Celebridades desfilam em peças de alta-costura enquanto protestos contra o evento tomam as ruas de NY
por
Giulia Dadamo
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06/05/2026 - 12h

 

Na segunda-feira (4) ocorreu a 76ª edição do Met Gala, evento que arrecada fundos para o departamento de moda do Metropolitan Museum of Art de Nova York. O tema do evento beneficente é sempre ligado à exposição do Costume Institute, e neste ano, foi batizado de “A Arte do Figurino”. A partir desse tema, o código de vestimenta escolhido foi “A Moda é Arte”, que permitiu que os convidados explorassem diversas esferas artísticas. 

Nos últimos anos, surgiram muitas comparações do grandioso evento com um “desfile da capital” da saga Jogos Vorazes. Na ficção, a elite se veste de forma exagerada para exibir riqueza enquanto o resto do mundo sofre com diversas questões sociais. Para o público, o Met Gala reflete essa mesma ostentação desligada da realidade 

Essa percepção de "bolha" ganhou força nesta edição com o anúncio de que Jeff Bezos estaria entre os principais patrocinadores do Met Gala, contribuindo com supostos US$ 10 milhões (quase R$ 50 milhões). A doação garantiu a ele o posto de copresidente honorário do evento, sendo um dos maiores apoiadores da noite. 

Cartazes espalhados pelas ruas de Nova York pelo grupo ativista “Everybody Hates Elon” (em alusão a Elon Musk) convocaram um boicote ao evento, levando a reação para além das redes sociais. A mobilização fundamenta-se em críticas severas à Amazon e a seu fundador, Jeff Bezos, que incluem desde denúncias sobre condições precárias de trabalho até as polêmicas parcerias comerciais da empresa com o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA). 

Em meio a esse clima de forte rejeição pública, chamou a atenção o fato da esposa do bilionário ter cruzado o tapete vermelho sozinha, possivelmente para evitar que a imagem do casal fosse o alvo direto das manifestações na porta do museu. 

Nesta edição os cargos de anfitriões da noite foram preenchidos só com mulheres: Anna Wintour, Venus Williams, Nicole Kidman e Beyoncé. O curador Andrew Bolton organizou a exposição em torno de três categorias corporais: os onipresentes (clássicos e nus), os negligenciados (envelhecidos e grávidos) e os universais (anatômicos). Para ele, a moda é o elemento que une todas as galerias do museu, pois até o nu "nunca está pelado", mas sim inscrito com ideias culturais. Essa fundamentação teórica justifica a abundância de transparências no evento.

Emma Chamberlain inaugurou a noite com uma peça da Mugler, pintada à mão pela artista Anna Deller-Yee. O design, uma homenagem à obra A Noite Estrelada (1889), de Van Gogh, demandou um trabalho meticuloso de 958 horas. Na mesma linha, Gracie Abrams surgiu em um Chanel que referenciava o quadro “Retrato de Adele Bloch-Bauer I” (1907), de Gustav Klimt. 

Emma Chamberlain e Gracie Abrams em vestidos de gala
Emma Chamberlain atua como correspondente da Vogue no MET; à direita, a cantora Gracie Abrams celebra seu primeiro Met Gala. Foto: Reprodução / Instagram

 

A noite ainda reservou espaço para a valorização da sétima arte, o cinema, com Sabrina Carpenter. A artista, que dividiu o palco com a lendária Stevie Nicks, cruzou o tapete em um modelo da Dior construído com fitas de película, inspirado no clássico Sabrina (1954), protagonizado por Audrey Hepburn.

Sabrina Carpenter vestida em filmes
Sabrina Carpenter já tinha homenageado o cinema na sua apresentação do Coachella, com números de dança inspirados em "Dirty Dancing: Ritmo Quente’, "All That Jazz - O Show Deve Continuar", "Médica, Bonita e Solteira" e "Quanto Mais Quente Melhor". Foto: Reprodução / Instagram

Para encerrar, Madonna protagonizou um dos momentos mais teatrais da edição ao surgir em um Saint Laurent que recriou a atmosfera de “A Tentação de Santo Antônio”, de Leonora Carrington. A composição ganhou vida com sete mulheres carregando sua extensa saia, em uma transposição fiel do surrealismo da pintura para o tapete vermelho. Já Beyoncé apostou na sofisticação da Balmain para referenciar a obra “A Visitante” (1944), de Caroline Durieux. O visual, que uniu a alta-costura de Olivier Rousteing ao mistério das formas de Durieux, reafirmou que, em uma noite dedicada à arte, o melhor e mais complexo costuma ser guardado para os últimos instantes.

Madonna e Beyoncé
Madonna antecipa era de novo álbum Confessions II. Beyoncé faz retorno triunfal ao evento após hiato de 10 anos. Foto: Reprodução / Instagram

 

 

 

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Marcas como Normando e Salinas levaram para a passarela propostas novas
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Amanda Lemos
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04/05/2026 - 12h

Os desfiles aconteceram na quarta-feira (15) no Píer Mauá, na zona portuária do Rio de Janeiro e apostaram em colaborações estratégicas e na democratização da moda brasileira.

