Entre guitarras melancólicas e letras confessionais, a artista apresenta seu trabalho mais sofisticado e introspectivo até agora
por
João Luiz Freitas
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12/06/2026 - 12h

Após três anos desde o lançamento de GUTS, Olivia Rodrigo retorna com seu terceiro álbum de estúdio, You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love. O projeto marca uma nova fase na carreira da cantora: menos impulsiva, mas não menos intensa. Conhecida por transformar emoções adolescentes em fenômenos pop, Rodrigo agora direciona seu olhar para os dilemas da vida adulta, explorando os contrastes entre amor, insegurança e autossabotagem.

Desde o anúncio do disco, o título já sugeria uma mudança. Diferentemente dos curtos e impactantes “SOUR” e “GUTS”, a nova obra aposta em uma frase longa e contraditória, quase como uma confissão. A escolha resume bem a proposta do álbum: questionar a ideia de que estar apaixonado é sinônimo de felicidade plena. Em vez de celebrar romances perfeitos, Olivia investiga as fissuras emocionais que permanecem mesmo nos momentos aparentemente felizes.

Musicalmente, o trabalho também representa uma evolução. O pop-punk que ajudou a definir a identidade da artista continua presente em alguns momentos, mas divide espaço com influências do new wave, do pós-punk e do pop alternativo dos anos 1980. A produção de Dan Nigro, parceiro de longa data da cantora, aposta em sintetizadores mais evidentes, guitarras menos agressivas e arranjos que priorizam a atmosfera das canções. O resultado é um disco que soa mais sofisticado sem abandonar a espontaneidade que tornou Olivia uma das vozes mais relevantes de sua geração.

Capa oficial do álbum novo da Olivia Rodrigo
Capa oficial do álbum - Foto: Chad Moore

A primeira metade do álbum é dominada pela paixão. Faixas como “drop dead” e “stupid song” capturam o entusiasmo irracional de quem se entrega completamente a alguém, misturando humor autodepreciativo e romantização exagerada. Rodrigo continua demonstrando habilidade para transformar situações específicas em experiências universais, característica que sempre esteve entre seus maiores trunfos como compositora.

No entanto, é quando o relacionamento começa a ruir que o disco encontra seus momentos mais interessantes. Canções como “begged”, “less” e “purple” abandonam o tom sarcástico para dar lugar a uma vulnerabilidade mais crua. Diferentemente das explosões emocionais presentes no primeiro álbum, aqui a dor aparece de forma mais contida, refletindo um amadurecimento artístico e pessoal. Olivia já não parece interessada apenas em apontar culpados, mas também direciona as críticas para si mesma.

Um dos destaques do projeto é “what’s wrong with me”, parceria com Robert Smith. A colaboração funciona como um encontro simbólico entre gerações, aproximando a cantora de algumas de suas grandes referências musicais. A presença do vocalista da banda The Cure reforça a influência do rock alternativo que atravessa o álbum e contribui para ampliar o alcance sonoro da obra.

Apesar da sonoridade mais elaborada, o maior mérito do disco continua sendo a escrita. Rodrigo mantém sua capacidade de transformar inseguranças em narrativas cativantes, equilibrando humor, melancolia e autocrítica. Em um cenário pop frequentemente dominado por fórmulas previsíveis, a cantora demonstra disposição para correr riscos e expandir seus horizontes criativos.

You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love talvez não tenha a urgência emocional de SOUR e nem a energia caótica de GUTS, mas compensa com profundidade e maturidade. O álbum mostra uma artista mais segura de sua identidade, capaz de crescer sem abrir mão das características que a transformaram em fenômeno global. No fim, Olivia Rodrigo prova que continua encontrando novas formas de falar sobre sentimentos antigos, mostrando ainda mais sua versatilidade como musicista.

Adaptação da tragédia shakespeariana estreou em fevereiro deste ano
por
Helena Barra
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18/05/2026 - 12h

Após mais de 40 anos fechado, o Cine Copan marcou sua reabertura com o anúncio da peça “Hamlet, sonhos que virão”, uma adaptação contemporânea da clássica tragédia escrita por William Shakespeare no século XVI.

Com direção de Rafael Gomes, a montagem estreou em 19 de fevereiro deste ano, em meio às obras de revitalização do espaço dentro do famoso edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer, no Centro de São Paulo. 

A peça ocupa o canteiro de obras do local, oferecendo uma experiência ‘site specific’ — arte concebida para ter significado através de sua relação íntima com o ambiente — que leva o público para dentro da dramaturgia. 

Espaço dentro do Edifício Copan
Espaço dentro do Edifício Copan segue em reforma/Reprodução: @mavinho_acoroni

Hamlet, interpretado por Gabriel Leone, assume o papel central da trama. A atuação visceral do artista leva o espectador a entrar na mente do emblemático  personagem após uma perda fruto de traição. 

Acompanhado de diversos profissionais experientes, como Samya Pascotto (Ofélia), Susana Ribeiro (Gertrudes), Eucir de Souza (Rei Cláudio), Bruno Lourenço (Laertes) etc, a história vai sendo construída através da narrativa de cada indivíduo pela perspectiva do personagem principal.

Com cenografia de André Corte; iluminação por Wagner Antônio; figurino feito por Alexandre Herchcovitch; visagismo de Pamela Franco e trilha sonora por Barulhista e Antonio Pinto, a produção da peça cria um ambiente de imersão único, que leva do suspense ao estranho, do cômico ao dramático e do romântico à tristeza.

Em cartaz até o dia 14 de junho, o ator e cantor Ícaro Silva segue com o legado de Hamlet nas próximas apresentações. Os ingressos, à partir de R$25, podem ser adquiridos pessoalmente 2h antes da sessão, ou através do site nucinecopan.byinti.com.


