Novos métodos foram autorizados para agilizar execuções por crimes federais
por
Davi Madi
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06/05/2026 - 12h

 

No dia 24 de abril o governo Trump aprovou a implementação de novas medidas nas políticas de pena de morte, que agora incluem pelotão de fuzilamento, para presos federais, além de cadeira elétrica, asfixia por gás nitrogênio e injeção letal. O comunicado foi emitido pelo Departamento de Justiça estadunidense (DOJ), que afirma cumprir  uma ordem direta do presidente Donald Trump, para que sejam ampliadas e agilizadas as execuções no país.

A aprovação representa uma alteração no uso da pena de morte dentro da legislação, quando comparada com as políticas apresentadas no governo anterior. No fim de sua gestão, Joe Biden, após a confirmação da vitória de Trump nas urnas, trocou a sentença de 37 dos 40 condenados à injeção letal para prisão perpétua, a fim de evitar que estes fossem executados pelo republicano.

Na ocasião, em dezembro de 2024, o ex-presidente afirmou: “Em sã consciência, não posso recuar e deixar uma nova administração retomar as execuções que eu interrompi”. A comutação das penas ocorreu após o governo Biden acatar pesquisas do próprio Departamento de Justiça, que afirmavam que o método de execução “causava dor e sofrimento desnecessário”.

Após a aprovação de Donald Trump, o DOJ apontou em seu comunicado que a análise do governo democrata era “profundamente falha”: “A administração anterior fracassou em seu dever de proteger o povo americano”.

Veja o comunicado feito em post do perfil oficial do Departamento de Justiça na rede social X

Publicação na rede social X, feita pelo perfil oficial do Departamento de Justiça Estadunidense, sobre as alterações na lei de pena de morte feitas pelo presidente Donald Trump
Alteração na lei de pena de morte representa a primeira mudança nas políticas de execução estadunidenses desde o governo Biden - Reprodução: X/@TheJusticeDept

 

Como será aplicada a nova lei

A pena de morte é prevista na legislação estadunidense, e a injeção letal, método utilizado por padrão no país, está presente no código penal. No entanto, esta política é descentralizada, o que significa que diferentes modos de execução são utilizados em cada estado.

Por base, 27 dos 50 estados do país tem a pena de morte legalizada, o que era, até então, aplicado para presos estaduais. O comunicado de Donald Trump se aplica como um parâmetro, buscando facilitar a execução das penas em nível federal, para casos onde a injeção letal não era possível ou fora ineficaz.

Como exemplo, em 2025, na Carolina do Sul, um homem foi executado através do pelotão de fuzilamento, na falta de disponibilidade do medicamento necessário para o método padrão. Atualmente, este método já é permitido em 5 estados do país: Carolina do Sul, Idaho, Mississipi, Oklahoma e Utah. 

Um caso anterior, de 2024, no Alabama, também se popularizou quando um homem foi submetido à asfixia por gás nitrogênio como método, após falhas da injeção letal e adiamento da execução. O uso desta substância, no entanto, enfrentou denúncias após ser qualificado pela ONU como forma de tortura.

Kenneth Smith, condenado à pena de morte nos Estados Unidos, sobreviveu à quatro tentativas de execução por injeção letal, foi submetido à asfixia por gás nitrogênio e morto em 2024
Kenneth Smith foi morto por asfixia com gás nitrogênio após sobreviver a quatro tentativas de execução por injeção letal - Reprodução: Youtube/NBC News

 

Esta mudança nas políticas penais dos EUA refletem promessas feitas por Donald Trump desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na ocasião, o republicano retomou a pena de morte em nível federal após 20 anos de sua suspensão. Nos primeiros meses de mandato, seu governo executou 13 condenados por injeção letal. Nos 50 anos antes de sua posse, somente três pessoas haviam sido submetidas ao método.

No momento, mais de 40 presos federais aguardam julgamento que pode resultar na pena capital nos EUA. No entanto, esses processos ainda podem levar anos.

“Pessoas foram executadas em estádios” afirma Renata Beltrão, guia do Museu do Futebol
por
Malu Malaquias
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28/04/2026 - 12h

O esporte foi utilizado como instrumento político por ditaduras militares na América Latina, especialmente no Brasil, na Argentina e no Chile, entre as décadas de 1960 e 1980, período marcado por golpes de Estado e repressão. Governos autoritários desses países exploraram o enorme alcance popular do esporte para promover propaganda oficial, estimular o nacionalismo e desviar a atenção da população das violações de direitos humanos, seja por meio de grandes eventos como Copas do Mundo ou do controle sobre clubes, federações e estádios. Essa estratégia ocorreu porque o futebol, enquanto fenômeno de massa, possui alto poder de mobilização emocional, tornando-se uma ferramenta eficaz de legitimação política e controle social em contextos autoritários.

Durante esse período, os países afetados por regimes militares sofreram controle não apenas as instituições políticas, mas também as manifestações culturais. Nesse cenário, a modalidade esportiva, já consolidada como o principal fenômeno de massa do continente, passou a ocupar um lugar estratégico nas ações do Estado. Capaz de mobilizar sentimentos coletivos, reunir multidões e produzir símbolos nacionais, o esporte foi apropriado pelos governos como instrumento para sustentar discursos oficiais de ordem, progresso e unidade. Essa instrumentalização envolveu diferentes dimensões, como a propaganda governamental, o controle social por meio do entretenimento e a construção de um sentimento patriótico artificial em meio à repressão. 

No Brasil, após o golpe civil-militar de 1964, o novo governo passou a intervir diretamente no universo esportivo. Os militares compreenderam que o futebol, não poderia permanecer distante das disputas de poder. A suspensão de competições logo após a ruptura democrática indicou que o Estado via o esporte como um espaço sensível à instabilidade política. Com o Ato Institucional nº 5, decretado em 1968, aprofundou o autoritarismo da ditadura militar ao suspender direitos civis, ampliar a censura e intensificar a repressão política, criando o contexto ideal para o uso do futebol como instrumento de propaganda e controle social. A aproximação entre o governo, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e dirigentes como João Havelange consolidou uma aliança que permitiu maior controle sobre a organização esportiva e sobre a imagem da Seleção Brasileira.

A conquista da Copa do Mundo de 1970, no México, tornou-se o maior símbolo do uso político desse fenômeno esportivo em nosso país. O tricampeonato mundial foi apropriado pelo regime do general Emílio Garrastazu Médici como prova da suposta grandeza nacional. Campanhas publicitárias e slogans, como “Pra Frente, Brasil” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”, associaram o sucesso esportivo ao chamado “milagre econômico”, promovendo a ideia de um país próspero e em ascensão. Enquanto a população celebrava nomes como Pelé, Tostão e Jairzinho, a repressão se intensificava nos bastidores, com censura, tortura e desaparecimentos políticos. Tornando a modalidade uma poderosa ferramenta para encobrir a violência do Estado e legitimar o regime interna e externamente.

Na Argentina, a ditadura instaurada em 1976 pela junta militar liderada por Jorge Rafael Videla encontrou na Copa do Mundo de 1978 uma oportunidade estratégica de autopromoção internacional. O evento foi cuidadosamente planejado para apresentar o país como moderno, organizado e pacificado, apesar da existência de centros de detenção clandestinos e da prática sistemática de violações dos direitos humanos. O torneio ficou marcado por denúncias de censura à imprensa, perseguição política, desaparecimentos forçados e suspeitas de interferência nos resultados esportivos, como a polêmica goleada da Argentina sobre o Peru por 6 a 0.  Historiadores como José Paulo Florenzano, apontam que o título mundial simboliza uma profunda contradição entre a euforia popular e o terror imposto pela autoridade estatal.

No Chile, o golpe de 11 de setembro de 1973, liderado por Augusto Pinochet, estabeleceu uma relação ainda mais brutal entre futebol e repressão. O Estádio Nacional de Santiago, principal palco esportivo do país, foi convertido em centro de detenção, tortura e execução, por onde, segundo levantamentos históricos e instituições de memória, estima-se que cerca de 40 mil prisioneiros políticos nos primeiros meses da ditadura. O espaço, tradicionalmente associado à celebração esportiva, transformou-se em símbolo do terror estatal. Um episódio emblemático desse período foi o boicote da União Soviética à partida contra o Chile, válida pela repescagem da Copa do Mundo de 1974, em protesto contra a realização do jogo em um estádio recentemente utilizado como campo de concentração.

​ Painel exposto no Museu do Futebol relembra a ditadura militar no Chile, destacando a pergunta “¿Dónde está?” (“Onde está?”), símbolo da luta por memória e justiça diante dos desaparecimentos forçados ocorridos após o golpe de 1973. Foto: Malu Malaquias  Click e arraste para mover ​
Painel exposto no Museu do Futebol relembra a ditadura militar no Chile, destacando a pergunta “¿Dónde está?” (“Onde está?”), símbolo da luta por memória e justiça diante dos desaparecimentos forçados ocorridos após o golpe de 1973. Foto: Malu Malaquias

Apesar do forte controle estatal, o futebol não se restringiu ao papel de instrumento da repressão. Em diferentes momentos, tornou-se também espaço de resistência política. No Brasil, a Democracia Corinthiana destacou-se como um dos movimentos mais significativos, ao defender a gestão democrática do clube e apoiar publicamente a campanha das Diretas Já no início dos anos 1980.

