Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Mostra de longa duração no Memorial da Resistência de São Paulo não deixa que se esqueçam os atos da ditadura militar
por
Vitor Nhoatto
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25/04/2024 - 12h

Localizado em um edifício de arquitetura secular na Santa Ifigênia, centro histórico de São Paulo, um convidativo ambiente anuncia por meio de placas que se está entrando em um lugar carregado de significados. Eis o Memorial da Resistência de São Paulo. Administrado pela prefeitura, o local que serviu como centro carcerário e de tortura durante o regime golpista, hoje é um espaço dedicado a relembrar esse condenável momento da história do Brasil.

Estrutura histórica

Após passar pela bilheteria e adquirir seus ingressos, os quais são gratuitos e também podem ser reservados pelo site do museu, a detalhada e interativa exposição começa. Organizada em quatro módulos, os visitantes têm a oportunidade de ler cartas e escutar depoimentos de pessoas que ali foram confinadas e torturadas, além de poderem entrar nas quatro celas do antigo Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo – Deops/SP, e no corredor onde os presos tomavam banho de sol.

Com a explicativa jornada proporcionada pelos escritos nas paredes da instalação, que remontam desde antes do golpe militar de 1964, até o começo da última década, uma viagem no tempo é possível. Mais adiante a atmosfera pesa e um desconforto pode ser sentido diante dos relatos e dados expostos nas celas de como era viver em um ambiente tão pequeno mas que comportava entre 16 e 18 presos segundo a organização da mostra. “O que mais me impactou nas celas foi o banheiro, que tinha só uma luz bem fraca. Eles viviam praticamente no escuro”, conta Victoria da Silva, estudante de jornalismo.

Parede de cim,ento querimado cinza na cela 2 no Memorial da Resistêmcia de São Paulo com relatos de alguns presos políticos que passaram pelo local
São vários os relatos ao longo da exposição permanente no primeiro andar do Memorial da Resistência - Foto: Vitor Nhoatto

Além disso, nos dois corredores do desativado complexo penitenciário, os sentimentos de quem ali permaneceu por anos são trazidos à tona, como o medo e a esperança. O material audiovisual disponibilizado também impacta ao narrar histórias de figuras que foram torturadas no Deops durante a ditadura militar, e para quem prefere o analógico, cartas e bilhetes de presos estão disponíveis para leitura logo ao lado das entradas das celas.

Local de Memória

Apesar do espaço criado em 2009 ter como objetivo mostrar as atrocidades cometidas pelos militares de forma geral no país e chamar a atenção para a necessidade de valorizar a democracia e os direitos humanos, com relatos de pessoas de vários estados, o foco do local é o papel de São Paulo no regime militar. Como se deram as perseguições e prisões na cidade, e as articulações entre políticos e militares antes, durante e após a ditadura.  

Iniciado oficialmente em 31 de março de 1964 e concretizado em 1 de abril, o golpe militar foi possibilitado perante o apoio, convivência e traição por parte de agentes públicos e atores civis. Segundo o Relatório da Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo, militares instalados na cidade como Amaury Kruel, comandante do II Exército, empresas com sede no estado como Pfizer, Volkswagen e Eucatex, e movimentos civis realizados em São Paulo como A Marcha da Família Com Deus Pela Liberdade, foram ímpares a concretização do golpe, e a exposição trata do papel de destaque paulista.

Parede azul no Memorial da Resistência de São Paulo com uma linha do tempo colorida de 1889 à 2008
Linha do tempo na mostra aborda e explica questões políticas de 1889 à 2008 - Foto:  Reprodução/Memorial da Resistência

Funcionando todos os dias da semana das 10h às 18h, exceto às terças-feiras, o Memorial da Resistência ainda conta com as exposições temporárias Resistências na PUC-SP e Mulheres em Luta, ambas em relação à ditadura militar. De fácil acesso por trem, metrô e ônibus, o museu se  traduz como um farol de luta e memória no centro de São Paulo que grita por aqueles violentados e assassinados por buscarem liberdade, respeito ou qualquer coisa que não fosse a tirania. Um local de reflexão e recordação a respeito de uma época inesquecível que deve ficar no passado.

 

Esta matéria foi produzida como parte integrante das Atividades Extensionistas do curso de Jornalismo da PUC-SP.

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Exposição trata a atuação feminina em busca de justiça e de seus direitos
por
Nathalia de Moura
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25/04/2024 - 12h

No ano em que se completam os 60 anos do Golpe Militar de 1964, um dos períodos mais trágicos da história da política brasileira, o Memorial da Resistência de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo organiza uma exposição temporária que mostra o papel das mulheres nesse período. “Mulheres em Luta! Arquivos de Memória Política” conta com a curadoria da pesquisadora Ana Patos e registra através de fotos, frases e depoimentos como foi a atuação das mulheres vítimas da Ditadura e relata a luta da União das Mulheres de São Paulo em busca de seus direitos naquela época.  

