Tradicional cinema de rua sofre despejo e movimento de resistência se inicia nas redes sociais
por
Beatriz Foz
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25/05/2026 - 12h

 

Na quinta-feira, 14 de maio, foi cumprida uma medida de reintegração de posse do anexo Espaço Petrobras de Cinema, estabelecida pela Justiça de São Paulo. Caminhões chegaram no local pela manhã e desativaram as salas 4 e 5 do espaço, e o Café Fellini, anexado ao local, congelou suas atividades. Poltronas e equipamentos foram retirados, além de esvaziado o espaço do café.

O Espaço Petrobras de Cinema é um dos cinemas de rua mais antigos da cidade de São Paulo. O anexo funciona em um casarão da década de 1930 e antes de se tornar um espaço de cinema o imóvel abrigava o Instituto Goethe, que foi um local importante na formação de cineastas brasileiros. Eleito um dos melhores cinemas da cidade, conta com cinco salas de exibição que priorizam produções nacionais, cinema de arte e filmes independentes. O cinema era mantido através de um acordo de patrocínio com a Petrobras, via Lei de Incentivo à Cultura, com o objetivo de fortalecer a exibição do cinema brasileiro e internacional na cidade de São Paulo. 

Anexo ao Espaço Petrobras, o Café Fellini era um dos cafés mais tradicionais da cidade e funcionou por mais de 30 anos junto ao cinema. O café ganhou o prêmio de “Melhor Café e Bomboniere dos Cinemas de São Paulo” pelo Guia Folha por oito anos consecutivos. Na última semana o café fechou as portas. 

A luta pela permanência do local começou em 2022, quando o imóvel foi vendido a uma construtora que tinha a intenção de construir um prédio residencial no local. No mesmo ano, a comunidade de cinéfilos que frequentava o anexo organizou um abaixo assinado defendendo a preservação do cinema. Cerca de 50 mil assinaturas foram conquistadas na primeira campanha e o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo) intitulou o terreno como “Zona Especial de Preservação Cultural”, classificando o anexo como um patrimônio afetivo e cultural da cidade. Tal categorização não impede a demolição, mas obriga a incorporadora a manter o uso cultural do espaço mesmo com a reforma. Na prática, a empresa poderá demolir o espaço, desde que ceda duas salas de cinema e um espaço para o Café Fellini após as obras. 

No entanto, tais mobilizações não foram suficientes para proteger o espaço da batalha judicial. Na última semana, a ordem de reintegração de posse pedida pela Rec Vila 15 Empreendimentos Imobiliários foi cumprida. A incorporadora adquiriu o imóvel da Arteplex, responsável pela operação do cinema.

Um novo abaixo assinado foi criado pelo Café Fellini, reiterando o apelo pela permanência do estabelecimento e do anexo do Espaço Petrobras, já tendo conquistado mais de 90 mil assinaturas. Em um comunicado oficial postado nas redes sociais do café (@cinecafefellini), o estabelecimento agradece o engajamento dos clientes na luta pela permanência e declara que “precisamos defender espaços de convivência abertos para a cidade e para as pessoas”. 

O Espaço Petrobras de Cinema também publicou nas redes uma nota oficial à imprensa, destacando que todas as medidas legais cabíveis para buscar a reversão da situação estão sendo adotadas:  

  • “Seguimos comprometidos com a defesa de uma cidade mais equilibrada, culturalmente rica e voltada às pessoas, às suas formas de convivência e às experiências coletivas que também encontram expressão no cinema de rua.”

Letícia Souza, estudante e ávida frequentadora do Espaço Petrobras de Cinema, lamenta o despejo e o interpreta como uma perda da memória coletiva da cidade de São Paulo: “eu fico muito triste porque cada vez mais a gente vai vendo os cinemas de rua falindo e eu acho que eles fazem parte da memória dos cidadãos de São Paulo”. Letícia destaca que os cinemas de rua encontram dificuldades em se manter ativos com a popularização dos cinemas comerciais. “É difícil competir com algumas redes de cinema que ficam em shoppings como Cinemark, Kinoplex, Cinépolis… quando as pessoas pensam em ir ao cinema elas não pensam mais em ir aos cinemas de rua, mas pensam nesses de shoppings”, acrescenta a estudante. 

A hashtag “#anexofica” foi criada nas redes sociais como forma de protesto contra as medidas jurídicas estabelecidas. Diversos posts destacam a importância cultural do espaço e tratam o despejo como uma forma de descaso com a história da cidade. Outros tradicionais cinemas de rua como o CineSala, localizado em Pinheiros, expressaram seu apoio à luta do anexo através da hashtag. 

 

Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala).
Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala). 

As salas 1, 2 e 3 do Espaço Petrobras continuam com a programação usual, porém a direção do espaço ainda tenta a reativação das salas 4 e 5. O café permanece fora de atividade. 

 

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Nova loja de Trading Card Games reúne jogadores e fortalece comunidade geek paulistana
por
Thomas Fernandez
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13/05/2026 - 12h

Prestes a completar um ano de funcionamento, a Akagami se consolidou como uma das novas lojas para praticantes de jogos de cartas colecionáveis (TCG) na região da Avenida Paulista, em São Paulo. A chegada de um espaço acolhedor, aberto e tranquilo aparece em um cenário de oferta limitada de locais dedicados exclusivamente a esse tipo de jogo.

A Akagami surgiu da vontade de quatro amigos, Mayumi Akamine, Natan Lima, Kevin Higutsi e Alexandre Abraão de construir um projeto voltado à sua paixão, os cards games. Inicialmente, a loja seria somente online, mas com a insistência de Kevin e Alexandre, a loja abriu como box na Galeria Imperial localizada na Liberdade. Após o aumento do aluguel na região, a equipe transferiu a loja para rua Antônio Carlos a região próxima à Paulista e, com o novo espaço, passou a atender de uma forma diferente, oferecendo mais estrutura para os clientes e fortalecendo a proposta de comunidade em torno do card game. A experiência dos sócios como clientes e funcionários de outras lojas influenciou a proposta da Akagami, que buscava criar um ambiente diferente dos modelos tradicionais. 

A inauguração de novas lojas TCG’s costuma mobilizar a comunidade nerd, especialmente em São Paulo, onde o mercado reúne diferentes públicos e modalidades de jogos. Além de fatores como estrutura, torneios e localização, a criação de vínculos entre os clientes influencia na recepção desses espaços. A sócia Mayumi Akamine contou uma das histórias mais marcantes que teve na loja; “Dominique, é um adolescente que veio para aprender a jogar Pokémon, ele era muito tímido, não falava com ninguém. Agora, ele está aqui em toda liga semanal. Ele tem amigos na loja, comprimenta todo mundo”.

