Com um tema ousado e uma abordagem única nas passarelas, a marca foi um dos principais destaques da segunda noite da SPFW #54
por
Enrico Souto
Fernanda Querne
Gabriela Figueiredo
Luana Galeno
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20/11/2022 - 12h
Enrico Cardoso junto de outro modelo no backstage do desfile de João Pimenta da São Paulo Fashion Week 54
Enrico Cardoso no backstage do desfile de João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

Tons terrosos e um tema visceral. "Das tripas ao coração", coleção de João Pimenta, conseguiu roubar todo o fôlego do público da São Paulo Fashion Week (SPFW). O stylist absorveu o tema de sustentabilidade e diversidade da edição IN.PACTOS, na temporada 54 do evento, e o levou até o limite.

Assim que o bege e o rosa tomaram os palcos e a trilha sonora arcaica preencheu a sala, todos os espectadores do desfile foram trazidos de volta às suas bases, às suas origens e ao seu íntimo. Sem uma cor vibrante sequer, as peças de João Pimenta entregaram ombros largos e fendados, cortes nos fundos das peças – o que também trouxe um ar cômico para a apresentação –, flores bordadas e, sobretudo, a sensação de que os modelos estavam com os corpos enraizados sobre a terra e com seus peitos e corações expostos.

Modelos em fila se preparando para entrar na passarela do desfile de João Pimenta, na São Paulo Fashion Week 54
Modelos se preparando para entrar na passarela durante o desfile de João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

João Pimenta explorou a vulnerabilidade, na coleção e na interação com a plateia. É possível que, para alguns, o desfile tenha sido inclusive incômodo. Não havia normalidade na apresentação, nem o habitual ambiente de “show business”. Ao se utilizar de cores e tecidos comuns, somente para os desvirtuar através de uma costura inusitada e designs absurdamente criativos, a marca transformou a atmosfera da sala por completo.

Um ponto de atenção está no caráter sutilmente medieval da coleção, tanto nas roupas quanto na trilha sonora e ambientação. Desse modo, foi impossível sair da apresentação de João Pimenta sem se perguntar: para qual tempo ele estava querendo voltar?

Ícaro Silva e outro modelo no backstage do desfile de João Pimenta na São Paulo Fashion Week 54
Ícaro Silva no backstage do desfile de João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

Com um som forte e memorável, as telas do salão escorriam um vermelho intenso como sangue assim que o desfile se iniciou. Quanto mais graves eram as melodias, mais as artes visuais refletiam a intensidade do processo de renascimento que Pimenta propunha, após passarmos por períodos tão sombrios e tenebrosos. Desse modo, é visível como o estilista reaproveitou algumas das referências góticas do seu desfile do ano passado, na SPFW #53.

Entretanto, o ápice da introdução foi a grande cruz invertida que fora projetada no telão. Lotada até a última cadeira, a multidão foi à loucura e logo depois voltou a contemplar os looks inspirados na anatomia humana. A diversidade racial e etária esteve presente na passarela, transmitindo uma mensagem de igualdade perante nossos próximos ciclos.

Dois modelos no backstage do desfile de João Pimenta na São Paulo Fashion Week 54
Backstage do desfile de João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

Por dentro do backstage

Todos estavam ansiosos. Enquanto João passava por cada modelo, verificando os últimos detalhes das roupas, a organização do evento tentava arrumar a fila do desfile. As peças com cortes inovadores eram tomadas com estampas de flores elegantes e pinturas de órgãos feitas em cores que passeavam por tonalidade nudes. Foram esses aspectos que traduziram o objetivo cardeal da coleção: refletir sobre quem somos em nosso interior.

As cores da coleção permeavam também a maquiagem. Os tons quentes e rosados estavam presentes em todos os distintos tons de pele, seja por meio do blush, batom ou até mesmo da barba. Por meio disso, o desfile também explorou ao máximo o potencial da maquiagem masculina, de forma a enaltecer a beleza de cada um dos modelos.

Igor Rickli no backstage do desfile de João Pimenta na São Paulo Fashion Week 54
Igor Rickli no backstage do desfile de João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

Modelos de todas as idades e corpos demonstravam felicidade em estarem trajados de João Pimenta. Um deles, ao sair das passarelas, revelou a AGEMT, atônito: "É a primeira vez que eu tô desfilando para o João Pimenta. [...] Foi muito bom porque eu nunca tive um contato com alta costura e eu acredito que essa nova coleção está muito elegante. Tudo combinou, a trilha sonora, a alta costura, eu adorei bastante". O talento do criador é indiscutível, o que era diretamente refletido no sorriso no rosto de cada um dos modelos, que ficou cada vez maior enquanto repetiam o trajeto: do backstage, à fila, à passarela.