 

Sequência resgata personagens icônicos e revisita a moda na era digital
por
Carolina Nader
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08/05/2026 - 12h

O filme O Diabo Veste Prada 2, produzido por David Frankel, estreou dia 30 de abril nos cinemas. 20 anos após o primeiro lançamento, a continuação do clássico retoma o universo da revista de moda “Runway”, agora inserido em um contexto marcado por transformações digitais da indústria e pelo crescimento das redes sociais. Protagonizado por grandes nomes do cinema como Meryl Streep, Anne Hathaway e Emily Blunt, a retomada contou com a distribuição da Disney Pictures, que aposta na força da nostalgia ao mesmo tempo em que dialoga com uma nova geração.

Cartaz de divulgação do filme “O Diabo Veste Prada 2.” Foto: @odiabovesteprada2 / Instagram
Cartaz de divulgação do filme “O Diabo Veste Prada 2.” Foto: @odiabovesteprada2 / Instagram 

Frankel mantém o olhar atento para os bastidores do mundo da moda e do jornalismo, adicionando discussões éticas sobre a profissão. Em meio à pressão por relevância e engajamento, o drama levanta questionamentos sobre o que a indústria editorial escolhe mostrar e o que prefere ocultar. A narrativa explora também o contraste entre tradição e inovação, evidenciando o esforço da “Runway” para se manter ativa sem abandonar os valores que a consolidaram, mesmo diante de um mercado cada vez mais liderado por interesses comerciais. 

Ainda assim, o roteiro preserva o humor ácido característico da franquia, equilibrando essas reflexões com momentos leves que mantêm vivo o charme do universo fashion. 

Miranda Priestly, representada por Meryl Streep, continua sendo a figura misteriosa que marca a memória do público. Sua presença, mais uma vez, cativa a atenção dos fãs, com diálogos irônicos e uma mistura de frieza e elegância. Ao mesmo tempo, sua personagem se vê diante do desafio de recuperar a relevância da revista e preservar suas tradições em um cenário que parece constantemente ameaçá-las. 

Anne Hathaway retorna como Andy Sachs, agora em uma posição mais consolidada profissionalmente, o que cria um contraponto interessante em relação à jovem insegura do primeiro longa. A dinâmica entre as duas personagens ganha novas camadas, marcada menos pela hierarquia direta e mais por conflitos de visão, valores e trajetórias. 

 

Meryl Streep e Anne Hathaway na Coreia do Sul para evento global relacionado ao lançamento do filme. Foto: @tiziano.raw / Instagram
Meryl Streep e Anne Hathaway na Coreia do Sul para evento global relacionado ao lançamento do filme. Foto: @tiziano.raw / Instagram 

A obra também ressalta as relações de lealdade no trabalho, destacando o ambiente competitivo da imprensa. Parcerias, rivalidades e escolhas profissionais se conectam, reforçando a ideia de que o sucesso, nesse meio, raramente é construído de forma isolada ou sem conflitos. 

Visualmente, o longa mantém uma estética glamourosa, com figurinos que continuam desempenhando papel fundamental na construção dos personagens e na ambientação da indústria da moda. Ao mesmo tempo, a montagem incorpora elementos contemporâneos, como telas de celular e fluxos digitais, evidenciando a mudança de época.  

O lançamento dessa continuação foi acompanhado por uma forte estratégia de marketing que ampliou sua presença para além das salas de cinema. Grandes marcas do mercado atual participaram na divulgação, criando produtos temáticos que instantaneamente se tornaram itens de desejo entre os fãs. Canecas, copos, chaveiros, itens de maquiagem e outros objetos colecionáveis reforçam o apelo comercial da produção e mostram como o universo da revista “Runway” ultrapassa a ficção e se insere diretamente na lógica de consumo contemporânea. 

Meryl Streep e Anna Wintour - ex-editora chefe da Vogue e suposta inspiração para a personagem Miranda -  protagonizaram um encontro para um vídeo promocional, que foi produzido pela revista Vogue americana. Esse material fez parte da divulgação da edição de maio da revista e serviu como uma ação de promoção estratégica para a estreia de O Diabo Veste Prada 2.   

A recepção crítica tem sido mista, variando entre o entusiasmo dos fãs e análises mais criteriosas por parte da imprensa especializada. Muitos elogiam o carisma do elenco e a tentativa de atualizar o debate sobre o mundo da moda e do jornalismo, enquanto outros apontam que a narrativa, em certos momentos, depende excessivamente da  nostalgia. Ainda assim, há consenso de que o filme consegue recuperar parte do brilho do original, especialmente nas cenas conduzidas por Meryl Streep. 

O site Rotten Tomatos possui avaliações e comentários sobre obras cinematográficas, feitas por fãs e especialistas. De acordo com a Sara Michelle Fetters, crítica de cinema, “o novo filme é como uma visita agradável com velhos amigos; só não entre nele antecipando nada mais do que isso.” Na plataforma, o longa teve 76% de aprovação dos críticos e 86% do público.

A mudança de tom em relação ao primeiro filme é perceptível. Antes a história focava na iniciação de Andy em um ambiente exigente, agora o conflito gira em torno da permanência e da reinvenção. A trilha sonora acompanha essa transição, mesclando referências modernas com sons do passado, reafirmando o diálogo entre tradição e inovação que atravessa toda a obra. Runway, de Lagy Gaga e Doechii, aparece como destaque no lançamento, enquanto que, no primeiro, Suddenly I See de KT Tunstall é considerada a principal música da obra. Entretanto, ambos apresentam a canção Vogue de Madonna, mesmo que de forma discreta. 

Mais do que revisitar personagens icônicos, O Diabo Veste Prada 2 propõe questionamentos atuais: até que ponto é possível equilibrar ética e mercado? É viável manter tradições em um cenário que exige constante renovação? E, sobretudo, qual é o preço de permanecer no topo? Ao levantar essas questões, o filme se apoia na familiaridade de seu universo para construir uma narrativa que, apesar de imperfeita, encontra espaço para se conectar com o presente. 

