Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
por
KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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Grupo de capoeiristas vivem situação inusitada no grande elevado de São Paulo conhecido como Minhocão
por
Juca Ambra de Oliveira
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01/12/2020 - 12h

 

                     Ao final da roda de capoeira, tradicionalmente faz-se o samba de roda, os instrumentistas tocam, os visitantes se posicionam em roda e as e os capoeiristas sambam e convidam quem está na roda a sambar também. Na sequência todos, ou a maioria, vão ao bar de costume para confraternizar e comemorar mais um encontro.

                     A tradição se fez àquela noite, aliás como é muito comum nas manifestações de cultura popular, onde se cultuam costumes antigos, passados através da oralidade às novas gerações.

                      Lorimbal um artista soteropolitano, fazedor de berimbaus, compositor, tocador e cantador, visitava o grupo naquela noite. Falou, tocou, cantou e no bar, conduziu o samba e muitas rodadas de cerveja, gozando de todo o “moral” de um velho capoeirista e artista popular.

                     Ao final da noite de bebedeira, todos indo para casa, um grupo encaminhou-se ao Minhocão, famoso elevado localizado na região central da capital paulista. O viaduto liga a Zona Leste à Oeste e tem alguns quilômetros de extensão, é interditado para o trânsito de carros aos domingos, feriados e todas as noites, assim sendo, transforma-se num espaço para o lazer e caminhadas aos moradores da cidade, porém num centro urbano sempre há problemas, como segurança por exemplo, em lugares com características tais.

                    Como já era começo de madrugada, o Minhocão já estava vazio, algumas pessoas fumando, outras namorando, travestis, garotos e garotas de programa, moradores da região e em situação de rua... ao longo do viaduto mudam as tribos de frequentadores, entretanto na madrugada, toda a atmosfera presta-se a um clima de marginalidade.

                     Neste clima e contexto o grupo citado acompanhava o velho capoeira baiano sobre o elevado, ele estava feliz por estar em São Paulo e caminhar em um viaduto tão cheio de histórias sobre as noites paulistanas.

                      Uma viatura de polícia surgiu no horizonte em que as curvas do Minhocão permitem avistar, com giroflex ligado, iluminava com vermelho piscante um pequeno raio em volta de si mesma, ganhando o asfalto em direção ao grupo de capoeiristas, o qual era muito diverso, por sinal. Haviam estereótipos que a polícia não costuma incomodar e outros e outras que a polícia não deixaria de incomodar, principalmente num cenário como o descrito.

                     -Todo mundo com as mãos na cabeça, bora rápido todo mundo. Berrara agressivo o policial. Outra viatura encostou na sequência para desespero de todos ou aos menos dos paulistas que sabiam bem o que é lidar com a truculência da PM na madrugada num lugar hostil.

                      Após uma revista geral, começaram as perguntas, quem, como, quando, onde, porque?... Apesar de não serem jornalistas, buscavam histórias que poderiam fazer alguma diferença ou causar alguma contradição entre as falas dos amigos. Encontraram um cigarro de maconha no bolso de um dos capoeiras. Branco vestido com camisa de escritório e calça de formatura, vestígios de gel no cabelo liso, claro e bem cortado, o rapaz não era propriamente o perfil procurado pela polícia, portanto havia necessidade de liga-lo a alguém, ou seja, procurar alguém com uma aparência menos “normal”, para envolver com o achado ilegal.

                       Daí em diante muita tensão:

                       - De quem é essa droga? - Pergunta o policial mesmo tendo a achado num bolso específico. Um outro polícia com uma pistola de mira laser, posiciona o feixe luz vermelha que sai da arma, na cabeça de Bola Sete, um angolano amigo do grupo e que estava ali por pura coincidência, posto que havia encontrado os amigos já na caminhada pelo elevado.

                             Lorimbal aparentava tranquilidade, negro, com roupas nada “normais”, coloridas demais para um senhor daquela idade, negro, cabelos em tons grafites, brincos e anéis que chamavam atenção e negro. Manteve a tranquilidade, mesmo quando todos perceberam que o famigerado e desconcertante feixe de luz, descansava agora em sua testa.

