Eventos variados, exposições, shows e festivais movimentam os espaços culturais da cidade
por
Victória da Silva
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09/04/2026 - 12h

Após as águas de março fecharem o verão e o outono começar no país, o mês de abril chega com uma vasta programação cultural para os paulistas e visitantes da cidade curtirem. Confira aqui algumas atrações interessantes para visitar na capital paulista:

SP-Arte

A SP-Arte é a maior feira de arte e design do Brasil. O encontro promove conversas e lançamentos editoriais. Nesta edição, o evento promete ter uma exposição sobre árvores, abordar o mobiliário moderno, mostrar o retrato da cena atual do design brasileiro, além de prêmios para artistas e designers.

Quando: De 8 a 12 de abril.

Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

Noite das Livrarias

No dia Mundial do Livro, o evento celebra a literatura em várias livrarias espalhadas por São Paulo. A partir das 18h os interessados podem descobrir espaços novos, trocar experiências, fazer oficinas, participar de festas do pijama e ainda, conhecer outros amantes de livros.

Quando: 23 de abril.

Onde: Conferir livrarias participantes no site oficial do evento (https://noitedaslivrarias.com.br/livrarias

Ingressos: Entrada Gratuita.

Cine Minhocão

O festival de cinema ao ar livre no Elevado João Goulart conta com sessões competitivas de 21 curtas-metragens brasileiros e internacionais, com votação do público e premiação.

Quando: De 25 de abril a 3 de maio - Sessões às 18h e 19h.

Onde: Minhocão

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

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As obras refletem a pluralidade de linguagens que marcaram a arte brasileira na primeira metade do século XX. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Exposições:

Anita e os Modernistas

Com curadoria de Renata Rocco, a exposição conta com um acervo de 23 obras de Anita Malfatti. A mostra retrata o Modernismo no Brasil e também reúne obras de outros artistas modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, como Di Cavalcanti, Bruno Giorgi, Paulo Rossi Osir, Ismael Nery, Regina Gomide Graz, Alfredo Volpi e Alberto da Veiga Guignard.

Quando: De 6 de abril até 31 de agosto.

Onde: Palácio dos Bandeirantes.

Ingressos: Entrada Gratuita.

Janis Joplin

A mostra trará mais de 300 itens da lendária cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana Janis Joplin, ícone do rock mundial. Dentre os destaques, estão diversas cartas e bilhetes escritos por Janis, fotos de apresentações, além de peças de roupa e adereços da artista.

Quando: A partir de 16 de abril.

Onde: Museu da Imagem e do Som.

Ingressos: Inteira - R$60,00 e Meia Entrada - R$30,00.

Nova Órbita - Nucle1

O centro integrado de artes de quatro andares e dois subsolos foi pensado para promover uma experiência em cada salão. Com exposições em variados espaços, intervenções e um cinema underground, a “Nova Órbita” propõe não apenas uma visita, mas sim uma imersão.

Quando: Até 28 de maio. Quarta à sexta - 12h às 20h. Sábado e domingo - 10h às 18h.

Onde: Nucleum - Rua Muniz de Souza, 809 - Aclimação.

Ingressos: Entrada gratuita.

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Festival Wine&Jazz encanta com a mistura de música e gastronomia. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Festivais:

Wine & Jazz Sessions

O festival de música ao ar livre reúne jazz, gastronomia e vinho em uma experiência diferenciada. Serão dois dias de shows de Jazz e Soul, área gastronômica com a participação de chefs e seus restaurantes, empório artesanal, além de vinícolas e importadoras de vinho consagradas.

Quando: 11 e 12 de abril. 

Onde: Parque Villa-Lobos.

Ingressos: Entrada gratuita. Para participar do Wine&Jazz nas alturas (na Roda Rico) os preços variam entre R$60,00 e R$120,00.

Gop Tun Festival 2026

O festival acontece em um final de semana inteiro e celebra a cidade de São Paulo unindo artistas da música eletrônica alternativa. Em sua 5ª edição, o público poderá prestigiar a line-up que conta com Jayda G, Optimo (Espacio), Mount Kimbie Dj, Yu Su, Chaos In The Cbd, Moxie, Omoloko, Brenda & Maria Manuela, Sherelle e Aerobica.

Quando: 11 e 12 de abril 

Programação diurna: 13h às 22h30

Programação noturna: 21h30 às 6h em espaço exclusivo.

Onde: Complexo do Pacaembu

Ingressos: Variam entre R$280,00 e R$550,00.

Shows:

Marina Sena - Coisas Naturais

A artista Marina Sena retorna à São Paulo com um novo capítulo da era "Coisas Naturais”, para um show atualizado e repaginado. Entre o setlist da apresentação, está a faixa "Carnaval" que atravessou a estação e se tornou um dos hits mais tocados de fevereiro.

Quando: 17 de abril.

Onde: Espaço Unimed.

Ingressos: A partir de R$130,00.

Jackson Wang - MAGICMAN 2 WORLD TOUR

Jackson Wang, que é integrante do grupo de kpop Got7, retorna para um show em São Paulo e outro show de estreia no Rio de Janeiro, promovendo a turnê “MAGICMAN 2 WORLD TOUR”. Os shows são aguardados pelos fãs que desejam apreciar pessoalmente o alter ego “Magic Man”, criado para expressar a versão mais autêntica do artista.

Quando: 23 de abril.

Onde: Suhai Music Hall.

Ingressos: Variam entre R$470,00 e R$980,00.

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Quanto mais mediado por telas se torna o cotidiano, mais o encontro com o real transforma o teatro em uma experiência intensa e necessária
por
Manoella Marinho
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30/03/2026 - 12h

A relação da geração atual com o mundo passa, inevitavelmente, pelas telas. Celulares, redes sociais e plataformas de vídeo moldam não apenas a forma de comunicação, mas também a percepção da realidade. “O teatro é o presente, é o agora, é o sentimento”, afirma Marcello Drummond, diretor do Teatro Oficina, em entrevista à AGEMT. A fala sintetiza uma das principais diferenças entre o teatro e as mídias digitais: enquanto a internet permite o acesso ilimitado e instantâneo a conteúdos, o teatro exige presença, tempo e entrega. Isso torna-se ainda mais evidente quando se observa o impacto físico da cena.

