Compra feita pela Paramount Skydance vai integrar o streaming HBO Max e ampliar o catálogo de séries e filmes
por
Amanda Lemos
Luiza Passos
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03/03/2026 - 12h

Com a Netflix oficialmente fora da negociação, a Paramount Skydance confirmou, em anúncio feito na última sexta-feira (27), a compra da Warner Bros. Discovery (WBD) por US$ 110 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 568 bilhões. A conclusão da transação está prevista para o terceiro trimestre de 2026 e ainda depende de aprovações regulatórias.

A Warner Bros. Discovery é um dos maiores conglomerados de mídia do mundo, responsável por um estúdio centenário de Hollywood e por marcas como HBO, DC Studios e CNN, além de um vasto catálogo de produções cinematográficas e televisivas.

David Zaslav, CEO da WBD, disse estar muito satisfeito com o resultado. “Estamos ansiosos para trabalhar com a Paramount para concluir esta transação histórica”.

De acordo com o CEO da Paramount, David Ellison, a fusão das plataformas poderá resultar em uma base superior a 200 milhões de assinantes globais, após unificar as plataformas Paramount+, Pluto TV e BET+.

Posteriormente, o mesmo modelo deverá ser aplicado à HBO Max, reunindo os serviços sob uma estrutura operacional unificada. Ainda não se sabe se a HBO estará totalmente integrada à plataforma ou se funcionará como uma marca dentro do serviço.

Fachada do prédio do Warner Bros. Studio Tour London – The Making of Harry Potter, com o logotipo da Warner Bros. e o título em letras grandes na parede curva do edifício. À direita, há uma grande estátua de um cavaleiro com armadura e capa, segurando uma espada.
Entrada da Warner Bros. Studio Tour London “The Making of Harry Potter”, localizado em Leavesden, próximo a Watford, Inglaterra Foto: Luiza Passos

 

Com a combinação das plataformas, franquias de sucesso como “Harry Potter”, “Game of Thrones” e o universo DC passarão a compor um mesmo ecossistema de streaming. No entanto, segundo Ellison, cada serviço continuará operando com independência editorial, preservando sua identidade.

A aprovação de órgãos reguladores poderá alterar o atual cenário do streaming internacional, consolidando um novo arranjo operacional entre plataformas e estúdios tradicionais.

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Empresa decide não cobrir oferta superior da Paramount Skydance e encerra negociação bilionária iniciada em 2025
por
Luiza Passos Bruno Scheepmaker
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02/03/2026 - 12h

A plataforma Netflix anunciou, na última quinta-feira (26), a desistência da compra da Warner Bros. Discovery (WBD), empresa responsável pelo streaming HBO Max, depois de a Paramount Skydance apresentar uma proposta superior. O acordo, que estava em andamento desde dezembro de 2025, era avaliado em cerca de US$ 82,7 bilhões.

A negociação havia sido comunicada ao mercado no fim do ano passado e era considerada estratégica para o setor de entretenimento, já que envolveria uma grande fusão da indústria audiovisual recente. A WBD é responsável por franquias de sucesso como “Harry Potter” e o universo DC, o que ampliaria significativamente o catálogo de filmes da Netflix.

Fachada do prédio dos Warner Bros. Studios Leavesden, com o logotipo da Warner Bros. em destaque na parede bege.
Fachada do complexo de estúdios da Warner Bros. Studios, Leavesden, localizado perto da cidade de Watford, na Inglaterra - Foto: Luiza Passos

No entanto, o cenário teve uma reviravolta nesta semana com a nova investida da Paramount. Os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters decidiram não aumentar sua oferta pela empresa.

“Sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atraente, portanto, estamos recusando a oferta da Paramount Skydance”, afirmaram os co-CEOS em declaração oficial.

A desistência da Netflix reacendeu um debate dentro da indústria cinematográfica. De acordo com o jornal “New York Times”, o anúncio do fim do ano passado havia gerado preocupações por um grupo de produtores de cinema que temiam os possíveis impactos na exibição de filmes.

