Novos métodos foram autorizados para agilizar execuções por crimes federais
por
Davi Madi
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06/05/2026 - 12h

 

No dia 24 de abril o governo Trump aprovou a implementação de novas medidas nas políticas de pena de morte, que agora incluem pelotão de fuzilamento, para presos federais, além de cadeira elétrica, asfixia por gás nitrogênio e injeção letal. O comunicado foi emitido pelo Departamento de Justiça estadunidense (DOJ), que afirma cumprir  uma ordem direta do presidente Donald Trump, para que sejam ampliadas e agilizadas as execuções no país.

A aprovação representa uma alteração no uso da pena de morte dentro da legislação, quando comparada com as políticas apresentadas no governo anterior. No fim de sua gestão, Joe Biden, após a confirmação da vitória de Trump nas urnas, trocou a sentença de 37 dos 40 condenados à injeção letal para prisão perpétua, a fim de evitar que estes fossem executados pelo republicano.

Na ocasião, em dezembro de 2024, o ex-presidente afirmou: “Em sã consciência, não posso recuar e deixar uma nova administração retomar as execuções que eu interrompi”. A comutação das penas ocorreu após o governo Biden acatar pesquisas do próprio Departamento de Justiça, que afirmavam que o método de execução “causava dor e sofrimento desnecessário”.

Após a aprovação de Donald Trump, o DOJ apontou em seu comunicado que a análise do governo democrata era “profundamente falha”: “A administração anterior fracassou em seu dever de proteger o povo americano”.

Veja o comunicado feito em post do perfil oficial do Departamento de Justiça na rede social X

Publicação na rede social X, feita pelo perfil oficial do Departamento de Justiça Estadunidense, sobre as alterações na lei de pena de morte feitas pelo presidente Donald Trump
Alteração na lei de pena de morte representa a primeira mudança nas políticas de execução estadunidenses desde o governo Biden - Reprodução: X/@TheJusticeDept

 

Como será aplicada a nova lei

A pena de morte é prevista na legislação estadunidense, e a injeção letal, método utilizado por padrão no país, está presente no código penal. No entanto, esta política é descentralizada, o que significa que diferentes modos de execução são utilizados em cada estado.

Por base, 27 dos 50 estados do país tem a pena de morte legalizada, o que era, até então, aplicado para presos estaduais. O comunicado de Donald Trump se aplica como um parâmetro, buscando facilitar a execução das penas em nível federal, para casos onde a injeção letal não era possível ou fora ineficaz.

Como exemplo, em 2025, na Carolina do Sul, um homem foi executado através do pelotão de fuzilamento, na falta de disponibilidade do medicamento necessário para o método padrão. Atualmente, este método já é permitido em 5 estados do país: Carolina do Sul, Idaho, Mississipi, Oklahoma e Utah. 

Um caso anterior, de 2024, no Alabama, também se popularizou quando um homem foi submetido à asfixia por gás nitrogênio como método, após falhas da injeção letal e adiamento da execução. O uso desta substância, no entanto, enfrentou denúncias após ser qualificado pela ONU como forma de tortura.

Kenneth Smith, condenado à pena de morte nos Estados Unidos, sobreviveu à quatro tentativas de execução por injeção letal, foi submetido à asfixia por gás nitrogênio e morto em 2024
Kenneth Smith foi morto por asfixia com gás nitrogênio após sobreviver a quatro tentativas de execução por injeção letal - Reprodução: Youtube/NBC News

 

Esta mudança nas políticas penais dos EUA refletem promessas feitas por Donald Trump desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na ocasião, o republicano retomou a pena de morte em nível federal após 20 anos de sua suspensão. Nos primeiros meses de mandato, seu governo executou 13 condenados por injeção letal. Nos 50 anos antes de sua posse, somente três pessoas haviam sido submetidas ao método.

No momento, mais de 40 presos federais aguardam julgamento que pode resultar na pena capital nos EUA. No entanto, esses processos ainda podem levar anos.

“Pessoas foram executadas em estádios” afirma Renata Beltrão, guia do Museu do Futebol
por
Malu Malaquias
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28/04/2026 - 12h

O esporte foi utilizado como instrumento político por ditaduras militares na América Latina, especialmente no Brasil, na Argentina e no Chile, entre as décadas de 1960 e 1980, período marcado por golpes de Estado e repressão. Governos autoritários desses países exploraram o enorme alcance popular do esporte para promover propaganda oficial, estimular o nacionalismo e desviar a atenção da população das violações de direitos humanos, seja por meio de grandes eventos como Copas do Mundo ou do controle sobre clubes, federações e estádios. Essa estratégia ocorreu porque o futebol, enquanto fenômeno de massa, possui alto poder de mobilização emocional, tornando-se uma ferramenta eficaz de legitimação política e controle social em contextos autoritários.

Durante esse período, os países afetados por regimes militares sofreram controle não apenas as instituições políticas, mas também as manifestações culturais. Nesse cenário, a modalidade esportiva, já consolidada como o principal fenômeno de massa do continente, passou a ocupar um lugar estratégico nas ações do Estado. Capaz de mobilizar sentimentos coletivos, reunir multidões e produzir símbolos nacionais, o esporte foi apropriado pelos governos como instrumento para sustentar discursos oficiais de ordem, progresso e unidade. Essa instrumentalização envolveu diferentes dimensões, como a propaganda governamental, o controle social por meio do entretenimento e a construção de um sentimento patriótico artificial em meio à repressão. 

No Brasil, após o golpe civil-militar de 1964, o novo governo passou a intervir diretamente no universo esportivo. Os militares compreenderam que o futebol, não poderia permanecer distante das disputas de poder. A suspensão de competições logo após a ruptura democrática indicou que o Estado via o esporte como um espaço sensível à instabilidade política. Com o Ato Institucional nº 5, decretado em 1968, aprofundou o autoritarismo da ditadura militar ao suspender direitos civis, ampliar a censura e intensificar a repressão política, criando o contexto ideal para o uso do futebol como instrumento de propaganda e controle social. A aproximação entre o governo, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e dirigentes como João Havelange consolidou uma aliança que permitiu maior controle sobre a organização esportiva e sobre a imagem da Seleção Brasileira.

A conquista da Copa do Mundo de 1970, no México, tornou-se o maior símbolo do uso político desse fenômeno esportivo em nosso país. O tricampeonato mundial foi apropriado pelo regime do general Emílio Garrastazu Médici como prova da suposta grandeza nacional. Campanhas publicitárias e slogans, como “Pra Frente, Brasil” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”, associaram o sucesso esportivo ao chamado “milagre econômico”, promovendo a ideia de um país próspero e em ascensão. Enquanto a população celebrava nomes como Pelé, Tostão e Jairzinho, a repressão se intensificava nos bastidores, com censura, tortura e desaparecimentos políticos. Tornando a modalidade uma poderosa ferramenta para encobrir a violência do Estado e legitimar o regime interna e externamente.

Na Argentina, a ditadura instaurada em 1976 pela junta militar liderada por Jorge Rafael Videla encontrou na Copa do Mundo de 1978 uma oportunidade estratégica de autopromoção internacional. O evento foi cuidadosamente planejado para apresentar o país como moderno, organizado e pacificado, apesar da existência de centros de detenção clandestinos e da prática sistemática de violações dos direitos humanos. O torneio ficou marcado por denúncias de censura à imprensa, perseguição política, desaparecimentos forçados e suspeitas de interferência nos resultados esportivos, como a polêmica goleada da Argentina sobre o Peru por 6 a 0.  Historiadores como José Paulo Florenzano, apontam que o título mundial simboliza uma profunda contradição entre a euforia popular e o terror imposto pela autoridade estatal.

No Chile, o golpe de 11 de setembro de 1973, liderado por Augusto Pinochet, estabeleceu uma relação ainda mais brutal entre futebol e repressão. O Estádio Nacional de Santiago, principal palco esportivo do país, foi convertido em centro de detenção, tortura e execução, por onde, segundo levantamentos históricos e instituições de memória, estima-se que cerca de 40 mil prisioneiros políticos nos primeiros meses da ditadura. O espaço, tradicionalmente associado à celebração esportiva, transformou-se em símbolo do terror estatal. Um episódio emblemático desse período foi o boicote da União Soviética à partida contra o Chile, válida pela repescagem da Copa do Mundo de 1974, em protesto contra a realização do jogo em um estádio recentemente utilizado como campo de concentração.