Protagonizado pelo sobrinho do cantor, o longa celebra o legado do artista e aposta na nostalgia para conquistar os espectadores
por
Mariana Araujo Correia
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29/04/2026 - 12h

A cinebiografia de Michael Jackson estreou nesta quinta-feira (23). “Michael”, dirigido por Antoine Fuqua e produzido por Graham King (conhecido pela produção de Bohemian Rhapsody), tem duração de pouco mais de duas horas e aborda a trajetória do cantor desde o início do grupo Jackson Five até a apresentação do álbum “Bad”, em 1988. Cercado por expectativas, o longa chega aos cinemas com uma divisão entre crítica e público: enquanto especialistas apontam superficialidade, fãs elogiam a emoção e a fidelidade da produção.

A trama se desenvolve em meio à criatividade do artista, explorando não apenas sua carreira, mas também sua vida pessoal. O filme evidencia os conflitos e a relação difícil com o pai, Joe Jackson, retratado como uma figura rígida e abusiva. Em diversos momentos, ele reforça a frase “ou vocês são vencedores ou perdedores” e faz comentários ofensivos sobre a aparência do filho. Essas cenas ajudam a explicar inseguranças que acompanharam o cantor ao longo da vida.

A produção também destaca a generosidade de Michael e sua dedicação na criação de cada música e clipe, evidenciando o cuidado que tinha antes de qualquer lançamento. O filme reforça a busca incessante pelo perfeccionismo e a excelência que ajudaram a consolidar o título de “Rei do Pop”. A cinebiografia apresenta ainda shows e momentos icônicos, permitindo ao espectador vivenciar a emoção de uma apresentação do artista.

A narrativa também se aprofunda muito na questão de “Neverland”, mostrando sua paixão pela história e o desejo de acolher e ajudar o maior número possível de pessoas. Nesse contexto, o longa também mostra a relação afetuosa com os animais, aos quais ele não chamava de “bichos de estimação”, mas sim de “amigos”.

O filme ainda relembra um marco importante da cultura pop: o momento em que Michael rompeu barreiras raciais na indústria musical ao se tornar o primeiro artista negro a ter um videoclipe completo e em alta rotação exibido na MTV, com “Billie Jean”. 

O filme é protagonizado por Jaafar Jackson, sobrinho do cantor. As expressões, os passos de dança e, principalmente, a voz, muito semelhante à de Michael, são pontos fortes. 

O elenco conta também com Miles Teller, no papel de John Branca; Colman Domingo, como Joe Jackson; e Nia Long interpretando Katherine Jackson. Entre os momentos marcantes, está a cena em que John Branca, a pedido de Michael, demite Joe Jackson por fax. Outro destaque é quando Katherine confronta o marido e afirma que ele não pode mais agredir ninguém, já que Michael é um homem adulto.

O roteiro funciona bem como uma obra nostálgica e emocional, como um tributo ao artista. No entanto, falta profundidade em alguns pontos, algo comum em cinebiografias devido ao tempo limitado. Temas importantes da carreira de Michael não são muito explorados ou sequer aparecem, como o projeto da canção “We Are The World” organizado por Michael Jackson e Lionel Richie.

A fotografia aposta em contrastes marcantes e cores densas, com uma iluminação projetada para recriar a experiência de um show, evitando uma abordagem documental. O filme prefere exaltar a performance do artista em vez de adotar um tom mais neutro.

Os figurinos criados pelo figurinista Marci Rodgers, são um dos pontos altos da produção. A nostalgia visual é bem trabalhada com peças fiéis e marcantes, como as icônicas jaquetas da Victory Tour (1984) e de Thriller.
 

Figurino do Michael na última apresentação da “Victory Tour”. Foto: Reprodução/Instagram/@jaafarjackson
Figurino do Michael na última apresentação da “Victory Tour”. Foto: Reprodução/Instagram/@jaafarjackson 

A trilha sonora é, sem dúvida, um dos principais elementos do filme. Reunindo grandes sucessos de diferentes fases da carreira, utiliza gravações originais, preservando a essência da voz única de Michael Jackson.

A recepção da crítica foi negativa. No site Rotten Tomatoes, o filme conta com cerca de 38% de aprovação. Muitos críticos consideraram a obra clichê e criticaram a ausência das acusações de pedofilia envolvendo o cantor. A decisão de encerrar a narrativa em 1988 foi interpretada por parte dos críticos como uma forma de driblar controvérsias que marcaram a imagem pública de Michael Jackson nos anos seguintes. A produção teria investido US$ 10 milhões em regravações e ajustes para eliminar o terceiro ato inicialmente previsto.

O crítico Nicholas Barber, da BBC, afirmou: “o diálogo funcional tem toda a nuance de uma placa de trânsito”. Em contrapartida, TJ Jackson saiu em defesa do longa dizendo: “ Nunca deem ouvidos aos críticos ‘profissionais’ quando se trata da minha família. Nunca.“

Já o público teve uma reação bastante positiva, com cerca de 96% de aprovação, evidenciando uma forte conexão emocional com a obra. 
 

Audiência tem 96% de aprovação. Foto: Reprodução/Instagram/@michaelmovie
Audiência tem 96% de aprovação. Foto: Reprodução/Instagram/@michaelmovie 

“Michael” (2026) não reinventa a cinebiografia como o cantor reinventou a música, mas ainda assim emociona e carrega significado. O encerramento sugere uma possível continuação para contar os próximos passos de sua vida. O filme é ideal para fãs do artista e para aqueles que desejam conhecer mais sobre sua trajetória. Afinal, Michael Jackson sempre foi digno do título de “Rei do Pop”.
 

 

Segredos sombrios do passado transformam a perspectiva do casamento em um campo minado emocional
por
Marina Garcia
Anna Cândida
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21/04/2026 - 12h

                                                        

 Imagem do pôster do filme The Drama - Foto: @thedrama / Instagram
Imagem do pôster do filme The Drama. Foto: Reprodução/@thedrama 

O filme The Drama, dirigido e roteirizado por Kristoffer Borgli, chegou aos cinemas brasileiros no dia 9 de abril de 2026. A proposta mergulha em dinâmicas emocionais complexas intensificadas pela iminência de um casamento. Distribuído pela Diamond Films e produzido pela A24, o longa despertou interesse por reunir nomes de peso e pela estética característica da produtura, como Zendaya e Robert Pattinson. 

