Reforma tributária prevê devolução de impostos para famílias cadastradas no CadÚnico
por
João Moura
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22/05/2026 - 12h

Para os brasileiros com baixa renda, cada compra no mercado carrega um peso invisível: o imposto embutido no preço dos alimentos, do sabão, do gás de cozinha. Um fardo silencioso que consome parte significativa de uma renda já escassa. A reforma tributária trouxe uma proposta para aliviar esse peso. A devolução de impostos prevista no novo sistema reacendeu o debate sobre o papel do cashback tributário no combate à desigualdade social. A ideia é devolver parte dos tributos pagos no consumo para famílias de baixa renda cadastradas no CadÚnico.

A economista Juliana Inhaz,, em entrevista à AGEMT, vê potencial na proposta, sobretudo pela promessa de simplificar o sistema tributário brasileiro e dar mais transparência aos impostos cobrados em produtos e serviços. "A reforma traz um sistema mais simples e mais transparente. As pessoas vão saber o quanto estão pagando de imposto, e isso pode fazer com que elas passem a prestar mais atenção nesse aspecto", afirma.

Hoje, poucos percebem. A falta de clareza sobre a carga tributária faz com que a maior parte dos brasileiros não note o quanto paga de imposto a cada ida ao supermercado. "Talvez a pessoa olhe para um produto simples e perceba que há um valor elevado de imposto embutido ali. Isso pode gerar uma conscientização maior sobre tributação e cidadania fiscal", diz Juliana.

O potencial existe. Mas os limites também. A especialista ressalta que o impacto da medida dependerá diretamente da forma como a política será implementada. "Se o modelo funcionar apenas como uma devolução proporcional ao consumo, famílias de baixa renda tendem a receber muito pouco, porque consomem menos", explica. A saída, segundo ela, está no desenho do sistema. Para que o cashback seja efetivamente redistributivo, parte dos tributos arrecadados de consumidores de maior renda precisaria ser revertida para as famílias mais vulneráveis. "O impacto pode ser favorável se houver redistribuição. Caso contrário, o efeito tende a ser pequeno", afirma.

Há ainda outro obstáculo, menos visível, mas igualmente concreto: o acesso digital. Muitos brasileiros ainda enfrentam dificuldades para navegar em plataformas governamentais e acessar benefícios financeiros. "Muita gente tem dificuldade para acessar sistemas digitais, fazer login e entender os processos necessários para solicitar benefícios como, por exemplo, acesso ao Gov.Br. Isso acaba afastando parte da população", avalia.

E mesmo que o acesso seja garantido, o cashback, sozinho, não resolve o que é estrutural. "O que realmente melhora a vida das famílias é aumento de renda, produtividade, qualificação profissional e crescimento econômico. Sem isso, mesmo com benefícios, o poder de compra continua comprometido", explica Juliana. Ainda assim, ela enxerga no novo modelo uma oportunidade além da devolução financeira: a de engajar o consumidor na fiscalização tributária e ampliar a formalização da economia. "Quando o consumidor entende que pode receber algum retorno, ele tende a exigir mais transparência nas transações. Isso ajuda a reduzir a informalidade e a evasão fiscal", conclui

Parcelados para sobreviver: como o endividamento virou rotina entre as famílias brasileiras
por
Eduarda Amaral
Wildner Félix
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22/05/2026 - 12h

No Brasil, parcelar deixou de ser uma escolha pontual. Virou rotina. Da compra do mercado ao remédio na farmácia, o crédito ocupa um espaço cada vez maior no orçamento das famílias e transforma a dívida em estratégia de sobrevivência. Atualmente, 80,2% das famílias brasileiras convivem com algum tipo de débito, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o maior índice registrado desde 2010. O cartão de crédito é a principal modalidade de dívida, seguido pelos carnês de lojas. Confira os principais dados desta reportagem no nosso carrossel do Instagram. 

Grafico sobre as principais modalidades da dívida brasileira
Principais modalidade de dívida - Arte: Eduarda Amaral/Canva

Cerca de 29% das famílias estão inadimplentes, com contas atrasadas há mais de três meses, e 12% afirmam não ter condições de pagar esses débitos. Em um cenário de juros altos, renda baixa e aumento do custo de vida, o crédito deixou de ser acesso ao consumo supérfluo e passou a sustentar despesas básicas. 

