Temporada amplia debates sobre identidade juvenil
por
Gabriela Dias
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16/04/2026 - 12h

A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty”, produção da Netflix, marca uma mudança significativa na trajetória da série. Além de dar continuação a história de Kitty Song Covey (Anna Cathcart), os novos episódios mostram um amadurecimento evidente na narrativa, que passa a abordar com mais profundidade temas como identidade, pertencimento e crescimento emocional.

Diferente das temporadas anteriores, que priorizavam romances rápidos e conflitos mais leves, a nova fase aposta em um desenvolvimento mais cuidadoso dos personagens. A protagonista, por exemplo, deixa de ser movida apenas por idealizações amorosas e começa a enfrentar as consequências de suas escolhas, lidando com frustrações e inseguranças de forma mais realista.
 
Logo no início, a temporada apresenta um cenário de recomeço, mas sem apagar os erros do passado. A principal mudança está no andamento da narrativa: os conflitos não são resolvidos de forma imediata e passam a impactar diretamente as relações entre os personagens. Essa mudança de ritmo, mais lenta, contribui para um desenvolvimento emocional da protagonista, em que ela deixa de ser apenas uma jovem guiada por ideais românticos e passa a assumir decisões que exigem maior responsabilidade, o que torna a história mais próxima da realidade do público jovem.
 
Os relacionamentos continuam sendo o eixo central, mas ganham mais complexidade. A série abandona, em parte, a ideia de romances perfeitos e investe em vínculos mais instáveis, marcados por falhas de comunicação, expectativas diferentes e instabilidade. Ampliando a identificação do público, que passa a enxergar situações mais próximas do dia a dia.
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

Mesmo com esse avanço, a idealização do amor ainda aparece como um elemento importante. Kitty mantém, em diversos momentos, uma visão romantizada das relações, acreditando em sentimentos intensos e imediatos. No entanto, a própria narrativa questiona essa perspectiva ao mostrar que o amor também envolve dúvidas, erros e aprendizado algo que pode influenciar diretamente a forma como adolescentes enxergam seus próprios relacionamentos.
 
Ao mesmo tempo, os personagens secundários passaram a ter maior protagonismo. Eles abandonaram a função de apoio narrativo e agora contribuem para um universo mais amplo, trazendo seus problemas pessoais para a trama, causando um maior envolvimento do público. Os acontecimentos da personagem Yuri Han (Gia Kim) que ganharam grande desenvolvimento na trama, se tornou um núcleo importante dessa terceira temporada.
 
Outro destaque é o aprofundamento das questões de identidade. A vivência da protagonista em um contexto cultural diferente ganha mais espaço, trazendo reflexões sobre pertencimento e construção pessoal. Esse aspecto amplia o alcance da série, que passa a dialogar com experiências comuns entre jovens.
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
 
O retorno de Lara Jean, interpretada por Lana Condor, reforça esse debate. Vinda do universo de “Para Todos os Garotos que Já Amei”, da autora Jenny Han, a personagem representa uma visão mais idealizada do amor, em contraste com as experiências mais instáveis vividas por Kitty. A comparação entre as duas evidencia que não existe um único modelo de relacionamento, o amor pode assumir diferentes formas, dependendo das experiências individuais.
 
Outro ponto crucial desta temporada foi um novo ponto de vista de romance vivido pela Lara Jean, no qual passa por um período instável em seu relacionamento, deixando claro que mesmo o amor idealizado tem seus problemas. 

Nos episódios finais, a série assume um tom mais reflexivo. As decisões tomadas ao longo da trama geram consequências, exigindo maior maturidade da protagonista. Ao evitar finais perfeitos, a produção valoriza o desenvolvimento pessoal em vez da resolução romântica.

O desenvolvimento amoroso de Kitty ganha maior evolução ao se aproximar de Min Ho (Sang Heon Lee), em uma relação que surge de forma gradual e menos idealizada, marcada por trocas sinceras. Diferente de suas experiências anteriores, o vínculo entre os dois se constrói a partir da convivência e da vulnerabilidade, evidenciando um sentimento mais realista e menos impulsivo, que foi sendo desenvolvido desde a primeira temporada.
 
A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty” equilibra entretenimento e aprofundamento narrativo. Mesmo mantendo elementos leves, a série demonstra evolução ao abordar temas mais complexos e próximos da realidade do telespectador, consolidando sua identidade própria e acompanhando o amadurecimento do público.
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

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Museu da Imagem e do Som realiza novo evento literário que valoriza a diversidade e qualidade editorial brasileira, explorando publicações para ver, ouvir e ler
por
Carolina Machado
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15/04/2026 - 12h

No último final de semana, nos dias 11 e 12 de abril, ocorreu a primeira edição da Feira do Livro do MIS (FLIMIS) no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Em parceria com a editora Lote 42, a FLIMIS teve como objetivo agregar exposições literárias e práticas criativas, inteiramente gratuitas, que remetem ao exercício de ouvir, falar e observar.

Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT

A feira buscou reunir publicações de 75 expositores que exploram diferentes linguagens artísticas, especialmente aquelas vinculadas à imagem e ao som: fotografia, cinema, ilustração, quadrinhos, música e poesia.

