Quanto mais mediado por telas se torna o cotidiano, mais o encontro com o real transforma o teatro em uma experiência intensa e necessária
por
Manoella Marinho
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30/03/2026 - 12h

A relação da geração atual com o mundo passa, inevitavelmente, pelas telas. Celulares, redes sociais e plataformas de vídeo moldam não apenas a forma de comunicação, mas também a percepção da realidade. “O teatro é o presente, é o agora, é o sentimento”, afirma Marcello Drummond, diretor do Teatro Oficina, em entrevista à AGEMT. A fala sintetiza uma das principais diferenças entre o teatro e as mídias digitais: enquanto a internet permite o acesso ilimitado e instantâneo a conteúdos, o teatro exige presença, tempo e entrega. Isso torna-se ainda mais evidente quando se observa o impacto físico da cena.

“Quando você vê um ator na tua frente […] é uma coisa viva”, diz Drummond. Ao contrário da imagem mediada por uma tela, o corpo em cena carrega falhas, respiração, improviso, entregam elementos que tornam cada apresentação única. É essa imprevisibilidade que intensifica a experiência do espectador. Ao mesmo tempo, o ambiente digital tem produzido uma mudança significativa nos hábitos culturais. “As pessoas têm pouco contato com o que não é vídeo”, aponta o diretor. A predominância do audiovisual transforma a forma como a arte é consumida, muitas vezes reduzindo a experiência a fragmentos rápidos e descartáveis.

Créditos: Manoella Marinho Teatro Oficina

 

Ainda assim, o impacto da tecnologia não é apenas negativo. “O digital […] está fazendo com que os teatros fiquem mais cheios”, observa Drummond, conversando com AGEMT dentro do espaço do Teatro Oficina. O fenômeno revela um paradoxo: quanto mais imersas no virtual, mais as pessoas parecem buscar experiências concretas. A saturação de estímulos, característica do cotidiano online, gera uma espécie de cansaço que encontra no teatro um espaço de pausa e intensidade.

Esse movimento ajuda a explicar por que o teatro provoca um efeito tão marcante na geração atual. “A gente tem contato com tela […] mas o vivo toca muito”, resume o diretor. O impacto não está apenas no conteúdo da peça, mas na experiência sensorial completa: o silêncio da plateia, a proximidade com os atores, a impossibilidade de pausar ou voltar a cena. Historicamente, o teatro sempre se construiu a partir dessa relação direta. Encenações como “O Rei da Vela”, marco do Teatro Oficina, ou montagens contemporâneas que rompem a divisão entre palco e plateia, evidenciam a potência do encontro ao vivo. Ao eliminar a chamada “quarta parede”, essas obras convidam o espectador a participar ativamente, transformando-o em parte da cena.

Nesse contexto, o teatro também reafirma seu caráter político. “O fato de estar em cena já é um ato político”, diz Drummond. Em um ambiente digital marcado pela circulação massiva de discursos, muitas vezes superficiais ou polarizados, o teatro oferece um espaço de reflexão mais profunda, onde o tempo e a presença permitem a elaboração crítica. Por outro lado, a própria internet carrega contradições. “Tem coisas muito boas […] e coisas muito ruins que se espalharam”, reconhece o diretor. Se por um lado ela democratiza o acesso à informação e à arte, por outro amplia a circulação de desinformação e discursos problemáticos. Nesse cenário, o teatro se destaca como um espaço de construção coletiva e diálogo direto. A diferença fundamental está na experiência. Enquanto o digital tende à repetição e à reprodução infinita, o teatro se ancora no instante. Cada sessão é única, irrepetível. É nesse sentido que o impacto se intensifica: o espectador não apenas assiste no automático mas vivencia, estimulando análise crítica e sensação.

Em um mundo em que o contato com o real se torna cada vez mais mediado, o teatro reafirma a importância do corpo, do encontro e da presença. Mais do que sobreviver à era digital, ele parece ganhar novo sentido dentro dela. Um espaço onde o humano, finalmente, deixa de ser apenas imagem e volta a ser experiência.

 

Um em cada dez brasileiros conversam com chatbots como forma de tratamento para questões psicológicas
por
Joana Prando
Gabriel Giannini
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30/03/2026 - 12h

 

No Brasil, uma em cada dez pessoas utilizam da Inteligência Artificial (IA) para fazer terapia, segundo a revista Superinteressante. Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais assustadora. De acordo com uma matéria publicada pela jornalista Tamires Vitorio, pela revista Exame no dia 8 de agosto de 2025, aproximadamente 19% dos americanos, cerca de 49,2 milhões de adultos, utilizam ferramentas baseadas em IA como forma de terapia. O uso de inteligência artificial em conversas sobre sentimentos, ansiedade e solidão cresceu de forma exponencial nos últimos anos. A questão que fica é se a IA realmente é capaz de desvendar o sentimento humano. A psicóloga Bruna Santin Kalil, formada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduanda pela UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), nos ajuda  a entender os riscos dessa prática. 

Em entrevista à AGEMT, Kalil ressalta que “o uso das tecnologias é um caminho sem volta, principalmente desde a experiência coletiva da pandemia[...]. Eu acho que assim como outros avanços tecnológicos, eles não são em si bons ou ruins, tudo depende do modo como a gente faz uso deles. Uma prática estruturada, um guia, isso pode ser reforçador para a pessoa implementar de fato no dia a dia o que se é proposto pela terapeuta.”  

