Monotrilho entra em operação com linha mais curta e anúncio de expansão feito pelo governador
por
Danilo Belluzzo
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01/04/2026 - 12h
Trem do Monotrilho viajando pela Marginal Pinheiros
Trens do Monotrilho foram construídos pela empresa chinesa BYD. Foto: Divulgação/Governo de SP

O Monotrilho da Linha 17 - Ouro do Metrô foi inaugurado nesta terça-feira, 31 de março, em uma cerimônia que contou com a presença do governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A nova modalidade de transporte foi entregue depois de um atraso de doze anos e com menos da metade do trajeto planejado inicialmente.

A ideia de um modal que conecte o Aeroporto de Congonhas à rede metroviária é antiga. Foi em 2012, na gestão do atual vice-presidente Geraldo Alckmin como governador e na onda de obras de preparação da cidade para a Copa do Mundo de 2014, que se decidiu pela nova tecnologia do Monotrilho - meio de transporte em que o trem transita suspenso acima de avenidas. Diferentemente do metrô, os autores do projeto argumentaram que a modalidade seria mais rápida de ser construída e com menos impactos para a população, já que não é necessário escavar o solo para a passagem dos trilhos, o que também reduziria a necessidade de desapropriações para a realização da obra.

A realidade, porém, foi outra. Planejado para ser entregue na Copa, a obra ficou anos parada, com apenas as pilastras, que servem de base para os trens, construídas. O projeto inicial previa uma extensão de 18 quilômetros, interligando o aeroporto ao Terminal Jabaquara, da linha azul do metrô e seguindo até o Estádio Morumbi, hoje Morumbis, também conectando a favela de Paraisópolis à rede ferroviária. Nada disso se tornou realidade.

Com apenas oito estações em funcionamento e 6,7km de extensão, a obra fez com que comunidades inteiras desaparecessem. É o caso da antiga Favela Buraco Quente, que ficava localizada no fim da Espraiada, na parte em que se conecta com a Avenida Pedro Bueno, e que foi completamente destruída e seus moradores, expulsos. A motivação para a desapropriação era de que o caminho do monotrilho continuaria, como mencionado, até a estação Jabaquara do metrô. Como não aconteceu, o lugar onde antes ficava a comunidade se tornou um parque, a Área de Lazer Água Espraiada, inaugurada em julho de 2019, quando as obras foram retomadas.

 

Tarcísio de Freitas cumprimentando apoiadores na entrada do evento.
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, chega ao local do evento ao som de “Tempo Perdido” do grupo Legião Urbana. Foto: Lívia Soriano/Agemt.

 

Em seu discurso no evento de lançamento do Monotrilho, Tarcísio de Freitas retomou a promessa de expansão da linha Ouro. “Autorizar no dia de hoje o próximo projeto, a extensão, a fase dois. Agora, a gente começa a contratar o projeto de engenharia,  a revisão do projeto básico e o projeto executivo. Para fazer mais quatro estações, para fazer mais quatro quilômetros de linha dezessete, para levar esse metrô lá para Paraisópolis, para fazer a conexão com a linha quatro, e a gente não pretende parar por aí”, disse ele na ocasião.

No momento, os trens circulam em fase de testes operacionais, das 10h às 15h. A expectativa é de que, em até 90 dias, ela esteja operando totalmente.

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Representante de bloco tradicional da cidade faz alerta sobre o fenômeno de entrega da folia a iniciativa privada
por
Cecília Schwengber
Helena Barra
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29/03/2026 - 12h

A Prefeitura de São Paulo contrariou as próprias regras ao liberar, no dia 8 de fevereiro, a saída do megabloco da Skol, marcado pela superlotação. O desfile comandado pelo DJ Calvin Harris aconteceu na Rua da Consolação, no Centro, reunindo aproximadamente 1,6 milhão de foliões. Tradicionalmente, a via é destinada somente ao Acadêmicos do Baixo Augusta. Segundo o Guia de Regras e Orientações do Carnaval da prefeitura, não seriam aceitas novas inscrições para os períodos de pré e pós-carnaval em nenhuma região da cidade. 

"Eu acho que a primeira coisa importante da gente estabelecer é que o carnaval é um direito garantido na Constituição Federal. Há uma cidadania cultural. […] Eu estou falando isso porque, numa cidade do tamanho de São Paulo, é preciso organizar minimamente o carnaval de rua. Principalmente quando se têm blocos gigantes. É papel do poder público garantir a existência, a tradição e as práticas dos blocos”, afirma Lira Alli, porta-voz do Vai Quem Qué, que analisa a ascensão dos blocos comerciais em detrimento dos blocos comunitários, que fazem parte da tradição do carnaval de rua paulistano. 

Para os desfiles fora do calendário oficial, as exceções seriam avaliadas pela Comissão Especial de Organização do Carnaval de Rua 2026. O desfile do bloco Skol foi, portanto, a exceção especialmente aprovada. O domingo de pré-carnaval na Rua da Consolação é reservado ao Acadêmicos do Baixo Augusta, que costuma atrair mais de 1 milhão de foliões. Neste ano, no entanto, seu desfile teve de dividir o espaço com o Bloco Skol, com horários de concentração separados por apenas três horas. A ocorrência previsível de superlotação causou tumulto e fez com que dezenas de pessoas precisassem ser socorridas após passarem mal. Na tentativa desesperada de aliviar o gargalo humano, grades e estruturas foram derrubadas. 

Financiamento público se tornando privado 

A gestão Ricardo Nunes (MDB) reduziu em R$ 12 milhões o orçamento destinado à estrutura e à organização do carnaval de rua de São Paulo deste ano. Em 2025, a prefeitura investiu R$ 42,5 milhões em infraestrutura, com patrocínio de R$ 27,8 milhões da Ambev. Para 2026, o valor caiu para R$ 30,2 milhões — uma redução de 29%. Tal valor foi integralmente bancado pelo patrocínio da multinacional, que custeou toda a estrutura necessária para os oito dias de folia, como banheiros químicos, gradis, tapumes e contratação de produtores. Desde 2024, a SPTuris, empresa municipal de turismo e eventos, é responsável por toda a infraestrutura e produção do carnaval, incluindo a contratação de banheiros químicos, equipamentos, produção de material informativo, organização dos locais de desfile e sinalização dos circuitos. Durante coletiva de imprensa realizada no dia 30 de janeiro, o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, anunciou que 100% da estrutura do carnaval seria paga pela iniciativa privada (Ambev).  

