a obra de um lugar discreto, assumindo temporariamente a posição de espectador privilegiado no interior da cena.
As parlendas representam pequenos versos rimados, de tradição oral e folclórica, utilizadas para acompanhar brincadeiras, jogos infantis. Embora muitas vezes pareçam não ter sentido lógico, elas funcionam como contos com moral ao ensinar regras sociais, estimular a imaginação e facilitar a memorização através do ritmo.
A história das parlendas é rica e variada: carrega marcas do nosso passado coletivo e da diversidade cultural do nosso povo. As parlendas perdem-se no tempo, com raízes que remontam a civilizações antigas; apresentam um caráter universal, estando presentes em diversas culturas ao redor do mundo, cada uma com suas peculiaridades.
No Brasil, as parlendas se tornaram parte integrantes do folclore, trazidas pelos colonizadores portugueses e com a incorporação de
elementos das culturas indígenas e africana. Elas evoluíram ao longo do tempo, sofrendo adaptações e mudanças, mas sempre mantendo a sua essência de expressar a sabedoria popular de maneira envolvente.
As parlendas desempenham um papel vital na manutenção e preservação da cultura e das tradições. São veículos de transmissão da sabedoria popular, valores, crenças e costumes de um povo. Por meio das parlendas, crianças e adultos se conectam com as raízes culturais, mantendo vivas as tradições que foram transmitidas ao longo de gerações.
Elas também têm uma função linguística relevante. As parlendas nos ajudam a entender a evolução da língua, pois muitas delas preservam formas antigas de falar e expressões que já caíram em desuso. Além disso, contribuem para o desenvolvimento linguístico das crianças.
As parlendas são aliadas no processo de aprendizagem. Com suas rimas cativantes e repetições, facilitam a memorização e a compreensão de diversos conceitos. Por exemplo, algumas parlendas são usadas para ensinar os números e as cores. A musicalidade presente nas parlendas também é um fator importante. Através das parlendas, as crianças são apresentadas à riqueza rítmica da língua portuguesa, o que contribui para o desenvolvimento de habilidades auditivas e de fala. É importante ressaltar o relevante papel de socialização das parlendas, pois muitas delas fazem parte de brincadeiras em grupo, promovendo a interação e a cooperação.
Exemplos:
“Enganei o bobo/ Na casca do ovo”
Moral: Uma expressão usada para falar sobre alguém que foi enganado facilmente, servindo como um alerta para ficar atento.
“João corta o pão / Maria mexe o angu / Teresa põe a mesa / Para a festa do tatú”
Moral: O trabalho em equipe e a cooperação facilitam a realização das tarefas
Os mitos surgem a partir da capacidade inventiva da imaginação do Homo Sapiens de criar o que não existe no mundo natural, impulsionada, pelas angústias existenciais provocadas pela autoconsciência da finitude do tempo. As narrativas místicas são, a resposta da imaginação e da razão para elementos desconhecidos e ameaçadores do mundo.
Como forma de pensamento o mito é considerado fundamental, pois foi a primeira tentativa de encontrar sentido no mundo.
Durante centenas de anos, especialmente na Grécia, o mito era a forma dominante de conhecimento antes de ser superado pela razão. Embora a filosofia e a ciência tenham surgido posteriormente, o mito não foi necessariamente superado por elas. Assim reforça o fato de o mito ser uma forma de pensamento, um fato vivo que acompanha os povos ao longo de sua existência.
O mito é conhecido como um produto de uma concepção mais ampla, faz parte da cultura de uma sociedade. A transição do mito para a filosofia ocorreu quando as explicações consideradas sobrenaturais deixaram de ser suficientes e a razão passou a buscar causas naturais e lógicas como fundamento. É importante salientar que o mito foi fundamental para que os seres humanos organizassem a realidade, sendo a base cultural para o surgimento de novas formas de pensamento.
Os primeiros mitos nasceram na época Paleolítica, produto da imaginação dos povos caçadores, e desde seus desenvolvimentos iniciais não apenas recorrer a conhecimentos sobrenaturais, mas conectar-se ao mundo real. O mito assim uma conexão entre o sagrado (aquilo que transcende o mundo natural) e o profano (aquilo que faz parte da vida cotidiana).