“Quando você vê um ator na tua frente […] é uma coisa viva”, diz Drummond. Ao contrário da imagem mediada por uma tela, o corpo em cena carrega falhas, respiração, improviso, entregam elementos que tornam cada apresentação única. É essa imprevisibilidade que intensifica a experiência do espectador. Ao mesmo tempo, o ambiente digital tem produzido uma mudança significativa nos hábitos culturais. “As pessoas têm pouco contato com o que não é vídeo”, aponta o diretor. A predominância do audiovisual transforma a forma como a arte é consumida, muitas vezes reduzindo a experiência a fragmentos rápidos e descartáveis.

Créditos: Manoella Marinho Teatro Oficina

 

Ainda assim, o impacto da tecnologia não é apenas negativo. “O digital […] está fazendo com que os teatros fiquem mais cheios”, observa Drummond, conversando com AGEMT dentro do espaço do Teatro Oficina. O fenômeno revela um paradoxo: quanto mais imersas no virtual, mais as pessoas parecem buscar experiências concretas. A saturação de estímulos, característica do cotidiano online, gera uma espécie de cansaço que encontra no teatro um espaço de pausa e intensidade.

Esse movimento ajuda a explicar por que o teatro provoca um efeito tão marcante na geração atual. “A gente tem contato com tela […] mas o vivo toca muito”, resume o diretor. O impacto não está apenas no conteúdo da peça, mas na experiência sensorial completa: o silêncio da plateia, a proximidade com os atores, a impossibilidade de pausar ou voltar a cena. Historicamente, o teatro sempre se construiu a partir dessa relação direta. Encenações como “O Rei da Vela”, marco do Teatro Oficina, ou montagens contemporâneas que rompem a divisão entre palco e plateia, evidenciam a potência do encontro ao vivo. Ao eliminar a chamada “quarta parede”, essas obras convidam o espectador a participar ativamente, transformando-o em parte da cena.

Nesse contexto, o teatro também reafirma seu caráter político. “O fato de estar em cena já é um ato político”, diz Drummond. Em um ambiente digital marcado pela circulação massiva de discursos, muitas vezes superficiais ou polarizados, o teatro oferece um espaço de reflexão mais profunda, onde o tempo e a presença permitem a elaboração crítica. Por outro lado, a própria internet carrega contradições. “Tem coisas muito boas […] e coisas muito ruins que se espalharam”, reconhece o diretor. Se por um lado ela democratiza o acesso à informação e à arte, por outro amplia a circulação de desinformação e discursos problemáticos. Nesse cenário, o teatro se destaca como um espaço de construção coletiva e diálogo direto. A diferença fundamental está na experiência. Enquanto o digital tende à repetição e à reprodução infinita, o teatro se ancora no instante. Cada sessão é única, irrepetível. É nesse sentido que o impacto se intensifica: o espectador não apenas assiste no automático mas vivencia, estimulando análise crítica e sensação.

Em um mundo em que o contato com o real se torna cada vez mais mediado, o teatro reafirma a importância do corpo, do encontro e da presença. Mais do que sobreviver à era digital, ele parece ganhar novo sentido dentro dela. Um espaço onde o humano, finalmente, deixa de ser apenas imagem e volta a ser experiência.

 

Um em cada dez brasileiros conversam com chatbots como forma de tratamento para questões psicológicas
por
Joana Prando
Gabriel Giannini
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30/03/2026 - 12h

 

No Brasil, uma em cada dez pessoas utilizam da Inteligência Artificial (IA) para fazer terapia, segundo a revista Superinteressante. Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais assustadora. De acordo com uma matéria publicada pela jornalista Tamires Vitorio, pela revista Exame no dia 8 de agosto de 2025, aproximadamente 19% dos americanos, cerca de 49,2 milhões de adultos, utilizam ferramentas baseadas em IA como forma de terapia. O uso de inteligência artificial em conversas sobre sentimentos, ansiedade e solidão cresceu de forma exponencial nos últimos anos. A questão que fica é se a IA realmente é capaz de desvendar o sentimento humano. A psicóloga Bruna Santin Kalil, formada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduanda pela UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), nos ajuda  a entender os riscos dessa prática. 

Em entrevista à AGEMT, Kalil ressalta que “o uso das tecnologias é um caminho sem volta, principalmente desde a experiência coletiva da pandemia[...]. Eu acho que assim como outros avanços tecnológicos, eles não são em si bons ou ruins, tudo depende do modo como a gente faz uso deles. Uma prática estruturada, um guia, isso pode ser reforçador para a pessoa implementar de fato no dia a dia o que se é proposto pela terapeuta.”  

O Conselho Federal de Psicologia tem feito longas pesquisas sobre a IA, tendo publicado uma cartilha chamada "Chatbots, Inteligência Artificial e sua saúde mental", que nos ajuda a entender para quem essas ferramentas podem (ou não) ser úteis. De acordo com o artigo, os chatbots são comprovadamente inadequados e potencialmente perigosos, especificamente para pessoas que estão passando por crises e pensamentos de atentado contra a própria vida, por exemplo. Além de pessoas que sofrem de esquizofrenia, transtorno bipolar e entre tantos outros. O uso de tais ferramentas digitais para fins de diagnósticos psicológicos e de avaliação psicológica, pode gerar uma fragilidade e até agravamentos em determinados quadros de saúde, o que acaba adiando ou até impedindo a busca por tratamentos verdadeiramente adequados. 

créditos: imagem gerada por IA. Pessoa fazendo uso da terapia com IA

 

 

 

Uma das principais razões de tantos jovens recorrem ao uso da IA como forma de terapia se dá porque essas plataformas são gratuitas e dão repostas rápidas, normalmente aquelas "respostas que gostamos de ouvir" ao invés do que realmente necessitamos. 

Kalil nos ajuda a entender este avanço da IA como terapeuta: "é preciso no processo terapêutico também se trabalhar os limites, também preparar as pessoas para irem desenvolvendo essa autorregulação, essa autonomia" E acrescenta: "não podemos reforçar esse lugar de uma resposta que tem que ser imediata, que não se tenha a sustentação do silêncio, a elaboração, a integração dos insights", explica Kalil.