Apenas os custos das áreas de segurança — que envolvem as polícias Militar, Civil e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) — e de trânsito, sob responsabilidade da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), continuaram a cargo do poder público municipal e estadual. 627 blocos de rua foram registrados e desfilaram nas ruas da cidade, em todas as regiões, com 11 megablocos se apresentando nos principais circuitos de cortejos — um recorde de blocos inscritos. Com o orçamento do patrocínio de 2026, houve queda de 37% no número de banheiros químicos disponíveis. Em 2025, os circuitos contavam com cerca de 6000 banheiros. Já em 2026, estima-se que havia apenas 3800. 2200 a menos que no ano anterior. 

Enquanto privatiza a sua organização, São Paulo viveu em 2026 o maior carnaval de sua história. De acordo com o Observatório do Turismo, a festa reuniu 17,3 milhões de pessoas nos blocos de rua e no Sambódromo do Anhembi, movimentou R$ 4 bilhões na economia da capital e gerou 55 mil empregos diretos e indiretos, consolidando-se como a maior edição já realizada na cidade. 

 

“A verdade é que esses c*nalhas não suportam nossa alegria. porque alegria não é só um sentimento pra gente: é forma de viver, construir comunidade, libertar nossos corpos e desejos”. Foto e legenda no post de @liraalli no Instagram.
Crédito: @liraalli no Instagram.

A Lei nº 14.845, sancionada em abril de 2024, reconhece blocos e bandas de Carnaval como manifestação da cultura nacional. A norma federal assegura o livre desfile dessas manifestações, protegendo suas músicas, práticas e tradições como patrimônio cultural. O bloco Vai Quem Qué, assim como outros, sofreu uma dispersão truculenta com o uso de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral contra os foliões realizada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo. Lira ressalta a negligência de manter estruturas básicas para os foliões nas mãos da iniciativa privada. “Considero que é papel da prefeitura oferecer e custear as estruturas para a cidade funcionar bem no carnaval e poder acolher essa festa popular que é tão importante, e que gera tanto recurso” e acrescenta: "o fundamental é principalmente os banheiros. Na verdade, se vivêssemos numa cidade minimamente decente, teríamos banheiros públicos em lugares de grande circulação não apenas durante o carnaval".

Os foliões também precisam de água gratuita, bebedouros de água potável nas ruas. Ainda mais em tempos de crise climática. Lira argumenta que o que tem acontecido com o carnaval é que a lógica imposta, não somente sobre a folia, mas sim toda a cidade de São Paulo, é uma lógica de privilegiar os mega eventos e as empresas em detrimento das pessoas. Atualmente a Ambev, empresa que coordena o carnaval de São Paulo, manda mais do que a própria prefeitura e os blocos. É o que se tem chamado como “ambevização” do carnaval de rua. “Estamos passando por um momento de crise do carnaval de rua comunitário”, alerta Lira. O carnaval que transformou a capital paulista numa grande potência tem como característica justamente a diversidade: bloco de tudo quanto é tipo, em tudo quanto é lugar, tocando todos os tipos de música, com as mais variadas formas de expressão… é o carnaval mais diverso do nosso país", afirma.  

Lira argumenta que “esse carnaval vem sendo pasteurizado na medida que é entregue à iniciativa privada, de modo a se adequar a um formato que consiga atrair um público maior, gerando renda para a patrocinadora. E isso não é exatamente carnaval, é uma coisa extremamente comercial. O carnaval de São Paulo se transformou em um grande negócio”. 

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À frente de seu tempo, Maria Luiza Nunes rompeu barreiras, buscou independência desde jovem e transformou essa visão em projetos sociais
por
Victória Rodrigues
Isabella Damião
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20/03/2026 - 12h

Maria Luiza das Graças Nunes, é fundadora da organização social sem fins lucrativos Fênix, que opera com uma base de 550 funcionários, no bairro do Tatuapé, na zona leste da capital paulista. Essa Organização Social de Saúde é uma entidade privada sem fins lucrativos, que se mantém com a prestação de serviço a Unidades de Pronto Atendimento, que envolve pequeno e médio diagnóstico e administração. “Você compra desde o remédio até o serviço de engenharia”, Maria Luiza explica. 

Nascida em 8 de agosto de 1948, uma mulher independente, à frente de seu tempo, nunca se importou com os julgamentos que seus sonhos acarretavam. Viveu a primeira infância em uma fazenda no estado de Minas Gerais com sua família, mas, ainda na pré-adolescência aos 13 anos de idade, se mudaram para São Paulo. “Nós viemos para São Paulo, mas porque meu pai era muito bem de vida, muito rico, mas acabou perdendo tudo”, conta.

Já na grande metrópole no ano de 1962, Maria Luiza começou a trabalhar no bairro do Brás (SP), incentivada pela mãe a buscar sua própria independência desde jovem: “A minha mãe era muito independente, autoritária dentro de casa. Meu pai era fazendeiro, não tinha instrução, mas tinha dinheiro”. 
Quatro anos após sua chegada em São Paulo, Maria conhece o homem que seria seu primeiro marido. Casou-se ainda nova, aos 17 anos. Seus pais não estavam de acordo, mas quando Maria Luiza coloca algo na cabeça, ninguém a impede de executá-lo.

“Eu me casei muito nova, na época não entendia o que é o amor. Eu fui envolvida, comecei a namorar e dentro de um ano ele quis casar. Eu não estava grávida, mas casei. Meus pais não deram muita opinião no casamento, porque eu sou muito xereta e muito independente. Eles diziam: ‘Quer casar, casa’”.
Em 1965, no mesmo ano em que casou, a jovem das Graças, engravidou de sua filha mais velha. Casada com um militar e com uma recém-nascida, ela precisou parar de trabalhar e dedicar-se à família. 
Apesar de aparentar o modelo de família tradicional brasileira, ela sentia que queria mais da vida, no entanto, em um relacionamento com um companheiro ciumento, Maria não encontrava o caminho para conseguir buscar a sua felicidade.

“Meu primeiro marido, era militar e muito ciumento, não deixava sair nem na porta. Mas na minha família, dizemos que precisa das mulheres ser muito independente, aí eu me separei dele, aos 21 anos, com uma filha de quase 3 anos. Mas ele era apaixonado por mim e pediu pra voltar. Nós voltamos, mas com a condição de que eu pudesse voltar a trabalhar e terminar meu curso médio (Ensino Médio)”, relata.
Com a ajuda de uma amiga, Maria Luiza, voltou a trabalhar. Conseguiu um emprego  no Hospital Tide Setúbal, na zona leste de São Paulo. No novo emprego, ela conseguiu dar mais um passo em seus objetivos: voltou a estudar para concluir o ensino médio e, paralelamente, iniciou o curso de Técnica de Enfermagem no Centro Universitário Braz Cubas, em Mogi das Cruzes (SP).  Passados os três anos de curso, foi promovida e assumiu a chefia do departamento de recursos humanos do hospital. “Eu fui a única da minha família a fazer curso universitário”, conta com orgulho.

