Em São Paulo, a rotina de um motorista de aplicativo revela como o trabalho passou a ser guiado por notificações, cansaço digital e um cotidiano moldado pelo brilho constante do celular
por
Carolina Hernandez
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24/11/2025 - 12h

 

Por Carolina Hernandez 

O celular vibra antes que qualquer clarão toque os prédios da Mooca, e essa vibração curta, metálica e insistente desperta Jonas de um sono leve, como se fosse uma convocação, um chamado que não permite adiamentos. Ele estende a mão ainda no escuro, alcança o aparelho, observa a luz que se espalha pelo quarto e lê a notificação do aplicativo que já anuncia alta demanda, fluxo intenso, oportunidade. Nos últimos anos, aprendeu a acordar assim, preso ao brilho do celular antes mesmo de sentir o chão frio sob os pés. O trabalho começa na tela, e não na rua.

No carro, um sedan prata que carrega o desgaste dos dias longos, Jonas encaixa o celular no suporte. O gesto é tão automático que parece parte do ritual de ligar o motor, como se o carro só funcionasse plenamente depois que o aplicativo estivesse ativo. A tela mostra a cidade em azul e amarelo, um mapa vivo onde cada área fervilha com informações que determinam para onde ele deve ir, quanto irá ganhar, quanto tempo deve esperar. O aplicativo calcula rotas, horários, riscos e recompensas, e Jonas respira fundo antes de seguir, como quem aceita que o destino do dia será guiado por aquele retângulo luminoso.

A primeira corrida aparece em menos de quinze segundos. Ele aceita. O carro avança devagar pelas ruas que ainda não despertaram, e Jonas observa o céu sem forma, as luzes dos postes refletidas no capô, o reflexo da tela pressionando seus olhos desde a madrugada. Logo, o trânsito cresce, e a cidade parece surgir inteira de dentro dos celulares dos próprios motoristas, porque ninguém conduz apenas pelas ruas, todos conduzem pelos mapas, pelas notificações, pelas coordenadas enviadas de longe.

A dependência da tela dita o ritmo. Jonas percebe isso a cada minuto. Ignorar uma notificação pode significar perder corridas, perder pontos, perder visibilidade diante do algoritmo. Ele sabe que o sistema registra cada movimento, cada segundo parado, cada mudança de rota, cada hesitação. Uma espécie de patrão silencioso observa sua velocidade, suas notas, seus cancelamentos, suas escolhas. Não há voz, não há rosto, mas há controle. Ele comenta que antes achava que dirigia para pessoas, e hoje sente que dirige para um conjunto de cálculos invisíveis.

O cansaço começa sempre pelos olhos. A luz azulada se infiltra pelas pálpebras como um grão de areia persistente. Mesmo nos poucos minutos de pausa, ele sente o celular vibrar no bolso, chamando de volta, lembrando que há demandas próximas. A Pesquisa TIC Domicílios mostra que o celular tornou-se o principal dispositivo de acesso à internet para a maioria dos brasileiros, mas, para motoristas de aplicativo, é mais que isso, é ferramenta, ponte, segurança, salário e vigilância. Jonas passa mais tempo olhando para a tela do que para qualquer rosto durante o dia.

Os passageiros entram no carro sempre com pressa, sempre conectados a outra conversa que não está ali. Há estudantes que assistem aulas no banco traseiro, executivos que participam de reuniões por vídeo, mães que equilibram sacolas e chamadas, jovens que respondem mensagens durante trajetos de poucas quadras. O carro se transforma em cápsula de passagens breves, onde cada um leva sua própria tela, e Jonas conduz tantas luzes simultâneas que, às vezes, o interior do carro parece mais iluminado durante a noite do que durante o dia.

Ele já ouviu histórias que não estavam destinadas a ele, conversas que vazavam das telas para o espaço do carro, lágrimas silenciosas de quem lia mensagens difíceis, risadas altas de grupos que relembravam memórias por vídeos compartilhados. Jonas sempre percebe que as pessoas falam menos com ele e mais com seus celulares, que olham menos pela janela e mais para notificações. Nos raros momentos de silêncio, apenas as telas respiram, emitindo luzes diferentes em intervalos variados.

No fim da tarde, quando o corpo já pesa, o aplicativo avisa aumento de demanda. Jonas pensa em parar, mas o aviso insiste, promete ganhos extras, sinaliza movimento crescente. Ele encosta em um posto para comprar um café, tenta alongar as costas, tenta piscar devagar para aliviar a ardência nos olhos. O celular vibra antes da primeira golada. Ele volta para o volante. Recusar seria uma escolha, mas uma escolha com consequências. Descanso e trabalho, na lógica do aplicativo, nunca estão em equilíbrio.

A madrugada avança e a cidade se torna uma paisagem de luzes espaçadas, com corredores vazios e poucos ruídos. Jonas leva um jovem que saiu do trabalho no shopping, e o rapaz passa o trajeto inteiro olhando para o celular enquanto mensagens surgem em sequência. Jonas também observa o seu próprio aparelho, que marca a rota até o destino. O carro segue pelas avenidas escuras com apenas as duas telas iluminando o interior, criando um silêncio que parece suspenso no ar.

Quando chega em casa, Jonas desliga o carro, depois o aplicativo, e por fim o celular, que insiste em vibrar com atualizações e resumos do dia. A sala escura o acolhe em um silêncio que chega a parecer estranho, como se o mundo tivesse diminuído de volume. Ele se recosta no sofá e sente o peso acumulado do dia, não apenas o peso físico, mas o peso da luz constante, da atenção exigida, da vigilância permanente que o acompanha desde o amanhecer. O corpo quer descanso, mas a mente ainda repassa rotas, mensagens, barulhos de notificação que permanecem mesmo após a tela apagar.

Amanhã, muito antes de a luz do sol tocar a janela, o celular irá vibrar novamente, e Jonas atenderá, não por escolha, mas por necessidade. Ainda assim, enquanto respira profundamente, sente uma dúvida surgir devagar, como quem desperta de um sonho longo. Ele se pergunta se ainda guia o carro, se ainda conduz o trajeto, ou se apenas segue o ritmo imposto pela tela que nunca dorme. E essa pergunta, ele sabe, continuará voltando. Porque, na madrugada das grandes cidades, o trabalho e a vida estão cada vez mais presos ao mesmo brilho.

Com o avanço do sistema de pedágio eletrônico nas rodovias paulistas, motoristas vivem a combinação entre fluidez no trânsito e incertezas sobre tarifas, prazos e adaptação ao novo modelo.
por
Inaiá Misnerovicz
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25/11/2025 - 12h

Por Inaiá Misnerovicz

 

Dirigir pelas rodovias da Grande São Paulo já não é mais como antes. Com a chegada do sistema free-flow - o pedágio eletrônico sem cancelas -, muitos motoristas sentem que atravessam uma fronteira invisível: não há mais a cancela para frear o carro, mas também não há a certeza imediata de quanto vão pagar. Para Jerônimo, motorista de carro, morador da zona leste de São Paulo que faz quase todos os dias o trajeto até Guararema a trabalho, essa sensação de fluxo e incerteza convive em cada viagem.

