Após tentativa falha de reunião com o diretor executivo da FUNDASP, nova assembleia votará possível ocupação do campus Monte Alegre
por
Vítor Nhoatto
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21/09/2026 - 12h

Na manhã de sexta-feira (18), alunos, professores e funcionários da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) marcharam em protesto pacífico até a sede da Fundação São Paulo (FUNDASP), mantenedora da universidade. Sob cânticos universitários e o lema “Amar a PUC, lutar pela PUC”, o ato acabou sem resoluções, e uma nova paralisação por parte dos movimentos estudantis será votada na próxima terça-feira (22).

“A gente solicitou, na nossa concepção, coisas básicas para uma universidade como a PUC funcionar, e o padre não nos deu ouvidos. A ideia é que a gente não pare até que sejamos ouvidos.” Essa foi uma das falas de Íca Iyamí Nishimoto, presidente do Centro Acadêmico de Serviço Social na PUC-SP, após o não comparecimento do diretor-executivo da FUNDASP, padre José Rodolpho Perazzolo. 

As reivindicações a que Íca se refere já são antigas, mas ganharam força especialmente após o anúncio da adoção da plataforma Educaopen para a concessão e renovação de bolsas de estudo em 13 de agosto. A ferramenta analisa, por meio da tecnologia open finance, movimentações dos alunos e seus familiares para determinar se deveriam ou não receber, ou continuar com a bolsa de estudos. 

Mais detalhes sobre como isso funcionaria e quais dados e períodos seriam analisados, não foram fornecidos aos estudantes, mesmo após pedido formal do Centro Acadêmico de Relações Internacionais (CARI). Devido à repercussão negativa, a FUNDASP voltou atrás no dia 2 de setembro, mas a insatisfação com outros quesitos não pôde ser contida.

Reuniões internas de cada curso da PUC-SP aconteceram, até que no último dia 16, uma assembleia geral com grande quórum aconteceu no Campus Monte Alegre. Estiveram presentes centenas de alunos, funcionários e professores, que votaram por uma paralisação voluntária durante os dias 17 e 18 de setembro. Figuras políticas e candidatos como Thiago Ávila  e Isadora Brizola também discursaram em apoio aos estudantes. E assim se deu. Professores avisados e alunos fora da sala de aula, apesar de uma parte continuar como se o clima no ar não fosse de tensão. 

Mesmo assim, a mobilização era visível. Durante os dois dias, os alunos não compareceram às aulas, e realizaram produções de cartazes, rodas de conversa e outras atividades. Até que no último dia da paralisação, às 10h, os manifestantes marcharam rumo à sede da FUNDASP para pressionar o Conselho da mantenedora, que se reuniria às 10h30 com o Conselho de Mobilização para negociar.

Dentre as reivindicações apresentadas por representantes dos Centros Acadêmicos e Movimentos Estudantis da universidade, estão: melhoria na infraestrutura, aumento na concessão de bolsas pela instituição, congelamento no preço das mensalidades ou com aumento limitado pela inflação, aumento dos salários dos docentes e maior transparência em relação à situação financeira da PUC-SP.

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Alunos protestam por melhores salários para docentes contratados a partir de 2023, destacando que novas contratações recebem quase metade dos que já lecionam na PUC-SP. Foto: Vítor Nhoatto

Helena Allil, relações públicas do Centro Acadêmico de Direito (CA 22), destacou minutos antes da caminhada até a mesa de negociação na Fundação: “A paralisação é a melhor ferramenta que a gente tem para lidar com a situação atual. Estamos agindo muito bem e todos os estudantes precisam apoiar, porque a situação da PUC está catastrófica e a força estudantil precisa mudar isso.”

Segundo dados de acesso público do Ministério da Educação (MEC), o número de bolsas integrais PROUNI caiu de 284 para 146 entre 2020 e 2026. Entre 2021 e 2023, o número se manteve relativamente estável perto de 300 por ano, até que em 2024 chegou a 540 e despencou para 126 em 2025. 

Em relação à verba destinada à pesquisa, de acordo com demonstrativos financeiros da FUNDASP, o montante foi de apenas R$ 21 mil no ano passado, contra quase R$ 2,5 milhões em 2019. Para 2026, a Fundação - que chamou de falsas as informações divulgadas - se limitou a divulgar em nota no último dia 10, que mais de R$ 1 milhão foi liberado para editais de fomento à pesquisa até então. Mesmo assim, o valor não chega a 0,5% das despesas totais da instituição. 

A nota destaca obras realizadas no Campus Monte Alegre, como a revitalização da quadra e do bosque; fala sobre o aumento da mensalidade de 2025 para 2026 ter sido de 9,49% no curso de Relações Internacionais, o que estaria abaixo do limite estabelecido pelo conselho; e reforça que cumpre as regras do MEC sobre a oferta de bolsas estudantis.

No entanto, a obra mencionada na quadra levou anos para ser concretizada, após uma série de pedidos das Atléticas. A reforma do bosque inutilizou o espaço do Centro Acadêmico de Jornalismo, que foi ocupado por entulhos e teve seus móveis descartados sem autorização e ainda teve piso e paredes danificados, segundo lideranças do próprio CA.

Sobre o reajuste, o Centro Acadêmico de Relações Internacionais destaca que o aumento na mensalidade deveria ser justificado pela inflação, que foi de 4,22% segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), menos da metade do aumento registrado em um ano. Há também cobrança pelo aumento no número de bolsas fornecidas pela Fundasp para minimizar a diminuição das bolsas concedidas pelo Governo Federal - dados que, por sua vez, não estão suficientemente claros nos relatórios da fundação.

Em entrevista para a AGEMT durante o ato em frente ao prédio da FUNDASP, a candidata à reeleição como deputada federal por São Paulo pelo PSOL, Samia Bomfim, destacou o seu apoio a causa estudantil: “É necessário permitir, a partir da política de cotas, a entrada de estudantes mais pobres na universidade [...] além de se ter políticas de permanência, para garantir que os estudantes tenham o direito de se formar.” 

Professores e funcionários da PUC-SP também estavam presentes na assembleia. Entre cartazes, um megafone, mochilas de estudantes e stencils colados à mão nos tapumes da obra da futura Linha 6-Laranja do metrô na Rua Cardoso de Almeida, escutava-se um único grito: pelo direito básico que é a educação de qualidade para todos.

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Estudantes foram orientados a colar cartazes apenas nos tapumes da obra do metrô, para evitar acusações de vandalismo por parte da Fundasp. Foto: Vítor Nhoatto

Questionada pela AGEMT sobre a ausência de Rodolpho na reunião, a FUNDASP respondeu: “Temos a informar que, a pedido dos estudantes, reiterado em assembleias, o padre Rodolpho está fora dessas negociações. O padre João Júlio, diretor-executivo como ele, atendeu o Conselho de Mobilização dos alunos da PUC-SP, mas os representantes se recusaram a seguir em negociação”. A Fundação não deu mais detalhes sobre esse “pedido dos estudantes” para que o padre Rodolpho ficasse de fora das negociações, e os estudantes repudiaram a ausência.

