Jornalista compartilhou sua trajetória e respondeu perguntas de alunos de Jornalismo da PUC-SP
por
Thaís de Matos
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23/04/2026 - 12h

“Desde cedo, eu entendi que eu tinha uma função de fazer a ponte entre as pessoas que precisavam ser ouvidas e as elites”. Mais de uma vez, o papel de “fazer a ponte” foi frisado como um motor para Juliana Rosa, jornalista de economia há mais de 25 anos. Ela é comentarista da área na Band TV, Bandnews TV e rádios Bandnews e Bandeirantes desde 2021. 

Na labuta, Rosa recebe autoridades, economistas e empresários, com o intuito de compartilhar conhecimento de forma simples, a fim de contribuir para um debate qualificado no país. Antes do Grupo Bandeirantes de Comunicação, a jornalista atuou 20 anos como analista de economia na GloboNews. Ela começou a carreira em 1997 em uma rádio popular do Rio de Janeiro, a Rádio Tupi, indiretamente por influência do pai. Tanto ele quanto a mãe são pernambucanos, que vieram para o sudeste a fim de melhorar as condições de vida. 

“Eu via meu pai, que trabalhou em uma rádio até o final da vida. Eu cresci vendo meu pai, ia trabalhar com ele, às vezes porque minha mãe ainda não tinha chegado [do trabalho]. E uma coisa que eu continuei fazendo, que ele fazia, era todo dia parar na porta da rádio e ouvir as pessoas que estavam ali”, relembra Rosa. Ainda dando continuidade à história, Juliana diz que ouvir essas pessoa foi o que a fez escolher o Jornalismo.

juliana rosa e pollyana ferrari
Juliana Rosa ao lado da professora Pollyana Ferrari / Foto: Thaís de Matos

“As pessoas ficam até hoje em portas de rádios populares porque são invisíveis na sociedade. E você parar ali é uma questão de obrigação jornalística, porque são aquelas pessoas que vão te dizer por que você é jornalista. Elas vão falar que não têm remédio, lixo, saneamento básico, que não comem direito, têm trabalho… Então, certamente isso me moldou completamente. A gente fica achando que a economia está muito longe, mas por que tais pessoas não têm condições de melhorar de vida? Quais são as pautas econômicas que a gente precisa discutir para que essa realidade mude?”, reforça Rosa.

A partir desse questionamento, ano passado ela lançou o livro “De galinha a gavião: como impulsionar o voo da economia brasileira", que tem como objetivo traduzir o "economês" para quem não é especialista, mas quer entender os mecanismos que travam o crescimento do Brasil. Para escrever o livro, Juliana conversou com alguns dos maiores nomes de cada área. “Foi a partir desse incômodo interior que eu tive a minha vida inteira que eu tive a coragem de escrever esse livro como jornalista. Não sou economista, mas quis ouvir os grandes especialistas para dizer que do jeito que está, não dá para ficar”. O título da publicação faz uma analogia entre o “voo” da galinha e a economia brasileira: ambos crescem, mas logo caem – não se sustentam. 

Ainda nessa linha, Juliana critica os jargões do “economês” que tanto são reproduzidos, mas não são devidamente explicados. “O ‘economês’ tem uma função, que é perpetuar as desigualdades, continuar falando para quem já é iniciado. Então, em toda a minha vida, a questão de traduzir a linguagem sempre foi a marca da minha profissão. É um esforço de compreensão, se as pessoas não entendem como você está falando, a gente está falhando”. Mesmo atuando há tanto tempo na editoria econômica, a jornalista diz que até hoje é interrompida ou ignorada por entrevistados homens. Para ela, o preparo é importante para se fazer ser mais ouvida. “A gente tem uma desvantagem, porque a visão machista ainda é muito grande. Isso tem melhorado devagarinho, mas acho que a gente tem que se impor pela nossa competência e se dar o respeito. É duro, cansa, nosso esforço [de mulheres] normalmente é maior, mas não tem outro caminho”, desabafa.  

Tática de retaliação iraniana restringe o fluxo de petróleo apenas a "nações amigas", eleva o barril do Brent a US$104 e acende alerta sobre nova onda de inflação mundial
por
Juliana Bertini de Paula
Maria Eduarda Cepeda
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27/03/2026 - 12h
Desde o último dia 2 de março, o Estreito de Ormuz passou a operar sob fortes restrições impostas pelo Irã a embarcações consideradas “hostis”, impactando diretamente navios ligados aos Estados Unidos, Israel e países europeus. A passagem, que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, não está totalmente fechada, mas funciona de forma seletiva, com autorização caso a caso sob controle da Guarda Revolucionária iraniana (IRGC), o que reduziu drasticamente o fluxo marítimo na principal rota energética do mundo.

A atual crise geopolítica se intensificou após os bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos no dia 28 de fevereiro, ofensiva que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei. A confirmação oficial do óbito ocorreu no mesmo dia pela mídia estatal, desencadeando uma escalada militar que culminou na eleição do linha-dura Mojtaba Khamenei, filho de Ali, como novo líder supremo em 8 de março. Como resposta aos ataques, Teerã passou a restringir o tráfego no estreito e a realizar ataques pontuais a embarcações comerciais, ampliando o risco na área.

