Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
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Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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A versão brasileira do sucesso dos anos 80 é uma ode à alegria e resiliência do universo drag
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25/06/2024 - 12h

No dia 7 de junho estreou em São Paulo a versão brasileira da peça musical “Priscilla - A Rainha do Deserto”. Em sua terceira semana de exibição, o musical tem sido um sucesso de bilheteria, embalado pelas participações dos atores Reynaldo Gianecchini e Diego Martins que vivem os personagens Athony “Tick” Belrose, e Adam Whiteley. Já as atrizes Verónica Valenttino e Wallie Ruy irão se revezar para interpretar o papel de Bernadette Bassenger.

Abertura Priscilla Rainha do Deserto
   Espetáculo está em cartaz de quinta a domingo         FOTO: Luiza Fernandes /Divulgação / AGEMT

Sob a direção de Mariano Detry, o espetáculo é baseado no filme de 1994 de Stephan Elliott. A trama gira em torno de duas drag queens e uma mulher transexual, que são contratadas para realizar um show no meio do deserto australiano. Para chegar ao local, elas embarcam no ônibus chamado Priscilla e enfrentam inúmeros desafios e aventuras ao longo da jornada. A aceitação e o peso da homofobia na vida das personagens é tema durante todo o espetáculo e ganha destaque com o drama vivido pelo personagem de Gianecchini, que precisa lidar com a dificuldade de ser aceito por seu filho de 6 anos, Benjamin.

Priscilla é acima de tudo, uma representação da alegria e da importância da cultura LGBTQIA+. A peça consegue transportar o público para o vibrante e potente universo drag queen. Através de cenários e figurinos marcantes, o público é embalado por coreografias energéticas e uma trilha sonora repleta de hits como “I Will Survive” e “True Colors”, que trazem emoção a cada cena.

O equilíbrio entre humor e momentos de vulnerabilidade é possível por conta da atuação dos protagonistas. Diego Martins e Verônica Valenttino entregam performances intensas e, ao mesmo tempo, super divertidas e apaixonantes. Reynaldo Gianecchini também impressiona ao dar vida a Mitzi Mitosis e entregar ao público uma versão de si até então pouco conhecida. 

Priscilla Rainha do Deserto
Atores são ponto alto da peça e criam ambiente imersivo 
      FOTO: Luiza Fernandes /Divulgação / AGEMT

"Priscilla - A Rainha do Deserto”  segue em cartaz no Teatro Bradesco, localizado em na Rua Palestra, número 500, até setembro com sessões de quinta a domingo. O convite é para a celebração da diversidade e resiliência da comunidade LGBTQIAP+. Para saber mais informações acesse o site (clique aqui) 

 

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Dia 19 de junho homenageia o ítalo-brasileiro Afonso Segreto, primeiro a registrar imagens aqui
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Beatriz Alencar
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19/06/2024 - 12h

O cinema brasileiro completa 126 anos nesta quarta-feira (19). A cinematografia das telas nacionais começou em 1898, com o cinegrafista ítalo-brasileiro Affonso Segreto (1875-1919).

Considerado o pioneiro na área dos cineastas, a data homenageia o primeiro registro de imagens em movimento no território brasileiro, realizado por ele. A vista da entrada da baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a bordo do navio francês Brésil, foi o cenário para a primeira filmagem brasileira de Segreto.

No início, o cinema brasileiro contava apenas com pequenos cortes de cenas cotidianas, como visto em "Bailado de Crianças no Colégio, no Andaraí”, que ainda não continha som. O filme, dirigido por Vittorio Di Maio, é um curta do tipo documentário que mostra cenas de jovens dançando na escola, com um som que só eles tiveram a chance de ouvir.

O mundo das ficções chegou no início do século 20, baseado em crimes noticiados pela televisão, como "O crime da mala", de Francisco Serrador, em 1908. Porém, com a Primeira Guerra Mundial, o universo hollywoodiano dominou o mercado e produções norte-americanas aterrizavam no país sem burocracia, o que enfraqueceu os filmes locais.

O ano de 1909 foi marcado pela chegada dos filmes cantados. Mas não do tipo “High School Musical”: os atores ficavam atrás da tela dublando a si mesmos ao vivo.

O perrengue de trás das cortinas passou em 1929, quando "Acabaram-se os otários", de Luiz Barros, foi produzido. Mas não foi algo fácil de se desenvolver. Isso porque os equipamentos nacionais de filmagens e projeção sonora ainda não existiam no Brasil, teriam de ser construídos. Em apenas três meses de investimento e apoio de Tom Bill (ator e mecânico), José Del Picchia (cinegrafista) e das oficinas cinematográficas de Gustavo Zieglitz para a produção, os aparelhos para filmagem e exibição sonora, batizados de Sincrocinex, vieram ao mundo.

