Bad Bunny, nascido Benito Antonio Martinez Ocasio é um cantor porto-riquenho que vem ganhando cada vez mais destaque. O artista levou o maior prêmio da noite no Grammy Awards 2025, e fez um discurso histórico e político, defendendo imigrantes e criticando a agência de imigração dos EUA.
Em 8 de fevereiro de 2026, o cantor realizou uma apresentação histórica no intervalo do Super Bowl LX, final do campeonato de futebol americano dos Estados Unidos, organizado pela National Football League (NFL), sendo o primeiro artista a cantar todo o repertório em espanhol, além de ter sido o mais assistido da história, com 135 milhões de espectadores, superando artistas como Kendrick Lamar, Rihanna e Lady Gaga.
Na apresentação, Bad Bunny celebrou a cultura latina. Trazendo uma narrativa cultural sobre Porto Rico num dos eventos mais assistidos da televisão norte-americana; tradicionalmente dominado por artistas do pop anglófono, ou seja, que têm o inglês como primeira língua.

O palco montado no meio do campo foi dividido em pequenas “cenas”, como uma história de momentos da vida cotidiana latina. Dentre os cenários, estavam inclusos campos de cana-de-açúcar, referência à história econômica do Caribe; mesas de dominó, símbolo social muito presente em comunidades latinas; barracas de comida como piraguas e coco, típicas de Porto Rico e dançarinos representando festas de bairro e cultura popular.
Foram mais de 300 bailarinos, dançando ao som de reggaeton e outros elementos da música caribenha tradicional. A ideia era mostrar que a cultura latina é feita de pessoas comuns e de experiências coletivas. As participações de Ricky Martin, Lady Gaga e o grupo tradicional Los Pleneros de la Cresta reforçam a mistura entre pop global e tradição caribenha.
Ao final da apresentação, Bad Bunny citou os nomes de todos os países da América logo após falar o bordão estadunidense “God bless America” - Deus abençoe à America em tradução literal. Um dos momentos mais comentados e impactantes foi o final da performance, quando ele segurou uma bola de futebol americano, com a mensagem “Juntos, nós somos a América.”, reforçando a ideia de que a América é além dos Estados Unidos.
Bad Bunny e o Brasil
Nos dias 20 e 21 de fevereiro, o cantor realizou dois shows esgotados no Allianz Parque, em São Paulo, com a “DeBí TiRAR Más FOToS World Tour”. O artista declarou no palco que o espetáculo representava “a união do Brasil com Porto Rico e com toda a América Latina”. Um dos momentos mais marcantes das apresentações foi quando ele vestiu um agasalho da Seleção Brasileira histórico, usado por Pelé na Copa do Mundo de 1966.

Os shows foram divididos em 3 atos, com palco principal, cenários secundários e o “La Casita”, inspirado nas varandas das casas de Porto Rico. A ideia dessa montagem era criar uma atmosfera de festa de bairro caribenha, com um clima mais intimista.
Na música “LA MuDANZA”, Bad Bunny precisou de alguns segundos porque o público o ovacionou sem parar. O cantor disse em português “Estou muito feliz que realizei o sonho de visitar o Brasil.”
Em um cenário marcado pela superprodução de jogos e pela disputa permanente por atenção, a cobertura especializada em games no Brasil enfrenta limites cada vez mais visíveis. O painel “Game devs e a imprensa: o atual jornalismo de games no Brasil e como se relacionar com ele”, realizado no EAI Jogos, no Ibrawork, em São Paulo, na edição de novembro de 2025, reuniu jornalistas e profissionais da indústria para discutir como a pressão por métricas e as novas formas de mediação com o público afeta os critérios editoriais e aumenta a distância entre quem produz os jogos e quem os noticia.
O EAI Jogos é um evento periódico da comunidade de desenvolvimento de games em São Paulo, criado para reunir desenvolvedores, estudantes, jornalistas e criadores de conteúdo, para se falar sobre o cenário de games atual brasileiro. Na edição, os especialistas se encontraram para discutir não apenas a visibilidade dos jogos independentes, mas o próprio papel da imprensa na construção da narrativa sobre a produção nacional.
No encontro, estiveram presentes: Pablo Miyazawa, jornalista especializado em cultura pop e videogames, com passagens por revistas como Nintendo World e EGM BRASIL e sócio-fundador do The Gaming Era; Bruna Penilhas, jornalista especializada em games e cultura pop, com passagens em veículos como IGN Brasil, Loading e Canaltech; Marcelo Gimenes Vieira, jornalista especializado em mercado de games, fundador e editor-chefe do The Gaming era; e Francesco Casagrande, jornalista especializado em games e criador de conteúdo, conhecido pelo trabalho na Voxel, TecMundo.