Armstrong (2006) propõe em sua análise da história do mito que há uma progressiva mudança em como o ser humano sente e se relaciona com os mitos, desde o tempo dos caçadores até o da constituição das cidades e da vida urbana. Segundo ela, há um distanciamento na conexão entre o sagrado e o profano, tornando-se o mito cada vez mais abstrato e afastado do cotidiano. Esse afastamento, no entanto, não
significava a exclusão dos mitos da vida do homem. Pelo contrário, a importância dos mitos permanece no mundo contemporâneo. A necessidade humana por eles é empiricamente confirmada pelo impacto e alcance das narrativas míticas das grandes religiões nos tempos atuais, além da contínua influência que os mitos ancestrais exercem no campo da criação artística.
No mundo contemporâneo podemos relacionar o mito às ideologias, que age como uma narrativa que naturaliza as relações sociais, legitima modelos de conduta e constrói um sentido para o mundo, frequentemente servindo a interesses e disfarçando contradições sociais. O mito atua como um sistema de crenças que justifica uma realidade. Os mitos funcionam como ideologia ao oferecer modelos exemplares de regras de comportamento, moldando a ação humana e social. Transformam os fatos históricos ou sociais em verdade eternas e inquestionáveis, disfarçando os interesses políticos que os sustentam. Em resumo diferente da filosofia que busca a razão, o mito utiliza a narrativa e a fé para convencer, operando de forma similar a uma ideologia que molda a visão do mundo. Na política contemporânea, figuras ou ideais são transformados em "mitos" para simplificar a realidade e gerar coesão, funcionando como um exemplo de mito ideológico.
Como exemplo da importância do mito temos a história da fundação de Roma que narra que os gêmeos Rômulo e Remo, filhos do deus Marte e da mortal Reia Sílvia, foram abandonados às margens do rio Tibre. Salvos e amamentados por uma loba, chamada Luperce, foram criados por pastores. Rômulo matou Remo após uma disputa territorial, tornando-se o primeiro rei.
Lançado no início da década passada, “A Rede Social”, dirigido por David Fincher e roteirizado por Aaron Sorkin, estabeleceu-se não apenas como a cinebiografia da criação do Facebook, mais como a certidão de nascimento da nossa atual era hiperconectada. O longa equilibra com maestria o drama de tribunal e a tragédia moderna, construindo uma narrativa que, longe de ser apenas sobre códigos de programação e negócios milionários, foca nas falhas humanas que impulsionaram a revolução digital.
O grande trunfo do filme reside no diálogo afiado e no ritmo quase musical imposto por Sorkin. Logo na cena de abertura, o espectador é bombardeado pela metralhadora verbal de Mark Zuckerberg, interpretado por Jesse Eisenberg, em um bar com sua namorada, Erica Albright, interpretada por Rooney Mara. Fincher utiliza planos fechados e cortes rápidos para sufocar a dinâmica do casal, deixando evidente que a genialidade intelectual de Mark é diretamente proporcional à sua ignorância em relação a empatia e comunicação afetiva. Demonstrando a contradição do homem que criou a maior ferramenta de socialização do mundo sendo incapaz de manter uma conversa mundana, servindo como um aspecto psicológico que move toda a narrativa.
Ao estruturar o roteiro através de depoimentos de processos judiciais cruzados, o filme recusa a dar ao espectador uma "verdade absoluta", preferindo explorar as diferentes perspectivas da traição. De um lado, temos o idealismo traído de Eduardo Saverin, interpretado por Andrew Garfield, o único amigo real de Mark. Do outro, o glamour tóxico e sedutor de Sean Parker, interpretado por Justin Timberlake, o criador da plataforma de músicas Napster, que enxerga o potencial do Facebook de uma perspectiva predatória. Através dessas interações, o filme oferece uma leitura profunda sobre o capitalismo de vigilância: a rede social não nasceu do desejo de unir as pessoas, mas sim do ressentimento, do elitismo e da necessidade adolescente de validação e pertencimento.
Depois de mais de quinze anos de seu lançamento, “A Rede Social” importa hoje ainda mais do que em 2010. Pois a obra ainda provoca uma reflexão profunda sobre como trocamos a profundidade das relações humanas pela superficialidade dos likes e das métricas de engajamento. No melancólico plano final, onde vemos um bilionário solitário atualizando obsessivamente uma página de perfil à espera de um sinal de aceitação virtual, Fincher entrega um espelho incômodo da nossa própria sociedade. É um filme que um cinéfilo crítico respeita pelo rigor formal e que o espectador comum compreende pelo impacto direto em seu próprio cotidiano digital.