Apesar de já contar com tantos momentos, o primeiro grande estúdio do Brasil só foi surgir em 1930: o Cinédia, responsável pelo lançamento da insubstituível Carmem Miranda.

A partir de então, outros foram criados, como a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, que produziu o primeiro filme brasileiro ganhador do Festival de Cannes, na categoria aventura, com "O Cangaceiro",de Lima Barreto.

Contudo, a valorização do cinema nacional atual passa por dificuldades. Para Jane de Almeida, pesquisadora e curadora com especialização em psicologia e cinema, “o cinema brasileiro não consegue a projeção internacional devida. Ele é muito diverso, mas fica difícil ser compreendido com uma identidade aos olhos estrangeiros”, declarou.

Cinema Novo

Considerada a melhor época do cinema nacional para Jane, O Cinema Novo (1955-1970) foi quando a produção do país ficou reconhecida internacionalmente no meio intelectual, apesar de não obter sucesso de público. Esse movimento teve seu auge após a ditadura militar e, diferente do cinema tradicional, propunha trazer preocupações sociais enraizadas e visibilizadas após o golpe, na cultura brasileira.

 

Para apreciar ou conhecer o cinema brasileiro, as recomendações são “Amor, Sublime Amor (1961) ” e “O Paciente Inglês (1996) ”. Outras indicações de Jane passeiam por clássicos e contemporâneos. Faça sua pipoca e se prepare para a maratona:

• Limite (Mário Peixoto)
• São Paulo, Sinfonia da Metrópole (Adalberto Kemeny e Rudolf Lustig);
• Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha);
• Macunaíma (Joaquim Pedro de Andrade);
• Marcado Para Morrer (Eduardo Coutinho);
• Bye Bye Brasil (Cacá Diegues);
• Carandiru (Hector Babenco);
• O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho);
• O Invasor (Beto Brant);
• Bacurau (Kleber Mendonça Filho);
• Amor Divino (Gabriel Mascaro);
• Morcego Negro (Claisson Vidal).

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Saiba onde curtir o clima junino na capital paulista
por
Barbara Ferreira
Marina Laurentino
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14/06/2024 - 12h

O mês de junho chega e com ele uma das celebrações mais aguardadas do calendário brasileiro: as festas juninas! Com suas bandeirinhas coloridas, danças típicas, comidas deliciosas e muita música, a festa traz consigo a tradição para todos os cantos do país. Em São Paulo, não é diferente. Há uma infinidade de opções para quem quer aproveitar ao máximo essa época festiva. Desde quermesses em bairros históricos até grandes eventos com atrações imperdíveis, há diversão garantida para toda a família. Prepare o traje caipira, arrume o chapéu de palha e descubra onde encontrar os arraiás mais animados da cidade.

1. Festa Junina da Paróquia Nossa Senhora da Consolação


Foto: Alberto Rocha

O arraial da Paróquia Nossa Senhora da Consolação acontece há muitos anos e já virou uma tradição paulistana. Além das barraquinhas com comidas típicas, os visitantes podem curtir muita música, com shows ao vivo para arrasar no arrastapé! Toda a renda da festa é revertida em obras sociais que a igreja realiza. A entrada é livre.

Local: Rua da Consolação, 585 - Consolação
Datas: 15, 16, 22 e 23 de junho 
Horário: A partir das 18h
Atrações: Barracas de comidas típicas, quadrilhas, shows ao vivo, brincadeiras populares e bingo.

2. Festa Junina da Paróquia do Calvário

Foto: Divulgação - Paróquia do Calvário.

Há 44 anos, a Comunidade da Paróquia São Paulo Cruz – popularmente conhecida como Igreja do Calvário – se organiza para promover uma das maiores festas beneficentes da cidade de São Paulo. Reunindo cerca de 20 barracas que contam desde pratos tradicionais da época até pratos típicos de outros países, além de brincadeiras, bingos e shows. O valor da entrada é de R$30 para adultos e R$15 idosos (60+). Idosos 80+ e crianças até 10 anos não pagam entrada.

Local: Rua Cardeal Arcoverde, 950 - Pinheiros
Datas: Todos os sábados e domingos de junho e da primeira semana de julho
Horário: A partir das 17h30.
Atrações: Comidas típicas, quadrilhas, shows de forró, brincadeiras e barracas de artesanato.