Pimenta não poderia estar diferente. Emocionado, mas extremamente feliz, parecia ainda incrédulo na saída da passarela. Em instantes, as expressões de tensão e preocupação de momentos antes foram substituídas por total realização. Ao retornar ao backstage, o designer estava abraçando todos à sua frente, inclusive a repórter da AGEMT, que pôde assegurar a intensidade artística e sensorial do desfile, creditada à potência única que é João Pimenta. 

João Pimenta no backstage de seu desfile, na São Paulo Fashion Week 54
João Pimenta (Foto: Luana Galeno)

 

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De kpop e tecnobrega a looks que simulavam órgãos humanos, os estilistas entregaram inovação e ergueram pautas sociais
por
Gabriela Figueiredo, Fernanda Querne, Luana Galeno, Enrico Souto e Maria Eduarda Camargo
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20/11/2022 - 12h

 

Legenda: Halessia no desfile da Another Place/ Por: Fernanda Querne 

Nesta quinta-feira (17), o segundo dia da São Paulo Fashion Week (SPFW) esteve a todo vapor e reafirmou as tendências de diversidade e sustentabilidade que têm ditado o evento. No palco do Komplexo Tempo da Moóca, foram destaque os desfiles produzidos por DePedro, Sou de Algodão, TA Studios, Another Place e João Pimenta. Enquanto isso, passaram pelo Shopping Iguatemi as apresentações de Lilly Sarti e Rellow, em que Isabella Fiorentino e Giovanna Ewbank, respectivamente, desfilaram.

 

 Legenda: Vitão no desfile da DePedro/ Por: Luana Galeno

DePedro abriu seu desfile com uma coleção voltada para o verão, evocando cores quentes, como o vermelho e o amarelo, em peças trabalhadas no crochê e bordados que pontualmente se sobressaiam. Com o tema “Contradição”, a marca do estilista Marcus Figueiredo, nascido em Caicó, interior do Rio Grande do Norte, vestiu em suas estampas com movimento Vitão, Rodrigo Mussi e outras celebridades para abordar a dualidade da realidade nordestina de forma mística e enaltecedora

  

Legenda: Desfile da TA Studios/ Por: Luana Galeno

Foi difícil não se surpreender com o desfile da TA Studios logo no começo, quando abriu a coleção “Quintal Global” ao som de hits do kpop remixados em uma versão de tecnobrega. É esse choque de elementos tão diferentes que ditou a coleção da idealizadora e estilista Gisele Caldas, que investe em uma produção ecofriendly.

 

Legenda: Alexandra Gurgel desfilando para TA Studios/ Por: Luana Galeno

Na primeira parte da apresentação, predominavam peças lisas e em preto-e-branco, que gradativamente foram substituídas por looks em grandes estampas e cores sóbrias, do verde ao bege. Entre outras modelos, Alexandra Gurgel marcou presença desfilando com um grande vestido estampado

 

Legenda: Desfile da Another Place/ Por: Fernanda Querne 

A coleção “Love Hurts” foi introduzida pela Another Place em seu desfile com roupas de cores azuis e tecidos de cetim em tons metalizados. Com a presença de João Guilherme nos palcos e Mateus Carrilho e Halessia na plateia, a apresentação foi influenciada pelo retorno do Y2K e da moda à la Britney Spears, apostando forte em calças jeans de cintura baixa, porém a partir de uma visão sustentável. 

 

Legenda: Desfile da Another Place/ Por: Fernanda Querne

Outra preocupação da marca foi em promover uma moda agênero, com modelos masculinos usando renda, corset e looks decotados, enquanto modelos femininas vestiam estampas ousadas, ao invés de peças sexualizantes. Um destaque especial para um dos looks mais memoráveis da noite, em que uma modelo roubou a cena ao vestir tie dyes rosas e violetas.

Já a marca portuguesa Buzina estreou na edição 54 da SPFW com a coleção "Burnish". As peças desenhadas pela estilista Vera Fernandes buscaram as raízes do Slow Fashion e da moda sustentável, mirando em estampas listradas, designs excêntricos e cores pastéis. Infelizmente, a apresentação se sobressaiu como uma das menos diversas do evento, vestindo somente três modelos negras no decorrer de todo o desfile.