O impacto da crise atinge diretamente uma das principais artérias da economia global: cerca de 20% do petróleo mundial e uma parcela significativa do gás natural liquefeito (GNL) passam pelo estreito. Com a queda de 95% no fluxo de navios de carga registrada nas últimas semanas, os mercados de energia enfrentam forte volatilidade. O barril do petróleo tipo Brent ultrapassou a marca dos US$ 100 em diferentes momentos ao longo do mês. Para tentar conter a crise de desabastecimento, a Agência Internacional de Energia (AIE) já liberou 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais e estuda uma nova intervenção.

Para a economista Luciana Massaguer, formada pela PUC-Campinas, os efeitos já são concretos e devem se intensificar. “O choque de inflação já é uma realidade. Não é mais uma expectativa e é irreversível, não só por causa do petróleo, mas também por causa da energia, que está mais cara na Europa e na Ásia”, afirma. Segundo ela, a resposta das autoridades monetárias tende a ser limitada: “A resposta dos bancos centrais, como Fed, BCE e Banco Central do Brasil, é complexa, pois aumentar os juros para combater a inflação pode acelerar a recessão, enquanto cortá-los pode inflar ainda mais os preços.”

A transformação da região em uma zona de alto risco militar também elevou os custos do transporte marítimo internacional. Seguradoras passaram a restringir cobertura para embarcações na área, enquanto companhias de navegação evitam a rota — o custo para transportar um barril de petróleo chegou a duplicar desde o início do conflito. Embora não haja uma paralisação total incontestável, o estrangulamento do tráfego já representa um gargalo histórico para o comércio internacional.

Os efeitos começam a se expandir para além do setor energético. O encarecimento do transporte e a instabilidade na região impactam o fluxo de insumos agrícolas, incluindo fertilizantes, em um momento sensível para o calendário de plantio em diversas partes do mundo. “O impacto chega antecipado porque o mercado antecipa tudo. Os fretes encarecem os preços na base e a falta de seguro na navegação naquela região está gerando escassez”, explica Massaguer. Ela destaca ainda que o maior risco está na cadeia alimentar global: “O que pode afetar mais é a segurança alimentar e a oferta de fertilizantes que precisam passar por lá.”

Apesar disso, a economista avalia que os impactos no Brasil tendem a ser mais moderados no curto prazo. “Aqui no Brasil não acho que teremos problemas de segurança alimentar no curto prazo porque temos estoque, mas voltamos para o problema da inflação”, afirma.

No campo diplomático e militar, o cenário sofreu uma reviravolta na terça-feira (31). O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, passou a avaliar a possibilidade de encerrar a guerra contra o Irã mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça fechado. O Pentágono avalia que uma operação militar direta para reabrir a rota marítima prolongaria o conflito, optando agora por uma estratégia focada em enfraquecer a Marinha iraniana e pressionar aliados. Paralelamente, os esforços para formar uma coalizão internacional de proteção marítima continuam enfrentando adesão limitada.

Para economias altamente dependentes da importação de energia, as alternativas logísticas seguem restritas. Oleodutos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos operam próximos da capacidade máxima, mas conseguem desviar apenas parte do volume que normalmente atravessa o estreito. Esse limite evidencia a dependência estrutural global de uma rota estratégica que segue operando sob forte instabilidade e com perspectivas incertas de reabertura total.

Na avaliação de Massaguer, o tempo será um fator determinante para a gravidade da crise. “A economia mundial aguenta essa ‘asfixia’ por um curto período, de um a três meses, sobrevivendo com estoques e rotas alternativas. A partir do quarto mês, o esgotamento dos estoques e o custo proibitivo da energia tornam uma recessão profunda quase inevitável”, conclui.

Aplicativos começam a mudar a relação dos fiéis brasileiros, gerando impacto nas cerimônias
por
Sofia Morelli
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24/03/2026 - 12h

A religiosidade está passando por um processo de digitalização, alterando práticas religiosas tradicionais e o alcance das instituições. Com a reconfiguração da crença no mundo contemporâneo, surgem preocupações sobre o que pode estar sendo perdido durante o processo. A facilidade de acesso e de ampliação é um atrativo, que para muitos fiéis pode instigar a devoção a sua devida fé, mas historicamente a religião privilegiava o esforço na devoção, o que mudou com as transmissões de missas, cultos e o impulso da comunicação digital, tornando-se uma fé mais individualizada. 

