Tradicional cinema de rua sofre despejo e movimento de resistência se inicia nas redes sociais
por
Beatriz Foz
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25/05/2026 - 12h

 

Na quinta-feira, 14 de maio, foi cumprida uma medida de reintegração de posse do anexo Espaço Petrobras de Cinema, estabelecida pela Justiça de São Paulo. Caminhões chegaram no local pela manhã e desativaram as salas 4 e 5 do espaço, e o Café Fellini, anexado ao local, congelou suas atividades. Poltronas e equipamentos foram retirados, além de esvaziado o espaço do café.

O Espaço Petrobras de Cinema é um dos cinemas de rua mais antigos da cidade de São Paulo. O anexo funciona em um casarão da década de 1930 e antes de se tornar um espaço de cinema o imóvel abrigava o Instituto Goethe, que foi um local importante na formação de cineastas brasileiros. Eleito um dos melhores cinemas da cidade, conta com cinco salas de exibição que priorizam produções nacionais, cinema de arte e filmes independentes. O cinema era mantido através de um acordo de patrocínio com a Petrobras, via Lei de Incentivo à Cultura, com o objetivo de fortalecer a exibição do cinema brasileiro e internacional na cidade de São Paulo. 

Anexo ao Espaço Petrobras, o Café Fellini era um dos cafés mais tradicionais da cidade e funcionou por mais de 30 anos junto ao cinema. O café ganhou o prêmio de “Melhor Café e Bomboniere dos Cinemas de São Paulo” pelo Guia Folha por oito anos consecutivos. Na última semana o café fechou as portas. 

A luta pela permanência do local começou em 2022, quando o imóvel foi vendido a uma construtora que tinha a intenção de construir um prédio residencial no local. No mesmo ano, a comunidade de cinéfilos que frequentava o anexo organizou um abaixo assinado defendendo a preservação do cinema. Cerca de 50 mil assinaturas foram conquistadas na primeira campanha e o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo) intitulou o terreno como “Zona Especial de Preservação Cultural”, classificando o anexo como um patrimônio afetivo e cultural da cidade. Tal categorização não impede a demolição, mas obriga a incorporadora a manter o uso cultural do espaço mesmo com a reforma. Na prática, a empresa poderá demolir o espaço, desde que ceda duas salas de cinema e um espaço para o Café Fellini após as obras. 

No entanto, tais mobilizações não foram suficientes para proteger o espaço da batalha judicial. Na última semana, a ordem de reintegração de posse pedida pela Rec Vila 15 Empreendimentos Imobiliários foi cumprida. A incorporadora adquiriu o imóvel da Arteplex, responsável pela operação do cinema.

Um novo abaixo assinado foi criado pelo Café Fellini, reiterando o apelo pela permanência do estabelecimento e do anexo do Espaço Petrobras, já tendo conquistado mais de 90 mil assinaturas. Em um comunicado oficial postado nas redes sociais do café (@cinecafefellini), o estabelecimento agradece o engajamento dos clientes na luta pela permanência e declara que “precisamos defender espaços de convivência abertos para a cidade e para as pessoas”. 

O Espaço Petrobras de Cinema também publicou nas redes uma nota oficial à imprensa, destacando que todas as medidas legais cabíveis para buscar a reversão da situação estão sendo adotadas:  

  • “Seguimos comprometidos com a defesa de uma cidade mais equilibrada, culturalmente rica e voltada às pessoas, às suas formas de convivência e às experiências coletivas que também encontram expressão no cinema de rua.”

Letícia Souza, estudante e ávida frequentadora do Espaço Petrobras de Cinema, lamenta o despejo e o interpreta como uma perda da memória coletiva da cidade de São Paulo: “eu fico muito triste porque cada vez mais a gente vai vendo os cinemas de rua falindo e eu acho que eles fazem parte da memória dos cidadãos de São Paulo”. Letícia destaca que os cinemas de rua encontram dificuldades em se manter ativos com a popularização dos cinemas comerciais. “É difícil competir com algumas redes de cinema que ficam em shoppings como Cinemark, Kinoplex, Cinépolis… quando as pessoas pensam em ir ao cinema elas não pensam mais em ir aos cinemas de rua, mas pensam nesses de shoppings”, acrescenta a estudante. 

A hashtag “#anexofica” foi criada nas redes sociais como forma de protesto contra as medidas jurídicas estabelecidas. Diversos posts destacam a importância cultural do espaço e tratam o despejo como uma forma de descaso com a história da cidade. Outros tradicionais cinemas de rua como o CineSala, localizado em Pinheiros, expressaram seu apoio à luta do anexo através da hashtag. 

 

Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala).
Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala). 

As salas 1, 2 e 3 do Espaço Petrobras continuam com a programação usual, porém a direção do espaço ainda tenta a reativação das salas 4 e 5. O café permanece fora de atividade. 

 

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Nova loja de Trading Card Games reúne jogadores e fortalece comunidade geek paulistana
por
Thomas Fernandez
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13/05/2026 - 12h

Prestes a completar um ano de funcionamento, a Akagami se consolidou como uma das novas lojas para praticantes de jogos de cartas colecionáveis (TCG) na região da Avenida Paulista, em São Paulo. A chegada de um espaço acolhedor, aberto e tranquilo aparece em um cenário de oferta limitada de locais dedicados exclusivamente a esse tipo de jogo.

A Akagami surgiu da vontade de quatro amigos, Mayumi Akamine, Natan Lima, Kevin Higutsi e Alexandre Abraão de construir um projeto voltado à sua paixão, os cards games. Inicialmente, a loja seria somente online, mas com a insistência de Kevin e Alexandre, a loja abriu como box na Galeria Imperial localizada na Liberdade. Após o aumento do aluguel na região, a equipe transferiu a loja para rua Antônio Carlos a região próxima à Paulista e, com o novo espaço, passou a atender de uma forma diferente, oferecendo mais estrutura para os clientes e fortalecendo a proposta de comunidade em torno do card game. A experiência dos sócios como clientes e funcionários de outras lojas influenciou a proposta da Akagami, que buscava criar um ambiente diferente dos modelos tradicionais. 

