A decisão veio depois da nona fase da operação Compliance Zero em que o senador da Bahia foi alvo de busca e apreensão
por
Sophia Aquino
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26/06/2026 - 12h

 

Jaques Wagner renunciou ao cargo como líder de governo no Senado no final da tarde desta quarta-feira (24), após conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois conversaram no Palácio da Alvorada em Brasília, em uma reunião que durou cerca de duas horas. Foi a primeira vez que eles se encontraram desde o início da operação da Polícia Federal. 

O anúncio de sua saída se dá em meio à investigação do Caso Master. Na operação da PF, Wagner é suspeito de receber propinas do Master por meio de um apartamento avaliado no valor de R$2,5 milhões e um repasse de R$3,5 milhões a uma empresa da esposa de seu enteado. Além de encontrarem 49 mil dólares e 33 mil euros em espécie em endereços ligados ao senador. 

Senador Jaques Wagner
Senador Jaques Wagner Foto: Andressa Anholete/Agência Senado 

A Polícia Federal investiga a participação do Senador em receber esses pagamentos e benefícios em troca de apoio de medidas no Congresso que beneficiaram o Banco Master como a chamada ‘Emenda Master’. A investigação também aponta a proximidade de Wagner com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.  

Em publicação em suas redes sociais, Jaques declara suas prioridades: “neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado". 

No Planalto, aliados do Partido Trabalhista (PT) já haviam comunicado que a situação estava insustentável e pressionaram a saída do senador por conta própria para não contaminar a campanha do presidente Lula. 

O presidente da República anunciou nesta quinta-feira (25) Teresa Leitão (PT-BA) à nova liderança do governo no Senado Federal.   

Ex-deputado foi sentenciado a quatro anos e dois meses de prisão por coação, além de inelegível por oito anos.
por
Isabela Sallum
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23/06/2026 - 12h

Na terça-feira (16), o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou e condenou, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação no curso do processo. A denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que o objetivo de Eduardo Bolsonaro era tentar interferir no processo de julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado ao coagir magistrados e articular sanções junto ao governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro.

A condenação baseia-se no entendimento de que Eduardo utilizou sua posição e influência para intimidar autoridades do Judiciário. Durante o julgamento, o ministro Alexandre de Moraes sinalizou ao menos nove ações específicas do réu para intimidar magistrados, muitas delas envolvendo articulações com o governo de Donald Trump nos Estados Unidos.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Eduardo Bolsonaro teria utilizado o argumento de que estaria sendo alvo de perseguição política por parte do Supremo Tribunal Federal para buscar apoio junto a autoridades e interlocutores nos Estados Unidos. De acordo com a acusação, essa articulação teria como objetivo incentivar a adoção de medidas restritivas contra ministros da Corte, incluindo limitações de visto e a aplicação da Lei Magnitsky, além de pressionar pela imposição de sanções econômicas ao Brasil, como as tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump em 2025.

A defesa do ex-deputado contesta essa interpretação e sustenta que Alexandre de Moraes não possui a imparcialidade necessária para atuar no caso, devendo, portanto, ser considerado impedido. Os advogados afirmam ainda que a denúncia não apresenta elementos suficientes para caracterizar a prática de crime, argumentando que as manifestações de Eduardo Bolsonaro estão amparadas tanto pela imunidade parlamentar quanto pela liberdade de expressão. Em relação às medidas adotadas pelo governo norte-americano, a defesa ressalta que o parlamentar não detém qualquer poder decisório sobre a política externa dos Estados Unidos e que decisões tomadas por autoridades estrangeiras decorrem do exercício da soberania daquele país, não cabendo a um político brasileiro.

No âmbito processual, Moraes rejeitou a alegação de que a intimação deveria ocorrer exclusivamente por meio de cooperação internacional. Para o ministro (e relator do processo), Eduardo Bolsonaro mantém seu principal vínculo domiciliar no Brasil, tem pleno conhecimento das acusações formuladas contra si e estaria dificultando sua localização para fins de notificação. Como o ex-deputado não apresentou defesa prévia após ser intimado por edital, a Defensoria Pública da União foi designada para representá-lo. O órgão, por sua vez, sustenta que, em razão de sua permanência nos Estados Unidos, a comunicação processual deveria ter sido realizada por carta rogatória.

Um ponto central destacado no julgamento foi a negligência com as funções públicas. A ministra Cármen Lúcia ressaltou que Eduardo estava ausente de suas obrigações no cargo de deputado federal e Moraes ironiza: “Não é função do deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”. Embora ele ainda busque participar de pleitos futuros, sua situação jurídica é de ex-parlamentar, tendo se mudado para os Estados Unidos em 2025, o que reforça a tese de abandono de suas funções legislativas em solo brasileiro.