                             Um dos policiais caminhou até Lori, lançou lhe um olhar inquisidor pela excentricidade de seu estilo e comportamento. Visivelmente incomodado com a presença do meliante, o guarda buscava algo para intimidar o velho negro e eliminar aquele cinismo demasiado para quem está acuado. Todos observavam preocupados com medo das consequências que poderiam gerar o comportamento rebelde do Mestre dos berimbaus, porém este não mudou sua fisionomia de tranquilidade irônica.

                            O polícia irritado agarra-o pela roupa na altura do peito, olha nos olhos com ódio e, pós um silêncio aterrorizante, perguntou agressivo contundente:

                           -Você tem passagem negão?

                           Lori dá um passo para trás, respira e ajeita a bata trazida da África por um de seus alunos e que vestia cheio de orgulho, agora ofendida pela brutalidade da mão pesada e opressiva do outro. Num jogo de corpo, absolutamente engraçado, enche o peito e com uma inocência artificial, solta sua pérola.

                            -Não, ainda não sei quando vou viajar... talvez só para o fim do mês.

                             Por um momento toda a tensão dilui-se em pequenos olhares e sorrisos, inclusive entre os homens sérios da lei. Houve uma quebra tão grande no clima, que a abordagem se desfez ali, não havia mais condições de intimidar aquelas pessoas, o líder possuía uma habilidade que os policiais não estavam preparados para confrontar. Com uma prancheta na mão, anotaram o nome do branco portador do cigarro proibido e todos foram dispensados.

 

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As alternativas encontradas pelas mostras para comportar o público em meio à crise sanitária
por
Carlos Kelm, Fernando Fígaro e Rafaela Reis Serra
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27/11/2020 - 12h

As exposições na capital paulista voltaram em meados de outubro com restrições, após seu fechamento temporário em março. O movimento em alguns locais no coração da cidade ainda é pequeno, no entanto, é uma opção cultural para quem visa o relaxamento, além de aproveitar essa opção de lazer sem grandes problemas com tumulto. Um pouco diferente da movimentada Avenida Paulista, cujo movimento não parece ter cessado.

O projeto Japan House, localizado no começo da avenida, promove o “intercâmbio intelectual entre o Japão e o resto do mundo”, possui outras três unidades em Tóquio, Londres e Los Angeles com sua diferenciada e moderna arquitetura, é uma opção para quem não quer passar muito tempo em uma exposição.

duas exposições: “Japonésia” e “O Fabuloso Universo de Tomo Koizumi”. A primeira consiste em um ensaio fotográfico do japonês Naoki Ishikawa com sua câmera analógica, no qual retrata a cultura japonesa, como a dança tradicional e seus pontos turísticos tal qual o Monte Fuji, reforçando a ideia de que o Japão é um arquipélago com bastante diversidade. São 74 fotos no período de 2009 a 2018. Exposição feita exclusivamente para a instituição.

A outra exposição consiste em uma mostra das vestimentas extravagantes e multicoloridas do mundo fashion feitas pelo designer japonês Tomo Koizumi. São treze peças e algumas feitas especialmente para a Japan House. O designer veste celebridades e expôs suas peças na semana de moda de Nova Iorque de 2019. Para conferir as duas exibições gratuitas, é preciso fazer uma reserva antecipada.

 

Japonésia
A exposição "Japonésia" no Japan House. Foto: Carlos Kelm



Porém, até o fechamento desta reportagem, não foi informado sobre a mudança na frequência do estabelecimento.

Em um dos prédios mais famosos da Paulista, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) há três exposições: “Conexões Urbanas”, “Destinos, o Homem Inventa o Homem” e “Retratos de Mulheres por Mulheres”.

 

A primeira exposição traz ao público obras que representam a vida urbana do século XXI e toda sua diversidade cultural. A parceria de dez artistas, traz manifestações culturais misturadas com elementos cotidianos da cidade, como placas de trânsito e pedaços de ônibus interagindo com grafittis, adesivos, skates, HQs, animes, e outros elementos que expressam a sintonia do caos de uma metrópole. A organização decidiu limitar a interação do público com as instalações móveis, no entanto, não impedem que os frequentadores tenham a experiência interativa, apenas recomendam que se evite diante do risco de infecção.