A inauguração de novas lojas TCG’s costuma mobilizar a comunidade nerd, especialmente em São Paulo, onde o mercado reúne diferentes públicos e modalidades de jogos. Além de fatores como estrutura, torneios e localização, a criação de vínculos entre os clientes influencia na recepção desses espaços. A sócia Mayumi Akamine contou uma das histórias mais marcantes que teve na loja; “Dominique, é um adolescente que veio para aprender a jogar Pokémon, ele era muito tímido, não falava com ninguém. Agora, ele está aqui em toda liga semanal. Ele tem amigos na loja, comprimenta todo mundo”.

Entrada da Akagami, com o seu balcão e mesas para jogos.
 Entrada da Akagami, com o seu balcão e mesas para jogos. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Mural de fotos de clientes, funcionários e momentos preciosos da Akagami
 Mural de fotos de clientes, funcionários e momentos preciosos da Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Pasta de cartas para folhear.
Pasta de cartas para folhear. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
 Funcionários da Akagami abrindo pacote de cartas.
Funcionários da Akagami abrindo pacote de cartas. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Partida de Magic: The Gathering entre jogadores.
Partida de Magic: The Gathering entre jogadores. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Jogador pensando em qual carta jogar na partida de Magic: The Gathering na Akagami.
Jogador pensando em qual carta jogar na partida de Magic: The Gathering na Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Parede estilizada com cartas decorando o salão interno da Akagami.
Parede estilizada com cartas decorando o salão interno da Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
 Sorteio de brindes durante torneio de Pokémon na Akagami.
Sorteio de brindes durante torneio de Pokémon na Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT

Mais do que um ponto de venda, a Akagami vem se consolidando como um pilar para a comunidade. Entre partidas, trocas de cartas e conversas que se estendem para além dos jogos, o que se constrói na Akagami não cabe somente nas prateleiras. Em uma região onde antes faltava espaço para jogar, agora sobram histórias.

Avanço dos deepfakes transforma a percepção das imagens nas redes sociais e levanta questionamentos sobre verdade e cultura digital
por
Carolina Nader
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28/04/2026 - 12h

Vídeos capazes de simular discursos e expressões que nunca aconteceram deixaram de ser experimentos tecnológicos para se tornarem uma preocupação crescente no ambiente digital. Produzidos com o uso de Inteligência Artificial (IA), os chamados deepfakes ampliam desafios para a informação pública e acendem alertas sobre a disseminação da desinformação, especialmente em períodos eleitorais.

Mais do que uma inovação técnica, esses materiais circulam em um ambiente digital marcado pela velocidade do compartilhamento e pelo peso das emoções na propagação de informações. Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), publicado em 2018 na revista Science, mostrou que informações falsas podem se espalhar até seis vezes mais rápido do que conteúdos verdadeiros nas redes sociais, ampliando desafios para jornalistas, pesquisadores e usuários diante da desinformação online.

Em períodos eleitorais, essa dinâmica torna-se ainda mais relevante. Ao navegar pelas redes, eleitores são expostos a publicações virais que, antes mesmo de serem verificadas ou desmentidas, alcançam grande circulação e passam a influenciar percepções sobre candidatos e acontecimentos políticos. Houve casos como o da deputada Tabata Amaral, que teve suas imagens adulteradas com montagens pornográficas em 2024.

De acordo com João Henrique Martins, advogado especialista em Direito Digital e mestre em IA pela PUC-SP, o principal desafio está na diferença de ritmo entre tecnologia e instituições. “Há um problema diagnosticado de que o processo legislativo não acompanha a mesma velocidade com que a tecnologia evolui. Enquanto a desinformação circula em um ritmo exponencial, a lógica processual possui ritmo muito menor.”

Segundo o especialista, a expansão dos deepfakes também está ligada à democratização das ferramentas de inteligência artificial. O que antes exigia conhecimento técnico avançado passou a estar acessível a qualquer pessoa capaz de utilizar plataformas digitais, ampliando significativamente o potencial de criação e disseminação de materiais manipulados durante campanhas eleitorais.

Martins destaca ainda que a legislação eleitoral brasileira já prevê responsabilização para casos de desinformação. De acordo com ele, a punição pode atingir tanto quem produz quanto quem compartilha conteúdos sabidamente falsos, já que o foco da lei está no ato de divulgar informações inverídicas capazes de influenciar o eleitorado. Ainda assim, a velocidade da circulação digital impõe dificuldades práticas para a aplicação das normas existentes.

A rapidez das redes sociais também contribui para o impacto dos deepfakes ao se conectar diretamente às emoções humanas. As plataformas digitais são estruturadas para priorizar publicações que geram reação imediata nos indivíduos. Para o psicanalista João Bosco, “a racionalidade exige tempo e o ambiente digital valoriza a velocidade.”

Além disso, o especialista afirma que conteúdos extremos rompem a sensação de normalidade. Para ele, o ser humano não está apto a viver em um ambiente onde imagens podem mentir. Durante a maior parte da evolução humana, “ver” era sinônimo de acreditar, e a confiança na percepção visual foi fundamental para a sobrevivência. Agora, com a possibilidade de manipulação total das imagens, esse princípio é abalado, gerando um conflito psicológico. “Esse desalinhamento pode causar ansiedade, insegurança e até uma sensação constante de dúvida em relação à realidade”, afirma.

As consequências ultrapassam o campo individual e passam a afetar diretamente as relações sociais e a confiança coletiva, especialmente em contextos eleitorais. O relatório do World Economic Forum de 2024 apontou a desinformação impulsionada por IA como um dos principais riscos globais de curto prazo, destacando o potencial impacto sobre processos democráticos. Segundo João Bosco, quando as pessoas passam a duvidar sistematicamente do que veem, ocorre uma “erosão da confiança perceptiva”. Isso pode levar a dois extremos: acreditar em tudo pela emoção ou não acreditar em nada pelo ceticismo excessivo. No longo prazo, o impacto atinge não apenas a informação, mas a própria construção de sentidos sobre o mundo.