Localizado na região central de São Paulo, próximo à Estação da Luz e do Museu da Língua Portuguesa, o Memorial da Resistência inaugura mais uma exposição sobre os tempos da Ditadura Militar, mas sob uma perspectiva diferente desse período. A intenção dessa mostra é focar na figura da mulher em meio a tanta tortura e represália, mostrando a união das mulheres. A busca por seus direitos e as manifestações a favor dos presos políticos mostram a força que esse grupo possuía desde esse tempo. 

Com a vasta opção de arquivos, é possível conhecer e contemplar a história de diversas mulheres. Pode-se destacar a de Inês Etienne Romeu (1942-2015), a única sobrevivente da Casa da Morte de Petrópolis-RJ, um centro clandestino criado pelo Centro de Informações do Exército (CIE) para torturar pessoas contrárias ao regime militar. Através do depoimento de Inês à Comissão Nacional da Verdade (CNV), foi possível saber quem atuava na Casa da Morte. Fica disponível ao visitante da exposição ler sobre cada torturador, cada preso e o que ocorria em determinado lugar. 

Cada espaço possui imagens marcantes, textos e áudios explicativos e até mesmo alguns poemas da sergipana, pensadora negra, poeta e militante Beatriz Nascimento, que retrata bem as formas de resistência à violência e impunidade. 

Poema "Marcas" com letras brancas, de Beatriz Nascimento na parede preta da exposição
Poema de Beatriz Nascimento sobre as marcas da Ditadura. - Reprodução: Nathalia de Moura

Os grupos femininos de militância se tornaram mais fortes em meados dos anos 70. As ideias do Clube de Mães da Zona Sul e as pautas femininas da União de Mulheres de São Paulo conversavam entre si e buscavam, principalmente, moradias dignas, educação e saúde. A força política dessas mulheres se uniu a outras causas, como as da comunidade LGBTQIA+.  

Até hoje, a União de Mulheres de São Paulo segue defendendo e atuando em prol dos direitos femininos. Há 40 anos de sua fundação, a associação preza em chamar atenção aos desafios enfrentados ao longo do tempo, buscando a igualdade entre os gêneros. 

Fotos expostas na exposição sobre as manifestações das mulheres
Mulheres em passeata em busca de seus direitos. - Reprodução: Nathalia de Moura

Segundo o Relatório da Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo, a junção das feministas com os movimentos populares e sociais, dirigidos por mulheres ou com presença massiva dessas em seus quadros, aumentou as reivindicações desses movimentos quando começaram a acrescentar à luta inicial e outras dimensões da luta política, como o debate da dupla jornada de trabalho, da necessidade de socialização do trabalho doméstico, do salário igual para trabalho igual e da transformação da qualidade da relação entre homens e mulheres. 

No tocante ao movimento pela Anistia, também as mulheres foram pioneiras: Therezinha Zerbini, esposa do general Euryale de Jesus Zerbini - transferido forçadamente à reserva em 1964 por ter-se mantido fiel a João Goulart - fundou em São Paulo o Movimento Feminino pela Anistia (MFPA) em 1975. Ela dizia que “a anistia não cai do céu, é uma guerra política” e é justamente o que aquelas filhas, mães e avós lutavam e reivindicavam naqueles anos. 

Foto de mulheres com cartazes e jornais protestando
Manifestantes na Câmara dos Deputados durante a votação da Lei da Anistia. - Reprodução: Nathalia de Moura

A estudante de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Nicole Domingos relatou que a experiência na exposição foi muito esclarecedora e a fez entender sobre a história e as lutas das mulheres naquele período. “É uma história linda e cheia de dor que podemos sentir como mulher, mas nunca entenderemos o que foi estar lá para chegarmos até aqui”, declarou a estudante.

Foto de uma mulher escrevendo num muro. Ela veste camisa branca e calça preta e está de costas
Foto e trecho do poema da Constituinte feitos pela União das Mulheres exigindo seus direitos. - Reprodução: Nathalia de Moura  

Nicole também cita que ver a participação de diversas mulheres é importante para entendermos que, mesmo não estando nos livros de história, elas estavam na linha de frente. “Digo isso por todas as Marias, Teresas e Joanas que li naquelas paredes. [...] Descobri que sou grata a milhares de mulheres que não sei o nome, mas sei a luta”, finaliza. 

 

Esta matéria foi produzida como parte integrante das Atividades Extensionistas do curso de Jornalismo da PUC-SP. 