O Conselho Federal de Psicologia tem feito longas pesquisas sobre a IA, tendo publicado uma cartilha chamada "Chatbots, Inteligência Artificial e sua saúde mental", que nos ajuda a entender para quem essas ferramentas podem (ou não) ser úteis. De acordo com o artigo, os chatbots são comprovadamente inadequados e potencialmente perigosos, especificamente para pessoas que estão passando por crises e pensamentos de atentado contra a própria vida, por exemplo. Além de pessoas que sofrem de esquizofrenia, transtorno bipolar e entre tantos outros. O uso de tais ferramentas digitais para fins de diagnósticos psicológicos e de avaliação psicológica, pode gerar uma fragilidade e até agravamentos em determinados quadros de saúde, o que acaba adiando ou até impedindo a busca por tratamentos verdadeiramente adequados. 

créditos: imagem gerada por IA. Pessoa fazendo uso da terapia com IA

 

 

 

Uma das principais razões de tantos jovens recorrem ao uso da IA como forma de terapia se dá porque essas plataformas são gratuitas e dão repostas rápidas, normalmente aquelas "respostas que gostamos de ouvir" ao invés do que realmente necessitamos. 

Kalil nos ajuda a entender este avanço da IA como terapeuta: "é preciso no processo terapêutico também se trabalhar os limites, também preparar as pessoas para irem desenvolvendo essa autorregulação, essa autonomia" E acrescenta: "não podemos reforçar esse lugar de uma resposta que tem que ser imediata, que não se tenha a sustentação do silêncio, a elaboração, a integração dos insights", explica Kalil.

Uma pesquisa realizada pelo fantástico (G1), publicado em setembro de 2025, aborda os maiores riscos da prática desse tipo de tratamento e da falta de programação específica: Alessandra Santos de Almeida, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), afirma categoricamente que não existe evidência científica de psicoterapia realizada por IA, pois essas ferramentas não foram programadas para esse fim terapêutico. Os principais exemplos dos riscos dessas práticas são a incapacidade de diagnóstico. Diferente de um profissional humano, a IA não possui formação clínica, não consegue realizar diagnósticos precisos, não tem preparo para lidar com crises graves ou ideações suicidas.

Um dos principais riscos é a quebra de sigilo: no consultório, o sigilo é um dever ético legal. Na IA, os dados íntimos são armazenados pelas empresas desenvolvedoras e podem ser usados para outros fins, expondo a privacidade do usuário. Ainda sobre o estudo publicado pelo G1, a repórter Renata Ceribelli testou uma ferramenta de IA sob a supervisão do psicanalista e professor da USP, Christian Dunker. A IA demonstrou uma "empatia simulada" e ofereceu conselhos que geraram uma sensação de acolhimento. No entanto, Dunker alerta que essa sensação é enganosa, pois o robô apenas formula respostas automáticas que imitam a interação humana. 

O uso dos chatbots como forma de terapia, se usado da maneira correta e com o auxílio de um profissional pode sim servir como forma de ajuda para tratamentos psicológicos, mas jamais substituíram o "olho no olho", que só a interação humana é capaz de nos proporcionar. Existem diversos meios de conseguir ajuda para questões de saúde mental, o CVV (Centro de Valorização da Vida), oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita, 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelo telefone ou chat discando 188, entre tantos outros existentes. Que a tecnologia nos forneça o auxílio para chegar mais longe, mas que nunca nos faça esquecer que a troca humana é o único remédio insubstituível.  

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Lei que proíbe uso de celulares entrou em vigor em janeiro de 2025, mas o uso iletrado de inteligência artificial expõe brechas na infraestrutura das escolas
por
Sophia Aquino
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30/03/2026 - 12h

Há um ano, a proibição do uso de celulares nas escolas brasileiras entrou em vigor. A lei número 15.100/2025, gerou reações diversas de professores e alunos tanto favoráveis quanto contrárias. De um lado, quem defende que o aparelho era uma fonte constante de distração; do outro, quem questiona se banir o celular resolve de fato os problemas de aprendizado. Porém, a lei abre exceção para o uso pedagógico, o que leva a uma outra discussão em relação ao uso da Inteligência Artificial nas escolas.  

Em entrevista à AGEMT,  o estrategista britânico em digital learning, Matt Lovegrove,  discute que “as escolas precisam investir em inteligência artificial (IA). Se eles querem ajudar os alunos a terem o máximo de educação e investir em letramento de Inteligência Artificial, a melhor coisa é fornecer dispositivos one to one (modelo em que cada aluno tem acesso ao próprio  laptop ou tablet)", explica Matt. 

Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal
Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal 

Matt reconhece que nem todas as escolas têm condições de bancar isso. Para esses casos, ele sugere dispositivos compartilhados — e só em último recurso, o uso controlado do celular, restrito a momentos específicos da aula. "Se as escolas forem fazer isso, tem que ser muito cuidadosamente controlado", afirma. Para ele, o celular não deve vazar para os momentos sociais: recreio, almoço, intervalos. A sociabilidade cara a cara, diz ele, é parte essencial do que a escola oferece. No Reino Unido, onde atua, políticas de restrição de celulares coexistem com forte investimento em infraestrutura tecnológica escolar, permitindo que a proibição de dispositivos pessoais não signifique exclusão digital.

