Durante a sessão da Câmara Municipal de São Paulo desta quarta-feira (25), o vereador Adrilles Jorge protagonizou um episódio que gerou forte repercussão, ao realizar uma encenação em tribuna durante a discussão de um projeto de lei. Em sua fala, ele utilizou uma peruca e afirmou que poderia “se julgar mulher”, como forma de criticar a proposta em debate entre os parlamentares. “Eu posso em qualquer momento me colocar como mulher[...]As mulheres se colocam como vítimas. ".
(Reproduçao: TV Câmara)
O discurso foi interpretada por colegas como ofensiva, especialmente por envolver a simulação da identidade de gênero como argumento político. Vereadores reagiram ainda durante a sessão, criticando o conteúdo e o tom do discurso, que foi classificado como desrespeitoso. “Inacreditável! No mesmo mês vimos black face na Alesp e agora transfobia na câmara de SP. O vereador Adrilles Jorge decidiu imitar a cena patética de Nikolas Ferreira, usando uma peruca para atacar uma lei contra a misoginia aprovada no senado. Quando falta projeto no país, a extrema direita apela para o espetáculo do preconceito para tentar engajar em ano eleitoral. Um absoluto desrespeito com a sociedade” disse a deputada federal Fernanda Melchionna.
A cena rapidamente repercutiu fora do plenário, ganhando espaço nas redes sociais e ampliando o alcance do episódio. O caso passou a mobilizar debates públicos sobre discurso político, representatividade e os limites da atuação parlamentar em espaços institucionais.
Um caso semelhante foi protagonizado pelo deputado Nikolas Ferreira no Dia da Mulher de 2023. Durante uma sessão na Câmara dos Deputados, o parlamentar vestiu uma peruca loira e disse estar se sentindo mulher. “As mulheres estão perdendo espaço para as mulheres trans", disse. Tal fala foi interpretada como deboche da identidade de pessoas trans. Ação deu origem a pedidos de cassação contra o deputado, analisados pelo Conselho de Ética da Câmara.
O novo episódio abriu novamente discussões sobre os limites da liberdade de expressão no Legislativo, especialmente quando manifestações podem ser interpretadas como discriminatórias. Até o momento, não há confirmação de medidas formais contra o vereador, mas o caso segue em desdobramento no cenário político
Na terça-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto de lei conhecido como “PL Antifacção”, que institui um marco legal para fortalecer o combate ao crime organizado no Brasil.
O texto havia sido enviado em novembro de 2025 pelo governo e passou por alterações na Câmara dos Deputados e no Senado. A proposta foi aprovada pelo Legislativo em fevereiro e, posteriormente, sancionada e anunciada no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).
A nova legislação prevê punições para condutas praticadas por organizações criminosas ultraviolentas, estabelecendo penas que podem chegar a 40 anos de prisão. Além disso, a nova legislação cria mecanismos para enfraquecer a atuação dessas organizações, ao atingir suas estruturas de financiamento, logística e fornecimento de recursos.
Divulgação Palácio do Planalto/Flickr
Em seu discurso, o presidente Lula ressalta que o enfrentamento ao crime organizado deve atingir principalmente os líderes dessas estruturas. Segundo ele, é preciso alcançar “os que nós chamamos de magnatas do crime neste país”, que se beneficiam economicamente dessas redes.
Durante o evento, Lula anunciou o veto de dois trechos da proposta. Um dos itens vetados estendia as penas destinadas a integrantes de facções para também alcançar pessoas envolvidas em ações consideradas equivalentes às de organizações criminosas. A preocupação era que a medida pudesse criminalizar protestos e movimentos sociais.
O outro veto trata da destinação de bens e recursos apreendidos de facções. O texto previa que esses valores fossem repassados aos estados e ao Distrito Federal, o que poderia reduzir a arrecadação da União. Com o veto, o governo optou por manter o modelo atual, que direciona esses recursos aos fundos federais de segurança pública.
Na última sexta-feira (18), o Operativo Nacional de Dissidentes da Revolução Solidária, grupo interno do Psol, publicou uma carta acusando o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos de deixar a sigla para filiar-se ao Partido dos Trabalhadores. O coletivo afirma que “Boulos deixou o projeto de construir base social em um projeto à esquerda através do Psol para tentar por dentro do PT e ser o escolhido de Lula” .
Segundo a dissidência, a tentativa do ministro de negociar uma federação com o partido de Lula teria sido uma estratégia para desenhar sua saída do Psol. A proposta foi rejeitada pelo Diretório Nacional da sigla, no dia 7 de março deste ano.
Em nota enviada ao Brasil de Fato, Boulos afirmou que a Revolução Solidária, corrente à qual faz parte, ainda discute seus rumos na atual conjuntura política brasileira. O político disse “lamentar” que um espectro da sigla tenha postado uma nota “ilegítima” e classificou a atitude como “desespero e oportunismo”. O grupo antagônico à Revolução Solidária ainda não havia se pronunciado até o fechamento deste texto.