Entrada da Akagami, com o seu balcão e mesas para jogos.
 Entrada da Akagami, com o seu balcão e mesas para jogos. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Mural de fotos de clientes, funcionários e momentos preciosos da Akagami
 Mural de fotos de clientes, funcionários e momentos preciosos da Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Pasta de cartas para folhear.
Pasta de cartas para folhear. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
 Funcionários da Akagami abrindo pacote de cartas.
Funcionários da Akagami abrindo pacote de cartas. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Partida de Magic: The Gathering entre jogadores.
Partida de Magic: The Gathering entre jogadores. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Jogador pensando em qual carta jogar na partida de Magic: The Gathering na Akagami.
Jogador pensando em qual carta jogar na partida de Magic: The Gathering na Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
Parede estilizada com cartas decorando o salão interno da Akagami.
Parede estilizada com cartas decorando o salão interno da Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT
 Sorteio de brindes durante torneio de Pokémon na Akagami.
Sorteio de brindes durante torneio de Pokémon na Akagami. Foto: Thomas Fernandez/AGEMT

Mais do que um ponto de venda, a Akagami vem se consolidando como um pilar para a comunidade. Entre partidas, trocas de cartas e conversas que se estendem para além dos jogos, o que se constrói na Akagami não cabe somente nas prateleiras. Em uma região onde antes faltava espaço para jogar, agora sobram histórias.

Avanço dos deepfakes transforma a percepção das imagens nas redes sociais e levanta questionamentos sobre verdade e cultura digital
por
Carolina Nader
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28/04/2026 - 12h

Vídeos capazes de simular discursos e expressões que nunca aconteceram deixaram de ser experimentos tecnológicos para se tornarem uma preocupação crescente no ambiente digital. Produzidos com o uso de Inteligência Artificial (IA), os chamados deepfakes ampliam desafios para a informação pública e acendem alertas sobre a disseminação da desinformação, especialmente em períodos eleitorais.

Mais do que uma inovação técnica, esses materiais circulam em um ambiente digital marcado pela velocidade do compartilhamento e pelo peso das emoções na propagação de informações. Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), publicado em 2018 na revista Science, mostrou que informações falsas podem se espalhar até seis vezes mais rápido do que conteúdos verdadeiros nas redes sociais, ampliando desafios para jornalistas, pesquisadores e usuários diante da desinformação online.

Em períodos eleitorais, essa dinâmica torna-se ainda mais relevante. Ao navegar pelas redes, eleitores são expostos a publicações virais que, antes mesmo de serem verificadas ou desmentidas, alcançam grande circulação e passam a influenciar percepções sobre candidatos e acontecimentos políticos. Houve casos como o da deputada Tabata Amaral, que teve suas imagens adulteradas com montagens pornográficas em 2024.

De acordo com João Henrique Martins, advogado especialista em Direito Digital e mestre em IA pela PUC-SP, o principal desafio está na diferença de ritmo entre tecnologia e instituições. “Há um problema diagnosticado de que o processo legislativo não acompanha a mesma velocidade com que a tecnologia evolui. Enquanto a desinformação circula em um ritmo exponencial, a lógica processual possui ritmo muito menor.”

Segundo o especialista, a expansão dos deepfakes também está ligada à democratização das ferramentas de inteligência artificial. O que antes exigia conhecimento técnico avançado passou a estar acessível a qualquer pessoa capaz de utilizar plataformas digitais, ampliando significativamente o potencial de criação e disseminação de materiais manipulados durante campanhas eleitorais.

Martins destaca ainda que a legislação eleitoral brasileira já prevê responsabilização para casos de desinformação. De acordo com ele, a punição pode atingir tanto quem produz quanto quem compartilha conteúdos sabidamente falsos, já que o foco da lei está no ato de divulgar informações inverídicas capazes de influenciar o eleitorado. Ainda assim, a velocidade da circulação digital impõe dificuldades práticas para a aplicação das normas existentes.

A rapidez das redes sociais também contribui para o impacto dos deepfakes ao se conectar diretamente às emoções humanas. As plataformas digitais são estruturadas para priorizar publicações que geram reação imediata nos indivíduos. Para o psicanalista João Bosco, “a racionalidade exige tempo e o ambiente digital valoriza a velocidade.”

Além disso, o especialista afirma que conteúdos extremos rompem a sensação de normalidade. Para ele, o ser humano não está apto a viver em um ambiente onde imagens podem mentir. Durante a maior parte da evolução humana, “ver” era sinônimo de acreditar, e a confiança na percepção visual foi fundamental para a sobrevivência. Agora, com a possibilidade de manipulação total das imagens, esse princípio é abalado, gerando um conflito psicológico. “Esse desalinhamento pode causar ansiedade, insegurança e até uma sensação constante de dúvida em relação à realidade”, afirma.

As consequências ultrapassam o campo individual e passam a afetar diretamente as relações sociais e a confiança coletiva, especialmente em contextos eleitorais. O relatório do World Economic Forum de 2024 apontou a desinformação impulsionada por IA como um dos principais riscos globais de curto prazo, destacando o potencial impacto sobre processos democráticos. Segundo João Bosco, quando as pessoas passam a duvidar sistematicamente do que veem, ocorre uma “erosão da confiança perceptiva”. Isso pode levar a dois extremos: acreditar em tudo pela emoção ou não acreditar em nada pelo ceticismo excessivo. No longo prazo, o impacto atinge não apenas a informação, mas a própria construção de sentidos sobre o mundo.

Diante do avanço dos deepfakes, plataformas digitais e autoridades eleitorais têm ampliado medidas de identificação, por meio da exigência de rotulagem de conteúdos gerados artificialmente, monitoramento, remoção de conteúdo irregular e multas eleitorais. Especialistas alertam, porém, que o desafio não é apenas tecnológico. A dificuldade em distinguir o que é real pode gerar cansaço informacional e afastamento do debate público - fenômeno associado ao aumento da apatia política.

Em um cenário em que imagens já não garantem automaticamente a verdade, o pensamento crítico passa a ocupar papel central na construção da confiança pública e no funcionamento da democracia.

Evento DARUA fomenta arte e cultura periférica independente em São Paulo
por
Evandro Tortolani
João Pedro Amador Pinheiro
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09/04/2026 - 12h

O amplo cenário artístico independente, também conhecido como “cena underground”, possui segmentos diversos em suas expressões e manifestações, com simbologias e modos únicos de comunicação com o público. Dentre as múltiplas camadas, há os movimentos artísticos periféricos, com identidade própria e linguagem característica. Porém, a falta de infraestrutura, a desigualdade social e questões culturais são adversidades enfrentadas por esses coletivos artísticos, sendo fatores antagônicos à realização de movimentos culturais do público periférico.