Pedro Augusto, de 30 anos, representou a Anansi Lab, um laboratório de letramento racial transmídia independente, fundado em 2018. A oficina produz e compartilha narrativas subalternizadas por meio de publicações, palestras, bate-papos e rodas de samba. Entre os produtos, o expositor conta com uma revista trimestral de divulgação científica e cultural antirracista chamada Sikudhani, publicada a cada três meses. “Nosso trabalho recolhe materiais, os organiza e os publica como forma de reocupação do espaço tomado pelo colonialismo e imperialismo que nos domina até hoje”, relata Pedro.

Sobre a primeira edição da FLIMIS, o representante da Anansi Lab diz ter interesse em voltar às próximas edições. “Essas feiras são uma ótima oportunidade para encontrarmos novos leitores, artistas e, sobretudo, trocar ideias”, conclui.

Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT

As produções impressas presentes representavam a diversidade editorial brasileira tanto pela construção literária quanto pelas técnicas gráficas utilizadas, como gravura e xilogravura. Os dois dias de evento contaram com uma oficina de carimbos que pôde aproximar o público de técnicas gráficas presentes nas publicações, exercitando o processo criativo e a composição artística.

A feira promoveu também 14 palestras relacionadas a produções específicas do catálogo das editoras e dos artistas participantes. A programação de falas era focada em uma única publicação, visando expandir a experiência de leitura e aproximar o público das obras. Os autores compartilharam bastidores, experiências e outros aspectos dos múltiplos caminhos que a arte impressa pode seguir, como a edição e a produção gráfica.

Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora Foto: Carolina Machado/AGEMT
Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora. Foto: Carolina Machado/AGEMT

 

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Filme e relato de refugiadas presentes na sessão, ajudam a entender o conflito entre Irã e Israel
por
Maria Olívia Almeida
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15/04/2026 - 12h

No dia 26 de março de 2026, a Folha, em parceria com o Cinema Belas Artes, realizou a pré-estreia do filme “Tatame” de 2023. Com um debate após a sessão, o público discutiu o alcance da política iraniana na vida da população, tema proposto pelo filme.

A obra aborda a jornada de uma lutadora de Judô iraniana, Leila Hosseini (Arienne Mandi), impedida de lutar contra uma atleta israelense. A judoca e sua treinadora Maryam (Zar Amir Ebrahimi) são ameaçadas pelo comitê esportivo de seu país e pressionadas a fingir uma lesão em Leila para que ela saia do Campeonato Mundial de Judô, evitando a luta.

Na imagem em preto e branco está Maryam (Zar Amir) de pé à esquerda, usando um quimono preto e um hijab cinza. Na direita está Leila Hosseine (Arienne Mandi), de quimono branco e hijab preto. Ambas as mulheres olham para a frente com feições sérias.
Zar Amir Ebrahimi e Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Reprodução

 

Dirigido pela iraniana Zar Amir Ebrahimi, que também interpreta Maryam, e pelo israelense Guy Nattiv, o filme desconstrói a barreira político ideológica entre iranianos e israelenses representando de forma breve a amizade entre Leila e Shani, lutadora que atua em nome de Israel. Assim, os diretores optaram por uma ênfase na opressão realizada pelo regime teocrático do Irã sobre o povo, em especial sobre as mulheres.

A obra parte de casos reais, como de Saeid Mollaei, lutador de judô nascido no Irã que hoje luta defendendo a Mongólia. O atleta mudou sua representação após ignorar ordens de deixar torneio para evitar enfrentar Israel, em 2019.

Esses conflitos se dão pelo regime iraniano não reconhecer Israel como país, tornando qualquer luta direta com uma representação israelense, por mais que esportiva, um desvio político. Assim, articulando a conjuntura geopolítica contemporânea com a ficção, o filme apresenta o dilema entre continuar lutando ou apoiar a posição de seu país.

Na imagem em preto e branco está Leila Hosseine (Arienne Mandi) ajoelhada no meio de um tatame. Ela usa um quimono branco e seus cabelos estão trançados e a mostra.
Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Juda Khatiapsuturi/Keshet Studio

 

Após a exibição da obra no dia 26 de março, o debate contou com a participação do jornalista Sandro Macedo e da pesquisadora Isabelle Castro, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). Além dos convidados, a plateia integrou de forma ativa a discussão.

No encontro, estavam presentes as ativistas e refugiadas políticas iranianas Mahmooni e sua irmã, Mahsima Nadim, que trouxeram para o evento uma perspectiva pessoal da vida em meio ao regime autoritário representado.

Apesar de “Tatame” ser gravado em preto e branco, a discussão destacou a importância de se considerar todos os muitos subtons do conflito. "Parece uma coisa gratuita, e não é", criticou Castro sobre o filme, que considerou carregado de um tom simplista. Isabelle ainda abordou em seguida como o Irã, após a revolução de 1979, passou a considerar Israel inimigo em função da guerra na Palestina.

Além dessas falas, Mahsima relatou: "desde criança a gente aprende que qualquer pessoa que apertar a mão de um judeu vai ficar impuro por 40 dias". Acrescentando ao cenário o teor ideológico antissemita perpetuado.

Dessa maneira, o filme provoca uma reflexão sobre as implicações de decisões políticas em todo aspecto da vida, representando a instrumentalização do esporte na imposição de uma agenda geopolítica. Um tatame de competição, aparentemente neutro, se torna um cenário de conflito pessoal e social.