A primeira marca a desfilar pela passarela foi a Aluf. A marca fundada pela estilista Ana Luísa Fernandes em 2018, nasceu da busca de dar sentido ao “fazer moda” como expressão do ser humano através de roupas. A grife misturou moda e reflexão artística. O desfile explorou temas relacionados à passagem do tempo e à identidade humana. As peças apresentaram camadas, texturas diferenciadas e movimentos fluidos, e a paleta de cores variou entre tons neutros terrosos e contrastes vibrantes. 

Pessoas desfilam em fila única sobre uma passarela escura, vestindo looks predominantemente brancos e em tons claros. As peças têm tecidos leves, camadas, transparências e detalhes texturizados. Algumas usam óculos claros e acessórios discretos. O enquadramento mostra a sequência de looks em perspectiva, com iluminação focada nas roupas.

Desfile da Aluf na Rio Fashion Week 2026 - Foto: @riofwoficial e @aluf___ / Instagram 

A Normando, marca liderada pelos designers Marco Normando e Emídio Contente, criada em 2020, foi a segunda a desfilar, e teve como inspiração a Amazônia e a natureza brasileira. Na passarela foram desfiladas peças comfolhagens estilizadas e fibras que lembram elementos orgânicos, valorizando uma estética que une moda e consciência ecológica. As roupas tiveram tons de verdes terrosos e neutros, além de detalhes em materiais reciclados e renováveis. 

A terceira a se apresentarfoi a marca de moda de praiasofisticada Salinas. Fundada em 1982 por Tunico e Jacqueline De Biase, ela é focada no estilo praiano carioca. O desfile trouxe peças com tema tropical, texturas que lembram o mar e tecidos leves. A cartela de cores mesclou tons neutros e elegantes com cores vibrantes. Além disso,ela incorporou elementos urbanos, mesclando praia e cidade. 

A Piet + Pool fechou o dia. Criada em 2012 pelo designer brasileiro Pedro Andrade, a Piet mistura streetwear com cultura urbana e esportiva. A grife trouxe uma colaboração inédita com a etiqueta da Riachuelo. Essa proposta impacta na democratização da marca, tornando os preços mais acessíveis. Uma camiseta da Piet normalmente custa a partir de R$300, com a colaboração, ela passa a custar a partir de R$80. Para a passarela, apresentaram referências à paixão brasileira pelo futebol e à cultura de rua. O desfile abordou o futebol raiz, com peças que misturaram estética urbana, cores vibrantes e grafismos que lembram times.

Pessoa desfila em uma passarela com uma peça artística em forma de folha, de aparência orgânica e cores terrosas, contrastando com uma calça preta e fundo desfocado.
Desfile da Normando na Rio Fashion Week 2026 - Foto: @normandooficial / Instagram 

 

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Duda Alves, que teve suas peças usadas em tapete vermelho de “O Diabo Veste Prada 2” em NY, conta sua trajétoria na moda
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Juliana Hochman
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29/04/2026 - 12h

A aluna do sétimo semestre de moda na FAAP (Faculdade Armando Álvares Penteado) , Duda Alves, 21, ganhou destaque após a influenciadora Malu Borges usar uma produção sua na estreia de “O Diabo Veste Prada 2” em Nova York, nos Estados Unidos. Essa obra faz parte de sua coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”, feita para a competição entre os alunos de moda da FAAP.

 

Em entrevista à AGEMT, Duda Alves diz que moda sempre foi sua primeira opção de ensino superior. “Desde criança, a moda e a arte sempre estiveram muito presentes na minha vida, e quando entendi que podia juntar duas paixões em uma só carreira, percebi que seguí-la era uma certeza”, afirmou. A escolha da faculdade também não foi por acaso para ela, que participou de programas de experiências artísticas como a FAAP Aberta, que abre as portas para receber alunos de diversas escolas para ter uma experiência do curso na faculdade.

 

A coleção usada na competição Moda Faap 2025, “De Tanto Pensar, Sentir”, surgiu como uma reflexão de sua mente e do questionamento de como a razão e a emoção coexistem dentro do ser humano.“Na criação dos croquis, eu estava pensando demais e não conseguia fluir, então me inspirei nesse momento que eu estava para dar forma às obras que fiz”, explicou. Duda ficou em segundo lugar entre os finalistas; oito participantes foram chamados para produzir quatro de suas peças. “Eu queria trabalhar com silhuetas e com pinturas, então os looks azuis remetem à razão e os vermelhos à emoção”.

Duda Alves posando com modelos usando a coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”. Foto: Duda Alves/Divulgação.
Duda Alves posando com modelos usando a coleção autoral “De Tanto Pensar, Sentir”. Foto: Duda Alves/Divulgação.