“A Netflix considera qualquer tempo gasto assistindo a um filme no cinema como tempo não gasto em sua plataforma. Eles não têm nenhum incentivo para apoiar a exibição em salas de cinema e têm todos os incentivos para acabar com ela.”, alegam produtores em carta anônima.

Se antes a possível compra da WBD pela Netflix gerava debates no campo criativo, a eventual aquisição pela Paramount desloca a discussão para o campo político. O CEO da empresa, David Ellison, é visto como aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que intensificou questionamentos sobre possíveis impactos na independência editorial da CNN (que faz parte do grupo Warner).

Com a saída da Netflix da disputa, a decisão agora depende da aprovação de órgãos reguladores. O desfecho da negociação poderá redefinir não apenas o mercado de streaming, mas também as consequências para um dos grandes veículos de informação global.

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Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Cantor passou pelo Rio de Janeiro e São Paulo em outubro com ingressos esgotados
por
Sophia Pietá Milhorim
Isabella Santos
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13/11/2023 - 12h

Um dos maiores cantores da atualidade, The Weeknd, trouxe para o Brasil a sua tão esperada turnê “After Hours Til Dawn”, passando pelas capitais Rio de Janeiro e São Paulo. Esgotando os ingressos apenas nos primeiros dias de venda, o artista criou um espetáculo distópico e tecnológico com estrutura gigantesca nos estádio de Nilton Santos e Allianz Parque.

 

Para mais de 150 mil pessoas, The Weeknd cantou seus maiores sucessos e proporcionou um show grandioso com os recursos de efeitos especiais e fashionistas. Abel Tesfaye utilizou uma máscara prata e um braço de ferro para adentrar no universo futurista em que seu show se passa. A turnê no Brasil começou pelo Rio de Janeiro, o show aconteceu no dia 07 de outubro para mais de 61 mil pessoas em apresentação única na cidade, lotando o estádio.

Já em São Paulo, The Weeknd lotou dois dias seguidos, 10 e 11 de outubro, com mais de 48 mil pessoas em cada um e diversos famosos marcando presença. A turnê era para ter sido realizada em 2020 mas devido a pandemia de COVID-19 foi adiada para 2023. Já em 2022, o artista fez uma pausa para se dedicar a uma outra paixão: o cinema.

O nome de sua turnê faz referência aos últimos dois álbuns do cantor: After Hours (2020) e Dawn FM (2022). Mas a setlist traz muito além desses dois projetos, The Weeknd passa por canções desde o início de sua carreira, feats com outros artistas como a Rosália e os mais recentes lançamentos. O total são 42 faixas em um show espetacular e de grandiosidade absurda.

 

Os três shows no Brasil contarão com uma série de novidades como realidade aumentada, NFTs, benefícios exclusivos para o público e estruturas tecnológicas nunca vistas no país antes. The Weeknd proporcionou um verdadeiro espetáculo ao milhares de fãs e trouxe o poder da magia das músicas aos estádios brasileiros em shows viralizados na internet.

https://vm.tiktok.com/ZMjcwc31L/

https://vm.tiktok.com/ZMjcwWdG4/

 

Autora Rafaela Silva aponta dificuldades para a representatividade de negros na literatura
por
Raissa Santos Cerqueira
Ana Clara Farias
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09/11/2023 - 12h

“Quando há pessoas falando sobre nós, sobre nossas vivências e sobre nossos corpos podemos nos ver naquele espaço”, afirmou Rafaela Silva (24) sobre a crescente produção de obras literárias que têm enfoque na representação positiva da população negra. O crescimento de livros com protagonistas negros e o aumento da procura por eles nos mercados levou títulos como “Lendários”, de Tracy Deonn e “Agora que ele se foi”, por Elizabeth Acevedo a ganharem espaço nas estantes de leitores pelo mundo todo. A divulgação que livros com protagonismo negro receberam durante os temos de confinamento fez com que mais livros que abordam a vida de pessoas afrodescendentes se tornassem cada vez mais populares. 