“Houve atuação direta de alguns jogadores contra a ditadura”, constatou a guia Renata

Liderados por jogadores como Sócrates, Casagrande e Wladimir, os atletas utilizaram sua visibilidade para questionar o autoritarismo. Além disso, torcidas organizadas, jornalistas esportivos e intelectuais passaram a empregar o futebol como linguagem simbólica para driblar a censura e ampliar o debate público.

Com o fim das ditaduras, a preservação da memória tornou-se fundamental para compreender o papel do futebol nesses regimes. Instituições como o Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), ligado ao Museu do Futebol, dedicam-se à pesquisa, documentação e divulgação das relações entre esporte, política e direitos humanos. Em parceria com centros acadêmicos, como o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas, essas iniciativas contribuem para combater o apagamento histórico e aprofundar o debate sobre o passado autoritário do continente. Reconhecer que futebol e política sempre estiveram interligados é essencial para que o esporte deixe de ser instrumento de dominação e se consolide como espaço de cidadania, reflexão crítica e memória coletiva.

Frente à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, os líderes entram em embate discutindo ideologia e direitos pelas redes sociais
por
Carolina Machado
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22/04/2026 - 12h

Nos últimos dias, dois dos americanos mais influentes do mundo trocaram farpas sobre o rumo dos conflitos mundiais: Donald Trump e o Papa Leão XIV. Enquanto o líder estadunidense intensifica seu discurso sobre a força militar no Oriente Médio, o Pontífice  exalta os direitos humanos frente a um cenário de guerra que afeta a todos nos Estados Unidos e mundo afora.

No dia 31 de março, em declaração à imprensa, o Papa Leão XIV pediu por paz, cobrou a defesa da dignidade humana e reforçou a necessidade de Estados Unidos, Israel e Irã negociarem um cessar-fogo. O líder católico citou de maneira direta o presidente Donald Trump – diferente das críticas feitas por seus antecessores que não mencionavam chefes de Estado. 

Uma semana depois, no dia 7 de abril, quando Trump ameaçou destruir a civilização iraniana, o Pontífice voltou a se manifestar. “Hoje, como todos sabemos, houve também essa ameaça contra todo o povo do Irã, e isso é verdadeiramente inaceitável”, afirmou. O líder convidou os fiéis a refletirem e rezarem pela vida de todos os inocentes, além de procurarem formas de se comunicar com os congressistas e outras autoridades americanas, pedindo o fim da guerra.

Papa Leão XIV em missa no Vaticano. Imagem: Instagram/Reprodução @pontifex
 Papa Leão XIV em missa no Vaticano.
Imagem: Instagram/Reprodução @pontifex

No domingo, dia 12 de abril, durante a tradicional oração do meio-dia no Vaticano, o Papa retomou o tema da guerra mencionando o Líbano, que tem sido severamente bombardeado por Israel. “Estou mais próximo do que nunca do amado povo libanês nestes dias de tristeza, medo e esperança inabalável em Deus”, disse. Ele volta a fazer apelos às partes envolvidas no conflito para que cessassem o fogo e para que busquem juntos uma solução pacífica. 

Poucas horas depois, Trump se pronunciou. Pela rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos definiu o líder católico como “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. Ele ainda acrescentou não querer um “Papa que ache que tudo bem o Irã ter arma nuclear”, mesmo não existindo nenhum registro emitido pelo Vaticano ou pelo próprio Pontífice defendendo o direito iraniano de possuir esse tipo de arsenal.

Post de Donald Trump sobre o Papa Leão XIV traduzido. Imagem: X(Twitter)/ Reprodução @realDonaldTrump
Post de Donald Trump sobre o Papa Leão XIV traduzido.
Imagem: X(Twitter)/ Reprodução @realDonaldTrump

No mesmo dia, Donald Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que ele aparece como Jesus curando um doente. “Não sou um grande fã do Papa Leão: ele é uma pessoa muito liberal e não acredita em combater o crime”, reforçou ele em declaração à imprensa.  

O presidente dos Estados Unidos ressaltou ainda que o Papa deveria agradecer, pois só foi colocado na lista de elegíveis para o cargo por ser americano. Isso porque seu antecessor, Papa Francisco, era acusado de não entender a Igreja dos Estados Unidos por ser latino-americano. Em vida, o Pontífice argentino criticou a hostilidade de Trump em relação aos imigrantes, além das intervenções americanas e dos incentivos militares pelo globo. 

Donald Trump em coletiva de Imprensa na Casa Branca. Imagem: Instagram/ Reprodução @realdonaldtrump
Donald Trump em coletiva de Imprensa na Casa Branca.
Imagem: Instagram/ Reprodução @realdonaldtrump

“Papa Francisco instituiu que era preciso olhar para as periferias [...] ele falou e viveu isso. Hoje, temos um Papa que veio da periferia”, afirma Boris Agustín Nef Ulloa, diretor da faculdade de Teologia da PUC-SP, na palestra “Sonhos de Francisco”. Ele ainda explica que o atual líder católico foi bispo em uma diocese perdida na Amazônia Peruana e que seus antecessores, em sua maioria, vieram de grandes arquidioceses, como Francisco - mesmo que na América Latina. “Esse Papa, que veio da periferia, tem mostrado, nessa última semana, a força e a coragem do evangelho como ajuda poderosa deste mundo”, conclui. 

Em um avião a caminho da Argélia, no dia seguinte, o Papa Leão XIV respondeu às falas de Trump, dizendo não ter medo do presidente, nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho. “Sou chamado a fazer o que a Igreja é chamada a fazer. Acredito que a mensagem do Evangelho [...] é a mensagem que o mundo precisa ouvir hoje”, declara.

Descubra um pedaço da história desse país localizado nos Balcãs, seus desafios econômicos e belezas naturais
por
Vítor Nhoatto
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19/04/2026 - 12h

 

Doce euforia de viajar, desbravar um país e uma cultura nova. Certamente acompanhada também de algum estresse pelos perrengues chiques, e o cansaço satisfatório de atingir a meta de passos diários explorando ao máximo esse mundo fascinante. Desde a chegada na cosmopolita capital Tirana, até a despedida após uma desconexão da velocidade na praia de Durres, sentimentos que certamente não vão embora de quem visitar a Albânia. 

Já na aterrissagem no principal aeroporto do país de 29 mil quilômetros quadrados, pouco maior que o estado de Alagoas, as singularidades começam. A maioria deve não reparar, mas a frota de carros usados no Tirana International Airport Nënë Tereza (TIA) é toda formada por BYDs Dolphin Mini, chineses e elétricos. 

Ao sair do modesto aeroporto, a arquitetura característica composta por formas geométricas como cubos e pirâmides se sobressai na fachada da construção. Ao lado, vários quiosques de locadoras de carros, um ônibus que sai a cada hora para o centro da capital Tirana, cerca de 20 km, e novamente, dezenas de táxis chineses. A relação com o país asiatico é antiga, desde 1949 devido ao regime comunista que o país vivenciou até 1992, com uma interrupção entre 1979 até 1989 devido a política albanesa de isolamento total na época.

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Na saída do aeroporto, dezenas de táxis, tal qual esse Honda e:Ny1 versão chinesa e não europeia. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De dentro do táxi elétrico, que tal qual o ônibus e a maioria dos comércios, só aceita pagamento em dinheiro físico, lekë ou euro, outro fato curioso que continua refletindo a história onde se está. Na cidade não há sistema metroviário, apenas ônibus, e plataformas como Uber não operam no país. 

A indústria dos taxistas possui um peso político muito grande, durante o comunismo e a proibição de empresas privadas, muitos albaneses passaram a trabalhar clandestinamente para complementar a renda do emprego estatal, como encanadores, pedreiros, e motoristas também. Mas se com isso, a ânsia por um aplicativo, ou a necessidade de pagar em cartão gritarem, existem uma série de plataformas de viagens como o “Tirana Taxi” e o “Bee Taxi”.

Chegado ao destino, um caloroso “obrigado” em inglês, um sorriso, e a simpatia que não é comum a outros países do continente, quem dirá aos franceses. Mesmo apesar da única língua oficial do país ser o Albanês, segundo dados do Instituto de Estatísticas do país (Instat) de 2018, quase 40% da população fala pelo menos numa língua estrangeira, chegando a quase 60% entre as pessoas até 34 anos. O principal é o inglês, seguido do italiano e do grego.

Além disso, apesar do albanês ser uma língua indo-europeia, é a única sobrevivente do ramo linguístico ilírio, ou seja, não possui similaridades com nenhum outro idioma atualmente, apenas influências do turco e grego, o que demanda dos comerciantes e juventude uma forma de se comunicar com outros povos. Existem ainda dois dialetos falados no país e no Kosovo, majoritariamente formados por albaneses, o Tosk e o Gheg.

 

Encontro de gerações e pensamentos 

 

A Albânia é um país que faz fronteira com a Grécia, Macedônia do Norte, Kosovo e Montenegro, enquanto a oeste tem o mar Adriático até a Itália. Devido a essa posição, e as várias vezes que o comunismo já foi citado, pode-se pensar que a nação fez parte da antiga Iugoslávia, país formado pelos povos de origem eslava que durou de 1929 até 1991 e foi controlado pela União Soviética após a Segunda Guerra Mundial. 

