Tradicional cinema de rua sofre despejo e movimento de resistência se inicia nas redes sociais
por
Beatriz Foz
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25/05/2026 - 12h

 

Na quinta-feira, 14 de maio, foi cumprida uma medida de reintegração de posse do anexo Espaço Petrobras de Cinema, estabelecida pela Justiça de São Paulo. Caminhões chegaram no local pela manhã e desativaram as salas 4 e 5 do espaço, e o Café Fellini, anexado ao local, congelou suas atividades. Poltronas e equipamentos foram retirados, além de esvaziado o espaço do café.

O Espaço Petrobras de Cinema é um dos cinemas de rua mais antigos da cidade de São Paulo. O anexo funciona em um casarão da década de 1930 e antes de se tornar um espaço de cinema o imóvel abrigava o Instituto Goethe, que foi um local importante na formação de cineastas brasileiros. Eleito um dos melhores cinemas da cidade, conta com cinco salas de exibição que priorizam produções nacionais, cinema de arte e filmes independentes. O cinema era mantido através de um acordo de patrocínio com a Petrobras, via Lei de Incentivo à Cultura, com o objetivo de fortalecer a exibição do cinema brasileiro e internacional na cidade de São Paulo. 

Anexo ao Espaço Petrobras, o Café Fellini era um dos cafés mais tradicionais da cidade e funcionou por mais de 30 anos junto ao cinema. O café ganhou o prêmio de “Melhor Café e Bomboniere dos Cinemas de São Paulo” pelo Guia Folha por oito anos consecutivos. Na última semana o café fechou as portas. 

A luta pela permanência do local começou em 2022, quando o imóvel foi vendido a uma construtora que tinha a intenção de construir um prédio residencial no local. No mesmo ano, a comunidade de cinéfilos que frequentava o anexo organizou um abaixo assinado defendendo a preservação do cinema. Cerca de 50 mil assinaturas foram conquistadas na primeira campanha e o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo) intitulou o terreno como “Zona Especial de Preservação Cultural”, classificando o anexo como um patrimônio afetivo e cultural da cidade. Tal categorização não impede a demolição, mas obriga a incorporadora a manter o uso cultural do espaço mesmo com a reforma. Na prática, a empresa poderá demolir o espaço, desde que ceda duas salas de cinema e um espaço para o Café Fellini após as obras. 

No entanto, tais mobilizações não foram suficientes para proteger o espaço da batalha judicial. Na última semana, a ordem de reintegração de posse pedida pela Rec Vila 15 Empreendimentos Imobiliários foi cumprida. A incorporadora adquiriu o imóvel da Arteplex, responsável pela operação do cinema.

Um novo abaixo assinado foi criado pelo Café Fellini, reiterando o apelo pela permanência do estabelecimento e do anexo do Espaço Petrobras, já tendo conquistado mais de 90 mil assinaturas. Em um comunicado oficial postado nas redes sociais do café (@cinecafefellini), o estabelecimento agradece o engajamento dos clientes na luta pela permanência e declara que “precisamos defender espaços de convivência abertos para a cidade e para as pessoas”. 

O Espaço Petrobras de Cinema também publicou nas redes uma nota oficial à imprensa, destacando que todas as medidas legais cabíveis para buscar a reversão da situação estão sendo adotadas:  

  • “Seguimos comprometidos com a defesa de uma cidade mais equilibrada, culturalmente rica e voltada às pessoas, às suas formas de convivência e às experiências coletivas que também encontram expressão no cinema de rua.”

Letícia Souza, estudante e ávida frequentadora do Espaço Petrobras de Cinema, lamenta o despejo e o interpreta como uma perda da memória coletiva da cidade de São Paulo: “eu fico muito triste porque cada vez mais a gente vai vendo os cinemas de rua falindo e eu acho que eles fazem parte da memória dos cidadãos de São Paulo”. Letícia destaca que os cinemas de rua encontram dificuldades em se manter ativos com a popularização dos cinemas comerciais. “É difícil competir com algumas redes de cinema que ficam em shoppings como Cinemark, Kinoplex, Cinépolis… quando as pessoas pensam em ir ao cinema elas não pensam mais em ir aos cinemas de rua, mas pensam nesses de shoppings”, acrescenta a estudante. 

A hashtag “#anexofica” foi criada nas redes sociais como forma de protesto contra as medidas jurídicas estabelecidas. Diversos posts destacam a importância cultural do espaço e tratam o despejo como uma forma de descaso com a história da cidade. Outros tradicionais cinemas de rua como o CineSala, localizado em Pinheiros, expressaram seu apoio à luta do anexo através da hashtag. 

 

Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala).
Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala). 

As salas 1, 2 e 3 do Espaço Petrobras continuam com a programação usual, porém a direção do espaço ainda tenta a reativação das salas 4 e 5. O café permanece fora de atividade. 

 

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Nova loja de Trading Card Games reúne jogadores e fortalece comunidade geek paulistana
por
Thomas Fernandez
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13/05/2026 - 12h

Prestes a completar um ano de funcionamento, a Akagami se consolidou como uma das novas lojas para praticantes de jogos de cartas colecionáveis (TCG) na região da Avenida Paulista, em São Paulo. A chegada de um espaço acolhedor, aberto e tranquilo aparece em um cenário de oferta limitada de locais dedicados exclusivamente a esse tipo de jogo.