​ Painel exposto no Museu do Futebol relembra a ditadura militar no Chile, destacando a pergunta “¿Dónde está?” (“Onde está?”), símbolo da luta por memória e justiça diante dos desaparecimentos forçados ocorridos após o golpe de 1973. Foto: Malu Malaquias  Click e arraste para mover ​
Painel exposto no Museu do Futebol relembra a ditadura militar no Chile, destacando a pergunta “¿Dónde está?” (“Onde está?”), símbolo da luta por memória e justiça diante dos desaparecimentos forçados ocorridos após o golpe de 1973. Foto: Malu Malaquias

Apesar do forte controle estatal, o futebol não se restringiu ao papel de instrumento da repressão. Em diferentes momentos, tornou-se também espaço de resistência política. No Brasil, a Democracia Corinthiana destacou-se como um dos movimentos mais significativos, ao defender a gestão democrática do clube e apoiar publicamente a campanha das Diretas Já no início dos anos 1980.

“Houve atuação direta de alguns jogadores contra a ditadura”, constatou a guia Renata

Liderados por jogadores como Sócrates, Casagrande e Wladimir, os atletas utilizaram sua visibilidade para questionar o autoritarismo. Além disso, torcidas organizadas, jornalistas esportivos e intelectuais passaram a empregar o futebol como linguagem simbólica para driblar a censura e ampliar o debate público.

Com o fim das ditaduras, a preservação da memória tornou-se fundamental para compreender o papel do futebol nesses regimes. Instituições como o Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), ligado ao Museu do Futebol, dedicam-se à pesquisa, documentação e divulgação das relações entre esporte, política e direitos humanos. Em parceria com centros acadêmicos, como o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas, essas iniciativas contribuem para combater o apagamento histórico e aprofundar o debate sobre o passado autoritário do continente. Reconhecer que futebol e política sempre estiveram interligados é essencial para que o esporte deixe de ser instrumento de dominação e se consolide como espaço de cidadania, reflexão crítica e memória coletiva.

Frente à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, os líderes entram em embate discutindo ideologia e direitos pelas redes sociais
por
Carolina Machado
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22/04/2026 - 12h

Nos últimos dias, dois dos americanos mais influentes do mundo trocaram farpas sobre o rumo dos conflitos mundiais: Donald Trump e o Papa Leão XIV. Enquanto o líder estadunidense intensifica seu discurso sobre a força militar no Oriente Médio, o Pontífice  exalta os direitos humanos frente a um cenário de guerra que afeta a todos nos Estados Unidos e mundo afora.

No dia 31 de março, em declaração à imprensa, o Papa Leão XIV pediu por paz, cobrou a defesa da dignidade humana e reforçou a necessidade de Estados Unidos, Israel e Irã negociarem um cessar-fogo. O líder católico citou de maneira direta o presidente Donald Trump – diferente das críticas feitas por seus antecessores que não mencionavam chefes de Estado. 

Uma semana depois, no dia 7 de abril, quando Trump ameaçou destruir a civilização iraniana, o Pontífice voltou a se manifestar. “Hoje, como todos sabemos, houve também essa ameaça contra todo o povo do Irã, e isso é verdadeiramente inaceitável”, afirmou. O líder convidou os fiéis a refletirem e rezarem pela vida de todos os inocentes, além de procurarem formas de se comunicar com os congressistas e outras autoridades americanas, pedindo o fim da guerra.

Papa Leão XIV em missa no Vaticano. Imagem: Instagram/Reprodução @pontifex
 Papa Leão XIV em missa no Vaticano.
Imagem: Instagram/Reprodução @pontifex

No domingo, dia 12 de abril, durante a tradicional oração do meio-dia no Vaticano, o Papa retomou o tema da guerra mencionando o Líbano, que tem sido severamente bombardeado por Israel. “Estou mais próximo do que nunca do amado povo libanês nestes dias de tristeza, medo e esperança inabalável em Deus”, disse. Ele volta a fazer apelos às partes envolvidas no conflito para que cessassem o fogo e para que busquem juntos uma solução pacífica. 

Poucas horas depois, Trump se pronunciou. Pela rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos definiu o líder católico como “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. Ele ainda acrescentou não querer um “Papa que ache que tudo bem o Irã ter arma nuclear”, mesmo não existindo nenhum registro emitido pelo Vaticano ou pelo próprio Pontífice defendendo o direito iraniano de possuir esse tipo de arsenal.

Post de Donald Trump sobre o Papa Leão XIV traduzido. Imagem: X(Twitter)/ Reprodução @realDonaldTrump
Post de Donald Trump sobre o Papa Leão XIV traduzido.
Imagem: X(Twitter)/ Reprodução @realDonaldTrump

No mesmo dia, Donald Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que ele aparece como Jesus curando um doente. “Não sou um grande fã do Papa Leão: ele é uma pessoa muito liberal e não acredita em combater o crime”, reforçou ele em declaração à imprensa.  

O presidente dos Estados Unidos ressaltou ainda que o Papa deveria agradecer, pois só foi colocado na lista de elegíveis para o cargo por ser americano. Isso porque seu antecessor, Papa Francisco, era acusado de não entender a Igreja dos Estados Unidos por ser latino-americano. Em vida, o Pontífice argentino criticou a hostilidade de Trump em relação aos imigrantes, além das intervenções americanas e dos incentivos militares pelo globo. 

Donald Trump em coletiva de Imprensa na Casa Branca. Imagem: Instagram/ Reprodução @realdonaldtrump
Donald Trump em coletiva de Imprensa na Casa Branca.
Imagem: Instagram/ Reprodução @realdonaldtrump

“Papa Francisco instituiu que era preciso olhar para as periferias [...] ele falou e viveu isso. Hoje, temos um Papa que veio da periferia”, afirma Boris Agustín Nef Ulloa, diretor da faculdade de Teologia da PUC-SP, na palestra “Sonhos de Francisco”. Ele ainda explica que o atual líder católico foi bispo em uma diocese perdida na Amazônia Peruana e que seus antecessores, em sua maioria, vieram de grandes arquidioceses, como Francisco - mesmo que na América Latina. “Esse Papa, que veio da periferia, tem mostrado, nessa última semana, a força e a coragem do evangelho como ajuda poderosa deste mundo”, conclui. 

Em um avião a caminho da Argélia, no dia seguinte, o Papa Leão XIV respondeu às falas de Trump, dizendo não ter medo do presidente, nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho. “Sou chamado a fazer o que a Igreja é chamada a fazer. Acredito que a mensagem do Evangelho [...] é a mensagem que o mundo precisa ouvir hoje”, declara.

Descubra um pedaço da história desse país localizado nos Balcãs, seus desafios econômicos e belezas naturais
por
Vítor Nhoatto
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19/04/2026 - 12h

 

Doce euforia de viajar, desbravar um país e uma cultura nova. Certamente acompanhada também de algum estresse pelos perrengues chiques, e o cansaço satisfatório de atingir a meta de passos diários explorando ao máximo esse mundo fascinante. Desde a chegada na cosmopolita capital Tirana, até a despedida após uma desconexão da velocidade na praia de Durres, sentimentos que certamente não vão embora de quem visitar a Albânia. 

Já na aterrissagem no principal aeroporto do país de 29 mil quilômetros quadrados, pouco maior que o estado de Alagoas, as singularidades começam. A maioria deve não reparar, mas a frota de carros usados no Tirana International Airport Nënë Tereza (TIA) é toda formada por BYDs Dolphin Mini, chineses e elétricos. 

Ao sair do modesto aeroporto, a arquitetura característica composta por formas geométricas como cubos e pirâmides se sobressai na fachada da construção. Ao lado, vários quiosques de locadoras de carros, um ônibus que sai a cada hora para o centro da capital Tirana, cerca de 20 km, e novamente, dezenas de táxis chineses. A relação com o país asiatico é antiga, desde 1949 devido ao regime comunista que o país vivenciou até 1992, com uma interrupção entre 1979 até 1989 devido a política albanesa de isolamento total na época.

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Na saída do aeroporto, dezenas de táxis, tal qual esse Honda e:Ny1 versão chinesa e não europeia. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De dentro do táxi elétrico, que tal qual o ônibus e a maioria dos comércios, só aceita pagamento em dinheiro físico, lekë ou euro, outro fato curioso que continua refletindo a história onde se está. Na cidade não há sistema metroviário, apenas ônibus, e plataformas como Uber não operam no país. 

A indústria dos taxistas possui um peso político muito grande, durante o comunismo e a proibição de empresas privadas, muitos albaneses passaram a trabalhar clandestinamente para complementar a renda do emprego estatal, como encanadores, pedreiros, e motoristas também. Mas se com isso, a ânsia por um aplicativo, ou a necessidade de pagar em cartão gritarem, existem uma série de plataformas de viagens como o “Tirana Taxi” e o “Bee Taxi”.

Chegado ao destino, um caloroso “obrigado” em inglês, um sorriso, e a simpatia que não é comum a outros países do continente, quem dirá aos franceses. Mesmo apesar da única língua oficial do país ser o Albanês, segundo dados do Instituto de Estatísticas do país (Instat) de 2018, quase 40% da população fala pelo menos numa língua estrangeira, chegando a quase 60% entre as pessoas até 34 anos. O principal é o inglês, seguido do italiano e do grego.

