Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
por
KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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Produtor lamentou a falta de exportação de “música boa” brasileira no Grammy, em face da homenagem de Cardi B ao funk carioca
por
Hiero de la Vega de Lima
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06/04/2021 - 12h

Durante a cerimônia do renomado prêmio musical estadunidense Grammy Awards (14/03), este ano realizada remotamente devido à pandemia de covid-19, o produtor musical Rick Bonadio comentou a participação do Brasil na premiação: entre as performances realizadas durante o show, a rapper Cardi B apresentou uma versão de “WAP”, hit da cantora com Megan Thee Stallion, que incluía um trecho de um remix feito pelo DJ Pedro Sampaio.

O remix, de uma música já originalmente erótica, apresentava um trecho de funk de tom sexual, o que provocou a raiva de Bonadio. Em sua página no Twitter, ele afirmou: “precisamos exportar música boa, e não esse ‘fica de quatro’”, disse, em referência à principal frase presente na faixa. O comentário foi repudiado por artistas de funk, incluindo a cantora Anitta, que tuitou para o produtor: “escolhe um ritmo brasileiro à sua altura, faz uma música e exporta para o mundo”.

Para o cantor e multi-instrumentalista Melvin Santhana, ex-Os Opalas, o tuíte do produtor espelha uma tentativa de retornar à relevância. “Ele levantou da tumba, né? Porque nunca mais conseguiu lançar nada de pontual, mas aí conseguiu esquentar o nome dele”, diz. Santhana acredita que a resposta de Anitta acabou por “dar palco” para o discurso do produtor, que classifica como “elitista, classista e racista”.

Homem negro, barbado, de camiseta branca, batuca em tambor
Melvin Santhana (foto: reprodução/Instagram @melvinsanthana)

O músico aponta que, apesar de Bonadio ter produzido bandas como os Mamonas Assassinas, famosos por “esculachos xenofóbicos, até homofóbicos”, ele critica o tom erótico do funk. “Se fosse o Mamonas [no Grammy], ele ia dizer que foi um expoente do Brasil”, acrescenta. Apesar do comentário, Santhana acredita que o funk tem chance de alcançar popularidade no estrangeiro: as músicas do próprio têm influência do funk e rap, entre outros ritmos afro-americanos, como o samba.

Ainda que aprecie a atenção que Cardi B trouxe ao funk no estrangeiro, questiona: “que tipo de música é permitido se produzir no Brasil? Só existe sertanejo, funk e brega?”. Ele afirma que, mesmo com a ajuda da Internet, é difícil ficar famoso, mesmo nacionalmente, ao se desviar destes três ritmos. “A gente sabe que não é uma internet democrática, é um racismo comercial”.

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“É fácil criticar a Shein e não o sistema na qual está inserida”
por
Isabela Lago, Ramon de Paschoa e Tabitha Ramalho
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06/04/2021 - 12h

A indústria da moda é considerada a 2ª mais poluente, por conta das fibras têxteis, como o poliéster que é derivado do petróleo e do algodão produzido com fertilizantes. Impactam em grande emissão de gás carbônico, alto gasto de água e poluição dos mares e oceanos. Com o surgimento do Fast Fashion, a produção de roupas foi acelerada, passando a ter 52 coleções anualmente, essas tendências permitem que o consumidor compre roupas de outono mesmo estando na primavera.

"A moda de uma hora pra outra virou 180º” diz a influencer do app “TikTok” Bruna Zanesco, já que a pandemia fez com que algumas peças de roupa voltassem à tona como por exemplo o tie dye, técnica de tingimento em tecidos, ele foi de esquecido para amado e esquecido de novo”.

A utilização da mão de obra escrava, vinda, principalmente, dos membros dos Tigres Asiáticos, como Bangladesh e Vietnã, é presente em muitas lojas, por sua mão de obra barata.