Gritos de “Fora Rodolpho” foram entoados, e grande parte dos cartazes produzidos atacava o padre. Em comunicado nas páginas dos CAs na rede social Instagram, o Conselho reiterou que “agradeceu aos representantes da Fundação a recepção”, mas que “não há sentido em uma reunião sobre as negligências da gestão de Rodolpho sem que o próprio esteja presente” 

Com a falha nas tratativas, o Conselho realizará novamente uma assembleia geral na PUC-SP na próxima terça-feira (22), às 10h e às 18h. Nela, será discutida e votada uma nova paralisação e uma possível ocupação do campus Monte Alegre, tal qual ocorreu em maio do ano passado, também por conta de problemas de infraestrutura e sucateamento. Além disso, um novo e-mail solicitando uma reunião expressamente com o padre Rodolpho foi enviado à Fundasp.

“Se o padre não ouvir os estudantes, a gente vai paralisar, e se continuar, vamos votar uma ocupação, e se mesmo assim não ouvir, vamos ocupar a PUC-SP,” garantiu Laís Hera, presidente do CA de Direito, logo após a ausência de Rodolpho na reunião ser anunciada em frente ao prédio da Fundação. 

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Histórico de lutas da instituição, principalmente durante a ditadura militar, foi lembrado por estudantes que marcharam até o prédio-sede da FUNDASP, na manhã de sexta. Foto: Vítor Nhoatto

Ao som da Bateria do curso de Relações Internacionais, entre cantos, cartazes e sob um sol que há dias não aparecia em São Paulo, os estudantes marcharam de volta ao campus sem resposta. “Se a paralisação se estender para a próxima semana, eu não tenho nenhum problema em vir aqui com o pessoal”, frisou Luciano Paulino, diretor de eventos da BateRI. 


 

Greve geral de estudantes e funcionários busca melhorias na Universidade de São Paulo
por
Sofia Martins
Beatriz Foz
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21/05/2026 - 12h

A greve de estudantes e funcionários paralisou 130 cursos da Universidade de São Paulo no começo de abril. No dia 14, a greve de funcionários foi aprovada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) e nos dias seguintes, de 15 e 16 de abril, os estudantes aderiram ao movimento, convocados pelo Diretório Central Estudantil (DCE) após assembleias coletivas em diversos cursos. Sem previsão de retorno às atividades normais da universidade e com uma programação paralela de atos estudantis e passeatas, a paralisação une trabalhadores e estudantes, que pedem melhorias no espaço estudantil e isonomia salarial.

Os funcionários da universidade entraram em greve, principalmente, pelo projeto da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace). A gratificação consiste em um aumento de R$ 4.500,00 durante dois anos para docentes exclusivos, que oferecessem aulas extracurriculares aos alunos da universidade. O bônus foi visto como uma medida excludente e injusta pelos servidores da USP, que decretaram greve reivindicando isonomia salarial. 

Wilson Maia, técnico de laboratório da Escola Politécnica e filiado ao SINTUSP declarou que os funcionários sempre ficam "em segundo lugar”, explicando que a atual reitoria privilegia somente os professores. “Isso só vai mudar se tiver greve, manifestação com bastante força que nem eu acho que está tendo agora.”, complementou o técnico. 

Em entrevista à AGEMT, Mirela Bueno Pacífico, estudante de letras da Faculdade de Letras, Filosofia e Ciências Sociais (FFLCH) e filiada ao Movimento Rebeldia, destaca que  a gratificação proposta pela reitoria é apenas uma manobra para não reajustar oficialmente os salários de todos os funcionários. “O salário dos trabalhadores e dos próprios professores está defasado há anos, e eles não fazem reajuste”, conclui a estudante. 

Exigindo melhorias no Programa de Permanência Estudantil e maior qualidade dos espaços da universidade, os estudantes paralisaram mais de 100 cursos. As principais reivindicações são melhorias no Conjunto Residencial da USP (CRUSP), que passou semanas com problemas de energia, resultando na falta de água e de luz; melhoria da qualidade da alimentação dos Restaurantes Universitários, que apresentaram larvas, baratas e até pedaços de pedras em unidades diferentes (principalmente no bandejão da Química, no campus Butantã, e no bandejão da São Francisco) e o reajuste do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), considerado atualmente um valor insuficiente de R$ 885,00 mensais.

Em relação à precarização do CRUSP, o estudante de letras João Vitor Santos, comenta que alguns blocos da residência ainda não estão estabilizados após a falta de energia. “Isso mostra que a universidade não faz nada para os estudantes permanecerem, na verdade contribui para que eles sejam expulsos diretamente”, acrescentou o estudante.

Galão de água com o escrito "Cadê a água do CRUSP?" em frente a reitoria. Reprodução:/ (@dceusp)
Em protesto pela falta de energia do CRUSP, estudantes colocam galão de água vazio em frente à reitoria. Reprodução:/ (@dceusp)

Como manifestação, os estudantes e trabalhadores da Universidade de São Paulo marcharam do portão 1 da USP Butantã até a Av. Faria Lima, na quinta-feira (23).

O professor de história e sociologia Marco Cabral, doutor em História Econômica pela FFLCH-USP, comenta que as greves nas faculdades públicas acontecem, principalmente, por uma disputa por orçamento. “A gente tem um orçamento limitado, o país é cheio de carências e alguns setores merecem mais atenção. Acho que a educação tem sempre menos força para tracionar esse cabo de guerra.”, explica o professor. Marco destaca a importância dos movimentos estudantis para a melhoria do funcionamento das universidades. “Muitas das conquistas que as universidades públicas tiveram também aconteceram por influência da pressão dos movimentos estudantis. A universidade prospera também graças à essa pressão.”, declarou o historiador.

Dany Oliveira, aluna de Artes Cênicas da Escola de Comunicação e Artes (ECA) e diretora do DCE Livre da USP, comenta sobre as dificuldades dos alunos da Universidade de São Paulo: “Muitos trabalhadores e jovens vindos da periferia, que ingressam na faculdade, têm vivenciado um completo desmonte do ensino público. A vida desses estudantes é insustentável, é inconciliável morar longe, trabalhar, estudar e conseguir terminar o seu curso, a universidade não se importa com a falta de condições em prosseguir com os estudos”. Com relação ao bandejão e a terceirização dentro da universidade, Oliveira critica: “A USP está num processo de privatização dos bandejões, os bandejões terceirizados têm cumprido um papel de precarizar a vida dos trabalhadores, usar horários exaustivos de jornada e oferecer a pior qualidade de comida. O problema não está nos trabalhadores, mas no fornecimento que as empresas têm destinado para a USP.”

No dia 23 de Abril, os servidores da USP aceitaram a proposta da reitoria e decidiram pelo fim da greve dos funcionários. A proposta apresentada ao SINTUSP propõe uma gratificação mensal aos trabalhadores no valor de R$ 1.600,00. O dinheiro seria oriundo do mesmo montante destinado aos docentes da USP e pagamento acompanharia o cronograma de vencimento da gratificação dos professores, previsto para o início de 2027, durante dois anos. Além disso, o acordo tem o intuito de oferecer aos trabalhadores terceirizados melhores condições de transição dentro do campus, similares aos dos funcionários da universidade, podendo incluir a criação de novo sistema de transporte gratuito. Parte dos trabalhadores voltaram à rotina normal de trabalho na sexta-feira (24), enquanto o restante voltou na segunda-feira (27). Mesmo após paralisação da parte dos trabalhadores, os estudantes seguem em greve.

As manifestações estudantis que prosseguiram contaram com protestos e críticas contra o atual governo de São Paulo, que tem se omitido diante da situação. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na terça-feira (05), limitou-se a dizer que "a greve não entra na minha cabeça. É uma falta de oportunidade, os estudantes têm que estudar”. O governador optou por não discutir as questões dos bandejões, CRUSP, terceirização e outros. 

