Produtos utilizados por integrantes da casa vigiada têm vendas aumentadas
por
Mariane Beraldes
Thainá Brito
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27/03/2026 - 12h

O Big Brother Brasil 26 se tornou uma das edições mais comentadas do reality nos últimos anos, com forte impacto nas redes sociais. Segundo a Rede Globo, o programa já acumula milhões de interações nas plataformas digitais, o que tem impulsionado a demanda por produtos utilizados pelos participantes. A transmissão 24h amplia o contato do público com os confinados e os itens exibidos dentro da casa, o que tem aumentado o interesse dos consumidores por esses itens. O fenômeno também alcançou pequenos empreendedores, que registram crescimento nas vendas, impulsionado pela visibilidade no ambiente digital. 

Entre os impactados está a estudante Patrícia Carvalho, que afirma já ter adquirido mercadorias motivadas pelo programa. “Eu ainda não me arrependi de nenhuma compra que fiz por conta do BBB. Acredito que isso acontece porque consigo ver o resultado do produto. Se é um item de maquiagem, por exemplo, posso acompanhar como ele se comporta na pele e o acabamento que oferece”, diz Carvalho. 

De acordo com o relatório da McKinsey, empresa global de consultoria e gestão estratégica, recomendações e experiências compartilhadas entre consumidores podem influenciar entre 20% e 50% nas decisões de compra. A lógica se manifesta de forma indireta no BBB, ao acompanhar o cotidiano dos brothers, o público pode observar o uso contínuo dos produtos, o que tende a aumentar a confiança na hora da compra. 

Nas redes sociais, o engajamento é intenso, especialmente em itens de skincare, cabelo e acessórios. A participante Ana Paula Renault garantiu aos pequenos empreendedores maior visibilidade, aumento do faturamento e até esgotamento rápido de seus produtos. Em alguns casos, as parcerias já existiam antes da entrada da sister na casa, como ocorreu com os acessórios da marca “Nega Lora”, que registrou crescimento de 60% nas vendas no início de 2026.

Ana Paula Renault utilizando acessórios da marca Nega Lora Foto: Globo/Divulgação
Participante Ana Paula Renault utilizando acessórios da marca Nega Lora Foto: Globo/Divulgação


Além das parcerias, perfis nas redes sociais, como @closetdaanapaularenault, divulgam as peças usadas pela participante e aumentam a procura por outros itens de pequenos empreendedores, mesmo sem acordos comerciais formais. Quando um produto ganha visibilidade na mídia, há tendência de crescimento nas vendas devido à maior demanda. Uma pesquisa da Wake, em parceria com a Opinion Box, revelou que 56% dos consumidores afirmam que produtos virais aumentam sua intenção de compra. Porém, especialistas em mercado alertam que esse tipo de movimento nem sempre se traduz em consumo contínuo. 

Esse efeito gera picos imediatos, principalmente no ambiente digital, tende a diminuir após o fim do programa, que dura apenas três meses. Essa movimentação exige das marcas, especialmente as menores, estratégias de fidelização para manter o crescimento de vendas a longo prazo. Segundo Davidson Carvalho, mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), pela PUC-SP, o comportamento do público nas redes tem sido marcado por volatilidade: “Tudo é instantâneo, não necessariamente você lembra do vídeo que você viu, ou da série que você assistiu. Isso é muito rápido, dinâmico e instantâneo. Quem quiser conversar com o público, precisa mudar. Hoje em dia a comunicação está muito mais focada nas emoções, no sentimento, no visual, do que no próprio conteúdo”, explica Carvalho. 

Para Patrícia, esse comportamento pode também estar ligado à percepção inicial dos consumidores: “Quando um produto é lançado e tem aquele hype em cima, ele nunca tem nenhum defeito. Passam os meses, começam a surgir pequenas imperfeições no produto, que talvez façam você questionar se vai querer comprar ele ou não”, afirma.

Mesmo com o aumento do preço do chocolate refletindo no bolso do consumidor, setor aposta na personalização e no apelo visual para atrair 4,2 milhões de novos compradores
por
Victória Miranda
Ana Julia Mira
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27/03/2026 - 12h

Todos os anos no feriado de Páscoa, os brasileiros se animam com os novos ovos de chocolate. Sejam os industrializados ou artesanais, dificilmente a data passa sem que seja adquirido ou ovo, feito em casa ou comprado. A expectativa do comércio varejista é de 10% no aumento das vendas em razão do comportamento brasileiro inclinado à presentear em datas comemorativas neste ano.

No entanto, a recente crise no mercado do cacau em anos anteriores ainda impactam os valores do chocolate nas prateleiras. De acordo com a analista da StoneX, Lucca Bezzon para o G1, mesmo com a queda do preço do cacau no campo, o ingrediente utilizado na fabricação dos produtos de páscoa foi comprado durante o auge da crise, momento em que os valores batiam recordes de aumento. Estes produtos mais consumidos na época do feriado foram impactados com cerca de 50% de variação de preço em 5 anos. 

