Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
por
KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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Série de shows convida o espectador a uma experiência multissensorial. Músicas, hologramas e pulseiras luminosas destacam sustentabilidade, amor e união.
por
Ana Julia Bertolaccini
Beatriz Brascioli
Fernanda Travaglini
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20/03/2023 - 12h

 

Imagem: Fernanda Travalini
Imagem: Fernanda Travaglini

    A banda britânica Coldplay, que está em passagem pelo Brasil com a turnê Music of the Spheres, se apresentou em São Paulo, no Estádio do Morumbi, nos dias 10, 11, 13, 14, 17 e 18 de março. O repertório engloba sucessos consagrados pelo público como “Viva la Vida”, “ The Scientist”, “Yellow” e “Paradise”. Além destes, os artistas farão mais 5 shows no país, ainda em março, sendo dois em Curitiba, no Estádio Couto Pereira (dias 21 e 22) e dois no Rio de Janeiro, no Estádio Nilton Santos Engenhão (dias 25, 26 e 28).

    As expectativas para a turnê em São Paulo eram altas depois da repercussão positiva de sua apresentação no Rock in Rio 2022. Como esperado, a estrutura do evento contou com um formato único que incluiu: três palcos decorados com esferas que simulavam planetas, grandes telões circulares, hologramas, show de luzes e fogos de artifício, além, das tradicionais pulseiras distribuídas ao público que emitem luzes coloridas durante o espetáculo.

    As performances também contaram com convidados nacionais, como Seu Jorge e Sandy, incentivo às práticas de sustentabilidade e uma filosofia de amor de união. Sentimento demonstrado por frases de agradecimento em português como em: “Obrigado pelo esforço de estar aqui hoje, mesmo com a chuva, o trânsito e todos os problemas. Gratidão!”.

Uma plateia cheia de estrelas

Imagem: Fernanda Travalini
Imagem: Beatriz Brascioli


    Jogos de luzes, arranjos musicais, hologramas e fogos de artifício compõem a cena que o espectador encontra em Music of the Spheres (Música das Esferas), nome do nono álbum da banda que intitula a turnê. O espetáculo se inicia com um recorte da música "Flying Theme" (John Williams), do clássico "E.T" (1982), aclamado pela crítica e pelo público na década de 1980. Em entrevista à Agemt, Beatriz Miranda, 24, designer gráfica, relata que a escolha "foi linda, combinou com a entrada deles e fiquei emocionada". 

    Os fãs da banda tiveram uma experiência  espetacular composta por elementos de iluminação e som: "(...) as pessoas de fora ficaram chocadas com a grandiosidade. Muitas questionaram o lugar que eu fiquei [arquibancada], por ser distante do palco. Porém, eu escolhi estar naquele lugar. Queria ver tudo: fogos, multidão cantando e pulando, pulseiras – que não são só para a beleza e têm um propósito na composição do show. A banda pensa em cada detalhe, para os fãs e o planeta. As crenças pessoais dos integrantes [Chris Martin, Jonny Buckland, Guy Berryman e Will Champion] são trazidas para suas músicas e show", comenta Beatriz. 

    As pulseiras mencionadas pela entrevistada são conhecidas como "Xylobands" e controladas por meio de radiofrequência. Mudam de cor de modo sincronizado e foram idealizadas por um fã, Jason Regler, após uma performance da música "Fix You" em 2005, na Inglaterra. Ele conta que passava por um momento difícil e os versos "lights will guide you home" (as luzes te guiarão para casa, tradução livre), despertaram a ideia de pulseiras luminosas. Hoje, elas integram as performances do Coldplay e têm um papel fundamental na composição das imagens do show: criam uma plateia que ativamente faz parte da experiência das apresentações. 
Outros meios utilizados para criação de deslumbre visual são os fogos de artifício e hologramas que imitam o céu e emocionam a multidão. Balões gigantes também foram distribuídos pela pista, criando uma ilusão de ótica que fizeram com que o ambiente parecesse um verdadeiro sistema solar – com planetas suspensos, numa atmosfera sem gravidade. 

Simpatia, amor e união


    Beatriz conta que as músicas da banda fazem parte de seu dia-a-dia, "eu pulo com eles, choro com eles". A designer relata que além de grandes artistas, são pessoas incríveis: "fui ao show do sábado. Quando li que o show da sexta tinha sido atrasado pela banda para que todos pudessem entrar, isso me tocou: não somos apenas um número". 

    Ao longo de toda performance, na voz de Chris Martin, a banda demonstra prezar pela experiência de seus fãs e pela construção de uma mensagem de união, amor, carinho e fé. No sábado (11), durante a cobertura da Agemt, o vocalista solicitou aos localizados na pista que olhassem para a arquibancada e cantassem juntos. Pediu que erguessem os braços e enviassem amor aos seus – em cena acompanhada pela soltura de fogos de artifício no céu. Letreiros nos telões também espalharam mensagens afetuosas como "I believe in love" (eu acredito no amor) ou "if you want peace, be peace" (se você quer paz, seja paz), entre outras. 