Antes da implantação do free-flow, Jerônimo parava em praças de pedágio, esperava, conferia o valor, calculava se valia a pena seguir por um trecho ou desviar. Hoje, ao cruzar os pórticos da Via Dutra ou de outras rodovias, ele simplesmente segue adiante. Só depois, no no aplicativo, descobre quanto foi cobrado, isso quando ele lembra de conferir a fatura. Para quem tem TAG, o débito cai automaticamente, mas para quem não tem, o sistema registra a placa e envia a cobrança que deve ser paga em até 30 dias, sob pena de multa, como prevê a regulamentação da CCR RioSP.

Esse modelo evita paradas e acelera o tráfego, especialmente nas pistas expressas. Segundo a concessionária Motiva/RioSP, quem trafega pelas marginais da Via Dutra (sem acessar a via expressa) não é tarifado. Mas Jerônimo ressalta que essa economia de tempo nem sempre vem acompanhada de previsibilidade de custo: “só sabendo depois quanto foi cobrado, ainda dependo de consultar o site para ver se registrou todas as passagens”, ele diz. A tarifa depende do horário e do dia da semana, pode variar, e para quem usa TAG há desconto de 5%. 

Para tornar essa transição mais suave, a RioSP intensificou ações de orientação nas margens da rodovia e em pontos públicos de Guarulhos. Na capital, promotores usam realidade virtual para explicar como os pórticos funcionam, há vídeos e atendimentos nos postos de serviço. Mais de 500 pessoas já participaram de eventos para esclarecer dúvidas sobre o funcionamento, formas de pagamento e salto entre pistas expressas e marginais.

As novas tarifas também entraram em vigor recentemente: desde 1º de setembro de 2025, os valores para veículos leves nas praças da Via Dutra foram reajustados pela ANTT, e nos pórticos do free-flow os preços também foram atualizados. No caso das rodovias geridas pela Concessionária Novo Litoral - especificamente a SP-088 (Mogi-Dutra), SP-098 (Mogi-Bertioga) e SP-055 (Padre Manoel da Nóbrega) - os valores por pórtico variam de R$ 0,57 a R$ 6,95 para veículos de passeio, dependendo do trecho.

Essa lógica de cobrança por trecho, sem a presença física de praças, exige do motorista algo além de atenção na pista: exige educação para se entender onde entrou, onde passou e quanto isso custou. Para Jerônimo, isso é mais difícil do que simplesmente parar e pagar. Ele admite que, apesar da melhoria no fluxo, teme que algum pórtico não tenha sido registrado, ou que haja diferença entre o que ele acredita ter passado e o que vai aparecer na fatura.

Além disso, há risco real para quem não paga no prazo. A CCR RioSP adverte que a não quitação da tarifa em até 30 dias configura evasão de pedágio, o que pode gerar infração de trânsito, multa fixada e até pontos na carteira. Para muitos, essa penalidade ainda parece pesada diante da novidade e da complexidade do sistema.

Por outro lado, o free-flow traz ganhos concretos para a mobilidade: ao eliminar paradas bruscas nas praças, reduz o risco de acidentes por frenagem repentina e melhora o desempenho das rodovias. A tecnologia permite modernizar a gestão do tráfego, e os pórticos com sensores garantem identificação precisa por TAG ou leitura de placa. Ainda assim, a transformação não se resume à pista. Ela repercute no cotidiano de quem vive dessa estrada, como Jerônimo, e também na forma como a concessionária se relaciona com os motoristas. A campanha de orientação mostra que há consciência de que nem todos se adaptarão imediatamente. As ações de atendimento por WhatsApp, aplicativo, site, totens e até no posto de serviço reforçam a aposta na transparência. 

Há também a perspectiva de que esse modelo se torne cada vez mais comum. Segundo planejamento de concessões futuras, mais pórticos free-flow poderão ser instalados nas rodovias paulistas até 2030, o que tornaria esse tipo de cobrança mais frequente para usuários regulares da malha estadual. Mas para que ele seja efetivamente equitativo, será preciso manter a educação viária, oferecer canais de pagamento amplos e garantir que os motoristas não sejam penalizados por simples falhas de entendimento.

Para Jerônimo, a estrada continua sendo um espaço de tensão e de liberdade. Ele ganha tempo, mas precisa vigiar sua fatura. Ele cruza Guararema, volta para São Paulo, e vive uma experiência nova: a de rodar e pagar depois, sem parar, mas sempre com a incerteza de que quanto passou pode não ser exatamente quanto será cobrado. A cancela desapareceu, mas o pedágio segue presente, só que disfarçado em números, e não em uma barreira física. 

Colunista Marcelo Leite revela que a área perde cada vez mais influência no país
por
Giovanna Britto
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24/11/2025 - 12h

 

Durante a pandemia de Covid-19, o Brasil se reinventou em assuntos a respeito de hábitos higiênicos, debates sobre saúde mental e destacou a importância do jornalismo científico, área  responsável por comunicar à população a respeito das vacinas, o avanço ao combate do vírus e outros assuntos de saúde pública. Entretanto, três anos após o fim do estado emergencial causado pela pandemia, a falta de adesão do público à ciência tem ameaçado o trabalho dos jornalistas desse segmento.

Entre 2020 e 2022, os profissionais da mídia foram expostos ao desafio de comunicar a incerteza científica, traduzir termos e conscientizar a sociedade sobre a pandemia. Muitos jornalistas já eram especializados na área, outros aprenderam a falar sobre ciência devido a alta demanda de notícias para divulgar. A pandemia serviu como ponto de virada para o jornalismo científico - que já existia no Brasil, mas ganhou repercussão graças à necessidade de dar foco ao assunto que ditou o estilo de vida de um mundo inteiro.

Nomes como Atila Iamarino, Natália Pasternak e Álvaro Pereira Júnior se destacaram como grandes vozes da divulgação do jornalismo de ciência. Em entrevista à AGEMT, Marcelo Leite, jornalista e colunista da Folha de São Paulo especializado na área de ciência e ambiente, comenta sobre esse período: “Nunca se valorizou tanto do ponto de vista de espaço, de tempo, de audiência, a divulgação de informações científicas de base para entender o que estava acontecendo.” Hoje, o espaço de fala e a repercussão em temas científicos são menores, uma vez que as pessoas estão cada vez menos interessadas em saber de que forma isso implica em suas vidas pessoais.

Jornalista Marcelo Leite posando para câmera
Formado em jornalismo pela USP, Marcelo também atuou na Revista Piauí e é autor do livro “Psiconautas: Viagens com a Ciência Psicodélica Brasileira”. Foto: Divulgação/Unicamp.

 

Marcelo relembra que o jornalismo científico já sofria com ameaças à sua credibilidade, com falsos especialistas, médicos sem conduta ética e  com o presidente da época, Jair Bolsonaro, reproduzindo falas que levantavam mais dúvidas e ondas de ódio. “Foi um período terrível, e talvez a parte principal, que me deixa mais frustrado, é que o público se dividiu em dois. Uma parte passou  a desconsiderar as informações que a gente, do jornalismo científico, se esforçava por apresentar como informações objetivas, fundadas em dados, com a qualidade que se espera da ciência ", completa.

Na fase posterior à pandemia, após o declarado fim do período emergencial do coronavírus em 5 de maio de 2023, foi possível observar as consequências e heranças que a abundância de informações equivocadas, negacionistas e falsas deixaram na rede de informação, seja online ou offline. Os movimentos anti vacinas, impulsionados durante o Covid, emitiram um alerta para a Organização Mundial de Saúde. Dados divulgados pelo jornal Humanista da UFRGS evidenciam que a cobertura de vacinas contra poliomielite, HPV e sarampo estão em constante queda e sequer atingem a meta em lugares como Norte e Nordeste. 

