Eventos variados, exposições, shows e festivais movimentam os espaços culturais da cidade
por
Victória da Silva
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09/04/2026 - 12h

Após as águas de março fecharem o verão e o outono começar no país, o mês de abril chega com uma vasta programação cultural para os paulistas e visitantes da cidade curtirem. Confira aqui algumas atrações interessantes para visitar na capital paulista:

SP-Arte

A SP-Arte é a maior feira de arte e design do Brasil. O encontro promove conversas e lançamentos editoriais. Nesta edição, o evento promete ter uma exposição sobre árvores, abordar o mobiliário moderno, mostrar o retrato da cena atual do design brasileiro, além de prêmios para artistas e designers.

Quando: De 8 a 12 de abril.

Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

Noite das Livrarias

No dia Mundial do Livro, o evento celebra a literatura em várias livrarias espalhadas por São Paulo. A partir das 18h os interessados podem descobrir espaços novos, trocar experiências, fazer oficinas, participar de festas do pijama e ainda, conhecer outros amantes de livros.

Quando: 23 de abril.

Onde: Conferir livrarias participantes no site oficial do evento (https://noitedaslivrarias.com.br/livrarias

Ingressos: Entrada Gratuita.

Cine Minhocão

O festival de cinema ao ar livre no Elevado João Goulart conta com sessões competitivas de 21 curtas-metragens brasileiros e internacionais, com votação do público e premiação.

Quando: De 25 de abril a 3 de maio - Sessões às 18h e 19h.

Onde: Minhocão

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

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As obras refletem a pluralidade de linguagens que marcaram a arte brasileira na primeira metade do século XX. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Exposições:

Anita e os Modernistas

Com curadoria de Renata Rocco, a exposição conta com um acervo de 23 obras de Anita Malfatti. A mostra retrata o Modernismo no Brasil e também reúne obras de outros artistas modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, como Di Cavalcanti, Bruno Giorgi, Paulo Rossi Osir, Ismael Nery, Regina Gomide Graz, Alfredo Volpi e Alberto da Veiga Guignard.

Quando: De 6 de abril até 31 de agosto.

Onde: Palácio dos Bandeirantes.

Ingressos: Entrada Gratuita.

Janis Joplin

A mostra trará mais de 300 itens da lendária cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana Janis Joplin, ícone do rock mundial. Dentre os destaques, estão diversas cartas e bilhetes escritos por Janis, fotos de apresentações, além de peças de roupa e adereços da artista.

Quando: A partir de 16 de abril.

Onde: Museu da Imagem e do Som.

Ingressos: Inteira - R$60,00 e Meia Entrada - R$30,00.

Nova Órbita - Nucle1

O centro integrado de artes de quatro andares e dois subsolos foi pensado para promover uma experiência em cada salão. Com exposições em variados espaços, intervenções e um cinema underground, a “Nova Órbita” propõe não apenas uma visita, mas sim uma imersão.

Quando: Até 28 de maio. Quarta à sexta - 12h às 20h. Sábado e domingo - 10h às 18h.

Onde: Nucleum - Rua Muniz de Souza, 809 - Aclimação.

Ingressos: Entrada gratuita.

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Festival Wine&Jazz encanta com a mistura de música e gastronomia. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Festivais:

Wine & Jazz Sessions

O festival de música ao ar livre reúne jazz, gastronomia e vinho em uma experiência diferenciada. Serão dois dias de shows de Jazz e Soul, área gastronômica com a participação de chefs e seus restaurantes, empório artesanal, além de vinícolas e importadoras de vinho consagradas.

Quando: 11 e 12 de abril. 

Onde: Parque Villa-Lobos.

Ingressos: Entrada gratuita. Para participar do Wine&Jazz nas alturas (na Roda Rico) os preços variam entre R$60,00 e R$120,00.

Gop Tun Festival 2026

O festival acontece em um final de semana inteiro e celebra a cidade de São Paulo unindo artistas da música eletrônica alternativa. Em sua 5ª edição, o público poderá prestigiar a line-up que conta com Jayda G, Optimo (Espacio), Mount Kimbie Dj, Yu Su, Chaos In The Cbd, Moxie, Omoloko, Brenda & Maria Manuela, Sherelle e Aerobica.

Quando: 11 e 12 de abril 

Programação diurna: 13h às 22h30

Programação noturna: 21h30 às 6h em espaço exclusivo.

Onde: Complexo do Pacaembu

Ingressos: Variam entre R$280,00 e R$550,00.

Shows:

Marina Sena - Coisas Naturais

A artista Marina Sena retorna à São Paulo com um novo capítulo da era "Coisas Naturais”, para um show atualizado e repaginado. Entre o setlist da apresentação, está a faixa "Carnaval" que atravessou a estação e se tornou um dos hits mais tocados de fevereiro.

Quando: 17 de abril.

Onde: Espaço Unimed.

Ingressos: A partir de R$130,00.

Jackson Wang - MAGICMAN 2 WORLD TOUR

Jackson Wang, que é integrante do grupo de kpop Got7, retorna para um show em São Paulo e outro show de estreia no Rio de Janeiro, promovendo a turnê “MAGICMAN 2 WORLD TOUR”. Os shows são aguardados pelos fãs que desejam apreciar pessoalmente o alter ego “Magic Man”, criado para expressar a versão mais autêntica do artista.

Quando: 23 de abril.

Onde: Suhai Music Hall.

Ingressos: Variam entre R$470,00 e R$980,00.

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Quanto mais mediado por telas se torna o cotidiano, mais o encontro com o real transforma o teatro em uma experiência intensa e necessária
por
Manoella Marinho
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30/03/2026 - 12h

A relação da geração atual com o mundo passa, inevitavelmente, pelas telas. Celulares, redes sociais e plataformas de vídeo moldam não apenas a forma de comunicação, mas também a percepção da realidade. “O teatro é o presente, é o agora, é o sentimento”, afirma Marcello Drummond, diretor do Teatro Oficina, em entrevista à AGEMT. A fala sintetiza uma das principais diferenças entre o teatro e as mídias digitais: enquanto a internet permite o acesso ilimitado e instantâneo a conteúdos, o teatro exige presença, tempo e entrega. Isso torna-se ainda mais evidente quando se observa o impacto físico da cena.

