Movimento que começou nos subúrbios de Paris já reúne centenas de milhares de pessoas e mantém pressão sobre o governo
por
Rafael Jorge
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03/11/2026 - 12h

A mobilização na França voltou às ruas no último sábado (24). Segundo o Ministério do Interior, 410 mil pessoas protestaram, 110 mil delas em Paris, número menor que o da semana anterior. A Confédération générale du travail (CGT) fala em 800 mil. Os manifestantes voltaram a pedir mais recursos para as escolas e medidas contra a alta dos preços, a convite de coletes amarelos e movimentos de estudantes. 

O governo aumentou o efetivo policial, e várias cidades tiveram proibições de manifestar ou toque de recolher. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, as manifestações transcorreram bem, mas quase mil pessoas foram detidas, houve confrontos e saques em algumas cidades, e duas pessoas ficaram gravemente feridas, em Clermont-Ferrand e Toulouse.

Estudantes nas ruas em protesto contra as más condições de ensino
Estudantes franceses no ato do dia 17 de outubro. Foto: X/ Reprodução: @EllaGrand1681

O movimento nasceu em meados de setembro de 2026, quando estudantes do Lycée Saint-Exupéry, em Créteil, subúrbio de Paris, bloquearam a escola em protesto contra as condições precárias do ensino médio francês, salas superlotadas, calor e falta de professores.

O que parecia um ato isolado se espalhou. Em 29 de setembro, a Union Syndicale Lycéenne (USL), organização que representa os estudantes de ensino médio, e a União Estudantil disseram que 400 escolas e cerca de dez universidades estavam bloqueadas. Em 1º de outubro, as universidades ganharam peso, com 29 campi bloqueados, segundo a União Estudantil, e o movimento deixou de ser apenas de ensino médio. Em 6 de outubro, o Ministério do Interior contou 256 mil manifestantes, e os sindicatos, 450 mil. 

Os estudantes querem um plano de emergência para reformar prédios escolares e universitários em mau estado e mais professores contratados em definitivo, e não por contratos temporários. Pedem também o fim da seleção do Parcoursup, sistema que decide quem entra em cada curso superior, e 150 mil vagas a mais nas universidades.

Em 4 de outubro, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou cinco prioridades, como resolver o problema de professores que se afastam por longos períodos e não são substituídos. Em 8 de outubro, o ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou na TV um plano de emergência com 3 mil professores substitutos, que seriam enviados às escolas em pior situação. Sindicatos criticaram a medida como solução de última hora. Para os estudantes, não bastou, eles dizem ter recebido apenas “migalhas”. 

Os protestos continuaram no dia 13 de outubro. Segundo os sindicatos de estudantes, aproximadamente 480 mil pessoas participaram, e o Ministério do Interior aponta cerca de 161 mil. Para os jovens, o centro do movimento está na crise cotidiana das escolas, aulas canceladas por falta de professores, turmas cheias, prédios sem estrutura, jornadas longas e falta de profissionais de saúde e assistência. O ato marcou a quarta semana consecutiva de protestos e contou com a presença da ativista sueca Greta Thunberg.

Greta esteve em frente a escola Paul-Éluard, em Saint-Denis, onde cerca de vinte advogados formaram uma corrente humana para proteger os estudantes de possíveis violências policiais, segundo a AFP. “Os jovens não estão sendo incluídos na conversa, nosso futuro está sendo roubado de nós”, disse Thunberg  à agência.

No fim de semana seguinte, o protesto dos estudantes se juntou à revolta da população contra o custo de vida e reuniu pessoas de todos os perfis. Segundo o Ministério do Interior, 550 mil pessoas foram às ruas na França, 110 mil delas em Paris, os organizadores falam em 800 mil. O dia terminou com saques, depredações e ao menos 1.800 detidos, segundo balanço divulgado pela imprensa francesa. 

O ato foi convocado pelos "coletes amarelos", movimento sem líderes que tomou as ruas em 2018 contra o aumento do preço dos combustíveis. Desta vez, a pauta foi o poder de compra e mais recursos para os estudantes. Alunos de ensino médio, universitários, coletes amarelos, ativistas do clima, sindicalistas e milhares de famílias tomaram as ruas. 

Movimento dos coletes amarelos nos protestos contra o custo de vida
Coletes Amarelos no ato do dia 24 de outubro de 2026. Foto: X/ Reprodução: @jmusulmans2

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, atribuiu os ataques a prédios públicos e delegacias a grupos da “extrema esquerda radical”. Em Saint-Étienne, um manifestante de 17 anos teve a mão arrancada, e a Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN) investiga o caso. 

Em um pronunciamento de cerca de nove minutos, na noite do dia 18, o presidente Emmanuel Macron disse que o país sentia “raiva e vergonha” pela violência. Ele afirmou que quem destruiu deve pagar e quem saqueou deve devolver. Prometeu ainda que o governo será rígido com os responsáveis, e que diálogo não significa fraqueza nem impunidade. Ao mesmo tempo, procurou não culpar os jovens. Disse entender os estudantes e pediu para não confundir manifestantes com reivindicações legítimas com os que destruíram patrimônio. 

O discurso foi alvo de críticas. A Public Sénat observou que o governo parece ter subestimado a raiva e os possíveis excessos do sábado. Na noite seguinte, Paris viveu novas tensões, em especial perto da Praça da República. 

Presidente Macron em Marseille depois das manifestações de 17 de outubro
Macron em Marseille depois dos atos de 17 de outubro/ Foto: Instagram/ Reprodução: @emmanuelmacron

Na quarta-feira (21), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu recebeu os sindicatos em Matignon, mas sem os representantes dos estudantes, embora a CGT tenha pedido a presença deles. Lecornu disse que trataria das respostas às reivindicações sobre horários, substituições, reforma de prédios e Parcoursup, e prometeu respostas aos estudantes no início da semana seguinte.

 

Marcas europeias dão o nome no maior salão do automóvel do continente, que mais uma vez registrou grande presença de marcas chinesas
por
Vítor Nhoatto
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23/10/2026 - 12h

A feira automotiva mais antiga do mundo voltou a Porte de Versailles, em Paris, na França e acontece entre os dias 12 e 18 de outubro. O Mondial de l’Auto 2026 levou mais de meio milhão de pessoas para a bienal, que mostra ter recuperado o seu brilho com grande adesão das marcas europeias, enquanto o crescimento das chinesas continuou.

Na edição passada 41 montadoras compareceram e desta vez foram 43. Algumas com retornos expressivos como Fiat e Mercedes. Experiências interativas, test-drives e mais de cem expositores completaram o evento, que teve a questão da eletrificação como foco novamente, o que inevitavelmente reflete o contexto geopolítico e os desafios econômicos e ambientais atuais.

O setor tem se recuperado após dificuldades na pandemia e em grande parte pela chegada das chinesas ao continente com preços muito competitivos. Para se ter uma ideia, a participação de mercado delas foi de 4,9% em 2025, e a porcentagem de carros feitos na China vendidos na Europa superou a dos veículos fabricados na Turquia, no Japão e no Reino Unido, segundo dados da JATO Dynamics. A resistência europeia ainda existe, principalmente na Alemanha, maior produtora e mercado no continente, mas a questão preocupa.

Em 2024, foram aprovadas taxas de importação de até 35% sobre os 10% padrão nos carros elétricos chineses, e a União Europeia estuda limitar a 350 mil híbridos plug-in (PHEV) do país por ano. O presidente francês Emmanuel Macron compareceu pela última vez ao Paris Motor Show e, em meio a tumultuosos protestos pela França, para advogar justamente pela preferência europeia aos chineses. Além disso, o bloco busca aprovar a criação de uma nova categoria na legislação para subsidiar elétricos produzidos nos países membros. 

Resposta europeia conceitual

Nesse sentido, as marcas europeias voltaram com força ao Salão de Paris buscando referências de suas histórias, e o Grupo Stellantis chamou a atenção com oito carros-conceito. Emanuele Cappellano, Diretor de Operações (COO) do conglomerado para a região da Europa ampliada, destacou que “quer aproveitar ao máximo a vantagem competitiva proporcionada pela singularidade de suas marcas icônicas, oferecendo carros que, ao mesmo tempo, estão enraizados em sua herança e voltados para o futuro.”

A principal aposta do grupo é o novo Citroën 2CV, uma releitura do icônico modelo do século passado, seguindo a tendência de sucesso adotada pela rival Renault com os novos R5, R4 e o rival direto, Twingo. A Citroën promete que o modelo de produção custará a partir de 15 mil euros e será fabricado na Itália. 

