Não vamos pagar nada, só vender tudo.
por
Artur dos Santos
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02/10/2022 - 12h

Me decepciona a conduta de Paulo Guedes, o antigo empreendedor indomável que hoje se contenta com propostas quase omissas de tão pouco inovadoras. Quero o Guedes Foguete Privatizador de volta! 

Achei, de fato, que as últimas condutas pouco libertárias de Guedes eram deslizes, mas depois dessa semana vejo que o espírito empreendedor dele sumiu. Vender praias inteiras, ministro? É esse o máximo de seu empreendedorismo neo liberal revolucionário? Normalmente não me envolvo com economia, mas agora vou fazer minha proposta que talvez desperte o Foguete. 

Vender praias inteiras não é prático, ministro! Sugiro a venda de Kits Praia portáteis. Por que vender algo por inteiro se podemos fracioná-lo e lucrar mais?

Kits Praia serão revolucionários. Venderemos até o último grão de areia de todas as praias do Brasil; uma venda quase infinita! Virão em diferentes tamanhos do pequeno ao grande: Kit Praia estúdio 10m² na Faria Lima, Kit Praia casa com quintal em Alphaville e Kit Praia Itu. Os preços? Ah, esses variam de acordo com a qualidade da areia, da água e até os eventuais mini quiosques que tiverem dentro dos Kits. Será revolucionário!

Os brasileiros que moram nos EUA receberão seus Kits dados pessoalmente pelo Foguete em pessoa! Os brasileiros que moram em outros países receberão via Sedex, o Ministro se sente mais confortável indo aos EUA.

Enfim, vendam até o último grão de areia da última praia, isso sim vai democratizá-las ao povo. Isso porque não vamos pagar nada, só vender tudo!

 

A cadeia da fiscalização ataca novamente. Quem fiscaliza quer ser fiscalizado?
por
Artur dos Santos
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26/09/2022 - 12h

Todo o ano voltamos à velha pergunta: “quem regula o poder de quem regula o poder?”, ou “quem regula aquele que regula?”, a pergunta mais famosa entre a direita anti-establishment, que, no final das contas, é quem regula o poder e quem regula o poder de quem regula o poder - agentes duplos!

Fiquei sabendo que essa discussão é uma das quais nem as Forças Armadas escapam. Essas, que querem fiscalizar a contagem dos votos, não querem ser, por sua vez, fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União… ah, a ironia.

Segue o diálogo:

- Queremos fiscalizar as urnas, truco!

- Queremos fiscalizar a fiscalização de vocês… seis!

- Pô, aí não né marreco…

Prevejo a entrada de uma terceira força fiscal - para fiscalizar a fiscalização da fiscalização - mas, a partir daí, não garanto que o carrossel termine. Eu, por exemplo, já mandei a redação contratar um revisor que revise as revisões que meu atual revisor faz nos meus textos… não confio nele. Agora, se ele contratar um revisor que revise seu revisor que eu contratei para revisar as suas revisões, teremos um problema.

 

Acompanhe a íntegra de frases ditas em reuniões oficias do presidente
por
Artur dos Santos
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22/09/2022 - 12h

Em reunião do Alto Comando:

 

- Presidente, a coisa tá feia: estamos sendo invadidos e precisamos de exatos 210 mísseis, aqueles que tanto custou negociar com os EUA

- Servem 189? 21 deles disparamos semana passada em homenagem à minha campanh… ao Bicentenário

- Mas presidente! Agora não temos nem mais um míssel para cada ano de independência, presidente!

- Cadete, quem te autorizou a ser anti independência?

 

Na reunião dos ministérios:

 

- Então vamos marcar esse churrasco!

- Já molhei o pão e acendi a churrasqueira!

- Gente, alguém sabe onde está o coração de Dom Pedro?

 

No velório:

 

- Aê Carlinhos! Como tá a família?

 

Na cúpula:

 

- Lira, já pensou em abandonar as fazendas e entrar em novos negócios imobiliários?

 

Na cópula:

 

- Imbroxável!