No anuário de Vacinas de 2025 da Unicef, os dados indicam que até 14 de julho de 2025, a cobertura vacinal dos grupos prioritários permanecia abaixo da meta de 90%: crianças de seis meses a seis anos com 39,5%, idosos com 53,2% e gestantes com 29,8%, correspondendo a menos da metade do público-alvo.

A questão ambiental também é desconsiderada por muitas pessoas. Marcelo afirma que há muitos temas pelos quais o jornalismo científico lutou pelo progresso e que atualmente são banalizados. “se houve alguma dúvida no passado, há 20, 30 anos atrás, hoje não há mais nenhuma dúvida sobre os impactos que estão vindo e virão da mudança climática, cada vez mais sérios. Mas ainda tem gente que questiona.”

Recentemente, casos de metanol que alertaram a população em outubro deste ano, trouxeram uma onda de informações falsas que prejudicaram profissionais da área jornalística e médica, motivando o pronunciamento deles a respeito. Vídeos tentando realizar testes caseiros para identificar a presença da substância nas bebidas, sem comprovação científica, viralizaram nas redes sociais.

Essa situação se assemelha com as polêmicas envolvendo o uso da cloroquina na pandemia. Um levantamento realizado por pesquisadores do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário da USP (Cepedisa) em colaboração com a Conectas Direitos Humanos, mostra que, entre março de 2020 e janeiro de 2021 houve pelo menos quatro medidas federais promovendo diretamente ou facilitando a prescrição do medicamento. Jair Bolsonaro foi um dos maiores promotores da cloroquina na época e quem motivou o uso para a população. Apesar de ter sido associada no combate ao Covid, a cloroquina é um medicamento que atua contra doenças inflamatórias crônicas e no combate a parasitas e cuja eficácia de uso para o coronavírus não é comprovada.

O estudo que deu início a essa ideia foi inicialmente publicado na revista científica International Journal of Antimicrobial Agents e assinado por mais de 10 profissionais. Hoje, a editora da revista, Elsevier, anunciou a retratação deste artigo após uma pesquisa aprofundada, com o apoio de um “especialista imparcial que atua como consultor independente em ética editorial”.

Os profissionais continuam exercendo seu trabalho com excelência, alguns optando pela mídia tradicional, outros inovando nas redes através de vídeos curtos. Mas é inegável a forma com que o jornalismo científico perdeu a influência e como falta apoio em todas as áreas. “É muito triste, porque eu dediquei minha vida inteira ao jornalismo científico, para ver isso acontecer no fim da minha carreira” conclui o jornalista.

Após sete anos, evento volta ao calendário impulsionado pelo avanço dos carros eletrificados
por
Fábio Pinheiro
Vítor Nhoatto
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22/11/2025 - 12h

O Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, um dos eventos mais tradicionais do setor automotivo brasileiro, está de volta após um hiato de sete anos. A edição de 2025 acontece entre os dias 22 e 30 de novembro, em um contexto de profundas transformações na indústria e impulsionada pela expansão de veículos eletrificados, entrada de novas marcas no país e a necessidade das montadoras de reconectar consumidores às experiências presenciais.

De acordo com a RX Eventos, organizadora da mostra bienal, a volta acontece em razão da reestruturação e aquecimento do mercado. A última edição havia sido realizada em 2018 e contou com cerca de 740 mil visitantes, mas devido a pandemia de COVID-19 o Salão de 2020 foi cancelado. Nos anos seguintes, a volta do evento ficou só na especulação. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes Automotores (Anfavea), a pausa também pode ser atribuída à crise de matéria-prima, à retração econômica deste então e ao formato caro para as montadoras que estavam distantes do público.

Embora as duas últimas edições tenham sido no São Paulo Expo, esta acontece no Complexo do Anhembi, casa oficial do evento desde 1970. A mudança foi celebrada por expositores e pelo público, já que o Anhembi permite maior fluxo de visitantes, oferece áreas amplas para test-drive e atividades externas, recuperando a identidade histórica do salão. O retorno também faz parte da estratégia de reposicionar o evento como uma grande vitrine de experiências automotivas, com pistas, ativações e zonas imersivas distribuídas pelo pavilhão.

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Renault anuncia o seu novo carro “Niagara” - Foto: Fábio Pinheiro

Entre as montadoras que vão expor, estão nomes de peso que apostam na ocasião para apresentar novidades ao consumidor brasileiro. A BYD leva ao Salão uma linha reforçada de elétricos e híbridos, aproveitando o crescimento expressivo da marca no Brasil, além de lançar no evento a marca de luxo do grupo, Denza. A rival chinesa GWM também estará presente, com o facelift do SUV H6, o jipe Tank 700 e a minivam Wey 09.

Em relação às marcas tradicionais, a Stellantis vai em peso para o Anhembi. A Fiat, apesar de não ter apresentado nenhum modelo novo, trará o Abarth 600, um SUV elétrico esportivo. A Peugeot terá os 208 e 2008 eletrificados e, principalmente, o lançamento da nova geração do 3008 para o mercado nacional, equipado com o tradicional motor THP. 

Enquanto isso, a Toyota investe na divulgação de novidades híbridas flex, com a chegada do Yaris Cross para brigar com o recém-lançado HR-V, e os líderes Hyundai Creta e Chevrolet Tracker. Juntas, as marcas representam parte do movimento de transformação do mercado brasileiro, que tem apostado cada vez mais na eletrificação e em tecnologias avançadas para rivalizar com a expansão chinesa.

O Salão 2025 também será palco de novas marcas como a Leapmotor, parte do grupo Stellantis. O SUV C10 será o primeiro modelo a chegar às ruas, ainda neste ano, e conta com a versão elétrica (R$189.990) e com extensor de autonomia (R$199.990). O segundo modelo será e o C-SUV elétrico B10, por R$172.990, 60 mil a menos que o rival BYD Yuan Plus, e mais recheado de tecnologia, como teto panorâmico, nível 2 de condução semi autônoma, câmera de monitoramento do motorista e airbag central.

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Presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, anunciou os planos para o grupo - Foto: Stellantis / Divulgação

Já a britânica MG Motor, propriedade da chinesa SAIC, investirá em esportividade elétrica, além de custo-benefício. O modelo de maior volume de vendas deve ser o SUV S5, rival de Yaun Plus, e igualmente equipado ao B10. Em seguida, o MG 4 chega para rivalizar com Golf GTI e Corolla GR, com mais de 400 cavalos, tração integral, pacote de ADAS completo, e pela metade do preço dos rivais. Por fim, o Roadster será o chamariz de atenção no estande, com portas de lamborghini e em homenagem à tradição da marca. 

O grupo CAOA também fará a estreia da nova marca que trará ao Brasil a Changan, com a chegada prevista para 2026 com os modelos de super-luxo elétricos Avatr 11 e 12, além do SUV UNI-T, rival do Compass e Corolla Cross. 

O pavilhão do Anhembi contará com pistas de test-drive, áreas dedicadas a modelos clássicos como o McLaren de Senna, e até mesmo uma área do CARDE Museu. No Dream Lounge estarão presentes super carros como Ferrari e Lamborghini, além da Racing Game Zone para os amantes de videogame e simuladores de corrida. 