“Quando você vê um ator na tua frente […] é uma coisa viva”, diz Drummond. Ao contrário da imagem mediada por uma tela, o corpo em cena carrega falhas, respiração, improviso, entregam elementos que tornam cada apresentação única. É essa imprevisibilidade que intensifica a experiência do espectador. Ao mesmo tempo, o ambiente digital tem produzido uma mudança significativa nos hábitos culturais. “As pessoas têm pouco contato com o que não é vídeo”, aponta o diretor. A predominância do audiovisual transforma a forma como a arte é consumida, muitas vezes reduzindo a experiência a fragmentos rápidos e descartáveis.

Créditos: Manoella Marinho Teatro Oficina

 

Ainda assim, o impacto da tecnologia não é apenas negativo. “O digital […] está fazendo com que os teatros fiquem mais cheios”, observa Drummond, conversando com AGEMT dentro do espaço do Teatro Oficina. O fenômeno revela um paradoxo: quanto mais imersas no virtual, mais as pessoas parecem buscar experiências concretas. A saturação de estímulos, característica do cotidiano online, gera uma espécie de cansaço que encontra no teatro um espaço de pausa e intensidade.

Esse movimento ajuda a explicar por que o teatro provoca um efeito tão marcante na geração atual. “A gente tem contato com tela […] mas o vivo toca muito”, resume o diretor. O impacto não está apenas no conteúdo da peça, mas na experiência sensorial completa: o silêncio da plateia, a proximidade com os atores, a impossibilidade de pausar ou voltar a cena. Historicamente, o teatro sempre se construiu a partir dessa relação direta. Encenações como “O Rei da Vela”, marco do Teatro Oficina, ou montagens contemporâneas que rompem a divisão entre palco e plateia, evidenciam a potência do encontro ao vivo. Ao eliminar a chamada “quarta parede”, essas obras convidam o espectador a participar ativamente, transformando-o em parte da cena.

Nesse contexto, o teatro também reafirma seu caráter político. “O fato de estar em cena já é um ato político”, diz Drummond. Em um ambiente digital marcado pela circulação massiva de discursos, muitas vezes superficiais ou polarizados, o teatro oferece um espaço de reflexão mais profunda, onde o tempo e a presença permitem a elaboração crítica. Por outro lado, a própria internet carrega contradições. “Tem coisas muito boas […] e coisas muito ruins que se espalharam”, reconhece o diretor. Se por um lado ela democratiza o acesso à informação e à arte, por outro amplia a circulação de desinformação e discursos problemáticos. Nesse cenário, o teatro se destaca como um espaço de construção coletiva e diálogo direto. A diferença fundamental está na experiência. Enquanto o digital tende à repetição e à reprodução infinita, o teatro se ancora no instante. Cada sessão é única, irrepetível. É nesse sentido que o impacto se intensifica: o espectador não apenas assiste no automático mas vivencia, estimulando análise crítica e sensação.

Em um mundo em que o contato com o real se torna cada vez mais mediado, o teatro reafirma a importância do corpo, do encontro e da presença. Mais do que sobreviver à era digital, ele parece ganhar novo sentido dentro dela. Um espaço onde o humano, finalmente, deixa de ser apenas imagem e volta a ser experiência.

 

Um em cada dez brasileiros conversam com chatbots como forma de tratamento para questões psicológicas
por
Joana Prando
Gabriel Giannini
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30/03/2026 - 12h

 

No Brasil, uma em cada dez pessoas utilizam da Inteligência Artificial (IA) para fazer terapia, segundo a revista Superinteressante. Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais assustadora. De acordo com uma matéria publicada pela jornalista Tamires Vitorio, pela revista Exame no dia 8 de agosto de 2025, aproximadamente 19% dos americanos, cerca de 49,2 milhões de adultos, utilizam ferramentas baseadas em IA como forma de terapia. O uso de inteligência artificial em conversas sobre sentimentos, ansiedade e solidão cresceu de forma exponencial nos últimos anos. A questão que fica é se a IA realmente é capaz de desvendar o sentimento humano. A psicóloga Bruna Santin Kalil, formada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduanda pela UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), nos ajuda  a entender os riscos dessa prática. 

Em entrevista à AGEMT, Kalil ressalta que “o uso das tecnologias é um caminho sem volta, principalmente desde a experiência coletiva da pandemia[...]. Eu acho que assim como outros avanços tecnológicos, eles não são em si bons ou ruins, tudo depende do modo como a gente faz uso deles. Uma prática estruturada, um guia, isso pode ser reforçador para a pessoa implementar de fato no dia a dia o que se é proposto pela terapeuta.”  

O Conselho Federal de Psicologia tem feito longas pesquisas sobre a IA, tendo publicado uma cartilha chamada "Chatbots, Inteligência Artificial e sua saúde mental", que nos ajuda a entender para quem essas ferramentas podem (ou não) ser úteis. De acordo com o artigo, os chatbots são comprovadamente inadequados e potencialmente perigosos, especificamente para pessoas que estão passando por crises e pensamentos de atentado contra a própria vida, por exemplo. Além de pessoas que sofrem de esquizofrenia, transtorno bipolar e entre tantos outros. O uso de tais ferramentas digitais para fins de diagnósticos psicológicos e de avaliação psicológica, pode gerar uma fragilidade e até agravamentos em determinados quadros de saúde, o que acaba adiando ou até impedindo a busca por tratamentos verdadeiramente adequados. 

créditos: imagem gerada por IA. Pessoa fazendo uso da terapia com IA

 

 

 

Uma das principais razões de tantos jovens recorrem ao uso da IA como forma de terapia se dá porque essas plataformas são gratuitas e dão repostas rápidas, normalmente aquelas "respostas que gostamos de ouvir" ao invés do que realmente necessitamos. 