O aumento do consumo de roupas é originado pela moda rápida, preços baratos, peças diferentes, a compra de “preciso” passa a ser “quero”, motivada pelo impulso de estar acompanhando as novas tendências ao invés de comprar por necessidade. Com a prática iniciada em 1970, o conceito de moda rápida surgiu após a proibição do comércio de petróleo nos Estados Unidos e em alguns países europeus, isso fez com que as empresas têxteis pensassem em uma nova estratégia para sair da crise e conseguirem escoar a produção.

Em março de 2020 a pandemia de Covid-19 causou quarentena e lockdown em quase todos os países, mas o mercado da moda se manteve, as compras online cresceram no Brasil. Segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), que realizou estudos e fez pesquisas comparando o público e a procura por compras onlines, houve um aumento que passou de  39%, em 2018, para 70%, em 2020.

A influencer Zanesco conta que a marca Shein forneceu tendências e colocou tudo em seu site por um preço barato, “as pessoas vão comprar mesmo porque elas querem estar na moda”. Essa transição no mercado fez com que as lojas acompanhassem as tendências e quem pegou mais rápido e barato teve uma ascensão maior.

Assim como Bruna, Maria Eduarda Mazurega, estudante de moda da Faculdade Santa Marcelina em São Paulo, diz que muitas pessoas estão comprando na Shein e algumas blogueiras estão ajudando nisso, “uma das questões é que os produtos são baratos mas não são duráveis (...) A Shein produz muita coisa. De onde essas peças vêm e da onde são fabricadas? Quantas pessoas por trás delas não estão sofrendo e quanto elas ganham para produzir?”.

Para a jornalista, Iara Vidal, esse consumo na pandemia é um enigma, “o que as pessoas fazem com roupa nova dentro de casa?”. Sobre as questões das vendas e produções em massa, ela diz que é muito simples atacar a Shein e esquecer do mercado no qual está inclusa. “Não sei porque as pessoas escolhem essa ou aquela se todas estão inseridas em um sistema que está errado”.

Vidal faz parte do movimento Fashion Revolution desde 2017, em 2018 tornou-se representante em Brasília. “A minha questão é política, eu levei o Fashion Revolution para dentro do Congresso Nacional, para discutir as políticas públicas.”

Iara Vidal, representante do movimento Fast Revolution (Foto: acervo pessoal).
Iara Vidal, representante do movimento Fast Revolution (Foto: acervo pessoal).

 

O movimento surgiu logo após a queda do edifício Rana Plaza, Bangladesh - um dos principais países onde a mão de obra é voltada para a produção têxtil -, em 24 de abril de 2013, causando mais de mil mortes. O prédio possuía uma fábrica ilegal de producação que abasteceria, na época, marcas como PriMark e H&M entre outras lojas do Grupo Benetton.

A catástrofe chamou a atenção mundial e marcou o Dia da Revolução da Moda. Na semana do dia 24 de abril acontecem palestras de conscientização sobre a moda, ambiente e ética, com o principal objetivo: a busca pela transparência do modo de produção, alertar sobre as condições precárias que os trabalhadores vivem e o questionamento "quem fez as minhas roupas?"

Uma nova pergunta foi levantada pelo movimento “do que são feitas minhas roupas”?. Iara explica que a fibra do poliéster é a mais utilizada, sendo uma das principais agressores ao bioma marinho, “todas as vezes que lavamos uma roupa que é de poliéster, ela solta algum microplástico”, o algodão, sendo a segunda mais utilizada, é responsável por quase ⅕ do uso de agrotóxicos do mundo, principalmente o algodão transgênico.

 “Se a gente não sabe quem fez e do que é feito as nossas roupas, não terá mudança”, ressalta Vidal, que acrescenta que é preciso pensar no impacto no ambiente e na vida do trabalhador, sobretudo, a trabalhadora, sabendo que a mão de obra feminina representa cerca de 80%.

Fábrica de roupas em Daca, Bangladesh (Foto: Tareq Salahuddin/Wikimedia Commons)
Fábrica de roupas em Daca, Bangladesh (Foto: Tareq Salahuddin/Wikimedia Commons)

Tema levantado por Iara, a moda sustentável, métodos e processos de produção que não são prejudiciais ao meio ambiente, a jornalista diz que se angustia ver toda semana surgir uma nova marca com esse ideal. “Aí eu pergunto pra vocês, o que é moda sustentável? As pessoas precisam de seu sustento, mas todas estão inseridas no meio capitalista, mesmo a moda plus size, a-gênero”. 