Crise no partido
O episódio expôs a crise interna do Psol em torno das estratégias políticas para os próximos anos. Enquanto a Revolução Solidária, ligada a Boulos, defendia a aliança política Psol-PT com o intuito de fortalecer a representatividade no Congresso e assim, fortalecer o campo progressista. A proposta gerou debates entre internautas, militantes e apoiadores nas redes sociais, que defenderam que a coalizão com um partido maior poderia comprometer decisões autônomas da sigla, além de reduzir a relevância política do ministro no espectro da esquerda.
Guilherme Boulos está filiado ao Psol desde 2018, ano das eleições que elegeram Jair Bolsonaro (PL) para a presidência. Em 2022, ele foi eleito Deputado Federal por São Paulo e em 2024 chegou ao segundo turno para a Prefeitura de São Paulo. Ao final de 2025, assumiu a Secretaria-Geral da Presidência da República, por indicação do presidente Lula.
Na tarde da última segunda-feira (23), Ratinho Jr., atual governador do Paraná, anunciou que continuará como governador e não têm mais pretensão em se candidatar para Presidente da República pelo PSD (Partido Social Democrata).
A decisão de Ratinho Jr. foi comunicada ao presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e oficializada por meio de nota.
O governador vinha sendo apontado como um dos principais nomes que representam a centro-direita para as eleições de 2026. A desistência foi decidida nas 24 horas anteriores ao anúncio oficial, após reflexão junto à sua família.
A filiação de Sérgio Moro ao PL (Partido Liberal), fez com que o senador passasse a ser o candidato oficial, alinhado ao bolsonarismo, do Governo do Estado do Paraná. Ratinho Jr. que não pode se reeleger por estar cumprindo seu segundo mandato consecutivo, tem a expectativa de eleger um sucessor e sua candidatura à presidência da república poderia o afastar de sua articulação direta no estado.
Assim, o foco agora se volta inteiramente para a manutenção de sua base política no Paraná, onde ele espera consolidar seu legado e garantir a continuidade de seu projeto de governo por meio de um sucessor aliado. A decisão do governador Ratinho Jr. encerra um ciclo de especulações e redefine o cenário da centro-direita para as próximas eleições.
Além disso, apurações indicam que Ratinho Junior não deve permanecer em cargos políticos após a decisão. Já o presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que a sigla pretende seguir na disputa e trabalhar para viabilizar um candidato próprio nas eleições de 2026.
Nesta terça-feira (24), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou ao ex-presidente, Jair Bolsonaro, a cumprir prisão domiciliar humanitária temporária, devido ao quadro de saúde apresentado nas últimas semanas. A decisão estabelece algumas condições, às quais devem ser seguidas pelo detento durante esse período.
O ministro, antes de julgar a medida essencial para o avanço no quadro de broncopneumonia, solicitou a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Paulo Gonet, procurador-geral, analisou os laudos médicos enviados pela defesa de Bolsonaro. De acordo com ele, "a evolução clínica do ex-presidente, nos termos como exposto pela equipe médica que o atendeu no último incidente, recomenda a flexibilização do regime, em linha com o que admite o Supremo Tribunal em circunstâncias análogas".
Após a observação feita pelo PGR, o ministro decretou que o ambiente domiciliar é o mais indicado para a preservação da saúde do paciente. O relatório emitido pelo STF cita que o prazo estabelecido foi de 90 dias, a contar da data de sua alta médica.
A decisão de Moraes será reavaliada após esse período, podendo ser alterada de acordo com o estado de saúde do ex-presidente e da presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar temporária.
Bolsonaro deverá seguir regras estabelecidas no julgamento do ministro. Dentre elas estão: a necessidade de utilizar tornozeleira eletrônica com envio de relatórios diários ao Supremo, monitoramento policial permanente na residência e o não recebimento de visitas, exceto de médicos da equipe de fisioterapia, sua equipe de defesa e de seus filhos - que poderão visitá-lo duas vezes por semana - como ocorre no estabelecimento prisional. A proibição de manifestações e acampamentos feitas por eleitores de Jair Bolsonaro também estão previstas na decisão judicial, em uma distância de pelo menos 1km.
Além disso, Moraes proibiu o uso de celulares ou qualquer meio de comunicação externa, incluindo o intermédio de terceiros. Qualquer tipo de medida que não for respeitada, o levará de volta ao hospital ou à Penitenciária da Papuda (DF), a depender das circunstâncias.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e permanece internado no hospital DF Star, em Brasília, desde 13 de março para tratar de uma pneumonia bacteriana bilateral.
O caso seguirá sob acompanhamento do STF, que poderá revisar as medidas a qualquer momento mediante novos relatórios médicos e o descumprimento das medidas determinadas pelo ministro.