 

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Após 13 anos, a banda carioca subirá aos palcos revisitando os grandes sucessos da carreira
por
Beatriz Neves
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14/04/2026 - 12h

Neste domingo (12), Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato anunciaram a turnê “Eu tive um sonho”, que conta com dez shows passando pelas principais capitais do Brasil, iniciando no Rio de Janeiro, em junho, e encerrando em Florianópolis, em outubro. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Ticketmaster.

O fim do hiato 

O Kid Abelha foi criado na década de 80 e atingiu o auge dez anos depois, acumulando  mais de 9 milhões de discos vendidos no Brasil. A canção “Como eu quero”, que faz parte do álbum de estreia da banda “Seu espião”, tornou-se um grande sucesso nacional e um dos maiores hits do pop rock brasileiro nos anos oitenta. Ao longo das décadas seguintes, o grupo permaneceu ativo nos palcos e nas rádios, mantendo sua importância no cenário da música até que o ciclo da banda chegasse ao seu desfecho.

Em abril de 2016, o Kid Abelha anunciou oficialmente o término de uma trajetória de mais de 30 anos. Após um recesso iniciado em 2013, o trio encerrou as atividades de maneira definitiva. Na ocasião, Paula Toller explicou que a separação foi fruto de um desgaste natural e do desejo de seguir novos rumos.

O que esperar da turnê

O repertório indica ser uma viagem ao passado, com arranjos que mantêm a identidade do rock popular que marcou gerações e trazem sucessos como “fixação”, “Lágrimas e Chuva” e “Alice”. Com apenas dez apresentações exclusivas, o concerto percorrerá arenas e grandes casas de shows, oferecendo uma produção visual contemporânea que destaca o reencontro após mais de dez anos de espera.

Imagem de divulgação da turnê
Divulgação da turnê - Foto: Reprodução: (@kidabelha)

 

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Série sobre o romance de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette combina estética fiel e trilha sonora marcante, reacendendo o debate sobre privacidade
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Livia Vilela
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08/04/2026 - 12h

A série Love Story (2026), criada por Connor Hines e produzida pelo controverso e consagrado Ryan Murphy, rapidamente se consolidou como um fenômeno do streaming ao revisitar o relacionamento entre John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette. Protagonizada por Paul Anthony Kelly e Sarah Pidgeon, a série chegou ao fim no dia 27 de março, com o lançamento do episódio final. Mais do que um drama romântico, a série se constrói como um retrato controverso da vida pública, explorando o amor entre duas figuras icônicas enquanto evidencia o peso da exposição constante que moldou suas trajetórias.


Antes de chegar às telas, a história de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette já era amplamente conhecida. Filho do ex-presidente John F. Kennedy, assassinado em 1963, JFK Jr. cresceu sob intensa exposição midiática, impulsionada sobretudo pela visibilidade da sua família. Formado em Direito, atuou como advogado, fundou a revista George e foi declarado o homem mais sexy do mundo pela revista People em 1988. Já Carolyn, publicitária da Calvin Klein, nunca foi uma figura pública e tornou-se um ícone de estilo dos anos 1990 por sua estética minimalista e discrição. Os dois morreram tragicamente em 1999, em um acidente de avião no litoral de Massachusetts, no qual também morreu a irmã de Carolyn, Lauren Bessette.

cartaz love story
Cartaz da série Love Story de 2026
Foto: Divulgação/Instagram @lovestoryfx


Um dos maiores méritos da série está na forma como ela evidencia a espetacularização da intimidade. A narrativa acompanha uma mulher anônima que, ao se envolver com um homem que sempre teve uma vida pública, passa a lidar com uma exposição que antes não fazia parte de sua realidade. A série acerta ao mostrar como a fama não apenas acompanha, mas atravessa e redefine as relações pessoais.


A trilha sonora é um destaque por si só justamente por sua precisão histórica e sensorial. Ao apostar em hits marcantes dos anos 1990  (período em que a história se passa), como “It Ain’t Over ’Til It’s Over”, de Lenny Kravitz, e “Linger”, do The Cranberries, a série não apenas ambienta, mas transporta o espectador para a época.A música funciona como um elo direto com a narrativa, ajudando a construir uma sensação de imersão e familiaridade. 


Sob a curadoria de Jen Malone, responsável pela trilha, essa seleção reforça o tom nostálgico da série e insere o público de forma orgânica em um imaginário afetivo dos anos 90. Em entrevista à Vogue, ela afirma: “Eu recorri à minha própria playlist de músicas dos anos 90 que amo e fui organizando cada uma em seu respectivo ano. Nova York, para mim, é quase um personagem da história. Dizemos muito isso na TV: que a música é um personagem. Mas em obras de época ela realmente se torna um personagem, porque ajuda a transportar o espectador para dentro da história.”

imagem divulgação love story
Paul Anthony Kelly como JFK Jr. em Love Story
Foto: Divulgação/Instagram @lovestoryfx


A cinematografia e a caracterização também são um ponto forte. A estética é cuidadosamente elaborada, com enquadramentos elegantes e uma paleta que remete ao glamour dos anos 1990. Ao mesmo tempo, carrega uma certa frieza que reflete o distanciamento emocional provocado pela exposição midiática. Já a caracterização dos personagens é precisa, contribuindo para a imersão e para a construção de figuras complexas. 