Imagens: Beatriz Brascioli
Imagens: Beatriz Brascioli


Valorização da música e língua nacional


    Durante a temporada de shows em São Paulo, o grupo abriu espaço para a apresentação de artistas nacionais. Vozes como de Seu Jorge, Sandy e a bateria de direito da USP surpreendem e emocionam fãs: "ficamos sempre na expectativa do que eles vão fazer de diferente (...)", relata Beatriz, "no Rock in Rio (2022) apresentaram "Magic" em português, na Argentina uma versão em espanhol (...) e, aqui, convidaram Seu Jorge e Sandy, e ainda cantaram uma música deles! Ver a galera toda cantando, a gente sabe a força que tem. Ainda mais o Seu Jorge, por causa da sua história de vida [trabalho infantil, situação de rua, ataques racistas no Rio Grande do Sul]. São estilos completamente diferentes, a galera levantou e ver o Morumbi inteiro cantando foi incrível".

    No show da segunda-feira (13), Giulia Ayres (16), teve seu pedido concedido pelo vocalista Chris Martin. A jovem escreveu em um cartaz "Can I play Daddy with you? It 's my dream", em português: "Posso tocar Daddy com você? É o meu sonho". A música tem um papel importante na vida da fã, uma vez que fala sobre a relação entre pais e filhos. Giulia perdeu seu pai para COVID-19 em 2021. 


"Não há planeta B": ações da banda em prol da sustentabilidade e causas sociais

    Antes do início do show no último dia 11, três estudantes entram no palco e anunciam o vídeo que demonstra as ações da banda em favor do combate às mazelas ambientais. Entre elas: ajuda ativa a diversas ONGs [Organizações Não Governamentais] e reversão de parte do valor dos ingressos a causas relacionadas à preservação de biomas e espécies.  

Confira a seguir algumas instituições beneficiadas: 

1. The Ocean Cleanup
    Objetiva desenvolver tecnologia para extrair plásticos e limpar oceanos;   
2. One Tree Planted
    Busca reflorestar e criar novos habitat para a biodiversidade; 
3. The Food Forest Project
    Trabalha por mudanças sociais e ambientais de impacto no âmbito rural. 

    A lista conta com mais de dez organizações (ClientEarth, Global Citizen, Cleaners Seas Group, ClimeWorks, Farm Under the Radar, Global Tech Advocates, Project Seagrass, Sea Shepherd, Seafields, The Conservation Collective, The Devon Environment, Sustainable Food Trust). O público é incentivado pela banda a atuar nas causas da sustentabilidade e preservação do meio ambiente e do planeta, como por exemplo as bicicletas elétricas ou plataformas, na qual as pessoas ficavam pulando, eram usadas para  gerar energia e ser “utilizada” durante o show. Para ajudar às ONGs, basta entrar no site para fazer doações ou se voluntariar. 

    As ações também se estendem ao âmbito social. Nesta última quarta-feira (15), a Global Love Button, organização que acompanha a banda, fez um convite para o SP Invisível para chamar pessoas em situação de rua a assistir um show do Coldplay no estádio do Morumbi, sem custos, em ação que busca viabilizar o acesso à cultura. A SP Invisível tem a intenção de dar visibilidade aos moradores de rua da cidade e suas trajetórias.   

"The adventure of a Lifetime": a aventura de uma vida


    Diante de sensibilidade, consciência, amor e uma verdadeira orquestra sinestésica – composta por sons, luzes e cores – Coldplay consegue construir e oferecer uma experiência excelente de concerto. A entrevistada Beatriz, pontua que "Foi além das expectativas. Todo o caminho, o trajeto, eu lembrava do show e eu já ficava arrepiada. Ficamos 3h na fila, conseguimos entrar, e é toda uma atmosfera diferente, é um sentimento único. Pensava: caraca, eu to realizando meu sonho". Termina, adicionando: "Eu faria tudo, tudo de novo". 

Imagens: Beatriz Brascioli
Imagens: Maria Eduarda Nogueira

 

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Série conquista o público por ser uma adaptação fiel ao jogo
por
Bruna Alves
Luana Galeno
Maria Eduarda Camargo
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15/03/2023 - 12h

The Last Of Us, a nova série distópica da HBO Max, está quebrando números de audiência no streaming, ultrapassando inclusive House of the Dragon, e tornando-se a adaptação de jogo para série mais bem avaliada do IMDb (Internet Movie Database), com uma média de 9.4/10.

Baseada no jogo premiado da Naughty Dog com a Playstation, a produção de Neil Druckmann e Craig Mazin conta com 9 episódios que retratam a jornada de Joel (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) tentando sobreviver em um mundo pós-apocalíptico.

A trama se passa 20 anos após o colapso da humanidade devido à pandemia de uma variante do fungo Cordyceps. A mutação ataca o cérebro do hospedeiro humano, transformando-o em "Infectado" - um ser ainda vivo mas incapaz de controlar suas ações. Os níveis de infecção se desenvolvem ao longo do tempo após a mordida — ou no caso do jogo, a inalação de esporos.