A dívida no Brasil não nasce do desejo. Ela nasce da carência. O país terminou 2024 com quase 82 milhões de pessoas que não conseguiram pagar as contas em dia, o maior patamar desde 2012, segundo dados do Banco Central. Desde o encerramento da primeira fase do programa Desenrola, em julho de 2023, foram 9 milhões de novos inadimplentes e para boa parte dessas famílias, o endividamento não foi uma escolha impulsiva, mas um mecanismo de sobrevivência. 

"A dívida das famílias brasileiras tem caráter estrutural, baseada na má distribuição de renda e no monopólio das grandes redes na distribuição de alimentos e itens essenciais", afirma Paulo Romaro, professor de finanças da PUC-SP. "O crédito fácil não é a causa: é a solução disponível para as famílias de baixa renda. Quando os itens de primeira necessidade pesam no orçamento ou quando algum membro perde sua renda, o endividamento via crédito é a saída disponível.”

Essa engrenagem foi investigada de perto pelo geógrafo Kauê Lopes dos Santos, professor da Unicamp, entrevistado no episódio "Parcelados e endividados no Brasil" do podcast Café da Manhã. Em seu livro Parcelado: dinâmicas de consumo na periferia, resultado de 150 entrevistas em bairros como Brasilândia e Jardim Helena em São Paulo, argumenta que o crédito não é apenas um facilitador do consumo. É um modo de gerir a escassez. 

Enquanto o Estado e o mercado falham em oferecer saneamento e transporte de qualidade, as grandes redes de varejo são onipresentes. A compra parcelada se torna o motor de um ciclo que nunca se encerra: a publicidade estimula o desejo, a obsolescência dos produtos reduz seu tempo de vida e a sobreposição de parcelas compromete a renda de forma contínua, mês após mês. 

O geógrafo chama esse fenômeno de endividamento crônico. "Tudo aqui foi comprado parcelado", resumiu Maria do Carmo, uma de suas entrevistadas, que se orgulhava de uma TV de 43 polegadas mesmo vivendo em uma casa com marcas de umidade e rachaduras nas paredes, um retrato fiel da modernização do consumo que coexiste, sem contradição aparente, com a precariedade estrutural.

A ausência de educação financeira agrava o cenário, mas Romaro é preciso ao delimitar seu papel: "A população não consegue avaliar a situação em que vai se meter." Ainda assim, o economista ressalta que ela seria fundamental em um contexto diferente. "Se o indivíduo soubesse avaliar as opções de onde buscar os recursos necessários e mais adequados para a sua situação, seria muito bom", pondera, sobretudo diante de juros estratosféricos, como os do rotativo do cartão de crédito, que podem ultrapassar 400% ao ano.

Somam-se ainda as bets: "os jogos de azar em profusão viciam, causando um problema endêmico de saúde pública", aponta o professor. Os efeitos se espalham pela vida cotidiana. "Como pagar a mensalidade da escola do filho? Como pagar o aluguel em atraso? O impacto na saúde mental e nas relações é natural que aconteça." 

O endividamento no país tem um recorte racial claro. Pessoas pretas e pardas concentram os maiores índices de insegurança alimentar, moradia precária e informalidade. O rendimento médio dos negros é 40% inferior ao dos não negros diferença que persiste em 32% mesmo entre quem tem ensino superior, segundo o DIEESE. Quando a crise chega para essa parcela da população, o cartão de crédito passa a ser a última linha de defesa para colocar comida na mesa.

No entanto, esse recurso voltado para a baixa renda é também o mais caro, transformando o socorro emergencial em armadilha estrutural. Em Parcelado, o autor mostra que a população pobre e negra, antes excluída do consumo, está hoje subordinada ao capital financeiro. Essa inclusão, celebrada como conquista social, revelou seu lado sombrio nas periferias: a dívida chegou antes da infraestrutura e do saneamento, capturando uma demanda reprimida por décadas.

Com milhões de brasileiros negativados, o governo federal tem apostado em programas de renegociação de dívidas para conter a inadimplência e aliviar o orçamento doméstico. Entre as principais iniciativas recentes estão o Desenrola Brasil e a sua nova versão, o Desenrola 2.0, criados para fechar acordos de pagamentos e devolver o poder de compra à população.

