A exposição
Em cartaz até 30 de julho, a exposição “Evandro Teixeira, Chile, 1973” no Instituto Moreira Salles (IMS) de São Paulo, reforça a relevância da prática do fotojornalismo como ferramenta de fiscalização do poder e preservação da memória.
A mostra reúne imagens impactantes do Palácio de La Moneda bombardeado pelos militares chilenos, dos prisioneiros políticos no Estádio Nacional do Chile e o enterro do poeta Pablo Neruda. Além de objetos como máquinas fotográficas e crachás de imprensa, os registros chilenos acompanham parte do material produzido por Evandro durante a ditadura civil-militar brasileira.
Em entrevista para o site do IMS, Sergio Burgi, coordenador de fotografia do centro cultural, pontua: “Passadas cinco décadas, suas imagens sobre as ditaduras militares no Chile e no Brasil reafirmam claramente a importância da democracia e do respeito absoluto ao Estado de direito e à cidadania. São imagens que claramente desnudam o autoritarismo e permanecem denunciando, ainda nos dias de hoje, de forma clara e cristalina, os riscos das aventuras golpistas.”
Para a francesa Muriel Azerath, 45, que recentemente visitou o Instituto, a exposição oferece uma interpretação além dos fatos, com o devido impacto nas histórias. “Eu conheço os fatos, mas nunca tinha visto os registros de uma pessoa que estava lá durante a ditadura. É tudo muito forte, chocante.”
Estádio Nacional do Chile
Nos primeiros dias após o golpe, os presos políticos já somavam mais de cinco mil, contando com uma intensa perseguição a estrangeiros, especialmente aqueles que estavam no país há mais tempo, incluindo exilados brasileiros que haviam deixado o Brasil fugindo da tortura e da repressão militar.
Em 12 de setembro de 1973, um dia após a morte do presidente eleito Salvador Allende no palácio presidencial de La Moneda, Evandro embarcava rumo ao Chile, como correspondente do Jornal do Brasil. Entretanto, ele e cerca de 50 outros jornalistas permaneceram retidos em Las Cuevas, aguardando autorização para entrar no país até 20 de setembro. Dois dias depois, o fotógrafo seria levado pelas forças armadas ao Estádio Nacional do Chile, para averiguar a aparente “normalidade e civilidade” dos atos de retenção e triagem dos cidadãos aprisionados, em uma tentativa de encobrir violações aos direitos humanos.
Para a surpresa dos militares, Evandro já conhecia as arquibancadas, a tribuna de honra, as rampas de acesso aos vestiários e o subsolo. O jornalista já teria visitado o mesmo estádio em 1962, fotografando a Copa do Mundo de Futebol, enquanto ainda trabalhava para o Diário de Notícias.
Dessa forma, ele e alguns colegas conseguiram penetrar no subsolo, que abrigava cárceres lotados e insalubres, capturando cenas além do cerco estrategicamente posicionado para a chegada da imprensa. Dentro desse núcleo da mostra, uma fotografia chama a atenção: Ao fundo e em foco, um dos encarcerados corta o cabelo de seu companheiro de cela, a fim de torná-lo mais apresentável, ao mesmo tempo, dois militares parecem conversar, enquanto no primeiro plano um oficial, segurando uma arma, divide a cena.
Pablo Neruda
Um dia após sua chegada em Santiago, Evandro soube que Pablo Neruda estaria hospitalizado em uma das clínicas da cidade, mas não conseguiu registrar o escritor, que faleceu naquela mesma noite, em 23 de setembro de 1973. Ciente da morte, o fotógrafo retornou à clínica na manhã seguinte e, por uma entrada lateral, conseguiu acesso ao interior do prédio.
Dentro do hospital, Evandro se depara com o corpo de Neruda na maca. Dona Matilde, sua mulher, e seu cunhado sentados ao seu lado. O fotógrafo faz a foto e em seguida pede permissão à viúva, relembrando que conheceu o poeta anteriormente, em um encontro no Brasil com Jorge Amado. Além de permitir o registro, Matilde pede para que a acompanhe até La Chascona, casa em que vivia o casal e onde o corpo seria velado.
Imagem: Isadora Taveira
Evandro foi o único que registrou Neruda ainda na clínica, horas após seu falecimento. Em uma entrevista ao site do IMS, o fotojornalista relembra: "Dentro da clínica fiz a maca, fiz várias fotos, apavorado. Eu olhava em volta, pensava naquele mundo de fotógrafos em Santiago e dizia pra mim mesmo: não, não é possível, só eu aqui, só eu?”.