A Akagami surgiu da vontade de quatro amigos, Mayumi Akamine, Natan Lima, Kevin Higutsi e Alexandre Abraão de construir um projeto voltado à sua paixão, os cards games. Inicialmente, a loja seria somente online, mas com a insistência de Kevin e Alexandre, a loja abriu como box na Galeria Imperial localizada na Liberdade. Após o aumento do aluguel na região, a equipe transferiu a loja para rua Antônio Carlos a região próxima à Paulista e, com o novo espaço, passou a atender de uma forma diferente, oferecendo mais estrutura para os clientes e fortalecendo a proposta de comunidade em torno do card game. A experiência dos sócios como clientes e funcionários de outras lojas influenciou a proposta da Akagami, que buscava criar um ambiente diferente dos modelos tradicionais. 

A inauguração de novas lojas TCG’s costuma mobilizar a comunidade nerd, especialmente em São Paulo, onde o mercado reúne diferentes públicos e modalidades de jogos. Além de fatores como estrutura, torneios e localização, a criação de vínculos entre os clientes influencia na recepção desses espaços. A sócia Mayumi Akamine contou uma das histórias mais marcantes que teve na loja; “Dominique, é um adolescente que veio para aprender a jogar Pokémon, ele era muito tímido, não falava com ninguém. Agora, ele está aqui em toda liga semanal. Ele tem amigos na loja, comprimenta todo mundo”.

Entrada da Akagami, com o seu balcão e mesas para jogos.
 Entrada da Akagami, com o seu balcão e mesas para jogos. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Mural de fotos de clientes, funcionários e momentos preciosos da Akagami
 Mural de fotos de clientes, funcionários e momentos preciosos da Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Pasta de cartas para folhear.
Pasta de cartas para folhear. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
 Funcionários da Akagami abrindo pacote de cartas.
Funcionários da Akagami abrindo pacote de cartas. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Partida de Magic: The Gathering entre jogadores.
Partida de Magic: The Gathering entre jogadores. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Jogador pensando em qual carta jogar na partida de Magic: The Gathering na Akagami.
Jogador pensando em qual carta jogar na partida de Magic: The Gathering na Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Parede estilizada com cartas decorando o salão interno da Akagami.
Parede estilizada com cartas decorando o salão interno da Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
 Sorteio de brindes durante torneio de Pokémon na Akagami.
Sorteio de brindes durante torneio de Pokémon na Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT

Mais do que um ponto de venda, a Akagami vem se consolidando como um pilar para a comunidade. Entre partidas, trocas de cartas e conversas que se estendem para além dos jogos, o que se constrói na Akagami não cabe somente nas prateleiras. Em uma região onde antes faltava espaço para jogar, agora sobram histórias.

Avanço dos deepfakes transforma a percepção das imagens nas redes sociais e levanta questionamentos sobre verdade e cultura digital
por
Carolina Nader
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28/04/2026 - 12h

Vídeos capazes de simular discursos e expressões que nunca aconteceram deixaram de ser experimentos tecnológicos para se tornarem uma preocupação crescente no ambiente digital. Produzidos com o uso de Inteligência Artificial (IA), os chamados deepfakes ampliam desafios para a informação pública e acendem alertas sobre a disseminação da desinformação, especialmente em períodos eleitorais.

Mais do que uma inovação técnica, esses materiais circulam em um ambiente digital marcado pela velocidade do compartilhamento e pelo peso das emoções na propagação de informações. Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), publicado em 2018 na revista Science, mostrou que informações falsas podem se espalhar até seis vezes mais rápido do que conteúdos verdadeiros nas redes sociais, ampliando desafios para jornalistas, pesquisadores e usuários diante da desinformação online.

Em períodos eleitorais, essa dinâmica torna-se ainda mais relevante. Ao navegar pelas redes, eleitores são expostos a publicações virais que, antes mesmo de serem verificadas ou desmentidas, alcançam grande circulação e passam a influenciar percepções sobre candidatos e acontecimentos políticos. Houve casos como o da deputada Tabata Amaral, que teve suas imagens adulteradas com montagens pornográficas em 2024.

De acordo com João Henrique Martins, advogado especialista em Direito Digital e mestre em IA pela PUC-SP, o principal desafio está na diferença de ritmo entre tecnologia e instituições. “Há um problema diagnosticado de que o processo legislativo não acompanha a mesma velocidade com que a tecnologia evolui. Enquanto a desinformação circula em um ritmo exponencial, a lógica processual possui ritmo muito menor.”

Segundo o especialista, a expansão dos deepfakes também está ligada à democratização das ferramentas de inteligência artificial. O que antes exigia conhecimento técnico avançado passou a estar acessível a qualquer pessoa capaz de utilizar plataformas digitais, ampliando significativamente o potencial de criação e disseminação de materiais manipulados durante campanhas eleitorais.

Martins destaca ainda que a legislação eleitoral brasileira já prevê responsabilização para casos de desinformação. De acordo com ele, a punição pode atingir tanto quem produz quanto quem compartilha conteúdos sabidamente falsos, já que o foco da lei está no ato de divulgar informações inverídicas capazes de influenciar o eleitorado. Ainda assim, a velocidade da circulação digital impõe dificuldades práticas para a aplicação das normas existentes.

A rapidez das redes sociais também contribui para o impacto dos deepfakes ao se conectar diretamente às emoções humanas. As plataformas digitais são estruturadas para priorizar publicações que geram reação imediata nos indivíduos. Para o psicanalista João Bosco, “a racionalidade exige tempo e o ambiente digital valoriza a velocidade.”

Além disso, o especialista afirma que conteúdos extremos rompem a sensação de normalidade. Para ele, o ser humano não está apto a viver em um ambiente onde imagens podem mentir. Durante a maior parte da evolução humana, “ver” era sinônimo de acreditar, e a confiança na percepção visual foi fundamental para a sobrevivência. Agora, com a possibilidade de manipulação total das imagens, esse princípio é abalado, gerando um conflito psicológico. “Esse desalinhamento pode causar ansiedade, insegurança e até uma sensação constante de dúvida em relação à realidade”, afirma.

