O desafio de "esverdear" as grandes produções de cinema
por
Chiara Abreu
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09/06/2026 - 12h

Você já parou para pensar na pegada de carbono deixada por um filme de ação? Produções como "O Espetacular Homem-Aranha 2" e "Mad Max: Estrada da Fúria" já adotam práticas como o uso de painéis solares e luz natural para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Neste vídeo, exploramos os bastidores da produção eco-responsável a partir de uma conversa com a especialista Carol Marzagão, exclusiva  para AGEMT. Confira reportagem completa em vídeo

Categoria criada com expertise de brasileiro busca conscientizar o público sobre o meio ambiente sem abrir mão da emoção na pista
por
Vítor Nhoatto
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09/06/2026 - 12h

Ultrapassagens de tirar o fôlego, velocidades para além dos 300km/h e a diferença de milissegundos entre os pilotos que fazem o coração disparar. Emoções comumente associadas à Fórmula 1 quando se fala de automobilismo, mas que também são intrínsecas à Fórmula E, a primeira categoria de monopostos 100% elétricos do mundo.

A ideia de criar um campeonato automobilístico internacional de alto nível sem usar combustível começou há mais de uma década. O ano era 2011, já haviam sido realizadas 16 conferências do clima (COP) e o primeiro carro elétrico de produção em massa havia sido lançado pela Nissan. Com isso em mente, o então presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Jean Todt, e o empresário entusiasta do automobilismo, Alejandro Agag, esboçaram em um guardanapo de um restaurante em Paris o que seria a Fórmula E.

O objetivo central era simples e, ao mesmo tempo, audacioso: mostrar que a mobilidade sustentável é capaz, segura e emocionante, advogando por um futuro mais limpo e sustentável. Realizadas estrategicamente nos grandes centros urbanos, as corridas buscam conscientizar o público sobre as mudanças climáticas e incentivar o uso de carros elétricos.

Com o sinal verde da FIA, os trabalhos começaram. Agag se tornou o CEO, enquanto o piloto brasileiro Lucas Di Grassi foi fundamental para o desenvolvimento técnico, cocriando e pilotando o primeiro protótipo em 2012. Dois anos mais tarde, a Fórmula E estreou oficialmente com o ePrix de Pequim, na China.

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Atualmente dois brasileiros integram o time de pilotos da Fórmula E: Lucas di Grassi e Felipe Drugovich, que terminou em segundo lugar no GP de Mônaco, realizado em 17 de maio - Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

De lá para cá os números da competição não pararam de crescer. Em 2019, a categoria ganhou o status de campeonato mundial pela FIA e fabricantes de peso como Porsche e Jaguar ingressaram no grid. Na temporada atual (2025/2026) já foram 17 corridas em 10 países, quase o dobro da primeira edição. Por outro lado, as emissões de CO2 da categoria diminuíram consecutivamente de uma edição para outra, 24% entre a quinta e a oitava temporada, segundo relatório de sustentabilidade da FIA.

Isso torna a FE, desde 2023, o “esporte mais sustentável do mundo” de acordo com a Global Sustainability Benchmark in Sports. A divisão também possui o selo ISO de três estrelas de sustentabilidade graças ao uso de materiais reciclados nos carros e à reciclabilidade deles no seu fim de vida, inclusive das baterias, medidas que visam diminuir a pegada de carbono da logística do evento, responsável por 99% das emissões.

Além disso, a Fórmula E é signatária da agenda da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre emissão neutra de carbono no mundo até 2050. Desde 2020, tornou-se o primeiro esporte internacional certificado como carbono neutro do mundo. Isso se deve à compensação das emissões com iniciativas ao redor do mundo, mas com o objetivo de reduzir a pegada de carbono de modo geral, 60% até 2030, de acordo com a FIA.

Já na pista, a diferença é primordialmente o barulho e o cheiro. O ruído produzido pelos motores elétricos é mais amigável do que o dos motores a combustão, enquanto o cheiro predominante é o da borracha queimada dos pneus para todos os climas, em vez da poluente gasolina.