Kalil nos ajuda a entender este avanço da IA como terapeuta: "é preciso no processo terapêutico também se trabalhar os limites, também preparar as pessoas para irem desenvolvendo essa autorregulação, essa autonomia" E acrescenta: "não podemos reforçar esse lugar de uma resposta que tem que ser imediata, que não se tenha a sustentação do silêncio, a elaboração, a integração dos insights", explica Kalil.

Uma pesquisa realizada pelo fantástico (G1), publicado em setembro de 2025, aborda os maiores riscos da prática desse tipo de tratamento e da falta de programação específica: Alessandra Santos de Almeida, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), afirma categoricamente que não existe evidência científica de psicoterapia realizada por IA, pois essas ferramentas não foram programadas para esse fim terapêutico. Os principais exemplos dos riscos dessas práticas são a incapacidade de diagnóstico. Diferente de um profissional humano, a IA não possui formação clínica, não consegue realizar diagnósticos precisos, não tem preparo para lidar com crises graves ou ideações suicidas.

Um dos principais riscos é a quebra de sigilo: no consultório, o sigilo é um dever ético legal. Na IA, os dados íntimos são armazenados pelas empresas desenvolvedoras e podem ser usados para outros fins, expondo a privacidade do usuário. Ainda sobre o estudo publicado pelo G1, a repórter Renata Ceribelli testou uma ferramenta de IA sob a supervisão do psicanalista e professor da USP, Christian Dunker. A IA demonstrou uma "empatia simulada" e ofereceu conselhos que geraram uma sensação de acolhimento. No entanto, Dunker alerta que essa sensação é enganosa, pois o robô apenas formula respostas automáticas que imitam a interação humana. 

O uso dos chatbots como forma de terapia, se usado da maneira correta e com o auxílio de um profissional pode sim servir como forma de ajuda para tratamentos psicológicos, mas jamais substituíram o "olho no olho", que só a interação humana é capaz de nos proporcionar. Existem diversos meios de conseguir ajuda para questões de saúde mental, o CVV (Centro de Valorização da Vida), oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita, 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelo telefone ou chat discando 188, entre tantos outros existentes. Que a tecnologia nos forneça o auxílio para chegar mais longe, mas que nunca nos faça esquecer que a troca humana é o único remédio insubstituível.  

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Lei que proíbe uso de celulares entrou em vigor em janeiro de 2025, mas o uso iletrado de inteligência artificial expõe brechas na infraestrutura das escolas
por
Sophia Aquino
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30/03/2026 - 12h

Há um ano, a proibição do uso de celulares nas escolas brasileiras entrou em vigor. A lei número 15.100/2025, gerou reações diversas de professores e alunos tanto favoráveis quanto contrárias. De um lado, quem defende que o aparelho era uma fonte constante de distração; do outro, quem questiona se banir o celular resolve de fato os problemas de aprendizado. Porém, a lei abre exceção para o uso pedagógico, o que leva a uma outra discussão em relação ao uso da Inteligência Artificial nas escolas.  

Em entrevista à AGEMT,  o estrategista britânico em digital learning, Matt Lovegrove,  discute que “as escolas precisam investir em inteligência artificial (IA). Se eles querem ajudar os alunos a terem o máximo de educação e investir em letramento de Inteligência Artificial, a melhor coisa é fornecer dispositivos one to one (modelo em que cada aluno tem acesso ao próprio  laptop ou tablet)", explica Matt. 

Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal
Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal 

Matt reconhece que nem todas as escolas têm condições de bancar isso. Para esses casos, ele sugere dispositivos compartilhados — e só em último recurso, o uso controlado do celular, restrito a momentos específicos da aula. "Se as escolas forem fazer isso, tem que ser muito cuidadosamente controlado", afirma. Para ele, o celular não deve vazar para os momentos sociais: recreio, almoço, intervalos. A sociabilidade cara a cara, diz ele, é parte essencial do que a escola oferece. No Reino Unido, onde atua, políticas de restrição de celulares coexistem com forte investimento em infraestrutura tecnológica escolar, permitindo que a proibição de dispositivos pessoais não signifique exclusão digital.

No Brasil, a realidade é diferente. Pesquisa do CETIC.br revela que 60% dos estudantes brasileiros já usam inteligência artificial fora da escola, principalmente para realizar tarefas e responder dúvidas. Dentro das escolas, porém, o cenário é de desigualdade: apenas 30,4% das instituições públicas tinham conexão de internet adequada em 2025, contra 54,3% das privadas. Enquanto estudantes de escolas particulares tem mais chances de ter acesso orientado à tecnologia, grande parte dos alunos da rede pública aprende a usar essas ferramentas sozinho, sem mediação de professores e sem nenhum critério pedagógico. 

Guilherme Cintra, diretor de Inovação e Tecnologia da Fundação Lemann, é uma das vozes mais ativas nesse debate. Para ele, o ponto de partida já ficou para trás. "A discussão já não é mais sobre aceitar ou não o uso dessas tecnologias, mas definir limites éticos e seguros para essa implementação", afirmou em artigo publicado pela Fundação Lemann. Cintra também explica o papel dos professores nesse processo de aprendizagem com a I.A em que destaca a capacidade de profissionais de criar uma troca entre os alunos.

"A nossa capacidade de criar e manter relações verdadeiras será o que nos distinguirá das máquinas" diz também Cintra em entrevista a CNN Brasil e acrescenta "Não podemos esperar que os professores assumam sozinhos a responsabilidade de toda essa mudança".