Dedicada ao seu trabalho, participava ativamente da comunidade hospitalar e do cuidado com pacientes. Com o esforço do seu trabalho, ela pode arcar com os custos dos estudos de sua maior incentivadora, sua mãe. “Eu fui incentivada pela minha mãe. E, com o primeiro salário que eu tive, eu paguei o curso de cabeleireiro para ela. Cheguei a trabalhar aos finais de semana fazendo hora extra para comprar o material. E quando ela se formou, abriu um salão na frente de casa, o que trouxe uma renda a mais.”
Ainda na gerência do RH do hospital Tide Setúbal, Maria Luiza ingressou na antiga Faculdade Zona Leste no curso de Serviço Social. Para dar conta das demandas do departamento e dos estudos, passou a incentivar a autonomia dos setores do hospital.

Com as inovações que implementava  para melhorar o funcionamento do hospital, Nunes passou a ganhar reconhecimento e confiança das chefias e dos médicos de alto cargo. “Conheci o Dr. Marco Aurélio, Dr. Gildo, e o Dr. Tércio, que era superintendente da    Santa    Casa de São Paulo. E quando eu estava, Dr. Técio falou, ‘agora você vai fazer administração hospitalar’ e eu fui estudar Administração Hospitalar na Faculdade São Camilo”.

Com a formação em Administração Hospitalar, e dentro da administração, Nunes começou a conhecer políticos que chegavam pedindo atendimentos. A partir dessas relações,foi convidada para atuar como assessora de um vereador, além de ser transferida para o Hospital do Servidor Público Municipal. Lá se tornou responsável pela área de Recursos Humanos.

Maria Luiza criou uma rede diversificada de contatos. chegou a conhecer Paulo Maluf, ex-Deputado e ex-Governador do Estado de São Paulo, que a inseriu no gabinete do prefeito, cargo que Maluf ocupava. Nessa época, ela emergiu financeiramente e socialmente. 
Foi nesse contexto que surgiu seu primeiro projeto de assistência social: uma casa de idosos. “Fazia matrícula de idosos nos postos [de saúde], conseguia remédio, fazia fisioterapia.” Segundo a entrevistada, ela tinha nascido com esse instinto social. “Eu via necessidade, nunca fiz para me promover. Nunca foi isso, nunca mesmo.”

Maria Luiza engajou, em seguida, em outros projetos: a direção do PAS no bairro de Ermelino (SP), e assumiu a presidência da cooperativa de nível médio e logo depois, de nível universitário também. Entrou em um projeto da Secretária do Trabalho em São Paulo, com cerca de 5 mil alunos em cursos especializantes em toda Grande São Paulo. “Ofereciamos especialização para o  pessoal que estava desempregado.” 

Sede da Fênix do Brasil, na Zona Leste de São Paulo | Foto: Isabella Damião/AGEMT
Sede da Fênix do Brasil, na Zona Leste de São Paulo | Foto: Isabella Damião/AGEMT


Ao entrarmos na vida pessoal, Nunes coloca “Eu nunca pus a minha família em primeiro lugar”. Seus dois maridos, que os casamentos duraram 17 e 14 anos respectivamente, não incentivaram sua carreira. “O primeiro não suportava. Mas o segundo não se incomodava”. Além disso, relata que recebeu muitos julgamentos durante a vida. “Que eu era fora da casinha, que eu era muito atirada, que eu era muito além da minha época”, diz.

Os projetos sociais, para Maria Luiza, foram uma realização pessoal. Ao ser perguntada sobre arrependimentos, afirma não ter nenhum. “Só me arrependo de ter parado de estudar, porque era para eu ser uma engenheira da NASA.” 

No final, Maria Luiza deu um conselho: “Mulher tem que ser independente financeiramente e intelectualmente. Porque, senão, ela fica para trás”. 

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O acidente ocorreu durante uma obra da companhia em Mairiporã; a vítima trabalhava no local do acidente
por
Marcelo Barbosa
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13/03/2026 - 12h

 

Uma pessoa morreu e outras sete ficaram feridas, após o rompimento de uma caixa d'água da SABESP, na Rua Jacarandá, no bairro Jardim Nery, em Mairiporã, região metropolitana de São Paulo, na última quarta-feira (11).

Segundo informações preliminares da Prefeitura de Mairiporã, o fato ocorreu por volta das 10h45. A vítima, um homem, trabalhava na obra que era realizada no local. Além do óbito, houve danos em residências e veículos atingidos pela força da água.

Em entrevista à AGEMT, Raul Sepúlveda, um morador da região em que ocorreu o incidente, relatou como foi o ocorrido. Segundo Raul, ele ficou muito preocupado e com medo ao ver a sujeira na rua, enquanto passava em frente a uma escola. “ No momento, fiquei muito surpreso, pois era muita água e lama. Eu pensei que poderia ser algum deslizamento, já que Mairiporã tem histórico”, afirmou.

Em nota, a prefeitura de Mairiporã informou que mobilizou equipes da Secretaria de Segurança Pública e da Secretaria de Desenvolvimento Social, que atuam no local prestando atendimento e apoio às famílias afetadas.

 

Reprodução: Corpo de Bombeiros | Imagem da caixa d´água amassada
Reservatório de água que causou a enxurrada ficou destruído. Foto: Reprodução/ Corpo de Bombeiros 



Ainda de acordo com a prefeitura, 25 famílias foram atendidas até o momento,  totalizando 82 pessoas. Entre elas, 10 famílias estão sendo acolhidas em hotéis, enquanto 16 famílias foram encaminhadas para casas de familiares. Também houve resgate de animais que estavam nas residências atingidas.

Entre os feridos, nove foram encaminhados para o atendimento médico do Hospital Anjo Gabriel e seis deles já tiveram alta.

A Prefeitura informou que será realizada uma reunião  no gabinete de crise instalado e que será decretada Situação de Emergência nas áreas atingidas, que vão desde o bairro Jardim Nery até o Capoavinha.

A Defesa Civil também realizou, no dia 12 de março, uma vistoria técnica nos imóveis atingidos, com objetivo de identificar residências que precisaram ser interditadas temporariamente  ou permanentemente. No total, sete casas foram interditadas.

