Em São Paulo, a rotina de um motorista de aplicativo revela como o trabalho passou a ser guiado por notificações, cansaço digital e um cotidiano moldado pelo brilho constante do celular
por
Carolina Hernandez
|
24/11/2025 - 12h

 

Por Carolina Hernandez 

O celular vibra antes que qualquer clarão toque os prédios da Mooca, e essa vibração curta, metálica e insistente desperta Jonas de um sono leve, como se fosse uma convocação, um chamado que não permite adiamentos. Ele estende a mão ainda no escuro, alcança o aparelho, observa a luz que se espalha pelo quarto e lê a notificação do aplicativo que já anuncia alta demanda, fluxo intenso, oportunidade. Nos últimos anos, aprendeu a acordar assim, preso ao brilho do celular antes mesmo de sentir o chão frio sob os pés. O trabalho começa na tela, e não na rua.

No carro, um sedan prata que carrega o desgaste dos dias longos, Jonas encaixa o celular no suporte. O gesto é tão automático que parece parte do ritual de ligar o motor, como se o carro só funcionasse plenamente depois que o aplicativo estivesse ativo. A tela mostra a cidade em azul e amarelo, um mapa vivo onde cada área fervilha com informações que determinam para onde ele deve ir, quanto irá ganhar, quanto tempo deve esperar. O aplicativo calcula rotas, horários, riscos e recompensas, e Jonas respira fundo antes de seguir, como quem aceita que o destino do dia será guiado por aquele retângulo luminoso.

A primeira corrida aparece em menos de quinze segundos. Ele aceita. O carro avança devagar pelas ruas que ainda não despertaram, e Jonas observa o céu sem forma, as luzes dos postes refletidas no capô, o reflexo da tela pressionando seus olhos desde a madrugada. Logo, o trânsito cresce, e a cidade parece surgir inteira de dentro dos celulares dos próprios motoristas, porque ninguém conduz apenas pelas ruas, todos conduzem pelos mapas, pelas notificações, pelas coordenadas enviadas de longe.

A dependência da tela dita o ritmo. Jonas percebe isso a cada minuto. Ignorar uma notificação pode significar perder corridas, perder pontos, perder visibilidade diante do algoritmo. Ele sabe que o sistema registra cada movimento, cada segundo parado, cada mudança de rota, cada hesitação. Uma espécie de patrão silencioso observa sua velocidade, suas notas, seus cancelamentos, suas escolhas. Não há voz, não há rosto, mas há controle. Ele comenta que antes achava que dirigia para pessoas, e hoje sente que dirige para um conjunto de cálculos invisíveis.

O cansaço começa sempre pelos olhos. A luz azulada se infiltra pelas pálpebras como um grão de areia persistente. Mesmo nos poucos minutos de pausa, ele sente o celular vibrar no bolso, chamando de volta, lembrando que há demandas próximas. A Pesquisa TIC Domicílios mostra que o celular tornou-se o principal dispositivo de acesso à internet para a maioria dos brasileiros, mas, para motoristas de aplicativo, é mais que isso, é ferramenta, ponte, segurança, salário e vigilância. Jonas passa mais tempo olhando para a tela do que para qualquer rosto durante o dia.

Os passageiros entram no carro sempre com pressa, sempre conectados a outra conversa que não está ali. Há estudantes que assistem aulas no banco traseiro, executivos que participam de reuniões por vídeo, mães que equilibram sacolas e chamadas, jovens que respondem mensagens durante trajetos de poucas quadras. O carro se transforma em cápsula de passagens breves, onde cada um leva sua própria tela, e Jonas conduz tantas luzes simultâneas que, às vezes, o interior do carro parece mais iluminado durante a noite do que durante o dia.

Ele já ouviu histórias que não estavam destinadas a ele, conversas que vazavam das telas para o espaço do carro, lágrimas silenciosas de quem lia mensagens difíceis, risadas altas de grupos que relembravam memórias por vídeos compartilhados. Jonas sempre percebe que as pessoas falam menos com ele e mais com seus celulares, que olham menos pela janela e mais para notificações. Nos raros momentos de silêncio, apenas as telas respiram, emitindo luzes diferentes em intervalos variados.

No fim da tarde, quando o corpo já pesa, o aplicativo avisa aumento de demanda. Jonas pensa em parar, mas o aviso insiste, promete ganhos extras, sinaliza movimento crescente. Ele encosta em um posto para comprar um café, tenta alongar as costas, tenta piscar devagar para aliviar a ardência nos olhos. O celular vibra antes da primeira golada. Ele volta para o volante. Recusar seria uma escolha, mas uma escolha com consequências. Descanso e trabalho, na lógica do aplicativo, nunca estão em equilíbrio.

A madrugada avança e a cidade se torna uma paisagem de luzes espaçadas, com corredores vazios e poucos ruídos. Jonas leva um jovem que saiu do trabalho no shopping, e o rapaz passa o trajeto inteiro olhando para o celular enquanto mensagens surgem em sequência. Jonas também observa o seu próprio aparelho, que marca a rota até o destino. O carro segue pelas avenidas escuras com apenas as duas telas iluminando o interior, criando um silêncio que parece suspenso no ar.

Quando chega em casa, Jonas desliga o carro, depois o aplicativo, e por fim o celular, que insiste em vibrar com atualizações e resumos do dia. A sala escura o acolhe em um silêncio que chega a parecer estranho, como se o mundo tivesse diminuído de volume. Ele se recosta no sofá e sente o peso acumulado do dia, não apenas o peso físico, mas o peso da luz constante, da atenção exigida, da vigilância permanente que o acompanha desde o amanhecer. O corpo quer descanso, mas a mente ainda repassa rotas, mensagens, barulhos de notificação que permanecem mesmo após a tela apagar.

Amanhã, muito antes de a luz do sol tocar a janela, o celular irá vibrar novamente, e Jonas atenderá, não por escolha, mas por necessidade. Ainda assim, enquanto respira profundamente, sente uma dúvida surgir devagar, como quem desperta de um sonho longo. Ele se pergunta se ainda guia o carro, se ainda conduz o trajeto, ou se apenas segue o ritmo imposto pela tela que nunca dorme. E essa pergunta, ele sabe, continuará voltando. Porque, na madrugada das grandes cidades, o trabalho e a vida estão cada vez mais presos ao mesmo brilho.

Com o avanço do sistema de pedágio eletrônico nas rodovias paulistas, motoristas vivem a combinação entre fluidez no trânsito e incertezas sobre tarifas, prazos e adaptação ao novo modelo.
por
Inaiá Misnerovicz
|
25/11/2025 - 12h

Por Inaiá Misnerovicz

 

Dirigir pelas rodovias da Grande São Paulo já não é mais como antes. Com a chegada do sistema free-flow - o pedágio eletrônico sem cancelas -, muitos motoristas sentem que atravessam uma fronteira invisível: não há mais a cancela para frear o carro, mas também não há a certeza imediata de quanto vão pagar. Para Jerônimo, motorista de carro, morador da zona leste de São Paulo que faz quase todos os dias o trajeto até Guararema a trabalho, essa sensação de fluxo e incerteza convive em cada viagem.

