Lana Del Rey se apresentou como artista principal na sexta-feira dos dois finais de semana (13 e 14, 20 e 21) do festival Coachella, que acontece em Los Angeles, Califórnia, anualmente. A apresentação da cantora começa ainda nos bastidores. Lana e suas dançarinas andaram entre o público de mais de 125 mil pessoas de moto em direção ao palco. A entrada teve referência o clipe de “Ride”. O poder da cantora se evidenciou quando “Jealous Girl”- música sequer lançada - levou todos ao delírio. Assim, a estrela instaurou sua atmosfera etérea e angelical por todo o festival.

A infraestrutura do cenário para o palco é a maior da carreira de Del Rey. A construção contou com elementos de suas músicas. Haviam rachaduras de ouro nos pilares referentes a “Kintsugi”, música da cantora e técnica japonesa de reparar cerâmicas quebradas. Os azulejos no palco eram os mesmos do túnel embaixo da Ocean Boulevard, na Califórnia, elemento faz parte de canções em seu último álbum. A estrutura contava com um pole dance. Em “Candy Necklace” enquanto Jon Batiste tocava um solo de piano, a artista deu um icônico giro na barra que foi incansavelmente compartilhado nas redes. O figurino foi assinado pela marca Dolce & Gabbana.

O cenário impressiona ao levar em consideração os problemas enfrentados. Em seu instagram, a headliner revelou a saída de seu empresário da sua equipe em meio à produção. “O Peter se demitiu sem motivos depois de 15 anos…”, escreveu. Mas, a ausência de Peter Abbot parece não ter tido efeitos. “Sem problemas - 37 dias foi tempo mais do que suficiente para montarmos um set inteiro sozinhos. Não é nada estressante”, pontuou a artista ironicamente. Além disso, Lana enfrentou uma laringite até poucas horas antes de subir ao palco. Ela revelou que curou com “habilidades intuitivas corporais”, técnicas de Tessa diPietro, sua taróloga.
O repertório estava recheado de hits, mas repetitivo. O catálogo da estrela indie é vasto, mas, segundo fãs, pouco explorado. Ela repaginou apresentações da sua última turnê de maneira grandiosa, como é o caso de “Chemtrails Over The Country Club”. “Let The Light In”, fez falta, a canção faz parte de seu último trabalho e ainda assim foi cortada da versão final da setlist. Mas tudo parece ter sido compensado com a convidada especial no primeiro final de semana. Billie Eilish entrou para cantar “Ocean Eyes” e “Video Games”, uma grata surpresa aos admiradores de ambas. No segundo show, a convidada foi Camila Cabello. A cubana apresentou sozinha a faixa “I LUV IT”, que está viralizando nas redes sociais, mas deixou o deserto em silêncio.

A intérprete entrega a voz ao público em vários momentos do show, que responde a altura. Isso faz parte de seu estilo no palco, mas seria ainda mais empolgante se a cantora agraciasse seus espectadores cantando suas músicas por completo. Sua voz já foi centro de críticas 12 anos atrás durante uma apresentação de “Blue Jeans” no programa SNL. Mas ela bota um ponto final nessa polêmica ao interpretar “Hope is a Dangerous Thing For a Woman Like Me” nos mesmos moldes da fatídica performance de 2012, hoje como assinatura de sua personalidade musical.
🚨Meu Deus! Lana Del Rey está fazendo alusão ao SNL com a música Hope pic.twitter.com/So4obHKrD9
— Lana Del Rey World (@LDRWorld1) April 13, 2024
“Essa é a razão da existência da metade de vocês, incluindo a minha”, disse Billie apontando para Lana. Del Rey é uma das maiores referências para as novas gerações da música. Conseguimos ouvir suas influências em trabalhos de Taylor Swift, Halsey, Lorde, Olivia Rodrigo, entre outras cantoras. O LANACHELLA foi a celebração de seu legado incontestável e o atestado da marca que deixará na indústria.
Localizado no centro de São Paulo, o Memorial da Resistência, conta com uma exposição temporária sobre a participação de mulheres na oposição do regime militar que comandou o Brasil por 21 anos. Em busca de valorizar e honrar a memória e a luta de jovens como Inês Etienne Romeu, Beatriz Nascimento e Laudelina de Campos Mello, são exibidos depoimentos, imagens e documentos que ilustram a participação delas.
De 1964 a 1985, muitas artistas se destacaram por se posicionarem contra a violência do sistema, como por exemplo, as legendárias, Elis Regina e Rita Lee. Mas, além delas várias outras mulheres foram oposição de outras formas e merecem ser lembradas também, um grande exemplo é Inês Etienne Romeu.

