Requerimento da Câmara Municipal de Londrina tentou impedir a atleta transexual de participar da competição
por
Guilbert Inácio
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03/03/2026 - 12h

Na última quinta-feira (26), a Câmara Municipal de Londrina (PR), em regime de urgência, aprovou um requerimento que vetou a jogadora trans Tiffany Abreu, do Osasco Cristóvão Saúde, na fase final da Copa Brasil de Vôlei Feminino, que ocorreu no município. A medida foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A imagem mostra a jogadora Tiffany Abreu, do Osasco, com os dois braços levantados. Atrás, há a presença de outras jogadoras e da arquibancada.
Em 2017, Tiffany se tornou a primeira mulher trans a atuar na elite do vôlei feminino brasileiro. Foto: Carolina Oliveira/Osasco Cristóvão Saúde

O requerimento 102/2026, protocolado na Câmara pela vereadora Jéssica Ramos Moreno (PP), conhecida como “Jessicão”, foi aprovado por 12 votos favoráveis e quatro contrários. No texto da solicitação, a vereadora cita nominalmente Tiffany e alega que o Osasco inscreveu “o atleta” de forma indevida.

Lei contraditória

A ação foi encaminhada por ofício para a prefeitura, que exige o cumprimento da Lei Municipal nº 13.770/24. Essa norma municipal proibe, em Londrina, a participação de “atleta identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento” em times, competições, eventos e disputas esportivas.

A lei é de autoria de Jessicão e não chegou a ser sancionada pelo então prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, mas foi promulgada pelo presidente da Câmara, Emanoel Gomes (Republicanos). Caso a medida seja descumprida, o segundo parágrafo do Art. 2º prevê revogação do alvará da competição e multa administrativa de R$10.000 ao Osasco.

Contudo, a norma tem trechos confusos no campo da ciência, pois ao definir quem está impedido de jogar por "contrariedade ao sexo biológico" o texto mistura identidade de gênero e orientação sexual. “Gay, lésbica, bissexual, pansexual, intersexual, assexual, transexual, agênero, não binário de gênero, cisgênero, transgênero, travesti, entre outros”, diz o segundo parágrafo do Art. 1.

A palavra cisgênero, termo referente às pessoas que se identificam com o sexo biológico atribuído no nascimento, também é mencionada. Em resumo, a lei, como está redigida, abre precedentes para proibir qualquer pessoa de praticar esportes de alto rendimento no município. Isso pode interferir na autonomia das federações de regular as práticas esportivas, além de entrar em conflito com a seção III da Lei Geral do Esporte, que garante o direito fundamental de todas as pessoas à prática esportiva em suas múltiplas e variadas manifestações.

Manifestações e decisões da justiça

Após a aprovação do requerimento, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e o Osasco recorreram à justiça para garantir a presença da atleta na semifinal da competição contra o Sesc RJ Flamengo, na sexta-feira (27), no Ginásio Moringão.

Em nota no Instagram, o clube paulista se manifestou:

 “Tifanny Abreu atua profissionalmente no voleibol nacional há mais de oito anos. É uma atleta exemplar, dedicada e que cumpre rigorosamente todos os requisitos técnicos, médicos e de elegibilidade exigidos pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), órgão máximo que regula a modalidade no país. Ela está, portanto, regularmente inscrita e apta a disputar qualquer competição sob a chancela da CBV.

Osasco São Cristóvão Saúde entende que as competições esportivas de nível nacional devem ser regidas pelas normas das confederações esportivas nacionais, que possuem a competência técnica e recursos para análise científica para definir os critérios de elegibilidade. A interferência de legislações municipais sobre regras de competições federadas cria um precedente perigoso que ameaça a isonomia e a integridade das disputas esportivas no país.

Nosso clube se pauta pelos valores do esporte, que agregam a inclusão, a diversidade e o respeito a todos os indivíduos. Apoiamos integralmente a nossa atleta e defendemos seu direito constitucional ao trabalho e ao exercício de sua profissão, livre de qualquer forma de discriminação.”
 

Na tarde de sexta-feira (27), o juiz Marcus Renato Nogueira Garcia, da segunda Vara da Fazenda Pública de Londrina, apontou inconstitucionalidade e concedeu liminar que impediu a prefeitura de vetar a ponteira do jogo. A prefeitura atendeu o pedido.

Horas antes do jogo, em liminar, a ministra Cármen Lúcia, do STF e responsável pela relatoria do caso, suspendeu a eficácia da lei até que a ação passe por exame de mérito. Segundo a ministra, a lei geraria: "grande perplexidade e insegurança jurídica e social, por materializar um retrocesso nas políticas de inclusão social, de igualdade de gênero e de promoção da dignidade humana".

A vereadora Paula Vicente (PT), uma das quatro pessoas que votaram contra o requerimento, alegou que vai entrar com ação nos órgãos competentes para revogar a lei.