E ao contrário do que alguns podem imaginar, a emoção está longe de ser menor, como comenta Régis Gourdon, ex-piloto da Porsche Carrera Cup France e fundador da equipe de corrida racing Technology: “Eu amo automobilismo, o pratiquei por anos, e a Fórmula E é muito interessante, além de importante para as nossas crianças, uma boa solução para o futuro”.

Do alto de seus 66 anos de carreira com passagem por muitos circuitos, ele garante que os elétricos são muito bons de pilotar e empolgantes de assistir, destacando que todo ano vem ao lendário circuito de Mônaco para assistir a Fórmula 1 e a Fórmula E. 

Em relação aos carros, os números evoluíram massivamente na categoria. A chamada Gen1 começou com 270 cavalos, 225km/h de velocidade máxima e um 0 a 100 em 3 segundos. Hoje, a Gen3 Evo alcança 470 cavalos, 320km/h e impressionantes 1,86 segundos, mais rápido que um carro de Fórmula 1. 

Na prática, esses números se traduzem em momentos ainda mais emocionantes devido ao maior número de ultrapassagens, ao torque instantâneo que só um elétrico consegue proporcionar, e ao chamado “Attack Mode”, que pode ser usado em determinados momentos da corrida como um turbo, um acréscimo de 50 kW de potência (cerca de 67 cavalos).

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Gen 3 Evo é o atual modelo usado nas corridas, surpreendendo por uma performance singular no mundo das corridas - Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

“20 anos atrás eu comprei um carro elétrico, era um dos únicos na França com um na época, e eles são muito bons de pilotar, um pouco pesados, mas fantásticos”, destaca Gourdon. 

Nesse quesito, o número de telespectadores do evento cresceu 14% entre as temporadas 2023/2024 e 2024/2025, atingindo mais de 560 milhões de pessoas. A categoria também ampliou sua presença global, com corridas acontecendo em diversas  partes do mundo, incluindo São Paulo desde a temporada de 2022/2023.

Loredana Ernst, belga de 27 anos de idade apaixonada pelo mundo das quatro rodas, é um exemplo dessa pluralidade e crescimento da modalidade. Pela primeira vez, a atriz esteve em Mônaco para acompanhar uma corrida, justamente dos monopostos elétricos.

“Eu acompanho a Fórmula E faz alguns anos já e realmente adoro a categoria [...] e acho que a primeira vez que fiquei sabendo dela foi quando Stoffel Vandoorne entrou na Fórmula E, porque ele era da Fórmula 1 e é um piloto belga, então eu acompanho ele”

Outra frente importante pensada por Todt e Agag desde a criação da categoria era trazer grandes nomes do automobilismo com o intuito de quebrar a barreira cultural em relação à aceitação dos carros elétricos. Nomes como Pierre Gasly, da Fórmula 1, o tricampeão das 24 horas de Le Mans, Brendon Hartley e o brasileiro Felipe Massa, já integraram o time de pilotos da FE.

No quesito escuderias, atualmente nomes como Jaguar, Andretti, Citroën e Nissan integram as 10 participantes, e a modalidade já teve a presença da Renault, McLaren e Maserati, por exemplo. Além disso, os elétricos proporcionaram o histórico embate direto entre as quatro grandes fabricantes alemãs durante a temporada 2019/2020, com Audi, BMW, Mercedes e Porsche no grid.

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Curvas extremas, derrapadas que levam os carros ao limite, ultrapassagens acirradas e às vezes acidentes, destacam o quão capaz e segura a tecnologia elétrica é. Foto: Vítor Nhoatto/AGEMT

Ernst, que mora perto do circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica, comenta que assistiu a uma corrida da FE pela primeira vez no ano passado, em Berlim, e lembra da sustentabilidade da modalidade sem abrir mão da emoção, mesmo com essa provocada de um jeito diferente. 

