As semifinais e final do Americas Cup 2026 foram no último fim de semana ( dia 7 e 8), com muitas expectativas. No sábado teve o embate entre Cloud9 e Sentinels, o vencedor definiu quem enfrenta a FURIA que já estava qualificada para a final.
Cloud9 x Sentinels
O confronto entre os times estrangeiros no Americas Cup, levaria um dos times para a final e a possível revanche contra a FURIA. Logo no primeiro jogo, já ficou claro quem seria o vencedor do confronto, o desempenho da Cloud9 se mostrou mais dominante do que o da Sentinels.

Apesar de demonstrar dominância durante as partidas, teve alguns momentos que a Cloud9 cometeu pequenos erros, o que custou 1 dos jogos da partida, o resultado final foi 3 x 1. Era possível ver que o time da Sentinels estava sem coordenação e que os jogadores cometeram múltiplos erros durante as partidas. O destaque nessa disputa foi o APA, mid-laner da Cloud9, com jogadas e performance que levou o time para a vitória. O time da Cloud9 ganhou a chance de revanche contra a FURIA no domingo (8).
FURIA x Cloud9
A final do Americas Cup 2026, foi uma final com muitas expectativas, FURIA, o time da casa, que teve um desempenho emblemático durante a copa inteira; e a Cloud9, considerada um dos melhores times do torneio, que possivelmente, seria o campeão.
Depois dos primeiros 15 minutos do primeiro jogo, a FURIA mostrava a dominância que teve em todas as partidas durante o campeonato, ganhando em todos aspectos do jogo, tirando todas as possíveis vantagens que a Cloud9 tentou criar. Apesar de lutas que a Cloud9 ganhou, o time da FURIA conseguiu vencer o primeiro jogo.

No segundo jogo, foi possível ver uma queda na performance no time americano, enquanto o time brasileiro demonstrava cada vez mais, que eles querem se tornar os campeões. Depois de pouco tempo, a vantagem que a FURIA tinha no jogo, garantiu a segunda vitória para o time. O terceiro jogo começou com escolhas muito inusitadas do time da FURIA na escolha dos campeões no draft, Zaheen como caçador e Sion como atirador, que deixou todos os espectadores espantados e com a impressão que a FURIA estava confiante demais.
Apesar de um início de partida com uma presença maior da Cloud9, o plano da FURIA, começou a tomar forma, com campeões que ficam mais forte com o passar do tempo da partida, a vitória se tornou cada vez mais uma realidade para o time brasileiro. No final, essa estratégia inusitada deu certo e a FURIA se tornou a vencedora da partida e os campeões do America Cup.
No último domingo (15), aconteceu em Los Angeles a 98ª edição do Oscar, evento que marca a principal e mais aguardada premiação mundial do cinema.
Na edição deste ano, Jessie Buckley levou o prêmio de melhor atriz por sua performance em “Hamnet: a vida antes de Hamlet”, uma adaptação do romance histórico de Maggie O’Farrell, dirigida por Chloé Zhao. Apesar de já ter sido indicada em 2022 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme “A Filha Perdida”, adaptado do livro homônimo de Elena Ferrante por Maggie Gyllenhaal, a primeira estatueta da atriz veio neste ano.
Em sua categoria, concorriam Emma Stone por “Bugonia”; Rose Byrne por “Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria”; Renate Reinsve em “Valor Sentimental” e Kate Hudson por "Song Sung Blue.”
O resultado da atriz irlandesa não foi nenhuma surpresa, já que durante a temporada de premiações ela foi apontada como a grande favorita. Buckley também conquistou prêmios importantes como Globo de Ouro, Bafta, Critics Choice Awards e o The Actor Awards - o que deu indicações sobre a sua vitória na cerimônia de domingo.