A influenciadora de moda Malu Borges entrou em contato com Duda pedindo um look feito por ela após acompanhá-la pelo Instagram. “Não é a primeira vez que ela dá a chance para designers que estão no começo da carreira, abrindo portas para jovens talentos, para, assim como eu, verem que é possível”, disse a estudante. A obra escolhida pela influenciadora é composta por duas peças: uma saia branca e uma camisa com bordados vermelhos 3D, simulando as veias fora do corpo humano.

Malu Borges usando Duda Alves. Foto: Instagram/@maluborgesm/divulgação.
Malu Borges usando Duda Alves. Foto: Divulgação/@maluborgesm

Duda explica sua paixão pela moda pela forma como esta é vista pela sociedade: “Muitas pessoas não consideram uma arte. Para mim, é o oposto, é o que me atraiu para esse mundo. Não são apenas roupas, é produzir obras vestíveis que contenham uma história”.

 

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No último dia da semana de moda carioca, as coleções revisitaram arquivos, memórias e referências
por
Helena Haddad
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27/04/2026 - 12h

O último dia da Rio Fashion Week 2026, no sábado (18), encerrou a temporada de moda carioca com desfiles de marcas consolidadas, como Isabela Capeto, Dendezeiro e Lenny Niemeyer.

Isabela Capeto

isabela capeto
Foto/Divulgação @isabelacapeto

Após dez anos longe das passarelas, Isabela Capeto retornou ao evento ao lado da filha, Chica, com a coleção Dracena. Conhecida por seu trabalho artesanal e pela estética maximalista, a estilista resgatou elementos que marcaram sua carreira.

A nova coleção mergulhou nesse universo afetivo. Inspirada na planta Dracena Pink, a referência apareceu no cenário rosa vibrante, bordados florais, texturas e acessórios chamativos. Mas uma saia floral volumosa chamou a atenção pela semelhança com um look apresentado pela Chanel em outubro de 2025, uma referência difícil de ignorar. Há também um olhar para o reaproveitamento de materiais e peças que dialogam com o próprio acervo da marca.

isabela capeto saia
Saia comparada com Chanel. Foto/Divulgação @isabelacapeto

Muita transparência, trabalhos em retalhos e aplicações artesanais reforçaram a identidade maximalista construída por Isabela ao longo da carreira.

isabela capeto
Foto/Divulgação @isabelacapeto

 

Dendezeiro

A marca baiana apostou no urbano, uma coleção inspirada na cultura ballroom. Batizada de House of Dendezeiro, a linha trouxe peças amplas, sobreposições e uma estética quase performática que dialoga com a cena queer.

dendezeiro
Foto/Divulgação @dendezeiro

O uso de látex, transparências e comprimentos míni adicionou sensualidade, enquanto a parceria com a DOD Alfaiataria trouxe estrutura à coleção em modelagens ampulheta, ombros marcados e calças acinturadas.

dendezeiro
look com alfaiataria pela DOD. Foto/Divulgação @dendezeiro

O ponto forte da coleção foi a adaptação dessas referências para o contexto brasileiro. O desfile conecta diferentes universos; as peças podem ser usadas tanto em um baile funk quanto em uma casa de shows de drag queens. 

dendezeiro
Foto/Divulgação @dendezeiro

 

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Foto/Divulgação @dendezeiro

 

Lenny Niemeyer

Para encerrar o evento, Lenny Niemeyer celebrou os 35 anos de sua marca com um desfile que revisitou sua trajetória. Apresentada no Museu do Amanhã, a coleção reforçou os códigos que transformaram a estilista em referência na moda praia nacional.

lenny
Foto/Divulgação @lennyniemeyer

Maiôs estruturados, saídas de praia sofisticadas, estampas, texturas diferentes e muita brasilidade foram apresentados na passarela. 

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Foto/Divulgação @lennyniemeyer

O desfile, que encerrou a semana de moda com peças que apostaram menos em reinvenção e mais na força de uma trajetória consolidada. A coleção, batizada de “Trama do Tempo”, é uma releitura das antigas passarelas, marcada por curvas, organza e acessórios de murano que lembram raios solares e colares bicolores. A trilha intimista e as projeções de ficção científica criaram uma experiência para a plateia. O desfile também contou com um elenco de supermodelos como Isabeli Fontana, Fernanda Tavares e Alicia Kiczman

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Isabeli Fontana para Lenny Niemeyer. Foto/Divulgação @lennyniemeyer

A Rio Fashion Week já confirmou seu retorno em 2027, após receber 30 mil pessoas e movimentar milhões de reais nesta edição.

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Estudante procura conscientizar a respeito do fast fashion na indústria brasileira
por
Anna Sofia Carsughi
Olivia Ferreira
Larissa Viana
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27/04/2026 - 12h

O consumo têxtil no Brasil é um setor dinâmico que vai muito além do território brasileiro. É um dos maiores mercados da América Latina e o 5º maior consumidor de vestuário e calçados do mundo. Segundo a pesquisa divulgada pelo site Cupom Válido, Minas Gerais por exemplo está em segundo lugar no consumo de vestuário no país, representando 10% do total de consumidores no Brasil. A cadeia têxtil emprega milhões de pessoas, sendo um importante motor de desenvolvimento econômico. Em entrevista à AGEMT, Giulia Correia Sugi, estudante de moda da Faculdade Santa Marcelina (FASM), expôs diversos debates importantes que surgem nesse meio em relação ao aumento desenfreado do consumo nos dias atuais.