Tiffany fica

A imagem mostra a jogadora Tiffany Abreu, do Osasco, recebendo o troféu Viva Vôlei.
Tiffany atuou na semifinal e final da Copa Brasil de Vôlei. Foto: Rafael de Paula/Usina de Ideias/CBV

Na final, no sábado (28), a equipe paulista foi campeã sobre o Minas por 3 sets a 1. Tiffany foi ovacionada pelo público presente no Ginásio Moringão.

Por voto popular, a jogadora do Osasco foi eleita a melhor jogadora da final e recebeu o troféu Viva Vôlei, mas entregou o mérito a Jenna Gray, levantadora e aniversariante do dia, que foi dispensada do Minas no fim da última temporada.

Em entrevista à Sportv, Tiffany mandou um recado para a vereadora Jessicão pedindo para ela se preocupar mais com o esporte da cidade. “Vai buscar incentivo para dar suporte, em vez de excluir, porque o seu trabalho é dar inclusão e não exclusão.”
 

Bolsonaristas possuem o impeachment de Lula como principal pauta
por
João Calegari
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28/02/2026 - 12h
Manifestantes participam de ato político em Brasília em maio de 2021. Mobilizações semelhantes foram convocadas para este domingo (1º) em diversas cidades do país.
Manifestantes participam de ato político em Brasília em maio de 2021. Mobilizações semelhantes foram convocadas para este domingo (1º) em diversas cidades do país. - Foto: Palácio do Planalto.

Lideranças aliadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro convocam manifestações em diversas cidades brasileiras para o domingo (1) sob o lema “Acorda Brasil”. Os atos impulsionados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) possuem o impeachment do presidente da República e de Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como principais pautas.

A principal concentração do ato está prevista para a Avenida Paulista, em São Paulo (SP) e conta com participações de diversos líderes políticos e religiosos dos setores conservadores, como é o caso do Pastor Silas Malafaia e Governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).

Entre esses nomes, o de Flávio Bolsonaro se destaca por ser a primeira vez que o Senador (PL-RJ) confirma sua presença em manifestação agora como pré-candidato à Presidência da República. Em suas redes sociais, ao divulgar a manifestação, afirmou que “o Brasil não suporta mais quatro anos de PT”.

Por outro lado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) não deve comparecer ao ato por ter de cumprir agenda internacional. Ele será recepcionado no evento “Dialogues”, em Frankfurt, na Alemanha. A ausência do principal nome da direita do Estado no ato pode representar um distanciamento da imagem do Governador com as pautas mais radicais do movimento.

Além da capital paulista, outras cidades também anunciaram concentrações populares previstas para o dia primeiro, como Curitiba, Joinville, Florianópolis e Ponta Grossa, com horários e formatos próprios. 

Os organizadores do “Acorda Brasil” destacam como principal bandeira o pedido de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo apoiadores, o argumento central é a condução da política econômica e decisões consideradas “ideológicas” pelo grupo, além de críticas à relação do governo com o Congresso Nacional.

Outra reivindicação recorrente é a deposição de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do STF. Entre os pontos criticados por manifestantes, que supostamente justificariam a exoneração dos cargos, estão a condução de inquéritos e prisões relacionadas aos atos antidemocráticos, e as decisões do STF sobre o caso do Banco Master.

Os atos também defendem a anistia ou revisão das penas aplicadas aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes do dia 8 de janeiro, em Brasília. Até o momento, o Supremo já condenou centenas de réus por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano ao patrimônio público.

Ex-políticos, policiais e assessores respondem por homicídio duplamente qualificado de vereadora e motorista
por
Carolina Zaterka
Luiza Zaccano
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26/02/2026 - 12h

 

 

Na terça-feira (24) a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) composta por Alexandre de Moraes, relator do caso, Flávio Dino, Carmen Lúcia e Cristiano Zanin julgou e condenou os articuladores do assasinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018 no Rio de Janeiro.

A acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que o homicídio foi parte de uma esquema organizado para eliminar os opositores políticos e obstruir ações da vereadora, que criticava milícias e interesses irregulares de grupos com poder no Estado. 

Durante o processo, foi analisada a responsabilidade dos acusados apontados como mandantes e integrantes de uma organização criminosa,  além dos executores do crime, que foram julgados em instâncias anteriores.

O julgamento teve como objetivo analisar e verificar se houve planejamento político, uso de estruturas do Estado e articulação com grupos armados, em especial milícias, para a execução do crime de ódio.  

 

A estrutura criminosa por trás do assassinato


Entre os réus está Domingo Inácio Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), apontado como um dos mandantes do crime, que foi sentenciado a 76 anos e 3 meses de prisão por organização criminosa armada, homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves.

Ronaldo Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar, acusado de monitorar a rotina da vereadora e auxiliar o planejamento do atentado, a 56 anos de prisão, por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio.

Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil, foi condenado por participação no esquema criminoso e por obstrução das investigações a 18 anos de prisão pelos crimes de obstrução de Justiça e corrupção passiva.

E por fim, Robson Calixto Fonseca, ex-assessor político, que seria integrante da organização criminosa, que foi condenado a 9 anos de prisão por integrar a organização criminosa armada.

Todos negam o envolvimento no assassinato, e a denúncia é baseado em parte em delações premiadas e provas reunidas ao longo de oito anos de investigação. Além disso, o STF determinou o pagamento de 7 milhões de reais como indenização para familiares e às vítimas. 

A compreensão do crime exige considerar a posição institucional e política ocupada por Marielle Franco no cenário carioca. Eleita vereadora em 2016 com expressiva votação, sua trajetória pública estava associada à defesa de direitos humanos, ao enfrentamento da violência estatal e à crítica sistemática à expansão de grupos paramilitares em territórios urbanos.

As investigações conduzidas ao longo dos anos apontaram para a possibilidade de que o crime teria sido motivado pela atuação de Marielle que representava um obstáculo aos interesses políticos e econômicos estabelecidos em regiões sob influência de milícias.

Segundo o ministro Alexandre de Moraes, o assassinato articulou dimensões políticas, raciais e de gênero. Para ele, a execução de Marielle Franco teve também um caráter simbólico, ao atingir uma mulher negra, oriunda da periferia, que confrontava diretamente interesses de grupos milicianos, produzindo um efeito de intimidação sobre agentes públicos e lideranças políticas que atuam contra essas estruturas.

Para a socióloga brasileira Silvia Ramos, pesquisadora da violência urbana, crimes dessa natureza não visam apenas eliminar indivíduos, mas produzir intimidação política, ao sinalizar os limites impostos a quem confronta economias ilegais e poderes armados.

Alexandre de Moraes durante o julgamento dos acusados de ordenar o assassinato de Marielle Franco em 2018 | Foto: Rosinei Coutinho/STF
Alexandre de Moraes durante o julgamento dos acusados de ordenar o assassinato de Marielle Franco em 2018 | Foto: Rosinei Coutinho/STF


A ministra Anielle Franco estava presente durante o julgamento. A irmã de Marielle, se recorda em entrevista para a “Agência Brasil” que a família foi alvo de deboche ao cobrarem por justiça. “Isso [condenação] é também um recado para uma parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã. Uma parcela da sociedade, que, em todo ano eleitoral, traz minha irmã como um elemento descartável, sendo apenas mais uma, ou como falavam, mimimi sobre Marielle Franco", afirmou ela.

A ministra Anielle Franco, ao lado dos pais,  durante o julgamento dos acusados de matar sua irmã Marielle e Anderson Gomes | Foto: Gustavo Moreno/STF
A ministra Anielle Franco, ao lado dos pais,  durante o julgamento dos acusados de matar sua irmã Marielle e Anderson Gomes | Foto: Gustavo Moreno/STF

O vice-PGR, Hindemburgo Chateaubriand descreveu a motivação como ligada a interesses econômicos contrariados pela atuação de Marielle contra a regularização de condomínios ilegais em áreas controladas por milícias. 

Nas peças do STF já disponíveis (fase de recebimento da denúncia), aparece o argumento de confirmação: o tribunal registra que a denúncia não se fundamenta apenas na colaboração premiada, ou seja, um acordo previsto em lei no qual um investigado ou réu aceita cooperar com a Justiça, fornecendo informações e provas sobre um crime, e também menciona cautela para verificar se as informações do colaborador são verídicas. No plano fático, o Inq. 4.954 detalha a narrativa acusatória de que a execução foi arquitetada no segundo semestre de 2017 e que teria sido prometida recompensa conectando, de forma direta, o crime contra a vida a disputas territoriais e a mercados ilegais. As defesas, por sua vez, concentraram-se em atacar a credibilidade da colaboração e sustentar insuficiência dos atos processuais, pedindo absolvição; uma linha explicitada na cobertura da “Rádio Nacional/Agência Brasil”, que registra a tentativa de descredibilizar Ronnie Lessa por seu histórico criminal. 

Para a acusação e para parte do colegiado, a resposta veio pela convergência entre colaborações. Da maneira em que o caso foi conduzido, o presidente da Primeira Turma e outros ministros disseram que era importante manter o julgamento focado nos fatos verificáveis No segundo dia, Flávio Dino afirmou que os depoimentos, mesmo com pequenas diferenças, apontavam para a mesma versão sobre como o crime começou, o que aumentaria a confiança nas provas.

