Como o aumento dos prédios diminui a qualidade de vida da população paulistana
por
Annick Borges
Davi Madi
Rafael Pessoa
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09/06/2026 - 12h

A cidade de São Paulo cresce para os lados ou para o alto? E quais são os impactos desse processo no dia a dia da população? Neste podcast, os repórteres da AGEMT Annick Borges, Davi Madi e Rafael Pessoa conversam com o professor de Geografia Tiago Fuoco sobre a verticalização da capital paulista e o aumento dos edifícios na maior cidade do país.

Você também vai entender como São Paulo foi planejada a partir de referências europeias e norte-americanas e por que essa lógica urbana continua influenciando a organização da cidade até os dias atuais. Um bate-papo que ajuda a compreender as transformações do espaço urbano e os desafios do crescimento de São Paulo. O programa é acompanhado pela banda "Izaias e Seus Chorões". Confira aqui

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Com recordes de vendas no país, veículos atraem consumidores pela economia, mas desafios relacionados à infraestrutura ainda estão presentes na rotina dos motoristas.
por
Lucas Leal
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09/06/2026 - 12h

Os carros elétricos estão cada vez mais presentes nas ruas brasileiras. Em 2025, o país registrou mais de 223 mil automóveis eletrificados vendidos, no último relatório da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a ABVE, um recorde histórico para o setor. A economia com combustível e os incentivos oferecidos em algumas regiões ajudam a explicar o crescimento da tecnologia.

Mas, apesar do avanço nas vendas, a infraestrutura ainda não acompanha o mesmo ritmo. Na reportagem, Ricardo, proprietário de um BYD Dolphin Mini, conta as vantagens e os desafios de utilizar um carro elétrico no dia a dia no Brasil. Confira clicando aqui!

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Aeronave perde controle sob altitude e atinge prédio de três andares na região nordeste do município
por
Vitoria Wu
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06/05/2026 - 12h

 

Nesta segunda-feira (4), um avião de pequeno porte colidiu com um prédio no bairro Silveira, em Belo Horizonte.  Antes do acidente, a aeronave saiu de Teófilo Otoni (MG) e pousou no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). No terminal, duas pessoas desembarcaram e outra embarcou. 


Na sequência, às 12h16, a aeronave decolou na capital mineira e seguia para o Campo de Marte, em São Paulo (SP), quando, três minutos depois, perdeu altitude e bateu no prédio. A colisão ocorreu a uma distância de aproximadamente 3,7 quilômetros, em linha reta, da cabeceira da pista.


De acordo com informações do corpo de bombeiros, havia cinco pessoas dentro do avião. Wellington de Oliveira, piloto de 34 anos e Fernando Moreira Souto, passageiro de 36 anos que se sentava no banco do copiloto, morreram no lugar do acidente. Outros três passageiros foram resgatados e levados até o hospital João XXIII , porém, Leonardo Berganholi de 50 anos morreu logo depois de dar entrada ao centro médico, segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG).


Em entrevista à AGEMT, Patrícia Barbosa, testemunha que estava próximo ao local do acidente relata que a aeronave não apresentava uma boa posição de decolagem. “Como gosto muito de observar os aviões, fiquei observando, mas aparentemente, ao invés de estar em posição de decolagem (subindo) estava numa posição reta, o sentido que o avião estava indo não tinha aeroporto e pouco local de aterrissagem. Estava tão baixo que deu para ver claramente alguns detalhes, principalmente as cores que eram brancas e azul escuro.” afirma.


Renato Barbosa, estudante de medicina, relatou que o avião estava voando em altura baixa e que, em poucos segundos, se curvou e bateu contra o edifício. “ Na hora, pensei que fosse algum piloto de manobras, porém, alguns instantes depois, ele se curvou para a direita e bateu no prédio. Muita gente correu para o local e ficou com cheiro de combustível, não deu para ver ninguém da tripulação na hora da batida, só os destroços do avião”, contou em entrevista à AGEMT.

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Corpo de bombeiros atuando sob os destroços. Reprodução: Corpo de bombeiros de MG.

Não houve mortos no edifício na qual o avião colidiu, afirmam os bombeiros.


 Em nota, a Defesa Civil de Belo Horizonte informou que o prédio foi interditado preventivamente pelo Corpo de Bombeiros e que, após avaliação de riscos no local, realizou o isolamento preventivo do estacionamento do supermercado ao lado do prédio e de dois apartamentos.  Os moradores das unidades foram realocados para casas de familiares, segundo o órgão. O condomínio foi notificado em decorrência da queda de material, para preservar os destroços da aeronave até que finalize a perícia pelos investigadores do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA).


O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) ressalta que ainda é cedo para determinar as causas exatas do acidente. As investigações devem prosseguir e um relatório será divulgado nos próximos meses.

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O aplicativo lançado em 2024 facilita o preenchimento de boletins de ocorrência online e o acionamento imediato da Polícia Militar em casos urgentes
por
Thayná Patricia Alves
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23/04/2026 - 12h

 

O SP Mulher Segura foi disponibilizado pelo Governo do Estado de São Paulo em 8 de março de 2024, data que marca o Dia Internacional da Mulher. Desenvolvido pela Secretaria de Segurança Pública, o app surgiu com o objetivo de ampliar e facilitar o acesso a serviços de proteção para mulheres vítimas de violência, reunindo, em uma única plataforma, funcionalidades que antes estavam separadas.

Gratuito e disponível 24 horas por dia, o SP Mulher Segura incorporou funcionalidades do antigo programa SOS Mulher, que já oferecia suporte emergencial para vítimas com medida protetiva. Porém, as informações para o acesso ao programa eram preenchidas de forma manual. 

Com o novo aplicativo, esse fluxo foi simplificado, diminuindo a burocracia e o tempo de resposta. Ele permite registrar boletins de ocorrência diretamente pelo celular, de forma discreta e sem a necessidade de deslocamento até uma delegacia.