No Brasil, a realidade é diferente. Pesquisa do CETIC.br revela que 60% dos estudantes brasileiros já usam inteligência artificial fora da escola, principalmente para realizar tarefas e responder dúvidas. Dentro das escolas, porém, o cenário é de desigualdade: apenas 30,4% das instituições públicas tinham conexão de internet adequada em 2025, contra 54,3% das privadas. Enquanto estudantes de escolas particulares tem mais chances de ter acesso orientado à tecnologia, grande parte dos alunos da rede pública aprende a usar essas ferramentas sozinho, sem mediação de professores e sem nenhum critério pedagógico. 

Guilherme Cintra, diretor de Inovação e Tecnologia da Fundação Lemann, é uma das vozes mais ativas nesse debate. Para ele, o ponto de partida já ficou para trás. "A discussão já não é mais sobre aceitar ou não o uso dessas tecnologias, mas definir limites éticos e seguros para essa implementação", afirmou em artigo publicado pela Fundação Lemann. Cintra também explica o papel dos professores nesse processo de aprendizagem com a I.A em que destaca a capacidade de profissionais de criar uma troca entre os alunos.

"A nossa capacidade de criar e manter relações verdadeiras será o que nos distinguirá das máquinas" diz também Cintra em entrevista a CNN Brasil e acrescenta "Não podemos esperar que os professores assumam sozinhos a responsabilidade de toda essa mudança".

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Claudia Oliveira relatou formas de lidar com esse medo da tecnologia de substituição
por
Anna Sofia Carsughi
Olivia Ferreira
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30/03/2026 - 12h

“A transformação é inevitável: algumas funções mais operacionais tendem a ser reduzidas, mas, ao mesmo tempo, surgem novas carreiras, mais estratégicas e analíticas". Em entrevista à AGEMT, Claudia Oliveira, que trabalha na eCOMEX,  contou, na última semana (24), os desafios ligados ao uso crescente da IA no âmbito do trabalho. A profissional, que está inserida em uma empresa de tecnologia para o comércio exterior, traz diariamente soluções inovadoras para gestão, automação e compliance- e busca, em sua logística, uma maneira de se adaptar às mudanças dessa nova tecnologia empresarialUm estudo feito pela Harvard Business Review em 2023, revelou que inteligências artificiais não substituem nenhum humano, mas os humanos com IA substituirão os humanos sem IA.

Esse artigo expõe que quanto mais as pessoas esperam que as empresas ofereçam experiências perfeitas desenvolvidas por IA, mais os líderes precisarão adotar essas tecnologias em seus negócios. Essas tecnologias cada vez mais estarão presentes no cotidiano de todos os seres humanos e  existirá também uma remodelação dos setores, processos, eficiências e diminuição dos erros humanos. Isso porque quem as adota tem a expectativa de impulsionar cada vez mais a produtividade e a inovação, transformando a dinâmica do mercado de trabalho. 

 

União humanos e IA
Reprodução/ Fia Inteligência Artificial 

 

A substituição dos empregos à medida que as inteligências assumem as tarefas repetitivas é algo discutido pelas grandes empresas, em que certamente existirá mudanças internas que exigirão adaptação das mudanças tecnológicas. A IA está presente não para substituir completamente a capacidade humana, mas sim para completá-la trazendo mais oportunidades de desenvolvimento profissional. "Isso não se trata de eliminação pura e simples, mas de uma migração de competências. O profissional que se adaptar terá oportunidades ainda maiores”, afirmou Claudia.

O crescimento no Brasil

A inserção da tecnologia no mercado de trabalho é um tema que cresce diariamente e não deve ser negligenciado. Discutir o caráter ambivalente das IAS permite uma forma de compreender os seus impactos no cotidiano e as possíveis maneiras para amenizar os seus prejuízos. Se por um lado essa novidade traz uma maior automatização do trabalho, com respostas eficientes às perguntas, por outro lado, substitui grande parte da mão de obra física empresarial. O que entra em discussão é um dilema entre facilidade x temor dentro do mercado de trabalho. 

 

Brasil e o uso da IA
Reprodução/ Lets Go Bahia

O crescimento exponencial das recentes tecnologias vêm surgindo com o desembarque dessa geração tecnológica que se preocupa com resultados rápidos e diversos, na qual as IAs generativas entregam isso de forma acessível e fácil. Para Cláudia, “o interesse das empresas brasileiras por Inteligência Artificial cresce porque ela proporciona ganhos reais de eficiência, escalabilidade e competitividade”.

Essa facilidade dentro do mercado de trabalho pode trazer benefícios como a praticidade e maior produtividade, mas também riscos, como a demissão de trabalhadores devido à automatização de serviços. Apesar disso, ela acredita que o Brasil deva investir em inteligências degenerativas, já que a adoção de tais já é uma realidade presente em grandes potências econômicas globais, tais quais China e Estados Unidos. "Ignorar esse movimento pode significar perda de espaço no mercado global”, relatou ela.

As novas tecnologias substituem determinados tipos de trabalhos, mas indivíduos e empresas que souberem utilizar a IA para ampliar a produtividade e diversificar os serviços ofertados certamente terão vantagens competitivas. Para que esse processo seja levado durante as novas gerações, é necessário que o sistema educacional se adapte para essa nova realidade formando e preparando profissionais qualificados. Para a profissional, não é possível frear o avanço da tecnologia, que cresce diariamente. A fórmula correta seria a da substituição, isso é, o profissional deve usar a seu favor a tecnologia, a partir de uma mudança de postura dentro do trabalho. 

