Representante de bloco tradicional da cidade faz alerta sobre o fenômeno de entrega da folia a iniciativa privada
por
Cecília Schwengber
Helena Barra
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29/03/2026 - 12h

A Prefeitura de São Paulo contrariou as próprias regras ao liberar, no dia 8 de fevereiro, a saída do megabloco da Skol, marcado pela superlotação. O desfile comandado pelo DJ Calvin Harris aconteceu na Rua da Consolação, no Centro, reunindo aproximadamente 1,6 milhão de foliões. Tradicionalmente, a via é destinada somente ao Acadêmicos do Baixo Augusta. Segundo o Guia de Regras e Orientações do Carnaval da prefeitura, não seriam aceitas novas inscrições para os períodos de pré e pós-carnaval em nenhuma região da cidade. 

"Eu acho que a primeira coisa importante da gente estabelecer é que o carnaval é um direito garantido na Constituição Federal. Há uma cidadania cultural. […] Eu estou falando isso porque, numa cidade do tamanho de São Paulo, é preciso organizar minimamente o carnaval de rua. Principalmente quando se têm blocos gigantes. É papel do poder público garantir a existência, a tradição e as práticas dos blocos”, afirma Lira Alli, porta-voz do Vai Quem Qué, que analisa a ascensão dos blocos comerciais em detrimento dos blocos comunitários, que fazem parte da tradição do carnaval de rua paulistano. 

Para os desfiles fora do calendário oficial, as exceções seriam avaliadas pela Comissão Especial de Organização do Carnaval de Rua 2026. O desfile do bloco Skol foi, portanto, a exceção especialmente aprovada. O domingo de pré-carnaval na Rua da Consolação é reservado ao Acadêmicos do Baixo Augusta, que costuma atrair mais de 1 milhão de foliões. Neste ano, no entanto, seu desfile teve de dividir o espaço com o Bloco Skol, com horários de concentração separados por apenas três horas. A ocorrência previsível de superlotação causou tumulto e fez com que dezenas de pessoas precisassem ser socorridas após passarem mal. Na tentativa desesperada de aliviar o gargalo humano, grades e estruturas foram derrubadas. 

Financiamento público se tornando privado 

A gestão Ricardo Nunes (MDB) reduziu em R$ 12 milhões o orçamento destinado à estrutura e à organização do carnaval de rua de São Paulo deste ano. Em 2025, a prefeitura investiu R$ 42,5 milhões em infraestrutura, com patrocínio de R$ 27,8 milhões da Ambev. Para 2026, o valor caiu para R$ 30,2 milhões — uma redução de 29%. Tal valor foi integralmente bancado pelo patrocínio da multinacional, que custeou toda a estrutura necessária para os oito dias de folia, como banheiros químicos, gradis, tapumes e contratação de produtores. Desde 2024, a SPTuris, empresa municipal de turismo e eventos, é responsável por toda a infraestrutura e produção do carnaval, incluindo a contratação de banheiros químicos, equipamentos, produção de material informativo, organização dos locais de desfile e sinalização dos circuitos. Durante coletiva de imprensa realizada no dia 30 de janeiro, o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, anunciou que 100% da estrutura do carnaval seria paga pela iniciativa privada (Ambev).  

Apenas os custos das áreas de segurança — que envolvem as polícias Militar, Civil e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) — e de trânsito, sob responsabilidade da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), continuaram a cargo do poder público municipal e estadual. 627 blocos de rua foram registrados e desfilaram nas ruas da cidade, em todas as regiões, com 11 megablocos se apresentando nos principais circuitos de cortejos — um recorde de blocos inscritos. Com o orçamento do patrocínio de 2026, houve queda de 37% no número de banheiros químicos disponíveis. Em 2025, os circuitos contavam com cerca de 6000 banheiros. Já em 2026, estima-se que havia apenas 3800. 2200 a menos que no ano anterior. 

Enquanto privatiza a sua organização, São Paulo viveu em 2026 o maior carnaval de sua história. De acordo com o Observatório do Turismo, a festa reuniu 17,3 milhões de pessoas nos blocos de rua e no Sambódromo do Anhembi, movimentou R$ 4 bilhões na economia da capital e gerou 55 mil empregos diretos e indiretos, consolidando-se como a maior edição já realizada na cidade. 

