Temporada amplia debates sobre identidade juvenil
por
Gabriela Dias
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16/04/2026 - 12h

A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty”, produção da Netflix, marca uma mudança significativa na trajetória da série. Além de dar continuação a história de Kitty Song Covey (Anna Cathcart), os novos episódios mostram um amadurecimento evidente na narrativa, que passa a abordar com mais profundidade temas como identidade, pertencimento e crescimento emocional.

Diferente das temporadas anteriores, que priorizavam romances rápidos e conflitos mais leves, a nova fase aposta em um desenvolvimento mais cuidadoso dos personagens. A protagonista, por exemplo, deixa de ser movida apenas por idealizações amorosas e começa a enfrentar as consequências de suas escolhas, lidando com frustrações e inseguranças de forma mais realista.
 
Logo no início, a temporada apresenta um cenário de recomeço, mas sem apagar os erros do passado. A principal mudança está no andamento da narrativa: os conflitos não são resolvidos de forma imediata e passam a impactar diretamente as relações entre os personagens. Essa mudança de ritmo, mais lenta, contribui para um desenvolvimento emocional da protagonista, em que ela deixa de ser apenas uma jovem guiada por ideais românticos e passa a assumir decisões que exigem maior responsabilidade, o que torna a história mais próxima da realidade do público jovem.
 
Os relacionamentos continuam sendo o eixo central, mas ganham mais complexidade. A série abandona, em parte, a ideia de romances perfeitos e investe em vínculos mais instáveis, marcados por falhas de comunicação, expectativas diferentes e instabilidade. Ampliando a identificação do público, que passa a enxergar situações mais próximas do dia a dia.
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

Mesmo com esse avanço, a idealização do amor ainda aparece como um elemento importante. Kitty mantém, em diversos momentos, uma visão romantizada das relações, acreditando em sentimentos intensos e imediatos. No entanto, a própria narrativa questiona essa perspectiva ao mostrar que o amor também envolve dúvidas, erros e aprendizado algo que pode influenciar diretamente a forma como adolescentes enxergam seus próprios relacionamentos.
 
Ao mesmo tempo, os personagens secundários passaram a ter maior protagonismo. Eles abandonaram a função de apoio narrativo e agora contribuem para um universo mais amplo, trazendo seus problemas pessoais para a trama, causando um maior envolvimento do público. Os acontecimentos da personagem Yuri Han (Gia Kim) que ganharam grande desenvolvimento na trama, se tornou um núcleo importante dessa terceira temporada.
 
Outro destaque é o aprofundamento das questões de identidade. A vivência da protagonista em um contexto cultural diferente ganha mais espaço, trazendo reflexões sobre pertencimento e construção pessoal. Esse aspecto amplia o alcance da série, que passa a dialogar com experiências comuns entre jovens.
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
 
O retorno de Lara Jean, interpretada por Lana Condor, reforça esse debate. Vinda do universo de “Para Todos os Garotos que Já Amei”, da autora Jenny Han, a personagem representa uma visão mais idealizada do amor, em contraste com as experiências mais instáveis vividas por Kitty. A comparação entre as duas evidencia que não existe um único modelo de relacionamento, o amor pode assumir diferentes formas, dependendo das experiências individuais.
 
Outro ponto crucial desta temporada foi um novo ponto de vista de romance vivido pela Lara Jean, no qual passa por um período instável em seu relacionamento, deixando claro que mesmo o amor idealizado tem seus problemas. 

Nos episódios finais, a série assume um tom mais reflexivo. As decisões tomadas ao longo da trama geram consequências, exigindo maior maturidade da protagonista. Ao evitar finais perfeitos, a produção valoriza o desenvolvimento pessoal em vez da resolução romântica.

O desenvolvimento amoroso de Kitty ganha maior evolução ao se aproximar de Min Ho (Sang Heon Lee), em uma relação que surge de forma gradual e menos idealizada, marcada por trocas sinceras. Diferente de suas experiências anteriores, o vínculo entre os dois se constrói a partir da convivência e da vulnerabilidade, evidenciando um sentimento mais realista e menos impulsivo, que foi sendo desenvolvido desde a primeira temporada.
 
A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty” equilibra entretenimento e aprofundamento narrativo. Mesmo mantendo elementos leves, a série demonstra evolução ao abordar temas mais complexos e próximos da realidade do telespectador, consolidando sua identidade própria e acompanhando o amadurecimento do público.
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

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Museu da Imagem e do Som realiza novo evento literário que valoriza a diversidade e qualidade editorial brasileira, explorando publicações para ver, ouvir e ler
por
Carolina Machado
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15/04/2026 - 12h

No último final de semana, nos dias 11 e 12 de abril, ocorreu a primeira edição da Feira do Livro do MIS (FLIMIS) no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Em parceria com a editora Lote 42, a FLIMIS teve como objetivo agregar exposições literárias e práticas criativas, inteiramente gratuitas, que remetem ao exercício de ouvir, falar e observar.

Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT

A feira buscou reunir publicações de 75 expositores que exploram diferentes linguagens artísticas, especialmente aquelas vinculadas à imagem e ao som: fotografia, cinema, ilustração, quadrinhos, música e poesia.

Pedro Augusto, de 30 anos, representou a Anansi Lab, um laboratório de letramento racial transmídia independente, fundado em 2018. A oficina produz e compartilha narrativas subalternizadas por meio de publicações, palestras, bate-papos e rodas de samba. Entre os produtos, o expositor conta com uma revista trimestral de divulgação científica e cultural antirracista chamada Sikudhani, publicada a cada três meses. “Nosso trabalho recolhe materiais, os organiza e os publica como forma de reocupação do espaço tomado pelo colonialismo e imperialismo que nos domina até hoje”, relata Pedro.