Tanto Bruna como Maria Eduarda dizem que a moda sustentável existe, mas logo afirmam que é um produto caro e acaba sendo menos acessível para pessoas de baixa renda. “Seria um caminho ideal se toda a cadeia de produção entrasse na mesma pegada”, diz Bruna.

Apesar das alternativas sustentáveis e das propostas de visibilidade no processo de produção serem pautas amplamente populares entre ativistas da moda, a possibilidade de um fim da moda rápida ainda é distante.

Projetos de mobilização sobre moda rápida levantadas por coletivos como o Fashion Revolution e debates sobre o consumo de roupas, cada vez mais em alta nas redes que a incentivam como Instagram, TikTok e Facebook, são movimentações relevantes para que haja conscientização. Representante da geração mais jovem, Duda afirma que vê muita gente mudando e se utilizando mais de brechós e peças duradouras. 

Giorgio Armani propõe para Women's Wear Daily que a diminuição do ritmo de tendências seria a última saída para a moda. No entanto, o estilista está inserido numa cadeia de produção de grife, que não se sustenta em larga escala como a fast fashion. Sobre o fim dela, Bruna Zanesco afirma: "A fast fashion não acaba, mas tem que ser mais consciente”.

“Por que precisamos de uma revolução na moda?”. Gráfico: Fashion Revolution
“Por que precisamos de uma revolução na moda?”. (Gráfico: Fashion Revolution)

 

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O universo dos colecionáveis, tem se tornado cada vez mais comum e uma forte vertente, são os eletrônicos retrô. Como o videogame Philips Odyssey.
por
Eduardo Rocha da luz – RA00047318 e Mateus França Tavares Beraldo – RA00274813
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01/04/2021 - 12h

Para conversar sobre esse assunto, convidamos um dos mais importantes colecionadores e cofundador da comunidade Odyssey Brasil. O professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Victor Emmanuel Vicente.

 

Nos conte um pouco sobre a sua história com videogames e principalmente sobre o Odyssey.
Minha história com videogames e tecnologia começa na década de 80, enquanto criança. Basicamente tendo acesso ao primeiro console de videogame doméstico, o Telejogo, de um primo. Em determinado momento, eu e meus irmãos, ganhamos de nosso pai, o nosso primeiro videogame, o fantástico Odyssey da Philips. Esse passa a ser o meu primeiro contato próximo ao que tinha de mais moderno no início dos anos 80.

O Odyssey era o único console disponibilizado no Brasil?
Em meados dos anos 80, havia uma política de reserva de mercado. Dessa forma, como a Philips já atuava a algum tempo em território nacional, foi possível que iniciasse as vendas do console em nosso país. E apesar de ser o primeiro console a ter as vendas autorizada no Brasil em 1983 e ter liderado as vendas, havia muitos Ataris que eram trazidos de viagens internacionais ou mesmo via contrabando do Paraguai. Oficialmente, o Atari chega tarde ao país, distribuído pela Polyvox.

Como foi a apresentação desse console no Brasil?
Como dito, a Philips já era conceituada, estabelecida no país, com um vasto a suporte técnico e um grande gama de lojistas. Para a apresentação desse novo equipamento, o investimento em marketing foi massivo. Havia um comercial de televisão, com todo um conceito futurista, que era exibido em horário nobre, principalmente aos domingos. Na principal feira de utilidades doméstica (UD) de dezembro de 1983, foi montando um stand gigantesco, com direito a raios lasers nos céus de São Paulo, para apresentar o primeiro console de videogames do Brasil. E ainda, foram realizadas parcerias importantes, como o lançamento do jogo “Didi na Minha Encantada”, que aproveitou o sucesso do filme “Os Trapalhões na Serra Pelada” que fora lançado no ano anterior.