As consequências ultrapassam o campo individual e passam a afetar diretamente as relações sociais e a confiança coletiva, especialmente em contextos eleitorais. O relatório do World Economic Forum de 2024 apontou a desinformação impulsionada por IA como um dos principais riscos globais de curto prazo, destacando o potencial impacto sobre processos democráticos. Segundo João Bosco, quando as pessoas passam a duvidar sistematicamente do que veem, ocorre uma “erosão da confiança perceptiva”. Isso pode levar a dois extremos: acreditar em tudo pela emoção ou não acreditar em nada pelo ceticismo excessivo. No longo prazo, o impacto atinge não apenas a informação, mas a própria construção de sentidos sobre o mundo.

Diante do avanço dos deepfakes, plataformas digitais e autoridades eleitorais têm ampliado medidas de identificação, por meio da exigência de rotulagem de conteúdos gerados artificialmente, monitoramento, remoção de conteúdo irregular e multas eleitorais. Especialistas alertam, porém, que o desafio não é apenas tecnológico. A dificuldade em distinguir o que é real pode gerar cansaço informacional e afastamento do debate público - fenômeno associado ao aumento da apatia política.

Em um cenário em que imagens já não garantem automaticamente a verdade, o pensamento crítico passa a ocupar papel central na construção da confiança pública e no funcionamento da democracia.

Evento DARUA fomenta arte e cultura periférica independente em São Paulo
por
Evandro Tortolani
João Pedro Amador Pinheiro
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09/04/2026 - 12h

O amplo cenário artístico independente, também conhecido como “cena underground”, possui segmentos diversos em suas expressões e manifestações, com simbologias e modos únicos de comunicação com o público. Dentre as múltiplas camadas, há os movimentos artísticos periféricos, com identidade própria e linguagem característica. Porém, a falta de infraestrutura, a desigualdade social e questões culturais são adversidades enfrentadas por esses coletivos artísticos, sendo fatores antagônicos à realização de movimentos culturais do público periférico.

O Evento de Arte e Cultura DARUA, realizado no dia 22 de março dentro da casa de shows Porta Maldita, localizado no bairro paulistano de Pinheiros, apresentou diversos modos de expressões artísticas periféricas em um lugar só, com interação de variados segmentos de arte independente, como desenhos à mão, exposições, música e agricultura. Essa forma de ação coletiva em um bairro nobre da cidade de São Paulo evidencia a força dos movimentos artísticos independentes, mesmo com empecilhos logísticos e socioeconômicos.

A organizadora do evento e artista visual Luísa Moretti (22) em entrevista, afirmou: “Mesmo com muitos festivais underground sendo feitos em Pinheiros, vem muita galera da periferia, que faz o bagulho acontecer. O intuito do DARUA é esse, tirar essa visão elitizada da arte. Aqui hoje muita gente tá expondo a arte pela primeira vez. Se não fosse o DARUA demoraria para acontecer. Mesmo sem verba, abrimos a porta para nós mesmos e fizemos acontecer. O Porta é um lugar que abraça diversos eventos, então por que não fazer um evento como esse? ”

Público do Evento de Arte e Cultura DARUA
Jovens prestigiando o evento DARUA. Foto: Reprodução/ Matheus Cerullo/@daruafest

A artista independente, além de estar na linha de frente da organização do evento, expôs suas produções artísticas, chamadas de “Psicodelia Marginal” , com desenhos feitos à mão. “Tornou-se uma forma de expressar o que eu sinto. Levou um tempo para eu poder me comunicar com o público por meio da minha arte, que eu chamo de psicodelia marginal. É muito difícil para mim me expressar com palavras, então uso esses meios diferentes para me expressar” , pontuou a artífice.

A cena artística independente nas periferias, apesar de possuir uma vasta riqueza cultural, é, de certo modo, negligenciada e invisibilizada na sociedade. Luísa apontou que muitos artistas vêm de regiões periféricas e possuem dificuldades de integração em bairros de alto padrão. Diante disso, para democratizar o acesso à cultura, diversos movimentos culturais são realizados em áreas menos abastadas. “A cena underground na quebrada é muito unida, mas pouco reconhecida. Tem muita feira de arte, casa de cultura...tem muito mais evento cultural na quebrada do que em Pinheiros, mas quem é de fora não fica sabendo. Se não tem como vir até Pinheiros, você faz seu Pinheiros, monta sua cena. Se a galera não abre a porta pra gente, a gente arromba. O DARUA veio pra isso. ”

O radialista e pesquisador Victor Hugo Valente (27) também teceu comentários sobre a importância da cena independente para a cultura periférica. “Eu acredito que buscamos hoje razões pra gente existir, e isso piora muito quando você tem um contingente de pessoas negras e periféricas, que são colocadas à marginalidade. Na minha visão, eu vejo a cena como uma cena de pessoas pobres, é uma cena de pessoas à margem. Então, a cena cria um ambiente confortável para as pessoas serem o que elas verdadeiramente querem ser, e serem entendidas como elas querem ser. eu, como um homem branco, me dou o prazer de não saber o que eu sou. Mas o Lengue, baixista do Nigéria Futebol Clube, pode ter rótulos muito piores do que simplesmente não existir. Que é existir como periférico, como possível bandido. Então, é muito importante ver os caras do Nigéria tocando o que eles acham justo, o que eles acham que é arte e serem ovacionados por pares de pessoas que moram em Guarulhos, Osasco; que estão todas ali, concentradas e olhando. ”

Movimentos independentes com foco em produções periféricas, como o DARUA, evidenciam a importância do uso da arte para visibilizar grupos socialmente marginalizados, que possuem poucas oportunidades de acesso à cultura e lazer. Além disso, o contato com essas eventos pode ser uma forma de conexão com a identidade e representatividade de jovens negligenciados pela sociedade, por serem manifestações artísticas criadas por indivíduos que enfrentam questões sociais parecidas. Esse evento é um exemplo de como a arte independente pode resultar no fortalecimento do sentimento comunitário em regiões pouco requisitadas pela sociedade paulistana.