Oliveira esclarece as condições atuais da Universidade de São Paulo: "Sou ex-moradora do CRUSP, morei até o final do ano passado (2025) e a situação da moradia é muito precária, eu passei quase dois meses sem chuveiro e água em casa. A justificativa da universidade foi de que não havia condições de manutenção por falta de funcionários voltados para essa área. Os bandejões até 2023 não funcionavam no fim de semana, então os moradores do CRUSP não tinham o que comer.” 

O Deputado Estadual Guilherme Cortez (PSOL), em entrevista à AGEMT, diz que "a greve é muito legítima, é lamentável que o corpo diretor da universidade não tenha se disposto a ouvir as demandas, é uma greve que merece todo nosso apoio, por que não é só pelos direitos dos estudantes, que são muito importantes, mas para que a universidade pública tenha o dinheiro adequado para cumprir com seu papel social no Estado”. O parlamentar comenta que a situação da Universidade de São Paulo é muito crítica, desde de 1995 e que investimentos mínimos nas universidades estaduais não são reajustados. “Isso na ponta vai implicar menos dinheiro para a permanência estudantil, menos dinheiro para os bandejões, para o trabalho dos hospitais universitários… tudo isso prejudica a atividade dos estudantes”, complementa Cortez. 

A manifestação foi marcada por cartazes e fotos do governador Tarcísio de Freitas como um soldado nazista, junto do reitor Aluísio Augusto Segurado com uma bandeja com larvas nas mãos. Segurado não estava presente na ocupação da reitoria, ignorando a ação dos estudantes.

Cartazes de caricaturas de Tarcísio de Freitas e Aluísio Augusto Segurado durante o ato em frente a reitoria do dia 28/05. Foto: Beatriz Foz.
Cartazes de caricaturas de Tarcísio de Freitas e Aluísio Augusto Segurado durante o ato em frente a reitoria do dia 28/05. Foto: Beatriz Foz/Agemt.

Após prosseguirem com manifestação na USP Butantã, estudantes ocuparam a reitoria na quinta-feira (07). Imagens gravadas por um funcionário e alunos mostram o portão sendo derrubado e portas de vidro do prédio da administração central sendo quebradas. Segundo os alunos, não há intenção de encerrar os atos e manifestações continuarão a favor de melhores condições na universidade, enquanto não houver uma negociação com a reitoria. 

 

Alunos seguram cartazes em manifestação. Reprodução:/(@dceusp)
Alunos seguram cartazes em manifestação. Reprodução:/ (@dceusp)

Depois de adentrarem o saguão da reitoria, a Polícia Militar foi acionada. Os policiais interromperam o ato, usando bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes, ‘corredor polonês’ para desocupar o prédio, a ação durou aproximadamente 15 minutos. Quatro estudantes foram detidos e levados ao 7º Distrito Policial, da Lapa, onde foi registrado um boletim de ocorrência por dano a patrimônio público e alteração de limites. A gestão do Reitor Aluísio Cotrim Segurado repudiou o ocorrido, afirmando que a PM agiu sem o conhecimento da reitoria e que "nada substitui o diálogo, a pluralidade de ideais e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias". O deputado federal Kim Kataguiri (Missão) se pronunciou sobre o caso e falou em “descer a borracha” nos participantes. 

 

Impedidas de ocupar a Paulista, centrais sindicais levam o ato para a República, enquanto grupos de direita convocam manifestação na avenida
por
Isabela Sallum
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30/04/2026 - 12h

Neste Dia do Trabalhador, a Avenida Paulista será palco de uma manifestação convocada por grupos de extrema direita em apoio à possível candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O ato também inclui pautas como a defesa da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Tradicionalmente marcada por mobilizações do campo progressista e do movimento sindical, a data mantém seu caráter de reivindicação trabalhista, ainda que em outro endereço. Neste ano, centrais sindicais realizam seus atos na Praça da República, após terem o pedido para ocupar a Paulista negado pela Polícia Militar. Segundo a PM, a prioridade foi concedida ao grupo Patriotas do QG, que teria protocolado a solicitação primeiro, em 2024.

Para as lideranças sindicais, o contexto atual impõe novos desafios. Em entrevista à AGEMT, Thiago Tanji, presidente do Sindicato dos Jornalistas, afirma que o movimento enfrenta um cenário adverso marcado pelo avanço de políticas neoliberais. “O neoliberalismo tem uma ideologia muito clara, centrada no individualismo, que nega a existência de soluções coletivas e coloca os sindicatos como entidades que atuariam apenas em interesse próprio”, diz. Segundo ele, essa narrativa contribui para a desmobilização da organização coletiva dos trabalhadores.

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, ministra das mulheres Cida Gonçalves e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, durante ato do dia 1º de Maio das Centrais Sindicais, na Praça Campo de Bagatelle, em 2025. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, ministra das mulheres Cida Gonçalves e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, durante ato do dia 1º de Maio das Centrais Sindicais, na Praça Campo de Bagatelle, em 2025. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Apesar disso, as pautas trabalhistas seguem nos centro das reivindicações. Em 2026, o principal eixo dos atos é a mudança na jornada de trabalho. “O debate pelo fim da escala 6x1 é o grande debate dos sindicatos e da sociedade brasileira”, afirma Tanji. Pesquisa do Datafolha indica que 71% dos brasileiros são favoráveis à mudança. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de setores empresariais, que alegam possíveis impactos econômicos e na produtividade.

Relevância histórica

Mesmo em outro local, o movimento sindical preserva protagonismo na data. Celebrado internacionalmente, o 1º de Maio remonta à luta histórica da classe trabalhadora por direitos e melhores condições de trabalho.

O ponto inicial para que o Dia do Trabalhador fosse celebrado no 1º de Maio foi a greve dos trabalhadores em Chicago, nos Estados Unidos, no final do século XIX, que reivindicava uma jornada de trabalho de 8 horas diárias. O episódio se tornou símbolo da resistência operária.

No Brasil, o 1º de Maio foi incorporado ao calendário oficial ainda no início do século XX, em meio ao crescimento do operariado urbano e à organização dos primeiros movimentos trabalhistas. A data foi transformada em feriado nacional em 1924 com o objetivo de celebrar a “confraternização das classes trabalhadoras”, mas também de reduzir o caráter reivindicatório das mobilizações, frequentemente marcadas por protestos e greves. A greve mais marcante ocorreu em 1917, contando com a participação de aproximadamente 50.000 operários que reivindicavam aumento salarial, fim do trabalho infantil, jornadas de 8 horas entre outras coisas, resultando em 200 mortes entre grevistas e policiais que atuavam na repressão.

Palmeiras Antifascista e outros grupos colaboram para um esporte mais acessível e igualitário.
por
Sophia Coccetrone
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13/11/2025 - 12h

Há diversos grupos políticos dentro de torcidas de futebol, principalmente com guerras e embates cada dia mais intensos. Na torcida palmeirense não seria diferente. Palmeiras Antifascista, ou P16, por conta do seu ano de fundação (2016), é um coletivo de torcedores palmeirenses que luta contra os rumos que o futebol e a sociedade estão tomando, principalmente a questão do reacionarismo dentro do esporte e a elitização do futebol. A página começou pelo Facebook, mas tomou grandes proporções e hoje o coletivo participa de manifestações e atos importantes, seja com assuntos futebolísticos, seja com pautas externas, como a questão Palestina x Israel. 

