Comercialização representa disputa entre EUA e China e motiva ação do STF
por
Sofia Martins
Isabella Damião
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29/04/2026 - 12h

 

Na segunda-feira (13), foi anunciada a venda da mineradora Serra Verde em Minaçu, Goiás, para a empresa americana USA Rare Earth, no valor de 2,8 bilhões de dólares. A conclusão da operação ainda está condicionada a aprovação de órgãos reguladores e deve ser divulgada até o fim de 2026, a operação gerou debates políticos sobre a inconstitucionalidade da venda e chegou ao STF. 

A mineradora Serra Verde é a única em funcionamento atualmente que explora terras raras no Brasil e uma das poucas que possui produção em larga escala fora do continente asiático. Operando desde 2024, exportava minerais raros destinados para China antes de sua venda para USA Rare Earth. A mineradora é responsável por extrair elementos raros leves e pesados de alto valor como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes de alta potência que são essenciais dentro da indústria tecnológica, automobilística e militar.

O acordo teve participação direta do governo estadunidense e representa uma disputa tecnológica e econômica dos Estados Unidos com a China. Como as limitações e impedimentos do governo chinês sobre a exportação no ano passado foram um fator ameaçador aos olhos do governo norte-americano, a compra da mineradora pela USA Rare Earth foi considerada crucial para a segurança nacional e econômica daquele país. O intuito da compra é deter o controle de uma fonte estratégica de terras raras fora da Ásia, principalmente pelo destaque da mineradora brasileira em possuir altos números de produção por ano. 

Mineradora Serra Verde
Planta da mineradora em Minaçu-GO. Foto: Divulgação/Serra Verde

A negociação das terras raras goianas gerou debates na comunidade por seu caráter contrário à Constituição de 1988. Os artigos 20 e 176 garantem que “os recursos minerais, inclusive os do subsolo” são bens nacionais e que jazidas brasileiras, minerais ou não, devem ser exploradas e aproveitadas pelo Estado, que detém todo produto das terras. 

Por esses e outros artigos o partido Rede Sustentabilidade acionou o Supremo Tribunal Federal na sexta-feira (24) com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), alegando a inconstitucionalidade da negociação e o prejuízo do controle estatal nos recursos nacionais. O ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso, irá solicitar a suspensão das operações de venda realizadas até o momento. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se pronunciou com relação à operação, criticando a venda das terras raras e questionando a ação do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que não consultou a união. “O Caiado fez um acordo com empresas americanas, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União. Se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil, e nós não podemos permitir", afirmou o presidente em entrevista concedida ao portal ICL. O pré-candidato à presidência, Ronaldo Caiado, respondeu à crítica de Lula. Sem mencionar a regra constitucional, Caiado apenas se limitou a devolver a acusação, dizendo que quem está vendendo o Brasil é Lula: “Ele está entregando tudo, não está desenvolvendo nenhuma tecnologia no Brasil, e nós continuamos a vender pau-brasil, como na época da colônia, ao vender nióbio, terras raras pesadas”, declarou.

Sentenciado a cumprimento em regime aberto, José Maria de Almeida, fez um discurso considerado racista contra judeus
por
Gabriel Thomé
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29/04/2026 - 12h

 

Na última terça-feira (28), a Justiça Federal de São Paulo sentenciou Zé Maria, fundador e presidente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), a dois anos de prisão em regime aberto. A causa para tal foi a propagação de discursos de ódio contra o povo israelense no contexto da guerra com a Palestina. As falas do presidente foram consideradas racistas.

Em ato realizado em 22 de outubro de 2023, integrantes do PSTU declararam apoio ao povo Palestino. Em uma live para o Instagram, transmitida pelo partido, Zé Maria proferiu palavras sugerindo a aceitação de qualquer tipo de violência contra o estado “sionista”. Além disso, o partido defendia o fim do Estado Judeu no Oriente Médio. Bandeiras de Israel e Estados Unidos foram queimadas em meio ao ato.