Além disso, apesar do albanês ser uma língua indo-europeia, é a única sobrevivente do ramo linguístico ilírio, ou seja, não possui similaridades com nenhum outro idioma atualmente, apenas influências do turco e grego, o que demanda dos comerciantes e juventude uma forma de se comunicar com outros povos. Existem ainda dois dialetos falados no país e no Kosovo, majoritariamente formados por albaneses, o Tosk e o Gheg.

 

Encontro de gerações e pensamentos 

 

A Albânia é um país que faz fronteira com a Grécia, Macedônia do Norte, Kosovo e Montenegro, enquanto a oeste tem o mar Adriático até a Itália. Devido a essa posição, e as várias vezes que o comunismo já foi citado, pode-se pensar que a nação fez parte da antiga Iugoslávia, país formado pelos povos de origem eslava que durou de 1929 até 1991 e foi controlado pela União Soviética após a Segunda Guerra Mundial. 

No entanto, o país nunca pertenceu à extinta nação, que hoje responde a sete países, e muito menos foi um satélite soviético, apesar de estreitos laços até 1960. A declaração de independência veio em 28 de novembro de 1912 em meio a Guerra dos Balcãs, e o reconhecimento internacional em 1913 com o Tratado de Bucareste. 

Em relação a sua atual capital, Tirana, a fundação é bem mais antiga, datada em 1614 e realizada pelo comerciante Sulejman Bargjini Pasha. Sua posição estratégica, uma área em meio a cadeia de montanhas Dajti e o mar Adriático, fez com que se tornasse capital em 1920, e todas essas história, pode ser vista e sentida na prática ao andar pela praça Skanderbeg, primeiro ponto turístico dessa viagem.

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País assumiu posição alinhada ao Ocidente desde os anos 2000, como bandeira da Ucrânia na prefeitura comprova nos dias de hoje. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt 

 

O fundador da cidade construiu na época uma casa de banho turca, uma mesquita e uma padaria, elementos que compõem bem essa parte otomana da cidade. Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, o fascismo regiu a recém independente monarquia do Rei Zog I. Até que em 1944 o comunismo invade a arquitetura do lugar, mudando a paisagem até 1991, quando a modernização de cicatrizes começa.

Dito tudo isso, a praça em questão tem elementos concentrados em poucos metros quadrados exatamente de todas essas eras. O nome faz homenagem ao herói nacional Skanderbeg, militar  que liderou a resistência de 25 anos na região contra o império otomano, exemplo de sucesso dos cristãos nos Balcãs.

Ao lado de sua estátua está justamente uma parte otomana da cidade, formada pela Torre do Relógio, construída em 1812, e a mesquita Et’hem Bej. Terminada em 1821 pelo bisneto do fundador da cidade, é aberta a todos que queiram entrar e admirar o fresco e colorido interior, desde que se tire os sapatos como a religião sunita manda. E claro, se bata um papo com o simpático “recepcionista” da mesquita, que entrega panfletos sobre a rica história do lugar que foi inclusive fechado durante a ditadura comunista, e símbolo da reabertura religiosa no país em 1991 após manifestações de estudantes. 

Colocando o sapato para fora do templo, eis as construções da época fascista, com prédios quadrados e amarelados dos famosos arquitetos do período de Mussolini na Itália, Florestano Di Fausto e Armando Brasini. A praça inclusive se tornou o centro da cidade após o projeto entre os italianos e o ex-primeiro ministro, ex-presidente, e então rei Zog I em 1923. 

Hoje todos são prédios públicos, como a atual prefeitura, e revitalizados no começo dos anos 2000 pelo então prefeito Edi Rama com cores vibrantes. A escolha das cores intensas como vermelho, amarelo, rosa e azul são inclusive uma resposta ao cinza da época das construções do comunismo.

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Cores marcantes, torres envidraçados, estátuas e até um prédio residencial em formato de cabeça, representam como a cidade é uma mistura constante de épocas. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Do outro lado da praça, sempre movimentada, e com turistas em torno da gigante escultura  “I Love Tirana”, que significa “eu amo Tirana” em português, está o Museu de História Nacional e o mosaico característico da propaganda comunista: albaneses simples, trabalhadores, empunhando a bandeira do país com determinação e alegria. Apesar de fechado para reformas desde março de 2024, com entrega prevista para março de 2028, mesmo assim faz o visitante parar por alguns minutos para admirar a obra. Outra construção da época é o atual  Palácio da Cultura, que abriga a ópera e o ballet da Albânia, a Livraria e o Teatro Nacional, além de vários comércios. 

Seguindo o passeio condensado de períodos históricos, em meio ao Palácio e os coloridos prédios dos Ministérios da cidade, um museu sobre a ditadura vivida pelos albaneses. Não se trata de outra construção de arquitetura stalinista, um projeto italiano ou otomano, mas um buraco no chão. Melhor dizendo, um bunker.

 

Relembrar o passado para se ter um futuro

Uma das características mais marcantes do período era a preocupação com possíveis invasões de países capitalistas. Tal paranoia do líder Enver Hoxha, encheu o território do país com as construções em formato de cogumelo que levam para milhares de quilômetros de túneis subterrâneos. Se esperava que 750 mil bunkers fossem construídos, mas estima-se que apenas 173 mil ficaram prontos até a morte do líder em 1985. Uma ferida dolorosa para muitos albaneses que viveram o período, mas hoje também um lugar de resistência e educação, com um desses bunkers tendo se transformado em um museu, o Bunk’Art 2. 

O preço do ingresso varia, cerca de 700 lekës para apenas o Bunk’Art 2, e 1.300 lekës também para visitar o Bunk’Art 1, bem maior, mas a 15km do centro. Em uma conversão simplificada para o euro, significa cerca de 7 e 13 euros respectivamente. Destaque para a opção de pagar com cartão de crédito, além da possibilidade de visitar o Bunk’Art 1 em até três dias caso opte pelo ingresso conjunto.

Ao descer as escadas após uma simpática recepção ao lado da entrada do “cogumelo” por um carro militar da época, os túneis começam. O lugar conta a história desde a ascensão de Hoxha como líder da oposição na época da monarquia pela Frente Democrática Albanesa, até a reabertura do país. Para isso, uma curadoria cheia de documentos originais recuperados da época, textos e painéis informativos, além de vídeos e até figuras com interação com realidade aumentada pelo aplicativo Bunk’Art.

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Quarto de Enver Hoxha, hoje no Bunk’Art, nunca foi usado pelo ditador, tal qual todos os bunkers construídos. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Foram recriados também os ambientes da época, nos quartos que de fato foram usados para testes militares, com móveis e equipamentos de espionagem do Sigurimi (órgão responsável por espionar os cidadãos na ditadura) preservados da época, máscaras contra armas químicas e relatos de sobreviventes. 

Também estão presentes exposições de artistas contemporâneos albaneses, como instalações com o uso de projetores e recursos digitais sobre o passado, presente e futuro. Além de uma área do bunker dedicada a obras interativas sobre ilusão de ótica, muito semelhante às obras do Museu da Ilusão em Madrid, e por todo o mundo. O título “Ilusão ótica como manipulação política” é divertido e carregado de significado ao fazer referência a propaganda do regime.

No Bunk’Art 1 a imersão é ainda maior pois o museu fica no maior e principal bunker da época, e é seguro contra ataques nucleares, com tecnologias específicas. Nele, o visitante tem uma complementação do que foi visto no menor, ou caso opte por ir só nesse maior, terá a experiência completa. 

O lugar lembra muitas vezes sobre a violência da época de uma forma didática e sensível, como relatos recuperados de agentes da guarda nacional sobre os que tentaram escapar pela fronteira, e as milhares de vítimas desaparecidas e que famílias vieram a saber sobre o paradeiro do corpo somente após 1991 com o Instituto de Estudos Sobre os Crimes e Consequências Durante o Comunismo (ISCCC). Ou ainda a disposição pelas paredes dos túneis de todas as 6.027 vítimas executadas formalmente pela ditadura conforme documentos resgatados pelo órgão.

Ao longo da visita várias mensagens sobre a importância de não esquecer o passado para poder ter um futuro pelas paredes estão dispostas. É importante destacar que só há guia de áudio para ambas visitas em albanês, inglês e italiano, e que todos os vídeos possuem legendas em inglês, e os textos versões em albanês e inglês.

Voltando ao passeio histórico, são 106 salas em 3 mil  metros quadrados no Bunk’Art 1, com destaque para a espécie de teatro que foi construída no complexo para performances artísticas e conferências enquanto os líderes estivessem se protegendo dos ataques do mundo capitalista.