No entanto, o país nunca pertenceu à extinta nação, que hoje responde a sete países, e muito menos foi um satélite soviético, apesar de estreitos laços até 1960. A declaração de independência veio em 28 de novembro de 1912 em meio a Guerra dos Balcãs, e o reconhecimento internacional em 1913 com o Tratado de Bucareste. 

Em relação a sua atual capital, Tirana, a fundação é bem mais antiga, datada em 1614 e realizada pelo comerciante Sulejman Bargjini Pasha. Sua posição estratégica, uma área em meio a cadeia de montanhas Dajti e o mar Adriático, fez com que se tornasse capital em 1920, e todas essas história, pode ser vista e sentida na prática ao andar pela praça Skanderbeg, primeiro ponto turístico dessa viagem.

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País assumiu posição alinhada ao Ocidente desde os anos 2000, como bandeira da Ucrânia na prefeitura comprova nos dias de hoje. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt 

 

O fundador da cidade construiu na época uma casa de banho turca, uma mesquita e uma padaria, elementos que compõem bem essa parte otomana da cidade. Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, o fascismo regiu a recém independente monarquia do Rei Zog I. Até que em 1944 o comunismo invade a arquitetura do lugar, mudando a paisagem até 1991, quando a modernização de cicatrizes começa.

Dito tudo isso, a praça em questão tem elementos concentrados em poucos metros quadrados exatamente de todas essas eras. O nome faz homenagem ao herói nacional Skanderbeg, militar  que liderou a resistência de 25 anos na região contra o império otomano, exemplo de sucesso dos cristãos nos Balcãs.

Ao lado de sua estátua está justamente uma parte otomana da cidade, formada pela Torre do Relógio, construída em 1812, e a mesquita Et’hem Bej. Terminada em 1821 pelo bisneto do fundador da cidade, é aberta a todos que queiram entrar e admirar o fresco e colorido interior, desde que se tire os sapatos como a religião sunita manda. E claro, se bata um papo com o simpático “recepcionista” da mesquita, que entrega panfletos sobre a rica história do lugar que foi inclusive fechado durante a ditadura comunista, e símbolo da reabertura religiosa no país em 1991 após manifestações de estudantes. 

Colocando o sapato para fora do templo, eis as construções da época fascista, com prédios quadrados e amarelados dos famosos arquitetos do período de Mussolini na Itália, Florestano Di Fausto e Armando Brasini. A praça inclusive se tornou o centro da cidade após o projeto entre os italianos e o ex-primeiro ministro, ex-presidente, e então rei Zog I em 1923. 

Hoje todos são prédios públicos, como a atual prefeitura, e revitalizados no começo dos anos 2000 pelo então prefeito Edi Rama com cores vibrantes. A escolha das cores intensas como vermelho, amarelo, rosa e azul são inclusive uma resposta ao cinza da época das construções do comunismo.

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Cores marcantes, torres envidraçados, estátuas e até um prédio residencial em formato de cabeça, representam como a cidade é uma mistura constante de épocas. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Do outro lado da praça, sempre movimentada, e com turistas em torno da gigante escultura  “I Love Tirana”, que significa “eu amo Tirana” em português, está o Museu de História Nacional e o mosaico característico da propaganda comunista: albaneses simples, trabalhadores, empunhando a bandeira do país com determinação e alegria. Apesar de fechado para reformas desde março de 2024, com entrega prevista para março de 2028, mesmo assim faz o visitante parar por alguns minutos para admirar a obra. Outra construção da época é o atual  Palácio da Cultura, que abriga a ópera e o ballet da Albânia, a Livraria e o Teatro Nacional, além de vários comércios. 

Seguindo o passeio condensado de períodos históricos, em meio ao Palácio e os coloridos prédios dos Ministérios da cidade, um museu sobre a ditadura vivida pelos albaneses. Não se trata de outra construção de arquitetura stalinista, um projeto italiano ou otomano, mas um buraco no chão. Melhor dizendo, um bunker.

 

Relembrar o passado para se ter um futuro

Uma das características mais marcantes do período era a preocupação com possíveis invasões de países capitalistas. Tal paranoia do líder Enver Hoxha, encheu o território do país com as construções em formato de cogumelo que levam para milhares de quilômetros de túneis subterrâneos. Se esperava que 750 mil bunkers fossem construídos, mas estima-se que apenas 173 mil ficaram prontos até a morte do líder em 1985. Uma ferida dolorosa para muitos albaneses que viveram o período, mas hoje também um lugar de resistência e educação, com um desses bunkers tendo se transformado em um museu, o Bunk’Art 2. 

O preço do ingresso varia, cerca de 700 lekës para apenas o Bunk’Art 2, e 1.300 lekës também para visitar o Bunk’Art 1, bem maior, mas a 15km do centro. Em uma conversão simplificada para o euro, significa cerca de 7 e 13 euros respectivamente. Destaque para a opção de pagar com cartão de crédito, além da possibilidade de visitar o Bunk’Art 1 em até três dias caso opte pelo ingresso conjunto.

Ao descer as escadas após uma simpática recepção ao lado da entrada do “cogumelo” por um carro militar da época, os túneis começam. O lugar conta a história desde a ascensão de Hoxha como líder da oposição na época da monarquia pela Frente Democrática Albanesa, até a reabertura do país. Para isso, uma curadoria cheia de documentos originais recuperados da época, textos e painéis informativos, além de vídeos e até figuras com interação com realidade aumentada pelo aplicativo Bunk’Art.

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Quarto de Enver Hoxha, hoje no Bunk’Art, nunca foi usado pelo ditador, tal qual todos os bunkers construídos. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Foram recriados também os ambientes da época, nos quartos que de fato foram usados para testes militares, com móveis e equipamentos de espionagem do Sigurimi (órgão responsável por espionar os cidadãos na ditadura) preservados da época, máscaras contra armas químicas e relatos de sobreviventes. 

Também estão presentes exposições de artistas contemporâneos albaneses, como instalações com o uso de projetores e recursos digitais sobre o passado, presente e futuro. Além de uma área do bunker dedicada a obras interativas sobre ilusão de ótica, muito semelhante às obras do Museu da Ilusão em Madrid, e por todo o mundo. O título “Ilusão ótica como manipulação política” é divertido e carregado de significado ao fazer referência a propaganda do regime.

No Bunk’Art 1 a imersão é ainda maior pois o museu fica no maior e principal bunker da época, e é seguro contra ataques nucleares, com tecnologias específicas. Nele, o visitante tem uma complementação do que foi visto no menor, ou caso opte por ir só nesse maior, terá a experiência completa. 

O lugar lembra muitas vezes sobre a violência da época de uma forma didática e sensível, como relatos recuperados de agentes da guarda nacional sobre os que tentaram escapar pela fronteira, e as milhares de vítimas desaparecidas e que famílias vieram a saber sobre o paradeiro do corpo somente após 1991 com o Instituto de Estudos Sobre os Crimes e Consequências Durante o Comunismo (ISCCC). Ou ainda a disposição pelas paredes dos túneis de todas as 6.027 vítimas executadas formalmente pela ditadura conforme documentos resgatados pelo órgão.

Ao longo da visita várias mensagens sobre a importância de não esquecer o passado para poder ter um futuro pelas paredes estão dispostas. É importante destacar que só há guia de áudio para ambas visitas em albanês, inglês e italiano, e que todos os vídeos possuem legendas em inglês, e os textos versões em albanês e inglês.

Voltando ao passeio histórico, são 106 salas em 3 mil  metros quadrados no Bunk’Art 1, com destaque para a espécie de teatro que foi construída no complexo para performances artísticas e conferências enquanto os líderes estivessem se protegendo dos ataques do mundo capitalista.

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Espaço foi reformado antes de ser aberto ao público, e o teatro possui agora luz natural e medalhas do período da ditadura. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De cicatrizes para arranha-céus 

 

Entre os prédios históricos citados até agora, várias torres envidraçadas, luzes de led dos carros e guindastes lembram que desde 1991 o país se abriu de novo para o mundo. Após a morte de Hoxha em 1985, Ramiz Alia assumiu o poder, mas protestos começaram, principalmente de estudantes. Algumas relações com países foram reafirmadas, como com a China em 1989, e após a queda do muro de Berlin no mesmo ano e o fim do comunismo na Romênia, o cenário foi sendo abrandado. 

No mesmo ano, Alia assinou o Acordo de Helsínquia na Finlândia, novos partidos foram criados e a Albânia passou a adotar os Direitos Humanos da Europa. Até que em 1991 após fraude nas eleições daquele ano e protestos massivos, o então presidente renunciou ao cargo e Sali Berisha assumiu o poder como presidente eleito. Daqui para frente muitos desafios, escândalos de corrupção e opressão marcaram o país, que então em 1998 criou a sua constituição e um alinhamento ao Ocidente se intensificou. Em 2009 o país aderiu à Aliança Militar do Atlântico Norte (OTAN), e também está na lista de candidatos para ingressar na União Europeia.

Agora com o contexto dado, chama a atenção por exemplo o imponente e vibrante vermelho, estádio Kombëtare. Centros comerciais pomposos e hubs empresariais como o Blloku Center, e com certeza um lugar obrigatório para se visitar, a Pirâmide de Tirana. 