Uma pesquisa realizada pelo fantástico (G1), publicado em setembro de 2025, aborda os maiores riscos da prática desse tipo de tratamento e da falta de programação específica: Alessandra Santos de Almeida, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), afirma categoricamente que não existe evidência científica de psicoterapia realizada por IA, pois essas ferramentas não foram programadas para esse fim terapêutico. Os principais exemplos dos riscos dessas práticas são a incapacidade de diagnóstico. Diferente de um profissional humano, a IA não possui formação clínica, não consegue realizar diagnósticos precisos, não tem preparo para lidar com crises graves ou ideações suicidas.

Um dos principais riscos é a quebra de sigilo: no consultório, o sigilo é um dever ético legal. Na IA, os dados íntimos são armazenados pelas empresas desenvolvedoras e podem ser usados para outros fins, expondo a privacidade do usuário. Ainda sobre o estudo publicado pelo G1, a repórter Renata Ceribelli testou uma ferramenta de IA sob a supervisão do psicanalista e professor da USP, Christian Dunker. A IA demonstrou uma "empatia simulada" e ofereceu conselhos que geraram uma sensação de acolhimento. No entanto, Dunker alerta que essa sensação é enganosa, pois o robô apenas formula respostas automáticas que imitam a interação humana. 

O uso dos chatbots como forma de terapia, se usado da maneira correta e com o auxílio de um profissional pode sim servir como forma de ajuda para tratamentos psicológicos, mas jamais substituíram o "olho no olho", que só a interação humana é capaz de nos proporcionar. Existem diversos meios de conseguir ajuda para questões de saúde mental, o CVV (Centro de Valorização da Vida), oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita, 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelo telefone ou chat discando 188, entre tantos outros existentes. Que a tecnologia nos forneça o auxílio para chegar mais longe, mas que nunca nos faça esquecer que a troca humana é o único remédio insubstituível.  

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Lei que proíbe uso de celulares entrou em vigor em janeiro de 2025, mas o uso iletrado de inteligência artificial expõe brechas na infraestrutura das escolas
por
Sophia Aquino
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30/03/2026 - 12h

Há um ano, a proibição do uso de celulares nas escolas brasileiras entrou em vigor. A lei número 15.100/2025, gerou reações diversas de professores e alunos tanto favoráveis quanto contrárias. De um lado, quem defende que o aparelho era uma fonte constante de distração; do outro, quem questiona se banir o celular resolve de fato os problemas de aprendizado. Porém, a lei abre exceção para o uso pedagógico, o que leva a uma outra discussão em relação ao uso da Inteligência Artificial nas escolas.  

Em entrevista à AGEMT,  o estrategista britânico em digital learning, Matt Lovegrove,  discute que “as escolas precisam investir em inteligência artificial (IA). Se eles querem ajudar os alunos a terem o máximo de educação e investir em letramento de Inteligência Artificial, a melhor coisa é fornecer dispositivos one to one (modelo em que cada aluno tem acesso ao próprio  laptop ou tablet)", explica Matt. 

Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal
Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal 

Matt reconhece que nem todas as escolas têm condições de bancar isso. Para esses casos, ele sugere dispositivos compartilhados — e só em último recurso, o uso controlado do celular, restrito a momentos específicos da aula. "Se as escolas forem fazer isso, tem que ser muito cuidadosamente controlado", afirma. Para ele, o celular não deve vazar para os momentos sociais: recreio, almoço, intervalos. A sociabilidade cara a cara, diz ele, é parte essencial do que a escola oferece. No Reino Unido, onde atua, políticas de restrição de celulares coexistem com forte investimento em infraestrutura tecnológica escolar, permitindo que a proibição de dispositivos pessoais não signifique exclusão digital.

No Brasil, a realidade é diferente. Pesquisa do CETIC.br revela que 60% dos estudantes brasileiros já usam inteligência artificial fora da escola, principalmente para realizar tarefas e responder dúvidas. Dentro das escolas, porém, o cenário é de desigualdade: apenas 30,4% das instituições públicas tinham conexão de internet adequada em 2025, contra 54,3% das privadas. Enquanto estudantes de escolas particulares tem mais chances de ter acesso orientado à tecnologia, grande parte dos alunos da rede pública aprende a usar essas ferramentas sozinho, sem mediação de professores e sem nenhum critério pedagógico. 

Guilherme Cintra, diretor de Inovação e Tecnologia da Fundação Lemann, é uma das vozes mais ativas nesse debate. Para ele, o ponto de partida já ficou para trás. "A discussão já não é mais sobre aceitar ou não o uso dessas tecnologias, mas definir limites éticos e seguros para essa implementação", afirmou em artigo publicado pela Fundação Lemann. Cintra também explica o papel dos professores nesse processo de aprendizagem com a I.A em que destaca a capacidade de profissionais de criar uma troca entre os alunos.

"A nossa capacidade de criar e manter relações verdadeiras será o que nos distinguirá das máquinas" diz também Cintra em entrevista a CNN Brasil e acrescenta "Não podemos esperar que os professores assumam sozinhos a responsabilidade de toda essa mudança".

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Claudia Oliveira relatou formas de lidar com esse medo da tecnologia de substituição
por
Anna Sofia Carsughi
Olivia Ferreira
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30/03/2026 - 12h

“A transformação é inevitável: algumas funções mais operacionais tendem a ser reduzidas, mas, ao mesmo tempo, surgem novas carreiras, mais estratégicas e analíticas". Em entrevista à AGEMT, Claudia Oliveira, que trabalha na eCOMEX,  contou, na última semana (24), os desafios ligados ao uso crescente da IA no âmbito do trabalho. A profissional, que está inserida em uma empresa de tecnologia para o comércio exterior, traz diariamente soluções inovadoras para gestão, automação e compliance- e busca, em sua logística, uma maneira de se adaptar às mudanças dessa nova tecnologia empresarialUm estudo feito pela Harvard Business Review em 2023, revelou que inteligências artificiais não substituem nenhum humano, mas os humanos com IA substituirão os humanos sem IA.