Sobre a primeira edição da FLIMIS, o representante da Anansi Lab diz ter interesse em voltar às próximas edições. “Essas feiras são uma ótima oportunidade para encontrarmos novos leitores, artistas e, sobretudo, trocar ideias”, conclui.

Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT

As produções impressas presentes representavam a diversidade editorial brasileira tanto pela construção literária quanto pelas técnicas gráficas utilizadas, como gravura e xilogravura. Os dois dias de evento contaram com uma oficina de carimbos que pôde aproximar o público de técnicas gráficas presentes nas publicações, exercitando o processo criativo e a composição artística.

A feira promoveu também 14 palestras relacionadas a produções específicas do catálogo das editoras e dos artistas participantes. A programação de falas era focada em uma única publicação, visando expandir a experiência de leitura e aproximar o público das obras. Os autores compartilharam bastidores, experiências e outros aspectos dos múltiplos caminhos que a arte impressa pode seguir, como a edição e a produção gráfica.

Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora Foto: Carolina Machado/AGEMT
Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora. Foto: Carolina Machado/AGEMT

 

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Filme e relato de refugiadas presentes na sessão, ajudam a entender o conflito entre Irã e Israel
por
Maria Olívia Almeida
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15/04/2026 - 12h

No dia 26 de março de 2026, a Folha, em parceria com o Cinema Belas Artes, realizou a pré-estreia do filme “Tatame” de 2023. Com um debate após a sessão, o público discutiu o alcance da política iraniana na vida da população, tema proposto pelo filme.

A obra aborda a jornada de uma lutadora de Judô iraniana, Leila Hosseini (Arienne Mandi), impedida de lutar contra uma atleta israelense. A judoca e sua treinadora Maryam (Zar Amir Ebrahimi) são ameaçadas pelo comitê esportivo de seu país e pressionadas a fingir uma lesão em Leila para que ela saia do Campeonato Mundial de Judô, evitando a luta.

Na imagem em preto e branco está Maryam (Zar Amir) de pé à esquerda, usando um quimono preto e um hijab cinza. Na direita está Leila Hosseine (Arienne Mandi), de quimono branco e hijab preto. Ambas as mulheres olham para a frente com feições sérias.
Zar Amir Ebrahimi e Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Reprodução

 

Dirigido pela iraniana Zar Amir Ebrahimi, que também interpreta Maryam, e pelo israelense Guy Nattiv, o filme desconstrói a barreira político ideológica entre iranianos e israelenses representando de forma breve a amizade entre Leila e Shani, lutadora que atua em nome de Israel. Assim, os diretores optaram por uma ênfase na opressão realizada pelo regime teocrático do Irã sobre o povo, em especial sobre as mulheres.

A obra parte de casos reais, como de Saeid Mollaei, lutador de judô nascido no Irã que hoje luta defendendo a Mongólia. O atleta mudou sua representação após ignorar ordens de deixar torneio para evitar enfrentar Israel, em 2019.

Esses conflitos se dão pelo regime iraniano não reconhecer Israel como país, tornando qualquer luta direta com uma representação israelense, por mais que esportiva, um desvio político. Assim, articulando a conjuntura geopolítica contemporânea com a ficção, o filme apresenta o dilema entre continuar lutando ou apoiar a posição de seu país.

Na imagem em preto e branco está Leila Hosseine (Arienne Mandi) ajoelhada no meio de um tatame. Ela usa um quimono branco e seus cabelos estão trançados e a mostra.
Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Juda Khatiapsuturi/Keshet Studio

 

Após a exibição da obra no dia 26 de março, o debate contou com a participação do jornalista Sandro Macedo e da pesquisadora Isabelle Castro, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). Além dos convidados, a plateia integrou de forma ativa a discussão.

No encontro, estavam presentes as ativistas e refugiadas políticas iranianas Mahmooni e sua irmã, Mahsima Nadim, que trouxeram para o evento uma perspectiva pessoal da vida em meio ao regime autoritário representado.

Apesar de “Tatame” ser gravado em preto e branco, a discussão destacou a importância de se considerar todos os muitos subtons do conflito. "Parece uma coisa gratuita, e não é", criticou Castro sobre o filme, que considerou carregado de um tom simplista. Isabelle ainda abordou em seguida como o Irã, após a revolução de 1979, passou a considerar Israel inimigo em função da guerra na Palestina.

Além dessas falas, Mahsima relatou: "desde criança a gente aprende que qualquer pessoa que apertar a mão de um judeu vai ficar impuro por 40 dias". Acrescentando ao cenário o teor ideológico antissemita perpetuado.

Dessa maneira, o filme provoca uma reflexão sobre as implicações de decisões políticas em todo aspecto da vida, representando a instrumentalização do esporte na imposição de uma agenda geopolítica. Um tatame de competição, aparentemente neutro, se torna um cenário de conflito pessoal e social.

 

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Após 13 anos, a banda carioca subirá aos palcos revisitando os grandes sucessos da carreira
por
Beatriz Neves
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14/04/2026 - 12h

Neste domingo (12), Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato anunciaram a turnê “Eu tive um sonho”, que conta com dez shows passando pelas principais capitais do Brasil, iniciando no Rio de Janeiro, em junho, e encerrando em Florianópolis, em outubro. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Ticketmaster.