Fonte: Bora Investir (B3)
Bora Investir (B3)

 O destaque de aumento vai para o chocolate em barra e bombom, que sofreram alterações de quase 25% nos preços. As mudanças são sentidas principalmente pelos pequenos empresários, que anualmente precisam se adaptar para produzirem de forma lucrativa. Isabella Martins, proprietária da confeitaria Doce Apetite, em Osvaldo Cruz (SP), diz ter tido que mudar os valores de seus produtos em razão da alta do chocolate. “Tiveram produtos que a gente teve que diminuir um pouco nossa margem de lucro para passar um preço melhor para o nosso cliente” disse Isabella, que produz ovos de páscoa para venda há 6 anos.

Mas mesmo com as dificuldades de lidar com as mudanças de preço, as tendências para a data comemorativa continuam surgindo. Algumas delas são: ovos em fatias, barras recheadas, mini ovos e kits degustação, sabores de ovos inusitados – que vão desde o bolo de coco gelado até pistache estilo Dubai, entre outras.

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Kit degustação 2026 produzido por Isabella. Foto: Reprodução/@doceapetite_cg

Para os produtores, o otimismo é justificado pelos números. Segundo uma pesquisa realizada pela Harald, marca de chocolates e coberturas, focada no mercado profissional, o período pode representar até 40% da receita anual para a maioria dos confeiteiros, sendo a principal comemoração do ano para mais de 65% desses empreendedores. Esse dado conversa diretamente com o levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, que aponta que 65% dos brasileiros pretendem comprar presentes este ano — um crescimento de 4,2 milhões de novos consumidores no mercado. Embora a indústria ainda detenha 56% da preferência, o setor artesanal já conquistou 40% das intenções de compra. O que explica essa transição para o feito à mão é a busca por maior qualidade e personalização. O gasto médio previsto é de R$253. 

A tendência do ovo em fatia é a mais forte. Viralizada nas redes sociais, como Tik Tok e Instagram, a proposta apresenta um ovo de chocolate dividido em até seis pedaços, cada um com um recheio diferente, apelando para o visual “instagramável” e a variedade de sabores. O que começou no ambiente artesanal rapidamente foi absorvido pela indústria: a Cacau Show lançou nesta semana uma edição limitada de 360g que combina três sabores da linha Dreams. O produto custa R$119,99 para clientes participantes do clube de fidelidade da marca.O movimento mostra que as grandes marcas estão atentas à agilidade dos pequenos confeiteiros em criar novos formatos. 

Cacau Show investe na maior tendência para a Páscoa deste ano
Cacau Show investe em maior tendência para a Páscoa deste ano. Foto: Divulgação/Cacau Show

Apesar da Páscoa ser celebrada em abril, para quem produz, o calendário começa muito antes. Como explica Isabella: "normalmente em janeiro, já começamos a estudar a questão dos insumos, forminhas etc, para já ir se preparando melhor e conseguir preços mais acessíveis”. No ano passado, por conta de uma mudança de espaço, a empreendedora registrou um faturamento de R$6 mil. Com um tíquete médio que varia entre R$40 e R$60 por cliente, o faturamento semanal gira em torno de mil reais.

Este ano, ela apostou na tendência do ovo em fatia: “a gente apostou por ser uma novidade muito boa”. Sendo assim, os produtos da loja variam de R$12 (mini ovinhos e coelhinhos) a R$130 (ovo em fatia). Mesmo com a diferença de preços, o fator decisivo para o cliente do setor artesanal vai além do valor na etiqueta. Segundo a confeiteira, há uma mudança na mentalidade: “Os clientes consideram muito o valor na questão da compra, mas eles também priorizam um pouco a experiência”.

Dario Durigan foi anunciado como novo ministro pelo governo na quinta-feira,19
por
Nícolas Beneton
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26/03/2026 - 12h

A corrida eleitoral de 2026 foi iniciada, o momento é de movimentações e definições nos cargos que serão vagos por cada candidato, principalmente nos ministérios. O exemplo mais significativo é a saída do ministro da fazenda, Fernando Haddad, para disputar o governo de São Paulo. A estratégia do PT nesse caso é bem clara: trazer um nome forte para disputar o governo contra o candidatoa à reeleição, o governador Tarcísio de Freitas. Outros nomes como o de Simone Tebet foram ventilados mas a escolha de Haddad foi definida. Dario Durigan, natural de Bebedouro, SP, tem 41 anos e assume o ministério da Economia, trazendo no currículo o trabalho para recomposição das receitas, aumentando os tributos que o governo anunciou nos últimos anos, além de articular a regulamentação da reforma tributária do consumo e no fechamento da renegociação da dívida dos estados.

Durigan foi consultor da Advocacia-Geral da União, entre 2017 e 2019, e atuou no setor privado em empresas como WhatsApp, como diretor de Políticas Públicas, faz parte da equipe de Haddad desde 2015, quando o ex-ministro era prefeito de São Paulo. Seu anúncio como substituto foi feito pelo presidente Lula em evento em São Paulo na noite do dia 19. "Queria cumprimentar o companheiro Dario Durigan (...)  Ele será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olha bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas", disse Lula. 

Na manhã do mesmo dia, a jornalista da Band e rádio BandNews, Juliana Rosa, comentarista de Economia, participou de uma entrevista coletiva com alunos de jornalismo da PUC-SP, como era um tema em voga, ela foi questionada muito rapidamente da sua opinião sobre a atuação de Fernando Haddad e a chegada de Durigan no comando da pasta. Ela também fez comentários sobre suas percepções em torno do governo Lula e como a população vem recebendo tudo isso.