O grupo se concentra nos dias de jogos da Sociedade Esportiva Palmeiras, na rua Caraíbas, mais especificamente no bar Caraíbas 45’. Segundo membros, a concentração de torcedores nas famosas “alamedas” do antigo Parque Antártica e atual Allianz Parque trata-se, além de uma tradição, de uma luta contra os valores abusivos dos ingressos para os estádios, além de celebrar a união da torcida sem discriminações e tornar a experiência palmeirense para todos, principalmente na gestão Leila Pereira, que, segundo os entrevistados, intensificou a elitização do Palmeiras e do futebol em geral. 

Hugo Martins, membro do Palmeiras Antifascista e estudante de Ciências Biológicas pela Universidade Nove de Julho, diz: “Minha maior memória palmeirense é a camisa oficial da Adidas verde-limão que ganhei na infância (...) Eu só consegui assistir um jogo no estádio uma vez na vida, e já era adulto.” 

A tradição das alamedas incomoda os defensores do futebol moderno, e as ruas Caraíbas, Palestra Itália e Venâncio Aires (principais ruas de concentrações de torcedores) é sempre questionada, algumas vezes contando com policiais militares interditando as ruas sob justificativa de que a aglomeração para assistir jogos gera “bagunça”, incômodo aos moradores e entrada de vendedores ambulantes de produtos não-oficiais.

As três ruas citadas possuem bares temáticos do Palmeiras, sedes de torcidas organizadas como Mancha Verde, Rasta Alvi Verde, entre outras. Contam também com a presença de pessoas de torcidas aliadas, como Galoucura (Atlético-MG), Geral do Grêmio e Força Jovem do Vasco e possui lojas de produtos do clube com preços pouco mais acessíveis. 

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Bar O Sobrado, na rua Caraíbas, com pôster antirracismo de Luighi, jovem jogador do Palmeiras que sofreu racismo de torcedores na Libertadores sub-20. - Foto: Sophia Coccetrone/AGEMT 

Gabriel Silva, membro do Palmeiras Antifascista e estudante de Relações Internacionais pela FMU, diz que se sensibiliza muito pela pauta palestina, principalmente com a influência do seu curso. Ele sente a necessidade de colocar a política em pauta no futebol, principalmente por se tratar de uma área conservadora e que há a falácia de que “política e futebol não se misturam”. O estudante comenta que o Palmeiras tem política desde sua essência, sendo um clube fundado por imigrantes italianos operários em 1914, sob o nome de Palestra Itália, além de possuir um primeiro presidente anarquista, Ezequiel Simoni.

Apesar de tudo, Gabriel diz que há fascistas, reacionários e conservadores em todos os lugares, e que as torcidas de futebol são espelho da sociedade. Ele enxerga o futebol como um pilar que ilustra comportamentos sociais. Por isso, segundo ele, uma colega do Palmeiras Antifascista já foi expulsa de um bar de futebol sob ameaças por conta de sua homossexualidade e posição política. 

Gabriel comenta que dentro do ramo do futebol, sua maior preocupação é a elitização e o futebol “teatral” ou “moderno”, ou seja, um futebol “socializado”, sem torcidas organizadas, sem festa, sem classe baixa dentro do estádio e sem produtos oficiais acessíveis, além da flexibilização da rivalidade, levando à diminuição da efervescência do que é ser torcedor. 

O jovem comenta que seu pai se tornou palmeirense porque era um menino sozinho, sem um figura paterna, e um vizinho mais velho o levava para o estádio Morumbi para ver jogos do Palmeiras. Assim, o pai passou o amor pelo alviverde para o filho, que hoje sofre com problemas para frequentar o estádio devido aos altos custos dos ingressos em arenas, como o próprio Allianz Parque. 

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João Gabriel Silva na manifestação Marcha Por Gaza, em apoio aos palestinos. - Foto: Sophia Coccetrone/AGEMT

Entretanto, a experiência palestrina continua viva para os torcedores, que não abandonam o clube, sob a alegação de que: "Pessoas (gestores, jogadores, conselheiros…) passam, o Palmeiras fica!"  

Uma atitude ampliada pela torcida palmeirense foi a campanha #SomosSociedade, que foi divulgado pelo Palmeiras em prol do fim do ódio no futebol e na sociedade, também contando com participação de mulheres com câncer de mama na entrada aos gramados durante o Outubro Rosa, além de uniformes com mensagens anti-desmatamento e em solidariedade aos cânceres de próstata e mama. 

 

 

 

Voluntário conta sua experiência de dez anos entregando cestas básicas para comunidade no Morumbi
por
Gustavo Song Jun Choi
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24/09/2025 - 12h

Na cidade de São Paulo, o bairro do Morumbi é marcado pela desigualdade, principalmente pelo contraste entre as residências de alto padrão e as moradias precárias. Na Rua Santo Américo, 357, a paróquia São Bento do Morumbi procura ajudar os moradores de uma das comunidades do bairro, o Jardim Colombo. O trabalho é realizado pelos voluntários da Pastoral Social, alguns deles membros da comunidade, que fazem a entrega de cestas básicas na paróquia e organizam visitas de apoio às moradias da comunidade.

Fabrício Habib, conselheiro e membro ativo do trabalho comunitário da paróquia, diz que se vinculou ao projeto quando começou a frequentar a igreja e conhecer as pessoas da comunidade. “Já tinha vontade de fazer um trabalho social, achava que era algo importante para minha vida, para meu papel como cidadão”, conta.

Segundo ele, quando se somou ao projeto, a pastoral ainda não dispunha de um sistema de organização para a entrega de cestas. Hoje, a distribuição é dividida em etapas e equipes, responsáveis por tarefas diferentes do processo. Esse modelo foi planejado e implementado por Habib, ao longo de seus dez anos de experiência como voluntário e coordenador.

Voluntários da Pastoral Social da Paróquia São Bento do Morumbi
Fabrício Habib e voluntários da Pastoral Social - Foto: Divulgação


As cestas básicas costumam ser distribuídas no terceiro sábado de cada mês, às 8h30, na paróquia. Habib afirma que a quantidade de cestas distribuídas, comparada a quando ele começou, em 2015, tem demonstrado aumento. Hoje, o projeto atende 300 famílias, o maior número de pessoas já registrado. "Quando entrei, eram em torno de 95 cestas”, conta. Sobre o conteúdo da cesta em si, ela é montada especificamente para a paróquia, com objetivo de alimentar uma família de quatro pessoas por 15 dias, ou duas pessoas por 30 dias. 

De acordo com o conselheiro, a origem por trás da paróquia ocorreu com a chegada de uma congregação de monges beneditinos húngaros ao Brasil por volta de 1930. Desde então, começaram uma série de obras sociais, ao fundar a Abadia São Geraldo, que possui outras unidades, uma delas a paróquia São Bento do Morumbi. O trabalho voluntário em questão surgiu através do Movimento PAX.

De acordo com o site “Movimento PAX”, o movimento foi fundado por Dom Veremundo Tóth, em 1990, com o objetivo de pregar paz e alegria. Atualmente, além de encontros e retiros religiosos, o movimento realiza o trabalho de auxílio aos necessitados do Jardim Colombo. O financiamento para a montagem das cestas básicas é feito pelo movimento, constituído, em sua grande maioria, por alunos e ex-alunos do Colégio Santo Américo. Localizada ao lado da paróquia, a escola é uma das unidades que derivam da abadia.

