Como escrito na profecia, Timothée Chalamet voltou às telas, no dia 28 de fevereiro, para dar vida ao personagem Paul Atreides no segundo filme da trilogia de Duna, junto de Zendaya, que vive a personagem Chani. Nesta terça-feira (16), o longa chegou nas plataformas de streaming e está disponível para aluguel a partir de R$49,90 no Youtube, na Amazon Prime Video, na Apple TV e no Google filmes.
Em 2021, o primeiro filme da franquia encerrou sua exibição nos cinemas com uma arrecadação de 431,1 milhões de dólares. A parte 2, que ainda está em cartaz, já ultrapassou 631 milhões de dólares e impõe atualmente o recorde de maior bilheteria do ano de 2024.
Duna: Parte 2 conquistou um grande aumento na bilheteria, se comparado ao início do ano lento. Antes da estreia, o longa de maior bilheteria era outro, também lançado em fevereiro, Bob Marley: One Love, com U$175,9 milhões arrecadados em todo o período de exibição. O filme de ficção científica arrecadou o mesmo valor apenas no primeiro final de semana em cartaz.
A franquia é uma adaptação dos livros de ficção-científica de mesmo nome, escrita por Frank Herbert em 1965. A saga original possui 6 livros, com mais de 3.500 páginas contando a trajetória de Paul Atreides e de outros personagens. Além disso, existem mais 15 livros escritos por Brian Herbert, filho do autor original, que expandem o universo de Duna. Esses complementos são baseados em notas, rascunhos e ideias deixadas por Frank, porém não foram traduzidos para português até o momento.
A história se passa milhões de anos no futuro, em uma galáxia diferente, em que os governos foram separados em Casas Maiores, divididos entre famílias detentoras dos feudos de cada planeta do sistema, seguindo o imperador. Entre muitas, a casa Atreides foi designada a governar o planeta Arrakis, conhecido como Duna por conta de seus extensos desertos de especiarias, o bem mais precioso no universo do filme. Enquanto isso, os Harkonnens, casa inimiga da família de Paul, arquiteta tomar o poder do planeta, e assassina o duque Leto Atreides, pai do protagonista e comandante de Arrakis, interpretado por Oscar Isaac, durante o primeiro filme.
Duas profecias circundam a vida do protagonista vivido por Chalamet, Paul Atreides. A primeira envolve as Bene Gesserit, uma irmandade com poderes de manipulação que estão envolvidas na política universal. Elas procuram pelo Kwisatz Haderach, um homem que obterá os mesmos poderes da irmandade. A segunda é uma lenda religiosa dos Fremen, povo originário de Arrakis, que prevê que um salvador chegaria para libertar o planeta dos colonizadores que se aproveitam dos bens naturais do planeta.
No segundo filme da saga, Paul se junta aos Fremens, os verdadeiros nativos de Arrakis, que vivem segregados nos campos de areia do planeta, com o objetivo de se vingar da casa inimiga que destruiu sua família e assumiu o poder do local na primeira parte da trilogia. Em sua jornada, Paul se torna líder do grupo e assume o papel religioso de Lisan Al Gaib, o salvador, junto de Chani. Além disso, as semelhanças com a profecia das Bene Gesserit se tornam cada vez mais evidentes.
Um terceiro filme ainda não foi confirmado, mas o diretor Denis Villeneuve e os atores principais já demonstraram interesse em dar continuidade na saga. O ator Timothée Chalamet, em entrevista à Reuters, revelou: “O sonho é fazer outro. Obviamente, esse filme [Duna: Parte 2] tem que ter certo sucesso para garantir um terceiro. Mas todo mundo está super no jogo. Como não estar?”.
Além do protagonista, outros atores demonstraram interesse em participar de um terceiro filme. Zendaya confirmou recentemente em uma entrevista também à Reuters “Se eu toparia? Quero dizer, é claro. Na hora que o Denis ligar, é um ‘sim’ meu”. Porém, um próximo filme poderia demorar, já que Villeneuve trabalhou 6 anos seguidos para filmar as partes 1 e 2. O diretor afirmou para a revista Times que não houve intervalo entre as duas primeiras produções, mas que quer um tempo para a próxima.
O longa foi muito bem recebido pelo público e pelos críticos. Durante a estreia, no site de críticas de cinema Rotten Tomatoes, o filme foi recebido com 95% de aprovação da crítica e 97% do público. Atualmente, as porcentagens continuam extremamente altas, 93% e 95% respectivamente. Nas redes sociais, um tsunami de comentários positivos foi visto na primeira semana após a primeira sessão ser transmitida no Brasil.