3. Festa Junina do Memorial da América Latina

Foto: Rafa Guirro

O Memorial da América Latina se transformará em um animado arraial para receber típicas danças de quadrilha, músicas animadas e uma festança gastronômica, incluindo o Festival do Milho Verde e o Festival de Sopas. Ao todo serão mais de 80 barracas oferecendo uma ampla variedade de pratos típicos, petiscos e guloseimas para toda a família. A entrada é gratuita.

Local: Av. Mário de Andrade, 664, Barra Funda - São Paulo
Datas: 15 e 16 de junho. 
Horário: Das 11h às 21h
Atrações: Além das barracas, food trucks estarão presentes oferecendo sanduíches, tacos, burritos, pastéis, hambúrgueres, crepes e uma variedade de pratos doces. Para acompanhar, haverá também cervejas artesanais, drinques, refrigerantes, sucos naturais e água.

4. São João de Nóis Tudim

Foto: Danielle Felix

A popular festa do Centro de Tradições Nordestinas é uma das maiores e mais vibrantes festas juninas de São Paulo! Este ano, o evento está repleto de atrações para todos os gostos e idades. Desfrute das quadrilhas, com dançarinos animados e coreografias encantadoras, e assista a shows ao vivo de forró, sertanejo e outros ritmos que farão todos dançarem a noite toda. A festa conta com deliciosas comidas típicas, como pamonha, canjica, quentão e muitas outras iguarias juninas. A entrada é gratuita. 

Local: Centro de Tradições Nordestinas – Rua Jacofer, 615
Datas: 01 a 28 de junho. 
Horário: 11h às 22h
Atrações: Atrações musicais, interação artística, performances de quadrilha e gastronomia nordestina e junina.

5. Arraiá de Moema

Foto: Divulgação - Arraiá de Moema. 

As festas de rua de Moema têm ficado cada vez melhores, e para a 6ª edição haverá uma ótima celebração  na Praça Nossa Sra. Aparecida, ao lado do metrô Moema. O evento promete unir música e barraquinhas de comida. A entrada é gratuita e a programação completa será divulgada em breve.

Local: Praça Nossa Sra. Aparecida – Moema – SP
Datas: 22 e 23 de junho
Horário: A partir das 10h 
Atrações: Comidas típicas, música ao vivo, brincadeiras juninas e, claro, muita quadrilha. 

Dicas para Aproveitar as Festas Juninas:

Chegue cedo: Para aproveitar ao máximo as atrações e evitar filas nas barracas de comidas.

Vista-se a caráter: Trajes típicos como vestidos de chita, chapéus de palha e camisas xadrez fazem parte da diversão.

Traga dinheiro em espécie: Algumas barracas podem não aceitar cartões.

Verifique a programação: Consulte as redes sociais ou sites das festas para conferir a programação detalhada e atualizações.

Com opções para todos os gostos, desde os bairros de origem caipira até espaços urbanos que celebram a tradição com muita criatividade, as festividades trazem à tona o espírito comunitário e a experiência cultural, cheia de música, dança, sabores e tradições. 

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Taylor Swift construiu ao longo de sua carreira uma comunidade dedicada a decifrar suas letras e a aprender a viver segundo seus conselhos
por
Anna Cândida Xavier
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08/06/2024 - 12h

The Tortured Poets Department, ou TTPD para os próximos, foi o álbum com mais streams no Spotify no primeiro dia de seu lançamento, 19 de abril, com mais de 200 milhões de reproduções em um dia. Taylor Swift segue quebrando recordes, mesmo quando escreve em poemas e enigmas sobre seus momentos sombrios e íntimos, como o fim de um relacionamento de seis anos e o peso da fama.

Capa da Times. Reprodução/Taylor Swift via Instagram

Em 2023 a revista Times nomeou Taylor Swift Person of the year, era de se esperar que em 2024 a cantora não iria deixar a peteca cair. Em meio a turnê mundial The Eras Tour e a regravação dos álbuns roubados, Swift consegue ser o centro das atenções mais uma vez. A semana de lançamento foi repleta de quebra cabeças e instalações ao redor do mundo, Taylor convida seus fãs a decodificarem os mínimos detalhes e interpretar mensagens escondidas. Desde o anúncio do álbum, referências ao número 2 tem pipocado em fotos, instalações e postagens; duas horas depois da estreia de TTPD, os fãs ávidos são presenteados com 15 músicas surpresa, completando duas horas e dois minutos de álbum. Tudo é planejado.