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Espaço foi reformado antes de ser aberto ao público, e o teatro possui agora luz natural e medalhas do período da ditadura. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De cicatrizes para arranha-céus 

 

Entre os prédios históricos citados até agora, várias torres envidraçadas, luzes de led dos carros e guindastes lembram que desde 1991 o país se abriu de novo para o mundo. Após a morte de Hoxha em 1985, Ramiz Alia assumiu o poder, mas protestos começaram, principalmente de estudantes. Algumas relações com países foram reafirmadas, como com a China em 1989, e após a queda do muro de Berlin no mesmo ano e o fim do comunismo na Romênia, o cenário foi sendo abrandado. 

No mesmo ano, Alia assinou o Acordo de Helsínquia na Finlândia, novos partidos foram criados e a Albânia passou a adotar os Direitos Humanos da Europa. Até que em 1991 após fraude nas eleições daquele ano e protestos massivos, o então presidente renunciou ao cargo e Sali Berisha assumiu o poder como presidente eleito. Daqui para frente muitos desafios, escândalos de corrupção e opressão marcaram o país, que então em 1998 criou a sua constituição e um alinhamento ao Ocidente se intensificou. Em 2009 o país aderiu à Aliança Militar do Atlântico Norte (OTAN), e também está na lista de candidatos para ingressar na União Europeia.

Agora com o contexto dado, chama a atenção por exemplo o imponente e vibrante vermelho, estádio Kombëtare. Centros comerciais pomposos e hubs empresariais como o Blloku Center, e com certeza um lugar obrigatório para se visitar, a Pirâmide de Tirana. 

Em um formato literalmente de pirâmide, diferente das do Museu do Louvre, certamente maior e com mais concreto para poder ter espaço interior utilizável, chama de cara a atenção após uns 10 minutos de caminhada da praça Skanderbeg. Construída em 1988 como um museu para o recém falecido ditador, já foi um centro de conferências após a queda do comunismo em 1991, uma base de operações da OTAN durante a operação no Kosovo em 1999, e em 2001, passou a abrigar escritórios de canais de rádio e televisão. 

Porém, foi em 2018 que uma proposta de renovação foi apresentada e o local se tornou um centro cultural, tecnológico e jovial. No gramado ao seu redor há várias lojas de comida, videogames, cafés e empresas telefônicas em forma de cubos na diagonal e com cores vibrantes. Se aproximando, uma escadaria de cento e sessenta e poucos degraus, iluminados por led e que levam até uma das vistas mais bonitas da cidade, seja de dia ou à noite.

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Do topo da pirâmide se tem uma vista 360° da cidade, a qual fica iluminada a noite toda. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Contrastes de uma cidade cosmopolita

Falando mais sobre a noite, tal qual toda cidade grande, o trânsito fica um caos em horário de pico. Lembra-se que a cidade não possui metrô e os táxis são uma força política? Pois bem, os ônibus ficam realmente cheios a partir de umas quatro horas da tarde, não são elétricos e o cobrador fica andando entre as pessoas para coletar os 40 lekës da passagem e dar o bilhete em papel para cada um.  

Aplicativos como o Google Maps e o Moovit funcionam em Tirana, mas os intervalos dos ônibus passam facilmente de 15 minutos. Para quem preferir a cada esquina um táxi amarelo ou branco perguntará se precisa de uma viagem. Além disso, as locadoras de carros estão por toda parte e uma opção é alugar um carro, que provavelmente será um alemão (Audi, BMW ou Mercedes), ou chinês para os mais econômicos. Segundo levantamento da JATO Dynamics, em 2025, dos dez carros mais vendidos seis foram da chinesa BYD. 

Resumindo, a melhor opção é ir a pé, afinal de contas, o centro da cidade fica a poucos minutos da Pirâmide, das ruas de comércio popular no bairro Pazari i Ri, e da vida boêmia, agitada e cara do Blloku. 

Neste bairro durante o dia, cafés, lojas de eletrônicos e roupas, restaurantes fast-food como KFC e Burger King (McDonalds não opera no país), e refinados de culinária grega em especial, e mundial, enchem as ruas. A noite, carros luxuosos, música alta dos bares e gente por aí mostram que Tirana tem opções para todos os gostos.

Porém, as ruas até esses restaurantes, bares e baladas da região provavelmente vão preocupar. Mesmo com a modernização nos últimos anos, muitas regiões no país ainda são formadas por vielas e habitações da época do comunismo que aparentemente não tem manutenção há anos. Ruas estreitas, escuras e casas com tijolos à mostra são certas nos rolês pela cidade, tal qual pelo menos um gato, lembrando até um pouco a Turquia e a relação com os bichanos.

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País enfrenta problemas econômicos e políticos, mas está empenhado em ingressar na União Europeia em 2029. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Para se ter uma ideia, segundo o Banco Mundial, o Índice de distribuição per capita na Albânia era em 2024 de 11.377 dólares, que apesar de há 30 anos ser de cerca de 600 dólares, ainda é muito mais baixo que países como a Grécia (25 mil), República Checa (31 mil) e Itália (40 mil). Isso sem falar na desigualdade social que o número não considera, afinal, o Brasil tem uma cifra ainda menor para efeito de comparação, 10.310 dólares.

Belezas naturais a um piscar de olhos

 

Mudando o perfil do turismo, apesar do território pequeno, a Albânia é um país rico em biodiversidade, e Tirana é caracterizada por contrastes geológicos e climáticos devido às montanhas e a proximidade com a costa. 

Bem próximo de Blloku, um refúgio do ritmo agitado da cidade pode ser visitado, o Lake Park. Aberto ao público 24 horas por dia e em todos os dias da semana, conta com um lago, que dá nome ao parque, com chafariz e uma vista deslumbrante ao pôr do sol. Ao longo da caminhada estátuas despertam a curiosidade, memoriais às vítimas do holocausto e um pequeno teatro. 

Do outro lado da cidade, há 10 minutos do Bunk’Art 1, vale a visita ao maior teleférico dos Balcãs, o Dajti Ekspress. Como o nome sugere, os bondinhos conectam a cidade até o topo da montanha de mesmo nome, com um comprimento de 4.354 metros e um passeio que dura 15 minutos. Para aqueles com medo de altura essa atração não é muito aconselhada, a sensação de escutar o vento pelas aberturas de ar da cabine e a leve sacudida de tempos em tempos pode ser desconfortante. Mas no topo, passeios de asa delta, trilhas e escalada estão disponíveis aos mais aventureiros. 

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Construção do teleférico é austríaca, e ingresso de ida e volta custa 1.500 lekë por pessoa. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Além desses destinos dentro de Tirana, ainda é possível em cerca de uma hora de ônibus e 40 minutos de carro chegar em Durrës, importante cidade portuária e milenar. A segunda cidade mais populosa do país é também uma das mais antigas, com a sua fundação ainda no século VII antes de Cristo. O anfiteatro da cidade, por exemplo, é um sítio arqueológico a céu aberto do século II depois de Cristo. Se destacam também a Torre Veneziana, datada do império bizantino, preservada e que se liga às partes que restaram do castelo da cidade do século V. 

Mas como nem só de passado que se vive, uma arquitetura em forma côncava se destaca ao lado da Torre, construída a cerca de dois anos, e que dá de frente para os boulevards característicos do local. Com palmeiras altas lado a lado da rua, relativamente largas e com muitas lojas, evocam até um sentimento de estar em Los Angeles em pleno verão com um conversível de capota aberta para sentir o sol e o calor no corpo. 

E como se trata de uma cidade portuária, a praia é também atração principal. Com uma grande área de calçamento, estátuas de heróis do país e pessoas vendendo miçangas relaxam os visitantes, enquanto se admira o mar adriático bem azul. Olhando para frente inclusive, é possível gritar “terra à vista”, terra essa que é nada menos que o salto da bota da Itália.

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Durrës é um ótimo destino para aqueles que estão buscando viagens de bate e volta da capital. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Seja pelas vielas humildes que podem lembrar “O Cortiço" de Aluísio Azevedo, as avenidas opulentas do centro de Tirana são lotadas de carros de todas as marcas do mundo. A vida noturna agitada de Blloku e a arquitetura que mistura tradição, bunkers e modernidade. Ou ainda pela vista emocionante que a natureza da politicamente desafiadora Albânia proporciona, caro leitor, é um lugar barulhento e intrigante que merece um lugar na sua lista de destinos.

Parlamento Israelense sanciona nova medida para prisioneiros palestinos acusados de terrorismo
por
Juliana Hochman
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10/04/2026 - 12h

O Knesset, parlamento de Israel, aprovou na última  segunda-feira de março (30) um projeto de lei para execução de prisioneiros palestinos que assassinaram com intenção de “negar a existência do Estado de Israel e provocar sua destruição”, com 62 votos a favor e 48 contra. O projeto é criticado por violação dos direitos humanos e ir contra a tentativa mundial de extinção da pena de morte.