Cada vez mais a moda surge como fator econômico essencial para circulação de roupas e calçados. É nesse contexto que ganha força uma produção à base do fast fashion, termo que significa o modelo de negócios rápido com produção acelerada e baixo custo. Isso é capaz de replicar tendências na garantia do consumo rápido, que é exatamente o que afeta o processo criativo na moda,  que se torna ofuscada em meio à necessidade da fabricação em alta escala. “Em vez de desenvolver coleções com pesquisa profunda, experimentação e construção de conceitos, muitas marcas passam a priorizar a velocidade, ocorrendo a reprodução de ideias de outros designers ou marcas, enfraquecendo a originalidade”, relata Sugi.

Essa era do fast fashion foi impulsionada principalmente pelas redes sociais, que disseminam as novas tendências estilistas. Como exemplo pode-se citar a Shein, que surfou na onda da pandemia do coronavírus como forma de fortalecer sua plataforma em meio à internet. Assim, a rede chinesa cresceu a partir da tecnologia de disseminação, e lucrou rapidamente com os baixos custos de produção, o trabalho precário e as entregas extremamente rápidas, sempre na busca de replicar as tendências atuais da moda. “O preço acessível é um dos principais fatores. Grande parte da população brasileira busca produtos com menor custo, e o fast fashion oferece exatamente isso”, afirma Sugi.

Giulia Sugi em trabalho da faculdade
Reprodução/ Instagram oficial 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Slow Fashion como contrapartida

O consumo desenfreado é sinônimo de funcionamento de um sistema capitalista no qual cada vez mais se consome, e menos se reflete sobre as reais necessidades, os impactos ambientais e as consequências sociais desse padrão. Esse ciclo é impulsionado por estratégias de mercado, publicidade e pela lógica de crescimento contínuo, que asseguram um sistema de rápida circulação. Nunca se comprou tanta roupa como nos dias atuais, mas por outro lado, nunca se gastou tão pouco dinheiro dentro da moda. Isso é um reflexo direto da informalidade, da busca por conforto e da massificação de produtos mais baratos, em grande parte importados.

O meio ambiente é um dos principais pilares afetados nesse processo, relata a estudante: “Um dos principais problemas é o descarte excessivo de roupas. A indústria utiliza grandes quantidades de água, principalmente no cultivo de algodão e nos processos de tingimento. Além disso, produtos químicos utilizados nesses processos frequentemente contaminam rios e solos. Também há tecidos sintéticos, muito comuns na fast fashion, liberam microplásticos durante a lavagem, contribuindo para a poluição dos oceanos”.

O ditado “a ânsia de ter e o tédio de possuir” ocorre também dentro da moda. As pessoas compram uma peça super desejada que está em tendência, mas rapidamente essa compra é ocupada por um lugar vazio e, consequentemente, a necessidade de comprar cada vez mais, a fim de saciar essa sensação. “Torna-se um ciclo infinito, consumir e descartar.”- afirma Giulia. 

Essa onda de desgaste têxtil e essas tendências em excesso levam a uma perda de autenticidade por parte dos produtores e criadores da moda. A essência individual se perde nos interesses mercadológicos, e para se manterem relevantes, as marcas adaptam suas estratégias para ampliar seu público com produtos mais acessíveis, mas sem perder sua sofisticação. Assim, cresce também a competitividade entre todas essas marcas que querem sempre se manter atualizadas e produzirem mais para ter um maior consumo e consequentemente, mais lucro. 

As pequenas marcas, as chamadas slow fashion, são integradas por pequenos produtores que fazem da moda sua principal fonte de renda, com roupas ou calçados construídos cuidadosamente com as mãos (handmade), pensados minuciosamente e transportando as ideias criativas para a produção da moda. Isso é um movimento de moda sustentável e consciente que valoriza a qualidade e durabilidade em detrimento da quantidade e velocidade, e são esses produtores que sofrem as consequências das tendências e desvalorização da mão de obra.  Enquanto estudante de moda, Sugi expõe: 

“Com certeza, é como se houvesse uma enxurrada interminável de novas ideias, o que pode ser tanto avassalador quanto incrivelmente valioso. Marcas menores e nacionais, que estão crescendo e possuem uma estética e história cativantes, ganham mais visibilidade online do que jamais tiveram fisicamente. Como uma estudante de moda no quarto semestre, você é bombardeada por uma avalanche de informações na internet”.

 

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Entre homenagens afetivas, desfiles reuniram emoção, espetáculo e estreias
por
Marina Garcia
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23/04/2026 - 12h

O terceiro dia da Rio Fashion Week, realizado na última quinta-feira (16), reuniu marcas que transitam entre tradição e inovação. Com o Píer Mauá como palco principal, a programação se expande para diferentes cenários emblemáticos da cidade, reforçando a conexão entre moda e território. 