Antes da implantação do free-flow, Jerônimo parava em praças de pedágio, esperava, conferia o valor, calculava se valia a pena seguir por um trecho ou desviar. Hoje, ao cruzar os pórticos da Via Dutra ou de outras rodovias, ele simplesmente segue adiante. Só depois, no no aplicativo, descobre quanto foi cobrado, isso quando ele lembra de conferir a fatura. Para quem tem TAG, o débito cai automaticamente, mas para quem não tem, o sistema registra a placa e envia a cobrança que deve ser paga em até 30 dias, sob pena de multa, como prevê a regulamentação da CCR RioSP.

Esse modelo evita paradas e acelera o tráfego, especialmente nas pistas expressas. Segundo a concessionária Motiva/RioSP, quem trafega pelas marginais da Via Dutra (sem acessar a via expressa) não é tarifado. Mas Jerônimo ressalta que essa economia de tempo nem sempre vem acompanhada de previsibilidade de custo: “só sabendo depois quanto foi cobrado, ainda dependo de consultar o site para ver se registrou todas as passagens”, ele diz. A tarifa depende do horário e do dia da semana, pode variar, e para quem usa TAG há desconto de 5%. 

Para tornar essa transição mais suave, a RioSP intensificou ações de orientação nas margens da rodovia e em pontos públicos de Guarulhos. Na capital, promotores usam realidade virtual para explicar como os pórticos funcionam, há vídeos e atendimentos nos postos de serviço. Mais de 500 pessoas já participaram de eventos para esclarecer dúvidas sobre o funcionamento, formas de pagamento e salto entre pistas expressas e marginais.

As novas tarifas também entraram em vigor recentemente: desde 1º de setembro de 2025, os valores para veículos leves nas praças da Via Dutra foram reajustados pela ANTT, e nos pórticos do free-flow os preços também foram atualizados. No caso das rodovias geridas pela Concessionária Novo Litoral - especificamente a SP-088 (Mogi-Dutra), SP-098 (Mogi-Bertioga) e SP-055 (Padre Manoel da Nóbrega) - os valores por pórtico variam de R$ 0,57 a R$ 6,95 para veículos de passeio, dependendo do trecho.

Essa lógica de cobrança por trecho, sem a presença física de praças, exige do motorista algo além de atenção na pista: exige educação para se entender onde entrou, onde passou e quanto isso custou. Para Jerônimo, isso é mais difícil do que simplesmente parar e pagar. Ele admite que, apesar da melhoria no fluxo, teme que algum pórtico não tenha sido registrado, ou que haja diferença entre o que ele acredita ter passado e o que vai aparecer na fatura.

Além disso, há risco real para quem não paga no prazo. A CCR RioSP adverte que a não quitação da tarifa em até 30 dias configura evasão de pedágio, o que pode gerar infração de trânsito, multa fixada e até pontos na carteira. Para muitos, essa penalidade ainda parece pesada diante da novidade e da complexidade do sistema.

Por outro lado, o free-flow traz ganhos concretos para a mobilidade: ao eliminar paradas bruscas nas praças, reduz o risco de acidentes por frenagem repentina e melhora o desempenho das rodovias. A tecnologia permite modernizar a gestão do tráfego, e os pórticos com sensores garantem identificação precisa por TAG ou leitura de placa. Ainda assim, a transformação não se resume à pista. Ela repercute no cotidiano de quem vive dessa estrada, como Jerônimo, e também na forma como a concessionária se relaciona com os motoristas. A campanha de orientação mostra que há consciência de que nem todos se adaptarão imediatamente. As ações de atendimento por WhatsApp, aplicativo, site, totens e até no posto de serviço reforçam a aposta na transparência. 

Há também a perspectiva de que esse modelo se torne cada vez mais comum. Segundo planejamento de concessões futuras, mais pórticos free-flow poderão ser instalados nas rodovias paulistas até 2030, o que tornaria esse tipo de cobrança mais frequente para usuários regulares da malha estadual. Mas para que ele seja efetivamente equitativo, será preciso manter a educação viária, oferecer canais de pagamento amplos e garantir que os motoristas não sejam penalizados por simples falhas de entendimento.

Para Jerônimo, a estrada continua sendo um espaço de tensão e de liberdade. Ele ganha tempo, mas precisa vigiar sua fatura. Ele cruza Guararema, volta para São Paulo, e vive uma experiência nova: a de rodar e pagar depois, sem parar, mas sempre com a incerteza de que quanto passou pode não ser exatamente quanto será cobrado. A cancela desapareceu, mas o pedágio segue presente, só que disfarçado em números, e não em uma barreira física. 

Colunista Marcelo Leite revela que a área perde cada vez mais influência no país
por
Giovanna Britto
|
24/11/2025 - 12h

 

Durante a pandemia de Covid-19, o Brasil se reinventou em assuntos a respeito de hábitos higiênicos, debates sobre saúde mental e destacou a importância do jornalismo científico, área  responsável por comunicar à população a respeito das vacinas, o avanço ao combate do vírus e outros assuntos de saúde pública. Entretanto, três anos após o fim do estado emergencial causado pela pandemia, a falta de adesão do público à ciência tem ameaçado o trabalho dos jornalistas desse segmento.

Entre 2020 e 2022, os profissionais da mídia foram expostos ao desafio de comunicar a incerteza científica, traduzir termos e conscientizar a sociedade sobre a pandemia. Muitos jornalistas já eram especializados na área, outros aprenderam a falar sobre ciência devido a alta demanda de notícias para divulgar. A pandemia serviu como ponto de virada para o jornalismo científico - que já existia no Brasil, mas ganhou repercussão graças à necessidade de dar foco ao assunto que ditou o estilo de vida de um mundo inteiro.

Nomes como Atila Iamarino, Natália Pasternak e Álvaro Pereira Júnior se destacaram como grandes vozes da divulgação do jornalismo de ciência. Em entrevista à AGEMT, Marcelo Leite, jornalista e colunista da Folha de São Paulo especializado na área de ciência e ambiente, comenta sobre esse período: “Nunca se valorizou tanto do ponto de vista de espaço, de tempo, de audiência, a divulgação de informações científicas de base para entender o que estava acontecendo.” Hoje, o espaço de fala e a repercussão em temas científicos são menores, uma vez que as pessoas estão cada vez menos interessadas em saber de que forma isso implica em suas vidas pessoais.

Jornalista Marcelo Leite posando para câmera
Formado em jornalismo pela USP, Marcelo também atuou na Revista Piauí e é autor do livro “Psiconautas: Viagens com a Ciência Psicodélica Brasileira”. Foto: Divulgação/Unicamp.

 

Marcelo relembra que o jornalismo científico já sofria com ameaças à sua credibilidade, com falsos especialistas, médicos sem conduta ética e  com o presidente da época, Jair Bolsonaro, reproduzindo falas que levantavam mais dúvidas e ondas de ódio. “Foi um período terrível, e talvez a parte principal, que me deixa mais frustrado, é que o público se dividiu em dois. Uma parte passou  a desconsiderar as informações que a gente, do jornalismo científico, se esforçava por apresentar como informações objetivas, fundadas em dados, com a qualidade que se espera da ciência ", completa.