“Funções repetitivas e de baixo valor tendem a perder espaço no mercado de trabalho, mas profissionais que souberem integrar a tecnologia ao seu dia a dia terão grande vantagem competitiva. O ponto central não é temer a IA, mas aprender a utilizá-la como ferramenta para ampliação de capacidades humanas”, diz ela.

Dessa forma, o jeito é aprender a lidar com essa tecnologia, ao desenvolver conhecimentos a seu respeito. Para Cláudia, a melhor forma é investir continuamente em atualização. “Quanto maior o domínio sobre a tecnologia, maior o potencial de utilizá-la como diferencial competitivo. Preparação, curiosidade e adaptação serão determinantes para aproveitar plenamente essa fase de transformação”, falou ela. 

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A concentração de infraestrutura nas mãos de poucas empresas de IA amplia impactos climáticos e desafia a integridade de processos democráticos
por
Julia de Sá Ribeiro
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30/03/2026 - 12h

O avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA) consolidou um oligopólio corporativo que, ao priorizar a busca por uma "superinteligência" utópica, agrava crises ambientais, éticas e geopolíticas no presente. Distante da promessa inicial de emancipação tecnológica, o setor aprofunda a desigualdade, a exploração de dados e a concentração de poder global. 

No Vale do Silício dos anos 1990, a tecnologia era vista como o motor do progresso humano, centrada no empreendedorismo e na genialidade individual, livre de interferências estatais. Contudo, a evolução desse cenário resultou no aprofundamento da desigualdade digital e na consolidação de um modelo neoliberal. Atualmente, a crença de que a inovação resolveria problemas sociais abriu caminho para visões ainda mais ambiciosas, que encaram a IA não como uma ferramenta, mas como um destino civilizatório. 

Pesquisadores como Timnit Gebru e Émile Torres classificam o arcabouço ideológico que guia os atuais líderes tecnológicos sob a sigla TESCREAL (Transumanismo, Extropianismo, Singularitarianismo, Cosmismo, Racionalismo, Altruísmo Efetivo e Longoprazismo). Esse conjunto de crenças normaliza a corrida pela superinteligência como um fim inevitável. O objetivo central dessa vertente deixa de ser a melhoria da condição humana para buscar a sua superação física e mental.  

Na prática, a realidade operacional da tecnologia difere dessas promessas filosóficas. Plataformas de Inteligência Artificial Generativa (IAG), como ChatGPT, Gemini, DeepSeek e Grok, operam com algoritmos focados em tarefas específicas e cálculos probabilísticos. Esses sistemas não possuem compreensão real de significados ou relações sociais. Além disso, a dependência governamental e corporativa dessas tecnologias consolida o controle da infraestrutura global nas mãos de poucas empresas, que se posicionam como guardiãs do futuro. 

Sob a lógica do capitalismo de vigilância, o aprimoramento desses sistemas depende da extração contínua de dados comportamentais. O reflexo imediato desse processamento é a geração de conteúdos hiper-realistas, como deepfakes. O emprego dessa tecnologia para produzir discursos de ódio e notícias falsas tornou-se um dos principais desafios contemporâneos, afetando diretamente o pensamento crítico e a integridade de processos democráticos. 

 

Governador da California, Gavin Newsom. Foto: Sheila Fitzgerald / Shutterstock  

É o impacto prático dessa falta de controle que tem forçado as primeiras reações governamentais. Em 2025, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, promulga lei de regulação para grandes modelos de IA exigindo testes de segurança e transparência nos protocolos de prevenção de abusos. A medida enfrenta resistência de gigantes do setor, que temem impacto na competitividade global. A União Europeia também avança com legislações mais rígidas, enquanto países do G20 discutem padrões internacionais de governança. 

"Temos visto exemplos realmente horríveis e trágicos de jovens prejudicados pela tecnologia não regulamentada, e não ficaremos de braços cruzados enquanto as empresas continuam sem limites necessários e sem prestar contas", diz em comunicado o governador Newson ao promulgar a lei. No âmbito geopolítico, a IA redefine as fronteiras dos conflitos armados. Decisões estratégicas passam a ser mediadas por sistemas algorítmicos, e especialistas em segurança apontam que a guerra moderna tende a favorecer forças com maior poder computacional. O conflito atual envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã evidencia essa assimetria: enquanto Washington e Tel Aviv operam sistemas avançados de defesa automatizada, análise em tempo real e vigilância baseada em IA, o Irã depende de capacidades tecnológicas mais limitadas. A disparidade reforça o desequilíbrio militar global e ilustra como a superioridade computacional se torna elemento central na definição de poder e na condução de operações militares. 

A crise atinge, portanto, o campo ético. A pesquisadora e engenheira elétrica, graduada pela Universidade São Francisco e pós-graduada pela Unicamp, Marcilene Ribeiro, realizou pesquisas sobre a Inteligência Artificial durante os anos de 2024 e 2025 nos Estados Unidos e afirma que, desenvolvida sob interesses corporativos e geopolíticos, a IA tende a perpetuar hierarquias econômicas, políticas e biológicas. 

 

Pesquisadora Marcilene Ribeiro. Foto: Linkedin

 

"Ao focar nas promessas de erradicação futura da pobreza ou reversão climática a partir da superinteligência, o modelo atual de desenvolvimento da IA falha em apresentar soluções práticas para o presente, correndo o risco de justificar o agravamento das crises atuais em nome de um amanhã idealizado.", finaliza Marcilene.  