Juliana Rosa em coletiva na PUC SP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“O ministro Haddad colaborou muito, deu muita entrevista na Band, lá na Band News. Acho que a gente teve uma vantagem que foi conseguir fazer um debate qualificado, em muitos momentos. Mas, estamos de volta para aquela polarização, uma coisa que é bem crítica e começa a falar mais alto  do que o debate técnico, por isso é difícil a gente ter um debate qualificado no  Brasil", comenta Rosa, que enfatiza como é complicado entenderem críticas ao governo, sem parecer que você está falando mal, ou bem".

"A notícia de que Durigan assumiria o ministério foi um bom indicativo para o mercado, por não ser uma figura que gere surpresas, seu foco será priorizar as contas públicas, ainda mais em um ano eleitoral", afirma Erich Decat, analista político.

 

Valores de transferência do futebol brasileiro bate recorde duas vezes em 2026; cifras somam quase meio bilhão de reais
por
Vinícius Evangelista
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26/03/2026 - 12h

Estamos em março e o recorde de maior transferência da história do futebol brasileiro foi quebrado por duas vezes. Em 28 de janeiro, Lucas Paquetá foi contratado pelo Flamengo por 42 milhões de euros (aproximadamente R$ 260 milhões na cotação de 26 de março) vindo do West Ham United, da Inglaterra. O anúncio foi feito apenas 11 dias depois de Gerson ter se transferido do Zenit, da Rússia, para o Cruzeiro por 25 milhões de euros (cerca de R$ 176 milhões), sendo, até então, a contratação mais cara do futebol nacional.

A superação dos valores e quebras de recorde têm sido cada vez mais frequentes nas transações entre clubes do mundo inteiro e, em especial, no Brasil que tem as 13 contratações mais caras realizadas nos últimos cinco anos. “Os valores espantam, porém é uma tendência global, o mercado está inflacionado, não é uma exclusividade do futebol brasileiro.”, explica Gabriel Renan, cientista contábil e experiente no mercado financeiro. “Houve um aumento sistemático de direitos de transmissão, são valores muito robustos. É natural que, tendo mais dinheiro, você vai ter transações mais ousadas”, acrescenta Renan.

Ele afirma que os valores tendem a aumentar ainda mais, principalmente se os clubes se organizarem em uma liga independente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Atualmente, os clubes seguem discutindo a distribuição de valores e estão divididos em dois grupos: a Liga do Futebol Brasileiro (LIBRA) e a Liga Forte União (LFU). Se considerarmos os valores corrigidos pela inflação, Paquetá segue como o jogador mais caro, porém em segundo aparece Edmundo, contratado em 1999 pelo Vasco da Gama por 15 milhões de dólares pagos ao Fiorentina, da Itália, equivalente a R$ 24 milhões em valores da época e R$ 183,5 milhões nas cifras atuais, ficando a frente da quantia paga pela aquisição de Gerson.

“A gente tem que contextualizar, essa foi uma contratação de uma parceira do Vasco na época, a NationsBank, que injetou dinheiro no futebol”, afirmou. Ele explica ainda que isso era comum na época, usando de exemplo o Palmeiras e sua famosa parceria com a Parmalat e o Corinthians, com o extinto Banco Excel. “Não era algo que tinha relação com a sustentabilidade dos clubes, muito pelo contrário, as receitas eram tímidas e isso (contratações de alto valor) só era possível com capital externo”, disse.


No panorama internacional dos dias atuais, os números brasileiros ainda ficam atrás das maiores transações já registradas. Ainda seguem como as transferências mais caras do futebol mundial Neymar saindo do Barcelona, da Espanha para o francês Paris Saint-Germain, em 2017, por 222 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhões), e Kylian Mbappé, transferido em definitivo dentro do mesmo país, partindo do Monaco também para o PSG, por cerca de 180 milhões de euros (também mais de R$ 1 bilhão).

Ainda assim, a recente movimentação no Brasil indica uma convergência parcial, especialmente no esforço de clubes em repatriar jogadores em alta no futebol europeu, como foi o caso de Vitor Roque, que voltou ao Brasil em 2025 após atuar por duas temporadas no Barcelona, da Espanha. O palmeiras pagou 25,5 milhões de euros pelo atacante (cerca de R$ 153 milhões), sendo a terceira transferência mais cara em números absolutos e a sexta maior, quando considerada a correção inflacionária.

No mercado de transferências, o Brasil ainda se configura como país majoritariamente exportador, com suas maiores vendas envolvendo clubes europeus. A maior da história segue sendo a de Neymar, saindo do Santos, em sua primeira passagem, para o Barcelona, em 2013, por 88,4 milhões de euros (cerca de R$ 473 milhões). Na sequência, aparece a compra de Vitor Roque pelo Barcelona, por aproximadamente 74 milhões de euros (aproximadamente R$ 395 milhões) pagos ao Athletico Paranaense, e Endrick, vendido pelo Palmeiras ao Real Madrid por valores que podem chegar a 72 milhões de euros (cerca de R$ 385 milhões). Também figuram entre as maiores negociações Vinícius Júnior, do Flamengo para o Real Madrid, e Rodrygo, do Santos para o mesmo clube espanhol, ambos por 45 milhões de euros (cerca de R$ 241 milhões cada).