Lançado em maio de 2026, o Desenrola 2.0 incentiva brasileiros com renda de até cinco salários mínimos e que possuem dívidas atrasadas entre 90 dias e dois anos. A medida oferece descontos de até 90% do valor total e permite o uso de até 20% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar débitos.

No entanto, para ter direito aos benefícios do programa, o participante não pode comprometer sua renda com apostas digitais pelo período de um ano, um alerta ao comportamento recente da população que tem intensificado o cenário de endividamento no país. 

Ainda assim, Kauê Lopes é direto sobre os limites da iniciativa e afirma que essas políticas têm caráter momentâneo e não resolvem a estrutura do endividamento crônico no Brasil. “Você pode até resolver uma circunstância particular num determinado momento, mas a tendência é que isso volte mais para frente”, explica.

O endividamento, portanto, não é um dado neutro: ele tem cor, endereço e nome. E enquanto o debate político se concentra em medidas paliativas, a raiz do problema permanece intacta. Para Romaro, o combate ao endividamento exige mais do que renegociação de dívidas ou educação financeira. Enquanto parte significativa da população permanecer próxima da linha da sobrevivência, o crédito continuará funcionando como extensão da renda. A saída, segundo ele, passa por distribuição de renda, empregos de melhor qualidade e políticas de desenvolvimento econômico.

Enquanto plataformas ultra-rápidas dominam o mercado, a manufatura tradicional enfrenta o desafio de sobreviver
por
Victória Miranda
Ana Julia Mira
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22/05/2026 - 12h

A ascensão da inteligência artificial (IA) redefiniu o varejo de moda, elevando o fast fashion ao patamar de 'ultra-rápido'. Marcas como a Shein lideram essa revolução ao utilizarem sistemas proprietários que decodificam tendências de redes sociais e comportamentos de influenciadores, transformando dados em coleções físicas em apenas cinco a sete dias. Diferente do modelo tradicional — baseado em  previsões sazonais e produções em massa — o machine learning (processo de usar dados e algoritmos para ensinar computadores a identificar padrões e tomar decisões) permite a fabricação de lotes precisos (100 a 200 unidades), o que minimiza o risco de estoques parados e garante um ajuste em tempo real à demanda. Esse ecossistema, que já diminui a relevância de gigantes tradicionais como a H&M e domina o consumo da Geração Z. Projetam movimentar US$ 388,5 bilhões (aproximadamente R$1,93 trilhão) até 2034. Esse predomínio econômico consolida um abismo em relação ao slow fashion, que luta para promover o consumo consciente em um cenário onde o algoritmo prioriza a gratificação instantânea e preços agressivos.

O descarte pode gerar um aumento para o consumidor na hora do pagamento
por
Júlio Antônio Poças Pinto
Gabriel Flores
Theo Fratucci
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21/05/2026 - 12h

Segundo pesquisa da "Food Agriculture Organization of the United Nations (FAO)", Organização para a Alimentação e a Agricultura, 28% das perdas/desperdícios de alimentos orgânicos acontecem no estágio de consumo (famílias, restaurantes etc.), que é o final da cadeia, quando viram lixo. Essa problemática do descarte de alimentos por conta do descuido com a matéria prima da comida, gera bastantes transtornos tanto do ponto de vista econômico como do social. O Brasil, por exemplo, descarta mais do que o necessário para neutralizar a insegurança alimentar no país.  O diretor da Embrapa no Tocantins, especialista no assunto, Roberto Manolio Valladão Flores, em entrevista à AGEMT, esclarece nosso entendimento sobre o lixo orgânico no Brasil. Assista aqui. 

Alta do petróleo afeta marcas que buscam estratégias para evitar o repasse imediato ao consumidor
por
Laura Petroucic
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21/05/2026 - 12h

Os conflitos no Oriente Médio vêm provocando impactos em diferentes setores da economia mundial, como combustíveis, alimentos e transporte. Um dos segmentos que muitas vezes fica de fora do debate é a indústria da moda. O aumento no preço do petróleo impacta diretamente toda a cadeia de produção têxtil em um mercado marcado pela inflação e pela dependência de importações. A designer Brenda Saad Santos Guimarães, em entrevista à AGEMT, comenta sobre os esforços de marcas para reduzir os impactos da alta nos custos de produção: “Sempre é possível definir estratégias antes de mudar o valor final, como entender o que pode ter um custo menor, características do produto que podem ser mais simples para que caiba no orçamento, número de peças produzidas, onde serão distribuídas ou até mesmo reduzir a margem de lucro no produto para manter a constância de vendas”, diz Brenda.