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Compacto francês deve chegar ao mercado em 2028, com preço acessível e design carismático. Foto: Divulgação/Stellantis

 

Falando do país, a Fiat retornou a Paris depois de dez anos, e apresentou o conceito Multiplay, que prevê o próximo modelo da marca na Europa, um SUV do segmento C com a funcionalidade das minivans dos anos 2000. Além disso, a italiana mostrou o Multiplina, basicamente a versão de quatro lugares do quadriciclo elétrico Topolino.

Outro retorno ao evento foi a francesa DS, marca premium do grupo que, desde a separação da Citroën em 2015, sofre para conquistar uma fatia em meio a Audi, BMW e Mercedes. A marca apresentou o F3VER, prevendo a próxima geração do DS3, inclusive buscando inspiração nas lanternas traseiras da primeira geração do modelo, de 2009, e que seguindo a nova nomenclatura inspirada em perfumes franceses, se chamará Nº3. 

Rival da DS, a Alfa Romeo chamou a atenção com o conceito Cuorerosso, um sedã que antecipa a direção de design da italiana, mantendo a filosofia de beleza necessária e conexão emocional entre motorista e máquina. No entanto, a marca possui apenas três modelos à venda, sendo dois com uma década de mercado, Giulia e Stelvio, com a nova geração deles com futuro incerto após sucessivos atrasos, e nenhum lançamento há dois anos. 

Seguindo a linha da esportividade e do resgate do passado, a Peugeot apresentou o RCZ Vision, um esportivo elétrico sucessor do cupê dos anos 2010. Além disso, a francesa surpreendeu com o E-T16, conceito que antecipa o próximo 208 e resgata elementos da lenda do rally, o 205 Turbo de 1985. A nova geração do B-hatch estreará o volante Hypersquare, retangular, e promete ser o primeiro do segmento com o sistema steer-by-wire, sem ligação mecânica entre volante e rodas.

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Peugeot E-T16 resgata o passado da marca para os futuros Peugeot 208 e 2008. Foto: Divulgação/Stellantis

 

A Stellantis ainda mostrou o Opel STX Concept, que indica a direção que a marca alemã seguirá e chama a atenção por ser um Station Wagon, carroceria que praticamente desapareceu com a ascensão dos SUVs. 

Nessa mesma linha de apostar em receitas diferentes, mas agora no Grupo Renault, a francesa mostrou o E-Space, uma minivan que resgata a história do modelo que se transformou em um SUV de sete lugares. Elétrico e com visual retrô, não foi confirmado se será produzido, mas comprova que a marca segue com a estratégia de reviver ícones do passado, que vêm sendo referência na indústria europeia pelo sucesso de vendas do R5 e Twingo E-Tech. 

O grupo ainda levou a Alpine para o Porte de Versailles, com o concept A310, que busca explorar o passado da marca esportiva com grande presença em competições. Chama a atenção que Nissan e Mitsubishi, apesar de também pertencerem ao grupo e terem um grande legado no esporte mundial, mais uma vez estiveram ausentes e enfrentam dificuldades financeiras. 

Expansão chinesa continua

Diferente das donas da casa, o destaque das chinesas foi com modelos de produção que prometem ser inclusive fabricados no bloco em alguns anos para escapar das tarifas. A parceira estratégica da Stellantis, a Leapmotor, apresentou três novos modelos. 

Após a ofensiva nos segmentos D e C, agora a chinesa aposta no segmento B. O evento foi palco do primeiro contato do público com o SUV B03X. Com porte de Volkswagen ID.Cross e até 401 km de autonomia, chega custando cerca de 24 mil euros, 4 mil a menos que o alemão. A marca apresentou também o B03, versão hatch do B03X, visando bater de frente com o Renault R5 e o Volkswagen ID.Polo. Ambos os modelos devem chegar ao Brasil em breve. 

A recém-chegada Changan também acelera na conquista do continente europeu, apresentando o SUV CS55, lançado em setembro por aqui, e os modelos de luxo da Avatr. Mas o destaque da ofensiva é o lançamento da Deepal e da NEVO em Paris. A primeira é uma marca com apelo esportivo e premium, com os SUVs elétricos ou híbridos plug-in S07 e S05, dos segmentos D e C, respectivamente. Já a Nevo apresentou o Q05, com 4,43 m de comprimento, elétrico ou PHEV, com mais de um milhão de vendas na China e com chegada prevista para o início de 2027. Um degrau acima estará o Q06, ainda em homologação. 

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Grupo chinês já opera no Reino Unido, e agora avança para a União Europeia. Foto: Divulgação/Changan Global

 

O Grupo Chery revelou o Tiggo 4 para a Europa, que irá no próximo ano completar a linha de SUVs por lá, com conjunto híbrido pleno (HEV) com foco em economia e tecnologia. Além disso, a marca apresentou pela primeira vez fora da China o novo Q, um hatch elétrico do segmento B de última geração, levado para avaliar a recepção do público europeu ao modelo. Paris também foi o palco do novo Omoda 4, apresentado na China no começo do ano, e com grandes expectativas de ser o próximo lançamento da marca no Brasil. Com um visual afiado, tem botão de partida com tampa protetora ao estilo Lamborghini, e opção HEV e elétrica. 

Seguindo o plano de expansão na Europa, a vice-presidente da BYD revelou planos de construção de duas novas fábricas em solo europeu, na França e Espanha, se juntando à unidade na Hungria, com produção em massa prevista para começar ainda este ano. A marca lançou também o elétrico Atto 8, o primeiro com a segunda geração da bateria Blade e sistema Flash Charging, com recarga de até 1.500 kW, o que se traduz em 10 a 97% em apenas nove minutos. 

O salão também foi palco para a estreia de duas novas chinesas, Forthing e Li Auto. A primeira faz parte do grupo Dongfeng, que estreou no Brasil em agosto no Festival Interlagos. Para Paris, o conglomerado que estuda uma parceria com a Stellantis aos moldes de Leapmotor, apresentou a marca Forthing e os modelos TK5 e TK7. O primeiro se trata de um SUV médio e o segundo, curiosamente, é uma minivan, ambos elétricos ou híbridos plug-in. Estava presente também a van V9, e planos de uma planta de produção em solo europeu já no início de 2027 foram anunciados. Já a Li Auto levou o seu SUV com ares de minivan, i6, com previsão de lançamento no ano que vem.

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Dongfeng esteve presente nas edições 2023 e 2025 do Salão de Munique, e na edição passada do Paris Motor Show. Foto: Divulgação/Forthing

 

Geely e GAC usaram o evento para fortalecer sua chegada na Europa com os modelos já conhecidos pelos brasileiros. De novidade, a primeira apresentou globalmente o Monjaro EM-i, um D-SUV híbrido plug-in que, apesar do nome curioso, oferece muito espaço e conforto como modelo topo de linha na Europa. Já a segunda revelou o inédito Aion UT Cross, versão aventureira do hatch elétrico.

Chamaram a atenção em Paris ainda as chinesas Aito e Xpeng. A primeira é a marca de luxo do grupo SERES e parceira da gigante de tecnologia Huawei, que também esteve presente em 2024, mas ainda não deslanchou no continente. Já a Xpeng fortalece a ofensiva com a chegada do SUV cupê elétrico ou híbrido L03. Após marcar presença na edição passada do evento e nos dois últimos Salões de Munique, agora aposta em um modelo do segmento D, rival do Tesla Model Y, com 520 km de autonomia, tecnologia de ponta e por cerca de 35 mil euros. 

Lançamentos de produção

Como resposta às chinesas, as marcas tradicionais também aproveitaram o Salão de Paris para mostrar importantes modelos de produção para o futuro da indústria europeia. A Stellantis mostrou os novos Fiat Grizzly e Grizzly Fastback. Como o nome do segundo sugere, eles devem substituir o Fastback atual no Brasil e provavelmente o Pulse. 

O estilo segue o do Grande Panda, que será lançado no Brasil ainda este ano como Argo X. Terá versões a gasolina, híbrida leve (MHEV) e elétrica, e usa a versão simplificada da plataforma e-CMP chamada de Smart Car, desenvolvida em parceria com a indiana Tata.

A coreana Hyundai foi a única asiática não chinesa que apresentou grandes lançamentos neste ano: a segunda geração do SUV Bayon, e a quinta geração do Tucson. O primeiro é um SUV compacto baseado no novo i20 já vendido no Brasil, mas ainda em adequação para o mercado europeu. Ele possui exatamente o mesmo interior do hatch, mas é 11 centímetros mais comprido e seis mais alto, e conta com motorização micro-híbrida por lá, além de futuramente um sistema HEV. Já o Tucson muda completamente em relação à geração atual, que nunca foi vendida no Brasil. Ele continuará contando com opções MHEV, HEV e PHEV, além de um entre-eixos menor que o da versão global, como já adotado pelo atual e pelo Kia Sportage.