Vamos de Sabatina versão crônica; se preparem, não virem tchutchucas, e, se puderem, não privatizem tudo
por
Artur dos Santos
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01/09/2022 - 12h

Tem coisas que a gente esquece… não é sempre que lembramos de reabastecer o bilhete único, de lavar a louça, colocar o despertador pra tocar… realmente existem coisas imemoráveis e tudo bem. Tem coisas que eu, inclusive, só lembro quando preciso - como, por exemplo, um guarda-chuva, que eu sempre levo na mochila em dias secos e o qual milagrosamente eu esqueço em casa quando chove. Tem coisas, também, que eu só lembro quando aparecem como: aniversários de antigos colegas de sala, grão de bico, casamentos, fãs de Legião Urbana, Capital Inicial, Jota Quest, Wesley Safadão, o Partido Novo, etc. Todas essas coisas têm algo em comum: eu sempre nego tê-las esquecido. Subitamente vejo algo do qual eu não havia me esquecido; subitamente está lá, no  meio do debate o candidato milionário Felipe D’ávila e penso “ih, olha lá! O Fernandinho privatizador!… confesso que não tinha esquecido de você”.

 

Como estamos em clima de sabatina, vou dar a minha versão da análise dos candidatos que foram ao debate. Simone Tebet mais me parece com uma nova Tabata Amaral - só que surpreendentemente mais liberal. Pelo menos, a antiga professora aparentemente apoia o randandan, já que dará 5 mil reais para estudantes de todo o Brasil para que consigam “pagar a entrada de uma moto (...)”. Soraya, a onça direitista, só não pisca mais por suas pálpebras ainda não terem sido privatizadas pelo candidato Felipe D’ávila e esse, por sua vez, só não resolveu a questão do assédio no país por não ter privatizado os corpos das mulheres - inclusive, ouvi dizer que, para ele, pessoas não binárias devem ser geridas por um regime público-privado, o meio termo do projeto neo-liberal.

 

Ciro Gomes, Bolsonaro e Lula foram os três que não me surpreenderam, então vou propor um jogo de adivinhação quem-é-quem: qual deles parece ter as mãos coladas uma na outra? Qual pareceu ter comido uma feijoada antes do debate? Qual deles começou calmo e deu piti?

 

Virar jacaré é a mais nova figura de linguagem que constará nos vestibulares de todo o país
por
Artur dos Santos
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23/08/2022 - 12h

Vestibulandos, se preparem: tenho péssimas notícias. Não, não é uma reforma do ensino médio, o esforço de fazê-los desaprender a escrever um texto para fazer “redações”, falta de merenda, falta de material, de estrutura ou mesmo de incentivo ao estudo - por essas injúrias você já passa e já se acostumou -, o assunto é sério. Descobri ontem que temos uma nova figura de linguagem; o presidente mesmo me anunciou. “Virar Jacaré” é a mais nova figura de linguagem da língua portuguesa, e, garanto, estará nas próximas provas que você enfrentará!

Chega de choro, vamos à análise. Primeiramente, de onde veio essa nova figura de linguagem? Claramente da junção do milenar folclore brasileiro que tanto teme a Cuca ao mais novo negacionismo que tanto teme a ciência, hora! Viu? Não é tão difícil. Em relação ao sentido, a situação pode ficar mais complicada…

O que quer dizer, afinal, essa nova figura de linguagem? Ainda estamos em período de análise, querido vestibulando, mas acho que encontraremos seu sentido dentre as linhas da covardia e do cinismo. 

De onde veio? Ah essa é uma boa pergunta. Não temos como dizer quando uma expressão surge dentro de uma língua, é como traçar o intraçável, pesquisar o impesquisável, mas, se eu tivesse que chutar, diria que veio da boca do atual presidente da república quando, em meio à pandemia, desmotivava a adesão da população à vacinação contra a Covid-19. Enfim, como disse, não dá para dizer exatamente.

Nenhuma análise gramatical está completa sem exemplos! Segue abaixo situações nas quais você poderá utilizar a nova figura de linguagem:

  1. Ao querer desincentivar a adesão de uma população ao programa nacional de vacinação:

“Se você virar jacaré, problema é seu”

  1. Durante uma redação:

“Outrossim, virará jacaré aquele que (...)” - note que eu, assim como você, utilizei erroneamente o terrível “Outrossim”.

  1. Em um debate:

“É indubitável que a moção em questão fez com que o excelentíssimo delegado tenha virado jacaré

  1. Se explicando em um diálogo no Jornal Nacional: “Eu usei uma figura de linguagem” “Figura de linguagem?” “Isso é parte da literatura portuguesa” “Virar jacaré?”