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Área externa do Anhembi terá pista de slalom, frenagem e test-drive de dezenas de modelos - Foto: Salão do Automóvel / Divulgação

Apesar da ausência de marcas como Chevrolet, Ford, Mercedes, Volvo e Volkswagen, 2520 montadoras estarão presentes, incluindo Chery, Hyundai, Mitsubishi e Renault. O Salão espera receber cerca de 700 mil visitantes e a edição 2027 já está confirmada. Os ingressos custam a partir de R$63 (meia-entrada) nos dias de semana.

Projeto aprovado pelo Congresso libera R$ 22 milhões do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT)
por
Helena Barra
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17/11/2025 - 12h

Por Helena Barra

 

No dia 4 de agosto de 2025, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou o Projeto de Lei 847/2025. O plano, aprovado pelo Congresso brasileiro, regulamenta o uso dos recursos do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), liberando o valor de R$ 22 bilhões para investimentos nas áreas da ciência e tecnologia.  O FNDCT é o principal instrumento de financiamento público da ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Ele apoia pesquisas científicas, a formação de recursos humanos qualificados, a inovação tecnológica nas empresas, a infraestrutura de pesquisa e o desenvolvimento de projetos estratégicos nacionais.

A professora de economia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Norma Cristina Brasil Casseb, explica que fundos como o FNDCT possuem legislação própria. No caso do FNDCT, segundo dados da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), os recursos são provenientes de diversas fontes. A composição deles evidencia o importante papel do Estado tanto no direcionamento de incentivos diretos do orçamento público e do tesouro, quanto na garantia de que parte dos lucros obtidos pelas empresas do setor detentor e gerador de tecnologia retorne para a sociedade e permita que ela se desenvolva de forma mais igualitária.

Nas redes sociais, o presidente Lula, afirmou que a medida visa fortalecer a base industrial brasileira. “Com essa medida, vamos fortalecer a inovação nas seis missões da Nova Indústria Brasil e nas Instituições Científicas e Tecnológicas, levando infraestrutura, redes de pesquisa e oportunidades para todos os territórios do país. Investir em pesquisa e inovação é investir no futuro do Brasil”, comentou na divulgação.  Além disso, o projeto também tem como objetivo estimular o emprego qualificado em pesquisa e desenvolvimento, de maneira a ampliar o número de doutores em empresas, startups, parques tecnológicos e instituições de ensino. 

Para Norma Casseb, em um país como o Brasil, com alta desigualdade social e elevada concentração de renda, a liberação deste recurso é importante, não só para a sociedade, mas como para a economia nacional. “Neste contexto, o investimento em tecnologia e inovação, combinado a uma estratégia voltada para a industrialização do país, tem uma alta capacidade de geração de empregos de qualidade especialmente no setor produtivo, permitindo elevação na renda da população e, por consequência, maior expansão econômica”, informa a doutoranda. 

Segundo a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), representante das instituições financeiras de fomento habilitadas a operar os recursos do fundo, a nova lei marca uma mudança de postura em relação ao uso dos fundos públicos voltados à inovação. Ao garantir previsibilidade e autonomia na aplicação dos recursos, o Brasil se alinha a boas práticas internacionais de apoio à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico. 

Em entrevista à Agência Brasil, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que, apesar de o FNDCT ter sido criado em 1969, o fundo ganhou maior relevância nos governos do presidente Lula, inclusive no atual mandato. De acordo com o governo, nos últimos dois anos, os investimentos em ciência, tecnologia e inovação por meio do FNDCT aumentaram seis vezes. Saíram de R$ 2 bilhões, em 2021, para R$ 12 bilhões, em 2024. A previsão para 2025 é de cerca de R$ 14 bilhões.

A professora também reforça que o investimento em ciência e tecnologia é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de uma nação. Eles permitem adicionar valor agregado aos produtos brasileiros, além de elevar a produtividade e a competitividade da economia nacional, permitindo que sejam cada vez mais competitivos no comércio internacional.  Além disso, investimentos como o FNDCT podem tornar o País mais que um exportador de produtos de maior valor agregado, mas também um exportador de tecnologia para outros países, que muitas das vezes não possuem capacidade financeira ou de infraestrutura para desenvolverem suas próprias tecnologias.


 

 





 

Como que as redes sociais estão prejudicando a saúde mental das pessoas e qual é o limite de uma interação na Internet
por
Maria Luiza Oliveira
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21/09/2021 - 12h

Por Maria Luiza Oliveira

 

No dia 4 de agosto de 2021, o garoto de 16 anos, Lucas Santos, se suicidou após um vídeo publicado na rede social TikTok. O fato acabou rendendo muitos comentários homofóbicos e maldosos. A mãe do garoto, Walkyria Santos, se pronunciou no Instagram afirmando que a Internet está doente. Após o acontecimento, o TikTok emitiu uma nota em sua conta oficial dizendo que lamentavam a tragédia e que a prioridade da empresa era ter um ambiente acolhedor e de bem-estar para todos os usuários. Mas como fazer isso se o uso das redes sociais é pautado como uma das principais causas de transtornos mentais?

A cantora Luisa Sonza, 22 anos, é atacada quase que diariamente por comentários machistas e misóginos em suas plataformas digitais de relacionamentos afirma que sua saúde mental está sendo afetada. Sonza chegou a adiar o lançamento do álbum “Doce 22” devido a isso, informando que se afastaria por um tempo daquele mundo. Em nota, a equipe de Luísa pede “(...) mais uma vez respeito e empatia pelo próximo”. A cantora até mesmo já foi xingada e acusada pelos juízes da Internet pela morte prematura do filho de seu ex marido, Whindersson Nunes.

Facebook, Instagram e outras plataformas são um enorme complexo de conexão, e ao mesmo tempo em que são postadas fotos de animais de estimação, há inúmeras pessoas recebendo “hate” gratuitamente. Os preconceitos ficaram evidentes e alarmantes, pois todos se expressam da forma que quiserem, “o fato de a pessoa não precisar se expor é muito mais fácil falar o que pensa (...) É como se de forma virtual a pessoa se sentisse mais protegida, mais imponente, mais forte, dentro do seu ambiente seguro” - explica a psicóloga Jacqueline Leite.

A influencer digital, Isabela Cantinelli (18) tem mais de 56 mil seguidores no Instagram e relata que já sofreu ataques virtuais. Em um episódio recente, expôs um caso de assédio que sofreu nos storys e recebeu muitos comentários maldosos e denúncias no seu perfil, que agora corre o risco de ter sua conta banida.

Em outro momento, Isabela relata que já teve sua autoestima afetada pelos comentários que recebeu. “Eu postei uma brincadeira em tom de ironia e o tanto de coisa que eu recebi e falaram, as pessoas destilam muito ódio na internet. Isso me marcou muito, porque afetou minha autoestima pelas coisas que eu recebi.”

Foto de Tracy Le Blanc no Pexels
Foto de Tracy Le Blanc no Pexels

Diferente de como muitos pensam, a vida virtual não é um espaço sem regras a serem seguidas, de acordo com a advogada Luiza Sato, atuante na área de proteção de dados, explica que a Internet não é um ambiente sem lei: “(...) isso é um total e absoluto desconhecimento da realidade, pois todas as normas que existem hoje, mesmo antes da internet, vigoram e valem para o ambiente digital.”

Mas diante de casos que acontecem como o da Luisa Sonza, Lucas Santos e tantos outros, é um questionamento comum o motivo pelo qual as plataformas digitais não tomam uma atitude de retirar esse tipo de conteúdo ofensivo do ar. Para isso, é importante compreender como essa relação funciona.