O fim do hiato 

O Kid Abelha foi criado na década de 80 e atingiu o auge dez anos depois, acumulando  mais de 9 milhões de discos vendidos no Brasil. A canção “Como eu quero”, que faz parte do álbum de estreia da banda “Seu espião”, tornou-se um grande sucesso nacional e um dos maiores hits do pop rock brasileiro nos anos oitenta. Ao longo das décadas seguintes, o grupo permaneceu ativo nos palcos e nas rádios, mantendo sua importância no cenário da música até que o ciclo da banda chegasse ao seu desfecho.

Em abril de 2016, o Kid Abelha anunciou oficialmente o término de uma trajetória de mais de 30 anos. Após um recesso iniciado em 2013, o trio encerrou as atividades de maneira definitiva. Na ocasião, Paula Toller explicou que a separação foi fruto de um desgaste natural e do desejo de seguir novos rumos.

O que esperar da turnê

O repertório indica ser uma viagem ao passado, com arranjos que mantêm a identidade do rock popular que marcou gerações e trazem sucessos como “fixação”, “Lágrimas e Chuva” e “Alice”. Com apenas dez apresentações exclusivas, o concerto percorrerá arenas e grandes casas de shows, oferecendo uma produção visual contemporânea que destaca o reencontro após mais de dez anos de espera.

Imagem de divulgação da turnê
Divulgação da turnê - Foto: Reprodução: (@kidabelha)

 

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Série sobre o romance de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette combina estética fiel e trilha sonora marcante, reacendendo o debate sobre privacidade
por
Livia Vilela
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08/04/2026 - 12h

A série Love Story (2026), criada por Connor Hines e produzida pelo controverso e consagrado Ryan Murphy, rapidamente se consolidou como um fenômeno do streaming ao revisitar o relacionamento entre John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette. Protagonizada por Paul Anthony Kelly e Sarah Pidgeon, a série chegou ao fim no dia 27 de março, com o lançamento do episódio final. Mais do que um drama romântico, a série se constrói como um retrato controverso da vida pública, explorando o amor entre duas figuras icônicas enquanto evidencia o peso da exposição constante que moldou suas trajetórias.


Antes de chegar às telas, a história de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette já era amplamente conhecida. Filho do ex-presidente John F. Kennedy, assassinado em 1963, JFK Jr. cresceu sob intensa exposição midiática, impulsionada sobretudo pela visibilidade da sua família. Formado em Direito, atuou como advogado, fundou a revista George e foi declarado o homem mais sexy do mundo pela revista People em 1988. Já Carolyn, publicitária da Calvin Klein, nunca foi uma figura pública e tornou-se um ícone de estilo dos anos 1990 por sua estética minimalista e discrição. Os dois morreram tragicamente em 1999, em um acidente de avião no litoral de Massachusetts, no qual também morreu a irmã de Carolyn, Lauren Bessette.

cartaz love story
Cartaz da série Love Story de 2026
Foto: Divulgação/Instagram @lovestoryfx


Um dos maiores méritos da série está na forma como ela evidencia a espetacularização da intimidade. A narrativa acompanha uma mulher anônima que, ao se envolver com um homem que sempre teve uma vida pública, passa a lidar com uma exposição que antes não fazia parte de sua realidade. A série acerta ao mostrar como a fama não apenas acompanha, mas atravessa e redefine as relações pessoais.


A trilha sonora é um destaque por si só justamente por sua precisão histórica e sensorial. Ao apostar em hits marcantes dos anos 1990  (período em que a história se passa), como “It Ain’t Over ’Til It’s Over”, de Lenny Kravitz, e “Linger”, do The Cranberries, a série não apenas ambienta, mas transporta o espectador para a época.A música funciona como um elo direto com a narrativa, ajudando a construir uma sensação de imersão e familiaridade. 


Sob a curadoria de Jen Malone, responsável pela trilha, essa seleção reforça o tom nostálgico da série e insere o público de forma orgânica em um imaginário afetivo dos anos 90. Em entrevista à Vogue, ela afirma: “Eu recorri à minha própria playlist de músicas dos anos 90 que amo e fui organizando cada uma em seu respectivo ano. Nova York, para mim, é quase um personagem da história. Dizemos muito isso na TV: que a música é um personagem. Mas em obras de época ela realmente se torna um personagem, porque ajuda a transportar o espectador para dentro da história.”

imagem divulgação love story
Paul Anthony Kelly como JFK Jr. em Love Story
Foto: Divulgação/Instagram @lovestoryfx


A cinematografia e a caracterização também são um ponto forte. A estética é cuidadosamente elaborada, com enquadramentos elegantes e uma paleta que remete ao glamour dos anos 1990. Ao mesmo tempo, carrega uma certa frieza que reflete o distanciamento emocional provocado pela exposição midiática. Já a caracterização dos personagens é precisa, contribuindo para a imersão e para a construção de figuras complexas. 


Curiosamente, as escolhas da produção não foram bem recebidas de início: quando as primeiras imagens de Sarah Pidgeon como Carolyn Bessette foram divulgadas, parte do público reagiu negativamente, criticando especialmente o tom do cabelo e apontando que o visual não imprimia o estilo icônico de Carolyn. As mudanças vieram na sequência, com o ajuste no tom de loiro da atriz e a escolha de peças mais sofisticadas e verossímeis com os anos 1990 para o guarda-roupa da personagem. Uma reação que antecipa a própria tensão central da série sobre imagem, memória e expectativa.

imagem divulgação love story
Sarah Pidgeon e Paul Anthony Kelly como Carolyn Bessette e JFK Jr. em Love Story
Foto: Divulgação/Instagram @lovestoryfx

 


No entanto, é justamente nesse ponto que a série abre espaço para um contraponto importante. Jack Schlossberg, sobrinho de John F. Kennedy Jr., criticou duramente a produção, dizendo que se trata de um “espetáculo grotesco” que transforma uma história pessoal e trágica em entretenimento sensacionalista. Sua reação evidencia um incômodo central: ao mesmo tempo em que denuncia a invasão de privacidade sofrida pelo casal, Love Story inevitavelmente reproduz essa lógica ao recontar e dramatizar momentos íntimos, muitos deles atravessados por dor e perda.


