Criação do Best Asian Pop Music Performance mostra a disputa por reconhecimento e questiona os critérios de uma indústria ainda marcada pelo Ocidente.
por
Gabriela Dias
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03/09/2026 - 12h

A criação da categoria “Best Asian Pop Music Performance” para o Grammy de 2027 trouxe uma discussão sobre até que ponto é “aceitável” separar artistas pela sua origem cultural. Pode ser uma forma de inclusão, mas também pode reforçar uma divisão dentro da indústria. O debate se intensificou por estar em um cenário historicamente marcado pelos Estados Unidos como principal referência da música pop.

Anunciada pela Recording Academy em junho de 2026, a nova categoria foi apresentada como uma resposta ao crescimento da música asiática no cenário internacional. Poderão concorrer músicas pop originárias ou reconhecidas nos mercados asiáticos, incluindo K-pop, T-pop, J-pop e C-pop. Para participar, as produções precisam utilizar de forma significativa pelo menos uma língua asiática. Segundo a organização, a intenção é ampliar o reconhecimento de artistas que vêm conquistando espaço fora de seus países de origem.

Para Mariana Pacheco, especialista em cultura coreana e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, a criação da categoria precisa ser vista dentro de uma transformação maior na indústria do entretenimento. Ela entende que o crescimento do K-pop faz parte de um processo de “despolarização” da indústria cultural, que começa a deixar de ter apenas Estados Unidos e Europa como centros de produção e consumo. “Não estamos mais consumindo só a cultura ocidental, só a norte-americana e a europeia. A cultura asiática está despontando e tomando um lugar que foi criado pelos norte-americanos”, afirma.

A discussão fica ainda mais clara quando se olha para a relação do K-pop com o próprio Grammy. Apesar de ter conquistado uma enorme audiência internacional, nenhum artista de K-pop havia vencido individualmente um Grammy até 2026. O BTS, por exemplo, recebeu indicações em diferentes categorias, mas nunca levou o prêmio. Em 2026, “Golden”, da animação KPop Demon Hunters, tornou-se a primeira produção de K-pop a conquistar um Grammy, na categoria de música escrita para mídia visual. O reconhecimento, porém, não foi entregue diretamente a um artista de K-pop.

K-pop como soft power

O crescimento do K-pop também ajuda a entender como a cultura pode ser usada para aumentar a influência de um país. O chamado soft power, conceito relacionado à capacidade de conquistar espaço internacional por meio da cultura e da atração, sem depender apenas de força econômica ou política.

A Coreia do Sul é um dos principais exemplos desse fenômeno. A chamada Hallyu, ou “onda coreana”, levou música, cinema, séries, gastronomia e outros produtos culturais sul-coreanos para diferentes partes do mundo. O K-pop, em especial, tornou-se um dos principais motores dessa expansão. Para Mariana, o BTS é um dos principais representantes desse processo. Segundo ela, o grupo “representa a Coreia, representa a imagem do país, constrói valor para o país, constrói uma comunicação internacional”.

Dados do governo sul-coreano mostram o tamanho desse mercado. Apenas no primeiro semestre de 2026, as exportações de álbuns de K-pop movimentaram US$ 257,48 milhões, um aumento de 125% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Serviço Alfandegário da Coreia. América do Norte, Europa e América Latina estão entre as regiões que acompanham esse crescimento.

[Capa do álbum “Arirang” do grupo sul-coreano BTS / Reprodução/ Redes Sociais @bts.bighitofficial ]
[Capa do álbum “Arirang” do grupo sul-coreano BTS / Reprodução/ Spotify ]

Para Camila Monteiro, jornalista da UOL e pesquisadora na University Of Huddersfield e especialista em K-pop, o papel do BTS nesse processo vai muito além das músicas. Segundo ela, o grupo ajudou a transformar o interesse pelo K-pop em um interesse mais amplo pela cultura sul-coreana. “A importância do BTS não é só para entender o K-pop no mercado internacional, mas entender a expansão da Hallyu”, explica. Para ela, o sucesso do grupo também ajudou a aproximar o público internacional de dramas, maquiagem, skincare e outros produtos culturais da Coreia do Sul.

Essa expansão também é reconhecida pelo governo sul-coreano. Em 2025, o Ministério das Relações Exteriores discutiu estratégias de diplomacia cultural envolvendo K-pop, audiovisual, artes e gastronomia. Na mesma época, o governo afirmou que pretendia fortalecer a posição da Coreia do Sul como potência cultural global.

O crescimento do gênero, portanto, não representa apenas o sucesso de um estilo musical. Ele também revela uma mudança no fluxo da influência cultural. Durante décadas, os Estados Unidos e outros países ocidentais estiveram no centro da produção e exportação de grandes fenômenos da música pop. Para Pacheco, esse cenário mudou. Ela lembra que, nas décadas de 1990 e 2000, grupos como Backstreet Boys e Spice Girls alcançaram grande visibilidade internacional, enquanto hoje os Estados Unidos enfrentam dificuldades para lançar novos artistas com o mesmo alcance. “Faz muito tempo que os americanos não vendem um artista novo, de grande visibilidade. Faz muito tempo que os Estados Unidos não alcançam essa visibilidade”, afirma.

Um dos principais exemplos dessa força é o próprio retorno do BTS. O álbum “ARIRANG” ultrapassou 100 milhões de reproduções no primeiro dia e vendeu cerca de 4 milhões de cópias em 24 horas. A turnê mundial, com apresentações em mais de 23 países e mais de 80 shows, também registrou forte procura, com ingressos esgotados poucas horas depois da abertura das vendas, uma demanda global reprimida após anos de hiato. O grupo mantém presença dominante em rankings internacionais, premiações e festivais e no espetáculo da final da Copa do Mundo de 2026.

O que significa ser “asiático” no Grammy?

Para Camila Monteiro, essa divisão não é algo novo na história do Grammy. “Tudo que não é norte-americano e branco, eles colocam em caixas, em categorias que geralmente não são as categorias principais”, afirma. Na avaliação da pesquisadora, a categoria pode acabar funcionando como uma maneira de manter artistas asiáticos afastados das principais disputas da premiação.

Ela também questiona a decisão de colocar diferentes mercados dentro de uma mesma categoria. “É bizarro que eles querem botar J-pop, C-pop, como se não fossem países distintos, músicas distintas, e colocam tudo no mesmo balaio”, afirma.

A discussão também envolve outros artistas que conseguiram ultrapassar barreiras linguísticas. Em 2026, o álbum em espanhol de Bad Bunny venceu Álbum do Ano, enquanto “Golden” conquistou o primeiro Grammy relacionado diretamente ao K-pop. Os resultados mostram que o público já não está limitado a um único idioma ou mercado.

Em 29 de julho, os sete integrantes do BTS anunciaram que não submeteriam suas músicas ao Grammy de 2027. Em uma publicação conjunta nas redes sociais, o grupo afirmou que espera que sua música seja reconhecida pelo que é, sem ser dividida de acordo com região ou idioma.

[Postagem realizada no perfil dos integrantes do grupo "Decidimos não submeter nosso trabalho para o Grammy Awards deste ano. Esperamos que a música seja reconhecida e amada pelo que é, em vez de ser dividida por região ou idioma. Obrigado, como sempre, ao ARMY e a todos que nos apoiam.” / Reprodução/ Redes Sociais]
Postagens realizadas nos sete perfis dos integrantes do grupo: "Decidimos não submeter nosso trabalho para o Grammy Awards deste ano. Esperamos que a música seja reconhecida e amada pelo que é, em vez de ser dividida por região ou idioma. Obrigado, como sempre, ao ARMY e a todos que nos apoiam.” Reprodução/ Instagram

A decisão chamou atenção principalmente pelo momento da carreira do grupo. Depois de um período de pausa para o cumprimento do serviço militar obrigatório na Coreia do Sul, o BTS voltou em 2026 com “ARIRANG”, que apresentou forte desempenho comercial. O boicote aconteceu, justamente quando o grupo tinha condições de disputar espaço em diferentes categorias.

Para Mariana Pacheco, a decisão não deve ser vista apenas como uma reação às derrotas anteriores do grupo. Na avaliação dela, o BTS chegou a um ponto em que não precisa mais do Grammy para provar seu tamanho. “O BTS já percebeu o tamanho deles. Eles não precisam do Grammy”, afirma.

Ela também entende a escolha como uma disputa de poder. O grupo saberia que sua ausência teria impacto sobre a própria premiação. “Não foi uma birra porque eles não ganham o prêmio. Eles não precisam mais disso. Eles sabiam que isso ia causar impacto, porque eles sabem que conseguem impactar”, explica.