Ato do PSTU na Paulista contra Israel. Reprodução Instagram/ @pstu_oficial
Ato do PSTU na Paulista contra Israel , que contou com cerca de 2 mil pessoas e levaria à prisão de Zé Maria anos 3 anos depois . Reprodução Instagram/ @pstu_oficial

 

“Todo ato de força, todo ato de violência do povo palestino, contra o sionismo é legítimo, e nós temos que apoiar aqui na palestina e em todo o mundo. Mas não só pra isso, é pra também colocar, de uma vez por todas, um ponto final no estado sionista de Israel. Para que possa florescer o estado palestino, laico, democrático, do Rio Jordão ao mar”, defendeu o militante.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) e a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) acionaram o Ministério Público exigindo prisão ao presidente do PSTU pelos discursos de ódio propagados.

A condenação de Zé Maria foi determinada pelo juiz Massimo Palazzolo, da 4ª Vara Criminal Federal. O juiz considerou as declarações como “degradantes”. As críticas realizadas pelo presidente do PSTU, segundo Palazzolo, extrapolaram os limites políticos e éticos.

“A Lei n.º 7.716/89 (Lei dos crimes raciais) criminalizou os comportamentos discriminatórios por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, estabelecendo regime penal para condutas que disseminam o ódio e estigmatizam grupos humanos; e, como instrumento contra o comportamento discriminatório”, afirmou, na sentença, o juiz.

O magistrado reforçou que criticar o Estado de Israel não se configura como prática antissemita e não levaria o militante à condenação. Entretanto, o teor das aspas de Zé Maria, segundo o juiz, configura preconceito tanto contra a comunidade judaica quanto contra o movimento sionista. 

Discussões sobre discursos antissionistas vem ganhando força no Congresso. Recentemente, a deputada federal Tabata Amaral apresentou o Projeto de Lei nº 1424/2026, que consiste em equiparar determinadas manifestações antissionistas ao antissemitismo, dependendo do contexto e da forma como são feitas. Críticos argumentam que esse projeto é um ataque à liberdade de expressão. O episódio envolvendo Zé Maria é um exemplo de caso que o PL da deputada pretende regular. O ponto principal desta discussão é estabelecer o limite entre críticas políticas e discursos considerados antissemitas.

José Maria, em declaração para o portal “Opinião Socialista” declarou que a condenação é injusta e não tem qualquer sustentação histórica, política ou legal. “O sionismo nada tem a ver com religião ou um grupo étnico, é uma ideologia de extrema direita que não representa o povo judeu”, ressaltou o presidente do PSTU. 

O militante também explicou que não defende, diretamente, a morte do povo israelense. “Dizer que o Estado de Israel tem que acabar não tem nada a ver com fazer pregação contra o povo judeu, é o mesmo que dizer que o Estado de Apartheid da África do Sul tinha que terminar, e isso não significava pregar a morte dos brancos sul-africanos, mas a defesa do fim de um Estado de segregação racial”,  ponderou.

O PSTU, por sua vez, em nota, afirmou que vai recorrer da decisão da Justiça Federal. “Diante de uma decisão sem qualquer base legal, o PSTU vai recorrer no Tribunal Federal de São Paulo (TRF3). Mais do que isso, o partido não vai retroceder um milímetro de sua denúncia do Estado de Israel e dos sucessivos crimes contra a humanidade que vem praticando sob os olhos do mundo. O PSTU reafirma sua defesa incondicional do povo palestino, contra o genocídio e pelo fim do Estado sionista, racista e colonialista de Israel, por uma Palestina laica, democrática e não racista, onde todos os povos, judeus, árabes e de todas as etnias e religiões possam conviver pacificamente".

Via Instagram, alguns políticos consolidados da esquerda brasileira demonstraram apoio a Zé Maria. A deputada Luiza Erundina, por exemplo, afirmou: “Minha solidariedade ao companheiro e militante histórico, Zé Maria, presidente do PSTU, condenado a dois anos de prisão em razão de manifestações políticas e críticas à respeito da tragédia humanitária em curso no Oriente Médio contra o povo palestino. É inaceitável! Meu apoio ao Zé Maria e a todos que seguem na defesa intransigente dos direitos humanos, da justiça e da livre manifestação do pensamento”.