Após a condenação, as possibilidades de recursos são restritas, uma vez que o julgamento ocorreu na instância máxima do Judiciário brasileiro. O principal recurso cabível são os embargos de declaração, que permitem às partes solicitar ao próprio STF o esclarecimento  de eventuais omissões, contradições ou erros materiais no acórdão. Embora não se destinem à reanálise do mérito ou das provas, esses embargos podem, em situações específicas, resultar em ajustes. Não apenas isso, mas a defesa pode acionar o Habeas Corpus, instrumento constitucional que pode ser utilizado para questionar a ilegalidade relacionada à prisão ou execução da pena. 



  

Aprovação em bloco revoltou a base governista, que alegou fraude e sessão foi suspensa após briga entre parlamentares
por
Khauan Wood
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26/02/2026 - 12h

A reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, realizada nesta quinta-feira (26), foi suspensa após um princípio de confronto físico e intenso embate verbal entre parlamentares.

O episódio ocorreu logo após a aprovação, em bloco e por votação simbólica, de 87 requerimentos, entre eles o que determina a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A deliberação foi conduzida pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (PODE-MG), que solicitou que os parlamentares contrários aos requerimentos se levantassem. Segundo ele, dos 31 membros com presença registrada no painel eletrônico, apenas sete se manifestaram contra, o que resultou na aprovação integral da pauta.

Parlamentares da base governista contestaram a apuração. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) e o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmaram que houve erro na proclamação. 

“Nós vamos interpretar essa decisão como uma ação deliberada do senhor para fraudar o resultado da votação", afirmou Pimenta.

De acordo com eles, dos 21 parlamentares titulares presentes no plenário no momento da votação, 14 teriam votado contra os requerimentos, o que, na avaliação do grupo, invalidaria o resultado anunciado.

Após a contagem, parlamentares da oposição comemoraram a aprovação, enquanto os da base se dirigiram à mesa diretora e ao relator da comissão, Alfredo Gaspar (União-AL).

A discussão evoluiu para empurra-empurra. Durante a confusão, o deputado Rogério Correia (PT-MG) atingiu o rosto do deputado Luiz Lima (Novo-RJ), segundo relatos de parlamentares presentes. Diante da tensão, a sessão foi interrompida.

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Vídeos divulgadosnas redes sociais mostram o momento da confusão. Foto: Rogério Correia/Instagram/Reprodução

No plenário, Correia admitiu ter "encostado" em Lima e se desculpou pela atitude. No entanto, ele também declarou que foi agredido durante a confusão e afirmou que não vai ficar "choramingando" por causa disso.

Veja o momento da confusão

Reações e ameaça de medidas disciplinares

O Partido Novo informou que acionará o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados para pedir medida cautelar de suspensão temporária do mandato de Rogério Correia em razão da agressão.

Em contrapartida, integrantes do PT, entre eles Pimenta, Randolfe e o senador Jaques Wagner (PT-BA), procuraram o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para solicitar a anulação da votação por suposto erro material na contagem. O grupo também avalia representar contra Carlos Viana no Conselho de Ética do Senado.

Alvo da investigação

O pedido de quebra de sigilo de Lulinha foi apresentado pelo relator Alfredo Gaspar com base em relatórios da Polícia Federal (PF). A investigação apura suspeitas de que ele teria atuado como “sócio oculto” do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como suposto líder de um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados.

Segundo a apuração, mensagens interceptadas indicariam a orientação para repasse mensal de R$ 300 mil a uma empresa ligada a Roberta Luchsinger, valor que, de acordo com investigadores, seria destinado ao “filho do rapaz”, expressão interpretada como referência a Lulinha. A defesa nega qualquer envolvimento do empresário  nos desvios.

Entre os requerimentos aprovados também estão quebras de sigilo envolvendo o Banco Master e a CredCesta, investigados por supostas irregularidades em empréstimos consignados, além de pedidos de prisão preventiva e condução de investigados.

No período da tarde, a comissão retomou os trabalhos para ouvir o empresário Paulo Camisotti. Outros dois depoentes, amparados por decisões judiciais, não compareceram.

A CPMI tem encerramento previsto para 28 de março de 2026. Diante da ausência de manifestação do presidente do Congresso sobre o pedido de prorrogação, Carlos Viana informou que poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a extensão dos trabalhos por mais 60 dias, sob o argumento de que o volume de dados obtidos com as quebras de sigilo exige prazo adicional para análise.

A ascensão das plataformas digitais como palco central da nova política e o desafio da polarização
por
Isabelle Maieru
Jalile Elias
Marcela Rocha
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27/11/2025 - 12h

 

A imagem conceitual representa a polarização política. FONTE: Shutterstock / Imagem Conceitual

O cenário político contemporâneo foi drasticamente redefinido pela ascensão das redes sociais. O que antes era um mero canal de comunicação secundário transformou-se no principal palco de debate, engajamento e, por vezes, de acirrada polarização. Líderes e figuras públicas, de todas as ideologias, utilizam plataformas como X (antigo Twitter), Instagram, Facebook e TikTok não apenas para disseminar informações, mas para construir narrativas, interagir diretamente com eleitores e moldar a opinião pública.