Quando questionado sobre futuras metas do trabalho da pastoral, o ex-coordenador diz que o objetivo de longo prazo seria não só dar cestas básicas, mas ajudar as pessoas atendidas a sair da situação de pobreza, para que não precisem mais da cesta. “Não queremos de maneira nenhuma que essas pessoas dependam da gente, ou que seja um trabalho só de enxugar gelo, ou que seja só um trabalho de assistência simples”, diz.

Sobre as dificuldades logísticas do trabalho, o conselheiro conta que é uma dificuldade contínua, e que varia ao longo do tempo. Apesar de atenderem 300 famílias, houve vezes em que, por conta da falta de recursos, atenderam menos de 100.

“Houve épocas em que fomos obrigados a diminuir a quantidade de alimentos na cesta, épocas em que temos muita gente trabalhando”, complementa.

Habib ainda relata outras dificuldades relacionadas ao trabalho. “Somos voluntários, temos nossas vidas, nosso trabalho, nossa família. Então já houve dificuldades também de a gente dedicar tanto tempo que acaba atrapalhando nossa vida pessoal." 

Ele diz que o projeto coloca seus voluntários em contato com a pobreza extrema, o que muitas vezes já o deixou abalado ao voltar para casa, com dificuldade até mesmo de sentar-se à mesa para almoçar. “É muito difícil você conseguir separar isso do dia a dia, precisa de um amadurecimento emocional para conseguir fazer esse trabalho com um pouco mais de profundidade”, afirma.

Ainda sobre as visitações, Habib diz que é uma experiência dura, por colocar o voluntário de frente a uma realidade que muitas pessoas não sabem que existe e com a qual outras tantas fazem questão de não conviver no dia a dia. Porém, ao mesmo tempo, ele considera a experiência engrandecedora, pois o voluntário passa a entender a sociedade de outra maneira, aprendendo sobre a fragilidade das pessoas.

“É engrandecedor, pois isso faz com que você ressignifique o tamanho de seus problemas, e ajuda a gente a ser um ser humano mais completo”, afirma, acrescentando: “O correto não deveria ser só para nós mesmos. Temos obrigação como cidadãos de cuidar da nossa sociedade, do nosso país, do nosso bairro e da nossa comunidade”.

Sobre a desigualdade do bairro, Habib diz: “O Morumbi é a cara do Brasil. Essa desigualdade que existe no Morumbi existe no Rio de Janeiro, Brasília. Você sai da capital federal, onde estão os políticos ou pessoas de condição financeira, anda 30 minutos de carro e chega em áreas extremamente pobres”. E continua: “Esse é um reflexo da sociedade que a gente construiu, onde as oportunidades não são iguais para todo mundo”.

Habib avalia que, apesar de a saúde e a educação pública serem um direito de todos, o governo sempre poderia estar fazendo melhor, já que o nível de assistência e oportunidade é muito diferente e, ao longo do tempo, a tendência, para ele, é que essa desigualdade aumente. Porém, o conselheiro acredita que o esforço para mudança cabe não apenas ao governo, como também aos próprios cidadãos. “Não é uma função só do governo, é um trabalho que deve ser feito em conjunto. Sabendo disso, meu trabalho ganha mais sentido.”

 

 

Centenas de estudantes se mobilizaram em manifesto às denúncias de racismo e falhas na infraestrutura
por
Annick Borges, Davi Rezende, Manoella Marinho e Rafael Pessoa
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24/05/2025 - 12h

 

Alunos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) realizaram uma ocupação no campus Monte Alegre nesta semana, protestando contra o posicionamento da reitoria frente cobranças sobre falhas na infraestrutura e casos de discriminação nos cursos. Na sexta-feira (23), o reitor Vidal Serrano compareceu a uma assembleia geral para conversar com os estudantes. Após o diálogo foi determinado que a  ocupação iria durar até segunda-feira (26).

As manifestações começaram na segunda-feira (19) e tiveram seu estopim em uma assembleia organizada pelo Centro Acadêmico de Psicologia (CAPSI), na quarta-feira (21), que definiu a interrupção das aulas no curso. Os Centros Acadêmicos de Ciências Sociais (CACS), Serviços Sociais (CASS), Relações Internacionais (CARI) e o Coletivo Negro Saravá também participaram da assembleia e aderiram à organização dos atos. Seus respectivos cursos estão com aulas suspensas desde o início da semana.

A assembleia do Centro Acadêmico de Psicologia

Os estudantes iniciaram os protestos com base em denúncias feitas por alunos sobre os casos de racismo, infraestrutura da universidade, permanência estudantil e atitudes da reitoria diante desses ocorridos na universidade, nos últimos 2 anos. 

Durante a assembleia, a vice-presidente do CAPSI, Ana Julia Araujo, comentou sobre as reclamações dos estudantes: “Uma das pautas colocadas foi o fechamento do curso de pós-graduação de Relações Internacionais, o programa San Tiago Dantas, essencial na pesquisa da causa dos povos palestinos”. Ela também aponta falta de diálogo entre a Fundasp (mantenedora da PUC-SP) e o corpo docente e discente do curso antes de tomar a decisão de encerrar o programa.

Outras denúncias incluem atos de racismo por parte dos docentes dos cursos de História e Ciências Sociais. Em um caso relatado à Folha de S. Paulo, em 2024, uma aluna - única não branca de sua sala - afirmou ter sofrido racismo de uma professora no curso de História. Quando denunciada pela aluna à ouvidoria, a Fundasp afirmou que não iria afastá-la, pois seria muito caro à fundação, devido aos 40 anos de trabalho da professora para a universidade.

Em entrevista à AGEMT, Athos Soares, estudante de Ciências Sociais, conta que um aluno do curso, ao tentar entrar na sala de aula, foi barrado e questionado por um segurança a respeito da sua permanência no local. 

O ápice das denúncias ocorreu nesta semana, com a queda de parte do teto do edifício Cardeal Motta, conhecido como “prédio velho”, durante a assembleia do CACS, na segunda-feira (19). Discentes que gostariam de ser deixados em anonimato afirmam à AGEMT terem visto um grupo de crianças em excursão na área minutos antes do ocorrido. 

Na manhã de quarta-feira (21), um vídeo de um rato andando pelo refeitório universitário circulou pelas redes sociais, interditando o espaço e alarmando os estudantes sobre a higiene do local.

 

Após os Centros Acadêmicos dos cursos da Faculdade de Ciências Sociais (FACSOCS) aderirem à paralisação no início da semana, o resultado da votação dos alunos de psicologia foi de unanimidade entre os presentes na assembleia, por 193 a favor da interrupção das atividades curriculares. 

Definida a paralisação, os estudantes realizaram piquetes nas entradas do prédio Cardeal Motta, utilizando mesas e cadeiras para bloquear os acessos ao edifício e às entradas das salas dos cursos de Ciências Sociais, Serviços Sociais e Psicologia.

 

A imagem acima contém estudantes reunidos sentados em carteiras em frente a um bloqueio de cadeiras e mesas empilhadas em um corredor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Estudantes da se reúnem em frente a um bloqueio no campus da PUC-SP na Rua Monte Alegre. Foto: Rafael Pessoa

 

Na manhã da quinta-feira (22), o acesso ao campus pela rampa da Rua Monte Alegre (que estava bloqueado) foi aberto para a circulação dos funcionários. Espaços em meio aos piquetes para que os alunos acessassem as salas de aula também foram liberados, mas as cadeiras ainda estavam presentes, revelando a constante presença dos alunos.