Outro recurso principal é o botão do pânico, que possibilita o acionamento imediato da Polícia Militar em situações de risco, principalmente para aquelas mulheres que possuem medida protetiva ativa. A partir da localização em tempo real, o sistema cruza informações da vítima e do agressor e, em caso de aproximação, aciona automaticamente a polícia e envia uma viatura ao local. 

O sistema é integrado à conta gov.br, o que permite o preenchimento automático dos dados e a verificação de eventuais medidas judiciais ativas.

Print de tela mostrando as funcionalidades do SP Mulher Segura Reprodução: Thayná Alves
Funcionalidades do SP Mulher Segura. Reprodução

 

Nos primeiros meses de funcionamento, o aplicativo registrou 1.592 boletins de ocorrência, 1.339 acionamentos do botão do pânico e 496 solicitações de medidas protetivas realizadas diretamente pela plataforma.

Atualizações mais recentes, de março de 2026, apontam que o aplicativo já superou 50 mil downloads, com mais de 2.100 boletins de ocorrência registrados, cerca de 7 mil acionamentos do botão do pânico e 101 mil solicitações de medidas protetivas. Outro dado destacado é a redução no tempo de resposta policial, que passou para menos de dois minutos em ocorrências acionadas pelo app.

Apesar de funcional, o SP Mulher Segura só passou a ser mais divulgado e acessado em 2026, devido ao aumento exponencial dos casos de feminicídio e à divulgação por parte da Secretaria de Políticas para a Mulher. Entretanto, em uma pesquisa pessoal para um grupo de 100 pessoas, apenas ⅓ têm o conhecimento da plataforma, enquanto o restante desconhece a existência do aplicativo.

O SP Mulher Segura integra um conjunto mais amplo de políticas públicas voltadas à proteção feminina, articuladas no âmbito do movimento São Paulo Por Todas. A iniciativa busca dar visibilidade aos serviços disponíveis e à rede de acolhimento, promovendo ações relacionadas à saúde e à autonomia financeira das mulheres.

O lançamento do app ocorreu junto a outras medidas, dentre elas, a criação de 62 novas salas de atendimento da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), aumentando para o total de 141 unidades no estado. Elas funcionam 24 horas por dia e contam com atendimento por videochamada com equipes especializadas, permitindo o registro de ocorrências, orientação às vítimas e solicitação de medidas protetivas.

Apesar dos avanços, o principal impacto do aplicativo está na melhoria do acesso a serviços que já existiam, tornando o processo mais rápido e menos burocrático, mas não cria soluções totalmente novas. Na prática, seu impacto depende de fatores como a rapidez da resposta da polícia, a estrutura das delegacias e o quanto as mulheres conseguem, de fato, usar o aplicativo. 

O aplicativo facilita o pedido de ajuda, mas ainda depende de todo um sistema funcionando de forma eficiente para, de fato, fazer diferença no enfrentamento à violência contra a mulher.

Seu período de teste Premium terminou
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Descubra um pedaço da história desse país localizado nos Balcãs, seus desafios econômicos e belezas naturais
por
Vítor Nhoatto
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19/04/2026 - 12h

 

Doce euforia de viajar, desbravar um país e uma cultura nova. Certamente acompanhada também de algum estresse pelos perrengues chiques, e o cansaço satisfatório de atingir a meta de passos diários explorando ao máximo esse mundo fascinante. Desde a chegada na cosmopolita capital Tirana, até a despedida após uma desconexão da velocidade na praia de Durres, sentimentos que certamente não vão embora de quem visitar a Albânia. 

Já na aterrissagem no principal aeroporto do país de 29 mil quilômetros quadrados, pouco maior que o estado de Alagoas, as singularidades começam. A maioria deve não reparar, mas a frota de carros usados no Tirana International Airport Nënë Tereza (TIA) é toda formada por BYDs Dolphin Mini, chineses e elétricos. 

Ao sair do modesto aeroporto, a arquitetura característica composta por formas geométricas como cubos e pirâmides se sobressai na fachada da construção. Ao lado, vários quiosques de locadoras de carros, um ônibus que sai a cada hora para o centro da capital Tirana, cerca de 20 km, e novamente, dezenas de táxis chineses. A relação com o país asiatico é antiga, desde 1949 devido ao regime comunista que o país vivenciou até 1992, com uma interrupção entre 1979 até 1989 devido a política albanesa de isolamento total na época.

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Na saída do aeroporto, dezenas de táxis, tal qual esse Honda e:Ny1 versão chinesa e não europeia. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De dentro do táxi elétrico, que tal qual o ônibus e a maioria dos comércios, só aceita pagamento em dinheiro físico, lekë ou euro, outro fato curioso que continua refletindo a história onde se está. Na cidade não há sistema metroviário, apenas ônibus, e plataformas como Uber não operam no país. 

A indústria dos taxistas possui um peso político muito grande, durante o comunismo e a proibição de empresas privadas, muitos albaneses passaram a trabalhar clandestinamente para complementar a renda do emprego estatal, como encanadores, pedreiros, e motoristas também. Mas se com isso, a ânsia por um aplicativo, ou a necessidade de pagar em cartão gritarem, existem uma série de plataformas de viagens como o “Tirana Taxi” e o “Bee Taxi”.

Chegado ao destino, um caloroso “obrigado” em inglês, um sorriso, e a simpatia que não é comum a outros países do continente, quem dirá aos franceses. Mesmo apesar da única língua oficial do país ser o Albanês, segundo dados do Instituto de Estatísticas do país (Instat) de 2018, quase 40% da população fala pelo menos numa língua estrangeira, chegando a quase 60% entre as pessoas até 34 anos. O principal é o inglês, seguido do italiano e do grego.