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Claudia Oliveira relatou formas de lidar com esse medo da tecnologia de substituição
por
Anna Sofia Carsughi
Olivia Ferreira
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30/03/2026 - 12h

“A transformação é inevitável: algumas funções mais operacionais tendem a ser reduzidas, mas, ao mesmo tempo, surgem novas carreiras, mais estratégicas e analíticas". Em entrevista à AGEMT, Claudia Oliveira, que trabalha na eCOMEX,  contou, na última semana (24), os desafios ligados ao uso crescente da IA no âmbito do trabalho. A profissional, que está inserida em uma empresa de tecnologia para o comércio exterior, traz diariamente soluções inovadoras para gestão, automação e compliance- e busca, em sua logística, uma maneira de se adaptar às mudanças dessa nova tecnologia empresarialUm estudo feito pela Harvard Business Review em 2023, revelou que inteligências artificiais não substituem nenhum humano, mas os humanos com IA substituirão os humanos sem IA.

Esse artigo expõe que quanto mais as pessoas esperam que as empresas ofereçam experiências perfeitas desenvolvidas por IA, mais os líderes precisarão adotar essas tecnologias em seus negócios. Essas tecnologias cada vez mais estarão presentes no cotidiano de todos os seres humanos e  existirá também uma remodelação dos setores, processos, eficiências e diminuição dos erros humanos. Isso porque quem as adota tem a expectativa de impulsionar cada vez mais a produtividade e a inovação, transformando a dinâmica do mercado de trabalho. 

 

União humanos e IA
Reprodução/ Fia Inteligência Artificial 

 

A substituição dos empregos à medida que as inteligências assumem as tarefas repetitivas é algo discutido pelas grandes empresas, em que certamente existirá mudanças internas que exigirão adaptação das mudanças tecnológicas. A IA está presente não para substituir completamente a capacidade humana, mas sim para completá-la trazendo mais oportunidades de desenvolvimento profissional. "Isso não se trata de eliminação pura e simples, mas de uma migração de competências. O profissional que se adaptar terá oportunidades ainda maiores”, afirmou Claudia.

O crescimento no Brasil

A inserção da tecnologia no mercado de trabalho é um tema que cresce diariamente e não deve ser negligenciado. Discutir o caráter ambivalente das IAS permite uma forma de compreender os seus impactos no cotidiano e as possíveis maneiras para amenizar os seus prejuízos. Se por um lado essa novidade traz uma maior automatização do trabalho, com respostas eficientes às perguntas, por outro lado, substitui grande parte da mão de obra física empresarial. O que entra em discussão é um dilema entre facilidade x temor dentro do mercado de trabalho. 

 

Brasil e o uso da IA
Reprodução/ Lets Go Bahia

O crescimento exponencial das recentes tecnologias vêm surgindo com o desembarque dessa geração tecnológica que se preocupa com resultados rápidos e diversos, na qual as IAs generativas entregam isso de forma acessível e fácil. Para Cláudia, “o interesse das empresas brasileiras por Inteligência Artificial cresce porque ela proporciona ganhos reais de eficiência, escalabilidade e competitividade”.

Essa facilidade dentro do mercado de trabalho pode trazer benefícios como a praticidade e maior produtividade, mas também riscos, como a demissão de trabalhadores devido à automatização de serviços. Apesar disso, ela acredita que o Brasil deva investir em inteligências degenerativas, já que a adoção de tais já é uma realidade presente em grandes potências econômicas globais, tais quais China e Estados Unidos. "Ignorar esse movimento pode significar perda de espaço no mercado global”, relatou ela.

As novas tecnologias substituem determinados tipos de trabalhos, mas indivíduos e empresas que souberem utilizar a IA para ampliar a produtividade e diversificar os serviços ofertados certamente terão vantagens competitivas. Para que esse processo seja levado durante as novas gerações, é necessário que o sistema educacional se adapte para essa nova realidade formando e preparando profissionais qualificados. Para a profissional, não é possível frear o avanço da tecnologia, que cresce diariamente. A fórmula correta seria a da substituição, isso é, o profissional deve usar a seu favor a tecnologia, a partir de uma mudança de postura dentro do trabalho. 

“Funções repetitivas e de baixo valor tendem a perder espaço no mercado de trabalho, mas profissionais que souberem integrar a tecnologia ao seu dia a dia terão grande vantagem competitiva. O ponto central não é temer a IA, mas aprender a utilizá-la como ferramenta para ampliação de capacidades humanas”, diz ela.

Dessa forma, o jeito é aprender a lidar com essa tecnologia, ao desenvolver conhecimentos a seu respeito. Para Cláudia, a melhor forma é investir continuamente em atualização. “Quanto maior o domínio sobre a tecnologia, maior o potencial de utilizá-la como diferencial competitivo. Preparação, curiosidade e adaptação serão determinantes para aproveitar plenamente essa fase de transformação”, falou ela. 

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O governador de São Paulo, João Doria, determinou que no início de novembro, a volta às aulas nas redes públicas e particulares do Estado deixaram de ser facultativas. Mas será que isso é mesmo seguro?
por
Giulia Palumbo
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23/11/2021 - 12h

Por Giulia Palumbo

As escolas de São Paulo voltaram a sua rotina depois de 2 anos e meio fechadas devido a quarentena do coronavírus. No entanto, isso pode causar outros inúmeros problemas à população.

Estamos enfrentando uma pandemia causada pela Covid-19, contudo, neste momento, não há grandes surtos da doença,  então pode ser que seja seguro a volta ao ensino presencial. Um estudo publicado em agosto na revista Pediatrics, da American Academy of Pediatrics (Academia Americana de Pediatria) aponta que o retorno das aulas não será prejudicial, pois as crianças não são transmissoras significativas do vírus. Apesar disso, alerta que é necessário continuarmos mantendo as medidas de proteção, como por exemplo: o uso de máscara, distanciamento social e também o uso do álcool em gel.   

