Além do ex-ministro, o evento contou com a presença de nomes de destaque na economia
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Marcelo Barbosa
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19/06/2026 - 12h

Na última quarta-feira (17), a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) recebeu o pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo, Fernando Haddad, para lecionar o seminário “Desenvolvimento, Democracia e Mudança Estrutural” e reuniu alunos e professores para compor a solenidade. O evento também contou com a presença de Luiz Gonzaga Belluzzo, economista reconhecido por presidir o Palmeiras entre 2009 e 2011.

O debate teve início com a fala de Belluzzo, que abordou, de forma crítica, as teorias econômicas. Segundo ele, essas teorias não analisam criticamente o contexto de um país, mas justificam os fatos econômicos que ocorrem . “Você não pode ser dogmático, mas investigador”, afirmou ao discutir as relações dentro da economia.

Belluzzo defende uma ordenação das relações econômicas na sociedade por meio das articulações das instituições e, por conta disso, acredita que deve haver uma mobilização dos movimentos sociais nas redes digitais. Também afirmou que, diferentemente da época das Diretas já!, movimento do qual participou no final dos anos 1980, a comunicação das pessoas passou a se resumir a “manifestações em poucas linhas”.
 

Reprodução: Cláudio Oliveira| PUC-SP | Imagem dos palestrantes sentados na frente da plateia
Palestrantes aguardam o início do evento no Teatro Tuca, na PUC-SP Foto: Cláudio Oliveira 
 

A palestra seguiu com Fernando Haddad, que falou sobre os pressupostos do desenvolvimento. Assim como Belluzzo, Haddad defendeu um plano de desenvolvimento baseado nas articulações das instituições. “Não basta vontade. Precisamos de posicionamento e de uma classe dirigente que seja diferente da que foi estabelecida desde o Segundo Reinado”, afirmou

Em entrevista à AGEMT, Haddad comentou sobre sua candidatura ao Governo de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadore puxando o gancho da sua palestra. Ele se disse preocupado com a economia paulista. “Eu tive que capitanear, a pedido do presidente Lula, junto ao Rodrigo Pacheco, a renegociação da dívida do Estado. Tivemos que abrir espaço orçamentário de mais de 11 bilhões por ano para ajudar no Estado de São Paulo”, disse.

Haddad citou o atraso à adesão do Governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (PROPAG), o plano federal voltado à reestruturação e repactuação das dívidas dos entes federativos com a União. “Nós perdemos uma SABESP pelo atraso à adesão ao PROPAG. Então, o que nós pudemos fazer pelo Estado no Governo Federal, com renegociação da dívida, linhas de crédito do BNDES e dinheiro a fundo perdido no PAC, nós fizemos”, exclamou. “Precisamos de raízes aqui para que o Estado volte a se desenvolver”, continuou. No entanto, finalizou sua fala cauteloso - “Não existe respaldo político para ajustar as contas. Quem dirá um plano de desenvolvimento”.

Após a fala de Haddad, a professora doutora Cristina Helena Pinto de Mello enfatizou que, atualmente, existem duas instituições importantes no funcionamento da sociedade: o mercado e o Estado. Ao utilizar os Estados Unidos de exemplo, Cristina afirmou que “a economia digital sobrecarregou os postos de trabalho”.

A professora Laura Carvalho deu continuidade ao tema e criticou a falta de revisão das políticas dos anos 2000. Segundo ela, não rever algumas políticas faz com que as leis não acompanhem as mudanças da sociedade, como o aumento da informalidade. Ela também criticou a ‘plataformazação' do mercado, argumentando que o fenômeno auxilia no aprofundamento das desigualdades de classe.

Quem falou por último foi o professor Luís Fernando de Paula que destacou a importância da macroeconomia aliada a uma estratégia de desenvolvimento e criticou a forma como a política de juros, em sua avaliação, dificulta o desenvolvimento econômico. “ A política fiscal não deve ser subordinada à política monetária”, afirmou. Além disso, o professor acredita que ter o agronegócio como fator determinante da economia é uma questão problemática para o país e finalizou defendendo a revisão da meta de inflação.

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Como o aumento dos prédios diminui a qualidade de vida da população paulistana
por
Annick Borges
Davi Madi
Rafael Pessoa
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09/06/2026 - 12h

A cidade de São Paulo cresce para os lados ou para o alto? E quais são os impactos desse processo no dia a dia da população? Neste podcast, os repórteres da AGEMT Annick Borges, Davi Madi e Rafael Pessoa conversam com o professor de Geografia Tiago Fuoco sobre a verticalização da capital paulista e o aumento dos edifícios na maior cidade do país.

Você também vai entender como São Paulo foi planejada a partir de referências europeias e norte-americanas e por que essa lógica urbana continua influenciando a organização da cidade até os dias atuais. Um bate-papo que ajuda a compreender as transformações do espaço urbano e os desafios do crescimento de São Paulo. O programa é acompanhado pela banda "Izaias e Seus Chorões". Confira aqui

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Com recordes de vendas no país, veículos atraem consumidores pela economia, mas desafios relacionados à infraestrutura ainda estão presentes na rotina dos motoristas.
por
Lucas Leal
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09/06/2026 - 12h

Os carros elétricos estão cada vez mais presentes nas ruas brasileiras. Em 2025, o país registrou mais de 223 mil automóveis eletrificados vendidos, no último relatório da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a ABVE, um recorde histórico para o setor. A economia com combustível e os incentivos oferecidos em algumas regiões ajudam a explicar o crescimento da tecnologia.

Mas, apesar do avanço nas vendas, a infraestrutura ainda não acompanha o mesmo ritmo. Na reportagem, Ricardo, proprietário de um BYD Dolphin Mini, conta as vantagens e os desafios de utilizar um carro elétrico no dia a dia no Brasil. Confira clicando aqui!