De acordo com o Marco Civil da Internet, os provedores (Instagram, Facebook, Twitter etc.), podem tirar um conteúdo do ar, mas só se tornam obrigados mediante ordem judicial, sendo exceção somente quando há a divulgação de imagens íntimas sexuais. “ (...) os provedores têm milhares de pedidos de retirada de conteúdo e na maior parte das vezes são coisas que não tem fundamento. Um concorrente querendo prejudicar o outro. Então eu acho interessante que haja um juiz que reflita sobre esse assunto.” - afirma Sato.

Além disso, a advogada afirma que caso a plataforma retire um conteúdo sem uma ordem judicial ela pode vir a sofrer uma ação por censura. Por isso, muitas preferem esperar uma decisão judiciária para estarem resguardadas na retirada de um conteúdo.

“A tecnologia não é culpada, é o uso que a gente faz dela. Então o problema sempre chega no ser humano, sempre foi feito mau uso da tecnologia pelos seres humanos” – conclui a advogada. O surgimento das redes sociais facilitou muitos processos, agora é possível mandar mensagens de uma forma mais rápida, diminuir distâncias em um ambiente conectado, compartilhar momentos. Mas o mau uso dela também pode ocasionar diversos transtornos na saúde mental, desde vício à tecnologia até mesmo para quem recebe diversos comentários maldosos.

 

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) demonstra que o uso excessivo desse tipo de realidade virtual está relacionado ao sentimento de se isolar do mundo real, o que contribui para doenças relacionadas à saúde mental, como depressão e ansiedade. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística já mostrou que a população brasileira é a segunda que mais gasta seu tempo na Internet, estando conectada cerca de 9 horas e 29 minutos por dia, sendo 40% do tempo gasto em sites de relacionamento.

A psicóloga explica que na Internet é mais fácil falar suas opiniões e demonstrar os seus “achismos”, independente se isso irá ou não afetar o outro, uma vez que ela sente sua privacidade e identidade protegida por um perfil que muitas vezes não é dela. “O olho a olho não existe, o que torna mais difícil dizer o que se pensa, pois, pessoalmente inúmeras variáveis estão presentes e no virtual não) ” – reforça Leite.

Hoje é comum a prática do cancelamento (quando alguém recebe inúmeros ataques e ameaças por ter tido uma atitude que não agradou a opinião pública) algo que Cantinelli pode vivenciar a qualquer momento uma vez que trabalha e quer crescer ainda mais nesse meio: “É uma coisa ridícula, todo mundo erra, ninguém é perfeito! Eles julgam muito o próximo e não olham para o próprio umbigo.”

A Internet e as redes sociais facilitaram muitos processos, de contato com outras pessoas e de acesso a conteúdos de uma maneira mais rápida, contudo, é um ambiente totalmente tóxico. Pelas pessoas terem um contato maior e esconderem suas identidades, acreditam que podem expor seus preconceitos, disfarçados de opinião, para qualquer um.   

População idosa inova e aproveita o tempo livre proporcionado pela aposentadoria para experimentar e principalmente aprender novas tecnologias digitais. 
por
Dayres Vitoria
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24/09/2021 - 12h

Por Dayres Vitoria

Com os filhos crescidos, os netos na escola e a família eventualmente distante, para muitos idosos o tempo pode parecer não passar. A rotina para alguns considerada monótona, geralmente da casa para o hospital e vice-versa, pode se tornar entediante. Entretanto, uma grande parcela dessa população está desfrutando do tempo livre sobrando para testar e compreender e fazer uso das novas tecnologias digitais. Porém, muitos deles descobriram que não é tão simples quanto imaginavam.

No Estatuto do Idoso, criado pela Lei 10.741 em 1º de outubro de 2003, é previsto no primeiro parágrafo do Art. 21: “os cursos especiais para idosos incluirão conteúdo relativo às técnicas de comunicação, computação e demais avanços tecnológicos, para sua integração à vida moderna”. Contudo, na prática não funciona bem assim. Por haver poucos cursos de inclusão digital para idosos (e os que já circulam normalmente não são muito divulgados) e com a falta de pessoas ou parentes para acompanhá-los durante esse processo de aprendizado, boa parte da população idosa acaba ficando de fora das novidades e facilidades conquistadas na contemporaneidade.  

A era da TV 

A televisão foi uma das primeiras tecnologias eletro-eletrônicas disponíveis.  Inaugurada no Brasil em 1950, ela nunca deixou de ser inovada para que cada vez mais esteja no agrado dos telespectadores. Do “caixote” pesado com apenas imagens em preto e branco para televisores ultrafinos com imagens hipnotizantes (devido a tantas cores) e agora com um áudio com qualidade de cinema, esse é um dos itens tecnológicos mais amado pelos brasileiros sendo apenas 2,8% das casas no País que não possuem uma, segundo pesquisa do IBGE.  

 Seguindo sendo a mídia soberana no "país do futebol", a TV representa um dos maiores marcos da tecnologia digital. Para Cicero Cardoso Vieira, 70 anos, o aparelho foi uma das melhores invenções já criadas pelo homem. Contudo, ele afirma que até hoje não sabe lidar direito com o engenhoso aparelho. Vieira conta que na época de sua juventude poucas casas tinham TVs, somente as famílias com melhores condições financeiras. Por isso, sempre considerou o rádio um equipamento de comunicação mais simples e fácil de usar, principalmente, para quem morava no interior.   

Conforme o tempo passou, a população (se comparado a antes) melhorou financeiramente. Ainda que a maioria não tenha enriquecido, a mudança já foi significativa. Assim, um produto que antes era restrito apenas às classes economicamente mais favorecidas, hoje ocupa um espaço especial nas estantes e paredes dos lares brasileiros. Embora ainda haja uma pequena parcela da população que não tenha, o aparelho já deixou, há algum tempo, de ser símbolo da elite e passou a ser um símbolo da democratização da comunicação brasileira.  

Cardoso completou recentemente seis meses com a sua primeira TV. Ele explica que como sempre ouviu o rádio não enxergava a necessidade de adquirir uma, contudo, isso mudou ao longo do tempo:  “Eu comecei a perceber que muita gente tinha televisão em casa, eu olhava para a casa dos vizinhos e achava bonito então inventei de comprar uma televisão também”, alega Cardoso. 

Questionado se não se arrepende de não ter comprado uma antes Cicero afirma que sim, pois poder assistir aos programas, segundo ele, que gosta - inclusive dos apresentados “ao vivo” - o ajuda a descontrair além de ter se tornado parte de sua rotina. Como um bom brasileiro uma de suas grandes emoções é poder assistir as partidas de futebol do sofá de casa: “Na televisão eu não perco um jogo de futebol, sou muito fã de esporte”, diz o aposentado. 

Internet para os idosos 

Além das TVs, um dos principais meios para os idosos de se informar ou se comunicar com o mundo atualmente é através da Internet. Nos últimos anos, o acesso à rede mundial de computadores pelas pessoas com mais de 60 anos no Brasil avançou significativamente. De acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Offer Wise Pesquisas, o percentual de navegação entre eles cresceu de 68%, em 2018, para 97%, em 2021. 