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Eventos variados, exposições, shows e festivais movimentam os espaços culturais da cidade
por
Victória da Silva
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09/04/2026 - 12h

Após as águas de março fecharem o verão e o outono começar no país, o mês de abril chega com uma vasta programação cultural para os paulistas e visitantes da cidade curtirem. Confira aqui algumas atrações interessantes para visitar na capital paulista:

SP-Arte

A SP-Arte é a maior feira de arte e design do Brasil. O encontro promove conversas e lançamentos editoriais. Nesta edição, o evento promete ter uma exposição sobre árvores, abordar o mobiliário moderno, mostrar o retrato da cena atual do design brasileiro, além de prêmios para artistas e designers.

Quando: De 8 a 12 de abril.

Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

Noite das Livrarias

No dia Mundial do Livro, o evento celebra a literatura em várias livrarias espalhadas por São Paulo. A partir das 18h os interessados podem descobrir espaços novos, trocar experiências, fazer oficinas, participar de festas do pijama e ainda, conhecer outros amantes de livros.

Quando: 23 de abril.

Onde: Conferir livrarias participantes no site oficial do evento (https://noitedaslivrarias.com.br/livrarias

Ingressos: Entrada Gratuita.

Cine Minhocão

O festival de cinema ao ar livre no Elevado João Goulart conta com sessões competitivas de 21 curtas-metragens brasileiros e internacionais, com votação do público e premiação.

Quando: De 25 de abril a 3 de maio - Sessões às 18h e 19h.

Onde: Minhocão

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

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As obras refletem a pluralidade de linguagens que marcaram a arte brasileira na primeira metade do século XX. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Exposições:

Anita e os Modernistas

Com curadoria de Renata Rocco, a exposição conta com um acervo de 23 obras de Anita Malfatti. A mostra retrata o Modernismo no Brasil e também reúne obras de outros artistas modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, como Di Cavalcanti, Bruno Giorgi, Paulo Rossi Osir, Ismael Nery, Regina Gomide Graz, Alfredo Volpi e Alberto da Veiga Guignard.

Quando: De 6 de abril até 31 de agosto.

Onde: Palácio dos Bandeirantes.

Ingressos: Entrada Gratuita.

Janis Joplin

A mostra trará mais de 300 itens da lendária cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana Janis Joplin, ícone do rock mundial. Dentre os destaques, estão diversas cartas e bilhetes escritos por Janis, fotos de apresentações, além de peças de roupa e adereços da artista.

Quando: A partir de 16 de abril.

Onde: Museu da Imagem e do Som.

Ingressos: Inteira - R$60,00 e Meia Entrada - R$30,00.

Nova Órbita - Nucle1

O centro integrado de artes de quatro andares e dois subsolos foi pensado para promover uma experiência em cada salão. Com exposições em variados espaços, intervenções e um cinema underground, a “Nova Órbita” propõe não apenas uma visita, mas sim uma imersão.

Quando: Até 28 de maio. Quarta à sexta - 12h às 20h. Sábado e domingo - 10h às 18h.

Onde: Nucleum - Rua Muniz de Souza, 809 - Aclimação.

Ingressos: Entrada gratuita.

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Festival Wine&Jazz encanta com a mistura de música e gastronomia. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Festivais:

Wine & Jazz Sessions

O festival de música ao ar livre reúne jazz, gastronomia e vinho em uma experiência diferenciada. Serão dois dias de shows de Jazz e Soul, área gastronômica com a participação de chefs e seus restaurantes, empório artesanal, além de vinícolas e importadoras de vinho consagradas.

Quando: 11 e 12 de abril. 

Onde: Parque Villa-Lobos.

Ingressos: Entrada gratuita. Para participar do Wine&Jazz nas alturas (na Roda Rico) os preços variam entre R$60,00 e R$120,00.

Gop Tun Festival 2026

O festival acontece em um final de semana inteiro e celebra a cidade de São Paulo unindo artistas da música eletrônica alternativa. Em sua 5ª edição, o público poderá prestigiar a line-up que conta com Jayda G, Optimo (Espacio), Mount Kimbie Dj, Yu Su, Chaos In The Cbd, Moxie, Omoloko, Brenda & Maria Manuela, Sherelle e Aerobica.

Quando: 11 e 12 de abril 

Programação diurna: 13h às 22h30

Programação noturna: 21h30 às 6h em espaço exclusivo.

Onde: Complexo do Pacaembu

Ingressos: Variam entre R$280,00 e R$550,00.

Shows:

Marina Sena - Coisas Naturais

A artista Marina Sena retorna à São Paulo com um novo capítulo da era "Coisas Naturais”, para um show atualizado e repaginado. Entre o setlist da apresentação, está a faixa "Carnaval" que atravessou a estação e se tornou um dos hits mais tocados de fevereiro.

Quando: 17 de abril.

Onde: Espaço Unimed.

Ingressos: A partir de R$130,00.