Esse artigo expõe que quanto mais as pessoas esperam que as empresas ofereçam experiências perfeitas desenvolvidas por IA, mais os líderes precisarão adotar essas tecnologias em seus negócios. Essas tecnologias cada vez mais estarão presentes no cotidiano de todos os seres humanos e  existirá também uma remodelação dos setores, processos, eficiências e diminuição dos erros humanos. Isso porque quem as adota tem a expectativa de impulsionar cada vez mais a produtividade e a inovação, transformando a dinâmica do mercado de trabalho. 

 

União humanos e IA
Reprodução/ Fia Inteligência Artificial 

 

A substituição dos empregos à medida que as inteligências assumem as tarefas repetitivas é algo discutido pelas grandes empresas, em que certamente existirá mudanças internas que exigirão adaptação das mudanças tecnológicas. A IA está presente não para substituir completamente a capacidade humana, mas sim para completá-la trazendo mais oportunidades de desenvolvimento profissional. "Isso não se trata de eliminação pura e simples, mas de uma migração de competências. O profissional que se adaptar terá oportunidades ainda maiores”, afirmou Claudia.

O crescimento no Brasil

A inserção da tecnologia no mercado de trabalho é um tema que cresce diariamente e não deve ser negligenciado. Discutir o caráter ambivalente das IAS permite uma forma de compreender os seus impactos no cotidiano e as possíveis maneiras para amenizar os seus prejuízos. Se por um lado essa novidade traz uma maior automatização do trabalho, com respostas eficientes às perguntas, por outro lado, substitui grande parte da mão de obra física empresarial. O que entra em discussão é um dilema entre facilidade x temor dentro do mercado de trabalho. 

 

Brasil e o uso da IA
Reprodução/ Lets Go Bahia

O crescimento exponencial das recentes tecnologias vêm surgindo com o desembarque dessa geração tecnológica que se preocupa com resultados rápidos e diversos, na qual as IAs generativas entregam isso de forma acessível e fácil. Para Cláudia, “o interesse das empresas brasileiras por Inteligência Artificial cresce porque ela proporciona ganhos reais de eficiência, escalabilidade e competitividade”.

Essa facilidade dentro do mercado de trabalho pode trazer benefícios como a praticidade e maior produtividade, mas também riscos, como a demissão de trabalhadores devido à automatização de serviços. Apesar disso, ela acredita que o Brasil deva investir em inteligências degenerativas, já que a adoção de tais já é uma realidade presente em grandes potências econômicas globais, tais quais China e Estados Unidos. "Ignorar esse movimento pode significar perda de espaço no mercado global”, relatou ela.

As novas tecnologias substituem determinados tipos de trabalhos, mas indivíduos e empresas que souberem utilizar a IA para ampliar a produtividade e diversificar os serviços ofertados certamente terão vantagens competitivas. Para que esse processo seja levado durante as novas gerações, é necessário que o sistema educacional se adapte para essa nova realidade formando e preparando profissionais qualificados. Para a profissional, não é possível frear o avanço da tecnologia, que cresce diariamente. A fórmula correta seria a da substituição, isso é, o profissional deve usar a seu favor a tecnologia, a partir de uma mudança de postura dentro do trabalho. 

“Funções repetitivas e de baixo valor tendem a perder espaço no mercado de trabalho, mas profissionais que souberem integrar a tecnologia ao seu dia a dia terão grande vantagem competitiva. O ponto central não é temer a IA, mas aprender a utilizá-la como ferramenta para ampliação de capacidades humanas”, diz ela.

Dessa forma, o jeito é aprender a lidar com essa tecnologia, ao desenvolver conhecimentos a seu respeito. Para Cláudia, a melhor forma é investir continuamente em atualização. “Quanto maior o domínio sobre a tecnologia, maior o potencial de utilizá-la como diferencial competitivo. Preparação, curiosidade e adaptação serão determinantes para aproveitar plenamente essa fase de transformação”, falou ela. 

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A instituição expõe obras já conhecidas, preterindo as novas técnicas artísticas, porém dando destaque para o momento político atual
por
Rafaela Reis Serra
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21/11/2021 - 12h
Bienal
Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, onde acontece a 34ª Bienal. Foto: Rafaela Reis Serra

 

Por Rafaela Reis Serra

A 34ª Bienal Internacional de São Paulo conta com mais de 1100 obras de 91 artistas de todos os continentes, ao mesmo tempo em que, as tecnologias atuais mais inovadoras não foram utilizadas para compor a exposição, fazendo o uso de maior parte de quadros, esculturas e projeções audiovisuais, objetos frequentes há muito tempo no cenário cultural. Entretanto, seu objetivo foi focar no presente momento político em que o País vive, mostrando que a arte sobrevive frente ao sucateamento da cultura promovido pelo Governo Federal.

A arte geralmente é o retrato do momento atual e, concomitantemente, a face vanguardista do futuro. A edição da Bienal deste ano, conta com muitos quadros de artistas já consolidados no mundo artístico; outros mais recentes, como a artista Grace Passô e é a primeira edição com maior representatividade indígena, como Jaider Esbell (1979-2021). Porém, sem tecnologias atuais como realidade virtual, realidade aumentada ou NTFs, muito presentes na esfera pública no momento vigente.

“Na trajetória da arte contemporânea, o tipo de experiência que sai para além do olhar, é uma coisa que vem se tornando cada vez mais comum, por exemplo, a Lygia Clark. É algo que vem para ficar no sentido de que houve uma espécie de esgotamento da visão, e os artistas estão procurando trabalhar com outros sentidos”, diz o curador e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Marcus Vinicius Fainer Bastos, sobre a arte contemporânea.

O título “Faz Escuro, mas eu canto”, em alusão aos tempos de repressão no Brasil (1964-1985) e, por conseguinte sua resistência, conta com obras como de Hélio Oiticica (1937-1980), Lasar Segall (1889-1957) e Antonio Dias (1944-2018). Segundo o curador Jacopo Crivelli Visconti, em entrevista à PUC, o título ressoa muito nítido no momento em que se está e, mais ainda, por tudo que se vive nos últimos meses com a pandemia, se comparado a ocasião em que se estava quando escolheram o tema. “Ao falar de escuridão, essa metáfora que o poeta coloca, estamos pensando mais numa situação política e social, questão que são parte da história do Brasil desde a colonização. Veio a pandemia e agravou de maneira muito evidente todas essas questões e o título se tornou ainda mais forte.”