Divulgação/Instagram @theacademy
No longa, Jessie Buckley interpreta Agnes, uma mãe que enfrenta o luto, após a morte do filho Hamnet, aos 11 anos. Contracenando com Paul Mescal, que vive William Shakespeare, a atriz entrega uma atuação sensível e intensa desde o início da obra. A narrativa apresenta elementos que fazem do filme, uma verdadeira representação de como a arte pode curar feridas e ampliar amores. Agnes, que acredita ser de uma família mística, carrega consigo uma magia deixada por sua mãe ao falecer. Essa força vital da personagem orienta a sensibilidade presente no filme, principalmente a partir da perda do filho. Tal acontecimento também se torna o motivo por trás da suposta criação da obra “Hamlet” de William Shakespeare, que encontra na arte uma forma de “imortalizar" seu filho.
Ao receber o prêmio por sua atuação, Buckley dedicou a estatueta à maternidade, celebrando o Dia das Mães do Reino Unido. "Gostaria de dedicar este prêmio ao belo caos do coração de uma mãe. Todas nós descendemos de uma linhagem de mulheres que continuam a criar contra todas as probabilidades", afirmou. O discurso dela homenageia não só as mães do mundo inteiro, mas faz uma saudação indireta à sua própria personagem e à força que essa função exige.

Quem é Jessie Buckley?
Nascida em Killarney, na Irlanda, a atriz de 36 anos começou sua carreira no meio artístico muito antes de aparecer nas telonas de Hollywood. Aos 17 anos, em 2008, Jessie participou do programa musical “I'd Do Anything”, para concorrer ao papel de Nancy no musical “Oliver!” no teatro West End de Londres e ficou em segundo lugar.
Apesar de não ter conseguido o papel, a experiência abriu portas para novos projetos e consolidou seu interesse pela atuação. Dez anos depois, em 2018, ela começou a ser reconhecida por seu trabalho em “As Loucuras de Rose”, sendo indicada ao prêmio BAFTA.
Nos anos seguintes, Buckley participou de produções de destaque no cinema e na televisão, incluindo papéis em filmes como “Estou Pensando em Acabar com Tudo” e na série “Chernobyl”, ampliando sua visibilidade na indústria.
Recentemente, Jessie estreou nos cinemas com o filme “A Noiva!”, ao lado de Christian Bale, sua segunda colaboração com a diretora Maggie Gyllenhaal. Na obra, que é uma releitura de “Frankenstein”, ela interpreta uma noiva que é assassinada e, com ajuda de um cientista, volta à vida.

Logo após o sucesso internacional de Ainda Estou Aqui, o cinema brasileiro produziu mais um destaque mundial. O filme Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, conseguiu a segunda indicação consecutiva do Brasil no prêmio de melhor filme no Oscar, a 16° indicação na premiação para o país,
O filme é ambientado no Recife dos anos 1970, durante a ditadura militar brasileira. A narrativa acompanha Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário, que volta à sua cidade natal após anos de perseguição que são explicados ao longo da trama.
Agente Secreto nas premiações
O filme trilhou um caminho de sucesso durante a temporada de lançamento no Festival de Cannes, um dos mais prestigiados do cinema mundial, superando o Oscar em relevância artística.

