Monotrilho entra em operação com linha mais curta e anúncio de expansão feito pelo governador
por
Danilo Belluzzo
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01/04/2026 - 12h
Trem do Monotrilho viajando pela Marginal Pinheiros
Trens do Monotrilho foram construídos pela empresa chinesa BYD. Foto: Divulgação/Governo de SP

O Monotrilho da Linha 17 - Ouro do Metrô foi inaugurado nesta terça-feira, 31 de março, em uma cerimônia que contou com a presença do governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A nova modalidade de transporte foi entregue depois de um atraso de doze anos e com menos da metade do trajeto planejado inicialmente.

A ideia de um modal que conecte o Aeroporto de Congonhas à rede metroviária é antiga. Foi em 2012, na gestão do atual vice-presidente Geraldo Alckmin como governador e na onda de obras de preparação da cidade para a Copa do Mundo de 2014, que se decidiu pela nova tecnologia do Monotrilho - meio de transporte em que o trem transita suspenso acima de avenidas. Diferentemente do metrô, os autores do projeto argumentaram que a modalidade seria mais rápida de ser construída e com menos impactos para a população, já que não é necessário escavar o solo para a passagem dos trilhos, o que também reduziria a necessidade de desapropriações para a realização da obra.

A realidade, porém, foi outra. Planejado para ser entregue na Copa, a obra ficou anos parada, com apenas as pilastras, que servem de base para os trens, construídas. O projeto inicial previa uma extensão de 18 quilômetros, interligando o aeroporto ao Terminal Jabaquara, da linha azul do metrô e seguindo até o Estádio Morumbi, hoje Morumbis, também conectando a favela de Paraisópolis à rede ferroviária. Nada disso se tornou realidade.

Com apenas oito estações em funcionamento e 6,7km de extensão, a obra fez com que comunidades inteiras desaparecessem. É o caso da antiga Favela Buraco Quente, que ficava localizada no fim da Espraiada, na parte em que se conecta com a Avenida Pedro Bueno, e que foi completamente destruída e seus moradores, expulsos. A motivação para a desapropriação era de que o caminho do monotrilho continuaria, como mencionado, até a estação Jabaquara do metrô. Como não aconteceu, o lugar onde antes ficava a comunidade se tornou um parque, a Área de Lazer Água Espraiada, inaugurada em julho de 2019, quando as obras foram retomadas.

 

Tarcísio de Freitas cumprimentando apoiadores na entrada do evento.
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, chega ao local do evento ao som de “Tempo Perdido” do grupo Legião Urbana. Foto: Lívia Soriano/Agemt.

 

Em seu discurso no evento de lançamento do Monotrilho, Tarcísio de Freitas retomou a promessa de expansão da linha Ouro. “Autorizar no dia de hoje o próximo projeto, a extensão, a fase dois. Agora, a gente começa a contratar o projeto de engenharia,  a revisão do projeto básico e o projeto executivo. Para fazer mais quatro estações, para fazer mais quatro quilômetros de linha dezessete, para levar esse metrô lá para Paraisópolis, para fazer a conexão com a linha quatro, e a gente não pretende parar por aí”, disse ele na ocasião.

No momento, os trens circulam em fase de testes operacionais, das 10h às 15h. A expectativa é de que, em até 90 dias, ela esteja operando totalmente.

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Representante de bloco tradicional da cidade faz alerta sobre o fenômeno de entrega da folia a iniciativa privada
por
Cecília Schwengber
Helena Barra
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29/03/2026 - 12h

A Prefeitura de São Paulo contrariou as próprias regras ao liberar, no dia 8 de fevereiro, a saída do megabloco da Skol, marcado pela superlotação. O desfile comandado pelo DJ Calvin Harris aconteceu na Rua da Consolação, no Centro, reunindo aproximadamente 1,6 milhão de foliões. Tradicionalmente, a via é destinada somente ao Acadêmicos do Baixo Augusta. Segundo o Guia de Regras e Orientações do Carnaval da prefeitura, não seriam aceitas novas inscrições para os períodos de pré e pós-carnaval em nenhuma região da cidade. 

"Eu acho que a primeira coisa importante da gente estabelecer é que o carnaval é um direito garantido na Constituição Federal. Há uma cidadania cultural. […] Eu estou falando isso porque, numa cidade do tamanho de São Paulo, é preciso organizar minimamente o carnaval de rua. Principalmente quando se têm blocos gigantes. É papel do poder público garantir a existência, a tradição e as práticas dos blocos”, afirma Lira Alli, porta-voz do Vai Quem Qué, que analisa a ascensão dos blocos comerciais em detrimento dos blocos comunitários, que fazem parte da tradição do carnaval de rua paulistano. 

Para os desfiles fora do calendário oficial, as exceções seriam avaliadas pela Comissão Especial de Organização do Carnaval de Rua 2026. O desfile do bloco Skol foi, portanto, a exceção especialmente aprovada. O domingo de pré-carnaval na Rua da Consolação é reservado ao Acadêmicos do Baixo Augusta, que costuma atrair mais de 1 milhão de foliões. Neste ano, no entanto, seu desfile teve de dividir o espaço com o Bloco Skol, com horários de concentração separados por apenas três horas. A ocorrência previsível de superlotação causou tumulto e fez com que dezenas de pessoas precisassem ser socorridas após passarem mal. Na tentativa desesperada de aliviar o gargalo humano, grades e estruturas foram derrubadas. 