 

“A verdade é que esses c*nalhas não suportam nossa alegria. porque alegria não é só um sentimento pra gente: é forma de viver, construir comunidade, libertar nossos corpos e desejos”. Foto e legenda no post de @liraalli no Instagram.
Crédito: @liraalli no Instagram.

A Lei nº 14.845, sancionada em abril de 2024, reconhece blocos e bandas de Carnaval como manifestação da cultura nacional. A norma federal assegura o livre desfile dessas manifestações, protegendo suas músicas, práticas e tradições como patrimônio cultural. O bloco Vai Quem Qué, assim como outros, sofreu uma dispersão truculenta com o uso de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral contra os foliões realizada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo. Lira ressalta a negligência de manter estruturas básicas para os foliões nas mãos da iniciativa privada. “Considero que é papel da prefeitura oferecer e custear as estruturas para a cidade funcionar bem no carnaval e poder acolher essa festa popular que é tão importante, e que gera tanto recurso” e acrescenta: "o fundamental é principalmente os banheiros. Na verdade, se vivêssemos numa cidade minimamente decente, teríamos banheiros públicos em lugares de grande circulação não apenas durante o carnaval".

Os foliões também precisam de água gratuita, bebedouros de água potável nas ruas. Ainda mais em tempos de crise climática. Lira argumenta que o que tem acontecido com o carnaval é que a lógica imposta, não somente sobre a folia, mas sim toda a cidade de São Paulo, é uma lógica de privilegiar os mega eventos e as empresas em detrimento das pessoas. Atualmente a Ambev, empresa que coordena o carnaval de São Paulo, manda mais do que a própria prefeitura e os blocos. É o que se tem chamado como “ambevização” do carnaval de rua. “Estamos passando por um momento de crise do carnaval de rua comunitário”, alerta Lira. O carnaval que transformou a capital paulista numa grande potência tem como característica justamente a diversidade: bloco de tudo quanto é tipo, em tudo quanto é lugar, tocando todos os tipos de música, com as mais variadas formas de expressão… é o carnaval mais diverso do nosso país", afirma.  

Lira argumenta que “esse carnaval vem sendo pasteurizado na medida que é entregue à iniciativa privada, de modo a se adequar a um formato que consiga atrair um público maior, gerando renda para a patrocinadora. E isso não é exatamente carnaval, é uma coisa extremamente comercial. O carnaval de São Paulo se transformou em um grande negócio”. 

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À frente de seu tempo, Maria Luiza Nunes rompeu barreiras, buscou independência desde jovem e transformou essa visão em projetos sociais
por
Victória Rodrigues
Isabella Damião
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20/03/2026 - 12h

Maria Luiza das Graças Nunes, é fundadora da organização social sem fins lucrativos Fênix, que opera com uma base de 550 funcionários, no bairro do Tatuapé, na zona leste da capital paulista. Essa Organização Social de Saúde é uma entidade privada sem fins lucrativos, que se mantém com a prestação de serviço a Unidades de Pronto Atendimento, que envolve pequeno e médio diagnóstico e administração. “Você compra desde o remédio até o serviço de engenharia”, Maria Luiza explica. 

Nascida em 8 de agosto de 1948, uma mulher independente, à frente de seu tempo, nunca se importou com os julgamentos que seus sonhos acarretavam. Viveu a primeira infância em uma fazenda no estado de Minas Gerais com sua família, mas, ainda na pré-adolescência aos 13 anos de idade, se mudaram para São Paulo. “Nós viemos para São Paulo, mas porque meu pai era muito bem de vida, muito rico, mas acabou perdendo tudo”, conta.

Já na grande metrópole no ano de 1962, Maria Luiza começou a trabalhar no bairro do Brás (SP), incentivada pela mãe a buscar sua própria independência desde jovem: “A minha mãe era muito independente, autoritária dentro de casa. Meu pai era fazendeiro, não tinha instrução, mas tinha dinheiro”. 
Quatro anos após sua chegada em São Paulo, Maria conhece o homem que seria seu primeiro marido. Casou-se ainda nova, aos 17 anos. Seus pais não estavam de acordo, mas quando Maria Luiza coloca algo na cabeça, ninguém a impede de executá-lo.