Diante do avanço dos deepfakes, plataformas digitais e autoridades eleitorais têm ampliado medidas de identificação, por meio da exigência de rotulagem de conteúdos gerados artificialmente, monitoramento, remoção de conteúdo irregular e multas eleitorais. Especialistas alertam, porém, que o desafio não é apenas tecnológico. A dificuldade em distinguir o que é real pode gerar cansaço informacional e afastamento do debate público - fenômeno associado ao aumento da apatia política.

Em um cenário em que imagens já não garantem automaticamente a verdade, o pensamento crítico passa a ocupar papel central na construção da confiança pública e no funcionamento da democracia.

Evento DARUA fomenta arte e cultura periférica independente em São Paulo
por
Evandro Tortolani
João Pedro Amador Pinheiro
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09/04/2026 - 12h

O amplo cenário artístico independente, também conhecido como “cena underground”, possui segmentos diversos em suas expressões e manifestações, com simbologias e modos únicos de comunicação com o público. Dentre as múltiplas camadas, há os movimentos artísticos periféricos, com identidade própria e linguagem característica. Porém, a falta de infraestrutura, a desigualdade social e questões culturais são adversidades enfrentadas por esses coletivos artísticos, sendo fatores antagônicos à realização de movimentos culturais do público periférico.

O Evento de Arte e Cultura DARUA, realizado no dia 22 de março dentro da casa de shows Porta Maldita, localizado no bairro paulistano de Pinheiros, apresentou diversos modos de expressões artísticas periféricas em um lugar só, com interação de variados segmentos de arte independente, como desenhos à mão, exposições, música e agricultura. Essa forma de ação coletiva em um bairro nobre da cidade de São Paulo evidencia a força dos movimentos artísticos independentes, mesmo com empecilhos logísticos e socioeconômicos.

A organizadora do evento e artista visual Luísa Moretti (22) em entrevista, afirmou: “Mesmo com muitos festivais underground sendo feitos em Pinheiros, vem muita galera da periferia, que faz o bagulho acontecer. O intuito do DARUA é esse, tirar essa visão elitizada da arte. Aqui hoje muita gente tá expondo a arte pela primeira vez. Se não fosse o DARUA demoraria para acontecer. Mesmo sem verba, abrimos a porta para nós mesmos e fizemos acontecer. O Porta é um lugar que abraça diversos eventos, então por que não fazer um evento como esse? ”

Público do Evento de Arte e Cultura DARUA
Jovens prestigiando o evento DARUA. Foto: Reprodução/ Matheus Cerullo/@daruafest

A artista independente, além de estar na linha de frente da organização do evento, expôs suas produções artísticas, chamadas de “Psicodelia Marginal” , com desenhos feitos à mão. “Tornou-se uma forma de expressar o que eu sinto. Levou um tempo para eu poder me comunicar com o público por meio da minha arte, que eu chamo de psicodelia marginal. É muito difícil para mim me expressar com palavras, então uso esses meios diferentes para me expressar” , pontuou a artífice.

A cena artística independente nas periferias, apesar de possuir uma vasta riqueza cultural, é, de certo modo, negligenciada e invisibilizada na sociedade. Luísa apontou que muitos artistas vêm de regiões periféricas e possuem dificuldades de integração em bairros de alto padrão. Diante disso, para democratizar o acesso à cultura, diversos movimentos culturais são realizados em áreas menos abastadas. “A cena underground na quebrada é muito unida, mas pouco reconhecida. Tem muita feira de arte, casa de cultura...tem muito mais evento cultural na quebrada do que em Pinheiros, mas quem é de fora não fica sabendo. Se não tem como vir até Pinheiros, você faz seu Pinheiros, monta sua cena. Se a galera não abre a porta pra gente, a gente arromba. O DARUA veio pra isso. ”

O radialista e pesquisador Victor Hugo Valente (27) também teceu comentários sobre a importância da cena independente para a cultura periférica. “Eu acredito que buscamos hoje razões pra gente existir, e isso piora muito quando você tem um contingente de pessoas negras e periféricas, que são colocadas à marginalidade. Na minha visão, eu vejo a cena como uma cena de pessoas pobres, é uma cena de pessoas à margem. Então, a cena cria um ambiente confortável para as pessoas serem o que elas verdadeiramente querem ser, e serem entendidas como elas querem ser. eu, como um homem branco, me dou o prazer de não saber o que eu sou. Mas o Lengue, baixista do Nigéria Futebol Clube, pode ter rótulos muito piores do que simplesmente não existir. Que é existir como periférico, como possível bandido. Então, é muito importante ver os caras do Nigéria tocando o que eles acham justo, o que eles acham que é arte e serem ovacionados por pares de pessoas que moram em Guarulhos, Osasco; que estão todas ali, concentradas e olhando. ”

Movimentos independentes com foco em produções periféricas, como o DARUA, evidenciam a importância do uso da arte para visibilizar grupos socialmente marginalizados, que possuem poucas oportunidades de acesso à cultura e lazer. Além disso, o contato com essas eventos pode ser uma forma de conexão com a identidade e representatividade de jovens negligenciados pela sociedade, por serem manifestações artísticas criadas por indivíduos que enfrentam questões sociais parecidas. Esse evento é um exemplo de como a arte independente pode resultar no fortalecimento do sentimento comunitário em regiões pouco requisitadas pela sociedade paulistana.

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Eventos variados, exposições, shows e festivais movimentam os espaços culturais da cidade
por
Victória da Silva
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09/04/2026 - 12h

Após as águas de março fecharem o verão e o outono começar no país, o mês de abril chega com uma vasta programação cultural para os paulistas e visitantes da cidade curtirem. Confira aqui algumas atrações interessantes para visitar na capital paulista:

SP-Arte

A SP-Arte é a maior feira de arte e design do Brasil. O encontro promove conversas e lançamentos editoriais. Nesta edição, o evento promete ter uma exposição sobre árvores, abordar o mobiliário moderno, mostrar o retrato da cena atual do design brasileiro, além de prêmios para artistas e designers.