Eduardo Bolsonaro, declara em suas redes sociais que Alexandre de Moraes não poderia estar atuando em seu julgamento, pois seria, ao mesmo tempo, “vítima e juíz”, e adotaria posição parcial. Ele ainda afirmou que a sentença é nula por desrespeitar o devido processo legal e que o objetivo deste processo que o condenou seria uma “manobra” para tirá-lo da política.

O departamento de diplomacia de Donald Trump defende, ainda, que Eduardo Bolsonaro estaria sofrendo uma “perseguição política” e que a sua condenação faz parte de um “padrão de guerra jurídica” movido pelos tribunais brasileiros contra a oposição. Segundo um porta-voz do Departamento de Estado americano, os impasses políticos no Brasil deveriam ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não através de condenações judiciais.

Foto: Reprodução Instagram/@bolsonarosp
Encontro entre Eduardo Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca, em Washington. Foto: Reprodução Instagram/@bolsonarosp

Por ora, o que fica definido em relação à justiça brasileira é que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, condenar o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. Como resultado do julgamento, além da pena de quatro anos e dois meses de reclusão em regime semiaberto, Eduardo foi condenado ao pagamento de aproximadamente R$ 162 mil, correspondentes a 50 dias-multa.

Com o veredito, ele passa a ser considerado “ficha suja”, ficando impedido de disputar eleições por até oito anos, o que frustra seus planos imediatos de concorrer como primeiro suplente ao Senado na chapa de André do Prado este ano. Embora o ex-parlamentar, que reside nos Estados Unidos desde 2025, alegue que a sentença é nula por falta de citação legal e que o objetivo da Corte é apenas retirá-lo da disputa eleitoral, a decisão impõe uma barreira jurídica severa às suas pretensões políticas, restando-lhe ainda a possibilidade de interpor recurso contra a decisão.

O Centro Acadêmico Benevides Paixão será comandado por um novo grupo de alunos
por
Daniella Ramos
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19/06/2026 - 12h

 

Nos dias 16 e 17 aconteceu na PUC-SP, Campus Monte Alegre, a eleição para o Centro Acadêmico Benevides Paixão com a disputa das chapas Glória Maria e Gonzo. Após um debate no dia 15, os alunos puderam votar por dois dias para eleger uma nova representação para o C.A.

A eleição também reacendeu nos alunos a reflexão sobre a importância e história do Centro Acadêmico. Em fim de mandato e no último ano do curso, a presidente Melissa Joanini, comemorou: “é muito bom saber que o Benê não será abandonado”. 

O Centro Acadêmico Benevides Paixão foi fundado em 1984, seis anos após a criação do curso de jornalismo e sete depois da invasão da universidade pela Polícia Militar. O objetivo era representar o movimento estudantil dos alunos do curso no período da redemocratização brasileira após longos anos de ditadura. O diretor da FAFICLA (Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes), Fabio Cypriano, conta que nos primeiros anos do curso ainda havia muito medo instaurado pela invasão, por isso levaram alguns anos para criar o Benê. “Eu entrei na PUC em 1985, mas eu tinha colegas que estudavam jornalismo em 1984, e eu ia para as passeatas das Diretas Já me encontrando com eles”, completou Cypriano ao comentar o papel do C.A. no ano que foi criado.

O nome Benevides Paixão é uma homenagem ao jornalista debochado criado pelo cartunista Angeli.

 

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Ilustração do cartunista Angeli do personagem Benevides Paixão

 

Nos 42 anos e história, a agremiação dos estudantes de jornalismo passou por altos e baixos. Em 2015 teve o funcionamento suspenso. Em 2019, durante a Vaza Jato (vazamento de conversas entre o ex-juiz Sergio Moro, o então procurador Deltan Dallagnol e outros integrantes da Operação Lava Jato) o Benê foi um dos responsáveis por trazer o jornalista Glenn Greenwald, que liderou a publicação das reportagens do The Intercept Brasil. O Centro Acadêmico também teve um papel fundamental para a criação da Agência de notícias Maurício Tratemberg, a AGEMT, dentro do curso de jornalismo. Apesar do projeto já estar previsto pedagogicamente pelos docentes, faltava a confirmação da Fundação São Paulo (mantenedora da universidade) para sua implementação. Em resposta, o coletivo organizou uma paralisação dos estudantes do curso para que a agência fosse colocada em funcionamento. 