Outro ponto que acompanha a valorização das transferências é o crescimento dos salários no Brasil. Segundo levantamento do portal R7, ao menos seis jogadores que atuavam no país em 2025 recebiam mais de R$ 2 milhões mensais. De acordo com estudo realizado por FiscalData, esse valor corresponde a quase quatro vezes mais do que o mínimo necessário para estar entre os 0,1% mais ricos do país. Em contraste, a renda média da população é de R$ 3.613. “Proporcionalmente em receita, os clubes tendem a 70% de gasto em folha salarial, nos anos 90 também era isso, a proporcionalidade do gasto não mudou durante o tempo, a questão é que hoje os valores são muito maiores” , explicou Gabriel e ainda acrescentou que “estamos falando de clubes que faturam bilhões, é natural que os jogadores ganhem na casa dos milhões. 

Ainda segundo Renan, “jogador de futebol dos grandes clubes ganham muito e fazem parte da camada mais rica do país, isso é um fato. Mas se tem mais dinheiro rolando nesse negócio, nada mais justo do que ter a valorização dos principais artistas do espetáculo”.

 

A crise econômica provocada pela pandemia alterou a relação dos brasileiros com o dinheiro e os modelos de trabalho
por
Luenir Gomes
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26/03/2026 - 12h

A crise provocada pela pandemia de Covid-19 alterou profundamente a relação dos brasileiros com o dinheiro e com o trabalho. O fechamento de estabelecimentos, o aumento do desemprego e a redução do consumo afetaram diretamente a renda das famílias. Depois de seis anos, consegue-se um panorama deste cenário: trabalhadores migraram do regime CLT para o modelo de microempreendedor individual (MEI), impulsionados pela necessidade de sobrevivência. Aplicativos como uber, 99 e serviços de entrega de fast-food se tornaram alternativas de renda, mas também expuseram a precarização das relações de trabalho. Segundo Paulo da Silva Melo, especialista em ciências contábeis, “a migração de trabalhadores do regime CLT para o modelo de MEI, intensificada durante a pandemia, aumentou a instabilidade da renda. Com ganhos mais incertos, muitos passaram a buscar nos investimentos uma forma de complementar ou proteger o patrimônio. Nesse sentido, o aumento de investidores também está ligado à insegurança econômica”, diz. 

Dados do mercado financeiro indicam que a pandemia marcou um ponto de virada no comportamento dos brasileiros em relação aos investimentos. Segundo a B3 (bolsa de valores oficial do Brasil), o número de pessoas físicas aplicando em produtos de renda fixa, muitos deles atrelados ao CDI, passou de cerca de 8,7 milhões em 2020 para mais de 10 milhões em 2021. O crescimento de aproximadamente 1,4 milhão de novos investidores em apenas um ano evidencia a entrada massiva de pequenos aplicadores no mercado durante o período de crise sanitária. O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores, como a queda histórica da taxa básica de juros, que reduziu a atratividade de aplicações tradicionais, e a maior digitalização dos serviços financeiros, que facilitou o acesso a investimentos.

Nesse cenário, produtos vinculados ao CDI se consolidaram como porta de entrada para investidores iniciantes, especialmente aqueles em busca de segurança e liquidez em meio à instabilidade econômica. A maioria desses novos investidores eram jovens, conectados digitalmente, aplicando valores relativamente baixos, muitas vezes inferiores a R$ 10 mil. Thiago Correia, motorista de aplicativo, 38 anos, relata sua experiência: “depois que fiquei desempregado, me tornei motorista de aplicativo e -- durante a pandemia -- comecei a investir por conta de comerciais de bancos como, por exemplo, feitos pelo Nubank, que diziam que meu dinheiro renderia mais com os juros. Fazendo comparativos e buscas pelas redes, cheguei à conclusão de que seria melhor do que deixar meu dinheiro parado”, relembra Correia. 

O período também marcou a consolidação dos bancos digitais, como Nubank e C6 Bank, símbolos de uma nova geração de serviços financeiros. Ao oferecer contas gratuitas, cartões sem anuidade e acesso simplificado via aplicativo, essas fintechs quebraram barreiras históricas do sistema bancário tradicional, visto como burocrático e caro. Além disso, passaram a integrar opções de investimento acessíveis em suas plataformas, permitindo que clientes aplicassem em renda fixa, fundos e até ações com poucos cliques. Essa revolução digital foi decisiva para ampliar o alcance da Bolsa e democratizar o acesso ao mercado de capitais.

Apesar do entusiasmo, o movimento também expôs riscos. A volatilidade do mercado e o chamado “efeito manada” levaram muitos a perdas significativas em momentos de queda. A falta de preparo técnico e de conhecimento aprofundado sobre o funcionamento da Bolsa evidenciou a necessidade de maior educação financeira. Especialistas alertam que, embora atraídos pela possibilidade de retorno maior no longo prazo, muitos investidores iniciantes tomaram decisões baseadas em informações superficiais ou promessas de lucro rápido.

