As agendas incluem caminhadas, panfletagens, entrevistas, debates e publicações nas redes sociais durante o último mês da disputa
por
Carolina Nader
Kaleo Ferreira
Manuela Abbate Gonçalves
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22/09/2026 - 12h

Durante o último mês da corrida eleitoral, os seis candidatos com os menores índices de intenção de voto intensificam suas participações nas ruas e, principalmente, na mídia. 

 

Clariana Barão (DC) 

Na segunda-feira (14), às 10h, a candidata participou de uma entrevista ao vivo na rádio Metrópole FM Cuiabá, 105,9 FM. Durante a conversa, discutiu suas propostas de governo e enfatizou sua ligação com o estado de Mato Grosso e a importância de representar a região na disputa presidencial. Às 15h do mesmo dia, gravou uma entrevista para a MidiaNews, em Cuiabá, onde chamou a atual gestão do presidente Lula de “publicidade” e o rotulou como um “ator” que não conseguiu cumprir o que promete há duas décadas. Além disso, criticou também Flávio Bolsonaro (PL) e detalhou os atritos públicos e as acusações de misoginia envolvendo Augusto Cury (Avante). 

Na terça-feira (15) Clariana esteve nos podcasts MidiaJur, em Cuiabá (MT) e O Empallador, em Várzea Grande (MT). 

Já na quinta-feira (17), esteve na Feira de Toritama (PE) e foi à Feira de Santa Cruz do Capibaribe (PE), onde defendeu a valorização dos trabalhadores locais por meio de propostas como a redução de custos básicos e a criação de linhas de crédito facilitadas. 

Finalizando a semana, na sexta-feira (18), visitou a feira de artesanato e visitou o bairro Alto do Moura, em Caruaru (PE). 

montagem com Clariana envolta por bandeira do Brasil

Candidata às eleições para presidente em 2026. Foto: Instagram/@clarianabarao 

Edmilson Costa (PCB)

A agenda prevista para segunda-feira (14), no litoral norte de São Paulo, foi cancelada em razão das condições climáticas.

Na terça-feira (15), em Campinas (SP), fez panfletagem no CAPS Reviver e no centro da cidade. À noite, acompanhou o lançamento do documentário "Afrontosa", no Centro de Convivência Cultural. 

Na quarta-feira (16) e quinta-feira (17), Costa participou da caravana com candidatos do PCB em Franca (SP) e em São José do Rio Preto respectivamente.

No dia 18, sexta-feira, passou o dia em São José do Rio Preto, onde fez panfletagem no calçadão e no terminal urbano. 

Hertz Dias (PSTU)

O candidato à presidência fez outra aparição no Jornal Nacional na sexta-feira (11).  Na breve participação, Hertz utilizou seu tempo para apontar que procura criar plataformas públicas para motoristas de aplicativo. A iniciativa seria financiada pelo excedente advindo da estatização de empresas que o candidato caracterizou como “estratégicas”, e teria como objetivo garantir os direitos trabalhistas dos motoristas empregados informalmente por essas plataformas. 

Na segunda-feira (14), Dias concedeu uma entrevista à Band Maranhão. No veículo, o concorrente teve 30 minutos de visibilidade, em que expôs suas propostas. O candidato iniciou a fala explicando sobre a lei das drogas. “A questão das drogas tem que ser considerada como um problema de saúde pública e não como um problema de repressão do Estado. o Estado tem que girar para o setor financeiro se quiser combater as facções criminosas”, ele indica. 

Ao longo da entrevista, Hertz focou em relacionar suas respostas com seus programas de estatização de empresas, de estabelecimento da soberania brasileira e da valorização da classe trabalhadora. Dias também pontuou sobre a crise do STF, afirmando que busca instituir cargos revogáveis, júri popular e um processo de eleição dos parlamentares, visando remediar esse tipo de situação e erradicar a corrupção. 

Na sexta-feira (18), Hertz esteve em um encontro no Partisan da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro. O propósito do evento é discutir sobre o meio ambiente, ao lado de defensores ambientalistas.  

Nessa semana, o candidato também declarou em uma coluna para o Brasil de Fato  apoio ao movimento “Legalize já!”, incluindo-o entre as propostas de governo do PSTU. “Legalizar é retirar do crime organizado e da milícia o controle de um mercado bilionário, e tirar da polícia o pretexto para invadir e matar”, diz. 

Rui Costa Pimenta (PCO)

Na segunda-feira (14), o candidato do PCO dedicou o dia a uma reunião com a coordenação de sua campanha e com candidatos locais em Dourados, no interior do Mato Grosso do Sul.

Essa etapa se insere em um roteiro nacional mais amplo, batizado de “Rui Presidente”, que já passou por Porto Alegre e Belo Horizonte e segue, além de Dourados, rumo a Recife e Curitiba.

Samara Martins (UP)

A candidata vem realizando, nesta última semana, uma série de posts nas suas redes sociais intitulados  “Propostas da UP para mudar o Brasil”. As postagens, até o momento, cobrem os posicionamentos do partido quanto à saúde pública, a jornada de trabalho e a dívida pública. 

Na sexta (18), às 19 horas, Samara participou do seu primeiro debate, organizado pelo Metrópoles. Os dois principais candidatos, Flávio Bolsonaro e Lula, negaram participação. Caiado e Renan Santos desistiram da aparição na véspera do evento, dia 17. O programa contou com Samara, Augusto Cury e Romeu Zema. 

A agenda da concorrente também consta aparição e panfletagem no sábado (19), em Madureira e nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. 