Em um formato literalmente de pirâmide, diferente das do Museu do Louvre, certamente maior e com mais concreto para poder ter espaço interior utilizável, chama de cara a atenção após uns 10 minutos de caminhada da praça Skanderbeg. Construída em 1988 como um museu para o recém falecido ditador, já foi um centro de conferências após a queda do comunismo em 1991, uma base de operações da OTAN durante a operação no Kosovo em 1999, e em 2001, passou a abrigar escritórios de canais de rádio e televisão. 

Porém, foi em 2018 que uma proposta de renovação foi apresentada e o local se tornou um centro cultural, tecnológico e jovial. No gramado ao seu redor há várias lojas de comida, videogames, cafés e empresas telefônicas em forma de cubos na diagonal e com cores vibrantes. Se aproximando, uma escadaria de cento e sessenta e poucos degraus, iluminados por led e que levam até uma das vistas mais bonitas da cidade, seja de dia ou à noite.

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Do topo da pirâmide se tem uma vista 360° da cidade, a qual fica iluminada a noite toda. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Contrastes de uma cidade cosmopolita

Falando mais sobre a noite, tal qual toda cidade grande, o trânsito fica um caos em horário de pico. Lembra-se que a cidade não possui metrô e os táxis são uma força política? Pois bem, os ônibus ficam realmente cheios a partir de umas quatro horas da tarde, não são elétricos e o cobrador fica andando entre as pessoas para coletar os 40 lekës da passagem e dar o bilhete em papel para cada um.  

Aplicativos como o Google Maps e o Moovit funcionam em Tirana, mas os intervalos dos ônibus passam facilmente de 15 minutos. Para quem preferir a cada esquina um táxi amarelo ou branco perguntará se precisa de uma viagem. Além disso, as locadoras de carros estão por toda parte e uma opção é alugar um carro, que provavelmente será um alemão (Audi, BMW ou Mercedes), ou chinês para os mais econômicos. Segundo levantamento da JATO Dynamics, em 2025, dos dez carros mais vendidos seis foram da chinesa BYD. 

Resumindo, a melhor opção é ir a pé, afinal de contas, o centro da cidade fica a poucos minutos da Pirâmide, das ruas de comércio popular no bairro Pazari i Ri, e da vida boêmia, agitada e cara do Blloku. 

Neste bairro durante o dia, cafés, lojas de eletrônicos e roupas, restaurantes fast-food como KFC e Burger King (McDonalds não opera no país), e refinados de culinária grega em especial, e mundial, enchem as ruas. A noite, carros luxuosos, música alta dos bares e gente por aí mostram que Tirana tem opções para todos os gostos.

Porém, as ruas até esses restaurantes, bares e baladas da região provavelmente vão preocupar. Mesmo com a modernização nos últimos anos, muitas regiões no país ainda são formadas por vielas e habitações da época do comunismo que aparentemente não tem manutenção há anos. Ruas estreitas, escuras e casas com tijolos à mostra são certas nos rolês pela cidade, tal qual pelo menos um gato, lembrando até um pouco a Turquia e a relação com os bichanos.

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País enfrenta problemas econômicos e políticos, mas está empenhado em ingressar na União Europeia em 2029. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Para se ter uma ideia, segundo o Banco Mundial, o Índice de distribuição per capita na Albânia era em 2024 de 11.377 dólares, que apesar de há 30 anos ser de cerca de 600 dólares, ainda é muito mais baixo que países como a Grécia (25 mil), República Checa (31 mil) e Itália (40 mil). Isso sem falar na desigualdade social que o número não considera, afinal, o Brasil tem uma cifra ainda menor para efeito de comparação, 10.310 dólares.

Belezas naturais a um piscar de olhos

 

Mudando o perfil do turismo, apesar do território pequeno, a Albânia é um país rico em biodiversidade, e Tirana é caracterizada por contrastes geológicos e climáticos devido às montanhas e a proximidade com a costa. 

Bem próximo de Blloku, um refúgio do ritmo agitado da cidade pode ser visitado, o Lake Park. Aberto ao público 24 horas por dia e em todos os dias da semana, conta com um lago, que dá nome ao parque, com chafariz e uma vista deslumbrante ao pôr do sol. Ao longo da caminhada estátuas despertam a curiosidade, memoriais às vítimas do holocausto e um pequeno teatro. 

Do outro lado da cidade, há 10 minutos do Bunk’Art 1, vale a visita ao maior teleférico dos Balcãs, o Dajti Ekspress. Como o nome sugere, os bondinhos conectam a cidade até o topo da montanha de mesmo nome, com um comprimento de 4.354 metros e um passeio que dura 15 minutos. Para aqueles com medo de altura essa atração não é muito aconselhada, a sensação de escutar o vento pelas aberturas de ar da cabine e a leve sacudida de tempos em tempos pode ser desconfortante. Mas no topo, passeios de asa delta, trilhas e escalada estão disponíveis aos mais aventureiros. 

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Construção do teleférico é austríaca, e ingresso de ida e volta custa 1.500 lekë por pessoa. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Além desses destinos dentro de Tirana, ainda é possível em cerca de uma hora de ônibus e 40 minutos de carro chegar em Durrës, importante cidade portuária e milenar. A segunda cidade mais populosa do país é também uma das mais antigas, com a sua fundação ainda no século VII antes de Cristo. O anfiteatro da cidade, por exemplo, é um sítio arqueológico a céu aberto do século II depois de Cristo. Se destacam também a Torre Veneziana, datada do império bizantino, preservada e que se liga às partes que restaram do castelo da cidade do século V. 

Mas como nem só de passado que se vive, uma arquitetura em forma côncava se destaca ao lado da Torre, construída a cerca de dois anos, e que dá de frente para os boulevards característicos do local. Com palmeiras altas lado a lado da rua, relativamente largas e com muitas lojas, evocam até um sentimento de estar em Los Angeles em pleno verão com um conversível de capota aberta para sentir o sol e o calor no corpo. 

E como se trata de uma cidade portuária, a praia é também atração principal. Com uma grande área de calçamento, estátuas de heróis do país e pessoas vendendo miçangas relaxam os visitantes, enquanto se admira o mar adriático bem azul. Olhando para frente inclusive, é possível gritar “terra à vista”, terra essa que é nada menos que o salto da bota da Itália.

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Durrës é um ótimo destino para aqueles que estão buscando viagens de bate e volta da capital. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Seja pelas vielas humildes que podem lembrar “O Cortiço" de Aluísio Azevedo, as avenidas opulentas do centro de Tirana são lotadas de carros de todas as marcas do mundo. A vida noturna agitada de Blloku e a arquitetura que mistura tradição, bunkers e modernidade. Ou ainda pela vista emocionante que a natureza da politicamente desafiadora Albânia proporciona, caro leitor, é um lugar barulhento e intrigante que merece um lugar na sua lista de destinos.

Parlamento Israelense sanciona nova medida para prisioneiros palestinos acusados de terrorismo
por
Juliana Hochman
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10/04/2026 - 12h

O Knesset, parlamento de Israel, aprovou na última  segunda-feira de março (30) um projeto de lei para execução de prisioneiros palestinos que assassinaram com intenção de “negar a existência do Estado de Israel e provocar sua destruição”, com 62 votos a favor e 48 contra. O projeto é criticado por violação dos direitos humanos e ir contra a tentativa mundial de extinção da pena de morte.

 

Sobre a lei

Após o ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro de 2023, no qual mais de 1200 israelenses foram assassinados, alguns parlamentares pressionaram a volta da execução de palestinos acusados de terrorismo. A pena foi praticada apenas duas vezes na história do país: Em 1948, Meir Tobianski, oficial acusado de espionagem e em 1962, na execução do nazista Adolf Eichmann.

 

Promovida pelo partido Otsama Yehut, apresentada pelo ministro extremista da segurança Itamar Ben-Gvir, e apoiada por parlamentares do partido Likud e do conservador Yisrael Beiteinu, o projeto prêve pena de morte, principalmente por enforcamento, para palestinos, que não são cidadãos ou residentes, presos por ataques letais, acusados pelo tribunal militar. “A partir de hoje, todo terrorista saberá, todo o mundo saberá, que o Estado de Israel tira a vida de qualquer um que tire uma vida” diz o ministro da segurança antes da aprovação, em rede nacional “quem escolhe o terror, escolhe a morte”.

Limor Son Har-Melech (Otzma Yehudit) assinando lei de pena de morte. Foto: Limor Son Har/Divulgação/Instagram
A vice-presidente do Knesset, Limor Son Har-Melech, do partido de extrema-direita Otzma Yehudit, assina lei de pena de morte. Foto: Divulgação/@limor_sonhar.

 

Oposição

 

A nova lei foi uma das principais campanhas da extrema direita israelense. Logo após a aprovação, grupos de defesa dos direitos humanos de Israel e países Europeus condenaram a proposta. A Associação dos Direitos Civis anunciou que entrou com uma petição para a Suprema Corte do país, exigindo a anulação da Lei de Pena de Morte para Terroristas. A entidade também criticou a distinção entre israelense e palestinos no projeto. Além disso, foram feitos protestos no mundo todo, no qual civis foram às ruas para mostrar oposição à lei promulgada na segunda (30).

 

Com a aprovação da proposta, Israel vai contra o fluxo da abolição da pena de morte mundial, que, segundo a organização de direitos humanos Anistia Internacional, 113 países anularam completamente tal penalidade. 