“O som por exemplo, é algo totalmente diferente, e eu honestamente gosto de ambos, e acho muito legal a Fórmula E ser essa alternativa sustentável a Fórmula 1. Eu já me preocupo com sustentabilidade no meu dia a dia, e para visitar realmente prefiro a Fórmula E inclusive”.

Ao contrário do que se pode imaginar, já que carros elétricos comuns não fazem barulho, os monopostos da competição emitem um som de cerca de 80 decibéis, mais alto que um carro a combustão convencional. Remetendo a filmes futuristas como Tron, são envolventes,  direcionando a emoção para as acirradas ultrapassagens e arrancadas ao longo da corrida, que dura 45 minutos. 

Nesse aspecto, a duração da prova é calculada para contemplar uma carga completa sem paradas para recarga ou troca de carros, como acontecia até a temporada de 2017/2018 com os carros da Gen1. A emoção é atiçada pelo uso estratégico da bateria, desse modo, administrada pelos pilotos que devem usar com sabedoria o “Attack Mode”, e os veículos recuperam até 40% da carga durante a corrida devido às frenagens, que transformam força cinética em elétrica.

Cada etapa consiste em dois treinos livres e sessões qualificatórias pela manhã, enquanto a corrida acontece após o intervalo para o almoço.  O sistema de pontuação segue o padrão estabelecido pela FIA para eventos internacionais. O primeiro lugar recebe 25 pontos, o segundo 18 e o terceiro 15. Do quarto lugar até o décimo são 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1 ponto, respectivamente. Mas algo exclusivo da FE são os pontos extras, 3 pela pole position e 1 pela volta mais rápida, desde que o piloto termine no top 10. 

A temporada 2025/2026 começou com o ePrix de São Paulo, em dezembro, sendo a última com os carros da Gen3 Evo, dando lugar aos Gen4, que prometem revolucionar a categoria. Com 804 cavalos de potência e 335 km/h de velocidade máxima, crescem em tamanho e se aproximam visualmente dos carros da Fórmula 1, ao mesmo tempo que abraçam o conceito de economia circular, sendo 100% recicláveis.

Professor de geografia alerta sobre os desafios da crise climática
por
Anna Sofia Carsughi
Larissa Viana
Olivia Ferreira
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08/06/2026 - 12h

O Brasil prevê a chegada em julho, mas o pico do “El Niño" acontecerá na primavera. O fenômeno “El Niño", resultado das variações de ventos e temperaturas do mar no oceano Pacífico. O evento climático, que costuma ocorrer no final do ano, antecipou sua chegada e traz diversos efeitos ao redor do mundo. No Brasil, as cinco regiões do país sofrem com diferentes consequências do aquecimento anormal das águas. O caráter de incerteza na intensidade do fenômeno provoca nos especialistas alarde e preocupação com as possíveis medidas de precaução a serem tomadas. Assista a entrevista em vídeo.

Setor registrou crescimento de 29% em 2023, mas 24 empreendimentos comunitários apoiados pela FAS faturaram juntos R$ 2 milhões
por
Lueny Gomes
Vinícius Evangelista
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21/05/2026 - 12h

O turismo no Amazonas gerou R$ 942 milhões em 2023, segundo a Amazonastur, com alta de 370% no fluxo de turistas estrangeiros. No mesmo ano, 24 pequenos empreendimentos comunitários dentro de reservas de desenvolvimento sustentável faturaram, juntos, pouco mais de R$ 2 milhões, recebendo cerca de 3.200 visitantes, de acordo com dados da Fundação Amazônia Sustentável. A distância entre os dois números resume o problema que este podcast investiga: quem, de fato, lucra com o ecoturismo amazônico. Ouça agora

 

 

Com mais de 1 milhão de habitantes a maior cidade do Brasil vem criando insatisfação com a falta de áreas verdes em zonas periféricas
por
Eduardo Bettini
Giovanna Hagger
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27/04/2026 - 12h