O atual presidente do PSTU possui uma extensa trajetória política, tendo sido candidato à Presidência da República quatro vezes:  em 1998, 2002, 2010 e 2014. Seu melhor desempenho foi em 2014, quando obteve 91.200 votos, aproximadamente 0,09% dos votos válidos. 

 

O ato gerou reações dos alunos e tinha como principal intuito propagar o combate ao aborto
por
Hudy Ferreira
Gustavo Tonini
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24/04/2026 - 12h

 

Na manhã desta quarta-feira (22), integrantes do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira  (IPCO) realizaram uma manifestação contra o aborto em frente ao Edifício Reitor Bandeira de Melo da PUC-SP, na rua Ministro de Godói. Com placas escritas  “buzine se você odeia o socialismo”, oferecimento de panfletos anti-aborto e uma fanfarra acompanhada dos gritos da associação. 

 

Parte dos integrantes na manifestação eram jovens que buscavam mobilizar quem passava pela rua. Foto: Gustavo Tonini/Agemt
Parte dos integrantes na manifestação eram jovens que buscavam mobilizar quem passava pela rua. Foto: Gustavo Tonini/Agemt

 

O IPCO é uma organização ideológico-privada dos seguidores de Plínio Corrêa de Oliveira, líder católico tradicionalista, ex-deputado federal e fundador da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), a qual defende o combate ao comunismo, socialismo e modernismo da igreja, além de pautas como a pena de morte e o pró-vida.  

 

Em entrevista, Paulo Américo, um dos encarregados do IPCO na campanha contra o aborto, afirmou que a iniciativa tem como objetivo “alertar a população dos perigos do aborto e encorajar as pessoas que são contra a prática”, ressaltando o caráter mobilizador da ação. 

 

Sem presença feminina do IPCO, Paulo afirma que o debate central é de ordem moral e independe de gênero, “o aborto é legítimo ou não? Você pode matar ou não uma criança no ventre da sua mãe? Não importa se sou homem ou mulher”,enfatizou.

 

Luiza Passos, estudante de jornalismo da PUC-SP, critica a abordagem adotada pelos grupos presentes. Para ela, "a criminalização do aborto não impede que ele aconteça, ela apenas o torna mais perigoso", afirmou. Para a universitária, existe também destaque  da vulnerabilidade de mulheres jovens, negras e de baixa renda, que têm menos acesso a condições seguras de saúde e que recorrem a procedimentos clandestinos.

 

O ato gerou reações nos estudantes contrários às ideias propostas, os quais vaiaram e jogaram ovos e latas das escadarias do prédio como gesto de oposição. Américo recorreu ao artigo 5º, inciso XVI da Constituição Federal, destacando o direito à livre manifestação e a proibição de impedimentos a atos pacíficos em resposta aos ataques. 

 

Durante a campanha, a associação distribuiu um panfleto, “10 razões para rejeitar o aborto”, o qual traz argumentos divididos em tópicos de cunho moral, religioso e político contra a prática. 

 

Luiza também questiona o uso de argumentos religiosos em um Estado laico, "os panfletos distribuídos traziam argumentos religiosos, que não deveriam orientar leis que valem para toda a sociedade", ressalta. Segundo ela, o debate não pode ser reduzido a uma pergunta, pois "simplifica um tema complexo, que envolve saúde pública, desigualdade social e direitos reprodutivos", enfatiza.

 

Exemplar do folheto distribuído em frente à PUC-SP. Foto: Gustavo Tonini/Agemt
Exemplar do folheto distribuído em frente à PUC-SP. Foto: Gustavo Tonini/Agemt

 

No tópico “As destruições mais trágicas”, é relatado que 73 milhões de abortos voluntários ocorrem a cada ano e assemelhando esse número ao de mortes por catástrofes e na Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, a OMS inclui o aborto na lista de serviços essenciais de saúde, publicada em 2020 e sugere um método adequado de fazer o procedimento do aborto para que seja uma intervenção segura para a saúde da mulher. 

 

O panfleto também apresenta um paralelo com o Projeto TAMAR para contrapor a proteção de tartarugas à interrupção da gravidez humana, evocando um imaginário “Projeto Matar” e afirmando tratar-se de “a desvalorização máxima do ser humano”. 