 

De acordo com as Nações Unidas, o texto é “vago e excessivamente amplo” de quem é terrorista, o que pode levar à aplicação da pena em “pessoas que não tiveram atitude necessariamente terrorista”. Outra questão levantada pelos opositores é a possível eliminação da salvaguarda destinada ao processo legal de Israel.

 

Críticos também apontam problemáticas no texto, já que posto em prática, a lei se aplica apenas a palestinos que matam judeus, e não ao contrário. Em teoria, os Israelenses só podem ser condenados se forem contra a existência do Estado, que, segundo juristas, a chance é quase nula. Em nota para o New York Times, o rabino Benny Lau diz “não há nada além de vingança, atrelada à uma narrativa de orgulho e violência judaica”.

 

Próximos passos

 

A partir de agora, a lei permite que tribunais israelenses imponham a medida sem permissão do Ministério Público, também não precisando de unanimidade para sancionar a decisão, valendo tanto para o território de Israel quanto para a Cisjordânia.

 

Cansados de ver Jeff Bezos nadar em dinheiro enquanto têm seus direitos retirados, trabalhadores e ativistas se organizam contra a megacorporação
por
João Tognonato
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10/12/2020 - 12h

             A despeito de todos os problemas pandêmicos, o ano de 2020 foi muito lucrativo para a empresa de varejo Amazon. De acordo com o portal “e-invest”, vinculado ao grupo Estadão, não só o número de acessos ao portal de vendas cresceu assustadoramente, como nos primeiros nove meses os rendimentos da companhia subiram cerca de 70% em comparação com o mesmo período no ano passado; investindo em tecnologia, logística e fundos, ela se tornou a líder disparada do setor, passando a deter cerca de 45% do comércio eletrônico dos Estados Unidos.

            Com o aumento dos serviços, o Magnata Jeff Bezos –  homem mais rico do mundo e dono de uma fortuna de U$200 bilhões – resolveu promover uma grande contratação, além de aumentar os salários de seus funcionários. Foram 100 mil vagas de empregos e um acréscimo de U$ 2 dólares a hora de trabalho, medida que animaria pessoas sofrendo com o desemprego e baixa renda na pandemia; contudo, passado algum tempo, os trabalhadores viram esse valor ser reduzido a zero, o que causaria inúmeros protestos.

            Ao que parece, a alta demanda da empresa exigia que os trabalhadores realizassem mais de 260 empacotamentos por dia, uma tarefa que os obrigava a caminhar mais de 30km cotidianamente dentro dos grandes depósitos. Além disso, muitos deles diziam viver sobre alta pressão, chegavam a precisar urinar em garrafas plásticas durante o expediente e executar trabalhos difíceis num tempo determinado: quando não atendiam as exigências costumavam ser demitidos de maneira fria, “tratados como robôs”, segundo depoimento de uma ex-funcionária.

            Recentemente, como relatou uma matéria do portal “Tecnoblog,” um grupo de ativistas, sindicatos e trabalhadores demitidos organizou um movimento internacional de protesto, chamado “Make Amazon Pay”, que mostrou as caras pela primeira vez numa ação que ocorreu na última “Black Friday.” Foram quinze países, incluindo o Brasil, a colaborar com o boicote, que contou também com a participação de algumas potências como Estados Unidos, Reino Unido e Índia. Na Alemanha sete centros de distribuição foram paralisados, em Bangladesh, houve protestos em frente às dependência da empresa – e em muitas localidades a frase “Make Amazon Pay” foi projetada em prédios da companhia.

            Na última quinta-feira, o grupo enviaria uma carta com diversas reivindicações ao bilionário da Amazon assinada por 401 parlamentares e funcionários públicos de 34 países pedindo não só que a empresa pague seus impostos, mas que melhore as condições de trabalho e repare qualquer dano que tenha causado ao meio-ambiente. Mesmo com um fundo de U$ 10 bilhões de dólares, destinado a combate o aquecimento global, o CEO recebe críticas por conta de sua empresa ter uma emissão de carbono maior que a de dois terços dos países da ONU – fato que ocorre principalmente pela alta demanda de transportadoras.

            No documento oficial – disponível em seu site – constam pedidos que vão desde o recrudescimento dos salários – conforme o lucro da empresa – até a readmissão daqueles que contestaram as políticas trabalhistas da Amazon. Também exigem que ela se comprometa a não monitorar quaisquer grupos ou sindicatos ensaiando protestos e reinvindicações. Na crise mundial, a Amazon foi uma das empresas que mais lucrou, e graças ao sua política de incentivo e abono fiscal, deixou de pagar 11bilhões de dólares de imposto aos cofres americanos.

            Em resposta, a Amazon criticou o grupo. Disse que faziam uma série de afirmações enganosas e ainda que seus líderes estavam interessados em se autopromover às custas da marca. O título da nota publicada no jornal Business Reader a favor da empresa, deixa clara a mensagem: “Trabalhadores e Ativistas estão convocando protesto ao redor do mundo enquanto a companhia tenta abonar os trabalhadores com um bônus de férias no valor de U$ 300,00.” Mesmo que a notícia seja verdadeira, o histórico de descaso e indiferença com trabalhadores causa desconfiança, e os protesto, que chegam hoje a proporções globais, devem continuar por um bom tempo.

Em meio a pandemia da Covid-19 e conflitos incessantes ao redor do mundo, entenda esse grupo e conheça a uma das instituições que lhes presta apoio no Brasil
por
Marina Daquanno Testi e Thayná Alves
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08/12/2020 - 12h

 

 

     

        O número de refugiados no Brasil vem crescendo a cada ano. Só no ano de 2018, segundo a Agência da ONU Para Refugiados (ACNUR) foram relatadas 80 mil solicitações de reconhecimento de condição de refugiado no Brasil. Os grupos de maior número entre as solicitações são os venezuelanos (61.681), que saíram do país devido à crise humanitária, e os haitianos (7.030), cujo fluxo de migração se intensificou após o terremoto que atingiu o país em 2010.  

        A lei brasileira considera refugiado todo indivíduo que está fora de seu país de origem devido a guerras, terremotos, miséria e questões relacionadas a conflitos de raça, religião, perseguição política, entre outros motivos que violam seus direitos humanos. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a vida, liberdade ou integridade física da pessoa corria sério risco no seu país.

        Para que o imigrante seja reconhecido como refugiado, é necessário enviar uma solicitação para o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE). O processo de reconhecimento, que antes era mais burocrático e mais demorado, atualmente é feito no site do Ministério da Justiça, a partir do preenchimento do formulário que pode ser feito ainda no país de origem. Todas as etapas podem ser acompanhadas pela internet, mas para o processo começar a tramitar, o solicitante deverá comparecer pessoalmente a uma unidade da polícia federal. 

        Dentre a população refugiada reconhecida no Brasil, segundo o censo da ACNUR de 2018, a maioria se concentra nas faixas etárias de 30 a 59 anos (41,80%), seguido de pessoas com idade entre 18 a 29 anos (38,58%). Do total, 34% são mulheres e 66% são homens, ressaltando os sírios, os congoleses como nacionalidades em maior quantidade (respectivamente 55% e 21%). 

         Em janeiro de 2020, o Brasil tornou-se o país com maior número de refugiados venezuelanos reconhecidos na América Latina, cerca de 17 mil pessoas se beneficiaram da aplicação facilitada no processo de reconhecimento, segundo a  Agência da ONU para Refugiados. As autoridades brasileiras estimam que cerca de 264 mil venezuelanos vivem atualmente no país. Uma média de 500 venezuelanos continua a atravessar a fronteira com o Brasil todos os dias, principalmente para o estado de Roraima.

         Apesar de em grande quantidade, apenas 215 municípios têm algum tipo de serviço especializado de atenção a essa população. As maiores dificuldades encontradas por pessoas refugiadas são a adaptação com o mercado de trabalho, com o aprendizado do idioma, o preconceito e a xenofobia, educação (muitos possuem diplomas em seus países de origem que não são aceitos aqui no Brasil), moradia e saúde. 

 

Covid-19 e o amparo aos refugiados

 

        Diante de um quadro de crise em escala global, como o que acontece este ano com a pandemia da Covid-19, essa população de migrantes e refugiados, que já se encontram em extrema vulnerabilidade, conta com o apoio de poucas instituições voltadas especialmente para suas necessidades. Este é o caso da Missão Paz, uma instituição filantrópica de apoio e acolhimento a imigrantes e refugiados, com uma das sedes na cidade de São Paulo, como conta o padre Paolo Parise.

        Nascido e criado na Itália, Parise atua desde 2010 na Missão Paz, atualmente como um dos diretores, e explica que esta instituição está ligada a uma congregação da Igreja Católica chamada Scalabrinianos, que atua com imigrantes e refugiados em 34 países do mundo. “Na região do Glicério - município do estado de São Paulo-, a obra se iniciou nos anos 30 e atualmente está presente em Manaus, Rio de Janeiro, Cuiabá, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Foz do Iguaçu, Corumbá e outros lugares.”