Jackson Wang - MAGICMAN 2 WORLD TOUR

Jackson Wang, que é integrante do grupo de kpop Got7, retorna para um show em São Paulo e outro show de estreia no Rio de Janeiro, promovendo a turnê “MAGICMAN 2 WORLD TOUR”. Os shows são aguardados pelos fãs que desejam apreciar pessoalmente o alter ego “Magic Man”, criado para expressar a versão mais autêntica do artista.

Quando: 23 de abril.

Onde: Suhai Music Hall.

Ingressos: Variam entre R$470,00 e R$980,00.

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O brasileiro voltou a encarar o tema do racionamento como necessidade para o bolso e para a economia
por
Gabriel Porphirio
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05/10/2021 - 12h

Com usinas hidrelétricas sendo possivelmente desativadas por conta da seca, o Brasil passa atualmente por uma das maiores crises hídricas dos últimos tempos, podendo acarretar apagões de energia no País. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as duas maiores usinas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, a Ilha Solteira, a maior do estado de São Paulo, e a Três Irmãos, têm apenas 1,45% e 5% de água respectivamente. O que preocupa, uma vez que a ONS diz que é preciso ter atenção a uma operação funcionando abaixo dos 10%.

Um dos principais fatores para isso são os largos períodos de seca recentes que deixam os registros de chuvas para a geração de energia no País como o pior em 91 anos. E de acordo com a relação divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão de chuvas para a primavera não é animadora.

Conforme ilustra o Prognóstico Climático da Primavera 2021, a região Sul irá provavelmente continuar com chuvas abaixo da média histórica no período, quando deveria começar a estação chuvosa para recuperar os reservatórios. Com tudo isso as contas a pagar do brasileiro tendem a aumentar, principalmente por conta da dependência do Brasil em relação às hidroelétricas, uma vez que o País tem 63% de sua matriz elétrica originada dessa fonte de energia. Sendo assim, com a falta de uso das bacias e seus rios é preciso usar mais da energia proveniente das usinas termelétricas que são muito mais caras e poluentes.

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Reservatório da hidrelétrica de Ilha Solteira, no rio Paraná  Imagem: CESP/Divulgação

Clarice Ferraz professora de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora associada do grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ não acha que o problema é ter um grande percentual de hidrelétricas, mas sim não prestar atenção no que está acontecendo com os rios, padrões de chuvas e continuar colocando fontes que sejam mais poluentes e que não colaborem com a transição energética.

“Dado que se há muitas hidroelétricas com reservatórios, para remediar essa crise deveriam [o governo] pensar em como reduzir o consumo promovendo programas de eficiência energética, com estímulos verdadeiros à indústria, com trocas de equipamentos e sabendo consumir o recurso com o máximo de aproveitamento", avalia.

O governo, por exemplo, estabeleceu no início de setembro o valor da bandeira tarifária de conta de luz vermelha, patamar 2, em mais de 50% com a criação de uma nova bandeira chamada de bandeira de escassez hídrica - O sistema de bandeiras indica quanto será cobrado pela luz (na bandeira verde, em cenários favoráveis, não há acréscimo). Se houver dificuldades, o País entra nas modalidades amarela e vermelha. Portanto, na bandeira vermelha, patamar 2, o valor que era de R$ 9,49 por 100 kilowatt-hora (KWh) agora passa a ser de R$ 14,20 para cada 100 KWh.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, garantiu durante coletiva de anúncio das novas medidas que elas são suficientes para garantir a oferta. "Nós trabalhamos para ter a oferta suficiente para a demanda de todas as unidades consumidoras no País. Estamos presenciando a maior seca que o país, o Brasil, já passou. E isso com reflexos na capacidade dos nossos reservatórios das usinas hidroelétricas", argumentou.

 

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Com o mundo entrando em seu segundo ano de pandemia, nota-se preocupações já existentes sobre a alimentação do fast food
por
Tomás Furtado dos Santos
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28/09/2021 - 12h

Por Tomás Furtado dos Santos

A indústria da alimentação no Brasil sempre seguiu um padrão preocupante, similar ao de outros países desenvolvidos e em desenvolvimento, com empresas de "fast food" se tornando um dos principais focos de nutrição para a população, tanto pela questão de preço como acessibilidade. No entanto, mesmo com o seu consumo em larga escala, muitos desses alimentos podem ser prejudiciais à saúde, seja a curto ou longo prazo.

Desde 2020, os gastos em aplicativos aumentaram em 149%, chegando a 187% quando comparado com março, no começo da pandemia. As tendências da indústria devem crescer, com um percentual maior da clientela acostumados ao novo estilo de vida.

A obesidade no Brasil esteve acima da média mundial faz mais de uma década e  a pandemia contribuiu para o processo, agravando os riscos dessas pessoas para doenças cardiovasculares, diabetes, tumores cancerígenos e o próprio coronavírus junto com as sequelas sofridas por seus pacientes. Também não cria polêmica lembrar que os aditivos, químicos gordura trans geralmente presentes nessas embalagens tendem a ser muito maiores do que se você produzir o mesmo alimento com os ingredientes comprados em supermercado.

Muitas pessoas não sabem, mas é mais comum do que parece ter diferentes franquias de restaurantes ter os seus alimentos preparados no mesmo lugar. As "Dark kitchens​"​​​​​​ são uma nova tendencia no serviço de entregas no Brasil, onde grandes cozinhas são construídas e alugadas por diferentes donos de restaurantes. O objetivo é ter células espalhadas ao redor da cidade ao qual motoristas podem entregar o pedido mais rapidamente. Embora o mercado tenha crescido mais de 53% apenas no Brasil, ela apresenta algumas inconveniências indesejadas, como o risco de contágio entre diferentes equipes ou do manuseio incorreto de alimentos quando lidando com alergias de clientes.