Ainda segundo a pesquisa, 61% utilizam a web para manter contato com outras pessoas. O WhatsApp é a rede social mais utilizada (92%), seguida do Facebook (85%) e Youtube (77%). Esse é o caso de Anario Soares da Cruz, 74 anos, que só tem notícias de sua família, espalhada pelo Brasil todo, por ter acesso à Internet e utilizar o WhatsApp:  “Quando eu quero saber como é que um parente está eu já passo um “zap” ou se não eu ligo. Eu posso falar com a pessoa na hora, isso já dá uma tranquilidade não ter que esperar para saber”, assegura ele. De acordo com os dados, o smartphone é o principal aparelho de acesso, citado por 84% dos idosos que usam a Internet enquanto 37% usam notebook e 36% computador desktop

Conforme a pesquisa, os aplicativos que os idosos mais usam nos celulares são as redes sociais (72%). O acesso às redes, como Facebook e WhatsApp, ajuda a combater o isolamento social e a se sentirem parte da comunidade, inclusive no meio digital. Para eles, é uma boa maneira de conhecer pessoas, socializar com amigos e familiares e não ficar para trás. Além disso, pesquisas realizadas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte apontam que o uso de celular pode gerar um ganho considerável ao bem-estar do idoso, além de ser um excelente aliado contra a solidão e a depressão por permitir a interação com outros indivíduos.  

Apesar do grande acesso à Internet por parte dos idosos partir do uso de aparelhos como smartphones, eles ainda enfrentam barreiras de acessibilidade desde o uso de aplicativos quanto de equipamentos tecnológicos.  Muitas vezes esses obstáculos derivam de características do próprio equipamento como letras pequenas e idiomas estrangeiros. Para Anario, por exemplo, isso também é um problema, o que inclusive dificulta o seu aprendizado em manusear totalmente tanto o produto eletrônico quanto seus programas: “Até hoje eu tenho dificuldades, principalmente para escrever. O que pra mim foi bom é que eu posso mandar um “zap” (referindo-se à opção de áudio) ou telefonar para alguém. Mas se for pra fazer transferência de uma conta de banco, essas coisas toda eu já não sei mexer ainda, estou tentando aprender. Mas comparado a antes as coisas melhoraram. Antes eu comunicava pelo telefone fixo, o celular facilitou porque você pode carregar ele para qualquer lugar e o telefone fixo não, para mim facilitou por esse motivo”, afirma o aposentado.  

 

Anario Soares da Cruz, 74 anos.

 

Embora alguns estejam contentes com o pouco que sabem e utilizam desses avanços tecnológicos, ainda há aqueles que não confiam totalmente nessas inusitadas formas de tecnologia. Taiuani Marquine Raymundo, terapeuta ocupacional de formação, realizou sua pesquisa de mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP com 100 indivíduos com mais de 65 anos escolhidos ao acaso. Ela analisou o nível de aceitação da tecnologia por parte dos entrevistados e conforme suas pesquisas 24% relataram ter medo de utilizar as novas tecnologias, e 40% relataram ter receio de danificar o aparelho celular. 

O sentimento de medo, para aqueles que responderam ter, cresce principalmente quando usam a Internet.  Além disso, o medo de vírus e das redes sociais também é comum.  Os resultados da pesquisa mostraram que, apesar das dificuldades encontradas, os membros do grupo avaliado relataram que superaram o medo após frequentarem cursos de inclusão digital. Vontade de aprender é o que não os falta.  

Um aspecto de extrema importância e que de certa forma é responsável por essa conexão dos idosos com esse tipo de tecnologia (apesar do misto de sentimentos que eles sentem frente a esse avanço) é a influência da família para que adentrem cada vez mais a esse mundo virtual. Com a correria do dia a dia e por na maior parte do tempo familiares não conseguirem estar 100% presente acompanhando eles pedem para que esses idosos tenham ao menos um celular (na maioria das vezes dado de presente) para se comunicarem. Ter informações dos pais ou avós, sabendo que eles estão em segurança, gera um sentimento de tranquilidade.  

Assim, frente ao que foi visto e entre tantos aspectos que rondam essa relação do idoso com a tecnologia digital, seria um absurdo afirmar que ela não tenha melhorado ou facilitado a vida e formas de convivência desse grupo. Embora essa relação não seja similar para todos, há uma construção, ainda que lenta, para que ela se torne mais acessível. Projetos de inclusão para idosos na nova era, inclusive voltadas para a tecnologia, já existem, porém, como já ressaltado anteriormente, não são muito divulgados e ainda são poucos. 

Se tecnologicamente o vestibular pode ser considerado um acerto, pedagogicamente ainda é algo a ser discutido
por
Daniel Dias
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17/09/2021 - 12h

Por Daniel Dias

 

A tecnologia continua a evoluir a passos que a humanidade ainda se surpreende. Anos atrás os emails substituíram as cartas e após isso aplicativos como o Whatsapp, encontrados nos smartphones, deixaram tudo ainda mais prático.

Por muito tempo saber mexer nesses aplicativos era algo somente para o público adulto ou para pessoas que estudaram sobre o assunto, por conta da complexidade apresentada. Porém, hoje em dia são os jovens que comandam a utilização da tecnologia.

A geração atual praticamente nasce sabendo utilizar um celular ou um computador, sendo agora eles a ensinar os adultos. Tudo se tornou mais prático. Os livros físicos vêm sendo substituídos por digitais, as perguntas que necessariamente teriam que ser feitas para professores podem ser encontradas no Google, entre outras questões.

Por conta dessa evolução, tanto dos jovens quanto da própria tecnologia, o mundo e suas mais diversas áreas tiveram que se modernizar para não se tornar algo retrógrado em relação a esta geração. Recentemente, a área que sofreu com tal alteração foi a educação, as apostilas vem deixando de serem utilizadas e sendo substituídas em escolas que possuem condição, por tablets. Os livros que são indicados para leitura podem ser baixados em celulares, e provas podem ser feitas de modo digital.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) decidiu realizar em 2020, criando o ENEM digital para diminuir o gasto de folhas impressas, facilitar a correção da prova e também a velocidade da liberação dos resultados. Em relação a tecnologia, a ideia é interessante, pois ajuda em diversas questões ambientais e praticidade, no entanto por ser eletrônico ainda pode apresentar problemas como panes elétricas, falta de energia e outras questões.

Entretanto, e pedagogicamente falando? Como isso afeta os estudantes, escolas e cursinhos preparatórios? Tal mudança é realmente uma melhoria para a educação e será que é mesmo algo justo? Todos estarão prontos para realizar a prova digital até 2026 como está previsto?

A coordenadora Yanka Xavier do Cursinho Comunitário A-SOL, em Guarulhos, acredita que no momento a tecnologia possa escancarar a desigualdade social no sentido de auxiliar jovens da periferia a entrarem no ensino superior.

Mulher branca de cabelos pretos um pouco abaixo da linha do ombro . Está usando uma blusa preta, óculos pretos, um brinco de argola na orelha esquerda, e um piercing na região do nariz. Possui uma tatuagem de flor na região do peito, outra no braço direito
Yanka Xavier, coordenadora do cursinho A-Sol (Foto: Revista A-Sol)


Agemt: Como você vê essa mudança de alguns vestibulares, principalmente, do Enem para o digital? 

Yanka Xavier: Como coordenadora do cursinho A-Sol, percebi que, pelo menos nas periferias onde atuamos, não houve antes da implementação das provas digitais, o letramento e treinamento necessário para manter a qualidade na avaliação dos estudantes. Acredito que a tecnologia deve sim servir a melhorias, principalmente na questão do gasto de papel em relação ao meio ambiente, mas ainda assim percebemos que instituições como o INEP, por exemplo, atropelaram essa questão sem o fundamental preparo prévio dos estudantes, o que pode salientar ainda mais a desigualdade no acesso às provas, e não o contrário como impele a proposta. Muitos, por exemplo, mal tem contato com computador em casa e só acessam a rede de internet pelo celular que muitas vezes não tem a mesma qualidade de processamento e ferramentas.


