Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
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Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
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KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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Evento discute corpo, memória e fronteiras com espetáculos, videodanças e mesas de debate
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Larissa Pereira José
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26/08/2025 - 12h

A 2ª Mostra Internacional de Dança de São Paulo está em cartaz até o dia 31 de agosto no Itaú Cultural, localizado na Avenida Paulista, na capital. O tema “Dança como pulsão de vida” é o que liga os 16 espetáculos presenciais, oito videodanças e quatro fóruns de debate. As companhias presentes vêm de dez estados brasileiros e de sete países, como Argentina, Canadá, Chile, Estados Unidos, França e Moçambique.

O projeto acontece em parceria com a Associação Pró-Dança e tem apoio do Itaú Unibanco. A estrutura do evento está dividida em três eixos: fomento, formação e fruição. A proposta é aproximar diferentes públicos da dança contemporânea, além de fomentar o encontro entre artistas de diferentes origens e tornar acessíveis produções que, muitas vezes, circulam em espaços restritos.

As apresentações acontecem de quinta a domingo, em horários variados. Além do palco principal, o evento também aposta no formato híbrido: videodanças estarão disponíveis na plataforma Itaú Cultural Play entre os dias 01 e 30 de setembro. Os fóruns de debate vão discutir os processos criativos, os desafios da circulação artística e as fronteiras que a dança enfrenta para alcançar novos públicos no Brasil e no exterior.

Um dos destaques da programação é o grupo “Movidos Dança”, de Natal (RN), que apresenta o espetáculo “Nuvem de Pássaros”. A obra é dirigida e coreografada por Anderson Leão. Inspirada nas revoadas coletivas de aves, a criação reflete sobre sobrevivência e resistência, propondo metáforas entre o voo e o deslocamento humano.

Cena de “Nuvem de Pássaros” espetáculo do grupo Movidos Dança
Cena de “Nuvem de Pássaros” — Espetáculo do grupo Movidos Dança, obra traz discussão sobre resistência e coletividade por meio de corpos diversos em movimento Foto: Divulgação/ Opotengi

Em entrevista exclusiva à AGEMT, Anderson Leão explicou como nasceu a proposta do trabalho: “O espetáculo surgiu após um convite para trabalhar na Costa Rica, um país que eu não tinha muita familiaridade com a cultura, com os costumes e com a língua. Essa minha migração fez com que eu pudesse ter a ideia de trazer a migração dos pássaros, o movimento, a busca pela sobrevivência.”

Para o artista, estar na mostra representa uma oportunidade de amplificar a voz da dança produzida em outras partes do Brasil, além da possibilidade de compartilhar experiências com outras companhias nacionais e do exterior. “Eu acho que ser selecionado na Mostra Internacional de Dança de São Paulo traz uma importância muito grande para a companhia, para o grupo que vem lá do Rio Grande do Norte, lá da esquina do Brasil, sempre buscando essa existência e resistência dentro da cultura, da dança, num país tão extenso”, disse o coreógrafo. 

O artista também afirmou que a mostra atrai os olhares de curadores e novas possibilidades para a companhia expandir seus territórios coreográficos. “Estamos celebrando essa conquista, sabemos que podemos abrir novas portas através dessa apresentação”, finalizou.

A participação do grupo também se conecta ao eixo de circulação artística defendido pela Mostra, que busca quebrar barreiras geográficas e estimular o diálogo entre linguagens e territórios.

Outro ponto de destaque da programação é o “Pitch On-line”, uma rodada de apresentação de projetos de dança a programadores e agentes culturais, em busca de financiamento e novas parcerias. A atividade fortalece a ideia de fomento e contribui para dar visibilidade a artistas independentes.

O acesso do público à Mostra é gratuito, com retirada antecipada de ingressos no site do Itaú Cultural. A instituição também garante recursos de acessibilidade, como tradução em libras e audiodescrição.

