Na última sexta-feira (18), o Operativo Nacional de Dissidentes da Revolução Solidária, grupo interno do Psol, publicou uma carta acusando o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos de deixar a sigla para filiar-se ao Partido dos Trabalhadores. O coletivo afirma que “Boulos deixou o projeto de construir base social em um projeto à esquerda através do Psol para tentar por dentro do PT e ser o escolhido de Lula” .
Segundo a dissidência, a tentativa do ministro de negociar uma federação com o partido de Lula teria sido uma estratégia para desenhar sua saída do Psol. A proposta foi rejeitada pelo Diretório Nacional da sigla, no dia 7 de março deste ano.
Em nota enviada ao Brasil de Fato, Boulos afirmou que a Revolução Solidária, corrente à qual faz parte, ainda discute seus rumos na atual conjuntura política brasileira. O político disse “lamentar” que um espectro da sigla tenha postado uma nota “ilegítima” e classificou a atitude como “desespero e oportunismo”. O grupo antagônico à Revolução Solidária ainda não havia se pronunciado até o fechamento deste texto.
Crise no partido
O episódio expôs a crise interna do Psol em torno das estratégias políticas para os próximos anos. Enquanto a Revolução Solidária, ligada a Boulos, defendia a aliança política Psol-PT com o intuito de fortalecer a representatividade no Congresso e assim, fortalecer o campo progressista. A proposta gerou debates entre internautas, militantes e apoiadores nas redes sociais, que defenderam que a coalizão com um partido maior poderia comprometer decisões autônomas da sigla, além de reduzir a relevância política do ministro no espectro da esquerda.
Guilherme Boulos está filiado ao Psol desde 2018, ano das eleições que elegeram Jair Bolsonaro (PL) para a presidência. Em 2022, ele foi eleito Deputado Federal por São Paulo e em 2024 chegou ao segundo turno para a Prefeitura de São Paulo. Ao final de 2025, assumiu a Secretaria-Geral da Presidência da República, por indicação do presidente Lula.
Na tarde da última segunda-feira (23), Ratinho Jr., atual governador do Paraná, anunciou que continuará como governador e não têm mais pretensão em se candidatar para Presidente da República pelo PSD (Partido Social Democrata).
A decisão de Ratinho Jr. foi comunicada ao presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e oficializada por meio de nota.
O governador vinha sendo apontado como um dos principais nomes que representam a centro-direita para as eleições de 2026. A desistência foi decidida nas 24 horas anteriores ao anúncio oficial, após reflexão junto à sua família.
A filiação de Sérgio Moro ao PL (Partido Liberal), fez com que o senador passasse a ser o candidato oficial, alinhado ao bolsonarismo, do Governo do Estado do Paraná. Ratinho Jr. que não pode se reeleger por estar cumprindo seu segundo mandato consecutivo, tem a expectativa de eleger um sucessor e sua candidatura à presidência da república poderia o afastar de sua articulação direta no estado.
Assim, o foco agora se volta inteiramente para a manutenção de sua base política no Paraná, onde ele espera consolidar seu legado e garantir a continuidade de seu projeto de governo por meio de um sucessor aliado. A decisão do governador Ratinho Jr. encerra um ciclo de especulações e redefine o cenário da centro-direita para as próximas eleições.
Além disso, apurações indicam que Ratinho Junior não deve permanecer em cargos políticos após a decisão. Já o presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a sigla pretende seguir na disputa e trabalhar para viabilizar um candidato próprio nas eleições de 2026.
Nesta terça-feira (24), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou ao ex-presidente, Jair Bolsonaro, a cumprir prisão domiciliar humanitária temporária, devido ao quadro de saúde apresentado nas últimas semanas. A decisão estabelece algumas condições, às quais devem ser seguidas pelo detento durante esse período.
O ministro, antes de julgar a medida essencial para o avanço no quadro de broncopneumonia, solicitou a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Paulo Gonet, procurador-geral, analisou os laudos médicos enviados pela defesa de Bolsonaro. De acordo com ele, "a evolução clínica do ex-presidente, nos termos como exposto pela equipe médica que o atendeu no último incidente, recomenda a flexibilização do regime, em linha com o que admite o Supremo Tribunal em circunstâncias análogas".
Após a observação feita pelo PGR, o ministro decretou que o ambiente domiciliar é o mais indicado para a preservação da saúde do paciente. O relatório emitido pelo STF cita que o prazo estabelecido foi de 90 dias, a contar da data de sua alta médica.
A decisão de Moraes será reavaliada após esse período, podendo ser alterada de acordo com o estado de saúde do ex-presidente e da presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar temporária.
Bolsonaro deverá seguir regras estabelecidas no julgamento do ministro. Dentre elas estão: a necessidade de utilizar tornozeleira eletrônica com envio de relatórios diários ao Supremo, monitoramento policial permanente na residência e o não recebimento de visitas, exceto de médicos da equipe de fisioterapia, sua equipe de defesa e de seus filhos - que poderão visitá-lo duas vezes por semana - como ocorre no estabelecimento prisional. A proibição de manifestações e acampamentos feitas por eleitores de Jair Bolsonaro também estão previstas na decisão judicial, em uma distância de pelo menos 1km.