Agemt: Você acredita que pedagogicamente falando, essa mudança facilita ou complica a vida dos estudantes e instituições de ensino a se prepararem para o vestibular? 

Yanka Xavier: Acredito que se houver o investimento no preparo, ou seja, no letramento digital e o investimento em maquinário principalmente com os estudantes que não tem condição alguma de ter um computador em casa, pode ser que comecemos a implementar a ideia de forma que atenda as demandas sem precisar atropelá-las. Como essa ideia foi imposta numa situação precária onde muitos estão mais preocupados em manter empregos e não passar fome do que conseguindo priorizar os estudos, acredito que surge aí o aumento da insegurança e não a melhoria no preparo do estudante para determinada prova. 

 

Cursinho Comunitário Arrastão da Solidariedade (símbolo do A-SOL)

Agemt: Neste momento, o cursinho tem condições de auxiliar os alunos a prestar o Enem digital? Com computadores que já os habituem a tal prova

Yanka Xavier: Como somos um movimento social e militantes voluntários, sem exceção, dependemos muito um do outro para fazer as coisas acontecerem, visto que, na cidade o poder público tão pouco se preocupa com a existência de cursinhos comunitários ou vimos o Estado com essa preocupação com o ensino médio, por exemplo, pelo menos nessa atual gestão. Por outro lado, mesmo sem qualquer apoio, sempre disponibilizamos questionários para saber como anda cada um deles e fazemos levantamentos per capita de quantos de nossos estudantes possuem ou não computador e internet em casa, ou se trabalham, tem o que comer, etc. Assim, podemos buscar soluções no nosso alcance para resolver um problema que não está na nossa alçada, visto que essas obrigações fundamentais teria de vir dos órgãos responsáveis já que o cursinho só existe porque o Estado ainda não tem cumprido seu papel de eficiência nas escolas, por outro lado, vem sucateando e privatizando as instituições de ensino. O resultado disso é menos acessos e menos soluções para problemas estruturais. Basta observar que este ano batemos recorde de baixa nas inscrições para o Enem em qualquer formato.


Agemt: Acredita que esse novo formato seja justo para todos os alunos? Desde os que possuíam uma qualidade financeira melhor até os de periferia?

Yanka Xavier: Acredito que este novo formato sem investimento e resoluções para problemas concretos e estruturais, pode na verdade salientar a desigualdade entre os estudantes no momento da prova com as justificativas que expliquei anteriormente. 

Agemt: Por enquanto esses vestibulares são somente opcionais, porém é estipulado que até 2026 o Enem será somente digital. Até lá, em relação a estrutura, a método de ensino e até mesmo pedagogicamente no geral, vocês já se vêm prontos para tal feito? 

Yanka Xavier: Sobre o corpo docente e a equipe diretiva e pedagógica do A-Sol, temos voluntários especialistas em ciência da computação e contamos com projetos voltados ao letramento digital a partir do ano que vem (2022). Nossa luta agora será conseguir equipamentos para que esse feito seja concretizado. Mas com certeza todo o estudante que entrar no A-Sol poderá contar com a força da nossa militância para que tenha um bom alcance em suas provas e consiga enfim alcançar seus sonhos e uma vida melhor. A gente acredita muito no potencial dos estudantes das periferias, mesmo que seja a classe mais prejudicada com toda a realidade material imposta a elas e a eles.

 

 

 

O HCFMUSP recebeu robôs que ajudam no atendimento, diminuindo o contágio
por
Mário Gandini
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01/10/2021 - 12h

Por Mário Gandini 

No começo da pandemia, no ano de 2020,o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) recebeu robôs que permitiram aos médicos da unidade fazer atendimento aos pacientes com COVID-19, remotamente, usando recursos de telepresença. Os equipamentos foram doados pela empresa de tecnologia Pixeon e estão em cinco áreas do HC sendo usados para visitas virtuais de familiares aos pacientes internados e até mesmo na triagem, tudo isso com a finalidade de manter esse distanciamento social.

A doação reforça a estratégia da Pixeon de oferecer a hospitais e clínicas tecnologias que permitam aos pacientes uma jornada de saúde cada vez mais digital, sem deixar de lado o aspecto humano, tão importante em qualquer tratamento. O uso de robôs na medicina não é nenhuma novidade, principalmente na área da cirurgia. Com a chegada da pandemia muitos avanços foram agilizados e era de se esperar que essas inovações seriam realizadas de forma orgânica, fora desse cenário caótico que estamos vivendo com milhares de mortes decorrentes do Covid-19. Uma das grandes inovações foram os robôs usados no Hospital das Clínicas para realizar a triagem dos pacientes com suspeita de Covid-19

 

Na etapa de triagem, logo quando uma nova pessoa chega no ambulatório, o enfermeiro é quem controla o robô, se mantendo afastado de quem está com suspeita de contaminação. O robô se aproxima e realiza as primeiras perguntas, como, por exemplo, se a pessoa já apresenta problemas respiratórios etc. Em alguns casos, até mesmo os pacientes internados na UTI, quando precisarem de ajuda dos profissionais de saúde, são atendidos via robô. Thiago Maciel, formado em Ciência da Computação e funcionário do Hospital das Clínicas na área de tecnologia explica que durante a pandemia muitas empresas com projetos de utilização de robôs. "Ajudamos principalmente na parte da aplicação do desenvolvimento" como foi o caso da televisita. "O robô vai até o leito, se posiciona da melhor forma e faz a chamada com a família, com o pessoal que está de fora, e então podem usar vários softwares, como o do próprio aparelho ou o zoom, ou o WhatsApp”, afirma.

robôs usados na pandemia no HCFMUSP
Robôs usados na pandemia  no HCFMUSP
crédito: Divulgação O Globo

Maciel conta ainda que a pandemia trouxe necessidade de soluções tecnológicas que estavam em segundo plano. Projetos engavetados e ideias inovadoras tornaram-se prioridade numa sociedade pulsante por inovações. Além da aceleração de projetos antigos, muitos profissionais estão trabalhando para inovações tecnológicas. “Nós ficamos com um protótipo de um carrinho autônomo que não chegou a ser usado com o mesmo volume que o da televisita". Ele planeja integrar esse carrinho em projeto um pouco maior na UTI. "A nossa ideia é que todos os dispositivos de uma UTI se conectem em uma mesma rede e transmitam dados de forma uniforme para nós conseguirmos enxergar tudo sobre o paciente em um mesmo local", planeja. Mais: "hoje em dia não é assim, nós pensamos em um paciente um pouco mais complexo, ele tem um ventilador mecânico ligado a ele, uma bomba de infusão para aplicação de medicação, um monitor multiparamétrico e eventualmente mais um aparelho que ajuda na respiração. Então, você olha o posto de enfermagem tem várias telas, cada uma para você enxergar uma coisa, a ideia é justamente unificar esses dados que alimentarão a inteligência artificial do robô para ele tomar as decisões necessárias”, prevê.