Posicionamento dos outros centros acadêmicos

Os protestos foram oficialmente apoiados pelos Coletivos Da Ponte pra Cá - frente organizada por alunos bolsistas -, União da Juventude Comunista (UJC), Movimento Correnteza e pelo Centro Acadêmico de Jornalismo Benevides Paixão (Benê).

A imagem acima mostra um estudante se manifestando na área da quadra da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em frente à uma multidão de estudantes
Estudante em assembleia do Centro Acadêmico 22 de Agosto no campus da PUC-SP na Rua Monte Alegre. Foto: Eduardo Bettini

 

O Centro Acadêmico 22 de Agosto, do curso de Direito, sob a gestão Alvorecer, inicialmente não havia aderido à paralisação, mas na manhã desta quinta-feira (22), a gestão convocou uma assembleia para decidir o posicionamento dos alunos.

A imagem acima exibe uma publicação na rede social X (antigo Twitter), onde um usuário comentou: "manifestação na puc eu odeio o fato q a policia nao pode entrar aqui"
Publicação feita por estudante da FEA da PUC-SP em protesto contra a ocupação dos alunos. Foto: X/Reprodução

Após referendo via formulário on-line, à 00h de sexta-feira (23), por 504 votos o curso manteve sua posição e não se uniu ao movimento. 

O Centro Acadêmico Leão XIII, da Faculdade de Economia e Administração, realizou manifestações publicamente e convocou uma votação virtual na quinta-feira (22) para decidir se iria aderir à interrupção das atividades. O resultado, divulgado na sexta-feira (23), definiu que o centro acadêmico não irá aderir à ocupação, por preocupações com o calendário acadêmico e prejuízo nas disciplinas


Exigências do protesto e os cortes da Fundasp

Em carta de proposta aberta assinada pelo CACS, CASS, CARI e pelo coletivo Saravá, os alunos apresentam algumas das demandas gerais para a reitoria da universidade, entre elas o congelamento e diminuição das mensalidades dos cursos, a abertura de contas da Fundasp e a implementação de cotas para pessoas trans.

Em meio às exigências, se destacam a elaboração de um currículo anti-racista na universidade e cursos de letramento racial e de gênero aos professores. “A gente vê um sucateamento gigantesco entre os professores, por exemplo, docentes negros sendo contratados depois de muita luta, mas recebendo salários menores que os brancos”, conta Athos. Sobre as novas contratações, ele acrescenta, “esses funcionários são contratados não como professores, mas sim como assistentes de ensino, sendo excluídos da carreira, mas ainda exercendo função como docentes”.

Em relação aos estudantes bolsistas, o ativista retoma: “Fica muito difícil para os alunos entrarem e se manterem em uma universidade que não pagam, mas também não lhes são oferecidos planos de carreira”, em referência à identificação do aluno com o corpo docente e a qualidade de ensino oferecida pela universidade. Tais movimentos reiteram que, para a Fundasp, “há a necessidade de manutenção de um estado de profissionais que foram formados há muito tempo e que têm um currículo desatualizado para o nível dos estudantes”, completa Athos.

A imagem acima mostra três palestrantes em uma mesa durante uma fala na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com uma faixa escrita "Ainda estamos aqui"
Marcia Farias, Regina Lúcia Santos e Ica Nishimoto em palestra no campus da PUC-SP na Rua Monte Alegre. Foto: Davi Rezende

 

Durante a assembleia, os protestantes questionaram a falta de disponibilização de bolsas para alunos pretos, pardos e indígenas, assim como a remoção do programa de bolsas integrais nas refeições do restaurante universitário. “O programa de bolsas do ‘bandejão’, que antes eram de duas refeições ao dia, agora é reduzido a uma, para todos os bolsistas menos os do FIES” (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior), afirma Athos. O estudante ainda manifesta: “a galera mais fodida, que se endivida pelo o resto da vida para entrar na universidade, não tem direito nem a comer dentro do campus”.

Os alunos exigiram uma resposta mais firme e imediata da reitoria e da FUNDASP quanto aos casos de injúrias raciais. Uma das exigências presentes na carta proposta é a de “ação institucional contra alunos, professores e funcionários envolvidos em casos de preconceito e abuso em geral reconhecido pelo corpo discente”. Ao longo da manifestação de quarta (21), Athos, membro do Movimento Correnteza, disse: “eu pago cinco mil reais pra vir pra cá sofrer racismo. Vocês acham isso justo?” se dirigindo à plateia de quase 130 pessoas.

A imagem acima mostra um estudante em fala na área da quadra da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em frente a outros estudantes
Estudante em assembleia do Centro Acadêmico 22 de Agosto, no campus da PUC-SP na Rua Monte Alegre. Foto: Eduardo Bettini

 

Com a apuração dos últimos editais de bolsa, é notável que de forma gradativa, a universidade tem feito cortes nos programas de bolsa. A Fundasp, nos últimos 10 anos, reduziu o número de bolsas em 92,89%. O que antes eram 450 bolsas integrais filantrópicas se tornaram somente 32. Vale ressaltar que esse número é dividido entre todos os cursos. 

Segundo apurações do Centro Acadêmico de Psicologia, nesse ano não houveram vagas ofertadas pelo PROUNI (Programa Universidade para Todos) nos cursos de História, Ciências Sociais, Pedagogia, Serviço Social, Jornalismo, Arte: História Crítica e Curadoria, Comunicação e Multimeios, além de Publicidade e Propaganda. Ainda, só foi disponibilizada uma bolsa para pessoas PPI (pretos, pardos e indígenas) em cursos como Psicologia, amplamente procurado.

O que diz a PUC?

Ao ser questionada pela AGEMT, a assessoria da reitoria afirmou que “a manifestação desta quarta-feira (21/5) afetou brevemente a normalidade do Campus Monte Alegre”. Em outro comunicado, direcionado ao portal de notícias CNN, a universidade ressalta: “a nova Reitoria da PUC-SP está e sempre esteve aberta ao diálogo com todos os alunos. Embora as pautas levantadas sejam de relevo, a manifestação desta quarta-feira envolveu um grupo minoritário de estudantes de cursos do edifício Cardeal Motta”.

No entanto, a assembleia realizada na manhã desta quinta-feira (22) pelo Centro Acadêmico de Direito reuniu mais de 300 alunos de cursos variados na área da quadra da universidade, segundo a presidente do centro acadêmico, Lais Hera, durante o evento. O conjunto de protestantes presentes nestas manifestações durante os horários das atividades curriculares já ultrapassa este número e vem crescendo cada vez mais. 

Os estudantes organizaram uma programação durante a semana, que inclui assembleias gerais entre os centros acadêmicos, aulas abertas e palestras na quinta-feira (22) e na sexta-feira (23).

Livro reúne obras proibidas pelo museu na exposição "Histórias Brasileiras" e propõe reflexão sobre arte, política e representatividade no Brasil
por
Inaiá Misnerovicz
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06/05/2025 - 12h

 

"Retomadas", uma obra coletiva que documenta e analisa um dos episódios mais controversos do circuito artístico brasileiro nos últimos anos, foi lançado no final de março. A publicação é fruto de um processo de resistência e reflexão desencadeado após o veto de 2022, de obras que retratavam a luta de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de manifestações de povos indígenas. As imagens de fotógrafos como Edgar Kanaykõ Xakriabá, André Vilaron e João Zinclar foram alvo de censura sob o argumento de que poderiam "ferir a neutralidade institucional" - de acordo com nota publicada pelo MASP.