Segundo a Secretaria de Gestão Estratégica, a Secretaria de Desenvolvimento Social, que gerencia as políticas públicas de assistência social no município, fará o levantamento individualizado das famílias afetadas, registrando perdas materiais e demandas específicas, a fim de consolidar relatório detalhado para fins de ressarcimento dos prejuízos pela SABESP.
 

Reprodução: Lagomuller/ Instagram | Imagem da caixa d´água que estourou
Reservatório antes do acidente. Foto: Reprodução/Lagomuller

A Secretaria de Obras, responsável por gerenciar projetos e execuções de infraestrutura urbana no município elaborará relatório técnico das intervenções emergenciais necessárias, definindo as prioridades para recuperação das áreas atingidas.

O Governo do Estado afirma que está focado em garantir prioridade para o atendimento às pessoas afetadas. A Secretária de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, e o Secretário-chefe da Casa Civil, Roberto Carneiro, também apuram o ocorrido.

O Município irá formalizar ofício, solicitando esclarecimentos sobre as causas do acidente, as medidas de reparação dos danos e a forma de compensação às famílias afetadas.

Em nota à AGEMT,  a SABESP informou que realizou, na manhã desta quinta-feira (12), uma reunião com os moradores do bairro Capoavinha, em Mairiporã. Confira a nota na íntegra:

“Como medida inicial e emergencial, a empresa anunciou aos moradores que fará uma transferência de R$2 mil para aqueles que tiveram seus imóveis vistoriados, a fim de ressarcir urgências pontuais, como remédios e alimentação. 

Há uma van disponibilizada pela Sabesp para atendimento aos moradores, na esquina da rua São Marcos com a Santo Antônio, e também no CRAS (rua Charlotte Szirmai, 1.820) para atendimento, cadastro e dúvidas.

A prioridade da Sabesp, no momento, é atender aos moradores. As causas do acidente seguem sendo investigadas pelos órgãos competentes e pela própria Sabesp.

Durante a madrugada, cerca de 60 técnicos participaram do trabalho de limpeza das ruas e casas. 

A Companhia reitera que lamenta profundamente o falecimento de um colaborador da empresa contratada na construção de uma caixa-d’água no bairro Capoavinha em Mairiporã. A Sabesp pede desculpas a todos pelo ocorrido e se solidariza com os envolvidos”


Até o momento, o Município alega não ter recebido comunicação oficial da empresa com informações técnicas sobre as causas do ocorrido, que seguem sendo apuradas pelos órgãos competentes.

 

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Cidades no litoral e interior de SP sofrem com enchentes e situação de emergência
por
Marcello Ricardo Toledo
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05/03/2026 - 12h

 

Enchentes em Ubatuba causados pelos grandes temporais  Reprodução: Prefeitura Municipal de Ubatuba
Enchentes em Ubatuba causados pelos grandes temporais-Foto: Prefeitura Municipal de Ubatuba/ Divulgação

Na sexta-feira (23), chuvas fortes atingiram o estado de São Paulo causando alagamentos, deslizamentos e problemas diversos em muitas cidades. Entre os municípios mais afetados estão Peruíbe, Natividade da Serra e Ubatuba, que tiveram de decretar estado de emergência.

Em Peruíbe, no litoral sul, a situação é crítica. Após a chuva de mais de 400 milímetros em apenas 48 horas, a cidade registrou mais de 100 desalojados, segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo. A quantidade de chuva, maior que a média histórica de fevereiro, provocou alagamentos e obrigou os moradores a deixarem suas casas.

Equipes de resgate e assistência social trabalham para acolher as famílias afetadas, que foram encaminhadas para abrigos provisórios. A Defesa Civil monitora as áreas de risco e orienta a população a permanecer em locais seguros, diante da possibilidade de novos deslizamentos e enchentes.

Em Natividade da Serra, no interior do estado, o temporal causou a morte de 19 pessoas, segundo o governo estadual de São Paulo. As autoridades locais prestam apoio às comunidades afetadas e avaliam os danos causados pela tempestade. A principal  preocupação é com a infraestrutura da região e a segurança dos moradores, principalmente em áreas rurais.

Imagens da Defesa Civil em ação e alertas emitidos para regiões do litoral paulista, com foto de equipes e dos alertas
Agentes da defesa civil em ação na emissão de alertas para regiões do litoral paulista-Foto: Defesa Civil-SP

 

Já em Ubatuba, no litoral norte, o município decretou situação de emergência, o que significa que a prefeitura poderá utilizar recursos com mais rapidez para atender aos moradores, realizar obras urgentes e atuar em conjunto com os governos estadual e federal. As prioridades incluem a desobstrução de vias, monitoramento de rios e encostas e o apoio às famílias que tiveram suas casas atingidas.

Órgãos governamentais, como a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, estão em vigilância constante, aconselhando a população a evitar zonas inundadas, a observar indícios de desmoronamento e seguir as instruções das autoridades. As equipes de resgate e as assistências sociais continuam atuando nas áreas mais afetadas, enquanto as prefeituras iniciam o planejamento para a recuperação das cidades.
 

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Diante do desinteresse do Estado, a ONG Equilíbrio Universal é capaz de amparar a comunidade do Cocaia, no extremo sul de São Paulo
por
Yasmin Solon
Laura Paro
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24/10/2023 - 12h

 

 

 

 

Por Yasmin Solon (texto) e Laura Paro (audiovisual)

 

Sinir à esquerda e Maristela à direita em frente ao espaço destinado às atividades da ONG Equilíbrio Universal no Parque Residencial Cocaia, no Grajaú/Foto: Laura Paro
Maristela à esquerda e Sinir à direita/Foto: Laura Paro

Sinir saiu do norte de Minas Gerais em busca de uma vida melhor com oportunidades. Deixou seus pais e seus 13 irmãos aos 16 anos e depois de morar na região metropolitana de SP, foi às periferias da grande capital. Ela conta que quando chegou ao bairro conhecido hoje como Cocaia, tudo estava desabitado, que a população não tinha nada; na época, não haviam lixeiros e nem água. Era apenas matagal. Sinir tem sete filhos e é formada por duas faculdades, Assistência Social e Enfermagem, e pós graduanda em Educação e Saúde. Fundou a Organização Não Governamental Equilíbrio Universal em 1994 na tentativa de melhorar a comunidade, que já tinha um número de moradores relevante e que sofria, desde o surgimento do bairro, uma negligência governamental. Hoje, aos 67 anos de idade, ela é Presidente da Equilíbrio Universal. 