A partir do pedido da viúva, Evandro inicia um plano sequência em torno de 36 horas, documentando minuciosamente todas as etapas do velório e enterro do poeta, que contou com grande participação popular, incluindo intelectuais, ativistas e companheiros do partido comunista, simbolizando o primeiro grande ato contra o regime militar de Pinochet.
A exposição, inaugurada em 21 de março, permanece em cartaz no Instituto até 30 de julho, localizada na Avenida Paulista 2424, próxima às estações Paulista e Consolação do metrô. O centro cultural tem entrada gratuita e é aberto a visitação de terça a domingo e feriados, das 10h às 20h.
Em Santana de Parnaíba, no seu centro histórico, a cultura brasileira está vivíssima, principalmente na gastronomia, neste mundo globalizado, o comum se tornou comer em restaurantes de culturas estrangeiras, deixando um pouco de lado aquela feijoada de quarta feira, o síndrome de vira-lata que se cresce cada vez mais.
No Dia 30 de abril, o centro recebeu um pequeno evento da secretaria de cultura e turismo, muitas pessoas compareceram, alguns dos incentivos era uma banda que estava tocando Rock Nacional, barraquinhas vendendo colares, roupas, arte e os restaurantes próximos.
Um dos restaurantes mais badalados da região, o Bartolomeu Chopp Bar estava lotado, restaurante rico culturalmente, sendo o que o brasileiro quer e gosta, uma cerveja e pratos típicos, como por exemplo a própria feijoada.
Mais adentro ao evento, onde tinha brinquedos infláveis para crianças e o show de rock, uma única barraca de pastel estava entre outras de fast-food norte-americano, porém era o menos procurado entre as crianças, o vira-latismo inconsciente.
Um pouco fora da movimentação, O restaurante São Paulo Antigo brilhava, sua placa chamava para entrar, , a arquitetura, as pinturas e a forma em que o restaurante se apresenta fazem parecer como uma viagem no tempo para o Brasil Império, Já na entrada uma cachaça da casa estava a venda, já a comida era servida em buffet, os clientes se serviam principalmente do leitão, do arroz e do feijão.
Nesta onda de globalização, a nossa cultura é mantida e preservada por estabelecimentos como estes, que não se submetem a tendências e abraçam a tradição.
São Paulo é conhecida por ser uma cidade multicultural, com ampla diversidade gastronômica, graças à sua imensa população de imigrantes, que trazem entre tantos costumes, a culinária de seus países. O Brasil é o segundo maior centro de japoneses do mundo depois do Japão e, a maior parte que aqui vive, está no Estado de São Paulo. Assim, sua gastronomia tem forte presença na capital paulista, tendo seu núcleo localizado na Liberdade, conhecido como o bairro oriental de São Paulo, devido à grande influência não só da cultura japonesa, mas também da chinesa e coreana.
Das prateleiras de seus inúmeros supermercados até as feiras de rua, passando por restaurantes tradicionais e padarias recém inauguradas que transbordam de clientes, a gastronomia do bairro se manifesta de diversas formas. Docinhos de feijão, nikuman (típico bolinho salgado japonês), sushi, sakê (bebida alcóolica tradicional japonesa) e chá verde, são algumas das comidas típicas encontradas na região. Outro elemento importante observado no bairro é a decoração dos restaurantes, supermercados e padarias, alguns mais tradicionais, outros mais modernos, mas todos contendo uma estética própria da cultura oriental: bem organizados, limpos e com objetos bastante simétricos.
Com mais de 12 milhões de habitantes, São Paulo é a cidade mais populosa da América Latina. Conhecida pelos seus arranhas-céus e pela diversidade gastronômica, São Paulo também é um lugar de muita arte, seja em lugares tradicionais, como museus, ou em lugares inusitados, como a rua. E é claro que com tantas pessoas e suas diferenças, a maneira como cada um se relaciona com a cultura é diversa.
Há quem prefira ir sozinho, para conseguir prestar mais atenção; há quem prefira ir acompanhado, para poder compartilhar percepções. Há quem prefira tirar fotos somente da arte e há aqueles que preferem tirar fotos de si com a arte.