Conhecido por trabalhos como O Homem dos Sonhos, Borgli mantém aqui sua abordagem provocativa e, por vezes, desconfortável, explorando os aspectos do comportamento humano com um olhar irônico e crítico. Em The Drama, essa assinatura se traduz em uma narrativa que oscila entre o íntimo e o estranho, desafiando o espectador a interpretar não apenas os acontecimentos, mas também os silêncios do filme. 

No centro da trama estão os personagens vividos por Zendaya e Robert Pattinson, ambos os atores preocupados em consolidar carreiras marcadas por escolhas autorais. Zendaya, cuja carreira revela versatilidade em produções que vão do pop ao drama contido, apresenta uma atuação repleta de particularidades expressivas e ricas em detalhes. Enquanto Pattinson reforça sua trajetória em filmes independentes, apostando em personagens complexos e emocionalmente instáveis. 

A química entre os protagonistas sustenta grande parte da narrativa. O público é convidado a vivenciar o dilema interior dos personagens por meio de cortes rápidos, cenários imaginados e sons abafados. Ao mesmo tempo, o filme constroi um ritmo narrativo que gera angústia e tensão por meio da falha de comunicação dos personagens. Ainda assim, esse recurso contribui para a construção de uma atmosfera densa, elemento recorrente nas produções da A24 – estúdio que se consolidou por investir em projetos autorais e esteticamente marcantes, como Hereditário e Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo.

Robert Pattinson e Zendaya como protagonistas do filme The Drama - Foto: @thedrama / Instagram
Robert Pattinson e Zendaya como protagonistas do filme The Drama. Foto: Reprodução/@thedrama

A recepção crítica de The Drama tem destacado justamente sua habilidade em desconstruir expectativas narrativas. Muitos espectadores apontam que o filme começa com a aparência de uma comédia romântica, mas gradualmente introduz um desconforto sutil que se intensifica até o desfecho, criando uma experiência marcada pela mistura de diversão, drama e certo caos emocional. Esse movimento também é reforçado pela crítica especializada: no Rotten Tomatoes, diferentes análises descrevem o filme como profundamente desconfortável, capaz de provocar “risos nervosos” e gerar debates após a sessão, evidenciando seu caráter provocativo. 

A mudança de tom ao longo da trama é frequentemente citada como um dos principais acertos da direção de Kristoffer Borgli, especialmente pela forma como a trilha sonora acompanha essa transformação, tornando as cenas progressivamente mais tensas e angustiantes. A crítica também ressalta o envolvimento proporcionado pelos personagens imperfeitos e humanos, além de reforçar o equilíbrio entre o drama e toques de comédia, sustentado pelos protagonistas, que ajudam a dar profundidade aos temas abordados. 

O longa propõe reflexões desconfortáveis como: O quanto você conhece seu parceiro? O que você seria capaz de perdoar? Qual é a pior coisa que você já fez? A fragilidade dos personagens, suas dúvidas e medos, os tornam verossímeis. O filme é atual, sem tornar-se artificial, desde o figurino até a ambientação dos cenários, constrói-se uma atmosfera contemporânea. Elementos do cotidiano, como o Google Docs ou o Spotify não parecem forçados, mas parte de um dilema que poderia acontecer com qualquer um. 


 

Best-seller de Carla Madeira tornou-se um dos livros de ficção mais vendidos do país
por
Bruna Quirino Alves
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14/11/2023 - 12h

“Tudo é rio” é o romance de estreia de Carla Madeira. Publicado pela editora Record, está na seleta lista dos livros brasileiros de ficção mais vendidos. Em 2021 e 2022, a obra vem dividindo com Torto Arado, de Itamar Vieira Junior (o mais vendido da categoria no Brasil), a atenção de leitores e críticos. Também pela Record, a autora lançou Véspera (2021), o terceiro e inédito romance, e relançou A Natureza da Mordida (2022), o segundo, que havia sido publicado em 2018.

Tudo é rio de Carla Madeira é um livro sobre transbordamento, como a própria autora define. O processo de leitura te leva em uma montanha-russa onde o amor, o ódio e o perdão se misturam em um rio de sentimentos, os quais não se pode controlar.

A história traz três personagens principais: Lucy, prostituta da cidade, e o casal Dalva e Venâncio. Eles, até então muito apaixonados, tiveram o casamento marcado por uma tragédia, que mudou completamente a dinâmica entre eles, a partir desse momento Lucy atravessa a história dos dois e é atravessada por eles com a mesma intensidade.

Carla Madeira constrói camadas sem uma régua moral e seus personagens apresentam complexidade e profundidade, enquanto fogem de maniqueísmos. Ao longo do livro, o leitor se vê em uma posição de confusão constante e a autora provoca essa sensação intencionalmente, e com excelência.

Inventivo na forma, o romance organiza-se por capítulos que desobedecem a ordem cronológica e vão e voltam, tal como uma série televisiva em que a câmera muda a cada cena. O tema do amor e da tragédia não tem nada de original, mas o grande trunfo de Carla Madeira é a forma pela qual sua linguagem poética, suave, nos conta essa história.

A obra é questionadora e provocante em uma essência, mas o principal questionamento gira em torno do perdão: Como perdoar o imperdoável e lidar com o amor que permanece?

Carla não se atém à superficialidade ao narrar detalhadamente o quão excruciante é a dor que Dalva, a personagem principal, vivencia em sua jornada pelo luto, até o perdão. A escolha de repetir certas cenas durante a narrativa é proposital e enfatiza como a dor pode ser paralisante, se manter em um ciclo destrutivo parece ser a única escolha.