“Eu me casei muito nova, na época não entendia o que é o amor. Eu fui envolvida, comecei a namorar e dentro de um ano ele quis casar. Eu não estava grávida, mas casei. Meus pais não deram muita opinião no casamento, porque eu sou muito xereta e muito independente. Eles diziam: ‘Quer casar, casa’”.
Em 1965, no mesmo ano em que casou, a jovem das Graças, engravidou de sua filha mais velha. Casada com um militar e com uma recém-nascida, ela precisou parar de trabalhar e dedicar-se à família. 
Apesar de aparentar o modelo de família tradicional brasileira, ela sentia que queria mais da vida, no entanto, em um relacionamento com um companheiro ciumento, Maria não encontrava o caminho para conseguir buscar a sua felicidade.

“Meu primeiro marido, era militar e muito ciumento, não deixava sair nem na porta. Mas na minha família, dizemos que precisa das mulheres ser muito independente, aí eu me separei dele, aos 21 anos, com uma filha de quase 3 anos. Mas ele era apaixonado por mim e pediu pra voltar. Nós voltamos, mas com a condição de que eu pudesse voltar a trabalhar e terminar meu curso médio (Ensino Médio)”, relata.
Com a ajuda de uma amiga, Maria Luiza, voltou a trabalhar. Conseguiu um emprego  no Hospital Tide Setúbal, na zona leste de São Paulo. No novo emprego, ela conseguiu dar mais um passo em seus objetivos: voltou a estudar para concluir o ensino médio e, paralelamente, iniciou o curso de Técnica de Enfermagem no Centro Universitário Braz Cubas, em Mogi das Cruzes (SP).  Passados os três anos de curso, foi promovida e assumiu a chefia do departamento de recursos humanos do hospital. “Eu fui a única da minha família a fazer curso universitário”, conta com orgulho.

Dedicada ao seu trabalho, participava ativamente da comunidade hospitalar e do cuidado com pacientes. Com o esforço do seu trabalho, ela pode arcar com os custos dos estudos de sua maior incentivadora, sua mãe. “Eu fui incentivada pela minha mãe. E, com o primeiro salário que eu tive, eu paguei o curso de cabeleireiro para ela. Cheguei a trabalhar aos finais de semana fazendo hora extra para comprar o material. E quando ela se formou, abriu um salão na frente de casa, o que trouxe uma renda a mais.”
Ainda na gerência do RH do hospital Tide Setúbal, Maria Luiza ingressou na antiga Faculdade Zona Leste no curso de Serviço Social. Para dar conta das demandas do departamento e dos estudos, passou a incentivar a autonomia dos setores do hospital.

Com as inovações que implementava  para melhorar o funcionamento do hospital, Nunes passou a ganhar reconhecimento e confiança das chefias e dos médicos de alto cargo. “Conheci o Dr. Marco Aurélio, Dr. Gildo, e o Dr. Tércio, que era superintendente da    Santa    Casa de São Paulo. E quando eu estava, Dr. Técio falou, ‘agora você vai fazer administração hospitalar’ e eu fui estudar Administração Hospitalar na Faculdade São Camilo”.

Com a formação em Administração Hospitalar, e dentro da administração, Nunes começou a conhecer políticos que chegavam pedindo atendimentos. A partir dessas relações,foi convidada para atuar como assessora de um vereador, além de ser transferida para o Hospital do Servidor Público Municipal. Lá se tornou responsável pela área de Recursos Humanos.

Maria Luiza criou uma rede diversificada de contatos. chegou a conhecer Paulo Maluf, ex-Deputado e ex-Governador do Estado de São Paulo, que a inseriu no gabinete do prefeito, cargo que Maluf ocupava. Nessa época, ela emergiu financeiramente e socialmente. 
Foi nesse contexto que surgiu seu primeiro projeto de assistência social: uma casa de idosos. “Fazia matrícula de idosos nos postos [de saúde], conseguia remédio, fazia fisioterapia.” Segundo a entrevistada, ela tinha nascido com esse instinto social. “Eu via necessidade, nunca fiz para me promover. Nunca foi isso, nunca mesmo.”