O CEO do Grammy, Harvey Mason Jr., lamentou a decisão do BTS, mas afirmou compreender e respeitar a escolha do grupo. Segundo ele, a categoria Asian Pop foi criada para destacar a diversidade e o crescimento da música asiática. Mason Jr. também explicou que a participação na nova categoria não impede os artistas de concorrerem a prêmios como “Record of the Year”, “Album of the Year” e “Song of the Year”.

Segundo Mariana, existe uma diferença entre poder concorrer formalmente e realmente conseguir espaço nessas categorias. “Você está excluindo os artistas dessas outras categorias”, afirma. Segundo ela, a existência de uma categoria específica pode influenciar a percepção dos votantes e dificultar que artistas asiáticos sejam considerados para outras premiações.

A criação de uma categoria específica para artistas asiáticos também pode atrapalhar a presença desses artistas nas demais disputas do Grammy. Embora o CEO da premiação tenha afirmado que a nova categoria não impede a participação em outras, Mariana Pacheco avalia que a divisão pode criar uma barreira. “A gente sabe que, na prática, vai ser muito difícil uma banda estar em duas categorias. E com certeza vai ficar mais difícil estar nessas categorias listadas por ele. Você não precisa estar nas outras”, afirma. Para a especialista, a criação de um espaço exclusivo pode acabar fazendo com que esses artistas sejam direcionados para ele, em vez de disputarem as principais categorias da premiação.

O inglês ainda é uma exigência?

Ao mesmo tempo em que artistas asiáticos usam de elementos da indústria musical global, eles continuam sendo identificados pela origem. O K-pop pode ser cantado em inglês e  ocupar os principais rankings e alcançar milhões de pessoas, mas ainda assim vão ser classificados como uma produção “asiática”.

Para Camila Monteiro, o inglês continua sendo um fator importante para quem busca espaço na indústria musical internacional. “A língua sempre vai ser um fator, porque quem cria esses prêmios, todos esses prêmios que a gente considera grandes, eles são norte-americanos”, explica.

O próprio BTS passou a utilizar o inglês em algumas das principais músicas da carreira. “Dynamite”, lançado integralmente em inglês em 2020, foi um dos maiores sucessos internacionais do grupo e ajudou a ampliar sua presença no mercado norte-americano. Para Camila, essa escolha também tem uma explicação de mercado: cantar em inglês facilita a circulação das músicas em determinados espaços.

Segundo levantamento do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul, o K-pop foi responsável pela maior parcela da cobertura relacionada à Hallyu nas diferentes regiões analisadas entre 2024 e 2025. Na América Latina, por exemplo, o gênero representou 38,1% da cobertura sobre a onda coreana analisada pelo estudo.

O alcance do BTS também mostra essa mudança. Uma transmissão ao vivo da Netflix realizada em parceria com o retorno do grupo chegou a cerca de 18,4 milhões de espectadores simultâneos, número superior à audiência recente do Grammy, que chegou a 14,4 milhões.

[BTS em show transmitido em parceria com a Netflix em março de 2026 / Reprodução: Redes Sociais/ Netflix ]
BTS em show transmitido em parceria com a Netflix em março de 2026 / Reprodução: Netflix

A trajetória do BTS no Grammy

A relação do BTS com o Grammy ajuda a entender por que a decisão de 2026 ganhou tanta repercussão. Em 2021, o grupo se tornou o primeiro artista sul-coreano indicado à premiação. Naquele ano, “Dynamite” concorreu a Best Pop Duo/Group Performance, marcando uma conquista inédita para o K-pop dentro da principal premiação da indústria musical norte-americana.

Em 2022, o grupo voltou a ser indicado na mesma categoria, desta vez com “Butter”. No ano seguinte, ampliou sua presença na premiação. “My Universe”, parceria com o Coldplay, concorreu novamente a Best Pop Duo/Group Performance, enquanto Music of the Spheres, álbum do Coldplay que inclui a faixa, foi indicado a “Album of the Year”. “Yet to Come” também apareceu entre os indicados a “Best Music Video”.

Apesar das muitas indicações, o BTS nunca venceu um Grammy. A trajetória do grupo mostra que, mesmo com o avanço do K-pop na indústria musical internacional, transformar popularidade em reconhecimento nas principais categorias ainda é um desafio.

Camila aponta, o Grammy continua tendo um peso importante para artistas que estão tentando se estabelecer fora da Ásia. “Ter um Grammy ainda é uma coisa relevante”, afirma. Mesmo que o BTS tenha chegado a um ponto em que não dependa da premiação, outros grupos ainda podem enxergar uma indicação ou uma vitória como uma oportunidade importante de reconhecimento.

Reconhecimento ou separação?

No caso do K-pop, mesmo depois de alcançar uma audiência global, artistas asiáticos ainda podem ser identificados primeiro pela origem, pelo idioma ou pela nacionalidade. A criação de uma categoria específica pode representar uma forma de reconhecimento, mas também corre o risco de reforçar a ideia de que esses artistas pertencem a um segmento separado da indústria.

Segundo Mariana Pacheco, o crescimento da Hallyu também pode gerar novos estereótipos sobre a Ásia. “Os americanos não conseguem ver a posição de pop ser perdida por eles que criaram o pop. Isso também alimenta preconceitos, xenofobia e orientalismos”, afirma. Para ela, o problema não está apenas na forma como os artistas asiáticos são classificados, mas também no desconforto provocado pela perda de espaço da indústria norte-americana.

E essa questão também envolve a forma como o público consome música. Mesmo com o crescimento das plataformas digitais, o idioma ainda influencia a circulação de uma música e o alcance que ela pode ter. O próprio BTS passou a incorporar cada vez mais o inglês em suas produções, principalmente em faixas voltadas ao público internacional como em seu single “Swim”. Para Pacheco, essa presença maior do inglês nas músicas do grupo também mostra como artistas asiáticos ainda precisam dialogar com uma indústria em que o idioma é uma das principais portas de entrada para o mercado global. Ao mesmo tempo, o BTS mostra que músicas em coreano também podem alcançar públicos muito além da Ásia.

Camila Monteiro acredita que o crescimento do gênero mostra justamente que o centro da música pop já não está concentrado em um único país. Para ela, o BTS se tornou uma das maiores forças da música produzida nas últimas décadas e ultrapassou a ideia de que seu impacto seria apenas um fenômeno sul-coreano.

O Grammy deixou de ser apenas uma premiação musical e passou a funcionar também como um espaço de disputa simbólica. Quem recebe uma categoria própria? Quem consegue concorrer aos principais prêmios? Quais culturas são vistas como parte do centro da indústria e quais continuam sendo classificadas como segmentos específicos?

O BTS mostrou que sua visibilidade não significa igualdade. Uma cultura pode conquistar espaço, alcançar milhões de pessoas e movimentar uma indústria inteira e, ainda assim, continuar sendo tratada como estrangeira.

Para Mariana, os Estados Unidos já não têm o mesmo poder de definir sozinhos aquilo que será considerado universal na música. “Não tem mais esse poder. É uma coisa que eles não admitem, eles não querem admitir”, afirma. O Grammy pode ter criado uma nova porta de entrada para artistas asiáticos. Mas a reação do BTS trouxe uma questão ainda mais importante, ser reconhecido como asiático não é suficiente quando o objetivo é ser reconhecido simplesmente como artista.

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Em sua 37ª edição, o festival reúne curta metragens do Brasil e do mundo para prestigiar o cinema independente
por
Renata Lopes
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03/09/2026 - 12h

 

Começou na quinta-feira, dia 20 de agosto, a 37ª edição do Festival Kinoforum, que reúne curtas metragens do Brasil e do mundo. O evento foi até o dia 30 na capital paulista.

Essa edição marca um novo ciclo para o evento, que mantém vivo o legado construído nessas quatro décadas, e renova  seu compromisso com o futuro do audiovisual. A inspiração para a programação deste ano vem do olhar dos pássaros: “É uma revoada na verdade. Uma revoada de novos olhares. Acho que é mais um fôlego que o cinema tem de uma criação conjunta, de uma percepção conjunta de ideias e tudo isso na ideia de revoada que é um grande movimento de pássaros seguindo junto em uma mesma direção. Eu sinto que o festival tem trazido essa união de públicos, essa formação de públicos. Então essa temática que está aí permeando a edição desse ano” diz Heitor Beluco de 28 anos, Coordenador de Comunicação do Festival Kinoforum. 

Ao também ao ser perguntado sobre como os filmes selecionados se conectam a essa ideia, ele explica: “Eu sinto que todo ano o Kinoforum tem se renovado. Esses olhares têm que ser renovados, porque a cada ano a comissão de seleção muda, acho que sim, uma revoada de filmes.”