Do outro lado da moeda, a história é diferente. Professores e funcionários estão em maior risco quando falamos em contrair a Covid, uma vez que os mesmos estão expostos ao vírus por meio dos transportes públicos e até no contato com os pais.   Com isso, é perceptível que a flexibilização das regras de isolamento, junto com a reabertura das escolas, tem contribuído para a recirculação de outros vírus respiratórios comuns, como o parainfluenza, que causa de resfriados comuns a pneumonias. 

Este cenário traz grandes preocupações à ciência, visto que as crianças ficaram mais de 1 ano sem contrair anticorpos que são adquiridos ao longo da inserção à sociedade, algo que não aconteceu com elas. Para o infectologista pediátrico Luiz Augusto do Val, o aumento dos casos de outras doenças virais já é sentido: “Normalmente, o vírus sincicial respiratório contagia crianças pequenas, abaixo de um ano, que ainda não vão à escola, mas é claro que os irmãos deles e outros familiares podem ir à escola. Então é tudo um efeito, mas o vírus circula todos os anos” - afirma. 

De acordo com o infectologista, quadros graves de doenças respiratórias ou até mesmo da Covid-19 em crianças são raros, sendo somente 1% ou 2% dos infectados. “O número, no geral, acaba sendo muito porque é uma população muito grande afetada. Mas a circulação desses vírus não é nada de anormal. As crianças pegam vírus respiratórios e isso serve para estabelecer a sua imunidade para uma série de outros vírus”, explica.

Dessa forma, nossa grande preocupação é pelas crianças que são possíveis vetores que levam o vírus da covid ou de outras doenças para os pais ou avós, com ou sem comorbidades. Por isso, todo cuidado é pouco e os responsáveis precisam estar monitorando qualquer tipo de sintoma em suas crianças.

Segundo a pneumologista Ana Maria Rodrigues, em tempos normais uma criança com um pouco de resfriado e tosse não seria afastada, diferente do que ocorre agora por medo vírus causador da pandemia. “Sempre houve nas escolas crianças tossindo e com o nariz escorrendo. Tem as que ficam eternamente com o nariz escorrendo, isso é muito da infância”, disse.

Hoje, no Brasil, a vacinação contra a Covid-19 ainda não é obrigatória para os pequenos e medidas a favor da prevenção são alvos constantes de Fake News. Apesar disso, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um documento ressaltando a importância da imunização para os menores de 18 anos com o intuito de prevenir doenças e proteger a comunidade, já que espaços frequentados por este grupo têm maiores chances de transmissões e surtos.

Em agosto deste ano, o Instituto Butantan fez o primeiro pedido para a liberação da vacina para o público juvenil, mas não foi liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a mesma justificou que  havia  limitação de resultados apresentados. Mas em outros países, a realidade está sendo outra, ao menos 10 já estão vacinando menores de 12 anos contra a Covid, sendo alguns deles: Estados Unidos, Chile, China, Argentina e Emirados Árabes Unidos. 

Além da imunização contra o vírus causador da pandemia, há outras vacinas que não estão sendo mais aplicadas com a mesma frequência como antigamente, na maioria das vezes, por escolha dos pais ou responsáveis legais pelas crianças. Esse comportamento traz a possibilidade de doenças já erradicadas voltarem a circular na sociedade. 

Ana ressalta que os casos de meningites também desapareceram durante a pandemia. “As meningites pneumocócica e meningocócica são doenças imunopreveníveis que têm vacina. Durante a pandemia, caiu o nível de vacinação. O grande risco que nós temos é ter novamente essas doenças. Mesmo com uma vacina, não havia uma prevenção de 100%, porque você tem tipos diferentes da doença. Mas com a falta da vacina pode ter um recrudescimento”. 

Com este cenário, é notável a importância da imunização de todos os grupos, pois somente com a vacinação completa é possível acabar com a pandemia. Desse modo, evita-se a proliferação do vírus e a volta à vida presencial e “normal” de uma maneira segura, pela proteção das crianças e de todos da sociedade.  

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A busca incansável pelo corpo perfeito faz com que jovens e adultos adotem dietas restritivas disponíveis em aplicativos para emagrecer
por
Giulia Palumbo
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29/11/2021 - 12h

Por Giulia Palumbo

A corrida pelo corpo perfeito começou. E o prêmio? Muitos elogios nas festas de fim de ano e o “corpo do verão” em dia. Aliás, vale tudo para conseguir a tão sonhada barriga chapada: academia, medicamentos irregulares e aplicativos com dietas prontas. 

A magreza virou sinônimo de saúde e a sociedade adotou como padrão o corpo magro, com as devidas curvas e com porte atlético. No desespero da aceitação, o google passa a ser um grande aliado. Além dele, há inúmeros aplicativos com dietas prontas e milagrosas para a perda de peso. Mas ninguém imagina as consequências que essa ferramenta pode causar, uma maratona que pode gerar vários transtornos, dentre eles: vigorexia, bulimia e anorexia. 

Segundo a nutricionista Nathalie Gimenez, esses aplicativos podem trazer consequências gravíssimas à saúde. “Os aplicativos de emagrecimento levam as pessoas a crerem que é dispensável ser assistido e acompanhado por um profissional. Eles são padronizados para atender o público de modo geral. Mas o processo de emagrecimento é único e deve ser tratado com individualidade. Um dos maiores malefícios é induzir um emagrecimento não saudável, como por exemplo, a sugestão da prática de jejum. Uma conduta muito séria, que só deve ser praticada quando bem indicada e orientada por um profissional de nutrição ou medicina”, afirma. 

Só no Brasil, 10% da população sofre com anorexia, anualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença é caracterizada pela perda de apetite, mas também pode surgir em forma de anorexia nervosa, em que a pessoa recusa a se alimentar mesmo estando com fome. Vale enaltecer que o uso excessivo de dietas restritivas e programadas apresentadas nos aplicativos, podem causar o estagne do peso e o famoso efeito platô. Ou seja, a pessoa acabará com a saúde e não terá o objetivo alcançado. 

