Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
|
29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
|
26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

Tags:
A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
|
26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

Tags:
Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
por
KHADIJAH CALIL
|
25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

z
       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

z
                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
z
                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
z
                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
z
                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
z
                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
z
                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

Tags:
Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
|
25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

Tags:
O novo disco estreou nas plataformas digitais na madrugada de sexta-feira (21); confira abaixo
por
Isabel Bartolomeu
|
22/10/2022 - 12h

A era 'Midnights' está entre nós. Com uma programação recheada de surpresas, a cantora animou a sexta-feira dos chamados swifties. O novo disco de Taylor Swift possui 13 faixas oficiais e mais 7 bônus, além de um feat especial com Lana Del Rey.

Em seu retorno ao pop, a cantora constrói um álbum visual, conceitual e maduro. Exemplo disso, o clipe da música Anti-Hero, também lançado na sexta, trata sobre inseguranças pessoais e problemas de autossabotagem presentes na vida da cantora. Em um dos trechos do single, ela diz: "It's me, hi, I'm the problem, it's me" (Sou eu, oi, eu sou o problema, sou eu).

O novo disco já está rendendo conquistas para Taylor, que começou com a quebra de recorde no Spotify. 'Midnights'  tornou-se o álbum mais transmitido em um único dia na história da plataforma. Nas redes sociais, a cantora fez um tweet sobre a conquista:

 

Imagem 1/Taylor Swift - Legenda/Tradução: "Como eu tive essa sorte, tendo vocês aqui fazendo algo tão alucinante?! Tipo, o que acabou de acontecer??!?!".

'Midnights' ganha espaço interativo em São Paulo

Anteriormente, em parceria com o Spotify, a cantora já havia promovido uma ação para o lançamento do álbum na estação Sé, localizada no centro de São Paulo. 

Desde ontem, sexta-feira, (21), o Shopping Pátio Paulista, localizado no bairro Bela Vista, região central da cidade, conta com um cenário especial e cheio de referências à nova era 'Midnights'. Na sexta, às 20h, os fãs puderam participar de quizzes e concorrerem a brindes numa ação organizada pela Universal Music Brasil.

 

​Imagem 2/Taylor Swift Brasil  - Legenda: Fãs visitam espaço interativo do álbum 'Midnights' em São Paulo.

 

Os fãs lotaram o espaço, que tornou-se pequeno para tanto prestígio. Nas redes sociais, fãs compartilharam suas experiências e relataram uma espera de até duas horas na fila para visitar o cenário. Mas o público que deseja conhecer o local pode se tranquilizar, ainda dá tempo de ir com calma ao espaço interativo, que ficará no shopping até este domingo (23).

 

Imagem 3/Universal Music Brasil - Informações sobre o espaço interativo de 'Midnights'.

 

Ouça e assista abaixo o álbum ‘Midnights’ e o Clipe Anti-Hero de Taylor Swift’:

 

 

 

Tags:
A apresentadora, considerada a Rainha da Televisão Brasileira, ainda hoje é referência no segmento
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
|
29/09/2022 - 12h

Nesta quinta-feira (29), completam-se 10 anos da morte da ilustre Hebe Camargo. A apresentadora  faleceu, aos 83 anos, vítima de uma parada cardíaca. Ela tratava um câncer no peritônio, contra o qual lutou por dois anos.

A artista iniciou sua carreira como cantora, aos 15 anos de idade, na extinta Rádio Tupi de São Paulo.

Seu programa de TV, intitulado como Hebe, foi exibido entre 1966 e 2012. Semanalmente, ela entrevistava personalidades, um bate-papo descontraído, em seu famoso sofá. Os temas eram diversos - inclusive considerados impróprios e polêmicos para a época - como política, relacionamentos amorosos etc. 