Curiosamente, as escolhas da produção não foram bem recebidas de início: quando as primeiras imagens de Sarah Pidgeon como Carolyn Bessette foram divulgadas, parte do público reagiu negativamente, criticando especialmente o tom do cabelo e apontando que o visual não imprimia o estilo icônico de Carolyn. As mudanças vieram na sequência, com o ajuste no tom de loiro da atriz e a escolha de peças mais sofisticadas e verossímeis com os anos 1990 para o guarda-roupa da personagem. Uma reação que antecipa a própria tensão central da série sobre imagem, memória e expectativa.

imagem divulgação love story
Sarah Pidgeon e Paul Anthony Kelly como Carolyn Bessette e JFK Jr. em Love Story
Foto: Divulgação/Instagram @lovestoryfx

 


No entanto, é justamente nesse ponto que a série abre espaço para um contraponto importante. Jack Schlossberg, sobrinho de John F. Kennedy Jr., criticou duramente a produção, dizendo que se trata de um “espetáculo grotesco” que transforma uma história pessoal e trágica em entretenimento sensacionalista. Sua reação evidencia um incômodo central: ao mesmo tempo em que denuncia a invasão de privacidade sofrida pelo casal, Love Story inevitavelmente reproduz essa lógica ao recontar e dramatizar momentos íntimos, muitos deles atravessados por dor e perda.


Assim, a série se coloca em uma posição ambígua. Ela critica a cultura que consome vidas privadas como espetáculo, mas também depende dela para existir e engajar o público. Essa contradição talvez seja um dos aspectos mais interessantes da obra, pois amplia a discussão para além da narrativa e a insere no próprio funcionamento da indústria do entretenimento.


No fim, Love Story é uma série extremamente envolvente e, em muitos momentos, até divertida, graças ao seu ritmo, estética e apelo emocional. Mas, para além do entretenimento, ela também convida à reflexão. Ao revisitar a vida de figuras públicas, a produção nos faz pensar sobre os limites entre o público e o privado. E, sobretudo, sobre o que significa, de fato, ter uma vida pública em uma cultura que transforma intimidade em espetáculo. A série deixa, então, uma pergunta incômoda: até que ponto vale abrir mão da própria privacidade em nome do amor e o que sobra de uma relação quando tudo nela se confunde com a vida pública?

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As equipes americanas disputam para ter uma chance contra a FURIA na Final do America Cup.
por
Thomas Fernandez
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17/03/2026 - 12h

As semifinais e final do Americas Cup 2026 foram no último fim de semana ( dia 7 e 8), com muitas expectativas. No sábado teve o embate entre Cloud9 e Sentinels, o vencedor definiu quem enfrenta a FURIA que já estava qualificada para a final. 

Cloud9 x Sentinels

O confronto entre os times estrangeiros no Americas Cup, levaria um dos times para a final e a possível revanche contra a FURIA. Logo no primeiro jogo, já ficou claro quem seria o vencedor do confronto, o desempenho da Cloud9 se mostrou mais dominante do que o da Sentinels.

Palco da partida entre Cloud9 e Sentinels - Foto: Thomas Fernandez
Palco da partida entre Cloud9 e Sentinels - Foto: Thomas Fernandez/Agemt

Apesar de demonstrar dominância durante as partidas, teve alguns momentos que a Cloud9 cometeu pequenos erros, o que custou 1 dos jogos da partida, o resultado final foi 3 x 1. Era possível ver que o time da Sentinels estava sem coordenação e que os jogadores cometeram múltiplos erros durante as partidas. O destaque nessa disputa foi o APA, mid-laner da Cloud9, com jogadas e performance que levou o time para a vitória. O time da Cloud9 ganhou a chance de revanche contra a FURIA no domingo (8).

FURIA x Cloud9

A final do Americas Cup 2026, foi uma final com muitas expectativas, FURIA, o time da casa, que teve um desempenho emblemático durante a copa inteira; e a Cloud9,  considerada um dos melhores times do torneio, que possivelmente, seria o campeão.

Depois dos primeiros 15 minutos do primeiro jogo, a FURIA mostrava a dominância que teve em todas as partidas durante o campeonato, ganhando em todos aspectos do jogo, tirando todas as possíveis vantagens que a Cloud9 tentou criar. Apesar de lutas que a Cloud9 ganhou, o time da FURIA conseguiu vencer o primeiro jogo.

Torcida durante o último jogo da final da America Cup - Foto: Thomas Fernandez
Torcida durante o último jogo da final da America Cup - Foto: Thomas Fernandez/Agemt

No segundo jogo, foi possível ver uma queda na performance no time americano, enquanto o time brasileiro demonstrava cada vez mais, que eles querem se tornar os campeões. Depois de pouco tempo, a vantagem que a FURIA tinha no jogo, garantiu a segunda vitória para o time. O terceiro jogo começou com escolhas muito inusitadas do time da FURIA na escolha dos campeões no draft, Zaheen como caçador e Sion como atirador, que deixou todos os espectadores espantados e com a impressão que a FURIA estava confiante demais.

Apesar de um início de partida com uma presença maior da Cloud9, o plano da FURIA, começou a tomar forma, com campeões que ficam mais forte com o passar do tempo da partida, a vitória se tornou cada vez mais uma realidade para o time brasileiro. No final, essa estratégia inusitada deu certo e a FURIA se tornou a vencedora da partida e os campeões do America Cup.