Quando e como se tornou colecionador de videogames?
Eu me defino como colecionador desde 2000, quando eu vou atrás do meu Odyssey novamente, busco entender como está o cenário de videogames antigos e encontro várias outras pessoas o mesmo desejo. Como naquela época ainda não existia ferramentas de redes sociais, criei uma lista de e-mail específica para falar de Odyssey. Essa lista foi criada em dezembro de 2000 e durante alguns anos, essa lista passa a receber colecionadores de videogames interessados em buscar, catalogar e organizar tudo que se conhece sobre Odyssey. Nesse processo, descobrimos algumas coisas interessantes, como um jogo perdido chamado “Missão Impossível: Viagem Programada”, que tudo indica ser o primeiro jogo desenvolvido totalmente no Brasil, alguns materiais que anunciavam lançamentos que nunca chegaram a ser lançado, como o jogo da “Turma da Mônica”. A intenção desse grupo de colaboradores é disponibilizar todo esse material para a comunidade de colecionadores.

Esse grupo, além de resgatar e manter viva a memória desse console, têm outros objetivos?
É nesse grupo do Odyssey Brasil começa a surgir algumas ideias interessantes, como desenvolver jogos. Umas das pessoas que está nesse grupo desde o começo, é Rafael Cardoso, que é um excelente desenvolvedor de jogos para essa plataforma, que utiliza um processador Intel 8048 e por essa característica, a programação é toda feita em Assembly (linguagem de máquina). Esses jogos desenvolvidos por Rafael e por outros, eram até aquele momento, lançados na Europa ou Estados Unidos e para realizar a distribuição, tinha-se que desmontar cartuchos originais e regrava-los. Esse processo era totalmente caseiro e destrutivos, mas é o que se tinha em mão na época, para manter viva a essência do console, com a distribuição de novos jogos.

Como é realizado esse processo atualmente?
A equipe do Odyssey Brasil, 20 anos depois das primeiras iniciativas de resgatar, catalogar e desenvolver jogos totalmente brasileiros, com muitas pesquisas, tentativas, erros e acertos, conseguiu criar, de maneira a não canibalizar cartuchos originais, seus próprios cartuchos, com materiais existentes hoje. Dessa maneira, somos capazes de criar um cartucho totalmente novo e 100% produzido no Brasil.

Conte-nos um pouco sobre os jogos desenvolvidos pela equipe.
O primeiro jogo lançado foi o “Floresta Assombrada”, desenvolvido por Rafael Cardoso. Já para esse jogo, fizemos toda a arte gráfica da embalagem, que remetia aos jogos lançados nos anos 80, manuais e guia em inglês. Tudo para fazer com que, ao adquirir esse novo jogo, o colecionador seja levado ao passado nostálgico de outrora.
E pretendemos ainda, até o final de 2021, apresentar mais 3 jogos. O desenvolvedor Rafael Cardoso é um verdadeiro expert em programação em linguagem de máquina e inclusive foi elogiado pelo principal desenvolvedor de jogos para Odyssey dos anos 80, Ed Averett.

Para quem não tem um Odyssey, de que maneira poderia ter contato com o console?
O projeto Odyssey Brasil, através de nossa comunidade, está juntando material, incluindo materiais que soubemos da existência muito recentemente, como um consoles do Canadá e Japão, e com isso, pretendemos, em breve, lançar um museu específico sobre Odyssey.
Existe também uma iniciativa chamada de Museu do Videogame Itinerante, que antes da pandemia, fazia exposições em shoppings pelo Brasil, onde se podia jogar com vários consoles antigos, incluindo o próprio Odyssey. Aguardemos o término dessa pandemia, para que essa exposição itinerante possa voltar as atividades.