Hebe apresentando seu programa no SBT
Hebe apresentando seu programa no SBT
Foto: Acervo/SBT

Hebe era uma mulher à frente de seu tempo. Por trás dos holofotes, envolveu-se fortemente com a política e as causas sociais. Em 1987, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, a apresentadora apoiou a comunidade LGBTQIA+ em uma época em que, além de ser um tabu, a epidemia da AIDS estava em alta.

Com passagens por diversas emissoras, entre elas Record, TV Tupi, Band, SBT e RedeTV!, respectivamente, Hebe é lembrada como a Rainha da Televisão Brasileira, marcante, presente e respeitada. Ao longo de sua extensa carreira, a apresentadora criou bordões, teve momentos marcantes e distribuiu os famosos "selinhos".

Chamava a todos de "gracinha", famosos como Neymar, Silvio Santos, Susana Vieira, Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, entre outros, tiveram o privilégio de receber um beijo da loira. Durante sua trajetória, ela tornou os "selinhos" sua marca registrada.

Se estivesse viva, a apresentadora teria 93 anos. O programa Encontro, da Rede Globo, homenageou a artista levando alguns de seus figurinos marcantes ao palco.

Tags:
Saci, bumba meu boi e outras entidades configuram um imaginário rico e dinâmico que revelam a alma mais profunda de um país complexo
por
Anna Cecília Nunes
Ricardo Dias de Oliveira Filho
|
27/09/2022 - 12h

O folclore brasileiro é conhecido por sua riqueza e variedade, com maior destaque às lendas. Um dos personagens mais famosos da cultura brasileira é o Saci-Pererê, uma pequena criatura de uma perna só, que vive na floresta, e é conhecida por suas travessuras. A lenda do Saci teve origem no sul do Brasil e é diretamente influenciada por elementos culturais africanos e indígenas. 

Celebrado no dia 22 de agosto, o Dia Nacional do Folclore foi oficializado no Brasil através do decreto nº 56.747, assinado no dia 17 de agosto de 1965. Com o objetivo de garantir a identidade cultural e preservação do patrimônio folclórico brasileiro, sua perpetuação histórica é rica e importante, pois através dele o saber popular e identidade nacional são mantidos. 

Rodas de contação de história, festas tradicionais como Festas Juninas e Reisados, brincadeiras como pique-pega ou adedonha/stop, expressam a cultura e promovem esses elos entre os membros da comunidade.

“Em nosso Brasil de dimensão continental, teremos uma infinidade de cenários e enredos constituintes da Cultura Brasileira (Folclore Brasileiro) que não se comunicam entre si, contudo vale ressaltar que não existe hierarquia, nem tipologia de maior valor relacionado aos aspectos culturais de um povo”, contou o antropólogo Diogo Moreno.

O aspecto que destaca o Brasil é a riqueza cultural que influencia outros países, mas também desfruta de culturas de outras regiões. Um dos exemplos são os costumes da população de Foz do Iguaçu, que consomem, principalmente, da culinária e da música do Paraguai e Argentina. “É muito comum que cidades de países diferentes em zonas de fronteira compartilhem tantos aspectos culturais que façam com que um brasileiro que more em um desses lugares possa acabar se identificando mais com seus colegas do país vizinho do que com a identidade “nacional” em pessoas do mesmo país mas de outra região”, explica Lorena Herrero, folclorista há mais de 5 anos. 

Bumba meu boi, umas das festas popular no Norte e Nordeste do Brasil
Bumba meu boi, umas das festas popular no Norte e Nordeste do Brasil
Divulgação: Leiturinha

Apesar de aspectos de outros países, existe também uma ‘independência cultural’ entre os estados brasileiros. No folclore goiano, uma história, que foi contada no passado pelos pais para assustar as crianças e fazê-las obedecer às suas ordens em casa, é contada até os dias de hoje. “Em nosso país de dimensão continental podemos afirmar que existem diversos “folclores”, ou seja, a forma como se apresenta na região nordeste não necessariamente é a mesma das outras regiões do país”, confirma Diego Moreno. 