 

 

Com a crise energética de 2021, a energia solar é uma alternativa para minimizar danos econômicos
por
Rafael Monteiro Teixeira
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01/10/2021 - 12h

Por Rafael Monteiro

No final do segundo trimestre de 2021 um antigo alerta, que não era aceso desde 2001, está em evidência. Trata-se de uma nova crise energética, que obriga o País economizar energia mais uma vez. Por conta da crise hídrica, que leva ao problema em relação a energia, a conta de luz aumentou seu valor em 5%, além da aplicação de sucessivos aumentos nas bandeiras tarifárias, fato que tem pesado no orçamento das famílias ao redor do Brasil.

Nesse cenário atual, a saída mais viável seria a adoção de novas maneiras de se conseguir energia. Entre elas os painéis solares ou fotovoltaicos, que devem evoluir bastante, tanto no Brasil quanto em outros países, nos próximos anos. Mas primeiro, o que é energia solar? Se trata de toda a energia proveniente do sol, sendo essa térmica ou luminosa, fornecida em forma de radiação solar. É considerada por estudiosos como uma fonte energética inesgotável e superior a outras fontes de energia renováveis, como por exemplo, eólica, hídrica e geotérmica.

E para se obter essa energia solar é preciso dos painéis solares cujos preços para instalação podem variar bastante, podendo ser de R$ 4mil até R$ 10mil para uso residencial, e o preço apenas do painel pode ser de R$750 até R$900 por unidade.

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Painéis solares (Imagem- Google imagens)

Além do próprio painel, também tem que ser comprado e instalado um inversor, que transforma e habilita a energia acumulada pelos painéis para que se possa utilizar em casa, onde os preços são de R$1.500 à R$40mil. Outro dispositivo importante seria as baterias solares, pois elas armazenam a energia restante, possuindo quatro tipos:  Baterias AGM (para instalações pequenas), Baterias Monobloco e Estacionárias (para instalações de uso contínuo) e as Baterias de Lithium (funcionais, porém com preços elevados).

Também é preciso contar com alguns outros elementos, como uma estrutura de suporte para os painéis, um contador bidirecional, cabeamento, um regulador de carga, e claro, o mais importante uma mão de obra especializada para instalar os aparelhos. Para Gustavo Sá, Engenheiro ambiental, MSc em Engenharia de Energia e professor de Pós-graduação do Senac Jabaquara, a utilização de painéis solares em residências é possível, porém não de imediato:

“Com um payback de aproximadamente 3,5 anos, para um tempo mínimo de geração estimado em 25 anos, tem-se um ganho médio de 21,5 anos sem pagar pela tarifa de energia – TE, cabendo somente o pagamento da tarifa mínima da concessionária, caso a unidade consumidora seja conectada à rede (on grid). O problema, creio eu, é o acesso ao recurso, pois prover um montante médio de R$ 13 mil para adquirir um sistema fotovoltaico e suprir o consumo de uma residência com 4 pessoas, muitas vezes não é fácil. Mesmo assim, observa-se que as pessoas preferem trocar seu veículo por um mais novo com esse recurso, mesmo que obtido em financiamentos (pagando juros não tão suaves), mas têm resistência em adquirir um ativo (isso mesmo, um ativo, gera lucro, já o carro só deprecia) e facilidade para financiar um veículo.”

Ele explica que existem dois tipos de energia solar mais comuns, a solar fotovoltaica (geração de energia elétrica) e solar térmica (aquecedores para água), ambas com contribuições positivas para o setor energético. “Para a geração solar fotovoltaica, cabe ressaltar que a geração pode ser feita em pequena escala (Geração Distribuída – GD: residências, comércios e indústrias, onde a unidade consumidora pode gerar sua própria energia e injetar o excedente na rede local) e grande escala (Geração Centralizada – GC: projetos de geração de energia elétrica de grande porte, voltados ao abastecimento público por leilões públicos de energia ou por venda no mercado livre de energia).” Diz Sá, ressaltando como funciona a energia solar fotovoltaica.

Ele fala também da geração de energia de grande e pequeno porte: “Para a geração de grande porte, existe uma regulação diferenciada, cujos incentivos são inerentes às fontes renováveis, aplicando-se ao atendimento público da oferta de energia ou pelos produtores do mercado livre de energia, o ML”, explica. Mais: “Para a geração de pequeno porte, em GD, que têm sido alvo de muitas discussões e polêmicas, a política energética praticada no país não prevê incentivos diretos, na forma de tarifas prêmio, por exemplo (buscar por feed in tariff). O que existe são convênios do Confaz que reduzem ou zeram alguma carga tributária (a depender da adesão por estados), o que na prática, reduz o preço dos kits de equipamentos”, informa.

É possível afirmar que a política energética atual do País não relaciona incentivos financeiros à importância da GD, que incluí a energia solar fotovoltaica, para o sistema interligado nacional (SIN). “Primeiramente é necessário dizer que a geração de energia solar fotovoltaica requer do sistema local uma capacidade de suporte, pois se todas as unidades consumidoras passarem a injetar energia na rede, certamente haveria a necessidade de uma atualização dessa rede local, entenda-se investimentos em ampliação”, prevê.

painéis solares
painéis solares com uma estrutura de suporte (Imagem- Google imagens)

Nesse contexto, a injeção de energia gerada por fonte fotovoltaica distribuída, dentro dos limites que o sistema suporta na atualidade, certamente é benéfica, pois evita-se que a energia gerada remotamente em usinas de fontes diversas tenha a necessidade de ser transmitida (pelas linhas de transmissão de energia, essenciais para este fim). Mas, ainda no ponto positivo, se por exemplo, uma residência produz exatamente a média de energia que necessita consumir, através de um sistema fotovoltaico de pequeno porte, não necessitando dessa forma injetar excedentes na rede, tem-se um cenário essencialmente positivo, pois supre a necessidade daquela unidade consumidora e ao mesmo tempo não exige da rede local um suporte, justamente por não estar injetando energia e sim consumindo somente o que necessita.” Comenta o engenheiro ambiental, sobre como alguns pontos positivos da energia solar para uso residencial e com ela pode reduzir os impactos da crise energética.

Vai na contramão da sustentabilidade energética-econômica e ambiental, já que a diversificação da matriz energética se constitui no melhor cenário, principalmente quando pensado em termos da "avaliação do ciclo de vida – LCA” sobre a implementação dos painéis. Ele ainda complementa que é preciso ser avaliada a possibilidade de uma matriz cada vez mais limpa, com fontes renováveis em geral, eliminando os combustíveis fósseis. Se durante a noite o sistema solar não gera energia, e então se a necessidade por energia é maior, a única forma seria armazenar durante o dia e distribuir a noite, fato que implicaria em uso de baterias (em grande escala e com proporções físicas gigantescas), tornando nos padrões de mercado de hoje, inviável. É necessário saber que, por exemplo, a utilização do hidrogênio vem se mostrando muito importante no contexto da sustentabilidade ampla, ou seja, econômico-energética e ambiental.

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Painéis solares (Imagem- Google imagens)

 Sá garante que o que se percebe pelo ponto de vista da avaliação de ciclo de vida, é que um sistema de geração fotovoltaica tem tantos problemas quanto os demais, contudo, ao utilizar a energia do sol para conversão em energia elétrica, há diversos pontos de economia, principalmente porque dezenas de milhares de km de linhas de transmissão podem deixar de ser implantadas, conhecido como “do berço ao túmulo” na LCA. Assim, a possibilidade de gerar energia no local onde irá consumi-la é outra característica positiva importante no uso de painéis solares.