Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

nyt taylor swift
Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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EP02 PODCAST "60 anos do primeiro show dos Beatles"
por
Mário Gandini e Rodrigo Mendonça
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03/06/2021 - 12h

Neste segundo episódio do podcast "60 anos do primeiro show dos Beatles", conversamos com Gabriel Manetti, um dos fundadores do “Beatles para crianças”, grupo musical que mistura o universo dos Beatles com o mundo infantil, trazendo o rock n roll de uma forma super diferente e interativa. A banda convida as crianças para subirem no palco, deixando de ser espectador para fazer parte da apresentação.

Na conversa pudemos aprender um pouco mais sobre o espetáculo, que conta com as apresentações das músicas e também com histórias intercaladas dos integrantes - tudo feito com a maior naturalidade possível. Manetti conta que algumas vezes viu pais saindo suados do show, pois aproveitaram mais que os próprios filhos. Perguntamos também sobre como a banda vem se adequando à pandemia.

Para ouvir o podcast clique AQUI

Caso você não ouviu o primeiro episódio clique aquiEP01

foto da banda, retirada de arquivo pessoal

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A indústria cinematográfica prioriza atrizes protagonistas jovens, tornando as carreiras dessas artistas mais restritas
por
Júlia Nogueira e Gabrielle Barbosa
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01/06/2021 - 12h

 Mais recentemente, um aspecto obscuro da indústria hollywoodiana começou a virar assunto: a representatividade etária em produções. Fato é que as produções cinematográficas ao longo dos anos trazem à tona muito do universo patriarcal e machista sofrido pelas mulheres e atrizes, figurantes e vários outros trabalhos femininos no mundo do cinema. Escândalos como a existência de inúmeros casos de denúncias de assédio que eram silenciados, ou a grande desigualdade salarial entre atrizes e atores, vêm sendo postos em pauta, e apesar das vitórias através de lutas feministas, ainda há um problema pouco discutido: os espaços estereotipados ou inexistentes para as mulheres “mais velhas” (no caso, acima dos 40 anos) no cinema, o que é ainda mais cedo e pior para mulheres negras, que já têm poucos papéis de protagonismo.

Enquanto atores homens chegam aos 50 e 60 anos ganhando papéis de protagonistas e “galãs”, mantendo sua carreira, como é o caso de Tom Cruise aos 58 anos; Brad Pitt, 57; e Johnny Depp, 57. Atrizes quando alcançam a mesma idade, não têm as mesmas oportunidades. A atriz Charlize Theron, 45, é um exemplo. Em uma entrevista sobre o longa-metragem “Casal Improvável”, a atriz respondeu a uma espectadora que lhe perguntou se ela se arrependia de ter se negado a participar de um dos filmes mais bem-sucedidos dos últimos tempos, o longa da DC Comics, Mulher-Maravilha. O que ninguém esperava, era a sinceridade de Theron em sua confissão.

A representatividade etária feminina na indústria americana de cinema é realmente absurda, apesar do pouco caso dos grandes estúdios, as comediantes Tina Fey e Amy Poehler que apresentaram o Globo de Ouro em 2015, brincaram com a atriz Patricia Arquette, indicada à melhor performance por seu papel no filme “Boyhood”: “ainda há ótimos papéis para mulheres com mais de 40 anos, desde que você seja contratada antes dos 40”. A piada, adorada pelo público, chamava atenção para o fato de o filme ter sido rodado ao longo de doze anos e para a ausência de oportunidades para mulheres de 40 ou mais na indústria de Hollywood.

“Tem coisas que são realmente decepcionantes sobre ser uma atriz em Hollywood que me surpreendem o tempo todo. Tenho 37 anos e me disseram recentemente que sou muito velha para ser o par romântico de um homem de 55. Isso foi chocante pra mim. Primeiro me senti mal, depois brava, e então eu só dei risada.”, disse Maggie Gyllenhaal, em 2015.