Em uma pesquisa realizada em mídias sociais revelou que a maioria dos entrevistados que pede "take out" geralmente leva em consideração três principais informações quando pedindo uma refeição, o custo, o tempo de entrega e os tamanhos das porções, com menos de 10% levando em considerando tópicos como carga calórica .Em respostas mais aprofundadas, era comum encontrar variantes de "A gente só quer chegar em casa e ter um prato pronto para comer." 

Geralmente a maioria das preferências pelos pedidos são massas e salgados, comidas de bar, esfirras, coxinhas, pratos de pizza, conteúdos altamente carregados de sódio e de calorias, geralmente acompanhados por refrigerantes e energéticos. "É muito difícil conseguir se livrar desses vícios, especialmente durante os períodos formativos da infância e adolescência."

Serviços alternativos mais saudáveis como "Hellofresh" que entregam porções de ingredientes frescos junto com a receita para produzir o prato e são considerados produtos mais saudáveis e de maior qualidade estão em operação mas vem com uma série de desvantagens para florescerem no mercado brasileiro. Os principais problemas sendo a inacessibilidade desses produtos, com lojas presentes apenas em algumas cidade no país, os custos desses pedidos e o tempo necessário para o preparo, que para muitos remove a parte de "rapidez" e "praticidade" do serviço delivery.

Com esses dados obtidos, surge a preocupação de uma tendência que vem se tornando cada vez mais recente, do tratamento da saúde, nesse caso a saúde alimentícia, como uma comodidade ao invés de um direito. Apresentando um potencial risco para a saúde de jovens e adultos que podem ter um aumento de sequelas e doenças cardíaca até mesmo após o término da pandemia.

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Músicos e técnicos de produção audiovisual foram os mais afetados durante a pandemia que já dura quase dois anos
por
Júlia Takahashi
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28/09/2021 - 12h
Foto de Cleber Akio tocando guitarra por Murilo Manna.
Foto de Cleber Akio tocando guitarra por Murilo Manna.

Por Julia Takahashi

A pandemia da Covid-19 fez com que 2020 fosse considerado o ano em que o mundo parou. A sociedade teve que se isolar para não se contaminar com o vírus atualmente, estão contabilizados mais de 21 milhões de casos no Brasil, segundo os dados da Secretaria Estaduais de Saúde e, consequentemente, os espaços públicos foram interditados. Crianças, jovens e professores  tiveram que aprender a lidar com aulas online enquanto outros tipos de trabalhos ficavam em home office. Todos foram afetados de alguma maneira, porém uma  grande quantidade de pessoas não puderam trabalhar de casa e  foram obrigados a se reinventarem para ganhar dinheiro. Muitos até perderam seus empregos devido ao corte de gastos das empresas. 

Entre eles estão os artistas, por dependerem muito do público.  A cantora Isadora Morais comenta que antes de iniciar a  quarentena tinha muitos planos para a carreira, “antes da pandemia eu estava montando meu primeiro show autoral, eu tinha até um teste de luz no dia 16 ou 18 de março, a gente ia para um teatro e tínhamos algumas data fechadas para abrir com a banda. Aí foi uma pena, porque nosso ensaio foi cancelado, achamos que pudesse retomar na semana seguinte, mas está durando um ano e meio”, conta.

Essa pausa abrupta obrigou artistas  a encontrarem outras maneiras de sobreviverem. Uma dessas saídas para continuar divulgando suas artes foi por meio de lives nas redes sociais, principalmente no Instagram e no Youtube. Cleber Akio, músico e produtor,  explica sobre essa mudança: "os shows presenciais pararam, então passei a fazer algumas lives, alguns incentivos da prefeitura". "A Lei Aldir Blanc ajudou muito", diz. Quem tem um trabalho mais “sério” conseguiu pegar incentivo, fazer shows virtuais, fazer vídeo aula. Pelo estúdio eu produzi algumas lives, mas fui chamado também para fazer algumas lives”, diz. 

Ambos os músicos comentam que as lives os ajudaram, principalmente na expansão do público, algo que era muito restrito a apenas a cidade pode ser acessada em todo Brasil e em qualquer lugar do mundo. Porém o maior ponto negativo é a falta de público. “É bem diferente tocar para as pessoas que estão lá com você, com o público interagindo, é bem diferente tocar para uma câmera, tocando para ninguém e falando sozinho”, afirma Cleber. 

Contudo, uma outra profissão muito afetada são os técnicos do audiovisual. Segundo um levantamento feito pelo Glassdoor, o Workplace Trends 2021, as profissões mais afetadas, que mais tiveram sua atuação paralisada durante a pandemia são técnico e coordenador de eventos. O produtor de audiovisual, Luiz da X3m Luz & Som, comenta “Vi muitos amigos, parceiros, tendo se desfazer de muitos equipamentos de trabalho, para manter o sustento de sua família, mas acredito que o pessoal de montagem foram mais afetados, são a maioria dentro de um evento, e com a parada, não tinham onde se encaixar, a maioria desses profissionais, trabalham por conta (freelance), então dependem diretamente do dia de trabalho e não tendo aonde recorrer, e ainda tiveram auxílios negados, pois nem a categoria existia nos cadastros, ficaram à margem da sociedade”, explica.