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Bayon segue a linguagem de design “Steel of Art”, seguindo a linha do novo Tucson. Foto: Divulgação/Hyundai Group

 

O Grupo Volkswagen vive um momento delicado e levou a sua mais nova aposta para Paris. Após atrasar a nova plataforma elétrica para médios do grupo para 2029, e ter vendas aquém do esperado de seus primeiros elétricos, ID.3, ID.4 e ID.5, a alemã reviu a sua estratégia. Em vez de lançar uma reestilização para os dois últimos, fez mudanças profundas no design, no interior e na nomenclatura. Conforme defendido no Salão de Munique de 2023, o legado das marcas é visto como a principal chave para conquistar os compradores com a chegada dos chineses, e com o sucesso da Renault ao resgatar nomes lendários, a Volkswagen lançou o ID.Tiguan.  

Essencialmente, o modelo é o velho e descontinuado ID.4, recém-lançado no Brasil, com mesma plataforma, bateria e motor. Porém, o exterior é menos arredondado e mais em linha com o Tiguan a combustão, e o interior é completamente novo, sanando o problema da falta de comandos físicos, telas pequenas e acabamento duvidoso. 

Falando em acessibilidade e legado, Paris marcou o retorno de um ícone, o smart #2. Lançado no Paris Motor Show em 1998 como Fortwo, havia sido descontinuado em 2024, e retorna em 2026 mantendo a filosofia de ser realmente pequeno, funcional e divertido. O preço deve começar em 20 mil euros, e a bateria de 35 kW consegue uma autonomia de 290 km para o pequeno com 2,76 de comprimento.

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Primeiras entregas do novo smart #2 começam já este ano em alguns países europeus. Foto: Divulgação/smart

O novo smart será fabricado na China e foi desenvolvido em parceria com a Geely, e reflete bem o momento que a indústria automotiva mundial vive. A produção do #2 em solo europeu não foi descartada, mas a empresa disse que isso teria atrasado seu lançamento em um a dois anos. Ou seja, mesmo que europeias, a colaboração com a China não parece mais opcional, e o tempo mostrará se os conceitos das marcas tradicionais conseguirão chegar a tempo dos chineses de agora.

Colapso glacial gera evento sísmico que destrói estruturas do país e deixa 1.445 mortos e 5.285 desaparecidos; enxurrada do monte Langtang Lirung chega a 180 km/h e atinge Tibete
por
João Barbosa
Manuela Abbate
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22/10/2026 - 12h

Nas últimas semanas, uma série de tragédias ambientais atingiram terrenos asiáticos. Casos de enchentes na região da cadeia montanhosa Hindu Kush-Himalaia causaram estrago na estrutura local e um número alto de óbitos e desaparecidos. Os acidentes são recorrentes e refletem a circunstância das mudanças climáticas que oferecem alto risco a esse tipo de território.

Em 26 de agosto, houve o primeiro grande deslizamento no monte Langtang Lirung. A queda dos detritos gerou uma avalanche que chegou ao vale do rio Lhende Khola, devastando mais de 40 km de rodovias, 70 pontes e 12 hidrelétricas na região. Ao chegar ao solo, os resíduos causaram um tremor sísmico de magnitude 5,2, agravando o desastre.

Houve dois deslizamentos graves desde o ocorrido em agosto, um em 27 de setembro e outro no último domingo (10). Esse atingiu a Índia, deixando 56 mortos.

No momento, 49 dos 77 distritos do Nepal estão em alerta quanto as chuvas. O desastre danificou as fibras ópticas da área, deixando os distritos de Manang, Mustang, Myagdi e Baglung sem energia.

Ao total, foi calculado pelas autoridades do país que a recuperação custará de 4 a 5 bilhões de dólares.

Quanto as vítimas do desastre, apenas 105 corpos foram identificados e retornados aos familiares. As autoridades nepalesas criaram um cemitério temporário no distrito de Chitwan, onde enterraram em vala comum um número não divulgado de corpos não identificados.

O fenômeno

O colapso glacial consiste na fragilização e o desabamento de geleiras. Durante o deslizamento, o gelo acumula outros sedimentos e detritos, podendo gerar uma avalanche.

Os deslizamentos são esperados durante o verão na Ásia do Sul visto que as chuvas nesse período são intensas. Esse processo é chamado de chuvas de monções. Elas ocorrem quando os ventos da região mudam a trajetória, transportando o ar mais umido do oceano Índico para o continente. Devido as cadeias montanhosas da região, o Himalaia e a Caxemira, as nuvens carregadas não se dispersam, intensificando a precipitação.

mapa que mostra a Índia, Nepal e a região do Tibete na China
Mapa da região, mostrando a fronteira entre o Nepal e o Tibete | Reprodução: Google Earth

É importante pontuar que as mudanças climáticas exercem um papel nessa progressão de eventos. O aumento da temperatura global torna os colapsos glaciais e as precipitações mais frequentes. Em entrevista a Reuters, o cientista Terra Dan Shugar comentou “Algumas das geleiras do vale estavam cobertas de neve ontem e hoje estão, em sua maioria, com o gelo à mostra. Portanto, em outras palavras (e ainda não vi nenhum dado de estações meteorológicas), provavelmente estava quente”, indicando que uma grande quantidade de neve derreteu no dia que precedeu o desastre.

O reflexo no futuro

A longo prazo, o panorama da região tende a seguir o caminho que se perpetua hoje. As variações na precipitação são uma questão de tamanho mundial, o ciclo hídrico do planeta é desregulado pelas mudanças climáticas. Em pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento do Nepal no ano de 2023, a professora Shankar Shrestha prevee um aumento de 72% na intensidade diária de chuvas no Nepal pelos próximos anos. Simultaneamente, a perspectiva é de aumentos nas áreas de derretimento. Dados de um levantamento da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que as montanhas nevadas da região perderam cerca de um terço do gelo total, com tendências a aumento crítico no processo.

Em entrevista a AGEMT, o jornalista especializado em divulgação científica Ulisses Capozoli comenta sobre as predisposições do território nepalês: “O Nepal é uma região de choque de placa tectônica, então é de se esperar esse tipo de coisa. A questão é fazer uma análise incluindo dados de processos naturais, para ter um perfil do que está acontecendo. O que está acontecendo é compatível com um planeta que tem uma população crescente e tem um padrão de energia que muda o ambiente”

A interferência humana no comportamento natural do meio ambiente tem implicações diretas na própria existência da sociedade. No caso da parcela do Nepal afetada pelos desastres, a maioria populacional é de baixa renda, que depende da área para o funcionamento local. Por conta dos desastres, hoje esses residentes estão considerados em situação de risco.

Estudos realizados pela IFC (International Finance Corporation), apresentam a progressão do número de pessoas afetadas por enchentes oriundas de mudanças climáticas no Nepal nos ultimos anos. Em 2010, o número foi de aproximadamente 157 mil, enquanto em 2030, o número está previsto para alcançar os 350 mil.

 

 

 

Presidente dos EUA ameaça Irã, Cuba e México, anuncia acordo com a Groenlândia e defende renomear IA como "superinteligência"
por
Sofia Martins
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25/09/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na terça-feira (22) na 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York.  O mandatário iniciou seu discurso de 37 minutos com a frase “America is back” (América está de volta).  

O político apontou, o que classificou, como “melhorias históricas” na economia, segurança pública e força militar dos EUA. Além disso, reforçou ameaças ao Irã, relações com o território venezuelano e enfatizou o poder e o cuidado com as Inteligências Artificiais, chamadas por Trump de “super-inteligências”. O líder norte-americano falou após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O brasileiro abriu a reunião, como  é tradição nas assembleias da organização desde 1955. 

Trump também deu destaque às conquistas econômicas, por recordes na bolsa de valores americana, argumentou que empresas estavam investindo nos Estados Unidos “mais do que já aconteceu em qualquer momento e em qualquer lugar do mundo” durante seu ano de governo e declarou o valor de US$ 21 trilhões em investimentos estrangeiros. Entretanto, segundo relatórios da Casa Branca, esse valor seria quase o dobro do total contabilizado e declarado. De acordo com informações divulgadas no site “Trump Effect List” (Lista de Efeitos de Trump), iniciativa da administração de Donald Trump que reúne anúncios de grandes investimentos corporativos e industriais nos Estados Unidos, o montante de investimentos estrangeiros chega aos US$9,6 trilhões.

Ao se referir aos avanços do território norte americano, ele enfatizou  ter transformado a fronteira dos Estados Unidos  de mais perigosa para mais segura da história do país, informando que nos últimos 16 meses, nenhum imigrante irregular teria sido admitido no país. Durante o discurso, os números apresentados por Trump  para indicar o desenvolvimento do país foram baseados em dados inconsistentes. 

