A obra de Edgar Allan Poe conta a história de um homem recém-recuperado de uma doença, que passa seu tempo em um café em Londres observando as pessoas ao seu redor, fazendo deduções sobre elas. Ele fala sobre segredos que não devem ser revelados e começa a observar os indivíduos ao seu redor, analisando a multidão por como se vestem, seu comportamento, etc. A partir dessa análise, ele faz suas deduções, sobre onde trabalham, pelo que estão passando e pelo que passaram.
À medida que a noite avança, sua atenção é cativada por um velho misterioso, que o narrador decide seguir pelas ruas, sendo levado a áreas mais pobres da cidade, passando a noite inteira tentando compreender as suas ações. Quando amanhece, o narrador está muito cansado para continuar a perseguição, percebendo que o velho é "o homem da multidão", um criminoso astuto que nunca está verdadeiramente sozinho. Assim, se dá conta de que não vale a pena seguir o velho, pois não aprenderá mais nada sobre ele ou seus crimes, diferentemente dos outros personagens que observou.
O título sugere que o "homem da multidão" pode se referir igualmente ao narrador, que se move entre as pessoas em Londres enquanto persegue o velho. O conto aborda temas de alienação e solidão na vida urbana, revelando que mesmo em uma cidade cheia de pessoas, o indivíduo pode se sentir sempre sozinho e apenas um "estranho" na multidão. Essa reflexão é de extrema relevância na contemporaneidade, onde constantemente são observados observam-se constantemente os fenômenos de massificação da sociedade, e solidão do indivíduo e anseio por socialização diante dessa multidão que o protagonista tenta entender.
Frank Herbert, escritor e jornalista americano, publicou seu livro “Duna” em 1965, servindo como um marco na história da literatura e da ficção científica, precedendo outros sucessos do mesmo gênero, como Star Wars. O romance espacial impactou o cenário da cultura popular ao misturar uma aventura interestelar futurista com temas de ecologia, religião, política e sociologia, que permanecem relevantes décadas após seu lançamento.
O livro conta a história do jovem Paul Atreides, herdeiro da nobre Casa Atreides, uma das grandes casas que servem o império intergaláctico da história. O protagonista, além de ser herdeiro de sua casa, possui habilidades psíquicas extraordinárias ensinados por sua mãe, Lady Jessica, que faz parte de uma ordem política e religiosa exclusivamente formada por mulheres conhecidas como as Bene Gesserit.
No entanto, a vida de Paul muda completamente quando seu pai, o Duque Leto Atreides, recebe uma ordem do imperador declarando a realocação da Casa Atreides de seu planeta natal Caladan, para governarem o planeta desértico Arrakis, lugar onde a trama se passa majoritariamente.
Esse planeta é o meio utilizado pelo autor para abordar o tópico da ecologia, ao apresentar um ecossistema que é constantemente explorado pelo império e por outras grandes casas por seus recursos naturais valiosos e exclusivos. Os exploradores pouco se importam em como sua exploração impacta o povo nativo do local, conhecidos como os “Fremen”.
Herbert cobre os tópicos de política e sociologia através dos desafios que a família de Paul enfrenta em sua nova e controversa transição de poder e local, enquanto simultaneamente tentam formar uma aliança com os nativos Fremen, que passaram anos sob a opressão cruel da Casa Harkonnen, os ex-governantes de Arrakis. O autor explora as diversas camadas de seus personagens no que diz respeito à complexidade de suas motivações, desconfianças e interações uns com outros.
Quando a vida do protagonista novamente vira do avesso devido a um grande ataque contra sua família, Paul e sua mãe são forçados a buscar refúgio nas dunas do planeta, onde o verdadeiro potencial de suas habilidades começam a despertar. Os poderes do jovem possibilitam a formação de um plano para se vingar contra aqueles que tentaram destruir a Casa Atreides.
No entanto, para suceder, ele precisa da força dos Fremen. Para fazer isso, terá que tomar vantagem das crenças e costumes dos nativos de Arrakis através de seus poderes sobrenaturais que lhe permitem enxergar e dizer exatamente aquilo que o povo do deserto precisa ouvir para enxergá-lo como uma figura messiânica que os guiará ao paraíso.
Desse modo, Frank destaca o aspecto religioso de sua história, demonstrando como a fé de um povo pode ser uma arma tão letal quanto poderes mágicos ou sabres de luz. A mensagem atemporal de como o fanatismo das massas e devoção em uma figura carismática que sabe utilizar a religião e a política para persuadir seu público-alvo com promessas de um futuro melhor é algo recorrente na sociedade.
O primeiro livro de “Duna”, assim como os demais livros da franquia escritos por Frank Herbert, é conhecido por sua construção de mundo lenta e detalhada, o que muitas vezes provoca a dificuldade na leitura daqueles consumindo que consomem a obra pela primeira vez.