Wilson Grassi (Democrata)

Na segunda-feira (14), o candidato concedeu uma entrevista à Rádio Líder FM, de Pernambuco, onde defendeu a redução do número de ministérios e de cargos comissionados como parte de uma estratégia para cortar gastos públicos e viabilizar sua proposta de redução do imposto de renda.

Questionado sobre proposta de isenção do Imposto de Renda em rendas de até R$ 8 mil por mês, Grassi afirmou que, para compensar a renúncia de receita, seria necessário combinar redução de impostos com cortes de despesas e combate ao que considera desperdícios na administração pública.

Na sexta-feira (18), quando publicou um vídeo em sua conta oficial do Instagram, afirmou que, se eleito, se comprometeria a cancelar o próprio plano de saúde e a utilizar o Sistema Único de Saúde (SUS) durante o mandato. “É um compromisso de campanha que acho que todo candidato deveria assumir. Se eu for eleito, a primeira coisa que irei fazer é cancelar o meu plano de saúde e utilizar somente o SUS”, disse Grassi na publicação.

Ex deputado federal é demitido pelo Ministério da Justiça por abandono de cargo
por
Vitória Teles
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22/09/2026 - 12h

Nesta segunda-feira (21), o Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou a demissão do ex-deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL), do seu cargo de escrivão da Polícia Federal (PF). O motivo da demissão alegado pelo órgão federal é infração disciplinar e abandono de cargo, após Eduardo não comparecer ao serviço durante trinta dias consecutivos sem justificativa.  

O filho de Jair Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde março de 2025, com a justificativa de uma suposta perseguição política e jurídica no Brasil. Em julho deste ano, recebeu o Green Card — documento de residência permanente no país — pelo governo norte-americano. Para manter seu cargo de escrivão da Polícia Federal, Eduardo teria que retornar ao Brasil, já que o serviço não pode ser exercido de forma remota.   

Eduardo Bolsonaro ingressou na Polícia Federal (PF) em 2010, após ser aprovado em um concurso público para ser escrivão. Eduardo estava afastado de suas funções no cargo para cumprir seu mandato na Câmara dos Deputados, porém teve seu mandato cassado em dezembro de 2025 por ultrapassar o limite de ausências permitido pela Constituição.

A decisão da demissão foi assinada pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, na sexta-feira (19) e publicada no Diário Oficial da União hoje (21). Com sua saída, Bolsonaro encerra um vínculo funcional com a Polícia Federal. Além disso, a PF determinou a devolução da carteira funcional e da arma de fogo vinculada ao cargo.

Eduardo Bolsonaro no encontro com Francis e Suárez em 2019. Foto: Marcos Correa/Wikimedia Commons
Eduardo Bolsonaro no encontro com Francis e Suárez em 2019. Foto: Marcos Correa/Wikimedia Commons 

Além do procedimento administrativo na Polícia Federal, Eduardo também foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em junho de 2026, pelo crime de coação no curso do processo. A condenação está relacionada às investigações  e aos julgamentos da chamada “trama golpista” de 2022.  

A condenação fixou 4 anos e 2 meses de prisão, com um cumprimento inicial de regime semiaberto. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo teria atuado nos Estados Unidos com uma tentativa de promover medidas de pressão contra autoridades brasileiras, em específico ministros do STF, com o objetivo de dificultar o julgamento envolvendo seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, concluiu que havia provas o suficiente para caracterizar o ato como crime de coação no curso do processo. Seu voto foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, o que formou uma unanimidade na Primeira Turma. 

Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos e, até o momento, não tem previsão de retorno ao Brasil.

Os concorrentes à Presidência da República ganham visibilidade em veículos de relevância na reta final
por
Carolina Nader
Kaleo Ferreira
Manuela Abbate Gonçalves
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17/09/2026 - 12h

Os candidatos de menor destaque nas pesquisas mantiveram uma agenda diversificada ao longo da semana, combinando entrevistas, atos de campanha, encontros com apoiadores e eventos públicos. Enquanto alguns priorizaram a divulgação de suas propostas e a busca por maior visibilidade nos meios de comunicação, outros concentraram esforços em pautas sociais e mobilizações políticas.

 

Clariana Barão (DC)

A candidata do partido Democracia Cristã concedeu entrevista para o Jornal News SBT, no último sábado (5). 

Na segunda-feira (7), participou de uma entrevista ao canal Bacci Notícias TV. Aproveitando a data comemorativa de 7 de setembro, quando se comemora o “Dia da Independência”,  Clariana Barão esteve na Avenida Paulista, onde cumprimentou populares, fez fotos e vídeos para as redes sociais e distribuiu material. 

Na terça-feira (8) pela manhã, a candidata visitou a Bienal do Livro em São Paulo.

Já na quarta-feira (9) à noite, participou de um evento no Jockey Club de São Paulo. 

Edmilson Costa (PCB)

O candidato cumpriu agenda da secretaria-geral do PCB em Lisboa na segunda e terça-feira (07 e 08/09). Edmilson representou o Partido Comunista Brasileiro (PCB) como secretário-geral da legenda durante as atividades internacionais associadas à 50ª Festa do Avante!. Seus compromissos oficiais concentraram-se em ações de solidariedade internacionalista e articulação política com outros partidos comunistas e operários. 

Hertz Dias (PSTU)

O candidato concedeu uma entrevista ao Jornal Nacional que foi ao ar na última sexta (4). Dias afirmou, “O Brasil vive uma decadência e, para reverter a decadência do país, é necessário reindustrializar o país. Para isso, nós vamos reestatizar todos os setores que são estratégicos para o desenvolvimento social e econômico do país, pegar o excedente dessas empresas, investir na modernização do parque industrial brasileiro, reduzir a jornada de trabalho sem redução de salários, para que a gente possa incorporar ao mercado de trabalho milhões de trabalhadores que estão desempregados e subempregados” 

Hertz teve um recorte de 30 segundos no programa, o que levantou novamente o debate sobre o espaço concedido aos candidatos com menor porcentagem das intenções de voto. 