O debate proposto pelo EAI Jogos não se limita ao desenvolvimento de jogos ou à organização do mercado. Além de discussões sobre imprensa, visibilidade e comunicação, o evento também abriu espaço para reflexões sobre o funcionamento da cobertura especializada em games no Brasil e sobre a relação entre jornalistas e desenvolvedores.
Criado a partir da demanda recorrente de estudantes e aspirantes a desenvolvedores por mais oportunidades de contato com o mercado profissional, o EAI Jogos foi pensado como um encontro recorrente voltado para a troca de experiências, networking e debate sobre diferentes aspectos da indústria. Para Pedro Silva Oliveira, criador da iniciativa, esse princípio sempre foi central. “O EAI Jogos, na sua essência, mudou muito pouco. Sempre fomos muito fiéis ao ponto inicial de ser esse espaço de frequência para a comunidade se encontrar e se conectar”, afirma.
Segundo o criador, as transformações recentes do evento não representam uma ruptura, mas uma expansão de formato. Iniciativas como o Fórum do EAI, realizado em parceria com a CULT-SP PRO, programa criado pelo Governo do Estado de São Paulo, com o intuito de incentivar e apoiar na qualificação profissional em meios criativos, a criação do EAI Awards, previsto para 2026, ampliam o alcance da proposta original. O evento também funciona como um espaço de análise comparativa da indústria, servindo como ponto de referência para que profissionais observem práticas, tendências e formatos de atuação do mercado de games, inspirado em modelos como a Game Developers Conference (GDC), ao reunir profissionais experientes, novos talentos e conteúdos que vão além da técnica e comunicação.
A crise do jornalismo de games no Brasil é estrutural e passa, antes de tudo, pela falta de tempo e de mão de obra. Em um mercado no qual centenas de jogos são lançados mensalmente, o modelo de cobertura baseado em otimização para mecanismos de busca se impõe como regra. O resultado é uma imprensa cada vez mais pautada por tendências internacionais.

Para Lucas Resende Toso, jornalista e criador do podcast e site “Controles Voadores”, a estrutura atual dificulta a própria prática do jornalismo crítico. Segundo ele, a lógica algorítmica e de performance afeta diretamente as decisões editoriais, tornando cada vez mais raro o investimento em pautas que não garantem retorno imediato. “Os melhores jornalistas de jogos que eu vejo hoje no Brasil são feitos de maneira independente e, em sua maioria, financiados coletivamente”, argumenta.
Essa lógica impacta de forma direta a visibilidade dos jogos independentes brasileiros. Em muitos casos, títulos nacionais só ganham espaço quando “furam a bolha”, seja por reconhecimento internacional, premiações ou viralização nas redes sociais. Fora dessas exceções, a produção independente permanece invisível, disputando atenção com grandes franquias globais e conteúdos pensados prioritariamente para gerar cliques. A cobertura passa a existir menos como mediação cultural e mais como resposta a métricas de desempenho.
No caso do “Controles Voadores”, o recorte exclusivo para jogos brasileiros surgiu, segundo Toso, como uma estratégia de sobrevivência e de identidade. “Mais do que um podcast sobre jogos, eu sempre digo que o Controles é um projeto sobre pessoas”, explica. Para ele, a falta de memória e de registro histórico da produção nacional reforça a necessidade de projetos de curadoria que acompanhem trajetórias, processos e contextos, algo difícil de ser feito em redações tradicionais.