Fabio Cypriano conta que o primeiro presidente do Centro Acadêmico foi Walter Falceta. Já no início dos anos 2000, a presidência foi ocupada por Pedro Venceslau, hoje jornalista da CNN. Nos anos mais recentes, Rafaela Serra esteve à frente do C.A. entre 2021 e 2023, sendo a última presidente eleita por votação oficial. Em 2023, Maria Clara Alcântara assumiu a presidência após a formatura de colegas que integravam a gestão. Na sequência, Giovanna Freitas (2023–2024) e Melissa Joanini (2024–2026), ambas da mesma chapa, assumiram o comando da entidade numa ação que ambas reconhecem como uma "tomada de poder". Dessa forma, a última eleição oficial para a presidência do Benê ocorreu no final de 2021.

Durante a pandemia, Maria Clara Alcântara contou que foi difícil manter o legado, pois muitos estudantes se distanciaram dos movimentos, por isso no final de 2022, ela resolveu entrar para a organização com objetivo de reerguer o local e trazer novamente os alunos para perto. “Era ano de eleição e eu achava que o jornalismo precisava se unir de novo, se reerguer e isso me motivou”, afirmou a ex-presidente.

Além da atuação constante em movimentos sociais e políticos, manifestações e paralisações, há também a criação de programas culturais e de aprimoramento da formação. A mais conhecida pelos alunos e que acontece anualmente é a “Semana de Jornalismo”, que neste ano teve sua 48ª edição. O C.A. também promove o “Benê Cultural” e a “Roda de conversa com o Benê”, um bate-papo com jornalistas formados que já contou com a presença de Mauro Beting, Bruno Paes Manso e Rogério Guimarães. Tem também o “Churrasco do Benê” e a venda de produtos como forma de arrecadação de fundos.

A aluna Beatriz Barbosa, diretora de eventos da chapa de Melissa Joanini, conta que quando assumiram o C.A., não havia dinheiro no caixa, então para conseguirem manter tudo funcionando criaram alguns eventos e produtos, mas o que tiveram de mais diferente em meio a tudo isso foi o “Benê fish”, um peixe Beta que era criado pelos alunos e para contribuir nos seus cuidados, os universitários doavam um valor. 

Em mais de 40 anos de histórias, o Benê continua se reinventando para dar continuidade ao direito estudantil, social e político. Agora, após a eleição realizada nos dias 16 e 17 de junho, a chapa eleita fica responsável por manter o legado e construir cada dia mais uma relação transparente e próxima com os alunos.

Representantes das chapas Glória Maria e Gonzo reúnem propostas e expectativas para a próxima gestão
por
Gabriela Thier
Raissa Santos
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17/06/2026 - 12h

A chapa Glória Maria foi representada pelas candidatas à presidência, Anna Cândida Xavier, à vice-presidência, Manuela Schenk Scussiato, e à tesouraria, Juliana Bertini. Já a chapa Gonzo contou com a participação da presidente, Lara Manasseh, da vice-presidente, Isabella Damião, e da diretora de eventos, Gabriela Dias. Durante o encontro, as candidatas discutiram propostas relacionadas à comunicação com os estudantes, inclusão e permanência estudantil, aproximação com o mercado de trabalho e a estrutura do curso. 

O debate ocorreu no Centro Acadêmico de Ciências Sociais sendo aberto ao público, assim como transmitido pelo instagram da Agência de Notícias Maurício Tragtenberg (Agemt) e mediado pela atual presidente do Benê, Melissa Joanini. 

Durante o debate entre as chapas Glória Maria e Gonzo, candidatas à gestão do C.A., as representantes apresentaram propostas relacionadas à comunicação com os estudantes, formas de arrecadação de recursos e iniciativas de aproximação com o mercado de trabalho.

A Agemt questionou como as chapas pretendem se comunicar com os alunos na prática e ambas destacaram o uso de ferramentas digitais, mas divergiram quanto à centralidade dos espaços presenciais.

Pela Chapa Gonzo, Lara Manasseh afirmou que a gestão pretende utilizar formulários online, e-mail e plataformas digitais para coletar demandas e divulgar informações. Segundo ela, um grupo de informes mais ativo pode facilitar a comunicação entre o centro acadêmico e os estudantes. Ainda assim, a representante ressaltou a importância do contato presencial. “Usar do que a gente dispõe do digital é muito mais fácil do que o boca a boca, embora eu ache que o presencial seja crucial ao fazer política”, afirmou.