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Aeronave perde controle sob altitude e atinge prédio de três andares na região nordeste do município
por
Vitoria Wu
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06/05/2026 - 12h

 

Nesta segunda-feira (4), um avião de pequeno porte colidiu com um prédio no bairro Silveira, em Belo Horizonte.  Antes do acidente, a aeronave saiu de Teófilo Otoni (MG) e pousou no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). No terminal, duas pessoas desembarcaram e outra embarcou. 


Na sequência, às 12h16, a aeronave decolou na capital mineira e seguia para o Campo de Marte, em São Paulo (SP), quando, três minutos depois, perdeu altitude e bateu no prédio. A colisão ocorreu a uma distância de aproximadamente 3,7 quilômetros, em linha reta, da cabeceira da pista.


De acordo com informações do corpo de bombeiros, havia cinco pessoas dentro do avião. Wellington de Oliveira, piloto de 34 anos e Fernando Moreira Souto, passageiro de 36 anos que se sentava no banco do copiloto, morreram no lugar do acidente. Outros três passageiros foram resgatados e levados até o hospital João XXIII , porém, Leonardo Berganholi de 50 anos morreu logo depois de dar entrada ao centro médico, segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG).


Em entrevista à AGEMT, Patrícia Barbosa, testemunha que estava próximo ao local do acidente relata que a aeronave não apresentava uma boa posição de decolagem. “Como gosto muito de observar os aviões, fiquei observando, mas aparentemente, ao invés de estar em posição de decolagem (subindo) estava numa posição reta, o sentido que o avião estava indo não tinha aeroporto e pouco local de aterrissagem. Estava tão baixo que deu para ver claramente alguns detalhes, principalmente as cores que eram brancas e azul escuro.” afirma.


Renato Barbosa, estudante de medicina, relatou que o avião estava voando em altura baixa e que, em poucos segundos, se curvou e bateu contra o edifício. “ Na hora, pensei que fosse algum piloto de manobras, porém, alguns instantes depois, ele se curvou para a direita e bateu no prédio. Muita gente correu para o local e ficou com cheiro de combustível, não deu para ver ninguém da tripulação na hora da batida, só os destroços do avião”, contou em entrevista à AGEMT.

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Corpo de bombeiros atuando sob os destroços. Reprodução: Corpo de bombeiros de MG.

Não houve mortos no edifício na qual o avião colidiu, afirmam os bombeiros.


 Em nota, a Defesa Civil de Belo Horizonte informou que o prédio foi interditado preventivamente pelo Corpo de Bombeiros e que, após avaliação de riscos no local, realizou o isolamento preventivo do estacionamento do supermercado ao lado do prédio e de dois apartamentos.  Os moradores das unidades foram realocados para casas de familiares, segundo o órgão. O condomínio foi notificado em decorrência da queda de material, para preservar os destroços da aeronave até que finalize a perícia pelos investigadores do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA).


O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) ressalta que ainda é cedo para determinar as causas exatas do acidente. As investigações devem prosseguir e um relatório será divulgado nos próximos meses.

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O aplicativo lançado em 2024 facilita o preenchimento de boletins de ocorrência online e o acionamento imediato da Polícia Militar em casos urgentes
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Thayná Patricia Alves
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23/04/2026 - 12h

 

O SP Mulher Segura foi disponibilizado pelo Governo do Estado de São Paulo em 8 de março de 2024, data que marca o Dia Internacional da Mulher. Desenvolvido pela Secretaria de Segurança Pública, o app surgiu com o objetivo de ampliar e facilitar o acesso a serviços de proteção para mulheres vítimas de violência, reunindo, em uma única plataforma, funcionalidades que antes estavam separadas.

Gratuito e disponível 24 horas por dia, o SP Mulher Segura incorporou funcionalidades do antigo programa SOS Mulher, que já oferecia suporte emergencial para vítimas com medida protetiva. Porém, as informações para o acesso ao programa eram preenchidas de forma manual. 

Com o novo aplicativo, esse fluxo foi simplificado, diminuindo a burocracia e o tempo de resposta. Ele permite registrar boletins de ocorrência diretamente pelo celular, de forma discreta e sem a necessidade de deslocamento até uma delegacia.

Outro recurso principal é o botão do pânico, que possibilita o acionamento imediato da Polícia Militar em situações de risco, principalmente para aquelas mulheres que possuem medida protetiva ativa. A partir da localização em tempo real, o sistema cruza informações da vítima e do agressor e, em caso de aproximação, aciona automaticamente a polícia e envia uma viatura ao local. 

O sistema é integrado à conta gov.br, o que permite o preenchimento automático dos dados e a verificação de eventuais medidas judiciais ativas.

Print de tela mostrando as funcionalidades do SP Mulher Segura Reprodução: Thayná Alves
Funcionalidades do SP Mulher Segura. Reprodução

 

Nos primeiros meses de funcionamento, o aplicativo registrou 1.592 boletins de ocorrência, 1.339 acionamentos do botão do pânico e 496 solicitações de medidas protetivas realizadas diretamente pela plataforma.

Atualizações mais recentes, de março de 2026, apontam que o aplicativo já superou 50 mil downloads, com mais de 2.100 boletins de ocorrência registrados, cerca de 7 mil acionamentos do botão do pânico e 101 mil solicitações de medidas protetivas. Outro dado destacado é a redução no tempo de resposta policial, que passou para menos de dois minutos em ocorrências acionadas pelo app.

Apesar de funcional, o SP Mulher Segura só passou a ser mais divulgado e acessado em 2026, devido ao aumento exponencial dos casos de feminicídio e à divulgação por parte da Secretaria de Políticas para a Mulher. Entretanto, em uma pesquisa pessoal para um grupo de 100 pessoas, apenas ⅓ têm o conhecimento da plataforma, enquanto o restante desconhece a existência do aplicativo.