A série é composta em sua totalidade por seis livros escritos pelo autor, apesar de seu filho, Brian Herbert, ter escrito junto com o escritor americano Kevin J. Anderson suas próprias obras sob o mesmo título com intenção de continuar o trabalho de Frank.
De acordo com ambos os escritores, o autor havia deixado anotações e rascunhos antes de seu falecimento em 1986 para um sétimo livro que nunca chegou a concluir. Apesar disso, os livros produzidos por Brian e Kevin não tiveram a mesma popularidade e elogios que a franquia original teve.
A obra foi adaptada pela primeira vez em formato de filme em 1984, pelo diretor David Lynch sob o título “Duna” que tentou cobrir a história do primeiro livro por inteiro, inteira, mas não foi bem recebida pelas audiências do cinema e falhou em gerar lucro o suficiente para compensar a quantia que foi necessária para sua produção.
Em 2021, houve uma nova tentativa de adaptar a franquia para as telas grandes. Desta vez sob direção de Denis Villeneuve e com o mesmo título que o filme de 1984, o filme cobriu metade do primeiro livro e teve mais sucesso que seu predecessor, ganhando seis Oscars no Academy Awards. Ganhando popularidade e lucro o suficiente para a produção de um segundo filme, que estreou em 2024 sob o título “Duna: Parte Dois”, adaptando a segunda metade do primeiro livro e sendo um grande sucesso, ganhando dois Oscars.
A “Duna” de Frank Herbert está repleta de mensagens e versos que analisam a psique do ser humano e as complexas ideologias e filosofias embutidas na sociedade. Temas e assuntos que podem ser observados e utilizados como exemplo até mesmo no mundo contemporâneo, provando a atemporalidade da obra-prima do autor.
Na noite de sábado (6), na Oakland Arena, Califórnia, Ariana Grande lembrou ao mundo que é uma das vozes mais talentosas de sua geração. A abertura da Eternal Sunshine Tour, sua primeira turnê desde 2019, veio para agradar. Dividido em atos, o show começa ao som de "yes, and?", single do álbum Eternal Sunshine (2024). Um house dançante, à la "Vogue", de Madonna, que rebate críticas à sua vida pessoal.
O palco, equipado com LEDs e uma casa “abandonada”, permitia mudanças constantes de atmosfera visual, e os interlúdios em vídeo, inspirados no curta “Brighter Days Ahead”, conduziam uma narrativa de confronto com o passado, trauma e recomeço, assunto recorrente em seus últimos lançamentos musicais.
Um dos primeiros grandes momentos da noite chega com "The Boy Is Mine". A cantora brinca com uma de suas dançarinas em uma performance que referencia diretamente o videoclipe da faixa, no qual ela interpreta uma versão da Mulher-Gato, meio obsessiva. A apresentação rapidamente se tornou uma das mais comentadas nas redes sociais, especialmente entre o público LGBTQ+.
A setlist reserva espaço para Positions (2020), álbum que ganhou nova vida no palco. A inclusão de faixas como "Positions", "Just Like Magic" e "Safety Net" surpreendeu o público. O disco que foi muito bem recebido pela crítica no lançamento, mas ofuscado por parte dos fãs na época, acumulou status de clássico com o tempo. Poucos esperavam tamanho destaque para ele na turnê.
"Grande não é deste mundo", a afirmação é do San Francisco Chronicle, e nenhum momento da noite a ilustrou melhor do que "Dangerous Woman". No quarto ato, com o vocal já completamente aquecido, Ariana se apresenta stripped down, acompanhada apenas por microfone e guitarra. Os vocais impecáveis dominam a cena e superam o instrumento. Um clássico da discografia entregue em sua melhor versão até hoje, arrancando aplausos imediatos da plateia e dos críticos.
A artista também aproveitou para cantar seu novo single. Ao introduzir "Hate That I Made You Love Me", do aguardado Petal — álbum previsto para 31 de julho. Ariana anunciou que a faixa havia acabado de alcançar o número 1 na Billboard Hot 100 e a estreia ao vivo ofereceu um primeiro vislumbre da nova era da cantora.
Os figurinos são destaque à parte. Desenvolvidos sob medida para a turnê, os looks reúnem criações de Givenchy, Vivienne Westwood, Alexander McQueen e outras grifes de alta-costura. Ariana também usa botas exclusivas da Christian Louboutin de salto stiletto, sua marca registrada. A curadoria é assinada por Law Roach, stylist mais requisitado da geração, que chegou a aparecer ao vivo em um cameo sob o palco, fazendo ajustes de última hora nos looks, durante a intro de “Into You”.
Nem tudo, porém, agradou aos fãs. A ausência total de músicas do Sweetener (2018), álbum responsável pelo primeiro Grammy da cantora e considerado um marco de amadurecimento em sua trajetória, frustrou boa parte dos fãs.