Representantes da Chapa Gonzo: Gabriela Dias, Isabella Damião e Lara Manasseh (respectivamente) / Foto: Raissa Santos
Representantes da Chapa Gonzo: Gabriela Dias, Isabella Damião e Lara Manasseh (respectivamente) / Foto: Raissa Santos

 

Já Anna Xavier, da Chapa Glória Maria, também apontou os formulários como uma ferramenta importante para organizar e quantificar demandas estudantis. No entanto, defendeu que a participação presencial não pode ser deixada de lado. “Eu ainda considero muito importante trazer as pessoas para o presencial”, reforçou. A candidata acrescentou que práticas tradicionais do movimento estudantil, como passagens em sala e panfletagens, devem continuar fazendo parte da atuação do Benê.

Ao serem questionadas sobre alternativas de arrecadação para o centro acadêmico além da venda de produtos, as candidatas apresentaram propostas distintas.

A Chapa Glória Maria sugeriu a inserção de publicidades em uma revista estudantil produzida pelo Benê, buscando parcerias com iniciativas ligadas à comunidade universitária. Segundo Anna Xavier, a proposta permitiria arrecadar recursos sem repassar custos aos estudantes. “Assim a gente pode arrecadar dinheiro sem ter que pedir para os alunos”, afirmou. A candidata também mencionou a realização de eventos de grande adesão com ingressos acessíveis, como karaokês.

Representantes da chapa Glória Maria: Manuela Schenk Scussiato, Anna Cândida Xavier e Juliana Bertini (respectivamente) / Foto: Raissa Santos
Representantes da chapa Glória Maria: Manuela Schenk Scussiato, Anna Cândida Xavier e Juliana Bertini  / Foto: Raissa Santos

Por sua vez, a Chapa Gonzo apontou a realização de festas, rifas e iniciativas como o projeto PUC Crochê como possíveis fontes de arrecadação para a entidade.

Outro tema debatido foi a retomada de projetos que aproximem os estudantes do mercado de trabalho por meio de visitas a veículos de comunicação e empresas do setor.

Anna Xavier afirmou que a proposta integra o programa da Chapa Glória Maria. Segundo ela, já existem organizações abertas a receber estudantes para visitas, como a Folha, e os professores podem ter um papel importante na articulação dessas oportunidades. “A gente sabe que tem professores nossos que trabalham na TV Cultura, por exemplo, então eu acho que também temos que cobrar um pouco deles”, declarou.

Lara Manasseh defendeu que essa aproximação também pode ser fortalecida por meio da Semana de Jornalismo; citando como exemplo a participação de  Laura Kotscho, jornalista do ICL, na edição deste ano do evento. Manasseh levantou uma possível oportunidade de contato com os veículos pelos participantes do evento como forma de aproximar os alunos aos canais de comunicação, “Por que não levar um grupo seleto de alunos, ou grupos mensais, para ir visitar esses lugares?”, indagou Lara. Para ela, a iniciativa ajudaria os estudantes a conhecer diferentes possibilidades de carreira. “Eu, por exemplo, adoro a área institucional da comunicação e pouco se fala disso aqui na PUC”, afirmou.

Após o bloco de perguntas da atual gestão do Benê, o debate foi aberto para questionamentos do público presente. Entre os temas levantados pelos estudantes estiveram a manutenção dos espaços físicos do curso, a relação com a Atlética, a inclusão de bolsistas e a situação do bandejão da universidade.

Manutenção do espaço físico e relação com a Atlética

Para a Chapa Glória Maria, a solução passa pela articulação com outras entidades estudantis e cursos da universidade, devendo ser construída coletivamente. “Precisamos entrar em contato com outros centros acadêmicos, conversar com a Atlética e construir uma mobilização conjunta. O Benê precisa estar presente e ser uma das vozes que puxam essa discussão, mas não pode ser a única entidade falando sobre isso”, afirmaram as representantes.

Já a Chapa Gonzo defendeu uma aproximação mais constante entre as duas organizações. Para Lara Manasseh, “o centro acadêmico e a atlética são os dois pilares do curso”, motivo pelo qual as entidades devem “caminhar juntas em eventos, na comunicação com os alunos e na construção de uma comunidade mais integrada dentro do curso”, reiterou a candidata à presidência.

Bolsistas e bandejão

A Chapa Glória Maria destacou as dificuldades enfrentadas por estudantes que conciliam trabalho, deslocamentos longos e a graduação. “Precisamos ter um olhar mais atento para essa questão. É importante entrar em contato com os bolsistas do nosso curso e perguntar como podemos incluí-los melhor”, afirmou Anna Cândida. Ela também relacionou a discussão do bandejão ao acesso e à permanência estudantil, “Muitas vezes eles não conseguem acessar outras coisas da própria universidade. Um pão com ovo na Toca custa R$10, uma refeição no bandejão custa R$18”, concluiu.