Infectado na série The last of Us. Fonte: The Enemy
Infectado na série The last of Us. Fonte: The Enemy

Joel, o personagem masculino principal, é um contrabandista que se depara com o roubo de sua carga. Para recuperá-la, ele deveria levar Ellie, a jovem protagonista, para o quartel general dos Vagalumes (grupo paramilitar opositor ao governo). Mais tarde, ele descobre que Ellie é imune ao vírus, revelando o interesse dos Vagalumes por ela. Com esta missão, um homem sem esperanças e uma criança provocadora encaram barreiras que vinte anos de caos trouxeram.

O Jogo

In game shot. Fonte: Playstation
In game shot. Fonte: Playstation

O jogo – lançado em 2013 para o Playstation 3 e remasterizado em 2014 – começou sua produção em 2009, depois do último sucesso da empresa Naughty Dog com Uncharted 2, e desde então revolucionou a indústria de jogos. Com inovação na criação do enredo, grande desenvolvimento de trilha sonora e protagonismo feminino, o jogo ganhou 196 prêmios de mídia especializada, incluindo 3 BAFTAs (British Academy of Film and Television Arts).

A trilogia, que conta também com The Last Of Us: Parte II, lançada em 2020, segue sendo a mais premiada no universo dos games. O jogo abriu um caminho carregado de dramaturgia em um mundo antes populado somente por cenas de ação e personagens rasos. A utilização de cut scenes mais longas e a manipulação da jogabilidade dos personagens – junto de artifícios novos para a época, como finitude de recursos e exploração de histórias laterais – foi o que trouxe a beleza do cinema para o universo dos consoles. 

Outro ponto importante do jogo é a trilha sonora original – criada pelo argentino Gustavo Santaolalla e que ganhou o prêmio BAFTA – contando com composições mais naturais nas cenas de ação, que conquistou os jogadores e os críticos especializados na área. Gustavo também foi o criador da trilha sonora da série.

A Série

Fonte: The Last of Us - HBO Max
Fonte: The Last of Us - HBO Max

O aspecto de ação é mais presente no começo, com as primeiras aparições dos Infectados, e vai diminuindo gradativamente no decorrer da história. Apesar disso, a série ilustra todos os tipos de infectados presentes no primeiro jogo: Corredores, Espreitadores, Estaladores e Baiacus.

Cena do Baiacu em The Last of Us. Fonte: Rolling Stone
Cena do Baiacu em The Last of Us. Fonte: Rolling Stone

A obra segue uma linha narrativa mais dramática, focando nas frágeis relações dos personagens, tanto de Ellie e Joel, quanto deles com outros personagens. The Last of Us também explora histórias paralelas, como no episódio 3, onde é retratada a vida de Bill e Frank, meros coadjuvantes no jogo, que proporcionaram na obra da HBO uma nova perspectiva sobre o amor em um mundo apocalíptico.

Sobre os personagens principais, é possível entender as multifacetas que representam tanto Joel quanto Ellie. Ele perde sua filha, Sarah, no início do surto pandêmico — vinte anos antes da trama —, o que torna perceptível a barreira entre ele e Ellie desde o primeiro encontro dos dois. Porém, com o passar dos episódios, nota-se a aproximação entre eles e o desenvolvimento de uma relação afetuosa de “pai e filha” que Joel acreditava ter perdido. Este vínculo vai se intensificando a cada novo desafio apresentado e é assertivamente demonstrado pela atuação de Pedro Pascal e Bella Ramsey.

A adaptação também chamou uma atenção detalhista quanto à fidelidade ao jogo. Diversas cenas foram reproduzidas de forma idêntica, fazendo uso dos mesmos diálogos e até o mesmo enquadramento. Grande parte disso se deve ao fato da equipe produtora do jogo — especialmente Druckmann e Mazin — estarem envolvidos na produção da série.

Apesar disso, houveram críticas por parte dos fãs do jogo em relação a pouca exploração dos Infectados, como as frequentes "hordas de zumbis”. Porém, havia, por parte dos diretores, a preocupação em não ser repetitivo e a necessidade de adaptação para televisão.

Opinião

Comparação entre cena no jogo e na série. Fonte Imagem 1: Wikihow | Imagem 2: The Last of Us - HBO Max
Comparação entre cena no jogo e na série. Fonte Imagem 1: Wikihow | Imagem 2: The Last of Us - HBO Max

A ausência da já conhecida e cansativa “horda de zumbis” e de um Joel “à prova de balas” cria uma atmosfera muito mais crível e dramática na obra. Tudo isso é combinado ao talento de Bella Ramsey, que tira completamente a Ellie de um papel passivo e prepara o espectador para o que está por vir. A criação de uma atmosfera de suspense e um novo take no estilo zumbi são os pontos essenciais para a fórmula de sucesso da série.

Outro ponto importante de The Last of Us é o jeito como Druckmann explora as diversas facetas de um mesmo personagem. Nenhum daqueles que se opõem aos personagens principais é inerentemente mau, mas sim só um ser humano lutando por sua sobrevivência e pela vida daqueles que ama. Tanto a série como o jogo se aprofundam na característica mais humana de todas: a busca por um motivo para sobreviver. A inevitabilidade da missão é a beleza da dramaturgia de Druckmann – e da HBO.

