Na última quarta-feira (25), às 10h, ocorreu o evento REDemocratização Corinthiana, no Teatro Tucarena, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). No local, ex-jogadores, artistas, jornalistas, entre outros, lançaram o movimento que quer escrever uma constituição para o Timão.
A carta, a ser elaborada, deve dar protagonismo para todos os torcedores nas decisões do clube, além de reorganizar as estruturas do time, que passa por um cenário político e financeiro conturbado nos últimos anos.
O evento foi organizado pelo Grupo de Estudos de Direito Desportivo da PUC-SP, em parceria com o Grupo de Estudos de Direito Tributário da PUC-SP.
Contextualização
A ideia da REDemocratição e da constituição surgiu de Eco Moliterno, publicitário, que propôs a ideia para Juca Kfouri. Os motivos para o movimento se dão pelo momento em que o Corinthians se encontra no cenário esportivo nacional. O clube é o mais endividado do Brasil, com cerca de 3 bilhões de débitos vencidos. Além disso, os últimos três presidentes do time, Andrés Sanchez, Duílio Monteiro Alves e Augusto Melo, estão sendo investigados pela justiça por crimes cometidos no Timão.
Para tentar solucionar isso, um grupo deu início a uma proposta externa de constituição para o clube. O objetivo é que o texto traga de volta a Democracia Corinthiana, movimento criado em 1982 por Sócrates, Wladimir, Walter Casagrande, entre outros, que estabeleceu uma pequena “ilha democrática” no Corinthians em meio “ao mar” da Ditadura Militar.
O movimento foi batizado pelo publicitário Washington Olivetto, que ouviu a expressão “Democracia Corinthiana” sair da boca de Juca Kfouri, então jornalista da Revista Placar, que mediou um evento dos jogadores do Timão com o movimento estudantil da PUC-SP, no Tucarena.
A Democracia Corinthiana durou apenas dois anos, mas provocou mudanças estruturais no time. No período, todas as decisões dentro do Corinthians deveriam ser votadas por todos os jogadores e funcionários, que tinham o mesmo peso de voto e opinião. A autogestão garantiu dois títulos Paulista, em 1982 e 1984.
Os integrantes da Democracia Corinthiana também se posicionaram politicamente sobre o cenário que o Brasil vivia. O movimento participou do comício pelas Diretas Já e reivindicaram, junto à população, a aprovação da Emenda Constitucional Dante de Oliveira, que propunha eleições presidenciais diretas em 1984, algo que não acontecia desde 1960.
O movimento terminou em 1984 devido a alguns motivos, como a divisão do grupo de jogadores em dois, a saída de alguns membros do elenco e a derrota de Adilson Monteiro Alves, sucessor do então presidente Waldemar Pires, nas eleições.
Salve o Corinthians
Diferente do movimento “de dentro para fora” da década de 1980, Juca Kfouri anunciou um movimento “de fora para dentro”, a REDemocracia Corinthiana. O jornalista mediou a mesa de debate.
Antes do início da mesa, o ex-jogador Basílio, autor do gol da conquista do Campeonato Paulista de 1977, que encerrou o tabu de 22 anos sem títulos do Timão, foi chamado ao palco. Basílio não pode ficar no evento, mas destacou brevemente que o encontro pode ser o pontapé inicial para o “Gigante parar de sangrar” e que chegou a hora de dar um basta em como o clube está sendo conduzido.
Além de Juca, a mesa foi composta por Eco Moliterno; Cássio Brandão, torcedor reconhecido pelo Guinness Book pela maior coleção de camisas de time no mundo; Chico Malfitani, fundador da Gaviões da Fiel; Homero Olivetto, filho de Washington Olivetto; o rapper Rappin Hood; a atriz Alessandra Negrini; a jornalista Marília Ruiz e Sócrates Jr, filho do Doutor Sócrates. Também participaram da mesa os ex-jogadores Casagrande e Wladimir.
Juca explicou que o evento daria início ao processo de eleição de 77 personalidades corintianas, que representem a sociedade, para escrever a constituição. Com ela pronta, a meta é entregar no dia 1° de setembro, aniversário do Corinthians, à alguém, que Juca disse não saber ainda quem é. “Para quem? No Parque São Jorge? Para a sociedade? Não sei. Agora deixar claro, esse movimento não é de esquerda, não é de centro, não é de direita. Esse movimento é de corintianos de boa vontade, que só querem ter a alegria de ser corintianos com orgulho”, destacou.