No sábado (5),  Dias participou de um encontro com apoiadores em Salvador após panfletagem pela capital baiana. 

Hertz de costas discursando para uma plateia distribuída em mesas
Hertz discutindo sobre seu programa de governo e a relevância de sua candidatura. | Reprodução: Instagram/ @hertzdiaspstu

Na segunda (7), esteve com Vera Lúcia, candidata do PSTU para o governo de São Paulo, em uma visita à Cajamar para falar sobre o direito à moradia. O foco foi a Ocupação dos Queixadas, onde 5 mil famílias podem ser despejadas a pedido do prefeito da cidade, Kauãn Berto (PSD). No mesmo dia, à frente da Akaer, Hertz foi entrevistado pela Globo. Na conversa, o candidato frisou a importância da estatização de empresas relevantes para a soberania nacional, citando, além da Akaer, a Embraer e a Avibras. 

No dia 8, terça-feira, Dias marcou presença na Batalha da Matrix, batalha de rima em São Bernardo do Campo, onde ele teceu críticas sobre a extrema direita e os envolvidos no caso Master e acompanhou o evento. Na quarta (9), o PCBR declarou apoio às candidaturas do PSTU, em busca de unir esforços por uma “saída socialista para o Brasil”, como caracterizado por Hertz. 

Finalizando a semana, na sexta (11), o candidato atendeu  uma roda de conversa sobre arte e cultura no Recife, a fim de tratar daprodução artística nas periferias e os desafios desse processo. O evento gratuito aconteceu no Mezanino do Edifício Ambassador na Boa Vista. 

Samara Martins (UP)

Samara foi ao Distrito Federal na terça (7), onde foi recebida por estudantes da Universidade de Brasília (UnB). Sua agenda consistiu de uma sabatina no Correio Braziliense, uma entrevista concedida à Rádio Metrópoles e um encerramento na Rodoviária do Plano Piloto. 

Samara discursando em púlpito
Samara é a única mulher negra entre as candidaturas à Presidência em 2026 (Reprodução: Instagram/ @unidadepopular)

Na quarta-feira (9), a candidata esteve presente na marcha contra os feminicídios e estupros na capital paulista, evento foi organizado pelo Movimento de Mulheres Olga Benário.

 A candidata discursou e apresentou as medidas que pretende implementar para apoiar a causa feminina. 

Rui Costa Pimenta (PCO)

No sábado (5), Rui Costa Pimenta esteve em Belo Horizonte, Minas Gerais, para participar de atividades de campanha e do lançamento de candidaturas do partido no estado.

No mesmo dia, Pimenta participou de uma entrevista ao Jornal Nacional, na qual apresentou algumas das prioridades defendidas pelo seu partido. Entre as propostas destacadas estão o cancelamento da dívida pública, a reestatização de empresas privadas e a defesa de um salário mínimo de aproximadamente R$8 mil.

Wilson Grassi (Democrata)

Na terça-feira (1), a campanha de Wilson seguiu marcada pela suspensão de sua propaganda eleitoral na internet, dos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e de sua participação em debates na televisão, rádio e podcasts, após decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Já na quarta-feira (2), o candidato esteve em frente ao TSE, em Brasília, para protestar contra a decisão. Grassi classificou a medida como desproporcional e afirmou que as redes sociais eram fundamentais para sua campanha. Na quinta-feira (3), visitou um centro de reabilitação de animais resgatados e afirmou que pretende colocar a proteção da fauna entre as prioridades de um eventual governo.

Posteriormente, Toffoli autorizou a retomada da campanha digital de Grassi, além dos repasses do fundo. A suspensão havia sido determinada em razão de irregularidades na indicação dos perfis que seriam utilizados pelo candidato nas redes sociais.

 

Delegação Paulista foi reconhecida por resultados no Pan-Americano em Uruguai
por
Lawanny Nasc
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16/09/2026 - 12h

A dedicação de atletas paulistas ao ju-jitsu foi reconhecida na Câmara Municipal de São Paulo na última sexta-feira (11). A solenidade homenageou integrantes da delegação que representaram o Brasil no Campeonato Pan-Americano, realizado em agosto, em Montevidéu, Uruguai. A iniciativa foi do vereador Gabriel Abreu (PODE) e reuniu atletas, técnicos e representantes da modalidade.

Entre os homenageados estavam atletas que conquistaram medalhas na competição e profissionais envolvidos na preparação da delegação. Mais do que os resultados obtidos nos tatames, a cerimônia destacou a trajetória de quem concilia treinamentos, estudos e trabalho para representar São Paulo e o Brasil em competições internacionais.

Para o vereador Gabriel Abreu, o ju-jitsu vai além da formação esportiva e também contribui para a construção dos indivíduos. Em entrevista exclusiva para AGEMT, ele destacou o esporte como uma ferramenta de formação de pessoas e ressaltou que a trajetória de um atleta também é marcada por dificuldades, derrotas e aprendizados. “O esporte é uma grande ferramenta para poder formar pessoas”, afirmou. 

Embora muitos atletas entrem no esporte com o sonho de alcançar o alto rendimento e viver da modalidade, Gabriel afirmou que é preciso estar preparado para enfrentar os obstáculos. “Os atletas vão passar por grandes provações, dificuldades, derrotas, mas sempre transformando todas elas em combustível para vencer, aprendendo com os erros e construindo as vitórias do futuro”, declarou.