Justamente por causa dessas estratégias que, muitas vezes, esse aumento pode passar despercebido pelo consumidor final, ao menos em um primeiro momento. No caso do algodão, os conflitos afetam o combustível utilizado em máquinas agrícolas, o transporte de mercadorias, fertilizantes e até o funcionamento da indústria responsável por transformar a fibra em tecido. Já com as fibras sintéticas, como poliéster, nylon e acrílico, o impacto é ainda mais direto: esses materiais são derivados do petróleo. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), há relatos de aumentos de até 40% no poliéster desde o início do conflito. Além de matéria-prima mais cara, o setor também enfrenta dificuldades logísticas. Com o Estreito de Ormuz sendo uma das áreas mais instáveis e afetadas, rotas marítimas foram alteradas por questões de segurança, resultando em custos de frete elevados. Brenda nota que o aumento foi constante nos últimos anos. “Fatores como guerras, eleições ou altas repentinas de demanda por conta de tendências influenciam na porcentagem desse aumento”, explica. Para ela, a oscilação da economia global já faz parte da rotina da moda, principalmente em um mercado dependente de importações.

O impacto é ainda maior para pequenas marcas que não podem se dar ao luxo de cortar lucros para manter vendas. A designer destaca que a cadeia têxtil brasileira perdeu força nacionalmente, abrindo mais espaço para materiais importados, o que dificulta ainda mais produtores independentes. “Por exemplo, pedidos mínimos de certos materiais que às vezes são mais do que uma marca independente pode investir. Os planejamentos das marcas precisam trabalhar com antecedência e criar acordos que garantam precauções para situações como inflação absurda ou uma nova pandemia”, afirma.

Apesar das tentativas, o consumo de roupas tende a cair em períodos de inflação, que não é considerado essencial como alimentação ou transporte. Uma alternativa nestes momentos são as fast fashions de plataformas internacionais, como a SHEIN, chinesa, que são de pior qualidade mas dificultam a competição por preço. 
“É um momento de duas balanças, dois pesos. Tem muita coisa sendo produzida, muita coisa sendo consumida, aumento do preço de venda, instabilidade do preço de produção”, resume Brenda, que acredita que estamos em um momento de grande transformação em vários pilares da moda, e que só serão compreendidos em sua totalidade quando estivermos afastados disso. 
 

Evento cultural atrai visitantes para a cidade do interior mineiro
por
Beatriz Paulino
Camila Bucoff
Giovanna Britto
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21/05/2026 - 12h

A cidade de Itajubá, no sul de Minas Gerais, realizou nos dias 23, 24 e 25 de abril a "Expo Itajubá", uma tradicional festa de rodeio e shows musicais no Parque de Exposições. O evento anual movimenta a população, com menos de 100 mil habitantes, e atrai visitantes de diferentes lugares. Conhecida por receber grandes nomes da música nacional, principalmente sertanejo, e oferecer estrutura com áreas VIP, pista e camarotes, a expo virou um dos principais eventos da região. Comida, bebida e festas tradicionais também se misturam como parte da experiência.

O envolvimento do Sindicato Rural de Itajubá e a participação de pequenos comerciantes, que oferecem hotéis, restaurantes, transportes e alimentos para o público, revelam uma dinâmica que impulsiona a economia do município e atrai novos olhares para a região. Eventos dessa magnitude tendem a beneficiar diversas cidades, principalmente as pequenas, como é o caso de Itajubá que tem políticas públicas voltadas para a cultura, estruturadas pelo Plano Municipal de Cultura (PMC) e integradas ao Sistema Nacional de Cultura.

A recepção de turistas, a participação da população local e as políticas voltadas para a movimentação cultural servem como base para melhoria do fluxo financeiro durante o evento. O Secretário Municipal de Agronegócio de Itajubá, Edgar Moreira da Silva, em entrevista à AGEMT, explica como isso ocorre. “Os produtores expõem seus bovinos, seus cavalos, que são suas fontes de renda. Ao expor, eles têm uma valorização desses produtos, e isso tudo gera um fortalecimento na economia e também um ânimo para o setor”, diz Silva.