Financiamento público se tornando privado 

A gestão Ricardo Nunes (MDB) reduziu em R$ 12 milhões o orçamento destinado à estrutura e à organização do carnaval de rua de São Paulo deste ano. Em 2025, a prefeitura investiu R$ 42,5 milhões em infraestrutura, com patrocínio de R$ 27,8 milhões da Ambev. Para 2026, o valor caiu para R$ 30,2 milhões — uma redução de 29%. Tal valor foi integralmente bancado pelo patrocínio da multinacional, que custeou toda a estrutura necessária para os oito dias de folia, como banheiros químicos, gradis, tapumes e contratação de produtores. Desde 2024, a SPTuris, empresa municipal de turismo e eventos, é responsável por toda a infraestrutura e produção do carnaval, incluindo a contratação de banheiros químicos, equipamentos, produção de material informativo, organização dos locais de desfile e sinalização dos circuitos. Durante coletiva de imprensa realizada no dia 30 de janeiro, o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, anunciou que 100% da estrutura do carnaval seria paga pela iniciativa privada (Ambev).  

Apenas os custos das áreas de segurança — que envolvem as polícias Militar, Civil e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) — e de trânsito, sob responsabilidade da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), continuaram a cargo do poder público municipal e estadual. 627 blocos de rua foram registrados e desfilaram nas ruas da cidade, em todas as regiões, com 11 megablocos se apresentando nos principais circuitos de cortejos — um recorde de blocos inscritos. Com o orçamento do patrocínio de 2026, houve queda de 37% no número de banheiros químicos disponíveis. Em 2025, os circuitos contavam com cerca de 6000 banheiros. Já em 2026, estima-se que havia apenas 3800. 2200 a menos que no ano anterior. 

Enquanto privatiza a sua organização, São Paulo viveu em 2026 o maior carnaval de sua história. De acordo com o Observatório do Turismo, a festa reuniu 17,3 milhões de pessoas nos blocos de rua e no Sambódromo do Anhembi, movimentou R$ 4 bilhões na economia da capital e gerou 55 mil empregos diretos e indiretos, consolidando-se como a maior edição já realizada na cidade. 

 

“A verdade é que esses c*nalhas não suportam nossa alegria. porque alegria não é só um sentimento pra gente: é forma de viver, construir comunidade, libertar nossos corpos e desejos”. Foto e legenda no post de @liraalli no Instagram.
Crédito: @liraalli no Instagram.

A Lei nº 14.845, sancionada em abril de 2024, reconhece blocos e bandas de Carnaval como manifestação da cultura nacional. A norma federal assegura o livre desfile dessas manifestações, protegendo suas músicas, práticas e tradições como patrimônio cultural. O bloco Vai Quem Qué, assim como outros, sofreu uma dispersão truculenta com o uso de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral contra os foliões realizada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo. Lira ressalta a negligência de manter estruturas básicas para os foliões nas mãos da iniciativa privada. “Considero que é papel da prefeitura oferecer e custear as estruturas para a cidade funcionar bem no carnaval e poder acolher essa festa popular que é tão importante, e que gera tanto recurso” e acrescenta: "o fundamental é principalmente os banheiros. Na verdade, se vivêssemos numa cidade minimamente decente, teríamos banheiros públicos em lugares de grande circulação não apenas durante o carnaval".

Os foliões também precisam de água gratuita, bebedouros de água potável nas ruas. Ainda mais em tempos de crise climática. Lira argumenta que o que tem acontecido com o carnaval é que a lógica imposta, não somente sobre a folia, mas sim toda a cidade de São Paulo, é uma lógica de privilegiar os mega eventos e as empresas em detrimento das pessoas. Atualmente a Ambev, empresa que coordena o carnaval de São Paulo, manda mais do que a própria prefeitura e os blocos. É o que se tem chamado como “ambevização” do carnaval de rua. “Estamos passando por um momento de crise do carnaval de rua comunitário”, alerta Lira. O carnaval que transformou a capital paulista numa grande potência tem como característica justamente a diversidade: bloco de tudo quanto é tipo, em tudo quanto é lugar, tocando todos os tipos de música, com as mais variadas formas de expressão… é o carnaval mais diverso do nosso país", afirma.  

Lira argumenta que “esse carnaval vem sendo pasteurizado na medida que é entregue à iniciativa privada, de modo a se adequar a um formato que consiga atrair um público maior, gerando renda para a patrocinadora. E isso não é exatamente carnaval, é uma coisa extremamente comercial. O carnaval de São Paulo se transformou em um grande negócio”. 

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À frente de seu tempo, Maria Luiza Nunes rompeu barreiras, buscou independência desde jovem e transformou essa visão em projetos sociais
por
Victória Rodrigues
Isabella Damião
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20/03/2026 - 12h

Maria Luiza das Graças Nunes, é fundadora da organização social sem fins lucrativos Fênix, que opera com uma base de 550 funcionários, no bairro do Tatuapé, na zona leste da capital paulista. Essa Organização Social de Saúde é uma entidade privada sem fins lucrativos, que se mantém com a prestação de serviço a Unidades de Pronto Atendimento, que envolve pequeno e médio diagnóstico e administração. “Você compra desde o remédio até o serviço de engenharia”, Maria Luiza explica. 