Filme sobre multiverso conquistou o público, as críticas e as premiações da temporada 2023
por
Bianca Novais
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15/03/2023 - 12h

Dirigido pela dupla The Daniels (Daniel Kwan e Daniel Scheinert), o longa-metragem Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo venceu o troféu de Melhor Filme do Ano na 95ª edição dos Oscars. Além de levar a estatueta mais importante para casa, outras seis entraram na conta, sagrando o filme como o maior campeão da noite. 
 

Elenco de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo com suas sete estatuetas. Imagem: Gilbert Flores/Getty Images.
Elenco de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo com suas sete estatuetas. Imagem: Gilbert Flores/Getty Images.

 

A cerimônia voltou a apresentar todos os prêmios durante a transmissão neste ano. Em 2022, oito categorias foram gravadas previamente e exibidas durante o programa ao vivo, em uma tentativa de encurtar o evento e combater a queda de audiência. Jimmy Kimmel, 55, comediante e apresentador do programa de entrevistas Jimmy Kimmel Live!, foi o anfitrião pela terceira vez e iniciou a noite comentando como os fãs queriam o formato tradicional de volta.

Conhecido por suas piadas desconfortáveis, Kimmel não perdeu tempo e ainda no discurso de abertura brincou com o episódio do tapa de Will Smith em Chris Rock, na edição anterior. 

O anfitrião do 95o Oscars, Jimmy Kimmel. Imagem: Kevin Winter/Getty Images.
O anfitrião do 95o Oscars, Jimmy Kimmel. Imagem: Kevin Winter/Getty Images.

 

A falta de mulheres indicadas para Melhor Direção também entrou nas considerações iniciais de Kimmel como uma alfinetada na Academia de Cinema, e deu destaque para dois filmes esnobados cujas narrativas baseadas em fatos reais são focadas em mulheres negras: Till, sobre a luta de uma mãe para levar justiça aos assassinos de seu filho adolescente, e A Mulher Rei, estrelado por Viola Davis, conta a história de um exército africano feminino que lutou contra traficantes de pessoas no século XVIII.

A entrega das estatuetas começou por Animação em Longa-Metragem,o vencedor foi Pinóquio de Guillermo del Toro, desbancando O Gato de Botas 2: O Último Pedido, sucesso de bilheteria, e Red: Crescer É Uma Fera, da Pixar, estúdio recorrente na lista de indicados há mais de 30 anos.

Em Atuação Coadjuvante, Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo fez dobradinha com Jamie Lee Curtis e Ke Huy Quan. O ator vietnamita-americano de 51 anos se emocionou durante o discurso de agradecimento, citando sua origem como refugiado e sua mãe: "Mãe, eu ganhei um Oscar!". 

Quan iniciou a carreira em 1984, interpretando o garoto Short Round em Indiana Jones e o Templo da Perdição, escudeiro do personagem de Harrison Ford, que lhe entregou a estatueta. Em 1985, participou do sucesso Os Goonies como Data Wang, ao lado de Jeff Cohen, quem também foi agradecido no discurso. Seguiu como dublê a partir de 2002 e, vinte anos depois, seu retorno triunfante às telas foi autointitulado de "sonho americano".

Jamie Lee Curtis e Ke Huy Quan venceram a categoria de Atuação Coadjuvante. Imagem: AFP.
Jamie Lee Curtis e Ke Huy Quan venceram a categoria de Atuação Coadjuvante. Imagem: AFP.

 

As estrelas de Creed III, Michael B. Jordan e Jonathan Majors fizeram questão de reconhecer Angela Bassett antes de apresentar a categoria de Melhor Fotografia. Bassett estava concorrendo a uma estatueta pela segunda vez, como Atriz Coadjuvante, pelo papel de Ramona em Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, onde atuou com B. Jordan. Sua indicação de estreia foi em 1994, como Atriz Principal pela adaptação Tina: A Verdadeira História de Tina Turner (1993), porém, ainda não conquistou seu prêmio.

A Marvel não saiu de mão abanando este ano. Ruth E. Carter recebeu o prêmio de Melhor Figurinista, se tornando a única mulher negra a possuir duas estatuetas em casa. A primeira foi em 2019, também pela franquia Pantera Negra. Durante seu discurso, Carter dedicou o prêmio à sua mãe, que falecera na semana anterior, e pediu que Chadwick Boseman cuidasse dela.

Jamie Lee Curtis e Ke Huy Quan venceram a categoria de Atuação Coadjuvante. Imagem: AFP.
Ruth E. Carter, única mulher negra a conquistar dois Oscars. Imagem: Gilbert Flores/Getty Images.


Boseman foi celebrado novamente na premiação por Danai Gurira, elenco da mesma franquia. A música Lift Me Up, interpretada por Rihanna e indicada a Melhor Canção Original, foi escrita em homenagem ao ator, que faleceu de câncer em 2020.

O evento contou com a performance de outra grande estrela pop, concorrendo com Lift Me Up. Lady Gaga, em estilo Acústico MTV: Cássia Eller – jeans, camiseta, all-star e banda –, apresentou Hold My Hand, trilha sonora de Top Gun: Maverick. Mesmo com artistas famosas na disputa, a música Naatu Naatu, do filme indiano RRR: Revolta, Rebelião, Revolução, desbancou as favoritas e levou o prêmio de Melhor Canção Original. 