Na fase posterior à pandemia, após o declarado fim do período emergencial do coronavírus em 5 de maio de 2023, foi possível observar as consequências e heranças que a abundância de informações equivocadas, negacionistas e falsas deixaram na rede de informação, seja online ou offline. Os movimentos anti vacinas, impulsionados durante o Covid, emitiram um alerta para a Organização Mundial de Saúde. Dados divulgados pelo jornal Humanista da UFRGS evidenciam que a cobertura de vacinas contra poliomielite, HPV e sarampo estão em constante queda e sequer atingem a meta em lugares como Norte e Nordeste. 

No anuário de Vacinas de 2025 da Unicef, os dados indicam que até 14 de julho de 2025, a cobertura vacinal dos grupos prioritários permanecia abaixo da meta de 90%: crianças de seis meses a seis anos com 39,5%, idosos com 53,2% e gestantes com 29,8%, correspondendo a menos da metade do público-alvo.

A questão ambiental também é desconsiderada por muitas pessoas. Marcelo afirma que há muitos temas pelos quais o jornalismo científico lutou pelo progresso e que atualmente são banalizados. “se houve alguma dúvida no passado, há 20, 30 anos atrás, hoje não há mais nenhuma dúvida sobre os impactos que estão vindo e virão da mudança climática, cada vez mais sérios. Mas ainda tem gente que questiona.”

Recentemente, casos de metanol que alertaram a população em outubro deste ano, trouxeram uma onda de informações falsas que prejudicaram profissionais da área jornalística e médica, motivando o pronunciamento deles a respeito. Vídeos tentando realizar testes caseiros para identificar a presença da substância nas bebidas, sem comprovação científica, viralizaram nas redes sociais.

Essa situação se assemelha com as polêmicas envolvendo o uso da cloroquina na pandemia. Um levantamento realizado por pesquisadores do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário da USP (Cepedisa) em colaboração com a Conectas Direitos Humanos, mostra que, entre março de 2020 e janeiro de 2021 houve pelo menos quatro medidas federais promovendo diretamente ou facilitando a prescrição do medicamento. Jair Bolsonaro foi um dos maiores promotores da cloroquina na época e quem motivou o uso para a população. Apesar de ter sido associada no combate ao Covid, a cloroquina é um medicamento que atua contra doenças inflamatórias crônicas e no combate a parasitas e cuja eficácia de uso para o coronavírus não é comprovada.

O estudo que deu início a essa ideia foi inicialmente publicado na revista científica International Journal of Antimicrobial Agents e assinado por mais de 10 profissionais. Hoje, a editora da revista, Elsevier, anunciou a retratação deste artigo após uma pesquisa aprofundada, com o apoio de um “especialista imparcial que atua como consultor independente em ética editorial”.

Os profissionais continuam exercendo seu trabalho com excelência, alguns optando pela mídia tradicional, outros inovando nas redes através de vídeos curtos. Mas é inegável a forma com que o jornalismo científico perdeu a influência e como falta apoio em todas as áreas. “É muito triste, porque eu dediquei minha vida inteira ao jornalismo científico, para ver isso acontecer no fim da minha carreira” conclui o jornalista.

Após sete anos, evento volta ao calendário impulsionado pelo avanço dos carros eletrificados
por
Fábio Pinheiro
Vítor Nhoatto
|
22/11/2025 - 12h

O Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, um dos eventos mais tradicionais do setor automotivo brasileiro, está de volta após um hiato de sete anos. A edição de 2025 acontece entre os dias 22 e 30 de novembro, em um contexto de profundas transformações na indústria e impulsionada pela expansão de veículos eletrificados, entrada de novas marcas no país e a necessidade das montadoras de reconectar consumidores às experiências presenciais.

De acordo com a RX Eventos, organizadora da mostra bienal, a volta acontece em razão da reestruturação e aquecimento do mercado. A última edição havia sido realizada em 2018 e contou com cerca de 740 mil visitantes, mas devido a pandemia de COVID-19 o Salão de 2020 foi cancelado. Nos anos seguintes, a volta do evento ficou só na especulação. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes Automotores (Anfavea), a pausa também pode ser atribuída à crise de matéria-prima, à retração econômica deste então e ao formato caro para as montadoras que estavam distantes do público.

Embora as duas últimas edições tenham sido no São Paulo Expo, esta acontece no Complexo do Anhembi, casa oficial do evento desde 1970. A mudança foi celebrada por expositores e pelo público, já que o Anhembi permite maior fluxo de visitantes, oferece áreas amplas para test-drive e atividades externas, recuperando a identidade histórica do salão. O retorno também faz parte da estratégia de reposicionar o evento como uma grande vitrine de experiências automotivas, com pistas, ativações e zonas imersivas distribuídas pelo pavilhão.

1
Renault anuncia o seu novo carro “Niagara” - Foto: Fábio Pinheiro

Entre as montadoras que vão expor, estão nomes de peso que apostam na ocasião para apresentar novidades ao consumidor brasileiro. A BYD leva ao Salão uma linha reforçada de elétricos e híbridos, aproveitando o crescimento expressivo da marca no Brasil, além de lançar no evento a marca de luxo do grupo, Denza. A rival chinesa GWM também estará presente, com o facelift do SUV H6, o jipe Tank 700 e a minivam Wey 09.

Em relação às marcas tradicionais, a Stellantis vai em peso para o Anhembi. A Fiat, apesar de não ter apresentado nenhum modelo novo, trará o Abarth 600, um SUV elétrico esportivo. A Peugeot terá os 208 e 2008 eletrificados e, principalmente, o lançamento da nova geração do 3008 para o mercado nacional, equipado com o tradicional motor THP. 

Enquanto isso, a Toyota investe na divulgação de novidades híbridas flex, com a chegada do Yaris Cross para brigar com o recém-lançado HR-V, e os líderes Hyundai Creta e Chevrolet Tracker. Juntas, as marcas representam parte do movimento de transformação do mercado brasileiro, que tem apostado cada vez mais na eletrificação e em tecnologias avançadas para rivalizar com a expansão chinesa.

O Salão 2025 também será palco de novas marcas como a Leapmotor, parte do grupo Stellantis. O SUV C10 será o primeiro modelo a chegar às ruas, ainda neste ano, e conta com a versão elétrica (R$189.990) e com extensor de autonomia (R$199.990). O segundo modelo será e o C-SUV elétrico B10, por R$172.990, 60 mil a menos que o rival BYD Yuan Plus, e mais recheado de tecnologia, como teto panorâmico, nível 2 de condução semi autônoma, câmera de monitoramento do motorista e airbag central.