Nascida em Minhas Gerais em 1942, Inês participou de grupos de guerrilha como Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop). Em maio de 1971, a mineira foi presa acusada de participar do sequestro de Giovanni Bucher, embaixador suíço; e levada para Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) onde foi torturada.
Depois de um breve tempo, Inês foi para a chamada Casa da Morte – um espaço clandestino de tortura localizado em Petrópolis, RJ – onde passou 72 dias. Com apenas 29 anos, foi estuprada duas vezes, submetida a choques elétricos, tortura psicológica e diversos tipos de humilhação, como limpar a cozinha nua.

A guerrilheira foi a única sobrevivente da Casa da Morte, e razão pela qual a conhecemos hoje.
A história de Inês é exposta, no Memorial, com fotos, ilustrações, depoimentos e uma mostra do filme que conta seu tempo na Casa da Morte, deixando claro os horrores cometidos durante a Ditadura.
Letícia Falaschi, aluna de jornalismo da PUC-SP, afirma que a parte mais impactante de sua visita foi a parte de Inês. “Sai de lá muito tocada, muito sensível. Particularmente, a parte da Inês, a exposição dela me tocou muito, foi muito forte. Os depoimentos, o documentário da Inês e os registros em carta foram os que mais mexeram comigo”
Letícia ainda comentou que “Por não ter acesso na escola, conheci muitas mulheres que fizeram parte da Resistência que eu não conhecia, como a Leslie Denise Beloque a Inês”.
A exposição está no Memorial da Resistência, a entrada é gratuita e estará aberta até 28 de julho de 2024.
O Memorial da Resistência, localizado no Centro de São Paulo, é dedicado à memória da Ditadura Civil-Militar, onde muitos presos políticos foram detidos sob o autoritarismo imposto, afetando e prendendo pessoas que faziam parte, principalmente, à imprensa e à educação. Com várias exibições presentes, a PUC-SP é uma das instituições que está promovendo uma nova exposição que destaca os espaços de memória em um dos locais culturais mais relevantes da capital paulista.
Durante a ditadura, o jornalismo foi impactado brutalmente, sendo alvo da censura, tirando o que há de mais importante nesta profissão: a liberdade de expressão. Na educação, não foi diferente; a censura chegou a níveis de exclusão de materiais didáticos, como livros. Na mostra, a universidade revela formas de tentar driblar o totalitarismo imposto pelo governo, e o professor de jornalismo, Fábio Cypriano, comenta: “Boa parte de resistência à ditadura aconteceu na PUC de São Paulo. Essa exposição, ela fala sobre isso, então, nós organizamos a mostra em cinco módulos.”
Dividida em cinco módulos, uma seção inclui o papel de abrigar professores expulsos ou demitidos de outras instituições, como Florestan Fernandes e Paulo Freire. A outra parte da exposição é dedicada à Comissão da Verdade, que foi estabelecida para investigar o que aconteceu na universidade durante essa época, incluindo a homenagem para cinco alunos que eram da PUC e foram mortos. Um dos espaços mais importantes que é o teatro TUCA, que é um local de luta eterna, também é uma pauta importante discutida na exibição em relação a memória. O último módulo é dedicado à “Defesa radical da democracia” e inclui iniciativas como o "Tribunal do Idiota", que abordou o que aconteceu no país durante a pandemia.