A violência doméstica é retratada a partir de uma perspectiva diferente. A autora se afasta do julgamento e demonstra empatia com as mulheres que não conseguem sair desse tipo de situação, o que pode ser visto no seguinte trecho da obra:

“Dalva poderia tantas coisas se pudesse. Mas só pôde o que fez. Quem vê de fora faz arranjos melhores, mas é dentro, bem no lugar que a gente não vê, que o não dar conta ocupa tudo.”

Após receber críticas por “romantizar” a agressão, a autora afirma que o intuito nunca foi esse. Ela explora a sua própria curiosidade que permeia as motivações que levam uma mulher violentada à escolher ficar.

Tudo é rio é uma investigação sobre a água, ou seja, sobre tudo aquilo que é tão potente que não se pode limitar à qualquer coisa além de seguir o próprio fluxo. O amor, o ódio, a raiva, são sentimentos que, quando represados, tensionam o sujeito que sente e acabam transbordando. Aqui temos uma obra que permanece ressonando no leitor, mas não em sua mente racional, mas nesse intangível lugar onde mora aquilo que não conseguimos traduzir em palavras, só sentir.

Jão reúne 12 mil fãs em uma audição exclusiva do seu novo álbum que busca referências oitentistas e exalta sua versatilidade.
por
Romulo Santana
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15/08/2023 - 12h

Depois de “Lobos” representando a terra, “Anti-Herói” o ar e “Pirata” a água, chega a vez de “Super”: o álbum de fogo. João Vitor Romania Balbino (28), mais conhecido como Jão, começou sua carreira com o lançamento de covers na internet, enquanto era graduando de publicidade e propaganda na USP. Com 5 anos de carreira, ele se tornou um nome em ascensão no cenário do pop nacional. Sua última turnê “Pirata”, contou com 40 apresentações — sendo 6 dessas esgotadas no Espaço das Américas. Já a “Super Turnê”, seu novo projeto, começa no dia 10 de Janeiro de 2024, no Allianz Parque, com a proposta de ser uma tour de estádios e arenas. Antes disso, Jão se apresenta no festival The Town no dia 2 de Setembro. “Coisas gigantes estarão presentes”, disse ele durante a audição exclusiva do álbum “Super”.

Um homem branco de cabelos platinados veste uma regata branca e uma calça jeans azul e está sentado em cima de uma cerca de madeira
Tracklist do álbum "Super". Imagem: Gabriel Vorbon. Reprodução Instagram

 

Seu novo lançamento tem referências oitentistas aparentes em sua sonoridade, trazendo novas histórias de amor nas composições inéditas, que também exploram a vida amorosa do cantor. No “lado a”, o disco busca ser mais leve, com instrumentais mais animados, como forma de revisitar sua juventude no interior, mas também suas histórias na atualidade, finalizando com a sétima faixa “Julho” – sendo também o lado mais comercial do disco.  Os destaques deste lado do projeto ficam para “Escorpião”, que cria uma atmosfera intensa que permeia a gravação e “Gameboy”, quando o cantor exibe sua autoestima dentro de um relacionamento e como toda aquela situação parece um jogo que ele está disposto a jogar. Já o “lado b”, abraça composições mais sóbrias e sombrias – como por exemplo sua mudança do interior para a cidade de São Paulo em 2015 – além de muitas referências aos seus lançamentos anteriores. Destaca-se “Eu posso ser como você”, com outro ponto de vista da história da faixa anterior “Julho” e também uma resposta faixa “Eu quero ser como você”, do seu disco de estreia.


 

Na imagem há um banner vermelho com os dizeres "Jão Super, audição" à frente do Ginásio do Ibirapuera
Entrada da audição exclusiva no Ginásio do Ibirapuera. Imagem: Romulo Santana

 

O artista disse que já escolheu o single que iniciará a divulgação do álbum, mas que o clipe ainda não foi gravado. A audição exclusiva do “Super” ocorreu no dia 13/08, no Ginásio do Ibirapuera – com 12 mil ingressos distribuídos de forma gratuita pelo cantor. O evento foi apresentado pela jornalista Valentina Pulgarin, amiga pessoal do cantor. Ao fim da apresentação do trailer do disco, a apresentadora iniciou uma contagem regressiva para a 1ª audição do material inédito com vizualizers. Após a escuta do material, o artista agradeceu emocionado a recepção dos fãs e foi entrevistado por Pulgarin. Jão diz não ter tido férias após a última turnê e que “Super” foi sua prioridade, uma vez que o trabalho só faz sentido quando chega à seus fãs. Seu novo trabalho chegou às plataformas digitais na última Segunda (14).

Em um telão, Jão, um homem branco de cabelos platinados secando os olhos
Jão emocionado, após a audição de "Super". Imagem: Romulo Santana

 

Primeiro disco da banda Besouro Mulher viaja no universo sentimental e imaginário dentro do plano concreto do dia-a-dia
por
Maria Eduarda dos Anjos
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11/08/2023 - 12h

         Alguns desconfortos são postos no mundo melhor pelo humor, outros, pela música. A banda paulistana Besouro Mulher brinca e mistura essas duas formas tão cotidianas de comunicarmos sentimentos no seu álbum de estreia Volto Amanhã (RKMB), sequência do EP Depois do Carnaval. O projeto estava nos rascunhos de Arthur Merlino (baixo), Bento Pestana (guitarra), Sophia Chablau (voz) e Vitor Park (bateria) e ganhou contorno no meio da pandemia, durante intensivões de criação de um lugar para além daquele do isolamento, algo que existisse apesar do que é possível tocar, mas que ainda acena para o mundo real. “O nome [do disco] traz uma coisa um pouco indecifrável do futuro e de um passado que não aconteceu, tem cara de algo que beira o mundo da imaginação e, ao mesmo tempo, chama pelo real e pela dureza do real” conta Bento.