 

 

 Legenda: Backstage da João Pimenta/ Por: Luana Galeno

No caminho contrário, o desfile de João Pimenta esteve entre os mais coloridos do segundo dia da SPFW N54, atentando-se à diversidade racial, etária e de corpos durante a escolha das modelos. Com sua nova coleção, o stylist demonstrou mais uma vez porque é um dos mais respeitados no mundo da moda, com ternos de alta-costura e peças com corte e caimento que uniam a elegância e inovação.

 

 Legenda: Backstage da João Pimenta com Ícaro Silva Por: Luana Galeno

Os tons terrosos de bege, rosa, vinho e marrom deram atmosfera às peças que, ao mesmo tempo que simulavam o formato de órgãos, ossos e partes do corpo, as misturavam com estampas florais e bordados delicados. Vestindo celebridades como Ícaro Silva e contando com a presença de Nátaly Neri e Jonas Maria na plateia, João Pimenta foi, de fato, “Das tripas ao coração”.

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O evento trouxe ampla representatividade e colocou famosos na passarela
por
Gabriela Figueiredo, Fernanda Querne, Luana Galeno, Enrico Souto e Maria Eduarda Camargo
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18/11/2022 - 12h

 

A edição 54 da São Paulo Fashion Week estreou nesta quarta-feira (16), no Shopping Iguatemi, com Patricia Vieira. Porém, o Komplexo Tempo, na Mooca, foi o palco principal da maioria dos desfiles. 

Houve a presença ilustre da coleção “Onde nasce a arte”, dos Meninos Rei. A marca assinada pelos irmãos baianos, Júnior Rocha e Céu Rocha, protagonizou a beleza do povo preto e a sua ancestralidade. Durante o primeiro dia do evento, também participaram marcas como Soul Basico, Greg Joey, Walério Araújo, Renata Buzzo, Aluf e Bold Strap.

Com a temática IN.PACTOS, a temporada trouxe coleções que tratam de questões íntimas para os designers, como foi o caso de Walério Araújo. Entretanto, também houve quem optou pelo choque visual de seu desfile, à exemplo da Bold Strap.

 

Legenda: Ensaio da Bold Trap / Por: Luana Galeno

 

A SPFW contou com inúmeras celebridades, seja para modelar ou assistir. Estreando nas passarelas, Bianca Andrade desfilou para Bold Strap e alegou que fez inúmeras aulas para aprender a arte do “catwalk”. Já Camila Queiroz abre as passarelas para a mesma marca, enquanto seu marido, Klebber Toledo, fez uma aparição no desfile da Soul Basico.

Outros famosos também levantaram os aplausos do público, como o cantor Xamã, que desfilou para Walério Araújo, juntamente com Alexandra Gurgel e Halessia, enquanto Jojo Todynho e Deborah Secco vestiram a marca dos irmãos de Salvador. Como visitantes, a equipe da AGEMT encontrou Leandrinha Du Arte, Dudu Bertholini, Joyce Fernandes, Malu Borges e Lorrane Silva.

Confira as fotos:

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 


 

 

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Walério Araújo traz Gótico luxuoso à São Paulo Fashion Week
por
Fernanda Querne
Gabriela Figueiredo
Luana Galeano
Maria Eduarda Camargo
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17/11/2022 - 12h
Modelos no Backstage do desfile
Modelos no backstage do desfile
Por: Gabriela Figueiredo

"Vou comer um bolo agora sozinho. Já que o ‘boy’ me deu ‘um bolo’” diz Walério Araújo, ao sair do camarim da São Paulo Fashion Week. Só há motivos para comemorar. Seu desfile inaugura uma visão gótica com correntes, caveiras e cruzes - contrastando vibrantemente com a coleção apresentada na edição N53 do SPFW, que contava com o uso de penas e acessórios mais fluidos e menos carregados. A base foi o preto, mas também houve peças em roxo e fúcsia - as statement colors da coleção. Mesmo com uma vibe mais dark, o mistério sombrio enalteceu uma sensualidade cativante.