Assim, a série se coloca em uma posição ambígua. Ela critica a cultura que consome vidas privadas como espetáculo, mas também depende dela para existir e engajar o público. Essa contradição talvez seja um dos aspectos mais interessantes da obra, pois amplia a discussão para além da narrativa e a insere no próprio funcionamento da indústria do entretenimento.


No fim, Love Story é uma série extremamente envolvente e, em muitos momentos, até divertida, graças ao seu ritmo, estética e apelo emocional. Mas, para além do entretenimento, ela também convida à reflexão. Ao revisitar a vida de figuras públicas, a produção nos faz pensar sobre os limites entre o público e o privado. E, sobretudo, sobre o que significa, de fato, ter uma vida pública em uma cultura que transforma intimidade em espetáculo. A série deixa, então, uma pergunta incômoda: até que ponto vale abrir mão da própria privacidade em nome do amor e o que sobra de uma relação quando tudo nela se confunde com a vida pública?

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Vencedor do prêmio de álbum do ano no Grammy 2025, o cantor porto-riquenho tem feito história em performances que misturam arte e crítica
por
Amanda Lemos
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10/03/2026 - 12h

Bad Bunny, nascido Benito Antonio Martinez Ocasio é um cantor porto-riquenho que vem ganhando cada vez mais destaque. O artista levou o maior prêmio da noite no Grammy Awards 2025, e fez um discurso histórico e político, defendendo imigrantes e criticando a agência de imigração dos EUA. 

Em 8 de fevereiro de 2026, o cantor realizou uma apresentação histórica no intervalo do Super Bowl LX, final do campeonato de futebol americano dos Estados Unidos, organizado pela National Football League (NFL), sendo o primeiro artista a cantar todo o repertório em espanhol, além de ter sido o mais assistido da história, com 135 milhões de espectadores, superando artistas como Kendrick Lamar, Rihanna e Lady Gaga.  

Na apresentação, Bad Bunny celebrou a cultura latina. Trazendo uma narrativa cultural sobre Porto Rico num dos eventos mais assistidos da televisão norte-americana; tradicionalmente dominado por artistas do pop anglófono, ou seja, que têm o inglês como primeira língua. 

 

Fotografia de estúdio do artista Bad Bunny posando de corpo inteiro contra um fundo cinza neutro. Ele veste um casacão de pele fake longo e volumoso em tom de bege, sobre uma regata branca e calça jeans azul. Ele segura uma bola de futebol americano da NFL sob o braço direito e, com a mão esquerda, empunha um mastro de madeira com a bandeira de Porto Rico desdobrada. Bad Bunny usa óculos de sol escuros de modelo aviador e mantém uma expressão séria e imponente, simbolizando sua identidade cultural e presença global.
Bad Bunny com a bola da NFL e a bandeira de Porto Rico - Foto: Instagram / @badbunnyybenito 

 

O palco montado no meio do campo foi dividido em pequenas “cenas”, como uma história de momentos da vida cotidiana latina. Dentre os cenários, estavam inclusos campos de cana-de-açúcar, referência à história econômica do Caribe; mesas de dominó, símbolo social muito presente em comunidades latinas; barracas de comida como piraguas e coco, típicas de Porto Rico e dançarinos representando festas de bairro e cultura popular. 

Foram mais de 300 bailarinos, dançando ao som de reggaeton e outros elementos da música caribenha tradicional. A ideia era mostrar que a cultura latina é feita de pessoas comuns e de experiências coletivas. As participações de Ricky Martin, Lady Gaga e o grupo tradicional Los Pleneros de la Cresta reforçam a mistura entre pop global e tradição caribenha. 

Ao final da apresentação, Bad Bunny citou os nomes de todos os países da América logo após falar o bordão estadunidense “God bless America” - Deus abençoe à America em tradução literal. Um dos momentos mais comentados e impactantes foi o final da performance, quando ele segurou uma bola de futebol americano, com a mensagem “Juntos, nós somos a América.”, reforçando a ideia de que a América é além dos Estados Unidos. 

 

Bad Bunny e o Brasil

Nos dias 20 e 21 de fevereiro, o cantor realizou dois shows esgotados no Allianz Parque, em São Paulo, com a “DeBí TiRAR Más FOToS World Tour”. O artista declarou no palco que o espetáculo representava “a união do Brasil com Porto Rico e com toda a América Latina”. Um dos momentos mais marcantes das apresentações foi quando ele vestiu um agasalho da Seleção Brasileira histórico, usado por Pelé na Copa do Mundo de 1966. 