A Chapa Gonzo defendeu que as demandas dos bolsistas sejam incorporadas de forma mais ampla pelo centro acadêmico, “o que é problema da PUC é problema de todos os estudantes”. Afirmando que a questão do bandejão deve mobilizar toda a comunidade acadêmica: “Muitos de nós temos o privilégio de não depender do bandejão para almoçar, mas sabemos que muita gente depende. Então o problema do bandejão também é nosso.”

Além das propostas apresentadas pelas chapas, estudantes que acompanharam o debate também comentaram os temas discutidos e as expectativas para a próxima gestão do centro acadêmico. 

Para Rayssa Paulino, estudante do 7° semestre, seria ideal se a nova gestão pudesse trazer uma maior integração entre o Centro Acadêmico e os alunos. Segundo ela, “quando eu entrei, em 2023, eu senti que não tinha muita aderência dos alunos de jornalismo com o Benê. (...) Então eu espero que eles consigam fazer essa mudança e trazer mais pessoas do curso”, declarou a aluna. 

A estudante também destacou a importância de propostas voltadas à grade curricular do curso. Para ela, seria interessante que a nova gestão promovesse discussões quanto a possíveis melhorias na formação oferecida pela universidade, contribuindo, ainda que a longo prazo, para que os alunos concluam a graduação mais preparados para os desafios do mercado de trabalho. “Eu acho que faltam muitas matérias que seriam muito importantes ter no curso de jornalismo. A gente não tem uma matéria sobre como conduzir entrevistas, por exemplo. Então seria interessante, talvez, não ter uma matéria, mas oficinas sobre isso”, afirmou.

Já Maria Fernanda Muller, estudante do 7º semestre, acredita que a próxima gestão deve investir em uma maior aproximação com os alunos e na ampliação da visibilidade das ações do Centro Acadêmico. Para ela, muitos estudantes ainda têm pouco conhecimento sobre os projetos e iniciativas desenvolvidos pela entidade. “Eu acho que o Centro Acadêmico tem sido muito apagado, a gente não tem muita noção do que eles estão fazendo, dos processos, dos projetos. Nós só vemos ele na Semana de Jornalismo”, reiterou.

A estudante defende que uma comunicação mais frequente e transparente pode contribuir para aumentar o engajamento dos alunos nas atividades promovidas pelo Benê, além de fortalecer a participação estudantil nas discussões e decisões que impactam o curso.

A votação para definir a próxima gestão do Benê será realizada nos dias 16 e 17, na Prainha. Os estudantes do período matutino poderão participar do processo eleitoral entre 10h e 12h, enquanto os alunos do noturno poderão votar das 19h às 21h.

 

Em 1947, o boletim de cientistas atômicos criou o relógio do juízo final, instrumento que marca o quão perto a humanidade estaria de sua total destruição
por
Julia Jorge de Oliveira
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16/06/2026 - 12h

O escritor, jornalista e professor Daniel Lopez, nascido em Niterói/RJ, escreve livros sobre geopolítica. O livro “90 Segundos para o Apocalipse” escrito em 2023, relata que no início deste ano, o relógio foi atualizado para 90 segundos da meia-noite. Três anos após o início da pandemia, o mundo vive sob o fantasma de uma Terceira Guerra Mundial, e com rumores de escassez energética, alimentar e de uma ofensiva cibernética global, sem falar numa próxima pandemia.

Na verdade, o livro trata de um pequeno grupo de superpoderosos globais que se fortalece com base na fome, na guerra, no medo e na desgraça dos povos. É de controle que se trata. A palavra apocalipse, em grego, significa “desvelamento”, “revelação”. Desejamos que o verdadeiro apocalipse seja um evento, não da destruição e morte, mas de esclarecimento e autonomia.

Um capítulo interessante do livro de Lopez é “Aquele que controlar o Brasil controlará o mundo’’: um exercício de geopolítica especulativa. O autor utiliza essa frase como eixo para defender que o poder global está migrando de armas e território para recursos vitais e capacidade de sustentação do planeta. Ele desmonta a ideia clássica de poder baseada apenas em arsenais nucleares. O argumento é que, em um cenário de crise prolongada (climática, energética e alimentar), o que define liderança não é destruir o inimigo, mas manter populações vivas e economias funcionando. É aí que o Brasil entra como peça-chave.