O SP Mulher Segura integra um conjunto mais amplo de políticas públicas voltadas à proteção feminina, articuladas no âmbito do movimento São Paulo Por Todas. A iniciativa busca dar visibilidade aos serviços disponíveis e à rede de acolhimento, promovendo ações relacionadas à saúde e à autonomia financeira das mulheres.

O lançamento do app ocorreu junto a outras medidas, dentre elas, a criação de 62 novas salas de atendimento da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), aumentando para o total de 141 unidades no estado. Elas funcionam 24 horas por dia e contam com atendimento por videochamada com equipes especializadas, permitindo o registro de ocorrências, orientação às vítimas e solicitação de medidas protetivas.

Apesar dos avanços, o principal impacto do aplicativo está na melhoria do acesso a serviços que já existiam, tornando o processo mais rápido e menos burocrático, mas não cria soluções totalmente novas. Na prática, seu impacto depende de fatores como a rapidez da resposta da polícia, a estrutura das delegacias e o quanto as mulheres conseguem, de fato, usar o aplicativo. 

O aplicativo facilita o pedido de ajuda, mas ainda depende de todo um sistema funcionando de forma eficiente para, de fato, fazer diferença no enfrentamento à violência contra a mulher.

Seu período de teste Premium terminou
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Conheça a jornada de Carlos Alberto Tauil
por
Maria Elisa Tauil
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10/10/2023 - 12h

Houve um tempo em que a Avenida Paulista não existia e o Beco do Batman era só um beco. Andando por São Paulo, nunca pensamos sobre o que está por trás de cada prédio. Mas as cidades são construídas por pessoas. Pessoas são feitas de histórias. E uma dessas histórias é a do arquiteto Carlos Alberto Tauil.

Carlos Tauil, 80 anos, me acomodou na sala de jantar da sua casa. Assim como a cidade de São Paulo, impaciente e acelerada, já estava nervoso devido ao meu pequeno atraso. Sentamos na mesa, de onde é possível ver pela janela um bosque com muitas árvores, de fato um privilégio, morando em uma metrópole como São Paulo. Naquele momento foi possível desacelerar e mergulhar no tempo através  de sua história.

“Nasci durante a Guerra. Eu lembro que logo de pequeno, aos 3 anos, eu tive que fazer uma cirurgia de emergência de apendicite e essa lembrança me gravou muito, porque meu pai e minha mãe tiveram que correr comigo para localizar um médico e ver onde o médico poderia fazer a cirurgia. Os hospitais estavam cheios de soldados que vieram da Guerra, então minha cirurgia foi feita em um Casarão”.  Relembrando a época em que São Paulo não chegava a 1 milhão de habitantes, Tauil inicia sua história a partir de sua memória mais antiga, “nem era uma cidade na verdade, né, porque costumo dizer que cidade é depois que passa de um milhão de pessoas.”

Na época ele residia com os pais e com o irmão mais velho em em uma casa alugada no bairro da Água Branca. “Minha mãe era dona de casa e meu pai era comerciário e, como outras pessoas com menor renda, a gente morava em casa alugada, não havia planos de financiamento para construção.”

Assim como Aristóteles ou um professor que dá aula em uma escola pública no Brasil, o pai de Carlos acreditava que a educação poderia mudar a vida dos filhos - e ele estava certo. “Meu pai procurou a escola Caetano de Campos. Ela era uma escola modelo em São Paulo criada pelo Doutor Caetano de Campos, um médico que tinha em mente fazer uma escola modelo para replicar ao longo do estado de São Paulo. Com quatro anos e o meu irmão com cinco, a gente ia para escola com meu pai que trabalhava no centro da cidade, que era perto da escola. Ele trabalhava na casa Mappin, que foi uma casa tradicional em São Paulo muito conhecida por ser uma loja de departamentos, bem no centro de São Paulo próximo ao Caetano de Campos que fica na Praça da República.”

“Bom, quando nós estávamos no primário o meu pai conseguiu financiamento, já no final dos anos 40 e começo dos anos 50, e construiu uma casa no Alto da Lapa, um bairro que foi desenvolvido pela companhia City, que era uma companhia inglesa de urbanismo que criou o Jardim América, Jardim Paulistano, Sumaré e Pacaembu. Eles eram especialistas em urbanizar cidades em crescimento,” continua.

Ao pesquisar rapidamente no site da companhia City, eles classificam o bairro Alto da Lapa como um lugar “desenvolvido para uma população operária.” Apesar deles saberem qual era o público-alvo do lugar, a logística de acesso ao transporte público não foi colocada como prioridade pela empresa. “A casa era muito longe da condução, não tinha ônibus. As linhas de ônibus paravam ali na Lapa e não no Alto da Lapa. Com 7 anos, eu lembro muito bem que a gente tinha que caminhar todos os dias, sozinhos, 1 km até o ponto de ônibus e ir pra escola. Os automóveis eram importados e somente gente com muita posse tinha eles.”

Ao lembrar da sua época de escola, Carlos conta sobre uma época que a fama de cidade que nunca para começou a ser construída: era o começo da industrialização. “São Paulo já tava com 1 milhão e meio de pessoas, a cidade tinha crescido bastante. Muita gente veio do interior, imigrantes italianos e espanhóis, vieram para cidade porque começou a surgir muito emprego. Em 1957, por exemplo, a companhia Volkswagen começou a fazer montagem de carros no Brasil e logo em seguida a Ford também. Eles começaram a produzir parte dos automóveis e foi desenvolvendo uma indústria.” 

Enquanto São Paulo crescia, a vida de Carlos teve uma reviravolta. Com a oportunidade de terminar o colegial nos Estados Unidos, Tauil relatou com muito orgulho, a experiência de estudar em outro país. Para um filho de um vendedor e uma dona de casa, oportunidades assim vão além da sorte, elas são sinônimo de muita luta. 