Quando: De 8 a 12 de abril.

Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

Noite das Livrarias

No dia Mundial do Livro, o evento celebra a literatura em várias livrarias espalhadas por São Paulo. A partir das 18h os interessados podem descobrir espaços novos, trocar experiências, fazer oficinas, participar de festas do pijama e ainda, conhecer outros amantes de livros.

Quando: 23 de abril.

Onde: Conferir livrarias participantes no site oficial do evento (https://noitedaslivrarias.com.br/livrarias

Ingressos: Entrada Gratuita.

Cine Minhocão

O festival de cinema ao ar livre no Elevado João Goulart conta com sessões competitivas de 21 curtas-metragens brasileiros e internacionais, com votação do público e premiação.

Quando: De 25 de abril a 3 de maio - Sessões às 18h e 19h.

Onde: Minhocão

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

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As obras refletem a pluralidade de linguagens que marcaram a arte brasileira na primeira metade do século XX. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Exposições:

Anita e os Modernistas

Com curadoria de Renata Rocco, a exposição conta com um acervo de 23 obras de Anita Malfatti. A mostra retrata o Modernismo no Brasil e também reúne obras de outros artistas modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, como Di Cavalcanti, Bruno Giorgi, Paulo Rossi Osir, Ismael Nery, Regina Gomide Graz, Alfredo Volpi e Alberto da Veiga Guignard.

Quando: De 6 de abril até 31 de agosto.

Onde: Palácio dos Bandeirantes.

Ingressos: Entrada Gratuita.

Janis Joplin

A mostra trará mais de 300 itens da lendária cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana Janis Joplin, ícone do rock mundial. Dentre os destaques, estão diversas cartas e bilhetes escritos por Janis, fotos de apresentações, além de peças de roupa e adereços da artista.

Quando: A partir de 16 de abril.

Onde: Museu da Imagem e do Som.

Ingressos: Inteira - R$60,00 e Meia Entrada - R$30,00.

Nova Órbita - Nucle1

O centro integrado de artes de quatro andares e dois subsolos foi pensado para promover uma experiência em cada salão. Com exposições em variados espaços, intervenções e um cinema underground, a “Nova Órbita” propõe não apenas uma visita, mas sim uma imersão.

Quando: Até 28 de maio. Quarta à sexta - 12h às 20h. Sábado e domingo - 10h às 18h.

Onde: Nucleum - Rua Muniz de Souza, 809 - Aclimação.

Ingressos: Entrada gratuita.

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Festival Wine&Jazz encanta com a mistura de música e gastronomia. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Festivais:

Wine & Jazz Sessions

O festival de música ao ar livre reúne jazz, gastronomia e vinho em uma experiência diferenciada. Serão dois dias de shows de Jazz e Soul, área gastronômica com a participação de chefs e seus restaurantes, empório artesanal, além de vinícolas e importadoras de vinho consagradas.

Quando: 11 e 12 de abril. 

Onde: Parque Villa-Lobos.

Ingressos: Entrada gratuita. Para participar do Wine&Jazz nas alturas (na Roda Rico) os preços variam entre R$60,00 e R$120,00.

Gop Tun Festival 2026

O festival acontece em um final de semana inteiro e celebra a cidade de São Paulo unindo artistas da música eletrônica alternativa. Em sua 5ª edição, o público poderá prestigiar a line-up que conta com Jayda G, Optimo (Espacio), Mount Kimbie Dj, Yu Su, Chaos In The Cbd, Moxie, Omoloko, Brenda & Maria Manuela, Sherelle e Aerobica.

Quando: 11 e 12 de abril 

Programação diurna: 13h às 22h30

Programação noturna: 21h30 às 6h em espaço exclusivo.

Onde: Complexo do Pacaembu

Ingressos: Variam entre R$280,00 e R$550,00.

Shows:

Marina Sena - Coisas Naturais

A artista Marina Sena retorna à São Paulo com um novo capítulo da era "Coisas Naturais”, para um show atualizado e repaginado. Entre o setlist da apresentação, está a faixa "Carnaval" que atravessou a estação e se tornou um dos hits mais tocados de fevereiro.

Quando: 17 de abril.

Onde: Espaço Unimed.

Ingressos: A partir de R$130,00.

Jackson Wang - MAGICMAN 2 WORLD TOUR

Jackson Wang, que é integrante do grupo de kpop Got7, retorna para um show em São Paulo e outro show de estreia no Rio de Janeiro, promovendo a turnê “MAGICMAN 2 WORLD TOUR”. Os shows são aguardados pelos fãs que desejam apreciar pessoalmente o alter ego “Magic Man”, criado para expressar a versão mais autêntica do artista.

Quando: 23 de abril.

Onde: Suhai Music Hall.

Ingressos: Variam entre R$470,00 e R$980,00.

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O governador de São Paulo, João Doria, determinou que no início de novembro, a volta às aulas nas redes públicas e particulares do Estado deixaram de ser facultativas. Mas será que isso é mesmo seguro?
por
Giulia Palumbo
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23/11/2021 - 12h

Por Giulia Palumbo

As escolas de São Paulo voltaram a sua rotina depois de 2 anos e meio fechadas devido a quarentena do coronavírus. No entanto, isso pode causar outros inúmeros problemas à população.

Estamos enfrentando uma pandemia causada pela Covid-19, contudo, neste momento, não há grandes surtos da doença,  então pode ser que seja seguro a volta ao ensino presencial. Um estudo publicado em agosto na revista Pediatrics, da American Academy of Pediatrics (Academia Americana de Pediatria) aponta que o retorno das aulas não será prejudicial, pois as crianças não são transmissoras significativas do vírus. Apesar disso, alerta que é necessário continuarmos mantendo as medidas de proteção, como por exemplo: o uso de máscara, distanciamento social e também o uso do álcool em gel.   