Por que estamos sós nesta multidão?
por
Fernanda Querne
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21/08/2022 - 12h

Alguém sabe o quanto você está destruído? Alguém sabe quem te destruiu? Será que você realmente sabe quem te destruiu? As pessoas nos destroem ou nós permitimos que elas façam isso? Foi você que fez isso consigo? Não foi você? Tem certeza? Absoluta? Dói, não é? Essa dor passa? Será?  Essa dor é por falta ou excesso de amor? Mas amar não devia te encher de alegria? É normal a tristeza preencher o vazio da dor? Por que nos sentirmos vazios incomoda tanto? Já fomos felizes de verdade? Estamos felizes? Somos felizes? Qual é a razão de nos sentirmos incompletos até alcançar a felicidade absoluta? Seremos miseráveis até morrer? E em nome de que? Orgulho profissional? Estabilidade econômica? Vida pessoal?

 

Por que nos traumatizamos? Por que nos desentendemos? Por que esse ciclo nunca para? Como vou alcançar a minha felicidade absoluta assim? É normal brigar com tanta potência e/ou frequência? Por que comigo? Por que isso acontece só comigo? Será que é só comigo? Acontece com você? Mesmo? Não está dizendo isso só para me confortar, não é? Jura? Bom, como consertamos isso? Ou melhor, quem nos conserta? Depois de tanta destruição, temos conserto? Ou é melhor desistir de nós? Se não tem ninguém por nós, algo de bom acontecerá para nós? Nossa, não tem ninguém mesmo, né? Nossa, um silêncio, não acha? Essa solidão mata. 

Bolsonaro foi chamado de Tchutchuca do Centrão e duas crônicas foram necessárias para dar conta do recado
por
Artur dos Santos
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19/08/2022 - 12h

Se tem uma coisa que a gente aprende com apelidos é que, se reagirmos, eles pioram e quem nos zoa demorará pra esquecer. Acontece com todo mundo, pode ver. Pergunta pra sua priminha, seu irmão ou até seu pai (porque a gente sabe que o apelido não tem limite de idade aqui neste país). Zoiudo, pernudo, “ô grande!”, dentinho, espeto, rato, bobo alegre, cabeçudo, pé de meia, agente secreto, pinguim, batman, tchutchuca do centrão - a nossa criatividade não tem limites. Agora, o exato momento em que você reage negativamente a esses apelidos é o seu batizado extraoficial… daí pra frente não tem jeito. Se, por exemplo, você ficar bravo que te chamaram de Tchutchuca do Centrão e, ainda, reagir, você é oficialmente a Tchutchuca do Centrão, não tem outra. Então fica a dica, sr. Centrão, reagiu, o apelido colou, se não a gente esquecia rápido.
 

Dose dupla! É muita coisa para uma crônica só então fiz duas. Não vai se acostumando, hein!?

 

Trombadinhas, Caixas Baixas, Capitães da Areia, Presidente da República… assim que chamo aqueles que batem carteiras e celulares nas ruas. O último apelido é recente, afirmo; não sabia que um presidente tentaria roubar um celular ao vivo - ênfase no tentar. Enfim, Bolsonaro por muito não consegue pegar um celular da mão de um youtuber que lhe chamava de “Tchutchuca do Centrão” (olha as coisas que este país me faz explicar) e acho que se tornou presidente pois seu futuro de batedor de carteira seria, sem dúvidas, incerto. Tem histórico de atleta, isso sabemos, então conseguiria escapar da polícia todas as vezes que não conseguisse, por muito, pegar um celular de um turista distraído pelo MASP. Não sei não, ein? Tô começando a entender o porquê de termos tantos batedores de carteira hoje em dia: por fome e miséria? Não; eles sabem que o pior deles pode se tornar presidente! Ah deve ser uma competição e tanto; já imagino até o nome “Quase batedores de bolso” e o troféu é “Bolsonaro, o erra bolso” - em bronze, lindo! Se forem tão ruins em bater bolsos, poderemos nos despreocupar e andar mexendo no celular, o problema é se forem tão milicianos quanto quem o prêmio homenageia. 

 

Agora é oficial: o processo eleitoral começou. Lula e Bolsonaro mostraram suas armas.
por
Henrique Alexandre
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17/08/2022 - 12h

O pontapé inicial das eleições brasileiras começou oficialmente. Embora os últimos meses tenham sido de movimentações políticas intensas com os principais candidatos disputando pela melhor visibilidade junto ao eleitorado, somente a partir de hoje, segundo o TSE, estão liberadas as propagandas eleitorais e os pedidos de votos.

Para marcar o início das eleições, os líderes em intenção de votos para a presidência da República foram à lugares representativos de suas trajetórias políticas.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu uma fábrica de automóveis, em São Bernardo do Campo para iniciar seu 3° mandato como presidente. O local escolhido pelo petista é um berço do sindicalismo operário e deu visibilidade ao ex-presidente durante a ditadura militar. Lula optou por estar junto ao chão de fábrica. Resta saber se o "chão de fábrica" estará com o PT nessa eleições, o que não ocorreu em 2018.