Ao redor da Represa Billings, em uma área de mananciais no extremo da região Sul de São Paulo, durante o burburinho e a ansiedade da rotina paulistana, surgia um distrito que hoje é considerado o maior da cidade, o Grajaú. Em 1981 a Imobiliária Federal de São Paulo vendeu os primeiros lotes irregulares na área que hoje é conhecida como Parque Residencial Cocaia. Em ruas de terra batidas, sem água ou esgoto encanados, luz, transporte, educação ou saúde básica, ou ao menos uma coleta de lixo aos moradores locais, já moravam Sinir Bento de Nazaret e Maristela Ribeiro da Silva que até hoje atuam na ONG Equilíbrio Universal, um símbolo que concretizou a democratização dos direitos do cidadão na região.

A instituição independente, apartidária e sem fins lucrativos surgiu a partir das necessidades da comunidade. Nas manhãs em que as mães e os pais precisavam ir ao trabalho, porém não podiam deixar seus filhos nas creches da região porque elas não existiam, foi na instituição que eles encontraram o abrigo necessário. Em meio às ruas sem asfaltos e lixos não coletados, as crianças encontravam na instituição um local de lazer e interação social. Enquanto não existia nenhum ensino na região, a Equilíbrio Universal oferecia cursos profissionalizantes aos moradores. É nesse sentido que Maristela comenta que eles representam a política do local, pois onde o governo não chega, são eles que governam. A comunidade depende das ações da instituição. 

Maristela tem 61 anos e também atua diretamente na Equilíbrio Universal. Mãe de quatro filhos adotivos, ela conta como é essencial acolher todos, independente de qualquer coisa: não existe distinção na comunidade de Cocaia pois todos merecem ser acolhidos, e é isso que o governo não enxerga. A entidade se compromete em dar a mesma chance e o mesmo tratamento, para que todos tenham as mesmas oportunidades. Quase dez anos antes da criação da Equilíbrio Universal, em 1983, foi feita a primeira reunião com autoridades da Prefeitura para reivindicar água, luz, transportes, coleta de lixo e incentivo ao comércio. Porém, ao que pareceu, não existia uma falta de diálogo e sim de interesse em transformar aquela área estruturada para as famílias morarem. Isso se tornou ainda mais evidente quando Sinir afirmou que a área do Grajaú é, até hoje, considerada um ‘cinturão verde’, e por isso o governo diz não poder dar uma infraestrutura digna aos moradores. 

Parque Residencial Cocaia, área de mananciais e à beira da represa Billings/Foto: Laura Paro
Parque Residencial Cocaia, área de mananciais e à beira da represa Billings/Foto: Laura Paro

Enquanto escorriam os esgotos das casas no mesmo chão em que as crianças brincavam descalças, Sinir, Maristela e outros integrantes procuravam solucionar os problemas e as demandas que a região sofria. A água não era tratada  e o esgoto sequer encanado, e elas contam que para atender todos da comunidade, a água era roubada, e o esgoto à céu aberto. Hoje, a água é tratada e distribuída, mas o esgoto é centralizado para uma caixa da Sabesp, como uma fossa, e despejado na represa. Durante essa problemática sanitária, diversas crianças e pessoas se infectaram e faleceram devido à Hepatite. Atualmente, a caixa mencionada, de fato, acumula os dejetos domésticos e deságua na Billings à beira das casas. Isso reflete no número assombroso em que cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem sem saneamento básico na capital, a maioria das casas sem saneamento estão na Zona Sul. Há poucos quilômetros, é possível imaginar como é fácil para as famílias assistidas pelo governo apenas darem descarga e não terem contato com esse esgoto diretamente, mas devido à negligência, os moradores do Cocaia são acostumados à paisagem poluente e o odor fétido. Sinir conta que, ali, não é possível ver o esgoto saindo das casas porque é encanado, mas não é tratado. Então às vezes ao visitar alguém, a casa e a rua estão limpinhas, mas o cheiro ruim de esgoto está presente porque está tudo centralizado e não tratado.

A desculpa de que o local é de preservação ambiental e assim não pode ser atendido pelas demandas, só funciona nas periferias. A 10 quilômetros de distância mas em mundos paralelos completamente diferentes, no bairro Jardim dos Estados, um bairro classe média-alta, a Associação do bairro precisou lutar há uns anos atrás para que o Jardim Alfomares, grande área verde local, não fosse desmatado para construção de condomínios residenciais. Por outro lado, o Grajaú já é habitado por muita gente - mais de 1 milhão - e tem suas necessidades não atendidas por ser uma área de mananciais. Se a área já foi desmatada, habitada, vendida por lotes irregulares, não há motivos para negligenciar direitos básicos aos moradores locais. Não faz sentido dizer que é feita uma proteção ambiental se o esgoto é desaguado em um dos maiores e mais importantes reservatórios de água da Região Metropolitana de São Paulo.

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Esgoto a céu aberto no bairro do Cocaia./Foto: Laura Paro

Maristela e Sinir contaram como foi conquistar a água tratada na região. Apesar das inúmeras tentativas e diversas vezes ignoradas, a ONG se organizou em conjunto com a comunidade e a Associação do bairro para ir até Brasília reivindicar pelo direito básico assegurado pela Constituição. Elas contam que juntaram 50 pessoas em um ônibus para ir a Brasília, com panelas e cartazes, e foram ouvidas com deboche vindo dos políticos. Nesse dia, Maristela conta que começou a chover, e foi quando ouviram ‘Está aí a água que vocês queriam’, seguidas de risadas. 

No surgimento do bairro, como os loteadores apenas tratavam de vender os terrenos irregulares da região e desapareciam logo em seguida, os moradores locais ficavam responsáveis por correr atrás de melhorias e necessidades básicas do bairro. O asfalto chegou ao Parque Residencial Cocaia em 1998, após muita luta dos moradores e atuação direta da instituição, que iam à prefeitura, e ouviam que a rua já havia sido asfaltada. Possivelmente, resultado de obras fantasmas que tiveram desvio de verba.
Quando o poder público argumentou “não existir número significativo de crianças” para construir creches e escolas, a instituição se organizou juntamente à comunidade para estender um varal na porta da Secretaria da Educação com as certidões de nascimento daquelas que moravam no Cocaia. Depois dessa atitude, a Equilíbrio Universal e a Associação em Defesa da Moradia do Parque Recanto Cocaia, fundada por Ilda Vieira Vilela, irmã de Maristela que hoje é homenageada pela Escola Estadual Ilda Vieira Vilela, ou seja, os próprios moradores, ocuparam um espaço abandonado e se revezaram por dois anos para dar aulas e cuidarem das crianças, já que 1600 delas não estudavam. Hoje, esse local é a Escola Estadual Aniz Badra.