No evento, a obra recebeu os prêmios de melhor direção para Kleber Mendonça Filho e melhor ator para Wagner Moura, além de dois prêmios independentes: Prêmio “Art et Essai”, concedido pela AFCAE (Associação Francesa de cinema d’ Art et d’Essai) e o prêmio FIPRESCI (Federação Nacional de Críticos de Cinema), sendo o segundo filme brasileiro a ganhá-lo, depois de Ainda Estou Aqui.
Continuando com o reconhecimento internacional, o longa e metragem recebeu da New York Film Critics Circle Awards o prêmio de Melhor Ator e Melhor Filme Internacional, também sendo premiado no Critic Choice Awards e no Independent Spirit Award, ambos como melhor filme internacional. Além disso, o filme foi destaque no Globo de Ouro, ao receber os prêmios de Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Ator (Drama) para Wagner Moura.
O discurso de Mendonça para o Globo de Ouro foi carregado de orgulho, do trabalho que foi feito: “Obrigado, Neon. Obrigado ao Festival de Cannes. Obrigado a Vitrine Filmes que fez 'O Agente Secreto' se tornar um sucesso de bilheteria não muito comum lá no Brasil. Quero agradecer nossa equipe e ao incrível elenco do filme. Essa é apenas uma pequena parte dessa incrível equipe ", enfatizou em seu discurso.
O filme já acumulou 76 vitórias. No próximo dia 15 de março, a obra concorre ao Oscar em 4 categorias: melhor filme, melhor filme internacional, melhor elenco e melhor ator com Wagner Moura.
Sobre o diretor
O pernambucano Kleber Mendonça Filho iniciou sua jornada no mundo cinematográfico dirigindo curtas no começo dos anos 2000, em sua maioria dramas. Seu primeiro longa-metragem foi o documentário Crítico (2008), que não obteve grande sucesso, comercial ou de crítica. O diretor começou a ganhar notoriedade internacional com o drama O Som Ao Redor (2012), selecionado pelo renomado crítico A. O. Scott, do The New York Times, como um dos melhores filmes do mundo em 2012. Também foi o escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2014, como Melhor Filme Estrangeiro.
O sucesso foi adquirido com o filme Aquarius (2016), que foi ovacionado após a sua exibição no Festival de Cannes, além de conseguir o prêmio World Cinema Amsterdam. Ele ainda dirigiu Bacurau (2019), outro filme brasileiro de grande reconhecimento em Cannes, no qual chegou a ser indicado ao prêmio máximo da noite, o Palma de Ouro, e ganhou o prêmio do júri.
Trajetória de Wagner Moura
Nascido em Salvador, Bahia, Wagner Moura é formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia e percebeu seu talento para as artes cênicas no início dos anos 90. O ator deixou de lado a carreira jornalística para seguir o sonho de atuar, sua primeira participação sendo em “Woman on top”(2001), depois atuando em duas grandes produções cinematográficas brasileiras, Abril despedaçado (2001), de Walter Salles, e Carandiru (2003) de Hector Babenco.
Além de se destacar na televisão com Sexo Frágil, JK e Paraíso Tropical, ele ambém consolidou sua carreira atrás das câmeras, quando dirigiu o filme Marighella, que venceu oito categorias no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.
Em 2007, ao dar vida ao Capitão Nascimento em Tropa de Elite, Wagner Moura alcançou não somente reconhecimento brasileiro, como alcançou repercussão internacional. Com grande visibilidade após o papel, participou de produções de Hollywood, como Elysium, ao lado de Matt Damon e Jodie Foster, e, dois anos depois, participou da série de netflix Narcos, no papel de Pablo Escobar, lhe rendendo, em 2016, indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Série de Drama.
Desde seu sucesso internacional, Moura segue em expansão, participando de vários sucessos, como as séries As Iluminadas (2022), Sr e Sra Smith (2024) e Ladrões de Drogas e o filme Guerra Civil (2025) .
Moura foi indicado ao Oscar deste ano, na categoria de Melhor Ator, com o filme "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, se tornando o primeiro brasileiro a concorrer.
No dia 15 de março, a premiação será televisionada pela TV Globo, logo após a programação do Fantástico.
Com o lançamento de seu último disco, “Debí Tirar Más Fotos”, vencedor do Grammy de Melhor Álbum do Ano em 2026, em janeiro do ano passado, o rapper Benito Martinez, mais conhecido como Bad Bunny, se tornou referência mundial na luta política contra a violência aos imigrantes nos EUA e a gentrificação na América Latina.
O disco, que mistura reggaeton com estilo clássico de salsa porto-riquenho, sua terra natal, é repleto de referências à cultura e à história de seu país, assim como à luta que o povo latino americano passa para defender a permanência em seu território e valorização de seu modo de vida. No entanto, a presença do cantor em manifestações políticas não é de agora.
Bad Bunny sempre foi enfático em seu amor por Porto Rico e seus ideais de defesa do próprio povo, contrário aos processos políticos promovidos pelo governo de Donald Trump, que enrijeceram as políticas imigratórias nos EUA, país que ultrapassa os 68 milhões de imigrantes latino americanos em seu território. As manifestações do cantor o colocaram em conflito contra o governo estadunidense, principalmente após seus discursos durante a premiação do Grammy deste ano.