Ele reforça que essa movimentação ocorre em uma série de segmentos, além do econômico. "Também afeta o setor produtivo agropecuário, o setor logístico, os ambulantes, além de toda a equipe de produção e de infraestrutura”. Silva estima que a Expo movimenta cerca de 4 milhões de reais por ano para o município e, apesar de não haver nenhuma pesquisa quantitativa a respeito do aumento no faturamento do comércio durante o período do evento, relatos de comerciantes são animadores quanto ao crescimento de vendas. 

Acontecimentos desse porte também estimulam a geração de empregos temporários e o aumento de fontes de arrecadação como alvarás, notas fiscais e produtos gerais. Os shows, principais atrações, atraem caravanas de vários estados e regiões, comprovando o alcance para além da comunidade local. As festas também envolvem os cidadãos para além do âmbito cultural e de entretenimento, fazendo com que eles vivam na prática o evento. O morador de Itajubá Luiz Augusto Villanacci, que também é fotógrafo da Expo, compartilha o orgulho em participar de um registro tão especial para ele e para o município. "A Expo faz parte da história da cidade, e poder documentar isso com imagens é uma responsabilidade grande. O evento passa, o show acaba, a estrutura é desmontada, mas a fotografia fica. No futuro, essas imagens ajudam a contar como a cidade viveu aquele momento” afirma Villanacci.

Foco em dois copos sendo brindados por mulheres. Os copos possuem logo e estética que remete ao evento de Itajubá.
Comemoração com copo temático da festa. 
Luiz Augusto Villanacci / Acervo Pessoal

Para Villanacci, fotografar a Expo é retratar o município com outro olhar, indo além do show ou do artista para destacar a força do evento, a presença do público e a capacidade da cidade de proporcionar grandes eventos. O jovem compartilhou na prática como isso funciona: “Ontem vi uma foto que fiz do Zezé Di Camargo virar capa de notícia em um portal de sertanejo. Ver uma imagem feita aqui em Itajubá ganhando esse alcance mostra como a fotografia também ajuda a levar o nome da cidade para mais pessoas” anima-se.

Um palco de show, com o cantor Zezé di Camargo e sua banda se apresentando. Efeitos de fogo ficam em evidencia.
Show do Zezé Di Camargo na Expo Itajubá 2026.
Luiz Augusto Villanacci / Acervo Pessoal

 

Com 12 anos de trajetória, o espaço criado pelo artista visual aposta em formação criativa para transformar a produção cultural em modelo econômico viável.
por
Manuela Morandin
Giovana Laurelli
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21/05/2026 - 12h

Na economia criativa, viver de arte costuma ser visto como exceção. Na Casa Locomotiva, em São Paulo, a proposta é justamente inverter essa lógica e tratar a arte não apenas como expressão, mas como fonte de renda. Fundada pelo artista visual Evandro Malgueiro, conhecido como Gota, a casa nasceu da ideia de reunir artistas em um espaço onde fosse possível produzir, ensinar e criar um ambiente permanente de troca.  Gota afirma que além da atuação artística, ele trabalha com produção cultural e audiovisual, dirigindo videoclipes e realizando produções de fotografia, imagem e vídeo. A Casa Locomotiva, segundo ele, começou como um projeto coletivo, a partir do convite a amigos ilustradores para construir um lugar que fosse, ao mesmo tempo, estúdio, escola e ponto de encontro.  

A casa existe há 12 anos e está em seu segundo endereço. Antes de chegar à Vila Madalena, começou em um sobrado na Lapa. O crescimento, segundo Gota, não veio de um grande investimento inicial, mas de uma construção gradual. “O dinheiro veio vindo junto com a casa”, resume. No início, a lógica era alugar uma pequena casa e começar. Hoje, mais de 30 pessoas vivem da arte a partir do ecossistema criado pela Casa Locomotiva. O espaço opera com diferentes frentes de atuação, cursos regulares, turmas de desenvolvimento artístico, eventos, oficinas e atividades voltadas ao mercado corporativo. A diversificação ajuda a manter o projeto em funcionamento mesmo quando uma área tem menor demanda.  