DUNA 2 É A MELHOR COISA QUE JÁ ASSISTI EM ANOS pic.twitter.com/AKZh6oskce
— 𝗯𝗿𝗶𝗻𝗶𝗻 (@filhodaflorence) March 2, 2024
Que experiência foi Duna: Parte 2! 🔥 Depois de introduzir a sua versão do universo de Herbert no primeiro filme, Villeneuve nos entregou uma conclusão ainda melhor, com mais ação, e uma trama mais visceral e emocionante. pic.twitter.com/dLos7yCLuz
— Central Pandora 👽🛸 (@central_pandora) March 2, 2024
Lana Del Rey se apresentou como artista principal na sexta-feira dos dois finais de semana (13 e 14, 20 e 21) do festival Coachella, que acontece em Los Angeles, Califórnia, anualmente. A apresentação da cantora começa ainda nos bastidores. Lana e suas dançarinas andaram entre o público de mais de 125 mil pessoas de moto em direção ao palco. A entrada teve referência o clipe de “Ride”. O poder da cantora se evidenciou quando “Jealous Girl”- música sequer lançada - levou todos ao delírio. Assim, a estrela instaurou sua atmosfera etérea e angelical por todo o festival.
A infraestrutura do cenário para o palco é a maior da carreira de Del Rey. A construção contou com elementos de suas músicas. Haviam rachaduras de ouro nos pilares referentes a “Kintsugi”, música da cantora e técnica japonesa de reparar cerâmicas quebradas. Os azulejos no palco eram os mesmos do túnel embaixo da Ocean Boulevard, na Califórnia, elemento faz parte de canções em seu último álbum. A estrutura contava com um pole dance. Em “Candy Necklace” enquanto Jon Batiste tocava um solo de piano, a artista deu um icônico giro na barra que foi incansavelmente compartilhado nas redes. O figurino foi assinado pela marca Dolce & Gabbana.
O cenário impressiona ao levar em consideração os problemas enfrentados. Em seu instagram, a headliner revelou a saída de seu empresário da sua equipe em meio à produção. “O Peter se demitiu sem motivos depois de 15 anos…”, escreveu. Mas, a ausência de Peter Abbot parece não ter tido efeitos. “Sem problemas - 37 dias foi tempo mais do que suficiente para montarmos um set inteiro sozinhos. Não é nada estressante”, pontuou a artista ironicamente. Além disso, Lana enfrentou uma laringite até poucas horas antes de subir ao palco. Ela revelou que curou com “habilidades intuitivas corporais”, técnicas de Tessa diPietro, sua taróloga.
O repertório estava recheado de hits, mas repetitivo. O catálogo da estrela indie é vasto, mas, segundo fãs, pouco explorado. Ela repaginou apresentações da sua última turnê de maneira grandiosa, como é o caso de “Chemtrails Over The Country Club”. “Let The Light In”, fez falta, a canção faz parte de seu último trabalho e ainda assim foi cortada da versão final da setlist. Mas tudo parece ter sido compensado com a convidada especial no primeiro final de semana. Billie Eilish entrou para cantar “Ocean Eyes” e “Video Games”, uma grata surpresa aos admiradores de ambas. No segundo show, a convidada foi Camila Cabello. A cubana apresentou sozinha a faixa “I LUV IT”, que está viralizando nas redes sociais, mas deixou o deserto em silêncio.
A intérprete entrega a voz ao público em vários momentos do show, que responde a altura. Isso faz parte de seu estilo no palco, mas seria ainda mais empolgante se a cantora agraciasse seus espectadores cantando suas músicas por completo. Sua voz já foi centro de críticas 12 anos atrás durante uma apresentação de “Blue Jeans” no programa SNL. Mas ela bota um ponto final nessa polêmica ao interpretar “Hope is a Dangerous Thing For a Woman Like Me” nos mesmos moldes da fatídica performance de 2012, hoje como assinatura de sua personalidade musical.
🚨Meu Deus! Lana Del Rey está fazendo alusão ao SNL com a música Hope pic.twitter.com/So4obHKrD9
— Lana Del Rey World (@LDRWorld1) April 13, 2024
“Essa é a razão da existência da metade de vocês, incluindo a minha”, disse Billie apontando para Lana. Del Rey é uma das maiores referências para as novas gerações da música. Conseguimos ouvir suas influências em trabalhos de Taylor Swift, Halsey, Lorde, Olivia Rodrigo, entre outras cantoras. O LANACHELLA foi a celebração de seu legado incontestável e o atestado da marca que deixará na indústria.