Além disso, apesar do albanês ser uma língua indo-europeia, é a única sobrevivente do ramo linguístico ilírio, ou seja, não possui similaridades com nenhum outro idioma atualmente, apenas influências do turco e grego, o que demanda dos comerciantes e juventude uma forma de se comunicar com outros povos. Existem ainda dois dialetos falados no país e no Kosovo, majoritariamente formados por albaneses, o Tosk e o Gheg.

 

Encontro de gerações e pensamentos 

 

A Albânia é um país que faz fronteira com a Grécia, Macedônia do Norte, Kosovo e Montenegro, enquanto a oeste tem o mar Adriático até a Itália. Devido a essa posição, e as várias vezes que o comunismo já foi citado, pode-se pensar que a nação fez parte da antiga Iugoslávia, país formado pelos povos de origem eslava que durou de 1929 até 1991 e foi controlado pela União Soviética após a Segunda Guerra Mundial. 

No entanto, o país nunca pertenceu à extinta nação, que hoje responde a sete países, e muito menos foi um satélite soviético, apesar de estreitos laços até 1960. A declaração de independência veio em 28 de novembro de 1912 em meio a Guerra dos Balcãs, e o reconhecimento internacional em 1913 com o Tratado de Bucareste. 

Em relação a sua atual capital, Tirana, a fundação é bem mais antiga, datada em 1614 e realizada pelo comerciante Sulejman Bargjini Pasha. Sua posição estratégica, uma área em meio a cadeia de montanhas Dajti e o mar Adriático, fez com que se tornasse capital em 1920, e todas essas história, pode ser vista e sentida na prática ao andar pela praça Skanderbeg, primeiro ponto turístico dessa viagem.

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País assumiu posição alinhada ao Ocidente desde os anos 2000, como bandeira da Ucrânia na prefeitura comprova nos dias de hoje. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt 

 

O fundador da cidade construiu na época uma casa de banho turca, uma mesquita e uma padaria, elementos que compõem bem essa parte otomana da cidade. Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, o fascismo regiu a recém independente monarquia do Rei Zog I. Até que em 1944 o comunismo invade a arquitetura do lugar, mudando a paisagem até 1991, quando a modernização de cicatrizes começa.

Dito tudo isso, a praça em questão tem elementos concentrados em poucos metros quadrados exatamente de todas essas eras. O nome faz homenagem ao herói nacional Skanderbeg, militar  que liderou a resistência de 25 anos na região contra o império otomano, exemplo de sucesso dos cristãos nos Balcãs.

Ao lado de sua estátua está justamente uma parte otomana da cidade, formada pela Torre do Relógio, construída em 1812, e a mesquita Et’hem Bej. Terminada em 1821 pelo bisneto do fundador da cidade, é aberta a todos que queiram entrar e admirar o fresco e colorido interior, desde que se tire os sapatos como a religião sunita manda. E claro, se bata um papo com o simpático “recepcionista” da mesquita, que entrega panfletos sobre a rica história do lugar que foi inclusive fechado durante a ditadura comunista, e símbolo da reabertura religiosa no país em 1991 após manifestações de estudantes. 

Colocando o sapato para fora do templo, eis as construções da época fascista, com prédios quadrados e amarelados dos famosos arquitetos do período de Mussolini na Itália, Florestano Di Fausto e Armando Brasini. A praça inclusive se tornou o centro da cidade após o projeto entre os italianos e o ex-primeiro ministro, ex-presidente, e então rei Zog I em 1923. 

Hoje todos são prédios públicos, como a atual prefeitura, e revitalizados no começo dos anos 2000 pelo então prefeito Edi Rama com cores vibrantes. A escolha das cores intensas como vermelho, amarelo, rosa e azul são inclusive uma resposta ao cinza da época das construções do comunismo.

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Cores marcantes, torres envidraçados, estátuas e até um prédio residencial em formato de cabeça, representam como a cidade é uma mistura constante de épocas. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Do outro lado da praça, sempre movimentada, e com turistas em torno da gigante escultura  “I Love Tirana”, que significa “eu amo Tirana” em português, está o Museu de História Nacional e o mosaico característico da propaganda comunista: albaneses simples, trabalhadores, empunhando a bandeira do país com determinação e alegria. Apesar de fechado para reformas desde março de 2024, com entrega prevista para março de 2028, mesmo assim faz o visitante parar por alguns minutos para admirar a obra. Outra construção da época é o atual  Palácio da Cultura, que abriga a ópera e o ballet da Albânia, a Livraria e o Teatro Nacional, além de vários comércios. 

Seguindo o passeio condensado de períodos históricos, em meio ao Palácio e os coloridos prédios dos Ministérios da cidade, um museu sobre a ditadura vivida pelos albaneses. Não se trata de outra construção de arquitetura stalinista, um projeto italiano ou otomano, mas um buraco no chão. Melhor dizendo, um bunker.

 

Relembrar o passado para se ter um futuro

Uma das características mais marcantes do período era a preocupação com possíveis invasões de países capitalistas. Tal paranoia do líder Enver Hoxha, encheu o território do país com as construções em formato de cogumelo que levam para milhares de quilômetros de túneis subterrâneos. Se esperava que 750 mil bunkers fossem construídos, mas estima-se que apenas 173 mil ficaram prontos até a morte do líder em 1985. Uma ferida dolorosa para muitos albaneses que viveram o período, mas hoje também um lugar de resistência e educação, com um desses bunkers tendo se transformado em um museu, o Bunk’Art 2. 

O preço do ingresso varia, cerca de 700 lekës para apenas o Bunk’Art 2, e 1.300 lekës também para visitar o Bunk’Art 1, bem maior, mas a 15km do centro. Em uma conversão simplificada para o euro, significa cerca de 7 e 13 euros respectivamente. Destaque para a opção de pagar com cartão de crédito, além da possibilidade de visitar o Bunk’Art 1 em até três dias caso opte pelo ingresso conjunto.