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“Eh Noiz Ki Tá” chega às plataformas de streaming celebrando a música urbana
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Cecília Schwengber Leite
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25/08/2025 - 12h

Na última quinta-feira (21), o cantor de funk MC Hariel lançou seu novo álbum em todas as plataformas digitais, em parceria com a Warner Music Brasil e a GR6. Intitulado “Eh Noiz Ki Tá”, o significado do projeto vai além de uma gíria, trata-se de uma expressão coletiva de identidade e orgulho, já que celebra o funk e as potências periféricas.

Capa do álbum “Eh Noiz Ki Tá” expressa a estética da música periférica. Reprodução: Instagram @mchariel
Capa do álbum “Eh Noiz Ki Tá” reforça e exalta estética das periferias. Foto: Reprodução/ Instagram @mchariel

Um dos maiores nomes da música urbana brasileira, MC Hariel acumula mais de 5 bilhões de streams em seus 14 anos de carreira. Com 15 músicas, o lançamento recém saído do forno promete escrever um novo capítulo em sua trajetória artística. 

Nele, o cantor propõe um mergulho nas batidas de rua e em letras afiadas. Produzido por Nagalli, DJ Murilo e LT no Beat, Ajaxx e DJ Perera, o álbum é construído sobre quatro pilares — arte, funk, cultura e união.

Reforçando a ideia de coletivo, suas faixas contam com parcerias de peso como Kayblack, Ferrugem, MC Cabelinho, MC Kako, Rael, Major RD, Neguinho da Kaxeta, Vulgo FK, MC Rah, MC Tuto, MC Kadu, MC Cebezinho, MC Paulin da Capital, AJulia Costa e MC JVila. 

A mistura de batidas e de artistas não vem só do funk, mas do rap, do trap e até do pagode; o que dá o tom de celebração da cultura urbana e mostra a maturidade e versatilidade de Hariel.

Lançado em 24 de julho, o single homônimo cumpriu o papel de antecipar ao público o teor do projeto. A faixa tem a produção assinada por Nagalli e videoclipe dirigido por Tico Fernandes e Kaique Alves, em parceria com a KondZilla. 

A faixa-título foi o cartão de visita de uma fase mais íntima e conectada com a base que consolidou Hariel como um dos grandes nomes do funk consciente. Com instrumental moderno, o som combina batidas animadas e intensas com uma letra que mistura ambição, conquistas e lealdade. Seu clipe, gravado em locações urbanas, tem a assinatura do artista.

Assista:

 

Confira a tracklist completa do álbum:

 

1 – Beira do Mar (Mc Hariel)

2 – Noite (Mc Hariel feat. Rael e Mc JVila)

3 – Eh Noiz Ki Ta (Mc Hariel)

4 – Conta Forrada (Mc Hariel feat. Mc Tuto)

5 – XT -2 (Mc Hariel)

6 – 5 Letras (Mc Hariel feat. Mc Kadu e Neguinho da Kaxeta)

7 – O que eu quero pro mundo (Mc Hariel)

8 – Sem Sentir Saudade (Vulgo FK feat. Mc Hariel e Mc Rah)

9 – Cifrão (Mc Hariel feat. AJulia Costa)

10 – Sal Grosso (Mc Cebezinho feat. Mc Hariel e Mc Paulin da Capital)

11 – Sinceridade (Mc Hariel feat. Mc Cabelinho)

12 – Bloco de Notas (Mc Hariel feat. Mc Kako)

13 – Limite do Extremo (Mc Hariel feat. Major RD)

14 – Aston Martin (Mc Hariel feat. Kayblack)

15 – Sede de Vencer (MC Hariel feat. Ferrugem)

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Banda não se apresenta por conflito com as quartas da Copa do Brasil; datas em São Paulo e Curitiba seguem confirmadas
por
Maria Clara Palmeira
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22/08/2025 - 12h

Na última quinta-feira (21), a banda de punk rock norte-americana Green Day cancelou o show que faria no dia 9 de setembro, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. O anúncio oficial do cancelamento foi feito pelo grupo e pela produtora nas redes sociais. A decisão ocorreu devido à marcação do jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil entre Botafogo e Vasco, programado para o dia 11 de setembro, no mesmo estádio.