Nesse ambiente, outro ruído central se intensifica: a confusão de papéis entre jornalismo, influenciadores e marketing. Com a ascensão das redes sociais e dos criadores de conteúdo, as fronteiras entre informar e opinar se tornam cada vez mais difusas. Para muitos desenvolvedores, o jornalista passa a ser visto como um agente de divulgação direta, uma expectativa que raramente se sustenta.
Pedro Silva Oliveira aponta que um dos maiores problemas dessa relação está na ausência de uma visão de longo prazo: “Muitos desenvolvedores ficam presos à ideia de dar a cara a tapa uma vez, achando que o jornalista vai se apaixonar pela premissa do jogo e fazer a matéria que vai gerar milhares de wishlists”. Para ele, essa lógica herdada das redes sociais, ignora que a comunicação com a imprensa exige paciência e empatia. “Reduzir o jornalista a um divulgador esvazia o papel da apuração, da contextualização e da crítica”, completa.
Toso compartilha da mesma leitura e aponta que, diante da fragilização da imprensa especializada, muitos estúdios passam a enxergar criadores de conteúdo como principais mediadores com o público. “Possivelmente preferem ter seu jogo jogado por um youtuber famoso do que ter uma crítica em um site médio ou até mesmo num jornal”, observa. Para ele, enquanto o criador de conteúdo opera numa lógica mais individual, o jornalismo deveria se orientar por um compromisso coletivo de formação de público e construção de memória cultural.
Ao mesmo tempo, o cenário econômico da indústria intensifica essa pressão por visibilidade imediata. Um relatório da Gamalytics, divulgado em outubro de 2025, apontou que mais de 5 mil jogos lançados na Steam naquele ano não venderam sequer 100 dólares em cópias. Ainda para Toso, esse contexto ajuda a explicar o desespero por atenção. “Fazer jogo independente é um esforço artístico enorme que precisa de apoio e estabilidade como qualquer outro trabalho”, afirma, criticando a reprodução de discursos genéricos sobre o tamanho da indústria sem considerar suas desigualdades internas.
O debate revela que desenvolvedores, jornalistas e criadores de conteúdo fazem parte de uma mesma cadeia. Sem jornalismo, torna-se mais difícil contextualizar à produção nacional. Sem desenvolvedores, não há histórias a serem contadas. A crise, portanto, não é apenas de visibilidade, mas sobre os papéis que cada agente ocupa dentro desse ecossistema.
A 11ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp) movimenta a capital paulista entre os dias 6 e 15 de março de 2026, trazendo uma programação que ocupa diversos centros culturais com produções nacionais e internacionais, todas com interpretação em libras.
Reconhecido como um dos maiores festivais de artes cênicas do país, a MITsp traz ao Itaú Cultural atividades que integram os quatro eixos do evento: Mostra de Espetáculos, MITbr – Plataforma Brasil, Ações Pedagógicas e Olhares Críticos. Nesta edição, o festival propõe reflexões sobre importantes temas da atualidade, como vigilância, controle social, violência e imigração.
Dentre um dos principais palcos, destaca-se o Itaú Cultural (IC) que recebe peças e ações com foco na produção do Centro-Oeste brasileiro.
Além do Itaú Cultural, a mostra estende-se por outros espaços culturais, como o Sesc SP, que recebe produções internacionais de peso, como as peças dirigidas por Thomas Ostermeier (História da Violência e Quem Matou Meu Pai). As peças também serão apresentadas no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e Instituto Brasileiro de Teatro (iBT).
As vendas para os espetáculos pagos iniciaram em 12 de fevereiro. Para saber mais sobre o cronograma detalhado de cada espetáculo e os horários das atividades formativas, o público pode acessar o site oficial da MITsp ou acompanhar as atualizações pelas redes sociais do evento.

Confira abaixo mais informações sobre alguns dos espetáculos nacionais.
Atrás das paredes
7 e 8 de março de 2026 | 19h
Sala Itaú Cultural – 224 lugares
Entrada gratuita.
Retirada do ingresso a partir das 12h do dia 3 de março
Galhada, em tempos de fissura
10 e 11 de março de 2026 | 19h
Sala Itaú Cultural – 224 lugares
Entrada gratuita.
Retirada do ingresso a partir das 12h do dia 3 de março
Dança boba
12 e 13 de março de 2026 | 19h
Sala Itaú Cultural – 224 lugares
Entrada gratuita.
Retirada do ingresso a partir das 12h do dia 10 de março
Cabeça de toco, aqui tudo é mato
14 e 15 de março de 2026 | 18h
Sala Itaú Cultural – 224 lugares
Entrada gratuita.
Retirada do ingresso a partir das 12h do dia 10 de março