O Presidente da Ju-jitsu Brasil, Shihan Fernando, recebeu este título por reconhecimento, anos de prática, experiência e contribuição para a modalidade. Destacou a dedicação dos atletas homenageados. “São pessoas que se esforçam, que treinam, que estudam, muitos trabalham e ainda assim conseguem encaixar na sua rotina, no seu dia a dia, os treinos e a preparação para eventos de grande envergadura.”

Fernando destaca que receber o reconhecimento dentro da Câmara Municipal representa uma valorização que ultrapassa a comunidade do ju-jitsu. Ele afirmou que os atletas já são considerados “grandes heróis e heroínas” pela família da modalidade, mas que o reconhecimento público demonstra que o esforço realizado também é percebido pela cidade.

O Sensei Bruno Gomes, técnico da Seleção Brasileira, reforçou que o reconhecimento é consequência de um longo processo. Para ele, os atletas devem continuar acreditando e se dedicando mesmo quando os resultados não aparecem imediatamente. “Acreditem, continuem treinando, se esforçando, porque o que for para acontecer, vai acontecer na hora certa”.

A preparação para a superação exige disciplina. Para o Sensei Alex Ladislau, 4º dan  (graduação de mestre, acima da faixa-preta tradicional), técnico e fundador da Escola Kobudo de ju-jitsu, os obstáculos enfrentados durante a preparação funcionam como etapas até a conquista dos resultados. A competição, representa apenas uma parte de um processo que começa muito antes da chegada ao tatame, sendo apenas a “cereja do bolo”.

Entre os atletas homenageados está Kethelyn Sodré, de 19 anos, conhecida como Juma, atualmente faixa azul e em 13° no ranking feminino mundial de ju-jitsu. Ela conquistou o bronze no Pan-Americano realizado em Montevidéu. 

A atleta destaca as batalhas pessoais diárias vencidas; desde o medo, a ansiedade e a pressão que antecedem a entrada no tatame, além de todo o processo de construção pessoal necessário antes da competição.“A medalha é só parte do que aparece, mas por trás delas existe uma história que ninguém consegue enxergar inteira."

Mulher segurando certificado.
Kethelyn Sodré, a Juma, destaca o valor mais profundo que a medalha representa. Foto: Lawanny Nasc/AGEMT

Outro atleta homenageado foi Pedro Barreto, de 19 anos, faixa azul e atualmente 38° no ranking mundial masculino e que também conquistou a medalha de bronze na competição realizada no Uruguai.

Pedro acredita que o esporte ensina valores que ultrapassam as técnicas aprendidas durante os treinos. Entre eles, a empatia com o próximo, já que a prática exige responsabilidade para não machucar o outro durante a execução dos movimentos. 

Pedro afirma que os ensinamentos adquiridos refletem na vida cotidiana ao apontar que a modalidade não se limita à prática esportiva. “A arte marcial pode mudar vidas. Depois que você entra, vira uma pessoa muito melhor.”  

Homem segura certificado em mãos.
Pedro Barreto, medalhista de bronze no Pan-Americano de Ju-Jitsu, considera o esporte como formador de boas pessoas. Foto: Lawanny Nasc/AGEMT

 

 

Confira o desempenho dos principais nomes nas pesquisas mais recentes e como está a avaliação do eleitorado mineiro
por
Camila Bucoff
Gustavo Tonini
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11/09/2026 - 12h

As últimas pesquisas de intenção de voto para governador de Minas Gerais mostram Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança, embora os levantamentos apresentem diferenças nos percentuais atribuídos aos candidatos. A seguir, veja os resultados mais recentes e relembre as pesquisas passadas.

Na terça-feira (8), duas pesquisas sobre intenção de voto para governador de Minas Gerais foram divulgadas. A Quaest, registrada no TSE sob o nº MG-04716/2026 e contratada pela Globo, ouviu 1.506 eleitores do estado presencialmente, entre 4 e 7 de setembro. Sua margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Já a segunda, da AtlasIntel, foi registrada no TSE sob o nº MG-01579/2026. Ela ouviu 1.804 eleitores do estado por recrutamento digital aleatório, entre 30 de agosto e 4 de setembro. Sua margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto.

O que diz a pesquisa Quaest

Na pesquisa estimulada para o primeiro turno, na qual o entrevistador apresenta uma lista com todas as opções de resposta para que o entrevistado escolha sua alternativa, Cleitinho Azevedo (Republicanos) está na frente, com 32% de intenção de voto.

Em seguida estão: Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT), com 11% cada; Mateus Simões (PSD), com 8%; Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL), com 3% cada; Ben Mendes (Missão), com 2%; e Indira Xavier (UP), com 1%.

Para votos em branco, nulo ou “não vai votar”, o percentual foi de 12%, enquanto a categoria “indecisos” marcou 19%. Além disso, o Professor Túlio Lopes (PCB), Rafael Duda (PSTU) e Henrique Áreas (PCO) não pontuaram.

Para o segundo turno, a pesquisa simulou seis disputas diretas. As três com Cleitinho são:

  • Cleitinho (49%) x Kalil (27%) — com 14% de indecisos e 10% em branco/nulo/nenhum.

  • Cleitinho (51%) x Patrus (26%) — com 12% de indecisos e 11% em branco/nulo/nenhum.

  • Cleitinho (50%) x Mateus Simões (20%) — com 15% de indecisos e 15% em branco/nulo/nenhum.

Nas simulações sem Cleitinho, os resultados são:

  • Kalil (42%) x Patrus (18%) — com 15% de indecisos e 25% em branco/nulo/nenhum.

  • Kalil (32%) x Mateus Simões (32%) — com 16% de indecisos e 20% em branco/nulo/nenhum.

  • Mateus Simões (34%) x Patrus (34%) — com 14% de indecisos e 18% em branco/nulo/nenhum.