Além dos danos prejudiciais à saúde, esses aplicativos afetam a saúde mental. A psicóloga Elizabeth Monteiro afirma que essa tendência causa inúmeros transtornos. “Relações disfuncionais com a comida e auto imagem são bastante comuns mas, infelizmente, acabam sendo banalizadas. Se uma pessoa passa a maior parte do seu dia pensando sobre alimentação e fica angustiada sobre isso, ela precisa buscar ajuda profissional”, enfatiza Elizabeth.

A OMS também ressalta que cerca de 70 milhões de pessoas sofrem com distúrbios alimentares no mundo e a incidência é muito maior entre mulheres; elas representam entre 85% e 90% das vítimas de tais doenças, o que reforça o problema social e sexista da idealização da beleza. 

Para a psicóloga, a relação da comida com a autoimagem é bastante comum na sociedade atual.”Essa relação não pode se tornar banal. Os marcadores de saúde física podem demorar um pouco mais para se fazerem presentes, mas os mais imediatos são fraqueza, desânimo ou falta de energia para desempenhar as tarefas cotidianas", alerta a médica.  Além disso, nos aplicativos há a exposição de inúmeras imagens de corpos sarados que levam ao Transtorno Dismórfico Corporal, que atinge cerca de 2% da população mundial. 

Existem 7 bilhões de pessoas com corpos fora dos padrões de beleza no mundo. É preciso normalizar o corpo livre e real. Hoje em dia, intervenções como filtros no instagram, photoshop e cirurgias plásticas estão se tornando mais importantes do que nossa saúde em si. Dessa forma, o acompanhamento de saúde mental e a autoconfiança, são de extrema importância para uma construção de autoimagem saudável e não dependente do que a sociedade estipulou como certo e bonito. 

De fato, o acompanhamento profissional especializado na área é indispensável. Mas não significa que o uso dos aplicativos para emagrecer precisa ser extinto. “O que precisamos é que haja uma conscientização sobre os riscos que o mau uso desses aplicativos pode trazer e nas doenças que eles podem acabar despertando em nosso corpo”, conclui Nathalie.

 

 

 

 

 

 

 

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Cada vez mais a moda digital vem aparecendo nas passarelas, em novas marcas e coleções
por
Beatriz Loss
Fernanda Fernandes
Julia Rugai
Vanessa Orcioli
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23/11/2021 - 12h

Você já se imaginou comprando uma roupa que nunca vai vestir? E assistindo um desfile sem modelos reais? Parece estranho, mas experiências como essas estão começando a ganhar espaço no mundo da moda. A moda digital vem aparecendo nas passarelas e em novas coleções de algumas marcas. Fazendo com que a inteligência artificial fique literalmente na moda. Mas afinal, quais são os benefícios e impactos dessa nova tendência? 

A inteligência artificial, também conhecida como IA, busca reproduzir a inteligência humana em computadores, e por meio de muitos dados as máquinas conseguem suprir necessidades que o ser humano nem sabia que tinha.

Hoje a IA está muito presente em quase tudo, e se tornou tão comum que o seu uso passa despercebido. Rico Malvar, um dos cientistas-chefe da Microsoft Research afirma que é uma tecnologia essencial, tão importante como a eletricidade. 

Cada vez mais, essa tecnologia está sendo implantada na Indústria e todos os seus setores, trazendo muitas novidades e questionamentos. Ela está na palma da sua mão, dentro da sua casa, nas operações bancárias, na área da saúde. E um dos setores que a IA está sendo aplicada e vem trazendo diferenciais é o da moda. 

Desde o ano passado, a IA vem se unindo à moda de uma forma bem futurista. Nos últimos meses pudemos observar o fenômeno das Fashion Weeks em formato digital em diversas partes do mundo.

A Shanghai Fashion Week foi o primeiro evento de moda a acontecer de forma totalmente digital em março de 2020. O evento tradicionalmente presencial havia sido inicialmente cancelado na China por conta da pandemia do covid-19, porém acabou acontecendo nesse novo formato. A semana aconteceu pela plataforma Tmall, marketplace de e-commerce chinês, contando com os desfiles e live shop, nova técnica de venda online.

No Brasil, surgiu, também no ano passado, o Brazil Immersive Fashion Week, exposição de roupas virtuais e desfiles em realidade aumentada com criações que misturam o “mundo real” com elementos do universo virtual. Uma das grandes atrações da edição 2021 foi a coleção do designer Lucas Leão, que também exibiu presencialmente em um galpão com cenário invisível a olho nu.

Com a popularização da IA e do metaverso, grandes empresas devem investir logo nesse próximo passo. “Quando o Facebook apareceu, era só uma brincadeira criada para falar quem era a mais bonita da faculdade, hoje o Mark Zuckerberg não para de falar nesse assunto. Não dá mais para acreditar que é algo irrelevante. Nessas primeiras edições, ainda estamos na fase de explicar para as pessoas o que são essas novidades”, disse Olívia Merquior, uma das idealizadoras do BRIFW, em entrevista à Veja São Paulo.

Na moda virtual, as roupas não são produzidas em tecidos ou qualquer outro tipo de material, são criadas a partir de softwares 3D, que não só ativam a movimentação dos tecidos, mas também estampa e diversifica modelagens de forma única e exclusiva. As roupas são inseridas digitalmente nas fotos ou vídeos do usuário. 

As tecnologias são as mais diversas e as marcas como The Fabricant, Dress X e The Replicant Fashion são pioneiras e já dispõem de várias peças e looks diários que estão em evidência nas redes sociais.

A marca The Fabricant, especializada em avatares virtuais, foi uma das primeiras da moda virtual, ela permite que o cliente crie seu próprio avatar e disponibiliza as peças digitais para aplicação. Em 2019, vendeu a primeira roupa digital de luxo do mundo, um vestido de pixels, que foi leiloado em Nova York por US $9.500, mais de R $53 mil, na cotação atual. A proposta da marca recém-nascida vai além, e passa pelo metaverso.