Além disso, Trump disse ter agido para evitar que os EUA, ou qualquer outra nação presente no plenário, tivessem que enfrentar o que chamou de um "pesadelo" nuclear vindo do Irã, e se colocou como defensor não só dos Estados Unidos, mas de toda comunidade internacional reunida na assembleia. O conflito com o país persa, iniciado unilateralmente por Estados Unidos e Israel, tem como um dos pontos de tensão o programa nuclear iraniano.

O presidente ainda chamou a liderança iraniana de fraca e desesperada e afirmou esperar um acordo logo após as eleições. A fala do presidente norte-americano ocorre em meio a um conflito real e prolongado, quase sete meses de guerra, e segundo o fact-check do PBS/PolitiFact, em um momento de desgaste da opinião pública americana com o impacto do conflito nos preços de combustível. 

O político afirmou estar diante de uma decisão histórica: de um lado, poderia optar por um acordo que permitiria ao Irã reconstruir sua economia e se consolidar como “talvez uma das maiores potências do Oriente Médio”. Por outro lado, advertiu que, caso o acordo não fosse alcançado, o país poderia sofrer uma ação militar capaz de “aniquilar rapidamente a nação iraniana”.

Trump mencionou também ter sancionado, uma nova lei que lhe dá amplos poderes tarifários, ferramenta que disse estar pronto a usar para pressionar pelo fim da guerra entre Rússia e Ucrânia, classificada por ele como uma "guerra desastrosa" que mata milhares de pessoas por mês.

A invasão realizada pelas forças armadas dos EUA no mês de janeiro a Caracas, capital da Venezuela, também foi lembrada por Trump durante seu discurso: “conseguimos pegar o criminoso, fora da lei, Nicolás Maduro”. O líder norte-americano afirmou que diversos venezuelanos que foram presos erroneamente, deixaram as prisões e que a nação venezuelana festejou após a operação americana. 

Apesar de existir uma parte da população venezuelana que concorda com a operação comandada por Trump, segundo a checagem de fatos da agência Lupa, muitos dos relatos de comemoração da nação venezuelana são falsos. A maioria dos vídeos de comemoração foram gerados por IA ou de protestos anteriores à queda de Maduro. 

A intervenção militar estrangeira armada gerou profundo desespero, apagões e medo na população de Caracas durante os bombardeios. Além disso, houve baixas militares locais e protestos de apoiadores do regime chavista. Sobre os que foram detidos erroneamente, segundo o Foro Penal da Venezuela, após a segunda rodada de diálogos mediada pelos EUA, o balanço registrou a soltura recente de dezenas de detidos. Entretanto, restam 324 pessoas que permanecem presas. A demografia detalhada aponta 310 homens, 14 mulheres, sendo 184 civis e 140 militares.

O chefe da Casa Branca também anunciou o maior acordo de petróleo da história, contando com 65 bilhões de barris de petróleo, que, segundo ele, trará benefícios para o povo norte-americano e venezuelano. “Quando somamos a Venezuela e os Estados Unidos, temos mais de 60% do petróleo do mundo”, afirmou ele.

81a Assembleia Geral da ONU em Nova York
Trump discursa na 81ª Assembleia Geral da ONU - Daniel Torok/Divulgação Casa Branca

Trump abordou a segurança regional na América Latina, concentrando parte de sua fala no México. O presidente norte-americano classificou os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e definiu o México como o “epicentro da violência dos cartéis”, fazendo cobranças diretas ao governo mexicano.

Apesar de afirmar boas relações com o país, ele também declarou que “o México precisa retomar o controle sobre seu território” e comparou os cartéis ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental. “Eles são inimigos em guerra com a civilização, usando assassinato, estupro, extorsão e táticas de terrorismo. Eles devem ser assassinados, eliminados ou presos sem a possibilidade de serem soltos”, argumentou o político.

Ao mencionar Cuba, Trump descreveu o regime como “Estado fracassado” sob a maior pressão de sua história, que “vai cair”. Ele também alegou que Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, está profundamente envolvido com as negociações sobre o país. 

A situação de Cuba se agravou com o aumento das medidas impostas pelos Estados Unidos, desde janeiro,  que ampliou as restrições contra a ilha, interrompeu o envio de petróleo venezuelano e ameaçou  aplicar tarifas a países que mantivessem relações comerciais com o governo cubano. Após a fala de Donald Trump sobre o país, durante a Assembleia Geral, a delegação de Cuba abandonou a sessão. 

O discurso contou com o anúncio do presidente de que, há poucos dias, os Estados Unidos fecharam um acordo sem precedentes envolvendo a Groenlândia – território dinamarquês – para que esse  fizesse parte da esfera de defesa direta dos EUA. 

Segundo o político, o acordo foi firmado com o Reino da Dinamarca e com representantes do próprio povo groenlandês, que concordaram em atribuir  aos Estados Unidos controle "permanente" sobre a segurança e "todas as demais necessidades" no território. 

Ele encerra o trecho dizendo que isso dará aos EUA capacidade plena para "defender o continente americano, a Europa e outras regiões" a partir dali, elevando a Groenlândia de posse estratégica pontual a peça central da defesa ocidental. 

A Groenlândia é uma área de interesse dos Estados Unidos por ser um território com terras raras, gás e petróleo mais acessíveis, recursos essenciais para produção de tecnologias avançadas. Além disso, a ilha possui uma localização estratégica, servindo como ponto de contenção de mísseis hipersônicos que poderiam atingir os EUA pelo norte. 

Durante seu discurso, Trump comentou que a ONU tem potencial enorme, mas que a organização precisa deixar de impor o que chamou de "agenda de extrema-esquerda de burocratas globalistas que ninguém jamais elegeu". 

Como exemplo, citou uma intervenção do seu governo no ano anterior para impedir que a Organização Marítima Internacional, agência ligada à ONU, criasse um imposto global sobre carbono no transporte marítimo. 

Trump ampliou ainda críticas aos organismos de direitos humanos da ONU. “É inaceitável que, com todas as atrocidades que acontecem no mundo, a ONU tenha autoridades de direitos humanos criticando os EUA por protegermos nossas crianças contra a mutilação de pessoas transgêneras e forçando nossas leis de imigração”, afirmou o presidente. 

Ao mesmo tempo, ele afirmou que cristãos são perseguidos “constantemente”. A declaração foi usada para criticar o que ele considera ser o silêncio da ONU diante dessas perseguições, em contraste com a atenção dada, segundo ele, a questões internas dos Estados Unidos. 

A mesma crítica apareceu quando Trump falou sobre a Unesco. O presidente questionou a atuação da agência, criada para preservar o patrimônio cultural e histórico, e afirmou que ela estaria “destruindo a cultura, a herança e a história”. Com a declaração, Trump reforçou sua crítica às instituições multilaterais, que, segundo ele, estariam se afastando de suas funções originais.

No final do discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos "rejeitam totalmente" qualquer tentativa de criar o que chamou de um "esquema globalista" para controlar o desenvolvimento da inteligência artificial. Ele anunciou que, a partir daquele momento, os documentos oficiais do governo norte-americano passarão a usar o termo "superinteligência", ou "SI", no lugar de "inteligência artificial". Como justificativa, disse que a palavra "artificial" faz a tecnologia parecer falsa.

Trump finalizou afirmando que os Estados Unidos lideram a corrida desenvolvimentista da IA à frente da China, e classificou como pertencentes a um mesmo grupo os críticos do avanço da IA e aqueles que, segundo ele, alertaram anteriormente sobre aquecimento global e sobre supostas interferências russas nas eleições americanas.

Após 25 anos, a tragédia que mudou o rumo dos Estados Unidos ainda deixa marcas na sociedade e nas relações internacionais
por
Vitória Teles
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17/09/2026 - 12h

Há 25 anos, em 11 de setembro de 2001, Nova York vivenciava o maior ataque terrorista da história, quando quatro aviões comerciais foram sequestrados por jihadistas e atirados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e o prédio do Pentágono. O último avião, acreditava-se que estivesse rumo à Casa Branca ou ao Capitólio, caiu na Pensilvânia, após os passageiros terem tomado controle do avião, desviando sua rota e fazendo com que ele não chegasse ao destino final.

O evento matou 2.997 pessoas, além dos 19 sequestradores, foi o mais mortal da história do país e permanece vivo na memória dos estadunidenses. O atentado representou um trauma nacional que mudou a forma como os Estados Unidos enxergavam sua segurança, política externa e cotidiano.

O mundo inteiro também acompanhou em tempo real pela transmissão de canais de notícias. Milhões de pessoas viram o segundo avião atingir a torre sul do World Trade Center. As imagens foram repetidas inúmeras vezes na televisão por dias, meses e anos seguintes.

As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons.
As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons. 

 

O atentado demonstrou como terroristas podem usar meios civis, como aviões comerciais, para cometer crimes, isso levou governos de todo o mundo a rever seus sistemas de segurança. Alguns sistemas mudaram drasticamente após o ataque. Os aeroportos passaram a ter controles mais rígidos, com inspeções mais rigorosas de passageiros e bagagens.