Como protesto, o núcleo curatorial Retomadas, coordenado pelas curadoras Sandra Benites e Clarissa Diniz, optou naquele momento por retirar inteiramente sua contribuição da mostra. A atitude provocou uma intensa onda de críticas nas redes sociais, manifestações públicas de artistas e movimentos culturais. 

Diante do impacto do veto, a equipe curatorial e os artistas envolvidos organizaram-se em torno da criação de uma publicação que não apenas resgatasse o conteúdo originalmente censurado, mas também refletisse sobre o papel das instituições culturais na disputa por memória, território e narrativa no Brasil.

O livro "Retomadas", publicado pela Editora Expressão Popular em parceria com os próprios artistas e movimentos sociais, reúne ensaios críticos, textos curatoriais, relatos de bastidores, manifestos, além das obras que haviam sido originalmente vetadas. Também faz parte da obra uma seleção de textos de intelectuais indígenas e militantes do MST.

No lançamento do livro, no início do ano, a curadora Clarissa Diniz destacou que “o livro é mais do que um documento histórico. É um instrumento de retomada simbólica dos nossos corpos e narrativas dentro dos espaços de poder.” E para ela, o livro vai além:  “Não se trata apenas de denunciar um ato de censura, mas de propor um novo modelo de diálogo entre arte, política e sociedade.”

Foto vetada de André Vilaron
Foto vetada de André Vilaron

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas em entrevista à AGEMT, Clarisse afirma que a mudança não foi tão profunda assim:  "O MASP havia nos informado que haveria discussões autocríticas para as quais Sandra Benites e eu também seríamos convidadas a participar. Não chegou a nós nenhum convite ou informação sobre esse tipo de movimento. Receio dizer que não duvido que pouco (ou nada) tenha mudado na instituição, apesar de acreditar que algumas das pessoas que viveram essa experiência foram, elas sim, transformadas.”

A publicação de Retomadas marca não apenas a superação de um episódio de censura, mas a consolidação de uma articulação mais ampla em torno do direito à representação nos espaços culturais. O título faz referência às retomadas de terra por povos indígenas e pelo MST, mas também às retomadas simbólicas dentro das instituições: espaços que ainda hoje resistem à presença de corpos racializados, periféricos e insurgentes.

O livro está disponível em formato impresso e digital, e será acompanhado por uma série de debates, oficinas e rodas de conversa em diferentes cidades do Brasil, com o objetivo de levar a discussão a universidades, escolas, ocupações e territórios em luta.

Declaração é realizada 50 anos após a morte do jornalista pela ditadura militar
por
Beatriz Alencar
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25/03/2025 - 12h

O jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975, foi declarado, no dia 18 de março, anistiado político post mortem pelo governo. A decisão foi publicada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) no Diário Oficial e, além do reconhecimento, a decisão incluiu uma reparação mensal permanente para a viúva Clarice Herzog, no valor correspondente ao cargo que o jornalista ocupava antes do assassinato, de diretor do Departamento de Jornalismo da TV Cultura, equivalente a R$ 34.577,89.

Em nota, o Instituto Vladimir Herzog, criado para preservar a memória do jornalista e destacar problemas da sociedade causadas pelo golpe de 1964, celebrou a conquista: “Este importante reconhecimento, que ocorre após 49 anos de luta incansável por memória, verdade, justiça e democracia, liderada por Clarice, é tão mais simbólico, pois, acontece em 2025, marco de  50 anos do assassinato de Vlado. Seguiremos confiantes de que o Estado Brasileiro cumprirá com, além deste, todos os demais pontos resolutivos da Sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Herzog”.

O agora anistiado, foi preso, torturado e morto em São Paulo, pela ditadura militar. Em 1975, o jornalista foi convocado pelos militares a prestar depoimento dentro do DOI-Codi sobre uma possível ligação com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas nunca mais retornou para a família.  

 

Vladimir Herzog
Foto: Reprodução: Editora Senac / Livro Jornalistas, lançado em dezembro de 1997

 

Apesar disso, a versão oficial da época divulgada pelos militares, foi que Herzog teria se suicidado dentro da cela de confinamento. No entanto, investigações comprovaram que a causa da morte teria sido após o jornalista passar por tratamentos de tortura. Mas foi somente em 2013 que a Justiça de São Paulo determinou uma mudança na causa da morte no atestado de óbito de Herzog. Agora, no documento consta: “morte causada por asfixia mecânica por enforcamento em decorrência de maus tratos sofridos durante interrogatório em dependência do 2º Exército (DOI-Codi)”.

Para o filho do jornalista, Ivo Herzog, esse reconhecimento não aconteceria sem a disposição da família de lutar pela memória do pai. “São quase 50 anos de luta iniciada pela minha mãe na busca da verdade e justiça. Esta reparação concedida agora de alguma forma colabora neste processo de busca pela justiça e poderá ajudar que minha mãe tenha segurança na atual etapa de sua vida”, declarou em entrevista à Agemt.

 

Ivo Herzog
Foto: Ivo Herzog, filho de Vladimir Herzog,  em coletiva de imprensa | Reprodução: Estadão / Fotógrafo: Manoel Marques

 

 

Ivo ainda relata que ainda há muito o que ser conquistado. Em abril de 2024, a Comissão da Anistia concedeu o título de anistiada para Clarice Herzog e o Estado oficializou um pedido de perdão à viúva, em reconhecimento aos anos de perseguição e pela resistência em não aceitar o silenciamento do governo em torno do desaparecimento e assassinato do marido.

“Há 4 pedidos de Anistia na Comissão de Anistia: Meu pai, minha mãe, eu e meu irmão. Só concederam o da minha mãe. Ou seja, o pedido de perdão até este momento somente foi feita para a minha mãe. Estamos cobrando o mais importante pedido de perdão que seria para o que foi feito ao meu pai”, declarou Ivo.

O filho mais velho do casal também diz se orgulhar da luta e das conquistas feitas em nome do pai e acredita que, se pudesse descrever o que Vladimir Herzog acharia de todos os atos feitos em reconhecimento da memória dele, seria orgulho. “Acho que ao longo destes quase 50 anos conseguimos cuidar bem da ‘memória’ dele. E talvez ainda mais  importante, de forma natural a sociedade brasileira trata com muito carinho a história do meu pai. Acho que isto significa realmente muito”, acrescentou.

Centro acadêmico de Jornalismo da PUC-SP divulgou em nota, nas redes sociais, o fechamento do espaço após denúncias de furto e vandalismo
por
João Curi
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12/09/2024 - 12h

Campus — Entrada restrita. Somente pessoal autorizado. Não era para ser assim, mas as circunstâncias são outras. A diretoria está tensa, pressionada. Não tinha o que fazer. Levaram os cadeados, conforme disseram que fariam. Foi quando as ameaças ganharam os papéis, mais do que as línguas cuspidas nos corredores. Foi demais, até para elas. O espaço precisa ser fechado.

Mas a chave ainda é da Comunicação. Ironias à parte, o Centro Acadêmico Benevides Paixão, carinhosamente apelidado de “Benê”, publicou um comunicado nas redes sociais relatando o caso. No dia 29 de agosto, a notícia que chegava ao público era que “o espaço físico será trancado durante à noite e aberto pela manhã”. Até aí, nada diferente da rotina de uma casa bem guardada. Só que estes repórteres não se contentaram só com o que se expunha nas vitrines. O nosso curso pedia mais informações, quer saber o que houve. Está na grade apurar a fundo, cadeado por cadeado, e entender o que motivou a decisão. 