Localizada no bairro Itaim Bibi, em São Paulo, a igreja Metodista do Itaim Bibi (IMIB) recorre à transmissões online como forma de atrair mais fiéis e trazer inovação por meio de "apps da fé". “As transmissões acabam trazendo benefícios para a igreja, porque alcança mais jovens e hoje em dia e está difícil atraí-los. A gente só tem dois jovens que frequentam", diz a pastora Meire. Ela assumiu o cargo em fevereiro de 2026 e já implementou um programa de transmissão dos cultos, que são divulgadas, por enquanto, em um grupo de WhatsApp. Com 47 milhões de fiéis protestantes no Brasil, segundo pesquisa IBGE (2022), a fé atravessou séculos com uma estabilidade admirável, sofrendo apenas algumas mudanças do tempo. Os meios de comunicação digital não chegaram para desestabilizar, mas como um processo natural da contemporaneidade. Por exemplo, o compartilhamento do evangelho e a inserção da igreja no ambiente digital atravessa novas fronteiras, podendo se aproximar de adeptos a fé que não costumam seguir a doutrina tradicional. 

Em 2021, a Igreja Adventista no Brasil começou a explorar esses novos formatos digitais com recrutamentos de desenvolvedores, apostando que esse novo mundo seria benéfico para a ampliação da doutrina. Carlos Magalhães, diretor de marketing digital da instituição Adventista, em uma entrevista para o Instituto Humanitas Unisinos, diz: " Eu só uso aplicativos, lá tem tudo. Vejo o horário do pôr do sol e leio um texto para fazer a meditação. É bom para quando estou em viagem e não levei a Bíblia, por exemplo. Assim posso receber o sábado com oração", diz.

 “No final quem acaba acessando, nos aplicativos que algumas igreja já usam ou no nosso grupo mesmo, são só pessoas que já fazem parte da comunidade e querem sentir as palavras de Deus, mesmo à distância”, conta pastora Meire, mas a cautela deve estar sempre presente. O intuito deve ser a ampliação ao invés da substituição da profundidade espiritual por uma mentalidade imediatista. Essência e adaptação podem andar lado a lado com equilíbrio, com a exploração das tecnologias e o mantimento dos valores, sem acompanhar as exigências do nosso presente.

Missa de Domingo (22) na Igreja Metodista do Itaim Bibi.

 


 

Uma análise sobre a passagem do físico e teórico alemão pelo Brasil e o apagamento das mulheres na ciência
por
Natália Matvyenko Maciel Almeida
Joana Grigório
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16/11/2025 - 12h

Em 1925, Albert Einstein desembarcou na américa do sul, na cidade do Rio de Janeiro, para uma sequência de palestras e nesse vídeo exploramos uma parte dos relatos escritos em seu diário e a falta de registros de pessoas racializadas e também de mulheres nas conferências.

Referências utilizadas para esse vídeo: 

1. Tolmasquim, Alfredo Tiomno. Einstein, o Viajante da Relatividade na América do Sul (2003)
Este livro oferece um olhar detalhado sobre a visita de Albert Einstein à América do Sul, incluindo sua passagem pelo Brasil. O autor explora a recepção do cientista e seu impacto no cenário científico da época.

2. Haag, Carlos. "Tropical Relativity" (2004)
Artigo publicado na revista Pesquisa FAPESP, que aborda os diários de viagem de Einstein na América do Sul, com destaque para suas observações sobre o Brasil e suas interações com a ciência local.

3. Moreira, Ildeu de Castro. Entrevista: Visita de Einstein ao Rio de Janeiro promoveu valorização da ciência pura (2025)
Entrevista com Ildeu de Castro Moreira, que discute o impacto da visita de Einstein ao Rio de Janeiro, enfatizando a valorização da ciência fundamental e os desdobramentos para a pesquisa no Brasil.

4. Fundação Oswaldo Cruz. Museu tem atrações em homenagem aos 100 anos da visita de Einstein (2025)
A Fundação Oswaldo Cruz celebra o centenário da visita de Einstein ao Brasil com exposições e atividades que relembram a importância histórica dessa passagem do cientista.

5. Observatório Nacional. 100 Anos de Einstein no Brasil (2025)
O Observatório Nacional comemora o centenário da visita de Einstein ao Brasil com uma série de palestras e reflexões sobre o impacto de sua passagem no campo científico brasileiro.

6. Rosenkranz, Ze'ev (org.). The Travel Diaries of Albert Einstein (2018)
Esta coletânea organiza os diários de viagem de Einstein, incluindo suas observações sobre diferentes regiões do mundo, com destaque para seus comentários sobre a América do Sul, e apresenta uma análise crítica sobre seus pontos de vista racializados.

7. Artigos de divulgação histórica sobre os diários de Einstein e racismo
Diversas publicações, como matérias da History.com e do The Guardian, discutem as anotações de Einstein sobre suas viagens à Ásia e outros lugares, destacando seus comentários sobre raça e cultura.

Nota de Checagem de Fatos
As informações sobre a visita de Einstein ao Brasil e seu impacto no país, incluindo o papel de Carlos Chagas e a análise dos diários de viagem, foram baseadas em fontes como Fiocruz, Observatório Nacional, e pesquisas de Ildeu de Castro Moreira. As reflexões sobre os comentários racializados de Einstein seguem a análise crítica adotada por estudiosos como Tolmasquim, Haag e Rosenkranz.