Além disso, os Estados Unidos criaram a Transportation Security Administration (TSA), para assumir a segurança aeroportuária. Novas leis antiterrorismo surgiram durante esse período, como a USA Patriot Act, criação da TSA, sancionada em 2001 para monitorar comunicações telefônicas e eletrônicas de suspeitos.

A motivação por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001 estava ligada principalmente à ideologia da organização terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden. Segundo a declaração do próprio grupo, as motivações incluíam a presença militar dos Estados Unidos na Arábia Saudita, considerada por Bin Laden uma profanação de locais sagrados do Islã e a oposição à influência política, econômica e militar americana no Oriente Médio.

Além das mudanças nas medidas de segurança, a tragédia provocou um grande choque econômico global. A bolsa de valores de Nova York permaneceu fechada por vários dias, algo raro na história dos EUA. As companhias aéreas foram o setor mais afetado. O espaço aéreo estadunidense foi fechado temporariamente, cerca de 5.000 a 7.000 voos comerciais foram cancelados nos primeiros dias após os atentados e muitas pessoas passaram a evitar viagens de avião no período após o ataque, segundo a National Archives 9/11 Federal Aviation Administration (FAA) Records.

Após o colapso das Torres Gêmeas, as equipes de resgate passaram meses removendo toneladas dos destroços do terreno, conhecido como "Ground Zero" (Marco Zero). O trabalho envolveu busca por sobreviventes, recuperação dos restos mortais das vítimas e estabilização da área para futuras construções.

Como forma de preservação da memória e homenagem, o One World Trade Center, inaugurado em 2014, com 541 metros de altura, representa resiliência e renovação. O edifício tornou-se o mais alto do Hemisfério Ocidental.

No local onde estavam as Torres Gêmeas foram erguidas duas imensas piscinas espelhadas, posicionadas exatamente sobre as fundações das antigas torres. Os nomes das 2.997 vítimas dos ataques foram gravados em painéis de bronze ao redor do memorial. Ao lado, também foi inaugurado o Museu Nacional do 11 de setembro que reúne fotografias, objetos recuperados, documentos históricos, como identidades das vítimas encontradas nos destroços das Torres.

Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures
Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures

Todos os anos, cerimônias são realizadas no One World Trade Center. Como forma de manter viva a memória das vítimas que morreram em 11 de setembro de 2001, como a leitura dos nomes das vítimas, sete momentos de silêncio e 2.977 luzes em homenagem às vítimas que foi exibida formando a silhueta das Torres Gêmeas, além de uma cerimônia especial em Ground Zero para familiares, sobreviventes e autoridades.

Resultado divulgado na quarta-feira (14) impôs uma derrota ao bloco político de centro-esquerda, no poder há 8 anos. Partido de origem neonazista se torna o segundo maior do país.
por
Luan Leão
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15/09/2022 - 12h

Passados três dias das eleições gerais na Suécia, a atual Primeira-Ministra do país, Magdalena Andersson, reuniu a imprensa em uma coletiva na capital Estocolmo, para comunicar a derrota no pleito do último domingo (11). A disputa entre o bloco governista, de centro-esquerda, e o bloco de oposição, de direita/extrema-direita, foi apertada e decidida por uma vantagem mínima.

As pesquisas de intenção de voto antes das eleições mostravam uma vitória apertada dos governistas, liderado pela Primeira-Ministra. Nas apurações boca de urna, ainda no domingo (11), as projeções eram similares às pesquisas. Porém, no começo da segunda-feira (12), o bloco de direita/extrema-direita começou a aparecer com a maioria dos votos, com cerca de 90% das urnas apuradas.

Ainda na segunda-feira (12), candidatos do bloco de oposição comemoram o resultado junto a seus apoiadores. A Primeira-Ministra, no entanto, não havia declarado a derrota dos governistas. Com a margem de vantagem estreita, ainda era possível uma virada dos governistas, o que dava razão para a cautela de Andersson quanto ao resultado. 

 

Em números



Os números divulgados nesta quarta-feira (14) mostram que o partido Social-Democrata, que está no governo há 8 anos e é o partido que mais vezes governou a Suécia desde 1930, segue sendo o maior do país, tendo conquistado cerca de 30,5% dos votos, o que representa 107 assentos no parlamento. Os Social-Democratas conquistaram 7 cadeiras a mais do que na última eleição, mas foram prejudicados pelo baixo desempenho dos demais partidos da coligação.

Eleições na Suécia
Magdalena Andersson, Social-Democratas (a esq.), Ulf Kristerson, Moderados (centro), Jimmie Akesson, Democratas Suecos (a dir.), em debate durante as eleições. Foto: Jonathan Nackstrand / AFP 

Contudo, uma mudança importante no jogo político sueco ocorreu nas eleições deste ano. O partido de extrema-direita e de origem neonazista Democratas Suecos (SD) obteve um resultado histórico e expressivo. O partido se tornou o segundo maior da Suécia, ao obter cerca de 20,6% dos votos nas eleições; cerca de 73 cadeiras no Parlamento. O resultado mostrou o crescimento dos SD, que em 2006, há 16 anos, conquistaram apenas 3,7% nas eleições legislativas, e chegaram pela primeira vez ao parlamento em 2010, conquistando 5,7% dos votos.

O resultado rebaixou o Partido Moderado, de Ulf Kristersson, que agora é a terceira maior sigla do país, conquistando 19,1%, obtendo 68 cadeiras no Parlamento. Apesar de perder duas cadeiras no Parlamento em relação a eleição de 2018, os Moderados devem liderar o novo governo, já que os SD não conseguem obter apoio suficiente dos partidos para eleger um novo Primeiro-Ministro.

Ainda na aliança de direita/extrema-direita, os Democratas-Cristãos conqusitaram 19 cadeiras, e os Liberais, 16.
 

O resultado das eleições ainda precisam ser oficializados, o que deve ocorrer no próximo final de semana, mas marcam uma importante virada na política sueca.



E agora ?


Com 99% das urnas apuradas, de acordo com a autoridade eleitoral sueca, o bloco formado pelos partidos de direita/extrema-direita (Moderados, Democratas-Suecos, Democratas-Cristãos e Liberais) conquistou 176 das 349 cadeiras no Parlamento. A coalizão governista formada pelos partidos Social-Democrata, Verdes, de Esquerda e de Centro, ficou com 173 assentos.



“O resultado preliminar é claro o suficiente para chegar a uma conclusão” - Magdalena Andersson em coletiva reconhecendo a derrota do bloco governista

Eleições na Suécia
Primeira-Ministra, Magdalena Andersson, reconhece a derrota nas eleições gerais. Foto: Jéssica Gow / TT News Agency / AFP



Depois da divulgação dos resultados, Magdalena Andersson, primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira-Ministra no país, e no posto há apenas 10 meses, disse em coletiva que irá renunciar na quinta-feira (15). “Pedirei ao orador que eu seja dispensada do meu posto”, disse Andersson. A premiê completou dizendo que era “importante que a Suécia tenha um novo governo o mais rápido possível”.



“Quando houver um novo governo, vou liderar a social-democracia na oposição. Nós estamos dispostos a cooperar com quem quiser fazer parte da solução dos problemas que o nosso país enfrenta” - Magdalena Andersson em coletiva reconhecendo a derrota do bloco governista


O líder do Partido Moderado, Ulf Kristersson, principal candidato ao posto de Primeiro-Ministro pela oposição, se manifestou através de uma rede social. “Obrigado pela confiança. Agora vamos colocar ordem na Suécia!”, publicou. Kristersson também disse que já deu início aos trabalhos para formar um novo governo, afirmando que “há uma grande frustração na sociedade”, e prometendo um governo “para toda a Suécia e para todos os cidadãos”.

Eleições na Suécia
Ulf Kristersson vai liderar negociações para formação de um novo governo. Foto: Frederik Sandberg / AFP



O principal cotado para o cargo de Primeiro-Ministro de fato terá trabalho para formar um novo governo. Internamente existe a expectativa de que ele tente formar governo apenas com os Democratas-Cristãos, porém, é necessário o apoio dos Liberais e dos Democratas Suecos (SD), partido de extrema-direita, no Parlamento. Já é sabido que os Liberais e os Democratas Suecos divergem em muitas pautas e se recusam a integrar uma mesma coalizão.

Jimmie Akesson, líder do SD e responsável pela ascensão do partido desde 2005, prometeu ser uma “força construtiva e proativa” no governo, complementando dizendo que o trabalho agora é fazer o país “voltar a funcionar bem”. No domingo (11), o líder havia comemorado a provável mudança no poder e revelou desejo de integrar o novo governo. “No momento, parece que teremos uma mudança no poder, e nossa ambição é ter um assento no governo”, disse Akesson. 