 

Conexões Urbanas
Visitante interagindo com obras da exposição "Conexões Urbanas" na Fiesp. Foto: Rafaela Reis Serra



Nessa exposição, um dos guias de visitação que trabalha há 5 anos na Fiesp, informou que “tinha mais elementos que distraíam a atenção do detalhe, agora a pessoa acaba focando na imagem do detalhezinho.” Por se tratar de uma mostra multilinguística, as pessoas estão mais atentas aos detalhes e não apenas restritas a interação com as obras.

A exposição de José Roberto Aguilar, “Destinos, o Homem Inventa o Homem”  foi outra que marcou a reabertura do Centro Cultural Fiesp. Em suas pinturas Aguilar reúne personagens da matemática, da filosofia, do meio artístico e outras âncoras da  cultura ocidental com arquétipos carnavalescos criticando as ações do homem e alertando suas consequências.

A última exposição conferida pela a reportagem foi a “Retratos de Mulheres por Mulheres”. Uma coletânea de ensaios feitos por importantes fotógrafas contemporâneas, que traz à tona temas como o empoderamento feminino, corpo, padrões estéticos, feminismo, direitos igualitários. A amostra serve como uma ferramenta importante para um diálogo aberto a todas as mulheres.

Saindo um pouco do circuito da Avenida Paulista e adentrando a região dos jardins, há a exposição “John Lennon em Nova York por Bob Gruen”, no Museu da Imagem e do Som (MIS), o qual foi responsável por grandes exposições, como do Castelo Rá-Tim-Bum e do cineasta Alfred Hitchcock. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site Sympla.

A mostra traz uma série de 130 fotografias tiradas pelo fotógrafo nova-iorquino Bob Gruen na década de 1970, período em que foi amigo íntimo de John Lennon e Yoko Ono. O consagrado fotógrafo já fotografou diversos astros do rock, como Eric Clapton, Led Zeppelin, Jerry Garcia, Patti Smith, David Bowie, Tina Turner, entre outros. Nesta exposição única, podemos conhecer de perto a vida do casal de artistas, desde a sua mudança para Nova York, até a morte de Lennon. 

 

John Lennon
Reprodução da praça Strawberry Fields do Central Park, em homenagem a John Lennon, no MIS. Foto: Carlos Kelm



Logo na entrada, podemos ouvir alguns clássicos solo do músico permeando o ambiente. Somos apresentados a exposição através de breves biografias e algumas fotos de Lennon e Yoko; a música ambiente nos acompanha durante todo o percurso. As fotos são diversas e cobrem muitas ocasiões: aventuras noturnas, passeios pela cidade, entrevistas e momentos de intimidade com o filho. Como Gruen era próximo ao casal, as fotos trazem uma ótica detalhada para quem quer um conhecimento mais completo da trajetória dos dois músicos.

Para a curadora Stephanie Guarido, as exposições continuarão seguindo de forma presencial mesmo depois da pandemia e também terá outra abordagem online, visando novos meios, “existe uma grande dificuldade por parte das instituições de se atualizarem para também atender de maneira eficiente um novo público, que acaba sendo muito mais amplo, já que em qualquer lugar do mundo você pode ver as exposições.”

Para a curadora e um dos guias da Fiesp, é consenso que o público deveria voltar às exposições, pois as medidas de segurança são mais que eficientes, além de existir um controle do número de pessoas e medidas sanitárias para o recebimento dos visitantes.

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Como o veganismo popular pode desalinhar o interesse insólito do capitalismo no movimento.
por
Rafaela Correa de Freitas
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13/11/2020 - 12h

Em pesquisa feita pelo IBOPE em 2018, cresce o número de brasileiros que se declaram veganos, somando 30 milhões no país. Além disso, entre janeiro de 2018 e novembro de 2020, o número de pesquisas pelo termo “vegano” no google, cresceu significativamente com altos picos de interesse ao longo dos 3 anos.

Contudo, o número só é expressivo em regiões como São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o que chama atenção para o pensamento recorrente de que o veganismo não é para todos. Muitos influencers, profissionais e estudiosos vêm tentando desmentir essa afirmação e mostrar o lado acolhedor do movimento, como é o caso de Caroline Soares, estudante de nutrição e moradora de Guarulhos em São Paulo. Em seu Instagram, Caroline conta seu dia a dia como uma mulher vegana, feminista e periférica com receitas e esclarecimentos de dúvidas sobre a alimentação cruelty-free.