 

Entenda como a ofensiva estadunidense pesa no bolso do brasileiro
por
Clara Dell'Armelina
Isabela Fabiana
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26/03/2026 - 12h

No último dia de fevereiro (28), o Irã sofreu uma invasão dos Estados Unidos, refletindo diretamente no preço do petróleo, já que a região que concentra algumas das maiores reservas do planeta e qualquer instabilidade vira gatilho para a alta nos preços e para um efeito dominó na economia mundial. E, mesmo distante do conflito, o Brasil sentiu rápido o reflexo com combustíveis mais caros, compras no mercado e a sensação de que decisões tomadas do outro lado do mapa atravessam fronteiras e chegam, sem pedir licença, no cotidiano do brasileiro. 

Meios de locomoção como carros ou aviões não são os únicos dependentes do petróleo, trata-se de uma matéria-prima básica da cadeia que sustenta a vida moderna. É dele que saem combustíveis, mas também plásticos, cosméticos, roupas sintéticas, medicamentos e até partes de equipamentos eletrônicos. Em outras palavras, o petróleo não move só motores, ele move economias inteiras. Países como o Irã são peças-chave nesse tabuleiro, porque concentram reservas gigantes e influenciam diretamente a oferta global. Qualquer conflito ou instabilidade nessa região afeta o preço do barril, e esse aumento impacta o mundo por completo, não fica restrito ao mercado nacional.

Antes de pensar nos impactos que a economia brasileira pode ter em função do ataque bélico estadunidense, é preciso entender o Irã dentro da economia global. O país do Oriente Médio tem grande relevância no mercado de energia, por exemplo, o Irã hoje representa 3,6% da exportação mundial de petróleo, com 1,57 milhões de barris exportados por dia. Porém, se incluirmos os países exportadores do Golfo Pérsico já afetados pelo atual conflito militar (Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Arábia Saudita), estamos falando de uma exportação mundial de petróleo de 11,5 milhões de barris por dia, “o equivalente a 26,6% do volume de petróleo exportado em todo mundo”, explica o economista e professor da PUC-Campinas Dario Rodrigues da Silva, doutorando em Economia Política Mundial.

Na avaliação dele, os impactos desse conflito sobre a economia brasileira já começam a se desenhar em diferentes frentes. “Os maiores riscos para o brasileiro, neste cenário, têm duas origens: a primeira delas é a crescente dependência de importação nos derivados de petróleo; a segunda, a falta efetiva de controle dos preços de distribuição dos derivados desde a privatização da BR Distribuidora, em 2019", ressalta Dário. Ele ainda explica que “sem esse controle, o governo não tem instrumentos para evitar instabilidades nos preços do varejo, por movimentos especulativos”.

Dois braços segurando um balde de petróleo com as luvas sujas. (Foto/Reprodução:CPG- Click Petróleo e Gás)
 (Foto/Reprodução:CPG- Click Petróleo e Gás)   

A ida ao mercado também está pesando no bolso, onde os efeitos são indiretos, mas relevantes. O Irã é um dos principais nomes na economia de fertilizantes e o ataque provocou um aumento global no preço do produto, o que eleva os custos da produção agrícola. “As culturas de grãos de alto volume seriam as mais afetadas diretamente em seu custo, como arroz, feijão e milho”, aponta. Ainda assim, ele pondera que esses impactos não são inevitáveis para o consumidor final: “essas culturas podem também ser alvo de políticas públicas para o controle dos preços e garantia da produção, evitando que qualquer choque de custo seja repassado diretamente ao consumidor”.

Dario Rodrigues também chama atenção para possíveis efeitos nas exportações brasileiras como, por exemplo, o frango Halal, um tipo de abate específico para a cultura islâmica e um dos produtos mais exportado do Brasil para o Oriente Médio. "O principal impacto neste mercado é logístico, com o risco de interrupção das rotas de transporte destes produtos pelo estreito de Ormuz”, afirma. Estes entraves no transporte podem levar o produtor a redirecionar parte da produção ao mercado interno, o que “poderia até reduzir o preço para o consumidor brasileiro”, mas tenderia a comprometer “a lucratividade de longo prazo desta indústria, podendo resultar em desinvestimento” no setor, explica Dario.

Imagens de Abate Frango Halal - Foto: Divulgação/SEAB Foto: SEAB
(Abate Halal - Foto: Divulgação/SEAB. Foto: SEAB)

Em relação às perspectivas futuras para o preço da gasolina, o professor da PUC-Campinas avalia que o cenário internacional ainda é marcado por grande incerteza, especialmente tratando-se do mercado de petróleo. “Previsões a respeito da cotação desse produto, para períodos mais distantes, não raramente, se mostram muito arriscadas”, afirma. Apesar disso, ele reconhece que, em cenários mais pessimistas, os preços podem subir ainda mais no curto prazo.

O petróleo começou 2026 custando USD 59,7 e, no dia em 28/03, quando o conflito completará 4 semanas, prazo estipulado por Trump para o fim da guerra após o primeiro ataque, “muitos analistas especializados informam que, nos piores cenários, os preços podem atingir USD 150”, acrescenta Dário. Para ele, o desenrolar da crise e a resposta do governo serão determinantes para o futuro. “Vai depender da aplicação destes instrumentos para que essa proteção realmente ocorra”, conclui, ao se referir às políticas públicas capazes de conter os efeitos da instabilidade da economia internacional sobre a economia doméstica.