Eleições na Suécia
Jimmie Akesson lidera crescimento de partido da extrema-direita desde 2005. Foto: Johan Nilsson / AFP

A fragilidade da coalizão vencedora, fruto dos desafios entre SD e os Liberais, pode fazer com que os partidos apoiem o novo governo no Parlamento, mas não façam parte dele. 

Uma coalizão improvável é a união entre os Social-Democratas, partido mais votado nesta eleição, e o maior partido do país, e os Moderados. Para isso, os Social-Democratas precisariam romper com tradicionais aliados ao centro e à esquerda. Essa aliança entre a centro-esquerda e a direita não ocorre desde a 2ª Guerra Mundial.

 

No governo há oito anos, social-democratas são os mais votados, porém, a maioria absoluta no Parlamento não é assegurada. Partido de extrema-direita cresce e pode liderar bloco de direita/extrema-direita.
por
Luan Leão
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13/09/2022 - 12h

Mais de 7,5 milhões de suecos foram às urnas no último domingo (11) para votar na eleição legislativa no país. A eleição deste ano foi pautada na segurança pública, os recentes tiroteios preocuparam os eleitores. Outros dois pontos de atenção dos votantes na corrida eleitoral foram a inflação crescente e a crise energética após a invasão da Ucrânia.

Segundo as pesquisas mais recentes, a aliança governista receberia entre 48,6% e 52,6% dos votos, contra 47,1% e 49,6% da aliança de direita/extrema-direita.



O que interessou aos eleitores ?

O debate entre os candidatos se baseou em mostrar aos eleitores quem é mais firme contra o crime, em especial de gangues. Tradicional território da direita, o tema da segurança pública foi bastante explorado durante a campanha. Por outro lado, as questões econômicas e energéticas auxiliaram a Primeira-Ministra Magdalena Andersson (Social-Democrata).

Há pouco mais de 10 meses no cargo, Andersson foi Ministra das Finanças de 2014 até 2021, quando se tornou a primeira mulher Primeira-Ministra da Suécia. Contra Andersson, os dois principais opositores são Ulf Kristersson, líder do partido Moderado, e Jimmie Akesson, líder do partido de extrema-direita Democratas da Suécia (SD). 

Eleições na Suécia 2022
Andersson e Kristersson lideram blocos diferentes nas eleições suecas. Foto: Jonathan Nackstrand / AFP 


E os números ?

As apurações preliminares mostram que a coligação de centro-esquerda, formada pelos partidos Social-Democrata, Verdes, de Esquerda e de Centro. A oposição viu o crescimento do partido de extrema-direita Democratas da Suécia (SD) e a queda do partido Moderado.

Os Social-Democratas foram o partido mais votado, com 30,5%. Em segundo lugar aparece o SD, com 20,7%; o partido Moderado, de direita, conquistaram 19% dos votos. Uma pesquisa boca de urna da emissora pública SVT mostrava que o bloco governista havia conquistado 49,8% dos votos contra 49,2% do bloco de oposição, formado pelos Moderados, Democrata Cristão, Popular Liberal e Democratas da Suécia.

Na manhã de segunda-feira (12), o cenário parecia se inverter. Com cerca de 90% dos votos apurados, a oposição estava conquistando 176 assentos contra 173 da centro-esquerda; dos 349 assentos do Parlamento sueco. A autoridade eleitoral prevê o resultado final para ao menos na quarta-feira (14).

Ainda estão sendo contabilizados os votos do exterior e enviados pelos correios e, devido a disputa acirrada, podem alterar o quadro da eleição. Por esse motivo, a Primeira-Ministra, Magdalena Andersson, ainda não reconheceu uma possível derrota. Depois de votar, em um subúrbio de Estocolmo, Andersson falou em “respeitar uns aos outros”. “Quero uma Suécia onde continuamos a desenvolver nossos pontos fortes. Nossa capacidade  de enfrentar os problemas da sociedade juntos, formar um senso de comunidade e respeitar uns aos outros”, disse a premiê.

Primeira-Ministra Magdalena Andersson
Primeira-ministra Magdalena Andersson votando neste domingo (11). Foto: Jonathan Nackstrand / AFP


Em caso de vitória do bloco de direita/extrema-direita, Ulf Kristersson, líder dos Moderadados, surge como favorito para liderar a formação de um governo e se tornar Primeiro-Ministro, colocando fim aos oito anos de governo do Social-Democratas. Porém, com o SD aparecendo com mais votos pode complicar as negociações. “Ainda não sabemos qual será o resultado, mas estou pronto para fazer tudo o que puder para formar um governo novo, estável e vigoroso”, disse Kristersson.

 

Líder dos Moderados pode ser novo premiê
Líder dos Moderados pode ser o Primeiro-Ministro da coligação de direita/extrema-direita. Foto: Fredrik Sandberg / TT News Agency / AFP



Apesar de ainda não ser um resultado definitivo, Jimmie Akesson, líder do SD, comemorou o resultado prévio do partido. “No momento, parece que teremos uma mudança no poder, e nossa ambição é ter um assento no governo”, disse Akesson aos apoiadores. “Independentemente do que aconteça esta noite, a coisa mais importante para mim, para nós, para todos os democratas suecos em todo o país, são os malditos 175 assentos para que possamos finalmente trazer uma mudança de poder e nossa política pró-Suécia”, completou. 
 

Líder da extrema-direita comemora resultado
Líder da extrema-direita, Akesson comemorou o resultado das eleições de domingo (11). Foto: Maja Suslin / EPA

 

De pária a aliado

Com origem neonazista, e um discursos anti-imigração e ultra-nacionalista, o SD passou por uma modernização política, passando a dialogar com maior facilidade com a classe trabalhodora, os aposentados e os setores menos qualificados. Liderado por Akersson desde 2005, o partido se vê em ascensão meteórica, saltando de 3,7% nas eleições legislativas de 2006 para os incríveis 20,7% nas eleições deste ano.

Veja o crescimento em números: em 2010 o partido chegou ao Parlamento, conquistando 5,7% dos votos. Em 2014 a legenda cresceu, subindo para 12,9%; e em 2017 chegou a 17,5%.

Pelo caráter extremista, o SD era considerado um partido pária, e os demais partidos de direita e centro se recusavam a pensar em qualquer aliança para governar que envolvesse a sigla. Porém, nessa eleição, o líder do partido Moderado, Ulf Kristersson, admitiu a possibilidade de uma coligação. Kristersson salientou, porém, que pretende contar com o apoio do SD apenas no Parlamento, optando por formar governo com os Democratas-Cristão e os Liberais. 

 

Com 61,87% dos votos pela reprovação e 38,13% pela aprovação, o projeto foi recusado. Assim, continua em vigor a Carta elaborada na ditadura de Pinochet.
por
Giulia Aguillera
Sônia Xavier
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10/09/2022 - 12h
Manifestantes vão pra rua após resultado parcial da apuração do plebiscito
Manifestantes vão às ruas após divulgação do resultado parcial do plebiscito. Foto: Martin Bernetti/AFP

No último domingo (4), a população chilena votou em plebiscito pelo projeto de uma nova Constituição. Cerca de 62% das pessoas optaram pelo "Rechazo" (rejeição), contra os 38% dos votos no "Apruebo" (aprovação). 

 

O novo conjunto de leis, se aprovado, seria o primeiro após a Carta Magna elaborada durante a ditadura de Augusto Pinochet, em vigor desde 1980. Entre as principais mudanças propostas pelo texto, está a projeção do Chile como um "Estado plurinacional e democrático de direito". 

 

O governo de Gabriel Boric aguardava a aprovação do novo texto para colocar em prática as reformas sociais prometidas durante sua campanha eleitoral.

 

A decisão de mudar a Constituição surgiu após uma onda de atos contra a desigualdade social em 2019. Conhecido como Estallido social, as manifestações começaram contra o aumento da tarifa de transporte público e passaram a pedir, mais tarde, pela renúncia do presidente Sebastián Piñera, em exercício na época. 

 

Piñera assinou um acordo que propunha a reescrita da Carta, se fosse aprovado. Um ano depois, os chilenos foram às urnas para escolher entre a favor ou contra a reestruturação das leis. A eleição terminou com aproximadamente 80% dos votos dizendo "sim" ao projeto.

 

Em maio de 2021, foi eleita uma comissão responsável por redigir a nova Carta. O grupo era composto por 155 membros, com caráter paritário e progressista, e contava com a participação de 17 representantes indígenas. O texto foi concluído em julho e, se aceito, colocaria em prática uma série de modificações no sistema político chileno.