Eco Moliterno acrescentou que a manhã de quarta é só o primeiro passo e que a constituição será a ponte para a redemocratização. Chico Malfitani disse que, assim como a Gaviões, a mobilização pode se tornar algo grande.
Frequentadora do Parque São Jorge desde que nasceu, Marilia Ruiz destacou que tem esperança na mudança. Ela também não se conforma que a sede social e administrativa seja dona do Corinthians e que deveria ser ao contrário, pois o Timão é muito maior que qualquer instituição. “A Rua São Jorge 777 não é o Corinthians, eu sou o Corinthians, você é Corinthians”, comentou a jornalista.
Cássio Brandão será o responsável pela organização do movimento, de modo a garantir a participação de todo mundo. “Seremos 77 na assinatura, mas com espírito de 35 milhões, atestando a autenticidade social de um texto que nasce para vigorar. Ninguém, ninguém é mais corintiano que ninguém”, disse Cássio.
O evento foi transmitido pelo canal do Youtube da TVPUC. Clique aqui e confira como foi.
Nesta segunda-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou a lei Nº 15.357, a qual possibilita instalações farmacêuticas na área de venda de mercados. A medida visa facilitar o acesso da população aos remédios, mas estabelece regras para a atividade comercial, que deverá ocorrer apenas em ambiente físico delimitado e sem venda em gôndolas comuns.
Em nota publicada no Diário Oficial da União, Lula sancionou lei que estabelece que supermercados poderão decidir entre dois modelos de negócios: administrar a farmácia diretamente ou ser operado por uma rede de drogarias já licenciada. A legislação entrou em vigor na data de sua publicação, conforme previsto no artigo 2º da regulamentação.
A nova norma altera a Lei nº 5.991, de 1973, responsável pelo controle sanitário do comércio de medicamentos e insumos farmacêuticos no país. A medida determina a presença obrigatória de farmacêuticos legalmente habilitados durante todo o horário de funcionamento e proíbe a exposição de medicamentos em áreas abertas do supermercado, como gôndolas, bancadas ou estandes fora do espaço exclusivo da farmácia instalada.
A venda de medicamentos controlados foi permitida mediante prescrição médica, seguindo as mesmas exigências aplicadas às farmácias tradicionais. O uso de canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para logística e entrega também foi permitido, desde que respeitadas as normas sanitárias vigentes.
Durante a tramitação do projeto no Congresso Nacional, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) atuou para evitar a flexibilização excessiva das regras de comercialização. Parte das diretrizes defendidas pela entidade foi incorporada ao texto final da lei. Segundo o presidente do CFF, Walter da Silva Jorge João, a sanção sem vetos representa um avanço diante do risco inicial de liberação da venda de medicamentos em gôndolas comuns e sob responsabilidade técnica remota. “O dano foi minimizado. Conseguimos evitar dispositivos que poderiam banalizar os medicamentos. Agora, caberá à fiscalização garantir o cumprimento da lei”, afirmou em nota publicada no site oficial da entidade.
A proposta vinha sendo discutida no Congresso como alternativa para ampliar os pontos de acesso a medicamentos básicos e reduzir deslocamentos da população em áreas urbanas e periféricas. Para os consumidores, a mudança pode trazer mais praticidade, permitindo a compra de medicamentos no mesmo local das compras do dia a dia.
A expectativa é que a regulamentação prática da medida ocorra nos próximos meses, com fiscalização dos órgãos sanitários responsáveis, enquanto supermercados e redes farmacêuticas avaliam a implementação do novo modelo de funcionamento.
Na última terça-feira (24), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu pela condenação do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, tornando-o inelegível até 2030. A decisão tem como base acusações relacionadas ao uso de aproximadamente 27 mil cargos temporários vinculados ao Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj), além da suposta contratação de cabos eleitorais com recursos públicos durante o pleito de 2022.
O julgamento já indicava um cenário desfavorável ao ex-governador, com alto risco de condenação. Mesmo após deixar o cargo, o processo seguiu normalmente, uma vez que se refere às eleições de 2022. Com isso, o período de inelegibilidade passa a contar a partir do ano das acusações. Além de não poder se candidatar às eleições, Cláudio Castro também terá que pagar R$992 mil em multas por descumprimento da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), que estabelece normas para realização de pleitos eleitorais.
Na véspera do julgamento, na segunda-feira (23), Cláudio Castro anunciou sua renúncia ao cargo de governador. Do ponto de vista político, a renúncia pode ser interpretada como uma manobra para evitar o desgaste de uma cassação. Ao se antecipar à decisão final do TSE, Castro buscou preservar sua imagem e manter alguma margem de movimentação para disputar eleições futuras, apesar da pressão de adversários.