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Tecnologia é capaz de trazer melhorias no cotidiano dos usuários com base em suas próprias preferências
por
Isabelle Maieru
Jalile Elias
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16/10/2023 - 12h

A partir do século 21, o algoritmo passou a ser utilizado para definir uma sequência de ações que devem ser executadas para conseguir resolver um problema. O termo ganhou maior relevância com o desenvolvimento da tecnologia e das máquinas. Ele está por trás de todos os processos executados pela máquina e tem a capacidade de resolver problemas complexos em frações de segundos. Porém, para um computador seguir um algoritmo, alguém precisa programá-lo, isto é, “dizer” a ele as instruções a serem seguidas. No início da computação, pelos idos de 1965, a programação era manual e envolvia trocar os cabos de lugares a cada operação que o computador tinha que executar.

Hoje, os algoritmos são escritos em códigos, ou seja, a sequência de instruções para chegar a um resultado concreto é escrita em uma linguagem de programação. Além de ordenar, organizar e processar grandes quantidades de dados, os algoritmos também podem dar aos computadores a habilidade de aprender com eles, fazer previsões e tomar decisões. Isso é o que chamamos de “Machine Learning” ou “aprendizado de máquinas”. 

Machine Learning (ML) é um subcampo da inteligência artificial que visa resolver problemas mais complexos, dos quais os programadores ainda não têm um conhecimento tão amplo. A cada interação do usuário com a máquina, ela passa a aprender sobre o que recomendar ao usuário ou não, testando uma possibilidade enorme de cenários, até escolher o que se ajusta melhor ao gosto do humano. Com essa informação, ela tenta prever o que você pode querer ver no futuro. Após isso, ela aguarda a sua resposta para saber se acertou ou não (um click em um vídeo recomendado, por exemplo) e aprender mais uma vez. Quanto mais dados recebe e processa, mais sofisticado fica o algoritmo, mais preciso ele consegue se tornar. Esse mecanismo não se resume à facilitação do dia a dia das pessoas. A tecnologia ML é considerada a solução ideal para a redução de custos, a melhoria dos processos corporativos e o aumento da qualidade de entregas.

O sucesso do Machine Learning se dá principalmente pela melhoria da identificação do cliente (ser humano) com a máquina. Dessa forma, é possível garantir uma melhor experiência tanto de compra quanto de interação. E é exatamente por isso que ter conhecimento aprofundado nessa tecnologia permite ao profissional estar em uma posição privilegiada no mercado. Os benefícios dessa solução se estendem também a outras esferas do cotidiano. Quem nunca se sentiu “vigiado” pelo seu próprio aparelho celular ou notebook? Desde um pedido de delivery de comida até uma sugestão de série por parte de uma plataforma de streaming, as máquinas conseguem armazenar dados visando uma experiência mais personalizada do consumidor através de suas preferências com base no  seu próprio histórico. Isso pode ser observado também nas redes sociais, especialmente em uma das que mais estão em alta nos últimos anos: o Tik Tok. Muitos usuários relatam constantemente que a página “For you” ou “Para você” seleciona justamente vídeos baseados em outros conteúdos que foram consumidos com frequência anteriormente. Não só isso, mas também as interações, como curtidas, comentários e compartilhamentos, também são “supervisionados” pela plataforma, que busca identificar padrões estratégicos para assim oferecer a “experiência perfeita” ao usuário - o que consequentemente aumenta a lucratividade de empresas, já que os processos são mais ágeis e otimizados. O aprendizado das máquinas é uma parte essencial da inteligência artificial, que é fazer com que máquinas ou sistemas possam imitar comportamentos humanos ou aprender a resolver problemas. No entanto, também possui um lado problemático, os algoritmos se alimentam dos nossos dados e nos mostram só o que eles consideram que queremos, pode criar uma bolha que distorce ou nos dá uma visão parcial da realidade, reforçando a nossa visão de mundo. Um outro ponto que deve ser levado em consideração, é que assim como nós, os algoritmos podem ser enviesados de acordo com a sua educação. 

Para o engenheiro de dados Gilberto Almeida, e entrevista à AGEMT, "o ML traz muitos benefícios. Com certeza todos os algoritmos de Machine Learning nos trazem benefícios a longo e a curto prazo, eu acredito que o Machine Learning ainda vai evoluir muito, e isso vai ajudar o mundo a ter excelentes resultados”, diz Almeida, que não acredita que a técnica pode evoluir tanto a ponto de substituir os humanos, porém trabalhar em conjunto para alcançar um melhor resultado.

“Isso é um tipo de pensamento que as pessoas têm atualmente, porém eu discordo totalmente. A interação com o ser humano sempre vai existir. Os algoritmos de ML somente vão nos ajudar a ter uma análise preditiva, uma visão mais detalhada sobre as análises dos dados e principalmente sobre a tomada de decisão. Imagine só, um médico pronto para fazer uma cirurgia , um tratamento extremamente arriscado, onde ele pode obter a ajuda de um algoritmo de ML para tomar a melhor decisão na hora do procedimento. Ou seja, sempre precisaremos ter um médico para efetuar o procedimento, e o ML te ajudará a tomar a melhor decisão naquele momento, ou seja, isso não significa substituição, e sim uma grande ajuda”.