Nos últimos anos, houve um crescimento exponencial na quantidade de personagens negros, tanto em obras literárias, quanto cinematográficas, os personagens vêm ganhando destaque se tornando protagonistas, ou pontos importantes da história. Ainda assim a comunidade enfrenta alguns desafios para que sejam devidamente representados “Alguns conseguimos perceber que a pessoa apenas colocou um personagem de minoria para dizer que tem” Ressalta a escritora, e completa “Ainda precisamos cobrar das pessoas escreverem sobre pessoas pretas e isso é cansativo”. 

O número de autores negros publicados no Brasil ainda é considerado baixo, se comparado com a quantidade de autores brancos. Por consequência, os personagens desses autores também são brancos, o que aponta a falta de representatividade. De acordo com os dados das maiores editoras brasileiras, segundo uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), entre 1965 e 2014, 70% dos autores são homens e, dessa porcentagem, 90% são brancos. Esse estudo revela que a escalada para uma cultura representativa de autores negros ainda é uma longa caminhada.

Rafaela, nascida em São Carlos e formada em Linguística pela Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), também ressalta que, mesmo com os pontos negativos, a inserção de pessoas negras nessas obras é algo a se comemorar, além de se esforçar para sempre ter negros em suas obras. Em todas as suas histórias publicadas na Amazon, sendo elas: “Apito final”, “Meu lugar” e “As cores do nosso amor”, Rafaela colocou personagens negros em posição de protagonismo “É a minha reparação histórica” afirmou ela. “Todas as minhas obras escritas até aqui abordam o racismo, sei que parece cansativo, mas sempre que vou escrever trago minhas vivências e isso reflete muito nas minhas obras” explicou a autora. 

Livro 1
Ilustração dos personagens de "Apito Final" por: Maria Luísa Pitombeira

Além da questão da inclusão, a literatura negra também é necessária porque ela é capaz de desbancar padrões e estereótipos relacionados à cultura e ao povo afro-brasileiro. Quando contadas por escritores negros, as histórias têm um ponto de vista próprio de pessoas que vivem diariamente essa cultura sem reforçar os padrões criados pelo ponto de vista branco e eurocêntrico.

Apesar da pouca representatividade, existem autores negros relevantes e essenciais para a história literária do Brasil. Entre eles, podemos citar Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Machado de Assis — considerado o maior escritor brasileiro —, Lima Barreto, entre muitos outros grandes nomes da literatura no país. Esses autores, que são atemporais, trazem em suas obras histórias com perspectivas únicas, contando sobre suas vivências e acontecimentos por eles presenciados.

 

Cantora e compositora nipo-americana destrincha a experiência feminina de transitar a vida nos detalhes
por
Maria Eduarda Camargo
Bianca Novais
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07/11/2023 - 12h

 

“You're growing tired of me. And all the things I don't talk about”. Montagem: Bianca Novais.
“You're growing tired of me. And all the things I don't talk about”. Montagem: Bianca Novais.

Be The Cowboy completa cinco anos de lançamento em 2023. O álbum sucessor de Puberty 2 aborda a continuação de um eu-lírico em comum – que mescla a estética ruidosa de colagens da década de 1990 e um quê do universo e da dor feminina. 

Para o álbum Puberty 2, que finaliza com a música A Burning Hill, o eu-lírico termina na promessa de um final de melancolia e tranquilidade. O instrumental, que se mistura muito com o de Memento Mori, lançado em 2013 por Crywank, utiliza de sons mais acústicos e simplórios – estética que se esvai completamente em Be The Cowboy.
 

 

Geyser, faixa inaugural, abre o álbum com sons sintéticos, mas um eu-lírico muito conectado ainda com Burning Hill. Mitski explora as nuances de um amor despedaçante, além de uma melancolia cálida, enquanto explica a promessa de um “eu” que procura por mais, conectando-se com o título do álbum, como explica em entrevista:
 

 

 

O single do álbum, Nobody, é explorado pela artista como a despersonalização de si e esse sentimento de solidão que é carregado por todo o álbum, e também por outros trabalhos da artista.
 

 

 

 

Já no título que finaliza o álbum, o piano acompanha a lentidão da artista e inicia um novo eu-lírico. Neste, Mitski explora o esvair de sua juventude e a entrada ao desconhecido, algo que retoma em seu próximo trabalho, especialmente nas primeiras faixas Valentine, Texas e Working for the Knife (2022), de Laurell Hill, em que Mitski realmente torna-se o “Caubói”.