A localização estratégica do Oriente Médio

Situado em confluência com a África, Europa e Ásia, sua localização privilegiada permite acessos estratégicos como o Canal de Suez, no Egito, e o Estreito de Ormuz, Irã. O interesse de países estrangeiros decai sobre uma das maiores reservas de combustíveis fósseis do mundo sendo crucial para a economia global. Desta maneira, a região se torna alvo de intervenções internacionais. Os Estados Unidos, historicamente, influenciam de maneira direta nas decisões dos países da região, muitas vezes na premissa de acusações de terrorismo. Uma das ocasiões mais memoráveis foi a guerra EUA X Iraque, em 2003, os norte-americanos acusaram o país asiático de obter armas de destruição em massa (nunca encontradas) e ameaçar a segurança global, esse foi o mesmo motivo do ataque ao Irã neste ano. A invasão causou um vácuo de poder após o assassinato do líder Saddam Hussein, e o país foi levado para uma guerra civil sangrenta. O conflito durou oitos anos, com mais de 600.000 mortos, segundo a revista The Lancet.

Edição 2026 terá restituições antecipadas e cashback para contribuintes de baixa renda
por
Carolina Nader
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24/03/2026 - 12h

A Receita Federal anunciou na última segunda-feira (16) as regras para a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026, referente aos rendimentos recebidos em 2025. O prazo de entrega começa às 8h do dia 23 de março e termina às 23h59 de 29 de maio.

A expectativa do órgão é receber cerca de 44 milhões de declarações neste ano. O programa para preenchimento estará disponível para download a partir de sexta-feira (20), no site oficial da Receita Federal.

Entre as principais novidades estão a antecipação das restituições, melhorias na declaração pré-preenchida e a criação de um cashback para contribuintes de baixa renda.

As mudanças fazem parte do processo de digitalização da Receita Federal e da tentativa de reduzir erros nas declarações, além de acelerar o pagamento das restituições.

Restituições serão pagas em quatro lotes

Neste ano, a Receita reduziu de cinco para quatro os lotes de restituição. Os pagamentos ocorrerão nas seguintes datas:

• 29 de maio

• 30 de junho

• 31 de julho

• 31 de agosto

Segundo o órgão, cerca de 80% dos contribuintes com direito à restituição devem receber o valor já nos dois primeiros lotes. A ordem de prioridade permanece a mesma, começando por idosos com 80 anos ou mais.

Cashback pode beneficiar 4 milhões de brasileiros

Uma das principais novidades é o cashback do Imposto de Renda, que prevê devolução automática para trabalhadores de baixa renda que tiveram imposto retido, mesmo sem serem obrigados a declarar.

A medida deve beneficiar cerca de quatro milhões de pessoas, com devolução total estimada em R$ 500 milhões. O valor pode chegar a R$ 1 mil por contribuinte, com média de R$ 125.

O pagamento está previsto para 15 de julho, por meio de lote específico, preferencialmente via Pix vinculado ao CPF.

Declaração pré-preenchida ganha melhorias

A Receita também ampliou as funcionalidades da declaração pré-preenchida, disponível a partir de 23 de março para contas Gov.br nível prata ou ouro.

O sistema passará a emitir alertas automáticos para evitar erros, como despesas médicas fora do padrão ou ausência de chave Pix. Dados de renda variável, dependentes e informações do eSocial também foram integrados.

A expectativa é que mais de 60% dos contribuintes utilizem esse modelo em 2026.

Documentos necessários para declarar

Para evitar erros no preenchimento, a Receita Federal recomenda que o contribuinte reúna previamente os principais documentos, como:

• Informes de rendimentos fornecidos por empresas e bancos;

• Comprovantes de despesas médicas e educacionais;

• Dados bancários para restituição ou pagamento;

• Documentos de bens, direitos e dependentes.

Novas exigências e mudanças

Entre as novidades, rendimentos obtidos em apostas esportivas deverão ser informados na declaração, assim como saldos mantidos nas plataformas ao final de 2025.

Também será possível incluir nome social e, de forma opcional, informações de raça e cor do contribuinte e dependentes.

A Receita destacou ainda o uso do sistema Receita Saúde, que digitalizou recibos médicos e deve reduzir erros e casos de malha fina relacionados a despesas médicas.

Quem deve declarar?

Devem declarar o Imposto de Renda os contribuintes que, em 2025:

• Receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584;

• Tiveram outros rendimentos superiores a R$ 200 mil;

• Venderam bens ou tiveram ganho de capital tributável;

• Realizaram operações em bolsa acima de R$ 40 mil;

• Possuíam bens acima de R$ 800 mil;

• Obtiveram receita rural superior a R$ 177.920;

• Tiveram rendimentos ou investimentos no exterior

A nova faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais não vale para esta declaração e só será aplicada no IR de 2027. Isso ocorre porque o Imposto de Renda sempre considera os rendimentos do ano anterior. Como a nova regra passou a valer apenas em 2026, seus efeitos só aparecerão na declaração referente aos ganhos obtidos nesse período.