A nota entregava o descaso dos ocupantes com o espaço. De fato, as fotos comprovam a sujeira e a falta de decoro com a arrumação. A casa de mãe Livia parecia mais a de Joana, por mais esforços que ela fizesse para manter limpinho e agradável aos estudantes que guardam o direito de ocupá-lo. 

O direito permanece ali, apesar das aparências. “Vale ressaltar que a convivência amigável de alunos dos mais diversos cursos é sempre bem-vinda e incentivada pelo CA”, conclui a nota. A diretoria foi transparente, pelo menos o quanto podia ser. O buraco, claramente, é mais embaixo. 

Em meio às conversas com a Diretoria, a AGEMT ouviu que o espaço sofria de maus tratos há algum tempo, e não só por parte dos estudantes compreendidos na cartilha do curso de Jornalismo – o que, por comparação, não foge da rotina desconfortável dos demais centros acadêmicos. Contudo, o que não se divulgava era justamente o que abriu os primeiros cadeados. 

Eles entrariam de qualquer jeito. Deixaram por escrito. “Trancar CA? Destranquem ou vão perder, além do espaço, a tranca”, alertava a folha avulsa de fichário. “Desta vez estamos sem alicate”.

A decisão permanece. O espaço físico do Benê continuará fechado durante as noites e reaberto pela manhã, sob responsabilidade das dirigentes. Não é um caso isolado. Como se pode imaginar, outros CA’s seguem a mesma conduta em razão de comércios presentes no espaço, seja cantina ou xérox. 

Ameaça escrita à diretoria do Benê, em folha avulsa de fichário.
A diretoria concedeu acesso exclusivo às ameaças escritas encontradas na última semana de agosto, sobre a mesa rabiscada do Benê. (Divulgação/CA Benevides Paixão)

Mas aqui deve ser diferente. O Benê é uma casa no meio do bosque. Guarda toda uma história por trás dos portões emperrados. Aliás, no semestre passado, a FAFICLA - faculdade que rege o curso - conduziu uma visita especial ao recanto dos jornalistas, e a direção do CA se inspirou com a possibilidade de uma reforma. 

“Levei o diretor de campus ao Benê para verificar o que poderia ser feito lá”, confirmou o diretor da FAFICLA, Fábio Cypriano. 

Por enquanto, sem previsão de datas, mas é questão de formalidade. “A gestão ficou de formalizar as necessidades”, explica o diretor. “Creio que isso não foi feito”. 

A urgência, entretanto, amarga a burocracia. Em meio ao sumiço de cadeados, descuido com os forros dos sofás e amostras de bitucas de cigarro, o espaço pede socorro. Os ocupantes, contudo, cospem as chaves, teimosos em entrar. 

O conflito, já agravado com caneta e palavrões em páginas avulsas de fichário, não chegou à FAFICLA, situada no prédio velho, a poucos metros dos portões violados, não fosse a parede reforçada que os separa.

“Não recebemos nenhuma informação a respeito”, declara Cypriano. 

As paredes não têm ouvidos, afinal. E quem perde é a Comunicação. 

 

Com a proposta de rodas de conversa, a caravana da União Nacional dos Estudantes passou pela PUC-SP
por
Natália Perez
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26/04/2024 - 12h

“Comunicação para as universidades do Século XXI” foi o tema da discussão realizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), na última quarta-feira (24/04). Como sede, o campus escolhido da vez foi o principal da PUC-SP, que contou com a colaboração do Centro Acadêmico de Jornalismo Benevides Paixão (Benê).

De passagem em diferentes instituições de ensino superior, a caravana “Clima de Futuro” busca discutir reformas universitárias com alunos de todo o Brasil. "É inadmissível que, hoje, vários estudantes tenham que evadir da universidade porque seu projeto não está dentro dos requisitos para ser identificado como ciência para as universidades”, comenta Tel Guajajara, coordenador do Circuito de Cultura e Arte da entidade. "Universidade é território cultural."

Além dele, dividiram a mesa puquiana a co-fundadora do Mídia Ninja, Driade Aguiar; a presidente do Benê, Melissa Joanini; e o diretor cultural da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, Heitor Batista, também aluno da PUC.

 

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Lado a lado, da esquerda para a direita: Melissa Joanini; Heitor Batista; Driade Aguiar e Tel Guajajara. Foto: Natália Perez

 

A comunicação foi ponto fundador da reunião, e o papel do jornalismo teve destaque na discussão sobre como traduzir as informações para os mais variados públicos. “Uma coisa que a gente é muito perguntado é: como estourar a bolha? É simples: precisamos falar com quem não gostamos. É incômodo, afinal, como é que a gente vai se forçar a criar outras narrativas que não dialogam só com o que estamos acostumados?”, questionou Driade.

Alunos também puderam se inscrever para contribuir com a conversa, como foi o caso do militante do Movimento por uma Universidade Popular (MUP), Pedro Bezerra. “Queria que tirássemos daqui pensamentos e ideias para construir uma nova possibilidade de circulação de informação na universidade. É necessário que a gente se paute”, declara.

 

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Pedro Bezerra fez comentário sobre a necessidade de olharmos e lutarmos para as pautas que afetam a PUC e os demais sistemas universitários. Foto: Natália Perez.

 

Seja promovendo a organização estudantil em centros acadêmicos ou movimentos estudantis, discussões e rodas de conversa são necessárias para que os estudantes entendam a relevância e o impacto do que é pauta hoje. Segundo a UNE, a partir de reuniões como essa, surgiram diferentes projetos que ajudaram a transformar a realidade universitária, como “QGs” de auxílio para inscrição em editais, o fortalecimento da defesa da Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012), entre outras reivindicações estudantis.

Em nota exclusiva à AGEMT, o Centro Acadêmico Benevides Paixão expressou a importância de engajar esses eventos no campus da PUC. "Consideramos de extrema importância receber eventos desse tipo em nossa Universidade, ainda mais com o Benê participando. Nós fomos convidados pela UNE para somar e ajudar no debate por sermos um Centro Acadêmico de Comunicação e pelo papel que desempenhamos desde que assumimos o CA. Ficamos supergratos com o convite e esperamos que a Caravana da UNE passe mais vezes pela PUC-SP", declara.

Abaixo confira mais fotos do evento.

 

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Adesivos e panfletos explicam quais são as organizações envolvidas nas reformas estudantis. Foto: Natália Perez
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Representantes de três organizações estudantis junto a uma convidada especial formaram a mesa puquiana. Foto: Natália Perez
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Co-fundadora do Mídia Ninja, Driade Aguiar, levantou questionamentos sobre como fazer jornalismo e trabalhar a comunicação nos dias atuais. Foto: Natália Perez
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Estudantes reunidos no Auditório 100 da PUC-SP ouvindo os participantes da mesa "Clima de Futuro." Foto: Natália Perez
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Depois das falas da mesa principal, aqueles que assistiam tiveram a oportunidade de contribuir para a conversa com suas próprias falas no microfone. Foto: Natália Perez
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O time principal de organizadores e representantes da Caravana posam com a convidada especial Driade Aguiar no meio deles. Foto: Natália Perez
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Cartazes, livros, adesivos e listas dispostos na recepção dos alunos para o auditório, onde aconteceu o evento. Foto: Natália Perez
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Ao final da reunião, estudantes que assistiram a discussão se reuniram para tirar uma foto junto aos participantes da mesa principal. Foto: Natália Perez