Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Como é a missa de uma das datas mais importantes para os católicos da cidade de São Paulo
por
Marina Gonçalez de Figueiredo
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04/05/2023 - 12h

Na quinta-feira, dia 6 de abril, véspera da Sexta-Feira Santa, diversas igrejas em São Paulo realizaram a Missa de Lava-Pés, uma recriação dos últimos momentos de Cristo na Santa Ceia. Na Paróquia Santa Isabel, que tem uma das maiores torres da cidade, não foi diferente: com os santos cobertos e uma atmosfera triste, os fiéis rezaram pelo seu salvador, tomando sua dor para si. A missa foi acompanhada de músicas e rituais que marcaram essa data tão importante para Igreja Católica, na maior cidade de um país majoritariamente católico.

Santos cobertos com um manto roxo em luto à morte de Cristo
Santos cobertos com um manto roxo: símbolo de luto pela morte de Cristo (Crédito: Marina Gonçalez)
A visão dos fiéis
A missa pelo ponto de vista dos fiéis (Crédito: Marina Gonçalez)
Padre acompanha os fiéis no ritual de defumação
Padre acompanha os fiéis no ritual de defumação (Crédito: Marina Gonçalez)
A adorada Virgem Maria, a mãe que perdeu o filho
A adorada Virgem Maria, a mãe que perdeu o filho (Crédito: Marina Gonçalez)
O assassinado, o único sem o véu
Cristo, o crucificado: o único sem o véu (Crédito: Marina Gonçalez)
O coral e os músicos se preparando para os louvores
O coral e os músicos se preparando para os louvores (Crédito: Marina Gonçalez)
Uma fiel rezando na capela
Uma fiel rezando na capela da igreja (Crédito: Marina Gonçalez)
Paróquia Santa Isabel Rainha: uma das maiores torres da cidade
Paróquia Santa Isabel Rainha: uma das maiores torres da cidade (Crédito: Marina Gonçalez)
"Michelangelo: O Mestre da Capela Sistina" explora imersão ao artista italiano e estará aberta ao público até dia 31 de maio
por
Sophia Pietá Milhorim Botta
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04/05/2023 - 12h

 O museu MIS Experience, localizado no bairro Água Branca da cidade de São Paulo, apresenta a maior exposição imersiva já realizada no país sobre a história de Michelangelo e a Capela Sistina. Aberta ao público desde 25 de janeiro e indo até 31 de maio, "Michelangelo: O Mestre da Capela Sistina" conta com alta tecnologia e uma experiência de imersão na reprodução das obras e afrescos do artista, com animações e sonorizações que fazem os visitantes se sentirem na Itália. A exposição é uma forma de apresentar a vida e o trabalho do artista como uma forma de aprendizado e de experiência cultural.

Entrada da exposição "Michelangelo: O Mestre da Capela Sistina"
Entrada da exposição "Michelangelo: O Mestre da Capela Sistina"
Michelangelo possui três biografias feitos por pessoas de seu convívio
Michelangelo possui três biografias feitos por pessoas de seu convívio
Exposição de representações de rascunhos do artista italiano
Exposição de representações de rascunhos do artista italiano
Parte da representação da obra da Capela Sistina
Parte da pintura "A Criação de Adão"
Parte da pintura "A Criação de Adão"
Parte da pintura "A Criação de Adão"
Imagem de "Pietá", uma das obras mais famosas de Michelangelo. Escultura encontra-se exposta na Basílica de São Pedro, no Vaticano
Imagem de "Pietá", uma das obras mais famosas de Michelangelo. Escultura encontra-se exposta na Basílica de São Pedro, no Vaticano

 

 

Principal cidade do país, São Paulo apresenta aspectos dualísticos entre o progresso e falta de expressão
por
Renan Barcellos
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05/05/2023 - 12h

Marcada por inúmeras contradições, a cidade de São Paulo é a principal potência econômica do país, fazendo com que constantes investimentos sejam realizados anualmente não só para a manutenção do seu caráter desenvolvimentista, bem como para a sua expansão. Todavia, parte da população observa essa conjuntura como fator responsável pela perda de identidade e falta de expressão, causando o sentimento de invisibilidade perante a sua vida em São Paulo. A construção de obras colossais, focadas em tonalidades cinzas, que não reflete a realidade da maioria da população, faz com que diversas intervenções anônimas ocorram nessas obras, buscando existir em meio a uma cidade dominada pelo cinza.

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Construção de um mural realizado através de materiais recicláveis, no Minhocão, centro de São Paulo 
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Bar localizado no centro de São Paulo, mostrando uma perspectiva artística mais ligado a uma tentativa comercial de diferenciação do resto da estrutura arquitetônica Paulista 
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Complemento entre a falta de expressão com outros questões sociais frequentes de São Paulo, como a falta de saneamento e meios de proteção contra o frio 
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Presença de Tags e Stickers realizados em espaços públicos são corriqueiros como forma de sentir presente na cidade
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Prédio comercial abandonado apropriado pelo grupo de pichadores OS MAIS IMUNDOS

 

Especialista assimila sucesso da Bachir ao histórico da imigração em São Paulo
por
Annanda Deusdará dos Santos
João Curi
Nanda Querne
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03/05/2023 - 12h

 

Fachada da sorveteria Bachir, com clientes ocupando o interior da loja e quatro bancos de madeira vazios na entrada.
Fachada da sorveteria Bachir, em Moema, zona sul de São Paulo. (Foto: Nazaré Silva)

Chegaram ao país em 1871. Aos montes. Nove anos depois, já estavam em São Paulo. Bem no Centro, nos arredores da rua 25 de Março. Levantaram casas, comércios, como se fossem bandeiras. Somaram as suas às demais árabes que já estavam hasteadas quando vieram.