Nascida em 8 de agosto de 1948, uma mulher independente, à frente de seu tempo, nunca se importou com os julgamentos que seus sonhos acarretavam. Viveu a primeira infância em uma fazenda no estado de Minas Gerais com sua família, mas, ainda na pré-adolescência aos 13 anos de idade, se mudaram para São Paulo. “Nós viemos para São Paulo, mas porque meu pai era muito bem de vida, muito rico, mas acabou perdendo tudo”, conta.

Já na grande metrópole no ano de 1962, Maria Luiza começou a trabalhar no bairro do Brás (SP), incentivada pela mãe a buscar sua própria independência desde jovem: “A minha mãe era muito independente, autoritária dentro de casa. Meu pai era fazendeiro, não tinha instrução, mas tinha dinheiro”. 
Quatro anos após sua chegada em São Paulo, Maria conhece o homem que seria seu primeiro marido. Casou-se ainda nova, aos 17 anos. Seus pais não estavam de acordo, mas quando Maria Luiza coloca algo na cabeça, ninguém a impede de executá-lo.

“Eu me casei muito nova, na época não entendia o que é o amor. Eu fui envolvida, comecei a namorar e dentro de um ano ele quis casar. Eu não estava grávida, mas casei. Meus pais não deram muita opinião no casamento, porque eu sou muito xereta e muito independente. Eles diziam: ‘Quer casar, casa’”.
Em 1965, no mesmo ano em que casou, a jovem das Graças, engravidou de sua filha mais velha. Casada com um militar e com uma recém-nascida, ela precisou parar de trabalhar e dedicar-se à família. 
Apesar de aparentar o modelo de família tradicional brasileira, ela sentia que queria mais da vida, no entanto, em um relacionamento com um companheiro ciumento, Maria não encontrava o caminho para conseguir buscar a sua felicidade.

“Meu primeiro marido, era militar e muito ciumento, não deixava sair nem na porta. Mas na minha família, dizemos que precisa das mulheres ser muito independente, aí eu me separei dele, aos 21 anos, com uma filha de quase 3 anos. Mas ele era apaixonado por mim e pediu pra voltar. Nós voltamos, mas com a condição de que eu pudesse voltar a trabalhar e terminar meu curso médio (Ensino Médio)”, relata.
Com a ajuda de uma amiga, Maria Luiza, voltou a trabalhar. Conseguiu um emprego  no Hospital Tide Setúbal, na zona leste de São Paulo. No novo emprego, ela conseguiu dar mais um passo em seus objetivos: voltou a estudar para concluir o ensino médio e, paralelamente, iniciou o curso de Técnica de Enfermagem no Centro Universitário Braz Cubas, em Mogi das Cruzes (SP).  Passados os três anos de curso, foi promovida e assumiu a chefia do departamento de recursos humanos do hospital. “Eu fui a única da minha família a fazer curso universitário”, conta com orgulho.

Dedicada ao seu trabalho, participava ativamente da comunidade hospitalar e do cuidado com pacientes. Com o esforço do seu trabalho, ela pode arcar com os custos dos estudos de sua maior incentivadora, sua mãe. “Eu fui incentivada pela minha mãe. E, com o primeiro salário que eu tive, eu paguei o curso de cabeleireiro para ela. Cheguei a trabalhar aos finais de semana fazendo hora extra para comprar o material. E quando ela se formou, abriu um salão na frente de casa, o que trouxe uma renda a mais.”
Ainda na gerência do RH do hospital Tide Setúbal, Maria Luiza ingressou na antiga Faculdade Zona Leste no curso de Serviço Social. Para dar conta das demandas do departamento e dos estudos, passou a incentivar a autonomia dos setores do hospital.

Com as inovações que implementava  para melhorar o funcionamento do hospital, Nunes passou a ganhar reconhecimento e confiança das chefias e dos médicos de alto cargo. “Conheci o Dr. Marco Aurélio, Dr. Gildo, e o Dr. Tércio, que era superintendente da    Santa    Casa de São Paulo. E quando eu estava, Dr. Técio falou, ‘agora você vai fazer administração hospitalar’ e eu fui estudar Administração Hospitalar na Faculdade São Camilo”.

Com a formação em Administração Hospitalar, e dentro da administração, Nunes começou a conhecer políticos que chegavam pedindo atendimentos. A partir dessas relações,foi convidada para atuar como assessora de um vereador, além de ser transferida para o Hospital do Servidor Público Municipal. Lá se tornou responsável pela área de Recursos Humanos.

Maria Luiza criou uma rede diversificada de contatos. chegou a conhecer Paulo Maluf, ex-Deputado e ex-Governador do Estado de São Paulo, que a inseriu no gabinete do prefeito, cargo que Maluf ocupava. Nessa época, ela emergiu financeiramente e socialmente. 
Foi nesse contexto que surgiu seu primeiro projeto de assistência social: uma casa de idosos. “Fazia matrícula de idosos nos postos [de saúde], conseguia remédio, fazia fisioterapia.” Segundo a entrevistada, ela tinha nascido com esse instinto social. “Eu via necessidade, nunca fiz para me promover. Nunca foi isso, nunca mesmo.”