Não precisam declarar contribuintes que receberam rendimentos abaixo do limite anual de obrigatoriedade e que não se enquadram em nenhuma das demais situações previstas pela Receita Federal, como posse de bens acima do valor estabelecido, operações em bolsa ou ganhos de capital tributáveis.

Receita alerta para golpes

A Receita Federal reforçou que os contribuintes devem utilizar apenas os canais oficiais para envio da declaração e ficar atentos a tentativas de fraude durante o período.

O órgão também realizará transmissões semanais ao vivo no YouTube para esclarecer dúvidas sobre o preenchimento.

Parceria entre bancos permite que brasileiros realizem pagamentos instantâneos por meio de QR Code em estabelecimentos argentinos
por
Jessica Castro
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16/03/2026 - 12h

 

Brasileiros que viajam para a Argentina agora contam com uma nova alternativa de pagamento. A iniciativa do Banco do Brasil em parceria com o Banco Patagonia permite que brasileiros utilizem o Pix para pagar compras em lojas físicas credenciadas no país.

O anúncio foi realizado em 6 de março de 2026 pelo Banco do Brasil e já se encontra em vigor. A medida faz parte de um movimento de instituições financeiras para ampliar o alcance do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro em transações internacionais, especialmente entre destinos com grande fluxo de turistas do Brasil.

No mês anterior, o BB já havia lançado uma alternativa que permite aos lojistas brasileiros venderem para clientes argentinos do Patagonia por meio de uma solução financeira parecida com o Pix. A operação envolve uma transação que converte a compra para dólares e debita da conta do usuário na Argentina, enquanto o comerciante do Brasil recebe o valor imediatamente via Pix.

Como funciona o pagamento

A transação ocorre por meio da leitura de um QR Code apresentado pelo comerciante, que pode estar em uma maquininha de pagamento ou em outro dispositivo. Após escanear o código, o cliente utiliza o aplicativo do banco ou instituição financeira de sua preferência para concluir a compra.

Segundo as instituições envolvidas, o serviço pode ser utilizado por brasileiros independentemente de serem correntistas do Banco do Brasil. Além disso, não é necessário realizar cadastro prévio ou habilitação específica para usar o recurso.

Conversão automática e cobrança de IOF

Para viabilizar o pagamento, o Banco do Brasil realiza automaticamente a operação de câmbio para a moeda local. O cliente paga em reais, com débito direto da conta corrente ou da conta poupança vinculada ao aplicativo utilizado.

De acordo com a declaração, o próprio aplicativo realiza uma operação de câmbio para a moeda argentina no momento da transação, podendo, inclusive, verificar o valor total tanto em reais, como em peso e em dólar. 

Por se tratar de uma transação internacional, há incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), conforme a legislação brasileira. No extrato bancário, a operação aparece registrada como um Pix comum, embora inclua a conversão cambial realizada no momento do pagamento.

Expansão para outros países

A iniciativa integra uma estratégia do Banco do Brasil para ampliar o uso do Pix fora do país. A instituição já estuda levar a funcionalidade para outros destinos na América, além de países da Europa e da Ásia.

A expectativa é que a ampliação do sistema facilite as compras de brasileiros no exterior e reduza a necessidade de troca de moeda em viagens internacionais. O Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, tornou-se um dos principais meios de pagamento no país desde seu lançamento em 2020, com milhões de transações realizadas diariamente.

Entenda como o mercado transforma a fascinação pela nostalgia em negócio
por
Beatriz Neves Barbosa
|
13/03/2026 - 12h

A retromania é a busca por uma identidade na qual pessoas realizam um retorno constante a estéticas, músicas e produtos culturais do passado. Isso acontece através do conforto em um mundo saturado de tecnologia digital. 

A economia da nostalgia

A economia da nostalgia mistura marketing com comportamento cultural. Negócios usufruem das lembranças do passado e passam a criar vínculos emocionais ao transformar o que era antes considerado antigo, em “vintage”. Essas empresas encorajam a compra, trazendo ao consumidor um sentimento de pertencimento e conforto.

O mecanismo psicológico por trás da estratégia transforma o consumo em um refúgio emocional, reduzindo ansiedade e relembrando momentos com atalhos emotivos ao invés de inventar algo do zero e totalmente inovador.

Segundo o publicitário Pedro de Luna, formado na Universidade Federal Fluminense e fundador da empresa Ilustre Comunicação Criativa, que inclui a Ilustre Editora, o uso da nostalgia é uma forma de criar um vínculo emocional com o público, especialmente por meio de memórias afetivas positivas. “Hoje, em tempos digitais, as pessoas estão se voltando a objetos analógicos, buscando uma descompressão e revisitando formatos físicos porque perceberam que isso gerou algum afeto”, afirma De Luna.

Imagem de uma loja de vinil
Foto: Mick Haupt

O fenômeno dos “Kidults”

Os kidults, combinação dos termos em inglês “kid” – criança e “adult” – adulto, são adultos que consomem produtos, jogos, brinquedos etc. que tradicionalmente seriam direcionados a crianças, mas que usufruem desses itens para coleções pessoais ou busca por uma saudade da infância.