Em relação a essa exposição e a comemoração de 60 anos de resistência democráticas (1964-2024), Hélio Campos, editor da revista ‘Isto é’ e fotógrafo, conta um pouco mais sobre as mobilizações feita na PUC-SP e como isso afetou e marcou os dias atuais: “Os estudantes começaram a se organizar, a se mobilizar; a gritar abaixo a ditadura; a sair às ruas, porque o governo já estava fragilizado com pouco sucesso em termos econômicos e com muita tortura [...] Muita coisa justifica o que estamos vendo aqui!”, assim apresenta a importância desse espaço que é a universidade e o poder dos movimentos estudantis.
O editor conta como era o seu dia a dia e como lidava com a censura, os riscos que corria, as perseguições e a violências que sofria: “Eu trabalhava na revista ‘Isto é’. A ‘Isto é’ era uma divergência da ‘Veja’ — apoiava a ditadura. Nesta época, o que eu mais cobria era estudantes e metalúrgicas”, destacando que Campos fazia registros de grupos considerados revoltosos, que eram presos no DOPS, onde eram submetidos à tortura, e em muitos casos, faleciam.
O DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) foi um órgão fundamental e violento durante esse período, no qual eles decretaram crimes de ordem pública e social relacionados à prática de capoeira, a manifestações religiosas afro-brasileiras e ao combate de movimentos de esquerda no país. Torturas, execuções e prisões ilegais eram extremamente presentes. Atualmente, é um prédio de pesquisa sobre esse período e fica localizado no Memorial da Resistência, sendo um dos principais locais de visita. O aluno de jornalismo, Wildner Felix, expressou: “Não tinha muito conhecimento sobre a época da Ditadura e como foi. Eu achei que foi muito incrível, as fotografias, a organização. Ficou muito lindo e eu pretendo ir de novo.”
Para a instituição católica, a defesa da liberdade e da democracia é uma pauta que é recorrente e permeia a todos pertencentes dessa comunidade, não só por sua história dos impactos e confrontos nessa época totalitária, mas como se posiciona até os dias de hoje, como filantrópica e comunitária.
O Memorial da resistência surgiu com intuito de retratar e sensibilizar a sociedade brasileira em relação ao Período Ditatorial no Brasil. Veio como forma de eternizar as causas e lutas dos grupos oprimidos e preservar a memória do Golpe Militar no Brasil, revelando as diversas violações de Direitos Humanos que aconteciam corriqueiramente durante o período.
O museu abriga também a Estação Pinacoteca e ocupa o espaço do antigo DEOPS (Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo), órgão público de repressão social, e, por isso, conta com um vasto acervo material ao estudo da História.

O espaço passou por obras de revitalização antes de sua inauguração em 2009, de modo que seu espaço retratasse o máximo possível do que ocorria naquele espaço durante o Regime Ditatorial. O memorial dispõe de exposições fixas do próprio espaço físico e também exposições itinerantes focadas na memória da Ditadura.
Seu acervo conta com celas de presos políticos reconstituídas como as da época, trazendo uma reflexão profunda sobre as consequências do poder na mão dos militares.
“Ao entrar nas celas senti uma atmosfera pesada se formando. O peso da história daquele lugar me deixou emocionado e também incomodado, sabendo de tudo de terrível que aconteceu. Ao ler os relatos nas paredes tudo ficou ainda mais intenso, o desconforto e a inquietação de saber que aqueles escritos são reais.”, diz um Vitor Nhoatto, aluno universitário que visitou a exposição.
Antigamente, o espaço era um dos principais centros de tortura na cidade de São Paulo e, com isso, a Instituição torna evidente a extrema violência militar com aqueles que não compartilhassem de seus mesmos ideais.
O aluno diz ainda sobre suas interpretações em relação política a tudo que é exposto no Memorial. “Devido a todos os elementos do espaço, como as cartas, os vídeos, as fotos e os objetos nas celas, com certeza a exposição tinha como foco dar uma dimensão de como o período ditatorial foi horrível e violento. A linha do tempo na sala ao lado das celas também destaca algumas ações do período, como o AI-2 e o AI-5, frisando toda a repressão militar. E principalmente, as imagens de algumas manifestações reforçavam a censura e violência da época.”
Esse método de controle por meio da força visto na Ditadura, traça um paralelo com a tragédia de 1992, na Casa de Detenção de São Paulo localizado no bairro Carandiru. O Massacre do Carandiru foi um caso que chocou o país, visto que a reação violenta dos policiais militares como forma de controle dentro do presídio resultou em 111 mortos e 110 feridos.