 

Nessa foto, Caroline está apontando para sua blusa com desenhos de animais e com a escrita "Não Matarás"
Foto: Instagram @logoeu_veganapobre

Seu despertar começou há 10 anos atrás, quando se perguntou sobre como compactuava com a exploração animal e, então, após uma parada respiratória quase fatal, Caroline decidiu mudar sua vida “Comecei a pensar em como fazer da minha vida algo produtivo, comecei várias mudanças e o veganismo foi uma delas.” Desde então, Caroline luta por um movimento justo e transparente, ainda que as dificuldades pareçam não ter fim.

Apesar de político, o movimento também tem suas ramificações, onde alguns preferem somente deixar o sofrimento animal fora de seus pratos, mas não de seu consumo. Isso aconteceu depois que algumas empresas como Friboi, Sadia e outras passaram a produzir mercadorias veganas, mesmo que sejam empresas condizentes com os grandes impactos ambientais repudiados pelo veganismo.

Esse é um problema que muitos passaram em sua fase de transição, como Caroline “No começo eu acreditava muito em qualquer coisa que me falassem para flexibilizar minha culpa... e de fato eu não queria me aprofundar para não ter o conhecimento”, já outros preferem continuar consumindo mesmo depois de criar consciência sobre a exploração por trás do capitalismo "vegano".

O veganismo alinhado aos valores capitalistas pode ser um perigo para si mesmo e seus adeptos. Quando espalhado por vozes do mercado, a impressão de que o mesmo público e somente ele pode consumir determinado produto (seja pelo preço pedido pela empresa ou inacessibilidade de estabelecimentos equipados com a mercadoria) é facilmente comprada, “O grande problema disso tudo é que os influenciadores que falam sobre veganismo sempre são pessoas brancas, classe média alta. Isso faz com que quem vê de fora, acha que todo movimento vegano é assim, sendo que existem várias pessoas periféricas assim como eu que são veganas e vivem normalmente o dia a dia sem gastar muito”

“Temos a invasão de grandes corporações vendendo produtos ‘veganos’ com preços absurdos, o capitalismo ver o movimento comunista de mercado faz com que vire lucro, isso já aconteceu e faz com que as pessoas vejam alimentos industrializados como a única maneira de se tornarem veganos. A indústria ludibria tanto as pessoas que elas esquecem que arroz e feijão são alimentos veganos.”

Além da sombra do capitalismo pairando sobre o movimento, Caroline conta que para acabar com o preconceito em cima dele depende de um trabalho de base, educando pessoas sobre alimentação real e como a indústria é cruel com os animais. Faz-se necessário uma reeducação alimentar e, segundo ela, não tirar da pauta o veganismo popular e político

 

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A pandemia da Covid-19 ocasionou o fechamento de estabelecimentos, como os cinemas - que foram paralisados no dia 14 de março. Consequentemente a pausa interrompeu lançamentos que estavam previstos para esse ano e também produções cinematográficas.
por
Maria Luiza Oliveira e Giulia Palumbo
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06/11/2020 - 12h

Claramente, 2020 não foi o ano do audiovisual. Com milhares de séries e filmes travados, produtores e distribuidores consideram esse um ano perdido em virtude da pandemia do novo coronavírus. A paralisação teve início em meados de março, mas reabriu dia 10 de outubro. O que não reparou os danos causados ao longo desses meses, pelo contrário, acaba abrindo porta para outros, como por exemplo, uma nova onda da doença. 

Para a indústria cinematográfica, a crise já significou uma perda de 10 bilhões de dólares em bilheterias. Enquanto isso, o sindicato da indústria de entretenimento dos EUA, a Aliança Internacional de Empregados Teatrais (IATSE), relata que até agora 120.000 trabalhadores foram demitidos em Hollywood como resultado da suspensão das atividades. O impacto imediato foi trágico, mas a preocupação também está crescendo em relação ao futuro da produção cinematográfica. À medida que o distanciamento social e o isolamento se tornam a nova norma, será que um negócio construído em torno de uma experiência comunitária consegue sobreviver? 