O conto do Velho do Saco fala de um idoso, de aparência simples, que afasta crianças desobedientes de lares e reuniões de adultos, deixando-lhes misteriosas mensagens de sabedoria. Não curiosamente, a história influenciou a formulação do personagem “Velho do Rio” da novela “Pantanal”, da Rede Globo.

“O relevo de uma região, suas estações, vegetação, fauna… todos interferem nos modos de vida de uma comunidade e nós nos moldamos a partir da nossa relação com esses fatores. Se vivemos em uma vila no interior, por exemplo, é muito comum que os seres míticos e as lendas da região se relacionem com animais, que os perigos se relacionem com a floresta ou com os rios. Já em grandes metrópoles, os ambientes que se relacionam com o medo passam a ser construções abandonadas, e os “monstros” se tornam mais humanos, como fantasmas, o Homem-do-saco ou a Loira do Banheiro”, explica Lorena Herrero. 

Outro exemplo de como o folclore é retratado no mundo do entretenimento é a minissérie brasileira “Cidade Invisível”. Na série original da Netflix, pessoas do convívio urbano da sociedade encontram personagens como Boto-cor-de-rosa, Iara, Saci-Pererê, Cuca e Curupira. A série tem um tom de suspense policial, mas não deixa de tirar a visão infantil que costumamos ter do Folclore, já que esses personagens nos são apresentados na infância. 

Uma das manifestações artísticas e populares do folclore brasileiro é o  Bumba meu boi, que surgiu no século XVIII, na região do Nordeste. A história envolvendo a dança está relacionada à lenda de uma dupla de escravos conhecidos como Pai Francisco e Mãe Catarina. A atração é um símbolo na cultura brasileira, principalmente no Estado do Maranhão, pois está ligada diretamente à identidade de seu povo. Além disso, a dança possui uma variedade de nomes em várias regiões do país, como: boi-bumbá, boi de reis, boi-surubi, boi-calema ou calumba, rancho de boi, boizinho etc.

É muito comum que tenhamos a ideia de que o Folclore se refere à manifestações culturais especificamente rurais e/ou antigas, elementos que não se relacionam com a maioria da população hoje, que é urbana e vive uma “era da tecnologia” e de avanços científicos. Por conta disso, muita gente entende que o Folclore é algo a ser superado, mas a cultura popular se adapta e está presente no contexto urbano e tecnológico de outras maneiras, ou em aspectos da vida que não entram tanto em conflito com a tecnologia ou a “ciência”.

Apesar de todos os cultos ao folclore nacional, as grandes metrópoles não se conectam da mesma maneira que as regiões interioranas e florestais. “Esse é um embate desigual, pois cada vez mais temos um culto ao que é estrangeiro em detrimento da valorização de uma cultura local, para corroborar como nosso pensamento basta lembrar toda veneração e espaço mercadológico dedicado ao “Halloween”, comenta o antropólogo.

A população tem uma relação dual com o folclore, hora menosprezado hora exaltado. Isso acontece pela diferença da “ideia” que temos de Folclore e como ela se diferencia de como vivemos a cultura popular de fato.

Tags:
Racionais MC, Marcelo D2, Planet Hemp, Criolo, Emicida, esses artistas têm algo em comum, eles usam sua arte como forma de denúncia de injustiças sociais
por
Maria Clara Alcântara
|
26/09/2022 - 12h

    O rap, gênero musical criado na Jamaica e difundido nas periferias norte-americanas, chegou ao Brasil no século passado e hoje é encontrado em todos centros urbanos. De acordo com o rapper Alexandre Bane, músico e estudante de ciências sociais da PUC-SP, ele cumpre o papel de resgatar a autoestima do povo periférico, um povo que por excelência já é sofrido por si só. 

    Como o rap fala sobre injustiças sociais, não é loucura remeter a sua ascensão a momento de crises econômicas e sociais, por isso, surgiu no brasil na cidade de São Paulo, em 1986, um ano após o fim da ditadura militar e quando o país sofria com as consequências da péssima gestão dos militares. 