 

O cantor Bad Bunny é retratado de corpo inteiro em um palco iluminado, capturado em uma pose de dança dinâmica. Ele veste um moletom de gola alta nas cores verde e amarelo com a palavra "BRASIL" e um escudo retrô da CBD no peito. Complementando o visual, ele usa bermuda jeans de corte irregular (oversized), óculos de sol escuros e uma faixa branca na cabeça. Ele segura um copo descartável branco na mão esquerda enquanto equilibra o corpo de forma descontraída, com o fundo do palco escuro e luzes desfocadas ao longe.
Bad Bunny veste o agasalho da seleção brasileira usada por Pelé, na Copa do Mundo de 1966. Foto / Reprodução: Alexandre Matias / @trabalhosujo 

 

Os shows foram divididos em 3 atos, com palco principal, cenários secundários e o “La Casita”, inspirado nas varandas das casas de Porto Rico. A ideia dessa montagem era criar uma atmosfera de festa de bairro caribenha, com um clima mais intimista. 

Na música “LA MuDANZA”, Bad Bunny precisou de alguns segundos porque o público o ovacionou sem parar. O cantor disse em português “Estou muito feliz que realizei o sonho de visitar o Brasil.” 
 

 

O debate articulado no Eai Jogos amplia a discussão sobre os limites e as transformações do jornalismo de games no Brasil
por
Thomas Fernandez
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10/03/2026 - 12h

Em um cenário marcado pela superprodução de jogos e pela disputa permanente por atenção, a cobertura especializada em games no Brasil enfrenta limites cada vez mais visíveis. O painel “Game devs e a imprensa: o atual jornalismo de games no Brasil e como se relacionar com ele”, realizado no EAI Jogos, no Ibrawork, em São Paulo, na edição de novembro de 2025, reuniu jornalistas e profissionais da indústria para discutir como a pressão por métricas e as novas formas de mediação com o público afeta os critérios editoriais e aumenta a distância entre quem produz os jogos e quem os noticia.

O EAI Jogos é um evento periódico da comunidade de desenvolvimento de games em São Paulo, criado para reunir desenvolvedores, estudantes, jornalistas e criadores de conteúdo, para se falar sobre o cenário de games atual brasileiro. Na edição, os especialistas se encontraram para discutir não apenas a visibilidade dos jogos independentes, mas o próprio papel da imprensa na construção da narrativa sobre a produção nacional.

No encontro, estiveram presentes: Pablo Miyazawa, jornalista especializado em cultura pop e videogames, com passagens por revistas como Nintendo World e EGM BRASIL e sócio-fundador do The Gaming Era; Bruna Penilhas, jornalista especializada em games e cultura pop, com passagens em veículos como IGN Brasil, Loading e Canaltech; Marcelo Gimenes Vieira, jornalista especializado em mercado de games, fundador e editor-chefe do The Gaming era;  e Francesco Casagrande, jornalista especializado em games e criador de conteúdo, conhecido pelo trabalho na Voxel, TecMundo.

Marcelo Gimenes Vieira, Pablo Miyazawa, Bruna Penilhas e Francesco Casagrandes, os palestrantes do painel: Game devs e a imprensa: o atual jornalismo de games no Brasil e como se relacionar com ele. Foto: EAI jogos
Marcelo Gimenes Vieira, Pablo Miyazawa, Bruna Penilhas e Francesco Casagrande, os palestrantes do painel: Game devs e a imprensa: o atual jornalismo de games no Brasil e como se relacionar com ele. Foto: EAI jogos

O debate proposto pelo EAI Jogos não se limita ao desenvolvimento de jogos ou à organização do mercado. Além de discussões sobre imprensa, visibilidade e comunicação, o evento também abriu espaço para reflexões sobre o funcionamento da cobertura especializada em games no Brasil e sobre a relação entre jornalistas e desenvolvedores.

Criado a partir da demanda recorrente de estudantes e aspirantes a desenvolvedores por mais oportunidades de contato com o mercado profissional, o EAI Jogos foi pensado como um encontro recorrente voltado para a troca de experiências, networking e debate sobre diferentes aspectos da indústria. Para Pedro Silva Oliveira, criador da iniciativa, esse princípio sempre foi central. “O EAI Jogos, na sua essência, mudou muito pouco. Sempre fomos muito fiéis ao ponto inicial de ser esse espaço de frequência para a comunidade se encontrar e se conectar”, afirma.

Segundo o criador, as transformações recentes do evento não representam uma ruptura, mas uma expansão de formato. Iniciativas como o Fórum do EAI, realizado em parceria com a CULT-SP PRO, programa criado pelo Governo do Estado de São Paulo, com o intuito de incentivar e apoiar na qualificação profissional em meios criativos, a criação do EAI Awards, previsto para 2026, ampliam o alcance da proposta original. O evento também funciona como um espaço de análise comparativa da indústria, servindo como ponto de referência para que profissionais observem práticas, tendências e formatos de atuação do mercado de games, inspirado em modelos como a Game Developers Conference (GDC), ao reunir profissionais experientes, novos talentos e conteúdos que vão além da técnica e comunicação.

A crise do jornalismo de games no Brasil é estrutural e passa, antes de tudo, pela falta de tempo e de mão de obra. Em um mercado no qual centenas de jogos são lançados mensalmente, o modelo de cobertura baseado em otimização para mecanismos de busca se impõe como regra. O resultado é uma imprensa cada vez mais pautada por tendências internacionais.

Pedro Silva Oliveira, criador do EAI jogos. Foto: EAI jogos
Pedro Silva Oliveira, criador do EAI jogos. Foto: EAI jogos

Para Lucas Resende Toso, jornalista e criador do podcast e site “Controles Voadores”, a estrutura atual dificulta a própria prática do jornalismo crítico. Segundo ele, a lógica algorítmica e de performance afeta diretamente as decisões editoriais, tornando cada vez mais raro o investimento em pautas que não garantem retorno imediato. “Os melhores jornalistas de jogos que eu vejo hoje no Brasil são feitos de maneira independente e, em sua maioria, financiados coletivamente”, argumenta.