Guarulhos expõe um desequilíbrio na arborização urbana. Enquanto o principal parque da cidade reúne extensa cobertura vegetal e uma mata nativa remanescente da Mata Atlântica, bairros mais periféricos apresentam menor presença de natureza. O Bosque Maia, fundado em 1972, com cerca de 170 mil metros quadrados, é um dos principais pontos de lazer para os cidadãos. Localizado na região central da cidade conta com diversas espécies nativas, como Ipês, Pau Brasil e Pitangueira. A presença significativa de árvores contribui para a redução de temperatura local, melhorando a qualidade do ar e abafa os ruídos que o ambiente urbano proporciona, fatores diretamente associados a qualidade devida da população.  Apesar de no centro ter uma grande quantidade de árvores, em alguns casos a arborização é bem escassa ou até inexistente, a falta de planejamento voltado à expansão de áreas verdes intensifica problemas como ilhas de calor, aumento da poluição e gera um déficit de áreas de lazer. 

Levantamentos feitos pela Prefeitura de Guarulhos indicam que a arborização urbana ainda se concentra em locais com maior infraestrutura e investimento público. Este padrão reforça a desigualdade histórica no desenvolvimento da cidade, em que áreas centrais e turísticas recebem mais atenção em projetos de urbanização, enquanto periferias enfrentam carências de serviços sociais básicos, incluindo a falta de vegetação. 

Imagem do google Maps do Bosque Maia
Imagem Google Maps satélite- região Bosque Maia

 

Imagem periferia
Imagem google Maps - Região periférica 

 A diferença de verde nas regiões impacta diretamente a vida dos moradores. No caso de Guarulhos, o segundo lugar mais arbóreo do município, a Lagoa dos Patos, tem uma temperatura amena, favorecendo a população ao redor ter uma melhor qualidade de vida. Já em bairros com pouca cobertura vegetal, o excesso de concreto contribui para o aumento da temperatura e a diminuição do conforto térmico, sobretudo em períodos de calor intenso. 'Em periferias a escassez desses ambientes limita o acesso da população a esses benefícios que deveriam ser acessíveis a todos, pois preciso ir de carro ou pegar ônibus para chegar lá", desabafa à AGEMT a estudante Camilla Macedo, moradora de Taboão.    

"Minha região é muito conhecida pela quantidade de lojas e mercados, mas ela em si é escassa de arborização. É um local muito movimentado, porém quase impossível de andar no calor.’’  E acrescenta: "eu frequento muito o centro de Guarulhos e principalmente essa região do bosque Maia e é surreal a diferença de temperatura", diz.

Um estudo da UNICRUZ comprova que a presença de árvores na cidade ajudam na qualidade de vida das pessoas que lá habitam, “Eu acho que se tivéssemos mais da natureza, no nosso dia a dia seria menos estressante", conclui Macedo. 

O presidente brasileiro discursou sobre a crise climática, na última terça-feira (24), na 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas
por
Rafaela Eid
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27/09/2024 - 12h

Na última terça-feira (24), aconteceu o primeiro dia da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Por tradição, cabe ao Brasil, representado pelo presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva (PT), abrir os discursos do encontro anual, que reúne líderes de mais de 190 países. Na ocasião, o brasileiro reforçou o papel do país no combate às mudanças climáticas, sublinhando a urgência de ações globais.

O chefe de Estado destacou a crise climática como um dos principais temas, afirmando que não é possível “desplanetizar a vida em comum” e que o mundo está "condenado à interdependência". Ele também criticou o descumprimento de acordos climáticos, afirmando que "o planeta está farto de promessas não cumpridas".