Maria Luiza engajou, em seguida, em outros projetos: a direção do PAS no bairro de Ermelino (SP), e assumiu a presidência da cooperativa de nível médio e logo depois, de nível universitário também. Entrou em um projeto da Secretária do Trabalho em São Paulo, com cerca de 5 mil alunos em cursos especializantes em toda Grande São Paulo. “Ofereciamos especialização para o  pessoal que estava desempregado.” 

Sede da Fênix do Brasil, na Zona Leste de São Paulo | Foto: Isabella Damião/AGEMT
Sede da Fênix do Brasil, na Zona Leste de São Paulo | Foto: Isabella Damião/AGEMT


Ao entrarmos na vida pessoal, Nunes coloca “Eu nunca pus a minha família em primeiro lugar”. Seus dois maridos, que os casamentos duraram 17 e 14 anos respectivamente, não incentivaram sua carreira. “O primeiro não suportava. Mas o segundo não se incomodava”. Além disso, relata que recebeu muitos julgamentos durante a vida. “Que eu era fora da casinha, que eu era muito atirada, que eu era muito além da minha época”, diz.

Os projetos sociais, para Maria Luiza, foram uma realização pessoal. Ao ser perguntada sobre arrependimentos, afirma não ter nenhum. “Só me arrependo de ter parado de estudar, porque era para eu ser uma engenheira da NASA.” 

No final, Maria Luiza deu um conselho: “Mulher tem que ser independente financeiramente e intelectualmente. Porque, senão, ela fica para trás”. 

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O acidente ocorreu durante uma obra da companhia em Mairiporã; a vítima trabalhava no local do acidente
por
Marcelo Barbosa
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13/03/2026 - 12h

 

Uma pessoa morreu e outras sete ficaram feridas, após o rompimento de uma caixa d'água da SABESP, na Rua Jacarandá, no bairro Jardim Nery, em Mairiporã, região metropolitana de São Paulo, na última quarta-feira (11).

Segundo informações preliminares da Prefeitura de Mairiporã, o fato ocorreu por volta das 10h45. A vítima, um homem, trabalhava na obra que era realizada no local. Além do óbito, houve danos em residências e veículos atingidos pela força da água.

Em entrevista à AGEMT, Raul Sepúlveda, um morador da região em que ocorreu o incidente, relatou como foi o ocorrido. Segundo Raul, ele ficou muito preocupado e com medo ao ver a sujeira na rua, enquanto passava em frente a uma escola. “ No momento, fiquei muito surpreso, pois era muita água e lama. Eu pensei que poderia ser algum deslizamento, já que Mairiporã tem histórico”, afirmou.

Em nota, a prefeitura de Mairiporã informou que mobilizou equipes da Secretaria de Segurança Pública e da Secretaria de Desenvolvimento Social, que atuam no local prestando atendimento e apoio às famílias afetadas.

 

Reprodução: Corpo de Bombeiros | Imagem da caixa d´água amassada
Reservatório de água que causou a enxurrada ficou destruído. Foto: Reprodução/ Corpo de Bombeiros 



Ainda de acordo com a prefeitura, 25 famílias foram atendidas até o momento,  totalizando 82 pessoas. Entre elas, 10 famílias estão sendo acolhidas em hotéis, enquanto 16 famílias foram encaminhadas para casas de familiares. Também houve resgate de animais que estavam nas residências atingidas.

Entre os feridos, nove foram encaminhados para o atendimento médico do Hospital Anjo Gabriel e seis deles já tiveram alta.

A Prefeitura informou que será realizada uma reunião  no gabinete de crise instalado e que será decretada Situação de Emergência nas áreas atingidas, que vão desde o bairro Jardim Nery até o Capoavinha.

A Defesa Civil também realizou, no dia 12 de março, uma vistoria técnica nos imóveis atingidos, com objetivo de identificar residências que precisaram ser interditadas temporariamente  ou permanentemente. No total, sete casas foram interditadas.

Segundo a Secretaria de Gestão Estratégica, a Secretaria de Desenvolvimento Social, que gerencia as políticas públicas de assistência social no município, fará o levantamento individualizado das famílias afetadas, registrando perdas materiais e demandas específicas, a fim de consolidar relatório detalhado para fins de ressarcimento dos prejuízos pela SABESP.
 

Reprodução: Lagomuller/ Instagram | Imagem da caixa d´água que estourou
Reservatório antes do acidente. Foto: Reprodução/Lagomuller

A Secretaria de Obras, responsável por gerenciar projetos e execuções de infraestrutura urbana no município elaborará relatório técnico das intervenções emergenciais necessárias, definindo as prioridades para recuperação das áreas atingidas.

O Governo do Estado afirma que está focado em garantir prioridade para o atendimento às pessoas afetadas. A Secretária de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, e o Secretário-chefe da Casa Civil, Roberto Carneiro, também apuram o ocorrido.

O Município irá formalizar ofício, solicitando esclarecimentos sobre as causas do acidente, as medidas de reparação dos danos e a forma de compensação às famílias afetadas.

Em nota à AGEMT,  a SABESP informou que realizou, na manhã desta quinta-feira (12), uma reunião com os moradores do bairro Capoavinha, em Mairiporã. Confira a nota na íntegra:

“Como medida inicial e emergencial, a empresa anunciou aos moradores que fará uma transferência de R$2 mil para aqueles que tiveram seus imóveis vistoriados, a fim de ressarcir urgências pontuais, como remédios e alimentação. 