Além disso, Moraes proibiu o uso de celulares ou qualquer meio de comunicação externa, incluindo o intermédio de terceiros. Qualquer tipo de medida que não for respeitada, o levará de volta ao hospital ou à Penitenciária da Papuda (DF), a depender das circunstâncias.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e permanece internado no hospital DF Star, em Brasília, desde 13 de março para tratar de uma pneumonia bacteriana bilateral.
O caso seguirá sob acompanhamento do STF, que poderá revisar as medidas a qualquer momento mediante novos relatórios médicos e o descumprimento das medidas determinadas pelo ministro.
No último sábado (21), a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, confirmou sua filiação ao PSB (Partido Socialista Brasileiro). A formalização da entrada dela no partido ocorrerá na próxima semana, além de concorrer ao Senado por São Paulo nas eleições deste ano.
Em publicações nas redes sociais, Tebet destacou sua trajetória no MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e agradeceu aos correligionários. “O MDB, casa que me abrigou e me permitiu servir ao Brasil por quase 30 anos, também serviu de moradia segura para os brasileiros democratas perseguidos durante a longa noite do arbítrio”, afirmou.
A ministra foi prefeita de Três Lagoas (MS), senadora e vice-governadora do Mato Grosso do Sul pelo MDB, tendo construído lá toda sua carreira política. Na última eleição, também foi candidata à Presidência da República. Simone acrescenta, ainda, que seguirá dedicada à vida pública em sua nova sigla: “É a essa tarefa, nesta nova casa, que continuarei a dedicar as minhas melhores energias”, afirmou em publicação feita pelo Instagram.
Em nota, o PSB disse que recebe Tebet com “entusiasmo, respeito e com senso de responsabilidade histórica”, destacando o compromisso da ministra com o partido, o qual encontra-se o vice-presidente Geraldo Alckmin e a deputada Tábata Amaral que a ajudaram na troca de filiação.
A mudança de partido abre caminho para que Simone Tebet dispute o Senado por São Paulo em chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT). Essa movimentação ganhou força após uma conversa informal, no dia 27 de janeiro, em que o presidente Lula destacou o potencial eleitoral de Tebet, ao mostrar os resultados de sua última candidatura, em 2022. “São Paulo tinha me dado mais de um terço dos votos para a presidência da República. Foi onde tive mais votos, é onde tenho mais acentuação”, ressalta Tebet em 12 de março, quando confirmou que sairia candidata pelo estado.
Simone Tebet migrou para o PSB para ampliar o apoio político no estado e alinhar sua candidatura à chapa governista de Fernando Haddad (PT). Ela deverá deixar o cargo como ministra do planejamento e orçamento no final deste mês.
Em resposta à crescente nos índices de feminicídio e violência contra a mulher, no último dez de março, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) apresentou o Projeto de Lei nº 6.075. A proposta busca tipificar como crime a promoção e a incitação de conteúdos misóginos na internet, com o objetivo de conter a disseminação de discursos que incentivam a violência física, psicológica ou moral contra mulheres.
O projeto também prevê a responsabilização pela difusão de conteúdos que desumanizam mulheres ou incentivam a discriminação, práticas frequentemente disseminadas por influenciadores "red pill" que lucram com a propagação dessas ideias nas redes. O abaixo-assinado em apoio ao projeto já conta com mais de 212 mil assinaturas, demonstrando a preocupação do povo com a escalada dos feminicídios e crimes sexuais e com a necessidade de enfrentar o problema também no campo legislativo.
“Precisamos definitivamente dar um basta nisso e coibir esse tipo de prática nas redes sociais. As plataformas viraram um território livre para a misoginia, as comunidades redpill crescem, se organizam e há pessoas que lucram com esse tipo de discurso de ódio”, afirma a deputada.
Em entrevista à AGEMT, Sâmia conta sobre o impacto deste Projeto de lei: "A aprovação do PL Anti Redpill terá um impacto concreto porque hoje existe um vazio na legislação brasileira quando se trata da misoginia nas redes. Já há o reconhecimento do problema, mas não existe um tipo penal específico que permita enquadrar diretamente quem promove ou incentiva esse tipo de violência".
Segundo a parlamentar, a proposta busca enfrentar violências decorrentes de discursos misóginos. “Ao tipificar o crime, cria-se um instrumento claro para que vítimas possam denunciar e para que o sistema de Justiça reconheça esses casos como violência de gênero, e não apenas como situações isoladas de difamação ou ameaça”, declara. Assim, nomear o problema é o primeiro passo para o combater, como o que ocorreu com a tipificação do feminicídio, em 2015.
O PL também considera a forma como essa violência acontece hodiernamente: de maneira organizada e amplificada nas redes, com foco principal em fóruns "red pill". À vista disso, o texto prevê agravantes quando o conteúdo é disseminado por meio de plataformas digitais, com uso de contas falsas, mecanismos automatizados ou financiamento para ampliar o alcance. Isso permite responsabilizar não só indivíduos isolados, mas redes estruturadas que lucram com o discurso de ódio.
A deputada conclui: "É um passo dentro de uma agenda mais ampla, que envolve educação, mudanças culturais e regulação das plataformas, mas que já cria uma ferramenta concreta de proteção e responsabilização".