        Sua estrutura atual conta com a Casa do Migrante, um abrigo com capacidade de 110 indivíduos que são acolhidos com alimentação, material de higiene pessoal, roupas, aulas de português, acompanhamento de assistentes sociais e apoio psicológico; e o Centro Pastoral e de Mediação dos Migrantes (CPMM) que oferece atendimento e serviços voltados aos imigrantes, quanto aos seguintes temas: documentação e jurídico; trabalho, capacitação e cidadania; saúde; serviço social; família e comunidade. “Além disso, temos a área de pesquisa em parceria com a revista Travessia, que é o Centro de Estudos Migratórios (CEM), uma biblioteca especializada em migração e a WebRadio Migrantes”, completa Pe. Paolo.

Fonte: Site da instituição Missão Paz - Casa do Migrante
Fonte: Site da instituição Missão Paz - Crianças brincam na Casa do Migrante

        De acordo com o diretor, o maior desafio enfrentado pela instituição, durante a pandemia, foi com a saúde dos refugiados, principalmente pela impossibilidade de viver a quarentena isoladamente, já que muitos vivem em ocupações ou em lugares com muitas pessoas concentradas. Ele ainda denunciou que, dentre tantas vítimas da Covid-19 em São Paulo, um dos grupos mais afetados foi o de imigrantes bolivianos, “muitos foram contaminados e muitos morreram”.

        Diante de instabilidades políticas e econômicas, atualmente, sírios e venezuelanos são as principais nacionalidades afetadas que solicitam entrada no país. O que ratifica o Pe. Parise, “Falando pela Missão Paz, se você utiliza o termo ‘refugiados’, o maior grupo neste momento é de venezuelanos, sejam os que foram acolhidos pela missão paz, sejam os que estão entrando no Brasil. E depois encontramos outros grupos como da República Democrática do Congo. Mas se falamos de imigrantes, temos Colombianos, Bolivianos, Paraguaios, Peruanos, Angolanos e de outros países que estão recorrendo ao Brasil.”

        Mesmo com mudanças críticas, no cenário jurídico e político brasileiro, para que esta população seja recebida no país e tenha seus direitos respeitados, ainda não se pode falar em auxílio do governo ou medidas diretas de apoio a refugiados e imigrantes. 

        Paolo relembra a criação de leis que têm beneficiado a população no Brasil. Uma delas é a lei municipal Nº 16.478 de 2016, onde o Prefeito do Município de São Paulo, Fernando Haddad, instituiu a Política Municipal para a População Imigrante que garantia a esses o acesso a direitos sociais e aos serviços públicos, o respeito à diversidade e à interculturalidade, impedia a violação de direitos e fomentava a participação social; e a outra é a lei federal Nº13.445 de 2017, ou a nova Lei de Migração, que substitui o Estatuto do Estrangeiro e define os direitos e deveres do migrante e do visitante, regula a sua entrada e estada no País e estabelece princípios e diretrizes para as políticas públicas para o emigrante.

        A Missão Paz se mantém através de projetos e dinheiro injetado pela congregação da Igreja Católica. “Neste momento, a Missão Paz não recebe apoio financeiro nem do município, nem do estado e nem do Governo Federal”, relata Parise. Durante a pandemia receberam ajuda da sociedade civil, “[A Instituição] Conseguiu muitas doações de pessoas físicas, de instituições, de campanhas, fosse em dinheiro, em cestas básicas ou kits de higiene pessoal”, e com 200 cestas básicas, por mês, da Prefeitura de São Paulo. Também receberam ajuda com testes de COVID em nível municipal. 

         A instituição filantrópica ainda conta com a ajuda de vários parceiros, como explica seu diretor “na área de incidências políticas, por exemplo, nós atuamos com a ONG Conectas Direitos Humanos, temos na área de refugiados um projeto com a ACNUR, estamos preparando outro com a OIM (Organização Internacional para as Migrações) e temos algumas ações com a Cruz Vermelha”. 

        Desde o começo do ano, já atenderam por volta de 7 mil imigrantes e refugiados, e, hoje em dia, tem por volta de 40 pessoas na Casa, o que representa ⅓ da capacidade total. Além disso, entregam de 50 a 60 cestas básicas a refugiados, diariamente, e ao redor de 60 a 70 que vão, por dia, procurar os serviços do CPMM. “Outras ações incluíram a disponibilização de atendimentos online, de aulas de português a atendimentos jurídicos, psicológicos ou serviços sociais, além de ajudar a completar aluguel, água ou luz daqueles que precisam da ajuda da instituiçã”, fala Padre Paolo. 

        Todo esse esforço e dedicação da instituição foi feito, sempre, visando seguir as normas de segurança e as indicações da OMS (Organização Mundial da Saúde). Foram fornecidos a seus funcionários e a população migrante e de refugiados álcool para higienizar as mãos, máscaras e demais equipamentos e serviços de proteção e higiene.

Thiago Cortes, brasileiro que morava em Dublin na Irlanda, foi morto atropelado e desde então comunidade brasileira busca justiça pelo rapaz
por
Gabriel Porphirio Brito e Tomas Furtado dos Santos
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06/11/2020 - 12h
Rapaz com cabelo curto e barba, sorrindo de frente para a camera
Foto: Reprodução/Facebook

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Faz mais de dois meses que foi dada a notícia do falecimento de Thiago Osorio Cortes, brasileiro que estava vivendo e tentando construir sua vida com a esposa em Dublin, na Irlanda. 

O rapaz de 28 anos, que trabalhava como entregador para a empresa Deliveroo, foi atropelado por volta das 22h30 do dia 31 de agosto sem ninguém envolvido no acidente prestar socorro. Os médicos, após checarem os diagnósticos e verificarem que ele não sobreviveria aos seus ferimentos, com a permissão da noiva e da família, desligaram os aparelhos.

Na época, a notícia chocou tanto a comunidade brasileira quanto os entregadores do aplicativo, seus colegas de trabalho, logo após a confirmação de sua morte uma grande passeata foi organizada no centro da cidade com o intuito de servir de vigília, quanto exigindo justiça pela morte do entregador.

Segundo o veículo Irish Times, logo após o acidente, a polícia irlandesa teria começado uma investigação que em pouco tempo se intensificava por conta da manifestação da comunidade brasileira, em demonstrações e nas mídias sociais. Em setembro a Garda - como é chamada a polícia local - conseguiu encontrar e interrogar um suspeito em potencial.

Investigação iniciada há dois meses

A Garda acreditava que o suspeito principal fosse um rapaz menor de idade que tinha um antepassado criminal, sendo detido alguma semanas antes com seu pai por acusação de tráfico de drogas.

Teresa, viúva de Thiago, disse na última terça (3) pelo portal brasileiro E-Dublin que estava mantendo contato com um investigador da Garda e uma acusação jurídica estava em andamento para que o suspeito não saísse impune. 

Hoje, dia 6 de novembro, foi feito a prisão de um adolescente irlandês de 16 anos. Ele foi detido e tem 24 horas para ser liberado ou então acusado.

Apoio popular

na imagem temos um desenho de Thiago, dos ombros pra cima vemos seu rosto com barba e cabelo, e seu sorriso
Reprodução da imagem utilizada no perfil justiceforthiagodublin no Instagram.
 

Na Irlanda há um grande número de intercambistas que buscam trabalhar enquanto estudam a língua. As principais profissões que o imigrante pode conseguir devido ao seu visto são manuais. Segundo consta o censo de 2016 feito pelo governo, havia pelo menos 16.000 brasileiros vivendo no país. Thiago Côrtes era um desses. Em uma entrevista com um pessoa que era próxima de Thiago, Luiz Felipe de 21 anos, conta que a xenofobia é algo sério no país, e que a passeata será lembrada por muito tempo na comunidade.

A manifestação foi organizada no Spire, monumento histórico, que representa o marco zero da cidade de Dublin. Motivados pelas manifestações norte-americanas, todos que simpatizam com a causa foram às ruas levantando placas escritas “immigrants lives matter’. O protesto durou algumas horas e uma hora teve que se dispersar, resultado de uma confrontação com um grupo de indivíduos do qual testemunhas alegam ter arremessado fogos de artifício contra a multidão.

Além disso, como forma de ajudar os familiares de Thiago uma arrecadação online foi levantada por aqueles que se sensibilizaram com o ocorrido. Pelo site “gofundme” - site de doações para causas filantrópicas - chegou a ultrapassar a marca de €50.000 para poder pagar contas do hospital, advogado, burocracias na Irlanda e no Brasil e para servir de ajuda para a família, como consta na descrição da campanha.

Teresa conta pelo E-Dublin que a comunidade brasileira tem ajudado muito, que nunca teria recebido tantas mensagens de carinho e afeto, tanto de pessoas próximas quanto de gente que ela nunca havia visto antes. Contou também que o velório e cremação foi realizado nove dias após a morte de Thiago, com apenas amigos próximos podendo comparecer.

Impactos na segurança e nas pessoas

Em um anúncio público realizado por Janet Horner, representante da comissão pública de gerenciamento urbano onde o crime ocorreu, foi ressaltado a falta de segurança nas ruas do local, que sua morte poderia ter sido evitada com um melhor manuseamento da infraestrutura disponível e da melhor disposição dos recursos para a modernização das ruas.

Já outros, membros da comunidade brasileira e trabalhadores do Deliveroo, tem uma visão mais cética do ocorrido, acreditando que o assassinato de Thiago Côrtes seria na verdade um crime de ódio, direcionado contra a população de imigrantes de Dublin, que geralmente atuam como mão de obra barata em empregos não remunerados.