 

Em outro trecho, intitulado “Um abismo atrai outros abismos”, o texto projeta um cenário futuro questionando: “E amanhã? Impor ideologia de gênero às crianças ou a eutanásia a nossos doentes e idosos? Legalizar o amor livre ou a pedofilia? Implantar leis de condenação aos cristãos preconceituosos?”.
 

Em entrevista à AGEMT, Bernardo Iacomo, estudante de Direito na PUC-SP, avaliou que o discurso apresentado busca “tirar o poder de decisão das mulheres”, sem propor medidas concretas para melhorar a qualidade de vida da mãe e da criança após o nascimento. Para Iacomo, o debate ignora questões práticas, além de inibir a responsabilidade paterna, destacando o abandono frequente de pais.

 

Favorável à legalização do aborto, Bernardo critica a moralidade na argumentação dos manifestantes, apontando contradições internas. Ele questiona o fato de defenderem princípios religiosos ligados à preservação da vida enquanto apoiam a pena de morte. Em sua visão “se a vida é um princípio, ela deve ser absoluta”, afirma.

 

A Polícia Militar foi acionada, mas segundo o Comando Geral da PM, não houve registros de operação. A manifestação se encerrou no início da tarde.

O político é o último do núcleo crucial do golpe que não começou a cumprir pena
por
GUSTAVO TONINI
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17/04/2026 - 12h

 

Nesta segunda-feira (13), o ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado pelo STF a 16 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe e outros crimes à nação, foi detido por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira) em Orlando, Flórida. 

A detenção do ex-deputado federal, não teve relação direta com suas condenações no STF, mas sim com o fato de estar no país de forma irregular, com o visto de turista vencido e a falta de passaporte regularizado. Agora, o político foragido aguarda audiência com um juíz que trata de questões migratórias, no qual começará o processo que decidirá o que será feito. Ao mesmo tempo, Ramagem lançou um pedido de asilo nos EUA, que também será analisado. 

 

​  Assim como Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem fugiu para os EUA quando teve seu mandato cassado. foto: REPRODUÇÃO/Instagram/@alexandreramagem22  ​
Assim como Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem fugiu para os EUA quando teve seu mandato cassado. Foto: Reprodução/@alexandreramagem22

Trajetória de Alexandre Ramagem 

O ex-depeutado federal começou sua trajetória na Polícia Federal como delegado em 2005 e alcançou notoriedade em 2018, quando foi nomeado como chefe da segurança pessoal de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial. Com a vitória nas eleições, foi escolhido para ser o chefe da Abin, Agência Brasileira de Inteligência, ainda com o então presidente afirmando que “grande parte do destino da nação” passaria nas mãos de Ramagem. Bolsonaro chegou a nomeá-lo para o cargo de diretor-geral da PF, o que foi impedido pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. 

Com a notoriedade, lançou a sua candidatura à Câmara dos Deputados, sendo eleito mesmo com a derrota de Jair Bolsonaro. Também concorreu à prefeitura da cidade do Rio de Janeiro em 2024. Em meio a isso, em outubro de 2023, também foi alvo de uma investigação da PF pela utilização da Abin para realizar rastreamentos ilegais de ministros do STF, políticos, jornalistas e advogados.

 

Alexandre Ramagem e Jair Bolsonaro em manifestações de extrema-direita em 2024. REPRODUÇÃO/Instagram/@ramagemprefeitorj
Alexandre Ramagem e Jair Bolsonaro em manifestações de extrema-direita em 2024. Foto: Reprodução/@ramagemprefeitorj

 

Com as investigações e o julgamento da tentativa de golpe de estado realizada em Janeiro de 2023, Alexandre Ramagem foi identificado como um integrante do núcleo crucial da organização criminosa. Ele foi acusado pelo STF também por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Em meio ao julgamento, em setembro de 2025, fugiu do Brasil de forma clandestina pela fronteira de Roraima com a Guiana em direção aos EUA com seu passaporte diplomático, como foi apontado por investigação da PF. Porém, já havia uma determinação do cancelamento do passaporte utilizado, com isso, em dezembro do mesmo ano, com a cassação do seu mandato de deputado federal pelo julgamento da tentativa de golpe, também foi feito um pedido de extradição do Ministério de Justiça do Brasil ao Departamento de Estado dos EUA, também com seu nome incluído na lista da interpol.