Visconti esclarece que no título, baseado no poema do autor Thiago de Mello (1926), claramente está se vivendo um momento extremamente tenso e problemático de inúmeros pontos de vista, mas que apesar das circunstâncias, defende a necessidade e o desejo de cantar. “Para gente era o contraponto essencial, porque queríamos fazer uma Bienal que fosse nitidamente em resposta a tudo que vemos ao redor, mas que também conseguisse ter a coragem de não se limitar àquilo.”

A curadora Stephanie Guarido afirma que existem bastantes obras atuais que poderiam ter sido utilizadas em alusão à resistência e ao momento político atual, como as que estão presentes na exposição: as de Jaider Esbell, Daiara Tukano e Paulo Nazareth. “Porém, é sempre necessário relembrar a obra de artistas como Antonio Dias, este que faleceu recentemente e teve grande parte de sua produção interpelada pela ditadura militar e seus efeitos. Olhar o presente também é relembrar o passado, que nunca pode ser esquecido.

Guarido defende que a grande estrela são as questões políticas e principalmente indigenistas, logo, não crê que a virtualidade esteja presente na mostra. “As tecnologias são importantes, mas as ideias por trás das obras devem ser o maior fator para seleção.

 

A questão tecnológica

Para não falar que não há inovações da época presente, a Bienal apresenta uma experiência imersiva no andar térreo, logo em sua entrada, onde o expectador utiliza fones de ouvido, sendo sons da natureza ao fundo e a orientação de uma voz feminina - muito parecida com as vozes robóticas de aplicativos como Google Tradutor ou Google Mapas - com comandos como: “ande sem alguém por perto”, “coloque as mãos para trás” entre outros, permitindo que o público tenha um experimento singular.

Marcus Bastos afirma que a ausência de quadros em certas exposições é devido a um período da arte contemporânea que os artistas pararam de fazê-los, mas que a relação com eles é inesgotável: “a pintura, escultura, todos os formatos mais clássicos da arte são inesgotáveis, as pessoas sempre vão ter experiências muitos ricas em relação a essas mídias. A arte contemporânea deixou de fazer pinturas com tanta freqüência e tudo tem que ser adequado ao contexto.”

 

O que é a Bienal

A Bienal surgiu a partir de obras trazidas por Francisco Matarazzo, o “Ciccillo”, em 1951, ao Brasil, promovendo em São Paulo a reunião de variadas obras de diferentes artistas mundiais. Foi baseada na Bienal de Veneza, criada em 1895. Há 70 anos, a segunda bienal mais antiga do mundo acontece em São Paulo e seu nome é devido ao fato da exibição acontecer a cada dois anos. Este evento foi responsável por inserir a cidade paulistana no circuito mundial da arte contemporânea.

Segundo Agnaldo Farias, curador da 29ª Bienal de São Paulo, “A Bienal é o lugar do não cotidiano, é o lugar da invenção, é o lugar da liberdade. Mostra o que está acontecendo agora, o quê é mais radical, o quê é mais transgressivo, o mais ousado, porque o resto, os museus não contam”, além de manifestar o futuro da expressão e o “amanhã” da arte.

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Com o crescimento da estratégia de marketing, a tecnologia se mostra, mais uma vez, a maneira mais eficaz de se adequar aos novos parâmetros dos consumidores.
por
Ana Luiza Pêgo
Anna Beatriz da Matta
Giovana Yamaki
Sofia Luppi
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01/12/2021 - 12h

 

Empresas investem em atendimento virtual por meio de avatares
Empresas investem em atendimento virtual por meio de avatares. | Montagem

 

As assistentes virtuais são, definitivamente, uma sensação do marketing digital. Com a função de humanizar a relação entre cliente e marca, as personagens trazem informações, oferecem soluções e tiram dúvidas. Todavia, nem tudo que envolve essa tendência é positivo. O fato da maioria das assistentes serem mulheres abriu margem para um grande número de assédios, tanto morais quanto sexuais. Desse modo, a comunicação entre o consumidor e a empresa se torna mais ágil e eficiente, porém essa facilidade pode ser problemática também.

Na realidade, a ideia é criar um avatar que carregue os valores da empresa e que através dele, as pessoas se identifiquem com os produtos e se tornem potenciais clientes. Além disso, as assistentes podem servir como cartão de visitas de uma determinada marca e/ou podem atuar como influenciadoras digitais. O propósito é ter a imagem de como a marca seria se fosse um indivíduo, o que potencializa o reconhecimento da marca, já que o “rosto” da personagem estará sempre atrelado a alguma ação da empresa.

Em suma, é preciso que a personalidade do personagem agrade o público alvo. Atualmente, vender apenas produtos já não é mais suficiente, é preciso vender valores e para isso, é preciso uma figura humana, nem que ela seja apenas virtual.

Em decorrência da adesão popular desses personagens, as empresas estão, cada vez mais, investindo nesse suporte on-line. Na atualidade, há uma variedade delas, como a Bia, do Bradesco; CB, das Casas Bahia; Sam, da Samsung; Nat, da Natura e a Lu, da Magazine Luiza. 

Conforme informam os dados do Magazine Luiza, a estratégia tem dado certo. Afinal, analisaram que 60% dos indivíduos que entram em contato com a assistente não precisam dialogar posteriormente com o SAC.

Sob essa perspectiva, nota-se um crescimento e alcance significativos das assistentes virtuais. No ano passado, a Ilumeo, empresa de ciência de dados, fez uma pesquisa que contabilizou o aumento de 47% na utilização de serviços com assistentes virtuais por voz.

A Lu registrou 8,5 milhões de interações no primeiro semestre de 2020. Além disso, sua inteligência artificial evoluiu. Agora, conta com a plataforma IBM Watson Assistant, que possui uma variedade de programações capazes de executar diferentes serviços e passou por atualizações para englobar informações a respeito do rastreio de pedidos e curiosidades sobre ela mesma.

Outra robô influenciadora que teve a adesão do público no ciberespaço é a Mara, da Amaro. Contando com mais de seis mil seguidores no Twitter, ela compartilha, na rede social, informações sobre a marca e até mesmo utiliza memes e comenta sobre notícias que viralizam na internet.