 

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Comercial da Nike traz um universo no qual a tecnologia ameaça o esporte mais famoso do mundo
por
Felipe Oliveira
Daniel Santana
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16/10/2023 - 12h

Em 2014, a empresa estadunidense Nike criou uma campanha como marketing para a Copa do Mundo (torneio mais importante de futebol, que ocorreria naquele ano) com o slogan “Arrisque tudo”. O intuito da marca, além de promover seus produtos através de comerciais bem produzidos, era de passar uma mensagem inspiradora ao público de que, mesmo nas adversidades, lidando sob pressão e em momentos difíceis, quem ousar e arriscar mais tende a se sair melhor diante de tais problemas e consegue conquistar o mundo.

E por meio de uma animação em 3D chamada “O Último Jogo”, lançada mundialmente no dia 9 de Junho daquele ano - três dias antes para o início da Copa - a Nike pegou alguns dos principais jogadores do mundo que representavam a marca, que no caso foram: Cristiano Ronaldo (CR7), Neymar Jr, Zlatan Ibrahimovic, Wayne Rooney, Andrés Iniesta, David Luiz, Franck Ribéry, Tim Howard e uma participação especial do ex-jogador Ronaldo “Fenômeno”. Todos esses atletas tinham o objetivo de ganhar uma partida de futebol contra seus próprios clones perfeitos, todos criados por um gênio cientista, na crença que o uso da racionalidade dos seus robôs trazem mais resultados do que a criatividade dos jogadores humanos.

Nesta realidade, o futebol virou um esporte de estatísticas e de movimentos práticos e objetivos. Sem dribles e jogadas arriscadas que são a essência do esporte mais famoso do mundo, o transformando em algo chato de ser assistido. Os jogadores ao enfrentarem essa nova realidade, foram forçados a se aposentarem ou buscarem outro estilo de vida, e de forma humorada, a animação retratou como seria a vida das principais estrelas fora do mundo da bola. Neymar e David Luiz viraram cabeleireiros, Ibrahimovic um vendedor não tão bem sucedido de livros e Cr7 optou por trabalhar como manequim de lojas de roupas. Uma maneira descontraída de apontar o desemprego causado pelas máquinas.

Até que o personagem de Ronaldo entra em cena para salvar o futuro do esporte e as carreiras dos principais atletas em uma partida decisiva, na qual um único gol resolveria se os clones continuariam, ou não, no futebol. E por meio de improvisos, uso da técnica e habilidade nos pés, a imaginação humana se sobressaiu diante das máquinas, tornando os atletas vencedores. Acesse o link abaixo, para assistir o comercial

neymar
O último jogo - Nike - arrisque tudo.

Tecnologia no futebol

Puxando para o mundo real, a ciência mudou o cenário futebolístico e o desempenho dos atletas. Hoje em dia, grande parte das instituições investem alto em tecnologias como, mapas de calor, aparelhos altamente tecnológicos que apontam o desempenho do jogador durante uma partida ou treino, além de máquinas que progridem na performance pessoal.

Em entrevista a AGEMT, o ex-jogador da base do Boa Esperança, Guilherme Gomes, 18 anos, foi perguntado se a tecnologia veio para ajudar o esporte ou para atrapalhar. “Ela veio pra ajudar, porém por a gente ter ficado muito tempo e ter se acostumado com o futebol sem ela, a gente acaba estranhando, porém podemos dizer que ela deixa o futebol mais regrado. Nunca vai agradar a todos, mas eu acho que ela tem ajudado muito’’, diz Gomes.

Podemos resumir os objetivos das soluções tecnológicas como expandir as capacidades humanas e trazer melhorias concretas às nossas vidas. A tecnologia pode superar nossas limitações em todos os campos. É assim que a inovação entra nas mais diversas áreas e âmbitos da vida humana. O objetivo é fornecer um atalho, uma maneira mais curta e eficiente de resolver problemas clássicos.

Nos esportes, é necessário alto desempenho. O foco é treinar o corpo humano para obter melhores respostas em termos de flexibilidade, precisão, força, energia, velocidade, etc., o que propiciou a vitória em competições de alto nível. Portanto, cada bit conta. O ser humano ainda está limitado ao que seus olhos podem ver, analisando em um ritmo natural e lento. Em alguns casos, simplesmente não é possível garantir a atenção a todos os aspectos.

A tecnologia desportiva pode realçar a essência de quem somos como seres humanos. Por outro lado, podemos pensar no desporto como um jogo com regras fixas e claras, acordadas por todas as partes. Estas regras definem o que é justiça neste contexto. Nesse sentido, a tecnologia também visa ajudar no cumprimento das regras e garantir a harmonia no ambiente de jogo. Isso facilita o surgimento de questões disciplinares envolvendo a equipe e o jogo em si.


 

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Literatura foi por muito tempo a principal forma de entretenimento da população, mas com as tecnologias isso mudou
por
Felipe Volpi Botter
Felipe Bragagnolo Barbosa
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16/10/2023 - 12h

A tecnologia é algo que facilitou e muito a vida da população, em praticamente todas as áreas, mas é fato que nas últimas décadas, a humanidade vem perdendo o hábito de ler. Uma pesquisa realizada em 2019 pela Kantar Media, no Reino Unido, mostra que só 51% dos adultos haviam lido pelo menos um livro no ano anterior. Existem diversas tecnologias que podem estar tirando a atenção das pessoas, como é o caso dos streamings, dos videogames, entre outras. Para o professor Pedro Ivo, em entrevista para AGEMT, "as pessoas têm ficado cada vez mais imediatistas, querendo coisas mais fáceis e rápidas de consumir, e cada vez em maior quantidade. Exemplo disso é o TikTok, que traz trechos curtos de músicas, sempre se renovando, ou seja, você absorve grande quantidade e variedade de informações, sem reter o conteúdo".  