A Onipresença Digital: Vantagens e Riscos

A presença massiva de políticos nas redes oferece uma série de vantagens:

  • Acesso Direto: Permite uma comunicação sem intermediários com o eleitorado, humanizando a figura pública e criando um senso de proximidade.

  • Mobilização: Ferramenta poderosa para organizar movimentos, manifestações e campanhas de forma rápida e eficiente.

  • Quebra de Monopólio: Diminui a dependência da mídia tradicional, permitindo que políticos e partidos estabeleçam suas próprias agendas.

No entanto, essa "democratização" da comunicação não está isenta de riscos e desafios:

  • Polarização e Bolhas: Os algoritmos das redes tendem a criar "bolhas" de informação, reforçando crenças existentes e expondo os usuários a conteúdo que confirma seus vieses, o que contribui para a polarização.

  • Desinformação (Fake News): A velocidade de propagação e a falta de filtros rigorosos tornam as redes um terreno fértil para a disseminação de notícias falsas, boatos e manipulação de informações, com sérias consequências para o debate público e a democracia.

  • Discurso de Ódio: A anonimidade e a falta de moderação eficaz em algumas plataformas facilitam a proliferação de discursos de ódio, ataques pessoais e campanhas difamatórias.

Foto de uma tela de celular com vários ícones de redes sociais misturados. Fonte: Depositphotos / Mídia Social e Política

Estratégias Digitais em Constante Evolução

A "nova política" é inerentemente digital. Políticos e suas equipes investem pesadamente em estratégias de marketing digital, análise de dados e criação de conteúdo. O uso de memes, vídeos curtos e transmissões ao vivo (lives) são táticas comuns para viralizar mensagens e engajar diferentes faixas etárias.

Observa-se também a profissionalização das equipes digitais, com especialistas em análise de sentimentos, SEO (Search Engine Optimization) e gestão de crises online. A capacidade de responder rapidamente a eventos e narrativas em tempo real tornou-se um diferencial competitivo crucial.

O Futuro da Política e das Redes

O fenômeno dos políticos nas redes sociais é irreversível. O desafio para as democracias é encontrar mecanismos para regular e fiscalizar o ambiente digital sem cercear a liberdade de expressão, garantindo que as plataformas sirvam como ferramentas de fortalecimento do debate público e não de sua deterioração. A busca por um equilíbrio entre a liberdade, a responsabilidade e a moderação de conteúdo continuará a ser um dos temas centrais dos próximos anos, moldando não apenas a política, mas a própria sociedade.

 

Ameaças antidemocráticas e articulações globais da extrema direita causam mudanças no cenário político brasileiro.
por
Martim Tarifa
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15/04/2025 - 12h

Durante aula magna na PUC-SP, a jornalista Andrea Dip comentou como a tentativa de golpe afetou os objetivos da esquerda no Brasil: “A esquerda virou conservadora no sentido de ter que conservar as instituições, tem que conservar a democracia.”

 No atual cenário não se vê um novo projeto político, de grande mobilização e de pautas progressistas por parte da esquerda. Suas atenções estão voltadas para outras pautas  como garantir manutenção das instituições democráticas, por exemplo. O governo do atual presidente Lula também não traz bons prognósticos, já que segundo pesquisa do PoderData, 51% dos brasileiros desaprovam o governo, maior índice de rejeição desde o início de sua gestão.

No dia 26 de março, foi dado um passo importante no processo de julgamento dos envolvidos na tentativa de golpe em 2022. O ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados se tornaram réus após decisão unanime do STF. Quatro dias depois, um ato contra a anistia dos envolvidos na trama golpista, liderado por Guilherme Boulos na Avenida Paulista em São Paulo reuniu mais de 6 mil pessoas. No assunto mais em pauta atualmente a pouca mobilização é mais um indicativo do que Andrea estava explicando.

Imagem aérea do ato contra anistia na Avenida Paulista. Foto: Toni Pires/Poder360
Imagem aérea do ato contra anistia na Avenida Paulista. Foto: Toni Pires/Poder360

Do outro lado, a extrema direita se articula e sua ascensão no cenário político mundial não é por acaso. O grupo se mobiliza há anos, inclusive com diversos congressos internacionais. A própria Andrea Dip relatou que foi disfarçada a esses congressos e destacou a importância deles: “Essas narrativas que são do Bolsonaro e também do Trump, nascem nesses encontros.” Segundo a jornalista, a esquerda está enganada se pensa que as pautas da extrema direita se limitam a preconceitos e ataques contra imigrantes, “Eles se reúnem para pensar estratégias, são encontros que vão gerar políticas públicas.”