 

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Buckley ficou com o prêmio de 'melhor atriz' na edição de 2026 por sua atuação no filme “Hamnet”
por
Anna Sofia Carsughi
Luiza Passos
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16/03/2026 - 12h

No último domingo (15), aconteceu em Los Angeles a 98ª edição do Oscar, evento que marca a principal e mais aguardada premiação mundial do cinema.

Na edição deste ano, Jessie Buckley levou o prêmio de melhor atriz por sua performance em “Hamnet: a vida antes de Hamlet”, uma adaptação do romance histórico de Maggie O’Farrell, dirigida por Chloé Zhao. Apesar de já ter sido indicada em 2022 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme “A Filha Perdida”, adaptado do livro homônimo de Elena Ferrante por Maggie Gyllenhaal, a primeira estatueta da atriz veio neste ano.

Em sua categoria, concorriam Emma Stone por “Bugonia”; Rose Byrne por “Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria”; Renate Reinsve em “Valor Sentimental” e Kate Hudson por "Song Sung Blue.”

O resultado da atriz irlandesa não foi nenhuma surpresa, já que durante a temporada de premiações ela foi apontada como a grande favorita. Buckley também conquistou prêmios importantes como Globo de Ouro, Bafta, Critics Choice Awards e o The Actor Awards - o que deu indicações sobre a sua vitória na cerimônia de domingo. 

Jessie Buckley sorri enquanto segura uma estatueta do Oscar em um evento formal. Ela usa um vestido elegante com parte superior vermelha tomara que caia e saia rosa clara, além de brincos e colar delicados. Ao fundo, há outras pessoas bem vestidas e luzes de bastidores, criando um clima de premiação e celebração.
Jessie Buckley com o prêmio do Oscar 2026.
Divulgação/Instagram @theacademy

No longa, Jessie Buckley interpreta Agnes, uma mãe que enfrenta o luto, após a morte do filho Hamnet, aos 11 anos. Contracenando com Paul Mescal, que vive William Shakespeare, a atriz entrega uma atuação sensível e intensa desde o início da obra. A narrativa apresenta elementos que fazem do filme, uma verdadeira representação de como a arte pode curar feridas e ampliar amores. Agnes, que acredita ser de uma família mística, carrega consigo uma magia deixada por sua mãe ao falecer. Essa força vital da personagem orienta a sensibilidade presente no filme, principalmente a partir da perda do filho. Tal acontecimento também se torna o motivo por trás da suposta criação da obra “Hamlet” de William Shakespeare, que encontra na arte uma forma de “imortalizar" seu filho.

Ao receber o prêmio por sua atuação, Buckley dedicou a estatueta à maternidade, celebrando o Dia das Mães do Reino Unido. "Gostaria de dedicar este prêmio ao belo caos do coração de uma mãe. Todas nós descendemos de uma linhagem de mulheres que continuam a criar contra todas as probabilidades", afirmou. O discurso dela homenageia não só as mães do mundo inteiro, mas faz uma saudação indireta à sua própria personagem e à força que essa função exige. 

Cena do filme Hamnet: Agnes, personagem central da história, aparece sentada diante de uma multidão, com as mãos entrelaçadas perto do rosto e expressão apreensiva. Ela usa um vestido vermelho simples, enquanto pessoas ao seu redor vestem roupas de época e observam em silêncio, criando um clima de tensão.
Jessie Buckley em cena final do filme “Hamnet” Foto: Divulgação/Universal

Quem é Jessie Buckley?

Nascida em Killarney, na Irlanda, a atriz de 36 anos começou sua carreira no meio artístico muito antes de aparecer nas telonas de Hollywood. Aos 17 anos, em 2008, Jessie participou do programa musical “I'd Do Anything”, para concorrer ao papel de Nancy no musical “Oliver!” no teatro West End de Londres e ficou em segundo lugar.

Apesar de não ter conseguido o papel, a experiência abriu portas para novos projetos e consolidou seu interesse pela atuação. Dez anos depois, em 2018, ela começou a ser reconhecida por seu trabalho em “As Loucuras de Rose”, sendo indicada ao prêmio BAFTA.

Nos anos seguintes, Buckley participou de produções de destaque no cinema e na televisão, incluindo papéis em filmes como “Estou Pensando em Acabar com Tudo” e na série “Chernobyl”, ampliando sua visibilidade na indústria.

Recentemente, Jessie estreou nos cinemas com o filme “A Noiva!”, ao lado de Christian Bale, sua segunda colaboração com a diretora Maggie Gyllenhaal. Na obra, que é uma releitura de “Frankenstein”, ela interpreta uma noiva que é assassinada e, com ajuda de um cientista, volta à vida. 

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O filme faz história na premiação com Wagner Moura, primeiro brasileiro indicado ao prêmio de Melhor Ator
por
Juliana Hochman
Gustavo Tonini
Annik Borges
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13/03/2026 - 12h
Wagner Moura em "O Agente Secreto"  • Divulgação/Victor Jucá.
Wagner Moura em "O Agente Secreto"  • Divulgação/Victor Jucá.