Para ilustrar os efeitos das mudanças climáticas, o presidente citou as enchentes no Rio Grande do Sul e a seca severa na Amazônia. Além disso, reafirmou o compromisso de erradicar o desmatamento na Amazônia até 2030. “No sul do Brasil, tivemos a maior enchente desde 1941. A Amazônia enfrenta a pior seca em 45 anos. Incêndios florestais se alastraram pelo país, destruindo 5 milhões de hectares só em agosto. Meu governo não terceiriza responsabilidades nem abdica de sua soberania. Já fizemos muito, mas sabemos que é preciso fazer mais. Além de combater a crise climática, enfrentamos aqueles que lucram com a degradação ambiental. Não toleraremos crimes ambientais, mineração ilegal e crime organizado. Reduzimos o desmatamento na Amazônia em 50% no último ano e vamos erradicá-lo até 2030”, declarou Lula.

Presidente discursando na abertura do debate da 79° Assembleia Geral da ONU. Imagem: Ricardo Stuckert/PR.

Lula também salientou sobre a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém (Pará), em 2025. Ele reforçou a importância do multilateralismo e o compromisso do Brasil com a limitação do aumento da temperatura global. “O Brasil sediará a COP30 em 2025, convicto de que o multilateralismo é o único caminho para enfrentar a urgência climática. Nossa Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) será apresentada este ano, alinhada ao objetivo de limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5°C”, pontuou.

Confira aqui a fala completa do presidente na 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas em seu canal do Youtube. 

Após reunião com representantes dos Três Poderes, governo irá disponibilizar R$ 514 milhões para enfrentar incêndios
por
Vicklin Moraes
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19/09/2024 - 12h

Em meio ao recorde de queimadas que o país enfrenta, o Governo Federal afirmou, nesta terça-feira (17), que enviará, ainda esta semana, uma Medida Provisória de efeito imediato ao Congresso Nacional para agilizar os repasses do fundo Amazônia. Além disso, serão destinados R$514 milhões para o combate a incêndios e à seca em todo o país. 

O anúncio foi feito após reunião com representantes dos Três Poderes para discutir medidas coordenadas de enfrentamento à grave emergência climática do país, agravada por incêndios. 

Para auxiliar no enfrentamento das queimadas, outras ações envolvem a compra de equipamentos - como aeronaves - e a reestruturação de bombeiros e da Defesa Civil dos Estados.


Durante a reunião, o Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que nos últimos dias, a Polícia Federal abriu mais 83 investigações envolvendo incêndios criminosos. O Brasil está entre o ranking de países com maior números de queimadas, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com 188.263 registros, destes quais mais de quatro mil foram contabilizados apenas nas últimas 48 horas.

 

Presidente Lula durante a reunião

​​​​​​Presidente Lula durante a reunião. Foto: Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto

 

Segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Brasil enfrenta sua pior estiagem em 75 anos. Apenas os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina não têm registro de seca.

“Nessa semana, para deixar a gente mais responsabilizado com a questão climática — eu pensei que só chovia no Rio Grande do Sul e eu vi a Alemanha enchendo de água, a Romênia, a Turquia. Ou seja, há uma movimentação no planeta e, se for verdade o que os cientistas falam, nós temos muita responsabilidade”, afirmou o presidente Lula. 

Durante a reunião, o ministro da Casa Civil, Rui Costa afirmou que serão feitas revisões nas punições relacionadas a crimes ambientais. Com aumento nas penas e multas que segundo ele, estão muito abaixo do permitido.

 

Ranking internacional coloca a capital paulista na categoria de ambiente não saudável
por
Vicklin Moraes
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09/09/2024 - 12h

A cidade de São Paulo registrou o ar mais poluído do mundo, nesta segunda-feira (9), segundo dados do site suíço IQAir. O ranking mede a qualidade do oxigênio em 100  principais cidades de todo planeta, em tempo real, com base no Índice de Qualidade do Ar do instituto. Pela manhã, São Paulo liderou o Top 100 de pior qualidade do ar, superando cidades como Lahore, no Paquistão, e Kinshasa, capital do Congo, com ambiente considerado “não saudável” para a população.