Releitura transmídia da estadia do físico no Rio de Janeiro em 1925
por |
03/11/2025 - 12h

Em maio de 1925, Albert Einstein visitou o Rio de Janeiro por uma semana hospedando-se no Hotel Glória, quarto 400. Apesar da recepção calorosa como celebridade, sua passagem foi um desastre cômico. A comitiva que o cercava não tinha um único físico ou matemático - apenas médicos, advogados, políticos e militares da elite social brasileira. No Clube de Engenharia, falou para uma plateia lotada que não entendia alemão nem suas ideias, em uma sala barulhenta e sem acústica. Na Academia de Ciências, teve que ouvir três discursos vazios em francês mal falado, incluindo um sobre "a influência da Relatividade na Biologia". O ápice foi quando o jurista Pontes de Miranda tentou desafiá-lo em alemão com considerações sobre metafísica e direito. Einstein levou de presente um papagaio que repetia "Data venia, Herr Einstein", lembrando-o sempre, com humor, da "ciência" dos doutores brasileiros.

“Einstein: visualize o impossível” é um projeto dos estudantes do quarto semestre de jornalismo da PUC-SP, da disciplina de jornalismo transmídia. O projeto aborda, de diferentes maneiras, uma releitura da icônica visita do físico ao Brasil em 1925. Todos os relatos estão em um site especial. Além de produções visuais e sonoras, o especial propõe uma narrativa em quadrinhos que conecta ciência, história e imaginação, tendo como cenário o Observatório Nacional (espaço que recebeu Albert Einstein). 

A produção contou com a colaboração de Bruno Matos, vice-diretor da Escola Estadual Professor Walter Ribas de Andrade. Já o vídeo “Os impactos de Albert Einstein na educação brasileira explicado por doguinhos” apresenta as contribuições das teorias do cientista para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a partir da entrevista com o professor de física Dediel Oliveira.  

Em “Diário do Einstein”, o leitor encontra coletânea de depoimentos em formato de diário sobre a passagem de Albert Einstein pelo Rio de Janeiro no ano de 1925, comentando ao longo de cada dia, pontos turísticos e palestras presenciadas por ele. No podcast "A carta que revolucionou a corrida armamentista", discute carta assinada pelo físico Albert Einstein em agosto de 1939, que alertava o presidente dos EUA, Franklin D.Roosevelt, sobre o potencial da Alemanha nazista em desenvolver uma bomba atômica.

O vídeo vertical “Einstein no Brasil” narra o encontro do físico com Carlos Chagas, marcando um momento científico crucial. A produção destaca a troca intelectual entre os dois grandes nomes da época. Por fim, é possível compreender uma sutil crítica sobre a omissão de um encontro com cientistas mulheres consagradas, como Bertha Lutz. Em “Einstein: uma análise de sua trajetória política”, as cartas de Einstein e seus discursos que expressavam preocupação com a violência e os conflitos no Oriente Médio são revisitadas. Nas declarações, o físico defende uma convivência justa entre judeus e árabes, e o projeto analisa como suas palavras ecoam no contexto atual da guerra entre Israel e Palestina, mostrando que o tempo passa, mas as perguntas sobre humanidade e coexistência continuam urgentes. 

Finalmente, o livro "Os Sonhos de Einstein", de Alan Lightman, pela Cia das Letras, apresenta uma série de sonhos imaginários que o jovem Albert Einstein teria tido enquanto desenvolvia a Teoria da Relatividade, em 1905. Em cada um deles, o tempo funciona de um jeito diferente, às vezes para, volta ou corre mais rápido e essas variações servem para refletir sobre a vida, as lembranças e as escolhas humanas. "Neste mundo, a textura do tempo parece ser pegajosa. Porções de cidades aderem a algum momento na história e não se soltam. Do mesmo modo, algumas pessoas ficam presas em algum ponto de suas vidas e não se libertam".
 

Comércio de rua gera renda aos colaboradores e mantém viva uma tradição paulistana
por
Nathalia de Moura
Victória da Silva
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27/03/2025 - 12h

As feiras livres paulistanas já ocupam seus espaços pela cidade há anos. Gerando rendimento para muitos feirantes e possuindo uma variedade de produtos para a população, elas são essenciais para a geração de empregos. Com um público diverso, elas também são tradicionais no estado de São Paulo e dão a oportunidade de conhecer diferentes culturas e pessoas. Segundo a Prefeitura de São Paulo, por meio das secretarias de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), a primeira feira livre oficial aconteceu em 1914, através de um ato do então prefeito Washington Luiz Pereira de Souza. A ação surgiu para legitimar uma prática que já acontecia na cidade, mas de forma informal. Na ocasião, cerca de 26 feirantes estiveram no Largo General Osório, na região da Santa Ifigênia. Mais tarde, em 1915, outra feira se instalou, dessa vez no Largo do Arouche, e teve a presença de 116 feirantes.