Essa lógica impacta de forma direta a visibilidade dos jogos independentes brasileiros. Em muitos casos, títulos nacionais só ganham espaço quando “furam a bolha”, seja por reconhecimento internacional, premiações ou viralização nas redes sociais. Fora dessas exceções, a produção independente permanece invisível, disputando atenção com grandes franquias globais e conteúdos pensados prioritariamente para gerar cliques. A cobertura passa a existir menos como mediação cultural e mais como resposta a métricas de desempenho.

No caso do “Controles Voadores”, o recorte exclusivo para jogos brasileiros surgiu, segundo Toso, como uma estratégia de sobrevivência e de identidade. “Mais do que um podcast sobre jogos, eu sempre digo que o Controles é um projeto sobre pessoas”, explica. Para ele, a falta de memória e de registro histórico da produção nacional reforça a necessidade de projetos de curadoria que acompanhem trajetórias, processos e contextos, algo difícil de ser feito em redações tradicionais.

Lucas Toso, Criador do podcast e site Controles Voadores e organizador do Festival Jogatório       Foto: Reprodução/CultPro
Lucas Toso, Criador do podcast e site Controles Voadores e organizador do Festival Jogatório       Foto: Reprodução/CultPro

Nesse ambiente, outro ruído central se intensifica: a confusão de papéis entre jornalismo, influenciadores e marketing. Com a ascensão das redes sociais e dos criadores de conteúdo, as fronteiras entre informar e opinar se tornam cada vez mais difusas. Para muitos desenvolvedores, o jornalista passa a ser visto como um agente de divulgação direta, uma expectativa que raramente se sustenta.

Pedro Silva Oliveira aponta que um dos maiores problemas dessa relação está na ausência de uma visão de longo prazo: “Muitos desenvolvedores ficam presos à ideia de dar a cara a tapa uma vez, achando que o jornalista vai se apaixonar pela premissa do jogo e fazer a matéria que vai gerar milhares de wishlists”. Para ele, essa lógica herdada das redes sociais, ignora que a comunicação com a imprensa exige paciência e empatia. “Reduzir o jornalista a um divulgador esvazia o papel da apuração, da contextualização e da crítica”, completa.

Toso compartilha da mesma leitura e aponta que, diante da fragilização da imprensa especializada, muitos estúdios passam a enxergar criadores de conteúdo como principais mediadores com o público. “Possivelmente preferem ter seu jogo jogado por um youtuber famoso do que ter uma crítica em um site médio ou até mesmo num jornal”, observa. Para ele, enquanto o criador de conteúdo opera numa lógica mais individual, o jornalismo deveria se orientar por um compromisso coletivo de formação de público e construção de memória cultural.

Ao mesmo tempo, o cenário econômico da indústria intensifica essa pressão por visibilidade imediata. Um relatório da Gamalytics, divulgado em outubro de 2025, apontou que mais de 5 mil jogos lançados na Steam naquele ano não venderam sequer 100 dólares em cópias. Ainda para Toso, esse contexto ajuda a explicar o desespero por atenção. “Fazer jogo independente é um esforço artístico enorme que precisa de apoio e estabilidade como qualquer outro trabalho”, afirma, criticando a reprodução de discursos genéricos sobre o tamanho da indústria sem considerar suas desigualdades internas.

O debate revela que desenvolvedores, jornalistas e criadores de conteúdo fazem parte de uma mesma cadeia. Sem jornalismo, torna-se mais difícil contextualizar à produção nacional. Sem desenvolvedores, não há histórias a serem contadas. A crise, portanto, não é apenas de visibilidade, mas sobre os papéis que cada agente ocupa dentro desse ecossistema.

 

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Festival reúne produções no projeto “Conexões Centro-Oeste”, com obras de diferentes estados da região
por
Thayná Patricia Alves
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09/03/2026 - 12h

A 11ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp) movimenta a capital paulista entre os dias 6 e 15 de março de 2026, trazendo uma programação que ocupa diversos centros culturais com produções nacionais e internacionais, todas com interpretação em libras.

Reconhecido como um dos maiores festivais de artes cênicas do país, a MITsp traz ao Itaú Cultural atividades que integram os quatro eixos do evento: Mostra de Espetáculos, MITbr – Plataforma Brasil, Ações Pedagógicas e Olhares Críticos. Nesta edição, o festival propõe reflexões sobre importantes temas da atualidade, como vigilância, controle social, violência e imigração.

Dentre um dos principais palcos, destaca-se o Itaú Cultural (IC) que recebe peças e ações com foco na produção do Centro-Oeste brasileiro.

Além do Itaú Cultural, a mostra estende-se por outros espaços culturais, como o Sesc SP, que recebe produções internacionais de peso, como as peças dirigidas por Thomas Ostermeier (História da Violência e Quem Matou Meu Pai). As peças também serão apresentadas no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e Instituto Brasileiro de Teatro (iBT).

As vendas para os espetáculos pagos iniciaram em 12 de fevereiro. Para saber mais sobre o cronograma detalhado de cada espetáculo e os horários das atividades formativas, o público pode acessar o site oficial da MITsp ou acompanhar as atualizações pelas redes sociais do evento.

Espetáculo "Sobre ser grande", de dança contemporânea (Foto: Instagram @mitsp)
Espetáculo "Sobre ser grande", de dança contemporânea (Foto: Instagram @mitsp)

Confira abaixo mais informações sobre alguns dos espetáculos nacionais.