Há uma van disponibilizada pela Sabesp para atendimento aos moradores, na esquina da rua São Marcos com a Santo Antônio, e também no CRAS (rua Charlotte Szirmai, 1.820) para atendimento, cadastro e dúvidas.

A prioridade da Sabesp, no momento, é atender aos moradores. As causas do acidente seguem sendo investigadas pelos órgãos competentes e pela própria Sabesp.

Durante a madrugada, cerca de 60 técnicos participaram do trabalho de limpeza das ruas e casas. 

A Companhia reitera que lamenta profundamente o falecimento de um colaborador da empresa contratada na construção de uma caixa-d’água no bairro Capoavinha em Mairiporã. A Sabesp pede desculpas a todos pelo ocorrido e se solidariza com os envolvidos”


Até o momento, o Município alega não ter recebido comunicação oficial da empresa com informações técnicas sobre as causas do ocorrido, que seguem sendo apuradas pelos órgãos competentes.

 

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Cidades no litoral e interior de SP sofrem com enchentes e situação de emergência
por
Marcello Ricardo Toledo
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05/03/2026 - 12h

 

Enchentes em Ubatuba causados pelos grandes temporais  Reprodução: Prefeitura Municipal de Ubatuba
Enchentes em Ubatuba causados pelos grandes temporais-Foto: Prefeitura Municipal de Ubatuba/ Divulgação

Na sexta-feira (23), chuvas fortes atingiram o estado de São Paulo causando alagamentos, deslizamentos e problemas diversos em muitas cidades. Entre os municípios mais afetados estão Peruíbe, Natividade da Serra e Ubatuba, que tiveram de decretar estado de emergência.

Em Peruíbe, no litoral sul, a situação é crítica. Após a chuva de mais de 400 milímetros em apenas 48 horas, a cidade registrou mais de 100 desalojados, segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo. A quantidade de chuva, maior que a média histórica de fevereiro, provocou alagamentos e obrigou os moradores a deixarem suas casas.

Equipes de resgate e assistência social trabalham para acolher as famílias afetadas, que foram encaminhadas para abrigos provisórios. A Defesa Civil monitora as áreas de risco e orienta a população a permanecer em locais seguros, diante da possibilidade de novos deslizamentos e enchentes.

Em Natividade da Serra, no interior do estado, o temporal causou a morte de 19 pessoas, segundo o governo estadual de São Paulo. As autoridades locais prestam apoio às comunidades afetadas e avaliam os danos causados pela tempestade. A principal  preocupação é com a infraestrutura da região e a segurança dos moradores, principalmente em áreas rurais.

Imagens da Defesa Civil em ação e alertas emitidos para regiões do litoral paulista, com foto de equipes e dos alertas
Agentes da defesa civil em ação na emissão de alertas para regiões do litoral paulista-Foto: Defesa Civil-SP

 

Já em Ubatuba, no litoral norte, o município decretou situação de emergência, o que significa que a prefeitura poderá utilizar recursos com mais rapidez para atender aos moradores, realizar obras urgentes e atuar em conjunto com os governos estadual e federal. As prioridades incluem a desobstrução de vias, monitoramento de rios e encostas e o apoio às famílias que tiveram suas casas atingidas.

Órgãos governamentais, como a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, estão em vigilância constante, aconselhando a população a evitar zonas inundadas, a observar indícios de desmoronamento e seguir as instruções das autoridades. As equipes de resgate e as assistências sociais continuam atuando nas áreas mais afetadas, enquanto as prefeituras iniciam o planejamento para a recuperação das cidades.
 

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Imagens mostram as diferenças socioeconômicas que representam bairros paulistanos
por
Ana Clara Farias
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12/11/2023 - 12h

Apesar de ser uma das cidades mais ricas do Brasil, São Paulo também possui grandes níveis de desigualdade social entre os habitantes. Essa informação pode ser observada a partir das regiões nobres que se encontram próximas a bairros de baixa renda.

A Zona Sul é uma região composta por diversas paisagens e monumentos que realçam a beleza da cidade. No entanto, também é conhecida por um vasto número de regiões periféricas. 

Além dos bairros como o Brooklin, Morumbi ou Itaim Bibi, também existem as favelas e localidades com baixa infraestrutura. Alguns dos mais conhecidos são o bairro do Capão Redondo e região de Paraisópolis. 

Alguns desses bairros nobres são localizados próximos às favelas e comunidades mais pobres e isso traz uma perspectiva mais focada na discrepância socioeconômica desses dois grupos. 

Foto 1
Favela ao lado de prédios na Zona Sul. Foto: Ana Clara Farias
Foto 3
Vista de uma comunidade ao lado de prédios do Morumbi. Foto: Ana Clara Farias
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Carros velhos em morro de frente para bairro nobre. Foto: Ana Clara Farias
Foto 4
Vista de uma favela de frente para local luxuoso. Foto: Ana Clara Farias
Foto 5
Bairro periférico Vila Andrade ao lado do Morumbi. Foto: Ana Clara Farias

 

A invisibilidade social é um fenômeno presente nas grandes cidades do mundo.
por |
05/11/2023 - 12h

Na correria rotineira presente na vida de mais de 12 milhões de paulistanos, muitos passam pelas ruas sem se darem conta do que está a sua volta. Dentre estas pessoas, comerciantes, moradores de rua e funcionários diversos só recebem a devida atenção quando são úteis para as vidas dos habitantes da cidade, caso contrário, passam despercebidos e invisíveis. Esse, senhoras e senhores, é o lado oculto do mundo:

