Paróquias da cidade têm programação junina, reunindo fiéis e moradores em festas com comidas típicas, brincadeiras e atrações para toda a família
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Raissa Santos
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23/06/2026 - 12h

O mês de junho sempre traz consigo o cheirinho agradável do vinho quente, decorações com bandeirinhas coloridas e festividades que movimentam comunidades religiosas por todo país. Em São Caetano do Sul, sete das 11 paróquias que compõem a Forania da cidade preparam quermesses que reúnem fiéis em celebrações marcadas por comidas típicas, música e atividades para toda a família. 

As festividades, que começaram em maio com a quermesse da Paróquia São Bento — já encerrada — se estendem até o fim de julho, tomando conta dos pátios das igrejas espalhadas pela cidade. No Centro, a festa da Matriz Sagrada Família segue até o dia 28 de junho, sempre das 16h às 22h. O cardápio oferece aos visitantes opções clássicas como cachorro-quente, espetinhos, milho-verde, além de bebidas típicas como quentão, vinho quente e o tradicional chá do padre. 

No bairro Jardim São Caetano, a Paróquia Santo Antônio também segue com a quermesse até o dia 28, quando realizará o seu tradicional bingão. Voluntária desde 2023, Milena Drudi, de 22 anos, destaca que participar da organização da festa é uma experiência desafiadora e divertida ao mesmo tempo. Neste ano, após deixar a coordenação da barraca das brincadeiras, ela passou a colaborar em diferentes setores da quermesse. Segundo ela, a mudança permitiu conhecer novas funções e ter mais contato com o público. “Foi muito divertido trabalhar como voluntária e também exercitar minhas habilidades sociais. A experiência no caixa foi uma das mais desafiadoras e, ao mesmo tempo, uma das mais divertidas”, conta. 

Já a Paróquia Nossa Senhora da Candelária, no bairro Cerâmica, mantém sua quermesse até o dia 5 de julho, oferecendo ao público as tradicionais barracas de comidas típicas e um ambiente de confraternização para a comunidade. O mesmo acontece na Paróquia São João Batista, que também segue com sua programação até 5 de julho, mantendo seu tradicional bingo e reunindo fiéis e moradores para celebrar o período junino. 

Domitila Barbosa, de 15 anos, conta que frequenta a São João Batista com a família desde 2008, e participa da barraca do bingo junto de seu pai desde que ele assumiu a coordenação em 2018. “No nosso bingo, quase todo final de semana, temos uma rodada que sorteia um bicho de pelúcia gigante e as crianças ficam super animadas pedindo para os pais participarem do bingo”, destaca.

Frequentadores em bingo da Paróquia São João Batista. Foto: Reprodução / Instagram Paróquia São João Batista SCS
Frequentadores em bingo da Paróquia São João Batista. Foto: Reprodução / Instagram Paróquia São João Batista SCS 

Na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, as festividades acontecem até o dia 5 de julho, das 18h às 22h. Além das comidas e bebidas típicas que marcam as quermesses, a paróquia preparou atrações especiais para o público. Entre os destaques estão o posto de troca de figurinhas e um telão que transmitirá os jogos do Brasil na Copa. Heitor Souza Móda, de 15 anos, frequenta a paróquia desde os 10 anos de idade e esteve na quermesse durante o jogo do Brasil contra o Marrocos ao lado dos amigos do grupo de jovens. “É um ambiente gostoso que podemos conviver, é legal ver o jogo com a família, mas com todo o pessoal aqui e as comidas, tudo fica melhor” contou ele. 

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Quermesse da Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Foto: Jaqueline Borges

Encerrando a programação, a Paróquia Nossa Senhora das Graças realiza sua quermesse até o dia 26 de julho, sempre das 18h às 22h. Além dos tradicionais lanches, doces e bebidas típicas, a festa também incorporou ao cardápio opções de tempurá de legumes e camarão, oferecendo um diferencial gastronômico aos visitantes.

Com opções espalhadas por diferentes bairros e datas que se estendem até o final de julho, às quermesses de São Caetano do Sul surgem como uma oportunidade para reunir a família, estreitar laços e fortalecer a convivência comunitária, mantendo viva uma das tradições mais populares do calendário brasileiro.

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Ele é o responsável por manter o padrão de qualidade e credibilidade de alguns veículos de imprensa de grande circulação no país
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Julia Jorge de Oliveira
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08/06/2026 - 12h

O profissional de edição atua em redações jornalísticas e realiza suas funções em equipe. Sua responsabilidade é verificar, filtrar e hierarquizar as informações que chegam aos veículos de imprensa. O objetivo é transformar essas informações em um produto, ou seja, a notícia final, para ser comercializada e entregue ao público de maneira clara e objetiva. O editor de vídeo Gabriel Neri Reis, 26, trabalha na redação da Revista Oeste desde 2022 e afirma que, desde criança, sonhava em ser editor de vídeo em um  veículo de comunicação do país. Aos 11 anos, iniciou sua trajetória na fotografia, mas logo migrou para a área de edição em razão do grande volume de trabalho gerado pela internet, principalmente após o surgimento do YouTube. 

Segundo Reis, as habilidades mais importantes para trabalhar na área são ter boas referências sobre os assuntos abordados, muita paciência e um olhar preciso e sensível para as imagens utilizadas em uma edição de vídeo. Ele complementa que existem diferentes tipos de edição no mercado jornalístico, como a edição de documentários, filmes e telejornais. Esta última é mais objetiva e busca apresentar informações, relatos e imagens reais. 

Reis declara que a profissão é voltada para pessoas que não estão em busca de reconhecimento imediato, afinal, o nome dos editores aparece discretamente ao final dos trabalhos. O editor não é apenas o responsável por criar projetos audiovisuais, mas também por aprimorar o conteúdo gravado e adaptá-lo aos formatos das redes sociais. Três grandes projetos marcaram sua trajetória profissional. O primeiro foi uma série documental de investigação sobre a morte de Marielle Franco, no GloboPlay; o segundo, um documentário sobre o cinema; e o terceiro, um documentário sobre as chuvas que atingiram e devastaram diversas famílias no Rio Grande do Sul. 

O especialista em edição afirma que a Inteligência Artificial não tende a eliminar a função do editor de vídeo, mas a transformá-la. Tarefas consideradas repetitivas e operacionais podem ser automatizadas, à medida que cresce a demanda por profissionais capazes de interpretar dados e tomar decisões editoriais complexas. Ao mesmo tempo, surgem preocupações relacionadas à redução de postos de trabalho em atividades mais rotineiras e à necessidade de requalificação profissional, pois nossa principal responsabilidade é transformar imagens brutas, entrevistas e materiais gravados em uma narrativa clara, objetiva e informativa, respeitando os critérios editoriais e éticos de cada veículo de comunicação. 

A tendência no jornalismo brasileiro é a valorização do trabalho do editor como verificador e gestor da qualidade editorial. Em vez de substituir esse profissional, a Inteligência Artificial tende a ampliar sua capacidade de trabalho, exigindo novas competências ligadas à tecnologia e à análise de dados. É importante destacar que a credibilidade, o julgamento humano e a sensibilidade jornalística continuam sendo elementos essenciais para a atividade editorial no jornalismo brasileiro.

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Em outubro, o cantor apresenta o espetáculo “Alquimia Popular Brasileira” no Nubank Parque
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Thais Oliveira
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03/06/2026 - 12h

O cantor e compositor Jorge Ben Jor, 87, retorna aos palcos paulistas no dia 17 de outubro com o espetáculo “Alquimia Popular Brasileira”. A apresentação acontece no Nubank Parque, o antigo Allianz Parque, em São Paulo, e propõe uma celebração da trajetória do artista por meio de um repertório que atravessa diferentes fases da sua carreira.

Com produção da 30e, o show vai reunir clássicos que marcaram gerações, como “País Tropical”, “Mas Que Nada” e “Taj Mahal”. O título do espetáculo faz referência à mistura de ritmos e influências que caracterizam a obra de Jorge Ben Jor, desde os anos 1960. Ao longo da carreira, o artista consolidou uma linguagem musical única ao unir samba, soul, funk, rock e elementos da música afro-brasileira.

Pôster de divulgação do novo show 'Alquimia Popular Brasileira', de Jorge Ben Jor. (Foto: Divulgação/Eventim)
Pôster de divulgação do novo show 'Alquimia Popular Brasileira', de Jorge Ben Jor Foto: Divulgação/Eventim ​​​​​

 

Com mais de seis décadas de carreira, Jorge Ben construiu uma trajetória marcada por sucessos que permanecem entre os mais conhecidos na música popular brasileira. Desde os anos 1960, o artista acumula canções que seguem presentes no imaginário popular e continuam sendo regravadas por outros artistas, mantendo o repertório em circulação até os dias atuais.

A dimensão de sua trajetória também se reflete nos palcos. Em 1993, Jorge Ben Jor e Tim Maia reuniram cerca de três milhões de pessoas em um show de Réveillon na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, um dos maiores públicos já registrados para uma apresentação musical no Brasil. O show entrou para a história  e permanece como um dos momentos mais emblemáticos da trajetória do cantor. 

Em comunicado à imprensa, Jorge Ben Jor destacou a importância da troca com o público durante as apresentações ao vivo. Segundo o artista, o show em São Paulo será uma oportunidade de celebrar sua trajetória musical por meio de canções que marcaram diferentes momentos de sua carreira.

A apresentação no Nubank Parque será a única passagem do espetáculo “Alquimia Popular Brasileira” por São Paulo e integra uma série de shows especiais previstos para 2026.

Ingressos

O show na capital paulista será realizado no Nubank Parque, na Zona Oeste, no dia 17 de outubro. A abertura dos portões está programada para as 15h. A classificação etária é de 16 anos. Menores de idade têm acesso permitido apenas acompanhados pelos pais ou responsáveis legais.

Os ingressos para o público geral estão à venda pela plataforma Eventim. Os valores variam de R$ 147,50 a R$ 1.295,00, de acordo com o setor da arena.

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Baseada no texto da dramaturga britânica Amanda Wilkin, a peça acompanha uma mulher que decide reconstruir a própria vida após sucessivas rupturas
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Daniela Monteiro Marinho
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02/06/2026 - 12h

Após uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, “Mudando de Pele" estreia em São Paulo no dia 4 de junho e segue em cartaz até 5 de julho no Sesc 14 Bis. A montagem marca o retorno de Taís Araújo aos palcos e apresenta ao público uma história sobre transformação, pertencimento e a coragem de recomeçar.

Inspirada no texto “Shedding a Skin”, da dramaturga britânica Amanda Wilkin, a peça acompanha Mayah, uma mulher prestes a completar 40 anos que decide romper com um relacionamento desgastado, abandonar um emprego marcado pelo racismo estrutural e reconstruir a própria vida. O que poderia se tornar apenas mais uma narrativa sobre dor e resistência ganha contornos mais complexos: a obra escolhe falar sobre liberdade, cura, ancestralidade e pertencimento.  

No palco, Taís conduz essa transformação com naturalidade impressionante. Sua interpretação evita exageros e aposta em pequenos gestos, silêncios e mudanças de energia que revelam as múltiplas camadas da personagem. O resultado é uma atuação que aproxima o público de Mayah e faz com que suas inquietações pareçam universais.

  

A atriz Taís Araújo durante apresentação de Mudando de Pele, em São Paulo
A atriz Taís Araújo durante apresentação de Mudando de Pele, em São Paulo. / Foto: Nana Moraes 

 

Embora seja apresentado como um solo, “Mudando de Pele” nunca parece solitário. A presença das musicistas Dani Nega e Layla adiciona textura à narrativa. A música executada ao vivo funciona como uma extensão das emoções da protagonista, criando momentos de delicadeza e força que ampliam a experiência sensorial do espetáculo.  

Outro destaque é a direção de Yara de Novaes, que constrói uma encenação elegante e fluida. Sem recorrer a grandes efeitos, a montagem aposta na força do texto, na expressividade do corpo e na simbologia do figurino para representar as sucessivas “peles” que Mayah abandona ao longo da história.  

A delicadeza é um dos principais acertos do espetáculo. Ao acompanhar uma protagonista em meio a sucessivas transformações, a peça aborda questões sociais e políticas de forma orgânica, sem didatismos, e encontra força justamente nos silêncios, nas ambiguidades e nas emoções que atravessam a narrativa.

 

Serviço

Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez
Temporada: de 4 de junho a 5 de julho de 2026
Horários: quinta a sábado, às 20h; domingos, às 18h
Sessões especiais da Copa: 13/6, 19/6 e 5/7, às 15h
Ingressos: R$ 80 (inteira), R$ 40 (meia) e R$ 24 (credencial plena Sesc)
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos  

 

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Tradicional cinema de rua sofre despejo e movimento de resistência se inicia nas redes sociais
por
Beatriz Foz
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25/05/2026 - 12h

 

Na quinta-feira, 14 de maio, foi cumprida uma medida de reintegração de posse do anexo Espaço Petrobras de Cinema, estabelecida pela Justiça de São Paulo. Caminhões chegaram no local pela manhã e desativaram as salas 4 e 5 do espaço, e o Café Fellini, anexado ao local, congelou suas atividades. Poltronas e equipamentos foram retirados, além de esvaziado o espaço do café.

O Espaço Petrobras de Cinema é um dos cinemas de rua mais antigos da cidade de São Paulo. O anexo funciona em um casarão da década de 1930 e antes de se tornar um espaço de cinema o imóvel abrigava o Instituto Goethe, que foi um local importante na formação de cineastas brasileiros. Eleito um dos melhores cinemas da cidade, conta com cinco salas de exibição que priorizam produções nacionais, cinema de arte e filmes independentes. O cinema era mantido através de um acordo de patrocínio com a Petrobras, via Lei de Incentivo à Cultura, com o objetivo de fortalecer a exibição do cinema brasileiro e internacional na cidade de São Paulo. 

Anexo ao Espaço Petrobras, o Café Fellini era um dos cafés mais tradicionais da cidade e funcionou por mais de 30 anos junto ao cinema. O café ganhou o prêmio de “Melhor Café e Bomboniere dos Cinemas de São Paulo” pelo Guia Folha por oito anos consecutivos. Na última semana o café fechou as portas. 

A luta pela permanência do local começou em 2022, quando o imóvel foi vendido a uma construtora que tinha a intenção de construir um prédio residencial no local. No mesmo ano, a comunidade de cinéfilos que frequentava o anexo organizou um abaixo assinado defendendo a preservação do cinema. Cerca de 50 mil assinaturas foram conquistadas na primeira campanha e o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo) intitulou o terreno como “Zona Especial de Preservação Cultural”, classificando o anexo como um patrimônio afetivo e cultural da cidade. Tal categorização não impede a demolição, mas obriga a incorporadora a manter o uso cultural do espaço mesmo com a reforma. Na prática, a empresa poderá demolir o espaço, desde que ceda duas salas de cinema e um espaço para o Café Fellini após as obras. 

No entanto, tais mobilizações não foram suficientes para proteger o espaço da batalha judicial. Na última semana, a ordem de reintegração de posse pedida pela Rec Vila 15 Empreendimentos Imobiliários foi cumprida. A incorporadora adquiriu o imóvel da Arteplex, responsável pela operação do cinema.

Um novo abaixo assinado foi criado pelo Café Fellini, reiterando o apelo pela permanência do estabelecimento e do anexo do Espaço Petrobras, já tendo conquistado mais de 90 mil assinaturas. Em um comunicado oficial postado nas redes sociais do café (@cinecafefellini), o estabelecimento agradece o engajamento dos clientes na luta pela permanência e declara que “precisamos defender espaços de convivência abertos para a cidade e para as pessoas”. 

O Espaço Petrobras de Cinema também publicou nas redes uma nota oficial à imprensa, destacando que todas as medidas legais cabíveis para buscar a reversão da situação estão sendo adotadas:  

  • “Seguimos comprometidos com a defesa de uma cidade mais equilibrada, culturalmente rica e voltada às pessoas, às suas formas de convivência e às experiências coletivas que também encontram expressão no cinema de rua.”

Letícia Souza, estudante e ávida frequentadora do Espaço Petrobras de Cinema, lamenta o despejo e o interpreta como uma perda da memória coletiva da cidade de São Paulo: “eu fico muito triste porque cada vez mais a gente vai vendo os cinemas de rua falindo e eu acho que eles fazem parte da memória dos cidadãos de São Paulo”. Letícia destaca que os cinemas de rua encontram dificuldades em se manter ativos com a popularização dos cinemas comerciais. “É difícil competir com algumas redes de cinema que ficam em shoppings como Cinemark, Kinoplex, Cinépolis… quando as pessoas pensam em ir ao cinema elas não pensam mais em ir aos cinemas de rua, mas pensam nesses de shoppings”, acrescenta a estudante. 

A hashtag “#anexofica” foi criada nas redes sociais como forma de protesto contra as medidas jurídicas estabelecidas. Diversos posts destacam a importância cultural do espaço e tratam o despejo como uma forma de descaso com a história da cidade. Outros tradicionais cinemas de rua como o CineSala, localizado em Pinheiros, expressaram seu apoio à luta do anexo através da hashtag. 

 

Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala).
Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala). 

As salas 1, 2 e 3 do Espaço Petrobras continuam com a programação usual, porém a direção do espaço ainda tenta a reativação das salas 4 e 5. O café permanece fora de atividade. 

 

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Projeto aprovado pelo Congresso libera R$ 22 milhões do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT)
por
Helena Barra
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17/11/2025 - 12h

Por Helena Barra

 

No dia 4 de agosto de 2025, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou o Projeto de Lei 847/2025. O plano, aprovado pelo Congresso brasileiro, regulamenta o uso dos recursos do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), liberando o valor de R$ 22 bilhões para investimentos nas áreas da ciência e tecnologia.  O FNDCT é o principal instrumento de financiamento público da ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Ele apoia pesquisas científicas, a formação de recursos humanos qualificados, a inovação tecnológica nas empresas, a infraestrutura de pesquisa e o desenvolvimento de projetos estratégicos nacionais.

A professora de economia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Norma Cristina Brasil Casseb, explica que fundos como o FNDCT possuem legislação própria. No caso do FNDCT, segundo dados da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), os recursos são provenientes de diversas fontes. A composição deles evidencia o importante papel do Estado tanto no direcionamento de incentivos diretos do orçamento público e do tesouro, quanto na garantia de que parte dos lucros obtidos pelas empresas do setor detentor e gerador de tecnologia retorne para a sociedade e permita que ela se desenvolva de forma mais igualitária.

Nas redes sociais, o presidente Lula, afirmou que a medida visa fortalecer a base industrial brasileira. “Com essa medida, vamos fortalecer a inovação nas seis missões da Nova Indústria Brasil e nas Instituições Científicas e Tecnológicas, levando infraestrutura, redes de pesquisa e oportunidades para todos os territórios do país. Investir em pesquisa e inovação é investir no futuro do Brasil”, comentou na divulgação.  Além disso, o projeto também tem como objetivo estimular o emprego qualificado em pesquisa e desenvolvimento, de maneira a ampliar o número de doutores em empresas, startups, parques tecnológicos e instituições de ensino. 

Para Norma Casseb, em um país como o Brasil, com alta desigualdade social e elevada concentração de renda, a liberação deste recurso é importante, não só para a sociedade, mas como para a economia nacional. “Neste contexto, o investimento em tecnologia e inovação, combinado a uma estratégia voltada para a industrialização do país, tem uma alta capacidade de geração de empregos de qualidade especialmente no setor produtivo, permitindo elevação na renda da população e, por consequência, maior expansão econômica”, informa a doutoranda. 

Segundo a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), representante das instituições financeiras de fomento habilitadas a operar os recursos do fundo, a nova lei marca uma mudança de postura em relação ao uso dos fundos públicos voltados à inovação. Ao garantir previsibilidade e autonomia na aplicação dos recursos, o Brasil se alinha a boas práticas internacionais de apoio à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico. 

Em entrevista à Agência Brasil, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que, apesar de o FNDCT ter sido criado em 1969, o fundo ganhou maior relevância nos governos do presidente Lula, inclusive no atual mandato. De acordo com o governo, nos últimos dois anos, os investimentos em ciência, tecnologia e inovação por meio do FNDCT aumentaram seis vezes. Saíram de R$ 2 bilhões, em 2021, para R$ 12 bilhões, em 2024. A previsão para 2025 é de cerca de R$ 14 bilhões.

A professora também reforça que o investimento em ciência e tecnologia é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de uma nação. Eles permitem adicionar valor agregado aos produtos brasileiros, além de elevar a produtividade e a competitividade da economia nacional, permitindo que sejam cada vez mais competitivos no comércio internacional.  Além disso, investimentos como o FNDCT podem tornar o País mais que um exportador de produtos de maior valor agregado, mas também um exportador de tecnologia para outros países, que muitas das vezes não possuem capacidade financeira ou de infraestrutura para desenvolverem suas próprias tecnologias.


 

 





 

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Como a popularização e investimento em transportes elétricos se adapta ao cotidiano paulista
por
Helena Barra
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18/11/2025 - 12h

Por Helena Barra

 

A mobilidade elétrica já faz parte do cotidiano de milhões de pessoas na América Latina — e, embora os investimentos públicos impulsionem grandes frotas de ônibus elétricos, é nas ruas que essa transformação se revela de forma mais íntima. É no trajeto da faculdade, na volta de uma festa, na pressa para chegar ao trabalho ou na tentativa de driblar o trânsito impossível. Para o estudante de jornalismo da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Davi de Almeida, os patinetes e as bicicletas elétricas representam justamente essa mistura de liberdade, improviso e modernização da cidade. Ele começou a usar patinetes elétricos no início de 2024, quando percebeu que eles estavam cada vez mais presentes no caminho entre sua casa e a universidade. O que chamou sua atenção foi a praticidade. É possível encontrar esses transportes em praticamente qualquer lugar. Eles ocupam a cidade de um jeito muito prático. Para ele, o transporte elétrico virou uma espécie de atalho emocional e físico — uma forma de escapar tanto do trânsito quanto da rotina pesada de São Paulo.

Além da sensação de liberdade Davi reconhece a importância ambiental. Diz que é uma forma de evitar os transportes a combustão ajudando o meio ambiente usando patinete, bicicleta, essas opções elétricas. Essa motivação ecológica tem guiado não apenas jovens como ele, mas também governos que buscam reduzir emissões de carbono e melhorar a qualidade do ar. Em várias cidades latino-americanas, ônibus elétricos substituem gradualmente veículos antigos movidos a diesel, e bancos públicos, como o BNDES, financiam a modernização das frotas.

Desde 2017, a América Latina já investiu mais de R$ 23 bilhões em transporte público elétrico, com destaque para Santiago, Bogotá e São Paulo. Os grandes números mostram a direção de um futuro mais limpo. Mas, nas calçadas e ciclovias, o impacto aparece de forma muito mais pessoal — e às vezes contraditória.

Mas, se a mobilidade elétrica já representa um avanço coletivo, ela também apresenta obstáculos muito concretos no dia a dia. A primeira barreira é o preço. Embora os patinetes e bikes elétricas sejam acessíveis para trajetos ocasionais, tornar esse uso cotidiano ainda é impossível para grande parte da população. Usar entre um passeio ou outro é viável, mas colocar isso na rotina é irreal. Não combina com a realidade das pessoas. O custo por minuto e as tarifas por desbloqueio transformam o transporte elétrico individual em um meio prático, mas caro.

A segunda barreira é a dependência total dos aplicativos das operadoras privadas. É frustrante apostar em um meio de transporte que, como ele diz, pode simplesmente parar de funcionar sem aviso. Foi o que aconteceu numa noite voltando de uma festa na Vila Madalena. Ele desbloqueou o patinete, seguiu viagem pela Avenida Sumaré e, de repente, o veículo travou. O aplicativo alegava falta de saldo, embora ele tivesse acabado de recarregar. Teve que abandonar o patinete e seguir metade do caminho a pé. No meio da madrugada. Diz ter sido uma experiência frustrante. Apesar das falhas, ele também relembra de trajetos em que tudo funcionou perfeitamente. Conta que chegou a ir do Itaim até Perdizes rapidinho. Quando o serviço funciona bem, parece que a cidade se abre. A presença constante desses veículos nos bairros, a facilidade para encontrá-los e a possibilidade de escapar do trânsito tornam a experiência sedutora, especialmente para quem vive numa metrópole em que carro, ônibus e metrô nem sempre dão conta.

Essas experiências individuais se conectam a uma discussão maior sobre como financiar e democratizar a mobilidade elétrica. No transporte público, o avanço ocorre graças a grandes financiamentos e políticas específicas. Mas, no transporte individual — patinetes e bikes de aluguel —, o usuário ainda arca com quase todo o custo. Especialistas afirmam que, se esses modais fossem integrados ao sistema público, subsidiados ou regulados como parte essencial da mobilidade urbana, poderiam se tornar mais acessíveis e confiáveis.

No final, a trajetória de Davi mostra exatamente onde estamos na transição energética urbana: em um momento intermediário, em que a tecnologia já está nas ruas, mas a acessibilidade e a confiabilidade ainda não acompanharam o avanço. Davi segue usando os patinetes elétricos porque, apesar de tudo, eles oferecem algo que nenhum outro transporte oferece: movimento livre numa cidade que parece sempre travada e segue achando que é uma forma de acessar frestas da cidade que nenhum outro transporte consegue.

 

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Para famílias periféricas, pressionadas por jornadas longas e responsabilidades que extrapolavam a adolescência, parar era associado à preguiça.
por
Laila Santos
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18/11/2025 - 12h

Por Laila Santos

 

O professor José Willams, hoje na casa dos 40 anos, lembra com nitidez de sua adolescência no início dos anos 2000. Um sofá gasto, um filme da Sessão da Tarde, um pacote de biscoitos e a tranquilidade de simplesmente terminar o filme. Sem culpa. Sem produtividade embutida. Sem a sensação de estar devendo algo ao mundo. Naquele período, ele experimentava um tipo de ócio que considerava fértil. Enquanto a televisão rodava, criava desenhos, letras e formas, treinando sem perceber habilidades que carregaria para a vida adulta. Era um descanso que não precisava se justificar.

O mundo, porém, não oferecia a mesma liberdade para todos. Para famílias periféricas, pressionadas por jornadas longas e responsabilidades que extrapolavam a adolescência, parar era associado à preguiça. O tempo livre era visto como privilégio, não como direito. Ainda assim, para quem conseguia algum espaço, o ócio tinha outro significado. A rua organizava o dia: conversas na calçada, observação do movimento, brincadeiras improvisadas, pequenas descobertas. O silêncio não era incômodo, era espaço de criação.

Com o ingresso no mundo do trabalho, Willams percebeu como a sociedade moldava a ideia de descanso. O avanço tecnológico, a aceleração dos processos e a cultura da produtividade reforçaram a noção de que parar é falha. Ele lembra que, historicamente, esse pensamento ganhou força desde a Revolução Industrial, quando o trabalho passou a ser entendido como sinal de valor moral.

Ao longo dos anos, os empregos deixaram de representar apenas uma função e passaram a definir identidades. O que a pessoa faz se tornou quem ela é. Nesse cenário, qualquer pausa parecia perda. O descanso deixou de ser parte da vida e virou obstáculo. Para o professor, isso ajuda a explicar a culpa que tantos jovens sentem ao tentar descansar. Eles cresceram em uma lógica em que desempenho e reconhecimento se confundem, e onde a produtividade é usada como régua para medir caráter.

Entre adolescentes e jovens adultos, o descanso quase nunca é completo. O tempo livre é consumido por telas que oferecem estímulos contínuos. O cérebro segue trabalhando enquanto o corpo tenta relaxar, criando o que especialistas chamam de descanso ativo: uma falsa pausa, que não restaura e não organiza o pensamento. Os números ajudam a dimensionar essa sobrecarga. Estima-se que bilhões de e-mails circulem diariamente no mundo, enquanto cada pessoa lida com centenas de mensagens por aplicativos e redes sociais. É informação demais para um ritmo humano de processamento. A sensação de estar atrasado, ultrapassado ou improdutivo se intensifica, e descansar passa a ser visto quase como risco, como se a vida, lá fora, estivesse sempre acontecendo em maior velocidade.

A geração atual cresceu inserida em uma cultura que valoriza performance acima de tudo. A comparação constante, os conteúdos virais, as promessas de sucesso rápido e a exigência por atualização permanente criam um ambiente onde a pausa parece proibida. Willams observa que, enquanto os jovens tentam acompanhar esse ritmo, as máquinas são programadas para se aproximar cada vez mais da eficiência humana. A fronteira entre corpo e tecnologia se embaralha, e a sensação de insuficiência cresce. Nesse fluxo acelerado, o descanso ganha um novo significado: vira forma de resistência. Resistir ao cansaço imposto, às cobranças invisíveis, à ideia de que parar equivale a fracassar.

Para o professor, descansar deveria ser um direito básico. Mas, na prática, se tornou um privilégio, principalmente entre jovens periféricos, que lidam com jornadas múltiplas, falta de oportunidades e um tempo sempre escasso. A sociedade transformou a pausa em recompensa, não em necessidade. Quando isso acontece, o descanso deixa de organizar a vida e passa a parecer algo que precisa ser merecido. E ninguém deveria precisar merecer o próprio fôlego.

Willams defende que o ócio precisa voltar a ocupar o lugar que perdeu: o de tempo de existir, e não o de justificativa para existência. Para ele, quem consegue parar para respirar está, de fato, presente. Entre jovens, recuperar esse espaço pode significar desligar o celular sem culpa, aceitar o tédio como parte da vida e se permitir viver momentos que não geram conteúdo. Entender que descansar não é ausência de ação, mas presença de si. No fim, para o professor, sucesso não é alcançar o topo ou chegar primeiro. É conseguir seguir inteiro, mesmo com cicatrizes. E talvez essa seja a resposta mais urgente para a geração que vive exausta: antes de produzir, é preciso existir.

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Tecnologia, políticas públicas e inclusão redefinem direitos para pessoas com deficiência.
por
Julia Sena
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17/11/2025 - 12h

Por Julia Sena

 

No Brasil, onde a desigualdade atravessa desde as calçadas até o acesso digital mais básico, a tecnologia tem se mostrado uma aliada fundamental para pessoas com deficiências físicas. Por trás dos dispositivos e softwares, porém, existem histórias humanas que dão luz à urgência e à profundidade do tema. Entre as vozes mais importantes nessa discussão estão Cid Torquato, referência nacional em acessibilidade, e Lucas Moreira, representante do Instituto Dorina Nowill, organização que há décadas promove autonomia para pessoas com deficiência visual.

Cid Torquato desempenha um papel fundamental na promoção da acessibilidade por meio da tecnologia, enquanto secretário municipal da Pessoa com Deficiência em São Paulo em 2017, ele liderou a criação de um grupo de trabalho na ABNT que resultou na norma NBR 17060, que define requisitos de acessibilidade para sites e aplicativos. Ele também coordenou a tradução das Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web para o português, garantindo que as melhores práticas internacionais de usabilidade digital sejam mais acessíveis no Brasil. Além disso, é CEO do ICOM, plataforma de atendimento por videochamada em Libras, que promove a inclusão digital das pessoas surdas. Em 2025, ele participou do lançamento da ABNT NBR 17.225, norma que reforça ainda mais a regulação da acessibilidade digital em sites, e contribuiu para a criação do Núcleo de Inovação em Acessibilidade na InovaUSP. Por fim, ele coordena o “Guia Prático de Acessibilidade e Inclusão Digital”, destinado a orientar práticas de desenvolvimento digital mais inclusivas. 

Cid costuma afirmar que acessibilidade não deve ser tratada como concessão e sim como fundamento, sua trajetória pessoal sustenta essa visão. Paraplégico após um acidente, ele vivencia diariamente o impacto das barreiras arquitetônicas, digitais e comportamentais que ainda restringem milhões de brasileiros. Ao longo da carreira pública, seja como secretário municipal ou estadual da Pessoa com Deficiência, ajudou a construir políticas estruturais que buscavam tornar São Paulo uma cidade mais inclusiva, com transporte mais acessível, serviços digitais utilizáveis por todos e espaços públicos que dialogassem com a diversidade dos corpos. Em suas reflexões, ele retorna sempre ao ponto de que tecnologia é cidadania. Quando um site não funciona em leitores de tela, alguém perde acesso a um direito. Quando um aplicativo não permite navegação por teclado, alguém é excluído de uma experiência coletiva. Para ele, acessibilidade digital deve ser encarada com a mesma seriedade que outros serviços essenciais, porque sem ela não existe participação plena nas esferas pública e privada.

Enquanto Cid atua na linha das políticas públicas, Lucas Moreira e a Fundação Dorina Nowill trabalham na base concreta da inclusão. A instituição, criada há mais de 70 anos, tornou-se referência ao unir Educação, Tecnologia e Autonomia para pessoas cegas e com baixa visão. É na gráfica de braille da Dorina que os livros escolares ganham relevo e passam a garantir que crianças e jovens estudem com igualdade de condições. É também lá que materiais diversos são convertidos para formatos acessíveis, como braille, áudio e fonte ampliada, ampliando o alcance da informação de maneira estruturada e contínua.

Lucas destaca que a missão da Fundação nunca foi apenas entregar ferramentas, mas criar condições reais de independência. Um livro em braille não é apenas um suporte de leitura, mas uma porta aberta para que um aluno participe da aula, interaja com colegas, faça provas e projete um caminho profissional. A tecnologia assistiva, nesse sentido, não é acessório, mas um dispositivo de autonomia. Ele ressalta também a importância das formações que a Dorina oferece para empresas e educadores, pois a inclusão não se sustenta apenas do lado de quem precisa dela, mas também do lado das instituições que devem garanti-la. Os projetos da Dorina mostram como inovação e sensibilidade podem caminhar juntas. Entre eles estão a produção de audiolivros acessíveis, cursos de alfabetização com LEGO Braille Bricks e consultorias que orientam organizações a revisarem conteúdos e plataformas digitais com foco na experiência de pessoas com deficiência visual. Esse trabalho parte de um princípio fundamental, a inclusão exige técnica, continuidade e responsabilidade.

A relação entre o trabalho de Cid e o da Dorina evidencia que acessibilidade é um conceito vivo e multifacetado. Envolve políticas públicas, cultura digital, tecnologia assistiva e transformação social. Apesar dos avanços, o cenário ainda apresenta desafios significativos. Muitas soluções tecnológicas seguem inacessíveis devido ao custo ou à falta de difusão. A capacitação de profissionais também é urgente. Não basta que um site declare ser acessível. É preciso que designers, desenvolvedores e lideranças sejam formados para construí-lo com acessibilidade desde a primeira linha de código.

Além das barreiras técnicas, existem aquelas que não se enxergam, preconceitos, desinformação e resistência cultural. A tecnologia pode abrir portas, mas é a sociedade que precisa permitir que elas permaneçam abertas. Narrativas como a de Cid e práticas como as do Instituto Dorina ajudam a provocar essa mudança ao mostrar que inclusão é feita de pessoas, de trajetórias e de escolhas políticas e coletivas. O futuro da acessibilidade passa por inovações que já estão em desenvolvimento, como inteligência artificial capaz de descrever ambientes, dispositivos de mobilidade inteligentes e interfaces que independem de visão ou tato para uso completo. Mas como lembram os entrevistados, nenhuma inovação faz sentido se não estiver ancorada em dignidade humana.

Acessibilidade, no fim, é sobre autonomia e pertencimento. É sobre garantir que toda pessoa, com ou sem deficiência, encontre na cidade, na escola, no trabalho e na internet um espaço que reconheça sua existência sem pedir adaptação forçada. O trabalho de Cid Torquato e Lucas Moreira demonstra que a tecnologia tem papel essencial nessa construção. Mas o que sustenta essa transformação continua sendo profundamente humano.