 

Sobre a lei

Após o ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro de 2023, no qual mais de 1200 israelenses foram assassinados, alguns parlamentares pressionaram a volta da execução de palestinos acusados de terrorismo. A pena foi praticada apenas duas vezes na história do país: Em 1948, Meir Tobianski, oficial acusado de espionagem e em 1962, na execução do nazista Adolf Eichmann.

 

Promovida pelo partido Otsama Yehut, apresentada pelo ministro extremista da segurança Itamar Ben-Gvir, e apoiada por parlamentares do partido Likud e do conservador Yisrael Beiteinu, o projeto prêve pena de morte, principalmente por enforcamento, para palestinos, que não são cidadãos ou residentes, presos por ataques letais, acusados pelo tribunal militar. “A partir de hoje, todo terrorista saberá, todo o mundo saberá, que o Estado de Israel tira a vida de qualquer um que tire uma vida” diz o ministro da segurança antes da aprovação, em rede nacional “quem escolhe o terror, escolhe a morte”.

Limor Son Har-Melech (Otzma Yehudit) assinando lei de pena de morte. Foto: Limor Son Har/Divulgação/Instagram
A vice-presidente do Knesset, Limor Son Har-Melech, do partido de extrema-direita Otzma Yehudit, assina lei de pena de morte. Foto: Divulgação/@limor_sonhar.

 

Oposição

 

A nova lei foi uma das principais campanhas da extrema direita israelense. Logo após a aprovação, grupos de defesa dos direitos humanos de Israel e países Europeus condenaram a proposta. A Associação dos Direitos Civis anunciou que entrou com uma petição para a Suprema Corte do país, exigindo a anulação da Lei de Pena de Morte para Terroristas. A entidade também criticou a distinção entre israelense e palestinos no projeto. Além disso, foram feitos protestos no mundo todo, no qual civis foram às ruas para mostrar oposição à lei promulgada na segunda (30).

 

Com a aprovação da proposta, Israel vai contra o fluxo da abolição da pena de morte mundial, que, segundo a organização de direitos humanos Anistia Internacional, 113 países anularam completamente tal penalidade. 

 

De acordo com as Nações Unidas, o texto é “vago e excessivamente amplo” de quem é terrorista, o que pode levar à aplicação da pena em “pessoas que não tiveram atitude necessariamente terrorista”. Outra questão levantada pelos opositores é a possível eliminação da salvaguarda destinada ao processo legal de Israel.

 

Críticos também apontam problemáticas no texto, já que posto em prática, a lei se aplica apenas a palestinos que matam judeus, e não ao contrário. Em teoria, os Israelenses só podem ser condenados se forem contra a existência do Estado, que, segundo juristas, a chance é quase nula. Em nota para o New York Times, o rabino Benny Lau diz “não há nada além de vingança, atrelada à uma narrativa de orgulho e violência judaica”.

 

Próximos passos

 

A partir de agora, a lei permite que tribunais israelenses imponham a medida sem permissão do Ministério Público, também não precisando de unanimidade para sancionar a decisão, valendo tanto para o território de Israel quanto para a Cisjordânia.

 

A uma semana das eleições, conheça os 4 principais nomes na disputa à presidência na França
por
Luan Leão
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05/04/2022 - 12h

No próximo domingo (10) os franceses vão às urnas para escolher o presidente que vai comandar o país pelos próximos 5 anos. Atualmente no poder, o presidente Emmanuel Macron (Em Marcha!) é líder nas pesquisas e concorre à reeleição, mas não terá um caminho fácil para a reeleição. 

Vamos conhecer um pouco mais sobre os 4 principais nomes na disputa presidencial, de acordo com as pesquisas de intenção de voto:

 

Emmanuel Macron (Em Marcha!)

O mais jovem presidente francês desde a era de Napoleão, Macron tenta seu segundo mandato aos 44 anos de idade. Candidato do partido “Em Marcha!”, ocupa o primeiro lugar em todas as pesquisas de intenção de voto. 

Emmanuel Macron - Em Marcha!
Emannuel Macron - Foto: Ian Langsdon / Via Reuters

De acordo com especialistas, diferente de 2017, quando se elegeu pela primeira vez aos 39 anos de idade, o centrista Macron adota um tom mais à direita no plano de governo para o segundo mandato. Entre suas propostas, está o adiamento da aposentadoria de 62 para 65 anos de idade. Outra promessa é a redução de 15 bilhões em impostos, metade para pessoa física e a outra metade para empresas. 

Macron também pretende fazer alterações no sistema de Renda Solidária Ativa (RSA), condicionando o benefício a horas de atividade profissional, e em contrapartida, promete pleno emprego em cinco anos. 

A seu favor, o atual presidente tem os bons números da alta do Produto Interno Bruto (PIB) francês, que alcançou 7% em 2021, sendo o maior número em 52 anos. Apesar da recessão de 8% em 2020, especialistas do Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee) ressaltam que a economia francesa ultrapassa os patamares que estava antes da crise sanitária mundial.

Outro dado positivo a favor do candidato à reeleição é a taxa de desemprego em 7,4%, um dos melhores patamares em 40 anos. Durante a pandemia, Macron abriu os cofres públicos para manter a população em casa e evitar falência das empresas. 

Apesar dos números, Macron é visto como o presidente dos ricos. O presidente retirou o Imposto sobre Fortunas (ISF) e o transformou em imposto sobre propriedade, para não assustar o empresariado e garantir crescimento, segundo ele mesmo. Opositores apontam que o centrista está desconectado da realidade. 

Com papel relevante nas negociações no conflito Rússia e Ucrânia, Emmanuel Macron tenta se colocar como um líder diplomático, confiável e que sabe gerir crises. 

 

Marine Le Pen (Reunião Nacional)

Tradicional líder da extrema-direita francesa, aos 53 anos de idade Le Pen vem para a disputa de sua terceira eleição. Em 2012 ficou em 3º lugar, em 2017 foi para o segundo turno e perdeu para Macron. Agora, segundo as pesquisas, ocupa o segundo lugar na preferência de voto dos franceses. 

Marine Le Pen - RN
Marine Le Pen - Reprodução Facebook

Nos últimos anos, Le Pen trabalhou para mudar a imagem de seu partido, marcado por discursos xenófobos e racistas. A candidata aposta em pautas envolvendo a segurança, como a presunção de legítima defesa para a polícia, em uma tentativa de proteger as forças policiais, que são acusadas com frequência de uso desproporcional da violência. 

Conhecida por discursos radicais relacionados a imigração, a candidata de extrema-direita defende o fim do reagrupamento familiar, que facilita a legalização de imigrantes que já tenham familiares no país. Le Pen também prega o endurecimento das regras para pedidos de naturalização e asilo, defendendo que sejam feitos apenas no exterior, impedindo que imigrantes clandestinos sejam regularizados. 

Le Pen tem feito um discurso enérgico, falando até em “erradicar”, as ideologias islâmicas e suas redes. Com posições contrárias ao bloco Europeu, a candidata tem alterado seu discurso, e evitado criticar a aliança, tendo falado apenas em uma possível alteração da moeda francesa. 

O programa de medidas da candidata visa aumentar o poder aquisitivo dos franceses, com melhorias nos salários e redução nos impostos sobre energia. Le Pen fala também em privatizar as estradas francesas para diminuir os preços dos pedágios, além de estatizar o sistema audiovisual francês, que hoje depende parcialmente de dinheiro público. 

Nesta eleição, Marine Le Pen tem a concorrência de Éric Zemmour na disputa dos votos mais radicais. Além disso, em 2014 Le Pen recebeu empréstimo de um banco russo para financiar as campanhas de 2017 e pode se complicar por isso. 

 

Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa)

Único representante da esquerda entre os 4 principais nomes, Mélenchon, de 70 anos de idade, é atualmente o terceiro colocado nas pesquisas eleitorais, e tem um discurso voltado para a “ruptura” do liberalismo econômico. O seu partido, França Insubmissa, tenta ocupar o lugar deixado pelo Partido Socialista no campo ideológico do país. 

Jean-Luc Mélenchon - França Insubmissa
Jean-Luc Mélenchon - Foto: Christophe Archambault / AFP

Chamado por seus apoiadores de “Melen-Show”, por sua capacidade retórica e poder de reunir multidões, o candidato de esquerda concentra suas propostas em temáticas sociais, como o acesso à educação e o custo de vida. Mélenchon prometeu congelar os preços de produtos, aumentar salários e fortalecer os serviços públicos.

No programa de governo, o candidato promete uma grande reforma fiscal, e prevê a volta do Imposto sobre Fortuna (ISF), tabelamento de preços de produtos de primeira necessidade, e o aumento do salário mínimo para 1.400 euros. Além disso, uma de suas principais propostas é a redução da idade mínima de aposentadoria para 60 anos, após 40 anos de contribuição.