Backstage da marca Patricia Viera no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
Backstage da marca Patricia Viera no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
 

Abrindo o terceiro dia, Patricia Viera apresentou uma coleção carregada de afetos e referências pessoais. Em homenagem à sua cidade natal, ao artesanato brasileiro e à sua mãe, Vera Magalhães, a estilista construiu uma narrativa que celebra as relações femininas em sua trajetória. O inverno surge leve, com elementos visuais inspirados no Rio de Janeiro, de mosaicos e paisagens a ícones como a Igreja da Penha, o calçadão de Copacabana e os jardins de Burle Marx. A riqueza de técnicas destacou-se no desfile. A coleção celebra cinco décadas de carreira de Patricia Viera.

Na sequência, a Handred, comandada por André Namitala, apresentou a coleção Akáshica. Inspirada na ideia de memória universal, a coleção trouxe peças com caimento fluido, sobreposições e uma paleta que transita entre tons sóbrios e nuances etéreas. A presença da Companhia de Ópera da Lapa, sob regência do maestro Felipe Prazeres, ligado ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, potencializou a atmosfera do desfile, transformando a passarela em um espaço imersivo onde moda e música dialogaram em tempo real.

Foto do desfile da marca Handred no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
Foto do desfile da marca Handred no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
 

O retorno da Blue Man às passarelas veio acompanhado de uma coleção que reafirma sua identidade tropical, ao mesmo tempo em que atualiza códigos clássicos da moda praia. Sob o comando de Sharon Azulay e Thomaz Azulay, a marca apostou em estampas vibrantes, com referências à fauna e à flora brasileiras, além de padrões gráficos que remetem ao imaginário solar e praiano do Rio de Janeiro. A coleção chamou a atenção ao equilibrar sensualidade e frescor, características históricas da marca, com uma leitura atualizada do estilo de vida carioca. O desfile ganhou ainda mais destaque com a presença de Helô Pinheiro, a eterna Garota de Ipanema, que, aos 82 anos, assumiu o posto de musa nesse retorno vibrante da marca. Ao mesmo tempo, a proposta mais performática da apresentação, com participação de influenciadores na passarela, alimentou debates fora do evento sobre a crescente valorização do espetáculo e do engajamento digital em relação ao rigor técnico tradicional da moda.

Encerrando, a Hisha marcou sua estreia na passarela da Rio Fashion Week, trazendo uma proposta que une memória, técnica e identidade regional. Sob direção criativa de Giovanna Resende, inspirada nas referências de São João del Rei e no barroco mineiro, onde o bordado assume protagonismo, estruturando as peças por meio de linhas, relevos e desenhos que criam superfícies densas e sofisticadas. 

Desfile da marca Hisha no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
Desfile da marca Hisha no Rio FW - Foto: @riofwoficial / Instagram
 

Apesar dos destaques criativos ao longo do dia, a programação voltou a enfrentar atrasos, repetindo um ponto já observado na abertura do evento. As mudanças no cronograma impactaram a sequência dos desfiles e exigiram ajustes por parte de convidados e profissionais, destacando um aspecto de organização que ainda pode evoluir nas próximas edições da Rio Fashion Week, especialmente diante da proposta ampla e dinâmica do evento.



 

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Corpos diversos, representatividade e inovação dominaram as passarelas
por
Lawanny Nasc
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22/04/2026 - 12h

Na sexta-feira (17), a Rio Fashion Week promoveu desfiles de marcas como Adidas, Helô Rocha e Misci, no Rio de Janeiro, com a apresentação de coleções autorais na passarela por meio de propostas que unem sustentabilidade e identidade, com o objetivo de fortalecer a moda como forma de expressão.

Angela Brito começou o dia de desfiles com uma coleção marcada pela representação do Rio, “Entropia”. Conhecida por sua ligação com a cultura africana, a estilista trouxe recortes e sobreposições diferentes em comparação à sua coleção anterior, “Pangeia”. Tecidos leves, recortes assimétricos e acessórios dominaram o ambiente. O auge foi a transição de tons que dialogam com o caos e a beleza do Rio de Janeiro.

Modelos unidas posam para foto
Força. Foto: Reprodução/Instagram/@jorgegrimberg

Logo após, Karoline Vitto ocupou a passarela. A marca evoluiu de um discurso de inclusão para um de protagonismo. Os looks vieram mais ousados, com recortes que valorizam com uma paleta entre preto, branco, marrom, cinza, laranja e rosa, e a junção de detalhes em metais. A coleção foi pensada para corpos diversos e na beleza singular que deve ser valorizada em cada peça.