Maria Luiza engajou, em seguida, em outros projetos: a direção do PAS no bairro de Ermelino (SP), e assumiu a presidência da cooperativa de nível médio e logo depois, de nível universitário também. Entrou em um projeto da Secretária do Trabalho em São Paulo, com cerca de 5 mil alunos em cursos especializantes em toda Grande São Paulo. “Ofereciamos especialização para o  pessoal que estava desempregado.” 

Sede da Fênix do Brasil, na Zona Leste de São Paulo | Foto: Isabella Damião/AGEMT
Sede da Fênix do Brasil, na Zona Leste de São Paulo | Foto: Isabella Damião/AGEMT


Ao entrarmos na vida pessoal, Nunes coloca “Eu nunca pus a minha família em primeiro lugar”. Seus dois maridos, que os casamentos duraram 17 e 14 anos respectivamente, não incentivaram sua carreira. “O primeiro não suportava. Mas o segundo não se incomodava”. Além disso, relata que recebeu muitos julgamentos durante a vida. “Que eu era fora da casinha, que eu era muito atirada, que eu era muito além da minha época”, diz.

Os projetos sociais, para Maria Luiza, foram uma realização pessoal. Ao ser perguntada sobre arrependimentos, afirma não ter nenhum. “Só me arrependo de ter parado de estudar, porque era para eu ser uma engenheira da NASA.” 

No final, Maria Luiza deu um conselho: “Mulher tem que ser independente financeiramente e intelectualmente. Porque, senão, ela fica para trás”. 

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O acidente ocorreu durante uma obra da companhia em Mairiporã; a vítima trabalhava no local do acidente
por
Marcelo Barbosa
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13/03/2026 - 12h

 

Uma pessoa morreu e outras sete ficaram feridas, após o rompimento de uma caixa d'água da SABESP, na Rua Jacarandá, no bairro Jardim Nery, em Mairiporã, região metropolitana de São Paulo, na última quarta-feira (11).

Segundo informações preliminares da Prefeitura de Mairiporã, o fato ocorreu por volta das 10h45. A vítima, um homem, trabalhava na obra que era realizada no local. Além do óbito, houve danos em residências e veículos atingidos pela força da água.

Em entrevista à AGEMT, Raul Sepúlveda, um morador da região em que ocorreu o incidente, relatou como foi o ocorrido. Segundo Raul, ele ficou muito preocupado e com medo ao ver a sujeira na rua, enquanto passava em frente a uma escola. “ No momento, fiquei muito surpreso, pois era muita água e lama. Eu pensei que poderia ser algum deslizamento, já que Mairiporã tem histórico”, afirmou.

Em nota, a prefeitura de Mairiporã informou que mobilizou equipes da Secretaria de Segurança Pública e da Secretaria de Desenvolvimento Social, que atuam no local prestando atendimento e apoio às famílias afetadas.

 

Reprodução: Corpo de Bombeiros | Imagem da caixa d´água amassada
Reservatório de água que causou a enxurrada ficou destruído. Foto: Reprodução/ Corpo de Bombeiros 



Ainda de acordo com a prefeitura, 25 famílias foram atendidas até o momento,  totalizando 82 pessoas. Entre elas, 10 famílias estão sendo acolhidas em hotéis, enquanto 16 famílias foram encaminhadas para casas de familiares. Também houve resgate de animais que estavam nas residências atingidas.

Entre os feridos, nove foram encaminhados para o atendimento médico do Hospital Anjo Gabriel e seis deles já tiveram alta.

A Prefeitura informou que será realizada uma reunião  no gabinete de crise instalado e que será decretada Situação de Emergência nas áreas atingidas, que vão desde o bairro Jardim Nery até o Capoavinha.

A Defesa Civil também realizou, no dia 12 de março, uma vistoria técnica nos imóveis atingidos, com objetivo de identificar residências que precisaram ser interditadas temporariamente  ou permanentemente. No total, sete casas foram interditadas.

Segundo a Secretaria de Gestão Estratégica, a Secretaria de Desenvolvimento Social, que gerencia as políticas públicas de assistência social no município, fará o levantamento individualizado das famílias afetadas, registrando perdas materiais e demandas específicas, a fim de consolidar relatório detalhado para fins de ressarcimento dos prejuízos pela SABESP.
 