 

Alexandra Gurgel no backstage do Walério Araújo
Alexandra Gurgel no backstage do Walério Araújo
Por: Fernanda Querne e Gabriela Figueiredo

Dentro do backstage de Walério, Alexandra Gurgel é vista já com o seu delineado gráfico pronto. Em entrevista à AGEMT, a dona do canal Alexandrismos revelou as suas expectativas para a edição N54 : “Eu tô achando incrível, é a segunda vez que eu desfilo. Algo bem gótico, trevoso, com muita personalidade e muita representatividade”. Mesmo com a volta dos anos 2000, cinturas mais baixas e a exaltação da magreza, ainda há a inclusão do movimento corpo livre nas passarelas. Outro exemplo a ser citado é o desfile dos irmãos Salvador que conta com Jojo Todynho.

Não foi só sua a estreia no SPFW, mas também de vários modelos no evento, que também pela primeira vez, abre espaço para o público. “Está sendo incrível, eu sempre via todo mundo participando e agora eu estou aqui. Me sinto realizada” - enalteceu Juliana Bispo. Com a expectativa lá no alto e a ansiedade a mil, a modelo mostra a alegria de estar desfilando com um grande sorriso no rosto. 

Já quando a AGEMT abordou a temática de diversidade, os semblantes mudaram. As suas expressões eram mais sérias: “Eu acho que a cada desfile está tendo uma acessibilidade maior” - ressaltou Alice Santos. Também notaram como, ano após ano, há mais inclusão para os convidados. 

Xamã no backstage do desfile de Walério Araújo
Xamã no backstage de Walério Araújo
Por: Fernanda Querne e Gabriela Figueiredo

 

Walério Araújo dando os toques finais na peça da Carmelita Mendes
Walério Araújo dando os toques finais na peça da Carmelita Mendes
Por: Fernanda Querne

Carmelita Mendes, veterana em desfiles, confessou que sempre há um “friozinho” na barriga antes do show começar. “Desfilei já algumas vezes para o Walério e estou contando as horas para entrar. Mas eu fico nervosa, é uma mistura de sentimentos”. Aguardando ansiosamente, a modelo marcou o desfile com a peça final da coleção. O próprio criador da marca estava fazendo os toques finais da roupa enquanto o desfile acontecia - prendia as flores pretas no macacão da Carmelita no backstage. Devido à multidão, até pisaram na peça. Ainda, enquanto a fila para a passarela se formava, a equipe gritava por um por um pó baked, que havia desaparecido.

Walério segurando uma flor preta do macacão de Carmelita Mendes
Walério segurando a flor que iria para o macacão de Carmelita Mendes
Por: Fernanda Querne

"É uma loucura, sempre há uns imprevistos que ninguém sabe mas são os melhores porque deixam a coleção mais quente” - foi a conclusão do Walério com relação ao desfile. O criador da marca também desabafou que teve que, literalmente, sair do salto. Isso pois no backstage houve correria atrás de qualquer sapato preto 39 para uma modelo que necessitava. Quase usaram o meu. Imaginem, um salto da Renner tamanho 36 na SPFW - quem vê close, não vê corre.

 

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O evento acontecerá entre os dias 16 e 20 de novembro em formato híbrido, com 43 desfiles presenciais e 5 digitais; saiba mais!
por
Fernanda Querne
Gabriela Figueiredo
Luana Galeno
Enrico Souto
Christian Policeno
Maria Camargo
Victoria Leal
Antônio Bandeira
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07/11/2022 - 12h

A 54ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW) continuará o tema de IN.PACTOS. O evento ocorrerá entre os dias 16 e 20 de novembro em um novo espaço do Shopping Iguatemi que reunirá uma sala de desfile, a transmissão online do evento e uma área de estúdio dedicada a produção de conteúdo. Com a ajuda da curadora, Carollina Laureano, a programação no Komplexo Temo, na Mooca, se tornará uma galeria a céu aberto. A SPFW anunciou de forma inédita a venda dos ingressos para o público com preços que variam de R$ 50 a R$ 1.540.  

Pós-pandemia, a temática da edição representa criatividade, sustentabilidade e inovação, procurando provocar reflexões sobre as mudanças que precisam ser feitas hoje para um planeta mais harmonioso até 2030. Abordarão ainda os temas identidade e pertencimento, com a presença de artistas racializados, trans e indígenas.  

“Estamos conscientes de que os processos dependerão cada vez mais de um movimento circular e colaborativo. É nisso que sempre acreditamos e por isso colocamos o SPFW sempre numa zona de risco para provocar e ampliar os novos pactos individuais e coletivos em torno das metas globais de mudança”, afirma Paulo Borges, criador e diretor do SPFW.