Devido a uma série de eventos nos últimos anos, brasileiros e outras minorias étnicas tem se tornado cada vez mais preocupadas com os sentimentos de discrimincação e xenofobia pela população local, geralmente de baixa renda, variando os motivos desde um modo de vida social mais tribalismo ou uma retórica que imita a relação dos EUA com os imigrantes da américa latina. Alegando que o crime cometido contra Thiago Cortes seja o começo de uma nova onda de violência contra as comunidades de estrangeiros localizadas na capital.

 

por
Maria Alice Prado
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14/05/2020 - 12h

Enquanto atravessam a pandemia do coronavírus, os Estados Unidos  vivem a fase das eleições primárias do processo eleitoral que nomeará o seu 46º presidente. Diferentemente do Brasil, todas as etapas do processo são indiretas, a começar pelas primárias, nas quais os eleitores dos dois partidos, o Democrata e o Republicano, votam para uma lista de delegados comprometidos com um determinado candidato. Os delegados  então nomeiam oficialmente um candidato para concorrer em nome do partido. No cenário primário de 2020, quando a disputa começou, em 3 de fevereiro de 2020, havia 11 candidatos principais. Por fim, a eleição geral em novembro é também uma eleição indireta, na qual os eleitores votam em uma lista de membros do Colégio Eleitoral, que, por sua vez,  elegem diretamente o presidente e o vice-presidente. 

Após a “Superterça”, que ocorreu em 3 de março, quando os americanos foram às urnas escolher os delegados que representam os pré-candidatos do Partido Democrata, a corrida presidencial se afunilou: Michael Bloomberg e Elizabeth Warren abandonaram a corrida, deixando três candidatos restantes: Joe Biden e Bernie Sanders, os principais, e Tulsi Gabbard, que, apesar de ter permanecido na corrida após a “Superterça”, logo desistiu e endossou a candidatura de Biden.

Em 8 de abril de 2020, a corrida presidencial viu Sanders, um senador progressista, desistir, deixando Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama, como o único candidato importante, fazendo-o se tornar o candidato presumido do Partido Democrata. O nome presumido do Partido Republicano é o atual presidente Donald Trump, que, eleito em 2016, busca a reeleição. O vencedor da eleição presidencial de 2020 está programado para tomar posse em 20 de janeiro de 2021.

Sob a presidência de Donald Trump, os Estados Unidos recuperaram a prosperidade: a economia cresceu por três anos consecutivos (2,4%, 2,9% e 2,3%), o desemprego atingiu mínimas históricas (em fevereiro, foi o menor em 50 anos), a inflação permaneceu baixa, os salários aumentaram e o declínio industrial foi contido. Porém, o bom desempenho da economia foi revertido após o início da pandemia. O PIB do país caiu 4,8% no primeiro trimestre deste ano e o desemprego subiu de 3,5% para 4,4% em março. 

Segundo o UOL, o desempenho do índice Dow Jones, que acompanha a cotação das ações das 30 maiores empresas do país, costuma ser bastante ressaltado por Trump, já que indica a geração de valor no mercado financeiro do país. O índice atingiu níveis recordes na atual administração, mas tem mostrado bastante oscilação nos últimos meses, o que gera preocupações do mercado em relação à guerra comercial com a China, além da piora nas expectativas para a economia global. Com o surto de coronavírus, o Dow Jones teve o pior primeiro trimestre desde que foi criado, em 1896.

Em meio à pandemia, as projeções econômicas para Donald Trump, caso consiga a reeleição, ainda estão se desenhando. Na semana do dia 16 de abril, Trump começou a planejar a reabertura da economia norte-americana em fases, de acordo com a situação atual e a necessidade de cada estado. O presidente sancionou a injeção de US$ 2 trilhões na economia do país, a fim de combater os efeitos negativos da Covid-19. 

Trump teve um resultado bastante satisfatório na "Superterça". Apesar de o voto não ser obrigatório no país, os eleitores republicanos compareceram em peso às urnas, o que demonstra o apoio popular ao atual presidente, que venceu todas as disputas no dia. Em 17 de março de 2020, tendo conquistado todos os estados e todos os delegados, exceto um, Trump tornou-se o virtual candidato  do Partido Republicano.

Logicamente, o êxito de Trump se tornou um fator importantíssimo para o que viria a se desenhar no partido adversário. Os democratas, em sua maioria, escolheram o candidato que acreditavam ter maiores chances de derrotar Trump em novembro, e não necessariamente aquele que melhor sintetizava as convicções do partido. Em consequência, a ameaça de vitória do atual presidente foi um dos fatores que levaram Bernie Sanders a abandonar a corrida presidencial, deixando na disputa um candidato com mais chances de derrotar Trump.

Segundo a UOL, o atual presidente segue sendo mais popular que Biden nos estados decisivos, em parte por conta dos eleitores brancos da classe trabalhadora. Porém, pesquisas divulgadas pela Reuters e pelo instituto Ipsus na última semana de abril apontaram que 45% dos eleitores registrados apoiavam Biden, enquanto 39% disseram que votariam em Trump. Outra pesquisa da Reuters e do Ipsos, divulgada em 12 de maio, mostrou Biden oito pontos à frente de Trump em todo o país. O crescimento das intenções de voto no democrata é atribuído à má conduta do atual presidente durante a pandemia. 

Joe Biden é o pré-candidato considerado centrista, ou seja, apresenta propostas mais moderadas para governar a nação. Tendo passado oito anos como vice-presidente de Barack Obama, ele herda grande parte do legado –  e algum capital político –  do ex-mandatário, o que ajuda a explicar um de seus trunfos: sua alta popularidade com o eleitorado negro americano e com a população mais velha.

De acordo com a BBC, Barack Obama acreditava que Joe Biden teria apelo com eleitores brancos de classe média e da classe trabalhadora, por isso o escolheu como colega de chapa em 2008. Biden foi senador por Delaware por mais de três décadas antes de se tornar vice-presidente. Seu vínculo estreito com Obama, a quem costuma se referir como irmão e de quem já possui apoio declarado, pode continuar sendo um fator-chave para manter sua força nesse público.

As principais bandeiras de Biden giram em torno da reconstrução da classe média e do investimento na infraestrutura federal. Sua proposta de imigração prevê um novo caminho para a obtenção da cidadania americana e significaria uma reversão das políticas implementadas por Trump na fronteira. As propostas de Biden para a educação aumentariam o financiamento para escolas em áreas de baixa renda, ajudariam professores a quitarem dívidas adquiridas em sua formação e dobrariam o número de profissionais da área médica trabalhando em escolas.

No âmbito econômico, Biden pretende aumentar impostos sobre investimentos e outras rendas passivas (que independem de trabalho), além de propor a revogação da medida de Trump de cortar impostos para empresas milionárias. O democrata defende também a elevação do salário mínimo dos atuais US$ 7,25 para US$ 15 por hora. 

Cristina Pecequilo, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que, com a eventual vitória de Biden, a possibilidade é de retomada de uma linha mais ligada à agenda social e de estímulos financeiros, aproximando-se mais de uma política keynesiana na economia, que, resumidamente, é uma doutrina que defende o Estado como um agente ativo contra a recessão e a alta do desemprego, em oposição ao liberalismo, que defende um Estado o menor possível

Na área de saúde, Biden propõe um plano que ampliaria o "Affordable Care Act"  – que ganhou a alcunha de Obamacare, por ser o principal projeto do ex-presidente para o setor. O Obamacare impôs regulamentação aos preços de planos de saúde privados e ampliou a parcela da população que pode acessar os planos de saúde públicos já existentes, como o Medicare e o Medicaid, que subsidiam a assistência a idosos, deficientes e pessoas de baixa renda. O plano de Biden prevê a criação um forte subsídio ao programa, para reduzir os custos de cobertura para a população. Sua proposta inclui uma opção em que as pessoas poderiam pagar por um plano de saúde público similar ao Medicare.

O ex-candidato à Casa Branca Bernie Sanders já manifestou seu apoio a Joe Biden na corrida pela presidência, dizendo que é hora de unir esforços para derrotar Donald Trump em novembro. Cristina Pecequilo explica que a candidatura de Sanders já estava em uma encruzilhada desde a realização da "Superterça"  e das primárias seguintes: “Naquele momento ficou comprovado que a sua candidatura repetia problemas já encontrados nas primárias de 2016: base pouco abrangente, em particular entre o eleitorado negro, limitada a uma parcela mais rica e branca da população, e sem mobilizar plenamente a juventude. Ainda que tenha avançado entre a comunidade latina, a rejeição a Sanders em bases tradicionais do partido democrata era muito grande".

Doutora em Ciência Política pela USP e uma das maiores especialistas do Brasil em política externa dos Estados Unidos, Pecequilo ressalta que Trump, apesar de tudo, ainda tem para si a vantagem da máquina governamental e a desunião dos democratas, que preferem muitas vezes não votar em seu próprio candidato e se abster do que tentar um compromisso interno entre correntes para derrotar os republicanos. Todas essas questões pontuam que a saída de Sanders foi positiva para os democratas, porque Biden ainda é visto por parte do público democrata como um candidato mais competitivo para enfrentar Trump.