Dizem que uma nova onda vem por aí, assim como já chegou em outros países como Itália e Portugal, mas segundo André Sturm, diretor do Petra Belas Artes, o novo normal não existe, as coisas já estão como eram antes, “Primeiro que eu não acredito em “nova normalidade”, ela não existe. É só você olhar em volta, você vê as praias lotadas, os bares lotados, os cinemas, os restaurantes lotados. A vida voltou, vai voltar completamente ao normal, com exceção para meia dúzia de pessoas, que enfim, são chatas”, ressalta Sturm. 

Para aqueles que estão no meio de uma produção, a paralisação pode ser ainda pior. Até então, a pandemia interrompeu pelo menos 34 filmes e 144 séries de TV.  Entre os filmes, estão incluídos lançamentos de grande orçamento, como A Pequena Sereia, Matrix 4, Jurassic World 3, The Batman. Essa pausa pode ocasionar um custo de até 350.000 dólares por dia para a Disney, de acordo com o The Hollywood Reporter. Dessa forma, o verdadeiro impacto do encerramento pode não ser sentido por meses.

Aos poucos, as lacunas deixadas na programação tanto nas telonas quanto nas telinhas estão sendo preenchidas, com o retorno das gravações que seguem todos os protocolos de segurança. O produtor e sócio da Kurundo Filmes, Alexandre Petillo afirma que no início da pandemia parou totalmente com seus trabalhos e projetos e só em meados de agosto voltou com suas atividades, mesmo que remotamente: “ficamos durante um mês parados. Tudo que estava em produção ou em pré, parou. Paramos para entender como seriam os próximos passos do mundo cinematográfico. Logo na sequência, os clientes começaram a entender a importância da linguagem do audiovisual e a partir daí, começamos a fazer algumas edições com imagens captadas pelo próprio cliente. Por dois meses isso ajudou de verdade a pagar as contas. ”, ressalta Petillo. Alexandre também aponta que 2020 adiou os dois projetos mais importantes que a produtora tinha em mente, o que não deve ter sido diferente para milhões de produtores espalhados pelo Brasil.

Vida normal às avessas: 

O Estado de São Paulo, além de outros, entrou na fase verde da pandemia, e com isso foi autorizada a reabertura dos cinemas no dia 10 de outubro na capital paulista, porém eles precisam seguir uma série de medidas de segurança, como explica o diretor do Petra Belas Artes, André Sturm: "O comitê de covid do Estado criou um protocolo para o cinema, um tanto rigoroso e o cinema está cumprindo. Os funcionários estão usando máscara, fizemos marcações no chão de distanciamento e pontos de álcool em gel." 

Já as gravações do audiovisual tiveram seu retorno antecipado, porém sob novas regras de segurança, "(...) parei durante 3 meses, mas depois não tive escolha a não ser voltar às atividades, com todos os procedimentos de segurança. ”, é o que fala o diretor e produtor da Agrião Filmes, Lucas Valentim. Com o atraso nas produções e nos lançamentos previstos para 2020 tudo precisou ser realocado e readaptado: “Muitos filmes que iam estrear tiveram adiamento de suas estreias. Tem filmes que foram reprogramados para começar só em 2021. Então você tem aí um estoque de filmes para estrear. ”- afirma Sturm.

Com o isolamento social muitas pessoas começaram a usar serviços de streamings. Segundo pesquisa da Conviva (empresa de inteligência integrada de dados), no mês de março houve um crescimento de 20% na utilização desse recurso. É o caso da jovem estudante, Gabriela Pires (22): “(...) a facilidade de encontrar filmes nessas plataformas aumentou significativamente a quantidade de filmes que eu assisto, contudo não trocaria a experiência de ir ao cinema por nada! ”  Diferente do fotógrafo João Pedro Garcia (21), ele diz que não assistiu muitos filmes online, “a quantidade de filmes que eu assistia diminuiu bastante”, Garcia frequentava o cinema cerca de três vezes ao mês antes da pandemia.   