Ao descer as escadas após uma simpática recepção ao lado da entrada do “cogumelo” por um carro militar da época, os túneis começam. O lugar conta a história desde a ascensão de Hoxha como líder da oposição na época da monarquia pela Frente Democrática Albanesa, até a reabertura do país. Para isso, uma curadoria cheia de documentos originais recuperados da época, textos e painéis informativos, além de vídeos e até figuras com interação com realidade aumentada pelo aplicativo Bunk’Art.

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Quarto de Enver Hoxha, hoje no Bunk’Art, nunca foi usado pelo ditador, tal qual todos os bunkers construídos. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Foram recriados também os ambientes da época, nos quartos que de fato foram usados para testes militares, com móveis e equipamentos de espionagem do Sigurimi (órgão responsável por espionar os cidadãos na ditadura) preservados da época, máscaras contra armas químicas e relatos de sobreviventes. 

Também estão presentes exposições de artistas contemporâneos albaneses, como instalações com o uso de projetores e recursos digitais sobre o passado, presente e futuro. Além de uma área do bunker dedicada a obras interativas sobre ilusão de ótica, muito semelhante às obras do Museu da Ilusão em Madrid, e por todo o mundo. O título “Ilusão ótica como manipulação política” é divertido e carregado de significado ao fazer referência a propaganda do regime.

No Bunk’Art 1 a imersão é ainda maior pois o museu fica no maior e principal bunker da época, e é seguro contra ataques nucleares, com tecnologias específicas. Nele, o visitante tem uma complementação do que foi visto no menor, ou caso opte por ir só nesse maior, terá a experiência completa. 

O lugar lembra muitas vezes sobre a violência da época de uma forma didática e sensível, como relatos recuperados de agentes da guarda nacional sobre os que tentaram escapar pela fronteira, e as milhares de vítimas desaparecidas e que famílias vieram a saber sobre o paradeiro do corpo somente após 1991 com o Instituto de Estudos Sobre os Crimes e Consequências Durante o Comunismo (ISCCC). Ou ainda a disposição pelas paredes dos túneis de todas as 6.027 vítimas executadas formalmente pela ditadura conforme documentos resgatados pelo órgão.

Ao longo da visita várias mensagens sobre a importância de não esquecer o passado para poder ter um futuro pelas paredes estão dispostas. É importante destacar que só há guia de áudio para ambas visitas em albanês, inglês e italiano, e que todos os vídeos possuem legendas em inglês, e os textos versões em albanês e inglês.

Voltando ao passeio histórico, são 106 salas em 3 mil  metros quadrados no Bunk’Art 1, com destaque para a espécie de teatro que foi construída no complexo para performances artísticas e conferências enquanto os líderes estivessem se protegendo dos ataques do mundo capitalista.

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Espaço foi reformado antes de ser aberto ao público, e o teatro possui agora luz natural e medalhas do período da ditadura. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De cicatrizes para arranha-céus 

 

Entre os prédios históricos citados até agora, várias torres envidraçadas, luzes de led dos carros e guindastes lembram que desde 1991 o país se abriu de novo para o mundo. Após a morte de Hoxha em 1985, Ramiz Alia assumiu o poder, mas protestos começaram, principalmente de estudantes. Algumas relações com países foram reafirmadas, como com a China em 1989, e após a queda do muro de Berlin no mesmo ano e o fim do comunismo na Romênia, o cenário foi sendo abrandado. 

No mesmo ano, Alia assinou o Acordo de Helsínquia na Finlândia, novos partidos foram criados e a Albânia passou a adotar os Direitos Humanos da Europa. Até que em 1991 após fraude nas eleições daquele ano e protestos massivos, o então presidente renunciou ao cargo e Sali Berisha assumiu o poder como presidente eleito. Daqui para frente muitos desafios, escândalos de corrupção e opressão marcaram o país, que então em 1998 criou a sua constituição e um alinhamento ao Ocidente se intensificou. Em 2009 o país aderiu à Aliança Militar do Atlântico Norte (OTAN), e também está na lista de candidatos para ingressar na União Europeia.

Agora com o contexto dado, chama a atenção por exemplo o imponente e vibrante vermelho, estádio Kombëtare. Centros comerciais pomposos e hubs empresariais como o Blloku Center, e com certeza um lugar obrigatório para se visitar, a Pirâmide de Tirana. 

Em um formato literalmente de pirâmide, diferente das do Museu do Louvre, certamente maior e com mais concreto para poder ter espaço interior utilizável, chama de cara a atenção após uns 10 minutos de caminhada da praça Skanderbeg. Construída em 1988 como um museu para o recém falecido ditador, já foi um centro de conferências após a queda do comunismo em 1991, uma base de operações da OTAN durante a operação no Kosovo em 1999, e em 2001, passou a abrigar escritórios de canais de rádio e televisão. 

Porém, foi em 2018 que uma proposta de renovação foi apresentada e o local se tornou um centro cultural, tecnológico e jovial. No gramado ao seu redor há várias lojas de comida, videogames, cafés e empresas telefônicas em forma de cubos na diagonal e com cores vibrantes. Se aproximando, uma escadaria de cento e sessenta e poucos degraus, iluminados por led e que levam até uma das vistas mais bonitas da cidade, seja de dia ou à noite.

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Do topo da pirâmide se tem uma vista 360° da cidade, a qual fica iluminada a noite toda. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Contrastes de uma cidade cosmopolita

Falando mais sobre a noite, tal qual toda cidade grande, o trânsito fica um caos em horário de pico. Lembra-se que a cidade não possui metrô e os táxis são uma força política? Pois bem, os ônibus ficam realmente cheios a partir de umas quatro horas da tarde, não são elétricos e o cobrador fica andando entre as pessoas para coletar os 40 lekës da passagem e dar o bilhete em papel para cada um.  