O candidato de esquerda é bastante cobrado por não ter se posicionado de forma mais firme e clara, desde o começo, sobre o presidente russo Vladimir Putin. Apesar de estar em terceiro, o candidato do partido França Insubmissa tem chances reais de ir para o segundo turno, apostando em uma divisão de votos entre Marine Le Pen e Éric Zemmour. 

 

Éric Zemmour (Reconquista!)

Candidato da ultradireita, sendo considerado até mais radical que Marine Le Pen, Zemmour, de 63 anos de idade, é escritor, jornalista e comentarista político, já tendo participado de programas de televisão. De acordo com as pesquisas, é o 4º colocado nas intenções de voto dos franceses. 

Éric Zemmour - Reconquista
Éric Zemmour - Foto: Bertrand Guay / AFP

Apesar de experiente, o candidato é novato na política, e defende uma visão mais radical para o país, em conjunto com uma visão liberal para a economia. No início das pesquisas chegou a estar em segundo lugar, mas vem patinando nos últimos números divulgados. Filho de judeus da Argélia, tem uma retórica violenta, carregada de misoginia e um discurso contundente anti-imigração. 

Em janeiro deste ano, Zemmour foi condenado a uma multa de 10 mil euros por incitar ódio contra menores imigrantes. O caso aconteceu em 2020, quando durante um programa de televisão, Zemmour chamou os menores imigrantes de “ladrões”, “assassinos” e “estupradores”. O jornalista classificou o fluxo imigratório de “invasão permanente”.

No seu programa de governo, o candidato já chegou a falar em um ministério da “remigração”, e prometeu “fazer um milhão” de estrangeiros saírem do país em cinco anos. Zemmour aposta em críticas à candidata da direita tradicional Valérie Pécresse (Republicanos), e também ao atual presidente Emmanuel Macron. 

O candidato do Reconquista! também é o único presidenciável a defender a teoria de uma suposta “grande susbtituição”. A teoria prega que os europeus estão sendo substituídos aos poucos por imigrantes não europeus. 

Para Zemmour, a França é um país em decadência, e a civilização do país foi atacada pela influência dos mulçumanos, que conseguem isso pela falta de controle migratório. O extremista também já criticou o que chama de “feminização” da sociedade, e afirmou que crianças com deficiências sejam enviadas a “escolas especiais”.

Em 2020, disse que a Rússia era uma aliança mais confiável do que Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido. 

 

A uma semana das eleições, conheça 8 dos 12 nomes na disputa à presidência na França
por
Luan Leão
|
03/04/2022 - 12h

No próximo domingo, 10/04, os franceses devem ir às urnas para escolher o novo presidente a comandar o país pelos próximos 5 anos. Atualmente no poder, o presidente Emmanuel Macron (A República Em Marcha) é líder nas pesquisas e concorre à reeleição. 

Vamos conhecer os 8 candidatos do “segundo pelotão” da disputa presidencial, de acordo com as pesquisas eleitorais.  

Valérie Pécresse (Republicanos)

É a candidata da direita moderada no país, e na mais recente pesquisa eleitoral divulgada aparece em 5º lugar.

Valérie Pécresse candidata Republicana
Válerie Pécresse - Foto: Christine Poujoulat / AFP

 

Pécresse pertence ao Republicanos, e venceu as primárias do partido com 61% dos votos. Aos 54 anos de idade, a candidata é a primeira mulher a representar o partido Republicano em uma eleição presidencial. 

O partido é o mesmo do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que governou a França de 2007 a 2012. Durante os governos de Sarkozy, Pécresse foi ministra do Ensino Superior e da Pesquisa, e também, ministra do Orçamento e Contas Públicas. 

Segundo aliados, Pécresse não tem como ponto forte o carisma, mas defende um projeto de firmeza em relação a segurança pública e imigração, e liberal na economia. 

“Tomarei controle da imigração”, disse a candidata em discurso de lançamento da candidatura 

 

Yannick Jadot (Verde)

Membro do parlamento Europeu desde 2009, Jadot tem 44 anos de idade, e é atualmente o 6º colocado nas pesquisas. Também já foi diretor de campanha do Greenpeace de 2002 a 2008. Recebeu a indicação do partido em uma disputa apertada nas primárias, tendo obtido 51,03% dos votos. 

Yannick Jadot candidato dos Verdes
Yannick Jadot - Foto: Geoffroy Van Der Hasselt / AFP

Em 2016, Jadot também foi o pré-candidato à presidência pelos Verdes, porém, temendo uma derrota da esquerda, e pregando uma união no bloco, o candidato dos Verdes abriu mão de sua candidatura em favor de Benoît Hamon, que a época era o nome apoiado pelo então presidente François Hollande. 

Pró-europeu e de linha pragmática, Jadot oferece um plano de governo que prioriza ações voltadas ao clima, e diz que “a batalha do clima é vital”. O candidato dos Verdes também é um crítico de Emmanuel Macron, pelo que ele chama de “inação climática”, além de dizer que Macron é “presidente dos lobbies”. 

“Jovens da França, não deixem ninguém decidir no seu lugar. Não deixem passar esta chance histórica de mudar as suas vidas. [...] Participem desta eleição com o seu entusiasmo. Juntem-se a nós, deem mais força para construir a república ecológica”, disse Jadot se dirigindo a juventude em um ato de campanha 

 

Fabian Russel (Partido Comunista)

Depois de apoiar as candidaturas de Jean-Luc Mélenchon em 2012 e 2017, o Partido Comunista decidiu lançar candidatura própria, está em 7º lugar, de acordo com a pesquisa eleitoral mais recente. O nome do partido é Fabian Russel, de 52 anos de idade. 

Fabian Roussel
Fabian Russel - Foto: Reprodução 

Mais radical, Russel promete triplicar o imposto sobre fortunas (ISF) e criar um posto para aqueles que lucraram com a crise sanitária ocasionada pela COVID-19. O candidato também tem em seu plano de governo o desejo de estatizar grandes empresas como a EDF energia, além de bancos e seguradoras. 

A diferença em seu plano de governo em relação aos candidatos de esquerda/extrema-esquerda está no apoio ao uso de energia nuclear. 

 

Jean Lassalle (Resistir!)

Fundador do partido em 2016, aos 66 anos de idade disputa sua segunda eleição. A primeira foi em 2017, tendo ficado em 7º lugar dentre os 11 candidatos. Lassalle fala em reconstruir um Estado Francês baseado no lema republicano: “Liberdade, igualdade e fraternidade”. Atualmente está em 8º lugar nas pesquisas eleitorais.

Jean Lassalle
Jean Lassalle - Foto: Lionel Bonaventure / AFP 

Em 2018, Lassalle esteve nos protestos à frente da Assembleia Nacional vestindo coletes amarelos, símbolo do movimento. As manifestações pararam o país, e o ato causou a suspensão da sessão. 

O candidato afirma ter “íntima experiência e conhecimento das instituições francesas”. Suas propostas são ousadas, entre essas medidas, Lassalle propõe realizar referendos de iniciativa cidadã, abolir a corte da Justiça da República integrando seus Ministros a justiça comum, baixar os impostos sobre os combustíveis e preparar a saída da França da Otan.

 

Anne Hidalgo (Partido Socialista)

A atual prefeita de Paris tem, aos 62 anos de idade, uma missão complicada nesta eleição. Apesar de contar com o apoio do ex-presidente francês François Hollande, a migração do eleitorado, por toda a Europa, para um voto mais a direita enfraqueceu os socialistas, que ocupam apenas o 9º lugar nas pesquisas de intenção de voto. 

Anne Hidalgo, prefeita de Paris
Anne Hidalgo - Foto: Julien Bouttellier / Lille News

Apesar de ter governado o país com Hollande de 2012 a 2017, o Partido Socialista vem enfrentando dificuldade de dialogar com os eleitores. Nas eleições de 2017, o candidato socialista Benoît Hamon sequer passou ao segundo turno. No atual pleito, Hidalgo luta para chegar a 2% nas intenções de voto. 

Eleita pela primeira vez para o cargo de prefeita da cidade de Paris em 2014, e tendo conseguido a reeleição em 2020, Hidalgo tem enfrentado problemas em sua gestão, o mais notório deles foi o movimento dos coletes amarelos em 2018. A prefeita de Paris também é criticada pela sujeira na cidade, e tem o desafio de preparar os Jogos Olímpicos de Paris em 2024. 

O seu plano de governo é baseado na transição ecológica, e o partido aposta no caráter combativo de Anne Hidalgo para conquistar os eleitores. 


Na disputa, mas com poucas chances… 

 

Philippe Poutou (Novo Partido Anticapitalista)

Contra a existência do cargo de presidente, o ex-operário de 55 anos de idade enfrenta abertamente os candidatos liberais. 