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Carlos com 17 anos. Foto: Maria Elisa Tauil

Quando retornou ao Brasil nos anos 60, a terra da garoa tinha se tornado o berço das indústrias no Brasil. “Houve um fato importantíssimo que foram os cinco anos do governo do Juscelino Kubitschek, como presidente ele fez um plano de metas pro Brasil crescer 50 anos em 5, que foi de 1956 a 1961. Isso estimulou a indústria de automóveis (principalmente).”

“E daí para frente continuou explodindo, porque começaram a fazer muitas construções por conta da grande quantidade de pessoas que foram morar aqui,” relata Carlos. Mesmo sendo muito jovem, o futuro arquiteto já sabia as consequências do crescimento acelerado de uma cidade marcada pela desigualdade. “Eu estava vendo a cidade crescer e precisar de casa, eu queria fazer casa pras pessoas. Eu vi a dificuldade que o meu pai teve de sair de uma casa alugada, ter que construir uma casa longe do centro, mas que deu conforto para nós. Eu decidi que ia me dedicar a casa popular.”

Após se formar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo em 1967, Tauil dedicou a sua carreira à construção de habitações populares. Com 27 anos, durante a ditadura no Brasil, ele passou 10 meses na Holanda e voltou com um estudo voltado para a construção de casas acessíveis em São Paulo. Carlos desenvolveu o trabalho “Proposta de aplicação de uma metodologia de projeto no processo habitacional brasileiro", que consiste no projeto de um sistema modular onde se vai encaixando componentes e elementos construtivos de moradia, conforme a necessidade e a vontade do morador e da comunidade.

“Era um drama para mim que o pessoal não conseguia construir barato. Pra poder atender a habitação popular, eu bolei esse sistema com bloco de concreto. Você não tem pilar de concreto armado, coluna e viga é só a parede, você faz a parede e põe ferro em alguns pontos com concreto. Então um sistema que barateou, porque você já sobe o prédio pronto, você não sobe o esqueleto para depois fechar. É muito mais barato pro construtor e, portanto, ele podia vender mais barato,” relata Carlos com orgulho.

“Ah daí me envolvi de corpo e alma nisso. Foram mais de 40 anos.”

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Carlos Alberto Tauil. Foto: Maria Elisa Tauil

Ao longo de sua vida profissional, Tauil atuou em empresas de componentes de alvenaria estrutural e pré-moldados, participou da comissão de elaboração das normas de alvenaria estrutural da Associação Brasileira de Normas Técnicas, foi presidente da Associação Brasileira da Construção Industrializada, membro do Conselho Técnico da COHAB-SP e, durante dez anos, consultor técnico da Bloco Brasil. Além de escrever, em 2010, o livro "Alvenaria Estrutural". 

“Eu sinto que eu contribuí muito. Eu não só sinto, mas todas as pessoas me falam que eu fui decisivo para esse desenvolvimento da construção popular em São Paulo e (depois) no Brasil. Então isso faz eu me sentir profissionalmente realizado.”

Hoje, aposentado, Carlos decidiu (merecidamente) esquecer um pouco a construção civil. Ele contou com um sorriso no rosto, que fez um curso na USP para aposentados sobre a história do Brasil e, além de dedicar seu tempo livre à leitura, trabalha orientando um projeto de uma de suas filhas que é agrônoma. “Agora é a fase dos netos, né? Graças a Deus tenho netos maravilhosos. Amo todos,” disse Tauil com ternura no final da nossa entrevista.

 

Esta reportagem foi produzida como atividade extensionista do curso de Jornalismo da PUC-SP.

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Diante do desinteresse do Estado, a ONG Equilíbrio Universal é capaz de amparar a comunidade do Cocaia, no extremo sul de São Paulo
por
Yasmin Solon
Laura Paro
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24/10/2023 - 12h

 

 

 

 

Por Yasmin Solon (texto) e Laura Paro (audiovisual)

 

Sinir à esquerda e Maristela à direita em frente ao espaço destinado às atividades da ONG Equilíbrio Universal no Parque Residencial Cocaia, no Grajaú/Foto: Laura Paro
Maristela à esquerda e Sinir à direita/Foto: Laura Paro

Sinir saiu do norte de Minas Gerais em busca de uma vida melhor com oportunidades. Deixou seus pais e seus 13 irmãos aos 16 anos e depois de morar na região metropolitana de SP, foi às periferias da grande capital. Ela conta que quando chegou ao bairro conhecido hoje como Cocaia, tudo estava desabitado, que a população não tinha nada; na época, não haviam lixeiros e nem água. Era apenas matagal. Sinir tem sete filhos e é formada por duas faculdades, Assistência Social e Enfermagem, e pós graduanda em Educação e Saúde. Fundou a Organização Não Governamental Equilíbrio Universal em 1994 na tentativa de melhorar a comunidade, que já tinha um número de moradores relevante e que sofria, desde o surgimento do bairro, uma negligência governamental. Hoje, aos 67 anos de idade, ela é Presidente da Equilíbrio Universal. 

Ao redor da Represa Billings, em uma área de mananciais no extremo da região Sul de São Paulo, durante o burburinho e a ansiedade da rotina paulistana, surgia um distrito que hoje é considerado o maior da cidade, o Grajaú. Em 1981 a Imobiliária Federal de São Paulo vendeu os primeiros lotes irregulares na área que hoje é conhecida como Parque Residencial Cocaia. Em ruas de terra batidas, sem água ou esgoto encanados, luz, transporte, educação ou saúde básica, ou ao menos uma coleta de lixo aos moradores locais, já moravam Sinir Bento de Nazaret e Maristela Ribeiro da Silva que até hoje atuam na ONG Equilíbrio Universal, um símbolo que concretizou a democratização dos direitos do cidadão na região.