2
Presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, anunciou os planos para o grupo - Foto: Stellantis / Divulgação

Já a britânica MG Motor, propriedade da chinesa SAIC, investirá em esportividade elétrica, além de custo-benefício. O modelo de maior volume de vendas deve ser o SUV S5, rival de Yaun Plus, e igualmente equipado ao B10. Em seguida, o MG 4 chega para rivalizar com Golf GTI e Corolla GR, com mais de 400 cavalos, tração integral, pacote de ADAS completo, e pela metade do preço dos rivais. Por fim, o Roadster será o chamariz de atenção no estande, com portas de lamborghini e em homenagem à tradição da marca. 

O grupo CAOA também fará a estreia da nova marca que trará ao Brasil a Changan, com a chegada prevista para 2026 com os modelos de super-luxo elétricos Avatr 11 e 12, além do SUV UNI-T, rival do Compass e Corolla Cross. 

O pavilhão do Anhembi contará com pistas de test-drive, áreas dedicadas a modelos clássicos como o McLaren de Senna, e até mesmo uma área do CARDE Museu. No Dream Lounge estarão presentes super carros como Ferrari e Lamborghini, além da Racing Game Zone para os amantes de videogame e simuladores de corrida. 

3
Área externa do Anhembi terá pista de slalom, frenagem e test-drive de dezenas de modelos - Foto: Salão do Automóvel / Divulgação

Apesar da ausência de marcas como Chevrolet, Ford, Mercedes, Volvo e Volkswagen, 2520 montadoras estarão presentes, incluindo Chery, Hyundai, Mitsubishi e Renault. O Salão espera receber cerca de 700 mil visitantes e a edição 2027 já está confirmada. Os ingressos custam a partir de R$63 (meia-entrada) nos dias de semana.

Projeto aprovado pelo Congresso libera R$ 22 milhões do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT)
por
Helena Barra
|
17/11/2025 - 12h

Por Helena Barra

 

No dia 4 de agosto de 2025, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou o Projeto de Lei 847/2025. O plano, aprovado pelo Congresso brasileiro, regulamenta o uso dos recursos do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), liberando o valor de R$ 22 bilhões para investimentos nas áreas da ciência e tecnologia.  O FNDCT é o principal instrumento de financiamento público da ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Ele apoia pesquisas científicas, a formação de recursos humanos qualificados, a inovação tecnológica nas empresas, a infraestrutura de pesquisa e o desenvolvimento de projetos estratégicos nacionais.

A professora de economia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Norma Cristina Brasil Casseb, explica que fundos como o FNDCT possuem legislação própria. No caso do FNDCT, segundo dados da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), os recursos são provenientes de diversas fontes. A composição deles evidencia o importante papel do Estado tanto no direcionamento de incentivos diretos do orçamento público e do tesouro, quanto na garantia de que parte dos lucros obtidos pelas empresas do setor detentor e gerador de tecnologia retorne para a sociedade e permita que ela se desenvolva de forma mais igualitária.

Nas redes sociais, o presidente Lula, afirmou que a medida visa fortalecer a base industrial brasileira. “Com essa medida, vamos fortalecer a inovação nas seis missões da Nova Indústria Brasil e nas Instituições Científicas e Tecnológicas, levando infraestrutura, redes de pesquisa e oportunidades para todos os territórios do país. Investir em pesquisa e inovação é investir no futuro do Brasil”, comentou na divulgação.  Além disso, o projeto também tem como objetivo estimular o emprego qualificado em pesquisa e desenvolvimento, de maneira a ampliar o número de doutores em empresas, startups, parques tecnológicos e instituições de ensino. 

Para Norma Casseb, em um país como o Brasil, com alta desigualdade social e elevada concentração de renda, a liberação deste recurso é importante, não só para a sociedade, mas como para a economia nacional. “Neste contexto, o investimento em tecnologia e inovação, combinado a uma estratégia voltada para a industrialização do país, tem uma alta capacidade de geração de empregos de qualidade especialmente no setor produtivo, permitindo elevação na renda da população e, por consequência, maior expansão econômica”, informa a doutoranda. 

Segundo a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), representante das instituições financeiras de fomento habilitadas a operar os recursos do fundo, a nova lei marca uma mudança de postura em relação ao uso dos fundos públicos voltados à inovação. Ao garantir previsibilidade e autonomia na aplicação dos recursos, o Brasil se alinha a boas práticas internacionais de apoio à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico. 

Em entrevista à Agência Brasil, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que, apesar de o FNDCT ter sido criado em 1969, o fundo ganhou maior relevância nos governos do presidente Lula, inclusive no atual mandato. De acordo com o governo, nos últimos dois anos, os investimentos em ciência, tecnologia e inovação por meio do FNDCT aumentaram seis vezes. Saíram de R$ 2 bilhões, em 2021, para R$ 12 bilhões, em 2024. A previsão para 2025 é de cerca de R$ 14 bilhões.

A professora também reforça que o investimento em ciência e tecnologia é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de uma nação. Eles permitem adicionar valor agregado aos produtos brasileiros, além de elevar a produtividade e a competitividade da economia nacional, permitindo que sejam cada vez mais competitivos no comércio internacional.  Além disso, investimentos como o FNDCT podem tornar o País mais que um exportador de produtos de maior valor agregado, mas também um exportador de tecnologia para outros países, que muitas das vezes não possuem capacidade financeira ou de infraestrutura para desenvolverem suas próprias tecnologias.


 

 





 

Com o avanço da tecnologia tem sido cada vez mais comum ver a medicina usando novas ferramentas para agilizar e democratizar o atendimento aos pacientes
por
Laura Mariano
|
28/09/2021 - 12h

Por Laura Mariano

Como seria se tivéssemos um sistema público e privado de saúde integrados, de norte a sul do País, de maneira que contemplasse o histórico de saúde do paciente, fornecesse dados para possíveis tratamentos e diagnósticos? Parece roteiro de filme de ficção, ou um pensamento utópico, mas na verdade, essa é uma realidade muito próxima. Com os avanços tecnológicos têm sido cada vez mais comum ver a área da saúde usando ferramentas como big data, machine learning e data analytics.

Cada paciente se torna um desafio de big data, com uma carga de dados que ultrapassa a capacidade de processamento do cérebro humano. O médico intensivista e pesquisador do Hospital Israelita Albert Einstein e professor livre-docente da Universidade de São Paulo (USP), Ary Serpa, explica as razões de se implementar tecnologia na saúde: “A medicina de uma forma geral, em especial na parte hospitalar, a geração de dados é gigante. [...] Uma hora o cérebro falha, é normal, somos seres humanos. Além disso, temos o exemplo de um paciente que chega na unidade inconsciente e não conseguimos contato com nenhum familiar, não temos o histórico do paciente, não sabemos se ele toma remédios ou se tem alguma doença. Pensando nesse momento que todos temos acesso à informação, é um absurdo não termos conhecimento dela. Por isso, sem dúvida nenhuma, precisamos da digitalização da medicina”, defende.