O Evento de Arte e Cultura DARUA, realizado no dia 22 de março dentro da casa de shows Porta Maldita, localizado no bairro paulistano de Pinheiros, apresentou diversos modos de expressões artísticas periféricas em um lugar só, com interação de variados segmentos de arte independente, como desenhos à mão, exposições, música e agricultura. Essa forma de ação coletiva em um bairro nobre da cidade de São Paulo evidencia a força dos movimentos artísticos independentes, mesmo com empecilhos logísticos e socioeconômicos.

A organizadora do evento e artista visual Luísa Moretti (22) em entrevista, afirmou: “Mesmo com muitos festivais underground sendo feitos em Pinheiros, vem muita galera da periferia, que faz o bagulho acontecer. O intuito do DARUA é esse, tirar essa visão elitizada da arte. Aqui hoje muita gente tá expondo a arte pela primeira vez. Se não fosse o DARUA demoraria para acontecer. Mesmo sem verba, abrimos a porta para nós mesmos e fizemos acontecer. O Porta é um lugar que abraça diversos eventos, então por que não fazer um evento como esse? ”

Público do Evento de Arte e Cultura DARUA
Jovens prestigiando o evento DARUA. Foto: Reprodução/ Matheus Cerullo/@daruafest

A artista independente, além de estar na linha de frente da organização do evento, expôs suas produções artísticas, chamadas de “Psicodelia Marginal” , com desenhos feitos à mão. “Tornou-se uma forma de expressar o que eu sinto. Levou um tempo para eu poder me comunicar com o público por meio da minha arte, que eu chamo de psicodelia marginal. É muito difícil para mim me expressar com palavras, então uso esses meios diferentes para me expressar” , pontuou a artífice.

A cena artística independente nas periferias, apesar de possuir uma vasta riqueza cultural, é, de certo modo, negligenciada e invisibilizada na sociedade. Luísa apontou que muitos artistas vêm de regiões periféricas e possuem dificuldades de integração em bairros de alto padrão. Diante disso, para democratizar o acesso à cultura, diversos movimentos culturais são realizados em áreas menos abastadas. “A cena underground na quebrada é muito unida, mas pouco reconhecida. Tem muita feira de arte, casa de cultura...tem muito mais evento cultural na quebrada do que em Pinheiros, mas quem é de fora não fica sabendo. Se não tem como vir até Pinheiros, você faz seu Pinheiros, monta sua cena. Se a galera não abre a porta pra gente, a gente arromba. O DARUA veio pra isso. ”

O radialista e pesquisador Victor Hugo Valente (27) também teceu comentários sobre a importância da cena independente para a cultura periférica. “Eu acredito que buscamos hoje razões pra gente existir, e isso piora muito quando você tem um contingente de pessoas negras e periféricas, que são colocadas à marginalidade. Na minha visão, eu vejo a cena como uma cena de pessoas pobres, é uma cena de pessoas à margem. Então, a cena cria um ambiente confortável para as pessoas serem o que elas verdadeiramente querem ser, e serem entendidas como elas querem ser. eu, como um homem branco, me dou o prazer de não saber o que eu sou. Mas o Lengue, baixista do Nigéria Futebol Clube, pode ter rótulos muito piores do que simplesmente não existir. Que é existir como periférico, como possível bandido. Então, é muito importante ver os caras do Nigéria tocando o que eles acham justo, o que eles acham que é arte e serem ovacionados por pares de pessoas que moram em Guarulhos, Osasco; que estão todas ali, concentradas e olhando. ”

Movimentos independentes com foco em produções periféricas, como o DARUA, evidenciam a importância do uso da arte para visibilizar grupos socialmente marginalizados, que possuem poucas oportunidades de acesso à cultura e lazer. Além disso, o contato com essas eventos pode ser uma forma de conexão com a identidade e representatividade de jovens negligenciados pela sociedade, por serem manifestações artísticas criadas por indivíduos que enfrentam questões sociais parecidas. Esse evento é um exemplo de como a arte independente pode resultar no fortalecimento do sentimento comunitário em regiões pouco requisitadas pela sociedade paulistana.

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Eventos variados, exposições, shows e festivais movimentam os espaços culturais da cidade
por
Victória da Silva
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09/04/2026 - 12h

Após as águas de março fecharem o verão e o outono começar no país, o mês de abril chega com uma vasta programação cultural para os paulistas e visitantes da cidade curtirem. Confira aqui algumas atrações interessantes para visitar na capital paulista:

SP-Arte

A SP-Arte é a maior feira de arte e design do Brasil. O encontro promove conversas e lançamentos editoriais. Nesta edição, o evento promete ter uma exposição sobre árvores, abordar o mobiliário moderno, mostrar o retrato da cena atual do design brasileiro, além de prêmios para artistas e designers.

Quando: De 8 a 12 de abril.

Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

Noite das Livrarias

No dia Mundial do Livro, o evento celebra a literatura em várias livrarias espalhadas por São Paulo. A partir das 18h os interessados podem descobrir espaços novos, trocar experiências, fazer oficinas, participar de festas do pijama e ainda, conhecer outros amantes de livros.

Quando: 23 de abril.

Onde: Conferir livrarias participantes no site oficial do evento (https://noitedaslivrarias.com.br/livrarias

Ingressos: Entrada Gratuita.

Cine Minhocão

O festival de cinema ao ar livre no Elevado João Goulart conta com sessões competitivas de 21 curtas-metragens brasileiros e internacionais, com votação do público e premiação.

Quando: De 25 de abril a 3 de maio - Sessões às 18h e 19h.

Onde: Minhocão

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

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As obras refletem a pluralidade de linguagens que marcaram a arte brasileira na primeira metade do século XX. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Exposições:

Anita e os Modernistas

Com curadoria de Renata Rocco, a exposição conta com um acervo de 23 obras de Anita Malfatti. A mostra retrata o Modernismo no Brasil e também reúne obras de outros artistas modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, como Di Cavalcanti, Bruno Giorgi, Paulo Rossi Osir, Ismael Nery, Regina Gomide Graz, Alfredo Volpi e Alberto da Veiga Guignard.

Quando: De 6 de abril até 31 de agosto.

Onde: Palácio dos Bandeirantes.

Ingressos: Entrada Gratuita.

Janis Joplin

A mostra trará mais de 300 itens da lendária cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana Janis Joplin, ícone do rock mundial. Dentre os destaques, estão diversas cartas e bilhetes escritos por Janis, fotos de apresentações, além de peças de roupa e adereços da artista.