Modelos desfilam em tons de terracota.
Pluralidade de corpos. Foto: Reprodução/Instagram/@karolinevitto

 

Em sequência, Apartamento 03 trouxe sua já conhecida linguagem experimental, mas com mais equilíbrio. Luiz Claudio Silva, diretor criativo e fundador da marca, acostumado a transformar o cotidiano em arte, inspirou-se na personagem Macabéa de “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector. O destaque foi a construção em camadas e fluidez que pareciam se adaptar naturalmente ao corpo. Os detalhes sutis em cada peça, seja em frases ou brilhos escondidos resgataram a alma da personagem, ingênua, invisível no mundo.

Plumas em vestido em foco
Leveza. Foto: Reprodução/Instagram/@apartamento03

 

Helô Rocha apresentou uma coleção mística e repleta de poder feminino. Mantendo o trabalho artesanal como base, a estilista combinou bordados detalhados com cortes modernos. O contraste entre a fantasia e a passagem do tempo, com tecidos de segunda mão e materiais incomuns, como colheres para serem ressignificadas, gritaram autenticidade.

Modelo em vestido estilo sereia desfila
Misticidade. Foto: Reprodução/Instagram/@helorocha

Em seguida, a Adidas trouxe a cultura periférica para a passarela. Com a abertura de Tasha e Tracie, a marca apostou na nostalgia pelo tênis Megaride, dos anos 2000. Peças streetwear dialogaram com bordados e macramê. As camisas da Copa do Mundo e do Time Brasil, em parceria com o COB (Comitê Olímpico do Brasil) ganharam destaque destque ao lado das bolsas em formatos de apitos de juízes.

A marca junta no fim do desfile
Representatividade. Foto: Reprodução/Instagram/@adidasbrasil

Encerrando o evento na área externa, a Misci trouxe a identidade brasileira de forma única. O azul se espalhou pela locação junto com a bateria da Beija-Flor que ecoou pelo desfile. Brasil em foco. Gal Costa em 1970 serviu de inspiração para o conjunto apresentado. Peças de couro de pirarucu ou de origem vegetal fizeram do desfile um lugar surreal.

Modelo com calça colorida e volumosa com blusa escrito "misci"
Cores do Brasil. Foto: Reprodução/Instagram/@misci_

 

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Premiação a Frankenstein desperta debate sobre a nova vida do estilo gótico
por
João Calegari
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26/03/2026 - 12h

A consagração de Frankenstein no Oscar 2026 ganhou forma pela minúcia da produção: o filme levou a estatueta de Melhor Figurino pelo trabalho da figurinista Kate Hawley, o que reconhece uma construção visual que extrapola a recriação de época. Em uma categoria marcada pela diversidade estética, a vitória reafirma o peso das escolhas visuais na narrativa e consolida o longa de Guillermo del Toro como um dos grandes destaques técnicos da premiação. Além de despertar olhares ao estilo norteador do filme, o gótico.

Porque na indústria cinematográfica atual, se engana aquele que acredita nas decisões editoriais realizadas ao acaso. A produção não se trata apenas de um bom processo na confecção de roupas, mas de decisões que fazem parte de um projeto: voltar os holofotes culturais para o estilo gótico novamente.

A parceria entre Guillermo del Toro e Kate Hawley não é de hoje, os dois trabalham juntos desde “Círculo de Fogo”, filme lançado em 2013. O diretor conta que fazia reuniões periódicas com Kate meses antes da produção se iniciar. Nelas, del Toro apresentava diversas convicções sobre os figurinos: havia uma necessidade de peças modernas, a produção não poderia se basear em uma  simples recriação de época. Por outro lado, Hawley apresentava a estética do romantismo gótico para os figurinos, proposta determinante para que o filme adquirisse a estética de “sonho melancólico”.

Foto: Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura.
Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura. / Fonte: Netflix

O filme dirigido por Guillermo del Toro adapta o clássico de Mary Shelley, de 1818, para uma nova linguagem. A obra original é considerada pelo imortal da Academia Brasileira de Letras, Ruy Castro, como o primeiro grande exemplar das histórias de horror modernas, além de ser o grande precursor do gênero de ficção científica. 

“O clássico conta a história de um horrendo ser, que ao despertar para o mundo, torna-se consciente de que é um monstro, rejeitado por todos” - Ruy Castro

A definição de Ruy também serve de modelo para a ótica gótica de se ler o mundo, já que essa estética se propõe a representar os rejeitados. A produção monumental proporcionada pela Netflix sugere um novo ritmo para a modernidade, assim como todo o estilo gótico. 

Foto: Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.
Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.

É óbvio traçar o paralelo, a história original questiona a ambição humana ao criar seres que não se encaixam nos seus contextos. Assim como eram os edifícios que se mostravam gigantes derretendo em uma época de erudição regrada. Assim como, uma criatura de Victor Frankenstein decide se revoltar contra uma “elite do saber”. Ou, então, um trabalho de figurinos que decide inovar em meio ao clássico ao invés de uma simples recriação de uma época.

Talvez seja esse último que fez com que o trabalho de Hawley se destacasse em meio aos indicados ao prêmio de melhor figurino no Oscar. Uma vez que as propostas de Hamnet: A vida antes de Hamlet, Marty Supreme e Pecadores possuíam a recriação de períodos históricos como princípio norteador. A exceção entre os indicados é Avatar, por se tratar de uma produção com estética fantasiosa.