Aos poucos, os espaços públicos, eventos, shows começam a voltar e as lives passam para um segundo plano, já que os gastos com elas são maiores que os cachês. Os artistas consagrados foram os que mais se beneficiaram com os patrocínios. Muitos acreditam que as "lives" não vão acabar por completo, até porque elas ajudam na divulgação do trabalho e podem dar mais visibilidade para conseguir chegar em uma platéia mais amplificada.

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Professora da UFRJ culpabiliza o poder executivo e alerta sobre a gravidade do problema
por
Carlos E. Kelm
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28/09/2021 - 12h

Por Carlos E. Kelm

Os efeitos da crise hídrica já reverberam em diversos setores da economia. Diante da falta de água nos reservatórios o governo acionou usinas termelétricas para suprir a demanda de energia, o que acabou encarecendo a conta de luz. A professora e pesquisadora, Clarice Ferraz, do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, questiona as medidas do Governo e avisa que o problema pode piorar.

Clarice Ferraz“Há mais de dez anos a gente observa que as hidrologias não são as mesmas; os reservatórios não estão ficando com o nível de armazenamento elevado”, explica Clarice. Para a professora, a causa do problema é estrutural e medidas como a nova bandeira tarifaria de “Escassez hídrica” indicam que a crise vai continuar: “se o Governo não agir sobre o problema e ficar só remediando, podemos esperar que essa bandeira seja disparada com uma certa frequência”.

A principal fonte de energia no Brasil vem dos rios. O nosso grande potencial hídrico garante uma energia limpa e renovável, no entanto, existem fatores que podem interferir no ciclo das águas. Podemos dividir estes fatores em dois grupos: os de ordem natural e os administrativos. Para Clarice, a atual crise hídrica foi agravada por questões administrativas, “O problema é você ter um grande percentual de hidrelétricas e não prestar atenção no que está acontecendo com os seus rios, com o seu padrão de chuva, e continuar colocando fontes que sejam mais poluentes, que não colaborem com a transição energética”. A fonte em questão é a termoelétrica: gerada a partir da combustão, libera grandes quantidades de gás carbônico, por isso, vem sendo substituída em diversos países por fontes mais baratas e limpas.

Para Clarice, a crise deveria ser contornada com um programa de eficiência energética: “Dado que você tem muitas hidrelétricas com reservatórios, para remediar essa crise você deveria pensar como reduzir o consumo promovendo programas de eficiência energética, com estímulos verdadeiros a indústria, com trocas de equipamento, com auditorias que a gente faz nos prédios pra ver se tem alguma fuga. Então, saber consumir o recuso com o máximo de aproveitamento”, explica.

A professora considera que a seca está diretamente relacionada a fatores ambientais, como a deflorestação e as queimadas na Amazônia: “Desmatando a floresta lá na Amazônia a gente diminui os fenômenos dos rios voadores, que são trazidos aqui pra região sudeste. Afetando esse ciclo, teremos cada vez menos água. Falta planejamento e isso é responsabilidade do governo, sobretudo do poder executivo”Usina termelétrica

Clarice reafirma que continuar recorrendo a energias poluentes como a termelétrica pode agravar ainda mais um problema que é crônico. Mas então, por que optamos pelas termoelétricas?  “O argumento normalmente usado, mas que já foi superado é o de que precisamos de uma geração que não oscile, e a eólica e solar têm uma variabilidade. Mas o padrão do Nordeste é espetacular, as eólicas geram muito bem, é uma coisa de recorde mundial mesmo. Então, a alegação é esta, mas isso não se comprova”, diz.

Outra explicação para a utilização da energia suja, seria o interesse econômico por detrás dessas usinas. Clarice revela que há pessoas se beneficiando da situação, “Todos os bancos. As pessoas que vão ganhar dinheiro enquanto o sistema não entrar em colapso, como foi o caso do Texas. Comercializadores; os seguradores dos comercializadores, as pessoas que estão por trás dessas térmicas novas” mas a professora prevê grandes prejuízos econômicos e diz que já existem empresas falindo por não perceber a escala do problema. “A gente tá nessa situação gravíssima hoje e a gente já sabe que ano que vem vai ser pior, por que todas as medidas que estão sendo tomadas contribuem para o agravamento do problema, e isso que a privatização ainda não entrou em vigor”, prevê.

Geradores eólicosDiante deste quadro, ela sugere fontes renováveis que contribuam para uma transição energética: “Somos um dos raros países, se não o País melhor habilitado a promover a transição energética, porque temos enormes estoques de água que podem ser usados como reservatórios de hidro-eletricidade. Sendo assim, a gente podia avançar no uso das renováveis, e como a energia que mais rapidamente entra em operação é a hidroelétrica de reservatório, qualquer oscilação das renováveis, a gente compensa com a água dos reservatórios”, conclui.

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De acordo com pesquisa promovida pela Ilumeo, o uso de assistentes virtuais cresceu 47% no Brasil durante a pandemia, vista como a nova onda do mercado de tecnologia, o produto é controverso.
por
Luiza Fernandes
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28/09/2021 - 12h

Por Luiza Fernandes

 

O primeiro assistente virtual surgiu em 2011- quando a Apple lançou a "Siri". A tecnologia foi considerada revolucionária à época.  Um software que reconhece sua voz, obedece seus comandos e permite a ativação de diversos recursos em seu aparelho celular. Desde então, esse tipo de tecnologia evoluiu muito, passando para aparelhos exclusivos: Agora não mais em celular, os assistentes virtuais migraram para as caixinhas de som, que também reconhecem a sua voz e funcionam exclusivamente por esse comando. O sucesso do modelo fez com que todas as grandes empresas de tecnologia lançassem um tipo, os mais conhecidos são: "Alexa" da Amazon, "Google Assistente" e "Microsoft Cortana".