“Sentimos muito, Rio! Esperamos vê-los novamente em breve.” pronunciamento oficial da banda.  Reprodução: Instagram/@greenday
“Sentimos muito, Rio! Esperamos vê-los novamente em breve.” pronunciamento oficial da banda.  Reprodução: Instagram/@greenday

Segundo a produtora do evento, Live Pass, seria inviável desmontar toda a estrutura do palco e liberar o estádio a tempo para a partida. A decisão foi tomada após reuniões com a equipe do Botafogo para definir a melhor estratégia de conciliação entre os dois eventos.
“Após o sorteio, o Botafogo e a promotora se reuniram para discutir a melhor estratégia para a realização dos eventos e concordaram que desmontar todas as estruturas do show a tempo de liberar o estádio para a partida seria tecnicamente inviável para um espetáculo desta dimensão e um jogo desta importância.”, afirmou a Live Pass em nota oficial. 
A produtora orienta os fãs que compraram os ingressos a solicitarem o reembolso, que será feito conforme a forma de pagamento utilizada:

  • Cartão de crédito: estorno automático em até duas faturas.

  • Pix ou cartão de débito: devolução em até 30 dias.

  • Dinheiro: retirada presencial na bilheteria Norte do Estádio Nilton Santos (terça a sábado, das 10h às 17h, exceto feriados ou dias de jogos).

  • Seguro, juros de parcelamento e taxa de serviço também serão devolvidos

Apesar do cancelamento no Rio, a turnê segue em São Paulo, no festival The Town e em Curitiba para um show solo. Na capital paranaense, os ingressos mais baratos já estão esgotados, e a expectativa é de aumento na procura, impulsionada pelo cancelamento do show no Rio.

 

A banda

Formado por Billie Joe Armstrong (vocal e guitarra), Mike Dirnt (baixo) e Tré Cool (bateria), o Green Day surgiu na cena hardcore punk do final dos anos 80 e início dos anos 90. Ao longo da carreira, vendeu mais de 75 milhões de discos, recebeu cinco prêmios Grammy e foi incluído no Hall da Fama do Rock and Roll.

Show da banda no Brasil em 2017. Reprodução: X/@greenday
Show da banda no Brasil em 2017. Reprodução: X/@greenday

O grupo é conhecido não apenas por sua música, mas também por suas críticas políticas, especialmente contra a extrema-direita nos Estados Unidos. Entre seus álbuns de maior destaque estão “Dookie” (1994) e “American Idiot” (2004), que inspirou um musical da Broadway e rendeu reconhecimento internacional. 

O Green Day segue sendo uma das maiores referências do rock mundial, mantendo sua relevância mesmo décadas após a estreia, e promete entregar apresentações memoráveis aos fãs brasileiros nas próximas datas da turnê.

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Em exibição desde maio, a exposição do mestre impressionista francês prorroga seu adeus a São Paulo
por
Clara Dell'Armelina
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20/08/2025 - 12h

Até setembro, será possível um mergulho cultural nas telas do pai do impressionismo, Oscar-Claude Monet. A mostra “A Ecologia de Monet” iniciou dia 16 de maio e reúne, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), 32 obras do pintor, juntamente de uma leitura diante da relação do artista com as transformações da natureza.

A exposição, com curadoria de Adriano Pedrosa e Fernando Oliva, é dividida em 5 núcleos temáticos de suas pinturas, além de um breve relato biográfico. Na entrada, conhecemos um pouco de quem foi Monet. Nascido em Paris, porém, criado na Normandia, o fundador do impressionismo era filho de merceeiro, com pais que almejavam sua entrada nos negócios da família, mas sua vocação era para a pintura. Sua tia Marie-Jeanne Lecadre, também pintora, foi quem o incentivou a seguir na profissão.

Monet em seu estúdio posando ao lado de algumas de de suas famosas pinturas da série "Nenúfares. Fonte: Cultura Colectiva
Monet em seu estúdio posando ao lado de algumas de de suas famosas pinturas da série "Nenúfares". Fonte: Gettyimages

"Voltei a algumas coisas que simplesmente não podem ser feitas: a água, com algas dançando no fundo... É uma visão maravilhosa, mas é de enlouquecer querer fazer isso. Porém é esse tipo de coisa que estou sempre tentando enfrentar.”