Em todos os seus álbuns a cantora deixa rastros de si para os fãs, não somente em suas músicas repletas de narrativas, mas em mensagens escondidas. No encarte de seu primeiro álbum, por exemplo, conselhos eram soletrados em letras destacadas – como em Picture To Burn que recomendava “Date nice boys” (namore bons garotos), The Outside que garantia “You are not alone” (você não está sozinha) ou o alerta em Cold As You, “Time to let go” (hora de deixar ir embora). Taylor investe em uma relação próxima com seus fãs desde seus 16 anos, quando ainda era uma adolescente de uma cidade pequena, e se dedica à essa empreitada até hoje.

É claro que nem tudo são flores, ao longo de sua carreira Taylor Swift foi o alvo do escrutínio da mídia e algumas amizades malfadadas. Em 2016, contemplou, inclusive, encerrar sua carreira, mas a comunidade que sempre cultivou ficou ao seu lado e “batalhou nas trincheiras” da internet por ela. Álbum a álbum, restaurou seu nome; em cada nova “Era” revelou mais uma de suas facetas para o público.

Em 2021, Swift começou a saga de relançar os álbuns ainda vinculados à gravadora Big Machine Records que vendeu seus masters sem sua permissão. Nesse processo, reconquistou o coração de muitos e conseguiu atingir o coração de uma nova geração que talvez nunca tivesse escutado You Belong With Me, We Are Never Ever Getting Back Together ou Bad Blood.

As swifties, se encantam com a poesia e a narrativa presentes em suas músicas, especulam e teorizam sobre as conexões ocultas em sua obra. Por meio da internet essa comunidade mundial compartilha a paixão por Taylor Swift, cria-se um espaço de intimidade e de acolhimento em que virar noite para acompanhar o lançamento de um álbum novo – analisar cada palavra – faz parte da brincadeira.

“Eu não tinha tido muito contato com a discografia da Taylor até conhecer amigos que são fãs dela” comenta Beatriz Dutra, “é interessante observar essa relação interpessoal tão próxima que é cultivada tanto entre a artista e os fãs quanto entre o próprio fandom. É curioso perceber como cada música é capaz de provocar uma emoção e evocar memórias muito singulares para cada pessoa”.

A psicóloga Elaine Grecco, formada pela Universidade de São Marcos e psicanalista em formação permanente, atribui a troca vulnerável dentro da comunidade de fãs à capacidade de Taylor Swift de “decodificar as próprias frustrações e decepções, de ir até a fonte desses desafetos, desses impasses da própria vida, e transformá-los em símbolos compartilháveis”. É preciso ser muito honesto consigo mesmo para traduzir experiências dolorosas, o processo de significar os próprios sentimentos e disponibilizá-los para o outro através de uma experiência estética é um ato de coragem, segundo a psicóloga. “A coragem de sustentar, durante a carreira, composições que falam de afetos humanos que são renegados para ordem da não importância, mas que são universais”.

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Show no México. Reprodução/Taylor Swift via Instagram

Ser fã de Taylor Swift é experienciar a música por meio do coletivo, Elaine propõe que a cantora “milita por difundir as relações, relações de amizade, de cumplicidade, de união, ela vai retroalimentando isso”. Para a comunidade de Taylor, analisar cada palavra de cada uma das letras, procurar seus significados no mundo e construir juntos uma relação com essas histórias é o diferencial da cantora.

Anne Louise Dias, uma swiftie, conta que o que mais lhe impacta e impressiona nas canções é como seus versos podem trazer diversos significados. “Não é algo fechado, em que a interpretação é única, pelo contrário. Uma vez que ela lança uma música, surgem diversas interpretações e significados variando de fã para fã. Ela faz isso de propósito, de certa maneira. Quando ela lança a música, ela não é mais só dela e sim de todas as pessoas que irão escutar e se relacionar com ela. É uma escrita viva, de certa forma”.

“A memória funciona por representação, as histórias se mantêm vivas porque as lembramos, porque a forma de compreender um evento se transforma”, conta Elaine Grecco, “ela consegue atualizar o público da representação que as suas histórias têm para ela, mantém a história viva”. As regravações de Taylor Swift são um exemplo disso: são sempre lançadas com músicas novas escritas na época em que o álbum originalmente foi escrito. Assim como estratégia de publicizar seu novo álbum, The Tortured Poets Department, montando 5 playlists que representam as fases do luto e preenchê-las com suas próprias músicas, mudando o significado biográfico de muitas das canções.