Após a detenção pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, uma possibilidade é a da extradição, que envolveria devolução do político diretamente ao estado brasileiro, por responder processo penal em outro país.

Nova norma estimula o desenvolvimento e a incorporação mais rápida das novas tecnologias no setor de saúde
por
Carolina Nader
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16/04/2026 - 12h

Na última sexta-feira (10) , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que tem como objetivo facilitar o acesso a remédios, testes diagnósticos e outros produtos de terapia avançada para pacientes da rede pública de saúde. De acordo com o comunicado, as vacinas contra o câncer e outros tratamentos inovadores devem ser disponibilizados gratuitamente e de forma prioritária pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Publicada nesta segunda-feira (13) no Diário Oficial da União (DOU), a nova norma - que já está em vigor - estabelece que as vacinas deverão estar centralizadas na Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer. As vacinas, os medicamentos e os produtos oncológicos de terapia avançada enquadram-se na categoria de precedência prioritária, direito legal que garante atendimento imediato ou preferencial a grupos específicos. 

Como previsto no DOU, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) poderá destinar recursos específicos ao financiamento de pesquisas, projetos e estudos voltados ao desenvolvimento de tecnologias contra o câncer no País. 

Com base no Art. 7°-B, haverá um incentivo à análise genética como ferramenta de apoio ao diagnóstico e à personalização do tratamento oncológico segundo as características biológicas do câncer. Após a análise genética de cada paciente, as vacinas, que são produzidas de forma individual, serão aplicadas para estimular a produção de células de defesa direcionadas ao combate do tumor. 

Pela nova legislação, a regulação sanitária de tecnologias contra o câncer obedecerá a princípios para tornar mais rápida a liberação de vacinas e medicamentos. 

A lei objetiva aumentar a produção científica nacional, reduzindo a dependência de importações e apoiando a aplicação de Inteligência Artificial (IA) em atividades de pesquisa e desenvolvimento, voltados à inovação oncológica e ao fortalecimento de parcerias com universidades e centros de pesquisa públicos e privados. 

A jornalista contou como é cobrir a extrema-direita.
por
Antonio Gomes de Amorim Neto
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10/04/2025 - 12h

A jornalista Andrea Dip veio até a PUC-SP no dia 27 de março para ministrar uma aula magna aos alunos, com o objetivo de falar de suas coberturas no âmbito da extrema direita. Ela apresentou suas experiencias e dicas de como é estar nesse meio sendo uma jornalista. No Brasil, o movimento de extrema direita vem ganhando força e suas narrativas são cada vez mais aceitas pelos jovens no Brasil e no mundo. Andrea tem se infiltrado em congressos da extrema direita desde 2022 e desfruta de diversos meio para isso, como alterar sua aparência e cobrir suas tatuagens. Ela conta como foi estar em um destes eventos, em Bruxelas, chamado NatCon, para o qual conseguiu acesso depois de passar a noite procurando e entrando em contato com palestrantes. Andrea conseguiu seu acesso como pesquisadora. 

Andrea Dip exclamou “a gente tem que saber jogar”, referindo-se ao ego de pessoas que fazem parte destes congressos, ela considera crucial ter acesso a esse meio da extrema direita. A jornalista também pontuou práticas usadas na narrativa desse movimento político como a destruição da família tradicional e supostos perigos que são causados por imigrantes. No congresso citado por ela. O foco do assunto eram políticas nacionalistas, anti árabe e imigrantes e pró Israel. Ela sita a frase dita por um padre na palestra: "imigrantes enfeiam a Europa".  

Ideias como estas que a jornalista denuncia, ganham mais força a cada ano entre os jovens brasileiros. Isso reflete os perigos dessas atitudes que narrativas como essas apresentam. Ela diz que a nova rebeldia da sociedade, que agora é marcada por movimentos como esse usam o medo de rejeições, o passado idealizado e a promessa individualista para vencer o sentido coletivo na sociedade. 