Graças ao sucesso de seu último disco, Bad Bunny foi anunciado como atração principal do Show do Intervalo do SuperBowl, tradicional palco de grande audiência da TV estadunidense. Após a performance, o presidente Donald Trump se manifestou em suas redes sociais criticando o evento protagonizado pelo cantor. “Um dos piores shows de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América”, afirmou. Em seguida, disparou: “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante”.
Mesmo incisivo em seus discursos, o espaço que Benito melhor aproveita para se expressar politicamente é em suas músicas. Em seu álbum mais recente, o cantor dedica a temática ao amor por sua nação e remarca a importância da luta contra o apagamento histórico de Porto Rico.
A segunda canção com mais reproduções do disco nas plataformas digitais, “Baile Inolvidable”, traz ao ritmo instrumentos clássicos da salsa porto-riquenha, como conga, trompete e saxofone, com o intuito de resgatar os ritmos clássicos da ilha. O refrão, cantado no mesmo gênero, pode ser interpretado como uma declaração de amor à cultura de Porto Rico e à importância dela na vida de Benito, que rima “Não, não posso te esquecer. Não, não posso te apagar. Você me ensinou a amar. Você me ensinou a dançar”.
Outra canção repleta de simbolismos históricos é “Lo Que Le Pasó a Hawaii”. Benito, através de um ritmo lento e melódico, fala sobre o medo que o apagamento das tradições porto-riquenhas causa nos moradores da ilha. Em comparação com a história do Havaí, que se tornou território anexado pelos EUA em 1898, Bad Bunny usa do refrão para reforçar a importância da luta do povo em manter sua cultura viva: “Não soltem a bandeira nem esqueçam do lelolai (canto tradicional folclórico de Porto Rico), porque não quero que façam contigo o que aconteceu com o Havai”.

A mesma influência política ocorre na última canção do álbum, “La Mudanza”, em que Bad Bunny trás destaque à história da própria vida, recitando nos primeiros versos como seus pais se conheceram e o criaram. A canção é dedicada ao orgulho de Benito por ter nascido em Porto Rico, e como tem direito de viver neste território, apesar das restritas políticas de permanência do povo latino em território estadunidense. No poderoso trecho final, Bad Bunny encerra o disco com ritmo de salsa intenso e cantando: “Daqui ninguém me tira, daqui eu não me movo. Digam que está é a minha casa, onde nasceu meu avô. Eu sou de Porto Rico, porra”.
Apesar da ascensão do cantor aos holofotes no último ano, graças a suas críticas e pautas presentes em “Debí Tirar Más Fotos”, suas manifestações também estiveram presentes em outras de suas obras. Em “Un Verano Sin Ti”, álbum de reggaeton e rap lançado em 2022, Benito aproveitou seu espaço para satirizar a forma como a cultura latina, subjetivizada historicamente pelos EUA, se tornaria um estilo de desejo. Na canção “El Apagón”, o cantor rima “Agora todos querem ser latinos, mas lhes falta tempero, bateria e reggaeton”.
A música também carrega críticas ao governo e infraestrutura de Porto Rico, que sofre de constantes quedas de energia desde o impacto do furacão Maria, em 2017. Ao longo da faixa, Bad Bunny rima: “Maldito seja, outro apagão. Porto Rico é do caralho”, em tom de ironia. Desde o ocorrido, que deixou a ilha em apagão durante semanas, o sistema elétrico foi entregue à empresa privada “Luma Energy”, em 2021. No entanto, as reclamações dos porto-riquenhos se mantiveram, com outras ocorrências de falta de energia, que chegam a durar meses.
O Museu das Favelas sedia a exposição “Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, desde novembro de 2025. A mostra, que tem entrada gratuita, comemora o centenário do médico, psiquiatra, intelectual e ativista que marcou o século XX como pensador de temas como raça, colonialismo e subjetividade. A exibição também comemora o aniversário de três anos do museu, e fez parte da programação do mês da consciência negra.
Com direção artística e curadoria de Thais de Menezes e curadoria institucional de Jairo Malta, a exposição tem como fio condutor a influência do pensamento de Fanon. São 130 obras que propõem um diálogo entre o legado do psiquiatra e a arte contemporânea Elas abordam temas como identidade, luta política, memória coletiva e construção de futuro a partir das experiências periféricas e das diásporas negras.
A exposição é dividida em 4 eixos temáticos: identidade, corpo, território e sonho, e convida o público a refletir sobre a imaginação como prática radical de transformação da realidade. Para Fanon, os povos historicamente marginalizados precisam assumir a própria narrativa como forma de recuperar sua humanidade e dignidade.