Impactos no Rio de Janeiro
Com a saída de Cláudio Castro, o estado entrou em um período de transição. O cargo passou a ser ocupado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. E a Assembleia Legislativa deverá realizar uma eleição indireta em até 30 dias para escolher um governador provisório.
O cenário abre espaço para incertezas políticas e administrativas, além de movimentar lideranças locais que já trabalham para redefinir alianças diante da nova configuração de poder. Após a decisão do TSE, Cláudio Castro fica fora da corrida eleitoral, o que tende a enfraquecer o Partido Liberal (PL) no estado e reconfigurar o cenário das disputas no Rio de Janeiro.
Durante a sessão da Câmara Municipal de São Paulo desta quarta-feira (25), o vereador Adrilles Jorge protagonizou um episódio que gerou forte repercussão, ao realizar uma encenação em tribuna durante a discussão de um projeto de lei. Em sua fala, ele utilizou uma peruca e afirmou que poderia “se julgar mulher”, como forma de criticar a proposta em debate entre os parlamentares. “Eu posso em qualquer momento me colocar como mulher[...]As mulheres se colocam como vítimas. ".
(Reproduçao: TV Câmara)
O discurso foi interpretada por colegas como ofensiva, especialmente por envolver a simulação da identidade de gênero como argumento político. Vereadores reagiram ainda durante a sessão, criticando o conteúdo e o tom do discurso, que foi classificado como desrespeitoso. “Inacreditável! No mesmo mês vimos black face na Alesp e agora transfobia na câmara de SP. O vereador Adrilles Jorge decidiu imitar a cena patética de Nikolas Ferreira, usando uma peruca para atacar uma lei contra a misoginia aprovada no senado. Quando falta projeto no país, a extrema direita apela para o espetáculo do preconceito para tentar engajar em ano eleitoral. Um absoluto desrespeito com a sociedade” disse a deputada federal Fernanda Melchionna.
A cena rapidamente repercutiu fora do plenário, ganhando espaço nas redes sociais e ampliando o alcance do episódio. O caso passou a mobilizar debates públicos sobre discurso político, representatividade e os limites da atuação parlamentar em espaços institucionais.
Um caso semelhante foi protagonizado pelo deputado Nikolas Ferreira no Dia da Mulher de 2023. Durante uma sessão na Câmara dos Deputados, o parlamentar vestiu uma peruca loira e disse estar se sentindo mulher. “As mulheres estão perdendo espaço para as mulheres trans", disse. Tal fala foi interpretada como deboche da identidade de pessoas trans. Ação deu origem a pedidos de cassação contra o deputado, analisados pelo Conselho de Ética da Câmara.
O novo episódio abriu novamente discussões sobre os limites da liberdade de expressão no Legislativo, especialmente quando manifestações podem ser interpretadas como discriminatórias. Até o momento, não há confirmação de medidas formais contra o vereador, mas o caso segue em desdobramento no cenário político
Na terça-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto de lei conhecido como “PL Antifacção”, que institui um marco legal para fortalecer o combate ao crime organizado no Brasil.
O texto havia sido enviado em novembro de 2025 pelo governo e passou por alterações na Câmara dos Deputados e no Senado. A proposta foi aprovada pelo Legislativo em fevereiro e, posteriormente, sancionada e anunciada no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).
A nova legislação prevê punições para condutas praticadas por organizações criminosas ultraviolentas, estabelecendo penas que podem chegar a 40 anos de prisão. Além disso, a nova legislação cria mecanismos para enfraquecer a atuação dessas organizações, ao atingir suas estruturas de financiamento, logística e fornecimento de recursos.
Divulgação Palácio do Planalto/Flickr
Em seu discurso, o presidente Lula ressalta que o enfrentamento ao crime organizado deve atingir principalmente os líderes dessas estruturas. Segundo ele, é preciso alcançar “os que nós chamamos de magnatas do crime neste país”, que se beneficiam economicamente dessas redes.
Durante o evento, Lula anunciou o veto de dois trechos da proposta. Um dos itens vetados estendia as penas destinadas a integrantes de facções para também alcançar pessoas envolvidas em ações consideradas equivalentes às de organizações criminosas. A preocupação era que a medida pudesse criminalizar protestos e movimentos sociais.
O outro veto trata da destinação de bens e recursos apreendidos de facções. O texto previa que esses valores fossem repassados aos estados e ao Distrito Federal, o que poderia reduzir a arrecadação da União. Com o veto, o governo optou por manter o modelo atual, que direciona esses recursos aos fundos federais de segurança pública.