Aplicativos como o Google Maps e o Moovit funcionam em Tirana, mas os intervalos dos ônibus passam facilmente de 15 minutos. Para quem preferir a cada esquina um táxi amarelo ou branco perguntará se precisa de uma viagem. Além disso, as locadoras de carros estão por toda parte e uma opção é alugar um carro, que provavelmente será um alemão (Audi, BMW ou Mercedes), ou chinês para os mais econômicos. Segundo levantamento da JATO Dynamics, em 2025, dos dez carros mais vendidos seis foram da chinesa BYD. 

Resumindo, a melhor opção é ir a pé, afinal de contas, o centro da cidade fica a poucos minutos da Pirâmide, das ruas de comércio popular no bairro Pazari i Ri, e da vida boêmia, agitada e cara do Blloku. 

Neste bairro durante o dia, cafés, lojas de eletrônicos e roupas, restaurantes fast-food como KFC e Burger King (McDonalds não opera no país), e refinados de culinária grega em especial, e mundial, enchem as ruas. A noite, carros luxuosos, música alta dos bares e gente por aí mostram que Tirana tem opções para todos os gostos.

Porém, as ruas até esses restaurantes, bares e baladas da região provavelmente vão preocupar. Mesmo com a modernização nos últimos anos, muitas regiões no país ainda são formadas por vielas e habitações da época do comunismo que aparentemente não tem manutenção há anos. Ruas estreitas, escuras e casas com tijolos à mostra são certas nos rolês pela cidade, tal qual pelo menos um gato, lembrando até um pouco a Turquia e a relação com os bichanos.

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País enfrenta problemas econômicos e políticos, mas está empenhado em ingressar na União Europeia em 2029. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Para se ter uma ideia, segundo o Banco Mundial, o Índice de distribuição per capita na Albânia era em 2024 de 11.377 dólares, que apesar de há 30 anos ser de cerca de 600 dólares, ainda é muito mais baixo que países como a Grécia (25 mil), República Checa (31 mil) e Itália (40 mil). Isso sem falar na desigualdade social que o número não considera, afinal, o Brasil tem uma cifra ainda menor para efeito de comparação, 10.310 dólares.

Belezas naturais a um piscar de olhos

 

Mudando o perfil do turismo, apesar do território pequeno, a Albânia é um país rico em biodiversidade, e Tirana é caracterizada por contrastes geológicos e climáticos devido às montanhas e a proximidade com a costa. 

Bem próximo de Blloku, um refúgio do ritmo agitado da cidade pode ser visitado, o Lake Park. Aberto ao público 24 horas por dia e em todos os dias da semana, conta com um lago, que dá nome ao parque, com chafariz e uma vista deslumbrante ao pôr do sol. Ao longo da caminhada estátuas despertam a curiosidade, memoriais às vítimas do holocausto e um pequeno teatro. 

Do outro lado da cidade, há 10 minutos do Bunk’Art 1, vale a visita ao maior teleférico dos Balcãs, o Dajti Ekspress. Como o nome sugere, os bondinhos conectam a cidade até o topo da montanha de mesmo nome, com um comprimento de 4.354 metros e um passeio que dura 15 minutos. Para aqueles com medo de altura essa atração não é muito aconselhada, a sensação de escutar o vento pelas aberturas de ar da cabine e a leve sacudida de tempos em tempos pode ser desconfortante. Mas no topo, passeios de asa delta, trilhas e escalada estão disponíveis aos mais aventureiros. 

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Construção do teleférico é austríaca, e ingresso de ida e volta custa 1.500 lekë por pessoa. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Além desses destinos dentro de Tirana, ainda é possível em cerca de uma hora de ônibus e 40 minutos de carro chegar em Durrës, importante cidade portuária e milenar. A segunda cidade mais populosa do país é também uma das mais antigas, com a sua fundação ainda no século VII antes de Cristo. O anfiteatro da cidade, por exemplo, é um sítio arqueológico a céu aberto do século II depois de Cristo. Se destacam também a Torre Veneziana, datada do império bizantino, preservada e que se liga às partes que restaram do castelo da cidade do século V. 

Mas como nem só de passado que se vive, uma arquitetura em forma côncava se destaca ao lado da Torre, construída a cerca de dois anos, e que dá de frente para os boulevards característicos do local. Com palmeiras altas lado a lado da rua, relativamente largas e com muitas lojas, evocam até um sentimento de estar em Los Angeles em pleno verão com um conversível de capota aberta para sentir o sol e o calor no corpo. 

E como se trata de uma cidade portuária, a praia é também atração principal. Com uma grande área de calçamento, estátuas de heróis do país e pessoas vendendo miçangas relaxam os visitantes, enquanto se admira o mar adriático bem azul. Olhando para frente inclusive, é possível gritar “terra à vista”, terra essa que é nada menos que o salto da bota da Itália.

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Durrës é um ótimo destino para aqueles que estão buscando viagens de bate e volta da capital. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Seja pelas vielas humildes que podem lembrar “O Cortiço" de Aluísio Azevedo, as avenidas opulentas do centro de Tirana são lotadas de carros de todas as marcas do mundo. A vida noturna agitada de Blloku e a arquitetura que mistura tradição, bunkers e modernidade. Ou ainda pela vista emocionante que a natureza da politicamente desafiadora Albânia proporciona, caro leitor, é um lugar barulhento e intrigante que merece um lugar na sua lista de destinos.

Imagens mostram as diferenças socioeconômicas que representam bairros paulistanos
por
Ana Clara Farias
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12/11/2023 - 12h

Apesar de ser uma das cidades mais ricas do Brasil, São Paulo também possui grandes níveis de desigualdade social entre os habitantes. Essa informação pode ser observada a partir das regiões nobres que se encontram próximas a bairros de baixa renda.