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O teatro sinônimo de resistência nacional em meio a ditadura militar no brasil
por
Pedro Bairon
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25/04/2024 - 12h

No ano em que o golpe militar de 1964 completa seis décadas, é momento de relembrar uma série de eventos que foram ocultados do grande público em decorrência da censura imposta diante do regime militar. Com tal data simbólica se aproximando, o Memorial da Resistência, junto com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) trouxeram uma exposição que relembra aos visitantes o papel da luta pela democracia por parte da Universidade paulistana, e atos repugnantes cometidos pelo governo vigente com ela.  

Uma testemunha ocular importantíssima de muitas lutas lideradas pela PUC-SP contra a ditadura, foi o teatro da Universidade – O Teatro Da Universidade Católica (TUCA). Inaugurado em 1965 com a peça “Morte e vida Severina” de João Cabral De Melo Neto, o TUCA permaneceu desde sua criação até a queda de Figueiredo 1985 sendo um palco de diversas lutas libertarias em meio a censura imposta as universidades da época. 

 

  

         Carros blindados invadindo a PUCSP – TV-PUC
         Carros blindados invadindo a PUCSP – TV-PUC  

Em 1968, no ano em que se instaurou o Ato Constitucional Número 5 (AI5) o teatro presenciou Caetano Veloso cantar “É proibido proibir” em um dos momentos mais críticos do regime militar.  Sem mencionar outras peças e discursos de docentes expulsos de outras universidades por ferirem as leis autoritárias do regime ditatorial.  

           

Após uma série de protestos e reivindicações por parte da PUCSP, os militares algum momento reagiria, para tentar silenciar as vozes de alunos e funcionários indignados com a situação do país. Em 1977, 9 anos após o teatro ouvir a voz de Caetano Veloso ecoando “É proibido proibir” a universidade é invadida pelas forças golpistas. Os alunos foram conduzidos a um estacionamento próximo a Universidade, e 80 deles levados presos por violarem as leis ditatoriais. O TUCA também foi invadido nessa incursão a Universidade, contudo não sofreu nenhum grande dano em meio a invasão. 

TUCA IMORTAL: 

                                          Foto dos bombeiros apagando o incêndio no TUCA – pucsp.br
           Foto dos bombeiros apagando o incêndio no TUCA – pucsp.br 

  

Em 1984, um ano antes da queda de João Figueiredo, houve um incêndio no Teatro, sem deixar vítimas pois o fogo se alastrou durante um intervalo entre dois espetáculos carbonizando o teatro por inteiro. Com às investigações constatou-se que as chamas eram resultado de uma falha termoelétrica. Contudo, até hoje acredita-se que o fogo não foi em decorrência de um acidente, mas que na verdade ele teria sido um ataque proposital. No dia em que o TUCA ardeu até quase sua última coluna, os alunos faziam um ato sobre os 7 anos da grande invasão de 1977, e as suspeitas apontam que grupos alinhados ao governo ditatorial teriam se reunido com alunos da própria universidade para realizar tal ato criminoso. Nas palavras do Pós reitor vigente, Padre Edenio Valle: “O incêndio de setembro de 1984 foi um “atentado terrorista que” deu certo". Era o dia do sétimo aniversário da grande invasão. Enquanto na rampa se comemorava a vitória da PUC, um grupo da extrema direita, provavelmente com elementos da própria Universidade, tramou e executou uma manobra bem mais profissional da qual resultou um terceiro incêndio nascido em vários focos simultâneos.”   

O TUCA, presenciou diversos eventos importantíssimos para a história do Brasil. Desde peças que contestavam o regime ditatorial vigente, até invasões e incêndios. E em suas paredes até hoje queimadas, não permite os alunos e professores esqueçam o que aconteceu ali. O local por si só revela a dura e triste realidade da opressão no país que durou mais de 20 anos. Mas também expõe que muitas pessoas não se conformaram caladas com as atrocidades cometidas pela ditadura, ele expõe que muitos se levantaram e lutaram, contra uma realidade barbara e desumana, e assim ele ficará marcado na história.     

 

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Com uma atmosfera tensa, o museu conta com inúmeras exposições de resistência à Ditadura e comove todos os espectadores
por
Victória da Silva
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25/04/2024 - 12h

 

“Pegaram meu bebê para me ameaçar, Rose Nogueira.” é uma das frases presentes nas paredes das celas. O sangue ilustrado nas fotos não é artístico, assim como as grades e as portas de cada sala do Deops, servindo para recordar os dias de tortura sofridos pelos presos na Ditadura.

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A exposição traça uma linha cronológica de acontecimentos mundiais e nacionais, incluindo as resistências contra os atos repugnantes do Regime Militar.  Foto: Reprodução Memorial da Resistência

 

O Memorial da Resistência, criado em 2009 pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, abriga um acervo histórico e muitas apresentações de aspectos diferentes dos 21 anos de Regime Militar no Brasil. 

Há atualmente no local a exposição permanente “Memórias nas celas do Deops/SP” e as temporárias: “Resistências na PUC-SP” e “Mulheres em Luta! Arquivos de memória política”, todas essas agregando um enorme valor à indústria cultural e tornando indeléveis os acontecimentos dessa época.