                                                                                                                           -Monet, comentário do artista grafado na exposição

Os Barcos de Monet

À esquerda o quadro “O Barco” (1887) e à direita o quadro “A Canoa sobre o Epte”. Fonte: Divulgação/MASP
À esquerda o quadro “O Barco” (1887) e à direita o quadro “A Canoa sobre o Epte”. Fonte: Divulgação/MASP"

O primeiro núcleo é “Os Barcos de Monet”. Nele, estão exibidas duas pinturas de um conjunto de seis obras realizadas entre 1887 e 1890, nas quais há a representação de barcas navegando ao longo do Rio Epte, um dos afluentes do Sena. Todas as obras desta série, com exceção da representada à esquerda da foto acima, mostram as enteadas de Monet a bordo da embarcação.

As telas representam a natureza como sendo um ambiente imersivo, por isso vemos as barcas de um ponto de vista elevado, assim perdemos a noção de uma linha do horizonte. Somando ainda ao fato de que, no quadro à direita, a vegetação da margem funde-se às águas do rio, enquanto na obra à esquerda a margem desaparece por completo. Em ambas as telas, o rio é o protagonista, sendo destacado por pinceladas onduladas em tons de vermelho e amarelo, para simular a correnteza, que somam-se ao verde predominante.

O Sena Como Ecossistema

O segundo núcleo de obras é “O Sena Como Ecossistema” e nele a água mostra-se como inspiração na produção artística de Monet. O artista percorreu grande parte do rio Sena e seus afluentes ao longo de sua vida por meio de seu barco-ateliê, que lhe permitia novos pontos de vista a partir do leito do rio em busca de experiências imersivas. Desde sutis variações de luz e clima na paisagem até eventos naturais de impacto considerável, como inundações e degelos, o rio foi protagonista em suas pinturas.

 "O passeio perto da Ponte de Argenteuil" (1874)
"O passeio perto da Ponte de Argenteuil" (1874). Fonte: WahooArt

Na obra da ponte de Argenteuil, Monet justapõe a caminhada bucólica de sua esposa e seu filho às margens do Sena ao trem cruzando a ponte recém-construída. Aqui, vemos não apenas o lazer burguês, como anteriormente, mas também a fusão dele com a modernização de Argenteuil.

Porém, a representação da industrialização nas pinturas de Monet é escassa. Com o passar dos anos, os trens que cortavam a cidade e as fábricas se multiplicavam ao redor de seus cavaletes, mas em suas telas, desapareciam. A historiografia da arte entende isso como um sinal de desilusão diante da perspectiva de uma harmonia entre a industrialização e a natureza. Os temas da modernidade apenas voltariam a aparecer nas pinceladas de Monet quando tornaram-se o próprio tema de suas pinturas, como em suas cenas da poluída névoa londrina.

 

“Estou seguindo a natureza sem conseguir compreendê-la; esse rio, que desce, volta a subir, um dia verde, depois amarelo, às vezes quase seco, e que amanhã será uma torrente, após a terrível chuva que está caindo agora.”                                                                                                                           -Monet, comentário do artista grafado na exposição

 

Por exemplo, ao longo de toda sua produção, Monet pintou frequentemente o rio Sena, responsável por banhar as cidades nas quais viveu a maior parte de sua vida: Havre, Paris, Argenteuil, Vétheuil e Giverny. Ele era fundamental para o transporte de mercadorias no período de industrialização do país, mas na obra “O Sena em Port-Villez” Monet não retrata o rio margeado por indústrias e muito menos barcos, ao contrário, prevalece a sensação de uma paisagem intocada.

“O Sena em Port-Villez” (1890) Fonte: Wikipedia
“O Sena em Port-Villez” (1890) Fonte: Wikipedia 

Giverny e a natureza domesticada

O tema do terceiro núcleo artístico das pinturas de Monet  é “Giverny: natureza domesticada”. O foco agora são os jardins, um refúgio escapista frente à modernização parisiense para o artista. Ele concebeu a jardinagem, uma outra paixão de sua vida, como pintura ao ar livre, uma fusão dos domínios natural e humano.