Diante da mudança no perfil demográfico e epidemiológico da população, sujeita a desenvolver novas enfermidades ao longo do tempo que podem ser evitadas, ou amenizadas por diagnósticos precoces, não faz mais sentido insistir em apenas um modelo de oferta de tratamento, focado quase que exclusivamente na saúde suplementar no século passado. A inteligência artificial (IA) tem sido encarada como uma grande aliada dos profissionais de saúde. Giovanni Sima, farmacêutico e pesquisador da Escola Paulista de Medicina e Hospital São Paulo pertencente ao Sistema Único de Saúde - SUS, analisa esse fato: “Sabemos que a maior causa de morte no mundo ocorre por condutas erradas dos profissionais de saúde, e nesse sentido, a Medicina de Dados pode ser um grande aliado para evitar erros médicos”.

Registrar dados de saúde pode parecer uma tarefa simples, mas não é bem assim, especialmente no Brasil, que soma 211 milhões de pessoas com necessidades muito divergentes na rede de saúde pública, como o SUS, que é universal e acessível a todos.

“É interessante de se pensar, inicialmente, na interação ‘profissional de saúde com o paciente’ de uma forma geral, até um contato mais especializado num âmbito hospitalar ou em clínicas. Nós que trabalhamos no SUS costumamos dizer que a prática do dado é o que temos de mais humanizado. Se pensarmos no profissional como um agente humanizado, fica mais fácil visualizar a tecnologia no cuidado. Temos a telemedicina como exemplo, especialmente nesse período de pandemia, já é de senso comum que essa ferramenta otimiza o cuidado”, explica Giovanni.

Alguns projetos destinados que envolvem esses novos dispositivos já têm adesão no Brasil e servem de exemplo para suportes utilitários futuros, como é o caso do Regula+Brasil, que faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS) e foi desenvolvido pelo Hospital Sírio Libânes em 2018, a fim de melhorar os serviços da atenção primária à saúde, diminuindo o tempo de espera para consultas com especialistas. O Regula+ atua de duas formas: usando a tele-saúde para apoiar os médicos presentes nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e orientando a regulação das filas para consultas na atenção secundária à saúde, através de uma coleta e armazenamento de dados.

Stephan Sperling, médico de família e coordenador médico do Regula+Brasil, explicou sobre o projeto: “A ideia do Regula+Brasil é facilitar o trânsito das pessoas que estão na estação primária, nas UBSs, e recebem encaminhamentos para serem cuidadas em ambulatórios de especialidades utilizando a tele-saúde e a medicina de dados. Geralmente, a gente entra nos sistemas de regulação das localidades - a maioria utiliza o sistema do próprio Ministério da Saúde, o Sistema Nacional de Regulação (SisReg). Os médicos entram nesse sistema, avaliam as características físicas e clínicas do paciente descrito ali, listando a prioridade e de qual especialidade médica aquela pessoa precisa. Além disso, registramos as informações de regulação no nosso banco de dados, assim facilita nosso trabalho, porque atendemos inúmeras pessoas e projetos, e nos permite avaliar os CIDs [Classificação Internacional de Doenças] mais recorrentes e o comportamento das localidades”, conta.

Para que profissionais de saúde e pacientes possam usufruir desse sistema unificado e tecnológico, não se pode pensar apenas em softwares de inteligência artificial ou aparelhos avançados. Existe a necessidade de discutir de qual modo será feito o registro dos dados clínicos da população.

Sperling acrescenta que a inovação deve ser uma aliada, visando um bem maior, não focando apenas numa criação desenfreada de novas ferramentas de saúde. Para ele a tecnologia não é uma finalidade, é um vetor para que as coisas aconteçam e é preciso conectar as coisas. "Temos o caso do Recife, onde estamos tentando plataformas para registrar as tele-consultas e pegar as informações para armazenar no prontuário eletrônico, a fim de diminuir a quantidade de sistemas abertos, pois o médico da ponta precisa acessar cerca de 4 sistemas de uma só vez. A ideia de inter-operacionalidade desse projeto é agilizar e simplificar o trabalho”, argumenta.

Ademais, é preciso avaliar os aspectos que envolvem a funcionalidade e praticidade dos sistemas de armazenamento de dados para que profissional atuante, naquele momento, não tenha maiores dificuldades. “Aquela imagem do ‘robozinho’ atendendo [os pacientes] é uma realidade muito distante, pode até acontecer, mas não é o que temos hoje", diz. Uma grande desvantagem é a carga de trabalho que acrescenta ao profissional de saúde, principalmente o profissional de enfermagem. "Ao mesmo tempo que é fácil obter todos esses dados, ainda é necessário ter alguém registrando num formulário digital, deixando de dedicar seu tempo totalmente ao paciente" afirma. Existem estudos que comprovam que um do componente importante que induz [Síndrome de] Burnout no profissional são as obrigações relacionadas à documentação. "Para resolver esse problema tem duas opções: contratar mais profissionais ou automatizar e simplificar mais os softwares", pontua Ary Serpa.

Para que a IA seja capaz de coletar um grande volume de dados, reconhecer padrões e gerar algoritmos que podem tanto auxiliar médicos no atendimento diário, quanto projetar diagnósticos e tratamentos, é preciso ter sistemas informatizados e unificados para substituir as inúmeras fichas de papel por prontuários eletrônicos — o que, além de evitar gastos e erros, economiza tempo nas consultas.

Para que isso se concretize, Sima sugere que essa instalação tem que ser feita de maneira gradual, pois precisa atender desde as metrópoles até as populações indígenas e ribeirinhas. O SUS, por exemplo, é universal. Falar sobre administração de saúde é falar também sobre política, não apenas o dinheiro resolve o problema estrutural do Brasil. É preciso haver uma mobilização social para entender que essa inovação pode ser a solução do problema", prevê. Ele diz que nesse quesito o setor científico vai desenvolver os estudos de impacto social e orçamentário, sobretudo para o debate político e ainda acrescenta: “Em seguida, é importante haver uma comunicação integrada, nesse sentido, jornalistas são essenciais. Os formadores de opinião ganham uma posição de destaque, pois trazem a informação correta à população. Deve existir esse ‘caminhar de mãos dadas’ para que essas tecnologias possam existir efetivamente", defende.

 

Registros Eletrônicos

 

Uma pesquisa feita em 2016, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), incluiu 30 países-membros e revelou que, apesar de a maioria investir em registros eletrônicos, poucos conseguiram alcançar um nível de integração que permita extrair dados para pesquisas e estatísticas. A maior parte ainda colhe informações de forma isolada e as analisa separadamente.

Segundo Ary, isso pode tornar-se realidade através de um bom planejamento. Para ele socializar esses dados, torná-los mais democráticos é essencial. "Sem dúvida nenhuma, a tecnologia bem empregada nos dá mais tempo para ficar com o paciente, aumentando a qualidade do atendimento. Um dinheiro bem empregado e profissionais adequados, sendo eles um profissional de Tecnologia da Informação [T.I], um de saúde e um datasets, que são imprescindíveis, afinal, o médico traz a prática, o datasets analisa os dados e o T.I acopla isso aos sistemas”, explica.