 

Foto 1
Natural de Recife, morador reside a mais de dez anos nos redores da Estação Conceição (São Paulo), onde cozinha, cuida de seus cachorros e convive com outras pessoas. // Foto: Vinícius Evangelista

 

Foto 2
Diogenes trabalha com comércio de rua desde seus 17 anos // Foto: Vinícius Evangelista

 

Foto 3
Motoristas de ônibus se reúnem durante o intervalo de trabalho // Foto: Vinícius Evangelista
Foto 1
Dona Enelita trabalha ao lado de seu sobrinho na loja "Tia do Dog" // Foto: Vinícius Evangelista

 

Foto 5
Sua lojinha de cachorro quente existe a mais de 30 anos! // Foto: Vinícius Evangelista


 

Os grandes monumentos históricos da capital que abrangem uma cultura diversa encontram-se espalhados por todas as regiões
por
Ana Clara Farias
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30/10/2023 - 12h

A arquitetura de São Paulo é um atrativo para turistas do mundo todo, pois ela é uma das principais marcas da cidade. Os monumentos arquitetônicos que foram construídos ao longo dos séculos são grandes fatores que contam a história da cidade por meio de suas grandes construções.

Essas obras são famosas porque, além de terem grandes variações, refletem na história das imigrações de diversas pessoas dos outros países para esse estado. 

Um dos principais lugares em que podemos encontrar as grandes construções é o Centro Histórico de São Paulo, que é rico em monumentos únicos. As igrejas, como a famosa Catedral da Sé, são memoráveis quando o assunto vem à tona. Além delas, também são lembrados o Teatro Municipal, a Estação da Luz, o Edifício Copan — projetado pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer, entre outras grandes obras.

Mas, além da arquitetura clássica que há na cidade, a moderna também passou a crescer e se espalhar por todas as regiões da capital e chama atenção dos turistas, bem como dos próprios habitantes locais.

Prédio roxo
SESC Pinheiros. Foto: Ana Clara Farias
Prédio circular
Condomínio Thera Faria Lima. Foto: Ana Clara Farias
Igreja
Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat. Foto: Ana Clara Farias
Prédio cinza
Edifício Faria Lima Plaza. Foto: Ana Clara Farias

 

Novo sistema de segurança em São Paulo conta com denuncias automáticas em caso de compatibilidade de dados
por
Gabriela da Silva Thier
Pietra Nelli Nóbrega
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16/10/2023 - 12h
Foi aprovado para o segundo semestre deste ano pelo Prefeito Ricardo Nunes um novo projeto na área da segura. O Smart Sampa ocorrerá a partir da instalação de 20 mil câmeras inteligentes públicas, que trabalham com reconhecimento facial, além da disponibilização de mais 20 mil câmeras privadas com a mesma tecnologia, chegando a 40 mil equipamentos de vigilância. O prefeito Ricardo Nunes afirma "que as câmeras são seguras e só notificam a polícia em casos com mais de 90% de similaridade na biometria facial e ainda passa por um comitê integrado à Controladoria Geral do Município antes do envio". Mas, o que preocupa a população é o quão eficaz e livre de riscos é a nova tecnologia, apesar das afirmações do Prefeito garantindo a proteção dos dados coletados, já que sabemos que os sistemas de reconhecimento facial foram projetados, na grande maioria, em cima de rostos brancos, o que causa deficiência caso o sistema encontre um rosto negro, por exemplo. 
 
Como funcionam as câmeras biométricas
 
No mundo cada vez mais digital e interconectado a busca por métodos avançados de segurança e identificação está em constante evolução. Nesse cenário, as câmeras biométricas surgem, prometendo uma ampla gama de aplicações. Os sistemas de câmeras por biometria estão emergindo como uma abordagem para aprimorar a segurança em vários contextos, desde controle de acesso até monitoramento de eventos em tempo real, como postos da Polícia Federal em aeroportos ou entradas em edifícios residenciais e comerciais. 
 
A biometria refere-se à identificação de indivíduos com base em características físicas ou comportamentais únicas. Isso inclui impressões digitais, reconhecimento facial, íris, voz, entre outros. A principal vantagem da biometria é que esses traços são exclusivos para cada pessoa, tornando-a uma forma altamente precisa de autenticação. “A biometria facial utiliza tecnologias de processamento de imagens e algoritmos de aprendizagem de máquina para identificar e verificar dados analisando características faciais únicas, como a distância entre os olhos e o formato do nariz”, diz Brenda Ortiz, advogada especializada em direito digital e inteligência artificial, em entrevista para AGEMT. Similar a impressão digital, o software ligado as câmeras mapeia matematicamente os traços faciais de uma pessoa e por meio desses algoritmos é capaz de compará-los com a imagem digital.
 
“O software reconhece ou nega essa identidade e as fases de mapeamento levam em conta os nossos pontos nodais, esse nome é dado por conta das nossas feições que são distintas umas das outras, a profundidade ocular, a forma das “maçãs”, o comprimento”, afirma Ortiz, que explica ainda que a capacidade de identificar indivíduos com base em características únicas eleva o nível de segurança em comparação a métodos tradicionais, como senhas ou cartões de identificação em diversos setores, como instituições financeiras, empresas de tecnologia e governos.
 