Em função da catarata, Monet ficou quase cego em seus últimos anos de vida, isso acaba se tornando perceptível em suas obras, a forma dos temas representados se dissolvia à medida que a definição da imagem cedia lugar aos efeitos das manchas na superfície da tela, como vemos no quadro “A ponte japonesa" (1918-1926).

 

  “A ponte japonesa" (1918-1926) Fonte: ArtsDot
  “A ponte japonesa" (1918-1926) Fonte: ArtsDot

 

Há um debate entre os historiadores da arte de que  a escolha de cores com tons mais saturados, sobretudo vermelho e amarelo, era feita para o pintor compensar a perda gradual da visão, afinal, as cores frias tornavam-se terrivelmente distorcidas.

E junto de uma nova escolha de cores, foi em Giverny que Monet dedicou-se às mais conhecidas obras de sua carreira: as enormes pinturas de ninfeias. As pinturas das plantas na lagoa em Giverny desafiam a estrutura tradicional de uma paisagem, em que chão e céu seriam divididos por uma linha do horizonte, ora localizada acima do centro da pintura, ora abaixo, mas raramente se aproximava dos limites da tela. Porém, nessas obras, o impressionista não aplica o esquema de perspectiva linear.

 

Da esquerda para a direita: quadro “A lagoa de Waterlily" (1904), “Pond With Water Lilies” (1907) e “Le Bassin aux Nymphéas” (1904) . Fonte: Divulgação/MASP
Da esquerda para a direita: quadro “A lagoa de Waterlily" (1904), “Pond With Water Lilies” (1907) e “Le Bassin aux Nymphéas” (1904) . Fonte: Divulgação/MASP

O Pintor Como Caçador           

O quarto momento temático das pinturas de Monet vem como "O Pintor Como Caçador". Em um momento de ascensão do turismo moderno, na segunda metade do século 19, Monet viajou pela França e países próximos. Ele buscava pintar os efeitos atmosféricos particulares de cada lugar.

Na costa da Bretanha foi o mar revolto que desafiou o pintor, já na Holanda, as cores dos campos de tulipas criaram um pretexto que antecipou o seu trabalho nos jardins floridos em Giverny e, em Normandia, destacou em suas pinturas as paisagens costeiras.

Passou a se aventurar por trilhas em busca de pontos de vista originais,  caminhar até um local que desejava pintar passou a influenciar a composição de suas obras, isso influenciava a própria presença do corpo do pintor imerso na paisagem pintada.

 

“A minha é uma vida de cão, e eu nunca paro de andar, eu subo e desço, por toda parte. Saio em explorações por todos os caminhos que encontro, sempre à procura de algo novo.”

                                                                                                                      -Monet, comentário do artista grafado na exposição

 

“Um Penhasco em Pourville pela Manhã”(1897). Fonte: acervo pessoal/Clara DellArmelina
“Um Penhasco em Pourville pela Manhã”(1897). Fonte: acervo pessoal/Clara DellArmelina

 

Na costa normanda da França, Claude Monet produziu um conjunto de seis telas pintadas a partir de um processo de produção em série, o artista levava para o campo diversas telas às quais dava início em momentos diferentes do dia, ou em questão de minutos, o que era o suficiente para haver alguma alteração de luz. Por exemplo, pela manhã, a vegetação sobre as falésias é banhada pelo Sol, assumindo cores alaranjadas e rosadas. Já a luz suave da manhã projeta a cor lilás dos penhascos.


“Neblina e Fumaça”

A exposição chega ao fim com “Neblina e Fumaça”. Aqui, Monet trata como tema central aquilo que durante muito tempo tentou ignorar em seus painéis: a modernidade. O ambiente das cidades passou a ameaçar a natureza idílica tão frequentemente tematizada na produção artística do período. 

Entre suas representações mais famosas desse mundo em transformação estão suas pinturas de Londres, como “A Ponte de Waterloo”(1903). O artista retratou a vista da ponte Waterloo da janela de seu hotel, às margens do rio Tâmisa. Apesar de ter iniciado as pinturas de Londres, as obras só foram finalizadas posteriormente, em Giverny.