Outro atrativo para os jovens é ainda a religião que é muito forte e molda a cabeça de boa parte da sociedade. Quando ainda trabalhava na revista Caros Amigos, onde fazia o chamado por ela “jornalismo de direitos humanos”, ela fez trabalhos sobre a bancada evangélica que, segundo ela, é quem está à frente de violências de gênero no congresso. Andrea diz abertamente que é parcial, mas que é importante ouvir os dois lados para se valer da honestidade e fatos para comprovar suas ideias, esta é a forma que ela mante a sua ética jornalística, e valida suas ideias. Ao final de sua aula magna a jornalista respondeu perguntas de alunos e professores.

Jornalista independente discorre sobre os desafios da cobertura da extrema direita
por
Maria Mielli
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10/04/2025 - 12h

A extrema direita, nos últimos anos, vem se consolidando mais e mais, de maneira que seus apoiadores estão se tornando cada vez mais presentes no mundo todo. Segundo o site de notícias da rede Globo, G1, houve um aumento de 20% de votos a favor da extrema direita na Alemanha, em comparação com o ano de 2021. Este aumento, é o responsável por causar preocupação naqueles que não concordam com os ideais conservadores ultra protegidos pela mídia burguesa. Deste modo, o trabalho de jornalistas independentes, como o da Andrea Dip, se tornam de extrema importância no combate contra a proliferação de ideais totalitários. Sabendo disso, a PUC-SP, se propôs a promover uma aula magna, nesta última quinta-feira (27), com a própria Andrea, a fim de elaborar e transparecer os desafios, e os meios de realizar a cobertura dessa ascensão.  

Andrea Dip trabalha na Agência Pública cobrindo temas relacionados aos direitos humanos e em oposição a extrema-direita. Seu trabalho ganha destaque, pois ela se coloca pessoalmente em reuniões conservadoras ao redor do mundo e consequentemente, se torna uma fonte rica de informações sobre como agem e o que idealizam esses direitistas.

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Andrea Dip e Professor Aldo Quiroga durante palestra. Foto: Reprodução / Maria Clara Palmeira

Atualmente, mora na Alemanha e mantém seu trabalho a fim de expor para o mundo todo os perigos desta evolução. Ao ser questionada sobre quais as maiores dificuldades que encontra como mulher queer, ativista e jornalista neste meio, a própria respondeu que se enxerga como a encarnação de tudo aquilo que eles odeiam e querem destruir, justificando o uso de disfarces e da sua maneira discreta de se portar nessas reuniões. Ainda enquanto respondia a este questionamento, Dip afirmou que a extrema direita tem uma certa desconfiança com a imprensa, de modo que seus trabalhos se tornam meios de driblar esta descrença e conseguir maior proximidade com os valores e planos dos apoiadores. 

Já no final da aula, Dip pontuou: “Não acredito na imparcialidade do jornalismo”, e afirmou que o mais honesto a se fazer com o público é buscar fontes e investigar a fundo, sempre buscando a objetividade e veracidade das informações levantadas. Disse também, que não tem como se manter imparcial quando a extrema-direita fere, constantemente, os direitos humanos. 

Andrea finalizou sua aula motivando os futuros jornalistas a não desistirem de se impor e de lutarem pelo que acreditam, “o ódio é deles, a gente está só numa defesa absurda.” Afinal, o direito à informação é de todos.  

 

A jornalista deu detalhes sobre extrema-direita, experiências e jornalismo
por
Bruno Caliman
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10/04/2025 - 12h

A jornalista investigativa, Andrea Dip, foi a convidada de uma aula magna da PUC-SP realizada na última quinta-feira (27), na qual o assunto abordado foi o crescimento da extrema-direita. Ela relatou, principalmente, experiências vividas quando infiltrada em congressos desse espectro político, além de dar dicas de comportamento nessas ocasiões e para o jornalismo em geral.

Andrea Dip é formada e trabalha como jornalista há mais de 20 anos, e durante esse tempo ganhou 13 prêmios na área do jornalismo. Publicou seu primeiro livro em 2018, com o título “Em nome de quem? A bancada evangélica e seu projeto de poder”. Atualmente, Andrea tem uma coluna semanal no UOL e reside em Berlim, na Alemanha.