Foto: Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.
Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.

O gótico sempre foi uma forma cultural de lidar com os medos de uma época. No século XIX, ele refletia angústias ligadas ao avanço científico e à ruptura com antigas tradições religiosas, temáticas que são ainda mais atuais hoje do que no período de publicação do livro. 

Nesse sentido, o sucesso de Frankenstein (2025) revela também uma mudança no próprio cinema de horror. Se recentemente o gênero foi associado a necessidade de sustos rápidos e entretenimento descartável, produções como a de Del Toro reafirmam o potencial artístico e filosófico dessas narrativas. O gênero do terror volta a ser tratado como espaço de reflexão estética e existencial.

A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.
A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.

Na irregularidade formal das peças do filme, se vê um contraste claro. A obra acompanha um cenário de rigor anatômico, porém, nos trajes mais impactantes do longa, é perceptível um objetivo de perversão desse tecnicismo através dos excessos.

Tal lógica de excesso e simbolismo se estende às joias, assinadas pela Tiffany & Co., que empresta ao filme peças raríssimas de seu acervo. Colares como o “The Wade” e o “The Beetle” não funcionam apenas como ornamento, mas como extensão da própria construção estética do longa. Foi a primeira vez que a casa de joias novaiorquina reuniu obras de arquivo e peças contemporâneas em uma produção cinematográfica.

A peça mais emblemática da obra, o vestido de apresentação da personagem Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é a prova disso. Elizabeth é o ideal de Lady europeia do Século XVIII, é guiada pelo cuidado e empatia. É, portanto, a grande antítese do protagonista.

O vestido é volumoso e ganha transparência em contato com a luz, mas o que chama atenção mesmo é o adereço de cabeça feito de penas, que aparenta orbitar a cabeça da personagem, elemento que transmite a sensação onírica proposta por Kate Hawley.

croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.
Croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.

Mas além dele, o filme é recheado por outros vestidos com silhuetas dramáticas e exageradas, tecidos pesados e volumes acentuados. Mas além disso, na maioria das cenas, a direção de del Toro propõe a escuridão como elemento transformador dos figurinos de Hawley. Todos se engrandecem no escuro, ganham novas formas nas cenas de contraluz e assim, a escuridão ganha protagonismo na obra. 

Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix
Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix

Por fim, a vitória de Frankenstein no Oscar de figurino não representa apenas um prêmio técnico. Ela simboliza a necessidade de questionar o universo cultural em que estamos inseridos. Ao pautar o retorno do gótico, estamos remodelando a forma de se observar os comportamentos sociais por meio das manifestações artísticas. É notável que a estética gótica propõe uma nova forma de se observar um mesmo mundo. 

A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix
A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix

 

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Duas das casas mais importantes da atualidade exploram seu legado e aproveitam para se reinventar
por
Liz Ortiz Fratucci
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17/03/2026 - 12h

No último domingo (8), em Paris, Jean Paul Gaultier e McQueen marcaram o sétimo dia da Semana de Moda parisiense, com coleções que revisitaram a história de suas casas.

Desde a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier das passarelas em 2021, a maison adotou um modelo rotativo para a direção criativa: toda temporada um designer diferente é convidado para reinterpretar os códigos deixados por Gaultier. Para a coleção de Outono/Inverno 2026, Duran Lantink foi convidado para assumir brevemente a direção de criação pela segunda vez. O legado da marca foi revisitado por Lantink através da subversão de gêneros e de peças provocadoras e irônicas.

O designer apresentou um equilíbrio entre o novo e as homenagens. Sua experiência na criação de volumes resultou na reinterpretação de clássicos da casa, como o corset, as silhuetas estruturadas e os jogos de trompe-l’œil - técnica artística que utiliza perspectivas e ilusionismo para criar a ilusão de ótica - que marcaram a carreira de Jean-Paul Gaultier.

O fundador da marca homônima é notório por misturar elegância e teatralidade. Em seus desfiles, a passarela transformava-se em um espetáculo performático com personagens, humor e apresentações visuais que iam além das peças. Lantink, dialoga com esse universo lúdico ao apresentar personagens western, esportistas e que evocam vilões de cinema.

Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier

 

“Explorar a tensão psicológica entre a interioridade e a exterioridade; performance e paranoia…” explica Seán McGirr, no release, o que ele quis retratar nessa temporada. Assim como McQueen, McGirr usa filmes como inspiração. “Safe” de 1995 influenciou a coleção à explorar temas como ansiedade, identidade e tensão psicológica. 

Com uma trilha sonora inquietante assinada por Ag Cook - colaborador frequente da cantora Charli XCX - o designer apresentou sobretudos usados como vestidos curtos, botas que chegavam até os joelhos e mini saias que evocavam a moda dos anos 60 de Mary Quant. 

Por baixo dos blazers acetinados, surgiam blusas com flores bordadas à mão e outras aplicações que remeteram a escamas. Alguns dos looks apresentaram peças de crochê feitas com material metálico.