As feiras não possuem um público-alvo e esse é seu diferencial. É possível ver crianças, jovens, idosos, famílias, moradores locais e até turistas usufruindo a multiplicidade de mercadorias que existem. Em sua grande maioria, pessoas da classe média e da classe trabalhadora são as que mais frequentam as feiras. Muitos também aproveitam para comprar legumes, verduras e frutas frescas, além de conhecer a cultura local.

São Paulo tem registrado cerca de 968 feiras livres e com a expansão desse comércio tão tradicional, a movimentação financeira gira em torno de R$ 2 bilhões por ano, incluindo a venda de até mesmo peças artesanais. Além disso, mais de 70 mil empregos, diretos e indiretos, são gerados.

Em Guarulhos, por exemplo, Quitéria Maria Luize, de 62 anos, vende condimentos e temperos em quatro feiras de bairros diferentes (Jardim Cumbica, Jardim Maria Dirce, Parque Alvorada e Parque Jurema), sendo essa sua única fonte de renda. “Ela é toda a minha renda, de onde eu tiro o sustento. Criei toda a minha família trabalhando com esses temperos. E começando lá de baixo, não comecei lá em cima”, diz Quitéria em entrevista à AGEMT. 

A feirante afirma que antes de estabelecer seu comércio nas feiras, ela iniciou vendendo temperos pelas ruas com um carrinho de pedreiro: “peguei esses temperinhos emprestados que a minha tia já vendia, saí nas portas, batendo palma e contando minha história”.

 

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Diversos condimentos são comercializados na barraca de Dona Quitéria. Foto: Victória da Silva

Vendedor das mais diversas frutas, Queiroz - como é conhecido e gosta de ser chamado - é feirante por tradição. Seu pai e seu avô participaram de feiras livres e passaram o negócio para ele, que vive disso até hoje, aos seus 60 anos. “O meu avô começou na feira em 1945, ele tinha uma chácara, colhia e vendia. Aqui em Guarulhos não tinha nada, mas já tinha a feira”, informa.

“A feira é patrimônio do Estado de São Paulo” afirma o vendedor, defendendo a existência dela como crucial para a vida dos paulistas e paulistanos. Queiroz diz que as feiras são tão importantes quanto os mercados, já que foi por meio desse comércio que eles passaram a existir: “Até o leite era vendido na feira. A feira era uma festa!", relembra QQueiroz. 

 

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Barraca de frutas do seu Queiroz. Foto: Victória da Silva.

Quem trabalha ou frequenta as feiras falam delas com muito carinho e cuidado. Além disso, os feirantes e moradores também podem ajudar na fiscalização das feiras. Caso identifiquem alguma irregularidade, eles podem acionar as subprefeituras para checarem, pois elas são responsáveis pelo monitoramento. Já a organização e a supervisão são feitas pela Prefeitura por meio da SMDHC e da Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento (SESANA).

Marcos Antonio da Silva é vendedor de ovos na feira do Jardim Cumbica há 10 anos, mas, diferente de Quitéria, durante os dias úteis trabalha em outra profissão: motorista de caminhão. O caminhoneiro de 52 anos diz que o comércio feirante é uma ótima forma de conseguir renda extra aos finais de semana. Contudo, as mudanças econômicas do país em 2025 fizeram as vendas caírem. “A feira me distrai muito. Aqui tem muita gente boa, atendo bem os clientes, tenho muitos, eles gostam do meu trabalho, eu gosto deles, mas a venda deu uma caída, subiu o preço do ovo, subiu o café, subiu o alho, subiram muitas coisas”, finaliza.

Ir à feira é um evento. Vemos diversas cores e sentimos vários cheiros e sabores. Mas as feiras livres possuem mais do que frutas, temperos e artesanatos. Elas apresentam histórias de vida e ali, amizades e novas experiências podem ser compartilhadas. 

No mês de março, torcida organizada realiza evento para apresentar novo projeto
por
Laila Santos
Tamara Ferreira
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24/03/2025 - 12h

No dia 8 de março, o Departamento Social da torcida organizada Gaviões da Fiel lançou a Secretaria da Mulher, que tem como principais iniciativas: apoio psicológico, jurídico e profissional; conscientização; arte e cultura; integração e diálogos. O objetivo desse pioneiro projeto é oferecer suporte e acolhimento às torcedoras e adeptas, promovendo ações voltadas para as mulheres dentro e fora das arquibancadas. O evento contou com homenagens, sorteios de serviços e produtos de mulheres empreendedoras, treino funcional e de defesa pessoal, exposições fotográficas de mulheres na torcida e café da manhã.

Confira no vídeo as entrevistas que fizemos com algumas fiéis torcedoras nesse dia memorável e marcado pela representatividade:

 

Número de espectadores da liga caiu cerca de 45% nos últimos 13 anos
por
Enrico Peres
Gabriel Ayres
Mateus Carrilho
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24/03/2025 - 12h

O basquete, que já havia sido o principal esporte norte-americano, vê cada vez mais a audiência e o interesse pela modalidade caírem. Desde o início da temporada de 2024/2025 o número de telespectadores já caiu 30% em relação à temporada anterior. Os números são ainda mais avassaladores em relação a 2012, onde houve uma queda de 45% na audiência durante esses 13 anos. 