Enxergaram na demanda comercial a oportunidade que o trabalho nas terras não oferecia. Vieram por conta própria e trabalhavam da mesma forma. Suas veias culturais pulsaram as heranças até a zona sul. Não é difícil encontrá-los. Estão em toda parte, do Brás ao Paraíso. E não fecharam as portas.

Principalmente no século XX, a comunidade árabe encontrou na capital paulista os tecidos que remendariam suas vidas. Costuraram-se oficialmente na 25 de Março: nas placas das ruas ao seu redor, na data. Conforme avançavam as décadas, a presença sírio-libanesa contribuiu para além do comércio, com influências culturais sobre a indústria, a política, as artes, o Direito, a educação, a gastronomia, dentre outras vertentes da identidade brasileira.

A Bachir é uma sorveteria que te transporta ao Líbano. Com filas quilométricas, seus sabores típicos e tradicionais são um grande atrativo à comunidade sírio-libanesa no bairro de Moema, na zona sul de São Paulo. A aveludez do creme Ashta com a textura do pistache iraniano reforça a lembrança dos imigrantes e fortalece o vínculo com as raízes árabes através do paladar.

Fachada da Igreja Nossa Senhora do Líbano, com abrangência das escadas da entrada e de parte da rua em que está situada (como prédios vizinhos e sinalizações de trânsito).
Fachada da Igreja Nossa Senhora do Líbano, na Zona Central de São Paulo. (Foto: Dornicke)

 

Segundo a mestre em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo (USP), Juliana Mouawad Khouri, a Bachir é um lugar de memória. "É um local que, para aqueles distantes das suas raízes, lembram dos seus avós”, explica. “As pessoas gostam de manter esses espaços como contato das suas origens".  

A localização da sorveteria em Moema é estratégica. É um dos bairros de maior concentração da comunidade sírio-libanesa. Após adquirirem maior poder aquisitivo por meio do comércio, alguns descendentes se estabeleceram em bairros mais elitizados, como Paraíso, Vila Mariana e Planalto Paulista. “Temos a Igreja Maronita, tem também a Catedral Melquita no Paraíso”, aponta Khouri. “Além de restaurantes, clubes como o Club Homs, no Jardins". 

A comunidade árabe foi fundamental no primeiro contato que os imigrantes tiveram com o país. O fato de falarem a mesma língua e de terem jornais escritos nela fizeram com que se sentissem acolhidos. As decisões políticas também eram discutidas nesse âmbito, o que motivou o ingresso, principalmente de libaneses, no setor e sucedeu ao êxito de ocupar cargos de alto escalão no governo brasileiro, como é o caso das famílias Temer, Haddad, Maluf, dentre outras com destaque no cenário nacional.

A concepção que os comerciantes tinham era que seus filhos precisavam seguir no comércio, no Direito ou na Medicina, um fator que explica a expressividade de libaneses e seus descendentes nessas áreas. 

O diretor-geral do Centro de Oncologia do Hospital Oswaldo Cruz, Dr. Riad Naim Younes, imigrou para o Brasil quando tinha dezesseis anos, por efeito da guerra civil no Líbano (1975-1990). Apesar das dificuldades com o idioma e a preocupação com as notícias de seu país-natal, o apoio da comunidade foi decisivo para que se sentisse acolhido. “Como qualquer árabe que acaba de chegar [ao Brasil], todos falavam bem o árabe e mal o português, então você consegue conversar e entende o que está acontecendo no Líbano”, compartilha. “Foi onde a parte social da minha vida ficou mais intensa”.

Nesse âmbito, nota-se que os centros culturais foram de extrema importância para a inserção dos imigrantes árabes. Ao sediar e promover atividades religiosas, como a celebração do fim do Ramadã e o “Dia do Sacrifício”, há maior integração entre os membros da comunidade e reforça-se o sentimento de familiaridade com suas raízes. “Essa parte cultural não é confinada à comunidade muçulmana”, destaca Younes. “A gente vai lá [nos centros culturais] assistir a palestras, cursos sobre a literatura, ciência e história dos países árabes e do Brasil”.

Diante disso, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira está envolvida em projetos para manter viva a cultura e a história dos imigrantes libaneses. Younes, que também é vice-presidente da instituição, relata que existe uma parceria com universidades libanesas para documentar esse processo migratório. Até o momento, a iniciativa já catalogou 150 mil documentações entre os dois países.

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Arte urbana invade grandes prédios, desconstruindo a seriedade da cidade paulistana
por
Yasmin Solon
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05/05/2023 - 12h

São Paulo é caracterizada principalmente pelos arranha-céus que servem de telas para a arte, resultando uma arte urbana. Representada de várias formas, o grafite é comum nas grandes avenidas da cidade. Esses estão localizados no Minhocão, Zona Oeste de São Paulo, local de lazer aos finais de semana e trânsito intenso nos dias úteis. 

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Prédio Banespa visto do Minhocão

 

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Grafite de Leão e Hanna
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Grafite de @Pardalone
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Grafite na calçada da Avenida Amaral Gurgel
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Fim de tarde de um domingo no Minhocão fechado para lazer
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Grafite de André Hullk
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Grafite Minhocão
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Grafite Minhocão