O discurso dos autocratas da extrema direita é mais efetivo porque não necessariamente é verdadeiro. Líderes globais negam a opinião, o direito do outro e dizem que o que importa é o que eles dizem, a realidade é manipulada para o que for de desejo deles. Um estudo feito pela Universidade Livre de Amsterdã afirma que em mais de 26 países, os políticos de extrema direita são os que mais espalham mentiras. O Brasil  está dentro dessa lista. “Populistas de extrema-direita usam a desinformação como uma ferramenta para desestabilizar democracias e obter vantagem política”, disse Petter Törnberg, coautor do estudo com Juliana Chueri em entrevista ao The Guardian.

Relatório mostra a fatalidade das intervenções beirando o cotidiano dos jovens
por
Leticia Falaschi
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11/04/2025 - 12h

Na última quinta-feira (3) foi publicada a segunda edição do relatório As câmeras corporais na Polícia Militar no estado de São Paulo: Mudanças na política e impacto nas mortes de adolescentes, realizado pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O que se destacou no documento foi o aumento no número de vítimas fatais das intervenções policiais entre crianças e adolescentes: de 2022 para 2024 houve um salto de 120%. O estudo buscou explorar a origem desse salto e analisar sua relação com atual gestão do estado.  

O que mudou nos últimos dois anos, nos órgãos de segurança, foi o aumento de ataques aos programas de contenção de risco. Essas ofensivas tiveram força e apoio pois foram oriundas de representantes de altos cargos, como o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública. A primeira edição do relatório, realizada em 2022, conseguiu acompanhar os números antes e depois da implementação das câmeras corporais nos policiais militares do estado. Os resultados foram esclarecedores: comparando dados de 2017 e 2022, houve uma queda de 66,3% nas mortes na faixa etária de 10 a 19 anos por autoria da polícia militar. Na publicação, a queda foi atribuída ao Programa Olho Vivo adotado pela PMESP e pela Secretaria de Segurança Pública no segundo semestre de 2020. 

gráfico de mortes causadas por intervenção policial em São Paulo de 2001 a 2024
Fonte: Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo; Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

As crianças e adolescentes vítimas da ação truculenta da PM, registradas no ano passado, superaram o dobro do que foi contabilizado em 2022: saindo de 35 mortes para 77, entre elas, as negras são 3,7 vezes mais atingidas em intervenções letais. Segundo o relatório, a maioria das alterações no modo operante da PM diz respeito ao controle de força e punição dos responsáveis. Apesar do número de câmeras a disposição não ter diminuído, o uso não está sendo cumprido, e a quantidade de arquivos a serem consultados estão mais escassos. Além disso, a acessibilidade desses arquivos foi burocratizada: “Um levantamento da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, baseado em 457 solicitações de ocorrências entre julho e novembro de 2024, mostrou que a PMESP não forneceu resposta para 48,3% dos casos. No caso das ocorrências respondidas, em apenas 100 casos foi possível realizar a análise.” diz um trecho do estudo. 

O afrouxamento da Corregedoria da PMESP também foi fortemente sinalizado no relatório. Isso, somado às declarações de representantes do governo questionando a efetividade das câmeras parece ter encorajado os oficiais a abandonarem o uso. A Corregedoria também teve sua autonomia reduzida: agora, para realizar o afastamento de um oficial, a decisão será submetida à solicitação do um subcomandante geral. 

O governo assinou, em setembro de 2024, um contrato com a empresa Motorola para a compra de 12 mil novas câmeras, que substituirão as atuais. Porém, esse novo modelo apresenta alterações sensíveis: além das gravações não serem ininterruptas, o seu acionamento depende da decisão do policial que a usa. As inflexões do programa Olho Vivo são protagonistas nos resultados que assombram a juventude paulista. Apesar de representar apenas 0,6% do orçamento da Secretaria de Segurança, ao longo de 2023 o programa sofreu 37% de cortes do valor inicial de investimento. 

Tabela de princiais mudanças na gestão da Polícia Militar de SP - 2024 para 2025
Fonte: Unicef

No panorama geral, o relatório é alarmante para as crianças paulistas. As reformas questionáveis que insistem em ser realizadas pelos gestores, mesmo diante a eficiência das câmeras se traduzem em letalidade para os jovens do estado. “É importante destacar que 30,1% das mortes de crianças e adolescentes nos últimos oito anos foram provocadas por policiais militares durante a folga desses agentes, o que soma mais 316 vítimas. Em 2024, 1 em cada 4 mortes de adolescentes pela PMESP foi causada pela ação de policiais militares de folga, em ocorrências que não foram classificadas como homicídio doloso.”, expõe a investigação. 

Investigando a Bancada Evangélica e o Extremismo de Direita
por
Victoria Ignez
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10/04/2025 - 12h

Na quinta feira (27/03), Andrea Dip foi recebida na PUC-SP para compartilhar sua trajetória sobre o enfrentamento à extrema-direita na atualidade. Andrea Dip é uma jornalista investigativa com mais de 20 anos de carreira e estudante de psicanálise. Autora do livro - reportagem “Em Nome de Quem? A Bancada Evangélica e Seu Projeto de Poder”, ela se destaca pela abordagem incisiva e corajosa de temas relacionados à política, direitos humanos e extremismo religioso no Brasil. 
 