Do ponto de vista financeiro, o modelo se apoia em uma combinação de receitas recorrentes e atividades pontuais. Em consulta aos canais públicos da própria casa, o curso de teatro popular aparece com mensalidade de 395 reais, em formato presencial, com 3 horas semanais. Já oficinas avulsas divulgadas em redes sociais e plataformas de eventos aparecem com valores como 150 e 200 reais, dependendo da atividade, do número de vagas e da proposta artística. Considerando que a escola reúne cerca de 120 alunos, uma mensalidade próxima ao valor público encontrado para um dos cursos indicaria um faturamento em torno de 47 mil por mês, com pelo menos 20% dos alunos sendo bolsistas. 

Alguns alunos permanecem por anos, porque, segundo Gota, a formação artística não termina em um certificado, sempre há um novo projeto, uma nova linguagem ou uma nova etapa de criação. Na visão econômica, a recorrência é um dos pontos centrais para a sobrevivência de espaços culturais. Gota observa que muitos projetos dependem de editais, governos ou apoios instáveis. Por isso, encontrar uma atividade com entrada previsível de receita é fundamental. No caso da Casa Locomotiva, uma das frentes que cumprem esse papel são as oficinas para o mercado corporativo.  

Essas oficinas recebem grupos de empresas para experiências artísticas direcionadas ao desenvolvimento do pensamento criativo. Para Gota, a técnica pode ser aprendida em muitos lugares, mas a prática artística em grupo tem força para estimular inovação em diferentes profissões. “A arte é onde você treina isso”, afirma. O projeto também visa uma expansão. Uma das ideias é criar as chamadas “estações Locomotiva”, fortalecendo espaços em outras regiões da cidade, com metodologias, professores e apoio a iniciativas já existentes. Gota, que veio da Zona Leste, vê nesse movimento uma forma de enfrentar a dificuldade de fazer o dinheiro circular para além dos bairros tradicionalmente associados ao consumo cultural.  Mais do que uma escola de arte, a Casa Locomotiva funciona como um caso de empreendedorismo cultural. Em vez de tratar a arte como atividade paralela à economia, o espaço mostra que ela pode gerar trabalho, sustentar profissionais e oferecer ferramentas criativas para outras áreas. Assista a reportagem em vídeo. 

LosLos sofre com encarecimento de materiais importados e tem reajustes de até 8%
por
Anna Carolina Z. Bueno de Aguiar
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20/05/2026 - 12h

A alta no valor do combustível, embalagens e ingredientes, especialmente os importados, que dependem do câmbio e do mercado internacional, afetam diretamente os picolés premium vendidos na cidade de São Paulo. Atualmente, os ajustes frequentes no setor alimentício forçam a adaptação e diversificação.  A marca LosLos, que a princípio surgiu como paletas mexicanas, hoje se identifica como indústria de sorvetes. Nasceu em 2014, começando a operar fábricas em 2018. A ideia do fundador, José Vicente Mazzarella, em entrevista à AGEMT, surgiu a partir de uma oportunidade de negócio durante o próprio casamento, em 2005, quando serviu 600 picolés para mais de 300 convidados, que se esgotaram em meia hora. Em 2018, com apenas cinco meses recém-inaugurada, 527 pontos de venda foram abertos.  

Nos dias de hoje, são vendidas cerca de 7 mil caixas de sorvetes diariamente, sendo 62% a 65% voltados a matérias-primas vindas do exterior. O empresário conta que os ajustes de valores podem chegar de 6% a 8% anualmente com a crise no Oriente Médio. Os custos altos atingem desde o transporte refrigerado de sorvetes até a gasolina, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), dados divulgados pelo IBGE, o grupo alimentação e bebidas, mostram um aumento de 1,34% em abril, de acordo com a reportagem da revista  Veja. Para Vicente, todas as commodities são extremamente importantes. Ele afirma que, com as instabilidades do mercado global, é essencial acompanhar os preços, preparando-se constantemente para possíveis mudanças em estratégias. Leite argentino, pastas italianas, fibras e adoçantes alemães e frutas, por exemplo, são matérias-primas vindas do exterior, correspondendo a mais de 60% das compras internacionais da empresa. “O sorvete leva muita commodity: açúcar, papelão, plástico, madeira, leite e chocolate. A gente acompanha uma média de 6% a 8% de aumento ao ano”, diz o empresário. 