Grandes atrizes hollywoodianas, que bombaram em filmes dos anos 1990 e 2000, hoje, acima dos 40 anos, em grande maioria recebem papéis estereotipados de “mãe”. Jennifer Garner, aos 49 anos, conhecida pelo papel no romance ‘De repente 30’, migrou para as produções mais familiares, como o recente filme da Netflix, ‘Dia do Sim’ e ‘Milagres do Paraíso’ (2016), em que interpreta, em ambos, o papel de mãe. Alyson Hannigan também é outra atriz, reconhecida nos papéis da série ‘Buffy’ e nos filmes de ‘American Pie’, em que hoje, aos 47 anos, atua como figuras maternais, como no filme ‘Flora e Ulysses’ (2021) e 'Kim Possible' (2019).

No Brasil, com os sucessos nacionais das telenovelas não é diferente; na reprise de ‘Império’, uma produção da Rede Globo de 2014, Alexandre Nero (aos 44 anos na época) interpretou o protagonista galã da novela. Atores como, Rodrigo Lombardi, 44 e Reynaldo Gianecchini, 48 são parte dos artistas brasileiros famosos pelo “charme e beleza” até hoje, com carreiras consolidadas por anos.       

Enquanto a carreira de atores dura quase a vida toda, muitas atrizes, até consolidadas, “somem” das produções cinematográficas depois que são consideradas “velhas demais” para os papéis predominantes. Quase que, em uma carreira de jogador de futebol, elas têm prazo, não por problemas de saúde ou estarem “velhas demais”, mas porque é o que impõe o sistema patriarcal.

 

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O produtor musical Wendel Vicente, dono da gravadora Beatmasters, conversa com a AGEMT e faz um balanço do isolamento
por
Miguel Jabur
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31/05/2021 - 12h

A pandemia do Covid-19 afetou todas as áreas da sociedade e com a musica não poderia ser diferente. Com o cancelamento dos shows presenciais, o meio musical teve que se reinventar. Afinal, as apresentações se posicionavam como a principal fonte de renda da maioria dos artistas. 

Muitos apostaram em apresentações via plataformas de streaming, as conhecidas LIVES - algumas delas pagas ou patrocinadas por alguma entidade privada. Os artistas de maior sucesso também contam com a monetização de suas redes sociais, como Youtube, Spotify, Instagram etc. Outros aproveitam o maior tempo livre para desenvolver suas produções. No entanto, nem de longe essas iniciativas compensam o vazio deixado pela ausência dos shows presenciais. 

Para entender melhor essa situação, conversei com o produtor musical Wendel Vicente, dono da gravadora Beatmasters - Audio Innovations. Durante a entrevista, ele conta um pouco sobre as principais dificuldades desse momento tão difícil e como os músicos tem feito para driblar essa situação. Segundo ele, além do aspecto financeiro, os shows serviam como combustível para a alma dos músicos, era o grande momento que fazia valer todos os sacrifícios. Confira a entrevista!

 

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A proposta de taxação zero veio do escritor Jorge Amado numa iniciativa para aumentar a leitura
por
Fernando Figaro, Giovanna Crescitelli, Lucas Malagone
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28/05/2021 - 12h

No último mês de abril o ministério da economia liderado por Paulo Guedes, apresentou uma proposta de reforma tributária na qual, se aprovada, acontecerá um aumento de 12% nos preços dos livros. O aumento vai acontecer porque hoje o bem é isento do pagamento de impostos apesar dos insumos de papel e tinta, que são usados na feitura do livro, serem taxados. A proposta causou debate tanto no setor livreiro quanto nos meios acadêmicos e artísticos. O texto enviado pelo governo ao Congresso afirma que os livros podem ser taxados porque não são bens consumidos pelos brasileiros mais pobres. A afirmação presente na proposta gerou grande polêmica e alguns famosos como Zeca Camargo, que lançou campanha contra a iniciativa do ministério da economia, e Marcelo Freixo que cobrou o Ministro por seu posicionamento. 