Localizado no centro de São Paulo, o Memorial da Resistência, conta com uma exposição temporária sobre a participação de mulheres na oposição do regime militar que comandou o Brasil por 21 anos. Em busca de valorizar e honrar a memória e a luta de jovens como Inês Etienne Romeu, Beatriz Nascimento e Laudelina de Campos Mello, são exibidos depoimentos, imagens e documentos que ilustram a participação delas.
De 1964 a 1985, muitas artistas se destacaram por se posicionarem contra a violência do sistema, como por exemplo, as legendárias, Elis Regina e Rita Lee. Mas, além delas várias outras mulheres foram oposição de outras formas e merecem ser lembradas também, um grande exemplo é Inês Etienne Romeu.
Nascida em Minhas Gerais em 1942, Inês participou de grupos de guerrilha como Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop). Em maio de 1971, a mineira foi presa acusada de participar do sequestro de Giovanni Bucher, embaixador suíço; e levada para Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) onde foi torturada.
Depois de um breve tempo, Inês foi para a chamada Casa da Morte – um espaço clandestino de tortura localizado em Petrópolis, RJ – onde passou 72 dias. Com apenas 29 anos, foi estuprada duas vezes, submetida a choques elétricos, tortura psicológica e diversos tipos de humilhação, como limpar a cozinha nua.
A guerrilheira foi a única sobrevivente da Casa da Morte, e razão pela qual a conhecemos hoje.
A história de Inês é exposta, no Memorial, com fotos, ilustrações, depoimentos e uma mostra do filme que conta seu tempo na Casa da Morte, deixando claro os horrores cometidos durante a Ditadura.
Letícia Falaschi, aluna de jornalismo da PUC-SP, afirma que a parte mais impactante de sua visita foi a parte de Inês. “Sai de lá muito tocada, muito sensível. Particularmente, a parte da Inês, a exposição dela me tocou muito, foi muito forte. Os depoimentos, o documentário da Inês e os registros em carta foram os que mais mexeram comigo”
Letícia ainda comentou que “Por não ter acesso na escola, conheci muitas mulheres que fizeram parte da Resistência que eu não conhecia, como a Leslie Denise Beloque a Inês”.
A exposição está no Memorial da Resistência, a entrada é gratuita e estará aberta até 28 de julho de 2024.
O Memorial da Resistência, localizado no Centro de São Paulo, é dedicado à memória da Ditadura Civil-Militar, onde muitos presos políticos foram detidos sob o autoritarismo imposto, afetando e prendendo pessoas que faziam parte, principalmente, à imprensa e à educação. Com várias exibições presentes, a PUC-SP é uma das instituições que está promovendo uma nova exposição que destaca os espaços de memória em um dos locais culturais mais relevantes da capital paulista.
Durante a ditadura, o jornalismo foi impactado brutalmente, sendo alvo da censura, tirando o que há de mais importante nesta profissão: a liberdade de expressão. Na educação, não foi diferente; a censura chegou a níveis de exclusão de materiais didáticos, como livros. Na mostra, a universidade revela formas de tentar driblar o totalitarismo imposto pelo governo, e o professor de jornalismo, Fábio Cypriano, comenta: “Boa parte de resistência à ditadura aconteceu na PUC de São Paulo. Essa exposição, ela fala sobre isso, então, nós organizamos a mostra em cinco módulos.”
Dividida em cinco módulos, uma seção inclui o papel de abrigar professores expulsos ou demitidos de outras instituições, como Florestan Fernandes e Paulo Freire. A outra parte da exposição é dedicada à Comissão da Verdade, que foi estabelecida para investigar o que aconteceu na universidade durante essa época, incluindo a homenagem para cinco alunos que eram da PUC e foram mortos. Um dos espaços mais importantes que é o teatro TUCA, que é um local de luta eterna, também é uma pauta importante discutida na exibição em relação a memória. O último módulo é dedicado à “Defesa radical da democracia” e inclui iniciativas como o "Tribunal do Idiota", que abordou o que aconteceu no país durante a pandemia.
Em relação a essa exposição e a comemoração de 60 anos de resistência democráticas (1964-2024), Hélio Campos, editor da revista ‘Isto é’ e fotógrafo, conta um pouco mais sobre as mobilizações feita na PUC-SP e como isso afetou e marcou os dias atuais: “Os estudantes começaram a se organizar, a se mobilizar; a gritar abaixo a ditadura; a sair às ruas, porque o governo já estava fragilizado com pouco sucesso em termos econômicos e com muita tortura [...] Muita coisa justifica o que estamos vendo aqui!”, assim apresenta a importância desse espaço que é a universidade e o poder dos movimentos estudantis.