   Porém, pode se relacionar o surgimento do rap com o final da época de repressão dos militares, pois para o rap ser feito é necessário liberdade para os artistas, principalmente periféricos, que são maioria nesse gênero. 

  Mesmo chegando na década de 80, foi só em meados dos anos 90 que esse estilo começou a se popularizar, com a popularização do grupo Racionais MC, originário  da capital paulista e persistente no cenário até os dias atuais, que abordam temas corriqueiros da cidade, como a violência, o preconceito e as dificuldades do povo periférico.  

   O grupo também abordava a cultura periférica e sua realidade e momentos históricos que impactaram a vida dos paulistas, como o massacre do Carandiru.  

      Na década de 80, São Paulo estava abandonada, o crime era cada vez mais frequente e a desigualdade social era gigante, o rap surgiu nesse meio, era imprescindível o surgimento desses assuntos na música deles, era essa a realidade dos músicos.  

    Com isso, o rap brasileiro se tornou politizado e fala sobre suas dificuldades, fazendo com que em crises sociais e econômicas ele se sobressaia, pois nessa épocas os temas das músicas são mais reais e fácil de se identificar  

     Mesmo falando de temas importantes, o gênero ainda sofria muito preconceito por ser uma arte vinda da favela, era considerado coisa de bandido e não era visto como arte para a maioria da sociedade. 

 Essa realidade foi mudando ao longo dos anos 90, foi nessa época que o rap começou a superar barreiras e sair de um ciclo pequeno para começar a ir para a mídia, e tocar em clubes das cidades.  

    Porém esse movimento não foi visto positivamente pelos rappers, pois os rappers que iam para esses canais tinham uma postura mais polida e menos radical e politizada. "Eu vejo que a gente tem que ir pra mídia sim, entendeu mas com a nossa cara , eu não vou pra mídia pq eu to cantando mais um hino que denigre a imagem de uma mulher, que anda sendo muito banalizado agora. Acho que nossa obrigação como mensageiros é tá em todos os lugares, mas chegar de cabeça erguida”. 

    No governo Bolsonaro e na pandemia do covid19, o rap também se beneficiou de uma onda de criatividade, dada aos fatos do cotidiano difícil do país, assuntos como o isolamento, as mortes e a crise que aumentou a fome serviram de ferramenta para a criação de músicas. 

Vários artistas do gênero vieram a público mostrar a realidade da pandemia de dentro das favelas, um exemplo foi o rapper Emicida que em entrevista ao Domingão do Faustão disse: 

“Eu acho que a gente tem uma situação muito emblemática na realidade do Brasil que é: a primeira vítima do coronavírus foi uma empregada doméstica, que pegou coronavírus da sua patroa, aparentemente. Isso é muito simbólico, muito forte. As pessoas pobres se contaminam mais, elas têm menos condições de se cuidar” 

Mas não foi só através da música que os rappers ajudaram sua comunidade, artistas mais reconhecidos como  Djonga, Emicida e GOG conseguiram juntar aproximadamente um milhão de reais para ajudar as comunidades a enfrentarem o problema. 

Ao lembrar do lado profissional da pandemia, o estudante Alexandre declarou: "A pandemia foi aquele tombo do último andar que ninguém imaginava, parou shows, vendas, o mundo. E a arte e a música no brasil já não é valorizada, aí vem uma pandemia e acaba com tudo de uma vez. Eu tive que me virar, a pandemia acabou sendo um aprendizado” 

Mesmo com as mudanças desde a década de 80 até os dias atuais, o foco do rap é o mesmo, denunciar injustiças e aclamar por igualdade e respeito. 

 “Continua o mesmo sofrimento as mesmas mazelas e o rap surgiu nessa caminhada pra ser aquele contraponto de resistência certo, aquele lance que consegue olhar pra um cara totalmente desesperançado e falar acorda vc tem muito o que lutar ainda, acorda vc é descendente de reis e rainhas, vc tem força pra lutar sim. Essa é a função do rap” Finaliza Alexandre. 