Considerado o maior festival de curtas do Brasil, o evento recebeu obras de 19 estados diferentes nesta edição. 

“A gente consegue ver uma pluralidade de produções, pluralidade de vozes, de temas, de narrativas que ficam circulando por São Paulo, acho que isso é muito importante pra uma cidade, que também é plural, que também reúne pessoas de vários cantos do país. Eu sinto que o Kinoforum tem esse marco na cidade, já faz parte da agenda da cidade”, declara o coordenador. 

O evento também mantém parcerias com escolas de audiovisual de todo o Brasil que enviam seus curtas para a avaliação do Comitê de Seleção e podem participar da Noite de Kino, uma data em que um grupo de estudantes terão um tema sorteado e três dias para criar um curta metragem a respeito, com a possibilidade de exibição na Cinemateca Brasileira. 

Foto: Pôster do 37º Festival Kinoforum que ocorreu na Cinemateca Brasileira, Sesc, MIS e Circuito SPCine - Renata Lopes / Divulgação
Pôster do 37º Festival Kinoforum que ocorreu na Cinemateca Brasileira, Sesc, MIS e Circuito SPCine - Renata Lopes / Divulgação

“É uma noite que fica muito cheia e é uma parceria muito incrível porque ela já dura há muito tempo e as pessoas ficam muito animadas, a gente consegue ver coisas maravilhosas que são feitas em pouquíssimo tempo”, comenta Heitor. 

 Os filmes do festival não ultrapassam 25 minutos e as categorias de gêneros são inúmeras. Todos os filmes participantes terão a avaliação do público e concorrerão a premiações que serão anunciadas no encerramento do evento. Dentre eles essa edição terá o Prêmio Zita Carvalhosa, no qual o vencedor recebe uma dotação em dinheiro por ter realizado sua estreia nacional no Kinoforum. Os curtas realizados por alunos de graduação em audiovisual estarão elegíveis ao Prêmio Revelação, em que o ganhador recebe serviços e equipamentos para a produção de uma nova obra de até 15 minutos.  

Segundo Heitor, o festival ajuda muito a alavancar novos artistas no cenário audiovisual: “Ano passado tivemos duas realizadoras que têm um filme maravilhoso, ‘A tragédia do lobo guará’ da Kimberly Palermo. Ele participou dos laboratórios Kinoforum e esse ano ganhou o Prêmio Grande Otelo de Melhor Curta Metragem de Animação. (...) Muitas vezes são diretores que não tem nenhum incentivo, vem de realidades muito diferentes e que o festival ajuda a construir essa carreira”.

O Kinoforum foi fundado e idealizado por Zita Carvalhosa, enquanto ela ainda trabalhava no Museu da Imagem e do Som (MIS) quando ainda era assistente de programação. Sua visão e a dedicação contribuíram de forma decisiva para o evento como uma das mais importantes plataformas de curta metragem no Brasil e no mundo. “Ela viu que não existia uma janela pro curta metragem Brasil, então decidiu fundar o Kinoforum (Associação Cultural Kinoforum) e criou o festival pra que tornasse possível a circulação dessas curtas metragens no circuito brasileiro” explicou Heitor. 

Além da exibição dos curtas, o festival conta com várias atividades e recebe os realizadores nacionais e internacionais das obras para uma interação com o público após as exibições. A entrada é franca. 

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Festival Daisy Chain Fields reuniu artistas de diferentes gerações e confirmou nova edição para 2027
por
Livia Vilela
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02/09/2026 - 12h

No último sábado (29), a cantora de 23 anos Olivia Rodrigo transformou uma ideia em realidade. Em Great Park, na Califórnia, aconteceu a primeira edição do Daisy Chain Fields, festival que reuniu cerca de 45 mil pessoas. O evento foi criado para celebrar as mulheres na música e, ao mesmo tempo, arrecadar recursos para organizações que atuam na defesa dos direitos reprodutivos e da saúde de mulheres e meninas. 


A proposta do festival nasceu do desejo de Rodrigo de criar um espaço em que mulheres e meninas pudessem se reunir, celebrar artistas femininas e entrar em contato com organizações que trabalham diretamente com questões como direitos reprodutivos, saúde materna, violência de gênero e igualdade. A cantora anunciou que 100% dos lucros líquidos do evento seriam destinados a instituições voltadas para essas causas.


Em entrevista ao Good Morning America, Olivia Rodrigo explicou que o nome do festival nasceu da imagem de meninas fazendo correntes de margaridas, como símbolo de união. A iniciativa também é inspirada no Lilith Fair, festival criado por Sarah McLachlan nos anos 1990 para dar visibilidade a artistas mulheres. No encerramento, McLachlan dividiu o palco com Rodrigo em uma apresentação especial. 

 

olivia e sarah
Olivia Rodrigo e Sarah McLachlan dedicaram “Angel” à Dolly Parton. Foto: Instagram @daisychainfields

 

Lineup 100% feminina


Realizado em dois palcos, Dandelion e Marigold, o Daisy Chain Fields reuniu artistas de diferentes estilos. A programação contou com nomes como Chappell Roan, Doechii, Mitski, Bikini Kill, The Breeders, Garbage, Santigold, Rachel Chinouriri, Die Spitz, Eli, Not for Radio e Quiet Light, além da própria Olivia Rodrigo. Sarah McLachlan, Stevie Nicks e Alanis Morissette também participaram como convidadas especiais.


A escolha dos artistas reforçou o caráter feminista do festival. Bandas ligadas ao movimento riot grrrl, como Bikini Kill, dividiram espaço com nomes da nova geração do pop. A proposta conectou diferentes momentos da história da música e mostrou como a presença feminina pode ocupar diversos gêneros e se conectar com públicos distintos.


Além dos shows, o festival contou com instalações de artistas mulheres e espaços dedicados às organizações beneficiadas. Uma das obras apresentadas foi Grrrl Germs: Punk feminism goes viral, 1991–2026, de Astria Suparak, que explorou a história do punk feminista por meio de música, zines, cartazes e espaços de escuta.

Nem todas as atrações anunciadas conseguiram subir ao palco. O girl group KATSEYE cancelou a apresentação dois dias antes do evento depois que Megan Skiendiel sofreu uma torção no tornozelo durante um ensaio da turnê. Após avaliação médica, a integrante foi orientada a evitar esforços para permitir a recuperação da lesão. Devon Again foi adicionada à programação para ocupar o horário que seria do grupo.


Apesar do cancelamento, três integrantes do KATSEYE compareceram ao festival. As artistas fizeram uma breve participação no palco para apresentar a Baby2Baby, uma das organizações beneficiadas pelo evento, que fornece itens essenciais, como fraldas, roupas e produtos para crianças em situação de pobreza.

chappel roan
Chappel Roan, uma das atrações principais, se apresentando no palco Dandelion. Foto: Instagram @daisychainfields

 

Doação de US$ 20 milhões para organizações sociais


A arrecadação do festival foi destinada a dez organizações sem fins lucrativos. Antes mesmo do evento, Rodrigo anunciou que havia reunido US$ 10 milhões, valor que seria dividido igualmente entre as instituições, correspondendo a US$ 1 milhão para cada uma. As organizações beneficiadas são Baby2Baby, Black Mamas Matter Alliance, Center for Reproductive Rights, FreeFrom, Jhpiego, Johns Hopkins Center for Indigenous Health, National Domestic Workers Alliance, National Institute for Reproductive Health, National Women’s Law Center e Planned Parenthood.


Durante o festival, a filantropa Melinda French Gates anunciou que igualaria os US$ 10 milhões arrecadados por Rodrigo. A contribuição adicional, realizada por meio da Pivotal Ventures, dobrou para US$ 20 milhões o total destinado às organizações. Além do apoio financeiro, as instituições estiveram presentes no evento para apresentar suas iniciativas e aproximar o público das causas apoiadas. 


Depois de mais de dez horas de programação, Olivia Rodrigo encerrou a primeira edição do Daisy Chain Fields sinalizando que o festival terá continuidade. A cantora reforçou a intenção de realizar uma nova edição em 2027 em uma publicação no Instagram, indicando que pretende reencontrar o público no próximo ano. 

olivia no daisy chain
Olivia Rodrigo em seu post de agradecimento pela primeira edição do Daisy Chain Fields. Foto: Instagram @oliviarodrigo

 

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Artista deixa legado com uma carreira extensa no teatro e na televisão
por
Por Gabriela Thier
Renata Lopes
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27/08/2026 - 12h

 

A atriz Glória Menezes, um dos grandes nomes da teledramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (18) aos 91 anos. A atriz teria morrido em sua casa no Rio de Janeiro por causas naturais.