Reprodução: Lagomuller/ Instagram | Imagem da caixa d´água que estourou
Reservatório antes do acidente. Foto: Reprodução/Lagomuller

A Secretaria de Obras, responsável por gerenciar projetos e execuções de infraestrutura urbana no município elaborará relatório técnico das intervenções emergenciais necessárias, definindo as prioridades para recuperação das áreas atingidas.

O Governo do Estado afirma que está focado em garantir prioridade para o atendimento às pessoas afetadas. A Secretária de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, e o Secretário-chefe da Casa Civil, Roberto Carneiro, também apuram o ocorrido.

O Município irá formalizar ofício, solicitando esclarecimentos sobre as causas do acidente, as medidas de reparação dos danos e a forma de compensação às famílias afetadas.

Em nota à AGEMT,  a SABESP informou que realizou, na manhã desta quinta-feira (12), uma reunião com os moradores do bairro Capoavinha, em Mairiporã. Confira a nota na íntegra:

“Como medida inicial e emergencial, a empresa anunciou aos moradores que fará uma transferência de R$2 mil para aqueles que tiveram seus imóveis vistoriados, a fim de ressarcir urgências pontuais, como remédios e alimentação. 

Há uma van disponibilizada pela Sabesp para atendimento aos moradores, na esquina da rua São Marcos com a Santo Antônio, e também no CRAS (rua Charlotte Szirmai, 1.820) para atendimento, cadastro e dúvidas.

A prioridade da Sabesp, no momento, é atender aos moradores. As causas do acidente seguem sendo investigadas pelos órgãos competentes e pela própria Sabesp.

Durante a madrugada, cerca de 60 técnicos participaram do trabalho de limpeza das ruas e casas. 

A Companhia reitera que lamenta profundamente o falecimento de um colaborador da empresa contratada na construção de uma caixa-d’água no bairro Capoavinha em Mairiporã. A Sabesp pede desculpas a todos pelo ocorrido e se solidariza com os envolvidos”


Até o momento, o Município alega não ter recebido comunicação oficial da empresa com informações técnicas sobre as causas do ocorrido, que seguem sendo apuradas pelos órgãos competentes.

 

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Cidades no litoral e interior de SP sofrem com enchentes e situação de emergência
por
Marcello Ricardo Toledo
|
05/03/2026 - 12h

 

Enchentes em Ubatuba causados pelos grandes temporais  Reprodução: Prefeitura Municipal de Ubatuba
Enchentes em Ubatuba causados pelos grandes temporais-Foto: Prefeitura Municipal de Ubatuba/ Divulgação

Na sexta-feira (23), chuvas fortes atingiram o estado de São Paulo causando alagamentos, deslizamentos e problemas diversos em muitas cidades. Entre os municípios mais afetados estão Peruíbe, Natividade da Serra e Ubatuba, que tiveram de decretar estado de emergência.

Em Peruíbe, no litoral sul, a situação é crítica. Após a chuva de mais de 400 milímetros em apenas 48 horas, a cidade registrou mais de 100 desalojados, segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo. A quantidade de chuva, maior que a média histórica de fevereiro, provocou alagamentos e obrigou os moradores a deixarem suas casas.

Equipes de resgate e assistência social trabalham para acolher as famílias afetadas, que foram encaminhadas para abrigos provisórios. A Defesa Civil monitora as áreas de risco e orienta a população a permanecer em locais seguros, diante da possibilidade de novos deslizamentos e enchentes.

Em Natividade da Serra, no interior do estado, o temporal causou a morte de 19 pessoas, segundo o governo estadual de São Paulo. As autoridades locais prestam apoio às comunidades afetadas e avaliam os danos causados pela tempestade. A principal  preocupação é com a infraestrutura da região e a segurança dos moradores, principalmente em áreas rurais.

Imagens da Defesa Civil em ação e alertas emitidos para regiões do litoral paulista, com foto de equipes e dos alertas
Agentes da defesa civil em ação na emissão de alertas para regiões do litoral paulista-Foto: Defesa Civil-SP

 

Já em Ubatuba, no litoral norte, o município decretou situação de emergência, o que significa que a prefeitura poderá utilizar recursos com mais rapidez para atender aos moradores, realizar obras urgentes e atuar em conjunto com os governos estadual e federal. As prioridades incluem a desobstrução de vias, monitoramento de rios e encostas e o apoio às famílias que tiveram suas casas atingidas.