Incentivos à pesquisa também são um dos grandes pilares para o desenvolvimento. Serpa explica que a pesquisa é uma das formas mais inteligentes de utilizar dinheiro e atender ao paciente. Ela tem salvado vidas de pessoas que não tinham acesso aos tratamentos como no caso da oncologia. "Muitas coisas no SUS só são feitas por esse incentivo, por parcerias com indústrias ou com governos federais ou estaduais. Sobretudo, também é preciso mudar a visão da população, para que se entenda que pesquisas não servem para fazer ninguém de cobaia ou para mascarar um ato corruptível”, adverte.

Outro desafio enfrentado por essa revolução é o aspecto humanitário do atendimento ao paciente. Profissionais e usuários dos serviços argumentam sobre a suposta falta de humanidade do cuidado igualitário, feito por equipes multiprofissionais. O algoritmo, a inteligência artificial, o deep learning podem acabar dominando o cuidado¹.

Entretanto, os apoiadores da inovação rebatem: “Se falarmos das principais críticas ao acesso dos pacientes aos sistemas de saúde pode haver um pouco de preconceito da nossa parte. Nós já operamos teleconsultas no interior do Amazonas e a grande surpresa foi saber que a comunidade tinha acesso à Internet, mas não tinha sinal de operadoras ou cabos de telefonia. Atendemos crianças que precisavam de neuropediatras, e estavam aguardando há 3 anos na fila. Sem essas tele-consultas não seria possível orientar a família e passar o tratamento correto. Nós testamos e vimos que, apesar dos desafios, foi fácil atingir nosso objetivo”, argumenta Sperling.

Para Sabrina Dalbosco Gadenz, gerente de projetos no Hospital Sírio Libanês dentro do portfólio Regula+Brasil, essa revolução tecnológica já aconteceu em outras profissões: “A transformação digital que a saúde está passando agora, muito por conta da pandemia, nós já vimos antes. Nós não chamamos o banco de tele-banco, por exemplo, e hoje em dia fazemos tudo pelo celular. A medicina não é ‘tele-nada’, é saúde e medicina como qualquer outra coisa. É preciso revisar e avaliar todos esses processos para ser bom para os profissionais e pacientes. Ambos precisam enxergar valor e qualidade no serviço oferecido, é para isso que nós trabalhamos”, explica.

Os diferentes pontos de vista acerca de toda essa modernização acabam enriquecendo o debate, e proporcionando diferentes maneiras de solucionar os problemas que o upgrade na medicina enfrenta, a fim de simplificar e unificar os atendimentos aos pacientes brasileiros. A evolução tecnológica no campo da medicina está em busca de comprovar sua utilidade terapêutica. “Muitas vezes o que tem de mais humanitário num atendimento é o tratamento e o resultado final positivo, como a cura de determinada doença”, finaliza Giovanni Sima.

 

 

Glossário:

Big data: Segundo o Oracle Brasil, big data é um conjunto de dados maior e mais complexo, especialmente de novas fontes de dados. Esses conjuntos de dados são tão volumosos que o software tradicional de processamento de dados simplesmente não consegue gerenciá-los.

Machine learning: Segundo IBM Watson, é uma tecnologia onde os computadores têm a capacidade de aprender de acordo com as respostas esperadas por meio associações de diferentes dados, os quais podem ser imagens, números e tudo que essa tecnologia possa identificar.

Data analytics: Processo de analisar informações (dados) com um propósito específico. Isto é, pesquisar e responder perguntas com base em dados e com uma metodologia clara para todos os participantes.

Datasets: Um conjunto de dados ou "dataset" é uma coleção de dados normalmente tabulados.

¹Adaptação da frase do médico e escritor Luiz Vianna Sobrinho, que disse: “Acabou a figura do médico à beira do leito. O algoritmo, a inteligência artificial, o deep learning e…a lógica da gestão acabam tomando à frente do cuidado”.

Por Eleonora Marques

Como seria o seu dia se você não pudesse usar Internet, celular, computador e televisão? Você conseguiria trabalhar, estudar, passear e viajar? Mesmo que tenha respondido “sim” para alguma dessas perguntas, será que conseguiria chegar a todos esses locais sem um GPS? Em um mundo tão conectado - especialmente na pandemia - às vezes parece que a tecnologia sempre esteve aqui. Mas não é bem assim. Os eventos da história sempre foram registrados e transmitidos com as tecnologias disponíveis em seus tempos.

Quando Luzia Maria de Almeida (85) nasceu, em 1936, o rádio era artigo de luxo: ainda menina, ela conta que se lembra de ter apenas um em toda a vizinhança. Aos poucos, o produto começou a se popularizar um pouco e outras casas passaram a ter não só o rádio, mas também um móvel específico para colocá-lo. Afinal, naquela época, ouvir as notícias, músicas e novelas era um evento especial. “Lembro que de ouvir sobre a Segunda Guerra e de papai ficar preocupado, achando que podiam chegar no Brasil ou que alistariam ele e meu irmão. Quando ele falava disso, mamãe sempre ia para a cozinha. Lembro do cheiro do cigarro de palha dela e ela ensinando a gente a depenar galinha”, conta. 

Segunda Guerra Mundial. Cigarro de palha. Depenar galinha. Todas essas cenas, que fizeram parte da vida de Luzia e de muitos dos idosos do Brasil, parecem estrangeiras aos mais jovens. Edil Baffa (88), natural de Queluzito-MG, também relembra acontecimentos que para ela parecem recentes, claros na memória, mas que já podem estar distantes para boa parte da população. Ela conta que veio para São Paulo aos 17 anos, acompanhada do pai e dos irmãos. “Íamos todos juntos ‘tomar’ o bonde para ir trabalhar. Meu pai tinha me conseguido um emprego de datilógrafa no Ministério do Trabalho na época, eles trabalhavam lá perto também”, diz. 

Ao ouvir suas histórias, é possível perceber que Luzia, Edil e todos os idosos presentes na sociedade viram a maior parte das invenções do século passado surgirem. E se adaptaram a elas. Porém, na velhice, essa tarefa pode ficar mais difícil. 

“Até hoje não sei usar WhatsApp. Consigo mandar mensagens para os contatos que tenho salvos, mas ligar, mandar áudio... Vish!”, brinca Luzia. 

De acordo com o neurologista Bruno Funchal, colunista do site "Neurologia Integrada", essa dificuldade relatada por Luzia é normal. Com o passar dos anos, os neurônios atingem seu limite de funcionamento cognitivo, fazendo com que a velocidade e a qualidade das conexões sejam prejudicadas. 

Além disso, uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (FMRP), mostrou que os idosos ainda encontram barreiras adicionais. Entre elas estão as letras pequenas e o aparelho vir configurado em inglês. Segundo a autora do estudo, Taiuani Marquine Raymundo, outro problema é a idade com que foram apresentados às novas tecnologias. Para ela, isso pode ser um obstáculo tanto para que entendam a tecnologia, quanto para que a acrescentem ao seu cotidiano. 