A herança de Alexander McQueen foi resgatada por meio de calças de cintura baixa com aprofundamento na parte de trás, conhecida como “bumsters”. A clássica bolsa Knuckle Clutch também teve uma releitura, enquanto um cachecol estampado com caveiras retomou um dos símbolos mais reconhecíveis da Alexander McQueen.

Ao final do desfile, são introduzidos vestidos esvoaçantes feitos de organza, rendas e cetim. McGuirr deixa claro que a renda não surge apenas como ornamento, mas como um elemento íntimo que revela o interior. A coleção encerra com uma noiva com um vestido e um gorro inteiramente brancos e bordados com flores. 

McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 



 

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Alfaiataria precisa, romantismo gótico e referências a diretores criativos antecessores marcaram os desfiles do sexto dia.
por
Liz Ortiz Fratucci
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11/03/2026 - 12h

No último sábado (7), em Paris, Celine, Ann Demeulemeester e Balenciaga estiveram entre os principais desfiles do dia. As coleções apresentaram diferentes leituras dos códigos de cada maison, combinando referências a seus arquivos com as interpretações de seus atuais diretores criativos.

“Eu acredito que a Celine é o lugar que você vai encontrar peças lindamente cortadas e uma silhueta mais fina” disse Michael Rider, o diretor criativo da Celine, em entrevista para Vogue. Para Rider, a tendência do oversized presente na última década está começando a sair de cena e por isso, nessa nova coleção, ele volta a enfatizar silhuetas mais ajustadas e uma alfaiataria precisa.

Em suas duas últimas coleções para a marca, o designer trouxe a estética preppy para as passarelas. Porém, nessa coleção ele apresenta um estilo diferente, focado na alfaiataria: casacos e ternos com ombros estruturados e calças flare encurtadas. 

Os acessórios causam dissonância no styling: chapéus em formato de sino e cachecóis aparecem cobrindo o rosto das modelos; alguns homens aparecem usando coroas de penas; colares ou brincos maximalistas compõem alguns dos looks.

O desfile foi ambientado em um salão inteiramente branco, com grandes amplificadores de som de aparência vintage espalhadas pelo espaço. Nas caixas de som, músicas do norte-americano Prince se misturavam a um mix de rock que reforçava a atmosfera de banda de garagem da coleção.

modelo celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
 
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine

Na Ann Demeulemeester, a coleção foi exibida na Couvent des Cordeliers de Paris e foi chamada de “Dear Night Thoughts”, expressão que o diretor criativo da marca, Stefano Gallici, usava quando criança ao começar a escrever uma nova página em seu diário.

A locação do desfile já foi usada anteriormente pela marca por possuir uma arquitetura medieval e sombria que complementa a atmosfera poética e melancólica característica da maison. 

Nessa temporada, o DNA da marca foi resgatado por looks monocromáticos pretos, saias com camadas fluidas e silhuetas andróginas e alongadas. A coleção foi composta por peças de estética colegial, blazers com brasões, jaquetas militares, capas de ombro com golas que remetiam a era vitoriana, punhos e colarinhos com rufo (babados ou pregas franzidas, geralmente aplicado em golas ou punhos), camisetas por cima de camisas, vestidos de renda, cadarços longos que saíam das camisas e balançavam ao caminhar, além de peças de couro com franjas.

Em meio a um casting diverso, o cantor inglês de rock, Billy Idol, fez uma participação surpresa e desfilou vestindo uma capa de couro preta com franjas, colete preto, camisa branca com gola rufo, calças pretas e botas de couro. 


 

Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester FW26.
Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester

Em sua segunda temporada na Balenciaga, Pierpaolo Piccioli dialoga tanto com o legado do fundador da casa, Cristóbal Balenciaga, quanto com a estética de seu antecessor, Demna Gvsalia.

A coleção foi chamada “ClairObscur” (claro e obscuro) e explorou a ideia de luz e escuridão, inspirada na pintura barroca de Caravaggio. A intenção de Piccioli era criar um “fresco de humanidade”, refletindo emoções e contrastes da vida contemporânea. 

O desfile também teve uma colaboração inusitada com o diretor Sam Levinson, criador da série Euphoria, que criou um vídeo imersivo com imagens de paisagens naturais mescladas a rostos humanos. A trilha sonora, também feita por Levinson, foi uma mistura de música clássica, com canções de Rosalia e de Labrinth. 

Dessa vez, Piccioli faz referência a Balenciaga dos anos 1950 e 1960 em peças como: casacos longos, cocoon coats (silhueta arredondada e volumosa, que envolvem o corpo como um casulo), vestidos drapeados e casacos com silhueta balloon (formato em que a peça cria volume curvo para fora do corpo, lembrando um balão). O streetwear da era Demna aparece em: estampas inspiradas na série "Euphoria”, moletons, leggings, jaquetas utilitárias, botas até o joelho, tênis robustos e óculos futuristas. 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga


 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga

 

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