Os livros estão na contramão disso: pra ler um livro você demora muito mais tempo, e não consegue atingir a mesma quantidade do que conteúdos curtos e imediatos. A produção também é muito mais demorada: escrever um livro demora muito mais do que produzir um vídeo ou uma música para o TikTok. Por isso, as novas mídias acabam sendo mais fáceis e rápidas de consumir que os livros. O que também significa menos profundidade e menos qualidade de reflexão, entretenimento e edificação. "A troca dos livros, por essas mídias digitais, significa um empobrecimento cultural das pessoas, que se tornam mais imediatistas e menos profundas” , diz Ivo. 

O Kindle vem sendo uma opção muito utilizada pelos leitores da atualidade.  “Minha opinião neste caso é inteiramente pessoal. Eu prefiro livro físico, porque me dá mais liberdade e visão mais ampla. No livro físico eu consigo interagir melhor com minhas anotações, com meus grifos, com minhas reflexões e, eu posso ir e voltar", declara Ivo, que acrescenta, sobre uma conversa que a esposa teve com uma amiga psicóloga, quando disse que "as telas, como as do Kindle ou de celulares e computadores, empobrecem o trabalho cerebral, porque só uma parte do cérebro trabalha. Quando mexemos com o livro físico, com visão ampla, mais setores do nosso cérebro são utilizados.” 

Como último questionamento, foi perguntado ao Ivo se ele acredita que essa diminuição da leitura vai continuar crescendo, ou ainda teremos uma volta das pessoas para ela, e ele comenta o seguinte. “Não posso prever o futuro, mas o que vejo com o presente é o abandono dos livros e a preferência pelas mídias. Infelizmente, não vejo uma reviravolta que retorne ao livro, não no presente”. 

A baixa da leitura resulta em um mercado onde assistimos pedidos de recuperação financeira ou até mesmo falência de grandes livrarias. Mas por quê? Um dos motivos é que o brasileiro lê muito menos comparado ao resto do mundo, em média 4 livros por ano, se comparada com o Canadá por exemplo, é pífia, os canadenses em média leem 12 livros por ano.  Um dos agravantes é a diminuição da compra de livros vindo do estado, em que comprava e distribuía os livros para escolas, faculdades e entre outros. Essa queda é resultado da grande crise de 2015 e agravando ainda mais a pandemia de Covid-19. A chegada da Amazon agravou mais ainda, os preços muito mais abaixo e a logística e facilidade de entrega, sem contar o sucesso do Kindle. 

As empresas brasileiras não acreditaram na tecnologia e evolução da leitura, de acordo com o vídeo do canal Elementar do Youtube, Pedro Herz, dono da livraria Cultura, em entrevista em 2011, disse não acreditar nos E-Books e no futuro do Kindle. Tiveram a oportunidade de crescer com a tecnologia, mas estagnaram e o mercado não perdoou.


 
 

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Como a tecnologia tem mudado a forma de fazer filmes
por
FABIANA CAMINHA
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03/10/2023 - 12h

A indústria cinematográfica é mais um dos setores que sofreram uma transformação significativa na última década devido à influência da inteligência artificial (IA). Desde os processos iniciais, como a elaboração do roteiro e a seleção do elenco, até a pós-produção, os efeitos especiais e a distribuição da obra, hoje em dia tudo tem uma ajudinha da IA. A partir de uma base de dados, essa tecnologia gera respostas automatizadas que agilizam o processo da produção de filmes e permitem que as empresas aumentem a eficiência das operações ao mesmo tempo em que reduzem os custos laborais.

No entanto, o uso da IA no cinema tem sido objeto de discussão após o início da greve dos roteiristas de Hollywood. A manifestação surgiu a partir da ameaça ao trabalho dos escritores, que podem ter seu trabalho substituído por máquinas automatizadas. A utilização da IA nesse sentido tem levantado importantes questões éticas e legais relacionadas a direitos autorais e à privacidade dos profissionais envolvidos.

Greve dos roteiristas.
Greve dos roteiristas de Hollywood. Reprodução: AP Photo

A manifestação desses trabalhadores americanos chegou ao fim depois de 148 dias de greve. De acordo com o G1, o sindicatos dos roteiristas fez um acordo provisório para retornar ao trabalho enquanto a questão ainda está sendo discutida. Essa foi a primeira disputa trabalhista envolvendo o uso de IA e alguns pontos cruciais foram estabelecidos. Por exemplo, ficou acordado que as produtoras devem informar sempre que usarem material produzido por IA e nenhum software de inteligência artificial poderá ser creditado como escritor ou roteirista. Além disso, os estúdios não podem exigir que um roteirista utilize a IA em seu trabalho. Não há proibições quanto ao uso de roteiros para treinar esses sistemas, mas os escritores têm o direito de saber que seu trabalho foi utilizado dessa forma.

Essa greve representa a preocupação por parte dos trabalhadores em relação ao futuro da inteligência artificial. Segundo o cineasta e professor da Academia Internacional de Cinema, André Moncaio, é necessário usar a tecnologia sem desvalorizar o trabalho do profissional. “É claro que essas inovações tecnológicas moldam um futuro promissor para a indústria, mas a IA nunca vai ser capaz de substituir a criatividade humana”.