A instituição independente, apartidária e sem fins lucrativos surgiu a partir das necessidades da comunidade. Nas manhãs em que as mães e os pais precisavam ir ao trabalho, porém não podiam deixar seus filhos nas creches da região porque elas não existiam, foi na instituição que eles encontraram o abrigo necessário. Em meio às ruas sem asfaltos e lixos não coletados, as crianças encontravam na instituição um local de lazer e interação social. Enquanto não existia nenhum ensino na região, a Equilíbrio Universal oferecia cursos profissionalizantes aos moradores. É nesse sentido que Maristela comenta que eles representam a política do local, pois onde o governo não chega, são eles que governam. A comunidade depende das ações da instituição. 

Maristela tem 61 anos e também atua diretamente na Equilíbrio Universal. Mãe de quatro filhos adotivos, ela conta como é essencial acolher todos, independente de qualquer coisa: não existe distinção na comunidade de Cocaia pois todos merecem ser acolhidos, e é isso que o governo não enxerga. A entidade se compromete em dar a mesma chance e o mesmo tratamento, para que todos tenham as mesmas oportunidades. Quase dez anos antes da criação da Equilíbrio Universal, em 1983, foi feita a primeira reunião com autoridades da Prefeitura para reivindicar água, luz, transportes, coleta de lixo e incentivo ao comércio. Porém, ao que pareceu, não existia uma falta de diálogo e sim de interesse em transformar aquela área estruturada para as famílias morarem. Isso se tornou ainda mais evidente quando Sinir afirmou que a área do Grajaú é, até hoje, considerada um ‘cinturão verde’, e por isso o governo diz não poder dar uma infraestrutura digna aos moradores. 

Parque Residencial Cocaia, área de mananciais e à beira da represa Billings/Foto: Laura Paro
Parque Residencial Cocaia, área de mananciais e à beira da represa Billings/Foto: Laura Paro

Enquanto escorriam os esgotos das casas no mesmo chão em que as crianças brincavam descalças, Sinir, Maristela e outros integrantes procuravam solucionar os problemas e as demandas que a região sofria. A água não era tratada  e o esgoto sequer encanado, e elas contam que para atender todos da comunidade, a água era roubada, e o esgoto à céu aberto. Hoje, a água é tratada e distribuída, mas o esgoto é centralizado para uma caixa da Sabesp, como uma fossa, e despejado na represa. Durante essa problemática sanitária, diversas crianças e pessoas se infectaram e faleceram devido à Hepatite. Atualmente, a caixa mencionada, de fato, acumula os dejetos domésticos e deságua na Billings à beira das casas. Isso reflete no número assombroso em que cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem sem saneamento básico na capital, a maioria das casas sem saneamento estão na Zona Sul. Há poucos quilômetros, é possível imaginar como é fácil para as famílias assistidas pelo governo apenas darem descarga e não terem contato com esse esgoto diretamente, mas devido à negligência, os moradores do Cocaia são acostumados à paisagem poluente e o odor fétido. Sinir conta que, ali, não é possível ver o esgoto saindo das casas porque é encanado, mas não é tratado. Então às vezes ao visitar alguém, a casa e a rua estão limpinhas, mas o cheiro ruim de esgoto está presente porque está tudo centralizado e não tratado.

A desculpa de que o local é de preservação ambiental e assim não pode ser atendido pelas demandas, só funciona nas periferias. A 10 quilômetros de distância mas em mundos paralelos completamente diferentes, no bairro Jardim dos Estados, um bairro classe média-alta, a Associação do bairro precisou lutar há uns anos atrás para que o Jardim Alfomares, grande área verde local, não fosse desmatado para construção de condomínios residenciais. Por outro lado, o Grajaú já é habitado por muita gente - mais de 1 milhão - e tem suas necessidades não atendidas por ser uma área de mananciais. Se a área já foi desmatada, habitada, vendida por lotes irregulares, não há motivos para negligenciar direitos básicos aos moradores locais. Não faz sentido dizer que é feita uma proteção ambiental se o esgoto é desaguado em um dos maiores e mais importantes reservatórios de água da Região Metropolitana de São Paulo.

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Esgoto a céu aberto no bairro do Cocaia./Foto: Laura Paro

Maristela e Sinir contaram como foi conquistar a água tratada na região. Apesar das inúmeras tentativas e diversas vezes ignoradas, a ONG se organizou em conjunto com a comunidade e a Associação do bairro para ir até Brasília reivindicar pelo direito básico assegurado pela Constituição. Elas contam que juntaram 50 pessoas em um ônibus para ir a Brasília, com panelas e cartazes, e foram ouvidas com deboche vindo dos políticos. Nesse dia, Maristela conta que começou a chover, e foi quando ouviram ‘Está aí a água que vocês queriam’, seguidas de risadas. 

No surgimento do bairro, como os loteadores apenas tratavam de vender os terrenos irregulares da região e desapareciam logo em seguida, os moradores locais ficavam responsáveis por correr atrás de melhorias e necessidades básicas do bairro. O asfalto chegou ao Parque Residencial Cocaia em 1998, após muita luta dos moradores e atuação direta da instituição, que iam à prefeitura, e ouviam que a rua já havia sido asfaltada. Possivelmente, resultado de obras fantasmas que tiveram desvio de verba.
Quando o poder público argumentou “não existir número significativo de crianças” para construir creches e escolas, a instituição se organizou juntamente à comunidade para estender um varal na porta da Secretaria da Educação com as certidões de nascimento daquelas que moravam no Cocaia. Depois dessa atitude, a Equilíbrio Universal e a Associação em Defesa da Moradia do Parque Recanto Cocaia, fundada por Ilda Vieira Vilela, irmã de Maristela que hoje é homenageada pela Escola Estadual Ilda Vieira Vilela, ou seja, os próprios moradores, ocuparam um espaço abandonado e se revezaram por dois anos para dar aulas e cuidarem das crianças, já que 1600 delas não estudavam. Hoje, esse local é a Escola Estadual Aniz Badra.