Órgãos governamentais, como a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, estão em vigilância constante, aconselhando a população a evitar zonas inundadas, a observar indícios de desmoronamento e seguir as instruções das autoridades. As equipes de resgate e as assistências sociais continuam atuando nas áreas mais afetadas, enquanto as prefeituras iniciam o planejamento para a recuperação das cidades.
 

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Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Diversos túmulos são ornados como um ato de fé, manifestando uma visão religiosa do pós-morte
por
Felipe Oliveira
|
19/06/2023 - 12h

A morte é vista de maneira diferente em diversas culturas. Para os cristãos, a vida na Terra é apenas passageira, na qual o paraíso ou inferno será sua nova e eterna morada dependendo dos seus atos enquanto vivo. É comum ver inúmeras estátuas ou símbolos referentes à religião cristã em seus túmulos, como descrição de fé. O Cemitério Protestante da Consolação, zona central de São Paulo, não é diferente nesse quesito.

Veja a seguir algumas imagens de sepultamentos de um Cemitério Protestante:

Entrada do cemitério
Portão do cemitério. Autor: Felipe Oliveira
estátua e cruz
Estátua da crucificação de Jesus. Autor: Felipe Oliveira
saudade
A saudade de um ente querido. Autor: Felipe Oliveira
três cruzes
Anjos carregando Jesus. Autor: Felipe Oliveira
luz no fim do túnel
Estátua de Jesus e grande túmulo. Autor: Felipe Oliveira
cruz deitada
Cruz deitada. Autor: Felipe Oliveira
representatividade de Maria abraçando Jesus
Representatividade de Maria abraçando Jesus. Autor: Felipe Oliveira
bela escultura
Túmulo ornamentado com esculturas de anjos. Autor: Felipe Oliveira
Uma simples caminhada é capaz de revelar o descaso de governantes com São Paulo.
por
Guilherme Gastaldi
|
19/06/2023 - 12h

Os anos passam, nova gestões vem e vão, mas o descaso e a despreocupação com a cidade de São Paulo permanece, e são evidentes. Em uma simples caminhada, ou um passeio de carro, é possível observar casas e construções claramente abandonadas e até mesmo, inacabadas, deixadas de lado por anos. Além, é claro, dos danos à paisagem urbana, existem sérios riscos de segurança, como é o caso do Edifício garagem da Rua do Carmo, localizado no centro histórico e que foi construído na década de 1960. O constante abandono e negligência das autoridades com o bem-estar da comunidade vão lentamente decretando a decadência e a morte dos nosso arredores.

 

Construção inacabada e abandonada.
R. Dr. Miranda de Azevedo, 350 - Pompeia, edifício abandonado. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

Construção inacabada e abandonada (zoom).
Detalhes do edifício abandonado na Pompeia (Foto: Guilherme Gastaldi)
Construção inacabada e abandonada (parede).
Parede do edifício abandonado na Pompeia (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prédio inacabado e abandonado.
Edifício garagem inacabado da Rua do Carmo. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

Prédio inacabado e abandonado (de lado).
Edifício garagem inacabado da Rua do Carmo. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

Prédio inacabado e abandonado (zoom).
Detalhes do Edifício garagem inacabado da Rua do Carmo. (Foto: Guilherme Gastaldi)
Prédio inacabado e abandonado (detalhes).
Detalhes do Edifício Garagem, na Rua do Carmo. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prédio inacabado e abandonado (arame).
Edifício garagem inacabado da Rua do Carmo entre arames farpados. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

Prédio inacabado e abandonado (arame).
Edifício garagem inacabado da Rua do Carmo com arames farpados. (Foto: Guilherme Gastaldi)
Parede com arames.
Parede com arames farpados. (Foto: Guilherme Gastaldi)

 

 

 

Sequência de fotos traz imagens do dia a dia dos cidadãos da cidade.
por
Beatriz da Cunha Porto
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16/06/2023 - 12h