O Início no Jornalismo  
Sua trajetória começou na revista Caros Amigos, uma publicação conhecida por sua linha editorial crítica e investigativa. Na época, Andrea atuava na cobertura de temas ligados aos direitos humanos, um campo que, segundo ela, evoluiu para ser reconhecido hoje como “jornalismo investigativo”.  
Desde o começo de sua carreira, Andrea se interessou por pautas ligadas à desigualdade e à violência de gênero, o que a levou a aprofundar suas pesquisas e investigações sobre grupos extremistas e suas articulações políticas. Um dos temas centrais de suas investigações recentes é a atuação da bancada evangélica no Congresso Nacional. Andrea apurou como esses grupos influenciam políticas públicas e, muitas vezes, se posicionam contra os direitos de comunidades marginalizadas, como a LGBTQIA+.  
 Seu trabalho envolve a participação em grandes eventos e congressos organizados pela extrema-direita. Nesses espaços, ela analisa discursos e estratégias desses grupos, além de relatar suas experiências como mulher jornalista nesses ambientes.  
 
Desafios no Exterior  
Em um evento realizado em Bruxelas, Andrea enfrentou dificuldades para se credenciar como jornalista devido à “desconfiança da extrema-direita com a imprensa”. No entanto, conseguiu participar como pesquisadora, o que permitiu que continuasse seu trabalho de investigação e análise sobre os discursos fundamentalistas cristãos e sua influência global.  
 
Compromisso com o Jornalismo Investigativo  

Andrea Dip segue firme em sua missão de informar e expor os bastidores do poder e do extremismo. Seu trabalho se destaca pela coragem de enfrentar temas sensíveis e pelo compromisso em dar visibilidade a questões que afetam diretamente os direitos humanos no Brasil e no mundo.  
 Com um olhar atento e uma apuração rigorosa, Andrea Dip reafirma a importância do jornalismo investigativo como ferramenta essencial para a democracia e para a defesa dos direitos fundamentais 

Alunos da PUC-SP discutem como discursos remodelados da extrema-direita conquistam parte da juventude e ressuscitam preconceitos históricos sob nova roupagem.
por
Maria Julia Malagutti
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10/04/2025 - 12h

 

O crescimento da extrema-direita em diversos países, incluindo o Brasil, tem sido acompanhado por uma estratégia de mobilização focada também em um público específico: os jovens. A extrema-direita contemporânea não se baseia apenas em partidos e lideranças políticas tradicionais, utilizando plataformas como X, TikTok e Instagram para espalhar sua ideologia, além de se adaptar a novas tecnologias e criar uma estética que ressoa com o público jovem: memes, vídeos curtos e discursos polarizados que prometem soluções simples para problemas complexos. Utilizando redes sociais, influenciadores digitais e um discurso voltado para a insatisfação com a política tradicional, o movimento tem conseguido atrair uma nova geração de apoiadores.

Na última quinta-feira (27/03), a jornalista e pesquisadora Andrea Dip ministrou uma aula magna sobre a cobertura da extrema-direita no Brasil, abordando suas estratégias de comunicação e sua experiência em congressos de direita. A jornalista destacou como a extrema-direita tem se adaptado rapidamente às novas plataformas, explorando o engajamento emocional. Segundo Andrea Dip, que estuda a ascensão da extrema-direita no mundo, o movimento se fortaleceu ao dominar o ecossistema digital. “A extrema-direita compreendeu o funcionamento dos algoritmos e explorou o engajamento emocional dos jovens, criando narrativas que geram indignação e senso de comunidade”, explicou a jornalista.

Durante a aula, foram discutidos casos emblemáticos do Brasil e do exterior, nos quais partidos e líderes políticos utilizaram essas táticas para mobilizar a juventude. O evento também abriu espaço para um debate entre os alunos, que refletiram sobre o papel do jornalismo na cobertura desse fenômeno e os desafios para combater a desinformação sem reforçar discursos extremistas. Andrea Dip ressaltou a importância de compreender os métodos da extrema-direita para desenvolver estratégias eficazes de enfrentamento. “O jornalismo precisa estar atento às novas formas de comunicação política. Se não entendermos como essas narrativas são construídas e disseminadas, ficamos um passo atrás na disputa pela informação”, concluiu.