Isaac Silva SPFW nº53 / Reprodução SPFW
Isaac Silva SPFW nº53 / Reprodução SPFW

 

            “Minha participação nessa edição do SPFW se baseia em trazer um olhar da arte contemporânea para a moda, apresentando artistas/es que tem práticas que se aproximam da moda, a fim de discutir identidades e pertencimento. Se até hoje a sociedade Brasileira ainda vive sob um pacto colonial que oprime maiorias minorizadas, quais são os novos pactos que devemos criar para um futuro mais plural e qual a responsabilidade da moda nesse contexto? É sobre isso que estou interessada em discutir”, aponta a curadora Carollina Laureano

No total, serão 48 desfiles, sendo 43 presenciais e 5 digitais que se apresentam como fashion films. Quatro novas marcas estreiam nesta edição: Greg Joey, de Lucas Danuello, conhecido pelo genderless e inovação; Heloisa Faria, que usa técnicas de moulage; Maurício Duarte, com criações pintadas a mão e a Buzina, marca sustentável portuguesa. Notoriamente, a Ellus fará uma celebração de 50 anos da marca durante o evento. 

 

LINE-UP

 

16/11 (quarta-feira) 

 

12h - Patrícia Viera (Iguatemi)

16h - Meninos Rei (Komplexo Tempo)

17h - Soul Basico (Komplexo Tempo)

18h - Greg Joey (Komplexo Tempo)

19h - Walério Araújo (Komplexo Tempo)

20h - Renata Buzzo (Komplexo Tempo)

20h30 - Aluf (Digital) 

21h30 - Bold Strap (Komplexo Tempo)

 

17/11 (quinta-feira) 

 

10h30 - Misci (Externo)

12h30 - Lilly Sarti (Iguatemi)

13h - Rellow (Iguatemi)

16h - DePedro (Komplexo Tempo)

17h - Sou de Algodão (Komplexo de Tempo)

18h - TA Studios (Komplexo Tempo)

19h - Another Place (Komplexo Tempo)

20h - Buzina (Komplexo Tempo)

20h30 - Modem (Digital) 

21h30 - João Pimenta (Komplexo Tempo)

 

18/11 (sexta-feira) 

 

10h30 - A.Niemeyer (Iguatemi)

12h - Triya (Iguatemi) 

14h30 - Lino Villaventura (Externo)

16h - Rocio Canvas (Komplexo Tempo)

17h - Thear (Komplexo Tempo)

18h - Ateliê Mão de Mãe (Komplexo Tempo)

19h - Martins (Komplexo Tempo)

20h - Handred (Komplexo Tempo)

20h30 - Heloísa Faria (Digital) 

22h - Ellus (Externo)

 

19/11 (sábado) 

 

10h30 - Angela Brito (Iguatemi)

12h30 - Nariage (Iguatemi)

15h - AZ Marias (Komplexo Tempo)

16h - Ponto Firme (Komplexo Tempo)

17h - Silvério (Komplexo Tempo)

18h - Santa Resistência (Komplexo Tempo)

19h - Anacê (Komplexo Tempo)

19h30 - Àlg (Digital) 

20h - Led (Komplexo Tempo)

21h30 - Lenny Niemeyer (Externo)

 

20/11 (domingo) 

 

10h - Korshi 01 (Externo)

12h - À La Garçonne (Iguatemi)

15h - Isaac Silva (Komplexo Tempo)

16h - Cria Costura (Komplexo Tempo)

17h - Lucas Leão (Komplexo Tempo)

18h - Naya Violeta (Komplexo Tempo)

19h - Weider Silveiro (Komplexo Tempo)

20h - Dendezeiro (Komplexo Tempo)

20h30 - Maurício Duarte (Digital) 

21h30 - Apartamento 03 (Komplexo Tempo)

 

Imagem da capa: João Pimenta SPFW nº53 / Reprodução SPFW 

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Mais do que moda, o movimento gera discussões sobre identidade, apropriação cultural e politica.
por
Beatriz Tiemy
Giulia Aguillera
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19/10/2022 - 12h

Seja em bonés, camisetas de time ou chinelos Havaianas, o verde, amarelo e azul estão presentes nos novos produtos da moda nacional e internacional. Nos últimos meses, a bandeira brasileira se espalhou rapidamente pelas redes sociais de influencers fashionistas do mundo todo, principalmente pelo TikTok e Instagram. Às vésperas das eleições e da Copa do Mundo do Qatar, a popularização do símbolo do Brasil restaura um sentimento de identidade que vai muito além da moda.