A Zona Sul é uma região composta por diversas paisagens e monumentos que realçam a beleza da cidade. No entanto, também é conhecida por um vasto número de regiões periféricas. 

Além dos bairros como o Brooklin, Morumbi ou Itaim Bibi, também existem as favelas e localidades com baixa infraestrutura. Alguns dos mais conhecidos são o bairro do Capão Redondo e região de Paraisópolis. 

Alguns desses bairros nobres são localizados próximos às favelas e comunidades mais pobres e isso traz uma perspectiva mais focada na discrepância socioeconômica desses dois grupos. 

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Favela ao lado de prédios na Zona Sul. Foto: Ana Clara Farias
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Vista de uma comunidade ao lado de prédios do Morumbi. Foto: Ana Clara Farias
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Carros velhos em morro de frente para bairro nobre. Foto: Ana Clara Farias
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Vista de uma favela de frente para local luxuoso. Foto: Ana Clara Farias
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Bairro periférico Vila Andrade ao lado do Morumbi. Foto: Ana Clara Farias

 

A invisibilidade social é um fenômeno presente nas grandes cidades do mundo.
por |
05/11/2023 - 12h

Na correria rotineira presente na vida de mais de 12 milhões de paulistanos, muitos passam pelas ruas sem se darem conta do que está a sua volta. Dentre estas pessoas, comerciantes, moradores de rua e funcionários diversos só recebem a devida atenção quando são úteis para as vidas dos habitantes da cidade, caso contrário, passam despercebidos e invisíveis. Esse, senhoras e senhores, é o lado oculto do mundo:

 

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Natural de Recife, morador reside a mais de dez anos nos redores da Estação Conceição (São Paulo), onde cozinha, cuida de seus cachorros e convive com outras pessoas. // Foto: Vinícius Evangelista

 

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Diogenes trabalha com comércio de rua desde seus 17 anos // Foto: Vinícius Evangelista

 

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Motoristas de ônibus se reúnem durante o intervalo de trabalho // Foto: Vinícius Evangelista
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Dona Enelita trabalha ao lado de seu sobrinho na loja "Tia do Dog" // Foto: Vinícius Evangelista

 

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Sua lojinha de cachorro quente existe a mais de 30 anos! // Foto: Vinícius Evangelista


 

Os grandes monumentos históricos da capital que abrangem uma cultura diversa encontram-se espalhados por todas as regiões
por
Ana Clara Farias
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30/10/2023 - 12h

A arquitetura de São Paulo é um atrativo para turistas do mundo todo, pois ela é uma das principais marcas da cidade. Os monumentos arquitetônicos que foram construídos ao longo dos séculos são grandes fatores que contam a história da cidade por meio de suas grandes construções.

Essas obras são famosas porque, além de terem grandes variações, refletem na história das imigrações de diversas pessoas dos outros países para esse estado. 

Um dos principais lugares em que podemos encontrar as grandes construções é o Centro Histórico de São Paulo, que é rico em monumentos únicos. As igrejas, como a famosa Catedral da Sé, são memoráveis quando o assunto vem à tona. Além delas, também são lembrados o Teatro Municipal, a Estação da Luz, o Edifício Copan — projetado pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer, entre outras grandes obras.

Mas, além da arquitetura clássica que há na cidade, a moderna também passou a crescer e se espalhar por todas as regiões da capital e chama atenção dos turistas, bem como dos próprios habitantes locais.

Prédio roxo
SESC Pinheiros. Foto: Ana Clara Farias
Prédio circular
Condomínio Thera Faria Lima. Foto: Ana Clara Farias
Igreja
Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat. Foto: Ana Clara Farias
Prédio cinza
Edifício Faria Lima Plaza. Foto: Ana Clara Farias

 

Novo sistema de segurança em São Paulo conta com denuncias automáticas em caso de compatibilidade de dados
por
Gabriela da Silva Thier
Pietra Nelli Nóbrega
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16/10/2023 - 12h
Foi aprovado para o segundo semestre deste ano pelo Prefeito Ricardo Nunes um novo projeto na área da segura. O Smart Sampa ocorrerá a partir da instalação de 20 mil câmeras inteligentes públicas, que trabalham com reconhecimento facial, além da disponibilização de mais 20 mil câmeras privadas com a mesma tecnologia, chegando a 40 mil equipamentos de vigilância. O prefeito Ricardo Nunes afirma "que as câmeras são seguras e só notificam a polícia em casos com mais de 90% de similaridade na biometria facial e ainda passa por um comitê integrado à Controladoria Geral do Município antes do envio". Mas, o que preocupa a população é o quão eficaz e livre de riscos é a nova tecnologia, apesar das afirmações do Prefeito garantindo a proteção dos dados coletados, já que sabemos que os sistemas de reconhecimento facial foram projetados, na grande maioria, em cima de rostos brancos, o que causa deficiência caso o sistema encontre um rosto negro, por exemplo. 
 
Como funcionam as câmeras biométricas
 
No mundo cada vez mais digital e interconectado a busca por métodos avançados de segurança e identificação está em constante evolução. Nesse cenário, as câmeras biométricas surgem, prometendo uma ampla gama de aplicações. Os sistemas de câmeras por biometria estão emergindo como uma abordagem para aprimorar a segurança em vários contextos, desde controle de acesso até monitoramento de eventos em tempo real, como postos da Polícia Federal em aeroportos ou entradas em edifícios residenciais e comerciais. 
 