Voltando às suas raízes porto-riquenhas, Bruno Mars lançou seu novo álbum “The Romantic” na última sexta-feira (27), que traz uma proposta de canções românticas. As nove faixas do álbum abordam temas como amor profundo, conflitos de relacionamento e a intensidade de se entregar a uma paixão.
Após singles de sucesso em colaboração com outros artistas ao decorrer dos últimos dois anos, como “Die With a Smile”, com Lady Gaga, e “APT.” com Rosé, o primeiro lançamento individual, “I Just Might”, alcançou na primeira semana de lançamento o primeiro lugar na Billboard Hot 100.
Cinco anos depois de seu último álbum de estúdio, “An Evening With Silk Sonic”, em parceria com o rapper Anderson .Paak, Bruno Mars deixa o R&B de lado e resgata o pop melódico que alavancou o início de sua carreira. Os fãs de suas primeiras produções, como “Doo-Wops & Hooligans” de 2010 e “Unorthodox Jukebox”, de 2012, vão reconhecer traços da antiga versão naturalmente romântica do artista.
Em “The Romantic”, tanto seu estilo musical, quanto o personagem que Bruno assume no projeto, se renovam. Seu estilo pop eletrônico e dançante, assim como sua versão festeira, vaidosa e exibicionista, como visto em seu último álbum solo, são abandonadas. Em seu novo disco, o cantor havaiano retorna à personalidade romântica, evidenciada pelas letras e ritmos das canções, que resgatam o estilo de canções de amor e ‘sofrência’ latino americanas.

Faixas como “God Was Showing Off”, “Cha Cha Cha” e “Risk It All”, música de abertura do disco, misturam instrumentos e ritmo natural da América latina, como melodias de bolero e merengue e arranjos de trompete, violão e conga, com o pop clássico de Bruno, marcado por suas letras chiclete e ritmo disco, simples e dançante.
Outras, como “On My Soul” e “Something Serious” bebem de uma influência popular da década de 70. O grande hit do álbum, “I Just Might”, que já conta com quase 200 milhões de reproduções no Spotify, é uma faixa clássica do estilo do artista, como pop moderno, com toques de seus discos anteriores.
O resultado é um disco de nove faixas que misturam o gênero de especialidade de Bruno, toques de R&B, com influências da musicalidade latina de descendências do cantor, remetendo à clássicos de moda de viola brega e bolero. Assim, o artista traz à vida canções de tom romântico que remetem à cultura clássica da América e com lírica que traz de volta o drama de telenovelas mexicanas.
Nova turnê de Bruno Mars
Em janeiro, Bruno Mars já havia anunciado a “The Romantic Tour”, nova turnê dedicada ao álbum. Shows já foram confirmados em estádios da América do Norte e Europa, que terão início em abril deste ano, nos Estados Unidos. As performances contaram com participações especiais de artistas como Leon Thomas, Raye e Victoria Monet. Confira o anúncio dos shows.

A ausência do Brasil na lista de shows gerou debates nas redes sociais, chamando a atenção de Anderson .Paak, que também participará de performances na turnê. No post de anúncio de Bruno, o rapper questionou: “Mas e o Brasil?”, rapidamente se tornando o comentário mais curtido da publicação.
A última vez que o cantor pop se apresentou na América do Sul foi em 2024, com a turnê “Live In Brazil”, quando realizou 15 shows pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte.
Na sexta-feira (06), o 033 Rooftop, em São Paulo (SP), recebeu a estreia de “Gal – O Musical”, espetáculo que revisita a trajetória artística e humana de Gal Costa, um dos maiores nomes da música popular brasileira e figura central do movimento tropicalista. Com direção de Marília Toledo e Kleber Montanheiro, direção musical de Daniel Rocha e produção da Paris Cultural, a montagem segue em cartaz até 10 de maio, com ingressos que variam entre R$ 50 e R$ 300. A temporada integra as comemorações de dez anos do Teatro Santander e aposta em uma narrativa que combina memória, dramaturgia e espetáculo musical para apresentar ao público diferentes fases da carreira da artista.
No papel principal, a atriz Walerie Gondim assume o desafio de interpretar Gal, após um processo de audições que buscou uma artista capaz de reunir potência vocal, presença de palco e densidade dramática. A escolha priorizou não apenas a semelhança física ou vocal, mas a capacidade de transmitir a intensidade emocional que marcou a trajetória da cantora. O elenco conta ainda com atores e atrizes que interpretam personagens fundamentais na vida da artista, incluindo músicos, familiares e parceiros de geração. Cerca de 80% do grupo é formado por artistas nordestinos, decisão que reforça a conexão do espetáculo com as raízes baianas de Gal.
A matéria-prima do musical é a própria história da cantora. A narrativa parte da infância em Salvador (BA), quando Maria da Graça Costa Penna Burgos cresceu ouvindo rádio e desenvolvendo uma admiração precoce pela música. A relação com a mãe, Mariah, aparece como elemento estruturante do enredo, destacando o incentivo familiar que foi decisivo para a escolha da carreira artística. O espetáculo acompanha o momento em que a jovem decide deixar a Bahia e apostar na música profissionalmente, movimento que mudaria não apenas sua vida, mas a história da música brasileira.
O roteiro dedica espaço especial aos encontros e às amizades com Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Tom Zé. Unidos inicialmente por afinidades artísticas e inquietações estéticas, esses jovens baianos começaram a se apresentar no Teatro Vila Velha e deram origem a uma das experiências mais inovadoras da cultura brasileira do século XX. O tropicalismo surge na encenação como força criativa e também como ponto de tensão, já que o movimento enfrentou resistência tanto de setores conservadores quanto de parte da própria esquerda intelectual da época.