Para mais informações sobre a iniciativa Odyssey Brasil, acesse o site: https://experienciaodyssey.com.br

 

 

 

 

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Renato Aroeira conversa com alunos da PUC-SP sobre seu trabalho como cartunista.
por
Laura Mello
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25/03/2021 - 12h

Em conversa mediada pelo jornalista e professor Aldo Quiroga, o chargista Renato Aroeira relata como se sentiu ao receber ameaças e intimações sobre suas charges, principalmente a chamada “Crime Continuado”, pela qual o Ministro da Justiça solicitou à Polícia Federal uma abertura de inquérito por crime contra a segurança nacional. Na charge em questão, o cartunista desenhou a cruz vermelha com extensões em preto, tornando-a uma suástica. Ao lado, o presidente da república Jair Bolsonaro segura uma lata de tinta preta e um pincel dizendo ‘Bora invadir outro?’. Esta charge foi criada após o presidente incitar apoiadores a invadirem hospitais para confirmar se haviam pessoas contaminadas com a Covid-19. Sobre a produção da charge, o autor diz: “são símbolos muito fortes. Eu usei o símbolo do bem por excelência que é a Cruz Vermelha com a ideia da Suástica, o mal supremo. Olha, se o Presidente da República chama a sua massa apoiadora a invadir hospitais, a gente só vê essas coisas no fascismo.” 

O desenhista lembra que recebeu a notícia do pedido de investigação através de amigos e conhecidos que mandavam mensagens de solidariedade. “Recebi algumas mensagens que diziam ‘solidariedade’ ou ‘estamos com você’, mas não estava entendendo o porquê. Até que amigos me mandaram o tweet do Ministério da Justiça sobre o inquérito.” disse o cartunista. “Senti muito medo, até parei de anunciar onde estaria tocando (saxofone).” A notificação de investigação deu início a uma grande movimentação nas redes sociais que se denominou “Charge Continuada”, na qual outros cartunistas e fãs fizeram mais de quatrocentos desenhos e releituras da charge, postados nas redes sociais a fim de demonstrar apoio ao autor. “Na luta contra a censura, contra o fascismo, temos que ir com tudo que temos na mão”, responde Aroeira sobre o próximo passo nessa batalha. “O outro lado não vai descansar. Temos uma raquete na mão e 14 bolas para devolver, então acho que a gente tem que ir com tudo.”. 

Sobre o papel social de suas charges e o que o cartunista espera ao publicá-las, ele diz que espera que as pessoas se divirtam, mas que sintam o gosto amargo da crítica. “Não espero que uma charge resolva nenhum problema, nem atice nada ou gere revolução”, disse, “Eu posso provocar uma catarse ou uma irritação, mas, no geral, nem de longe é o chargista quem muda o mundo. Quem muda o mundo é quem trabalha, quem toma decisões, quem descobre uma vacina. Quem muda o mundo é gente mais ou menos nessa linha.”.  

O chargista ainda fala sobre a diferença entre fazer charges 30 anos atrás e nos dias atuais. “Antigamente, eu lia o jornal e escolhia um fato para desenhar e quatro dias depois ele era publicado. Agora, eu fiz quatro charges durante o julgamento da parcialidade do Moro, e assim que terminou, eu soube como foi o pronunciamento do Bolsonaro e imediatamente fiz e postei outra charge.” O profissional conta ainda que, antigamente, recebia cartas com comentários, críticas negativas ou positivas, uma semana após a publicação da charge. Com o tempo, começou a receber e-mails com os mesmos conteúdos e, nos dias atuais, recebe comentários instantâneos em redes sociais como o Instagram. 

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Em meio a pandemia da Covid-19 e conflitos incessantes ao redor do mundo, entenda esse grupo e conheça a uma das instituições que lhes presta apoio no Brasil
por
Marina Daquanno Testi e Thayná Alves
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08/12/2020 - 12h

 

 

     

        O número de refugiados no Brasil vem crescendo a cada ano. Só no ano de 2018, segundo a Agência da ONU Para Refugiados (ACNUR) foram relatadas 80 mil solicitações de reconhecimento de condição de refugiado no Brasil. Os grupos de maior número entre as solicitações são os venezuelanos (61.681), que saíram do país devido à crise humanitária, e os haitianos (7.030), cujo fluxo de migração se intensificou após o terremoto que atingiu o país em 2010.  