A classificação indica o ar como insalubre quando atinge 151 pontos, medição feita a partir da concentração de material particulado na atmosfera. Em termos de poluição, São Paulo liderou o ranking com 160 pontos. No Brasil, outras capitais registraram índices ainda piores. As cidades de Porto Velho em Rondônia e Rio Branco no Acre, estão no topo do ranking nacional, com índices de 249 e 223,  respectivamente. Nesses municípios, a qualidade do ar é considerada pelo site suíço, como “muito insalubres”.

Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), nos próximos dias a atuação de uma massa de ar quente causará nebulosidade e ventos variáveis. Com isso, a situação a qualidade do oxigênio permanecerá entre RUIM e MUITO RUIM por mais um período.

Por quê a capital paulista registrou esse recorde negativo?

Os principais motivos para a cidade de São Paulo ter registrado o pior ar do mundo foram as temperaturas elevadas, a umidade relativa do ar baixa e a fumaça decorrente  dos incêndios florestais. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou 12 estados brasileiros em alerta laranja, nesta segunda-feira (09), devido à baixa umidade relativa do ar (UR). A  UR deve variar entre 20% e 12%, com risco de incêndios florestais e riscos à saúde, como doenças pulmonares e dores de cabeça.

 

região de mata pegando fogo
Incêndio em mata próxima à Rodovia Castelo Branco em São Paulo. Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil

Além da baixa umidade, a Defesa Civil do Estado de São Paulo anunciou que a maioria do estado está em situação de emergência para incêndios. As queimadas na região ocorrem por conta da seca e também de forma criminosa. Até o momento, 15 pessoas foram presas por atear fogo em regiões de mata. 

O Brasil registrou apenas neste ano 159.411 focos de queimadas, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O Estado de São Paulo obteve 816 pontos de fogo, sendo 113 somente nas últimas 48 horas.  




 

Autoridades do estado respondem com seguros para produtores e expansão da capacidade de atendimento em saúde
por
Pietra Nelli Nóbrega Monteagudo Laravia
Vicklin Moraes
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04/09/2024 - 12h

Queimadas registradas na última quinta-feira (22) e sexta-feira (23), no interior de São Paulo, especialmente na região de Ribeirão Preto e Oeste Paulista, fizeram com que densas nuvens de fumaça se espalhassem pelo estado. A combinação de altas temperaturas, baixa umidade e ventos fortes espalhou o fogo, gerou tempestades de poeira e carregou a fumaça para mais municípios. Alguns desses incêndios estão sendo investigados como ações criminosas. Até o momento, 11 pessoas foram presas no interior paulista, suspeitas de atear fogo em regiões de mata. 

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), apenas em 2024 ocorreram 135.898 focos de queimadas. O estado de São Paulo registrou recorde com 5644 pontos de incêndio, dos quais 3612 foram registrados somente no mês de agosto. Este é o pior cenário tanto para um único mês quanto para o período de janeiro a agosto, desde 1998, quando os dados começaram a ser computados pelo Instituto. 

Dados preliminares levantados por 20 das 40 Regionais da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) apontam que 3.837 propriedades foram atingidas em 144 municípios paulistas. Estima-se que os prejuízos passaram dos R$1 bilhão. 

Na última segunda-feira (26), o Governo do Estado de São Paulo anunciou o Seguro Rural. A iniciativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, disponibiliza R$100 milhões de reais para produtores afetados pelas queimadas. O auxílio conta com 15 seguradoras credenciadas, que concedem subsídios de acordo com a cultura produtiva. O produtor rural pode receber no máximo R$25 mil reais do seguro. O Governo Estadual também anunciou, neste domingo (25), um plano emergencial na área da Saúde para ampliar a capacidade de atendimento das unidades na região de Ribeirão Preto, uma das áreas mais críticas no estado. 

