Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

nyt taylor swift
Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Museu de arte de São Paulo: a arquitetura e o respiro na Avenida Paulista
por
Isadora Verardo Taveira
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11/05/2023 - 12h

Cercado de uma vida agitada e caótica, o Museu de Arte de São Paulo é um espaço singular em meio às construções impressionantes da Avenida Paulista. Desde a fachada, aos arredores e por fim o seu interior: O MASP é preenchido por vida e cultura.

Fachada MASP
Fachada MASP
Placas informativas MASP
Placa sala de vídeo coletivo Bepunu Mebengokrē
Turista escadaria MASP
Turista escadaria MASP
Placa exposição MASP
Placa exposição Mahku Migrações
Turistas fotografando obra
Turistas analisando obra
Obra "Amnésia"
Obra "Amnésia, 2015" - Autor Flávio Cerqueira 
Turistas fotografando obras
Turistas fotografando "O herói"
Avenida paulista
Movimento Avenida Paulista sob a perspectiva do MASP

 

Uma série de retratos de como as pessoas de São Paulo se comportam quando rodeadas de arte
por
Laura Melo de Carvalho
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11/05/2023 - 12h
mulher sentada ouvindo a descrição da arte enquanto a observa no MIS
A arte que tem som- exposição "Xingu: Terra Marcada", IMS.
exposição de arte Leonora de Barros
Silêncio. Exposição da Leonora de Barros, Pinacoteca.
pessoas admirando acervo da pinacoteca
Retratos atuais de retratos antigos. Acervo fixo, Pinacoteca de São Paulo
pessoas em volta de quadro, pinacoteca
O amor e outras drogas. Pinacoteca de São Paulo
pessoas tirando foto de obra de arte- masp
masp instagramável. São Paulo, 2023
crianças abraçadas em frente a exposição de Leonora de Barros
A arte que une. Pinacoteca de São Paulo, 2023

 

“Nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa", como ela mesma se definiu. A rainha do rock brasileira morreu na madrugada de terça-feira (09).
por
Beatriz Brascioli
Laura Teixeira
Victoria Rodrigues
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09/05/2023 - 12h

Morreu nesta terça-feira (09) a cantora Rita Lee, Rainha, ícone e referência de uma geração. A informação foi divulgada por Roberto Carvalho, parceiro de vida e arte da cantora, através de um comunicado em uma rede social. O velório da artista será no planetário do Parque Ibirapuera, na cidade de São Paulo, na quarta-feira (10), das 10h às 17h, e será aberto ao público. No comunicado divulgado, a família informou que a cerimônia de cremação, cumprindo um desejo de Rita Lee, será particular para família e amigos próximos.

Rita Lee em sua casa/ Reprodução instagram @ritalee_oficial

Uma jovem revolucionária 

Conhecida pelos seus cabelos pintados de vermelho e franjinha, a “ovelha negra da família" nasceu em São Paulo, em 1947, e desde a infância se interessou  pela música. Em 1963, formou um grupo musical com duas colegas, as “Teenage Singers”, inspirada na banda britânica The Beatles. Como seus pais eram rígidos e contra a carreira artística da filha, Rita cantava e tocava escondida da família

Em 1966, houve uma junção entre a Teenage Singers com a banda Wooden Faces e em pouco tempo surgiu uma nova formação da banda, restando apenas três integrantes: Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias. A estreia do programa “O Pequeno Mundo de Ronnie Von” marcou o novo nome da banda como “Os Mutantes", inspirado pela obra de ficção científica “O Império dos Mutantes”. A revista Rolling Stone afirma que a apresentação do dia 15 de outubro de 1966 deu início ao rock psicodélico brasileiro.

Rita foi casada com Arnaldo Baptista, seu primeiro marido e parceiro musical até 1976. No mesmo ano do divórcio, conheceu o guitarrista Roberto de Carvalho, seu parceiro amoroso até o final da vida, se casando pela segunda vez em 1996. Com ele teve seus três filhos, João, Antônio e Beto Lee.

A criação do Tropicália

 Em 1967, o cantor de MPB Gilberto Gil convidou os Mutantes para cantar  a música “Domingo no Parque", no Festival de Música Brasileira. Em sua autobiografia, Rita afirmou ter estranhado o convite, já que na época artistas de MPB criticavam o rock produzido pelos Mutantes, alegando ser um estilo bastante importado dos Estados Unidos.

Capa do Tropicália ou pani et circense/ reprodução internet

 Apesar da apresentação ter sido marcada por vaias, o dia 21 de outubro de 1967 é considerado um marco para o movimento que é conhecido como “Tropicália”, reconhecido por uma mistura de ritmos brasileiros com o rock psicodélico, bebendo bastante do movimento hippie  da época. Em agosto do ano seguinte, o disco manifesto do movimento -  “Tropicália ou panis et circenses” -  foi lançado em parceria de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Gosta e Os Mutantes. O disco era repleto de letras metafóricas que burlavam a censura da ditadura militar, além de ir na contramão do MPB convencional.