        A lei brasileira considera refugiado todo indivíduo que está fora de seu país de origem devido a guerras, terremotos, miséria e questões relacionadas a conflitos de raça, religião, perseguição política, entre outros motivos que violam seus direitos humanos. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a vida, liberdade ou integridade física da pessoa corria sério risco no seu país.

        Para que o imigrante seja reconhecido como refugiado, é necessário enviar uma solicitação para o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE). O processo de reconhecimento, que antes era mais burocrático e mais demorado, atualmente é feito no site do Ministério da Justiça, a partir do preenchimento do formulário que pode ser feito ainda no país de origem. Todas as etapas podem ser acompanhadas pela internet, mas para o processo começar a tramitar, o solicitante deverá comparecer pessoalmente a uma unidade da polícia federal. 

        Dentre a população refugiada reconhecida no Brasil, segundo o censo da ACNUR de 2018, a maioria se concentra nas faixas etárias de 30 a 59 anos (41,80%), seguido de pessoas com idade entre 18 a 29 anos (38,58%). Do total, 34% são mulheres e 66% são homens, ressaltando os sírios, os congoleses como nacionalidades em maior quantidade (respectivamente 55% e 21%). 

         Em janeiro de 2020, o Brasil tornou-se o país com maior número de refugiados venezuelanos reconhecidos na América Latina, cerca de 17 mil pessoas se beneficiaram da aplicação facilitada no processo de reconhecimento, segundo a  Agência da ONU para Refugiados. As autoridades brasileiras estimam que cerca de 264 mil venezuelanos vivem atualmente no país. Uma média de 500 venezuelanos continua a atravessar a fronteira com o Brasil todos os dias, principalmente para o estado de Roraima.

         Apesar de em grande quantidade, apenas 215 municípios têm algum tipo de serviço especializado de atenção a essa população. As maiores dificuldades encontradas por pessoas refugiadas são a adaptação com o mercado de trabalho, com o aprendizado do idioma, o preconceito e a xenofobia, educação (muitos possuem diplomas em seus países de origem que não são aceitos aqui no Brasil), moradia e saúde. 

 

Covid-19 e o amparo aos refugiados

 

        Diante de um quadro de crise em escala global, como o que acontece este ano com a pandemia da Covid-19, essa população de migrantes e refugiados, que já se encontram em extrema vulnerabilidade, conta com o apoio de poucas instituições voltadas especialmente para suas necessidades. Este é o caso da Missão Paz, uma instituição filantrópica de apoio e acolhimento a imigrantes e refugiados, com uma das sedes na cidade de São Paulo, como conta o padre Paolo Parise.

        Nascido e criado na Itália, Parise atua desde 2010 na Missão Paz, atualmente como um dos diretores, e explica que esta instituição está ligada a uma congregação da Igreja Católica chamada Scalabrinianos, que atua com imigrantes e refugiados em 34 países do mundo. “Na região do Glicério - município do estado de São Paulo-, a obra se iniciou nos anos 30 e atualmente está presente em Manaus, Rio de Janeiro, Cuiabá, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Foz do Iguaçu, Corumbá e outros lugares.”

        Sua estrutura atual conta com a Casa do Migrante, um abrigo com capacidade de 110 indivíduos que são acolhidos com alimentação, material de higiene pessoal, roupas, aulas de português, acompanhamento de assistentes sociais e apoio psicológico; e o Centro Pastoral e de Mediação dos Migrantes (CPMM) que oferece atendimento e serviços voltados aos imigrantes, quanto aos seguintes temas: documentação e jurídico; trabalho, capacitação e cidadania; saúde; serviço social; família e comunidade. “Além disso, temos a área de pesquisa em parceria com a revista Travessia, que é o Centro de Estudos Migratórios (CEM), uma biblioteca especializada em migração e a WebRadio Migrantes”, completa Pe. Paolo.