Desde que as sessões de fotos presenciais com equipes foram suspensas, devido à pandemia da Covid, a fashiontech começou a buscar alternativas para produzir conteúdos remotamente. “A modelo virtual foi projetada para atender às demandas da equipe de marketing e produtos para a criação das campanhas e lookbook em tempos de isolamento social”, explica Luciana Cardoso, diretora de criação da Amaro, para a Harper’s Bazaar Brasil.

Tendo como intuito ajudar a empresa em diferentes atividades, a personagem Mara foi criada através de uma técnica mista que contou com o trabalho de diversos profissionais, como fotógrafos, modelos, designers e programadores.

A Amaro criou um perfil mais humanizado para a Mara, atribuindo data de aniversário, preferências e gostos. Inclusive, no site da marca é exposto que seu visual é baseado em dados e sua personalidade em seu mapa astral.

Uma outra estratégia com finalidade de gerar conexão com o público foi uma ação da marca de incentivo à autoestima. Através de uma enquete no Instagram da Amaro, a modelo virtual apresentou alternativas para mudar de visual. Cerca de 75% dos participantes optaram pela transição capilar da assistente. No decorrer do movimento, ela relatou nas redes como estava sendo o processo de deixar as químicas e aceitar sua nova versão.

Entretanto, precisamos ressaltar que o assédio virtual também é uma realidade. Um estudo chamado “I’d Blush If I Could” (“Eu ficaria corado se pudesse”), divulgado pela Unesco em 2019, revelou que ao serem assediadas verbalmente, as assistentes virtuais são passivas.

O fato dessa tecnologia ser interligada à figura feminina, acarreta muitas vezes que ela seja submetida à misoginia, tal como as mulheres reais. E, dependendo da área do negócio, a imagem feminina pode não ser vista como ideal, principalmente, em assuntos de cunho masculino. Empresas de finanças e investimentos usam vozes masculinas, pois o público dá mais credibilidade.

“Quando se pensa que o mundo da tecnologia tem um público majoritariamente masculino, branco, heterossexual, e muitas vezes, de uma classe econômica com um certo poderio econômico, essas questões estruturais para a sociedade não são tão relevantes para essas pessoas que estão construindo o chatbot.”, disse Livy Real, doutora em Linguística pela Universidade Federal do Paraná, ao Jornal da USP.

Em 2020, o Bradesco registrou 95 mil mensagens ofensivas para a Bia. Em campanhas publicitárias, o banco se posicionou contra o assédio que sua assistente recebeu, comunicando que ela não tolera mais esse tipo de ataque.

Valéria Vieira, fundadora da Startup Langue, apontou para o Jornal da USP que, ao utilizar uma voz feminina, as assistentes são associadas a um imaginário machista, que liga a mulher ao cuidado, afeto e a subserviência.

Por conta dessas situações, a Unesco, em 2020, lançou a campanha #HeyUpdateMyVoice (“Ei, atualize minha voz”), onde mulheres gravassem respostas às ofensas sofridas por assistentes virtuais. A instituição orientou que essas tecnologias respondessem de forma mais contundente, auxiliando na educação da sociedade contra o assédio.

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No País que vê o número de fumantes cair, cresce o percentual de jovens e adultos que fazem uso do dispositivo
por
Danilo Zelic
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19/11/2021 - 12h

Por Danilo Zelic

Segundo estudo do INCA (Instituto Nacional de Câncer), Risco de iniciação ao tabagismo com o uso de cigarros eletrônicos: revisão sistemática a mete-análise, publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, a utilização do cigarro eletrônica (e-cigarette) aumenta em mais de três vezes o risco de experimentação e mais de quatro vezes o risco de uso, ambos de cigarro convencional.

Esse resultado vai na contramão do que geralmente se escuta atualmente, principalmente pelos mais jovens: a afirmação de que o cigarro eletrônico ajuda a largar o vício do cigarro convencional, substituindo ou funcionando como um tipo de redução de danos, por aparentar menor dano à saúde.

Segundo a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), em 2020, o porcentual de fumantes com 18 anos ou mais, idade permitida legalmente para o uso da substância no Brasil, é de 9,5%, sendo 11,7% entre homens e 7,6% entre mulheres. Em relação a população abaixo dos 18 anos, a PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) de 2019, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e Ministério da Saúde, com apoio do Ministério da Educação, revelou que a porcentagem de jovens estudantes de 13 a 17 anos que fumam é de 6,8%, sendo maior a quantidade de meninos que fazem o uso do tabaco, 7,1%, em comparação às meninas, 6,5%.

Prevalência de tabagismo entre os anos de 1989 a 2009
Prevalência de tabagismo entre os anos de 1989 a 2009 - Reprodução INCA

Com relação ao cigarro eletrônico, o mesmo estudo demostrou que a prevalência de estudantes que experimentaram o cigarro eletrônico é maior na rede privada do que na rede pública. No Brasil, 16,6% dos estudantes entre 13 e 17 anos da rede público experimentaram o cigarro eletrônico, contra 18% da rede privada. Segundo pesquisa do DataFolha, em parceria com a ACT (Aliança de Controle do Tabagismo) Promoção da Saúde, lançada esse ano, 3% da população acima de 18 anos faz uso diário ou ocasional do cigarro eletrônico, ou DEFs (Dispositivos Eletrônicos para Fumar).

A ideia passada inicialmente pelas fabricantes do dispositivo, era de ser menos nocivo ao cigarro convencional, sendo assim, seguindo a lógica das empresas, uma ótima alternativa para tabagistas substituírem o cigarro convencional pelo eletrônico. Porém, segundo a médica epidemiologista Liz Almeida, coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca, não é bem isso que a ciência tem demonstrado. “Com o tempo, a gente foi vendo que ele não era tão bonzinho assim. Tem riscos porque tem substâncias que também são cancerígenas”, disse à Agência Brasil.

Reprodução INCA
Reprodução INCA

Quando estudos mais robustos começaram a demonstrar que o DEFs causa danos à saúde, como o cigarro convencional, a lógica por trás do marketing das empresas passou a ser outra: visar um público mais jovem. Além de conter nicotina, o dispositivo passou a ter um diferencial, sabores artificiais que imitam frutas e doces. Essa lógica, que visa o público jovem a consumir um produto exclusivo para adultos já era conhecida no ramo da industrial do tabaco, com a produção de cigarros com o sabor de menta, cereja ou cravo.