No Brasil, essa moda vem sendo aderida e roupas digitais estão começando a cair no gosto do público. A empresa Genyz é a precursora em criações de avatares no Brasil e passou a ser responsável por peças das influencers virtuais, chamadas de Mia Bot e Princess A.I. Essa marca também é a primeira da América Latina a oferecer um serviço de escaneamento corporal digital para fabricação de roupas físicas.

Studio Acci, também é uma marca nacional que faz roupas 3D a partir de desenhos, fotografias e ideias para empresas do setor, que podem usar as peças tanto em propagandas quanto em editoriais.

Com os avanços tecnológicos e rápidas adaptações - ainda mais após enfrentar um cenário pandêmico -  o mundo recebe de bom grado softwares e tecnologias inovadoras que geram mercados de consumidores mais conscientes e preocupados com o meio ambiente. Isto se dá pelo fato de que a utilização de algumas estratégias desenvolvidas pelo ramo da IA são capazes de traçar uma “previsão” de tendências, pois são desenhadas através do comportamento humano. 

Como exemplo, no Brasil, a marca de moda Amaro é conhecida no meio por armazenar dados de seus consumidores através de observações de suas preferências. Uma vez armazenados, os dados geram um algoritmo capacitado para o desenvolvimento de novas produções que se encaixem nas expectativas dos clientes. Desta forma, a produção tem mais chances de ser assertiva e, portanto, não há grande margem para excessos de produções que podem não sair da vitrine e virar resíduos.  

A partir de tudo o que já se conhece sobre a aplicação da IA no dia a dia, entende-se que, no mundo da moda, ela pode ser uma ferramenta útil para além da confecção de ideias e inspirações artísticas. Neste caso, a IA está se tornando uma forte aliada no segmento de estudos do mercado da moda. Isto é, mais uma ferramenta que se soma às análises de comportamento dos consumidores, além de ser uma das apostas para tornar essa indústria mais sustentável pois sabe-se que as produções têxteis são grandes geradoras de resíduos.

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Uma conversa sobre educação e tecnologia
por
Giovanna Crescitelli
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23/11/2021 - 12h

Por Giovanna Crescitelli


O livro" A fábrica da educação: da especialização taylorista à flexibilização toyotista", de Antunes e Augusto Pinto reflete sobre a escola que vigorou ao longo do ‘século do automóvel’. Henry Ford (1863-1947) foi o grande precursor da ‘indústria de massa’ focada na produção em larga escala com o uso de linhas de montagem e padronização técnica. O fundador da empresa Ford, uma das indústrias mais importantes do capitalismo contemporâneo, foi considerado um obstinado pela produtividade do trabalho.  Teorizado por Taylor, o modelo de produção que despreza o conhecimento dos trabalhadores, realizou mudanças na organização do trabalho e influenciou o consumo e circulação dos produtos. 

O objetivo era limitar os conhecimentos, os saberes-fazeres e o poder de barganha dos trabalhadores usando especializações fragmentadas. Nesse modelo de educação, cuja principal função é a formação de força de trabalho para o mercado, o estudante deveria ser preparado para as tarefas segmentadas com um bom grau de disciplina e obediência para atender as demandas de sua linha de produção  sem  questionamentos. A partir do esforço de guerra nos Estado Unidos o  modelo  de treinamento foi propagado internacionalmente carregando uma metodologia de educação industrial dominada pelo caráter utilitário que fornece apenas o treinamento necessário para que o trabalhador atenda às demandas da produção.

O final do século XX foi marcado pela crise do modelo fordista, resultado do limite da absorção dos excedentes de capital, levando a um regime de acumulação flexível e a um processo de formação de trabalhadores para processos de trabalho efêmeros.Nas décadas de 1950 e 1960, a expansão do modelo americano tornava obrigatório o aumento de produtividade no contexto global e a indústria japonesa passava por um processo de recuperação. No Japão a metodologia foi aprimorada pela empresa Toyota que inovou ao adicionar mecanismos, como o princípio de melhoria contínua e a flexibilidade na produção, que redesenharam a estrutura de educação. 

A expansão do toyotismo levou à flexibilização da produção mundial e das relações entre trabalhador e empresa. Isso gerou novos desafios para o sistema educacional. Elementos como polivalência e multifuncionalidade tornaram-se essenciais na educação dos trabalhadores porque, sob o nome de capital humano, o trabalhador passou a ser um meio de produção produzido obrigado a ocupar uma posição de trabalhador ‘empresário’. A pandemia representou uma aceleração na transição para o ambiente digital, sacudindo as relações de trabalho e pressionando a adoção de tecnologias que já eram conhecidas, mas engatinhavam. Até o final de 2019 a plataforma Zoom tinha 10 milhões de usuários ativos por dia, aṕos um ano de pandemia e isolamento social o número ultrapassa 300 milhões - um aumento espantoso de 3000%. 

Em junho de 2020 a Uninove demitiu mais de 300 professores por uma mensagem eletrônica na plataforma usada para ministrar as aulas de forma remota devido a pandemia global do coronavírus. Segundo informações do Sinpro (Sindicato dos Professores de São Paulo) as aulas online reduziram as barreiras físicas dos diferentes campi que a universidade possui e permitiram que um número maior de alunos pudessem acompanhar uma mesma aula. A lógica da demissão obedece a lógica do capital, ou seja, maximiza os lucros enquanto descarta os trabalhadores. 


Sérgio Feldmann de Quadros é doutorando na Faculdade de Educação da Unicamp. Sua área de estudo é a relação de trabalho e seu reflexo na educação. Sobre a situação que aconteceu ano passado ele comenta: “O exemplo das demissões na Uninove é bem representativo”. Para o pesquisador: “questiona-se que tipo de educação é essa em que um professor dá aula para 300 ou 400 alunos.” Ele explica que uma das características do trabalho plataformizado é justamente uma necessidade menor de professores para um mesmo número de alunos. 