Fonte: Site da instituição Missão Paz - Casa do Migrante
Fonte: Site da instituição Missão Paz - Crianças brincam na Casa do Migrante

        De acordo com o diretor, o maior desafio enfrentado pela instituição, durante a pandemia, foi com a saúde dos refugiados, principalmente pela impossibilidade de viver a quarentena isoladamente, já que muitos vivem em ocupações ou em lugares com muitas pessoas concentradas. Ele ainda denunciou que, dentre tantas vítimas da Covid-19 em São Paulo, um dos grupos mais afetados foi o de imigrantes bolivianos, “muitos foram contaminados e muitos morreram”.

        Diante de instabilidades políticas e econômicas, atualmente, sírios e venezuelanos são as principais nacionalidades afetadas que solicitam entrada no país. O que ratifica o Pe. Parise, “Falando pela Missão Paz, se você utiliza o termo ‘refugiados’, o maior grupo neste momento é de venezuelanos, sejam os que foram acolhidos pela missão paz, sejam os que estão entrando no Brasil. E depois encontramos outros grupos como da República Democrática do Congo. Mas se falamos de imigrantes, temos Colombianos, Bolivianos, Paraguaios, Peruanos, Angolanos e de outros países que estão recorrendo ao Brasil.”

        Mesmo com mudanças críticas, no cenário jurídico e político brasileiro, para que esta população seja recebida no país e tenha seus direitos respeitados, ainda não se pode falar em auxílio do governo ou medidas diretas de apoio a refugiados e imigrantes. 

        Paolo relembra a criação de leis que têm beneficiado a população no Brasil. Uma delas é a lei municipal Nº 16.478 de 2016, onde o Prefeito do Município de São Paulo, Fernando Haddad, instituiu a Política Municipal para a População Imigrante que garantia a esses o acesso a direitos sociais e aos serviços públicos, o respeito à diversidade e à interculturalidade, impedia a violação de direitos e fomentava a participação social; e a outra é a lei federal Nº13.445 de 2017, ou a nova Lei de Migração, que substitui o Estatuto do Estrangeiro e define os direitos e deveres do migrante e do visitante, regula a sua entrada e estada no País e estabelece princípios e diretrizes para as políticas públicas para o emigrante.

        A Missão Paz se mantém através de projetos e dinheiro injetado pela congregação da Igreja Católica. “Neste momento, a Missão Paz não recebe apoio financeiro nem do município, nem do estado e nem do Governo Federal”, relata Parise. Durante a pandemia receberam ajuda da sociedade civil, “[A Instituição] Conseguiu muitas doações de pessoas físicas, de instituições, de campanhas, fosse em dinheiro, em cestas básicas ou kits de higiene pessoal”, e com 200 cestas básicas, por mês, da Prefeitura de São Paulo. Também receberam ajuda com testes de COVID em nível municipal. 

         A instituição filantrópica ainda conta com a ajuda de vários parceiros, como explica seu diretor “na área de incidências políticas, por exemplo, nós atuamos com a ONG Conectas Direitos Humanos, temos na área de refugiados um projeto com a ACNUR, estamos preparando outro com a OIM (Organização Internacional para as Migrações) e temos algumas ações com a Cruz Vermelha”. 

        Desde o começo do ano, já atenderam por volta de 7 mil imigrantes e refugiados, e, hoje em dia, tem por volta de 40 pessoas na Casa, o que representa ⅓ da capacidade total. Além disso, entregam de 50 a 60 cestas básicas a refugiados, diariamente, e ao redor de 60 a 70 que vão, por dia, procurar os serviços do CPMM. “Outras ações incluíram a disponibilização de atendimentos online, de aulas de português a atendimentos jurídicos, psicológicos ou serviços sociais, além de ajudar a completar aluguel, água ou luz daqueles que precisam da ajuda da instituiçã”, fala Padre Paolo. 

        Todo esse esforço e dedicação da instituição foi feito, sempre, visando seguir as normas de segurança e as indicações da OMS (Organização Mundial da Saúde). Foram fornecidos a seus funcionários e a população migrante e de refugiados álcool para higienizar as mãos, máscaras e demais equipamentos e serviços de proteção e higiene.