Lopez descreve o Brasil como uma espécie de “reserva energética global”, apoiada em três eixos: Clima, água doce e capacidade agroalimentar. O clima refere-se à Amazônia; água: o país é referência como um dos maiores detentores de água potável do mundo; agroalimentar se relaciona à definição de “celeiro do mundo".

Um ponto central do capítulo é redefinir o que significa “controlar”. Lopez deixa claro que não se trata, necessariamente, de invasão militar. Ele trabalha com formas mais sutis: dependência econômica, influência política e controle tecnológico. O autor alerta que essa posição pode tornar o Brasil vulnerável a disputas entre grandes potências, tentativas de interferência em políticas ambientais e conflitos econômicos.

Mais do que uma análise fria, há uma intenção clara de provocar o leitor, especialmente o brasileiro. Lopez questiona a visão de que o país é periférico no cenário global e sugere o oposto: ele pode ser central sem perceber. O livro é

essencial para abordar uma tese geopolítica ousada, alertar sobre soberanias e com retórica estratégica para engajar o leitor.

Daniel Lopez escreveu inúmeros livros sobre geopolítica, como “A Beira do Abismo”, “A Jogada Final”, “A Jornada do Leitor” e “Teatro das Sombras”. A escrita do autor tem um estilo bem-marcado e isso ajuda a explicar por que os seus livros prendem tanto a atenção do leitor. Uma das características mais evidentes é o tom de urgência e dramatismo.

Lopez escreve como se o leitor estivesse diante de uma contagem regressiva real, utilizando frases diretas e, muitas vezes, curtas, para dar a sensação de rapidez e imediatismo. Outro ponto é a linguagem acessível diante de assuntos tão complexos.

Mais de seis décadas depois, a data relembra o começo da ditadura militar e seus impactos na democracia brasileira
por
Carolina Nader
Vitória Teles
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01/04/2026 - 12h

Na terça-feira (31), o Brasil recordou os 62 anos de um dos períodos mais marcantes de sua história. A deposição do presidente João Goulart, que aconteceu no dia 31 de março daquele ano, iniciou um regime que durou mais de duas décadas e que hoje ainda influencia debates sobre democracia, memória nacional e direitos dos cidadãos no país. 

Por volta do início da década de 1960, o Brasil possuía cenário político instável e apresentava crises econômicas durante o governo de Goulart, que defendia as Reformas de Base nas áreas agrária, educacional e econômica, o que aumentou a polarização no país. Durante a Guerra Fria, o medo de uma aproximação com o comunismo intensificou as tensões internas, levando setores das elites, grupos conservadores e parte das Forças Armadas a defenderem a saída do presidente, alegando mais estabilidade política e econômica.

Em 31 de março de 1964, tropas militares se mobilizaram contra o governo. Dias depois, o Congresso declarou vaga a Presidência, e os militares assumiram o poder.

Familiares de mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar recebem as certidões de óbito com a verdadeira causa mortis de seus parentes. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto.
Familiares de mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar recebem as certidões de óbito com a verdadeira causa mortis de seus parentes. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto. 

Após a chegada ao poder, os militares implantaram um regime baseado na centralização política e na limitação das liberdades democráticas. O governo passou a ser conduzido por presidentes militares, os quais eram escolhidos sem eleições diretas pela população.

Os Atos Institucionais serviram de ampliadores aos poderes do Executivo durante o regime militar, permitindo mudanças constitucionais sem participação popular. Segundo o Portal da Câmara dos Deputados, decretado em 1968, o AI-5 marcou o período mais rígido do regime, com o fechamento do Congresso, a restrição de direitos políticos e o fortalecimento de medidas autoritárias contra opositores. Os integrantes de partidos, estudantes, jornalistas e sindicalistas foram alvo de perseguições que resultaram em prisões, afastamentos e exílios. 

Em entrevista à AGEMT, o encarregado dos serviços administrativos e caseiro, Boaventura Inglez, que trabalha na PUC-SP há 50 anos, contou da invasão militar que ocorreu na universidade em 1977, comandada por Erasmo Dias. “Eles (militares) entraram no centro acadêmico, arrebentaram tudo procurando algum material subversivo, pegaram as máquinas e jogavam para cima para estourar no chão. Pareciam animais” 

Inglez relatou também que, após a invasão, os militares ficaram nos arredores da instituição, causando medo e apreensão aos alunos e funcionários. “Tínhamos que sair com o documento na mão para trabalhar”, explica. 

Segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade (2014), mais de 400 pessoas foram mortas ou desapareceram por motivos políticos durante o período. O documento aponta o uso sistemático de práticas de repressão por órgãos de segurança e inteligência criados para monitorar e controlar atividades políticas.

As investigações conduzidas após a redemocratização buscaram reconhecer violações de direitos humanos ocorridas entre 1964 e 1985 e contribuir para a preservação da memória histórica brasileira.

Familiares de pessoas mortas na ditadura levantam cartazes de protestos. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto
Familiares de pessoas mortas na ditadura levantam cartazes de protestos. Foto: Agência Brasil - Paulo Pinto

Ao relembrar o golpe militar, é importante citar a mobilização social desse período. Greves operárias, manifestações estudantis, músicas e peças de teatro contra o regime, ações de resistência da sociedade civil.

Um dos movimentos que aglutinou diferentes espectros políticos foi o pelas “Diretas Já”, que exigia a volta das eleições diretas para presidente da República, suspensas pelo regime militar. O movimento reuniu milhares de brasileiros em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. 

Outro marco importante foi a Lei da Anistia, que permitia o retorno dos exilados e a libertação de presos políticos. A preservação dessa memória segue relevante, sobretudo diante de famílias que ainda buscam justiça e respostas. Até hoje, o período do regime militar gera interpretações divergentes: enquanto parte da sociedade o vê como uma fase de autoritarismo, censura e violações de direitos humanos, outra o associa à ideia de ordem e crescimento econômico.

A ditadura é frequentemente usada como referência para discutir o presente, debates sobre liberdade de expressão, comparações de ameaças à democracia, discussões sobre golpes, entre outros fatores que agregam e estimulam ainda mais argumentações sobre esse assunto.   

De acordo com o site oficial ‘Memórias da Ditadura’, os direitos da Justiça de Transição promovem o reconhecimento e lidam com o legado de atrocidades de um passado violento e de um presente e futuro que precisam ser diferentes. Lembrar 62 anos depois é reconhecer a necessidade de usar da história como ferramenta de proteção dos direitos humanos.  

Após a desistência de Ratinho Junior, o governador de Goiás supera Eduardo Leite e garante espaço na disputa presidencial de 2026
por
Carolina Machado
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31/03/2026 - 12h

Na última segunda-feira (30), Ronaldo Caiado oficializou sua candidatura à presidência da República pelo PSD (Partido Social Democrático) e deve deixar o cargo como governador de Goiás até o fim desta semana. Seu nome foi confirmado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, durante coletiva de imprensa em São Paulo.

Em 14 de março, o governador de Goiás formalizou sua filiação ao PSD, em um movimento para viabilizar a candidatura presidencial. Durante o ato, em Jaraguá, ele apresentou seu vice, Daniel Vilela, como pré-candidato à sucessão no governo estadual.

Formalização da filiação de Ronaldo Caiado ao PSD  (Partido Social Democrático), em 14 de março de 2026. Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado
Formalização da filiação de Ronaldo Caiado ao PSD (Partido Social Democrático), em 14 de março de 2026.
Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado

No PSD, disputavam a indicação para a Presidência, além de Ronaldo Caiado, os governadores Ratinho Júnior e Eduardo Leite.

O caminho para Caiado no embate interno no partido ficou livre após a desistência de Ratinho Junior (PSD). O governador paranaense era considerado o favorito e estava prestes a ser confirmado como pré-candidato, quando recuou para se dedicar à campanha estadual e tentar um sucessor de seu grupo político na eleição contra Sergio Moro (PL), que concorrerá ao governo do Paraná.

Caiado superou seu último concorrente e governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). Sobre a decisão, o gaúcho se manifestou afirmando estar “desencantado” e que a escolha mantém a radicalização política no Brasil. “Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão”, disse Leite, em vídeo publicado em seu Instagram.

Enquanto candidato, Ronaldo Caiado diz ter como objetivo “pacificar o Brasil” e que, para isso, pretende “anistiar todos, inclusive o ex-presidente”, pelos crimes contra a democracia que culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Poderes, em Brasília. “Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia ampla, geral e irrestrita […] estarei dando uma amostra de que a partir dali eu vou cuidar das pessoas”, afirmou Caiado em entrevista coletiva.

Em ato do PSD (Partido Social Democrático) sobre a disputa presidencial. Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado
Em ato do PSD (Partido Social Democrático) sobre a disputa presidencial.
Imagem: Instagram/Reprodução @ronaldocaiado

No cenário da disputa presidencial, o governador de Goiás declara, sabendo que competirá pelo mesmo eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL), mas sem citá-lo, que não se pode aprender na cadeira. Sobre o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado diz que o difícil não é ganhar a eleição, mas sim governar para que o PT (Partido dos Trabalhadores) não seja mais opção no país.