O cinema indiano conquistou outra estatueta na noite. O Melhor Documentário em Curta-Metragem foi atribuído a Como Cuidar de Um Bebê Elefante, das cineastas Kartiki Gonsalves e Guneet Monga.

Já o cinema argentino não pode dizer o mesmo. O filme sobre o julgamento dos militares da ditadura, Argentina, 1985, perdeu o título de Melhor Filme Internacional para Nada de Novo no Front, produção alemã da Netflix. O longa-metragem sobre a Primeira Guerra Mundial conquistou quatro prêmios no total, com destaque para Melhor Fotografia.

Kartiki Gonsalves e Guneet Monga. Imagem: Reuters.
Kartiki Gonsalves e Guneet Monga. Imagem: Reuters.

 

A homenagem póstuma In Memoriam foi apresentada por John Travolta, que não conseguiu esconder a emoção ao citar sua coprotagonista de Grease: Nos Tempos da Brilhantina, Olivia Newton-John. Lenny Kravitz cantou Calling All Angels enquanto outros membros da indústria do cinema que faleceram em 2022 eram lembrados. 

Além de Newton-John, Jean-Luc Godard (O Demônio das Onze Horas), James Caan (O Poderoso Chefão), Robbie Coltrane (saga Harry Potter) foram citados. Apesar disso, a atriz do concorrente a melhor filme Triângulo da Tristeza, Charlbi Dean, que faleceu aos 32 anos em agosto, não foi mencionada.

Charlbi Dean, Yaya de Triângulo da Tristeza,  no Festival de Cannes. Imagem: Getty Images.
Charlbi Dean, a Yaya de Triângulo da Tristeza, no Festival de Cannes. Imagem: Getty Images.


O final do evento consagrou Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo como o maior vencedor da 95a edição. Melhor Roteiro Original e Melhor Direção para The Daniels, Melhor Atriz para Michelle Yeoh e Melhor Filme. O único prêmio principal que não levaram foi de Melhor Ator, pois não estavam concorrendo.

Este ficou para Brendan Fraser, outro ator retomando carreira, por sua atuação comovente no filme A Baleia. Com esta vitória, a produtora A24 se tornou a primeira a vencer todas as categorias principais do Oscar (Atuações, Roteiro, Direção e Filme).

Ao longo da premiação, a tradição de os vencedores do ano anterior passarem adiante seus respectivos títulos se manteve até a categoria de Atuação Principal. Halle Berry substituiu Will Smith, Melhor Ator de 2022 por King Richard, que foi banido de eventos da Academia por 10 anos depois do incidente.

Esta adaptação, porém, propiciou o momento histórico em que Berry entregou a estatueta de Melhor Atriz para Michelle Yeoh, 60, a primeira mulher asiática a ganhar o prêmio. As duas são as únicas mulheres não-brancas a receber o título.

Halle Berry entrega a estatueta de Melhor Atriz para Michelle Yeoh. Imagem: Chris Pizzello/Invision/AP.
Halle Berry entrega a estatueta de Melhor Atriz para Michelle Yeoh. Imagem: Chris Pizzello/Invision/AP.

 

Aos 64 anos, Angela Bassett é a primeira pessoa indicada a um Oscar de atuação por filme da Marvel. Jamie Lee Curtis tem a mesma idade e venceu o prêmio a qual ambas estavam concorrendo, sendo o primeiro Oscar de sua carreira. Com 91 anos, John Williams é a pessoa mais velha a ser nomeada a um prêmio do Oscar, na categoria de Melhor Trilha Sonora por seu trabalho em Os Fabelmans. Cate Blanchett, aos 53, foi indicada ao Oscar pela oitava vez e Bill Nighy, 73, foi indicado pela primeira.

É preciso destacar como a Academia, sempre envolvida em controvérsias sobre diversidade, neste ano parece ter reconhecido o trabalho e a arte desenvolvidos por pessoas mais velhas. Valorizar a qualidade que apenas a maturidade pode fornecer vai em um caminho contrário à lógica da busca eterna pela juventude, reforçado por outras indústrias, mas principalmente pela cinematográfica, em especial para mulheres.

Ainda que seja inevitável em 2023 sentir falta de diversidade étnica e de gênero nas telas, ver pessoas com mais de quarenta, cinquenta, sessenta e tantos anos sendo vitoriosas por suas produções foi o que acabou dando um refresco, um clima de inovação na cerimônia nonagenária.

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Em preparação para o clima de tapete vermelho, flashes e aplausos, confira nove acontecimentos sobre a premiação mais aguardada do cinema. E no final tem bônus!
por
Giulia Fontes Dadamo
Ana Beatriz Assis
|
11/03/2023 - 12h

Em homenagem a tão esperada 95ª edição do Oscar, que acontecerá neste domingo (12) nos EUA para a alegria de cinéfilos, separamos nove momentos inesquecíveis da premiação para saciar a ansiedade dos telespectadores.

Bong Joon Ho, vencedor da categoria principal dos Oscars de 2020.
Bong Joon Ho, vencedor da categoria principal dos Oscars de 2020. Imagem: Oscars.org.