A biometria refere-se à identificação de indivíduos com base em características físicas ou comportamentais únicas. Isso inclui impressões digitais, reconhecimento facial, íris, voz, entre outros. A principal vantagem da biometria é que esses traços são exclusivos para cada pessoa, tornando-a uma forma altamente precisa de autenticação. “A biometria facial utiliza tecnologias de processamento de imagens e algoritmos de aprendizagem de máquina para identificar e verificar dados analisando características faciais únicas, como a distância entre os olhos e o formato do nariz”, diz Brenda Ortiz, advogada especializada em direito digital e inteligência artificial, em entrevista para AGEMT. Similar a impressão digital, o software ligado as câmeras mapeia matematicamente os traços faciais de uma pessoa e por meio desses algoritmos é capaz de compará-los com a imagem digital.
 
“O software reconhece ou nega essa identidade e as fases de mapeamento levam em conta os nossos pontos nodais, esse nome é dado por conta das nossas feições que são distintas umas das outras, a profundidade ocular, a forma das “maçãs”, o comprimento”, afirma Ortiz, que explica ainda que a capacidade de identificar indivíduos com base em características únicas eleva o nível de segurança em comparação a métodos tradicionais, como senhas ou cartões de identificação em diversos setores, como instituições financeiras, empresas de tecnologia e governos.
 
“O sistemas de câmeras com a biometria trazem mais segurança e controle do que os sistemas comuns, eles usam o reconhecimento do rosto para identificar pessoas e podem agir automaticamente, por exemplo liberando ou barrando acessos. Esses sistemas também observam comportamentos estranhos e mantém o registro de quem entra e sai dos espaços tudo isso torna o ambiente mais seguro e a gestão mais prática e eficiente”, pontuou a advogada. Aeroportos já estão utilizando o reconhecimento facial para simplificar procedimentos de check-in e controle de segurança. O setor de varejo está adotando sistemas de pagamento baseados em reconhecimento facial, agilizando as compras. Na área da saúde, a tecnologia biométrica pode garantir a identificação precisa de pacientes.
 
Quais são as Preocupações?
 
A proliferação das câmeras biométricas também levanta questões significativas relacionadas à privacidade, segurança de dados e potenciais problemas de discriminação. Sistemas biométricos não são infalíveis e podem apresentar erros, o que pode resultar em falsas identificações. Para o secretário Adjunto de Segurança Urbana, Junior Fagotti, "a plataforma só vai  levar pontos biométricos faciais, sem reconhecer cor”. O que para Ortiz pode ser um problema e explica que "embora cor de pele não seja um marcador biométrico crucial, o sistema precisará ser robusto, com bons hardwares e bons softwares para evitar confusões com os chamados falsos positivos". “A tecnologia de reconhecimento facial já é bastante avançada, inclusive tem sido implementada em várias partes do mundo, com monitoramento em larga escala, no entanto, questões como privacidade, ética, viés racial e falsos positivos são pontos que ainda necessitam de melhorias e regulamentação. Quando a tecnologia avança muito, as leis precisam acompanhar”, acrescenta ela.
 
As câmeras biométricas estão desempenhando um papel de destaque na identificação e segurança na sociedade moderna. Seu potencial é inegável, mas é igualmente importante equilibrar a conveniência que oferecem com medidas rigorosas de proteção da privacidade e regulamentação. À medida que a tecnologia biométrica continua a se desenvolver, a sociedade enfrenta a responsabilidade de aproveitar seus benefícios, mantendo a segurança e a integridade dos dados pessoais. “Eu volto a ressaltar, é necessária a melhoria das leis de regulamentação, porque quando envolve incidentes de crime ou violência não da para lei ficar muito atrás, para que não aconteçam essas divergências com as quais a gente tem se deparado”, finaliza Ortiz.
 
 
Conheça a jornada de Carlos Alberto Tauil
por
Maria Elisa Tauil
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10/10/2023 - 12h

Houve um tempo em que a Avenida Paulista não existia e o Beco do Batman era só um beco. Andando por São Paulo, nunca pensamos sobre o que está por trás de cada prédio. Mas as cidades são construídas por pessoas. Pessoas são feitas de histórias. E uma dessas histórias é a do arquiteto Carlos Alberto Tauil.

Carlos Tauil, 80 anos, me acomodou na sala de jantar da sua casa. Assim como a cidade de São Paulo, impaciente e acelerada, já estava nervoso devido ao meu pequeno atraso. Sentamos na mesa, de onde é possível ver pela janela um bosque com muitas árvores, de fato um privilégio, morando em uma metrópole como São Paulo. Naquele momento foi possível desacelerar e mergulhar no tempo através  de sua história.

“Nasci durante a Guerra. Eu lembro que logo de pequeno, aos 3 anos, eu tive que fazer uma cirurgia de emergência de apendicite e essa lembrança me gravou muito, porque meu pai e minha mãe tiveram que correr comigo para localizar um médico e ver onde o médico poderia fazer a cirurgia. Os hospitais estavam cheios de soldados que vieram da Guerra, então minha cirurgia foi feita em um Casarão”.  Relembrando a época em que São Paulo não chegava a 1 milhão de habitantes, Tauil inicia sua história a partir de sua memória mais antiga, “nem era uma cidade na verdade, né, porque costumo dizer que cidade é depois que passa de um milhão de pessoas.”

Na época ele residia com os pais e com o irmão mais velho em em uma casa alugada no bairro da Água Branca. “Minha mãe era dona de casa e meu pai era comerciário e, como outras pessoas com menor renda, a gente morava em casa alugada, não havia planos de financiamento para construção.”

Assim como Aristóteles ou um professor que dá aula em uma escola pública no Brasil, o pai de Carlos acreditava que a educação poderia mudar a vida dos filhos - e ele estava certo. “Meu pai procurou a escola Caetano de Campos. Ela era uma escola modelo em São Paulo criada pelo Doutor Caetano de Campos, um médico que tinha em mente fazer uma escola modelo para replicar ao longo do estado de São Paulo. Com quatro anos e o meu irmão com cinco, a gente ia para escola com meu pai que trabalhava no centro da cidade, que era perto da escola. Ele trabalhava na casa Mappin, que foi uma casa tradicional em São Paulo muito conhecida por ser uma loja de departamentos, bem no centro de São Paulo próximo ao Caetano de Campos que fica na Praça da República.”