Em relação à coleta de lixo, não foi diferente. Em meio aos ratos e o cheiro azedo que persistia nas ruas do bairro, era impossível lidar e seguir a rotina de forma normal. Mais uma vez, a entidade tomou uma atitude para serem atendidos após diversas respostas negativas. Um dia, o grupo se organizou e juntou diversos sacos de lixos para despejar na mesa do então subprefeito, logo o pedido foi atendido e os lixos domésticos começaram a ser recolhidos.  

 

Apostila que conta a história da Equilíbrio Universal mencionando os acontecimentos/Foto: Acervo pessoal
Apostila que conta a história da Equilíbrio Universal mencionando os acontecimentos/Foto: Acervo pessoal

Atualmente, a ONG Equilíbrio Universal ainda atua com os cursos profissionalizantes para áreas de beleza, costura, reforma, entre outras. Distribui cestas básicas na região e busca o empoderamento femino às moradoras. Maristela comenta que elas acreditam que o ser humano deve ser curado fisicamente, emocionalmente, mentalmente, socialmente, espiritualmente e ser inserido na sociedade como alguém capaz. Porém, infelizmente a comunidade não tem nenhum incentivo governamental, seus recursos são frutos de doações e são independentes em todos os sentidos. As pessoas da instituição tem muita força de vontade, muita garra e muita coragem, o que lhes falta é a verba. Maristela finaliza dizendo que o povo é visto apenas como curral eleitoral, números estratégicos, e depois são esquecidos. A comunidade coloca os políticos no governo e depois é abandonada, desrespeitada e debochada. A Equilíbrio Universal e outras entidades que asseguram os direitos políticos e sociais prometidos pela Constituição brasileira. Graças às iniciativas como à de Sinir existem políticas resistentes à negligência governamental.

 

Para contribuir a instituição, doe qualquer valor possível ao Equilíbrio Universal: 
CHAVE PIX - CNPJ: 01.741.913/0001-21 
Banco do Brasil
Agência: 6996-5 C/corrente: 15.518-7

E-mail: ong.equilibrio.universal.1997@gmail.com

 

 

 

 

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A Rádio Cidadã, no Butantã, transmite diariamente um pedaço de São Paulo
por
Artur dos Santos
Kawan Novais
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14/11/2023 - 12h

Por Artur dos Santos (texto) e Kawan Novais (audiovisual

 

A antena de 30 metros com uma fundação de toneladas de cimento da Rádio Cidadã não há motivo para (e nem intenção de) cair. O que já foi uma antena leve de 20 metros com um dos pés amarrados em uma parede - arrancada com facilidade por uma chuva que Deus mandava enquanto os radialistas se abrigavam em um bar próximo - hoje seguraria até um avião.

 

Antena da Rádio Cidadã
Antena que distribui o sinal da Rádio Cidadã. Foto: Artur Santos.

 

O sinal varia, é circular, depende da topografia, no Butantã tem muito morro, e pode alcançar o estádio do Morumbi, mas não na avenida a menos de 2 quilômetros. 500 mil ouvintes são contemplados pela amplitude das ondas todo dia, bairros com mais densidade demográfica têm rádios com maior alcance de pessoas, consequentemente. A sintonia é FM 87.5, dial das rádios comunitárias (RC) legalizado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) na cidade de São Paulo. “Entrando na Sola” e “Na Onda do Forró”, dois dos programas mais badalados da rádio, atingem ouvintes dos arredores de sua localidade, assim como suecos e tailandeses, via digital, mesmo que sem entender o idioma.

 

Cachorros guardando a entrada do estúdio.
Descida para o estúdio da Rádio Cidadã. Foto: Artur Santos.

 

Cachorros guardando a entrada do estúdio.
Ródio e Baguan na entrada do estúdio. Foto: Artur Santos.
Estúdio
Metade áudio, metade vídeo. Foto: Artur Santos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim como a antena sobe, por rampas ou escadas, a entrada para o estúdio desce, guardada por dois cachorros, um magro com focinho molhado e um velho, que ameaçam fugir do QG de Julio César, responsável pela Rádio Cidadã. “Não repare a bagunça” - diz qualquer dono de estúdio em qualquer lugar. As habilidades de Julio e seus anos de experiência como programador cortam os custos e a dor de cabeça de se manter uma rádio comunitária em pé. Os segredos nas tomadas e o raciocínio lógico de quem trabalha com a área de programação automatizam o funcionamento, e a rádio está no ar mesmo se ninguém estiver em casa.

“Bem tranquilo, apesar de parecer bagunçado. Tem uma parte aqui que você programa tudo que vai acontecer, toda a parte obrigatória, como prefixo, publicidades, tem que passar tem que falar a hora certa de hora… regras que você precisa seguir. Ele programa todas as playlists com parâmetros. Eu coloco a música que o menos tocou, então ele vai pegando sempre essa e separa por estilo também. Samba toca no meio-dia uma, de manhã um reggae, MPB… madrugada putaria toca.”

O estúdio da Cidadã mescla áudio e vídeo, tendência não muito escapável atualmente. Os programas transmitidos via FM 87.5 são, simultaneamente, veiculados no canal do YouTube e no site da rádio, possibilitando mais adesão do público aos programas no ar. Julio não sabe explicar o sucesso de um de seus programas, o Na Onda do Forró, apresentado por “Neguinho da Bahia”, que conversa com o público, faz piadas e realiza seus anúncios. As “tiradas” divertidas de Neguinho ser o motivo do encanto que faz a transmissão ao vivo atingirem 400 ouvintes, algo fora do comum na vida diária da rádio. Mesmo assim, foi impossível explicar como resulta em tanta audiência. Rádios comunitárias como a Rádio Cidadã estão sob as mesmas burocracias de rádios comerciais, com alguns adendos. Os radialistas de uma RC não podem anunciar os preços, a forma de pagamento de anunciantes, ou ao menos anunciar marcas que não tenham representação dentro do bairro. Mas, Neguinho da Bahia tem anunciantes de sobra.