 

“I used to think i’d be done by 20. Now at 29, the road ahead appears the same. Though maybe at 30 I’ll see a way to change”. Montagem: Bianca Novais.
“I used to think i’d be done by 20. Now at 29, the road ahead appears the same. Though maybe at 30 I’ll see a way to change”. Montagem: Bianca Novais.


 

 

 

 

 

 

Explore a extraordinária jornada do inventor do avião nesta cativante exposição
por
Giulia Palumbo
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06/11/2023 - 12h

O Museu Catavento apresenta a exposição "Santos Dumont: Entre Máquinas e Sonhos" em comemoração ao 150º aniversário do nascimento do renomado inventor do avião. A exibição vai além da aviação, explorando a vida e as conquistas de Santos Dumont em diversos aspectos, incluindo sua significativa contribuição para as ciências, especialmente engenharia, aeronáutica e física.

Dentre os destaques, os visitantes terão a oportunidade de admirar réplicas em tamanho real de duas de suas criações mais icônicas: o Demoiselle e o 14-bis, que foi o primeiro avião a voar no mundo. Além disso, um caça F5 da Aeronáutica estará em exibição. Todos os aviões foram construídos pelo Museu Aeroespacial e farão parte do acervo permanente do Catavento.

Santos Dumont, em imagem que faz parte de mostra do Museu Catavento, em SP — Foto: Divulgação
Santos Dumont, em imagem que faz parte de mostra do Museu Catavento, em SP — Foto: Divulgação

Os visitantes poderão explorar as primeiras incursões de Santos Dumont no mundo da mecânica, que incluem automóveis, motocicletas e inovações engenhosas. Através de painéis visuais interativos detalhados e dioramas, a exposição retrata o surgimento das diversas paixões de Dumont que o conduziram a se tornar um ilustre inventor, com destaque para seu tempo em Paris, na França.

A exposição é patrocinada pelo Grupo Ultra, por meio de suas empresas Ultragaz, Ultracargo e Ipiranga e da Embraer, com apoio da Força Aérea Brasileira e do Museu Aeroespacial, Museu Paulista, Instituto Cultural Santos Dumont e da Fundação Casa de Cabangu, responsável pela administração do Museu Casa Natal de Santos Dumont. Através de detalhados painéis visuais interativos e dioramas, a mostra apresenta o nascimento das muitas inquietações de Dumont que o transformaram em um grande inventor, tendo em Paris, na França, pontos marcantes. Toda a exposição explora a conexão entre o inventor do avião e a missão do Museu Catavento, de despertar o interesse pela ciência e tecnologia.
Seu ponto de partida explora os interesses iniciais de Santos Dumont pela ciência e pela mecânica, mostrando experiências realizadas na fazenda de café de sua família.A exposição busca ressaltar a conexão entre o inventor do avião e a missão do Museu Catavento, que é despertar o interesse do público pela ciência e tecnologia.
Por fim, a exposição contará com uma área dedicada a oficinas de blocos de montar, atividades pensadas para o público infantojuvenil. Haverá também quiz sobre a vida de Santos Dumont e oficina de aviões de papel, onde os visitantes poderão interagir e experimentar diferentes aspectos das técnicas de voo. Uma plataforma de lançamento estará disponível para desafiar os entusiastas do voo a testarem suas criações.

Serviço: Exposição "Santos Dumont: Entre Máquinas e Sonhos"
Preço: R$15,00
Data: 29 de setembro a 7 de abril de 2024
Horário de funcionamento: Das 9h às 17h (a bilheteria fecha às 16h)
Local: Museu Catavento, Avenida Mercúrio, Parque Dom Pedro II, s/n

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O Pixo como resposta a invisibilidade na periferia
por
José Pedro dos Santos
Renan Barcellos
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31/10/2023 - 12h

                                     

Por ser o principal centro econômico do Brasil, a cidade de São Paulo tem, aproximadamente, 12,5 milhões de habitantes. Entre eles, existem várias personalidades, cada qual com a sua opinião sobre o que ocorre na cidade. Sendo o melhor sistema governamental existente até a atualidade, a democracia tem como objetivo principal atender a vontade da maioria. No entanto, diversos temas são discutidos a anos na região, principalmente aqueles mais polêmicos, sobretudo quando envolve diferentes atores paulistanos. Eleito em 2016, o ex-prefeito João Doria, teve como uma das suas principais pautas a temática do Pixo (forma escrita pelos praticantes) nas ruas paulistanas. Filiado ao Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), com posicionamento mais atrelado as pautas conservadas de direita, o tucano foi duro no combate dessa prática.