Em relação à coleta de lixo, não foi diferente. Em meio aos ratos e o cheiro azedo que persistia nas ruas do bairro, era impossível lidar e seguir a rotina de forma normal. Mais uma vez, a entidade tomou uma atitude para serem atendidos após diversas respostas negativas. Um dia, o grupo se organizou e juntou diversos sacos de lixos para despejar na mesa do então subprefeito, logo o pedido foi atendido e os lixos domésticos começaram a ser recolhidos.  

 

Apostila que conta a história da Equilíbrio Universal mencionando os acontecimentos/Foto: Acervo pessoal
Apostila que conta a história da Equilíbrio Universal mencionando os acontecimentos/Foto: Acervo pessoal

Atualmente, a ONG Equilíbrio Universal ainda atua com os cursos profissionalizantes para áreas de beleza, costura, reforma, entre outras. Distribui cestas básicas na região e busca o empoderamento femino às moradoras. Maristela comenta que elas acreditam que o ser humano deve ser curado fisicamente, emocionalmente, mentalmente, socialmente, espiritualmente e ser inserido na sociedade como alguém capaz. Porém, infelizmente a comunidade não tem nenhum incentivo governamental, seus recursos são frutos de doações e são independentes em todos os sentidos. As pessoas da instituição tem muita força de vontade, muita garra e muita coragem, o que lhes falta é a verba. Maristela finaliza dizendo que o povo é visto apenas como curral eleitoral, números estratégicos, e depois são esquecidos. A comunidade coloca os políticos no governo e depois é abandonada, desrespeitada e debochada. A Equilíbrio Universal e outras entidades que asseguram os direitos políticos e sociais prometidos pela Constituição brasileira. Graças às iniciativas como à de Sinir existem políticas resistentes à negligência governamental.

 

Para contribuir a instituição, doe qualquer valor possível ao Equilíbrio Universal: 
CHAVE PIX - CNPJ: 01.741.913/0001-21 
Banco do Brasil
Agência: 6996-5 C/corrente: 15.518-7

E-mail: ong.equilibrio.universal.1997@gmail.com

 

 

 

 

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A Rádio Cidadã, no Butantã, transmite diariamente um pedaço de São Paulo
por
Artur dos Santos
Kawan Novais
|
14/11/2023 - 12h

Por Artur dos Santos (texto) e Kawan Novais (audiovisual

 

A antena de 30 metros com uma fundação de toneladas de cimento da Rádio Cidadã não há motivo para (e nem intenção de) cair. O que já foi uma antena leve de 20 metros com um dos pés amarrados em uma parede - arrancada com facilidade por uma chuva que Deus mandava enquanto os radialistas se abrigavam em um bar próximo - hoje seguraria até um avião.

 

Antena da Rádio Cidadã
Antena que distribui o sinal da Rádio Cidadã. Foto: Artur Santos.

 

O sinal varia, é circular, depende da topografia, no Butantã tem muito morro, e pode alcançar o estádio do Morumbi, mas não na avenida a menos de 2 quilômetros. 500 mil ouvintes são contemplados pela amplitude das ondas todo dia, bairros com mais densidade demográfica têm rádios com maior alcance de pessoas, consequentemente. A sintonia é FM 87.5, dial das rádios comunitárias (RC) legalizado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) na cidade de São Paulo. “Entrando na Sola” e “Na Onda do Forró”, dois dos programas mais badalados da rádio, atingem ouvintes dos arredores de sua localidade, assim como suecos e tailandeses, via digital, mesmo que sem entender o idioma.

 

Cachorros guardando a entrada do estúdio.
Descida para o estúdio da Rádio Cidadã. Foto: Artur Santos.

 

Cachorros guardando a entrada do estúdio.
Ródio e Baguan na entrada do estúdio. Foto: Artur Santos.
Estúdio
Metade áudio, metade vídeo. Foto: Artur Santos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim como a antena sobe, por rampas ou escadas, a entrada para o estúdio desce, guardada por dois cachorros, um magro com focinho molhado e um velho, que ameaçam fugir do QG de Julio César, responsável pela Rádio Cidadã. “Não repare a bagunça” - diz qualquer dono de estúdio em qualquer lugar. As habilidades de Julio e seus anos de experiência como programador cortam os custos e a dor de cabeça de se manter uma rádio comunitária em pé. Os segredos nas tomadas e o raciocínio lógico de quem trabalha com a área de programação automatizam o funcionamento, e a rádio está no ar mesmo se ninguém estiver em casa.

“Bem tranquilo, apesar de parecer bagunçado. Tem uma parte aqui que você programa tudo que vai acontecer, toda a parte obrigatória, como prefixo, publicidades, tem que passar tem que falar a hora certa de hora… regras que você precisa seguir. Ele programa todas as playlists com parâmetros. Eu coloco a música que o menos tocou, então ele vai pegando sempre essa e separa por estilo também. Samba toca no meio-dia uma, de manhã um reggae, MPB… madrugada putaria toca.”

O estúdio da Cidadã mescla áudio e vídeo, tendência não muito escapável atualmente. Os programas transmitidos via FM 87.5 são, simultaneamente, veiculados no canal do YouTube e no site da rádio, possibilitando mais adesão do público aos programas no ar. Julio não sabe explicar o sucesso de um de seus programas, o Na Onda do Forró, apresentado por “Neguinho da Bahia”, que conversa com o público, faz piadas e realiza seus anúncios. As “tiradas” divertidas de Neguinho ser o motivo do encanto que faz a transmissão ao vivo atingirem 400 ouvintes, algo fora do comum na vida diária da rádio. Mesmo assim, foi impossível explicar como resulta em tanta audiência. Rádios comunitárias como a Rádio Cidadã estão sob as mesmas burocracias de rádios comerciais, com alguns adendos. Os radialistas de uma RC não podem anunciar os preços, a forma de pagamento de anunciantes, ou ao menos anunciar marcas que não tenham representação dentro do bairro. Mas, Neguinho da Bahia tem anunciantes de sobra.