A saída dos Mutantes

 Ainda como integrante da banda, Rita Lee lançou a música José e em 1970 seu primeiro LP solo, ambos foram  um sucesso, revelando uma oportunidade em sua carreira. A saída oficial da rainha do rock aconteceu em setembro de 1972,  sob polêmicas de expulsão de Rita do grupo. O último álbum produzido pela banda foi "Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida” e a última apresentação foi na sétima edição do festival internacional da canção em 1972.

Os Mutantes no 3° Festival de Música Popular Brasileira da Record, em 1967 - Acervo UH/Folhapress

 Em 1973, a artista foi para Londres, onde repensou sua carreira como cantora e pintou seu cabelo com o clássico vermelho, além de assumir um visual mais androgeno, inspirado pelo glam rock de David Bowie. O ano de 1975 foi marcado pela primeira vez de Rita Lee como cantora principal na banda “ Rita Lee e  Tutti Frutti". 

 A relação do artista com as drogas permeou a carreira, a quantidade excessiva de ácido usado por ela causou dilemas em seus lançamentos e a maneira subversiva de agir foram motivos para troca de gravadora, indo para a Som Livre, onde teria mais liberdade para criar.

Capa do álbum "Fruto Proibido"

 Em junho de 1975, o álbum “Fruto Proibido” foi lançado, marcando a música nacional com canções como “Ovelha Negra”, “Esse tal de roque enrow” e “Agora só falta você”. Além disso, o álbum despertou a discussão da liberdade feminina, tema bastante importante em toda a carreira de Rita. Esse lançamento a consagrou como rainha do rock brasileiro, sendo a era de ouro da cantora.

Presa na ditadura 

Aos 28 anos, grávida de seu primeiro filho, foi presa em 1976 pela ditadura militar por suposto porte de maconha. Em entrevista à revista Quem em 2010, Rita Lee afirmou que  a prisão foi forjada pelos policiais, porque tinha parado de fumar devido a gravidez. Ela sempre criticou o regime, tanto nas músicas como nos comportamentos dentro de palco, conhecida como a artista mais censurada na ditadura.

 Em entrevista ao “Globo” em 1976, a cantora afirmou  que viveu momentos tensos na prisão, sem saber se sairia de lá. “Se eu não estivesse grávida, acho que não suportaria. Ele me deu muita força, naquele momento de desespero”, disse na época. 

 Ao ser libertada, foi condenada a um ano de prisão domiciliar e multa de 50 salários mínimos da época. Rita sempre deixou sua marca registrada, tanto que em seu primeiro show após a condenação usou um figurino que remete a roupa de presidiário. 

Rita Lee a caminho do primeiro show depois da condenação. Foto: reprodução/ Twitter

Mesmo em um período repressivo, a artista representava a liberdade sexual feminina e tratava assuntos considerados “tabus” pela sociedade de uma maneira natural, em um período em que o Brasil estava sob uma ditadura militar. 

A despedida dos palcos

No ano de  2012, a cantora decidiu deixar os palcos, o anúncio foi feito em redes sociais. “Me aposento dos shows, mas da música nunca”, declarou a artista. Porém, em 2015, participou do show em comemoração aos 459 anos da cidade de São Paulo. 

No show de despedida, em 2012, a artista não deixou de lado seu ativismo e parou o show devido à invasão policial na plateia. Os policiais estavam revistando o público enquanto a Rita fazia seu show. “Sou do tempo da ditadura, pensando que tenho medo?”, esbravejou a cantora. 

 A ​​​​situação aconteceu em Aracaju, no estado de Sergipe, na mesma noite, parou na delegacia, enquadrada pelo crime de “desacato e apologia ao crime ou ao criminoso”. Os agentes estavam buscando pessoas que fumavam maconha, de acordo com uma nota emitida pela secretaria de segurança pública do estado. Incomodada, Rita no palco interrompeu o show para entender a confusão, confrontando os policiais.

Eu quero falar, tenho o direito. Esse show é meu, não é de vocês. Esse show é minha despedida do palco e vocês continuam tendo que guardar as pessoas, não agredir. Seus cachorros – coitados dos cachorros. Cafajestes. Vocês estão fazendo de propósito. Eu sou do tempo da ditadura. Vocês pensam que eu tenho medo?”, afirmou a cantora.

No Twitter, comentou sobre o caso. "Polícia dando trabalho para mim. Quer me prender. Embasamento legal não há. Não retiro uma palavra do que disse, o show era meu!”, publicou.