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O uso intenso de dispositivos digitais redefine a rotina de adolescentes, revelando impactos profundos no sono.
por
Carolina Hernandez
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25/11/2025 - 12h

 

Por Carolina Hernandez 

No quarto de muitos adolescentes brasileiros, o brilho da tela é a última coisa que se apaga à noite e a primeira que se acende pela manhã. As notificações estalam como pequenas centelhas de urgência, ocupando cada minuto livre com vídeos, mensagens, memes, jogos, conteúdos infinitos rolando para baixo. O gesto repetido do polegar virou quase um ritmo natural de uma geração que cresceu com o mundo dentro de um aparelho.

Os números ajudam a desenhar essa paisagem: segundo o IBGE, sete em cada dez adolescentes entre 13 e 18 anos passam mais de cinco horas por dia conectados, além das atividades escolares. A pesquisa TIC Kids Online 2024 revela ainda que 23% dos jovens brasileiros entraram na internet antes de completar seis anos. Uma infância já moldada pela tela, antes mesmo de entender o que havia por trás dela.

E não se trata de um fenômeno isolado. É global. A Organização Mundial da Saúde aponta que adolescentes no mundo inteiro passam de seis a nove horas por dia diante de dispositivos digitais, em média. O excesso não é neutro: problemas de sono, redução de atividades físicas, dificuldade de concentração e maior risco de transtornos emocionais compõem o cenário.

Nas entrelinhas dessa nova rotina, a psicóloga Juliana Hernandez observa o que não cabe nos gráficos. Para ela, o cérebro adolescente, ainda em formação, responde de maneira intensa a esses estímulos digitais que nunca cessam. O excesso, acredita, altera circuitos ligados à atenção, à regulação das emoções e ao sono, abrindo espaço para ansiedade, depressão e queda no rendimento escolar. Ela destaca que, em muitos casos, as redes sociais funcionam como um espelho distorcido, capaz de agravar quadros como TDAH, transtornos alimentares ou ansiedade ao exibir vidas filtradas e inalcançáveis.

O sono é um dos primeiros a ceder. A luz azul que emana das telas antes de dormir atrasa a produção de melatonina, o hormônio que organiza o relógio biológico. Estudos indicam que esse hábito aumenta em quase 60% o risco de insônia e reduz em média 24 minutos de descanso por noite. Juliana aponta que muitos adolescentes chegam exaustos às aulas, incapazes de fixar atenção, com falhas na memória e dificuldade de aprendizagem efeitos silenciosos, mas persistentes.

Para entender essas consequências no cotidiano, basta olhar para a rotina de Olívia Abitante, 16 anos. Ela lembra que passava horas a fio em redes sociais, até perceber que sua capacidade de se concentrar nas aulas se dissolvia entre vídeos curtos e notificações incessantes. Após uma avaliação médica, recebeu o diagnóstico de TDAH, potencialmente agravado pelo tempo excessivo de tela. A adolescente conta que também enfrentou noites mal dormidas, queda no rendimento escolar e um isolamento gradual, trocando encontros com amigos por interações digitais mais fáceis, porém mais vazias.

A virada veio quando decidiu reduzir o tempo de tela e iniciar acompanhamento psicológico. Com o tempo, o sono estabilizou, as notas melhoraram e as relações presenciais voltaram a fazer sentido. Um retorno lento, mas possível, que mostra como pequenos ajustes podem transformar a dinâmica emocional de um jovem.

Fora do mundo real, as telas também moldam imaginários. Na série Adolescência, da Netflix, Jamie, um garoto de 13 anos acusado de um crime brutal, tem sua trajetória atravessada pelo peso devastador das redes sociais. A produção explora como ambientes digitais podem radicalizar comportamentos, espalhar discursos de ódio e amplificar ansiedade e solidão em jovens vulneráveis, um retrato ficcional que dialoga com problemas reais enfrentados nas famílias e escolas.

Mas, como ressaltam especialistas, o vilão não é a tecnologia. O problema está no uso sem limites, sem orientação, sem freios. Juliana defende estratégias simples: horários específicos para redes sociais, estímulo a atividades offline, rotinas de sono regulares e espaços de escuta para que adolescentes entendam seus próprios limites. Ela acredita que pais e educadores devem orientar sem demonizar. A tecnologia, afinal, pode ser aliada quando usada com consciência.

Os efeitos positivos aparecem onde há ação coletiva. Em escolas que adotaram programas de conscientização digital, observou-se diminuição de conflitos e aumento da participação em atividades presenciais. Pausas digitais, implementadas em horários de estudo, mostraram melhorias na atenção e na memorização, como se o cérebro agradecesse por alguns minutos de silêncio.

O desafio é, ao mesmo tempo, individual e social. Faz parte do mundo contemporâneo estar conectado, mas aprender a se desconectar é uma competência urgente. A tecnologia não precisa ser abandonada, e sim compreendida. Não como ameaça, mas como ferramenta que exige cuidado, responsabilidade e equilíbrio.

Juliana, ao refletir sobre a educação digital, costuma dizer que aprender a usar a tecnologia de forma consciente deve ganhar o mesmo espaço que disciplinas tradicionais. Essa habilidade, acredita, precisa ser ensinada desde cedo, envolvendo famílias, escolas e os próprios adolescentes.

No fim, a mensagem é simples: a conexão é inevitável; o equilíbrio, indispensável. Entre telas que piscam, noites encurtadas e vínculos que se perdem no fluxo de notificações, cabe aos adultos ajudar os jovens a reaprender a viver no próprio tempo, dentro e fora das telas.

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