           Apesar de ser o debut da banda, a vocalista não é nem um pouco estranha à cena independente:girou pelas casas noturnas com sua outra banda, Sophia Chablau e Uma Incrível Perda de Tempo. O disco homônimo despontou com produção de Ana Frango Elétrico e arrastou a cena indie pela cidade. A sonoridade dos projetos se conversam na dinâmica dois-lados-da-mesma-moeda: se a Besouro Mulher é mais sentimental sobre amor, Incrível Perda de Tempo foca no ‘delícia, luxúria’ ; a primeira traz uma guitarra mais melódica, enquanto a segunda pesa em sintetizadores e distorções que formem uma parede de som que se arrasta, preenchendo os segundos; ambas carregam um tom descontraído que arranca uma risada do público, às vezes proposital, às vezes não.

         ‘Torresmo’, faixa emprestada que virou single, encapsula a essência do disco que viria pela frente: “Essa música fala muito sobre imaginação e até uma certa subversão do normal, daquilo que é a nossa sina”, comenta Sophia. A composição de Juliana Perdigão e Arnaldo Antunes íntegra sem ruído a coletânea; “eu sou um Super-Homem submisso” e “Queria estar a sós comigo mesmo/ e ter a eternidade toda em torno” são tão naturais à voz de Sophia que poderiam ser composição própria. “Foi um desafio trazer para uma sonoridade mais nossa, o Bento e eu pensamos pra ‘tirar o blues’ dela, porque tudo que a gente fazia ficava com cara de blues, por causa da harmonia e talvez alguma outra essência inominável que estava na música, mas acabamos conseguindo e ficamos muito felizes com o resultado. Além disso, acabamos ficando sabendo que a própria Juliana e o Arnaldo gostaram da versão, então a satisfação foi grande”, completa Arthur.

Imagem: Igor Miranda
Imagem: Igor Miranda 


          Volto Amanhã é um apanhado de como o cotidiano transborda de material para reflexão, uma “crônica que nunca consegue ser completamente captada pelas palavras. O som, assim como a capa e o nome trazem um pouco essa sensação de vertigem, de algo que não tem um começo e que se soma a um real imaginário e que termina voltando para o começo”, define Bento. “Carótida” é uma colagem de questionamentos sobre a essência das pessoas e como é possível o universo interior ser muito maior do que qualquer esqueleto pode ser, tudo em cima de uma guitarra que soa como um relógio, os pensamentos correndo mais rápido que o tempo. “Pão Francês” é mais calma, e salta entre o francês e o português para desenhar um relacionamento tão dessincronizado que chega a parecer que não falam a mesma língua. ‘Curto/Tempo’, um loop ambiente, é sobre “curtir passar o tempo curto com você” - simples assim. A faixa traz um pouco de Mac DeMarco, Homeshake e até Billie Eilish, segundo a banda.

          Em “Alguma Coisa”, Sophia Chablau explora o desejo de expressar algo único e original para alguém especial, mas ao mesmo tempo reconhece a dificuldade de encontrar palavras verdadeiramente inéditas. Nesse sufoco, faz graça da sua própria situação no meio da canção, falando “ela não diz nada de original, coitada!” , que arranca um risinho de surpresa de quem ouve. Quanto a esse humor casual, Sophia diz que não é intencional, acaba sendo a forma que escreve músicas, mas é principalmente como o público as lê. “ É constante as pessoas acharem minhas músicas engraçadas. Outro dia estava tocando numa edição do Tranquilo SP e durante “Hello” o pessoal deu muita risada. Eu acho curioso legal, curioso porque não escrevo música pra “ser engraçada”, mas eu acho legal, rir é uma forma das pessoas reagirem. E não é que eu seja uma pessoa séria ou sem senso de humor, eu dou risada o dia todo. Acho rir e chorar duas sensações boas, e fico feliz de despertar alguma emoção. Não me “utilizo do humor” de forma pensada, acho que é uma coisa meio natural, muitas das vezes a minha música soa engraçada porque deve ser diferente ouvir “miojo” numa música séria em português”, Chablau fala enquanto tenta tirar sentido disso.


          É fato, pouquíssimas músicas falam dos três minutinhos tão curtos mas tão rotineiros, mas a Besouro Mulher decidiu que até a mais banal das banalidades merece suas cinco notas na. E que bom.


          A Besouro Mulher fará seu show de estreia na Casa Rockambole no sábado (12) , com abertura de Uiu Lopes. Volto Amanhã pode ser ouvido todos os grandes streamers e os ingressos podem ser adquiridos pela Sympla.

 

 

Série conquista o público por ser uma adaptação fiel ao jogo
por
Bruna Alves
Luana Galeno
Maria Eduarda Camargo
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15/03/2023 - 12h

The Last Of Us, a nova série distópica da HBO Max, está quebrando números de audiência no streaming, ultrapassando inclusive House of the Dragon, e tornando-se a adaptação de jogo para série mais bem avaliada do IMDb (Internet Movie Database), com uma média de 9.4/10.

Baseada no jogo premiado da Naughty Dog com a Playstation, a produção de Neil Druckmann e Craig Mazin conta com 9 episódios que retratam a jornada de Joel (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) tentando sobreviver em um mundo pós-apocalíptico.

A trama se passa 20 anos após o colapso da humanidade devido à pandemia de uma variante do fungo Cordyceps. A mutação ataca o cérebro do hospedeiro humano, transformando-o em "Infectado" - um ser ainda vivo mas incapaz de controlar suas ações. Os níveis de infecção se desenvolvem ao longo do tempo após a mordida — ou no caso do jogo, a inalação de esporos.

Infectado na série The last of Us. Fonte: The Enemy
Infectado na série The last of Us. Fonte: The Enemy

Joel, o personagem masculino principal, é um contrabandista que se depara com o roubo de sua carga. Para recuperá-la, ele deveria levar Ellie, a jovem protagonista, para o quartel general dos Vagalumes (grupo paramilitar opositor ao governo). Mais tarde, ele descobre que Ellie é imune ao vírus, revelando o interesse dos Vagalumes por ela. Com esta missão, um homem sem esperanças e uma criança provocadora encaram barreiras que vinte anos de caos trouxeram.