Best seller 

Rita Lee tem livros de sua autoria, duas autobiografias, a primeira, "Rita Lee: uma autobiografia”, foi lançada em 2016 e se tornou  best seller no Brasil. No livro, ela cita momentos de sua vida “revivi tudo e foi bom”, disse a cantora em entrevista ao jornalista Pedro Bial. Também lançou um livro de contos, “Dropz”, de 2017, um livro de fotografia em 2018, o “FavoRita”. Em 2019, lançou uma obra infantil chamada “Amiga Ursa” e sua última publicação, "Uma outra autobiografia", será lançada no dia 22 de maio de 2023, e já está em pré-venda.

O fim…?

Em 2021, Rita Lee foi diagnosticada com câncer no pulmão e logo começou seu tratamento de imunoterapia e radioterapia. No ano seguinte, ela já estava curada. Dois anos depois, em abril de 2023, o programa Altas Horas da Rede Globo, apresentado por Serginho Groisman, foi dedicado para homenagear a cantora, contando com diversas participações como de Paula Toller, Fernanda Abreu, Luísa Sonza, Céu, Zezé Motta, Tico Santa Cruz, Tiago Iorc, Manu Gavassi, Paulo Ricardo e Tom Zé. Seu filho Beto Lee  também relembrou momentos com a mãe. “A gente se divertia o tempo todo assim”, afirmou. O marido de Rita compartilhou um vídeo da cantora acompanhando, de casa, a homenagem.

No capítulo chamado de “Profecia”, em sua autobiografia de 2016, Rita fala de como seria sua morte. “ Enquanto isso, estarei eu de alma presente no céu tocando minha autohamp e cantando para Deus:‘ Thank you lord, finally sedated’.” Visionário, Rita Lee parecia entender que sua morte seria um dia triste, cheio de saudades, mas com uma boa trilha sonora.

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Imagens do segundo dia do Festival PUNK NA PÁSKOA 2023, na cidade de São Paulo
por
Rodrigo Marques
Guilherme Carvalho
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11/05/2023 - 12h

Apesar de não ser o mesmo dos anos 1980, o movimento punk ainda respinga sua influência nos dias de hoje em São Paulo. Existem lugares que continuam a receber de bandas em atividade e propiciar espaço para os simpatizantes ou aqueles que o seguem como estilo de vida, como o caso do Hangar 110,  casa de show, localizada no Bom Retiro, aberta desde 1998 com o objetivo de valorizar as culturas alternativas. Entre os dias 7 e 8 de abril, foi realizado um tradicional festival da casa, que contou com a apresentação de 14 bandas.

Segue abaixo registros fotográficos do segundo dia do festival:

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Imagem punk 1
Apresentação da Banda Inocentes
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Imagem punk 2
Adepto punk no palco


 
Imagem punk 3
Decoração da casa, pôster de bandas que já marcaram presença no local 

 

 

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Alex from hell (guitarra) e M. Krempel (vocal) da banda Reverendo Frankenstein

 

 

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Apresentação do Reverendo Frankenstein em meio ao tumultuo de uma roda punk (mosh)

 

 

 

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Vocalista Matheus Krempel, do Reverendo Frankenstein

 

 

imagem punk 7
Grupo de punks sentados próximos ao palco

 

 

imagem punk 8
Amanda, baixista do grupo Crush All Tyranny (CxAxT)

 

 

imagem punk 9
Angelita Martin, baixista e vocalista da banda Menstruação Anarquika

 

Visita à Pinacoteca do Estado, aborda a relação da sociedade com a arte em um período pós pandêmico de uma era tecnológica
por
Isabelle Maieru
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11/05/2023 - 12h

Localizada na estação da Luz, centro de São Paulo, a Pinacoteca do Estado é um dos mais importantes museus de arte do Brasil. Abrigando um dos maiores e mais representativos acervos de arte brasileira, a Pinacoteca conta com mais de dez mil peças de exposições fixas e temporárias. Dentre as exposições temporárias em cartaz atualmente, destaca-se "Chico da Silva e o ateliê de Pirambu". 

Em um período pós-pandêmico vivido numa era totalmente digital e tecnológica os museus precisaram se adaptar para continuar recebendo o público. A intenção dessa reportagem é abordar a relação da sociedade com a arte atualmente. 

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Mulheres apreciam obras do acervo da Pinacoteca do Estado - Foto: Isabelle Maieru
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Homens observam acervo de arte da Pinacoteca - Foto: Isabelle Maieru
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Mulher aprecia artes do acervo da pinacoteca enquanto acompanha memorial descritivo do museu - Foto: Isabelle Maieru
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Pessoas se chocam com quadros do museu - Foto: Isabelle Maieru
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Mulher aprecia memorial descritivo do museu  - Foto: Isabelle Maieru
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Mulher aprecia a descrição das artes - Foto: Isabelle Maieru
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O encontro entre pessoas e a arte - Foto: Isabelle Maieru
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As diferentes interações com a arte- Foto: Isabelle Maieru
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A arte e o digital - Foto: Isabelle Maieru
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O choque ao encontro da obra - Foto: Isabelle Maieru