Porém, todo esse contexto reacendeu debates sobre o pragmatismo estrutural esperado da cidade mais desenvolvida do país. Diversos questionamentos sobre esse aspecto da cidade já se tornaram patrimônio cultural, principalmente entre os mais jovens. Exemplo disso é a famosa frase do rapper Criolo. ‘’Não existe amor em SP’’, embora seja uma frase curta, exprime o sentimento de milhares de cidadãos que enxergam nesse objetivismo corporativista da metrópole, a causa da falta de afeto nas relações interpessoais do cotidiano, chegando a citar a pichação em sua letra.

O Pixo caracteriza-se como outro elemento cultural que gera polêmicos debates em São Paulo. As medidas radicais do psdbista contra a prática, geraram novos questionamentos sobre a falta de espaço cultural que propicie voz para aqueles que são jogados a margem da sociedade e que enxergam na pichação, a possibilidade de serem escutados.

               Diversas manifestações contra o radicalismo político do ex-prefeito surgiram visando questionar as medidas contra a cultura, frases como ‘’Cidade de concreto’’ ou ‘’Cidade cinza’’ passaram a ser ainda mais presentes entre os paulistanos, gerando debates entre aqueles a favor do ato e aqueles contrários, ou seja, a dualidade do Pixo.

critica as ações repressivas de João Doria

Representados pelo ex-prefeito e govenador, as classes ricas, mais influente em questões políticas devido a sua riqueza, apoiam a guerra contra os pichadores, defendendo as penas exercidas por Doria, argumentando que a pichação tira a seriedade da cidade e afirmando que o Pixo não se caracteriza como arte, ou seja, desclassificando qualquer caráter cultural.

Todavia, a pixação já apresenta longo histórico de cunho social. Inspiradas nas Runas Anglo-Saxônicas, formadoras do primeiro alfabeto europeu, o Futhorc, as primeiras manifestações de pichação, da forma como ela é conhecida no contexto contemporâneo, começaram a surgir na década de 80, com o movimento Punk Rock. Sua percepção de demarcação de um território público com escritas favoráveis as eclosões culturais que denunciavam as torturas físicas e sociais sofridas por minorias e os dilemas morais vivenciados por jovens revolucionários, compactuava com as pichações encontradas na década de 60, durante a Ditadura Militar, que, no entanto, não utilizavam as inspirações do alfabeto Futhorc.

 

                                                                                                                                                                         Alfabeto Anglo-Saxônico (Futhorc)                                                                                                                                                                                      

 

    

                           Pixo contrário a Ditadura Militar (1964-1985)

Choque, ex-pichador da década de 80, com vasto repertório na modalidade, destaca que inicialmente a pichação encontrada na cidade de São Paulo tinha cunho político, sobretudo a partir dos anos 60, com a instauração da Ditadura Militar. Frases como ‘’abaixo a Ditadura’’ não apresentavam nenhuma preocupação estética no formato das letras, o enfoque era na mensagem e não na sua grafia. Somente a partir da década de 80, com a consolidação da Contracultura no Brasil, a pichação, segundo a visão de Choque, tomou a perspectiva de utilizar a estética encontrada no logo de bandas como Iron Maiden em suas letras e o objetivo de ser um marco nos patrimônios públicos que denuncie a existência dos marginalizados para toda a sociedade. O pichador afirma que essa ressignificação, a forma na qual a simples cópia das escritas de povos bárbaro de milhares de anos atrás para os povos bárbaros de São Paulo, é um exemplo caricato de antropofagia.