Logo após o sucesso internacional de Ainda Estou Aqui, o cinema brasileiro produziu mais um destaque mundial. O filme Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, conseguiu a segunda indicação consecutiva do Brasil no prêmio de melhor filme no Oscar, a 16° indicação na premiação para o país,

O filme é ambientado no Recife dos anos 1970, durante a ditadura militar brasileira. A narrativa acompanha Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário, que volta à sua cidade natal após anos de perseguição que são explicados ao longo da trama.

 

Agente Secreto nas premiações

O filme trilhou um caminho de sucesso durante a temporada de lançamento no Festival de Cannes, um dos mais prestigiados do cinema mundial, superando o Oscar em relevância artística.

Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido e Gabriel Leone no festival de Cannes, 2025. Foto: Reprodução/Kacy Bao.
Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido e Gabriel Leone no festival de Cannes, 2025. Foto: Reprodução/Kacy Bao.


No evento, a obra recebeu os prêmios de melhor direção para Kleber Mendonça Filho e melhor ator para Wagner Moura, além de dois prêmios independentes: Prêmio “Art et Essai”, concedido pela AFCAE (Associação Francesa de cinema d’ Art et d’Essai) e o prêmio FIPRESCI (Federação Nacional de Críticos de Cinema), sendo o segundo filme brasileiro a ganhá-lo, depois de Ainda Estou Aqui.

Continuando com o reconhecimento internacional, o longa e metragem recebeu da New York Film Critics Circle Awards o prêmio de Melhor Ator e Melhor Filme Internacional, também sendo premiado no Critic Choice Awards e no Independent Spirit Award, ambos como melhor filme internacional. Além disso, o filme foi destaque no Globo de Ouro, ao receber os prêmios de Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Ator (Drama) para Wagner Moura.

O discurso de Mendonça para o Globo de Ouro foi carregado de orgulho, do trabalho que foi feito: “Obrigado, Neon. Obrigado ao Festival de Cannes. Obrigado a Vitrine Filmes que fez 'O Agente Secreto' se tornar um sucesso de bilheteria não muito comum lá no Brasil. Quero agradecer nossa equipe e ao incrível elenco do filme. Essa é apenas uma pequena parte dessa incrível equipe ", enfatizou em seu discurso. 

O filme já acumulou 76 vitórias. No próximo dia 15 de março, a obra concorre ao Oscar em 4 categorias: melhor filme, melhor filme internacional, melhor elenco e melhor ator com Wagner Moura.

 

Sobre o diretor

O  pernambucano Kleber Mendonça Filho iniciou sua jornada no mundo cinematográfico dirigindo curtas no começo dos anos 2000, em sua maioria dramas. Seu primeiro longa-metragem foi o documentário Crítico (2008), que não obteve grande sucesso, comercial ou  de crítica. O diretor começou a ganhar notoriedade internacional com o drama O Som Ao Redor (2012), selecionado pelo renomado crítico A. O. Scott, do The New York Times, como um dos melhores filmes do mundo em 2012. Também  foi o escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2014, como Melhor Filme Estrangeiro.

O sucesso foi adquirido com o filme Aquarius (2016), que foi ovacionado após a sua exibição no Festival de Cannes, além de conseguir o prêmio World Cinema Amsterdam. Ele ainda dirigiu Bacurau (2019), outro filme brasileiro de grande reconhecimento em Cannes, no qual chegou a ser indicado ao prêmio máximo da noite, o Palma de Ouro, e ganhou o prêmio do júri. 

 

Trajetória de Wagner Moura 

Nascido em Salvador, Bahia, Wagner Moura é formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia e percebeu seu talento para as artes cênicas no início dos anos 90. O ator deixou de lado a carreira jornalística para seguir o sonho de atuar, sua primeira participação sendo em “Woman on top”(2001), depois atuando em duas grandes produções cinematográficas brasileiras, Abril despedaçado (2001), de Walter Salles, e Carandiru (2003) de Hector Babenco. 

Além de se destacar na televisão com Sexo Frágil, JK  e Paraíso Tropical, ele ambém consolidou sua carreira atrás das câmeras, quando dirigiu o filme Marighella, que venceu oito categorias no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

Em 2007, ao dar vida ao Capitão Nascimento em Tropa de Elite, Wagner Moura alcançou não somente reconhecimento brasileiro, como alcançou repercussão internacional. Com grande visibilidade após o papel, participou de produções de Hollywood, como Elysium, ao lado de Matt Damon e Jodie Foster, e, dois anos depois, participou da série de netflix Narcos, no papel de Pablo Escobar, lhe rendendo, em 2016, indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Série de Drama.

Desde seu sucesso internacional, Moura segue em expansão, participando de vários sucessos, como as séries As Iluminadas (2022), Sr e Sra Smith (2024) e Ladrões de Drogas e o filme Guerra Civil (2025) .

Moura foi indicado ao Oscar deste ano, na categoria de Melhor Ator, com o filme "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, se tornando o primeiro brasileiro a concorrer.

 

No dia 15 de março, a premiação será televisionada pela TV Globo, logo após a programação do Fantástico.

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Último álbum do cantor, "Debí Tirar Más Fotos", mistura ritmo clássico porto-riquenho com manifestações políticas
por
Davi Madi
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12/03/2026 - 12h

 

Com o lançamento de seu último disco, “Debí Tirar Más Fotos”, vencedor do Grammy de Melhor Álbum do Ano em 2026, em janeiro do ano passado, o rapper Benito Martinez, mais conhecido como Bad Bunny, se tornou referência mundial na luta política contra a violência aos imigrantes nos EUA e a gentrificação na América Latina.