 

Tags:
A inclusão de 10 milhões de brasileiros ocorrem nas batalhas, com mistura da língua brasileira de sinais e portuguesa.
por
Laís Bonfim
|
26/09/2022 - 12h

 


                                                                      

                   https://d1fdloi71mui9q.cloudfront.net/vhYUWB23SPiVqkL0PxVC_CONJUNTO%20DE%20PROJETOS-LINKTREE.pdf Créditos:Malu Dini 

Operando desde 2008 em São Paulo, o Slam do Corpo se define, em seu documento oficial, como: “ um grupo que pesquisa e produz arte, aberto a surdos e ouvintes que se interessam pela Língua Brasileira de Sinais” (Libras). Sendo o primeiro grupo brasileiro a fazer esse movimento, ele apresenta uma ponte entre a poesia, a palavra falada, os sinais e a performance, a qual valoriza  o que o corpo tem a dizer. 

 As apresentações são abertas para o público e têm 2h30 de duração. Elas iniciam com o “corpo aberto”, momento no qual ocorrem apresentações livres de autoria e tempo de duração; e finalizam com a batalha, a qual possui regras: 

  • Os poemas devem ter até 3 minutos de duração e ser autoral, não é permitido o uso de figurinos ou objetos de cena; 

  •  O evento é apresentado por uma dupla composta por um surdo e um ouvinte, e conta com dois tradutores intérpretes de Libras;  

  •  Para a dupla vencedora, o prêmio é um conjunto de livros de arte e poesia. 

 O Slam do Corpo é um espaço de protesto, que a poesia mostra a realidade dos surdos, como revela a apresentação de Catharine Moreira e Amanda de Lima no Programa Manos e Minas na TV Cultura. "Eu sou surda e tenho a minha voz, não preciso falar sua língua pra ter voz.", diz a poesia das artistas, a qual revela como o preconceito com a Língua Brasileira de Sinais causa sofrimento.  

 “

Separar o surdo da Libras é como separar a alma do corpo", diz David Farias, professor de Libras e intérprete. Ele coloca a importância da língua para a cultura surda, e reforça a importância da  execução da LEI Nº 10.436, que exige intérpretes em estabelecimentos e instituições. 

A inclusão é uma pauta importante no país. No Brasil, segundo o IBGE, cerca de 5% da população é surda. Esse número representa 10 milhões de pessoas, sendo que 2,7 milhões têm perda auditiva profunda.  

 Dessa parcela popular, como resultado da exclusão desse grupo,  7% têm ensino superior completo, 15% frequentaram a escola até o ensino médio, 46% até o fundamental e 32% não têm um grau de instrução. Esses dados foram apresentados pela pesquisa do Instituto Locomotiva e a Semana da Acessibilidade Surda em 2019. 

 Farias, como educador nas escolas estaduais e municipais no estado de Alagoas e Sergipe, diz que um dos caminhos para mudar esse quadro na educação “é oferecer acessibilidade e incluir o ensino da Libras do ensino básico até o médio, como tem as disciplinas de espanhol e inglês”.  

 Além disso, expõe a importância da adaptação das atividades escolares para os surdos. Visto que, há um cenário de vitimização deles por parte dos educadores, que reflete no aprendizado. 

 Como visto que a acessibilidade é um dos pontos na defasagem educacional, o intérprete disserta sobre a importância do Slam do Corpo, principalmente pela participação das crianças. “Existem crianças surdas que fazem a leitura de poemas e é muito enriquecedor para a Libras. No meu olhar, o Slam do Corpo deveria ter em todos os lugares do Brasil para fortalecer a cultura surda.” 

 O grupo tem um espaço destinado para as crianças. “O Slam do Corpinho é o primeiro no país que aproxima crianças-poetas surdas e ouvintes, poemas em língua de sinais e em língua portuguesa", apresenta a equipe em seu documento oficial.  

Tags: