Em São Paulo, a rotina de um motorista de aplicativo revela como o trabalho passou a ser guiado por notificações, cansaço digital e um cotidiano moldado pelo brilho constante do celular
por
Carolina Hernandez
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24/11/2025 - 12h

 

Por Carolina Hernandez 

O celular vibra antes que qualquer clarão toque os prédios da Mooca, e essa vibração curta, metálica e insistente desperta Jonas de um sono leve, como se fosse uma convocação, um chamado que não permite adiamentos. Ele estende a mão ainda no escuro, alcança o aparelho, observa a luz que se espalha pelo quarto e lê a notificação do aplicativo que já anuncia alta demanda, fluxo intenso, oportunidade. Nos últimos anos, aprendeu a acordar assim, preso ao brilho do celular antes mesmo de sentir o chão frio sob os pés. O trabalho começa na tela, e não na rua.

No carro, um sedan prata que carrega o desgaste dos dias longos, Jonas encaixa o celular no suporte. O gesto é tão automático que parece parte do ritual de ligar o motor, como se o carro só funcionasse plenamente depois que o aplicativo estivesse ativo. A tela mostra a cidade em azul e amarelo, um mapa vivo onde cada área fervilha com informações que determinam para onde ele deve ir, quanto irá ganhar, quanto tempo deve esperar. O aplicativo calcula rotas, horários, riscos e recompensas, e Jonas respira fundo antes de seguir, como quem aceita que o destino do dia será guiado por aquele retângulo luminoso.

A primeira corrida aparece em menos de quinze segundos. Ele aceita. O carro avança devagar pelas ruas que ainda não despertaram, e Jonas observa o céu sem forma, as luzes dos postes refletidas no capô, o reflexo da tela pressionando seus olhos desde a madrugada. Logo, o trânsito cresce, e a cidade parece surgir inteira de dentro dos celulares dos próprios motoristas, porque ninguém conduz apenas pelas ruas, todos conduzem pelos mapas, pelas notificações, pelas coordenadas enviadas de longe.

A dependência da tela dita o ritmo. Jonas percebe isso a cada minuto. Ignorar uma notificação pode significar perder corridas, perder pontos, perder visibilidade diante do algoritmo. Ele sabe que o sistema registra cada movimento, cada segundo parado, cada mudança de rota, cada hesitação. Uma espécie de patrão silencioso observa sua velocidade, suas notas, seus cancelamentos, suas escolhas. Não há voz, não há rosto, mas há controle. Ele comenta que antes achava que dirigia para pessoas, e hoje sente que dirige para um conjunto de cálculos invisíveis.

O cansaço começa sempre pelos olhos. A luz azulada se infiltra pelas pálpebras como um grão de areia persistente. Mesmo nos poucos minutos de pausa, ele sente o celular vibrar no bolso, chamando de volta, lembrando que há demandas próximas. A Pesquisa TIC Domicílios mostra que o celular tornou-se o principal dispositivo de acesso à internet para a maioria dos brasileiros, mas, para motoristas de aplicativo, é mais que isso, é ferramenta, ponte, segurança, salário e vigilância. Jonas passa mais tempo olhando para a tela do que para qualquer rosto durante o dia.

Os passageiros entram no carro sempre com pressa, sempre conectados a outra conversa que não está ali. Há estudantes que assistem aulas no banco traseiro, executivos que participam de reuniões por vídeo, mães que equilibram sacolas e chamadas, jovens que respondem mensagens durante trajetos de poucas quadras. O carro se transforma em cápsula de passagens breves, onde cada um leva sua própria tela, e Jonas conduz tantas luzes simultâneas que, às vezes, o interior do carro parece mais iluminado durante a noite do que durante o dia.

Ele já ouviu histórias que não estavam destinadas a ele, conversas que vazavam das telas para o espaço do carro, lágrimas silenciosas de quem lia mensagens difíceis, risadas altas de grupos que relembravam memórias por vídeos compartilhados. Jonas sempre percebe que as pessoas falam menos com ele e mais com seus celulares, que olham menos pela janela e mais para notificações. Nos raros momentos de silêncio, apenas as telas respiram, emitindo luzes diferentes em intervalos variados.

No fim da tarde, quando o corpo já pesa, o aplicativo avisa aumento de demanda. Jonas pensa em parar, mas o aviso insiste, promete ganhos extras, sinaliza movimento crescente. Ele encosta em um posto para comprar um café, tenta alongar as costas, tenta piscar devagar para aliviar a ardência nos olhos. O celular vibra antes da primeira golada. Ele volta para o volante. Recusar seria uma escolha, mas uma escolha com consequências. Descanso e trabalho, na lógica do aplicativo, nunca estão em equilíbrio.

A madrugada avança e a cidade se torna uma paisagem de luzes espaçadas, com corredores vazios e poucos ruídos. Jonas leva um jovem que saiu do trabalho no shopping, e o rapaz passa o trajeto inteiro olhando para o celular enquanto mensagens surgem em sequência. Jonas também observa o seu próprio aparelho, que marca a rota até o destino. O carro segue pelas avenidas escuras com apenas as duas telas iluminando o interior, criando um silêncio que parece suspenso no ar.

Quando chega em casa, Jonas desliga o carro, depois o aplicativo, e por fim o celular, que insiste em vibrar com atualizações e resumos do dia. A sala escura o acolhe em um silêncio que chega a parecer estranho, como se o mundo tivesse diminuído de volume. Ele se recosta no sofá e sente o peso acumulado do dia, não apenas o peso físico, mas o peso da luz constante, da atenção exigida, da vigilância permanente que o acompanha desde o amanhecer. O corpo quer descanso, mas a mente ainda repassa rotas, mensagens, barulhos de notificação que permanecem mesmo após a tela apagar.

Amanhã, muito antes de a luz do sol tocar a janela, o celular irá vibrar novamente, e Jonas atenderá, não por escolha, mas por necessidade. Ainda assim, enquanto respira profundamente, sente uma dúvida surgir devagar, como quem desperta de um sonho longo. Ele se pergunta se ainda guia o carro, se ainda conduz o trajeto, ou se apenas segue o ritmo imposto pela tela que nunca dorme. E essa pergunta, ele sabe, continuará voltando. Porque, na madrugada das grandes cidades, o trabalho e a vida estão cada vez mais presos ao mesmo brilho.

Com o avanço do sistema de pedágio eletrônico nas rodovias paulistas, motoristas vivem a combinação entre fluidez no trânsito e incertezas sobre tarifas, prazos e adaptação ao novo modelo.
por
Inaiá Misnerovicz
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25/11/2025 - 12h

Por Inaiá Misnerovicz

 

Dirigir pelas rodovias da Grande São Paulo já não é mais como antes. Com a chegada do sistema free-flow - o pedágio eletrônico sem cancelas -, muitos motoristas sentem que atravessam uma fronteira invisível: não há mais a cancela para frear o carro, mas também não há a certeza imediata de quanto vão pagar. Para Jerônimo, motorista de carro, morador da zona leste de São Paulo que faz quase todos os dias o trajeto até Guararema a trabalho, essa sensação de fluxo e incerteza convive em cada viagem.

Antes da implantação do free-flow, Jerônimo parava em praças de pedágio, esperava, conferia o valor, calculava se valia a pena seguir por um trecho ou desviar. Hoje, ao cruzar os pórticos da Via Dutra ou de outras rodovias, ele simplesmente segue adiante. Só depois, no no aplicativo, descobre quanto foi cobrado, isso quando ele lembra de conferir a fatura. Para quem tem TAG, o débito cai automaticamente, mas para quem não tem, o sistema registra a placa e envia a cobrança que deve ser paga em até 30 dias, sob pena de multa, como prevê a regulamentação da CCR RioSP.

Esse modelo evita paradas e acelera o tráfego, especialmente nas pistas expressas. Segundo a concessionária Motiva/RioSP, quem trafega pelas marginais da Via Dutra (sem acessar a via expressa) não é tarifado. Mas Jerônimo ressalta que essa economia de tempo nem sempre vem acompanhada de previsibilidade de custo: “só sabendo depois quanto foi cobrado, ainda dependo de consultar o site para ver se registrou todas as passagens”, ele diz. A tarifa depende do horário e do dia da semana, pode variar, e para quem usa TAG há desconto de 5%. 

Para tornar essa transição mais suave, a RioSP intensificou ações de orientação nas margens da rodovia e em pontos públicos de Guarulhos. Na capital, promotores usam realidade virtual para explicar como os pórticos funcionam, há vídeos e atendimentos nos postos de serviço. Mais de 500 pessoas já participaram de eventos para esclarecer dúvidas sobre o funcionamento, formas de pagamento e salto entre pistas expressas e marginais.

As novas tarifas também entraram em vigor recentemente: desde 1º de setembro de 2025, os valores para veículos leves nas praças da Via Dutra foram reajustados pela ANTT, e nos pórticos do free-flow os preços também foram atualizados. No caso das rodovias geridas pela Concessionária Novo Litoral - especificamente a SP-088 (Mogi-Dutra), SP-098 (Mogi-Bertioga) e SP-055 (Padre Manoel da Nóbrega) - os valores por pórtico variam de R$ 0,57 a R$ 6,95 para veículos de passeio, dependendo do trecho.

Essa lógica de cobrança por trecho, sem a presença física de praças, exige do motorista algo além de atenção na pista: exige educação para se entender onde entrou, onde passou e quanto isso custou. Para Jerônimo, isso é mais difícil do que simplesmente parar e pagar. Ele admite que, apesar da melhoria no fluxo, teme que algum pórtico não tenha sido registrado, ou que haja diferença entre o que ele acredita ter passado e o que vai aparecer na fatura.

Além disso, há risco real para quem não paga no prazo. A CCR RioSP adverte que a não quitação da tarifa em até 30 dias configura evasão de pedágio, o que pode gerar infração de trânsito, multa fixada e até pontos na carteira. Para muitos, essa penalidade ainda parece pesada diante da novidade e da complexidade do sistema.

Por outro lado, o free-flow traz ganhos concretos para a mobilidade: ao eliminar paradas bruscas nas praças, reduz o risco de acidentes por frenagem repentina e melhora o desempenho das rodovias. A tecnologia permite modernizar a gestão do tráfego, e os pórticos com sensores garantem identificação precisa por TAG ou leitura de placa. Ainda assim, a transformação não se resume à pista. Ela repercute no cotidiano de quem vive dessa estrada, como Jerônimo, e também na forma como a concessionária se relaciona com os motoristas. A campanha de orientação mostra que há consciência de que nem todos se adaptarão imediatamente. As ações de atendimento por WhatsApp, aplicativo, site, totens e até no posto de serviço reforçam a aposta na transparência. 

Há também a perspectiva de que esse modelo se torne cada vez mais comum. Segundo planejamento de concessões futuras, mais pórticos free-flow poderão ser instalados nas rodovias paulistas até 2030, o que tornaria esse tipo de cobrança mais frequente para usuários regulares da malha estadual. Mas para que ele seja efetivamente equitativo, será preciso manter a educação viária, oferecer canais de pagamento amplos e garantir que os motoristas não sejam penalizados por simples falhas de entendimento.

Para Jerônimo, a estrada continua sendo um espaço de tensão e de liberdade. Ele ganha tempo, mas precisa vigiar sua fatura. Ele cruza Guararema, volta para São Paulo, e vive uma experiência nova: a de rodar e pagar depois, sem parar, mas sempre com a incerteza de que quanto passou pode não ser exatamente quanto será cobrado. A cancela desapareceu, mas o pedágio segue presente, só que disfarçado em números, e não em uma barreira física. 

Colunista Marcelo Leite revela que a área perde cada vez mais influência no país
por
Giovanna Britto
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24/11/2025 - 12h

 

Durante a pandemia de Covid-19, o Brasil se reinventou em assuntos a respeito de hábitos higiênicos, debates sobre saúde mental e destacou a importância do jornalismo científico, área  responsável por comunicar à população a respeito das vacinas, o avanço ao combate do vírus e outros assuntos de saúde pública. Entretanto, três anos após o fim do estado emergencial causado pela pandemia, a falta de adesão do público à ciência tem ameaçado o trabalho dos jornalistas desse segmento.

Entre 2020 e 2022, os profissionais da mídia foram expostos ao desafio de comunicar a incerteza científica, traduzir termos e conscientizar a sociedade sobre a pandemia. Muitos jornalistas já eram especializados na área, outros aprenderam a falar sobre ciência devido a alta demanda de notícias para divulgar. A pandemia serviu como ponto de virada para o jornalismo científico - que já existia no Brasil, mas ganhou repercussão graças à necessidade de dar foco ao assunto que ditou o estilo de vida de um mundo inteiro.

Nomes como Atila Iamarino, Natália Pasternak e Álvaro Pereira Júnior se destacaram como grandes vozes da divulgação do jornalismo de ciência. Em entrevista à AGEMT, Marcelo Leite, jornalista e colunista da Folha de São Paulo especializado na área de ciência e ambiente, comenta sobre esse período: “Nunca se valorizou tanto do ponto de vista de espaço, de tempo, de audiência, a divulgação de informações científicas de base para entender o que estava acontecendo.” Hoje, o espaço de fala e a repercussão em temas científicos são menores, uma vez que as pessoas estão cada vez menos interessadas em saber de que forma isso implica em suas vidas pessoais.

Jornalista Marcelo Leite posando para câmera
Formado em jornalismo pela USP, Marcelo também atuou na Revista Piauí e é autor do livro “Psiconautas: Viagens com a Ciência Psicodélica Brasileira”. Foto: Divulgação/Unicamp.

 

Marcelo relembra que o jornalismo científico já sofria com ameaças à sua credibilidade, com falsos especialistas, médicos sem conduta ética e  com o presidente da época, Jair Bolsonaro, reproduzindo falas que levantavam mais dúvidas e ondas de ódio. “Foi um período terrível, e talvez a parte principal, que me deixa mais frustrado, é que o público se dividiu em dois. Uma parte passou  a desconsiderar as informações que a gente, do jornalismo científico, se esforçava por apresentar como informações objetivas, fundadas em dados, com a qualidade que se espera da ciência ", completa.

Na fase posterior à pandemia, após o declarado fim do período emergencial do coronavírus em 5 de maio de 2023, foi possível observar as consequências e heranças que a abundância de informações equivocadas, negacionistas e falsas deixaram na rede de informação, seja online ou offline. Os movimentos anti vacinas, impulsionados durante o Covid, emitiram um alerta para a Organização Mundial de Saúde. Dados divulgados pelo jornal Humanista da UFRGS evidenciam que a cobertura de vacinas contra poliomielite, HPV e sarampo estão em constante queda e sequer atingem a meta em lugares como Norte e Nordeste. 

No anuário de Vacinas de 2025 da Unicef, os dados indicam que até 14 de julho de 2025, a cobertura vacinal dos grupos prioritários permanecia abaixo da meta de 90%: crianças de seis meses a seis anos com 39,5%, idosos com 53,2% e gestantes com 29,8%, correspondendo a menos da metade do público-alvo.

A questão ambiental também é desconsiderada por muitas pessoas. Marcelo afirma que há muitos temas pelos quais o jornalismo científico lutou pelo progresso e que atualmente são banalizados. “se houve alguma dúvida no passado, há 20, 30 anos atrás, hoje não há mais nenhuma dúvida sobre os impactos que estão vindo e virão da mudança climática, cada vez mais sérios. Mas ainda tem gente que questiona.”

Recentemente, casos de metanol que alertaram a população em outubro deste ano, trouxeram uma onda de informações falsas que prejudicaram profissionais da área jornalística e médica, motivando o pronunciamento deles a respeito. Vídeos tentando realizar testes caseiros para identificar a presença da substância nas bebidas, sem comprovação científica, viralizaram nas redes sociais.

Essa situação se assemelha com as polêmicas envolvendo o uso da cloroquina na pandemia. Um levantamento realizado por pesquisadores do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário da USP (Cepedisa) em colaboração com a Conectas Direitos Humanos, mostra que, entre março de 2020 e janeiro de 2021 houve pelo menos quatro medidas federais promovendo diretamente ou facilitando a prescrição do medicamento. Jair Bolsonaro foi um dos maiores promotores da cloroquina na época e quem motivou o uso para a população. Apesar de ter sido associada no combate ao Covid, a cloroquina é um medicamento que atua contra doenças inflamatórias crônicas e no combate a parasitas e cuja eficácia de uso para o coronavírus não é comprovada.

O estudo que deu início a essa ideia foi inicialmente publicado na revista científica International Journal of Antimicrobial Agents e assinado por mais de 10 profissionais. Hoje, a editora da revista, Elsevier, anunciou a retratação deste artigo após uma pesquisa aprofundada, com o apoio de um “especialista imparcial que atua como consultor independente em ética editorial”.

Os profissionais continuam exercendo seu trabalho com excelência, alguns optando pela mídia tradicional, outros inovando nas redes através de vídeos curtos. Mas é inegável a forma com que o jornalismo científico perdeu a influência e como falta apoio em todas as áreas. “É muito triste, porque eu dediquei minha vida inteira ao jornalismo científico, para ver isso acontecer no fim da minha carreira” conclui o jornalista.

Após sete anos, evento volta ao calendário impulsionado pelo avanço dos carros eletrificados
por
Fábio Pinheiro
Vítor Nhoatto
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22/11/2025 - 12h

O Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, um dos eventos mais tradicionais do setor automotivo brasileiro, está de volta após um hiato de sete anos. A edição de 2025 acontece entre os dias 22 e 30 de novembro, em um contexto de profundas transformações na indústria e impulsionada pela expansão de veículos eletrificados, entrada de novas marcas no país e a necessidade das montadoras de reconectar consumidores às experiências presenciais.

De acordo com a RX Eventos, organizadora da mostra bienal, a volta acontece em razão da reestruturação e aquecimento do mercado. A última edição havia sido realizada em 2018 e contou com cerca de 740 mil visitantes, mas devido a pandemia de COVID-19 o Salão de 2020 foi cancelado. Nos anos seguintes, a volta do evento ficou só na especulação. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes Automotores (Anfavea), a pausa também pode ser atribuída à crise de matéria-prima, à retração econômica deste então e ao formato caro para as montadoras que estavam distantes do público.

Embora as duas últimas edições tenham sido no São Paulo Expo, esta acontece no Complexo do Anhembi, casa oficial do evento desde 1970. A mudança foi celebrada por expositores e pelo público, já que o Anhembi permite maior fluxo de visitantes, oferece áreas amplas para test-drive e atividades externas, recuperando a identidade histórica do salão. O retorno também faz parte da estratégia de reposicionar o evento como uma grande vitrine de experiências automotivas, com pistas, ativações e zonas imersivas distribuídas pelo pavilhão.

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Renault anuncia o seu novo carro “Niagara” - Foto: Fábio Pinheiro

Entre as montadoras que vão expor, estão nomes de peso que apostam na ocasião para apresentar novidades ao consumidor brasileiro. A BYD leva ao Salão uma linha reforçada de elétricos e híbridos, aproveitando o crescimento expressivo da marca no Brasil, além de lançar no evento a marca de luxo do grupo, Denza. A rival chinesa GWM também estará presente, com o facelift do SUV H6, o jipe Tank 700 e a minivam Wey 09.

Em relação às marcas tradicionais, a Stellantis vai em peso para o Anhembi. A Fiat, apesar de não ter apresentado nenhum modelo novo, trará o Abarth 600, um SUV elétrico esportivo. A Peugeot terá os 208 e 2008 eletrificados e, principalmente, o lançamento da nova geração do 3008 para o mercado nacional, equipado com o tradicional motor THP. 

Enquanto isso, a Toyota investe na divulgação de novidades híbridas flex, com a chegada do Yaris Cross para brigar com o recém-lançado HR-V, e os líderes Hyundai Creta e Chevrolet Tracker. Juntas, as marcas representam parte do movimento de transformação do mercado brasileiro, que tem apostado cada vez mais na eletrificação e em tecnologias avançadas para rivalizar com a expansão chinesa.

O Salão 2025 também será palco de novas marcas como a Leapmotor, parte do grupo Stellantis. O SUV C10 será o primeiro modelo a chegar às ruas, ainda neste ano, e conta com a versão elétrica (R$189.990) e com extensor de autonomia (R$199.990). O segundo modelo será e o C-SUV elétrico B10, por R$172.990, 60 mil a menos que o rival BYD Yuan Plus, e mais recheado de tecnologia, como teto panorâmico, nível 2 de condução semi autônoma, câmera de monitoramento do motorista e airbag central.

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Presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, anunciou os planos para o grupo - Foto: Stellantis / Divulgação

Já a britânica MG Motor, propriedade da chinesa SAIC, investirá em esportividade elétrica, além de custo-benefício. O modelo de maior volume de vendas deve ser o SUV S5, rival de Yaun Plus, e igualmente equipado ao B10. Em seguida, o MG 4 chega para rivalizar com Golf GTI e Corolla GR, com mais de 400 cavalos, tração integral, pacote de ADAS completo, e pela metade do preço dos rivais. Por fim, o Roadster será o chamariz de atenção no estande, com portas de lamborghini e em homenagem à tradição da marca. 

O grupo CAOA também fará a estreia da nova marca que trará ao Brasil a Changan, com a chegada prevista para 2026 com os modelos de super-luxo elétricos Avatr 11 e 12, além do SUV UNI-T, rival do Compass e Corolla Cross. 

O pavilhão do Anhembi contará com pistas de test-drive, áreas dedicadas a modelos clássicos como o McLaren de Senna, e até mesmo uma área do CARDE Museu. No Dream Lounge estarão presentes super carros como Ferrari e Lamborghini, além da Racing Game Zone para os amantes de videogame e simuladores de corrida. 

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Área externa do Anhembi terá pista de slalom, frenagem e test-drive de dezenas de modelos - Foto: Salão do Automóvel / Divulgação

Apesar da ausência de marcas como Chevrolet, Ford, Mercedes, Volvo e Volkswagen, 2520 montadoras estarão presentes, incluindo Chery, Hyundai, Mitsubishi e Renault. O Salão espera receber cerca de 700 mil visitantes e a edição 2027 já está confirmada. Os ingressos custam a partir de R$63 (meia-entrada) nos dias de semana.

Projeto aprovado pelo Congresso libera R$ 22 milhões do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT)
por
Helena Barra
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17/11/2025 - 12h

Por Helena Barra

 

No dia 4 de agosto de 2025, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou o Projeto de Lei 847/2025. O plano, aprovado pelo Congresso brasileiro, regulamenta o uso dos recursos do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), liberando o valor de R$ 22 bilhões para investimentos nas áreas da ciência e tecnologia.  O FNDCT é o principal instrumento de financiamento público da ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Ele apoia pesquisas científicas, a formação de recursos humanos qualificados, a inovação tecnológica nas empresas, a infraestrutura de pesquisa e o desenvolvimento de projetos estratégicos nacionais.

A professora de economia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Norma Cristina Brasil Casseb, explica que fundos como o FNDCT possuem legislação própria. No caso do FNDCT, segundo dados da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), os recursos são provenientes de diversas fontes. A composição deles evidencia o importante papel do Estado tanto no direcionamento de incentivos diretos do orçamento público e do tesouro, quanto na garantia de que parte dos lucros obtidos pelas empresas do setor detentor e gerador de tecnologia retorne para a sociedade e permita que ela se desenvolva de forma mais igualitária.

Nas redes sociais, o presidente Lula, afirmou que a medida visa fortalecer a base industrial brasileira. “Com essa medida, vamos fortalecer a inovação nas seis missões da Nova Indústria Brasil e nas Instituições Científicas e Tecnológicas, levando infraestrutura, redes de pesquisa e oportunidades para todos os territórios do país. Investir em pesquisa e inovação é investir no futuro do Brasil”, comentou na divulgação.  Além disso, o projeto também tem como objetivo estimular o emprego qualificado em pesquisa e desenvolvimento, de maneira a ampliar o número de doutores em empresas, startups, parques tecnológicos e instituições de ensino. 

Para Norma Casseb, em um país como o Brasil, com alta desigualdade social e elevada concentração de renda, a liberação deste recurso é importante, não só para a sociedade, mas como para a economia nacional. “Neste contexto, o investimento em tecnologia e inovação, combinado a uma estratégia voltada para a industrialização do país, tem uma alta capacidade de geração de empregos de qualidade especialmente no setor produtivo, permitindo elevação na renda da população e, por consequência, maior expansão econômica”, informa a doutoranda. 

Segundo a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), representante das instituições financeiras de fomento habilitadas a operar os recursos do fundo, a nova lei marca uma mudança de postura em relação ao uso dos fundos públicos voltados à inovação. Ao garantir previsibilidade e autonomia na aplicação dos recursos, o Brasil se alinha a boas práticas internacionais de apoio à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico. 

Em entrevista à Agência Brasil, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que, apesar de o FNDCT ter sido criado em 1969, o fundo ganhou maior relevância nos governos do presidente Lula, inclusive no atual mandato. De acordo com o governo, nos últimos dois anos, os investimentos em ciência, tecnologia e inovação por meio do FNDCT aumentaram seis vezes. Saíram de R$ 2 bilhões, em 2021, para R$ 12 bilhões, em 2024. A previsão para 2025 é de cerca de R$ 14 bilhões.

A professora também reforça que o investimento em ciência e tecnologia é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de uma nação. Eles permitem adicionar valor agregado aos produtos brasileiros, além de elevar a produtividade e a competitividade da economia nacional, permitindo que sejam cada vez mais competitivos no comércio internacional.  Além disso, investimentos como o FNDCT podem tornar o País mais que um exportador de produtos de maior valor agregado, mas também um exportador de tecnologia para outros países, que muitas das vezes não possuem capacidade financeira ou de infraestrutura para desenvolverem suas próprias tecnologias.


 

 





 

Invenção desenvolvida por cientistas da Universidade Estadual da Paraíba identifica, em segundos, a presença da substância tóxica usada em bebidas adulteradas
por
Inaiá Fernandes Misnerovicz
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27/10/2025 - 12h

Por Inaiá Misnerovicz

 

Pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) desenvolveram um canudo descartável que muda de cor ao detectar metanol em bebidas. O dispositivo  biodegradável é capaz de identificar, em poucos segundos, a presença do álcool tóxico responsável por graves casos de intoxicação no País. A proposta é permitir que qualquer pessoa reconheça o risco antes de consumir uma bebida adulterada, sem precisar de equipamentos ou conhecimentos técnicos.

O projeto é coordenado por David Douglas, professor e pesquisador do Departamento de Química da UEPB. A ideia surgiu a partir da preocupação com o aumento dos casos de envenenamento por bebidas falsificadas, muitas vezes vendidas em festas, bares e eventos. O grupo buscava uma solução acessível, de baixo custo e uso imediato. Assim nasceu o canudo que muda de cor ao entrar em contato com o metanol.

O metanol é um tipo de produto que oferece um risco silencioso. À primeira vista, parece inofensivo: é incolor, tem cheiro fraco e se mistura facilmente ao etanol, o álcool comum das bebidas. Mas é altamente tóxico. Mesmo em pequenas quantidades, pode causar cegueira, coma e morte. Usado na indústria como solvente e combustível, o metanol jamais deveria estar presente em bebidas alcoólicas. Quando ingerido, o corpo o transforma em substâncias que atacam o sistema nervoso e os olhos, provocando danos irreversíveis.

Douglas explica que o canudo foi projetado para ser usado de maneira simples e intuitiva. . Em seu interior, há uma fita com reagentes químicos sensíveis ao metanol que, ao entrar em contato com a bebida, provoca uma reação capaz de alterar a cor do canudo, geralmente do amarelo para o vermelho. O processo é rápido, dura apenas alguns segundos e dispensa o uso de qualquer aparelho complementar. A ideia central é permitir que qualquer pessoa possa testar a bebida antes de consumi-la, sem precisar ter conhecimento técnico.

Segundo o pesquisador, o objetivo principal é oferecer um produto barato e eficaz. A equipe estima que cada unidade custe menos de dois reais, o que permitiria sua distribuição em larga escala. O canudo foi pensado para ser usado em bares, festas e eventos, mas também por órgãos de fiscalização e vigilância sanitária. Os testes vêm sendo realizados com diferentes tipos de bebidas, como cachaças, vodcas e licores artesanais, para garantir que a reação funcione em todas as composições.

O projeto começou em 2023, nos laboratórios da UEPB, em Campina Grande, e desde então tem recebido apoio de estudantes de graduação e pós-graduação. O grupo trabalha agora na padronização dos resultados, no registro de patente e na busca por parceiros que viabilizem a produção em escala comercial. Paralelamente, a universidade pretende promover campanhas de conscientização sobre os riscos do metanol, incentivando o consumo responsável e a compra de produtos de origem confiável.

O consumo de bebidas adulteradas é um problema de saúde pública no Brasil. O metanol, por ser mais barato que o etanol, é usado ilegalmente na fabricação clandestina. Essa prática ainda causa tragédias em várias regiões do país. Em 2025, surtos de intoxicação foram registrados em estados do Nordeste e do Sul, com dezenas de vítimas. A ausência de métodos simples de detecção e a dificuldade de fiscalização contribuem para o aumento dos casos.

Para David, o canudo funciona como uma ferramenta de prevenção e alerta. Ele não substitui a análise laboratorial, mas serve como um primeiro passo para evitar o consumo da bebida contaminada e estimular denúncias às autoridades. O pesquisador destaca que o ideal seria que ninguém precisasse recorrer a esse tipo de recurso, mas que, diante da realidade do mercado informal, oferecer um meio de defesa à população se torna essencial.

Os sintomas de envenenamento por metanol podem aparecer entre meia hora e doze horas após a ingestão. Entre os mais comuns estão visão turva, dor de cabeça, tontura, náuseas, dificuldade para respirar e, em casos graves, convulsões e coma. O tratamento precisa ser feito rapidamente em ambiente hospitalar. 

O desenvolvimento da pesquisa também mostra a força da ciência feita em universidades públicas regionais. Para o pesquisador, o projeto demonstra que é possível criar soluções inovadoras e de impacto social fora dos grandes centros de pesquisa. Ele destaca que o trabalho coletivo, envolvendo alunos e técnicos, é o que torna o resultado possível. O grupo já estuda novas aplicações para a tecnologia, como o desenvolvimento de palitos, adesivos e fitas reagentes capazes de identificar outros tipos de adulterantes, como solventes e corantes ilegais.

Douglas lembra que, em outros países, iniciativas parecidas ainda são raras e muitas vezes caras. O diferencial da equipe paraibana está no foco na simplicidade. O canudo é barato, descartável e usa materiais que não agridem o meio ambiente. É uma tecnologia pensada para o cotidiano, para chegar a quem mais precisa. A pesquisa tem despertado o interesse de instituições de ensino e de agências de fomento científico. O grupo da UEPB já foi convidado a apresentar os resultados preliminares em eventos acadêmicos e feiras de inovação. A expectativa é que, até o final de 2026, o produto esteja disponível comercialmente, após os testes de segurança e a aprovação dos órgãos reguladores.

Além da inovação química, o canudo também levanta um debate sobre educação científica e cidadania. O pesquisador acredita que a disseminação da informação é essencial para reduzir o número de casos de intoxicação e para valorizar o papel da ciência pública no enfrentamento de problemas sociais. A equipe planeja, junto à Pró-Reitoria de Extensão da UEPB, criar oficinas educativas em escolas e comunidades, unindo ciência, saúde e responsabilidade social.

Casos de intoxicação por metanol têm sido recorrentes no mundo todo. Em 2022, um surto na Índia matou mais de 40 pessoas após o consumo de uma bebida clandestina. No México, dezenas foram hospitalizadas em festas locais. No Brasil, os registros se multiplicam, especialmente em períodos de festas populares. Apesar disso, são raros os métodos de detecção acessíveis ao público. O canudo criado na Paraíba surge como uma inovação com potencial global, justamente por unir simplicidade, baixo custo e impacto social.

Enquanto o produto não chega ao mercado, os pesquisadores reforçam a importância de comprar bebidas apenas de fontes confiáveis, com rótulo e registro. Preços muito baixos e embalagens improvisadas são sinais de alerta. O pesquisador também destaca que as autoridades precisam intensificar a fiscalização, especialmente em períodos de festas populares e feriados prolongados.

Trabalho remoto intensifica problemas posturais e as dores musculares causadas pelo uso prolongado de telas sem o cuidado necessário.
por
Júlia Polito
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17/11/2025 - 12h

Por Júlia Polito

 

Andreia Basílio tem 38 anos e trocou o escritório pela mesa da sala, onde passa a maior parte do dia diante do notebook. O conforto do trabalho remoto logo revelou um custo: o corpo começou a dar sinais de alerta. Nos últimos tempos, Andreia tem sentido dores constantes no pescoço e percebeu que sua postura piorou significativamente desde que começou a trabalhar de casa. Ainda assim, não buscou atendimento médico, tentando lidar sozinha com o incômodo que se tornou parte da rotina. O que começou como uma solução prática para flexibilizar o trabalho tornou-se um desafio para o corpo humano.

O aumento do home office e a presença constante das telas na rotina de profissionais de diferentes áreas transformaram o modo de trabalhar e, junto com isso, surgiram novos problemas de saúde. Entre as queixas mais comuns estão as dores musculares, o cansaço visual e as lesões por esforço repetitivo, todas agravadas pela falta de uma estrutura ergonômica adequada. Por conta disso, Andreia tentou pequenas adaptações ao longo do dia, ajustando a cadeira ou apoiando o computador em livros, mas admite que o improviso não substitui um ambiente pensado para o bem-estar físico. Mesmo com pausas para tomar um café ou ir até a portaria, as tensões nos ombros e a rigidez no pescoço continuam a aparecer com frequência, especialmente nos dias em que passa mais tempo diante das telas.

Foi o que também observou a fisioterapeuta Soraya, especialista em ortopedia, com 25 anos de formação e mais de duas décadas de atuação clínica. No consultório, ela percebeu que o número de pacientes com dores posturais aumentou consideravelmente desde que o trabalho remoto se tornou rotina após a covid 19. Ela comenta que as alterações posturais, tendinites, lombalgias e cervicalgias cresceram junto com o home office, e não foi por acaso. Segundo ela, a ergonomia doméstica ainda é precária: muitas pessoas trabalham na cadeira da sala, no sofá ou até mesmo na cama, posições que sobrecarregam o sistema musculoesquelético e, ao longo do tempo, geram dor e inflamação.

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                        (Foto/Reprodução: Arquivo pessoal)

 

No Brasil, a Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17) estabelece parâmetros para adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Criada pelo Ministério do Trabalho, ela determina que as empresas devem oferecer mobiliário, equipamentos e condições ambientais adequadas, além de instruções ergonômicas que garantam conforto, segurança e desempenho eficiente. Mas, na prática, grande parte das empresas ainda descumpre essas diretrizes — especialmente quando se trata do home office.

Soraya conta que já atendeu diversos pacientes cujo quadro de dor se agravou por causa da má postura. Muitos deles já apresentavam algum problema ortopédico anterior, como um desvio de coluna, bursite ou início de hérnia de disco, e acabaram piorando com o trabalho remoto. Ela lembra de um caso mais grave: um homem que passava o dia em reuniões, mal acomodado em uma cadeira comum. O quadro evoluiu para uma lesão lombar séria, quase cirúrgica. Com muita fisioterapia, RPG e pilates, o paciente conseguiu reverter o problema — mas apenas depois de adaptar sua casa com aparelhos corretos.

A posição errada durante longas horas pode comprometer músculos, articulações e até estruturas da coluna. Além disso, o uso de notebooks sem teclado e monitor separados exige que o usuário mantenha o olhar voltado para baixo por muito tempo, forçando pescoço e ombros e gerando sobrecarga. Assim, trabalhar em casa sem o suporte físico de um ambiente projetado para o corpo faz com que muitos repitam diariamente posturas prejudiciais. Com o tempo, o que começa como uma dor passageira pode evoluir para problemas crônicos, como hérnias de disco e tendinites.

Para Soraya, quem já está estabelecido no modelo remoto precisa transformar um canto da casa em um espaço realmente pensado para o trabalho. Ela reforça que é essencial ajustar a altura da mesa, da tela e do apoio de braços e pés, além de investir em uma cadeira adequada. Segundo a fisioterapeuta, ficar muito tempo na mesma posição pode causar compressões nervosas, como no ciático e levar a fraquezas musculares, desvios posturais e hérnias de disco. Também alerta para o aumento de tendinites, bursites e outras patologias que atingem o sistema musculoesquelético.

Apesar do desconforto, Andreia costuma encarar as dores como algo temporário. Enquanto busca maneiras de equilibrar produtividade e bem-estar, tenta reorganizar o espaço em casa para torná-lo mais confortável. O trabalho remoto, que trouxe praticidade, também a fez repensar a importância de cuidar da própria saúde. Essa consciência, reforçada pelas orientações de profissionais como Soraya, tem sido o que a motiva a incluir atividades físicas na rotina e a se mover mais entre uma tarefa e outra.

E ela não está sozinha. Em cada casa transformada em escritório há um corpo aprendendo a negociar seus limites com as demandas do trabalho. O silêncio das paredes é cortado pelo som contínuo do teclado, e a dor, aos poucos, se torna um idioma comum entre os que vivem diante das telas. Um desses corpos é o de Roberto Antonio, 58 anos, corretor de seguros. Desde que começou a trabalhar em casa, há cinco anos, ele sente que o corpo passou a dar sinais contra a rotina. As dores começaram discretas, um incômodo nas costas depois de longas horas sentado. Depois, o pescoço começou a endurecer, o braço a doer e o pulso a inchar.

Quando o diagnóstico de tendinite veio, não houve surpresa, apenas a constatação de algo que ele já pressentia: o corpo havia chegado ao limite. Ele descreve o dia como uma sucessão de pequenos desconfortos que se acumulam até se tornarem insuportáveis. A cadeira da sala, usada na mesa de jantar, já perdeu o estofado. A mesa é baixa demais, obrigando-o a curvar os ombros. A luz do teto projeta uma sombra incômoda sobre o teclado, e ele precisa se inclinar ainda mais para enxergar a tela. Cada gesto — digitar, clicar, mover o mouse — é repetido muitas vezes por dia, como um ritual de desgaste. O corpo, antes invisível, torna-se o centro da experiência de trabalhar.

Antes da pandemia, o corretor trabalhava presencialmente, em uma sala alugada, com mobiliário adequado e estrutura ergonômica correta. Com a chegada do vírus e o isolamento, devolveu as chaves e transformou o lar em escritório. O corpo humano, feito para o movimento, foi aprisionado em cadeiras estáticas e mesas improvisadas. A promessa de liberdade que o home office trouxe se tornou, para muitos, uma nova forma de confinamento. O trabalho saiu do escritório, mas as exigências ficaram e, sem fronteiras claras entre o que é casa e o que é expediente, o corpo passou a não saber mais quando descansar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a ergonomia como fator essencial para a saúde ocupacional. De acordo com um relatório recente, as lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) já estão entre as dez principais causas de afastamento do trabalho no mundo, afetando especialmente profissionais de escritório e tecnologia. A OMS alerta que o número de casos de dor crônica em trabalhadores remotos cresceu 30% nos últimos cinco anos, e que a tendência é de alta se não houver mudanças estruturais. Enquanto isso, as empresas ainda vagam entre o discurso e a prática. A Norma Regulamentadora nº 17, que obriga o empregador a garantir condições ergonômicas mesmo fora do ambiente físico, é frequentemente ignorada.

Andreia e Roberto representam dois lados de uma mesma história: a tentativa de adaptar o humano ao digital sem medir as consequências físicas dessa transição. Ambos buscam maneiras de sobreviver à rotina que a tecnologia prometeu simplificar, mas que o corpo insiste em complicar. Como lembra Soraya, o corpo não entende de metas nem de prazos, entende de dor. E ela é, talvez, a forma mais honesta de resistência diante de um mundo que pede produtividade constante.

No fim do dia, quando o computador se apaga e o silêncio volta, fica o eco das dores que o trabalho remoto espalhou pelas casas. Andreia e Roberto são apenas dois exemplos de um mal que grande parte da sociedade sofre. Ela estica o pescoço, ele massageia o pulso. Ambos respiram fundo e continuam a rotina, afinal, a vida não para. O trabalho passou, mas a dor insiste em ficar.

Por trás de algoritmos racionais, a criatividade e a perda do senso crítico se tornam a mira de big techs
por
Luiza Zequim
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17/11/2025 - 12h

Por Luiza Zequim

 

A sensação de que o celular está lendo mentes tornou-se cada vez mais presente nas novas gerações, mas, para o sociólogo Alexandre Simões, não há mágica nisso. É o trabalho de um mecanismo complexo: o algoritmo. A inundação de anúncios de tênis ou destinos de viagem logo após uma conversa casual é a ponta visível de um problema profundo. Para o especialista, esses códigos invisíveis e onipresentes são hoje os principais agentes do imaginário coletivo. Projetados para conseguir engajamento a todo custo, eles têm um efeito colateral que, na análise de Simões, molda ativamente como a sociedade consome, se comporta e prefere determinados temas. O que começa como uma simples personalização de conteúdo, mostrando mais vídeos de culinária ou notícias de futebol, evolui rapidamente para um complexo sistema de filtragem ideológica.

Para entender a ferramenta por trás disso, Antonio Pereira, estudante de Tecnologia da Informação da UFF (Universidade Federal Fluminense), oferece uma visão prática. Ele explica que o algoritmo não é uma entidade mística, mas sim um conjunto de regras lógicas, como uma receita de bolo extremamente detalhada. 

Na cozinha, a receita diz quando adicionar a farinha, na Internet, o algoritmo diz ao sistema como agir e o que responder à interação do usuário. Nas redes sociais, Pereira detalha que essa "receita" é alimentada em tempo real. Cada clique, cada segundo que o olho se detém em uma foto, cada like e até mesmo as hesitações do usuário são ingredientes. O objetivo dessa metodologia é prever o que o consumidor quer ver no próximo segundo.  Antônio explica que o sistema realiza testes constantes, em milissegundos, para ver qual variação de conteúdo — qual cor de botão, qual manchete, qual vídeo — segura a atenção por mais uma fração de segundo. É um processo de otimização que não visa o bem-estar do usuário ou a veracidade da informação, mas apenas a métrica de "tempo de tela".

Enquanto Pereira foca no "como" técnico, o sociólogo Alexandre foca no "porquê" social. Para Simões, o objetivo dessa "receita" é mais profundo: decidir o que você vê e com que frequência. O sociólogo adverte que este é um ciclo vicioso. A problematização central é que ao nos tornarmos peritos em apenas consumir o que gostamos, o algoritmo para de nos mostrar o que não estamos interessados, ou simplesmente o que é diferente. É a entrada no que o sociólogo define como “Bolha de Filtro”, um processo algorítmico e passivo. Os aplicativos, como TikTok e Instagram, aprendem os padrões do consumidor digital e, com base nessa coleta de dados, começam a "protegê-lo" de conteúdo que possa repeli-lo do programa. Simões alerta que o resultado desse sistema complexo é a eliminação de visões de mundo opostas e discussões aprofundadas.

Como consequência, entramos na Câmara de Eco, um processo que o especialista descreve como ativo e social. É neste ambiente digital que pequenos grupos escolhem se reunir e reforçar mutuamente suas crenças nichadas. O espaço não só valida a informação que a bolha de filtro selecionou, como também reforça e blinda aquele público específico.

A bolha não apenas nos isola do "outro", mas também congela a nossa própria identidade. O crescimento pessoal e a empatia nascem da dissonância cognitiva, do desafio e do pensamento crítico. Ao eliminar esse atrito, a internet cria indivíduos mais rígidos, menos criativos e nada tolerantes. 

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Manchetes políticas que ilustram o resultado de uma sociedade dividida em bolhas sociais intolerantes. Foto: Google/CartaCapital/InfoMoney

 

Além disso, as bolhas são as incubadoras ideais para a desinformação proliferar, seja na saúde ou na política. O mecanismo funciona através da erosão da confiança. Dentro desses grupos, o usuário é alimentado com um fluxo constante de informações que confirmam suas suspeitas pré-existentes. Quando uma fake news surge, ela não choca. A nota é recebida como a "peça que faltava" no quebra-cabeça, confirmando o que as pessoas já acreditavam.

Na raiz de tudo, Simões identifica uma lógica econômica implacável. O produto vendido não é realmente o conteúdo, mas a atenção do usuário. Similar ao processo de valorização de uma garrafa de água, o preço equivale ao material do plástico que envolve a bebida, e não ao líquido por si só. O modelo de negócios da "economia da atenção" exige que as plataformas maximizem o tempo de tela a qualquer custo. Isso significa que os algoritmos são incentivados a explorar fraquezas psicológicas e transformá-las em consumo monetário. 

Diante desse cenário, não há uma solução fácil, mas um caminho duplo. Por um lado, temos a responsabilidade das próprias plataformas, que não devem ser isentadas. Por outro, entender que o feed não é uma janela para o mundo, mas um espelho distorcido e curado para prender a atenção, é a noção essencial para que o indivíduo consiga ter consciência de qual sistema está inserido e como deve, de vez em quando, furar sua película de proteção.

Mudanças tecnológicas e institucionais não têm melhorado a experiência dos usuários na capital paulista.
por
Enrico Peres
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20/11/2025 - 12h

Por Enrico Peres

 

Todas as manhãs, milhares de paulistanos atravessam a cidade guiados por um mesmo ritual: acordar cedo, caminhar até o ponto, esperar um ônibus que talvez não chegue na hora prometida e torcer para que o Bilhete Único não trave no validador. É um percurso repetido à exaustão, um caminho longo que não aparece em mapa algum, o caminho emocional de quem depende do transporte público para manter a própria vida funcionando. Na prática, a mobilidade de São Paulo se tornou uma prova diária de resistência, onde a tecnologia, tão celebrada nos discursos oficiais, muitas vezes funciona como mais um obstáculo.

Enquanto a cidade repete mantras sobre inovação, sustentabilidade e modernização, o cotidiano segue preso a falhas antigas. São Paulo gosta de se apresentar como referência global, exibir sua frota de ônibus elétricos, seus aplicativos integrados e seus planos de transformação digital. Mas quem depende do transporte sabe que há um abismo entre o anúncio e a realidade. Em março de 2025, uma falha generalizada no Bilhete Único deixou multidões em filas intermináveis para regularizar cartões bloqueados. O mesmo sistema que, na teoria, deveria descomplicar o acesso ao transporte. A cidade parece operar em duas velocidades: a da vitrine tecnológica e a da vida comum, onde o simples ato de embarcar em um ônibus pode virar mais um golpe para quem já vive no limite.

Esse contraste cresce em um momento de instabilidade institucional. A proposta do prefeito Ricardo Nunes de extinguir a SPTrans, órgão responsável por planejar e monitorar o sistema há mais de três décadas, e transferir suas funções para a SP Regula, agência sem tradição no setor, trouxe insegurança para quem acompanha a mobilidade pública da cidade. A crise não é só administrativa: é simbólica. Coloca em risco o conhecimento acumulado por profissionais que construíram o transporte paulistano e abre espaço para decisões desconectadas da complexidade operacional da frota. Para quem depende do ônibus, essa incerteza não aparece em discursos, aparece no atraso, na catraca travada, no trajeto que demora o dobro do tempo.

Tecnologias que deveriam aproximar o usuário do sistema acabam criando novas barreiras. O aplicativo da SPTrans promete orientar trajetos e horários em tempo real, mas falha em localizar ônibus, atrasa informações e tem interface pouco acessível. Para quem não possui smartphone, crédito de internet ou familiaridade digital, ele simplesmente não existe. O Bilhete Único, outro símbolo da modernização, se tornou instável: validações que falham, máquinas de recarga sem funcionamento, cartões bloqueados sem explicação. Quando isso acontece no meio da viagem, o usuário não vê um “erro técnico” vê o custo emocional e financeiro de depender de um sistema que não o reconhece plenamente.

Outras iniciativas reforçam essa sensação de desconexão com a realidade das ruas. A bilhetagem via QR Code exige celular, câmera e internet. Ferramentas inacessíveis para uma parte significativa dos passageiros. A biometria facial, testada como promessa de segurança, levanta dúvidas sobre privacidade e eficácia em uma rede que ainda não consegue garantir previsibilidade básica. E a suspensão da plataforma SMGO, que monitoraria a frota em tempo real, deixou um vácuo operacional: sem dados confiáveis, o planejamento se perde, e o usuário paga a conta na forma de atrasos e ônibus lotados.

Até esforços positivos, como a introdução de ônibus elétricos, acabam ofuscados pela falta de infraestrutura. Eles representam menos de 7% da frota total e enfrentam dificuldades de manutenção e recarga, tornando o discurso ambiental um símbolo mais político do que funcional. Há modernização sim, mas ela vem em parcelas pequenas, incapaz de equilibrar a balança entre promessa e experiência real.

No fim, a mobilidade urbana em São Paulo revela um paradoxo: a tecnologia está presente, mas não está a serviço de quem mais precisa. O sistema deveria reduzir distâncias, mas muitas vezes cria outras. Deveria facilitar a vida, mas frequentemente a atravanca. Deveria acolher todos os perfis de usuários, mas exclui quem não se encaixa no padrão digitalizado que a cidade insiste em impor.

O futuro da mobilidade paulistana não depende apenas de novos aplicativos, ônibus elétricos ou mecanismos de biometria. Depende de reconhecer que dignidade e acesso são tão importantes quanto inovação. E que, antes de anunciar soluções futuristas, São Paulo precisa garantir o básico: fazer o ônibus chegar, fazer o cartão funcionar, fazer o passageiro sentir que o sistema realmente foi feito para ele.

Falha em data center da AWS na Virgínia derruba aplicativos e sites populares no mundo todo, expõe fragilidade das infraestruturas digitais e reacende debate sobre dependência global de serviços de nuvem
por
Wanessa Celina
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21/10/2025 - 12h

Por Wanessa Celina

 

Na madrugada do dia 20 de outubro, uma grande instabilidade no Amazon Web Services (AWS), plataforma de computação em nuvem da Amazon, derrubou um número significativo de sites e aplicativos. Mais de 500 sistemas ficaram temporariamente fora do ar, entre os serviços atingidos estiveram os próprios produtos da Amazon, como a assistente virtual Alexa e o streaming Prime Video, o jogo Fortnite e Duolingo. 

O problema se concentrou na região us‑east‑1 (Norte da Virgínia, EUA), principal centro de dados da AWS, e provocou interrupções em grandes redes sociais, plataformas de jogos e serviços financeiros. Foram registrados cerca de 6,5 milhões de alertas de falhas logo na manhã de segunda-feira. 

O apagão da AWS reacende um histórico recente de falhas em grandes provedores de nuvem. Em junho de 2025, uma pane global no Google Cloud provocou queda de plataformas que dependem da gigante americana, afetando serviços do Spotify, Snapchat, Discord e outros por cerca de duas horas. Na ocasião, o Google solucionou o problema em poucas horas e prometeu divulgar uma análise posterior. A Microsoft Azure também passou por incidentes graves: em janeiro de 2023, uma falha de conectividade derrubou o Azure globalmente, suspendendo o funcionamento de serviços do Office 365 como Teams e Outlook por várias horas. 

A AGEMT, para entender mais sobre como essa instabilidade foi causada, conversou com o Analista de Tecnologia de Informação, Bruno Azuma Balzano. A falha ocorrida foi em um servidor específico da Amazon, que, por ter um custo mais baixo, é o mais utilizado pelas empresas. Balzano explica que as falhas são raras, “esses serviços de nuvem têm vários data centers interligados, mas relativamente isolados, uma falha de uma, geralmente, não afeta a outra.” 

Um data center bem construído tem uma diferença de tempo resposta do aplicativo pela localização imperceptível pelo usuário comum. Isso faz com que as empresas escolham, com mais facilidade, um serviço mais estável e com um custo menor, o que explica  a grande dependência das grandes empresas, inclusive brasileiras, nessas áreas que foram afetadas pelo apagão.  

Os data centers, explica o analista Bruno, têm um alto custo para manutenção e para ter um ambiente adequado para eles. “Se as empresas, especialmente startups, forem esperar ter esse tipo de infraestrutura antes de começar o negócio, vai invalidar o próprio negócio, porque ele é um custo muito alto logo no início, que você não sabe nem se a sua ideia de aplicativo, de negócio, é válida ou não”, explica. 

Assim entra a vantagem de ter uma nuvem, pagando um aluguel para alguém que já mantém esse ambiente e tem um especialista para bancar, as empresas conseguem um ambiente robusto, a um preço baixo do que eles dedicariam em um próprio data center.  Para empresas de varejo, cita Balzano, a nuvem tem extrema importância, porque durante os picos de acesso,  como o Natal e Black Friday, é possível aumentar a capacidade de processamento nesses dias e depois reduzir. 

Enquanto alguns especialistas olham para o apagão como uma falha na economia digital, Bruno observa de outra forma. Para ele, esse apagão pode ser visto como uma característica da economia definida como monopólio natural. ”Quando tem um serviço que é muito caro para um novo competidor entrar no mercado e, ao mesmo tempo, é muito barato para alguém que já está estabelecido ampliar um pouco a sua capacidade de conseguir mais clientes”, assim, entende Balzano, que o fornecimento de serviços na mão de um ou de poucos fornecedores, o que acontece com a nuvem, é o que resulta esse plano em várias dependências. 

Um único ponto de falha ou uma decisão unilateral por parte desses gigantes da tecnologia pode desencadear consequências catastróficas, como evidenciado pelo "apagão". Mesmo assim, existem formas que cada empresa pode fazer para mitigar os efeitos, caso haja uma outra falha. 

Bruno Balzano descreveu três estratégias que poderiam ser eficientes para as empresas: utilizar mais de uma região da própria nuvem, a chamada redundância, a replicação do aplicativo e dos dados em outra região. A segunda estratégia semelhante, dada pelo analista, é a contratação de mais de um provedor, tendo, assim, uma arquitetura de aplicação, “você coloca o mesmo sistema na Amazon e na Google, por exemplo, e aí se a Amazon tiver uma falha, você está seguro com a Google e vice-versa.”, demonstra Bruno. A terceira estratégia é a da empresa ter seu próprio data center, não abandonando a nuvem para os dias de altas demandas, como o Natal, assim, você garante um funcionamento mínimo com o seu data center, fazendo a arquitetura de aplicação. 

Em algumas empresas, a terceira estratégia está sendo mais utilizada, nos últimos anos, assim que os negócios se consolidam, as empresas montam seus próprios data center  e abandonam a dependência nas nuvens. Mas, é preciso ficar atento, ter um data center não é a única garantia: contratar uma boa consultoria de tecnologia e melhorar a robustez da infraestrutura os serviços, especialmente em empresas Astech, é fundamental para Bruno Balzano, “precisa ter um olhar mais atento para essas questões de infraestrutura de continuidade do serviço quando o objeto final deles dependem do serviço funcionando”.