As obras com mais indicações ao Oscar

Os três filmes que bateram o recorde com 14 nomeações a prêmios da Academia são A Malvada (1950), drama estrelado pela icônica Bette Davis, Titanic (1997), romance recém remasterizado baseado na tragédia do navio de mesmo nome, e La La Land: Cantando Estações (2016), musical estrelado pelos grande nomes Emma Stone e Ryan Gosling.

 

Papel que ganhou o Oscar com dois atores diferentes interpretando o mesmo personagem

Além de favores, assassinatos e mafiosos que controlavam os negócios ilegais na cidade de Nova York nos anos 1940 e 1950, a trilogia de O Poderoso Chefão também trouxe o primeiro personagem que ganhou uma estatueta após ser interpretado por dois atores diferentes: Marlon Brando e Robert De Niro (pelos filmes de 1972 e 1973).

Da esquerda para a direita: Al Pacino, Francis Ford Coppola e Robert De Niro. Imagem: Getty Images.
Da esquerda para a direita: Al Pacino, Francis Ford Coppola e Robert De Niro. Imagem: Getty Images.

Mas esse posto logo foi dividido com o personagem Coringa, quando Heath Ledger e Joaquin Phoenix ganharam o Oscar por suas interpretações do enigmático e complexo inimigo do Batman.

 

(Falta de) Diversidade na premiação

Hattie McDaniel fez história ao ser a primeira mulher negra a receber uma estatueta de melhor atriz coadjuvante por seu papel na obra E o vento levou, o grande drama histórico de 1939 sobre a guerra civil americana.

Da esquerda para a direita: Vivien Leigh e Hattie McDaniel. Imagem: Getty Images.
Da esquerda para a direita: Vivien Leigh e Hattie McDaniel. Imagem: Getty Images.

A segregação racial, porém, ainda foi um empecilho para essa vitória. Além da atriz ter sido proibida de comparecer à estréia do próprio filme com o restante do elenco, McDaniel só pode comparecer à cerimônia da Academia após o produtor de cinema David O. Selznick pedir favores para permitirem a entrada dela no prédio.

A questão da diversidade racial na premiação nunca foi levada a sério pela Academia, o que gerou as manifestações on-line #OscarsSoWhite (#OscarsTãoBrancos), em 2016. Era o segundo ano seguido em que não havia atores nem atrizes não-brancos concorrendo às categorias de atuação e as reivindicações do público por mais diversidade foram apoiadas por alguns membros da indústria, que se propuseram a boicotar a noite de premiação e cancelaram suas participações. Entre eles, Spike Lee, Will e Jada Pinkett Smith e Mark Ruffalo.

 

Nazista escapa da morte por carregar seu Oscar na Segunda Guerra Mundial

Emil Jannings venceu o primeiro Oscar de melhor ator pelos filmes mudos A Última Ordem (1928) e Tentação da Carne (1927). O único alemão a ganhar essa categoria até hoje foi excluído dos filmes com som - uma novidade da época - de Hollywood por causa de seu forte sotaque.

O ator, portanto, voltou para a Alemanha e se tornou estrela e máquina de propaganda em vários filmes de promoção do nazismo. Quando os Aliados invadiram Berlim em 1945, Jannings supostamente foi salvo durante um bombardeio por carregar sua estatueta do Oscar com ele, para conquistar os soldados americanos e demonstrar sua antiga lealdade aos EUA.

 

O Oscar de Marlon Brando é rejeitado por Sacheen Littlefeather, em 1973

Em 1973, Marlon Brando recusou o prêmio de melhor ator por seu papel em O Poderoso Chefão (1972) em protesto contra a representação de Hollywood dos nativos americanos. Ele enviou a atriz ativista nativa-americana Sacheen Littlefeather no seu lugar, que disse:

"E as razões para isso são o tratamento dos índios americanos hoje pela indústria cinematográfica – desculpe-me – e na televisão em reprises de filmes, e também com os recentes acontecimentos em Wounded Knee. Eu imploro neste momento que eu não tenha me intrometido nesta noite e que no futuro, nossos corações e nossos entendimentos se encontrem com amor e generosidade. Obrigada em nome de Marlon Brando."

A atriz Sacheen Littlefeather. Imagem: The New York Times.
A atriz Sacheen Littlefeather. Imagem: The New York Times.

Após o massacre de Wounded Knee, que resultou nas mortes de mais de 150 indígenas na Dakota do Sul, em 1890, a cidade estava ocupada por indígenas que almejavam melhoria de suas condições de vida nas reservas na época da cerimônia.

Em meio a vaias e aplausos, a ativista recusou aceitar o prêmio em nome de Brando.

 

Primeiro filme brasileiro a ser indicado ao Oscar, em 1962

Que os Oscars é uma premiação centrada nas produções estadunidenses, é fato, por isso qualquer menção de obras fora dessa bolha é celebrada. Em 1962, O pagador de promessas, de Anselmo Duarte, foi motivo de alegria para os brasileiros.

O longa retrata a história de Zé Burro (Leonardo Villar) e sua relação com com a religião, quando bate de frente com a igreja católica a fim de cumprir uma promessa feita no Candomblé. Até hoje, ele continua sendo a única produção nacional a ganhar a Palma de Ouro - um dos prêmios mais importantes do festival de Cannes.

