Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Exposição homenageia trigésimo aniversário de carreira de um dos maiores nomes da moda brasileira
por
Helena Maluf
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28/06/2024 - 12h

A exposição "Alexandre Herchcovitch: 30 anos além da moda" ambientada no Museu Judaico de São Paulo é uma forma de celebrar a impactante carreira do renomado estilista brasileiro. A exibição ficará em cartaz até 08 de setembro, com entrada gratuita aos sábados. 

Herchcovitch, um dos nomes mais influentes da moda no Brasil e no mundo, é conhecido por suas criações ousadas, inovadoras, polêmicas e cheias de personalidade. A mostra  revisita todos os momentos mais icônicos de sua trajetória, nos conectando com a sua história.

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Roupas do estilista penduradas ao longo da exposição. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                         

Desde cedo Alexandre Herchcovitch demonstrou interesse pelo universo da moda, incentivado por sua mãe, Regina, que era modelista. Seu talento começou a florescer na adolescência, quando iniciou suas primeiras criações. A partir daí, sua carreira se desenvolveu rapidamente, levando-o a estudar moda na Faculdade Santa Marcelina, onde se formou em 1993.

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Convites para os primeiros desfiles do estilista. Foto: Helena Maluf 

Logo no início de sua carreira, Herchcovitch chamou a atenção por suas criações inovadoras e por seu estilo único, que desafiava as convenções da moda tradicional. Sua estética, muitas vezes marcada por uma mistura de elementos punk, góticos e fetichistas, rapidamente ganhou notoriedade. Na década de 1990, ele se tornou um dos principais nomes da moda brasileira, desfilando suas coleções na São Paulo Fashion Week e, posteriormente, em outras importantes semanas de moda internacionais, como Nova York, Paris e Londres.

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Telas presentes na exposição, onde era possível assistir os seus primeiros desfiles. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                                                                                                             
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Pôster de campanha para uma de suas coleções. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                             

A exposição está dividida por uma linha de tempo, que percorre  toda a mostra, cada “parada” dedicada a uma época diferente da carreira e da vida do estilista. Desde suas primeiras criações até suas coleções mais recentes, a exibição  oferece uma visão abrangente de sua trajetória, destacando tanto suas conquistas profissionais quanto suas influências pessoais.

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Uma parte da linha do tempo exposta. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      

Uma das seções mais importantes, e controvérsias, da exposição é dedicada à era “sadomasoquista” de Herchcovitch, mostrando ensaios fotográficos, acessos e peças de roupas as quais o artista foi bem criticado na época por fazer. Porém, hoje em dia, são consideradas peças de vestuário extremamente icônicas no mundo da moda. 

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Sapato com um salto de aproximadamente 1 metro de altura. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                               

 

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Vestido preto de seda com recortes reveladores, acessorizado com uma máscara preta de couro. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    

A exposição também aborda o impacto de Herchcovitch na moda brasileira e internacional, destacando sua influência sobre uma geração de novos estilistas e sua capacidade de transcender fronteiras culturais. Suas coleções, frequentemente inspiradas por temas como a identidade de gênero, sexualidade e política, refletem sua visão de mundo única e sua habilidade de usar a moda como uma forma de expressão artística e social.

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Convite de um de seus desfiles imitando um bilhete único. Foto: Helena Maluf                                                                                                                                                                                  
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Alguns acessórios e colaborações que o estilista fez com outras marcas. Foto: Helena Maluf

A exposição convida os visitantes a considerar a moda não apenas como uma forma de vestuário, mas como uma linguagem poderosa e versátil, capaz de expressar ideias, provocar reflexões e inspirar mudanças.

O legado de Herchcovitch é evidente não apenas nas peças expostas, mas também nas histórias e memórias que elas evocam. Sua capacidade de inovar, desafiar normas e incorporar elementos culturais diversos em suas criações estabeleceu novos padrões na indústria da moda e continua a influenciar estilistas e criadores ao redor do mundo

A peça com Silvia Buarque, dirigida por Leonardo Netto, está em cartaz até 27 de julho
por
Giovanna Montanhan
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26/06/2024 - 12h

O espetáculo ‘A Menina Escorrendo dos Olhos da Mãe’, já havia tido uma temporada de sucesso, com os ingressos todos esgotados e disputadíssimos no Rio de Janeiro, no Teatro Poeirinha, e está previsto para retornar aos palcos cariocas em agosto. Silvia Buarque, intérprete de duas personagens e produtora executiva, se desdobra entre Antônia e Helena nas duas temporalidades exibidas durante a peça, que já está em exibição, no Sesc Pinheiros.