Esse acontecimento mostra que, assim como na Ditadura, as forças militares sempre procuram maneiras de dominar a sociedade brasileira, mostrando que a preservação da memória da ditadura é de extrema importância para impedir um novo Golpe Militar na República brasileira.
“O local é como um farol para que a gente se lembre sempre do terror da época.”, conclui o estudante.
No dia 12 de abril, a academia abriu as portas para que os visitantes pudessem conhecer o espaço e a história do Ballet. A experiência, guiada por Monica Tarragó, diretora e fundadora da instituição, também contou com uma apresentação da recém-formada companhia e uma roda de conversa com os bailarinos.
A sede de três andares, localizada em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, é berço de grande potencial artístico. Com várias paredes pintadas por artistas famosos, como Kobra e Mena, e mais de 200 bailarinos uniformizados, a escola se tornou um ponto de arte, cor e cultura na região.


A formação dos bailarinos é totalmente gratuita e aberta para o público, porém, como o limite de vagas já foi excedido, existe uma lista de espera que conta com mais de 2000 jovens interessados. Sábado 6/4, 70 novas crianças ingressaram na academia. Sob essa ótica de inclusão, existe um comprometimento da atual diretora em tornar o espaço acessível em todos os sentidos: os três andares possuem mapas táteis para os alunos portadores de deficiência visual e o próximo passo será a instalação de elevadores.
A formação básica é de 10 anos e consiste em 3 aulas por semana, com 60 minutos diários, que exploram as mais variadas expressões artísticas, desde o ballet clássico, contemporâneo, até a história da dança. Para as crianças mais dedicadas, há uma pequena turma de 15 estudantes entre 8/10 anos, chamada de “infantil”, que é ainda mais intensiva e preparatória para a carreira na arte. Durante a visita, a fundadora revelou que o Ballet busca, ao máximo, dar as condições necessárias aos alunos para que eles, com força de vontade e persistência, tornem o desejo de dançar uma realidade.
Por ser uma instituição sem fins lucrativos, o Ballet Paraisópolis é patrocinado por algumas empresas privadas e financiado por projetos de incentivo governamental, além de doações. Contudo, todos os funcionários são remunerados, assim como os bailarinos da companhia, que embora tenha sido fundada em 2022, só foi oficializada no mês passado, representando um passo importante para a profissionalização e reconhecimento dos artistas. As obras "Grand Pas de Deux de Don Quixote", montado por Weverton Aguiar, e "Véspera", por Christian Casarin, marcaram o lançamento.
Além disso, os 18 integrantes da cia recebem bolsa para formação no ensino superior, direcionamento nutricional e assistência fisioterapêutica. Logo, o cuidado com o bailarino vai desde o início de sua formação até sua atuação profissional. Entre os dançarinos presentes durante a visita, oito já eram da escola, enquanto os sete, que vieram de fora, tiveram que passar por uma audição antes de serem contratados.

Por fim, a organização interna da academia incentiva um senso de comunidade entre os estudantes. A limpeza das áreas de convivência e dos banheiros é de responsabilidade da companhia, que influencia os mais novos a seguirem seu exemplo. Outro hábito dos bailarinos é oferecer auxílio aos professores, mantendo a sala organizada durante as aulas, e à coordenação, colaborando com ideias de marketing, sugestões e levantando demandas dos dançarinos.
Para além da beleza da sede, ela traz visibilidade à região, oportunidade de acesso à cultura e à arte, e com isso, um desenvolvimento social significativo. Nesse sentido, a sensação de coletividade extrapola a infraestrutura do Ballet e contamina Paraisópolis. Em junho de 2021, a instituição recebeu o título de “Ponto de Cultura do Ministério da Cidadania”, e em outubro, o “Selo Municipal de Direitos Humanos e Diversidade”.
Ainda sem previsão da próxima visita, é indicado acompanhar as páginas do Ballet nas redes sociais para outras oportunidades.