Nascida no dia 19 de outubro de 1934 em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Nilcedes Soares de Magalhães, futuramente conhecida como Glória Menezes, se mudou para São Paulo capital ainda criança com sua família.

Glória entrou na Escola de Artes Dramáticas da USP logo após encerrar o Ensino Médio e foi já na universidade que a atriz começou a fazer parte dos “Jovens Independentes”, um grupo de teatro amador.

Carreira

Dona de personagens icônicos, como Rosa em O Pagador de Promessas (1962), Maria de Lara Barros em Irmãos Coragem (1970), a vilã Laurinha Figueroa em Rainha da Sucata (1990) e a Baronesa de Bonsucesso em Senhora do Destino (2004). Glória ajudou a formar a história da televisão, do teatro e do cinema brasileiro ao longo das suas mais de seis décadas de carreira. 

Em seu primeiro espetáculo em 1959, ganhou o prêmio de atriz revelação em um festival de teatro amador promovido por Antunes Filho, no mesmo ano, Glória participa da telenovela da TV Tupi, Um Lugar ao Sol, aos 15 anos. 

No ano seguinte, já utilizando o seu nome artístico Glória Menezes, estreia no teatro em uma montagem de As Feiticeiras de Salém, de Arthur Miller, dirigida por Antunes Filho, nos bastidores desse espetáculo a atriz viria a conhecer o seu futuro marido Tarcísio Meira. 

Para o Memória Globo, Glória conta que precisou trocar o seu nome por ser considerado incomum: “Eu tive que trocar. Resolvemos botar Glória, porque Glória é Glória em qualquer idioma. E Menezes, por causa das minhas raízes portuguesas e porque completa treze letras. Dá sorte”, disse a atriz em depoimento. 

Em 1962, participou do filme O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte. O filme recebeu repercussão internacional ganhando a Palma de Ouro no Festival de Cannes e sendo indicado a Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar. 

Em 1963, Glória ganha um papel de destaque em 2-5499 Ocupado da TV Excelsior, ao lado de Tarcísio Meira, começando a sua parceria icônica pelos 59 anos em que permaneceram juntos.

Em 1967, já na Globo, a atriz estreia uma novela de Janete Clair chamada Sangue e Areia, esse seria o início de uma longa carreira dentro da emissora que contou com vários sucessos tanto com o seu marido quanto sem ele. Dentre eles podemos destacar: Irmãos Coragem (1970), Pai Herói (1979), Guerra dos Sexos (1983), Brega e Chique (1987), Rainha da Sucata (1990) e A Favorita (2008).

Sua última aparição em novelas foi em Totalmente Demais, no papel da socialite Stelinha, exibida entre 2015 e 2016. Depois disso faria apenas presenças pontuais em participações especiais como a série Casais que Amamos do canal Viva em 2020 e no programa Tributo onde sua trajetória e carreira foram homenageadas em 2025. 

Casamento e Filhos

Glória foi casada duas vezes, de 1951 à 1959 com Arnaldo Brito, com quem teve seus dois primeiros filhos, João Paulo e Maria Amélia. Três anos depois do fim do primeiro casamento a artista se juntou ao companheiro de tela, Tarcísio Meira, união que resultou em Tarcísio Filho e 52 anos de carreira juntos na TV Globo.

O casal de atores viveram juntos no interior de São Paulo até serem internados por COVID-19 em agosto de 2021, neste mesmo mês Tarcísio Meira faleceu por complicações com a doença no dia 12, quatro dias depois a atriz recebeu alta.

O velório da atriz foi feito somente entre familiares.

"Neste momento de imensa tristeza, agradecemos, de coração, todas as manifestações de carinho, solidariedade e afeto.

A cerimônia de despedida será privada e reservada apenas à família e aos amigos mais íntimos. Agradecemos a compreensão e o respeito de todos", disse a família em nota a CNN Brasil.

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À frente da marca, filha de Xuxa homenageia a avó, Alda, no desfile mais recente da Mondepars.
por
Julia Cesar Rangel
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19/08/2026 - 12h

 

MODA NO BRASIL 


A moda brasileira é um tema sensível, especialmente porque ainda enfrenta dificuldades para ser valorizada pelo próprio público. Como consequência de um processo histórico marcado pela colonização, o olhar dos brasileiros muitas vezes se voltam para referências externas, enquanto produções maravilhosas acontecem dentro do próprio país. Com a globalização e o acesso cada vez mais amplo a produtos e referências internacionais, isso se intensificou.

Um exemplo disso é o chamado “Brasil Core”, uma estética que ganhou força nas redes sociais a partir de conteúdos produzidos por usuários estrangeiros que celebravam elementos do estilo brasileiro, da nossa moda e do nosso modo de viver. A popularização dessa estética fez com que muitos brasileiros passassem a olhar para aquilo que já fazia parte do seu cotidiano sob uma nova perspectiva, percebendo que a nossa cultura também pode ser uma referência de estilo e de comportamento. 

MONDEPARS E SUA IDENTIDADE


Sasha Meneghel faz parte de uma parcela de brasileiros que reconhece e acredita no potencial do próprio país. Filha de Xuxa, ela teve o privilégio de ingressar no mercado com maior visibilidade e oportunidades desde cedo. Ainda assim, está construindo sua própria trajetória na moda, uma formação que começou na Parsons School of Design, em Nova York, nos Estados Unidos, onde estudou Design de Moda. Além da diversidade cultural que caracteriza o Brasil, sua marca também incorpora um ponto de vista pessoal construído a partir de suas experiências e de sua formação no exterior. Essa combinação ajuda a compreender algumas das críticas direcionadas à Mondepars, especialmente em relação à forma como sua identidade é percebida dentro do cenário da moda brasileira. 

A Mondepars é uma marca focada em alfaiataria e vem construindo sua imagem  a cada desfile. O nome “Mondepars” é um neologismo criado por Sasha a partir da combinação de “monde”, palavra francesa para “mundo”, e “pars”, termo em latim que significa “parte”. A marca tem como prioridades a qualidade, a durabilidade e o caimento de suas peças.

As principais críticas à Mondepars dizem respeito justamente à maneira como a marca traduz sua brasilidade. Ao contrário de uma estética nacional mais facilmente reconhecível, marcada por cores vibrantes, estampas e referências visuais tropicais, a grife constrói sua identidade por meio de uma linguagem mais contida e autoral. Isso não a torna menos brasileira; pelo contrário, amplia a própria ideia do que pode ser entendido como moda brasileira. A questão, portanto, não está em identificar símbolos nacionais na roupa, mas em reconhecer que a brasilidade também pode existir em interpretações menos literais e mais particulares. 

Essa escolha também parece refletir a maneira como Sasha se expressa por meio da moda. Existe uma preocupação em não transformar a identidade brasileira na coisa mais importante da marca. Até porque, é possível imaginar que o mesmo público que hoje questiona a falta de elementos considerados “brasileiros” também poderia criticar a marca caso ela utilizasse esses elementos de maneira estereotipada. A questão, portanto, não deveria ser se a Mondepars parece brasileira o suficiente, mas se existe espaço para diferentes interpretações do que significa criar moda brasileira.

A Mondepars também não busca atender ao mesmo público ou ocupar o mesmo espaço que marcas como a Farm Rio, outra marca brasileira consolidada no mercado da moda. Compará-las apenas pela nacionalidade deixa de lado justamente aquilo que torna cada uma delas diferente, que são as suas propostas, seus públicos e suas maneiras de interpretar o Brasil por meio da moda.

Alda e Sasha. Foto: Instagram @sashameneghel
Alda e Sasha. Foto: Instagram @sashameneghel

DE ALDA ATÉ SASHA

 

A relação de Sasha com a moda também está diretamente ligada à sua família. As icônicas roupas usadas por Xuxa foram criadas por sua mãe, Alda Meneghel, que teve um papel importante na construção da imagem da apresentadora. Esse legado chegou à terceira geração da família por meio de Sasha, que encontrou na avó uma de suas principais referências dentro da moda. Ao mesmo tempo, em entrevista ao Clichê Talks, Sasha afirma que sua maior inspiração é a própria mãe e conta que, muitas vezes, percebe referências de Xuxa surgindo naturalmente em seu próprio trabalho. Dessa forma, a moda aparece em sua trajetória não apenas como profissão, mas também como uma herança familiar que atravessa três gerações.

A história de Alda é o elemento central na construção do desfile. Sua trajetória foi marcada por diferentes vivências: foi mãe nova, perdeu o pai, conviveu com ciganos e chegou a passar um período em um convento, até conhecer Luiz Meneghel, com quem se casou. Esses momentos de sua vida foram transformados por Sasha em referências para a coleção. Entre os elementos presentes no desfile estão os palhaços, que fazem referência ao pai de Alda, como as gravatas, as calças abauladas e as ombreiras, que remetem a diferentes momentos de sua trajetória. A renda, as camisetas com gola de padre e as capas curtas aparecem como referência ao tempo que Alda esteve no convento. 