Quando: A partir de 16 de abril.

Onde: Museu da Imagem e do Som.

Ingressos: Inteira - R$60,00 e Meia Entrada - R$30,00.

Nova Órbita - Nucle1

O centro integrado de artes de quatro andares e dois subsolos foi pensado para promover uma experiência em cada salão. Com exposições em variados espaços, intervenções e um cinema underground, a “Nova Órbita” propõe não apenas uma visita, mas sim uma imersão.

Quando: Até 28 de maio. Quarta à sexta - 12h às 20h. Sábado e domingo - 10h às 18h.

Onde: Nucleum - Rua Muniz de Souza, 809 - Aclimação.

Ingressos: Entrada gratuita.

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Festival Wine&Jazz encanta com a mistura de música e gastronomia. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Festivais:

Wine & Jazz Sessions

O festival de música ao ar livre reúne jazz, gastronomia e vinho em uma experiência diferenciada. Serão dois dias de shows de Jazz e Soul, área gastronômica com a participação de chefs e seus restaurantes, empório artesanal, além de vinícolas e importadoras de vinho consagradas.

Quando: 11 e 12 de abril. 

Onde: Parque Villa-Lobos.

Ingressos: Entrada gratuita. Para participar do Wine&Jazz nas alturas (na Roda Rico) os preços variam entre R$60,00 e R$120,00.

Gop Tun Festival 2026

O festival acontece em um final de semana inteiro e celebra a cidade de São Paulo unindo artistas da música eletrônica alternativa. Em sua 5ª edição, o público poderá prestigiar a line-up que conta com Jayda G, Optimo (Espacio), Mount Kimbie Dj, Yu Su, Chaos In The Cbd, Moxie, Omoloko, Brenda & Maria Manuela, Sherelle e Aerobica.

Quando: 11 e 12 de abril 

Programação diurna: 13h às 22h30

Programação noturna: 21h30 às 6h em espaço exclusivo.

Onde: Complexo do Pacaembu

Ingressos: Variam entre R$280,00 e R$550,00.

Shows:

Marina Sena - Coisas Naturais

A artista Marina Sena retorna à São Paulo com um novo capítulo da era "Coisas Naturais”, para um show atualizado e repaginado. Entre o setlist da apresentação, está a faixa "Carnaval" que atravessou a estação e se tornou um dos hits mais tocados de fevereiro.

Quando: 17 de abril.

Onde: Espaço Unimed.

Ingressos: A partir de R$130,00.

Jackson Wang - MAGICMAN 2 WORLD TOUR

Jackson Wang, que é integrante do grupo de kpop Got7, retorna para um show em São Paulo e outro show de estreia no Rio de Janeiro, promovendo a turnê “MAGICMAN 2 WORLD TOUR”. Os shows são aguardados pelos fãs que desejam apreciar pessoalmente o alter ego “Magic Man”, criado para expressar a versão mais autêntica do artista.

Quando: 23 de abril.

Onde: Suhai Music Hall.

Ingressos: Variam entre R$470,00 e R$980,00.

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A tecnologia é usada por criminosos em casos variados
por
Lucas Allabi
Guilherme Gastaldi
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22/11/2023 - 12h

Por Lucas Allabi (texto) e Guilherme Gastaldi (audiovisual)

O termo deepfake, traduzido do inglês, é uma mistura de “deep learning” e “fake”. Ou seja, é um sistema de aprendizado constante de uma inteligência artificial que visa criar vídeos e imagens falsas com cada vez mais semelhanças à realidade. A tecnologia teve início no ano de 2017. Usuários do Reddit usaram os softwares Keras e TensorFlow para criar uma IA que mapeia rostos e os substitui por outro qualquer. O software consegue até imitar expressões faciais e movimentos labiais.

Isso facilitou o uso de qualquer um a esse tipo de tecnologia, já que ela deixou de ser manual, substituindo frame por frame o vídeo selecionado, e automatizou completamente o processo. A tecnologia, com nenhuma regulação sob ela, logo se popularizou e começou a ser utilizada para diversas finalidades. Se tornou comum vídeos pornográficos serem feitos com rostos de pessoas que nunca fizeram parte de nenhum vídeo erótico.

No começo era uma espécie de fetichização da pessoa, visando dar prazer para quem tinha desejo por alguém que nunca fez pornografia. O uso criminoso dessa tecnologia, entretanto, logo surgiu. Diversos relatos da época revelaram tentativas de suborno feitas por criminosos que ameaçavam publicar deepfakes de civis. A vítima deveria pagar ao infrator para que um vídeo pornográfico com seu rosto não fosse publicado como verdadeiro.

A quantidade de usos de deepfakes para fins criminosos cresceu com a crescente facilidade do público de acessar essa tecnologia. Com um rápido google achamos ferramentas gratuitas como o aplicativo Reface, os sites DeepSwap e DeepFakes Web e os programas FaceApp e DeepFaceLab.

deepfake
 Site que oferece gratuitamente a tecnologia do deepfake.

Com a evolução do acesso ao deepfake, também aumentaram os crimes relacionados à tecnologia. É possível forjar um vídeo para criar um álibi, um depoimento para convencer que uma pessoa defende um determinado ponto de vista ou mesmo uma situação de crime, de modo a incriminar alguém. Tudo depende da criatividade do editor e de quantos vídeos da pessoa estão disponíveis na internet.

Um exemplo é que, nos Estados Unidos, ganhou projeção um golpe que usou o rosto do influenciador mais popular do mundo, MrBeast, que tem 201 milhões de inscritos no seu canal do YouTube. O vídeo usa um clone de James Stephen Donaldson, o dono do canal MrBeast, que oferecia iPhones 15 em troca de quantias irrisórias de dinheiro no Tik Tok. O que seria uma abordagem implausível, ganha em persuasão ao se considerar que ele se tornou famoso ao distribuir prêmios a quem supera desafios em seu canal.

No ano de 2022, com as eleições presidenciais no Brasil, notou-se um crescimento no uso da ferramenta, dessa vez, com o objetivo de manipular falas e criando narrativas tendenciosas com o objetivo de favorecer um lado, ao mesmo tempo em que prejudicava o outro. Além disso, a suscetibilidade de grande parte da população brasileira de acreditar favorece o uso de ferramentas que promovem a disseminação de desinformação.

Em pesquisa divulgada em janeiro de 2022 pela Kaspersky, empresa tecnológica russa especializada na produção de softwares de segurança à Internet, em parceria com a Corpa, a maior parte dos brasileiros não sabem reconhecer quando um vídeo foi editado usando o deepfake. Segundo o estudo, 66% dos brasileiros ignoram a existência dessa técnica. O relatório revela também que a maioria dos entrevistados brasileiros (71%) não reconhece quando um vídeo foi editado digitalmente usando essa técnica. 