Sobre a proposta conversamos com a jornalista Gabriela Mayer, da Band News FM, que tem um podcast focado em literatura, o Põe na Estante. No encontro ela fala sobre a importância dos livros e que acha a "proposta um acinte, pois a taxação zero veio do escritor Jorge Amado numa iniciativa para aumentar a leitura, já que o Brasil é um pais que lê pouquíssimo, ai você taxa os livros sobre o argumento que só os ricos leem é um descalabro até porque se a gente for taxar as coisas dos ricos poderíamos taxar grandes fortunas que com certeza seria mais eficiente”, diz Mayer.


Gabriela defendeu a força dos livros e o poder transformador que eles tem numa sociedade. “Os livros são muito potentes, imagina uma sociedade leitora, que consegue ler as entrelinhas e conhecer outros mundos pelos livros, isso explica muita coisa de quem vem a proposta e o que eles querem com isso”, ressalta Mayer. 


A isenção dos impostos para livros foi uma proposta feita em 1948 pelo escritor e então deputado Jorge Amado,  junto com colegas deputados por Pernambuco. A isenção perdura até hoje e foi ratificada na assembleia constituinte de 1988. Durante o governo Lula, em 2004, foi elaborada uma lei federal que isentou o setor livreiro do pagamento dos impostos PIS e Cofins. A indústria do livro brasileira não é grande, quando comparada às de outros países, entretanto é um setor simbólico.  


Os livros fazem parte da nossa cultura e ajudam ela se manter viva, Gabriela também comentou sobre como enxerga o papel da cultura na nossa sociedade e porque está sofrendo tantos ataques igual ao projeto de taxação dos livros. “A importância da cultura é a importância da sobrevivência, eu acho que a cultura tem a capacidade de nos conectar, seja um livro ou não, ela conta uma história.

A arte, quando você coloca-a para fora, é algo tão potente que podemos nos conectar sem nunca ter se encontrado. A cultura é o que nos faz humanos, a cultura é a nossa capacidade de criar, de se colocar no lugar do outro, de questionar, a cultura é o que permite que estejamos nos mesmos espaços. 

A proposta irá como pauta para o Congresso Nacional apenas quando Paulo Guedes der início à prometida reforma tributária. Por enquanto, a taxação de 12% sobre o valor dos livros, que é a alíquota sugerida pelo governo para a Contribuição de Bens e Serviços (CBS), fica na gaveta de pendências da Receita Federal.

Apesar do nosso país ter índices baixíssimos de leitura, uma população analfabeta consideravelmente grande, (aproximadamente 11 milhões de pessoas), alegar que o aumento tributário afetará apenas os ricos é não apenas ignorar, como desmerecer milhares de pessoas e estudantes, que têm o hábito de leitura e precisam dos livros para passar no vestibular, conquistar bolsas de estudo, e poderem proporcionar melhores condições de vida para suas famílias.

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Saiba mais sobre o surgimento desse gênero musical histórico em podcast com Leonardo Passos
por
Carlos Daniel, Gabriel Porphirio Brito, Rafaela Serra, Tomás Furtado
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28/05/2021 - 12h

Alemanha, final dos anos 1960, a música eletrônica começa a se tornar uma marca, ou complemento, daqueles artistas que buscavam algo musicalmente diferente em um país tomado pelas músicas hits, simples e chicletes. Como uma forma de reagir a isso, ao que chamavam de “vácuo cultural”, em consequência de uma Alemanha pós-guerra, emerge ali, uma cena de bandas de rock experimental, com pegadas de free jazz, música eletrônica, minimalismo, rock psicodélico, entre muitos outros subgêneros existentes. 

Esse movimento ficou popularmente conhecido fora da Alemanha como Krautrock. E a proposta era basicamente subverter a música americana e a música popular alemã, eles queriam fugir disso, criando algo único. As principais bandas nesse cenário foram, Tangerine Dream, Amon Düül II, Can, Neu!, Kraftwerk, entre outras que iremos falar mais sobre no decorrer do podcast, com Leonardo Passos, mestrando em Música na UNICAMP, e que você pode ouvir clicando aqui. Se você gostou do gênero e não sabe por onde começar, ouça a playlist no spotify.

 

 

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