As gerações compostas majoritariamente por Millennials, que cresceram nos anos 1980 e 1990, hoje são o público-alvo das empresas. Atualmente, com o maior poder de compra, eles se tornaram alvo de negócios que constroem uma narrativa pronta que explora referências da infância e adolescência. O resultado são produtos que apelam primeiro à emoção e depois à razão.

Um exemplo é a Pop Mart. A empresa de entretenimento sediada em Pequim popularizou brinquedos colecionáveis de diferentes designers em caixas-surpresas e tem como público-alvo adultos entre 18 e 35 anos. Avaliada em cerca de US$ 34 bilhões, a Pop Mart aposta na nostalgia e no fator surpresa para estimular o consumo, pois o comprador só descobre qual personagem recebeu após abrir a caixa. Os produtos misturam design contemporâneo com personagens conhecidos de gerações anteriores, como Mickey Mouse, por exemplo.

Imagem de uma loja da Pop Mart na China com bonecos sendo expostos atrás e uma mulher passando na frente
Clientes compram produtos em uma loja Pop Mart em Londres, Grã-Bretanha, em 21 de maio. FOTO XINHUA/CHINA DAILY

 

Guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã afeta o mercado mundial com destaque para o petróleo
por
Carolina Machado
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12/03/2026 - 12h

Após os ataques israelenses e norte-americanos matarem o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, no dia 28 de fevereiro de 2026, o Irã reagiu. Não só inúmeras instalações energéticas foram paralisadas no Golfo Pérsico, como também o Estreito de Ormuz foi fechado. O objetivo do país era desestabilizar os Estados Unidos, atacando seus interesses econômicos e reafirmando sua posição na região. Dentre os países afetados pelo Irã, encontram-se Catar e Arábia Saudita. Além de apresentarem bases militares americanas, ambos têm importância no cenário econômico afetado.

O agravamento das tensões no Oriente Médio pode trazer efeitos mistos para o comércio exterior brasileiro - Imagem: Petrobras/Divulgação
O agravamento das tensões no Oriente Médio pode trazer efeitos mistos para o comércio exterior brasileiro - Imagem: Petrobras/Divulgação

O Irã ocupa uma posição geopolítica estratégica. O país controla um corredor crucial para o transporte mundial de petróleo e gás natural, o Estreito de Ormuz. No início de março, ao decretar seu fechamento, o país ameaça interromper um quinto do fluxo global desses combustíveis fósseis e já compromete o equilíbrio econômico ao redor do mundo.

A produção de 20% da oferta global de gás natural liquefeito catariano foi interrompida e a maior refinaria de petróleo saudita foi suspensa, a partir dos ataques iranianos. Junto a outros países do Golfo Pérsico, Catar e Arábia Saudita dependem do Estreito de Ormuz para sustentar sua economia. “Se fecharem o estreito, é um suicídio econômico para eles”, afirmou Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA.

O choque na distribuição de petróleo fez com que o preço disparasse. De acordo com Pedro Paulo Coelho, formado em geografia pela USP (Universidade de São Paulo) e em economia pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), o aumento se sobressai e pressiona o cotidiano mundial. “O bloqueio do estreito reduz tanto a quantidade, quanto a oferta de petróleo disponível para movimentar a economia e, o resultado, é o encarecimento do preço dos barris”, afirmou.

Em poucos dias de conflito, o produto encareceu mais de 20 dólares por barril e, desde o início do ano, o aumento supera os 30 dólares, afirmam economistas do JPMorgan. Hoje, o aumento ultrapassa os 90 dólares e já pode afetar o Brasil que, apesar de produzir  4 milhões de barris de petróleo por dia, importa 300 mil barris diários desse combustível para a produção de querosene de aviação e insumos petroquímicos, como plástico e asfalto. Além disso, o país importa 20% do diesel consumido internamente. “No Brasil, a questão é mais o transporte. O caminhão, o carro e os meios de locomoção terrestres dependem da gasolina. Seu custo, apesar de estipulado pela Petrobras, acompanha o Preço Internacional do Petróleo, indicador econômico que define o valor do barril em bolsas de commodities internacionais”, acrescenta Pedro Paulo.

Reunião da Petrobras, em que se pautava a guerra no Oriente Médio  - Imagem: Tânia Rêgo/ Agência Brasil
Reunião da Petrobras, em que se pautava a guerra no Oriente Médio  - Imagem: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Em São Paulo, a população sente o aumento de 8,4% do preço de diesel, gasolina e etanol. Ainda que os reajustes acompanhem os preços pagos pelos importadores, a Petrobras não confirmou qualquer reajuste por causa da guerra no Oriente Médio. A presidente da petrolífera, Magda Chambriard, afirmou que se a volatilidade for grande, certamente, ela exigirá respostas mais rápidas. Caso contrário, sendo mais lenta, permite respostas graduais. Mas, não se tem sequer essa premissa.

Em reunião, nesta quinta-feira (12/03), a equipe do governo brasileiro avaliou os impactos e afirmou que trabalhará para garantir que as medidas de controle econômico cheguem às bombas. “Distribuidores têm de se somar ao esforço governamental para manter a economia brasileira funcionando normalmente", disse Fernando Haddad, Ministro da Fazenda.