Os 40 artistas convidados são provenientes de territórios diversos, como Brasil, Colômbia, Argélia, Angola, Bolívia e Venezuela, e abarca nomes como Albarte, Ana Paula Sirino, Nenesurreal, Espejismo, Génova Alvarado e Samu Artes. Essa articulação do Museu das Favelas com outras instituições culturais estrangeiras marca o início de um processo de internacionalização do Museu.
A exposição fica aberta até 24 de maio de 2026, de terça a domingo, das 10h às 17h, no Museu das Favelas, localizado no Largo Páteo do Colégio, 148, Centro Histórico de São Paulo. A entrada é gratuita mediante retirada antecipada dos ingressos pelo aplicativo Sympla ou na recepção do museu.


Quem foi Frantz Fanon
Frantz Omar Fanon foi um psiquiatra e filósofo das Antilhas Francesas, que exerceu expressiva influência dos estudos pós-coloniais e em temas como raça, subjetividade e a psique humana. O médico nasceu em 20 de julho de 1925 na Martinica, território caribenho sob colonização francesa à época. Filho de Eléanore Médélice e Casimir Fanon, que ocupava um cargo na administração da ilha, Frantz estudou no colégio Lycée Schoelcher, onde teve aulas com intelectuais como Aimé Césaire, e teve contato com estudos sobre o movimento negro e o marxismo anticolonial.

Aos 20 anos, Fanon alistou-se ao exército francês para combater o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, onde foi profundamente marcado por experiências discriminatórias no front, e constatou que, para os franceses, ele não era um cidadão, mas sim “um negro". Ferido em combate, retorna a sua terra natal como veterano de guerra.
Iniciou estudos de odontologia em Paris, mas abandonou devido ao racismo vivido. Passou, então, a estudar medicina psiquiátrica em Lyon, onde entrou em contato com o pensamento de intelectuais como Marx, Hegel, Lacan, Sartre e Simone de Beauvoir. Seu trabalho de conclusão do curso, “Ensaio sobre a dimensão do negro”, e rejeitado por ser considerado inapropriado e, posteriormente, publicado independentemente como “Pele Negra, Máscaras Brancas”, um dos estudos mais relevantes sobre a operação e as consequências do racismo.
Em 1953, iniciou a residência médica com o psiquiatra François Tosquelles, e escreveu diversos artigos sobre humanização do cuidado em saúde mental. Tornou-se chefe do hospital psiquiátrico de Blida-Joinville, na Argélia, onde continuou praticando uma psiquiatria descolonizante e humanizada.
Com o aumento da repressão francesa à revolucionários, Fanon passa a ser perseguido, e é obrigado a desligar-se do hospital onde trabalhava. Mudou-se para a Tunísia com a sua família, onde engaja na Revolução Argelina, atuando como psiquiatra e colunista anônimo do jornal El Moudjahid, órgão da Frente de Libertação Nacional.
Ele participou ativamente de fóruns pan-africanistas e atuou como embaixador do governo provisório da República da Argélia para os países da África Subsaariana, como tentativa de articular uma resposta continental unificada ao colonialismo. Seguiu atuando na psiquiatria até descobrir uma leucemia, aos 36 anos, quando decidiu pausar sua carreira para escrever sua última obra, “Os Condenados da Terra" (1961). Fanon morreu em 1961, nos Estados Unidos, um ano antes da Argélia consolidar seu processo de independência da França.