Ainda, do total dos entrevistados por Taiuani, 40% relataram ter medo de utilizar novas tecnologias, 24% deles por receio de danificar o aparelho. Os motivos para isso podem ser múltiplos, mas, entre eles, pode estar a maneira com que os idosos foram ensinados a lidar com a tecnologia ainda na infância. 

Como o rádio, vitrola e demais aparelhos modernos para a época eram caros, tanto a família de Edil, quanto a família de Luzia não permitiam que elas tocassem neles: o manuseio dos aparelhos era restrito somente aos adultos. 

Para driblar esse possível trauma, a paciência de filhos e netos e a criação de cursos de inclusão digital voltados para esse público podem ser boas escolhas. 
 

Após a sanção da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a Internet se torna mais regulada
por
Laura Mello
|
21/09/2021 - 12h

Por Laura de Almeida Melo

Quem nunca abriu um site qualquer e se deparou com uma grande mensagem dizendo que este site utiliza cookies e, ao continuar navegando, você aceita essa política? Mas, afinal, o que são esses cookies e o que eles estão armazenando? De acordo com a advogada Cristina Cantú Prestes em seu artigo “Privacidade e Intimidade: A Legalidade dos Cookies e Spam”, cookies são pequenos arquivos armazenados em nossos navegadores e dispositivos que contém dois pedaços de informação: um identificador do consumidor e um identificador da página. Derivando do conceito de “Magic cookies” (biscoitos mágicos), ela afirma que cookies são capazes de armazenar dados como passes para localizar cada usuário e fornecer maior facilidade para navegação e propagandas mais direcionadas, como os spams que chegam ao email em segundos. Mas você sabe o que acontece depois que seu navegador é fechado? 

Existem três tipos de cookies: de sessão/transitórios; permanentes/persistentes e os maléficos. Cookies de sessão são apagados do seu dispositivo assim que o seu navegador é fechado, eles não coletam nenhum dado pessoal ou informações do computador, apenas armazenam informações que identifiquem o usuário. Os cookies permanentes, no entanto, permanecem no seu dispositivo até serem excluídos manualmente ou quando sua data de validade é expirada – que pode ser em um dia ou mil anos. Ao contrário dos cookies de sessão, os permanentes coletam informações do usuário como, por exemplo, sites que ele visitou anteriormente e seus favoritos, para construir a preferência daquele usuário. Já os cookies maliciosos, como diz o próprio nome, são os mais perigosos e os que devemos nos preocupar. Esse tipo de cookie, além de coletar informações do usuário como os cookies permanentes, acompanham toda a sua atividade online, rastreiam e montam um perfil do usuário, que podem ser vendidos e utilizados para qualquer propósito, além de captarem informações pessoais e sensíveis, como senhas de bancos ou até sua religião. É por causa deste último e mais outros casos que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrou em vigor no Brasil em setembro de 2020, pois esses, também conhecidos por serem pequenos arquivos rastreadores, violam a privacidade e intimidade do titular dos dados, agora ilegal pela sanção da lei.

“Depois de escândalos como o dos Estados Unidos de vazamento de dados, se entendeu que era necessário um limite de legislação. A gente sabe que a internet é um ambiente autorregulado muito positivo e útil, mas o direito vem para impor limites. Crime é crime, dentro ou fora das redes.”, comenta Cristina. “Só o fato de o Brasil reconhecer a proteção de dados já é muito positivo, pois o coloca como um País sensível e confiável quanto à essa problemática internacional.”. Tendo como principal referência a General Data Protection Regulation (GDPR) da Europa, a LGPD possui uma agência regulatória - a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para fiscalizar e aplicar multas quando necessário. Além disso, a lei foi incorporada no Código de Defesa do Consumidor, podendo ser atendida tanto pela ANPD quanto pelo PROCON. 

Mesmo com todo cuidado da lei, ainda há especialistas que a acham pouco eficaz, como o doutor em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Josué de Oliveira Rios. “Se fosse levada à risca, os cookies quase deixariam de existir”, argumenta. “Falta transparência, pois só apresenta para o titular dos dados (usuário) uma possibilidade – concordar com os cookies. A maioria das pessoas, pensando que perderão o acesso ao site, concordam, mesmo não sabendo do que se trata. Deve-se esclarecer a finalidade para o titular consentir conscientemente.”. Para excluir os dados recolhidos por cookies, o titular deve entrar em contato com o controlador do site, normalmente indicado na Política de Privacidade, ou excluir remotamente do seu dispositivo nas configurações na opção limpar dados de cachê e cookies.  

Mas, afinal, qual é o risco do recolhimento de dados? E como isso infringe nossa privacidade? O caso mais famoso de mapeamento de perfis com base de dados recolhidos pelo Facebook foi o da Cambridge Analytica, que mapeou perfis de pessoas indecisas quanto ao voto das eleições de 2018 dos EUA e também no plesbicito do Brexit, na Inglaterra. A empresa de publicidade, ao mapear esses perfis com dados pessoais sensíveis, como raça, religião e posicionamento político, bombardeava cada pessoa com anúncios ou notícias falsas que a tiravam de cima do muro para votar no candidato da campanha. Assim, iniciou-se a caça à segurança dos dados e leis como a LGPD e a GDPR entraram em pauta no legislativo.

 

Estudo do Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - PNAD - mostra que a desigualdade digital não é causada apenas pela questão econômica, mas também é afetada por um novo elemento: a falta de educação digital.
por
Lidiane Domiciano Miotta
|
21/09/2021 - 12h

Por Lidiane Miotta

A Internet se transformou na espinha dorsal da modernidade, uma necessidade indiscutível que passou ressignificar tudo ao nosso redor. Contudo, para fazer parte dessa nova organização da sociedade é necessário ter equipamentos como celulares, computadores e tablets, e do serviço da Internet. Mas com uma desigualdade social tão grande como é o caso brasileiro, em que as pessoas têm dificuldade até de comprar comida, a desigualdade também chegou ao nível digital, passando a excluir e dificultar os indivíduos de participarem da vida virtual que se tornou tão importante no nosso cotidiano e passou a intervir em coisas essenciais para os brasileiros, principalmente nesse momento de pandemia, como a busca de emprego e o recebimento do auxílio emergencial por conta digital na Caixa Econômica Federal.

A último pesquisa do PNAD, realizada em 2019 e divulgada nesse ano pelo IBGE revela que 21,7% da população brasileira não tem Internet, isso é 39,8 milhões de pessoas não utilizam a rede mundial, e que o rendimento médio dos domicílios com Internet era de R$ 1.557, enquanto para os que não têm Internet é de apenas R$728. Quando perguntados pelo motivo de não utilizarem a Internet, um dos mais alegados no estudo, é que o serviço ou equipamentos eletrônicos são muito caros (18%).

Apesar disso, a desigualdade digital apresenta um novo elemento, que a desigualdade social não tem: ela não exclui só aqueles que não têm dinheiro, ela também exclui aqueles que por algum motivo não aprenderam a usar equipamentos, ou seja, não são alfabetizados digitais, que têm dificuldades ou que não têm interesse em utilizá-los. O número de pessoas que entram nessa categoria é 75,4% de acordo com a pesquisa do PNAD, e isso faz desses os motivos mais apontados como razão a não utilização da Internet, a não ser entre os estudantes.