O Jogo

In game shot. Fonte: Playstation
In game shot. Fonte: Playstation

O jogo – lançado em 2013 para o Playstation 3 e remasterizado em 2014 – começou sua produção em 2009, depois do último sucesso da empresa Naughty Dog com Uncharted 2, e desde então revolucionou a indústria de jogos. Com inovação na criação do enredo, grande desenvolvimento de trilha sonora e protagonismo feminino, o jogo ganhou 196 prêmios de mídia especializada, incluindo 3 BAFTAs (British Academy of Film and Television Arts).

A trilogia, que conta também com The Last Of Us: Parte II, lançada em 2020, segue sendo a mais premiada no universo dos games. O jogo abriu um caminho carregado de dramaturgia em um mundo antes populado somente por cenas de ação e personagens rasos. A utilização de cut scenes mais longas e a manipulação da jogabilidade dos personagens – junto de artifícios novos para a época, como finitude de recursos e exploração de histórias laterais – foi o que trouxe a beleza do cinema para o universo dos consoles. 

Outro ponto importante do jogo é a trilha sonora original – criada pelo argentino Gustavo Santaolalla e que ganhou o prêmio BAFTA – contando com composições mais naturais nas cenas de ação, que conquistou os jogadores e os críticos especializados na área. Gustavo também foi o criador da trilha sonora da série.

A Série

Fonte: The Last of Us - HBO Max
Fonte: The Last of Us - HBO Max

O aspecto de ação é mais presente no começo, com as primeiras aparições dos Infectados, e vai diminuindo gradativamente no decorrer da história. Apesar disso, a série ilustra todos os tipos de infectados presentes no primeiro jogo: Corredores, Espreitadores, Estaladores e Baiacus.

Cena do Baiacu em The Last of Us. Fonte: Rolling Stone
Cena do Baiacu em The Last of Us. Fonte: Rolling Stone

A obra segue uma linha narrativa mais dramática, focando nas frágeis relações dos personagens, tanto de Ellie e Joel, quanto deles com outros personagens. The Last of Us também explora histórias paralelas, como no episódio 3, onde é retratada a vida de Bill e Frank, meros coadjuvantes no jogo, que proporcionaram na obra da HBO uma nova perspectiva sobre o amor em um mundo apocalíptico.

Sobre os personagens principais, é possível entender as multifacetas que representam tanto Joel quanto Ellie. Ele perde sua filha, Sarah, no início do surto pandêmico — vinte anos antes da trama —, o que torna perceptível a barreira entre ele e Ellie desde o primeiro encontro dos dois. Porém, com o passar dos episódios, nota-se a aproximação entre eles e o desenvolvimento de uma relação afetuosa de “pai e filha” que Joel acreditava ter perdido. Este vínculo vai se intensificando a cada novo desafio apresentado e é assertivamente demonstrado pela atuação de Pedro Pascal e Bella Ramsey.

A adaptação também chamou uma atenção detalhista quanto à fidelidade ao jogo. Diversas cenas foram reproduzidas de forma idêntica, fazendo uso dos mesmos diálogos e até o mesmo enquadramento. Grande parte disso se deve ao fato da equipe produtora do jogo — especialmente Druckmann e Mazin — estarem envolvidos na produção da série.

Apesar disso, houveram críticas por parte dos fãs do jogo em relação a pouca exploração dos Infectados, como as frequentes "hordas de zumbis”. Porém, havia, por parte dos diretores, a preocupação em não ser repetitivo e a necessidade de adaptação para televisão.

Opinião

Comparação entre cena no jogo e na série. Fonte Imagem 1: Wikihow | Imagem 2: The Last of Us - HBO Max
Comparação entre cena no jogo e na série. Fonte Imagem 1: Wikihow | Imagem 2: The Last of Us - HBO Max

A ausência da já conhecida e cansativa “horda de zumbis” e de um Joel “à prova de balas” cria uma atmosfera muito mais crível e dramática na obra. Tudo isso é combinado ao talento de Bella Ramsey, que tira completamente a Ellie de um papel passivo e prepara o espectador para o que está por vir. A criação de uma atmosfera de suspense e um novo take no estilo zumbi são os pontos essenciais para a fórmula de sucesso da série.

Outro ponto importante de The Last of Us é o jeito como Druckmann explora as diversas facetas de um mesmo personagem. Nenhum daqueles que se opõem aos personagens principais é inerentemente mau, mas sim só um ser humano lutando por sua sobrevivência e pela vida daqueles que ama. Tanto a série como o jogo se aprofundam na característica mais humana de todas: a busca por um motivo para sobreviver. A inevitabilidade da missão é a beleza da dramaturgia de Druckmann – e da HBO.

Com composições pessoais que alternam entre melancólicas e dançantes, o quinto álbum de Sabrina Carpenter demonstra sua força após um período conturbado
por
Maria Ferreira dos Santos
|
19/10/2022 - 12h

Depois de três anos do seu último álbum, Sabrina Carpenter lançou em julho deste ano o ‘emails i can’t send’. Esse hiato da cantora não significa uma pausa em sua carreira, muito pelo contrário, neste período a estadunidense esteve envolvida em outros projetos, muitos deles como atriz. Conhecida como Maya, de ‘Garota Conhece o Mundo’(2014-2017), série da Disney, Carpenter compôs o elenco de produções como ‘Crush à Altura’ (2019), ‘Clouds’ (2020), ‘Dançarina Imperfeita’(2020) e 'Emergência' (2022).

Montagem com algumas das produções em que Sabrina Carpenter participou.
Montagem com algumas das produções em que Sabrina Carpenter participou. Montagem: Maria Ferreira dos Santos

 

Apesar do destaque advindo dessas produções, a artista ganhou repercussão na mídia e, principalmente, nas redes sociais após o seu envolvimento num possível triângulo amoroso entre Joshua Basset e Olivia Rodrigo, atores que fazem par romântico em ‘High School Musical: The Musical: The Serie’.