Do outro lado da moeda, a história é diferente. Professores e funcionários estão em maior risco quando falamos em contrair a Covid, uma vez que os mesmos estão expostos ao vírus por meio dos transportes públicos e até no contato com os pais.   Com isso, é perceptível que a flexibilização das regras de isolamento, junto com a reabertura das escolas, tem contribuído para a recirculação de outros vírus respiratórios comuns, como o parainfluenza, que causa de resfriados comuns a pneumonias. 

Este cenário traz grandes preocupações à ciência, visto que as crianças ficaram mais de 1 ano sem contrair anticorpos que são adquiridos ao longo da inserção à sociedade, algo que não aconteceu com elas. Para o infectologista pediátrico Luiz Augusto do Val, o aumento dos casos de outras doenças virais já é sentido: “Normalmente, o vírus sincicial respiratório contagia crianças pequenas, abaixo de um ano, que ainda não vão à escola, mas é claro que os irmãos deles e outros familiares podem ir à escola. Então é tudo um efeito, mas o vírus circula todos os anos” - afirma. 

De acordo com o infectologista, quadros graves de doenças respiratórias ou até mesmo da Covid-19 em crianças são raros, sendo somente 1% ou 2% dos infectados. “O número, no geral, acaba sendo muito porque é uma população muito grande afetada. Mas a circulação desses vírus não é nada de anormal. As crianças pegam vírus respiratórios e isso serve para estabelecer a sua imunidade para uma série de outros vírus”, explica.

Dessa forma, nossa grande preocupação é pelas crianças que são possíveis vetores que levam o vírus da covid ou de outras doenças para os pais ou avós, com ou sem comorbidades. Por isso, todo cuidado é pouco e os responsáveis precisam estar monitorando qualquer tipo de sintoma em suas crianças.

Segundo a pneumologista Ana Maria Rodrigues, em tempos normais uma criança com um pouco de resfriado e tosse não seria afastada, diferente do que ocorre agora por medo vírus causador da pandemia. “Sempre houve nas escolas crianças tossindo e com o nariz escorrendo. Tem as que ficam eternamente com o nariz escorrendo, isso é muito da infância”, disse.

Hoje, no Brasil, a vacinação contra a Covid-19 ainda não é obrigatória para os pequenos e medidas a favor da prevenção são alvos constantes de Fake News. Apesar disso, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um documento ressaltando a importância da imunização para os menores de 18 anos com o intuito de prevenir doenças e proteger a comunidade, já que espaços frequentados por este grupo têm maiores chances de transmissões e surtos.

Em agosto deste ano, o Instituto Butantan fez o primeiro pedido para a liberação da vacina para o público juvenil, mas não foi liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a mesma justificou que  havia  limitação de resultados apresentados. Mas em outros países, a realidade está sendo outra, ao menos 10 já estão vacinando menores de 12 anos contra a Covid, sendo alguns deles: Estados Unidos, Chile, China, Argentina e Emirados Árabes Unidos. 

Além da imunização contra o vírus causador da pandemia, há outras vacinas que não estão sendo mais aplicadas com a mesma frequência como antigamente, na maioria das vezes, por escolha dos pais ou responsáveis legais pelas crianças. Esse comportamento traz a possibilidade de doenças já erradicadas voltarem a circular na sociedade. 

Ana ressalta que os casos de meningites também desapareceram durante a pandemia. “As meningites pneumocócica e meningocócica são doenças imunopreveníveis que têm vacina. Durante a pandemia, caiu o nível de vacinação. O grande risco que nós temos é ter novamente essas doenças. Mesmo com uma vacina, não havia uma prevenção de 100%, porque você tem tipos diferentes da doença. Mas com a falta da vacina pode ter um recrudescimento”. 

Com este cenário, é notável a importância da imunização de todos os grupos, pois somente com a vacinação completa é possível acabar com a pandemia. Desse modo, evita-se a proliferação do vírus e a volta à vida presencial e “normal” de uma maneira segura, pela proteção das crianças e de todos da sociedade.  

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A busca incansável pelo corpo perfeito faz com que jovens e adultos adotem dietas restritivas disponíveis em aplicativos para emagrecer
por
Giulia Palumbo
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29/11/2021 - 12h

Por Giulia Palumbo

A corrida pelo corpo perfeito começou. E o prêmio? Muitos elogios nas festas de fim de ano e o “corpo do verão” em dia. Aliás, vale tudo para conseguir a tão sonhada barriga chapada: academia, medicamentos irregulares e aplicativos com dietas prontas. 

A magreza virou sinônimo de saúde e a sociedade adotou como padrão o corpo magro, com as devidas curvas e com porte atlético. No desespero da aceitação, o google passa a ser um grande aliado. Além dele, há inúmeros aplicativos com dietas prontas e milagrosas para a perda de peso. Mas ninguém imagina as consequências que essa ferramenta pode causar, uma maratona que pode gerar vários transtornos, dentre eles: vigorexia, bulimia e anorexia. 

Segundo a nutricionista Nathalie Gimenez, esses aplicativos podem trazer consequências gravíssimas à saúde. “Os aplicativos de emagrecimento levam as pessoas a crerem que é dispensável ser assistido e acompanhado por um profissional. Eles são padronizados para atender o público de modo geral. Mas o processo de emagrecimento é único e deve ser tratado com individualidade. Um dos maiores malefícios é induzir um emagrecimento não saudável, como por exemplo, a sugestão da prática de jejum. Uma conduta muito séria, que só deve ser praticada quando bem indicada e orientada por um profissional de nutrição ou medicina”, afirma. 