No começo de 2023, o rapper Lil Yatchy lançou seu quarto álbum de estúdio, chamado Let’s Start Here, em que o americano se utiliza do rock psicodélico e dramático, visto logo na primeira música
Porém, ele é o primeiro a mudar bruscamente?
Para isso, deve-se conhecer o ritmo musical que mais cresce no mundo. O trap é um subgênero do hip-hop/rap, surgido e criado nos Estados Unidos por DJ’s em baladas. É caracterizado pelo destaque nas batidas e nos samples, utilizando-se de músicas de todos os gêneros e épocas para a batida, além de uma lírica forte e letras não tão significativas, como no caso do rap.
Os pioneiros no gênero são Chief Keef e Waka Flocka Flame, Gucci Mane, Rick Ross, Nicki Minaj, Future e Fetty Wap, além de Diplo, quem popularizou esse gênero na mescla com a música eletrônica. Atualmente, Future, Playboi Carti, Travis Scott, Young Thug ocupam ainda mais o topo dos charts e rankings de ouvintes nas plataformas digitais.
Ao voltar para Lil Yatchy, mais conhecido também como Lil Boat, o americano veio de uma leva de artistas que eram denominados "SoundCloud rappers". Soundcloud é um aplicativo de streaming mais independente, onde qualquer pessoa pode lançar suas obras para nichos específicos poderem ouvir. Yatchy se utilizou do trap padrão por um bom tempo, sendo criticado pela mesmice de suas obras anteriores. Para seu novo álbum, o rapper disse em uma audição coletiva: “Este álbum é tão especial e querido para mim... acho que criei só porque queria muito ser levado a sério como artista, sabe?".
Então, em janeiro deste ano, “Let’s Start Here” foi lançado, com a crítica destacando a reviravolta de um trapper que se prendia a letras sobre o “rockstar lifestyle” com mulheres, drogas e muito dinheiro. A renomada revista Rolling Stone avalia como: “Uma ambiciosa volta do rapper e músico incorporando rock experimental e jazz com execução quase perfeita, chegando a algo que parece genuinamente novo.” Lil Yatchy contou com a participação de gigantes da indústria musical, principalmente das áreas do blues, jazz, psicodélico, rock; como Tame Impala, Daniel Ceasar, MGMT, Teezo Touchdown, Diana Gordon etc.
Outra obra em que é possível observar uma mudança é “Whole Lotta Red”, lançado em dezembro de 2020 pelo rapper Playboi Carti, onde faz o uso da estética punk e do rage, como desabafos de sua vida e pensamentos, perceptível logo em sua capa, onde faz referência à capa da revista punk dos anos 70/80 Slash.
A crítica qualifica “Whole Lotta Red” como diferente de tudo que viu no trap, como diz a Pitchfork, portal especializado em avaliações e textos sobre música: “O terceiro disco do rapper de Atlanta é extremamente inovador e surpreendentemente consistente. É difícil, melódico, experimental e diferente de tudo que acontece no rap mainstream”.
Carti, no entanto, também tinha sua sonoridade voltada ao trap “padrão”, como visto em seus outros trabalhos: "playboicarti" e "Die Lit". Porém, a partir dali, não só musicalmente, mas toda sua estética moldou-se ao redor do rock e punk, como em seus shows e até mesmo na maneira de se vestir.
Para o influenciador “A Clave do Fá”, que traz conteúdos e reviews sobre todos os tipos de música em seu TikTok, o trap vem mudando, pois “há um esgotamento no gênero, que desde os meados da década passada, quando o Future, Migos e Travis Scott definiram a sonoridade trap ao mainstream, com algo que agrada às massas, principalmente à juventude.” O crítico ainda cita que podem ser um sucesso comercial, mas ficam aquém no quesito qualidade e inovação.
E continua: “Mas esses (Let’s Start Here e Whole Lotta Red), em persona e atitude, variam do padrão. O gênero e os artistas no movimento do trap tentam e vão além para inovar, como os lançamentos de artistas mais novos como Denzel Curry e JID, ou até os mais velhos com Black Thought e Danger Mouse, que lançaram os três melhores álbuns de rap/trap do ano passado".
O trap, como foi popularizado, ainda é o produto mais consumido – afinal, os maiores ainda se utilizam da fórmula que os fez crescer. Contudo, novos trabalhos abrem uma margem extremamente interessante para que novos ou velhos artistas possam se reinventar e sair fora da caixa. O gênero permite. É assim que surgiu.