Os ares que o Rechazo não permitiu que chegassem ao Chile

Fila de chilenos para votação no último domingo
14,7 milhões de chilenos votaram no domingo. Foto:Esteban Félix (AP)

Uma das principais propostas do texto era a eliminação do Senado. A Constituição vigente divide o poder em duas partes: a Câmara dos Deputados e o Senado. Esse segundo, que pode interferir no trabalho dos deputados, chegaria ao fim para dar origem a um modelo com duas Câmaras: o Congresso dos Deputados, cujo papel seria formular leis gerais, e a Câmara das Regiões, exclusiva para leis de acordo regional. 

 

Outra proposta de grande relevância do documento era a criação do Sistema Nacional de Saúde Universal, que destinaria 100% da despesa obrigatória em saúde - os trabalhadores formais, no Chile, são obrigados por lei a investir 7% do salário na área  - ao sistema público.  

 

Na proposta recusada, a interrupção da gravidez de forma voluntária seria permitida por lei. Na constituição de de 1980, é protegida a vida de quem está por nascer, embora, em 2017, o aborto tenha sido descriminzalizado em três circunstâncias: risco de vida da mulher, estupro e inviabilidade fetal. 

 

Direitos aos indígenas e meio ambiente também seriam assegurados. Cerca de 13% da população chilena, as leis vigentes não fazem nenhuma menção aos povos originários. Já o novo projeto reconhecia 11 povos e nações, além de conferir autonomia a eles. 

 

Além disso, o texto conferia um forte carácter ambiental, já que reconhecia a proteção da água e dos direitos dos animais e da natureza como um aspecto fundamental.

 

O projeto de democracia paritária estabelecia, também, que 50% dos cargos de poder e nos órgãos do Estado seriam ocupados por mulheres. Com isso, o Chile se tornaria o primeiro país no mundo a implantar essa medida de igualdade de gênero.

 

A Carta também apresentou proposta de um Sistema de Previdência Social Público, que seria financiado por trabalhadores e empregadores. Um avanço em contraponto ao modelo atual, no qual a aposentadoria depende exclusivamente dos trabalhadores em fundos de pensão privados com pagamentos abaixo dos US $400 dólares estipulado pelo salário mínimo ou 60% menores que o último salário.

 

O papel das fake news no Rechazo

 

Do começo do ano até as vésperas do plebiscito, a aprovação à nova Constituição caiu. Um dos fatores mais fortes que motivou o resultado da votação foi a disseminação de notícias falsas sobre o conteúdo do texto. 

 

Como consequência, a desinformação, somada ao conservadorismo, provocou uma onda de medo nos chilenos, que apresentaram reação negativa à mudança.

Entre as principais fake news que circularam nas redes sociais sobre a Carta, estão a legalização do aborto após os nove meses de gestação; a mudança de bandeira, hino nacional e até nome do Chile; a concentração total de poder nas mãos do líder do país, que possibilitaria a implementação de uma ditadura de esquerda; o fim do direito à propriedade e à herança e a conferência de mais direitos a indígenas e imigrantes do que ao resto dos chilenos.

 

A reação do povo chileno

 

Apesar de já se imaginar o Rechazo, o povo chileno agradou a apuração até ficar, numericamente, impossível a virada. O correspondente internacional no Chile, Rafael Carneiro, em entrevista para a AGEMT, notificou que as pessoas foram pra rua com bandeiras do Chile e fazendo buzinaço de carro para “celebrar o resultado”.

 

Carneiro diz ter tido manifestações contra o resultado no domingo, mas nada muito significativo. "O que eu vi na rua foi o povo celebrando, mesmo”, contou o correspondente.

Chilena beija a bandeira do Chile depois do resultado
População comemora Rechazo. Foto: Reprodução/BBC News

Carneiro ainda menciona as manifestações estudantis que estão ocorrendo desde o início desta semana, mas diz que elas refletem mais as insatisfações não atendidas desde os protestos de 2019, que foram o ponto de partida para a redação da nova Constituição, do que a rejeição da Carta de domingo.

 

“O que eles pediram naqueles protestos de 2019, porque foram eles que iniciaram o 'Estallido social’, não foram atendidos até agora”, explica.

 

Próximos passos

Desde a campanha, o presidente já havia sinalizado que, se houvesse rejeição ao texto, o processo constituinte iria continuar, o que foi assegurado assim que o resultado foi divulgado, na noite de domingo, em discurso para a nação.

 

“Me comprometo a fazer todo o esforço para construir, em conjunto com o Congresso Nacional e a sociedade civil, um novo itinerário constituinte que nos entregue um texto que, a partir dessa aprendizagem, consiga interpretar a maioria dos cidadãos", disse Boric.

Presidente do Chile em discurso para a nação
Gabriel Boric dá entrevista coletiva após a votação do plebiscito sobre o projeto de Constituição, em Punta Arenas, Chile. Foto: AP Photo/Andres Poblete

O governo não possui maioria dos votos na Câmara. A maior parte das cadeiras pertence à oposição, dividida entre centro-direita, direita e extrema direita. Para conseguir mais apoio dos partidos de esquerda dentro do Congresso, o presidente deu início, na terça- feira (6), a uma reforma ministerial.

 

A reforma foi marcada pela saída de Giorgio Jackson da Secretaria-Geral da Presidência, que saiu do comando da secretaria após críticas de diferentes setores políticos por supostamente ter contribuído para a rejeição da Constituição, por falta de diálogo com o Congresso.

 

O cargo foi assumido pela advogada Ana Lya Uriarte, que foi ministra da secretaria do meio ambiente no primeiro mandato da ex-presidente Michelle Bachelet (2007-2010) e chefe do gabinete presidencial no segundo mandato (2014-2018).

 

Outra mudança importante foi a saída da cirurgiã Izkia Siches do Ministério do Interior para a entrada de Carolina Tohá, cientista política, ex-presidenta do Partido pela Democracia, ex-ministra do governo Bachelet e ex-prefeita de Santiago.

 

Dando início às movimentações para construção de um novo itinerário para a Carta Magna, nesta quarta-feira (7), aconteceu a primeira reunião com os líderes dos partidos chilenos no Congresso para acertar as datas e a estrutura da nova Constituição. A ideia para a mesa de diálogo já tinha sido acordada nas primeiras horas após fracasso do plebiscito. 

 

"O diálogo vai se basear aqui no Parlamento, e nós, como governo, vamos acompanhar", disse à imprensa a nova secretária-geral da Presidência, Ana Lya Uriarte, na sede do Congresso na cidade costeira vizinha de Valparaíso.

Entenda o passo a passo dos próximos dias até o enterro da monarca que morreu nesta quinta-feira (08), em Balmoral, na Escócia.
por
Luan Leão
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09/09/2022 - 12h

A monarquia britânica tem protocolos para tudo e o Palácio de Buckingham já executa o plano denominado "London Bridge", em tradução livre, Ponte de Londres. A operação foi desenvolvida em 1960 e prevê, com detalhes, os protocolos oficiais da realeza para o dia da morte da monarca. 

A Rainha Elizabeth II morreu nesta quinta-feira (08), aos 96 anos, no Castelo de Balmoral, na Escócia, onde passava o verão. Elizabeth II foi a monarca mais longeva da história do Reino Unido, tendo reinado por 70 anos, comemorados em fevereiro deste ano, como o "Jubileu de Platina da Rainha". 

 

Morre Elizabeth II
Rainha Elizabeth II nas comemorações do Jubileu de Platina. Foto: Hannah McKay / REUTERS

Quem é informado ?

Seguindo o protocolo, o secretário pessoal da rainha deve ligar para comunicar a Primeira-Ministra em atividade, neste caso, Liz Truss, sobre a morte. Todo monarca possui um código para avisar sobre seu falecimento, o de Elizabeth II, de acordo com informações de um memorando vazado há alguns anos, seria: "The London Bridge is down" - (A Ponte de Londres caiu, traduzindo). 

Após o aviso a Primeira-Ministra, o Ministro de Relações Exteriores envia um comunicado para os 14 governos fora do Reino Unido onde a rainha era chefe de estado, além de informar os outros 38 países da Commonwealth. Os oficiais também são comunicados do mais velho no cargo ao mais novo. Após o aviso a todos os ministros, as bandeiras de Whitehall, centro administrativo do Reino Unido, são colocadas a meio-mastro.

A Press Association envia um comunicado para todas as redações do mundo, no mesmo momento em que é afixado o comunicado na parte externa do Palácio de Buckingham.

 

Morre Elizabeth II
Anúncio da morte da rainha em moldura de madeira no Palácio de Buckingham. Foto: Henry Nicholls / REUTERS 

A população é avisada através de um comunicado oficial a imprensa. Um pronunciamento é feito na televisão, e o agora rei Charles III se prepara para uma série de viagens pelo Reino Unido pelos próximos dez dias.

O site da família real também é alterado, ficando apenas uma página preta com um breve comunicado informando sobre a morte da rainha. Os sites governamentais recebem um banner preto em homenagem a Elizabeth II.