O DESFILE

 

No início do desfile, a narrativa se constrói a partir de recordações da infância de Alda. A presença do palhaço faz referência às brincadeiras que ela tinha com o seu pai, Agenor, criando uma representação visual de uma memória que mais para frente seria interrompida pela morte dele. Essa relação entre infância, brincadeira e perda aparece não apenas na encenação, mas também nos próprios elementos das roupas.

FOTO DE COMO É A GRAVATA CITADA
Gravata Pina. Foto:Divulgação/Mondepars

As gravatas e as golas aparecem como recursos importantes ao longo da coleção, enquanto alguns sapatos remetem visualmente aos calçados associados à figura do palhaço. Esses elementos não parecem estar presentes apenas por uma questão estética, mas funcionam como pequenas referências à história de Alda, permitindo que acontecimentos de sua vida sejam transformados em detalhes dentro da coleção.

Outro elemento de destaque  são as peças de madeira, especialmente alguns acessórios como luvas e gravatas. A utilização de materiais e formas pouco convencionais reforça o caráter experimental do desfile, mostrando que Sasha não está apenas reproduzindo literalmente a história de sua avó, mas representando a sua própria visão de moda. 

Os blazers também se mostram protagonistas. As peças possuem uma construção marcante e um caimento que evidencia a experiência de Sasha com a alfaiataria. São momentos em que a coleção parece se afastar da representação literal da história para apresentar aquilo que a designer faz melhor: transformar suas referências pessoais em roupas estruturadas e contemporâneas.

Assim, os elementos do desfile funcionam em diferentes níveis. O palhaço, os sapatos, as gravatas, as golas e os acessórios carregam referências à memória da família, enquanto a alfaiataria e a construção das peças mostram a interpretação de Sasha sobre essa história. O resultado é uma coleção em que a memória familiar não aparece apenas como inspiração, mas como uma espécie de matéria-prima para a criação.

No final, a entrada da noiva funciona como um marco narrativo. Depois de acompanhar diferentes momentos da vida de Alda, o desfile chega ao casamento, representando uma mudança de fase. A figura da noiva, além de ser algo tradicional dentro da história da moda, ganha um significado específico dentro dessa narrativa familiar. Ela representa o início de uma nova etapa da vida e deixa a possibilidade de que os próximos acontecimentos depois do casamento sejam explorados em uma outra coleção 

Dessa forma, o desfile pode ser entendido quase como uma biografia construída por meio da moda. Sasha transforma acontecimentos da vida de sua avó em imagens, materiais, silhuetas e referências, criando uma conexão entre três gerações de mulheres e suas diferentes relações com a criação, a roupa e a identidade.

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Com mais de oito décadas de carreira, a atriz se tornou uma das principais referências do panorama cultural brasileiro e atravessou gerações na cena artística nacional.
por
Marina Garcia
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18/08/2026 - 12h

A atriz Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, conhecida pelo Brasil como Laura Cardoso, morreu aos 98 anos na noite desta segunda-feira (17), em sua residência, em São Paulo. Considerada uma das grandes damas da dramaturgia brasileira, a atriz construiu uma carreira de mais de oito décadas entre o rádio, teatro, cinema e a televisão. A notícia do falecimento foi confirmada por uma de suas filhas e divulgada nas redes sociais da artista, administrada por seu bisneto, Fernando Faria. O velório acontece nesta terça-feira (18), das 8h às 14h, no Funeral Home, na Bela Vista, região central de São Paulo. 

Nos últimos anos, Laura havia reduzido a participação em grandes produções, mas continuava próxima da família e do público. Aos 98 anos, ela ainda fazia aparições pontuais e mantinha uma relação ativa nas redes sociais. Em outubro do ano passado, compareceu à inauguração da “Calçada da Fama” nos estúdios da TV Globo, acompanhada de grandes ícones da televisão brasileira. A atriz também participou do curta-metragem "Dona Rosinha", de 2025. 

A morte da artista foi anunciada durante a madrugada de terça-feira (18) em uma publicação nas redes sociais. Fernando Faria, bisneto da atriz, era responsável por administrar seus perfis e comunicou a despedida em nome da família. Ela deixa duas filhas, Fátima e Fernanda Balleroni, além de duas netas e do bisneto que a acompanhava de perto. 

A notícia provocou uma onda de homenagens entre fãs e artistas que trabalharam com Laura ao longo de sua trajetória. Colegas de diferentes gerações da dramaturgia brasileira utilizaram as redes sociais para relembrar e destacar a importância da atriz para a televisão. Ary Fontoura, Gloria Pires, Tony Ramos e Miguel Falabella estiveram entre os nomes que prestaram homenagens à veterana. Gloria Pires, que interpretou sua filha na novela “Mulheres de Areia (1993)”, publicou uma despedida emocionada, enquanto Tony Ramos relembrou a atriz com carinho. 

“Laura Cardoso descansou depois de uma vida brilhante. Foi uma parceira de cena irreverente e muito humana. Além de referências artísticas, também soube ser presença de afeto, generosidade e sabedoria. Uma grande honra tê-la conhecido, convivido e aprendido com ela. Sua arte seguirá viva em todos que te admiram. Obrigada por tanto!”

Atriz Glória Pires presta homenagem a Laura Cardoso em suas redes sociais - Foto: @gpiresoficial / Instagram
Atriz Glória Pires presta homenagem a Laura Cardoso em suas redes sociais - Foto: @gpiresoficial / Instagram 
 

A trajetória da consagrada atriz começou muito antes de ela se tornar um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira. Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni nasceu em 13 de setembro de 1927, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo. Filha de imigrantes portugueses, cresceu em uma família simples e demonstrou desde cedo interesse pela representação. Segundo o Memória Globo, quando tinha apenas seis anos, Laura costumava brincar de teatro com uma amiga do bairro, criando personagens e encenações na rua. Ela também gostava de ler e recitar textos para familiares e colegas da escola. 

As lembranças da infância e da carreira foram registradas em diferentes entrevistas e produções sobre a artista. Um dos principais registros é o documentário Tributo - Laura Cardoso, exibido pelo Globoplay em 2024. A produção revisita sua trajetória desde a infância em São Paulo até sua entrada na televisão e reúne depoimentos de colegas de profissão. 

Aos 15 anos começou profissionalmente atuando em radionovelas na Rádio Cosmos. Na época, a mídia era um dos principais meios de entretenimento do país e serviu como porta de entrada para muitos artistas. Poucos anos depois, ela migraria para a televisão, um veículo ainda em formação no Brasil. Em 1950, a atriz estreou nos teleteatros da TV Tupi e passou a fazer parte da primeira geração de atores da televisão brasileira. 

Ao longo das décadas seguintes, construiu uma das carreiras mais extensas da dramaturgia nacional. Entre seus trabalhos mais lembrados estão personagens em novelas como Mulheres de Areia (1993), A Viagem (1994), Chocolate com Pimenta (2003), Gabriela (2012) e O Outro Lado do Paraíso (2017). Na Globo, onde estreou em 1981, participou de produções de diferentes períodos e gerações. Seu último trabalho em uma novela foi A Dona do Pedaço, em 2019. 

Laura Cardoso em seu personagem na novela “Chocolate com Pimenta” - Foto: @atrizlauracardoso / Instagram
Laura Cardoso em seu personagem na novela “Chocolate com Pimenta” - Foto: @atrizlauracardoso / Instagram 
 

Laura também construiu uma trajetória no cinema e no teatro, ultrapassando a marca de cem trabalhos ao longo da carreira. Seu reconhecimento veio acompanhado de importantes premiações, entre elas, o Grande Otelo, além de homenagens pelo conjunto de sua obra. Em 2006, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, uma das principais condecorações concedidas pelo governo brasileiro a personalidades que contribuíram para a cultura do país. 

Mais do que a quantidade de personagens interpretados, a carreira de Laura Cardoso atravessou diferentes momentos da própria história da comunicação brasileira. Começando no rádio antes mesmo da chegada da televisão ao país, passou por diferentes emissoras, gêneros e gerações de dramaturgia e permaneceu em atividade por mais de 80 anos. Sua trajetória fez dela não apenas uma atriz reconhecida pelo público, mas também uma testemunha das transformações do Audiovisual e das Artes Cênicas nacionais. 

Com a sua morte, a televisão brasileira perde uma de suas figuras mais longevas e importantes. Entre personagens marcantes, décadas de trabalho e uma presença que atravessou gerações, a atriz deixa uma trajetória que se confunde com a própria história da dramaturgia no Brasil. 