Julio Cesar, responsável pela rádio Cidadã.
Julio trabalhou na Rádio Tupi e na Atual. Foto: Artur Santos

A lei n° 4133, de 2012, impedia as rádios comunitárias de se adequarem a qualquer tipo de financiamento público ou privado visando custear seus serviços ou melhorar as atividades a serem prestadas. Como apoio cultural, era permitido patrocínio, mas restrito apenas aos estabelecimentos situados na mesma área que o rádio estaria estabelecido. Neste ano, 2023, ao fim de agosto, a Câmara Municipal de São Paulo sediou o terceiro Congresso das Rádios Comunitárias de São Paulo, reunindo radialistas da cidade paulista e de outros estados, como do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia. Autoridades federais que também participaram dos debates, expuseram os auxílios existentes para os radialistas e apresentaram as “novidades” que visam suprir as necessidades dos comunicadores.

O principal tema da reunião foi a criação de políticas públicas e a regulação de leis vigentes direcionada às rádios comunitárias. Para se tornar um radialista desta modalidade, o processo se inicia por meio do requerimento para a abertura de uma rádio comunitária através do Plano Nacional de Outorgas (PNO), que é a identificação e seleção de municípios que ainda não têm esta modalidade comunicadora, mas que manifestaram o interesse de tê-la. Após uma série de etapas, o processo resulta no funcionamento legal do veículo de transmissão por 10 anos, podendo ser renovado por outro processo no fim da década.

Julio apresentou seu documento, uma espécie de RG (Registro Geral), mas que não o identifica enquanto um cidadão, e sim enquanto um radialista comunitário legal perante a lei. Mas, no início da vida da Cidadã, quando ainda era caracterizada como uma rádio clandestina, o atual responsável por ela chegou a entrevistar dois ministros, a qual ele não tem mais acesso atualmente. Criada em 1994, era assim que tinha que ser. Clandestina ou regularizada, as Rádios Comunitárias servem uma função social nos bairros em que atuam.

Em 1970, as da Zona Leste eram caixas de som hasteadas em um pau nas esquinas, disseminando informação que se recusava a chegar nas periferias pelos meios tradicionais. A criatividade é a saída. As favelas oferecem um público muito mais engajado, mais do que qualquer outro. Até a transmissão da queima de fogos realizada aos finais de anos, apenas por áudio acontecia, e mesmo que sem a imagem, atraía público a rádio. Pessoas de outras regiões, inclusive mais nobres, paravam para observar em um local que já ocupava o triplo de pessoas de sua capacidade. Mesmo com todo o engajamento, não é suficiente para tornar a Cidadã autofinanciável. De acordo com a lei já citada, as rádios comunitárias, assim como as educativas, conseguem financiamento por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Trata-se de empréstimo realizado por este órgão com a finalidade de modernização, aquisição de equipamentos e instalação de sistemas radiantes.

A feira contou com várias atrações culturais e gastronômicas, propondo uma viagem para alem da Índia
por
Vitor Nhoatto
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22/09/2023 - 12h

Na Avenida Paulista neste sábado (16), em um imponente prédio com o letreiro Club Homs, uma aglomeração sugeria algo especial.  Ao entrar e subir as escadas, um forte odor de especiarias atiçava o olfato dos visitantes, e um mundo de cores e sons animavam a todos. Ali acontecia um festival indiano totalmente vegano. A feira anual de entrada gratuita trouxe um pedaço do país asiatico ao centro de São Paulo. Por meio da sua culinária intensa; música tradicional "kirtana"; rituais religiosos e muitas bancas de diversos produtos artesanais.

Tendo seu início às 11h e término às 22h , o evento possibilitou uma imersão na cultura indiana, tão rica e diferente aos olhos ocidentais. No entanto, vários idiomas se misturavam no ar, e à medida que se avançava pelo grande salão do tradicional clube paulista, bandeiras e símbolos de vários países, levavam os presentes a uma viagem pelo mundo.

Prato preto redondo sob uma mesa com espetos veganos de calabresa, frango e camarão junto a um pouco de farofa com uma pimenta vermelha em cima, maionese vegana e um pouco de folhas de faces crespas picadas
Churrasco sem crueldade é a proposta do restaurante Nega Fulô, idealizado por mulheres negras - Foto: Vitor Nhoatto

Servindo como deliciosos aperitivos para abrir o apetite, em meio a uma mesa de doces árabes e uma de mini pizzas, estava o quiosque do Nega Fulô. O restaurante, localizado na zona leste da capital paulista, levou até o evento um churrasco sem crueldade animal, com opções de espetinhos de calabresa, frango, camarão, kafta e cogumelos. Com a maioria dos sabores tendo como base proteína de soja, fécula de mandioca e condimentos diversos, os preços variavam entre R$14 e R$17 cada, com direito a três acompanhamentos: uma deliciosa veganese, uma farofa com ou sem pimenta e um pouco de salada de repolho com acelga.

Para beber, uma ótima opção era a Kombucha da barraca Amigos da vida, empresa do interior de São Paulo que desde 2014 produz artesanalmente as bebidas, as quais são orgânicas, veganas e sem aditivos artificiais. Custando R$14 a garrafa de 300ml, a bebida levemente gaseificada e com propriedades medicinais, é obtida a partir da fermentação dos seus ingredientes. Os sabores disponíveis eram: uva, hibisco e gengibre, e romã.