São comprados, em média, lotes de 30 toneladas de leite em pó argentino, sendo hoje em dia o maior gasto da marca. Custando R$ 1,50 a mais por quilo, comparado ao nacional, chegando a aproximadamente R$ 45 mil por compra, a diferença pode chegar a ultrapassar de R$ 270 mil por ano. Em seguida, o pistache é o segundo maior gasto da empresa, com uma variação de 30% nas últimas semanas, devido à alta demanda internacional, principalmente vindo do Oriente Médio. 

A gasolina elevada encareceu o transporte refrigerado e o diesel. Os custos de logística são de 4,5% a 5% do custo geral da empresa. As embalagens também têm base de petróleo, saindo de R$ 33 para R$ 46 o quilo, com uma alta de 39,4%. “Tudo que é derivado de petróleo explodiu de preço”, diz. Segundo ele, os repasses aos clientes são feitos gradativamente, mesmo com adaptações totais. A inflação, com números entre 6% e 8%, tem alta absorvida pela redução da margem de lucro, segundo Mazzarella. 

Os investimentos da LosLos agora são principalmente voltados para a reformulação das receitas, retirando corantes petrolíferos e quaisquer elementos transgênicos, visando uma trajetória totalmente “clean label”. O desafio econômico agora é igualar os custos à qualidade do produto.

Entre 2012 e 2022, o número de adultos de 25 a 34 anos que moram com os pais cresceu 137%
por
Luane França
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20/05/2026 - 12h

Durante décadas, a ideia de crescimento social no Brasil esteve ligada à promessa de que estudar e trabalhar duro bastariam para construir uma vida melhor. Mas essa lógica começou a perder força. Em um cenário de custo de vida alto, empregos instáveis e dificuldade crescente de acesso à moradia, o patrimônio familiar passou a ter um peso decisivo nas trajetórias individuais. Dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2018 colocaram o Brasil entre os países com menor mobilidade social do mundo. O debate ganhou força internacionalmente sob o conceito de “herançocracia”: uma sociedade em que a herança pesa mais do que o mérito individual na definição das oportunidades. Embora o termo tenha surgido em discussões recentes sobre Europa e Estados Unidos, tem efeitos em um país historicamente desigual como o Brasil.

Para o economista Naercio Aquino, professor da USP e doutor em Economia pela University College London, em entrevista à AGEMT, a herança tem um papel direto na manutenção das distâncias sociais. “A herança tem papel decisivo na reprodução da desigualdade no país, na medida em que ela faz com que as pessoas nasçam com perspectivas diferentes na vida”, afirma. Segundo ele, quem recebe patrimônio acumula vantagens desde cedo: “Aqueles que recebem grandes heranças terão mais facilidade para realizar seus sonhos, pois têm mais capacidade de investir em educação e riquezas”. 

A discussão, no entanto, vai além da transmissão formal de bens. O patrimônio familiar opera também de maneiras menos visíveis, no acesso a redes de contato, na possibilidade de assumir riscos profissionais, no tempo disponível para estudar ou mesmo na chance de fracassar sem cair na precariedade. O pesquisador Pedro Herculano, sociólogo e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), chama atenção para outro problema: o Brasil conhece pouco a própria estrutura patrimonial. “A maior dificuldade para entendermos o papel das heranças no Brasil é a falta de dados. Sabemos muito pouco sobre a distribuição de patrimônio, e menos ainda sobre a transmissão de heranças”, diz Herculano. 

Segundo ele, essa ausência de informações dificulta compreender o tamanho real do fenômeno. Ainda assim, há sinais de que o patrimônio se tornou um elemento na reprodução das desigualdades. “No mundo todo, há mais desigualdade de patrimônio do que de renda, e o Brasil certamente não é diferente”, afirma.

 

Com custo de vida mais alto e mercado instável, apoio familiar virou parte da sobrevivência financeira de muitos jovens - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em meio à dificuldade de alcançar independência financeira, famílias se tornaram redes de proteção para diferentes gerações - Foto:Marcelo Camargo/Agência Brasil

O custo da vida adulta

A expansão universitária alterou trajetórias e ampliou oportunidades especialmente para grupos historicamente excluídos. Mas o diploma já não garante o mesmo retorno econômico de outras gerações. Ao mesmo tempo, os custos da vida adulta subiram de forma acelerada. Comprar um imóvel é mais difícil. Em 2024, São Paulo registrou o maior valor médio de aluguel da série histórica do índice QuintoAndar/Imovelweb. O mercado de trabalho passou a exigir formação contínua, experiência prévia e alta competitividade para vagas frequentemente instáveis. Em grandes cidades morar sozinho virou privilégio. 