A pandemia de coronavírus forçou a suspensão de todas as campanhas políticas, já que a maior parte do país permanece sob a ordem de ficar em casa. Analistas políticos afirmam que a crise da Covid-19 ainda pode afetar de forma incerta o processo eleitoral, devido ao cancelamento das ações tradicionais como atos políticos, visitas porta a porta, encontros cara a cara, que são cruciais para os americanos. A fase das eleições primárias deve ser concluída até o final do primeiro semestre de 2020 e o presidente eleito deve ser nomeado somente em novembro. Até lá, o mundo todo aguarda o desfecho da pandemia do coronavírus e também os impactos que a atual crise terá na economia e na política global, a começar por sua maior potência.
 

Foto da capa: Numa Roades/Creative Commons

por
Giovanna Colossi Ratão
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21/11/2019 - 12h

Por Giovanna Colossi e Mariana Bocaiuva

 

Nancy Fraser foi ao cerne da questão ao analisar as últimas revoltas políticas que têm assolado o mundo desde 2008, ano da última crise econômica mundial, e perceber do que realmente se trata o Brexit, no Reino Unido, a rejeição de reformas de Matteo Renzi, na Itália, a eleição de Donald Trump e Jair Bolsonaro. 

A professora de filosofia e política da New School for Social Research, em Nova York explicou em artigo publicado na revista Dissent Magazine que “embora sejam diferentes em ideologia e objetivos, estas insurreições eleitorais compartilham a mesma meta: todas elas rejeitam a globalização corporativa, o neoliberalismo e o establishment político que os promove”.

A autora do livro Fortunas do Feminismo: do Capitalismo de Estado à Crise Neoliberal completa “em todos estes casos, os eleitores disseram ‘Não!’ à combinação letal de austeridade, livre comércio, débito predatório e empregos precários e mal pagos, elementos que caracterizam o capitalismo financeiro dos dias atuais.”

O acirramento na guerra comercial entre Estados Unidos e China e a previsão de uma desaceleração econômica mundial ainda maior em 2020, de 2,9 em 2019 para 3% no ano que vem, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prepara os países para um crescimento econômico mundial ainda mais lento, dado alarmante que se soma com a notícia de que duas potências – Alemanha e China – também não conseguiram manter o nível de crescimento que demonstravam nos últimos anos, gerando desconfiança no mercado financeiro, que já começa a falar sobre um novo possível crash.

A lembrança da crise de 2008 causa pânico em países que sofrem desde 2012 com os  choques causados pela quebra do sistema financeiro americano e em consequência da Europa. Membros da União Europeia enfrentam a possibilidade de uma terceira crise econômica na Itália, o Reino Unido permanece no limbo da sua saída do bloco e as possíveis consequências caso não haja um acordo.

Os pigs europeus e a lenta recuperação desde 2012 demonstram a incapacidade da União Europeia de lidar com esse novo cenário de crise do capitalismo neoliberal, como demonstra o caso da Itália, que exemplifica as falhas no acordo de forma didática.

A partir do Tratado de Maastricht, em 1992, os países agora membros da União Europeia passaram a conviver sob as mesmas regras e em 2002, estabeleceram a introdução da moeda comum: o euro – regido por uma estrutura econômica, a União Econômica Monetária da União Europeia (UEM), que conta com instituições e mecanismos regulatórios que praticam regras macroeconômicas obrigatórias a todos.


Disciplina fiscal, redução da inflação, aumento na participação dos lucros, contenção salarial e diminuição do endividamento público fizeram da Itália um exemplo, porém acabaram com a demanda doméstica.

 

taxa de pobreza europa

 

A indústria do país foi rapidamente sufocada pela política de livre comércio da UE e viu a Alemanha dominar as fábricas do país com o seu aparato tecnológico fazendo com que os italianos perdessem competitividade e ficassem defasados, obrigando o país a importar cada vez mais produtos e se especializar em setores específicos como o têxtil.

Impossibilitados de mexer na política cambial estipulada pelo Banco Central Europeu ao bloco, a Itália viu as suas exportações diminuir devido às desvantagens do alto valor do euro em comparação a outras moedas, impossibilitado de usar a macroeconomia para tentar estimular a economia interna e se tornar mais competitiva, hoje a Itália não encontra solução para os seus problemas econômicos e coloca a sua salvação nas mãos de discursos cada vez mais radicais, que incitam ódio, xenofobia, mas conseguem apoio popular ao prometer a saída do país do bloco europeu
Para o sociólogo alemão Wolfgang Streeck, A União Europeia precisa acabar para que países como Itália, Espanha e Grécia tenham alguma chance de se recompor, conforme afirmou em entrevista ao jornal espanhol El País.

“Europeus se encurralaram, puseram uma camisa de força. Sair do euro será custoso em curto prazo, mas em longo prazo seria inclusive mais custoso continuar nele. A Europa do sul sai muito prejudicada do desenho da zona do euro: o euro é um regime monetário para favorecer a Alemanha e seus exportadores.”, afirma o membro do Instituto Max Planck e escritor do livro How will Capitalism End. Radical, Streeck compara a União Europeia a um experimento de autodestruição.

Sem expectativas claras de melhora econômica, países como Itália, Reino Unido e França têm dado voz para discursos cada vez mais radicais. A reviravolta econômica não foi a única razão, mas o escopo político mundial e regional, fortaleceu os movimentos de extrema-direita em toda a Europa e leste europeu, assim como em outros países.
Com retóricas anti-imigratória e de anti-integração o século presencia um novo ciclo do fascismo, chamado de “neofascismo”. Com o ápice de fluxo de imigrantes atingido em 2015, esses discursos foram fortalecidos por movimentos defensores de uma causa xenófoba e racista.

Um exemplo de caso onde as políticas xenófobas foram aplicadas é a própria Itália, que proibiu a entrada de um navio com 629 imigrantes em 2016, o governo ainda reforçou que aderiria à política linha-dura, conforme afirmou o ex-ministro do Interior italiano e líder da Liga — partido de extrema-direita —  Matteo Salvini ao publicar em suas redes sociais a fala: “A partir de hoje, a Itália começa a dizer ‘não’ ao tráfico de seres humanos, ‘não’ ao negócio da imigração clandestina”.

De acordo com os dados levantados pelo governo francês, as eleições de maio de 2017, no país, tiveram a ascensão da extrema-direita comprovada, com os 34,5% dos votos à favor da candidata a presidência Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, que ficou em segundo lugar nas urnas, perdendo para Emmanuel Macron. Le Pen é uma das maiores lideranças das recentes manifestações da extrema-direita na Europa, que vem crescendo.

Dois anos depois, nas eleições para o Parlamento Europeu - em maio de 2019, Le Pen ganhou do Presidente Francês, Emmanuel Macron, com a margem de 1% - onde obteve entre 23% à 24% dos votos e Macron 22,5%. O que demonstra uma aprovação cada vez maior de partidos como a Frente Nacional, um partido de propostas políticas de extermínio.

Em uma entrevista à revista espanhola Contexto, Wendy Brown — cientista social especializada em neoliberalismo — afirmou que os políticos de direita costumam amenizar os problemas do sistema, culpabilizando a vítima: “Marine Le Pen, o partido Alternativa para a Alemanha, todos os partidos de extrema-direita conseguem desviar os males da globalização e o neoliberalismo para a figura do imigrante obscuro, criminalizado e terrorista”.

O Reino Unido — membro da UE desde 1973 — também tem apresentado grandes índices do crescimento da extrema-direita. Com o Primeiro-ministro, Boris Johnson, que defende questões reacionárias e políticas conservadoras. O primeiro-ministro também defende, fielmente, o Brexit — saída do Reino Unido da União Europeia. Separatista e nacionalista, Johnson promete executar seu plano até dia 31 de outubro, alegando que isso será a solução para os problemas do Reino Unido.

A causa não é defendida apenas por Boris Johnson. Ela já era abraçada por seus antecessores e, de acordo com uma pesquisa feita pelo governo britânico com a população: 52% apoiavam o Brexit até então. As recentes reviravoltas e embates em relação ao acordo geram cada vez mais protestos e confrontos entre pró Brexit e pró União Europeia. A situação ressuscitou antigos conflitos separatistas da ilha, como a situação fronteiriça entre Irlanda do Norte e República da Irlanda, que em 1960 deixou cerca de 3,6 mil civis mortos.

Para o historiador, José Salvador Faro, a crise econômica não é a única resposta para o fascismo, porque é uma junção dos problemas socioeconômicos que fazem com que a sociedade reaja de uma certa maneira: “O fascismo não é uma coisa que se explica apenas por uma razão econômica, na verdade, é um conjunto de circunstâncias que mostram uma certa frustração de vários setores da sociedade com o regime político, econômico, com a representação partidária e uma certa falta de perspectiva que geralmente inspira o estado de espírito de uma sociedade”.

De acordo com Faro, os acontecimentos através dos séculos mostram que quando a crise surge, a população, em desespero, procura resposta e conforto, e essa busca pode levá-los ao extremismo de direita. “Quando a sociedade é afetada nessas expectativas por alguma crise e ela não vê saída para essa situação, o que a história mostra é que ela começa a apostar em soluções carismáticas, que se constroem em torno de promessas pelos chefes de estado em busca de um mundo mais ordeiro, onde essas frustrações desapareçam e que valoriza a autoridade e a disciplina. Esses são os princípios que embasam a ideologia fascista”, pontua.