Julio Cesar, responsável pela rádio Cidadã.
Julio trabalhou na Rádio Tupi e na Atual. Foto: Artur Santos

A lei n° 4133, de 2012, impedia as rádios comunitárias de se adequarem a qualquer tipo de financiamento público ou privado visando custear seus serviços ou melhorar as atividades a serem prestadas. Como apoio cultural, era permitido patrocínio, mas restrito apenas aos estabelecimentos situados na mesma área que o rádio estaria estabelecido. Neste ano, 2023, ao fim de agosto, a Câmara Municipal de São Paulo sediou o terceiro Congresso das Rádios Comunitárias de São Paulo, reunindo radialistas da cidade paulista e de outros estados, como do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia. Autoridades federais que também participaram dos debates, expuseram os auxílios existentes para os radialistas e apresentaram as “novidades” que visam suprir as necessidades dos comunicadores.

O principal tema da reunião foi a criação de políticas públicas e a regulação de leis vigentes direcionada às rádios comunitárias. Para se tornar um radialista desta modalidade, o processo se inicia por meio do requerimento para a abertura de uma rádio comunitária através do Plano Nacional de Outorgas (PNO), que é a identificação e seleção de municípios que ainda não têm esta modalidade comunicadora, mas que manifestaram o interesse de tê-la. Após uma série de etapas, o processo resulta no funcionamento legal do veículo de transmissão por 10 anos, podendo ser renovado por outro processo no fim da década.

Julio apresentou seu documento, uma espécie de RG (Registro Geral), mas que não o identifica enquanto um cidadão, e sim enquanto um radialista comunitário legal perante a lei. Mas, no início da vida da Cidadã, quando ainda era caracterizada como uma rádio clandestina, o atual responsável por ela chegou a entrevistar dois ministros, a qual ele não tem mais acesso atualmente. Criada em 1994, era assim que tinha que ser. Clandestina ou regularizada, as Rádios Comunitárias servem uma função social nos bairros em que atuam.

Em 1970, as da Zona Leste eram caixas de som hasteadas em um pau nas esquinas, disseminando informação que se recusava a chegar nas periferias pelos meios tradicionais. A criatividade é a saída. As favelas oferecem um público muito mais engajado, mais do que qualquer outro. Até a transmissão da queima de fogos realizada aos finais de anos, apenas por áudio acontecia, e mesmo que sem a imagem, atraía público a rádio. Pessoas de outras regiões, inclusive mais nobres, paravam para observar em um local que já ocupava o triplo de pessoas de sua capacidade. Mesmo com todo o engajamento, não é suficiente para tornar a Cidadã autofinanciável. De acordo com a lei já citada, as rádios comunitárias, assim como as educativas, conseguem financiamento por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Trata-se de empréstimo realizado por este órgão com a finalidade de modernização, aquisição de equipamentos e instalação de sistemas radiantes.

A feira contou com várias atrações culturais e gastronômicas, propondo uma viagem para alem da Índia
por
Vitor Nhoatto
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22/09/2023 - 12h

Na Avenida Paulista neste sábado (16), em um imponente prédio com o letreiro Club Homs, uma aglomeração sugeria algo especial.  Ao entrar e subir as escadas, um forte odor de especiarias atiçava o olfato dos visitantes, e um mundo de cores e sons animavam a todos. Ali acontecia um festival indiano totalmente vegano. A feira anual de entrada gratuita trouxe um pedaço do país asiatico ao centro de São Paulo. Por meio da sua culinária intensa; música tradicional "kirtana"; rituais religiosos e muitas bancas de diversos produtos artesanais.

Tendo seu início às 11h e término às 22h , o evento possibilitou uma imersão na cultura indiana, tão rica e diferente aos olhos ocidentais. No entanto, vários idiomas se misturavam no ar, e à medida que se avançava pelo grande salão do tradicional clube paulista, bandeiras e símbolos de vários países, levavam os presentes a uma viagem pelo mundo.

Prato preto redondo sob uma mesa com espetos veganos de calabresa, frango e camarão junto a um pouco de farofa com uma pimenta vermelha em cima, maionese vegana e um pouco de folhas de faces crespas picadas
Churrasco sem crueldade é a proposta do restaurante Nega Fulô, idealizado por mulheres negras - Foto: Vitor Nhoatto

Servindo como deliciosos aperitivos para abrir o apetite, em meio a uma mesa de doces árabes e uma de mini pizzas, estava o quiosque do Nega Fulô. O restaurante, localizado na zona leste da capital paulista, levou até o evento um churrasco sem crueldade animal, com opções de espetinhos de calabresa, frango, camarão, kafta e cogumelos. Com a maioria dos sabores tendo como base proteína de soja, fécula de mandioca e condimentos diversos, os preços variavam entre R$14 e R$17 cada, com direito a três acompanhamentos: uma deliciosa veganese, uma farofa com ou sem pimenta e um pouco de salada de repolho com acelga.

Para beber, uma ótima opção era a Kombucha da barraca Amigos da vida, empresa do interior de São Paulo que desde 2014 produz artesanalmente as bebidas, as quais são orgânicas, veganas e sem aditivos artificiais. Custando R$14 a garrafa de 300ml, a bebida levemente gaseificada e com propriedades medicinais, é obtida a partir da fermentação dos seus ingredientes. Os sabores disponíveis eram: uva, hibisco e gengibre, e romã.

Varias pessoas de roupas coloridas sentadas no chão de um palco com cortinas vermelhas ao fundo, tocando instrumentos musicais orientais e cantando música tradicional indiana Kirtana
Apresentação de música tradicional indiana "kirtana"durante o ritual de bençãos no festival - Foto: Vitor Nhoatto

A maioria das opções de comida enfrentavam filas. Depois do pedido feito, o tempo de espera era de até 50 minutos, mas muitas outras atrações encantavam o público e faziam o tempo voar. Na feira estavam presentes camisetas indianas e hijabs; cosméticos naturais brasileiros; semijoias peruanas; e perfumes e livros árabes, todos esses artesanais, veganos e com uma história diferente para contar.

Além dos vários produtos à venda, atrações gratuitas ocorreram, aulas de yoga, rodas de meditação, sessões de pintura facial e um enorme ritual hindu de bênçãos com o guru indiano Paramahamsa Vishwananda. A trilha sonora ficou com as apresentações ao vivo de "kirtana", uma música tradicional do país asiatico.