A pesquisadora também apontou que a extrema-direita construiu uma identidade visual e discursiva capaz de dialogar diretamente com a juventude, apropriando-se de memes, jargões e símbolos populares na internet. Além disso, o uso de narrativas de conflito, como a suposta “ameaça comunista” ou a “censura da mídia tradicional”, fortalece a lealdade desses jovens ao movimento, gerando discursos eugenistas, misóginos, homofóbicos e xenofóbicos. O discurso da “guerra cultural” — que denuncia supostas ameaças da esquerda à liberdade de expressão, à família e aos valores tradicionais — é também um dos principais atrativos. Portanto, a disseminação de notícias falsas decorrentes da manipulação em massa entre jovens e jovens adultos atrai figuras influentes desse espectro político, que se apresentam como alternativas aos veículos de mídia tradicionais, criticando o jornalismo convencional e incentivando um consumo seletivo de informações. Isso ficou evidente em uma postagem na rede social X, onde Nikolas Ferreira disse: "O golpe 'armado' que não teve arma", referindo-se ao Golpe de Estado de 2022, que resultou na inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

Greve Brasília.
Divulgação/Agência Brasil.
Manifestantes invadindo o Congresso nacional no dia 8 de janeiro de 2023. 

Andrea Dip revela não apenas os bastidores da extrema direita, mas também as estratégias usadas para capturar as emoções dos mais jovens, especialmente diante de um cenário em que discursos ultraconservadores ganham espaço sob disfarce de liberdade e tradição. 

 

Jornalista Andrea Dip encontra alunos da PUC-SP para uma reflexão sobre a extrema direita e a geração de adolescentes e jovens adultos que passaram a simpatizar com a onda conservadora
por
Isabelle Muniz
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10/04/2025 - 12h

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      O fato de a extrema direita estar em constante crescimento entre a geração mais jovem não é novidade para quem minimamente se interessa por política. Andrea Dip, repórter investigativa independente, conta suas experiências infiltrada em congressos da direita, compostos pela bancada evangélica, fundamentalistas cristãos e conservadores. A repórter menciona que essas figuras de poder se reúnem, em média, mensalmente, para debater sobre discursos nacionalistas, eugenistas, xenófobos e homofóbicos. O questionamento a se fazer é: o que atrai o público jovem e de que maneira esse discurso se infiltra nas raízes da nova geração?

      A jornalista informa, sobre a aproximação dos jovens com o discurso radical, que “a extrema direita está sabendo capitalizar e instrumentalizar, sabe usar muito melhor as redes sociais, sabe dar respostas fáceis e utiliza uma visão idealizada do passado para propor o futuro”. Tendo em vista tal afirmação, faz-se necessário realizar uma reflexão sobre a atual situação social. Figuras como o deputado federal Nikolas Ferreira e o ex-presidente da República, atualmente inelegível, Jair Messias Bolsonaro, utilizam suas redes sociais como ferramentas para conquistar cidadãos jovens que são amplamente engajados nas comunidades virtuais. No último domingo (30/04), Nikolas ridicularizou o deputado federal André Janones, apoiador da presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de uma comparação física entre André e um personagem de desenho animado, gerando grande repercussão e viralizando entre adolescentes e jovens adultos.

Nikolas Ferreira tirando sarro de deputado em sua rede social X
Nikolas Ferreira ridicularizando deputado em rede social. Fonte: X.

       As piadas aparentemente inocentes são intencionais para fisgar jovens pouco informados politicamente, que veem figuras políticas que, através de um estereótipo, tendem a apresentar alto nível de seriedade, transformando pautas sérias em diversão. Tal metodologia de abordagem ideológica tem dado resultados, visto o crescimento de discursos conservadores e repetitivos entre adolescentes, raramente embasados. Associar a extrema direita com a ideia de rebeldia vem se tornando uma realidade entre estudantes. Na década de 80/90, ser rebelde era sinônimo de oposição ao sistema, à direita e ao conservadorismo. Discursos neonazistas e neofascistas, também resultado da idealização de um passado distorcido e da ausência de manutenção da memória coletiva da sociedade, têm se tornado cada vez mais comuns. Jovens frustrados, com receio de rejeição e com vontade de se “oporem” a um sistema que é, na visão apresentada para eles em redes sociais como visto acima, de esquerda, têm uma tendência maior a adotar discursos semelhantes aos de regimes totalitários e nacionalistas. A repórter afirma que ser jovem deixou de ser um ato revolucionário; com a era moderna, a esquerda deixou de ler a direita, e a direita segue interpretando e se inserindo na sociedade mundialmente.

      Nos Estados Unidos, o atual presidente, Donald Trump, apresenta respostas simples para problemas complexos, e seus discursos transfóbicos e eugenistas atraem a nova geração. Desde seu primeiro mandato, a higienização social resultante do descaso de povos marginalizados no país norte-americano é o pilar de seu discurso. Agora, com a renovação de seu cargo, a expulsão de brasileiros e o decreto que decide o banimento de mulheres transgênero de práticas esportivas foram amplamente apoiados pelo público estadunidense e majoritariamente pelos jovens.