O que diz a pesquisa AtlasIntel

Na pesquisa estimulada para o primeiro turno, Cleitinho Azevedo (Republicanos) segue na frente, com 41% de intenção de voto. Em seguida estão Patrus Ananias (PT), com 30%, e Alexandre Kalil (PDT), com 9,2%.

O restante dos candidatos teve percentuais abaixo de 5%: Gabriel Azevedo (MDB) pontuou 4,7%, enquanto Ben Mendes (Missão), Flávio Roscoe (PL) e Mateus Simões (PSD) pontuaram 4% cada. “Outros” marcou 0,5%, enquanto brancos e nulos somaram 0,4% e “não sei” registrou 2,2%. Indira Xavier (UP) aparece dentro da categoria “Outros”, com 0,5%, enquanto Professor Túlio Lopes (PCB) e Rafael Duda (PSTU) não pontuaram.

Já no segundo turno, foram feitas cinco simulações. As três com Cleitinho são:

  • Cleitinho (53,4%) x Patrus (39,3%) — com 7,2% em branco/nulo/não sabe.

  • Cleitinho (55,3%) x Gabriel (21,9%) — com 22,8% em branco/nulo/não sabe.

  • Cleitinho (53,3%) x Alexandre Kalil (35,5%) — com 11,2% em branco/nulo/não sabe.

Nas simulações sem Cleitinho, os resultados são:

  • Patrus (43,4%) x Mateus Simões (30,8%) — com 25,8% em branco/nulo/não sabe.

  • Patrus (44,3%) x Flávio Roscoe (28,2%) — com 27,6% em branco/nulo/não sabe.

A pesquisa também mapeou quais são, na percepção dos entrevistados, os principais problemas do estado de Minas Gerais. Os cinco mais citados são a qualidade da educação (35,1%), o acesso à saúde (33,3%), a criminalidade (31%), a infraestrutura (30%) e a situação financeira do estado (26,4%).

O que mudou em relação às pesquisas anteriores?

A AtlasIntel havia previsto divulgar uma pesquisa anterior em 1º de setembro, mas o levantamento foi cancelado após um erro no questionário registrado no TSE. Nele, Romeu Zema e Renan Santos, candidatos à presidência, apareciam em cenários de segundo turno contra Patrus Ananias. O instituto então registrou um novo levantamento, que foi divulgado em 8 de setembro.

Em relação à pesquisa da Quaest, Cleitinho Azevedo manteve a liderança e passou de 29% para 32% no primeiro turno — uma oscilação de três pontos percentuais, exatamente no limite da margem de erro. O candidato manteve o seu favoritismo em todos os cenários de segundo turno feitos pela pesquisa (contra Patrus, Kalil e Mateus Simões), e obteve os mesmos resultados da primeira pesquisa, de acordo com a margem de erro. 

Enquanto isso, Patrus Ananias viu sua popularidade cair. Por mais que já estivessem empatados de acordo com a margem de erro, Kalil subiu sua intenção de voto no primeiro turno de 10% para 11%, igualando-se de vez com o candidato do PT, que não alterou seu percentual. Além disso, com a nova pesquisa, Patrus não ganha em nenhum cenário de segundo turno, antes só ganhava de Mateus Simões e viu seu percentual cair de 35% para 34%, enquanto o adversário subiu de 31% para 34%. 

Falando em Mateus Simões, ele é outro que teve uma crescente entre as duas pesquisas. Mesmo ainda com um percentual baixo nas intenções de voto para o primeiro turno (de 7% para 8%), o candidato cresceu na pesquisa do segundo turno. Contra Patrus, igualou o percentual do adversário, passando de 30% para 32%, enquanto o candidato caiu de 32% para 30%.  Contra Cleitinho também cresceu, mesmo ainda perdendo, saindo de 17% para 20%.

Já Alexandre Kalil se tornou de fato o candidato mais bem cotado abaixo de Cleitinho Azevedo. Sendo o que fica mais próximo dele no segundo turno. Kalil manteve seu 27% de intenção de votos em relação ao crescimento de 48% para 49% do adversário. Porém, o candidato ainda tem um percentual muito abaixo do favorito e também viu Mateus Simões se aproximar em um eventual segundo turno contra ele. 

Já para os outros candidatos, a intenção de voto não variou além da margem de erro entre as duas pesquisas. Os destaques ficam para Professor Túlio Lopes e Rafael Duda, que saíram de 1% de intenção para voltar a não pontuar. 

Nova norma altera a Lei Maria da Penha e limita o procedimento à autorização formal do requerente
por
Carolina Nader
|
08/04/2026 - 12h

Nesta terça-feira (7) o Plenário aprovou a lei que exige pedido e manifestação expressa da vítima para audiência de retratação, em nota publicada no Diário Oficial da União. Segundo o documento, a legislação entra em vigor a partir da data de sua publicação.

A audiência de retratação é um ato judicial específico onde a mulher, vítima de violência doméstica, manifesta perante o juiz e o Ministério Público o desejo de retirar a queixa contra o agressor. O objetivo é confirmar se a renúncia é voluntária e livre de coação, ocorrendo antes do recebimento da denúncia.

A proposta, inicialmente feita pela deputada federal Laura Carneiro (PSD/RJ), altera a Lei Maria da Penha ao determinar que, na audiência de retratação, a vítima manifeste a desistência perante o juiz. A manifestação deve ser apresentada por escrito ou oralmente antes do recebimento da denúncia e a retratação deverá ser registrada nos autos.

Para a deputada - reconhecida pela forte atuação na Câmara dos Deputados na defensoria de mulheres - a alteração busca garantir que a decisão de se retratar seja realizada pela vítima, evitando influências externas que possam prejudicá-la. 