A partir desse ponto o estudo demonstra que entre os estudantes e não estudantes os números têm uma grande diferença. Entre os estudantes a porcentagem de pessoas que utilizam a Internet chega a 88,1%, enquanto as dos não estudantes é de 75,8%, e o motivo de não saber usar a rede mundial é de apenas 16% entre os estudantes, enquanto entre os não estudantes é de 47,2%. A diferença porcentual dos motivos de não fazer uso da Internet também se torna grande: entre os não estudantes os principais motivo é não saber usar a Internet (47,2%) e não ter interesse em utilizá-la (33,1%). Enquanto entre os estudantes os principais motivos são o serviço de Internet ser caro (26,1%) e o custo alto dos equipamentos necessários (19,3%).

Quando entramos a fundo nesses aspectos percebesse que entre os estudantes a condição econômica ganha mais importância na desigualdade digital, reproduzindo a conhecida desigualdade social brasileira, pois entre estudantes da rede pública o uso da Internet é de 83,7%, mas nas Regiões Norte e Nordeste do Brasil esse número chega a apenas 64,4% e 77%, enquanto nas outras regiões varia entre 88,6% e 91,3%. Entretanto entre os estudantes da rede de ensino privada a de Internet fica acima de 95% em todas as regiões do Brasil e quase atinge a totalidade nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Dessa forma o estudo concluí que 95,9% dos estudantes que não tem acesso à Internet são da rede pública de ensino, resultado que foi escancarado durante a pandemia da Covid-19, onde o ensino teve que se tornar remoto e consequentemente muitos desses estudantes foram excluídos dos estudos por não terem como fazerem uso da rede mundial de computadores.

O surgimento de novas demandas por parte dos torcedores faz com que esses dois campos criem laços cada vez mais estreitos
por
Gabriel Alves Dutra
|
21/09/2021 - 12h

Por Gabriel Dutra

As últimas décadas apresentaram um enorme desenvolvimento dos processos tecnológicos em diversos campos da nossa sociedade. Avanços na área da saúde, da educação, dos negócios e em vários outros segmentos ocorreram por causa da tecnologia. E no mundo dos esportes não foi diferente, uma vez que se trata de uma área que passou (e continua passando) por inúmeras mudanças, tanto na forma como esses esportes são organizados e transmitidos, como na maneira que os clubes e os atletas vêm se preparando para as competições. A tecnologia promoveu diversas modificações nesse meio e a tendência é que continue promovendo cada vez mais.

No que diz respeito à organização das competições esportivas, um grande incremento da tecnologia é o uso de equipamento de auxílio aos árbitros. No futebol, por exemplo, o principal equipamento tecnológico é o árbitro de vídeo (Video Assistant Referee - VAR), que vem sendo utilizados nas principais competições pelo mundo desde 2017. E apesar de contestado por muitos devido à maneira como é utilizado, é difícil imaginar o futebol novamente sem a presença do VAR.

De qualquer maneira, o debate é amplo e há diferentes visões de especialistas a respeito do uso desta tecnologia no futebol. Paulo Vinícius Coelho, o PVC, por exemplo, revelou ao jornal "Lance!" que é a favor do uso do VAR no futebol, mas tem ressalvas. "Sou a favor. Mas acho que o VAR tem que ser usado como corretor, o que era sua função primordial. Tem que acabar com a polêmica. No momento, ele não tem feito isto. A forma como ele é utilizado está gerando ainda mais polêmica no futebol", disse PVC.

Já Walter Casagrande, comentarista esportivo, em entrevista ao mesmo jornal, se mostrou bastante desconfiado em relação ao impacto do uso do VAR no futebol. "Olha, eu ainda não consegui me acostumar ao VAR. Mas acho que é pela maneira como os árbitros se comportam em campo. A sensação é de que os juízes agora tiveram uma perda de convicção ao apitar faltas. Toda hora, eles usam o VAR como escudo. Parece que apitam primeiro o lance e, depois, esperam que o árbitro de vídeo dê seu veredicto", analisou Casagrande.

Além do futebol, outros esportes de destaque também possuem, há um bom tempo, sistemas tecnológicos de auxílio à arbitragem que são imprescindíveis para o bom andamento das competições, como o tênis e o futebol americano, com o sistema conhecido como desafio, e o vôlei, com o uso do Hawk-Eye (olhos de falcão).

Já com relação ao uso da tecnologia nas transmissões dos eventos esportivos, muitas evoluções também podem ser observadas. À medida que o interesse por esportes cresce ao redor do mundo, cresce também a demanda do público para acompanhar uma maior quantidade de partidas e torneios. Cinco décadas atrás acontecia a primeira transmissão ao vivo de um evento esportivo de longo alcance na América Latina: a Copa do Mundo de futebol no México, em 1970. É claro que a tecnologia utilizada naquela época na transmissão do mundial não é a mesma que utilizam nas transmissões esportivas da atualidade.

Naturalmente, nos últimos anos, a tecnologia necessária para realizar a transmissão de eventos esportivos de alta demanda, como copas do mundo e olimpíadas, cresceu abundantemente. Como exemplo, as distintas plataformas de streaming esportivo, tais como Dazn, Esporte Interativo Plus e SporTV Play, que permitem que o público acompanhe as competições por meio de diferentes dispositivos, como computadores, tablets e celulares, algo que era impossível 50 anos atrás.

A produtividade dos atletas é outro fator que mudou radicalmente com os avanços tecnológicos ocorridos no mundo dos esportes. Nesse quesito, a tecnologia vem sendo utilizada com a finalidade de promover evoluções no desempenho dos esportistas, para que, assim, eles possam alcançar o seu melhor rendimento e potencializar os seus resultados, através de uma preparação cada vez mais avançada e inovadora.

Os recursos tecnológicos possibilitam, por exemplo, que todas as informações referentes a um time ou atleta sejam coletadas e analisadas, através de um “Banco de Dados”, que permite o armazenamento dessas informações e, depois disso, a implementação de melhorias específicas quando necessário, tanto nos treinamentos como nas ferramentas utilizadas pelos atletas. A tecnologia também proporciona o surgimento de vestimentas que podem melhorar o rendimento, como roupas inteligentes, tênis de alta performance, além de equipamentos e acessórios modernos, como por exemplo raquetes de tênis e bolas de futebol com o uso da nanotecnologia, e relógios inteligentes (smartwatch). Os atletas, nos dias de hoje, possuem um rendimento amplamente superior em comparação aos de décadas atrás.

Tecnologia no esporte: A evolução que está mudando a rotina dos atletas -  AtletasNow

A tendência é que esses avanços ligados à tecnologia continuem cada vez mais presentes. Indubitavelmente, o mundo dos esportes depende cada vez mais de novos recursos tecnológicos para a melhoria de desempenho de atletas e profissionais ligados ao setor esportivo, e também para o desenvolvimento de novas formas de transmissão e das modalidades esportivas de uma maneira geral.