Assim, a incultura encontrada na atual elite paulistana, representada pela ignorância política de João Doria, torna-se compreensiva, já que ambas são consequências sociais herdadas por seus antepassados, a classe burguesa que a décadas comanda e enriquece a custas dos mais pobres. Ou seja, o Pixo incomoda-os por questionar o seu poder e prestígio social, logo, não deve ser considerado um fator cultural, na perspectiva elitista e opressora desse grupo social.

Todo esse enredo permite concluir que a dualidade do Pixo pode ser sintetizada em um confronto entre os ricos e os pobres, mas especificamente pela opressão dos primeiros em relação aos segundos. A mesma elite que demoniza e invalida a pichação, estereotipando os praticantes como pobres, desinformados e marginais, não demonstra qualquer tipo de remorso com relação as condições insalubres encontradas nas periferias brasileiras, como os esgotos a céu aberto, a fome, a miséria, a opressão policial, a falta de educação e o tráfico. Dessa forma, todo esse contexto caótico e desumano faz com que a síndrome de invisibilidade seja presente na vida de milhões de jovens que encontram no Pixo, uma forma de serem escutados.

Djan, pichador ainda em atividade e um dos maiores nomes do Pixo paulista, enxerga a pichação como uma forma de afrontar a hipocrisia da classe burguesa. O incomodo com a situação encontrada nos patrimônios públicos pichados em lugares ricos da cidade, contra a indiferença em fatores caricatos da periferia, como a falta de saneamento básico, são fatores cruciais, no olhar de Djan, para a existência da pichação. Para seus adeptos, a intenção do Pixo é justamente chegar nos ricos e denunciar a existência dos marginalizados. Ele destaca também que a pichação é responsável por ensinar uma geração que não encontra no sistema educacional brasileiro, representado pelas escolas, o necessário para a sua sobrevivência parente uma sociedade opressiva. Djan destaca que a pichação ensina seus descendentes a sobreviverem sem dinheiro, se locomover pela cidade e saber lidar contra a repressão social simbolizada na violência policial, além de ser uma forma de expressão responsável por tirar inúmeros jovens do crime.

A hipocrisia citada por Djan é exemplificada no caso da prisão do pichador mineiro Goma, V em 2016. Ao não contribuir com as investigações policiais que caçavam o pichador Maru, Goma foi acusado por fornecer materiais para a pichação, crime ambiental e apologia ao tráfico. O pichador ao afirmar para a polícia que não obtinha informações sobre Maru foi preso por apologia, já que ele tinha uma loja que vendia material para a prática do pixo, além de vender peças de roubas que tinham folhas de maconha como estampa. Goma afirma que foi preso com pessoas que mataram, roubaram e traficavam, fazendo com que além do sentimento de injustiça, o pichador sentisse um constante medo do sistema prisional.

Goma em atividade na madrugada de Belo Horizonte

Juntamente dele, a polícia interrogou outro famoso pichador de Minas Gerais, conhecido por Sadok, preso por quatro meses junto de Goma em 2010, devido a pichação. Porém, o mesmo não estava mais na atividade do Pixo durante a segunda prisão de Goma. Sadok afirma que a polícia apresentou pichações as quais ele não conhecia e, mesmo não estando mais em atividade, o pichador foi chamado para prestar depoimento, sofrendo constantes ameaças de prisão durante esse processo.

Além de representar o caso de opressão contra a população periférica, o caso de Goma demonstra a hipocrisia que a classe política e a elite econômica cometem contra a sociedade mineira, já que uma das acusações que resultaram na prisão do pichador foi de crime ambiental, sendo que foi nesse mesmo estado em que a empresa Samarco Mineração, com aval do governo de Minas Gerais, intensificou suas atividade próximas a Barragem de Fundão, que rompeu-se no ano de 2015, resultando em danos imensuráveis para a biodiversidade local e na morte de 19 pessoas. O caso foi utilizado para defender a liberdade de Goma, que passou a ser visto como herói por parte da cultura de rua mineira, chegando a ser homenageado nas letras dos MC’s FBC, Clara Lima e Djonga, integrantes do famoso coletivo de Rap mineiro DV TRIBO.