O disco, que mistura reggaeton com estilo clássico de salsa porto-riquenho, sua terra natal, é repleto de referências à cultura e à história de seu país, assim como à luta que o povo latino americano passa para defender a permanência em seu território e valorização de seu modo de vida. No entanto, a presença do cantor em manifestações políticas não é de agora. 

Bad Bunny sempre foi enfático em seu amor por Porto Rico e seus ideais de defesa do próprio povo, contrário aos processos políticos promovidos pelo governo de Donald Trump, que enrijeceram as políticas imigratórias nos EUA, país que ultrapassa os 68 milhões de imigrantes latino americanos em seu território. As manifestações do cantor o colocaram em conflito contra o governo estadunidense, principalmente após seus discursos durante a premiação do Grammy deste ano.

Bad Bunny em seu discurso de agradecimento após vencer o Grammy de Melhor Álbum de Música Urbana, em 2026, com seu disco "Debí Tirar Más Fotos"
Bad Bunny venceu Grammy de Álbum do Ano em 2026 por “Debí Tirar Más Fotos”, primeiro disco inteiro em espanhol a levar a categoria - Reprodução: Youtube: GRAMMYs

Graças ao sucesso de seu último disco, Bad Bunny foi anunciado como atração principal do Show do Intervalo do SuperBowl, tradicional palco de grande audiência da TV estadunidense. Após a performance, o presidente Donald Trump se manifestou em suas redes sociais criticando o evento protagonizado pelo cantor. “Um dos piores shows de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América”, afirmou. Em seguida, disparou: “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante”.

Mesmo incisivo em seus discursos, o espaço que Benito melhor aproveita para se expressar politicamente é em suas músicas. Em seu álbum mais recente, o cantor dedica a temática ao amor por sua nação e remarca a importância da luta contra o apagamento histórico de Porto Rico.

A segunda canção com mais reproduções do disco nas plataformas digitais, “Baile Inolvidable”, traz ao ritmo instrumentos clássicos da salsa porto-riquenha, como conga, trompete e saxofone, com o intuito de resgatar os ritmos clássicos da ilha. O refrão, cantado no mesmo gênero, pode ser interpretado como uma declaração de amor à cultura de Porto Rico e à importância dela na vida de Benito, que rima “Não, não posso te esquecer. Não, não posso te apagar. Você me ensinou a amar. Você me ensinou a dançar”.

Outra canção repleta de simbolismos históricos é “Lo Que Le Pasó a Hawaii”. Benito, através de um ritmo lento e melódico, fala sobre o medo que o apagamento das tradições porto-riquenhas causa nos moradores da ilha. Em comparação com a história do Havaí, que se tornou território anexado pelos EUA em 1898, Bad Bunny usa do refrão para reforçar a importância da luta do povo em manter sua cultura viva: “Não soltem a bandeira nem esqueçam do lelolai (canto tradicional folclórico de Porto Rico), porque não quero que façam contigo o que aconteceu com o Havai”.

Bad Bunny em videoclipe de sua música "Nuevayol", no topo da Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, com uma bandeira de Porto Rico hasteada sobre o monumento.
Bad Bunny em clipe de “Nuevayol” - Reprodução: Youtube: Bad Bunny

A mesma influência política ocorre na última canção do álbum, “La Mudanza”, em que Bad Bunny trás destaque à história da própria vida, recitando nos primeiros versos como seus pais se conheceram e o criaram. A canção é dedicada ao orgulho de Benito por ter nascido em Porto Rico, e como tem direito de viver neste território, apesar das restritas políticas de permanência do povo latino em território estadunidense. No poderoso trecho final, Bad Bunny encerra o disco com ritmo de salsa intenso e cantando: “Daqui ninguém me tira, daqui eu não me movo. Digam que está é a minha casa, onde nasceu meu avô. Eu sou de Porto Rico, porra”.

Apesar da ascensão do cantor aos holofotes no último ano, graças a suas críticas e pautas presentes em “Debí Tirar Más Fotos”, suas manifestações também estiveram presentes em outras de suas obras. Em “Un Verano Sin Ti”, álbum de reggaeton e rap lançado em 2022, Benito aproveitou seu espaço para satirizar a forma como a cultura latina, subjetivizada historicamente pelos EUA, se tornaria um estilo de desejo. Na canção “El Apagón”, o cantor rima  “Agora todos querem ser latinos, mas lhes falta tempero, bateria e reggaeton”. 

A música também carrega críticas ao governo e infraestrutura de Porto Rico, que sofre de constantes quedas de energia desde o impacto do furacão Maria, em 2017. Ao longo da faixa, Bad Bunny rima: “Maldito seja, outro apagão. Porto Rico é do caralho”, em tom de ironia. Desde o ocorrido, que deixou a ilha em apagão durante semanas, o sistema elétrico foi entregue à empresa privada “Luma Energy”, em 2021. No entanto, as reclamações dos porto-riquenhos se mantiveram, com outras ocorrências de falta de energia, que chegam a durar meses.