“O sistemas de câmeras com a biometria trazem mais segurança e controle do que os sistemas comuns, eles usam o reconhecimento do rosto para identificar pessoas e podem agir automaticamente, por exemplo liberando ou barrando acessos. Esses sistemas também observam comportamentos estranhos e mantém o registro de quem entra e sai dos espaços tudo isso torna o ambiente mais seguro e a gestão mais prática e eficiente”, pontuou a advogada. Aeroportos já estão utilizando o reconhecimento facial para simplificar procedimentos de check-in e controle de segurança. O setor de varejo está adotando sistemas de pagamento baseados em reconhecimento facial, agilizando as compras. Na área da saúde, a tecnologia biométrica pode garantir a identificação precisa de pacientes.
 
Quais são as Preocupações?
 
A proliferação das câmeras biométricas também levanta questões significativas relacionadas à privacidade, segurança de dados e potenciais problemas de discriminação. Sistemas biométricos não são infalíveis e podem apresentar erros, o que pode resultar em falsas identificações. Para o secretário Adjunto de Segurança Urbana, Junior Fagotti, "a plataforma só vai  levar pontos biométricos faciais, sem reconhecer cor”. O que para Ortiz pode ser um problema e explica que "embora cor de pele não seja um marcador biométrico crucial, o sistema precisará ser robusto, com bons hardwares e bons softwares para evitar confusões com os chamados falsos positivos". “A tecnologia de reconhecimento facial já é bastante avançada, inclusive tem sido implementada em várias partes do mundo, com monitoramento em larga escala, no entanto, questões como privacidade, ética, viés racial e falsos positivos são pontos que ainda necessitam de melhorias e regulamentação. Quando a tecnologia avança muito, as leis precisam acompanhar”, acrescenta ela.
 
As câmeras biométricas estão desempenhando um papel de destaque na identificação e segurança na sociedade moderna. Seu potencial é inegável, mas é igualmente importante equilibrar a conveniência que oferecem com medidas rigorosas de proteção da privacidade e regulamentação. À medida que a tecnologia biométrica continua a se desenvolver, a sociedade enfrenta a responsabilidade de aproveitar seus benefícios, mantendo a segurança e a integridade dos dados pessoais. “Eu volto a ressaltar, é necessária a melhoria das leis de regulamentação, porque quando envolve incidentes de crime ou violência não da para lei ficar muito atrás, para que não aconteçam essas divergências com as quais a gente tem se deparado”, finaliza Ortiz.
 
 
Conheça a jornada de Carlos Alberto Tauil
por
Maria Elisa Tauil
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10/10/2023 - 12h

Houve um tempo em que a Avenida Paulista não existia e o Beco do Batman era só um beco. Andando por São Paulo, nunca pensamos sobre o que está por trás de cada prédio. Mas as cidades são construídas por pessoas. Pessoas são feitas de histórias. E uma dessas histórias é a do arquiteto Carlos Alberto Tauil.

Carlos Tauil, 80 anos, me acomodou na sala de jantar da sua casa. Assim como a cidade de São Paulo, impaciente e acelerada, já estava nervoso devido ao meu pequeno atraso. Sentamos na mesa, de onde é possível ver pela janela um bosque com muitas árvores, de fato um privilégio, morando em uma metrópole como São Paulo. Naquele momento foi possível desacelerar e mergulhar no tempo através  de sua história.

“Nasci durante a Guerra. Eu lembro que logo de pequeno, aos 3 anos, eu tive que fazer uma cirurgia de emergência de apendicite e essa lembrança me gravou muito, porque meu pai e minha mãe tiveram que correr comigo para localizar um médico e ver onde o médico poderia fazer a cirurgia. Os hospitais estavam cheios de soldados que vieram da Guerra, então minha cirurgia foi feita em um Casarão”.  Relembrando a época em que São Paulo não chegava a 1 milhão de habitantes, Tauil inicia sua história a partir de sua memória mais antiga, “nem era uma cidade na verdade, né, porque costumo dizer que cidade é depois que passa de um milhão de pessoas.”

Na época ele residia com os pais e com o irmão mais velho em em uma casa alugada no bairro da Água Branca. “Minha mãe era dona de casa e meu pai era comerciário e, como outras pessoas com menor renda, a gente morava em casa alugada, não havia planos de financiamento para construção.”

Assim como Aristóteles ou um professor que dá aula em uma escola pública no Brasil, o pai de Carlos acreditava que a educação poderia mudar a vida dos filhos - e ele estava certo. “Meu pai procurou a escola Caetano de Campos. Ela era uma escola modelo em São Paulo criada pelo Doutor Caetano de Campos, um médico que tinha em mente fazer uma escola modelo para replicar ao longo do estado de São Paulo. Com quatro anos e o meu irmão com cinco, a gente ia para escola com meu pai que trabalhava no centro da cidade, que era perto da escola. Ele trabalhava na casa Mappin, que foi uma casa tradicional em São Paulo muito conhecida por ser uma loja de departamentos, bem no centro de São Paulo próximo ao Caetano de Campos que fica na Praça da República.”