De acordo com uma pesquisa realizada pelo portal de notícias Sportico, dentre os 100 eventos televisivos mais assistidos nos Estados Unidos em 2024, nenhum foi um jogo de NBA. O mais impressionante é a presença de 72 jogos da NFL nessa lista, além de um jogo da WNBA, liga de basquete feminino, o que pode indicar que o problema não seja o esporte em si, mas a liga masculina de basquete que não está atrativa para o público. 

Um evento que atesta o estado da NBA é o All-Star Game. Jogo que tradicionalmente reúne os melhores jogadores da liga para disputarem um jogo amistoso entre si. O evento que já foi um dos mais aguardados dos esportes, hoje não tem mais o mesmo brilho de antes. Os jogadores parecem desinteressados e sem competitividade para jogar, além de “pegarem mais leve” com medo de se lesionarem. O astro do Los Angeles Lakers, LeBron James, se posicionou sobre a queda de audiência do All-Star Game e da NBA como um todo: "Eles têm que fazer algo. Obviamente, nos últimos anos o All-Star Game não foi legal. É uma conversa muito maior. Não é só o All-Star Game, é nosso jogo em geral. Temos que ter uma conversa. São bolas de três para c** sendo arremessadas por jogo”.

João Dannemann, administrador do Camisa 23, uma das maiores páginas de basquete fora dos EUA, entende que a NBA tem problemas, mas não está em crise. “Não acho que a palavra ‘crise’ seja apropriada. Acho que a NBA nunca vai viver uma crise de audiência ou de jogo, visto que a marca é muito forte globalmente, ao contrário da NFL que é mais nixada nos Estados Unidos.”. Apesar de não reconhecer como crise, ele entende sim que a liga vem perdendo visibilidade no mercado americano e tem ficado para trás de outros esportes, como o futebol americano.

Sendo crise ou não, a liga está com problemas de audiência e esses são os principais motivos para isso estar acontecendo:

Domínio estrangeiro na NBA

A temporada 2024/25 da NBA possui o recorde de estrangeiros na liga,125 jogadores estrangeiros de 43 nacionalidades diferentes. Além da quantidade numerosa de estrangeiros, muitos deles também se tornaram os principais nomes da liga. Dos últimos seis vencedores do prêmio de MVP, três eram de fora dos Estados Unidos: Giannis Antetokounmpo, Joel Embiid e Nikola Jokic. E desde a temporada 2018/2019, ao menos cinco jogadores estrangeiros integraram os times do All Star Game. O último MVP da NBA, foi o norte-americano Jaylen Brown, que nesta atual temporada não performa em nenhuma das estatísticas da liga, já Jokic e Antetokounmpo, dois dos últimos três MVP's estrangeiros da NBA, aparecem em várias dessas estatísticas. Essa oscilação de uma figura estadunidense no topo da liga, após era Lebron e Curry, e com a ascensão de estrelas estrangeiras, faz com que os telespectadores norte-americanos não tenham alguém do mesmo país como referência atual em um esporte que por muitos anos foi o maior de sua nação.

Temporada cansativa

O formato atual da NBA também pode afastar os telespectadores da liga. Diferente da NFL, que vem tendo uma ascensão gigantesca de espectadores, a NBA possui 65 jogos a mais, só na temporada regular, que a liga de futebol americano. As duas ligas dividem os times em conferências e divisões, por conta do grande tamanho territorial dos Estados Unidos, tendo 2 conferências e 3 divisões na NBA e 4 na NFL. Mesmo com estrutura parecida, o calendário de jogos é totalmente diferente. Na NBA cada equipe disputa 82 jogos, 41 em casa e 41 fora. As equipes da Conferência Leste enfrentam os times da Conferência Oeste duas vezes durante a temporada regular. Dentro da divisão, que é criada de acordo com critérios geográficos, os times se enfrentam quatro vezes. E com rivais da mesma conferência, mas de divisões diferentes, são feitos três ou quatro jogos. Já a NFL opta por um calendário mais simples, com apenas 17 jogos na temporada regular, com direito a uma semana de folga durante a temporada, a “Bye week”.

Esses 17 jogos são divididos com 6 jogos dentro da sua divisão, com três disputados em casa e três fora, 4 serão contra uma divisão dentro da sua conferência, com dois em casa e dois fora, 4 serão contra uma divisão da conferência oposta, com dois em casa e dois fora, 2 jogos serão contra franquias que terminaram exatamente na mesma posição no ano anterior dentro das outras duas divisões da sua conferência que restaram, com um jogo em casa e outro fora e o último jogo é contra um time que ficou na mesma posição na temporada anterior em alguma divisão da conferência oposta que o time não está programado para jogar. Nos playoffs de ambas competições possuem a mesma quantidade de confrontos, porém não de jogos; isso ocorre pois cada confronto de playoff na NBA é decidido em até 7 jogos, ou seja, quem ganhar 4 jogos primeiro se classifica, já na NFL é decidido em jogo único. Essa quantidade excessiva de jogos na NBA, e repetição de adversários durante toda a temporada faz com que, para o espectador, fique muito massante de assistir, diferente da NFL, que fica muito mais dinâmica e emocionante, pois cada jogo se torna mais “único”. João Dannemann confirma essa falta dos jogos serem mais exclusivos; “ Oitenta e dois jogos é muita coisa. Para o público médio é ruim porque acaba tirando um pouco da importância da maioria desses jogos”.