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A comunidade construiu a maior plataforma de TCG do país
por
Thomas P. Fernandez
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23/06/2026 - 12h

A LigaMagic nasceu como um fórum de discussões em setembro de 2001. Ao longo dos 25 anos, a Liga acompanhou a expansão dos jogos de cartas colecionáveis (TCGs) no Brasil. O que começou como um espaço para jogadores trocarem informações, estratégias e experiências, transformou-se no maior marketplace e um dos principais pilares dos TCGs no país. Em um universo onde uma única carta pode ser uma peça essencial numa partida de torneio e um item de coleção e negociação, os TCGs construíram no Brasil uma comunidade que vai muito além das mesas de jogos. A trajetória da LigaMagic acompanha essa evolução, saindo de uma comunidade online de jogadores para uma das maiores plataformas do cenário nacional.

A história da LigaMagic começou antes mesmo de existir uma plataforma ou um marketplace. No fim dos anos 1990, quando a internet ainda estava dando os seus primeiros passos no Brasil, a comunidade de Magic: The Gathering se organizava principalmente por meio de fóruns, chats e presencialmente. Foi nesse cenário que Diogo Pires e Valdebrando Rafael P. Giovanini, fundadores da LigaMagic, começou a criar espaços digitais para aproximar os jogadores e fortalecer a comunidade que ainda era pequena no país. A ideia surgiu a partir de um grupo de jogadores de São José dos Campos, chamado de SJC Team, formado por pessoas que treinavam juntas, participavam de campeonatos e compravam cartas. A partir disso, Diogo criou um blog para registrar partidas e compartilhar informações sobre o cenário competitivo.

O projeto cresceu junto com a internet brasileira. A ideia original era uma página para os jogadores terem acesso a resultados de torneios, mas encontrou outra demanda: os jogadores queriam espaço para conversar, organizar partidas e encontrar maneiras mais eficientes para participar do cenário competitivo. Na época, grande parte da comunicação acontecia em fóruns e canais de conversa online, como o mIRC, em que os jogadores trocavam informações e combinavam campeonatos. A partir disso, surgiu a ideia de criar uma ferramenta mais estruturada. “Eu fiz um site que era muito feio visualmente, mas ele era funcional para o pessoal se inscrever, ver rodada. E aí que começou esse negocio”, conta Diogo em entrevista a Agemt. 

A experiência mostrou que existia uma demanda maior dentro da comunidade, os jogadores não precisavam apenas de um espaço para conversar sobre o jogo, mas também uma maneira mais simples de encontrar as cartas para jogar. Foi nesse momento que Valdebrando Rafael P. Giovanini teve a inspiração de evoluir o projeto. “O objetivo do fórum inicialmente era fazer a galera discutir Magic. Era muito forte naquela época. Em 2000, 2001, a gente tinha mais de duas mil, três mil mensagens por dia e a principal dificuldade era conseguir as cartas”, conta Valdebrando em entrevista a Agemt.

A partir dessa necessidade surgiu o Bazar da Liga, ferramenta que permitia aos jogadores comprarem e venderem cartas entre si. Segundo Rafael, o mercado de cartas avulsas ainda era pouco desenvolvido no Brasil, com poucas lojas especializadas trabalhando com esse tipo de produto, “Naquela época tinha duas, três lojas no Brasil? Talvez tivesse um pouco mais de loja vendendo Magic, mas elas não trabalhavam com singles.” Com o crescimento da plataforma, a LigaMagic passou de ser apenas um espaço para a comunidade e começou a criar uma estrutura para o mercado de TCG no país. O marketplace aproximou os jogadores, vendedores e lojas, permitindo que negociações que antes dependiam de contatos pessoais acontecessem dentro de um ambiente mais amplo e organizado. Essa transformação também ajudou as lojas especializadas a crescer, sem precisar desenvolver toda uma estrutura tecnológica, focando somente na venda de cartas. Ao longo dos anos, a Liga acompanhou a evolução dos TCG no Brasil, o que começou como uma pequena comunidade de jogadores, foi crescendo, juntando lojas, torneios, criadores de conteúdo e um mercado inteiro. Para os fundadores, a força da Liga veio justamente dessa combinação entre tecnologia e comunidade: uma plataforma criada para resolver problemas dos próprios jogadores, mas que acabou se tornando parte da estrutura que sustenta o universo dos jogos de cartas no país. 

Diogo e Valdebrando Rafael, no Liga Fest
Diogo e Valdebrando Rafael, no LigaFest - Imagem: Arquivo Pessoal

Ao longo dos anos, a plataforma também passou a ocupar um espaço de produção de conteúdo, informação e relacionamento com os jogadores, criando uma rotina que aproximou ainda mais a comunidade dos jogos de cartas colecionáveis. Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da LigaMagic e pelas transmissões dos torneios, acompanhou essa transformação de perto. “A mesma plataforma não seria. Eu acho que a produção de conteúdo ajuda a fortalecer a marca da Liga, as pessoas já conhecem os redatores, que toda terça tem artigo do Jeff, toda quarta tem a minha live, e tem gente que manda mensagem falando: “Bom dia e como você está”. A mesma pessoa, tem muita gente que entra esporadicamente, mas a maioria são as mesmas pessoas”, Juliano conta em entrevista a Agemt. Para ele, a produção de conteúdo se tornou uma das principais formas de manter a comunidade ativa e conectada, especialmente em um cenário onde os jogos de cartas passaram a crescer para além das mesas de competição. Segundo Juliano, “Eu acho que esse braço da LigaMagic existe muito mais porque os donos da LigaMagic querem manter isso como um serviço à comunidade. Eles se preocupam realmente em ter uma comunidade do Magic aqui no Brasil e em ter as coisas funcionando”. Essa relação com o público se fortaleceu por meio dos artigos, notícias, vídeos e transmissões, que passaram a fazer parte da rotina dos jogadores. Com o tempo, a Liga deixou de ser apenas um espaço acessado quando alguém precisava comprar uma carta e passou a criar uma presença diária dentro da comunidade.

Além dos textos publicados no portal, as transmissões dos torneios também passaram a ocupar um papel importante dentro desse ecossistema. A cobertura de campeonatos aproximou jogadores que nem sempre conseguem acompanhar os eventos presencialmente e criou uma nova forma de consumir o cenário competitivo. Esse contato constante com a comunidade também fez com que a Liga acompanhasse a expansão dos próprios TCGs no Brasil. Com a chegada de novos jogos de cartas colecionáveis, a produção de conteúdo precisou se adaptar a diferentes públicos, estratégias e formatos competitivos. Juliano explica que passou a acompanhar outros jogos além de Magic: the Gathering, estudando novos cenários para entender como cada comunidade funciona. “Eu tive que aprender mais sobre Flesh and Blood, mais sobre One Piece, mais sobre Riftbound, Lorcana. Hoje todo TCG que lança eu meio que tenho que aprender mais sobre ele”.  A mudança mostra como a própria Liga acompanhou a transformação do mercado de TCGs no país. Para Juliano, esse trabalho de comunicação é parte essencial da identidade da plataforma.

 

Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da Liga Magic
Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da LigaMagic - Imagem: Arquivo Pessoal

 

Com o crescimento da LigaMagic, ela começou a ter um papel importante dentro da economia de todos os TCG. Mais do que aproximar jogadores e lojas, a Liga ajudou a organizar um mercado que antes funcionava de uma maneira mais descentralizada, criando uma referência para preços, negociações e circulação de cartas. André Manenti, criador do canal UMotivo, canal do Youtube sobre TCG, acompanhou a evolução tanto como jogador quanto alguém que analisa o mercado. Para ele, a Liga se tornou uma das principais estruturas do cenário brasileiro ao facilitar a relação entre quem compra, vende e coleciona cartas. “A Liga, sendo um dos pilares do ecossistema de TCGs no Brasil hoje, desempenha um papel de extrema relevância. Um papel de desburocratização do mercado secundário, um verdadeiro hub que facilita a vida de quem está no hobby ”, afirma André à Agemt.  A relação de André com a plataforma começou quando ele era somente um jogador. “Foi através de um notebook velho em uma livraria há 15 anos que descobri, junto com um amigo, que havia um site que me permitia saber o preço dos cards que eu tinha. Esse mesmo site me permitia negociar esses cards e participar de leilões dos cards que eu buscava ”. 