Atrás das paredes
7 e 8 de março de 2026 | 19h
Sala Itaú Cultural – 224 lugares

Entrada gratuita.
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Galhada, em tempos de fissura
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Dança boba
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Cabeça de toco, aqui tudo é mato
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Unindo o som dos anos 70 e o da disco music, Bruno Mars retorna às paradas da Billbord com seu quarto álbum “The Romantic”
por
Amanda Lemos
Davi Madi
|
05/03/2026 - 12h

Capa do disco "The Romantic", de Bruno Mars, apresentando um desenho do cantor em preto e branco e o título do álbum acima
Bruno Mars lança primeiro álbum solo em 10 anos, com “The Romantic” - Divulgação: Spotify

Voltando às suas raízes porto-riquenhas, Bruno Mars lançou seu novo álbum “The Romantic” na última sexta-feira (27), que traz uma proposta de canções românticas. As nove faixas do álbum abordam temas como amor profundo, conflitos de relacionamento e a intensidade de se entregar a uma paixão. 

Após singles de sucesso em colaboração com outros artistas ao decorrer dos últimos dois anos, como “Die With a Smile”, com Lady Gaga, e “APT.” com Rosé, o primeiro lançamento individual, “I Just Might”, alcançou na primeira semana de lançamento o primeiro lugar na Billboard Hot 100. 

Cinco anos depois de seu último álbum de estúdio, “An Evening With Silk Sonic”, em parceria com o rapper Anderson .Paak, Bruno Mars deixa o R&B de lado e resgata o pop melódico que alavancou o início de sua carreira. Os fãs de suas primeiras produções, como “Doo-Wops & Hooligans” de 2010 e “Unorthodox Jukebox”, de 2012, vão reconhecer traços da antiga versão naturalmente romântica do artista.

Em “The Romantic”, tanto seu estilo musical, quanto o personagem que Bruno assume no projeto, se renovam. Seu estilo pop eletrônico e dançante, assim como sua versão festeira, vaidosa e exibicionista, como visto em seu último álbum solo, são abandonadas. Em seu novo disco, o cantor havaiano retorna à personalidade romântica, evidenciada pelas letras e ritmos das canções, que resgatam o estilo de canções de amor e ‘sofrência’ latino americanas.

Bruno Mars no videoclipe de seu novo single "I Just Might", presente em seu quarto disco, "The Romantic". A cena é composta pelo cantor repetido três vezes olhando diretamente para a câmera, que o filme de baixo.
Bruno Mars em videoclipe do single “I Just Might”, hit com quase 200 milhões de reproduções no Spotify - Reprodução: Youtube

 

Faixas como “God Was Showing Off”, “Cha Cha Cha” e “Risk It All”, música de abertura do disco, misturam instrumentos e ritmo natural da América latina, como melodias de bolero e merengue e arranjos de trompete, violão e conga, com o pop clássico de Bruno, marcado por suas letras chiclete e ritmo disco, simples e dançante. 

Outras, como “On My Soul” e “Something Serious” bebem de uma influência popular da década de 70. O grande hit do álbum, “I Just Might”, que já conta com quase 200 milhões de reproduções no Spotify, é uma faixa clássica do estilo do artista, como pop moderno, com toques de seus discos anteriores.

O resultado é um disco de nove faixas que misturam o gênero de especialidade de Bruno, toques de R&B, com influências da musicalidade latina de descendências do cantor,  remetendo à clássicos de moda de viola brega e bolero. Assim, o artista traz à vida canções de tom romântico que remetem à cultura clássica da América e com lírica que traz de volta o drama de telenovelas mexicanas.
 

Nova turnê de Bruno Mars

Em janeiro, Bruno Mars já havia anunciado a “The Romantic Tour”, nova turnê dedicada ao álbum. Shows já foram confirmados em estádios da América do Norte e Europa, que terão início em abril deste ano, nos Estados Unidos. As performances contaram com participações especiais de artistas como Leon Thomas, Raye e Victoria Monet. Confira o anúncio dos shows.

Publicação de Bruno Mars em seu perfil no Instagram anunciando turnê de divulgação de seu novo álbum, "The Romantic", chamada de "The Romantic Tour"
Bruno Mars anuncia "The Romantic Tour", turnê na América do Norte, Europa e Reino Unido, em divulgação de seu novo álbum - Reprodução: Instagram 

 

A ausência do Brasil na lista de shows gerou debates nas redes sociais, chamando a atenção de Anderson .Paak, que também participará de performances na turnê. No post de anúncio de Bruno, o rapper questionou: “Mas e o Brasil?”, rapidamente se tornando o comentário mais curtido da publicação. 

A última vez que o cantor pop se apresentou na América do Sul foi em 2024, com a turnê “Live In Brazil”, quando realizou 15 shows pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte.

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Espetáculo estreia em São Paulo e revisita a trajetória artística e política da “musa da Tropicália’’
por
Inaiá Misnerovicz
|
04/03/2026 - 12h

Na sexta-feira (06), o 033 Rooftop, em São Paulo (SP), recebeu a estreia de “Gal – O Musical”, espetáculo que revisita a trajetória artística e humana de Gal Costa, um dos maiores nomes da música popular brasileira e figura central do movimento tropicalista. Com direção de Marília Toledo e Kleber Montanheiro, direção musical de Daniel Rocha e produção da Paris Cultural, a montagem segue em cartaz até 10 de maio, com ingressos que variam entre R$ 50 e R$ 300. A temporada integra as comemorações de dez anos do Teatro Santander e aposta em uma narrativa que combina memória, dramaturgia e espetáculo musical para apresentar ao público diferentes fases da carreira da artista.