 

Lebron James em sua estreia pelo Lakers, contra o Denver Nuggets, em 2018
Lebron James em sua estreia pelo Lakers, contra o Denver Nuggets, em 2018

 

Grandes Intervalos Comerciais

Na era moderna da NBA, com o produto da liga cada ano se valorizando, a liga também ganha uma maior visibilidade para marcas. Com isso, junto do aumento do número de transmissões, com todos os 2 mil quatrocentos e sessenta jogos de temporada regular sendo transmitidos, a duração de um jogo médio aumentou drasticamente comparada com a dos anos 90. O dinamismo do jogo de basquete deu lugar para propagandas que atualmente compõe a maioria do tempo de uma transmissão média, seja ela local ou televisionada nacionalmente. A duração regulamentar de um jogo é de 48 minutos, dividido em 4 tempos de 12, mas nas transmissões atuais esses 48 minutos se estendem, em média, por 2 horas e 13 minutos. Esse levantamento do padrão de tempo de um jogo foi feito pelo The Hoops Geek, portal americano, para a temporada 2021/22. Em jogos de Play-off, em que as partidas possuem maior visibilidade, esse tempo aumenta para 2 horas e 25 minutos.

O problema dos três pontos

Talvez a maior reclamação dentro da comunidade que consome NBA é que o jogo atual tem pouco dinamismo e é dominado pelas bolas 3. A linha de 3 pontos foi introduzida na liga em 1979,  mas era bem pouco aproveitada. No jogo da época, existiam poucos bons arremessadores e a Liga era composta, em sua maioria, por jogadores altos que dominavam o garrafão. Armadores como Magic Johnson conseguiam se impor na NBA pelo físico e atleticismo. Nos anos 90, a Liga diminui a a linha de 7,25 metros da cesta para 6,71, e nos anos 2000, a técnica de usar posses para chutar pra 3 se tornou comum,  com jogadores como Tracy McGrady, Ray Allen e Steve Nash aparecendo como protagonistas da liga como grandes armadores com ótimo aproveitamento no Mid-Range e na linha de 3.  Mas foi com a ascensão de Stephen Curry e do Golden State Warriors que o jogo de basquete na NBA mudou completamente. Já tendo conquistado um título no ano anterior, o Warriors terminou a temporada 2015/16 como o melhor time da história da temporada regular, construindo um recorde de 73 vitórias e apenas 9 derrotas e conseguindo um aproveitamento de 41.6% na cesta de 3, mesmo com uma média de mais de 31 arremessos tentados por jogo. Curry, que nessa temporada foi eleito de forma unânime o MVP, foi o jogador com mais arremessos certos de 3 numa mesma temporada regular, com 402. Após o Warriors aparecer como um time tão dominante e montar uma dinastia nos próximos anos, o modo de se jogar da NBA se transformou de um jogo físico para um jogo que era necessário saber chutar. Os pivôs não podiam ser apenas  imponentes, mas teriam que também saber chutar e armar jogadas.

Entenda como está o cenário desta subcultura na capital paulista
por
João Bueno, Fernando Amaral e Bruno Elias
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24/03/2025 - 12h

Em São Paulo, da capital as regiões metropolitanas, campos de terra batida às quadras improvisadas, uma evolução absurda está acontecendo no futebol de várzea. Em entrevista à AGEMT, o diretor do time da Zona Norte, Associação Desportiva Guarani, nos contou  sobre a vivência e a atual realidade da várzea. Assista ao vídeo

 

Entenda a ascensão e queda rápida do Governo Trump
por
Manuela Schenk Scussiato
Gabriela Blanco
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24/03/2025 - 12h

Donald Trump está enfrentando uma queda de popularidade desde que assumiu seu segundo mandato em 20 de janeiro deste ano. As razões em torno dessa rejeição estão ligadas a maneira em que tem lidado com as questões socioeconômicas do país. Em entrevistas à AGEMT, Caio Sabbag e Euclides Cunha explicam os fatores que podem ter influenciado sua impopularidade. A eleição de 2024 entre Donald Trump (Republicanos) e Kamala Harris (Democratas) foi discutida em todo o mundo devido às polêmicas envolvendo ambos candidatos e problemas socioeconômicos do país.