Em reportagem da Folha de S.Paulo, Diogo Alves, consultor nacional da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), comenta sobre a lógica por trás das variedades dos sabores, ressaltando que são produtos para crianças e adolescentes. “Não são sabores para quem fuma, são claramente voltados para a iniciação [do jovem], para mascarar a aspereza da nicotina. A indústria fala em redução de danos para adultos, mas quem faz uso desses produtos são crianças, adolescentes”.

Líquido Fruit Juice - Reprodução: VaporClub
Líquido Fruit Juice - Reprodução: VaporClub

Irregular no País desde 2009, segundo determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o comércio de cigarros eletrônicos segue firme e se estabilizando. Reportagem produzida este ano, pelo portal de notícias Poder 360, percorreu a Feira dos Importados, localizada em Brasília, mostrando que, dos 46 corredores da feira, 14 eram tabacarias, sendo que só duas não vendiam o dispositivo e dez delas vendem exclusivamente os DEFs.

 

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Da empatia ao pedagógico, as diferentes frentes que os aplicativos trabalham permitem amplo espectro de ação contra violência machista.
por
Danilo Zelic
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19/11/2021 - 12h

Por Danilo Zelic

A Lei 11.340, mais conhecida como a Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, completou 15 anos. Importante marco da luta social no combate à violência contra a mulher, enfatizando que o Estado pode intervir sobre o que se passa no ambiente privado, ainda mais quando uma pessoa corre risco de vida. Com a chegada da Internet e a facilidade que ela trouxe, novas formas de enfrentamento surgiram para além das denúncias via telefone ou no ambiente presencial, como aplicativos para celulares e canais de denúncia que podem ser acessados pelos navegadores da web.

METE A COLHER

A partir de um áudio de WhatsApp ter sido compartilhado em um grupo com diversas mulheres do Brasil, que captava o momento exato em que o marido batia em sua esposa, a jornalista e uma das idealizadoras do projeto, Rede Mete a Colher – nome que faz alusão a infeliz frase popularmente conhecida, “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher” – Renata Albretim, que participava de um evento de tecnologia e inovação, junto com outras mulheres, decidiu criar alguma ferramenta para auxiliar mulheres vítimas de violência a compreender a situação que estão passando e como podem sair daquela situação sem sofrerem mais violência. Foi assim que surgiu o Mete a Colher. Em detalhes, Albetrim conta no programa Comutah, da TV Fórum, como foi o processo de criação do aplicativo.

"Ninguém sabia muito bem o que fazer diante daquela situação, ou seja, essa mulher não conseguiu ser muito bem ajudada, orientada, auxiliada. A nossa equipe se juntou, começou a refletir e a se aprofundar mais sobre o problema”. Em sua fala no programa Comutah, ela explica os pontos chaves que o aplicativo forneceu para ajudar a mulher em algum caso de violência. “Elas entrariam nesse aplicativo, uma mulher que estava ali disposta a ajudar de forma voluntária, seja porque ela é advogada, psicóloga, ou porque ela tem conhecimento ou já teve essa experiência entra também”, explica.

Divulgação Mete a Colher - Foto: Reprodução Facebook
Divulgação Mete a Colher - Foto: Reprodução Facebook

 

Albetrim enfatiza que a ideia do aplicativo, para além de escutar os relatos de mulheres que sofreram algum tipo de violência, o que o coletivo tenta fazer é “dar um encaminhamento que na nossa visão é o ideal”. “Toda a nossa ajuda, para além da empatia, de acolher, reafirmar as experiências e as dores delas, a gente encaminha essa mulher para ela ser assistida, para ela ser atendida pela rede pública de enfrentamento à violência contra a mulher”, diz a jornalista.

Por problemas financeiros, o aplicativo Mete a Colher saiu do ar no começo de 2020, porém a Rede Mete a Colher criou algo semelhante, voltado para o ambiente de trabalho. Desenvolveram o “Tina ajuda me”, aplicativo nos moldes do “Mete a Colher”, que orienta mulheres no mercado de trabalho, prestando serviços para empresas, possibilitando que as funcionárias das empresas utilizem o aplicativo caso passem por uma situação de violência doméstica ou no trabalho.

PENHAS

Desenvolvido pela jornalista e ativista feminista, MaríliaTaufic, e logo em seguida, idealizado em parceria com a revista digital AzMina, o “PenhaS” – nome que faz menção ao sobrenome da mulher que deu origem a Lei, Maria da Penha – é um aplicativo surgido em 2019 que nasceu sob o mesmo argumento do “Mete a Colher”, “fazer um enfrentamento mais direto, mais efetivo” em relação ao combate à violência contra mulher, como conta Thais Folego, jornalista e co-diretora da revista, no episódio “Azmina e o aplicativo Penhas”, do programa de podcast Olhares.

Aplicativo PenhaS – Foto: Nego Júnior©2019 @negojunior_
Aplicativo PenhaS – Foto: Nego Júnior©2019 @negojunior_

"É uma forma muito efetiva realmente de como essa atuação online se dá nesse mundo offline, nesse mundo prático no dia a dia de mulheres que estão vivendo um relacionamento abusivo ou uma situação de violência de fato”, diz Folego. A jornalista elenca três pilares que o aplicativo possui: trazer informação; a possibilidade de acolhimento; e o pedido de ajuda e denúncia.

Sobre o ponto de "trazer informação”, no Podcast "Folego" comenta que é mais em um sentido pedagógico, ou seja, de passar alguma informação adiante e ao mesmo tempo educar aquelas que tiveram acesso a ela. “A Lei Maria da Penha traz cinco tipos de violência contra a mulher, mas muitas mulheres acham que só quando a violência é física, que ela é, de fato, uma violência que pode ser denunciada. O App tem um quiz, para ajudar essa mulher a identificar se ela está em uma situação de violência ou não”. Lembra também da possibilidade que a usuária tem em acessar um mapa, onde pode se informar qual é o ponto de atendimento mais próximo, serviços públicos como delegacias, onde ela pode fazer uma denúncia, ou uma rede de acolhimento, caso não consiga uma medida protetiva que distancie o agressor do seu ambiente doméstico.