No papel principal, a atriz Walerie Gondim assume o desafio de interpretar Gal, após um processo de audições que buscou uma artista capaz de reunir potência vocal, presença de palco e densidade dramática. A escolha priorizou não apenas a semelhança física ou vocal, mas a capacidade de transmitir a intensidade emocional que marcou a trajetória da cantora. O elenco conta ainda com atores e atrizes que interpretam personagens fundamentais na vida da artista, incluindo músicos, familiares e parceiros de geração. Cerca de 80% do grupo é formado por artistas nordestinos, decisão que reforça a conexão do espetáculo com as raízes baianas de Gal.

A matéria-prima do musical é a própria história da cantora. A narrativa parte da infância em Salvador (BA), quando Maria da Graça Costa Penna Burgos cresceu ouvindo rádio e desenvolvendo uma admiração precoce pela música. A relação com a mãe, Mariah, aparece como elemento estruturante do enredo, destacando o incentivo familiar que foi decisivo para a escolha da carreira artística. O espetáculo acompanha o momento em que a jovem decide deixar a Bahia e apostar na música profissionalmente, movimento que mudaria não apenas sua vida, mas a história da música brasileira.

O roteiro dedica espaço especial aos encontros e às amizades com Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Tom Zé. Unidos inicialmente por afinidades artísticas e inquietações estéticas, esses jovens baianos começaram a se apresentar no Teatro Vila Velha e deram origem a uma das experiências mais inovadoras da cultura brasileira do século XX. O tropicalismo surge na encenação como força criativa e também como ponto de tensão, já que o movimento enfrentou resistência tanto de setores conservadores quanto de parte da própria esquerda intelectual da época.

Capa do album "Gal Tropical"
Capa do álbum "Gal Tropical". Foto: Reprodução

Ambientado no contexto da década de 1960, o musical recria o período da Ditadura Militar, quando a censura e a repressão atingiam artistas e intelectuais brasileiros. Nesse cenário, a arte tornou-se espaço de disputa simbólica e afirmação de liberdade. A participação de Gal no álbum coletivo “Tropicália ou Panis et Circensis” é apresentada como marco de ruptura estética. A obra sintetizou a proposta tropicalista de misturar tradição e modernidade, cultura popular e referências internacionais, consolidando uma nova linguagem musical.

A apresentação também aborda momentos delicados da vida da cantora, como a prisão e o exílio de parceiros artísticos durante o regime militar, além das pressões impostas pelo mercado fonográfico. O encontro com o empresário Guilherme Araújo aparece como ponto de inflexão na carreira, contribuindo para a consolidação de Gal como estrela nacional. Ao longo dos anos 1970 e 1980, ela ampliou seu repertório e dialogou com diferentes tendências, transitando entre baladas românticas, samba, pop e outras experimentações sonoras.

Os números musicais estruturam a narrativa e funcionam como fio condutor da história. O repertório inclui canções como “Baby”, “Divino, Maravilhoso”, “Vapor Barato”, “Força Estranha”, “Vaca Profana”, “Azul”, “Sorte”, “Brasil” e “Balancê”, entre outras. Cada música surge contextualizada, evidenciando como determinadas interpretações dialogavam com o momento político e cultural do país. A proposta dramatúrgica busca evitar uma simples sequência de sucessos e constrói uma linha narrativa que relaciona as canções aos conflitos e às transformações vividas pela artista.

Visualmente, o espetáculo investe em uma estética que remete ao clima psicodélico das décadas de 1960 e 1970. Figurinos coloridos, cabelos soltos e referências à moda tropicalista compõem a ambientação, enquanto projeções audiovisuais ajudam a situar o público nos diferentes períodos retratados. A banda ao vivo reforça o caráter performático da montagem, aproximando o espectador da experiência de um show. Ao mesmo tempo, cenas mais intimistas revelam fragilidades, dúvidas e dilemas pessoais da compositora, ampliando o retrato para além da figura pública.

Vida da artista

Nascida em Salvador, em 26 de setembro de 1945, Gal Costa construiu uma carreira marcada pela versatilidade e pela capacidade de reinvenção. Dona de voz potente e timbre inconfundível, tornou-se referência como intérprete capaz de transitar entre delicadeza e explosão dramática. Ao longo de mais de cinco décadas, lançou dezenas de álbuns, colaborou com diferentes gerações de compositores e consolidou-se como uma das maiores vozes da música brasileira. Sua presença de palco, marcada por liberdade corporal e ousadia estética, também contribuiu para ampliar as possibilidades de representação feminina na cultura popular.

Além da dimensão artística, Gal tornou-se símbolo de emancipação e autonomia em um período de forte conservadorismo. Sua postura diante da censura, defesa da liberdade criativa e recusa em se enquadrar em padrões rígidos, ajudaram a redefinir o papel da mulher na indústria musical.

Último show de Gal Costa
Último show de Gal Costa, em setembro de 2022. Foto: Reprodução/ Instagram @coalafestival

Gal faleceu em novembro de 2022, deixando um legado que permanece vivo no repertório afetivo de diferentes gerações. 

Ao retornar aos palcos por meio de “Gal – O Musical”, sua trajetória ganha nova camada de interpretação, conectando memória e atualidade. A produção propõe não apenas uma homenagem, mas uma reflexão sobre o papel transformador da arte em contextos de crise.

Ao revisitar a história de uma artista que atravessou décadas, o musical reafirma a importância de preservar a memória musical brasileira e convida o público a reconhecer na trajetória de Gal Costa não apenas uma cantora, mas um símbolo de resistência, inovação e liberdade.

 

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