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Poesia do anúncio do álbum Tortured Poets Department. Reprodução/Taylor Swift via Instagram

Ao compartilhar parte de si, Taylor está incentivando seus fãs a olharem para suas histórias, compreenderem mais profundamente seus processos internos, fazerem amizade com suas versões do passado. “É um lugar de muita responsabilidade”, comenta a psicóloga, “eu não atribuo isso a uma leitura pedagógica, ou instrutiva – estou falando de um outro lugar, de como ela habita o psiquismo do fã e participa ativamente nessa construção”. Anne Louise levanta que essa relação com os fãs transforma a cantora em um exemplo e comenta sobre a música Dear Reader, que é um recado para os swifties. “Ela não quer essa posição de modelo a ser seguido, ela escreve conselhos para os ouvintes, mas isso não significa que ela sabe para onde está caminhando”.

“Talvez seja justamente por isso, por admitir que ela não sabe para onde ela está indo, que ela seja a estrela guia para os fãs” aponta Elaine, “ela tem a clareza da responsabilidade social enquanto um ícone. Disponibilizar a verdade que me habita através das músicas que escrevo não significa que essa é a verdade toda, porque não temos como entrar em contato com verdade toda”.

A possibilidade de interpretação das músicas de Taylor Swift abre caminho para que muitos fãs se apoiem nas canções, é uma fonte de força e conforto, como compartilha Anne Louise: “acho que um dos momentos mais difíceis para mim foi quando minha melhor amiga, que também é fã dela, tentou suicídio. Como a Taylor tem música para tudo, eu mergulhei em sua discografia – duas semanas depois, ela anunciou que viria pela primeira vez ao Brasil se apresentar. Eu tive a sorte de ir ao show com a minha melhor amiga e gritar em plenos pulmões de mãos dadas com ela as músicas que me ajudaram a passar por aquele período”.

A obra de Taylor Swift não pode ser explicada somente por números, ainda que ajudem a dimensionar a escala do impacto da cantora, somente conversando com um fã é possível começar a compreender.

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A história sobre Haymitch na 50° edição dos Jogos chegará às livrarias em 2025 e aos cinemas em 2026
por
Juliana Bertini de Paula
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07/06/2024 - 12h

"Sunrise on the Reaping", ou em tradução literal, Nascer do sol na Colheita, será o novo livro da saga Jogos Vorazes. Suzanne Collins, criadora da franquia, anunciou nesta quinta-feira (06) em entrevista à Associated Press. O livro chegará nas livrarias norte-americanas dia 18 de março de 2025. A capa oficial ainda não foi divulgada. Uma adaptação para os cinemas também já foi confirmada pela produtora Lionsgate, responsável pelos outros filmes da franquia, para 20 de novembro de 2026.

 

Woody Harrelson como Haymitch Abernathy na trilogia principal de Jogos Vorazes. Foto: Divulgação/Lionsgate
Woody Harrelson como Haymitch Abernathy na trilogia principal de Jogos Vorazes. Foto: Divulgação/Lionsgate

 

 

Como será a história? 

 

A história se passará 25 anos antes da trilogia principal e contará sobre o 50° Jogos Vorazes - disputa entre jovens onde apenas 1 sairá vivo - o 2° Massacre Quartenário, protagonizado por Haymitch Abernathy do Distrito 12 - o vencedor dos jogos. O protagonista já apareceu na saga como mentor de Katniss Everdeen e Peeta Mellark nos primeiros filmes e foi interpretado por Woody Harrelson, conhecido também por seu papel em Zumbilândia.

 

O próximo livro também irá abordar o poder da propaganda no controle da população "Com 'Nascer do sol na Colheita', me inspirei na ideia de submissão implícita do [filósofo] David Hume e, em suas palavras, 'a facilidade com que muitos são governados por poucos'" - disse Suzanne em entrevista à Associated Press.

 

Os Massacres Quaternários são edições especiais de 25 anos dos Jogos, assim, os Distritos mandaram o dobro de tributos à edição em que Haymitch foi obrigado a participar. Tendo 48 participantes ao invés de 24, o protagonista conseguiu chegar a final e sair vitorioso da disputa.

 

Arena do 3° Massacre Quartenário vivido por Katniss e Peeta. Foto: Divulgação/Lionsgate
Arena do 3° Massacre Quartenário vivida por Katniss e Peeta. Foto: Divulgação/Lionsgate

 

 

Recém lançamento

Em 2020, outro livro da franquia foi lançado. “A Cantiga do Pássaro e da Serpente” conta a história de Coriolanus Snow, presidente de Panem e de Lucy Gray, Tributo do Distrito 12. Três anos depois, a história foi adaptada para os cinemas e hoje já está disponível na Amazon Prime. 