Na mesma linha, a professora da PUC-SP Lúcia Santaella elenca alguns motivos pelos quais identificar um deepfake pode ser difícil, especialmente para pessoas sem conhecimento tecnológico. A pesquisadora lembra que as teorias da percepção revelam que o ser humano não pode duvidar daquilo que vê, ou seja, vídeos costumam ser tomados como verdade. Em segundo lugar, as peças audiovisuais manipuladas normalmente são consumidas a partir da tela de um smartphone, o que, pelo tamanho reduzido, dificulta a identificação de detalhes que denunciem a edição. 

Ela ainda ressalta que nós estamos acostumados a ver filmes e vídeos dublados. Portanto, a atenção ao movimento labial é um hábito que nós não temos. A nossa atenção toda vai para a sequência visual do vídeo, para o que é contado, narrado ou apresentado.

No ano dessa eleição, foi produzido um vídeo de deepfake onde os âncoras do Jornal Nacional, William Bonner e Renata Vasconcellos, falavam que o candidato à presidência Lula (PT) e seu vice Geraldo Alckmin (PSB) eram “bandidos”. Visto o prestígio do programa e dos apresentadores, o vídeo passou como verdadeiro para vários espectadores, criando o perigo de manipular os votos para a eleição. Esses resultados são preocupantes e evidenciam como nossa sociedade ainda é muito vulnerável à essa nova tecnologia e como precisamos nos preparar e entender o seu funcionamento. 

Além disso, a apuração mostra como políticos e influenciadores podem ter grande sucesso utilizando a manipulação digital para favorecer campanhas de desinformação, principalmente nas redes sociais como Twitter e WhatsApp, onde esses vídeos recebem uma tração muito grande e são compartilhados em massa, tanto por pessoas que não sabem que o vídeo é mentira como pessoas tem plena consciência da falta de veracidade do conteúdo, mas compartilham da mesma maneira para favorecer pontos de vista particulares. 

 

 

 

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Acompanhe como os algoritmos influenciam os usuários
por
Gabriel Cordeiro
Pedro Lima Gebrath
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31/10/2023 - 12h

A internet é fundamental em nossas vidas, estamos conectados quase que inconscientemente a ela, seja jogando, conversando, postando nossas opiniões, buscando conteúdo ou diversas outras funções que a internet pode exercer, mas não podemos nos enganar ao pensar que possuímos total controle sobre ela, pois não possuímos. A internet muitas vezes passa a sensação de um oceano de possibilidades, o que não passa de uma ilusão criada pela própria, tudo que fazemos está sendo observado e condicionado e devido aos algoritmos estamos consumindo apenas o que é condizente com “nossa bolha”.

Esse espaço virtual possui uma vasta capacidade de armazenamento de dados e informações, e por isso ela é capaz de muitas vezes direcionar por meio de seu algoritmo o conteúdo que será apresentado para nós, muitas vezes filtrando nossos gostos e nos privando culturalmente, socialmente e até gastronomicamente, nos privando de muito conhecimento e impedindo uma possível ampliação cultural por conta dessa manipulação causada pelas grandes corporações, que conseguem realizar isso ao possuir um vasto acesso aos nossos dados, que liberamos ao realizar cadastros e respondendo questionários de gostos e personalidade em seus sites e redes.

As redes sociais também podem ter efeitos negativos, por sua grande influência na sociedade atual elas podem ser determinantes para importantes acontecimentos. Um grande exemplo das redes sociais sendo utilizadas de maneira maléfica é no caso das eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016, no qual o candidato republicano Donald Trump foi eleito usando táticas antidemocráticas. O ex-presidente utilizou de uma manipulação dos algoritmos com base em dados pessoais que foram vendidos pelas empresas de meios de comunicação, convertendo muitos dos “indecisos” para votarem a favor de Trump, se utilizando de muitas das chamadas “fake news” (notícias falsas).

Essa prática não foi determinante apenas nessa eleição, esse esquema de manipulação também definiu a votação do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), se utilizando desses dados pessoais dos usuários de redes sociais como o Facebook para a manipulação do indivíduo, se utilizando de uma estratégia de algoritmo com base na personalidade e traçando um perfil do eleitorado visando convencer os mais suscetíveis à se tornarem um possível voto favorável, essa estratégia foi desenvolvida pela empresa Cambridge Analytica.

De acordo com Brittany Kaiser, responsável pelas campanhas de empresa durante o período que compreendeu os dois períodos históricos acima, a ferramenta detida pela Cambridge Analytica não possuía apenas a função de melhorar o marketing da empresa, mas era capaz de manipular mentes de usuários que superava o simples uso das redes sociais; era impossível se libertar dessa influência, visto que ela já se via presente nas mais diversas esferas da sociedade mundial. A empresa reproduzia a verdade conveniente a quem lhe pagava, passando uma imagem distorcida a quem a via e gerando um sentimento de que uma simples tomada de decisão resolveria diversos dilemas impostos de maneira exacerbada na internet.

A vitória do republicano Donald Trump em 2016 foi o início de uma onda da extrema direita pelo mundo que teve impacto também em nosso país, com o resultado das eleições 2018 elegendo Jair Bolsonaro também com grande influência das redes sociais. O candidato e atual presidente da república foi acusado de manter uma rede de trafego de notícias falsas e tendenciosas por meio de grupos informais de conversas, no caso o aplicativo WhatsApp, atitude que pode tê-lo ajudado a ganhar a disputa contra o candidato Fernando Haddad, do PT.

O gráfico a seguir exemplifica as fake news sobre os candidatos do 2° turno nas eleições brasileiras de 2018:

https://cpop.ufpr.br/wp-content/uploads/Tabela-1-20.png

Segundo essa tabela da Agência Lupa e Projeto Comprova, é apontado que Bolsonaro foi bem mais beneficiado por fake news que seu concorrente Fernando Haddad, com 87,5% das notícias falsas sendo favoráveis ao mesmo. Além das fake news em maior quantidade que favorecem Bolsonaro os temas abordados também são menos genéricos e mais chocantes, podendo se concluir que se trata de um método de sua equipe e não somente coincidências.

 

Uma das fake news mais famosas propagadas pelo atual presidente, com mais de 400 mil compartilhamentos, foi sobre Fernando Haddad (PT) ter criado o “kit gay” para crianças de seis anos. É possível encontrar não só esse, mas também outros boatos acerca do mesmo tema. Além de acusarem Haddad de ter criado o “kit gay”, em outros boatos também o acusam de incentivar a pedofilia e o incesto. O “kit gay”, nesses boatos, teria a função de sexualizar as crianças precocemente e ensinar a elas a “ideologia de gênero”.