Mais que uma tendência, o BrasilCore tem uma importância política no ano de 2022. Desde 2014, a bandeira brasileira e o próprio brasão da Confederação Brasileira de Futebol são associadas à direita política no país. O verde, amarelo e azul estamparam campanhas eleitorais e manifestações a favor desse lado, representado principalmente pelo presidente em exercício, Jair Bolsonaro (PL). Um exemplo expressivo do uso das cores com um cunho partidário foi a onda de atos pedindo pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.

Esse processo de apropriação do símbolo nacional fez com que o grupo que não se identifica com os ideais da direita deixasse de usar roupas com o tema e, mais do que isso, perdesse o sentimento de nacionalismo. Em contrapartida, a estética BrasilCore surge na direção contrária à apropriação, já que propõe o resgate da bandeira como forma de representação do povo brasileiro. Assim, o movimento une moda, política e, ainda, futebol.

Não é possível falar de estética brasileira sem mencionar o futebol, já que, no país, é o esporte mais popular. Por isso, o lançamento das camisas da seleção da Copa do Mundo de 2022 pela Nike é uma forma de consolidar o BrasilCore como tendência nacional e internacional. Em entrevista para a AGEMT, Julia Andreata (20), Analista Júnior que integra a equipe criativa da empresa, conta que a maior dificuldade no processo de criação do novo uniforme foi manter as cores clássicas da camisa brasileira tendo em vista o longo e complexo processo político pelo qual o país está passando.

A moda sempre foi um instrumento de manifestação e, com a chegada da Copa do Mundo e das eleições, a tendência do verde e amarelo se torna mais presente e comentada do que nunca, o que gera grandes reflexões e embates internos por parte da população. É uma perspectiva que estimula, por um lado, o patriotismo de volta, mas, por outro, o medo e a repulsa de usar a camisa verde e amarela com receio de ser associado a partidos e ideologias políticas. Durante anos, o povo brasileiro assistiu essa atitude, fazendo com que muitos abrissem mão de sua bandeira, de suas camisas, das cores que representam a sua nação.

Na tentativa de desmistificar, a Nike, junto a sua equipe criativa, exploraram maneiras de desvincular a política das blusas da seleção e restaurar aquele sentimento de orgulho ao vestir o verde e amarelo.

O caminho que a Nike escolheu seguir foi exaltar aspectos da cultura brasileira. Para isso, escolheu um visual baseado no uniforme usado pelo time na conquista de seu último título, em 2002. Surge então o slogan “Veste a Garra”, estampado por toda a campanha das novas camisetas da próxima Copa, que sugere ao povo brasileiro agora, mais que nunca, é o momento de vestir a camisa e lutar pelo país, assim como os atletas em campo lutam por uma vitória.

Julia ainda retoma que o objetivo principal dos novos designs foi “trazer orgulho de volta para os brasileiros, e fazer eles vestirem a camiseta. Tudo foi pensado nisso, envolver a textura de onça pintada nas mangas e a bandeirinha na gola, símbolos brasileiros. Por isso, todo o marketing teve o bordão ‘Veste a Garra’”.

 

As camisetas de time e a periferia

O esporte sempre foi um dos fatores que influenciam a moda. Dos tênis All Star até a camisa Polo, muitas tendências surgiram por conta das práticas esportivas. No entanto, com o futebol no Brasil, alguns fatores fizeram com que essa influência fosse vista como algo negativo. Apesar de eleito o esporte favorito dos brasileiros, a elite enxergava, até pouco tempo atrás, o futebol como pertencente a uma cultura de massa e tinha uma visão negativa sobre ele.

Desde muito antes da repercussão atual do Brazilian aesthetic nas redes, que trouxe consigo uma nova visão das camisetas como itens fashionistas, elas já eram muito antes reverenciadas e reconhecidas como itens essenciais da moda periférica. O “país do futebol”, assim chamado e reconhecido por sua nação, fez com que as camisetas se tornassem um grande símbolo, que teve um imenso consumo e ênfase nas periferias pelo entorno do cotidiano periférico em que o futebol é um elemento muito forte e presente. Como um exemplo disso, a existência dos campos de futebol nas comunidades em que crianças e adultos de todas as idades frequentam e jogam.