O texto, de Daniela Pereira de Carvalho, traz as complexidades que um drama familiar comporta, mais especificamente, a relação entre mãe e filha. A trama gira em torno do reencontro de Antônia (Silvia Buarque) com sua mãe, Elisa (Guida Vianna), que se encontram após anos separadas, no mercado de pulgas em Mumbai, na Índia. O mesmo ciclo se repete alguns anos depois, com Antônia, agora interpretada por Guida, reencontrando sua filha perdida, Helena, também vivida por Silvia.

Silvia Buarque nasceu na Itália em março de 1969, durante o exílio de seu pai (Chico Buarque), em Roma. Veio do que se pode chamar de "berço de ouro”: é neta do historiador Sérgio Buarque de Hollanda, tem o  escritor e compositor Vinicius de Moraes como padrinho e é filha da atriz Marieta Severo. 

Cresceu em um ambiente naturalmente artístico e subiu no palco pela primeira vez, em julho de 1977, em tom de brincadeira, na montagem do espetáculo infantil escrita pelo pai, ‘Os Saltimbancos’. Fez sua estreia oficial no teatro em ‘Os Doze Trabalhos de Hércules’ sob direção de Carlos Wilson, conhecido pelas suas peças de cunho infantojuvenil nos anos 1980. Debutou no cinema em 1987, no filme de curta-metragem ‘Por Dúvida das Vias’, dirigido por Betse de Paula e no de longa-metragem em ‘O Mistério no Colégio Brasil’, de José Frazão. Na dramaturgia, começou em 1986 na TV Manchete, em ‘Dona Beija’, criada por Wilson Aguiar Filho. Anos depois, participou de folhetins famosos da Rede Globo, como ‘América’ (2005) e ‘Caminho das Índias’ (2009), ambos escritos por Glória Perez. Em 2025, Silvia completará o marco de quatro décadas de carreira. 

Em entrevista exclusiva para a AGEMT, Silvia Buarque fala sobre seu processo de interpretação, as diferenças entre as duas personagens (Antônia e Helena) e como foi exercer o papel de produtora executiva pela primeira vez. 


Como foi o seu processo de preparação para interpretar a Antonia e a Helena? Quanto tempo durou? E como foi fazer duas personagens num único espetáculo? 

‘‘A gente ensaiou durante dois meses, incluindo véspera de Natal, no dia 2 de janeiro. Foram dois meses bem intensos. Eu cheguei à elas. Como a gente chega a um personagem é sempre uma coisa meio misteriosa, mas tem algumas ‘coisinhas’ concretas. O Leonardo Neto [diretor], é a segunda vez que ele me dirige. E tinha o auxílio luxuoso da Marcia Rubin (preparadora corporal), então a gente trabalhou com uma certa diferença entre as duas. Eu espero, eu tento [fazer com] que seja uma diferença imensa entre as duas. Agora, eu tive uma sorte muito grande: esse texto foi escrito para mim pela Daniela (Pereira de Carvalho), e ela fez duas personagens com energias muito diferentes. Então é nisso que eu penso. Eu preparei, eu pensei em duas energias diferentes. Uma mais densa, mais profunda, mais até sorumbática, eu diria, e a outra mais leve, mais solar. E isso estava muito explícito no texto. Então, de uma certa forma, foi correr atrás da intenção da Dani’’.

 

Como você consegue mergulhar em emoções tão densas? Você pensa em algo específico que já viveu para conseguir sentir todos aqueles sentimentos, antes de entrar em cena? Como funciona isso pra você?

‘’Olha, a gente sempre se empresta um pouco para as personagens, né? Não é que eu fique pensando, traga uma coisa específica da minha vida. Isso até já aconteceu, mas é raro. Normalmente, eu embarco naquela problemática da personagem mesmo. Nesse caso, não é difícil, porque é um texto muito bom.. E os... Ah, eu ia falar dilemas, mas não são dilemas. Os embates são muito violentos, então é difícil dizer como a gente se prepara. Até porque, para cada trabalho, eu me preparo de um jeito”, diz Silvia. 


Ela explica que procura se inspirar com o uso da música, mesmo fora dos ensaios, como quando interpretou a mulher de Mozart em ‘Amadeus’, de Peter Shaffer: “Eu não sou muito ligada em música clássica, confesso, mas eu ficava ouvindo Mozart direto. E outras músicas de MPB mesmo, nesse caso não tem música, mas tem um mergulho no que eu acho que são os sentimentos daquelas personagens’’.