A nova legislação centraliza a autonomia da vítima, o que torna o processo mais rigoroso e menos suscetível à interferências de terceiros. Ela representa também um marco na proteção da mulher, uma vez que auxilia na resolução de um impasse jurídico que perdurou por anos. 

Antes, a audiência era vista como um marcador de continuidade na decisão da mulher. O não comparecimento, em muitos casos, era interpretado como uma “renúncia tácita”, levando ao arquivamento do processo. Agora, com a nova norma, a audiência existe para confirmar uma decisão já tomada. 

Mara Gabrilli, relatora do projeto, destacou que o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu que o Poder Judiciário não pode determinar a obrigatoriedade da audiência de retratação. Conforme o STF, observou ela, apenas a vítima pode solicitar essa audiência. 

Além disso, o Supremo considerou inconstitucional a interpretação pela qual o não comparecimento da vítima seria automaticamente interpretado como desistência em dar seguimento ao processo.

Ao exigir que o pedido parta da vítima, a sanção impede o agressor ou a família de utilizar a audiência como uma chance de coagir e de forçar a desistência da denúncia, além de reduzir a revitimização.  

“O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Para proteger a vida de nossas mulheres e meninas, é fundamental oferecer ações concretas”, afirmou a relatora.

A nova legislação reconhece a necessidade da presença paterna desde os primeiros dias de vida da criança
por
Carolina Nader
|
02/04/2026 - 12h

Nesta terça-feira (31), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que amplia a licença-paternidade de forma gradual no Brasil. O projeto busca aumentar a participação paterna nos cuidados com a primeira infância e garantir renda durante o período de afastamento.

A nova medida representa um avanço importante para o país e ocorrerá de forma progressiva. O afastamento será de 5 a 20 dias, até 2029, e o direito é assegurado em casos de nascimento, adoção ou guarda para fins de adoção, sem prejuízo do emprego e do salário. 

A Constituição de 1988 dizia que a dispensa do trabalho seria de cinco dias até que uma lei fosse criada para disciplinar o tema. Atualmente, os cinco dias corridos, não úteis, são financiados pela empresa. Com a nova lei, o salário-paternidade passa a ser pago pelo governo, por meio da Previdência Social, que assumirá o custo do afastamento.

O benefício poderá ser pago diretamente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ou pela empresa, em modelo semelhante ao salário-maternidade. O valor varia conforme o perfil do trabalhador, sendo integral para empregados formais, baseado na contribuição para autônomos e microempreendedores individuais (MEIs), e equivalente ao salário mínimo para segurados especiais.

As empresas poderão ser reembolsadas pelos valores pagos aos empregados durante a licença-paternidade, respeitando o limite máximo de benefícios estabelecido pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

No entanto, em casos comprovados de violência doméstica ou abandono financeiro em relação à criança ou à família, o benefício poderá ser suspenso.

A lei equipara a licença-paternidade à licença-maternidade como direito social, assegura estabilidade no emprego desde a comunicação ao empregador até um mês após o término da licença e permite o parcelamento do período. Também prevê prorrogação em caso de internação da mãe ou do bebê e ampliação do afastamento quando o pai assume integralmente os cuidados.

Durante a cerimônia de sanção, no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o impacto da medida na divisão das responsabilidades familiares. “A mulher já conquistou o mercado de trabalho, mas o homem ainda não conquistou a cozinha. Essa lei vai ensinar os homens a aprender a dar banho em criança, acordar de noite para cuidar da criança quando chora. Ele vai ter que aprender a trocar fralda. Então é uma lei que eu sanciono com muito prazer”, afirmou.

Senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em pronunciamento à bancada durante sessão que aumenta licença-partenidade. Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado
Senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) em pronunciamento à bancada durante sessão que aumenta licença-partenidade. Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado 

A legislação também garante o direito à licença a pais adotantes e responsáveis legais, além de prever a ampliação em um terço do período do benefício em casos de adoção ou nascimento de crianças com deficiência. O texto garante ainda o direito para casais homoafetivos que adotarem, estabelecendo que uma das pessoas terá acesso ao salário e à licença-maternidade, enquanto a outra utilizará da licença-paternidade.

Em caso de falecimento da mãe, o companheiro terá direito ao período da licença-maternidade, que varia de 120 a 180 dias. Se o pai adotar sozinho ou conquistar a guarda da criança sem a participação da mãe ou de um cônjuge, também usufruirá desse prazo.

A licença-paternidade será garantida ainda em situações de parto antecipado. Caso o trabalhador seja demitido sem justa causa, poderá receber indenização de até duas vezes o valor correspondente ao período da licença.

Segundo estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a ampliação da licença-paternidade está associada ao aumento da participação dos pais no cuidado com os filhos. Para a entidade, políticas de licença parental mais amplas também contribuem para maior harmonia na divisão das responsabilidades familiares, podendo gerar benefícios para as empresas, como maior retenção de trabalhadores e satisfação no ambiente profissional.

As medidas equilibram a divisão das responsabilidades familiares, reforçando a participação paterna no cuidado com a primeira infância. 

Mais de seis décadas depois, a data relembra o começo da ditadura militar e seus impactos na democracia brasileira
por
Carolina Nader
Vitória Teles
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01/04/2026 - 12h

Na terça-feira (31), o Brasil recordou os 62 anos de um dos períodos mais marcantes de sua história. A deposição do presidente João Goulart, que aconteceu no dia 31 de março daquele ano, iniciou um regime que durou mais de duas décadas e que hoje ainda influencia debates sobre democracia, memória nacional e direitos dos cidadãos no país. 