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Luis Inácio Lula da Silva tenta seu terceiro mandato como presidente de república - Foto: Carla Carniel/Reuters



Jair Bolsonaro (PL) também escolheu um lugar representativo para sua trajetória politica. O atual presidente foi até Juiz de Fora, em Minas Gerais, local do atentado à faca que sofreu em 2018, para lançar a sua candidatura. Bolsonaro afirmou que a cidade representa o seu renascimento e que por isso o escolheu. O atual presidente discursou para os seus apoiadores, mantendo a narrativa conservadora, cristã e da luta do "bem contra o mal"

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Segundo lugar nas pesquisas eleitorais, Bolsonaro tenta se manter no poder - Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images


Serão contadas novas histórias até o 1° turno das eleições de 2022. Os dois nomes da política brasileira neste momento já estavam se provocando e se atacando antes do pontapé inicial. Com o sinal verde, a tendência é o aumento da temperatura.

Digo apenas Lula e Bolsonaro, pois, com o passar do tempo, fica cada vez mais claro que a terceira via não decolou e não vai se quer fazer cócegas aos atuais candidatos.

Agora, resta saber quais serão os novos enredos para a trajetória política do candidato petista e do atual presidente. De qualquer forma, o país vai registrar a sua maior eleição desde a redemocratização. Muita coisa estará em jogo.

Já vi muita coisa, agora, "uma churrascaria expulsar um gado é novidade".
por
Artur dos Santos
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10/08/2022 - 12h

“Acho que agora eu vi de tudo. Sempre disse isso, mas nunca com certeza. Agora sim. Sabe o que eu vi? Vi a matéria prima de um estabelecimento sendo expulsa pela porta da frente. Achei muito, muito estranho… mas sim, eu vi. É como ver um vendedor expulsar um fone de ouvido bluetooth da banquinha, um cozinheiro expulsar o dente de alho da cozinha, um capitalista se desfazer da mais valia, um PSDBista recusar merenda, enfim… Eu vi uma churrascaria expulsar um gado. Vou sair da abstração, já deu né? Bolsonaro foi expulso de uma churrascaria e eu não sei mais de nada. Nem na churrascaria, sonorizada por sertanejos-universitários-apoiadores-do-agro-negócio e habitada por carnívoros CACs, o nosso gado mor tem espaço…” “pra onde ele foi?” “Já te disse, dessa vez eu sei de tudo, vi tudo e tenho certeza!” “Para onde ele foi?” “Ah, agora que eu tenho informação queria te fazer esperar mais um pouquinho.” “Pra onde ele foi?” “Voltou pro cercadinho.”

 

O Brasil pode ter de tudo! Inclusive presidência à distância...
por
Artur dos Santos
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02/08/2022 - 12h

 

Sinceramente eu estou sem palavras. Queria começar essa crônica de maneira menos clichê, mas não fui capaz. Enfim, o que importa é que o Brasil poderá ter seu primeiro Presidente a Distância! Exatamente: o agora ultrapassado EAD dá lugar ao novissíssimo PAD - Presidência a Distância. Não entendeu? Pois explico agora: Roberto Jefferson acabou de lançar sua candidatura presidencial. Não achou estranho? Nada estranho? Nada mesmo? Nem o fato de o ex-deputado estar em Prisão Domiciliar? 

Sim: poderemos ter um presidente que não pode sair de casa. O novo conceito PAD está a todo vapor: já penso em comícios digitais, em boca de urna via ligação de facetime e até visitas virtuais às feiras de rua de todo o Brasil. 

O novo presidente da República pode não precisar - ou melhor, não poder - sair de casa e isso é espetacular: imagina quantos problemas poderiam ser evitados por uma acidental falta de luz na rua? Já me imagino telefonando à Enel e tendo o seguinte diálogo: “Alôu Enel, o presidente-caseiro está sendo corrupto novamente e, como ele já está preso, não pode ser preso de novo… já sabe, né?”, “Claro, jornalista-anônimo-e-completamente-respeitado, vamos cortar a energia do bairro, mas é a terceira vez essa semana”. Gente, quantas possibilidades! Se eleito, saberemos toda a hora aonde estará: em casa, oras. Já vejo as manchetes: “Presidente zera o netflix e pede à ANCINE que faça mais filmes”, ou até: “Presidente acorda 5 minutos antes do pronunciamento e tem remelas nos olhos em rede nacional”. Ai ai, ein?