Além da experiência como usuário, André também estudou a relação entre TCG e o mercado financeiro, o seu trabalho de conclusão de curso intitulado: "Magic: The Gathering, do Hobbie ao Lucro" foi um artigo publicado no congresso de controladoria e finanças do curso de ciências contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Nesse artigo pude realizar um questionário com milhares de respostas, que juntas me permitiram entender quais elementos influenciam na obtenção ou não de lucro ao se vender uma coleção de Magic. Aspectos como condição física, ilustração, idioma e edição do card. Foi uma experiência muito interessante e com certeza me ajudou a encontrar algo de suportável em um ambiente nem tão empolgante quanto o da contabilidade. O estudo foi bastante surpreendente, para ser sincero. É de se esperar que jogadores que se intitulam ‘investidores’ tenham mais lucro que jogadores casuais ou novatos, até aí, nada de genial. Em contrapartida, não foi encontrada correlação alguma entre jogadores menos criteriosos no que tange idioma, condição física e ilustração do card. Analisando de maneira avulsa cada uma das três variáveis, a única que apresentou impacto no lucro foi a condição física”, explica. 

 

André Manenti, criador de conteúdo,do canal UMotivo
André Manenti, criador de conteúdo,do canal UMotivo - Imagem: Arquivo Pessoal

 

Dentro desse cenário, a LigaMagic passou a ter uma influência direta na formação de preços. Por reunir uma grande quantidade de anúncios e negociações, a plataforma se tornou uma das principais referências utilizadas por jogadores e lojas para acompanhar valores. “A Liga acaba sendo um dos principais locais usados para acompanhar as variações nos preços dos cards. Ou seja, a existência da Liga impacta diretamente na lucratividade de alguns jogadores dentro do hobby”.Essa influência fez com que a Liga se transformasse em uma espécie de parâmetro do mercado brasileiro. Entre os jogadores, quando estão fazendo vendas e trocas entre si, existe a famosa frase “Faz pelo menor da Liga?”, que significa utilizar o valor da carta pelo menor valor que a Liga Magic está mostrando que a carta tem. Esse termo se tornou uma espécie de cotação, usado por quase todos os jogadores no Brasil. Apesar da valorização económica dos TCG, André também destaca os riscos de um mercado cada vez mais movimentado. Segundo ele: ”Grandes perfis do mundo dos TCGs também conseguem manipular buyouts, inflacionar preços, gerar demanda, FOMO e coisas do tipo. Um simples deck tech pode aumentar a procura e um vazamento falso de banimento pode derreter o preço de um card”.Mesmo com essas mudanças, André vê o cenário atual de forma positiva. Para ele, nunca foi tão fácil encontrar cartas e participar do hobby. A Liga, nesse processo, acabou se tornando parte da estrutura que sustenta essa nova fase dos TCGs no Brasil. A influência da LigaMagic também pode ser observada fora do ambiente digital, nas lojas físicas e na rotina dos jogadores que utilizam a plataforma diariamente.

Natan Souza, dono da loja Akagami, acompanha essa relação como lojista. Sua trajetória dentro dos TCG começou ainda na infância, quando conheceu o universo do TCG por influência do seu primo. Ele transformou o hobby em uma atividade que, anos depois, se tornaria um negócio. “Sempre fui fã de Pokémon desde pequeno. Quando cheguei nos meus 10 a 12 anos comecei a colecionar cartinhas por influência de um primo mais velho que já colecionava. Desde então segui firme como meu hobby principal até se tornar uma renda extra na minha adolescência.”, conta Natan à Agemt.

 

Natan Souza, dono da loja Akagami - Imagem: Arquivo Pessoal
Natan Souza, dono da loja Akagami - Imagem: Arquivo Pessoal

 

A Liga, segundo ele, ajuda a quebrar a distância entre consumidores e produtos, especialmente em locais onde existem menos opções para quem joga ou coleciona. A plataforma permite que lojas tenham clientes de diferentes regiões, aumentando o alcance de seus negócios. Apesar dos benefícios, Natan também aponta desafios dentro desse modelo. Um dos principais pontos está na concorrência entre diferentes vendedores dentro do marketplace, já que lojas físicas possuem custos diferentes de operações menores. Outro ponto é a falta de critérios mais específicos para a atuação dentro da plataforma, que pode criar diferenças entre vendedores com estruturas completamente distintas. A Liga funciona como uma ferramenta necessária, mas precisa trazer mais melhorias e inovações para os lojistas, avalia Natan.

Do outro lado desse ecossistema, estão os jogadores, que utilizam a plataforma não apenas para comprar cartas, mas também para encontrar comunidades, torneios, notícias e conteúdo original da Liga. Christian Santos joga TCG há mais de 30 anos e acompanhou diferentes fases desse universo. Para ele, o principal elemento que mantém os TCG vivos é a comunidade. A competição tem o seu papel mas é o contato com outras pessoas que compartilham do mesmo interesse que mantém elas engajadas nesse hobby. A relação de Christian com a LigaMagic começou há cerca de 5 anos, quando passou a utilizar a plataforma para encontrar cartas e acompanhar valores. Hoje, o site faz parte da sua rotina diária. “Uso principalmente para comprar cartas e verificar preços. A plataforma facilita muito esse processo, porque centraliza várias lojas e permite comparar valores rapidamente.”, explica. Para ele, a relação entre a plataforma e as lojas físicas não é de substituição, mas de complemento. Enquanto a Liga facilita o acesso e a comparação de preços, os espaços presenciais continuam tendo um papel fundamental na experiência social do TCG. Christian também destaca a importância dos eventos competitivos organizados pela LigaMagic, como o Circuito LigaMagic, que ajudam a reunir jogadores de diferentes regiões e fortalecem o cenário nacional.

 

Christian Santos, bancário e jogador de Magic
Christian Santos, bancário e jogador de Magic - Imagem: Arquivo Pessoal

 

“A plataforma funciona como um ponto de encontro para jogadores e lojistas. Ela facilita não só as transações, mas também a conexão entre as pessoas, o que é fundamental para manter a comunidade ativa e em crescimento”, comenta. Para o jogador, depois de 25 anos, a LigaMagic se tornou parte da própria estrutura do TCG no Brasil. Mais do que um marketplace, ela passou a conectar diferentes lados de um mesmo universo: quem vende, quem compra, quem compete e quem simplesmente encontra nos TCG uma forma de socializar com outras pessoas.

Ao longo de 25 anos, a LigaMagic acompanhou a transformação do TCG no Brasil. Com um começo humilde, a Liga agora alcança milhares de pessoas que encontram no TCG um hobby que traz competição e novas amizades. A trajetória da Liga também mostra como a necessidade dos próprios jogadores acabou se transformando em uma das principais bases do cenário nacional. Ao reunir compra, venda, informação e comunidade em um mesmo ambiente, a plataforma ajudou a organizar um mercado que antes dependia muito de contatos individuais, encontros presenciais. Além de facilitar o lado de negociações, a Liga passou a funcionar como um ponto de conexão entre várias partes do ecossistema de TCG: jogadores conseguem encontrar cartas mais facilmente, acompanhar eventos e torneios, as lojas ampliam seu alcance e conseguem se aproximar de consumidores de diferentes regiões do país. O mundo dos TCG cresce cada vez mais a cada ano, novos jogos, crescimento da base de jogadores de jogos já existentes, essa organização ajuda a fortalecer o desenvolvimento do hobby no Brasil. 

 

Jogadores no Liga Fest 2025
Jogadores no LigaFest 2025 - Foto: LigaFest/Divulgação

 

A forma como os jogos de cartas colecionáveis são vistos também mudou nos últimos anos. Antes tratados principalmente como um passatempo de nicho, os TCGs passaram a ganhar uma exposição maior com a popularização de criadores de conteúdo e grandes movimentações envolvendo cartas raras. Casos como o de influenciadores internacionais, como Logan Paul, chamando atenção para cartas de alto valor, ajudaram a aproximar parte do público de uma visão mais econômica desse universo, em que algumas cartas passaram a ser enxergadas como ativos de coleção e não apenas como itens de jogo. Esse movimento trouxe novas oportunidades, mas também novos desafios para o mercado. A valorização das cartas aumentou o interesse pelo hobby, atraiu novos jogadores e fortaleceu lojas e plataformas especializadas, mas também criou discussões sobre especulação, inflação de preços e o risco de transformar um elemento cultural em apenas uma oportunidade financeira. 

Mesmo com os desafios de um mercado em constante transformação, como preços, acesso às cartas e a entrada de novos jogadores, a LigaMagic continua ocupando um papel central dentro desse ecossistema. Para jogadores e lojistas, a plataforma se tornou parte da rotina, conectando pessoas que fazem o hobby acontecer em diferentes pontos do país. Ao completar 25 anos, a LigaMagic representa mais do que a história de uma plataforma. Ela acompanha a própria evolução dos TCGs no Brasil: da época dos fóruns e pequenas comunidades até um cenário com grandes torneios, lojas especializadas e um mercado cada vez mais estruturado. O futuro dos jogos de cartas ainda continua sendo construído, mas a Liga já faz parte da história de como essa cultura cresceu e se consolidou no país.