Prato de papel alumínio com arroz temperado amarelo, samosas de legumes e uma salada de alface crespa e tomates em cubo, sob uma mesa bege de madeira junto a um garfo de plástico transparente, copo de papel com sopa de lentilhas, e um copo de plástico transparente com o suco Nimbu Pani indiano de aparência verde
Carro-chefe do festival, refeição indiana completa, e o suco Nimbu Pani, típicos da Índia - Foto: Vitor Nhoatto

A estrela do festival foi a refeição indiana completa, oferecida pelo restaurante Estação Vegana, com unidade fixa na Liberdade. O prato de R$40 era composto pelo Jeera Rice (arroz com açafrão e cominho), Dahl de lentilhas com especiarias, samosas de legumes, um salgado típico indiano e uma porção de salada para equilibrar a picância. Para beber, havia o Nimbu Pani, suco de limão, hortelã e cominho; e o Chai, bebida quente de leite vegetal com especiarias, ambos por R$12. No quesito sobremesa, o quiosque de temática anime, Xoxurros, oferecia churros ou açaí entre R$14 e R$20, dependendo do tamanho e adicionais. Havia também em outras bancas, brownies artesanais por R$10, ou brigadeiros por R$5.

Em um mar de pessoas tão diferentes, e ecobags com “somos parte do futuro” escrito, a valorização da diversidade e a mistura cultural prevaleciam, além do respeito pelas etnias e animais. O festival indiano organizado pela Vegnice acontece anualmente, mas outras feiras ocorrem ao longo do ano, demonstrando a versatilidade e sabor da comida vegana.

Para ter um gostinho do que rolou, confira o vídeo  no Instagram da AGEMT.

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O restaurante com culinária tailandesa autêntica possui unidades na Liberdade e em Pinheiros
por
Camila Stockler
Fernanda Querne
João Curi
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08/09/2023 - 12h

                                Legenda: O carro-chefe Pad Thai / Por: Camila Stockler

Subindo a rua Galvão Bueno e virando à esquerda na rua Barão de Iguape, no bairro da Liberdade, em São Paulo, já é possível notar algumas bandeiras tailandesas. E apesar delas, a porta é simples e durante a semana é preciso tocar a campainha. Ao entrar, tudo acontece ao mesmo tempo: o cheiro agridoce invade as narinas, as atendentes tailandesas perguntam “quantas pessoas?”, e em todo o salão há  decorações budistas, souvenires tailandeses e até retratos da monarquia desse país do Sudeste Asiático. Depois de um primeiro choque, é possível notar que este lugar além de um restaurante é um local de divulgação da cultura tailandesa. E é assim que se entra  no restaurante Thai E-San, da chef tailandesa Tookta Chomnuk.

Assim, a recomendação da AGEMT para quem nunca experimentou comida tailandesa, é o pad thai. Esse prato é o carro chefe de qualquer restaurante tailandês que se preze, e é o prato mais famoso da Tailândia. Sendo uma combinação agridoce de macarrão de arroz, legumes, tofu, ovo e a carne da sua escolha (frango, bovino, camarão ou tofu), tem o preço variando de 45 a 52 reais dependendo da carne. 

Além disso, tradicionalmente a culinária tailandesa é caracterizada pela presença do camarão, pimenta e arroz, mas o restaurante demonstra que a culinária tailandesa é muito mais que isso. E além de poder escolher o tipo da carne, é possível tornar a maioria dos pratos vegetarianos ou inclusive, veganos. Para quem não lida bem com a pimenta: fique tranquilo que a maioria dos pratos é possível regular o nível dela. 

                   Legenda: O Khaw Ung sticky rice na vasilha de bambu/ Por: Camila Stockler

Com currys e sopas distintas é possível experimentar desde um prato executivo como o Pad Kra Paw, que custa entre R$35,00 e R$40,00, para quem gosta de pimenta. Ou até o Khao Pad Sapparod, entre R$62,00 e R$72,00, que é apresentado em um abacaxi. Há o   Khaw Ung (sticky rice - R$12). Esse acompanhamento vem em uma vasilha de bambu feito no vapor, e por ser feito com arroz do tipo moti, é bem grudento (e muito saboroso) e é ótimo com currys

                             Legenda: O Pad Kra Paw e o Thai Tea com leite / Por: Camila Stockler 

Mas não é só de pratos que sobrevive a culinária tailandesa. Outro carro-chefe é o thai tea (R$13), um chá gelado de coloração laranja e especiarias que faz qualquer um se apaixonar, trazendo até um gosto de infância. Aliás, há duas opções: com leite e sem, ambas igualmente boas e ótimas para o calor. Além disso, a sobremesa mais tradicional é a Khaoeni Mamuang (R$23), um arroz moti adocicado e com extrato natural de folha de pandan, coberto com leite de coco e manga.

E neste ano, o Thai e San abriu outra casa em Pinheiros na Rua Cunha Gago, 399. Ambos os endereços fazem entregas pelo Ifood, Rappi e Vou de Nekô. Além disso, recentemente, o Thai tea entrou para o cardápio do delivery. Para saber mais, confira o vídeo no instagram da AGEMT. 

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Apesar da mudança abrupta do clima de São Paulo, não abalou os cidadãos de visitarem o bairro.
por
Octávio Alves
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11/09/2023 - 12h

No ultimo sábado, dia 26, apesar de todas as condições do clima para deixar a população em casa, com a grande queda de temperatura, não foi o suficiente para atrapalhar o final de semana dos cidadãos da grande São Paulo, um dos locais que não foram afetados foi na Liberdade. Atualmente este bairro é um dos pontos mais marcantes da capital São Paulo que não tiveram o movimento diminuído. Liberdade é um bairro de cultura oriental que não importa o dia da semana ou seu tempo, está sempre movimentada pelos diversos motivos; passeio, culinário, conhecimento cultural e procura de produtos.

 

Movimento na ponte
Movimento na "Ponte da Amizade", frequentemente utilizada pelos camelôs. Liberdade- SP.
(Foto- Octávio Silva)
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Pessoas andando perto de uma banca e um restaurante
Duas pessoas andado juntas entre o mercadinho e a banca de revista. (Foto- Octávio Silva)
Descendo a rua
Descendo uma das ruas comerciais do bairro, Liberdade. (Foto- Octávio Silva)
Homem compras
Homem fazendo compras na Liberdade.( Foto- Octávio Alves)
Pessoas andando em uma rua
Movimento na "saída" da "Ponte da Amizade". (Foto- Octávio Augusto)
Casal andando
Casal passeando na principal área comercial da Liberdade. (Foto- Octávio Silva)
Grande movimento, apesar do frio
Grande movimentação apesar do frio que fazia. (Foto- Octávio Silva)
Cosplays
Cosplayers do jogo chinês, Genshin Impact , posando para a foto. (Foto- Octávio Silva)