 

Apenas 10 anos após a Primeira Rebelião, os idealizadores ainda estão entendendo como a população responde aos Jogos. Na 10° disputa, cada jovem da Capital se torna mentor de um Tributo. Assim, o jovem Snow conhece a barda Lucy.

 

Após trapacear para fazer a jovem ser a última sobrevivente, Snow é exilado para o Distrito 12. Lá, juntamente com Lucy, decide fugir para viver uma vida mais tranquila, porém o conflito de interesses do casal faz com que se virem um contra o outro.

 

Lucy desaparece enquanto Snow consegue retornar à Capital e se torna presidente de Panem, mantendo os Jogos Vorazes ativos até sua morte. 

 

Coriolanus Snow e Lucy Gray, interpretados por Tom Blyth e Rachel Zegler. Foto: Divulgação/Lionsgate
Coriolanus Snow e Lucy Gray, interpretados por Tom Blyth e Rachel Zegler. Foto: Divulgação/Lionsgate

 

 

Jogos Vorazes

 

A distopia de Jogos Vorazes se passa em Panem, um estado soberano e uma república constitucional democrática (antigamente uma ditadura totalitária), liderada por Coriolanus Snow.

 

Estabelecido algum tempo após uma série de desastres ecológicos e um conflito global ter provocado o colapso da civilização moderna, a nação está situada no território do continente norte americano, consistindo de um distrito federal e treze distritos periféricos. Cada distrito deve fornecer diferentes materiais para a Capital em troca de proteção.

 

Por conta da grande desigualdade social, os distritos declararam guerra à seus líderes, revolução que ficou conhecida como Primeira Rebelião. Nesta revolta, o 13° distrito, que era responsável por itens nucleares, foi completamente destruído na superfície. Porém continuou ativo secretamente no subsolo, planejando a próxima revolução.

 

Como punição do fracasso da Primeira Rebelião, e para não deixar o poder da Capital sob os distritos ser esquecido, os Jogos Vorazes foram criados. Anualmente, dois jovens entre 11 e 18 anos, de cada um dos 12 distritos - já que o 13 havia sido presumidamente destruído - eram tomados pela Capital como Tributo para lutarem até a morte em uma batalha onde apenas um seria coroado como o Vitorioso.

 

Presidente Snow, interpretado por Donald Sutherland, em Jogos Vorazes. Foto: Divulgação/Lionsgate
Presidente Snow, interpretado por Donald Sutherland, em Jogos Vorazes. Foto: Divulgação/Lionsgate

 

 

Durante os 74° Jogos, no distrito 12 - responsável pela mineração - Katniss Everdeen, que se voluntariou no lugar da irmã mais nova, Primrose Everdeen, e Peeta Mellark foram enviados. 

 

Teoricamente, apenas um Tributo poderia sair vivo da arena, porém, em um ato de rebeldia, Katniss e Peeta, ao serem os últimos vivos na arena, se recusam a ter que matar o outro e ameaçam a comerem frutas venenosas, impedindo que tenha qualquer vencedor. A Capital, para impedir que tal ato rebelde aconteça, permite que ambos sejam os Vitoriosos e pela primeira vez, uma dupla é campeã dos Jogos.

 

Peeta, Effie e Katniss, respectivamente, interpretados por Josh Hutcherson, Elizabeth Banks e Jennifer Lawrence. Foto: Divulgação/Lionsgate
Peeta, Effie e Katniss, respectivamente, interpretados por Josh Hutcherson, Elizabeth Banks e Jennifer Lawrence. Foto: Divulgação/Lionsgate 

A revolta dos jovens inspirou uma revolução por toda Panem. Quando são enviados novamente às arenas para o 75° Jogos, o 3° Massacre Quartenário, a rebelião pensada pelo Distrito 13 é colocada em prática.

 

Após Katniss e outros Tributos destruírem a arena, os rebeldes resgatam os sobreviventes e os levam até a base subterrânea na região presumidamente destruída para se juntarem à revolta. Lá a protagonista se torna a cara da revolução, enredo do 3° e 4° filme. Liderados por Alma Coin, os jovens resgatados e outros adeptos à revolta vão para a Capital a fim de destruir o atual governo e acabar com os Jogos.

 

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