“Bom, quando nós estávamos no primário o meu pai conseguiu financiamento, já no final dos anos 40 e começo dos anos 50, e construiu uma casa no Alto da Lapa, um bairro que foi desenvolvido pela companhia City, que era uma companhia inglesa de urbanismo que criou o Jardim América, Jardim Paulistano, Sumaré e Pacaembu. Eles eram especialistas em urbanizar cidades em crescimento,” continua.

Ao pesquisar rapidamente no site da companhia City, eles classificam o bairro Alto da Lapa como um lugar “desenvolvido para uma população operária.” Apesar deles saberem qual era o público-alvo do lugar, a logística de acesso ao transporte público não foi colocada como prioridade pela empresa. “A casa era muito longe da condução, não tinha ônibus. As linhas de ônibus paravam ali na Lapa e não no Alto da Lapa. Com 7 anos, eu lembro muito bem que a gente tinha que caminhar todos os dias, sozinhos, 1 km até o ponto de ônibus e ir pra escola. Os automóveis eram importados e somente gente com muita posse tinha eles.”

Ao lembrar da sua época de escola, Carlos conta sobre uma época que a fama de cidade que nunca para começou a ser construída: era o começo da industrialização. “São Paulo já tava com 1 milhão e meio de pessoas, a cidade tinha crescido bastante. Muita gente veio do interior, imigrantes italianos e espanhóis, vieram para cidade porque começou a surgir muito emprego. Em 1957, por exemplo, a companhia Volkswagen começou a fazer montagem de carros no Brasil e logo em seguida a Ford também. Eles começaram a produzir parte dos automóveis e foi desenvolvendo uma indústria.” 

Enquanto São Paulo crescia, a vida de Carlos teve uma reviravolta. Com a oportunidade de terminar o colegial nos Estados Unidos, Tauil relatou com muito orgulho, a experiência de estudar em outro país. Para um filho de um vendedor e uma dona de casa, oportunidades assim vão além da sorte, elas são sinônimo de muita luta. 

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Carlos com 17 anos. Foto: Maria Elisa Tauil

Quando retornou ao Brasil nos anos 60, a terra da garoa tinha se tornado o berço das indústrias no Brasil. “Houve um fato importantíssimo que foram os cinco anos do governo do Juscelino Kubitschek, como presidente ele fez um plano de metas pro Brasil crescer 50 anos em 5, que foi de 1956 a 1961. Isso estimulou a indústria de automóveis (principalmente).”

“E daí para frente continuou explodindo, porque começaram a fazer muitas construções por conta da grande quantidade de pessoas que foram morar aqui,” relata Carlos. Mesmo sendo muito jovem, o futuro arquiteto já sabia as consequências do crescimento acelerado de uma cidade marcada pela desigualdade. “Eu estava vendo a cidade crescer e precisar de casa, eu queria fazer casa pras pessoas. Eu vi a dificuldade que o meu pai teve de sair de uma casa alugada, ter que construir uma casa longe do centro, mas que deu conforto para nós. Eu decidi que ia me dedicar a casa popular.”

Após se formar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo em 1967, Tauil dedicou a sua carreira à construção de habitações populares. Com 27 anos, durante a ditadura no Brasil, ele passou 10 meses na Holanda e voltou com um estudo voltado para a construção de casas acessíveis em São Paulo. Carlos desenvolveu o trabalho “Proposta de aplicação de uma metodologia de projeto no processo habitacional brasileiro", que consiste no projeto de um sistema modular onde se vai encaixando componentes e elementos construtivos de moradia, conforme a necessidade e a vontade do morador e da comunidade.

“Era um drama para mim que o pessoal não conseguia construir barato. Pra poder atender a habitação popular, eu bolei esse sistema com bloco de concreto. Você não tem pilar de concreto armado, coluna e viga é só a parede, você faz a parede e põe ferro em alguns pontos com concreto. Então um sistema que barateou, porque você já sobe o prédio pronto, você não sobe o esqueleto para depois fechar. É muito mais barato pro construtor e, portanto, ele podia vender mais barato,” relata Carlos com orgulho.

“Ah daí me envolvi de corpo e alma nisso. Foram mais de 40 anos.”

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Carlos Alberto Tauil. Foto: Maria Elisa Tauil

Ao longo de sua vida profissional, Tauil atuou em empresas de componentes de alvenaria estrutural e pré-moldados, participou da comissão de elaboração das normas de alvenaria estrutural da Associação Brasileira de Normas Técnicas, foi presidente da Associação Brasileira da Construção Industrializada, membro do Conselho Técnico da COHAB-SP e, durante dez anos, consultor técnico da Bloco Brasil. Além de escrever, em 2010, o livro "Alvenaria Estrutural". 

“Eu sinto que eu contribuí muito. Eu não só sinto, mas todas as pessoas me falam que eu fui decisivo para esse desenvolvimento da construção popular em São Paulo e (depois) no Brasil. Então isso faz eu me sentir profissionalmente realizado.”

Hoje, aposentado, Carlos decidiu (merecidamente) esquecer um pouco a construção civil. Ele contou com um sorriso no rosto, que fez um curso na USP para aposentados sobre a história do Brasil e, além de dedicar seu tempo livre à leitura, trabalha orientando um projeto de uma de suas filhas que é agrônoma. “Agora é a fase dos netos, né? Graças a Deus tenho netos maravilhosos. Amo todos,” disse Tauil com ternura no final da nossa entrevista.

 

Esta reportagem foi produzida como atividade extensionista do curso de Jornalismo da PUC-SP.

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