Só no Brasil, 10% da população sofre com anorexia, anualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença é caracterizada pela perda de apetite, mas também pode surgir em forma de anorexia nervosa, em que a pessoa recusa a se alimentar mesmo estando com fome. Vale enaltecer que o uso excessivo de dietas restritivas e programadas apresentadas nos aplicativos, podem causar o estagne do peso e o famoso efeito platô. Ou seja, a pessoa acabará com a saúde e não terá o objetivo alcançado. 

Além dos danos prejudiciais à saúde, esses aplicativos afetam a saúde mental. A psicóloga Elizabeth Monteiro afirma que essa tendência causa inúmeros transtornos. “Relações disfuncionais com a comida e auto imagem são bastante comuns mas, infelizmente, acabam sendo banalizadas. Se uma pessoa passa a maior parte do seu dia pensando sobre alimentação e fica angustiada sobre isso, ela precisa buscar ajuda profissional”, enfatiza Elizabeth.

A OMS também ressalta que cerca de 70 milhões de pessoas sofrem com distúrbios alimentares no mundo e a incidência é muito maior entre mulheres; elas representam entre 85% e 90% das vítimas de tais doenças, o que reforça o problema social e sexista da idealização da beleza. 

Para a psicóloga, a relação da comida com a autoimagem é bastante comum na sociedade atual.”Essa relação não pode se tornar banal. Os marcadores de saúde física podem demorar um pouco mais para se fazerem presentes, mas os mais imediatos são fraqueza, desânimo ou falta de energia para desempenhar as tarefas cotidianas", alerta a médica.  Além disso, nos aplicativos há a exposição de inúmeras imagens de corpos sarados que levam ao Transtorno Dismórfico Corporal, que atinge cerca de 2% da população mundial. 

Existem 7 bilhões de pessoas com corpos fora dos padrões de beleza no mundo. É preciso normalizar o corpo livre e real. Hoje em dia, intervenções como filtros no instagram, photoshop e cirurgias plásticas estão se tornando mais importantes do que nossa saúde em si. Dessa forma, o acompanhamento de saúde mental e a autoconfiança, são de extrema importância para uma construção de autoimagem saudável e não dependente do que a sociedade estipulou como certo e bonito. 

De fato, o acompanhamento profissional especializado na área é indispensável. Mas não significa que o uso dos aplicativos para emagrecer precisa ser extinto. “O que precisamos é que haja uma conscientização sobre os riscos que o mau uso desses aplicativos pode trazer e nas doenças que eles podem acabar despertando em nosso corpo”, conclui Nathalie.

 

 

 

 

 

 

 

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Cada vez mais a moda digital vem aparecendo nas passarelas, em novas marcas e coleções
por
Beatriz Loss
Fernanda Fernandes
Julia Rugai
Vanessa Orcioli
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23/11/2021 - 12h

Você já se imaginou comprando uma roupa que nunca vai vestir? E assistindo um desfile sem modelos reais? Parece estranho, mas experiências como essas estão começando a ganhar espaço no mundo da moda. A moda digital vem aparecendo nas passarelas e em novas coleções de algumas marcas. Fazendo com que a inteligência artificial fique literalmente na moda. Mas afinal, quais são os benefícios e impactos dessa nova tendência? 

A inteligência artificial, também conhecida como IA, busca reproduzir a inteligência humana em computadores, e por meio de muitos dados as máquinas conseguem suprir necessidades que o ser humano nem sabia que tinha.

Hoje a IA está muito presente em quase tudo, e se tornou tão comum que o seu uso passa despercebido. Rico Malvar, um dos cientistas-chefe da Microsoft Research afirma que é uma tecnologia essencial, tão importante como a eletricidade. 

Cada vez mais, essa tecnologia está sendo implantada na Indústria e todos os seus setores, trazendo muitas novidades e questionamentos. Ela está na palma da sua mão, dentro da sua casa, nas operações bancárias, na área da saúde. E um dos setores que a IA está sendo aplicada e vem trazendo diferenciais é o da moda. 

Desde o ano passado, a IA vem se unindo à moda de uma forma bem futurista. Nos últimos meses pudemos observar o fenômeno das Fashion Weeks em formato digital em diversas partes do mundo.

A Shanghai Fashion Week foi o primeiro evento de moda a acontecer de forma totalmente digital em março de 2020. O evento tradicionalmente presencial havia sido inicialmente cancelado na China por conta da pandemia do covid-19, porém acabou acontecendo nesse novo formato. A semana aconteceu pela plataforma Tmall, marketplace de e-commerce chinês, contando com os desfiles e live shop, nova técnica de venda online.

No Brasil, surgiu, também no ano passado, o Brazil Immersive Fashion Week, exposição de roupas virtuais e desfiles em realidade aumentada com criações que misturam o “mundo real” com elementos do universo virtual. Uma das grandes atrações da edição 2021 foi a coleção do designer Lucas Leão, que também exibiu presencialmente em um galpão com cenário invisível a olho nu.

Com a popularização da IA e do metaverso, grandes empresas devem investir logo nesse próximo passo. “Quando o Facebook apareceu, era só uma brincadeira criada para falar quem era a mais bonita da faculdade, hoje o Mark Zuckerberg não para de falar nesse assunto. Não dá mais para acreditar que é algo irrelevante. Nessas primeiras edições, ainda estamos na fase de explicar para as pessoas o que são essas novidades”, disse Olívia Merquior, uma das idealizadoras do BRIFW, em entrevista à Veja São Paulo.

Na moda virtual, as roupas não são produzidas em tecidos ou qualquer outro tipo de material, são criadas a partir de softwares 3D, que não só ativam a movimentação dos tecidos, mas também estampa e diversifica modelagens de forma única e exclusiva. As roupas são inseridas digitalmente nas fotos ou vídeos do usuário. 

As tecnologias são as mais diversas e as marcas como The Fabricant, Dress X e The Replicant Fashion são pioneiras e já dispõem de várias peças e looks diários que estão em evidência nas redes sociais.