O assunto foi tão relevante que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ordenou que as publicações do ex candidato do PSL acusando o ex ministro da educação de distribuir o tal “kit gay” nas escolas públicas enquanto seu período no ministério fossem retiradas do ar, pois este kit nunca existiu

 

No topo das publicações mais compartilhadas está o perfil oficial do candidato Jair Bolsonaro, que reiteradamente se refere a Haddad como o “pai do kit gay” (Reprodução/TV Globo)

Foto de Jair Bolsonaro segurando o livro “Aparelho Sexual & Cia” no Jornal Nacional da Globo (Reprodução/TV Globo)

As noticias falsas atingiram principalmente os idosos, que possuem pouca familiaridade com a internet e redes sociais, normalmente com dificuldades de confirmar o que se vê nos espaços virtuais. Em entrevista com Maria Francisca, senhora de 79 anos, a mesma afirma ter participado de diversos grupos do aplicativo Whatsapp onde eram compartilhadas as noticias, onde se afirmava que haviam fraudes nas eleições de 2022 em relação as urnas. Também era incitado uma possível intervenção militar, o que motivou diversos acampamentos em frente aos quarteis generais, tudo organizado e fomentado nos grupos de Whatsapp e do  Telegram. Maria diz se sentir muito chateada por ter disseminado tanta desinformação e agradece ao Tribunal Superior Eleitoral e as agencias de checagem por informarem os fatos, mesmo que a grande maioria dos outros participantes não acreditem nas fontes e sigam com a versão compartilhada nos grupos.

 

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Os paradigmas da presença tecnológica como ferramenta nas escolas
por
Khadijah Calil
Lais Romagnoli
|
01/11/2023 - 12h

Por Lais Romagnoli (texto) e Khadijah Calil (audiovisual)

 

Caio Silva atua na área da educação há 3 anos e atualmente é professor de duas escolas estaduais localizadas em São Paulo. Ele que foi estudante do ensino particular, sempre trabalhou em escolas públicas e percebe que o governo de São Paulo está intensificando o uso de tecnologias dentro das salas de aula, mas considera que os recursos não são implantados para que isso ocorra de maneira satisfatória, sobretudo pela quantidade de equipamentos disponíveis.

Em meio a sala de aula vazia, ele afirma que mesmo com a distribuição de tablets e computadores, os prazos costumam ser curtos para as realizações de provas e trabalhos. Além da quantidade de aparelhos não ser condizente com o número de alunos, parte deles não realizam suas tarefas a tempo nas datas solicitadas. 

Com um olhar de indignação ele acredita que esse tipo de situação não deve ocorrer em centros educacionais particulares, uma vez que há um cuidado muito rigoroso a essas questões. Alunos do ensino particular já possuem a tecnologia inserida na educação há muito tempo, já estão acostumados com salas de aula repletas de computadores e tablets.

Em relação ao uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula, Caio acredita que a tecnologia pode auxiliar na compreensão dos conteúdos e na superação das dificuldades dos alunos além de proporcionar uma aula mais dinâmica do modelo tradicional. Ele também enfatiza que as ferramentas oferecidas pela escola e pelo governo são essenciais, mas aponta questões negativas sobre o uso.

Caio confessa que mesmo com a utilização em massa do celular em sala de aula para uso pessoal, como acessar o Instagram ou assistir vídeos de assuntos variados no Tiktok, muitos alunos ainda demonstram um desinteresse pelo uso da tecnologia quando atrelada a educação, principalmente os do ensino médio. 

Caio conta que os alunos entre 11 a 18 anos costumam aceitar a inserção da tecnologia em sala de aula. Ele acredita que cabe ao profissional uma reflexão com os estudantes para que compreendam aquilo como algo positivo. No entanto, o professor muitas vezes esbarra em uma cultura escolar, que já vem de décadas, que dificulta essa sensibilização por parte dos estudantes.

Questionado sobre a influência da era digital na educação, o profissional enfatiza que a tecnologia possibilita um acesso a informações que nunca tivemos em nossa história, mas é necessário pensar na forma que utilizamos essa ferramenta. É preciso um olhar crítico acerca da qualidade desses materiais que os jovens que estão saindo do Ensino Médio terão acesso.

A Internet pode sim ser positiva, com várias formas de se adquirir e transmitir conhecimento, conta. Mas também, com o advento das redes sociais, muitos estudantes acabam por perder o interesse em questões que realmente podem mudar a sua vida. A realidade é transportada para as redes sociais e tudo que se almeja é um cumprimento de padrões impostos pelas redes. Ele enfatiza que o fator principal para se entender o lado positivo e negativo é compreender com qual finalidade esse jovem vai utilizar a Internet e seus aparelhos eletrônicos. 

Os avanços tecnológicos passaram a ter domínio da sociedade de forma que os equipamentos se tornaram essenciais para o cotidiano, com benefícios e malefícios. Essa modernização atingiu o âmbito educacional, trazendo a tona um debate sobre a maneira que celulares e computadores podem ser contribuintes ou não na formação dos estudantes.

 

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CienTec abre as portas para visitantes com exposições interativas e visitas guiadas
por
Marcela Rocha
Stefany Santos
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13/11/2023 - 12h

Por Stefany Santos (texto) e Marcela Rocha (audiovisual)

O Parque da Ciência e Tecnologia (CienTec) seria um local de fácil acesso igual aos outros próximos de sua localização na maior região de mata da cidade de São Paulo como o jardim botânico e o zoológico de São Paulo, seria se não fosse a falta de informação e de placas indicando a chegada até o local, quase ninguém sabe dá uma informação sobre o espaço, que só tem um simples totem em uma avenida indicando o parque.

Na entrada do CienTec há um portão verde com grades, fechadura com correntes que dão voltas para proteger o portão. Ao lado do portão tem um pequeno espaço de abrigo onde fica o segurança aguardando os visitantes do parque e que pede para quem chegar a assinar a lista de presença e seguir as linhas amarelas, linhas essas que já estão quase apagadas pela poeira do dia-a-dia, devido ao tempo. Ao seguir as linhas observa-se um hipnotizante local do espaço geofísico, com réplicas de planetas do sistema solar e um enorme edifício branco ao final do caminho, em que estavam 3 voluntários estudantes aguardando os visitantes para guiá-los. Vestindo coletes azuis, os voluntários se apresentam como Gabriel, Mariana e Maria, todos da Universidade de São Paulo (USP).