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Exposição resgata a importância política do psiquiatra e propõe a imaginação como ferramenta radical de mudança do mundo.
por
Amanda Tescari
|
12/03/2026 - 12h

O Museu das Favelas sedia a exposição “Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, desde novembro de 2025. A mostra, que tem entrada gratuita, comemora o centenário do médico, psiquiatra, intelectual e ativista que marcou o século XX como pensador de temas como raça, colonialismo e subjetividade. A exibição também comemora o aniversário de três anos do museu, e fez parte da programação do mês da consciência negra. 

Com direção artística e curadoria de Thais de Menezes e curadoria institucional de Jairo Malta, a exposição tem como fio condutor a influência do pensamento de Fanon. São 130 obras que propõem um diálogo entre o legado do psiquiatra e a arte contemporânea Elas  abordam temas como identidade, luta política, memória coletiva e construção de futuro a partir das experiências periféricas e das diásporas negras.  

A exposição é dividida em 4 eixos temáticos: identidade, corpo, território e sonho, e convida o público a refletir sobre a imaginação como prática radical de transformação da realidade. Para Fanon, os povos historicamente marginalizados precisam assumir a própria narrativa como forma de recuperar sua humanidade e dignidade. 

 

Exposição “Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon”. Foto: Amanda Tescari/AGEMT
Exposição “Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon”. Foto: Amanda Tescari/AGEMT

 

Os 40 artistas convidados são provenientes de territórios diversos, como Brasil, Colômbia, Argélia, Angola, Bolívia e Venezuela, e abarca nomes como Albarte, Ana Paula Sirino, Nenesurreal, Espejismo, Génova Alvarado e Samu Artes. Essa articulação do Museu das Favelas com outras instituições culturais estrangeiras marca o início de um processo de internacionalização do Museu.

A exposição fica aberta até 24 de maio de 2026, de terça a domingo, das 10h às 17h, no Museu das Favelas, localizado no Largo Páteo do Colégio, 148, Centro Histórico de São Paulo. A entrada é gratuita mediante retirada antecipada dos ingressos pelo aplicativo Sympla ou na recepção do museu.

 

Exposição “Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon”. Foto: Amanda Tescari/AGEMT
Exposição “Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon”. Foto: Amanda Tescari/AGEMT

 

 

 

Exposição “Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon”. Foto: Amanda Tescari/AGEMT
Exposição “Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon”. Foto: Amanda Tescari/AGEMT

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Quem foi Frantz Fanon

Frantz Omar Fanon foi um psiquiatra e filósofo das Antilhas Francesas, que exerceu expressiva influência dos estudos pós-coloniais e em temas como raça, subjetividade e a psique humana. O médico nasceu em 20 de julho de 1925 na Martinica, território caribenho sob colonização francesa à época. Filho de Eléanore Médélice e Casimir Fanon, que ocupava um cargo na administração da ilha, Frantz estudou no colégio Lycée Schoelcher, onde teve aulas com intelectuais como Aimé Césaire, e teve contato com estudos sobre o movimento negro e o marxismo anticolonial.

 

Psiquiatra, escritor e militante anticolonial Frantz Fanon. Foto: Arquivo Frantz Fanon/Divulgação
Psiquiatra, escritor e militante anticolonial Frantz Fanon. Foto: Arquivo Frantz Fanon/Divulgação

 

Aos 20 anos, Fanon alistou-se ao exército francês para combater o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, onde foi profundamente marcado por experiências discriminatórias no front, e constatou que, para os franceses, ele não era um cidadão, mas sim “um negro". Ferido em combate, retorna a sua terra natal como veterano de guerra. 

Iniciou estudos de odontologia em Paris, mas abandonou devido ao racismo vivido. Passou, então, a estudar medicina psiquiátrica em Lyon, onde entrou em contato com o pensamento de intelectuais como Marx, Hegel, Lacan, Sartre e Simone de Beauvoir. Seu trabalho de conclusão do curso, “Ensaio sobre a dimensão do negro”, e rejeitado por ser considerado inapropriado e, posteriormente, publicado independentemente como “Pele Negra, Máscaras Brancas”, um dos estudos mais relevantes sobre a operação e as consequências do racismo. 

Em 1953, iniciou a residência médica com o psiquiatra François Tosquelles, e escreveu diversos artigos sobre humanização do cuidado em saúde mental. Tornou-se chefe do hospital psiquiátrico de Blida-Joinville, na Argélia, onde continuou praticando uma psiquiatria descolonizante e humanizada. 

Com o aumento da repressão francesa à revolucionários, Fanon passa a ser perseguido, e é obrigado a desligar-se do hospital onde trabalhava. Mudou-se para a Tunísia com a sua família, onde engaja na Revolução Argelina, atuando como psiquiatra e colunista anônimo do jornal El Moudjahid, órgão da Frente de Libertação Nacional.

Ele participou ativamente de fóruns pan-africanistas e atuou como embaixador do governo provisório da República da Argélia para os países da África Subsaariana, como tentativa de articular uma resposta continental unificada ao colonialismo. Seguiu atuando na psiquiatria até descobrir uma leucemia, aos 36 anos, quando decidiu pausar sua carreira para escrever sua última obra, “Os Condenados da Terra" (1961). Fanon morreu em 1961, nos Estados Unidos, um ano antes da Argélia consolidar seu processo de independência da França. 

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