No encerramento, Ariana recria a capa de Brighter Days Ahead, edição de luxo de Eternal Sunshine. Ao cantar "Supernatural", ela e seus dançarinos se reúnem no centro da arena e, com cabos em seu corpo, Grande levita em direção a iluminação suspensa, que remete a uma nave espacial. Um dos momentos visualmente mais grandiosos de toda a carreira, e o encerramento perfeito para uma artista que, como escreveu o Chronicle, não é deste planeta.
A Eternal Sunshine Tour conta com 41 shows distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, incluindo dez apresentações em Londres. Com todos os ingressos esgotados, a turnê confirma o retorno triunfal de Ariana Grande ao lugar onde sempre foi bem-vinda: o palco.
Para aqueles que caminham pelas ruas da Vila Mariana, próximo ao Largo Senador Raul Cardoso, observar três estruturas de tijolos talvez remeta a uma indagação instantânea: “que lugar é esse?”. Pode ocorrer de chamar muito a atenção uma construção que não lembra nenhuma característica similar a arquitetura neoclássica, barroca, contemporânea ou modernista. Trata-se de algo singular. Com uma nítida identidade. Estamos falando da Cinemateca Brasileira.
Fundada em 1949 como “Filmoteca” do Museu de Arte Moderna de São Paulo ( MAM), tornou-se a Cinemateca Brasileira em 1956 . O local já foi o “Matadouro Municipal”, um centro de distribuição frigorífico da cidade, fundado em 1887. Dessa época, manteve a estrutura de tijolos e chaminés, além do trilho de trem que levava a carga bovina para o abate.
Respeitada e famosa por abrigar o maior acervo do cinema nacional, com 60 mil títulos, e mais de 1 milhão de documentos que registram mais de 120 anos da história do cinema brasileiro, sua sede mudou-se em 1992 do bairro de Pinheiros para a Vila Mariana. Infelizmente, passou por graves crises ao longo de sua história. Um incêndio em 2016 afetou um galpão da instituição e destruiu 500 obras e cerca de mil rolos de filmes da década de 1940. Já entre 2019 e 2021, sofreu uma terrível crise financeira, marcada por salários atrasados, greve de funcionários, ausência de contrato de gestão e falta de recursos governamentais.
O renascimento da Cinemateca ocorreu a partir de 2023, com a retomada do investimento cultural, estrutural e institucional. A retomada das atividades, somando-se a parceria público-privada, a Sociedade Amigos da Cinemateca(SAC) reassumiu oficialmente a administração como Organização Social contratada pelo governo.
Atualmente, a Cinemateca Brasileira apresenta várias mostras nacionais e internacionais de cinema, além de exibição ao ar livre de filmes aclamados pela academia e grandes clássicos.
A exibição “Para crianças: experiências com a arte desde 1968”, em cartaz no museu Pinacoteca em São Paulo, propõe uma reflexão sobre o lugar da infância no acervo cultural e artístico da população, trazendo interatividade e buscando aproximar o público infantil dos museus e da arte. Assista aqui um tour pela exposição, feita pelo museu Haus der Kunst, em Monique da Alemanha, em parceria com a Pinacoteca de São Paulo. A apresentação parte da ideia que começou a ganhar força em 2023, inspirada por eventos de 1968, de que crianças não são apenas plateia, mas também agentes que podem fazer os adultos enxergarem o mundo de uma forma diferente. A amostra reúne um diálogo entre arte, educação e liberdade de expressão.
“Eu acho que é um tema que olha para um público presente na cidade, no museu e na sociedade, e que muitas vezes sofre por uma invisibilidade e uma adaptação a um mundo que é muito adultocêntrico” disse a curadora da exposição Ana Maria Maia. “Eu acho que fazer um projeto com esse foco tem a ver com tentar refletir sobre por que a gente não acolhe e não aprende com o olhar das crianças”, diz Maia.
Uma das principais atrações é a obra da Graziela Kunsch para crianças de 15 meses a 5 anos, que consiste em uma caixa de areia gigante, com brinquedos a disposição, o objetivo é os adultos apenas observarem de fora as crianças descobrindo como brincar com autonomia e segurança. “A obra da Graziela fala assim ‘aqui vocês precisam observar’ porque muitas vezes os adultos que estão na missão de cuidar das crianças se colocam num lugar em que mediam tudo, se o adulto se concentrar em observar, obvio que pensando em segurança, mas sem colocar tantas bordas ele vai ver que a criança sabe aprender sozinha”, diz Ana.
A exposição paga estreou dia 30 de maio de 2026 e ficara em cartaz até 18 de outubro de 2026, no edifício Pina Contemporânea (Grande Galeria), ao lado do metrô Luz. O horário de funcionamento dos três prédios da Pinacoteca é de quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h), com entrada gratuita aos sábados e todo segundo domingo do mês. clique aqui para saber mais.