Anos atrás, o local que hoje se apresenta como Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade de São Paulo, em 1932 era o Instituto Astronômico e Geofísico da USP, anteriormente localizado na Av. Paulista, que por conta dos tremores e ondas emitidas pela movimentação de pedestres, dos bondinhos e carros, acabou sendo mudado para uma região mais afastada do centro da cidade. Antes disso, a área era utilizada para plantio de café como propriedade de diversos fazendeiros, inclusive com parte do território pertencendo à Fazenda do Estado. Hoje o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas está na Cidade Universitária da USP do Campus Butantã, o atual Parque CienTec teve seus prédios tombados como Patrimônio Arquitetônico e a área verde de conservação foi identificada como Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI), comportando para além do CienTec, também o Zoológico e o Jardim Botânico de São Paulo.

De acordo com o professor e Doutor em física pela Universidade de São Paulo, Mikiya Muramatsu, também coordenador da exposição, em 2007 quando o projeto surgiu a ideia inicial era fazer exposições móveis que percorressem todos os parques da cidade, o que funcionou por longo período, passando pelo Parque da Juventude, Parque do Ibirapuera etc. Agora fixas, as exposições estão instaladas no Parque CienTec por tempo indeterminado.

Os artefatos das exposições são em sua maioria interativos. O público pode tocar e se envolver com os objetivos, com formas de trazer conhecimento científico a partir de atividades lúdicas. Em sua maioria, as mostras são seccionadas em óptica, física e paleontologia. Na seção de paleontologia, as réplicas de fósseis de crânio de dinossauros têm tamanho adequado para pessoas de diferentes idades poderem interagir. Os moldes são feitos em gesso e acompanham as especificidades de cada espécie, como as fossas ósseas cranianas e as diferenças no formato da mandíbula e dos dentes. De acordo com os especialistas paleontólogos, os dentes em formato pontiagudo, semelhante a uma faca, provavelmente pertenciam aos grupos de dinossauros carnívoros e ajudavam a cortar e triturar a carne, encontrados normalmente em crânios grandes.

 

Marcela Rocha

Fósseis de dinossauros na seção de Paleontologia / Foto: Marcela Rocha

 

Os dentes retos e de crânio pequeno em relação ao restante do esqueleto corporal, que ao abocanhar tem-se a visualização de uma dentição semelhante a grades, pertenciam a dinossauros herbívoros, servindo para prender as plantas e folhas entre os dentes, facilitando a mastigação e a deglutição. Já os crânios com focinho alongado e dentes que contam com estruturas semelhantes a pequenas serras em cada um, pertenciam a dinossauros que se alimentavam sobretudo de peixes, sendo o focinho alongado adaptado para caçar em ambiente aquático (como fazem as atuais garças, pelicanos e flamingos, por exemplo). Todos os fósseis contam com folha explicativa de informações a respeito do contexto em que foram encontrados, datação, tamanho do indivíduo e informações sobre as espécies.

Na sala de óptica, a baixa iluminação marca presença. O ambiente conta com artefatos luminosos fluorescentes e objetos com pintura em espiral que provocam a ilusão do movimento. Os objetos hipnotizam sobretudo as crianças, por suas cores e sons diferentes. O professor de física Mikiya Muramatsu explica que a imagem que vemos através de nossos olhos demora um décimo de segundo para chegar ao nosso cérebro.  Sendo assim, o cérebro recebe a informação da imagem, e ao olharmos para outra imagem rapidamente, o cérebro pode ainda estar acostumado com a imagem de um décimo de segundo atrás. Dessa forma ocorrem as brincadeiras de ilusão de óptica e sensação de hipnose exploradas na exposição.


Marcela Rocha

Criança brinca com artefatos interativos da mostra/Foto: Marcela Rocha

Os dinossauros refletem a nós uma lição, em mostrar que não podemos deixar a terra ser destruída novamente. Um voluntário do parque, Marcos Felipe, formado em artes plásticas na FAAP e atualmente estudante de licenciatura em geociência ambiental na USP conta que se continuarmos sem cuidar do meio ambiente, assim como os dinossauros foram destruídos nós também seremos, demonstrando a importância e necessidade de tratar de questões ecológicas.

Artefatos e itens interativo

Exposição tecnlógica
Registro de equipamento luminoso. Artefato faz parte das peças expositivas da mostra/Foto: Marcela Rocha.

Para ir ao parque não é necessário realizar inscrição prévia, basta comparecer de segunda-feira a sábado das 9h00min às 16h00min, com entrada gratuita.

 

 

 

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Nos últimos anos, os produtores de conteúdo vem alterando drasticamente a essência das vendas online
por
Felipe Abel Horowicz Pjevac
Pedro Paes Barreto Monteiro
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17/10/2023 - 12h

As redes sociais mudaram profundamente a maneira como as pessoas se relacionam no mundo real e virtual. Com esse crescimento das mídias nos últimos 15 anos, surgiram diversos produtores de conteúdos que se tornaram verdadeiras personas, mostrando aos seus seguidores uma “vida perfeita”, quando na realidade o que se passa no dia a dia é totalmente diferente do que é mostrado no Instagram, por exemplo. Infelizmente, esse é um fenômeno que tem crescido muito nessa era digital e acabou se tornando algo mais comum do que o esperado.

Plataformas digitais como Twitter, TikTok e Instagram são grandes palcos virtuais onde as pessoas podem exibir suas vidas da maneira que quiserem para que outros vejam. Os influenciadores têm um papel decisivo para esse ideal utópico onde tudo é lindo e maravilhoso. Através de fotos e vídeos com filtro, legendas muito bem elaboradas e com toda uma equipe por trás pensando em cada detalhe do perfil, a internet se tornou um ambiente fora da realidade que vivemos.

Uma linha do tempo em relação à produção e venda de conteúdo pessoal na internet pode esclarecer um pouco como chegamos até aqui: no final da década de 2000 e início da década de 2010, o YouTube começava a se destacar como uma soberana plataforma digital de vídeos. Como tudo ainda era ‘pouco explorado’, não existia um manual de comportamento a ser seguido pelos youtubers. Dessa maneira, muitos começaram a ter destaque publicando as próprias vidas de maneira quase literal. Por meio de vídeos opinativos, vlogs diários de rotina, transmissões jogando videogames ou até mesmo gravações de turismo, os conteúdos eram autênticos e espontâneos. Nas mídias de texto e imagem, o Facebook e o Twitter eram encarregados desse papel; enquanto o primeiro era mais elaborado, com portais de debates, compartilhamento de ideias e notas bem escritas, o segundo assumia um formato mais leve, com tuites curtos e diretos e uma proposta mais cômica.