 

Como foi ser produtora executiva em ‘A Menina Escorrendo dos Olhos da Mãe’?

‘‘Eu sou produtora mesmo da peça, eu ‘botei’ dinheiro na peça, não muito, é com a colaboração de todos da equipe que ganham bem menos do que ganhariam numa peça com patrocínio. É bonito isso. Há tempos eu queria produzir uma coisa minha, botar minha marca em uma coisa. Quando eu digo ‘minha marca’, é ajudar a escolher as pessoas. Teve uma coisa muito bonita nessa peça, que todo mundo que a gente convidou ‘topou’ de primeira. E ‘topou’ os salários, e ‘estar’ junto. Agora eu estou engatinhando, eu tenho o Celso Lemos (diretor de produção), que resolve as coisas para mim, e eu fico meio na perfumaria, confesso. [...] Eu sou uma atriz autônoma, eu vivo de convites, eu vivo com patrões, mas dessa vez eu sou a patroa. Mas eu não me sinto assim, eu não sou uma produtora impositiva, tem uma coisa que assim, a Guida [Vianna] e o Léo [Netto], a minha colega de cena e o meu diretor, têm experiência em produção, então eles me ajudam muito. Eu peço conselhos, a minha produção é um livro aberto. Todo mundo sabe o que as coisas custam, acho que é desse jeito que quando a gente está entrando com o nosso próprio recurso, tem que ser desse jeito, porque precisa da colaboração de todos, do entendimento de todos. Então, não chega a ser uma cooperativa, porque o dinheiro foi meu, mas é uma espécie de cooperativa, e eu devo muito a eles.’’

 

Você adicionou características pessoais em alguma personagem da peça? Como você faz essa separação do que é a Silvia e do que é Antônia ou a Helena após o fim de cada sessão?

“Sempre, principalmente em um trabalho realista, que é o trabalho dessa peça, é sempre a gente, de uma certa forma. Claro, com o que eu falei da energia do outro, com a história, com os tormentos que as personagens têm, que eu não necessariamente tenho. Foi mais fácil para mim fazer a Helena do que a Antônia, porque ela tem uma leveza mais próxima da minha. A Antônia, ela nada em pântanos, em águas muito profundas, né? A Helena é mais solar, foi mais fácil eu conseguir construir a Helena”, explica.

Silvia finaliza: “[Mas] eu saio, sou eu mesma e é tudo um faz de conta’’.

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A cantora solidificou seu status de referência pop com shows no Brasil e ao redor do mundo na era brat
por
Pedro da Silva Menezes
Natália Matvyenko
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25/06/2024 - 12h

Na noite de sábado (22) Charli XCX trouxe ao Brasil a “Partygirl”, festa em que ela toca suas músicas como DJ. Ela transformou todo o público da Zig Studio em verdadeiras “garotas de festa”. Apesar de não exercer seu principal ofício durante o evento, a cantora contaminou a todos com a aura do seu último lançamento “brat” durante seu set. A festa foi como se a música “Club Classics” tomasse forma na vida real. XCX recrutou artistas internacionais e brasileiros  para preencher a timetable (tabela de horários) e todas as escolhas foram certeiras mostrando que a britânica entende quem é sua audiência.

Alex Chapman e Charli xcx tocando juntos.
Alex Chapman e Charli XCX tocando juntos. FOTO: Reprodução/Gustavo Vieira

Embora a artista seja capaz de realizar uma performance para um público maior que 1000 pessoas, a limitação do local pareceu ideal para evocar um boiler room, em que DJs e músicos tocam sets exclusivos em espaços pequenos e descontraídos, mergulhando os fãs na atmosfera eletrônica do álbum. A noite iniciou com Fuso que fez jus ao seu nome ao fundir referências internacionais eletrônicas com as brasileiras, caminho também traçado pelo duo Cyberkills e Mia Badgyal. Alex Chapman foi outra atração internacional da noite e foi enquanto ele tocava que Charli chegou energizando o público que vibrou com sua presença. A partir desse momento ela permaneceu no palco por mais de duas horas tocando sozinha e sets b2b (‘back-to-back’ performance em que dois DJs tocam juntos) mesmo que o cronograma divulgado horas antes da apresentação mostrasse que ela tocaria por apenas 30 minutos.