 

MARIA DA PENHA VIRTUAL

Mais voltado para a questão prática do que propriamente pedagógica, o Maria da Penha Virtual é um aplicativo desenvolvido por estudantes de direito e pesquisadores do Centro de Estudos de Direito e Tecnologia (CEDITEC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com o intuito de agilizar pedidos de medidas protetivas de urgência das mulheres vítimas de violência no estado do Rio de Janeiro.

Rafael Wanderley, estudante de direito e pesquisador do CEDITEC, explica, na reportagem produzida pela TV ADUFRJ (Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro), o funcionamento do aplicativo online, que diferentemente do Mete a Colher e o PenhaS, pode ser utilizado em qualquer plataforma. “Ele é um webapp [aplicativo de web]. Para qualquer dispositivo eletrônico ele se ajusta, para celular, computador ou tablet”.

Divulgação Maria da Penha Virtual – Foto: Reprodução
Divulgação Maria da Penha Virtual – Foto: Reprodução

 

Além do seu funcionamento, o diferencial é a possibilidade que a vítima que sofreu a violência possui para gerar um pedido de medida protetiva. Na seção “Como funciona o processo?”, há uma explicação em três partes de como se dá o processo após o pedido de medida protetiva. O primeiro passo é, “a vítima responde nosso formulário com os dados que precisamos para gerar um pedido de medida protetiva”; o segundo passo, “nosso sistema gera um pedido de medida protetiva e envia para um(a) juiz(a), com segurança e sigilo”; e o terceiro passo, “o (a) juiz(a) irá avaliar o caso e julgar as medidas a serem tomadas para assegurar a proteção da vítima”.

O Analista do Ministério Público e Pesquisador do CEDITEC, Hassany Chave, na mesma reportagem da TV ADUFRJ, comenta o ponto principal do aplicativo. “Nosso foco é a efetividade e garantia do acesso à Justiça”.

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A nanotecnologia gera dispositivos cada vez menores, mais leves, mais baratos e com maior funcionalidade.
por
Mayara Neudl
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19/11/2021 - 12h

Por Mayara Neudl

A nanotecnologia gera dispositivos cada vez menores, mais leves, mais baratos e com maior funcionalidade. Seu objeto de estudo, os nanomateriais, são invisíveis aos olhos, mil vezes menores do que células, dezenas de milhares de vezes menores do que a espessura de um fio de cabelo e bilhões de vezes menores do que uma formiga.

Aparelhos gerados a partir desses componentes reduzem o consumo de energia, ao mesmo tempo em que melhoram sua velocidade de resposta e performance. Um exemplo disso são os smartphones, que nada mais são do que os gigantescos computadores antigos transformados em objetos leves, compactos e com muitas mais funcionalidades. 

Hoje existem duas técnicas para a produção de nanoestruturas. A top-down, mais utilizada na indústria, que produz os micro e nanochips dos dispositivos tecnológicos atuais. E a bottom-up que é voltada para ensaios químicos e biológicos que precisam de alto controle.

Além de mais sustentáveis tecnologicamente - por gerar dispositivos que economizam energia -, há também pesquisas voltadas para o contexto ambiental que envolvem o uso de nanomateriais, como remediação ou prevenção de poluição, onde são usados como catalisadores para mutação de substâncias nocivas em inócuas; ou então na extração de poluentes de água contaminada, por exemplo. Este é o tema de uma das pesquisas recentes de Lucas Bitencourt Theodoroviez, mestrando em ciência e tecnologia espacial, com ênfase em química de materiais pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), bacharel em química pelo Instituto de Química da UNESP, pesquisador com foco em materiais com aplicações elétricas e eletroquímicas, materiais porosos e nanotecnologia, com especialização em química inorgânica e de coordenação, e, também, em caracterização de materiais.

Lucas conta que uma das grandes preocupações acerca destes materiais é relacionada, também, ao seu tamanho. Como são partículas extremamente pequenas, sua separação de outros meios possui complicações, e, dessa forma, se não controladas e instauradas de maneira correta, podem gerar resíduos tóxicos ao ambiente e aos seres vivos. “Já é conhecido que, tais materiais em contato com a circulação sanguínea, podem desencadear uma reação inflamatória como mecanismo de defesa do organismo, uma agregação pode gerar embolia, tanto na corrente sanguínea, quanto nos alvéolos pulmonares. Além disso, podem interagir com proteínas e impedir a atividade de enzimas ou até mesmo resultar na produção de radicais altamente reativos gerando danos no DNA.”.

Numerosos estudos têm mostrado que as interações biológicas entre materiais e alvos biológicos dependem da composição química, propriedade de superfície, tamanho e morfologia das partículas. Esses nanomateriais podem apresentar diferentes níveis de toxicidade (aguda, sub-crônica e crônica) e os fatores de risco em humanos são governados pelo nível de exposição, tamanho de partícula, reatividade e biodistribuição. Cabe ressaltar que os impactos estão associados ao tipo de exposição do nanomaterial (oral, dérmico, intravenoso e inalação), sendo o tamanho de partícula o principal ponto a se observar.

Lucas também afirma que, em contrapartida, existe também o impacto positivo das nanopartículas para a saúde: “Podendo-se citar, imageamento celular in-vitro ou in -vivo, nas sondas biológicas fluorescentes, entrega de drogas (fármacos), terapias de câncer, bactérias, entre outros.”.

Por fim, o pesquisador nos conta como está o desenvolvimento industrial da aplicação de nanomateriais no Brasil em relação ao mundo, “No Brasil, ainda estamos em um contexto de desenvolvimento de indústria técnica nessa área, apesar de termos muitos pesquisadores e cientistas capacitados com elevado grau de conhecimento no tema. No entanto, esse conhecimento ainda é mais difundido no meio acadêmico em detrimento do industrial. A nanotecnologia presente no nosso país é, basicamente, provinda de importações, enquanto que as do meio acadêmico são em maior parte voltadas ao setor biotecnológico.”.

Há diversas indústrias atualmente que trabalham com nanotecnologia e nanociência como as de biotecnologia, mecânica, cosmética, farmacêutico, luminescência, eletrônica, forense, aeroespacial, automotiva, materiais térmicos, tintas, e muitas mais. É uma das áreas científicas que mais tende a crescer.

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