Diante dessa situação, pelas roupas da seleção terem como modelos principais os corpos negros e periféricos, esse movimento foi envolto pelo preconceito e o “mal olhado” sendo associado como estilo de “favelado” ou símbolo de algo desleixado. A problemática da tendência surge neste momento em que passa a ser valorizada apenas quando vestida por um grupo específico, branco e elitista no Brasil e "gringos". Algo que muito antes já fazia parte da moda nacional, identidade cultural e realidade de muitos brasileiros, somente a partir do momento que foi usada por pessoas de outros países e grandes figuras brancas e influentes passa a ser visto como um elemento grandioso de moda.

Com a replicação das tendências do exterior observadas no Brasil e a questão da desvalorização de moda nacional e periférica, Laura Ferrazza, historiadora da moda, diz: “As referências da moda estão globalizadas, porém, é um erro pensar que o Brasil não crie suas próprias tendências internas e mesmo seja capaz de exportar tendências”.

“Acho que a identidade de um povo, como uma nação jovem como a brasileira, está sempre em construção. O brasileiro sempre coloca sua marca, seu jeito próprio ao usar algo externo e é muito criativo e inovador”, completa Laura.

Sobre a repercussão da tendência BrazilCore, diz:  “A moda é um catalisador do espírito do tempo, um espaço para expressar gostos e opiniões.” “Certamente as preferências eleitorais e esportivas acabam aparecendo como tendência em momentos importantes como uma eleição presidencial e uma Copa do Mundo”, diz Laura Ferrazza.


 

Na era do Tik Tok, as lojas passaram a produzir em maior escala e romantizando as compras exageradas
por
Nathalia Teixeira
Ana Caroline Andrade
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09/06/2022 - 12h

Moda consciente tem a ver com sustentabilidade e consumo. Para falar sobre o assunto, conversamos com a equipe do brechó Use Brígida, com a equipe da Macê Concept e perguntamos a uma consumidora o que ela acha disso. Ouça aqui 

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Como o "Complexo de Vira-lata" influencia os diversos âmbitos sociais, inclusive o mundo da moda.
por
Isadora Verardo Taveira
Sophia G. Dolores
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07/06/2022 - 12h

 

Foto Montagem
Foto montagem com arquivos publicados pelo site Vogue. (Reprodução: Sophia G. Dolores)

 

 

           No dia 02/05/2022, estruturado no tema de “Brasilidade Fantástica” e na semana de arte moderna de 1922, movimento que buscou uma arte efetivamente brasileira, aconteceu o Baile da Vogue no Rio de Janeiro. Em meio a trajes luxuosos e produções exuberantes, o evento contou com a presença de artistas e digital influencers da atualidade, e na maioria deles, era notório algo em comum: a falta de representatividade da cultura e da identidade brasileira. 

            É importante lembrar que a indústria cultural, e principalmente, a indústria da moda vende constantemente a imagem do povo carnavalesco para o mundo, mas o Brasil não é somente representado por carnaval, samba e Rio de Janeiro. Em entrevista para o “Nós, Mulheres da Periferia”, a estilista brasileira Seanny Oliveira conta que a decisão do tema foi importante para uma representação brasileira ainda maior, porém, acredita que faltou diversidade cultural. “Eu penso que a Vogue deve conhecer as artistas [indígenas, quilombolas e ribeirinhas] que produzem moda. Não precisamos de representatividade estrangeira, existe também no Brasil muita gente que é capacitada”. O que faz então, os artistas e influencers buscarem a representação vinda de fora?

A escolha pela moda estrangeira

            Bianca Andrade, mais conhecida como “Boca Rosa” pela internet, foi uma das centenas de artistas presentes no Baile em 2022 que apostou num estilista estrangeiro. “Escolhi esse vestido surrealista da Loewe para trazer a ‘Brasilidade Fantástica’ de um jeito inusitado, com uma peça dourada inspirada nas riquezas naturais do nosso país”, comentou a empresária em suas redes sociais na divulgação de seu look para o evento. A Loewe é uma casa de luxo espanhola especializada em artigos de couro e foi fundada por Enrique Loewe Roessberg, um espanhol. Ana Dias, estilista e especialista em ilustração de moda, afirma que o Baile da Vogue é uma porta de entrada a variados artistas, mas principalmente, uma importante manifestação da moda Brasileira, apesar de muitas vezes o evento ser usado com muito oportunismo por “subcelebridades” para se evidenciar e não de fato celebrar a moda, cultura e diversidade, que é de fato o intuito do evento. “De modo geral, os convidados tentaram decifrar o tema ‘Brasilidade Fantástica’ como algo que fosse surreal e fantasmagórico, mas nem todos foram felizes nas escolhas, na minha opinião. Se formos analisar, a maioria nem se quer considerou algum designer brasileiro para evidenciar e apoiar, sendo que nosso país tem tantos artistas talentosos que poderiam ser notados”, pontua a estilista. 