Por volta do início da década de 1960, o Brasil possuía cenário político instável e apresentava crises econômicas durante o governo de Goulart, que defendia as Reformas de Base nas áreas agrária, educacional e econômica, o que aumentou a polarização no país. Durante a Guerra Fria, o medo de uma aproximação com o comunismo intensificou as tensões internas, levando setores das elites, grupos conservadores e parte das Forças Armadas a defenderem a saída do presidente, alegando mais estabilidade política e econômica.

Em 31 de março de 1964, tropas militares se mobilizaram contra o governo. Dias depois, o Congresso declarou vaga a Presidência, e os militares assumiram o poder.

Familiares de mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar recebem as certidões de óbito com a verdadeira causa mortis de seus parentes. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto.
Familiares de mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar recebem as certidões de óbito com a verdadeira causa mortis de seus parentes. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto. 

Após a chegada ao poder, os militares implantaram um regime baseado na centralização política e na limitação das liberdades democráticas. O governo passou a ser conduzido por presidentes militares, os quais eram escolhidos sem eleições diretas pela população.

Os Atos Institucionais serviram de ampliadores aos poderes do Executivo durante o regime militar, permitindo mudanças constitucionais sem participação popular. Segundo o Portal da Câmara dos Deputados, decretado em 1968, o AI-5 marcou o período mais rígido do regime, com o fechamento do Congresso, a restrição de direitos políticos e o fortalecimento de medidas autoritárias contra opositores. Os integrantes de partidos, estudantes, jornalistas e sindicalistas foram alvo de perseguições que resultaram em prisões, afastamentos e exílios. 

Em entrevista à AGEMT, o encarregado dos serviços administrativos e caseiro, Boaventura Inglez, que trabalha na PUC-SP há 50 anos, contou da invasão militar que ocorreu na universidade em 1977, comandada por Erasmo Dias. “Eles (militares) entraram no centro acadêmico, arrebentaram tudo procurando algum material subversivo, pegaram as máquinas e jogavam para cima para estourar no chão. Pareciam animais” 

Inglez relatou também que, após a invasão, os militares ficaram nos arredores da instituição, causando medo e apreensão aos alunos e funcionários. “Tínhamos que sair com o documento na mão para trabalhar”, explica. 

Segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade (2014), mais de 400 pessoas foram mortas ou desapareceram por motivos políticos durante o período. O documento aponta o uso sistemático de práticas de repressão por órgãos de segurança e inteligência criados para monitorar e controlar atividades políticas.

As investigações conduzidas após a redemocratização buscaram reconhecer violações de direitos humanos ocorridas entre 1964 e 1985 e contribuir para a preservação da memória histórica brasileira.

Familiares de pessoas mortas na ditadura levantam cartazes de protestos. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto
Familiares de pessoas mortas na ditadura levantam cartazes de protestos. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto

Ao relembrar o golpe militar, é importante citar a mobilização social desse período. Greves operárias, manifestações estudantis, músicas e peças de teatro contra o regime, ações de resistência da sociedade civil.

Um dos movimentos que aglutinou diferentes espectros políticos foi o pelas “Diretas Já”, que exigia a volta das eleições diretas para presidente da República, suspensas pelo regime militar. O movimento reuniu milhares de brasileiros em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. 

Outro marco importante foi a Lei da Anistia, que permitia o retorno dos exilados e a libertação de presos políticos. A preservação dessa memória segue relevante, sobretudo diante de famílias que ainda buscam justiça e respostas. Até hoje, o período do regime militar gera interpretações divergentes: enquanto parte da sociedade o vê como uma fase de autoritarismo, censura e violações de direitos humanos, outra o associa à ideia de ordem e crescimento econômico.

A ditadura é frequentemente usada como referência para discutir o presente, debates sobre liberdade de expressão, comparações de ameaças à democracia, discussões sobre golpes, entre outros fatores que agregam e estimulam ainda mais argumentações sobre esse assunto.   

De acordo com o site oficial ‘Memórias da Ditadura’, os direitos da Justiça de Transição promovem o reconhecimento e lidam com o legado de atrocidades de um passado violento e de um presente e futuro que precisam ser diferentes. Lembrar 62 anos depois é reconhecer a necessidade de usar da história como ferramenta de proteção dos direitos humanos.  

Após a desistência de Ratinho Junior, o governador de Goiás supera Eduardo Leite e garante espaço na disputa presidencial de 2026
por
Carolina Machado
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31/03/2026 - 12h

Na última segunda-feira (30), Ronaldo Caiado oficializou sua candidatura à presidência da República pelo PSD (Partido Social Democrático) e deve deixar o cargo como governador de Goiás até o fim desta semana. Seu nome foi confirmado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, durante coletiva de imprensa em São Paulo.

Em 14 de março, o governador de Goiás formalizou sua filiação ao PSD, em um movimento para viabilizar a candidatura presidencial. Durante o ato, em Jaraguá, ele apresentou seu vice, Daniel Vilela, como pré-candidato à sucessão no governo estadual.

Formalização da filiação de Ronaldo Caiado ao PSD  (Partido Social Democrático), em 14 de março de 2026. Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado
Formalização da filiação de Ronaldo Caiado ao PSD (Partido Social Democrático), em 14 de março de 2026.
Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado

No PSD, disputavam a indicação para a Presidência, além de Ronaldo Caiado, os governadores Ratinho Júnior e Eduardo Leite.

O caminho para Caiado no embate interno no partido ficou livre após a desistência de Ratinho Junior (PSD). O governador paranaense era considerado o favorito e estava prestes a ser confirmado como pré-candidato, quando recuou para se dedicar à campanha estadual e tentar um sucessor de seu grupo político na eleição contra Sergio Moro (PL), que concorrerá ao governo do Paraná.