Até meados de agosto, os Democratas programavam tentar uma reeleição de Joe Biden, entretanto a idade e a impopularidade do ex-presidente implicou na mudança de estratégia. Kamala era a vice-presidente naquele momento e possuía uma melhor imagem que seu colega de partido, sendo uma boa substituta para o cargo. Mesmo assim, isso não foi suficiente e perdeu para o candidato Republicano. A economia no governo Biden foi um dos fatores que respingaram na candidatura de Kamala. A qualidade de vida estadunidense tem diminuído devido a desindustrialização crescente. Muitas fábricas e indústrias dos Estados Unidos foram desmontadas e reabertas em outros países para baratear o custo de produção, implicando numa alta taxa de desemprego. Outro fator foi a maneira em que o ex-presidente se posicionou em relação à guerra no Oriente Médio ao apoiar financeiramente Israel e ser contra o cessar-fogo.

A postura de Donald Trump em relação aos eleitores tenta passar proximidade, utilizando discursos populistas que trazem uma legião de eleitores fieis. Durante esses 4 anos, desde que saiu da presidência, se manteve afastado de cargos políticos, o que contribuiu para que sua imagem política se tornasse distante da memória nacional. Isso, em conjunto com sua legião fiel de eleitores que o seguem desde o primeiro mandato, o impulsionando-o para sua segunda vitória.

Trump junto a sua filha Tiffany e esposa Melania ao assumir seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos. Foto: Reprodução/Jim Bourg.
Trump junto a sua filha Tiffany e esposa Melania ao assumir seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos. Foto: Reprodução/Jim Bourg.

A rejeição do segundo mandato de Trump é de uma agilidade histórica. Em menos de 2 meses de mandato, pesquisas realizadas pelo site RealClear apontam que cerca de 48.5% da população estadunidense está insatisfeita com o trabalho de seu novo presidente. Pela primeira vez na história dele no cargo, esse número é maior do que o de aprovação a suas ações. Caio Sabbag, formado em Relações Internacionais, falou um pouco sobre motivos possíveis para essa queda repentina de Trump nas pesquisas. “Ele é um businessman, é um showman, ele gosta de fazer esse personagem que está ali fazendo um show para os votantes e para a parcela da comunidade política que está ali apoiando ele, acrescentando: "quando a parcela de eleitores republicanos que não são os fanáticos MAGA (Make America Great Again) começa a enxergar que, esses discursos que fazia durante o período eleitoral não passavam de ideias sem embasamento real, isso acaba com o personagem criado por ele para seu público”, ressalta. 

Medidas autoritárias

A história estadunidense é regada por segregação social em que discursos de “nós contra eles” são absorvidos com muita facilidade. A retomada de discursos de ódio contra imigrantes e minorias étnicas propagada pelo presidente está refletindo diretamente na economia estadunidense e na opinião pública sobre ele. Seus posicionamentos sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, comunidade LGBT e imigrantes são fatores fundamentais para entender a queda de sua impopularidade. Em seu último encontro na Casa Branca, Donald Trump e Volodimir Zelensky discutiram a guerra Russoucraniana. O presidente estadunidense teve falas polêmicas direcionadas ao ucrâniano, chegando a chamar Zelensky de ditador e dizer que ele não estava em posição de exigir que Trump influenciasse Vladimir Putin, presidente russo, a aceitar um cessar-fogo imediato. Após o acontecimento, Trump anunciou o fim da ajuda monetária americana para Ucrânia e se encontrou com o presidente Putin.

Trump e Zelensky em seu último encontro na Casa Branca, antes do presidente estadunidense anunciar fim do patrocínio dos EUA na guerra Rússia X Ucrânia. Foto: Reprodução/Saul Loeb.
Trump e Zelensky em seu último encontro na Casa Branca, antes do presidente estadunidense anunciar fim do patrocínio dos EUA na guerra Rússia X Ucrânia. Foto: Reprodução/Saul Loeb.

Euclides Cunha, historiador e colunista da Revista Ópera, relembra que o primeiro mandato de Trump não fez tantas políticas contra imigrantes quanto deixa transparecer em sua campanha. Governos como de Joe Biden e Barack Obama, ambos democratas, tiveram estatísticas de deportação maiores que as do atual presidente. “ a diferença é que Trump eleva isso a uma bandeira de governo e de mobilização, ele faz disso um fato político e um fato de marketing também.”, exemplifica o historiador. 

A WHCA (White House Correspondents Association) no dia 24 de fevereiro passou para a equipe de Trump o poder de escolher a Press Pool - grupo de comunicadores que acompanha o presidente durante suas comitivas de imprensa e compartilhar os acontecimentos com os demais colegas de profissão. A mudança de setor pode implicar numa cobertura com viés político ao invés de informativo. “Eu acho que essa decisão é como o terceiro ou quarto dominó caindo, estamos vendo uma rejeição muito rápida do governo dele e essa decisão não passa de mais um ato fascista do presidente”, opina Caio.

O contraste do crescimento e queda do governo Trump reflete a crise sociopolítica dos Estados Unidos. Enquanto parte dos seus apoiadores incentivam as ações do governo, suas atitudes autoritárias trazem questionamentos sobre sua maneira de governar.