Charli xcx estendendo bandeira do Brasil com o nome do seu último álbum.
Charli xcx estendendo bandeira do Brasil com o nome do seu último álbum. Foto: Pedro Menezes

A britânica tocou pela primeira vez o remix “The girl, so confusing version with lorde” (‘girl, so confusing’ versão com Lorde) que apesar de ter sido lançado dois dias antes do evento, todos os fãs sabiam o versos por completo. A faixa que aparentemente era uma diss track (música com intuito criticar e/ou insultar uma outra figura pública ou anônima) para Lorde, ganhou a participação surpresa da própria cantora. Em versos como “Porque as pessoas dizem que nós nos parecemos / Elas dizem que temos o mesmo cabelo / Um dia talvez nós faremos umas músicas” as artistas remontam um antigo conflito envolvendo a suposta rivalidade que os fãs e a mídia questionavam.

As cantoras atingiram a popularidade ao mesmo tempo em 2013, ambas eram constantemente comparadas por terem cabelos e estilos parecidos, ao ponto de uma jornalista confundir Charli com Lorde em uma entrevista, a cantora por sua vez entrou na brincadeira e fingiu ser a colega de indústria na ocasião. Em uma entrevista à Rolling Stone em maio deste ano, Charli admitiu ter tido inveja do sucesso estrondoso de Lorde com o hit Royals, falou sobre como era difícil ser uma mulher na indústria da música e todas as adversidades que vinham na bagagem. Após o lançamento, a internet realmente foi à loucura (como elas mesmas mencionam na música), os fãs fizeram memes e filmaram suas reações ouvindo as antigas rivais colaborando em uma nova música do álbum da Charli.

No caminho para zig era perceptível estar indo assistir a cantora, a maioria estava de verde “brat” ou com roupas que faziam referência à era, como o mural que Charli usou para divulgar uma nova versão do álbum. O mural foi usado como estratégia de marketing, sendo pintado e transmitido ao vivo na rede social Tik Tok da cantora com pistas de seu álbum. Em uma dessas lives dias atrás a frase "brat and it’s the same but there’s three more songs so it’s not” (em tradução livre “brat é o mesmo, porém tem mais 3 músicas, então não é”) revelando que um novo álbum com remixes seria lançado, 11 dias depois, a maioria das letras foram pintadas de branco deixando o nome Lorde escrito, o que levou os fãs a especularem se as duas lançariam uma colaboração, o que se consolidou. 

Mural de divulgação do álbum “brat” em live no TikTok.
Mural de divulgação do álbum “Brat” em live no TikTok. Foto: Reprodução/Charli XCX

Assim que Charli entrou no palco muitos tentaram puxar o grito a “Taylor morreu”, em alusão a um meme do X/Twitter que continha um gif das participantes do reality show nacional de drag queens Glitter com essa legenda, o que não agradou a base de fãs da cantora Taylor Swift e nem a própria Charli que postou um comunicado em seu Instagram para que parassem com brincadeiras do tipo, pois não é o tipo de mensagem que ela quer passar em seus shows e músicas. Alguns apontam que a música “Sympathy is a Knife”, do “brat”, é para Swift, será que podemos esperar outro remix de reconciliação?

A habilidade de Charli XCX como cantora, produtora e compositora é indiscutível, contudo ela ainda tropeça quando o assunto é dominar a mesa de DJ. Gabriel Diniz, da dupla Cyberkills que dividiu palco com a artista disse no X/Twitter: “Ela estava super nervosa. Tem a ver com o fato dela estar aprendendo a discotecar”. Isso comprova que a verdadeira qualidade de XCX é conectar-se profundamente com seus fãs, afinal a cada cigarro que ela acendia toda plateia gritava. A “Partygirl” proporcionou uma experiência inesquecível e a tornou um dos nomes mais interessantes da atualidade. A despreocupação de seguir fórmulas que a cantora tem demonstram que elas não garantem sucesso e sim a ousadia de ser diferente.

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Em discurso na Academia Brasileira de Letras, a escritora homenageou Lima Barreto, com reflexões e críticas sociais
por
Beatriz Brascioli
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25/06/2024 - 12h

A historiadora e antropóloga, Lilia Moritz Schwarcz,  tomou posse no dia 14 de junho da cadeira número 9, após a morte do diplomata e também historiador, Alberto Costa e Silva, em novembro de 2023, considerado por ela um “segundo pai”.