Caiado superou seu último concorrente e governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). Sobre a decisão, o gaúcho se manifestou afirmando estar “desencantado” e que a escolha mantém a radicalização política no Brasil. “Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão”, disse Leite, em vídeo publicado em seu Instagram.

Enquanto candidato, Ronaldo Caiado diz ter como objetivo “pacificar o Brasil” e que, para isso, pretende “anistiar todos, inclusive o ex-presidente”, pelos crimes contra a democracia que culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Poderes, em Brasília. “Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia ampla, geral e irrestrita […] estarei dando uma amostra de que a partir dali eu vou cuidar das pessoas”, afirmou Caiado em entrevista coletiva.

Em ato do PSD (Partido Social Democrático) sobre a disputa presidencial. Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado
Em ato do PSD (Partido Social Democrático) sobre a disputa presidencial.
Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado

No cenário da disputa presidencial, o governador de Goiás declara, sabendo que competirá pelo mesmo eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL), mas sem citá-lo, que não se pode aprender na cadeira. Sobre o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado diz que o difícil não é ganhar a eleição, mas sim governar para que o PT (Partido dos Trabalhadores) não seja mais opção no país.

Após crescimento de crimes de ódio contra mulheres no Brasil, proposta de lei é mandada para a câmara dos deputados
por
Juliana Hochman
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31/03/2026 - 12h

Na terça-feira (24), o plenário do Senado Federal aprovou, com 67 votos a favor e nenhum contra, a inclusão da misoginia como crime de preconceito, incluíndo a “condição de mulher” na interpretação da Lei do Racismo, ao lado de cor, etnia, religião e nacionalidade. O projeto de Lei 896/2023, da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e relatado por Soraya Thronicke (Podemos-MS), determina pena de dois à cinco anos de reclusão, além de multa, podendo aumentar se ocorrer o crime com duas ou mais pessoas ou se for em lugares públicos, redes sociais inclusas.

De acordo com o decreto do Congresso Nacional, a misoginia consiste em discriminação, preconceito, aversão e propagação de ódio por condição do sexo feminino. Ao defender a proposta na tribuna, a senadora Ana Paula Lobato afirma a importância da lei, “Nós brasileiros passamos a acordar e dormir com várias notícias de violências contra mulheres. Nós só ficamos sabendo quando já é tarde demais, porém isso começa lá atrás de inúmeras maneiras, e uma delas é a misoginia”, relatou em seu discurso no senado durante a sessão.

As senadoras Ana Paula Lobato e Natércia Campos no senado federal para a aprovação do crime misógino. Foto: Divulgação/Senado Federal.
As senadoras Ana Paula Lobato e Natércia Campos no senado federal para a aprovação do crime misógino. Foto: Divulgação/Senado Federal.

Aumento do crime contra as mulheres 

Em 2015, houve a tipificação do feminicídio no Brasil, no qual são mantidos dados de mulheres assassinadas.  No ano passado, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública, atingindo o recorde de feminicídio, com quatro mulheres mortas por dia, houve um aumento de 4,7% em comparação à 2024.

A pesquisa “Retratos dos feminicídios no Brasil”, divulgada pelo fórum brasileiro, aponta que o crime contra as mulheres é a “manifestação extrema de um regime de desigualdades entre homens e mulheres na sociedade brasileira” e que o autor do feminicídio é alguém que divide a vida cotidiana com a vítima. Cerca de 59,4% das vezes é o companheiro afetivo, em 21,3% dos casos, o ex-companheiro, e dificilmente o agressor é um desconhecido. 

Dentro da internet 

A chamada “Machosfera” é um conjunto de perfis de “coaches da masculinidade” nas redes sociais que, sob  discurso de “melhoria masculina” e “desenvolvimento pessoal”, propagam a misoginia, violência simbólica e apologia à agressões contra mulheres, recompensados por monetização e viralização. Suas principais características são: a idéia que o homem é prejudicado em prol do favorecimento das mulheres,  generalização estereotipada do comportamento feminino,  defesa de que o homem deve exercer a figura de autoridade em uma relação e a mulher de submissão.

Nesse ambiente, meninos e jovens são levados à odiar mulheres, vendo-as como concorrentes, voltando à masculinidade tóxica enraizada na sociedade. Dentro dessas comunidades a agressão, física, psicológica e dentro da internet, é normalizada por meio de memes e piadas misóginas, levando à ameaças diretas, perseguição online e chantagens, contribuindo para a banalização do desrespeito, aumentando o antagonismo entre os gêneros e a transformação da violência como um comportamento aceitável.

Críticas à Lei

Membros da direita da Câmara dos deputados prometem, em suas redes sociais, resistência ao projeto, ao observarem risco à liberdade de expressão, apesar da proposta ter sido aceita com unanimidade no Senado. 

O Deputado Nikolas Ferreira declara em suas redes sociais ser contra o projeto de lei 896/23. Foto: Divulgação/X.
O Deputado Nikolas Ferreira declara em suas redes sociais ser contra o projeto de lei 896/23. Foto: Divulgação/X.

Deputados majoritariamente do Partido Liberal se opõem à proposta. Nikolas Ferreira (PL-MG) usou as redes sociais para desaprovar e questionar o que é a misoginia tratada na lei, já a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) levantou dúvidas sobre a aplicação direta da lei, alegando o processo penal como “muito aberto e a critério dos julgadores”, afirmando que a censura está passando oblíqua sob o manto de defesa das mulheres. Sâmia Bomfim (Psol-SP) critica a atitude dos políticos que são contra o projeto de lei e as informações falsas que circulam na rede.