Phillippe Poutou
Phellippe Poutou - Foto: Facebook 

Poutou ataca constantemente a postura dos principais candidatos “da burguesia”, como Emmanuel Macron e a “racista e xenófoba” Marine Le Pen. Para o metalúrgico, os candidatos se aproveitam do sistema. 

O candidato é a favor de uma esquerda revolucionária, anti-imperialista e internacionalista, e confia de forma incisiva na força da classe trabalhadora, para que os capitalistas paguem pela crise. 

 

Nicolas Dupont-Aignan (A França de Pé)

Aos 61 anos de idade, esta é a terceira vez que Dupont-Aignan se lança à presidência. Funcionário público de carreira e deputado distrital por Essonne, é presidente de seu partido, que defende uma linha soberana e eurocética. 

Nicolas Dupont-Aignan
Nicolas Dupont-Aignan - Foto: AFP

O deputado defende a “independência da França” e pautas como a revisão de acordos em nível europeu. 

Ex-integrante da direita clássica francesa, Dupont-Aignan disse à imprensa na última segunda-feira (28) que “provavelmente” está liderando sua última campanha. 


 

Nathalie Arthaud (Luta Operária)

Considerada o principal nome desta ala da esquerda no país, Arthaud, de 52 anos de idade, é professora universitária na região metropolitana de Paris, e está disputando sua segunda eleição presidencial. Na primeira vez, em 2012, obteve 0,56% dos votos, cerca de 200 mil cédulas. 

Nathalie Arthaud
Nathalie Arthaud - Foto: Sebastien Bozon / AFP

Arthaud se apresenta como revolucionária e crítica a desigualdade social. 

“Se eu sou revolucionária e se eu quero mudar a sociedade é porque essa sociedade capitalista é ultraviolenta, é a violência social das desigualdades, é o fato de ver hoje essas riquezas acumuladas de um lado, as extravagâncias, este incrível luxo e do outro lado, as mulheres e os homens que dormem na rua”

 

Yan Boechat, jornalista da Band que foi à Ucrânia cobrir o conflito com a Rússia denuncia os riscos desse tipo de atuação dentro do campo
por
Fabrício Gracioso
Letícia Coimbra
Mariana Luccisano Coelho
Majoí Costa
|
31/03/2022 - 12h

A guerra entre Rússia e Ucrânia é um dos conflitos mais intensos e devastadores do século 21. Uma estimativa apontada pela ONU (Organização das Nações Unidas) diz que em um mês de guerra, completado no dia 24 de março de 2022, mais de 1.040 civis ucranianos morreram e mais de 1.600 ficaram feridos. Além disso, milhões de ucranianos já tiveram que deixar o país por conta da invasão russa. Diante disso, diversos jornais de vários países enviaram correspondentes (repórteres e fotógrafos), para fazerem a cobertura do conflito. Porém, devido a periculosidade da situação, ao menos seis profissionais vieram a falecer.

Em conversa com Yan Boechat, o fotógrafo e jornalista enviado pela Band e Voice of America para registrar o conflito, "conta que a guerra é um ambiente muito intenso e que na maioria dos casos os profissionais vão por conta própria e destaca o perigo de ir em zonas que não foram dominadas por ambos os lados do embate".

Segundo o fotógrafo, profissionais menos experientes tendem a cometer mais erros ou atitudes que os levam ao perigo e risco de vida. Como se trata de um conflito armado, o cuidado e a sensibilidade das ações dos repórteres devem ser muito maiores.

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, Boechat iniciou sua carreira escrevendo sobre política e economia. Depois disso seu trabalho em relações exteriores tomou forma e começou a cobrir conflitos em diversos países, já tendo passado pela Síria, Afeganistão, Líbano, Iraque, Egito, Venezuela e Tunísia.

De acordo com ele, o conflito mais marcante em seus 19 anos de experiência foi o primeiro: “Te marca mais. Eu fui para o Afeganistão em 2003 e foi muito impactante pra mim”. Boechat também enfatiza o valor da experiência, alegando que o profissional “vai aprendendo com os anos, cada conflito é diferente, vai aprendendo um pouco, tentando minimizar os riscos [...] é um processo lento, como qualquer coisa na vida”.

A motivação para cobrir um conflito armado é essencial e também deve ser comentada, até mesmo porque o risco de se realizar tal tarefa é enorme. Ao ser perguntado sobre isso, Boechat diz que sempre gostou de história e acha que o conflito é um momento definidor dela. “Os conflitos sempre vão definir o rumo de nossa história como sociedade e acho que é um privilégio estar ali, assistir essa história acontecer”, afirmou.

De acordo com o jornalista, depois de anos de experiência, o cinismo passa a ser uma característica cada vez mais marcante no seu dia a dia. “É triste, mas faz parte da vida. Ainda assim é ruim ver pessoas sendo vítimas de uma guerra que em geral não tem nada a ver com elas, são as mais prejudicadas[...] mas se isso te afetar demais você não consegue trabalhar”.

Após ser perguntado sobre os protocolos gerais que devem ser seguidos para realizar essa perigosa cobertura, Boechat dá mais detalhes a respeito: “Costuma ser cada um por si, mesmo com o apoio dos colegas, mas cada um atrás da sua história”. O jornalista deu destaque para a necessidade de planejamento, uma vez que aumenta a dificuldade de encontrar prestadores de serviços como motoristas e tradutores devido ao receio que os mesmos têm da guerra, resultando em um número pequeno de pessoas para auxiliar os jornalistas. Ainda apontou a relevância também do colete e os riscos minimizados por ele, mas diz que é melhor levar o próprio equipamento.

Além disso, Boechat ressalta o cuidado que, segundo ele, deve ser tomado ao entrevistar pessoas cujo cargo representa um poder elevado. “O jornalista precisa ter consciência de que ele é visto como um instrumento de propaganda, então você vai para lá e os caras vão querer te usar como propaganda para o que eles querem mostrar”.

Por fim, ele afirma que para executar esse trabalho, ter calma é essencial, porque o profissional “se coloca em risco e coloca as outras pessoas em risco, então se você se desesperar (outros jornalistas) não vão querer trabalhar com você, não é um ambiente fácil, tem bastante tensão”.

 

A coalizão “semáforo”, liderada pelo Partido Social-Democrata (SPD), com o Partido Democrático-Liberal (FDP) e Os Verdes, tomou posse oficialmente em Berlim
por
Luan Leão
|
08/12/2021 - 12h

Fim de uma era

Nesta quarta-feira (8), Olaf Scholz, do Partido Social-Democrata (SPD), tornou-se oficialmente primeiro-ministro da Alemanha, colocando fim aos 16 anos de governo da democrata-cristã Angela Merkel. No cargo de chanceler federal desde 2005, Merkel deixa o poder aos 67 anos, e após 5.860 dias de governo. A “mutti”, mamãe em alemão, apelido carinhoso que recebeu em 31 anos na vida pública, ficou a 5 dias de bater o recorde de longevidade de Helmut Kohl (1982-1998). Nem mesmo os muitos anos na política desgastaram a popularidade de Merkel, segundo pesquisa recente do Pew Institute, 72% dos entrevistados, em todo o mundo, confiam nela. “Angela Merkel foi uma chanceler que teve êxito”, elogiou o novo chanceler Olaf Scholz, segundo ele, Merkel “permaneceu fiel a ela mesma durante 16 anos marcados por várias mudanças”.

Angela Merkel se despediu do cargo no dia 24 de novembro
Angela Merkel recebeu flores de Olaf Scholz, em Berlim, no dia 24 de novembro. Foto: Markus Schreiber/AP Photo

O social-democrata de 63 anos foi eleito pela câmara baixa do Bundestag (parlamento alemão) por 395 votos a favor, 303 contra e 6 abstenções, dos 736 votos dos deputados. A coalizão “semáforo” tem 416 assentos do parlamento, porém muitos deputados estavam ausentes na votação de hoje (8), que registrou a presença de 707 parlamentares.

Scholz vai liderar a coalizão que conta, além dos social-democratas, com os liberais e os verdes. Isso porque nas eleições de 26 setembro, o SPD foi o partido mais votado, recebendo 25,7% dos votos, ficando à frente da União Cristã Democrata (CDU), partido de Merkel, que registrou seu pior resultado da história com 24,1%. Os Verdes registraram o melhor resultado de sua história com 14,8% dos votos, os liberais obtiveram 11,5%. Essa será a primeira vez que uma tripla coalizão governará a Alemanha desde 1950, e marca a volta dos social-democratas à chancelaria federal, o último social-democrata a comandar o país havia sido Gerhard Schröder (1998-2005).