Protocolos reais 

Assim que se tornou público o falecimento de Elizabeth II, todas as bandeiras dos palácios ficaram a meio-mastro por dez minutos. De acordo com a Operação London Bridge, as atividades governamentais são suspensas pelo prazo de dez dias, exceto as atividades essenciais. As plenários nos parlamentos da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte são adiadas. 

 

Morre Elizabeth II
Bandeiras das residências reais e edifícios do governo a meio-mastro.
Foto: @10Downingstreet / Divulgação

Caso não esteja reunido, o Parlamento britânico é chamado. Como a monarca estava fora de Londres, foi iniciada, também, a "Operação Unicórnio", que cuida do translado do corpo até a capital do Reino Unido. 

O regresso do corpo da rainha ao Palácio de Buckingham é prevista para o sábado (10). O trajeto deve ocorrer em comboio desde a Escócia, caso não seja possível, o translado ocorre de avião.

Quem fala ?

A Primeira-Ministra, atualmente Liz Truss, última autoridade a se encontrar com Elizabeth II em evento oficial, deve ser a primeira a se pronunciar. 

 

Morre Elizabeth II
Liz Truss foi nomeada pela rainha em Balmoral, na terça-feira (06). Foto: The Royal Family / Divulgação 

D-Day 

O dia da morte da rainha é considerado o Dia D, e todos os dias que se seguem até o funeral são nomeados como Dia D+1, Dia D+2, Dia D+3 e assim por diante. O funeral ocorre no 10° dia. 

Cerimônias 

Ainda no dia do falecimento, ocorre uma cerimônia fechada na Abadia de Westminster, também conhecida como catedral de São Pedro. A cerimônia reúne ministros e, embora planejada, deve parecer "espontânea".


Veja o passo a passo da operação de acordo com o jornal britânico "The Guardian":

Dia D+1 


Conselho de Adesão se reúne para proclamar Charles como rei. O secretário de Gabinete e a Primeira-Ministra se reúnem com o novo rei. A expectativa é de que o rei Charles III fale ao país e a Commonwealth.

Às 12h, horário local, desta sexta-feira (09), os sinos da Abadia de Westminster, Catedral de St. Paul's e Castelo de Windsor tocarão em homenagem à rainha. Saudações de 96 tiros para marcar cada ano da sua vida serão disparadas no Hyde Park e na Torre de Londres às 13h. 

Dia D+2 e D+3

Rei Charles III é proclamado rei e a proclamação é lida de uma varanda no Palácio St.James, no norte de Londres. outra proclamação será lida na Royal Exchange. Espera-se que Charles III tenha uma audiência com a Primeira-Ministra, o secretário de gabinete, o líder da oposição, o arcebispo de Cantebury e o reitor de Westminster.  

As bandeiras estarão a pleno mastro, e permanecerão assim durante 24 horas. Depois voltarão a meio mastro até o dia seguinte ao funeral. 

O corpo deve ser levado, através de comboio, até o Palácio de Holyroodhouse. Os planos incluem uma procissão ao longo da Royal Mile, em Edimburgo, até a Catedral de St.Giles, onde a família real deve assistir a uma cerimônia reservada, antes da abertura ao público. Em seguida, o caixão será levado para o Palácio de Buckingham. 

Dia D+4

Charles chegará à Irlanda do Norte. Haverá ensaios para o cortejo do caixão da rainha do Palácio de Buckingham e Westminster Hall. (Operação Lion)

Dia D+5

Caixão deve chegar ao Palácio de Buckingham horas antes do cerimonial de estado planejado em Londres. O caixão será transferido de Buckingham até o Palácio de Westminster através de uma rota cerimonial por Londres. Espera-se que o caixão seja transportado em uma carruagem de armas. 

 

Morre Elizabeth II
Rainha será levada ao Palácio de Buckingham. Foto: Will Oliveira / EFE / EPA



Dia D+6 

O corpo da rainha ficará no Palácio de Westminster por três dias recebendo visitas. Haverá um ensaio para o cortejo do funeral de Estado. (Operação Feather / Operação Pena)

Dia D+7

Charles III chegará ao País de Gales e receberá moção de condolências. O rei também terá uma audiência com o Primeiro-Ministro Galês, Mark Drakeford. É esperado que representantes da Commonwealth comece a chegar a Londres.

Dia D+8 e D+9 

São esperados milhares de visitantes em Londres para os últimos dias em que poderão prestar suas homenagens a Elizabeth II, a monarca mais longeva da história do Reino Unido. 

Dia D+10 

Proclamado Dia de Luto Nacional. O funeral de Estado será realizado em Westminster, em todo o país serão cumpridos dois minutos de silêncio ao meio-dia. 

Ao final da cerimônia na Abadia de Westminster haverá um cortejo até o Hyde Park, onde será transferido de carruagem de armas para o carro funerário estadual e viajará para Windsor. 

Elizabeth II será enterrada na abóbada Real, na Capela de São Jorge, do Castelo de Windsor, junto ao pai, Rei George VI, e do marido, Príncipe Phillip. 


 

Monarca mais longeva da história do Reino Unido. Elizabeth II morreu aos 96 anos, após 70 anos de reinado.
por
Luan Leão
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08/09/2022 - 12h

"The London Bridge is down" - A ponte de Londres caiu, esse era o código definido para que o secretário pessoal da rainha Elizabeth II informasse a Primeira-Ministra do Reino Unido, Liz Truss, sobre o falecimento da monarca. Aos 96 anos, Elizabeth Alexandra Mary Windsor faleceu na tarde desta quinta-feira (08), em Balmoral, na Escócia.
 

Morre Elizabeth II
Arco-íris se formou na frente do Palácio de Buckingham, em Londres, nesta quinta-feira (08). Foto: Frank Augstein / AP

O comunicado oficial por parte do Palácio de Buckingham ocorreu por volta das 14h30 (horário de Brasília), 18h30, horário local de Londres, através de uma rede social. "A Rainha morreu pacificamente em Balmoral esta tarde. O rei e a rainha consorte permanecerão em Balmoral esta noite e retornarão a Londres amanhã", disse o anúncio.
 

Morre Elizabeth II
Rede BBC anunciou a morte com imagem da rainha ao som do hino do Reino Unido. Foto: Andre Couldrige / REUTERS

Os filhos de Elizabeth II, Charles, Anne, Andrew e Edward, estavam todos reunidos no Castelo de Balmoral desde o começo do dia, quando a assessoria do Palácio informou que a rainha estava sob supervisão médica, e que inspirava cuidados.

"Após uma avaliação nesta manhã, os médicos da rainha estão preocupados com a saúde da Sua Majestade e recomendaram que ela permaneça sob supervisão médica. A rainha permanece confortável e em Balmoral", dizia o comunicado. 

Com a morte de Elizabeth II, o príncipe Charles, o seu filho mais velho, e sucessor direto, assume como novo rei do Reino Unido e de mais 14 países. Em pronunciamento a imprensa, cerca de 30 minutos depois do anúncio do falecimento, a Primeira-Ministra Liz Truss informou que Charles usará o nome de Rei Charles III.

Charles Phillip Artur George será o monarca mais velho a tomar posse, aos 73 anos. Charles tem dois filhos, os príncipes William e Harry, fruto de seu casamento com a princesa Diana, cinco netos; George, Charlotte, Louis, Archie e Lilibet, e é casado com a agora rainha consorte, Camilla Parker. 

 

Morre Elizabeth II
Rei Charles III será o rei mais velho a assumir o trono. Foto: Ben Stansall / AFP

Em seu primeiro pronunciamento como Rei Charles III, ele lamentou a morte da mãe. "A morte da minha querida mãe, a majestade a rainha, é um momento de grande tristeza para mim e para os membros da minha família. Nós lamentamos profundamente o falecimento de uma querida soberana e uma mãe que foi muito amada. Eu sei que a perda dela será muito sentida no país, na Commomwealth e por incontáveis povos no mundo", disse o texto. 

Seguindo o protocolo de morte da monarca Elizabeth II e ascensão ao poder de Charles III, as bandeiras do Reino Unido estão a meio mastro e um anúncio de falecimento foi afixado no portão do Palácio de Buckingham. A BBC, rede estatal, suspendeu a programação e transmitirá apenas informações sobre a despedida da rainha. 

 

Morre Elizabeth II
Anúncio afixado na porta do Palácio de Holyroodhouse. Foto: Lee Smith / REUTERS

A transmissão do BBC News Special está sendo conduzida pelo âncora Huw Edwards. Desde o início da cobertura, ainda sem a confirmação da morte, o âncora, repórteres e analistas usam roupas em tons escuros e gravata preta - essa é uma etiqueta da rede para os momentos em que um membro da família real morre.