No início da palestra, a jornalista trouxe alguns detalhes para introduzir os ouvintes no assunto. Classificou os fundamentalistas cristãos conservadores, principalmente os evangélicos, como uma bancada preconceituosa. Também citou os encontros de políticos de direita e os discursos de ódio que ocorrem nessas reuniões, tais como xenofobia e homofobia.

O disfarce é sua principal carta na manga para entrar em eventos de extrema-direita, e não foi diferente na Conferência Nacional do Conservadorismo, também conhecida por NatCon, realizada em Bruxelas, na Bélgica. Andrea contou que é fundamental esconder sua franja curta e tatuagens para se encaixar nos padrões estabelecidos nesses congressos e passar despercebida ao manter esse personagem. Além disso, ela usa seu outro sobrenome para conseguir as credenciais e não entra como jornalista, visto que há desconfiança da extrema-direita em relação à imprensa.

Na própria NatCon, a jornalista presenciou discursos absolutamente nacionalistas e xenófobos, mesmo após revelar à plateia que o dono do local onde estava acontecendo o evento tinha descendência árabe, ou seja, uma situação bem contraditória.

Durante esses anos de cobertura do assunto, Andrea Dip adquiriu uma vasta experiência e compartilhou seu pensamento sobre o crescimento global da extrema-direita. Quando perguntada sobre a relação entre a extrema-direita e os jovens, opinou que esse espectro político cria uma ideia do passado que nunca existiu para propor um futuro utópico, e com isso, traz as pessoas dessa faixa etária junto a ele a partir do uso da imagem própria, sucesso e rebeldia.

Ao ser questionada sobre a direita ao redor do mundo, a jornalista refletiu sobre as diferenças de cada região, como a forte conexão da América Latina com a religião, diferente de outros lugares. Relacionou a Alemanha - onde mora - com o ultranacionalismo e movimentos contra imigrações, além de citar outros países que são contra LGBTs e outras minorias. “Se entendem no geral”, completou.

No decorrer do tempo, Andrea passou algumas dicas sobre jornalismo aos participantes. Disse ficar sempre atenta para não violar os direitos e não acredita na imparcialidade no jornalismo, embora ache a parcialidade inicial perigosa em uma entrevista. Destacou a importância do jornalista guardar consigo o material da reportagem feita, seja gravado ou anotado, pois muito provavelmente será utilizado em outros fins para benefício próprio.

A aula magna teve duração de aproximadamente 2 horas e contou com diversas perguntas, além de um amplo ganho de conhecimento. Ao final, Andrea Dip foi aplaudida, e sem hesitação agradeceu a todos.

 
 
 
 
 
 
Frentes de luta feminina se fortalecem no momento em que valores democráticos são colocados à prova
por
Gianna Flores
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10/04/2025 - 12h

 

Em meio à sucessiva onda de ascensão da extrema direita na política global, as mulheres consolidam-se como as protagonistas na resistência aos avanços da direita ultraconservadora. Movimentos realizados por elas ganham força ao redor do mundo. Enfrentando, assim, retrocessos em direitos e o avanço de pautas autoritárias.

No Brasil, um exemplos desta luta ocorreu a partir das eleições presidenciais de 2018. Com a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, uma forte reação popular, capitaneada por mulheres, emergiu pelo país. O movimento “Ele Não” tomou as redes, mobilizou milhares nas ruas de todo o país e tornou-se um dos maiores protestos liderados por mulheres da história recente. A partir dali, uma nova geração de lideranças femininas se consolidou e passou a atuar com ainda mais força no cenário político brasileiro. 

Em aula magna realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), em março deste ano, a convidada Andreia Dib, jornalista da Agência Pública, contou como busca combater o avanço da extrema direita por meio de sua profissão. Ela infiltra-se em encontros mundiais que visam propagar ideais extremistas por todos os continentes e contam com figuras como o deputado federal Nikolas Ferreira e a política alemã Alice Weidel. Depois disso, Andreia escreve reportagens sobre o que foi falado para que seja de conhecimento público. Seu trabalho faz com que a população em geral possa ter acesso aos próximos passos da direita extrema direita. Além disso, nesse mesmo evento, a especialista também apresentou aos alunos um cenário atual e realista sobre os avanços globais de tais ideais e todas as consequências negativas decorrentes.