‘’DV TRIBO, BH, 2016

Salve Goma

PJL a todos os pichadores presos injustamente’’

FBC – DVERSOS II

‘’Com dispô pra subir, depor e cuspir
Desapontando, cumprindo tratos
Se tratando em construir ou desconstruir
Fato forte a refletir é que eu rimei esses verso tudo
E o Goma ainda não tá aqui’’

Clara Lima - Diáspora

‘’157, 33
Vi vários cara assinar sem nem saber escrever
Sadok e Goma na cidade inteira
Prenderam os piores, pergunta lá pra ver
Muito cara certo entrou na vida errada
Dinheiro sujo compra roupa limpa
Essa é a prova que os opostos se atraem
Igual polícia e um preto na parede
Coisa que não entendo junto ainda’'

Djonga – O cara de Óculos pt. Bia Nogueira (Histórias da minha área)

 Pixo em solidariedade a Goma e condenação à Samarco pelo desastre de Mariana

Manifestação em defesa da liberdade de Goma, em Belo Horizonte (MG)

Após 8 meses preso, Goma teve a sua liberdade provisória liberada. Em contrapartida, foi obrigado a cumprir prisão domiciliar com o uso de uma tornozeleira que para ele significa tristeza e incapacidade, limitando várias de suas atividades, fato que o fez parar de pichar, demonstrando o uso opressivo do aparelho governamental contra a população períferica, fato que não ocorre contra as classes mais ricas. Mesmo não obtendo a liberdade total, continuando na posição de vítima perante a opressão do Estado, diferentemente do ocorrido com os responsáveis pela tragédia de Mariana, a flexibilização da pena de Goma foi resultado direto da manifestação realizada por outros pichadores, fato perfeitamente explicado na fala de uma das maiores referências do pixo no Rio de Janeiro, Naldo.

O pichador carioca afirma categoricamente que a intenção do governo é justamente deixar o povo sem informação. Porém a população periférica não é burra, ela apresenta capacidade de ver o que apresentado no jornal e interpretar os fatos. Ele acredita que o que resta para essa parte do povo é justamente protestar, demonstrar a sua indignação e sua existência atras dos muros. Segundo ele a intenção é justamente incomodar, mostrar que mesmo com todo o sistema ao seu favor a classe política não está isenta a críticas.

Recentemente, no estado de São Paulo, outra medida autoritária dos governantes contra um pichador gerou novas polêmicas no mundo do Pixo. Mauro Neri foi preso pela polícia militar, a mando de João Doria, ao retirar a camada de tinta cinza que cobria uma de suas obras. O pichador afirma que estava apenas removendo o cinza de uma obra sua que apresentava a autorização do dono do muro para ser realizada. Mesmo assim, acabou por ser preso em flagrante pela polícia. Seu caso gerou a mesma comoção que o do Goma, já que a classe artística periférica já iniciou protestos favoráveis a liberdade do pichador, utilizando do Pixo como ferramenta de manifestação. Neri ainda afirma que sua prisão, apesar de toda injustiça, apresenta um saldo positivo. Segundo ele para o vândalo ser criminalizado é positivo, já que deixa explicito toda a injustiça e desigualdade que permeia a sociedade brasileira, fazendo com que mais pessoas passem a ser adeptas do movimento.

Obra feita no contexto da prisão de Neri que questiona a perseguição de João Doria contra os pichadores

Toda essa conjuntura demonstra que a guerra contra os pichadores não se trata de uma guerra equânime entre o Estado e criminosos. Trata-se de uma perseguição específica contra a forma de manifestação dos mais pobres por parte da elite brasileira, que condena o ato, porém não procura entender tudo que ele representa. A pichação é um sintoma de um país desigual, que não pune as grandes empresas, como no caso da Samarco, mas persegue aqueles que são completamente renegados de auxílio do governo, se tornando vítimas da invisibilidade social citada por Dimenstein. O questionamento continuará existindo enquanto os governantes negligenciarem qualquer atenção aos direitos constitucionais de todo cidadão, ausentes nos lugares mais pobres, sem qualquer tipo de discriminação. Enquanto isso, o Pixo continuará sendo a síntese da vida do periférico.

 

 

 

 

 

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