 

Reimaginação do primeiro jogo da franquia chegará em fevereiro do próximo ano
por
Luis Henrique Oliveira
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18/06/2026 - 12h

Na primeira terça-feira do mês (02), a Crystal Dynamics apresentou o trailer de Tomb Raider: Legacy of Atlantis durante a State of Play, evento da Sony para divulgar lançamentos para as plataformas Playstation, e confirmou que o jogo será lançado em fevereiro de 2027. Confira:

 

Desenvolvido em parceria com a empresa Flying Wild Hog e distribuído pela Amazon Games, o jogo será uma releitura de Tomb Raider (1996), primeiro game da franquia. Na história, a arqueóloga Lara Croft é contratada para recuperar as peças espalhadas do Scion, um artefato místico de poder imensurável pertencente à civilização perdida de Atlântida.

“É a aventura que os fãs lembram, reformulada de maneiras que não eram possíveis 30 anos atrás, agora com novas surpresas. Não importa se o original está gravado na sua memória ou se você acabou de conhecer a Lara, esta é a melhor forma de conhecer o início da lenda” disse o líder global de conteúdo e comunidade da Amazon Game Studios, Michael Lovan, para o blog da Playstation.

Essa é a segunda vez que o clássico de 1996 ganha um remake. Em 2007, a própria Crystal Dynamics lançou Tomb Raider: Anniversary, uma versão do vídeo-jogo com gráficos atualizados para os consoles da época.

Frame da personagem Lara Croft, protagonista de Tomb Raider, lutando contra dinossauros
Lara Croft volta a lutar contra dinossauros em Legacy of Atlantis. Foto: Reprodução/YouTube/Playstation

Legacy of Atlantis retoma a mesma narrativa de 30 anos atrás para as plataformas da nova geração, refeita do zero com o programa Unreal Engine 5 a fim de trazer visuais mais realistas. Na nova releitura, os ambientes foram expandidos e semiconectados, permitindo que o jogador explore os espaços por diferentes ângulos e descubra itens colecionáveis, segredos e recursos escondidos para quem quiser ir além do caminho principal.

O uso de IA no desenvolvimento

 

Na última atualização do jogo na página da Steam, foi revelado que os desenvolvedores utilizaram inteligência artificial na “exploração inicial” e desenvolvimento de conteúdos temporários durante a produção, posteriormente substituídos ou refinados por artistas humanos.

“Na Crystal Dynamics, utilizamos ferramentas de IA para ajudar nossas equipes a iterar ideias com mais rapidez e eficiência, garantindo que todo o conteúdo final do produto seja criado por humanos. Nosso objetivo é potencializar a criatividade e a flexibilidade de nossos desenvolvedores para oferecer experiências da mais alta qualidade para jogadores em todo o mundo”, comunicou a Crystal Dynamics em nota para o site Eurogamer.

A empresa não especificou quais elementos foram produzidos com o auxílio da ferramenta.

Lara croft, protagonista da série Tomb Raider, em um dos frames para o novo jogo da franquia.
Novo jogo servirá para unir as três linhas alternativas que existiam na franquia. Foto: Reprodução/YouTube/Playstation

 

Tomb Raider: Legacy of Atlantis foi anunciado oficialmente na última edição do The Game Awards, ao lado de Tomb Raider: Catalyst, aventura inédita de Lara Croft sem data de lançamento definida.

O jogo será lançado para Playstation 5, Xbox Series X e S, Nintendo Switch 2 e PC (via Steam) e já está em pré-venda.

Os jogadores que comprarem nessa fase terão acesso à Survivor Outfit, uma skin exclusiva. Já a versão deluxe contará com a Parisian Outfit, releitura do traje que a personagem usa durante o jogo The Angel of Darkness (2003), além de uma DLC de história pós-lançamento.

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por
Liliane Gomes
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17/06/2026 - 12h

O filme baseado no livro O auto da compadecida, escrito por Ariano Suassuna, e dirigido por Guel Arraes, conta as aventuras dos amigos nordestinos João Grilo, um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó, o mais covarde dos homens. A dupla luta para sobreviver.

No pequeno vilarejo de Taperoá, no sertão da Paraíba, João Grilo e Chicó, vivem aplicando golpes, sendo um deles o famoso enterro da cachorra de estimação da patroa deles. Golpe que envolve o Padre, fazendo uma sátira, de que todos podem ser comprados.

Nem o temido cangaceiro Severino de Aracaju, fazendo referência a Lampião, escapa das artimanhas de João Grilo e Chicó. Movido por sua fé em Padre Cicero, cai no golpe de tomar um tiro, influenciado pela dupla, na ilusão de que vai conhecer seu padin. Já que ver diante dos seus olhos João Grilo “ressuscitar”, pensa que o mesmo irá acontecer com ele. Mas é apenas enganado e morre de verdade.

O cangaceiro parceiro de Severino, não perdoa a mentira de João e o mata na porta da igreja. A história começa a se passar em um lugar, que representa o juízo final e

lá cada um será julgado, de acordo com o que fez na terra. O Padre e o Bispo, figuras de santidade, vão para o purgatório, já Severino de Aracaju que matou mais 30 é perdoado e vai para o céu, mostrando que todos colheram o que plantou.

João por sua vez, tem a chance de se redimir com a aparição de Nossa Senhora, a compadecida. Ela como uma mãe intercede por ele a seu filho Jesus, e o convence a deixar João volatar.

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por
Liliane Gomes
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17/06/2026 - 12h

Verity é um romance é um thriller psicológico da autora norte-americana Colleen Hoover. Foi inicialmente publicado pela própria autora em 2018. Nascida em 1979 no Texas, famosa por dominar as listas de best-sellers com romances, suspenses psicológicos e ficção "New Adult". Conhecida pelo fenômeno no TikTok ("BookTok"), começou autopublicando suas obras e ficou mundialmente famosa por livros como É Assim Que Acaba (It Ends with Us).

A escrita de Colleen Hoover é marcada por narrativas intensamente emocionais, fluidas e viciantes, focadas em romances contemporâneos, dramas familiares e, frequentemente, suspense psicológico. Seus livros abordam temas pesados, como

violência doméstica, luto e abuso. Com profundidade, mantendo uma leitura rápida, acessível e repleta de reviravoltas surpreendentes

O livro conta a história de uma escritora famosa, cujo nome é Verity, que ganhou fama após escrever uma saga de livros. Porém tudo muda, quando sua vida, parece ser um imã de tragédias, marcado pela morte das filhas gêmeas e um grave acidente de carro, que a deixa catatônica, aos cuidados de seu marido Jeremy Crawford.

No outro lado da história temos Lowen Ashleigh, uma escritora falida contratada para finalizar a série de sucesso de Verity Crawford, aceitando finalizar os últimos três livros da saga, com a condição de assinar com o pseudônimo Laura Chase.

Ela é convidada por Jeremy a ficar na casa da família Crawford, para obter informações e detalhes, que ajudem nessa missão. Mas um manuscrito escondido, escrito por Verity, revela segredos perturbadores, manipuladores e violentos sobre seu casamento e filhos, fazendo Lowen questionar se a Sra. Crawford está mesmo catatônica. O plot twist vêm vem quando ela encontra uma carta, escrita por ela.

Conforme passa-se os dias na casa, Lowen e Jeremy, vão se aproximando e se apaixonando. A desconfiança de Lowen, sobre o estado de Verity, é verdadeira, fazendo com que ela tome decisões perturbadoras.

A principal discussão gira em torno da veracidade da carta final versus o manuscrito, dividindo os leitores entre teorias sobre quem é a verdadeira vilã.

Nas redes o livro gera a dicotomia "ame ou odeie", com alguns elogiando o suspense e outros achando a resolução preguiçosa ou incoerente.

Em 2 de outubro de 2026, o livro ganhará uma adaptação cinematográfica. O thriller psicológico, produzido pela Amazon MGM Studios e dirigido por Michael Showalter, estrela Dakota Johnson (Lowen Ashleigh), Anne Hathaway (Verity Crawford) e Josh Hartnett (Jeremy Crawford).

A adaptação também divide os públicos, há curiosidade sobre como o filme lidará com as revelações perturbadoras da autobiografia de Verity e o dilema de Lowen sobre esconder ou não a verdade de Jeremy. Há os que acham positivo, pois o trailer mostra, algumas cenas fiéis ao livro, há aqueles que se preocupam, achando que vai ser flopado, assim como foi com as outras adaptações dos livros da autora.

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