Entrar nos cárceres do museu e ler a linha cronológica dos fatos ocorridos traz à tona o peso e a tensão vividas na época, evidenciando o período desgastante que atentou contra a democracia, a arte e a liberdade.

Vítor Nhoatto, estudante do 2° semestre de jornalismo da PUC-SP, afirma que toda a visita foi impactante, mas as falas escritas nas paredes o tocaram profundamente: “A parte que mais me chocou foi aquele escrito em que os carcerários sabiam quando os guardas iam até eles ou para levar comida ou para torturar”.

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Frase impactante está estampada na parede de uma das celas. Foto: Victória da Silva.

Rememorar para resistir

A segunda cela existente no memorial mostra dois colchões no chão e suas paredes completamente rabiscadas com nomes de pessoas que sobreviveram ao Regime e acontecimentos que as levaram a ser presas. Essa foi uma maneira eficaz de dar voz a esses cidadãos, já que segundo o Relatório da Comissão da Memória e da Verdade (CMV) da Prefeitura de São Paulo, um fato marcante dos anos de Ditadura foi a indigência de muitos indivíduos que foram presos, morreram, mas sequer foram velados ou tiveram suas mortes notificadas.

De acordo com o documento da CMV: “...o sepultamento como indigente de militantes assassinados e com a identidade conhecida pelos agentes era uma prática comum para impedir sua localização pela família e acobertar os crimes cometidos pela repressão.” Assim, expressar nos muros os nomes de vários sobreviventes foi uma forma de demonstrar mais uma vez a resistência.

TUCA Incendiado

A exposição “Resistências na PUC-SP” conta como a Pontifícia Universidade Católica foi ponto de referência na resistência contra a Ditadura, abrigando exilados, protestando contra a repressão e ainda, promovendo eventos de ciência, cultura e música durante toda a censura vinda do Estado. 

Por esses motivos, a PUC foi invadida por policiais militares no dia 22 de setembro de 1977 e o TUCA, Teatro da Universidade Católica de São Paulo, foi incendiado sete anos depois, no dia 22 de setembro de 1984. Dessa forma, com a ideia de que lembrar é resistir, a exposição deixa indiscutível a participação da comunidade acadêmica na luta contra toda a oposição à democracia, e também manifesta a relevância que a educação tem no combate ao autoritarismo governamental.

Esta matéria foi produzida como parte integrante das Atividades Extensionistas do curso de Jornalismo da PUC-SP. 

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O fim da Ditadura Militar no Brasil e a luta da população pela volta da liberdade
por
Khauan Wood
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25/04/2024 - 12h

O ano de 1979 marcou o começo de um processo de ruptura do Regime Militar brasileiro. Com o início do governo de João Figueiredo e a promulgação da Lei da Anistia, que perdoava os perseguidos políticos, chamados pela Ditadura de subversivos, os militares gradativamente iam perdendo força para seguir no comando do Brasil. Após esse ano, a economia do Brasil começou a quebrar, entre 1980 e 1985 a inflação anual do país teve uma média de quase 164% de acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgados pelo jornal O Globo.  

A partir daí manifestantes começaram a ir as ruas pedindo a volta da democracia e o direito ao voto, o movimento ficou conhecido como “Diretas Já!”. A campanha pelas diretas teve início oficial em março de 1983, com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do então deputado Dante de Oliveira, que restaurava as eleições populares no país, a proposta contou com apoio de dez governadores de oposição ao governo. A maior das manifestações ocorreu em 16 de abril de 1984, dias antes da votação da Emenda, o evento, que correu na cidade de São Paulo, reuniu cerca de 1.5 milhão de pessoas que gritavam pelo fim do Regime que já se arrastava por 20 anos.  

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Maior manifestação do período da Ditadura no Vale do Anhangabaú - Foto: Governo do Estado de São Paulo

No dia da votação a PEC não foi aprovada, obtendo menos votos do que o necessário para entrar em vigor. Porém, nas eleições de 1985 os militares não emplacaram seu candidato e Tancredo Neves foi eleito pelo Congresso Nacional para presidir o país. Os brasileiros só teriam seus direitos ao voto reestabelecido em 1988 com a promulgação da atual Constituição e no ano seguinte elegeria o seu primeiro presidente depois de quase três décadas. 

Mesmo com a redemocratização. o regime militar deixa marcas em nossa história até hoje, dados do Governo Federal mostram que 364 pessoas ainda sequer foram encontradas, além disso, a Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo apurou que somente na capital paulista, 79 pessoas foram mortas e sepultadas pela repressão e com colaboração e aval da Prefeitura Municipal. 

Esta matéria foi produzida como parte integrante das Atividades Extensionistas do curso de Jornalismo da PUC-SP. 

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