A vida cotidiana é cheia de altos e baixos. Ora estamos apressados para chegar em casa, ora preferimos caminhar mais devagar conversando com amigos. Independente do momento, vida é passar por cima das adversidades e se lembrar de pequenas coisas que fazem a diferença no nosso dia, como fazer carinho num gato que encontramos na rua. As imagens a seguir são registros feitos do caminho a partir da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo até a Barra Funda e retratam o cotidiano de diversos estudantes.

imagem1
Alunos a caminho da saída da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foto: Beatriz C. Porto
imagem 2
Estudante chamando atenção do gato em rua fechada no bairro de Perdizes. Foto: Beatriz C. Porto
imagem3
Gato malhado caminhando ao sol em rua fechada no bairro de Perdizes. Foto: Beatriz C. Porto
imagem4
Saída de rua fechada em Perdizes com indicação de "sem saída". Foto: Beatriz C. Porto
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Passageiros no ponto de ônibus da Avenida Sumaré. Foto: Beatriz C. Porto
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Letreiro de ônibus via Pompeia com sentido Barra Funda. Foto: Beatriz C. Porto
imagem7
Trilhos dos trens na estação Barra Funda vista de cima da ponte. Foto: Beatriz C. Porto
imagem8
Vista de dentro do terminal de ônibus Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Foto: Beatriz C. Porto

 

A abundância de prédios em construção no bairro de Perdizes, Zona Oeste.
por
Davi Garcia
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16/06/2023 - 12h

Em reportagem do Metrópoles, foi divulgado que, na cidade de São Paulo, são erguidos 2 prédios por dia em 2022. Em 2025, a previsão é que chegue à 1.700 novos prédios, sendo aproximadamente 300 só na Zona Oeste da capital paulista. 

Com isso, surgirão 168 mil apartamentos com uma capacidade de abrigar mais de 600 mil pessoas! Novas vidas e novos lares!

Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Trabalhador em obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Trabalhador em obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Trabalhador em obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
Trabalhador em obra de prédio em construção em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. (Foto: Davi Garcia)
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Ensaio fotográfico expõe a realidade de moradores do bairro do Inocoop no Campo Limpo, zona sul de São Paulo
por
Ana Beatriz Assis
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13/06/2023 - 12h

O registro é de uma viela localizada no bairro do Inocoop, na região do Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Denominada pelos próprios moradores como “Viela 32”, o local apesar de seu estreitamento, transborda vida com as adaptações projetadas pelos residentes, que fazem o que podem com o espaço que têm. As fotografias foram feitas em março de 2023.

 

 

Visão de dentro para fora da viela. Ao lado direito encontra-se uma adega, ao esquerdo uma casa e em frente é o postinho “Alto do Umuarama” que atende os moradores da região. A foto, diferentemente das outras, é feita na horizontal para dar uma sensação de algo amplo.

 

 

 

Entrada da viela, onde localizam-se as escadas e corrimão que dão acesso ao conglomerado residencial. Os postes competem espaço com as construções e piches. É visto na fotografia a paisagem que muitas das janelas dessas casas evidenciam.

 

 

 

Identidade da viela registrada na parede com tinta cinza. Ao dar nome a viela, os moradores afirmam  a identidade do local e facilitam a organização geográfica do bairro.

 

 

Um garoto com mochila caminha no meio da viela. Quem estiver atrás, não conseguirá andar lado  a lado com ele, já que as dimensões do local não permitem. Quem anda por aí, pode ver o percurso de encanamentos, fios e corrimões soltos.

 

 

Visão de cima de um trajeto da viela. Um prédio residencial evidencia a diferença de moradia em menos de 30 metros de distância. É possível os olhares de cada realidade se encontrarem esforço.

 

 

Um dos únicos trajetos da viela com iluminação. São duas lâmpadas, uma mais alaranjada e outra branca mais à frente. A primeira, segundo moradores, foi instalada pelo governo dez anos atrás, a segunda, mais clara, foi improvisada pelo morador da respectiva casa .

 

 

Garoto dividindo espaço entre a viela e uma escada laranja com grades de proteção. Entre eles ainda existe um pequeno poste.

 

Recado deixado por morador da casa 27 em sua porta que diz: “ Sem mais visita hoje evite esculacho”

 

 

Uma pessoa olhando os arredores dentro da sua casa, que possui cor salmão, um portão de segurança e com o número 41 de identificação. O emaranhado de fios predomina na parte superior da fotografia.