Andreia Dib fornecendo dicas aos alunos de jornalismo da PUCSP de como realizar coberturas jornalísticas sobre a extrema direita.
Andreia Dib fornecendo dicas aos alunos de jornalismo da PUCSP de como realizar coberturas jornalísticas sobre a extrema direita. Foto: Gianna Flores.

A rejeição por parte das mulheres ao conservadorismo de direita pode ser percebida no Brasil e no cenário mundial. Por exemplo, segundo dados levantados pelo grupo Gallup, no ano de 2001, jovens estadunidenses, de ambos os sexos, eram, em geral, progressistas e possuíam opiniões políticas similares. Entretanto, a partir do ano de 2016, com a primeira candidatura de Trump, mulheres de 19 a 29 anos se tornaram cada vez mais progressistas, enquanto os homens, começaram a ser progressivamente mais conservadores. No Brasil, a própria Andreia Dib é um exemplo. A jornalista é abertamente ativista da luta contra o conservadorismo e durante sua fala para os alunos da PUCSP, declarou: “Sabemos quem são estas pessoas e o quão nocivas são as coisas que eles dizem”, referindo-se aos extremistas de direita.

 

 

A repórter da Agência Pública compareceu a PUC para aula magna com alunos de jornalismo.
por
Daniella Ramos
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10/04/2025 - 12h

Na quinta-feira (27/03), a jornalista investigativa Andrea Dip foi recebida na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo para compartilhar com os alunos sobre o enfrentamento da extrema direita na atualidade. Com mais de 20 anos no ramo, iniciou sua trajetória pela revista “Caros Amigos”, onde exercia o jornalismo de direitos humanos sempre olhando mais para violência de gênero. A partir disso, começou a investigar a bancada evangélica no Congresso já que são os principais representantes contra os direitos de gênero.

Ao se aprofundar na investigação de como funcionava a articulação da extrema direita no Brasil, Dip começa a ver que, na verdade, há uma junção de evangélicos e católicos seguidores da Opus Dei que comparecem juntos com ministros, senadores e presidentes a congressos mundiais para articular políticas públicas e narrativas para a ideologia de gênero que são firmadas nesses encontros. Para entender melhor como funcionam as discussões desses grupos, a redatora decide então participar dessas reuniões e ressalta, “eu, como jornalista, sentia falta de alguém que pudesse se infiltrar ali”. Para entrar nesses congressos, ela se disfarça cobrindo as tatuagens, mudando o cabelo e as vestimentas.

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Andrea Dip palestrando na PUC-SP. / Foto: Daniella Ramos

O principal congresso que a marcou foi o NATICON que aconteceu em Bruxelas, no ano passado. Para conseguir entrar, Andrea conta que tentou se passar por pesquisadora pois existe uma desconfiança de toda a extrema direita com a imprensa. Após muitos e-mails para palestrantes, ela conseguiu o convite e notou que durante a reunião era muito evidente que a principal pauta eram os imigrantes. A entrevistada cita: “teve um padre católico alemão que falou que os imigrantes estavam enfeando a Europa”, além fazer grande defesa de Israel.

Durante todo o tempo nesses eventos, a jornalista busca ficar quieta para que possa colher o máximo de informação possível e procura inflar o ego dos extremistas em entrevistas para que falem seus planos e ideias com mais facilidade, como fez com Silas Malafaia e Marcos Feliciano.

Dip também observa que em meio aos congressos internacionais da ultra direita, o deputado Nickolas Ferreira vem em uma crescente como representante da juventude ultra conservadora mundial, o que pode trazer certa preocupação ao Brasil, já que existe um aumento de adolescentes defendendo a extrema direita, que sabe muito bem utilizar da internet em benefício próprio, trazendo ideias que parecem fáceis sem influenciar as pessoas a refletirem mais a fundo sobre o que é abordado.