A marca The Fabricant, especializada em avatares virtuais, foi uma das primeiras da moda virtual, ela permite que o cliente crie seu próprio avatar e disponibiliza as peças digitais para aplicação. Em 2019, vendeu a primeira roupa digital de luxo do mundo, um vestido de pixels, que foi leiloado em Nova York por US $9.500, mais de R $53 mil, na cotação atual. A proposta da marca recém-nascida vai além, e passa pelo metaverso.

No Brasil, essa moda vem sendo aderida e roupas digitais estão começando a cair no gosto do público. A empresa Genyz é a precursora em criações de avatares no Brasil e passou a ser responsável por peças das influencers virtuais, chamadas de Mia Bot e Princess A.I. Essa marca também é a primeira da América Latina a oferecer um serviço de escaneamento corporal digital para fabricação de roupas físicas.

Studio Acci, também é uma marca nacional que faz roupas 3D a partir de desenhos, fotografias e ideias para empresas do setor, que podem usar as peças tanto em propagandas quanto em editoriais.

Com os avanços tecnológicos e rápidas adaptações - ainda mais após enfrentar um cenário pandêmico -  o mundo recebe de bom grado softwares e tecnologias inovadoras que geram mercados de consumidores mais conscientes e preocupados com o meio ambiente. Isto se dá pelo fato de que a utilização de algumas estratégias desenvolvidas pelo ramo da IA são capazes de traçar uma “previsão” de tendências, pois são desenhadas através do comportamento humano. 

Como exemplo, no Brasil, a marca de moda Amaro é conhecida no meio por armazenar dados de seus consumidores através de observações de suas preferências. Uma vez armazenados, os dados geram um algoritmo capacitado para o desenvolvimento de novas produções que se encaixem nas expectativas dos clientes. Desta forma, a produção tem mais chances de ser assertiva e, portanto, não há grande margem para excessos de produções que podem não sair da vitrine e virar resíduos.  

A partir de tudo o que já se conhece sobre a aplicação da IA no dia a dia, entende-se que, no mundo da moda, ela pode ser uma ferramenta útil para além da confecção de ideias e inspirações artísticas. Neste caso, a IA está se tornando uma forte aliada no segmento de estudos do mercado da moda. Isto é, mais uma ferramenta que se soma às análises de comportamento dos consumidores, além de ser uma das apostas para tornar essa indústria mais sustentável pois sabe-se que as produções têxteis são grandes geradoras de resíduos.

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Uma conversa sobre educação e tecnologia
por
Giovanna Crescitelli
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23/11/2021 - 12h

Por Giovanna Crescitelli


O livro" A fábrica da educação: da especialização taylorista à flexibilização toyotista", de Antunes e Augusto Pinto reflete sobre a escola que vigorou ao longo do ‘século do automóvel’. Henry Ford (1863-1947) foi o grande precursor da ‘indústria de massa’ focada na produção em larga escala com o uso de linhas de montagem e padronização técnica. O fundador da empresa Ford, uma das indústrias mais importantes do capitalismo contemporâneo, foi considerado um obstinado pela produtividade do trabalho.  Teorizado por Taylor, o modelo de produção que despreza o conhecimento dos trabalhadores, realizou mudanças na organização do trabalho e influenciou o consumo e circulação dos produtos. 

O objetivo era limitar os conhecimentos, os saberes-fazeres e o poder de barganha dos trabalhadores usando especializações fragmentadas. Nesse modelo de educação, cuja principal função é a formação de força de trabalho para o mercado, o estudante deveria ser preparado para as tarefas segmentadas com um bom grau de disciplina e obediência para atender as demandas de sua linha de produção  sem  questionamentos. A partir do esforço de guerra nos Estado Unidos o  modelo  de treinamento foi propagado internacionalmente carregando uma metodologia de educação industrial dominada pelo caráter utilitário que fornece apenas o treinamento necessário para que o trabalhador atenda às demandas da produção.

O final do século XX foi marcado pela crise do modelo fordista, resultado do limite da absorção dos excedentes de capital, levando a um regime de acumulação flexível e a um processo de formação de trabalhadores para processos de trabalho efêmeros.Nas décadas de 1950 e 1960, a expansão do modelo americano tornava obrigatório o aumento de produtividade no contexto global e a indústria japonesa passava por um processo de recuperação. No Japão a metodologia foi aprimorada pela empresa Toyota que inovou ao adicionar mecanismos, como o princípio de melhoria contínua e a flexibilidade na produção, que redesenharam a estrutura de educação. 

A expansão do toyotismo levou à flexibilização da produção mundial e das relações entre trabalhador e empresa. Isso gerou novos desafios para o sistema educacional. Elementos como polivalência e multifuncionalidade tornaram-se essenciais na educação dos trabalhadores porque, sob o nome de capital humano, o trabalhador passou a ser um meio de produção produzido obrigado a ocupar uma posição de trabalhador ‘empresário’. A pandemia representou uma aceleração na transição para o ambiente digital, sacudindo as relações de trabalho e pressionando a adoção de tecnologias que já eram conhecidas, mas engatinhavam. Até o final de 2019 a plataforma Zoom tinha 10 milhões de usuários ativos por dia, aṕos um ano de pandemia e isolamento social o número ultrapassa 300 milhões - um aumento espantoso de 3000%. 

Em junho de 2020 a Uninove demitiu mais de 300 professores por uma mensagem eletrônica na plataforma usada para ministrar as aulas de forma remota devido a pandemia global do coronavírus. Segundo informações do Sinpro (Sindicato dos Professores de São Paulo) as aulas online reduziram as barreiras físicas dos diferentes campi que a universidade possui e permitiram que um número maior de alunos pudessem acompanhar uma mesma aula. A lógica da demissão obedece a lógica do capital, ou seja, maximiza os lucros enquanto descarta os trabalhadores. 


Sérgio Feldmann de Quadros é doutorando na Faculdade de Educação da Unicamp. Sua área de estudo é a relação de trabalho e seu reflexo na educação. Sobre a situação que aconteceu ano passado ele comenta: “O exemplo das demissões na Uninove é bem representativo”. Para o pesquisador: “questiona-se que tipo de educação é essa em que um professor dá aula para 300 ou 400 alunos.” Ele explica que uma das características do trabalho plataformizado é justamente uma necessidade menor de professores para um mesmo número de alunos. 