“A Ponte de Waterloo”(1903). Fonte: acervo pessoal/Clara DellArmelina
“A Ponte de Waterloo”(1903). Fonte: acervo pessoal/ Clara DellArmelina

 

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Pela primeira vez após o incêndio, o público pode acessar três ambientes que ainda estão em reconstrução
por
Cecília Mayrink
Christian Policeno
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13/08/2025 - 12h

O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, reabriu as portas ao público no início de julho após ficar sete anos fechado por causa de um grande incêndio. A conclusão da reforma está prevista para 2027, mas os interessados já podem agendar a visita ao local e adquirir os ingressos gratuitamente.

O Museu é uma instituição autônoma, integrante do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O edifício foi fundado em 1818 e está instalado no antigo Palácio de São Cristóvão, que já foi residência da família real portuguesa e sede do Império do Brasil. Além disso, ele abrigava um acervo de mais de 20 milhões de itens antes do incêndio em 2018.

Desde 2021, a instituição vem ampliando sua coleção por meio do projeto “Recompõe”, que busca recuperar parte do acervo danificado. A iniciativa já reuniu mais de 14 mil peças e contou com o apoio de doações de outras instituições e de famílias que possuem itens de interesse público.

Pela primeira vez após o incêndio, o público pode acessar três ambientes internos que ainda estão em reconstrução, além de conhecer a exposição “Entre Gigantes: uma experiência no Museu Nacional”.

Entre os dias 2 de julho e 31 de agosto, os visitantes vão acompanhar os avanços no restauro do palácio; reencontrar o meteorito Bendegó; e conhecer o esqueleto de um cachalote, com 15,7 metros de comprimento. 

De seu acervo também destaca-se a coleção egípcia, considerada a maior da América Latina, além da coleção de arte e artefatos greco-romanos. As coleções de Paleontologia incluem o Maxakalissaurus topai, dinossauro proveniente de Minas Gerais. O mais antigo fóssil humano já encontrado nas Américas, conhecido como “Luzia”, por sua vez, pode ser encontrado na coleção de Antropologia Biológica. 

Nas coleções de Etnologia, há objetos da cultura indígena, afro-brasileira e do pacífico. Na área de Zoologia, destaca-se a coleção conchas, corais e borboletas, com mostras dos Departamentos de Invertebrados e Entomologia.

As visitas acontecem de terça a domingo, a partir das 10h, sendo a última entrada às 15h. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla e menores de 14 anos devem estar acompanhados por uma pessoa adulta responsável.

Relembre o incêndio

Em 2 setembro de 2018, o Museu Nacional foi atingido por um incêndio de grandes proporções, que afetou principalmente o setor do Paço de São Cristóvão. As chamas provocaram o maior desastre da história da instituição.

Documentos, livros e coleções desapareceram; salas de aula, arquivos e laboratórios foram reduzidos a cinzas. “Luzia”, considerado o fóssil humano mais antigo das Américas, foi encontrado entre os escombros e, após intensos esforços dos pesquisadores, cerca de 80% de seus fragmentos foram preservados.

A exposição composta por materiais frágeis e de baixa resistência, como plumárias, tecidos e madeira, foi totalmente destruída, com a maior parte não resistindo ao calor intenso. Itens tecnológicos, como computadores, mobiliário e documentos, também foram perdidos. 

Segundo o Museu Nacional, o Colégio Pedro II, localizado no bairro da Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, colaborou oferecendo espaço físico e apoio financeiro para que o museu pudesse, gradualmente, ser reconstruído.

De acordo com a Polícia Federal, o incêndio foi causado pelo superaquecimento de um dos aparelhos de ar-condicionado instalados no auditório térreo do museu. O laudo da PF também apontou falhas na rede elétrica, como a ausência de disjuntores individuais para cada equipamento e deficiências no sistema de aterramento. Além disso, a instituição não possuía um plano de prevenção e combate a incêndios, o que contribuiu para a rápida propagação das chamas.

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