Olaf Scholz sendo aplaudido por parlamentares
Olaf Scholz é aplaudido por parlamentares alemães após ser eleito para o cargo de chanceler. Foto: Reuters

Após a votação, Scholz, de máscara, recebeu aplausos e buquês de flores de líderes dos diferentes grupos parlamentares do Bundestag. Depois, foi recebido pelo presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, que o entregou a “ata de nomeação”, o que estabelece o início oficial de seu mandato de quatro anos. Em seguida, Scholz retornou ao Bundestag para prestar juramento ao cargo, antes de seguir para a chancelaria federal para a transferência de poder.

Olaf Scholz recebe flores após ser eleito
Olaf Scholz recebe flores após ser eleito chanceler pelo Bundestag. Foto: Fabrizio Bensch/ Reuters


O novo governo

Esse será o primeiro governo com paridade de gêneros nos ministérios. Cumprindo promessa de campanha, oito pastas serão comandadas por mulheres e oito por homens. O percentual de 50% de mulheres comandando ministérios é o maior da história da Alemanha. Por liderar a coalizão, o SPD ocupa mais ministérios, os verdes ficaram com a vice-chancelaria e os liberais com o ministério considerado o mais importante, que é o de finanças. “Estou particularmente orgulhoso de que as mulheres agora estão a partir de agora à frente de ministérios que tradicionalmente não eram ocupados por elas”, afirmou Olaf Scholz.

A média de idade do novo governo é de 50,4 anos, menor do que a média de todos os inícios de legislatura dos quatro governos anteriores governados por Merkel. O último mandato de Merkel tinha média de idade de 51,4 anos. Aos 63 anos, Scholz é o mais velho do governo. As ministras mais jovens são Annalena Baerbock e Anne Spiegel, do partido Verde, que completam aniversário no mesmo dia, e farão 41 anos em 15 de dezembro

Veja a composição do novo gabinete:

Robert Habeck, 52 anos, co-presidente do partido Verde, será o vice-chanceler e ministro da Economia e Energia

Annalena Baerbock, 40 anos, co-presidente do partido Verde, candidata a chanceler pelo partido na última eleição, será a primeira mulher a comandar o ministério do Exterior

Christian Lindner, 42 anos, presidente do partido liberal, será o ministro das Finanças, considerado o mais poderoso dos ministérios

Nancy Faeser, 51 anos, líder do SPD no estado de Hasse, será a primeira mulher a comandar o ministério do Interior

Karl Lauterbach, 58 anos, o parlamentar social-democrata é epidemiologista e ocupará o cargo de ministro da Saúde, o novo ministro defende medidas mais rígidas contra a COVID-19

Christine Lambrecht, 56 anos, a social-democrata comandará o ministério da Defesa, sendo a terceira mulher a comandar a pasta de forma consecutiva

Wolfgang Schmidt, 51 anos, o social-democrata será o chefe da chancelaria federal, que coordena os trabalhos entre os diferentes setores do governo

Svenja Schulze, 53 anos, a social-democrata será uma das remanescentes da gestão Merkel, mas irá migrar de pasta, sairá do ministério do Meio Ambiente e irá para o ministério do Desenvolvimento

Steffi Lemke, 53 anos, do partido Verde assume o ministério do Meio Ambiente

Marco Buschmann, 44 anos, o membro do partido liberal será o novo ministro da Justiça

Anne Spiegel, 40 anos, do partido Verde vai comandar o ministério da Família

Klara Geywitz, 45 anos, a vice-líder do SPD estará a frente do ministério da Construção e Habitação

Bettina Stark-Watzinger, 53 anos, do partido liberal vai ocupar o cargo de ministra da Educação e Pesquisa

Claudia Roth, 66 anos, será a nova ministra da Cultura e Mídia, essa é uma pasta que ainda não tem status de ministério

Hubertus Heil, 49 anos, o social-democrata segue como ministro do Trabalho e Assuntos Sociais

Cem Özdemir, 55 anos, ex-co-presidente do partido Verde, ocupará o cargo de ministro da Agricultura. Essa será a primeira vez que a Alemanha terá um ministro com raízes turcas

Volker Wissing , 51 anos, o liberal será o ministro dos Transportes e Digitalização

O novo governo assume com um agravamento da pandemia no país. Nesta quarta-feira (8) a Alemanha registrou um recorde no número de mortes por COVID-19, com 527 óbitos em 24 horas, maior número em mais de dez meses, segundo autoridades locais. O novo primeiro-ministro e o novo ministro da saúde defendem ações mais rigorosas em relação a pandemia, Scholz já fez a defesa da vacinação obrigatória, o que poderia ocorrer entre fevereiro e março de 2022.

De acordo com os manifestantes, os protestos acontecem devido s longas filas para compra de alimentos, a falta de medicamentos e a alta dos preços.
por
Mariana Lopes
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02/12/2021 - 12h

Após seis décadas sob o comando dos irmãos Castro, Fidel e Raúl, em 2018, Miguel Díaz-Canel assumiu o poder em Cuba, aos 58 anos de idade.

Naquele momento, há quase três anos, sua entrada no mundo político era uma incógnita para grande parte das pessoas.

Em Villa Clara, sua cidade natal, era visto como um político “comprometido” e “tolerante”, porém, assim que Raúl Castro começou a mostrar interesse nele, tem  feito declarações que o afastam de seu perfil de "pró-abertura". Ele tem reafirmado ideias comunistas e prometido persistir "na marcha triunfante da Revolução".  

Para Antonio Rodiles, ativista anticastrista, Díaz-Canel "é uma pessoa apagada que repete como um robô o que tem sido dito em Cuba nos últimos 60 anos".

No dia 11 de julho de 2021, milhares de cubanos foram as ruas, aos gritos de “abaixo a ditadura” e “não temos medo”. Este movimento teve inicio nas redes sociais. Em resposta, o presidente Miguel Diaz, também pelas redes sociais, pediu que as pessoas fossem as ruas enfrentar os manifestantes.

"Não vamos admitir que nenhum contra-revolucionário, nenhum mercenário, nenhum vendido ao governo dos Estados Unidos, vendido ao império, recebendo dinheiro das agências, se deixando levar por todas as estratégias de subversão ideológica, desestabilize nosso país", adicionou.

"Haverá uma resposta revolucionária", disse ele, conclamando os adeptos ao comunismo a enfrentar os protestos com "determinação, firmeza e coragem". Suas ações foram vistas pela oposição como uma incitação a uma guerra civil.

De acordo com os manifestantes, os protestos acontecem devido s longas filas para compra de alimentos, a falta de medicamentos e a alta dos preços. "O problema é que o governo não tem divisas estrangeiras para importar comida, remédios ou combustível, então há escassez de todos os gêneros de primeira necessidade nas lojas", explica o especialista em assuntos latino-americanos William LeoGrande, professor da American University.

Além disto, continua, "ocorrem blecautes de eletricidade que lembram aos cubanos os piores tempos dos anos 1990, após do colapso da União Soviética; e o povo está frustrado com o alastramento da covid-19".

De acordo com a BBC, que entrevistou inúmeros cubanos, muitos manifestantes relataram a perda de parentes, muitos deles falecendo dentro de suas casas, pois o sistema de saúde do país já havia sofrido um colapso e não havia mais remédios nos hospitais e farmácias.

O presidente americano Joe Biden se mostrou favorável as manifestações e disse: "Estamos do lado do povo cubano e de seu chamado pela liberdade e por um alívio das trágicas garras da pandemia e de décadas de repressão e sofrimento econômico a que os cidadãos têm sido sujeitos pelo regime autoritário de Cuba."

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, também se mostrou solidário com as manifestações. Por outro lado, México e Rússia alertaram os outros países que a situação em Cuba poderia ser pretexto para interferência estrangeira em assuntos cubanos.

Os protestos foram reprimidos pela polícia e em vídeos feitos pelos manifestantes é possível ver esses enfretamentos.

Uma nova Marcha pela Mudança foi marcada para o dia 15 de novembro. O governo cubano proibiu a marcha e a classificou como um o ato de “provocação de Washigton”.

Horas após o ato ter sido proibido, o grupo no Facebook que organiza o evento, Archipiélago publicou: "No dia 15 de novembro, nossa decisão será marchar cívica e pacificamente pelos nossos direitos. Frente ao autoritarismo, responderemos com civismo e mais civismo".

No dia dos protestos, um cerco policial havia sido imposto nos locais que receberiam os manifestantes, o que ao final, deixou os locais praticamente vazios de pessoas.

Aqueles que tentaram quebrar o cerco foram presos ao longo da tarde com a desculpa de que a manifestação fora proibida pelo governo.

A data foi escolhida por ser o primeiro dia em que os turistas voltariam para Cuba após o começo da pandemia e também marcaria o aniversário de Havana.

Até agora, a repressão do movimento já levou a prisão 1.175 pessoas, e mais da metade continua atrás das grades, de acordo com a associação Cubalex, que monitoria as prisões políticas da ilha.