 

"Foi Alberto da Costa e Silva quem me levou pela mão para muitos lugares e, de certa maneira, para essa Cadeira [...] Ele que era, para mim, uma espécie de pai ancestral. Foram quase 30 anos preenchidos com uma intensa troca de cartas, reuniões, almoços, projetos, viagens e telefonemas semanais. Tudo que alimenta uma amizade, regada para durar.” Relata a escritora.

 

Quem é Lilia Schwarcz?

Lilia Moritz Schwarcz, 66, é formada pela Universidade de São Paulo (USP) no curso de Ciências Sociais e tem mestrado e doutorado em antropologia. Hoje é professora titular no Departamento de Antropologia da USP e leciona como visitante da Universidade de Princeton, Nova Jersey, Estados Unidos. Lilia é autora de mais de 30 livros, com traduções para outros idiomas e vencedora de dois Prêmios Jabuti pelas obras “As Barbas do Imperador” e “A Enciclopédia Negra”. 

Super engajada nas redes sociais, ela faz publicações no Instagram sobre as notícias, sempre trazendo informações e história com muita reflexão. Tem também um podcast chamado “Oi, Gente”, onde traz semanalmente análises e opiniões.  Lilia, junto de seu marido Luiz Schwarcz, fundaram a editora Companhia de Letras, com foco inicial em literatura e ciências humanas e hoje sendo a maior editora do país. 

Cerimônia: 

A imortal Rosiska Darcy de Oliveira, foi responsável pelo discurso de apresentação de Schwarcz. Em sua fala, disse que Lilia “é uma paulistana de pele branca, é uma grande intelectual presente na luta antiracial”. O colar, parte da cerimônia, foi entregue pelo ex-chanceler Celso Lafer. 

O evento aconteceu no Palácio Petit Trianon, sede da academia das letras localizada no centro do Rio de Janeiro. Entre os presentes estavam o ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, a ministra do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia.  

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Acadêmicos celebram a chegada de Lilia Schwarcz na Academia Brasileira de Letra. Foto: ABL/Reprodução

A votação para escolher quem iria suceder a cadeira número 9 aconteceu em março de 2024 e Schwarcz foi eleita com 24 dos 38 acadêmicos. A primeira mulher a tomar posse foi a escritora moderna Rachel de Queiroz. Agora, a professora se torna a 11ª mulher a fazer parte da acadêmica. Atualmente, dentre os 40 imortais, contam apenas com 5 mulheres - Fernanda Montenegro, Rosiska Darcy de Oliveira, Ana Maria Machado, Heloisa Teixeira e a recém chegada Lilia Schwarcz. 

"As instituições públicas e privadas têm o papel de encampar lutas da sociedade brasileira. Uma luta muito forte é pela diferença. Entro na ABL no momento em que a Academia dá vários sinais de abertura para as populações negras que são maioria, mas minorizadas na representação, abertura para a população LGBTQIA +, para indígenas, para mulheres" disse a antropóloga em seu discurso de posse.

Seguindo a fala, Lilia homenageou o escritor Lima Barreto, que tentou entrar na academia três vezes e não conseguiu:

 "Lima Barreto tentou três vezes entrar na Academia e desistiu. Depois, dois de seus biógrafos, Francisco de Assis Barbosa e eu mesma, aqui estamos. Penso que não será coincidência, tampouco, sermos brancos. Em mais cem anos de República não conseguimos modificar as desigualdades que interseccionam."

Ela continua sua reflexão voltada ao seu papel na academia: “A biografia que escrevi sobre ele, e que intitulei ‘Lima Barreto triste visionário’, de alguma maneira sedimenta uma trajetória de estudos voltada a entender não só o fenômeno do racismo, a maior contradição nacional, como o papel da sociedade branca nesse perverso processo histórica [...] A maneira como a população negra, majoritária no país, é constantemente transformada em uma “maioria minorizada” na representação.”

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Thrash Metal: o estilo rebelde e o desejo de desafiar as normas estabelecidas
por
Beatriz Alencar
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25/06/2024 - 12h

A cultura underground é aquela que se opõe a cultura pop e as demais disseminadas pela grande mídia. Esse estilo influenciou e foi influenciado pelos movimentos góticos, new wave, rap e heavy metal. Incluindo todos esses, temos o Thrash Metal, caracterizado pelas notas brutas e rápidas.

Neste foto documentário, você poderá acompanhar ensaios de bandas de Thrash metal e Metal Punk.