Além disso, há também quem aproveite a oportunidade para assistir a programação do cinema drive-in. Na opinião de Petillo, essa a prática veio para ficar, uma vez que o retorno dos cinemas será um processo lento. Ao contrário, o diretor do Petra Belas Artes não teme a concorrência: “(..) acho que foi uma solução daquele momento, que você não tinha nenhuma possibilidade de diversão, que estava tudo fechado e o drive-in surgiu. Teve uma mistura de uma coisa de nostalgia e uma curiosidade de conhecer”

Agora, com os cinemas voltando a funcionar, muitas pessoas voltam a frequentá-los, mas Garcia questiona sobre a segurança desse lugar, “(...) é algo que fico muito inseguro ainda, não sinto necessidade, gostaria, mas não agora. Não me sinto seguro, é muito incerto o que estamos vivendo, então prefiro evitar. “ Mas há quem discorda, como Pires: “(...) acredito que no cinema é mais fácil de aplicar as medidas de segurança, é muito mais fácil controlar o número de pessoas do que em um bar, por exemplo. ”

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A criação de apps que possibilitam a publicação de textos online e o advento dos E-books, criam uma geração de autores independes que autopublicam seus trabalhos.
por
Lidiane Domiciano Miotta
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18/09/2020 - 12h
Aparelhos usados para ler e-books

Não é novidade a dificuldade que os autores encontram para publicar livros no mercado editorial brasileiro, principalmente se o escritor não tiver o apoio de uma grande editora, se for pouco conhecido ou novo no mercado. Porém, com o surgimento de apps que possibilitam que qualquer pessoa poste seus trabalhos online e dos E-books que facilitaram a publicação de livros nesse formato, uma nova geração de autores independentes é criada.

Essa nova geração de escritores não precisa de uma editora para ter seus livros publicados, pois eles passam a ter uma maior liberdade, já que o próprio autor passa a ter o poder autopublicar seus trabalhos a qualquer momento na internet por meio dos apps ou no formato de E-books, que demora no máximo 48 horas para aparecer para o público leitor. Porém para esses autores surge uma maior dificuldade para publicar seus trabalhos no formato físico, já que ele mesmo tem que financiar os gastos com a fabricação do livro físico, por isso para muitos desses escritores é uma grande vitória a publicação de seus livros em formato físico.

Segundo a autora independente Aline Santos de 19 anos, que acaba de publicar seu primeiro livro “E eu vos declaro, Aro” nos dois formatos e que está muito animada com essa conquista, todo autor deveria ter a experiência de ter seu livro publicado em formato físico e, assim, ter a oportunidade de poder segurar em suas mãos, já que segundo ela que viveu essa experiência, é indescritível ver o trabalho que você sonhou e trabalhou nele publicado e ter a chance de o tocar.

A dificuldade da publicação de livros físicos faz com que o público desses escritores seja limitado, já que limita que o contato do leitor com a obra seja apenas pela internet, porém também fez com que esses autores alcançassem de forma notória o público das redes sociais, principalmente o público jovem, já que esse é o principal meio de divulgação de suas obras. Muitos desses autores também utilizam grupos e fóruns nas redes sociais que são dedicados a autores independentes e que tem como objetivo dar voz e espaço a todos que querem publicar e apresentar suas obras para o público. Além disso, esses autores têm costume de criar parcerias entre eles, pois todos eles sabem da dificuldade de conseguir alcançar um maior número de leitores sem o marketing que uma editora poderia fornecer.

Apesar da dificuldade de alcançar leitores, a relação desses autores e seus leitores acaba ficando mais próxima, com as redes sociais os leitores acabam acompanhado todo o processo de criação e publicação do autor e acabam entrando em diálogo direto com o ele, criando assim uma maior liberdade de interação entre as duas partes. Além disso muitos apps que são usados por esses autores tem mecanismo que dão ao leitor a possibilidade de comentar os textos, deixando assim suas opiniões e interações para o autor ler e até mesmo responder a esses comentários.

Sendo assim, ser um autor independente significa que recai sobre ele todo o trabalho para a publicação e marketing do seu livro, isso é, ele que tem que planejar, escrever, revisar, editar e pensar a melhor estratégia de marketing que se encaixe com seu livro e com o seu público leitor.

Apesar de toda a dificuldade e trabalho que ser um autor independente significa, é uma jornada muito única e prazerosa e que traz para os autores uma maior liberdade criativa, maior direito sobre suas obras e maiores royalties que esses autores não teriam caso fossem contratados por uma editora. Em sua maioria, esses autores optam por autopublicar suas obras por terem sido rejeitados por editoras, principalmente por estarem no começo de suas carreiras.

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