Durante a pandemia uma parcela dos trabalhadores conseguiu atuar de dentro de casa. Sérgio coloca que os professores passaram a usar seus próprios recursos para darem aula. “Por um lado se era uma segurança, devido ao risco de contágio, por outro os trabalhadores passaram a assumir parte dos custos da produção. Por exemplo, os equipamentos são pessoais e quem paga as contas de luz etc. é o trabalhador”. Para ele os professores são um forte exemplo disso. 


Nenhuma das mudanças que observamos nos últimos 18 meses é exatamente nova, na verdade muitas das tecnologias usadas amplamente na pandemia já estavam disponíveis. Esses processos foram acelerados pelas condições impostas pelo avanço da COVID-19. Como exemplo, Sérgio fala dos trabalhadores de call center que já usam o modelo de trabalho remoto. Sobre como essas mudanças podem interferir na educação, Sérgio comenta que: “a formação dos trabalhadores demanda que eles se adaptem às novas tecnologias. O mercado demanda que os trabalhadores se adaptem às novas tecnologias. É possível que nas escolas aconteça uma formação voltada para esse trabalho, mas sempre lembrando que o capital necessita de capital de formações diversificadas, tendo em conta a divisão do trabalho uma divisão de formações diversificadas”.  Portanto, sempre terá espaço para que diversos modelos de educação coexistam.


Os autores Antunes e Augusto Pinto defendem uma reflexão sobre uma educação humanista e emancipatória. Para eles, os modelos de produção fordista e  toyotista influenciaram a formação da população mundial transformando-os em mercadoria. Dessa forma, o livro demonstra que a educação, historicamente, se subordina à lógica do capital. O pesquisador concorda com os autores e explica que a formação dos trabalhadores muda conforme o capital se transforma. Sérgio exemplifica que no processo de industrialização a formação dos trabalhadores foi elaborada e gerida pela burguesia industrial. Atualmente, o setor financeiro, com destaque para os bancos, tem liderado a produção de políticas educacionais, com base nos modelos de gestão empresarial do mercado financeiro. Os modelos de educação pensados por essa fração burguesa, além de contribuírem com a reprodução das desigualdades, se caracterizam pela formação de sujeitos submissos e que consentem com a sociedade burguesa neoliberal. 


 

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Professora comenta os efeitos da exposição prolongada a dispositivos eletrônicos no desenvolvimento dos jovens
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Carlos E. Kelm
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21/11/2021 - 12h

Por Carlos Daniel Englert Kelm

No livro “A fábrica de cretinos digitais”, Michel Desmurget descreve que pela primeira vez, filhos têm QI inferior ao dos pais. O neurocirurgião francês se baseia em diversos estudos para criticar os hábitos dos chamados ‘Nativos Digitais’. “Inúmeros especialistas denunciam a influência profundamente negativa dos dispositivos digitais atuais sobre o desenvolvimento”, afirma Desmurget.

A doutora em psicologia pela UFMG e professora, Carla Angeluci explica que os dispositivos digitais oferecem alguns riscos para a juventude, mas que não devemos nos precipitar: “É preciso entender que estamos vivendo um momento novo na história da informação, e diante de um fenômeno tão recente, não dá para concluir com precisão com o que estamos lidando. O que dá para dizer é que os dispositivos eletrônicos têm efeitos no desenvolvimento cerebral de crianças, por que já foram observados diversos fenômenos comportamentais novos ligados às telas”, frisa.

Teste de QI

Angeluci comenta os casos que têm sido observados: “Crianças que foram expostas a telas muito cedo, em alguns casos, confundem a interação física com a interação digital. O contato com telas é tão naturalizado que elas manuseiam objetos físicos como se fossem um celular mesmo, pressionando e passando os dedos nas paginas dos livros e outras superfícies”. No entanto, a psicóloga afirma que quase sempre casos como esses são passageiros: “Durante a infância, a criança passa por diversas fases, o cérebro está em constante mudança e aprendizado. Com o tempo, a criança vai conquistando uma compreensão mental e motora maior do mundo e essas questões geralmente são superadas”, explica.

Michel DesmurgetO ‘Efeito Flynn’, citado por Desmurget em seu livro, diz respeito a um fenômeno observado nas últimas décadas: na população mundial há uma tendência na qual filhos que são submetidos ao mesmo teste de QI que os pais, em média, têm um desempenho melhor. O neurocientista explica que nos últimos anos se observou o efeito contrário. Pela primeira vez os filhos teriam desempenho inferior. Para Desmurget, a principal causa disso seria a exposição exagerada a dispositivos eletrônicos.

Angeluci afirma que o Efeito Flynn não deve ser usado como um índice de risco: “O Efeito Flynn é um fenômeno muito interessante, mas não é uma regra. Eventuais alterações podem acontecer. Mas essa mudança observada pode sim ser um aviso para os pais que são muito liberais com relação à internet e celulares”

Para a psicóloga, não há como negar que exista um risco: “Existe de fato um aumento significativo nos casos de TDAH entre crianças. A gente observa um número grande de crianças imperativas, ansiosas ou com algum problema de aprendizado, e talvez o meio digital tenha um papel nisso, mas não dá para afirmar com certeza”,  avalia.

“Algo que se tem observado, principalmente na área da educação, é que a geração digital tem maior dificuldade com a leitura. Mesmo que sejam muito bem alfabetizadas, muita gente tem dificuldade para se concentrar em textos mais longos. Os jovens estão muito habituados a receber informações pela internet, e o tipo de informação que você encontra em sites como o twitter, instagram, etc, é sempre rápida e fragmentada, diferente de um livro”, comenta a professora. Angeluci também recomenda o livro ‘A geração superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros’, do jornalista Nicholas Carr, para quem deseja se aprofundar.

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