Varias pessoas de roupas coloridas sentadas no chão de um palco com cortinas vermelhas ao fundo, tocando instrumentos musicais orientais e cantando música tradicional indiana Kirtana
Apresentação de música tradicional indiana "kirtana"durante o ritual de bençãos no festival - Foto: Vitor Nhoatto

A maioria das opções de comida enfrentavam filas. Depois do pedido feito, o tempo de espera era de até 50 minutos, mas muitas outras atrações encantavam o público e faziam o tempo voar. Na feira estavam presentes camisetas indianas e hijabs; cosméticos naturais brasileiros; semijoias peruanas; e perfumes e livros árabes, todos esses artesanais, veganos e com uma história diferente para contar.

Além dos vários produtos à venda, atrações gratuitas ocorreram, aulas de yoga, rodas de meditação, sessões de pintura facial e um enorme ritual hindu de bênçãos com o guru indiano Paramahamsa Vishwananda. A trilha sonora ficou com as apresentações ao vivo de "kirtana", uma música tradicional do país asiatico.

Prato de papel alumínio com arroz temperado amarelo, samosas de legumes e uma salada de alface crespa e tomates em cubo, sob uma mesa bege de madeira junto a um garfo de plástico transparente, copo de papel com sopa de lentilhas, e um copo de plástico transparente com o suco Nimbu Pani indiano de aparência verde
Carro-chefe do festival, refeição indiana completa, e o suco Nimbu Pani, típicos da Índia - Foto: Vitor Nhoatto

A estrela do festival foi a refeição indiana completa, oferecida pelo restaurante Estação Vegana, com unidade fixa na Liberdade. O prato de R$40 era composto pelo Jeera Rice (arroz com açafrão e cominho), Dahl de lentilhas com especiarias, samosas de legumes, um salgado típico indiano e uma porção de salada para equilibrar a picância. Para beber, havia o Nimbu Pani, suco de limão, hortelã e cominho; e o Chai, bebida quente de leite vegetal com especiarias, ambos por R$12. No quesito sobremesa, o quiosque de temática anime, Xoxurros, oferecia churros ou açaí entre R$14 e R$20, dependendo do tamanho e adicionais. Havia também em outras bancas, brownies artesanais por R$10, ou brigadeiros por R$5.

Em um mar de pessoas tão diferentes, e ecobags com “somos parte do futuro” escrito, a valorização da diversidade e a mistura cultural prevaleciam, além do respeito pelas etnias e animais. O festival indiano organizado pela Vegnice acontece anualmente, mas outras feiras ocorrem ao longo do ano, demonstrando a versatilidade e sabor da comida vegana.

Para ter um gostinho do que rolou, confira o vídeo  no Instagram da AGEMT.

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O restaurante com culinária tailandesa autêntica possui unidades na Liberdade e em Pinheiros
por
Camila Stockler
Fernanda Querne
João Curi
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08/09/2023 - 12h

                                Legenda: O carro-chefe Pad Thai / Por: Camila Stockler

Subindo a rua Galvão Bueno e virando à esquerda na rua Barão de Iguape, no bairro da Liberdade, em São Paulo, já é possível notar algumas bandeiras tailandesas. E apesar delas, a porta é simples e durante a semana é preciso tocar a campainha. Ao entrar, tudo acontece ao mesmo tempo: o cheiro agridoce invade as narinas, as atendentes tailandesas perguntam “quantas pessoas?”, e em todo o salão há  decorações budistas, souvenires tailandeses e até retratos da monarquia desse país do Sudeste Asiático. Depois de um primeiro choque, é possível notar que este lugar além de um restaurante é um local de divulgação da cultura tailandesa. E é assim que se entra  no restaurante Thai E-San, da chef tailandesa Tookta Chomnuk.

Assim, a recomendação da AGEMT para quem nunca experimentou comida tailandesa, é o pad thai. Esse prato é o carro chefe de qualquer restaurante tailandês que se preze, e é o prato mais famoso da Tailândia. Sendo uma combinação agridoce de macarrão de arroz, legumes, tofu, ovo e a carne da sua escolha (frango, bovino, camarão ou tofu), tem o preço variando de 45 a 52 reais dependendo da carne. 

Além disso, tradicionalmente a culinária tailandesa é caracterizada pela presença do camarão, pimenta e arroz, mas o restaurante demonstra que a culinária tailandesa é muito mais que isso. E além de poder escolher o tipo da carne, é possível tornar a maioria dos pratos vegetarianos ou inclusive, veganos. Para quem não lida bem com a pimenta: fique tranquilo que a maioria dos pratos é possível regular o nível dela. 

                   Legenda: O Khaw Ung sticky rice na vasilha de bambu/ Por: Camila Stockler

Com currys e sopas distintas é possível experimentar desde um prato executivo como o Pad Kra Paw, que custa entre R$35,00 e R$40,00, para quem gosta de pimenta. Ou até o Khao Pad Sapparod, entre R$62,00 e R$72,00, que é apresentado em um abacaxi. Há o   Khaw Ung (sticky rice - R$12). Esse acompanhamento vem em uma vasilha de bambu feito no vapor, e por ser feito com arroz do tipo moti, é bem grudento (e muito saboroso) e é ótimo com currys

                             Legenda: O Pad Kra Paw e o Thai Tea com leite / Por: Camila Stockler 

Mas não é só de pratos que sobrevive a culinária tailandesa. Outro carro-chefe é o thai tea (R$13), um chá gelado de coloração laranja e especiarias que faz qualquer um se apaixonar, trazendo até um gosto de infância. Aliás, há duas opções: com leite e sem, ambas igualmente boas e ótimas para o calor. Além disso, a sobremesa mais tradicional é a Khaoeni Mamuang (R$23), um arroz moti adocicado e com extrato natural de folha de pandan, coberto com leite de coco e manga.

E neste ano, o Thai e San abriu outra casa em Pinheiros na Rua Cunha Gago, 399. Ambos os endereços fazem entregas pelo Ifood, Rappi e Vou de Nekô. Além disso, recentemente, o Thai tea entrou para o cardápio do delivery. Para saber mais, confira o vídeo no instagram da AGEMT. 

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