Ainda que esse tipo de produção não seja comum, um sistema de inteligência artificial criou um filme sozinho. O BenjaminAI criou o filme de ficção científica “Zone Out”, em 48 horas. Embora o filme tenha apenas 5 minutos de duração, ele foi escrito, produzido, dirigido e editado através da IA. A obra é de 2018 e não surpreende por sua qualidade, mas não deixa de ser um evento marcante na história do uso da inteligência artificial na produção cinematográfica. "A inteligência artificial já revolucionou o modo de fazer cinema. Não são só os estúdios gigantes de Hollywood que usam essa tecnologia para facilitar a produção dos filmes, hoje isso já é mais acessível e a IA está em praticamente todo lugar. Mas assim, apesar de melhorar e simplificar vários processos da produção, a arte vem da mente humana. A emoção vem da mente humana. Isso não tem como ser substituído. O cinema precisa de emoção”, diz Moncaio ao G1. 

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Simpósio internacional traz a história da internet e as perspectivas dos profissionais para o futuro da área
por
Beatriz C. Porto, Giovanna O. da Silva e Lorrane de Santana Cruz
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02/10/2023 - 12h

Nos dias 11 e 12 de setembro aconteceu o 2° TechnoIN - Simpósio Internacional em Tecnologias da Inteligência, desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Transformação Digital e Sociedade, do Programa de Pós Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital. O objetivo do evento é criar um diálogo entre estudantes, pesquisadores e profissionais do Brasil e Canadá. 

No dia 12, o painel 2: A história da internet e a evolução da IA (Inteligência Artificial), contou com a presença de Claudio Pinhanez, Demi Getschko, Dora Kaufman, Solange Luz e Soumo Mukherjee. Os pontos principais desta palestra foram contar o surgimento da internet, o treinamento de IA e debater sobre o que poderá acontecer no futuro com a Inteligência Artificial.  

Demi Getschko é professor da PUC-SP, e abriu a palestra falando sobre a história da internet apresentando sua perspectiva profissional. "A internet começa a partir de uma pesquisa em um laboratório de pesquisas avançadas dos Estados Unidos, chamado Arpanet". Getschko, conta que conviveu com alguns dos pesquisadores da internet. "Tenho vários estudos desses pioneiros que estão vivos e eu tive a sorte de conhecê-los bem". 

Explicando um pouco, sobre o contexto histórico do que viria a se tornar internet e como funcionava ele explica: "certamente a Arpanet nasceu com o dinheiro militar, é um projeto feito com o financiamento militar, assim como o GPS".  "Arpanet era uma rede de troca de pacotes o software original servia para realizar essas trocas. Quando mudado, foi implementado no lugar dele um conjunto chamado TCP ou TCPI". Esse IP foi nomeado de internet protocol, ou seja, protocolo de internet. 

Já Claudio Pinhanez, do IBM Research Brasil, contextualizou a história da Inteligência Artificial no mundo. "Vou tentar falar sobre IA como alguém que trabalha há 35 anos nessa área. Comecei a trabalhar em torno de 1987, antes do Brasil entrar na bitnet". Ele continua, "eu gostaria de usar esse espaço para a gente entender o que está acontecendo em Inteligência Artificial e todo esse enorme fuzuê que ronda o assunto, já que todo mundo virou especialista sobre o assunto". 

Tentando desmentir conspirações e fakes news criadas sobre esse tema, ele verbaliza, "É preciso dar um contexto para colocar calma, paciência e a gente se conter um pouco no que a gente está falando sobre IA". 

Apesar de um debate muito atual no meio digital, a inteligência artificial não é algo criado e pensado recentemente. "O que está acontecendo na IA não é novo, nós estamos na quarta, quinta onda com excitação em volta do assunto". Ainda falando sobre o seu trabalho, Pinhanez conta sobre uma exposição que aborda inteligência artificial. "A IBM atuou com o Museu Catavento, nós montamos uma exposição para ensinar a respeito da IA para crianças e famílias. Eu montei um mural com os momentos que considero importantes". 

Voltando algumas décadas, mais especificamente em 1950, Cláudio conta que já havia pesquisas sobre as máquinas inteligentes. "O pesquisador britânico Alan Turing, ficou intrigado ao mexer com sistemas avançados de computação no contexto da época, ele pensou na ideia de que esses sistemas iriam virar inteligentes". Algumas décadas depois, em 1990 o profissional da IBM, diz que é uma época interessante e que se os problemas eram as máquinas, era necessário adicionar mais máquinas. O aprendizado dessas tecnologias é uma característica muito forte". 

E por fim, o último convidado foi o professor da Toronto Business College, Soumo Mukherjee. Que iniciou sua participação dizendo concordar com os demais participantes do painel. "Primeiro eu gostaria de dizer sobre as duas fases da internet, quero falar do passado e do futuro. Nós temos uma especulação sobre a ideia de enciclopédia final, ela seria um repositório de informações humanas. Mas eu aprendi que isso não existe, é apenas uma teoria sobre ficção". 

Ainda sobre essa teoria Soumo diz que, "essa ficção está ali já quase imediata, duas décadas depois nós tínhamos a Wikipedia, e ela não está na nuvem". Finalizando, o professor Mukherjee explora o assunto IA. "Agora nós temos um crescimento explosivo de inteligência artificial, não tem singularidades, mas os trabalhos estão mudando isso é uma realidade. Isso é trabalho para cientistas de dados, e o que devemos fazer é procurar soluções para assim ter dados de uma forma rápida, que possam ser processados", completa o professor.

 

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