Em contrapartida, em 1999 a Academia decepcionou a comunidade brasileira. Fernanda Montenegro concorreu ao Oscar por seu papel de Dora em Central do Brasil, e perdeu a estatueta para a atriz Gwyneth Paltrow, por sua atuação em Shakespeare Apaixonado. Fernanda continua sendo a única brasileira a ser indicada ao Oscar na categoria de atuação.

Personagem Zé Burro, interpretado por Leonardo Villar em cena do filme O pagador de promessas (1962). Imagem: Revista arte brasileira
Personagem Zé Burro, interpretado por Leonardo Villar em cena do filme O pagador de promessas (1962). Imagem: Revista arte brasileira.

 

Tempo de tela mais curto a receber um Oscar

Beatrice Straight precisou de apenas 5 minutos e 2 segundos de tela, para convencer a academia que era merecedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante de 1977, pelo filme Network: Rede de Intrigas. A atriz Hermione Baddley, no filme Almas em Leilão de 1959, conseguiu ser indicada com apenas 2 minutos  e 19 segundos em cena, porém, não levou o prêmio para casa, e a atriz Shelley Winters, de O Diário de Anne Frank, foi a homenageada com a estatueta.

A atriz Hermione Baddeley. Imagem: Mubi.
A atriz Hermione Baddeley. Imagem: Mubi.

 

As "trapalhadas" dos Oscars

“Os Franks”

No ano de 1933, dois Franks estavam competindo na mesma categoria, Frank Capra (Dama por Um Dia) e Frank Lloyd (Cavalgada). O apresentador Will Rogers acabou não especificando qual dos Franks era quando revelou o grande ganhador, Capra se adiantou e foi buscar o prêmio. Acontece que, na verdade, era LIoyd que tinha ganhado como melhor diretor do ano.

Da esquerda para a direita: Franklin Hansen, Will Rogers e Frank Lloyd. Imagem: Cinema Clássico.
Da esquerda para a direita: Franklin Hansen, Will Rogers e Frank Lloyd. Imagem: Cinema Clássico.

Vazamento dos resultados antes da cerimônia, em 1940

Depois do primeiro Oscars em 1929, quando os vencedores foram anunciados três meses antes da cerimônia, a Academia decidiu começar a enviar a lista dos premiados diretamente aos jornais para serem publicados apenas na noite do evento. Entretanto, em 1940, o LA Times anunciou os vencedores horas antes do prêmio, o que fez com que a Academia tivesse que introduzir o sistema do envelope lacrado, o qual é utilizado até hoje.

 

La La Land?

Nos Oscars de 2017, na categoria principal da noite, melhor filme, os apresentadores Warren Beatty e Faye Dunaway leram o cartão errado que anunciava La La Land como o vencedor. Acontece que o erro foi exposto depois que os atores e equipe da obra subiram no palco. Inclusive foi anunciada a confusão enquanto um dos produtores do filme, Fred Berger, discursava em agradecimento, o que gerou uma cena no mínimo atrapalhada. Ao entender a confusão, o produtor finalizou seu discurso com um icônico: "Nós perdemos, aliás"

O verdadeiro campeão da noite Moonlight: A luz da lua

Produtor de La La Land Jordan Horowitz anunciando sua perda para Moonlight. Imagem:G1.
Produtor de La La Land Jordan Horowitz anunciando sua perda para Moonlight. Imagem:G1.

 

Tapa de Will Smith em Chris Rock

Foi um dos assuntos mais comentados do ano de 2022, sendo o Chris Rock, um dos nomes mais pesquisados pelo brasileiros no ano passado. Momentos antes de conquistar a estatueta de melhor ator por King Richard, Will Smith protagonizou uma cena de agressão nos palcos da cerimônia. Acontece que o comediante Chris Rock fez uma piada com Jada Smith, esposa do ator. A brincadeira em questão fazia referência à alopecia de Jada, doença sem cura que gera queda parcial ou total dos cabelos.

Smith, não gostando da atitude de Chris, subiu no palco e o agrediu com um tapa. "Tire o nome da minha mulher da sua boca” gritou o ator após voltar ao seu assento. A cena chocou a plateia, que ainda assim acreditava que era uma cena roteirizada. Só foram entender que se tratava de realidade quando Smith, em seu discurso de agradecimento, se desculpou com os convidados e com a Academia.

O ator foi proibido de frequentar qualquer evento organizado pela academia de Hollywood por 10 anos. Já Rock não foi condenado por nenhum membro do evento, mas foi atacado por internautas em suas redes sociais.

Will Smith agredindo Chris Rock. Imagem: divulgação.
Will Smith agredindo Chris Rock. Imagem: divulgação.

 

Bônus: do que é feita a estatueta?

Ao vermos aquela imponente estátua dourada, pensamos automaticamente nos milhares de dólares desembolsados para sua produção. Mas, para frustração de nosso imaginário, ela é feita de nada mais que estanho folheado. A peça de 35 cm de altura pesa cerca de 4 g, é folheada a ouro 14 quilates e custa de US$ 500 a US$ 900 para ser feita.

Estatueta dos Oscars. Imagem: Bloomberg línea.
Estatueta dos Oscars. Imagem: Bloomberg línea.