Capa de singles dos artistas Joshua Basset, Olivia Rodrigo e Sabrina Carpenter, respectivamente.
Capa de singles dos artistas Joshua Basset, Olivia Rodrigo e Sabrina Carpenter, respectivamente. Montagem: Maria Ferreira dos Santos

O caso ganhou mais repercussão, ao passo que tanto Olivia Rodrigo quanto Joshua Basset produziram músicas com mensagens subjetivas sobre. Na época, Sabrina sofreu diversas ofensas na internet, uma vez que foi colocada como ‘a outra'. Com exceção de sua canção ‘Skin’, a compositora pouco comentou sobre o episódio.

Trecho da canção 'Skin', de Sabrina Carpenter
Trecho da canção 'Skin', de Sabrina Carpenter

Devido a isso, muito se imaginou que ‘emails i can’t send’ fosse uma espécie de resposta de Carpenter a tudo que aconteceu. Entretanto, o álbum vai muito além disso, ele é, também, uma amostra da vulnerabilidade de Sabrina e seu processo de crescimento pessoal.

As composições dessa coletânea levam o ouvinte à uma montanha-russa emocional, não à toa a ordem das faixas está pautada em melodias ora vibrantes e dançantes, ora melancólicas e lentas.

Faixas do álbum 'emails i can't send', de Sabrina Carpenter
Faixas do álbum 'emails i can't send', de Sabrina Carpenter

Faixa por faixa

A abertura do disco é extremamente íntima e auto-reflexiva, nela há o relato de uma filha que se decepciona ao descobrir o caso extraconjugal do pai e o impacto disso em sua própria perspectiva sobre o amor. Com a voz doce acompanhada de piano, a faixa-título tem menos de dois minutos e já consegue emocionar quem escuta.

Já ‘Vicious’, a segunda faixa, expõe um sentimento e uma história completamente diferentes e o arranjo sonoro segue na mesma linha. Com vocais mais fortes e um estilo pop-rock, a composição relata um relacionamento com alguém sem responsabilidade afetiva. “Me ama e finge que não amou | Quebrou o meu coração e destruiu minha imagem | Por que você tem que ser tão cruel?”.

Apesar de um início tranquilo, ‘Read your Mind’ é agitada, dançante e engraçada. De maneira irônica e debochada, Sabrina fala sobre alguém confuso que não sabe se quer estar sozinho ou num relacionamento e ela, por sua vez, não consegue ler sua mente e entender o que está acontecendo com essa pessoa. Aqui o ouvinte já consegue acompanhar o storytelling do disco.

A quarta música retorna ao estilo mais tranquilo das demais músicas, mesmo assim não deixa de lado referências e arranjos do pop-dance. ‘Tornado Warnings’ representa uma fase de negação, em que é ignorado os alertas de que essa relação não daria certo e, na tentativa de convencer a si mesma que não sente mais nada, ela mente ao seu terapeuta sobre o ter visto e beijado esse ex (ou não) companheiro.

Em ‘because i liked a boy’ a referência ao episódio envolvendo Joshua Basset e Olivia Rodrigo é mais evidente por conta de frases como “Eu sou a fura-olho que veio logo depois | Roubando os mais novos” , "Namorar garotos com ex | Não, eu não recomendo” e “Não foi uma ilusão para internet”. Essa é uma das três músicas que receberam videoclipe, nele Sabrina está num ambiente circense como quem diz que tudo isso foi um verdadeiro “circo” só porque ela gostou de um garoto.

Reprodução do videoclipe 'because i like a boy'.
Reprodução do videoclipe ‘because i like a boy’, em que Sabrina Carpenter está inserida num ambiente circense.

‘Already over’ é leve e conta com uma pegada mais country. Ela retorna ao assunto do caos emocional, em que há incertezas e confusões, resultando em recaídas de ambos, mesmo que o relacionamento já tenha acabado. Logo em seguida o disco apresenta ‘how many things’, essa música diverge entre as apresentadas até aqui. Ela é mais longa e a mais carregada de lirismo, além de um instrumental mínimo apenas para acompanhar o suave vocal. Essa faixa representa o fim de um relacionamento, em que tudo é recente e faz com que haja recordações recorrentes, mesmo com a ideia de que o outro lado não está na mesma situação.

‘Bet u wanna, ‘nonsense’ e ‘fast times’ lembram as músicas ‘sue me’ e ‘looking at me’, lançamentos antigos de Carpenter, elas apresentam um tom sexy, provocativo, debochado e cheio de autoestima, aqui é possível dizer que é a fase de superação.

Campanha de divulgação do videoclipe de 'Fast Times'.
Campanha de divulgação do videoclipe de ‘Fast Times’

 

A décima primeira faixa é ‘skinny dipping’, que além de videoclipe recebeu uma versão acústica. Ela contém um clima leve e nostálgico ao falar de situações que poderiam acontecer ao encontrar alguém com quem conviva.

Capa do videoclipe de ‘skinny dipping’
Capa do videoclipe de ‘skinny dipping’

Bad for business’ é a penúltima faixa e traz a ideia de um amor tranquilo, mas ainda sim marcado por uma insegurança de que possa ser ruim à sua imagem, aos seus negócios. Por fim, há ‘decode’, em que novamente é mostrado um aspecto de vulnerabilidade, nela Sabrina diz pensar e repensar sobre o que aconteceu e, assim, chegar a conclusão de que não há mais o que fazer, não há mais o que decodificar.

Os 13 emails enviados por Sabrina Carpenter demonstram sua capacidade de contar uma história a partir de seu lirismo e honestidade. É fácil se conectar com as emoções expostas em ‘email i can’t send’, ora explosivas, ora tranquilas, ora confusas.

Capa do álbum 'emails i can't send', de Sabrina Carpenter, lançado em julho deste ano.
Capa do álbum 'emails i can't send', de Sabrina Carpenter, lançado em julho deste ano.