Durante a pandemia uma parcela dos trabalhadores conseguiu atuar de dentro de casa. Sérgio coloca que os professores passaram a usar seus próprios recursos para darem aula. “Por um lado se era uma segurança, devido ao risco de contágio, por outro os trabalhadores passaram a assumir parte dos custos da produção. Por exemplo, os equipamentos são pessoais e quem paga as contas de luz etc. é o trabalhador”. Para ele os professores são um forte exemplo disso. 


Nenhuma das mudanças que observamos nos últimos 18 meses é exatamente nova, na verdade muitas das tecnologias usadas amplamente na pandemia já estavam disponíveis. Esses processos foram acelerados pelas condições impostas pelo avanço da COVID-19. Como exemplo, Sérgio fala dos trabalhadores de call center que já usam o modelo de trabalho remoto. Sobre como essas mudanças podem interferir na educação, Sérgio comenta que: “a formação dos trabalhadores demanda que eles se adaptem às novas tecnologias. O mercado demanda que os trabalhadores se adaptem às novas tecnologias. É possível que nas escolas aconteça uma formação voltada para esse trabalho, mas sempre lembrando que o capital necessita de capital de formações diversificadas, tendo em conta a divisão do trabalho uma divisão de formações diversificadas”.  Portanto, sempre terá espaço para que diversos modelos de educação coexistam.


Os autores Antunes e Augusto Pinto defendem uma reflexão sobre uma educação humanista e emancipatória. Para eles, os modelos de produção fordista e  toyotista influenciaram a formação da população mundial transformando-os em mercadoria. Dessa forma, o livro demonstra que a educação, historicamente, se subordina à lógica do capital. O pesquisador concorda com os autores e explica que a formação dos trabalhadores muda conforme o capital se transforma. Sérgio exemplifica que no processo de industrialização a formação dos trabalhadores foi elaborada e gerida pela burguesia industrial. Atualmente, o setor financeiro, com destaque para os bancos, tem liderado a produção de políticas educacionais, com base nos modelos de gestão empresarial do mercado financeiro. Os modelos de educação pensados por essa fração burguesa, além de contribuírem com a reprodução das desigualdades, se caracterizam pela formação de sujeitos submissos e que consentem com a sociedade burguesa neoliberal. 


 

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Professora comenta os efeitos da exposição prolongada a dispositivos eletrônicos no desenvolvimento dos jovens
por
Carlos E. Kelm
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21/11/2021 - 12h

Por Carlos Daniel Englert Kelm

No livro “A fábrica de cretinos digitais”, Michel Desmurget descreve que pela primeira vez, filhos têm QI inferior ao dos pais. O neurocirurgião francês se baseia em diversos estudos para criticar os hábitos dos chamados ‘Nativos Digitais’. “Inúmeros especialistas denunciam a influência profundamente negativa dos dispositivos digitais atuais sobre o desenvolvimento”, afirma Desmurget.

A doutora em psicologia pela UFMG e professora, Carla Angeluci explica que os dispositivos digitais oferecem alguns riscos para a juventude, mas que não devemos nos precipitar: “É preciso entender que estamos vivendo um momento novo na história da informação, e diante de um fenômeno tão recente, não dá para concluir com precisão com o que estamos lidando. O que dá para dizer é que os dispositivos eletrônicos têm efeitos no desenvolvimento cerebral de crianças, por que já foram observados diversos fenômenos comportamentais novos ligados às telas”, frisa.

Teste de QI

Angeluci comenta os casos que têm sido observados: “Crianças que foram expostas a telas muito cedo, em alguns casos, confundem a interação física com a interação digital. O contato com telas é tão naturalizado que elas manuseiam objetos físicos como se fossem um celular mesmo, pressionando e passando os dedos nas paginas dos livros e outras superfícies”. No entanto, a psicóloga afirma que quase sempre casos como esses são passageiros: “Durante a infância, a criança passa por diversas fases, o cérebro está em constante mudança e aprendizado. Com o tempo, a criança vai conquistando uma compreensão mental e motora maior do mundo e essas questões geralmente são superadas”, explica.

Michel DesmurgetO ‘Efeito Flynn’, citado por Desmurget em seu livro, diz respeito a um fenômeno observado nas últimas décadas: na população mundial há uma tendência na qual filhos que são submetidos ao mesmo teste de QI que os pais, em média, têm um desempenho melhor. O neurocientista explica que nos últimos anos se observou o efeito contrário. Pela primeira vez os filhos teriam desempenho inferior. Para Desmurget, a principal causa disso seria a exposição exagerada a dispositivos eletrônicos.

Angeluci afirma que o Efeito Flynn não deve ser usado como um índice de risco: “O Efeito Flynn é um fenômeno muito interessante, mas não é uma regra. Eventuais alterações podem acontecer. Mas essa mudança observada pode sim ser um aviso para os pais que são muito liberais com relação à internet e celulares”

Para a psicóloga, não há como negar que exista um risco: “Existe de fato um aumento significativo nos casos de TDAH entre crianças. A gente observa um número grande de crianças imperativas, ansiosas ou com algum problema de aprendizado, e talvez o meio digital tenha um papel nisso, mas não dá para afirmar com certeza”,  avalia.

“Algo que se tem observado, principalmente na área da educação, é que a geração digital tem maior dificuldade com a leitura. Mesmo que sejam muito bem alfabetizadas, muita gente tem dificuldade para se concentrar em textos mais longos. Os jovens estão muito habituados a receber informações pela internet, e o tipo de informação que você encontra em sites como o twitter, instagram, etc, é sempre rápida e fragmentada, diferente de um livro”, comenta a professora. Angeluci também recomenda o livro ‘A geração superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros’, do jornalista Nicholas Carr, para quem deseja se aprofundar.

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