“Bom, quando nós estávamos no primário o meu pai conseguiu financiamento, já no final dos anos 40 e começo dos anos 50, e construiu uma casa no Alto da Lapa, um bairro que foi desenvolvido pela companhia City, que era uma companhia inglesa de urbanismo que criou o Jardim América, Jardim Paulistano, Sumaré e Pacaembu. Eles eram especialistas em urbanizar cidades em crescimento,” continua.

Ao pesquisar rapidamente no site da companhia City, eles classificam o bairro Alto da Lapa como um lugar “desenvolvido para uma população operária.” Apesar deles saberem qual era o público-alvo do lugar, a logística de acesso ao transporte público não foi colocada como prioridade pela empresa. “A casa era muito longe da condução, não tinha ônibus. As linhas de ônibus paravam ali na Lapa e não no Alto da Lapa. Com 7 anos, eu lembro muito bem que a gente tinha que caminhar todos os dias, sozinhos, 1 km até o ponto de ônibus e ir pra escola. Os automóveis eram importados e somente gente com muita posse tinha eles.”

Ao lembrar da sua época de escola, Carlos conta sobre uma época que a fama de cidade que nunca para começou a ser construída: era o começo da industrialização. “São Paulo já tava com 1 milhão e meio de pessoas, a cidade tinha crescido bastante. Muita gente veio do interior, imigrantes italianos e espanhóis, vieram para cidade porque começou a surgir muito emprego. Em 1957, por exemplo, a companhia Volkswagen começou a fazer montagem de carros no Brasil e logo em seguida a Ford também. Eles começaram a produzir parte dos automóveis e foi desenvolvendo uma indústria.” 

Enquanto São Paulo crescia, a vida de Carlos teve uma reviravolta. Com a oportunidade de terminar o colegial nos Estados Unidos, Tauil relatou com muito orgulho, a experiência de estudar em outro país. Para um filho de um vendedor e uma dona de casa, oportunidades assim vão além da sorte, elas são sinônimo de muita luta. 

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Carlos com 17 anos. Foto: Maria Elisa Tauil

Quando retornou ao Brasil nos anos 60, a terra da garoa tinha se tornado o berço das indústrias no Brasil. “Houve um fato importantíssimo que foram os cinco anos do governo do Juscelino Kubitschek, como presidente ele fez um plano de metas pro Brasil crescer 50 anos em 5, que foi de 1956 a 1961. Isso estimulou a indústria de automóveis (principalmente).”

“E daí para frente continuou explodindo, porque começaram a fazer muitas construções por conta da grande quantidade de pessoas que foram morar aqui,” relata Carlos. Mesmo sendo muito jovem, o futuro arquiteto já sabia as consequências do crescimento acelerado de uma cidade marcada pela desigualdade. “Eu estava vendo a cidade crescer e precisar de casa, eu queria fazer casa pras pessoas. Eu vi a dificuldade que o meu pai teve de sair de uma casa alugada, ter que construir uma casa longe do centro, mas que deu conforto para nós. Eu decidi que ia me dedicar a casa popular.”

Após se formar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo em 1967, Tauil dedicou a sua carreira à construção de habitações populares. Com 27 anos, durante a ditadura no Brasil, ele passou 10 meses na Holanda e voltou com um estudo voltado para a construção de casas acessíveis em São Paulo. Carlos desenvolveu o trabalho “Proposta de aplicação de uma metodologia de projeto no processo habitacional brasileiro", que consiste no projeto de um sistema modular onde se vai encaixando componentes e elementos construtivos de moradia, conforme a necessidade e a vontade do morador e da comunidade.

“Era um drama para mim que o pessoal não conseguia construir barato. Pra poder atender a habitação popular, eu bolei esse sistema com bloco de concreto. Você não tem pilar de concreto armado, coluna e viga é só a parede, você faz a parede e põe ferro em alguns pontos com concreto. Então um sistema que barateou, porque você já sobe o prédio pronto, você não sobe o esqueleto para depois fechar. É muito mais barato pro construtor e, portanto, ele podia vender mais barato,” relata Carlos com orgulho.

“Ah daí me envolvi de corpo e alma nisso. Foram mais de 40 anos.”

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Carlos Alberto Tauil. Foto: Maria Elisa Tauil

Ao longo de sua vida profissional, Tauil atuou em empresas de componentes de alvenaria estrutural e pré-moldados, participou da comissão de elaboração das normas de alvenaria estrutural da Associação Brasileira de Normas Técnicas, foi presidente da Associação Brasileira da Construção Industrializada, membro do Conselho Técnico da COHAB-SP e, durante dez anos, consultor técnico da Bloco Brasil. Além de escrever, em 2010, o livro "Alvenaria Estrutural". 

“Eu sinto que eu contribuí muito. Eu não só sinto, mas todas as pessoas me falam que eu fui decisivo para esse desenvolvimento da construção popular em São Paulo e (depois) no Brasil. Então isso faz eu me sentir profissionalmente realizado.”

Hoje, aposentado, Carlos decidiu (merecidamente) esquecer um pouco a construção civil. Ele contou com um sorriso no rosto, que fez um curso na USP para aposentados sobre a história do Brasil e, além de dedicar seu tempo livre à leitura, trabalha orientando um projeto de uma de suas filhas que é agrônoma. “Agora é a fase dos netos, né? Graças a Deus tenho netos maravilhosos. Amo todos,” disse Tauil com ternura no final da nossa entrevista.

 

Esta reportagem foi produzida como atividade extensionista do curso de Jornalismo da PUC-SP.

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