A Amazon vem sendo pioneira em expandir os comandos que a Alexa pode realizar e hoje é possível conectá-la com: cortinas, geladeiras, ar-condicionado, lâmpadas e TV´s. Foi promovendo a facilidade de poder controlar sua casa por voz, que a empresa vendeu 50 milhões de unidades desses smart speakers no ano de 2019, um crescimento de 70%, segundo dados da Strategy Analytics. Porém, o funcionamento desses produtos é considerado contraditório por inúmeros pesquisadores da área de tecnologia. Muito se questiona sobre como é o seu funcionamento e principalmente, como eles armazenam os dados que coletam.

Em meio a febre do conceito de “Casa Inteligente”, quando uma assistente virtual pode controlar seus aparelhos domésticos, vale o questionamento de como essas tecnologias de fato funcionam. Do ponto de vista técnico, os assistentes virtuais são um conjunto de microfones, ligados a um alto-falante, que são controlados por um processador que pode enviar e receber informações da nuvem, onde esses dados são processados. Com a ajuda de algoritmos de inteligência artificial, implementados na nuvem e sempre atualizados no processador, o aparelho traz respostas rápidas.

O Google define em seu site, o serviço prestado pelo seu aparelho "Google Assistente", da seguinte forma: “É uma assistente pessoal virtual desenvolvida pela Google que pode realizar tarefas do dia a dia, como ligar para pessoas, mandar mensagens, pesquisar, e ainda conversar com o usuário”

            Já a Apple, pioneira no cenário dos assistentes por voz, define a "Siri", que ainda é presente em todos os seus aparelhos, com o seguinte slogan: “A "Siri" faz mais. Mesmo antes de você pedir.” De acordo com a empresa, a "Siri" consegue fazer tudo mais rápido, define alarmes, timers, lembretes das atividades do dia e tudo isso sem que seja preciso tocar no aparelho.

A visão destas assistentes virtuais como facilitadoras do dia a dia, como são atualmente vendidas pela publicidade, é contraposta pelo que dizem muitos pesquisadores de tecnologia. De acordo com Luã Fergus Cruz, pesquisador da área de telecomunicações e direitos digitais do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) e integrante da Coalizão Direitos na Rede, é preciso ficar atento ao que os aparelhos coletam durante seu funcionamento. “Eles te vendem falsas facilidades, afinal, sempre foi possível apagar a luz com o interruptor, quando na verdade o pano de fundo por trás do produto é extrair informações do usuário, eles querem obter dados que é o que dá dinheiro a longo prazo”

Dados são todos os “rastros” que deixamos quando utilizamos algum serviço de Internet, desde fazer um cadastro pessoal com RG, CPF e cartão, ou até mesmo quando utilizamos o Google. A recente Lei Geral De Proteção de Dados (LGPD), define da seguinte forma: “É considerado dado pessoal qualquer informação que permita identificar, direta ou indiretamente, uma pessoa que esteja viva”.

Se popularizou a expressão de que os “dados são o novo petróleo", como forma de dimensionar seu valor econômico. Para Luã, a expressão tem um limite de dimensão, uma vez que “As empresas de tecnologia valem muito mais do que as de petróleo, por que uma riqueza vem da extração de algo não renovável, já os dados estão sempre se atualizando e se aperfeiçoando”, explica. Uma investigação do jornal Washington Post, de 2019, descobriu que a Amazon mantinha uma cópia de tudo o que a Alexa registrava depois de escutar o seu comando de ativação, o seu nome. Porém, à época, os usuários não eram avisados disso nas privacidades e não havia informações sobre como esses dados eram armazenados.

 Recentemente no Brasil foi aprovada a Lei Geral de Proteção de Dados, lei n° 13.709, agosto de 2018, sua vigência iniciou-se em agosto de 2020. A partir dela, passa a existir um novo cenário sobre segurança jurídica na Internet quando falamos da captação de dados, existem agora normas e práticas que devem ser seguidas.

Luã comenta a importância da atuação do Estado, para que os dados possam ser protegidos: “A LGPD é um grande marco porque ela passa a abranger todo o tipo de atividade que envolva o tratamento de dados pessoais, toda e qualquer atividade precisa seguir uma lei e isso é muito importante para regular e para instigar o debate, em sociedade”, avalia.

Outro ponto controverso sobre o uso das assistentes pessoais é a possibilidade dessas informações serem obtidas ilegalmente. É preciso se preocupar com a forma como as empresas coletam e armazenam esses dados, mas também, é preciso pensar sobre o perigo de um microfone conectado à sua casa cair nas mãos erradas. “Não é difícil de se imaginar que um dispositivo como esse pode ser facilmente hackeado, é um tipo de tecnologia muito frágil e perigosa, frente às facilidades que eles vendem” argumenta Luã.

As políticas de privacidade encontradas nos sites das empresas Amazon, Google e Apple informam que os áudios só são registrados e gravados pelo aparelho quando o comando de voz é ativado e que essas gravações podem ser revistas e apagadas pelo usuário. Além disso, as três empresas oferecem alteração das opções de privacidade.  Mesmo assim, o juiz Jeffrey White, do Tribunal de Oakland, na Califórnia decidiu dar prosseguimento a uma ação coletivo contra a Apple. A acusação é de que a empresa grava conversas captadas pela "Siri" sem o comando de voz ser ativado e repassa essas informações para outras empresas. Google e Amazon também têm processos abertos por gravarem áudios quando os assistentes não foram chamados. A abertura desses processos coloca em xeque a proteção que as empresas afirmam ter, além de dar eco para os questionamentos feitos por especialistas em tecnologia.  

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