O editor conta como era o seu dia a dia e como lidava com a censura, os riscos que corria, as perseguições e a violências que sofria: “Eu trabalhava na revista ‘Isto é’. A ‘Isto é’ era uma divergência da ‘Veja’ — apoiava a ditadura. Nesta época, o que eu mais cobria era estudantes e metalúrgicas”, destacando que Campos fazia registros de grupos considerados revoltosos, que eram presos no DOPS, onde eram submetidos à tortura, e em muitos casos, faleciam.
O DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) foi um órgão fundamental e violento durante esse período, no qual eles decretaram crimes de ordem pública e social relacionados à prática de capoeira, a manifestações religiosas afro-brasileiras e ao combate de movimentos de esquerda no país. Torturas, execuções e prisões ilegais eram extremamente presentes. Atualmente, é um prédio de pesquisa sobre esse período e fica localizado no Memorial da Resistência, sendo um dos principais locais de visita. O aluno de jornalismo, Wildner Felix, expressou: “Não tinha muito conhecimento sobre a época da Ditadura e como foi. Eu achei que foi muito incrível, as fotografias, a organização. Ficou muito lindo e eu pretendo ir de novo.”
Para a instituição católica, a defesa da liberdade e da democracia é uma pauta que é recorrente e permeia a todos pertencentes dessa comunidade, não só por sua história dos impactos e confrontos nessa época totalitária, mas como se posiciona até os dias de hoje, como filantrópica e comunitária.
O Memorial da resistência surgiu com intuito de retratar e sensibilizar a sociedade brasileira em relação ao Período Ditatorial no Brasil. Veio como forma de eternizar as causas e lutas dos grupos oprimidos e preservar a memória do Golpe Militar no Brasil, revelando as diversas violações de Direitos Humanos que aconteciam corriqueiramente durante o período.
O museu abriga também a Estação Pinacoteca e ocupa o espaço do antigo DEOPS (Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo), órgão público de repressão social, e, por isso, conta com um vasto acervo material ao estudo da História.
O espaço passou por obras de revitalização antes de sua inauguração em 2009, de modo que seu espaço retratasse o máximo possível do que ocorria naquele espaço durante o Regime Ditatorial. O memorial dispõe de exposições fixas do próprio espaço físico e também exposições itinerantes focadas na memória da Ditadura.
Seu acervo conta com celas de presos políticos reconstituídas como as da época, trazendo uma reflexão profunda sobre as consequências do poder na mão dos militares.
“Ao entrar nas celas senti uma atmosfera pesada se formando. O peso da história daquele lugar me deixou emocionado e também incomodado, sabendo de tudo de terrível que aconteceu. Ao ler os relatos nas paredes tudo ficou ainda mais intenso, o desconforto e a inquietação de saber que aqueles escritos são reais.”, diz um Vitor Nhoatto, aluno universitário que visitou a exposição.
Antigamente, o espaço era um dos principais centros de tortura na cidade de São Paulo e, com isso, a Instituição torna evidente a extrema violência militar com aqueles que não compartilhassem de seus mesmos ideais.
O aluno diz ainda sobre suas interpretações em relação política a tudo que é exposto no Memorial. “Devido a todos os elementos do espaço, como as cartas, os vídeos, as fotos e os objetos nas celas, com certeza a exposição tinha como foco dar uma dimensão de como o período ditatorial foi horrível e violento. A linha do tempo na sala ao lado das celas também destaca algumas ações do período, como o AI-2 e o AI-5, frisando toda a repressão militar. E principalmente, as imagens de algumas manifestações reforçavam a censura e violência da época.”
Esse método de controle por meio da força visto na Ditadura, traça um paralelo com a tragédia de 1992, na Casa de Detenção de São Paulo localizado no bairro Carandiru. O Massacre do Carandiru foi um caso que chocou o país, visto que a reação violenta dos policiais militares como forma de controle dentro do presídio resultou em 111 mortos e 110 feridos.
Esse acontecimento mostra que, assim como na Ditadura, as forças militares sempre procuram maneiras de dominar a sociedade brasileira, mostrando que a preservação da memória da ditadura é de extrema importância para impedir um novo Golpe Militar na República brasileira.
“O local é como um farol para que a gente se lembre sempre do terror da época.”, conclui o estudante.