Em entrevista para a AGEMT, a psicóloga e neurologista Eliane Duek falou sobre esse panorama: “Na primeira era digital das redes sociais, cada pessoa foi ‘jogada’ em um universo até então quase desconhecido e o conceito era trazer a pessoa da esfera material para o ambiente virtual. Por isso, a esmagadora maioria tanto dos usuários quanto dos primeiros produtores de conteúdo enxergaram uma possibilidade de apresentar suas vidas das mais diversas maneiras para que os outros pudessem assistir e comentar. Ali era criado um ambiente que tentava emular a vida real da maneira mais realista possível”, diz Duek.

No entanto, tudo começou a mudar com a ascensão do Instagram por volta de 2015, quando a rede de fotos começou a chamar à atenção do mundo. As legendas com hashtags compartilhadas já começavam a demonstrar um certo padrão (quem não se lembra do ‘Partiu!’) e as fotos já buscavam algum tipo de reconhecimento estético. “A grande questão do Instagram é que o fato do conteúdo ser transmitido principalmente em fotos ao invés de vídeos falados ou palavras escritas já tira um pouco da naturalidade e da espontaneidade do momento. Desde que os primeiros instrumentos de fotografia foram inventados, as imagens são pensadas e produzidas de certa maneira; a pessoa pensa no conteúdo que vai ser produzido antes de criá-lo. Além disso, com um maior número de cadastros, cada usuário começa a se sentir mais vigiado e, consequentemente, vulnerável, muitas vezes relutante em postar algo pessoal ou informal devido ao grande número de visualizações por amigos e familiares”, explica a psicóloga.

Mais recentemente, o Instagram criou os Stories, que consistem em vídeos ou fotos de pequena duração que ficam expostos por 24 horas a fim de que os usuários apresentem mais das suas próprias vivências ao invés de postar apenas o que é produzido. Mesmo assim, muitos famosos enxergaram nessa nova ferramenta um espaço para anúncios, propagandas, e mais interação com assinantes através da interpretação de um ‘personagem’. Para incrementar ainda mais a era volátil, nasceu o chinês TikTok.

Com o início da pandemia de Covid-19, o TikTok se tornou a rede social mais utilizada no planeta, trazendo vídeos curtos sobre os temas mais variados para diversos grupos de usuários. Esse aplicativo viralizou com produções que de fato vinham para apresentar o cotidiano da pandemia, as dificuldades (algo frequentemente escondido nessa era de padrões) e os reflexos do isolamento social. Porém, as famosas trends, correntes de repetição de algum vídeo popular ao redor da plataforma por milhões de usuários, surgiram e cresceram exponencialmente como um reflexo desse novo período no qual os produtores se adaptam às modas mais consumidas pelos fãs para viralizarem na plataforma.

“A internet está atravessando um momento que podemos definir como ‘era do algoritmo’. O reconhecimento e o sucesso nas redes sociais pode ser conseguido se o produtor de conteúdo consegue fazer uso das chaves de cada algoritmo; alguns conteúdos são mais divulgados do que outros, até mesmo por vontade do público consumidor. Aqueles que entendem a maneira de agir, o comportamento nos vídeos, as fotos postadas ou o conteúdo apresentado que rendem mais visualizações e likes conseguem se destacar e alavancar a própria carreira rapidamente”, afirma Duek.

Ela completa: “Um ponto negativo em relação a isso é que os grandes produtores estão deixando de ser reconhecidos por trabalhos autorais, pelas próprias ideias e até mesmo pela própria vida. Muitos youtubers que vendiam o seu dia-a-dia em geral para os fãs, hoje se rendem a trends, roteiros prontos e personagens que em nada lembram as características da própria pessoa”.

Esse comportamento acaba gerando uma dualidade ‘pessoa-personagem’ que acaba transportando essa metodologia até mesmo para outros espaços. Um exemplo é o youtuber Felipe Neto; relatos de fãs e até mesmo amigos afirmam que nos últimos anos, o influenciador age e se comporta de maneira diferente durante o seu cotidiano e até mesmo nos espaços sociais particulares devido a um processo de adaptação que sofreu em suas redes sociais desde 2017. As figuras públicas pensam em tudo antes de fazer um post ou um story, e escolhem cuidadosamente os momentos que devem ou não ser mostrados para a grande massa. Isso cria uma imagem de que todos os momentos vividos vão ser extraordinários, mas infelizmente a vida não é assim. Esse exagero é terrível para quem o acompanha nas redes, porque causa uma pressão desnecessária por uma perfeição que nunca vai ser atingida.

"A busca pela excelência tem consequências significativas para a saúde mental de quem quer atingir esse nível imaginário. A constante comparação entre o fã e o famoso que vemos online pode levar à ansiedade, depressão e baixa autoestima. Muitas pessoas se sentem inadequadas diante das imagens de felicidade constante e sucesso que inundam suas redes. A pressão social para manter essa imagem perfeita online pode ser avassaladora. Além disso, ela pode resultar em uma busca incessante por aprovação e validação em forma de curtidas e comentários, em vez de construir conexões significativas com outros", ressalta Duek.

Outro aspecto crítico é o papel do cyberbullying e da intimidação nas redes sociais, que pode ter repercussões devastadoras na saúde mental das vítimas. O anonimato proporcionado pela internet, frequentemente causa gatilhos e comportamentos prejudiciais, resultando em danos psicológicos graves e, em alguns casos, desfechos trágicos. "É importante ressaltar que a vida perfeita do Instagram é frequentemente uma ilusão; por trás das imagens brilhantes e estilizadas, há uma vida real, repleta de desafios e com muitos altos e baixos em diversas ocasiões", diz Duek.

As redes sociais mostram o que as pessoas escolhem compartilhar, mas raramente revelam os momentos difíceis e as imperfeições. Quando a tempestade chega, com notícias e fatos ruins acontecendo, o público não vê porque os “personagens” não ganham nada mostrando esse tipo de conteúdo. As pessoas que se tornaram "personagens" nas redes sociais são um reflexo da era digital em que vivemos. Elas exploram as possibilidades de se expressar, conectar-se com outros, apenas no intuito de alcançar seus objetivos pessoais e profissionais. No fim, o mais importante é entender que o conceito de ‘vida’ apresentado pelos produtores de conteúdo digital já deixou de ser algo realista e natural há muitos anos, e hoje em dia não há mais motivos para se espelhar no ‘ídolo do YouTube’ ou ‘naquele tiktoker que viaja o mundo inteiro’ para qualquer tipo de projeto pessoal. Compreender isso é um passo que torna a relação do usuário com as redes sociais em uma aproximação muito mais saudável. 

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