Durante este período de seca e aumento das queimadas, é essencial que a população adote medidas de precaução para garantir a segurança e minimizar os riscos. Evite fazer queimadas ao ar livre e não jogue cigarros ou outros materiais inflamáveis em áreas secas. Mantenha as áreas ao redor das residências limpas e livres de vegetação seca que possa alimentar incêndios.

A Defesa Civil do Estado afirmou, na última segunda-feira (26), que o estado não tem mais focos de incêndio. Entretanto, nessa terça-feira (3), o cenário mudou. Nove municípios estão com focos ativos de incêndio, sendo eles: Jardinópolis, Dois Córregos, Pedregulho, São Simão, Pompeia, Piracicaba, Monte Alegre do Sul, Altinópolis e Cunha. 48 outras cidades ainda estão em alerta máximo para queimadas.    

Em caso de fumaça densa, procure permanecer em ambientes fechados e mantenha as janelas e portas fechadas para evitar a entrada de partículas nocivas. Se sentir sintomas como dificuldade para respirar, tosse persistente ou irritação nos olhos, procure assistência médica imediatamente.

Esteja atento às orientações das autoridades locais e siga as recomendações para garantir a segurança da sua família e da comunidade.

 

 

Uma nova frente fria provocará queda significativa nas temperaturas para o Centro-Sul.
por
Pietra Nelli Nóbrega Monteagudo Laravia
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22/08/2024 - 12h

A partir desta quinta-feira (22), uma frente fria de características continentais, associada a um ciclone extratropical no mar, começará a avançar sobre o país, segundo previsão da Climatempo. Os ventos frios trarão uma redução nas temperaturas, que será sentida, principalmente, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. As temperaturas devem cair entre 5°C e 7°C abaixo da média, com marcas previstas de 19°C em São Paulo e 17°C em Curitiba.

O cenário climático do país está prestes a mudar com a chegada dessa massa de ar polar vinda da Argentina. Ela deve promover uma queda significativa nas temperaturas no Centro-Sul, trazendo um alívio temporário para a população. Nos últimos dias, os brasileiros vêm sofrendo com calor extremo. Os termômetros registraram temperaturas recordes em diversas regiões do país. Manaus (AM) e Rio Branco (AC), por exemplo, atingiram 36,7°C, no último domingo (18), enquanto Cuiabá (MT) registrou recordes de 41,8°C e 42,0°C nos dias anteriores.

Esta onda de calor veio após uma frente fria, que estabeleceu mínimas históricas, em meados de agosto. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, na terça-feira (20), um alerta vermelho, indicativo de perigo máximo para onda de calor, para nove estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. A região de maior alerta é a central, especificamente Mato Grosso. A previsão do Inmet é que as temperaturas altas, que devem ficar, pelo menos, 5ºC acima da média, se estendam até essa sexta-feira (23).

O calor acontece devido a um “anticiclone”. O fenômeno climático é uma área de alta pressão, que influencia nas ondas de calor, pois a alta pressão dificulta a formação de nuvens, e mantém uma massa de ar quente sobre as regiões. A situação de calor intenso é ainda mais grave por estar associada a uma baixíssima umidade relativa (UR) do ar. Durante esse período, a UR ficou na casa dos 20% e 30%, sendo que o ideal para a saúde é entre os 50% e 80%. 

Dessa maneira, as circunstâncias oferecem riscos para a saúde, podendo causar problemas respiratórios, dor de cabeça e náusea. A umidade do ar abaixo de 25% pode aumentar o risco dos sintomas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Embora o frio traga uma redução nas temperaturas, especialistas, como o meteorologista Fábio Luengo, garantem que esta onda de frio não será tão severa quanto a registrada nas últimas semanas. A expectativa é de uma queda notável, mas não extrema, evitando novos recordes de baixas temperaturas.

  O mês de agosto tem sido marcado por um comportamento climático extremamente volátil, com rápidas transições entre calor intenso e frio severo. A nova frente fria promete continuar essa tendência de variações extremas, algo que exige atenção às mudanças climáticas rápidas e suas implicações para a população.