O "Vira-lata" constituído na subalternidade e na humilhação

         É possível estabelecer um paralelo comparativo entre o acontecimento da moda e o complexo de ‘vira-lata’, abordado por Nelson Rodrigues. "A inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face ao resto do mundo” - ressaltou o escritor em 1958. Desde a chegada dos europeus em território brasileiro e a imposição da cultura estrangeira sobre toda identidade nacional do país, as manifestações artísticas africanas e indígenas, que representam majoritariamente o que é o Brasil, sofreram um processo intenso de silenciamento. Em toda essa conjuntura, a exaltação de tudo aquilo que vem de fora, desde arte até o estilo de vida, e o sentimento de inferioridade tornaram-se um fenômeno recorrente na sociedade brasileira. Em entrevista, a historiadora e professora da Pontifícia Universidade Católica, Carla Cristina, afirma que “O viralatismo brasileiro tem a ver com uma subjetividade constituída na subalternidade e na humilhação. A constante necessidade de aprovação do exterior gera uma dependência de validação e a inferiorização diante de todas as manifestações culturais que possuem raízes brasileiras: As oportunidades de manifestar a riqueza do Brasil, a riqueza cultural, são perdidas para aquilo que parece ser o que vende.” - completa a professora. 

     Além das produções fashionistas exuberantes, o complexo de vira-lata não estampou-se apenas no âmbito da moda. A bebida escolhida para patrocinar o evento foi o Gin, que surgiu na Holanda e se popularizou na Inglaterra após a Guerra dos Trinta Anos. Com a diversidade de frutas tropicais e bebidas nacionais, como a cachaça, homenagear criações estrangeiras em um evento que possui como tema um território tão rico em suas manifestações artísticas e seus costumes, escancara a realidade de um país estruturado na colonização e na imposição cultural.  

O centenário que marcou presença no baile 

           A semana de Arte Moderna de 1922, que inspirou o Baile, foi uma manifestação artístico-cultural que trazia uma nova visão da arte, a partir de estéticas inspiradas nas vanguardas europeias. O modernismo demarca uma grande ruptura, a desassociação da visão colonizadora sobre os costumes brasileiros, além de desconstruir a influência eurocêntrica e imperialista que fundou o país, também é provocar um mergulho dentro da nossa própria cultura. Mesmo com uma grande oportunidade de representar verdadeiramente a história de um povo através de seu próprio olhar, em um evento que possui grande repercussão e importância para as manifestações da moda, mais uma vez a elite brasileira se preocupou em reverenciar construções estrangeiras. Carla completa que a semana de arte moderna vai ficar marcada como um giro de reflexão a respeito da cultura brasileira. “Essa ideia de Oswald de Andrade, ‘Tupi or not Tupi’, o manifesto antropofágico, Macunaíma, Mário de Andrade e suas andanças pelo Brasil [...] é importante lembrar de uma aula de intelectuais da elite brasileira que passam a pensar a respeito do que é a arte que nós fazemos, a arte que nós consumimos, e o que é a cultura brasileira dessas duas primeiras décadas do século vinte.”

         Apesar da grande parcela de convidados que enalteceram as grifes estrangeiras, ainda sim houve trajes inspirados e elaborados por grandes personalidades do Brasil. Um dos exemplos foi Andressa Suíta, que vestiu a talentosa Naya Violeta, estilista preta do centro-oeste, que representa de forma única, a brasilidade em suas criações, além de usar a moda para manifestar a história negra do país, através da influência de festas populares e do Candomblé. Já a advogada e apresentadora Gabriela Prioli, teve seu visual assinado por Teodora Oshima, fashion designer nipo-brasileira e transsexual que traz representatividade pra indústria da moda e cria peças únicas que exibem força e identidade. A moda brasileira costuma ser vista e considerada como cópia das grandes coleções do eixo fashion, como Paris e Milão? Muito pelo contrário, a moda brasileira vai além da identidade, é uma questão de identificação e busca pela maior representatividade étnica e cultural, afinal, isso que verdadeiramente representa o Brasil.  Como pontua Ana Dias: “O Baile da Vogue é apenas a porta de acesso a variados artistas, e principalmente uma importante manifestação da moda Brasileira”. 

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