Nesse cenário, famílias passaram a funcionar como amortecedores econômicos. Pais ajudam filhos adultos a pagar aluguel, financiar estudos ou enfrentar períodos de desemprego. Avós sustentam parte da rotina doméstica cuidando de crianças enquanto os pais trabalham. Em muitos casos, a sobrevivência financeira depende menos do salário e mais da estrutura familiar disponível. Para Naercio, o problema é que esse apoio não está igualmente distribuído. “A educação, em tese, conseguiria compensar a falta de patrimônio, mas somente se a qualidade da educação pública fosse similar à da educação em escolas privadas, o que não ocorre no Brasil”, afirma.

Ele diz que a desigualdade se reproduz desde os primeiros anos de vida. “Quem tem mais recursos acaba estudando em escolas melhores, desde a creche, obtém mais aprendizado e maiores salários no futuro”, explica. Já Herculano observa que as vantagens patrimoniais começam muito antes da herança oficial. “Os herdeiros podem se beneficiar por múltiplos canais, para além da transmissão direta de bens”, diz. “Em outros casos, os pais antecipam a transmissão de patrimônio dando suporte e vantagens para os filhos ainda em vida”.

A perspectiva de herdar um imóvel por exemplo altera decisões sobre carreira, consumo, moradia e até relacionamentos. Em um mercado de trabalho mais competitivo, com processos seletivos longos, exigência de qualificação constante e poucas garantias de estabilidade, negativas sucessivas se tornaram parte da rotina. A dificuldade de alcançar independência financeira, somada ao alto custo da moradia e à pressão por sucesso profissional, ajuda a ampliar sentimentos de frustração, insegurança e desgaste emocional entre as novas gerações.

Para os especialistas entrevistados, o impacto da concentração patrimonial não se limita à vida privada. Ele também afeta o funcionamento da democracia. Naercio afirma que a concentração de riqueza tende a reduzir o crescimento econômico no longo prazo. “Ela aumenta a influência dos mais ricos nas decisões do Congresso que afetam o crescimento econômico”, diz.  

Herculano segue linha semelhante ao destacar o risco de política:  “Em um país muito desigual, os mais ricos conseguem converter parte dos seus recursos econômicos em influência política”, afirma. Segundo ele, isso permite que grupos privilegiados aprovem políticas alinhadas aos seus próprios interesses, mesmo que isso contrarie necessidades mais amplas da população.

A consequência mais visível talvez seja a erosão lenta da ideia de mérito. Não porque o esforço deixe de importar, mas porque ele passa a produzir resultados radicalmente diferentes dependendo do ponto de partida. O Brasil ainda discute pouco a riqueza acumulada e transmitida entre gerações. O imposto sobre herança permanece baixo em comparação internacional, enquanto a concentração patrimonial segue elevada.

Para Naercio, ampliar a tributação sobre heranças poderia ajudar a reduzir parte da desigualdade estrutural. “Não acho que devamos acabar com a herança, pois isto poderia desestimular a busca por mais produtividade, mas sim aumentar bastante o imposto pago na hora de passar os bens dos pais para os filhos”, afirma.

 

Especialista explica impactos do aumento do índice e aponta educação financeira de base como medida de contenção
por
Juliana Salomão
Luiza Zequim
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12/05/2026 - 12h

A inadimplência no Brasil atingiu patamares históricos nos últimos dois meses e estabeleceu novos recordes de comprometimento financeiro. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual da população com dívidas foi de 80,4% em março e subiu mais 0,5 ponto percentual em abril. O cenário reflete a dificuldade crescente das famílias que buscam quitar despesas essenciais, como contas de luz, água e aluguel.

Em entrevista à AGEMT, o economista Gabriel analisa a percepção social da inadimplência e o impacto do vício em apostas, como as bets, no orçamento doméstico. O especialista aborda ainda o papel da educação financeira de base diante do atual cenário econômico. Confira a reportagem completa aqui