 

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Ninguém entra em conflito quando se fala da genialidade do diretor de Pulp Fiction e Kill Bill
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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16/11/2022 - 12h

Com um total de 37 estatuetas recebidas nas maiores premiações do mundo cinematográfico, é inegável que Quentin Tarantino se tornou um dos maiores e mais influentes diretores da atualidade. Suas narrativas e estilo visual marcaram a indústria cinematográfica e conquistaram a crítica especializada e a popularidade.
Antes de iniciar sua carreira no mundo do cinema, foi gerente de uma locadora. Aliás, o próprio Quentin Tarantino deve muito de sua criatividade ao acesso a alguns dos filmes que inspiraram seu trabalho.
Consagrado entre os amantes da arte do cinema por seu estilo bem definido e inconfundível, o diretor nasceu no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. Seu primeiro trabalho foi em My Best Friend’s Birthday, de 1987. Porém, foi em Cães de Aluguel, lançado em 1992, que o diretor iniciou sua ascensão ao estrelato. 
O longa, que rendeu o status de "Melhor Filme Independente já feito" pela revista Empire, foi o pontapé inicial em uma carreira promissora e influente.
Diretamente influenciado pelo movimento francês Nouvelle Vague, Tarantino também flerta diretamente com as raízes do cinema inglês, do faroeste e, principalmente, das artes marciais.
Com uma estética sanguinária e violenta, o diretor desenvolve narrativas divididas em capítulos - Kill Bill - Volume 1 e Volume 2, por exemplo -, com cenas de lutas marciais bem ensaiadas, diálogos extensos e, muitas vezes, não-lineares, além das trilhas sonoras que transmitem com exatidão o clima da cena.

Uma Thurman em Kill Bill / Foto: Miramax Films
Uma Thurman em Kill Bill
Foto: Miramax Films

Em 1994, foi lançado o longa Pulp Fiction. Considerado um marco na história do cinema e da cultura pop, o longa transpôs uma narrativa não-linear dividida em sete capítulos. Abordando o universo gangster de forma caricata, Tarantino traz ironia, humor e acidez ao gênero policial - não é à toa que o filme foi indicado a sete categorias do Oscar e recebeu a estatueta por "Melhor Roteiro Original'.
O título do longa metragem mais aclamado de sua carreira assumia referências à literatura popular norte-americana sobre crimes, muitas vezes vendida em papel barato (pulp). Suas obras, como sempre, assumiram a responsabilidade de retratar assuntos joviais com certo tom de ironia e acidez. 
Foi com Pulp Fiction que Quentin Tarantino foi reconhecido como uma verdadeira estrela na arte da direção cinematográfica. Não é à toa que a dádiva de mesclar assuntos joviais em uma atmosfera caótica lhe rendeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes, prêmio de maior prestígio do Festival de Cinema de Cannes.

Cena de Pulp Fiction / Foto: Miramax Films
Cena de Pulp Fiction / Foto: Miramax Films

Já em seu terceiro filme, Tarantino decidiu seguir um caminho diferente. Nesse, o roteiro seria uma adaptação do livro Jackie Brown, do autor Elmore Leonard. Menos estridente que seus antecessores, o filme, intitulado da mesma forma que o livro, abre espaço para os personagens e seus relacionamentos se desenvolverem entre os pontos cruciais da trama. Diferentemente de seu quarto filme.
Kill Bill Volume 1 e Volume 2 são explosivos. Voltado ao cenário de ação direta e vingança, o thriller acompanha uma história de vingança sangrenta e muitas cenas de artes marciais. Dividido em dois filmes, o longa é uma homenagem direta aos gêneros que o diretor se inspira, principalmente ao cinema oriental.
Do macacão amarelo de Jogo da Morte ao esquadrão dos Cinco Venenos Mortais, Tarantino, notavelmente, se apropria de elementos estrangeiros e consegue refletir, de maneira universal, a diversidade cultural dos Estados Unidos.
Porém, não apenas a cultura estadunidense é retratada, mas também a história mundial. Um fator importante é que o revisionismo histórico se mostrou presente em seus lançamentos mais recentes.
Os longas Bastardos Inglórios (2009), Django Livre (2012), Os Oito Odiados (2015) e Era Uma Vez em Hollywood (2019) compõem o seleto grupo de longas que decidem retratar períodos marcantes no mundo globalizado, desde a Segunda Mundial até o fim da Velha Hollywood.
Um fato importante é que, durante anos, Quentin Tarantino planeja se aposentar do cinema depois de dirigir dez filmes. Sua nona obra, Era uma vez em Hollywood, onde atuou como roteirista e diretor, recebeu indicações ao Oscar, Globo de Ouro e BAFTA.
Faltando apenas um filme para cumprir sua promessa, o diretor consegue recontextualizar um gênero premiado ao seu próprio toque. É criado um universo onde todos os erros podem ser corrigidos e tudo é possível - inclusive, matar Hitler de uma forma imprecisa. 
De ex-funcionário de uma videolocadora a um dos maiores diretores da geração. Com certeza, quando seus dias chegarem ao fim, Tarantino terá morrido como um samurai.

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