Ambientado no contexto da década de 1960, o musical recria o período da Ditadura Militar, quando a censura e a repressão atingiam artistas e intelectuais brasileiros. Nesse cenário, a arte tornou-se espaço de disputa simbólica e afirmação de liberdade. A participação de Gal no álbum coletivo “Tropicália ou Panis et Circensis” é apresentada como marco de ruptura estética. A obra sintetizou a proposta tropicalista de misturar tradição e modernidade, cultura popular e referências internacionais, consolidando uma nova linguagem musical.
A apresentação também aborda momentos delicados da vida da cantora, como a prisão e o exílio de parceiros artísticos durante o regime militar, além das pressões impostas pelo mercado fonográfico. O encontro com o empresário Guilherme Araújo aparece como ponto de inflexão na carreira, contribuindo para a consolidação de Gal como estrela nacional. Ao longo dos anos 1970 e 1980, ela ampliou seu repertório e dialogou com diferentes tendências, transitando entre baladas românticas, samba, pop e outras experimentações sonoras.
Os números musicais estruturam a narrativa e funcionam como fio condutor da história. O repertório inclui canções como “Baby”, “Divino, Maravilhoso”, “Vapor Barato”, “Força Estranha”, “Vaca Profana”, “Azul”, “Sorte”, “Brasil” e “Balancê”, entre outras. Cada música surge contextualizada, evidenciando como determinadas interpretações dialogavam com o momento político e cultural do país. A proposta dramatúrgica busca evitar uma simples sequência de sucessos e constrói uma linha narrativa que relaciona as canções aos conflitos e às transformações vividas pela artista.
Visualmente, o espetáculo investe em uma estética que remete ao clima psicodélico das décadas de 1960 e 1970. Figurinos coloridos, cabelos soltos e referências à moda tropicalista compõem a ambientação, enquanto projeções audiovisuais ajudam a situar o público nos diferentes períodos retratados. A banda ao vivo reforça o caráter performático da montagem, aproximando o espectador da experiência de um show. Ao mesmo tempo, cenas mais intimistas revelam fragilidades, dúvidas e dilemas pessoais da compositora, ampliando o retrato para além da figura pública.
Vida da artista
Nascida em Salvador, em 26 de setembro de 1945, Gal Costa construiu uma carreira marcada pela versatilidade e pela capacidade de reinvenção. Dona de voz potente e timbre inconfundível, tornou-se referência como intérprete capaz de transitar entre delicadeza e explosão dramática. Ao longo de mais de cinco décadas, lançou dezenas de álbuns, colaborou com diferentes gerações de compositores e consolidou-se como uma das maiores vozes da música brasileira. Sua presença de palco, marcada por liberdade corporal e ousadia estética, também contribuiu para ampliar as possibilidades de representação feminina na cultura popular.
Além da dimensão artística, Gal tornou-se símbolo de emancipação e autonomia em um período de forte conservadorismo. Sua postura diante da censura, defesa da liberdade criativa e recusa em se enquadrar em padrões rígidos, ajudaram a redefinir o papel da mulher na indústria musical.

Gal faleceu em novembro de 2022, deixando um legado que permanece vivo no repertório afetivo de diferentes gerações.
Ao retornar aos palcos por meio de “Gal – O Musical”, sua trajetória ganha nova camada de interpretação, conectando memória e atualidade. A produção propõe não apenas uma homenagem, mas uma reflexão sobre o papel transformador da arte em contextos de crise.
Ao revisitar a história de uma artista que atravessou décadas, o musical reafirma a importância de preservar a memória musical brasileira e convida o público a reconhecer na trajetória de Gal Costa não apenas uma cantora, mas um símbolo de resistência, inovação e liberdade.