Após crescimento de crimes de ódio contra mulheres no Brasil, proposta de lei é mandada para a câmara dos deputados
por
Juliana Hochman
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31/03/2026 - 12h

Na terça-feira (24), o plenário do Senado Federal aprovou, com 67 votos a favor e nenhum contra, a inclusão da misoginia como crime de preconceito, incluíndo a “condição de mulher” na interpretação da Lei do Racismo, ao lado de cor, etnia, religião e nacionalidade. O projeto de Lei 896/2023, da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e relatado por Soraya Thronicke (Podemos-MS), determina pena de dois à cinco anos de reclusão, além de multa, podendo aumentar se ocorrer o crime com duas ou mais pessoas ou se for em lugares públicos, redes sociais inclusas.

De acordo com o decreto do Congresso Nacional, a misoginia consiste em discriminação, preconceito, aversão e propagação de ódio por condição do sexo feminino. Ao defender a proposta na tribuna, a senadora Ana Paula Lobato afirma a importância da lei, “Nós brasileiros passamos a acordar e dormir com várias notícias de violências contra mulheres. Nós só ficamos sabendo quando já é tarde demais, porém isso começa lá atrás de inúmeras maneiras, e uma delas é a misoginia”, relatou em seu discurso no senado durante a sessão.

As senadoras Ana Paula Lobato e Natércia Campos no senado federal para a aprovação do crime misógino. Foto: Divulgação/Senado Federal.
As senadoras Ana Paula Lobato e Natércia Campos no senado federal para a aprovação do crime misógino. Foto: Divulgação/Senado Federal.

Aumento do crime contra as mulheres 

Em 2015, houve a tipificação do feminicídio no Brasil, no qual são mantidos dados de mulheres assassinadas.  No ano passado, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública, atingindo o recorde de feminicídio, com quatro mulheres mortas por dia, houve um aumento de 4,7% em comparação à 2024.

A pesquisa “Retratos dos feminicídios no Brasil”, divulgada pelo fórum brasileiro, aponta que o crime contra as mulheres é a “manifestação extrema de um regime de desigualdades entre homens e mulheres na sociedade brasileira” e que o autor do feminicídio é alguém que divide a vida cotidiana com a vítima. Cerca de 59,4% das vezes é o companheiro afetivo, em 21,3% dos casos, o ex-companheiro, e dificilmente o agressor é um desconhecido. 

Dentro da internet 

A chamada “Machosfera” é um conjunto de perfis de “coaches da masculinidade” nas redes sociais que, sob  discurso de “melhoria masculina” e “desenvolvimento pessoal”, propagam a misoginia, violência simbólica e apologia à agressões contra mulheres, recompensados por monetização e viralização. Suas principais características são: a idéia que o homem é prejudicado em prol do favorecimento das mulheres,  generalização estereotipada do comportamento feminino,  defesa de que o homem deve exercer a figura de autoridade em uma relação e a mulher de submissão.

Nesse ambiente, meninos e jovens são levados à odiar mulheres, vendo-as como concorrentes, voltando à masculinidade tóxica enraizada na sociedade. Dentro dessas comunidades a agressão, física, psicológica e dentro da internet, é normalizada por meio de memes e piadas misóginas, levando à ameaças diretas, perseguição online e chantagens, contribuindo para a banalização do desrespeito, aumentando o antagonismo entre os gêneros e a transformação da violência como um comportamento aceitável.

Críticas à Lei

Membros da direita da Câmara dos deputados prometem, em suas redes sociais, resistência ao projeto, ao observarem risco à liberdade de expressão, apesar da proposta ter sido aceita com unanimidade no Senado. 

O Deputado Nikolas Ferreira declara em suas redes sociais ser contra o projeto de lei 896/23. Foto: Divulgação/X.
O Deputado Nikolas Ferreira declara em suas redes sociais ser contra o projeto de lei 896/23. Foto: Divulgação/X.

Deputados majoritariamente do Partido Liberal se opõem à proposta. Nikolas Ferreira (PL-MG) usou as redes sociais para desaprovar e questionar o que é a misoginia tratada na lei, já a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) levantou dúvidas sobre a aplicação direta da lei, alegando o processo penal como “muito aberto e a critério dos julgadores”, afirmando que a censura está passando oblíqua sob o manto de defesa das mulheres. Sâmia Bomfim (Psol-SP) critica a atitude dos políticos que são contra o projeto de lei e as informações falsas que circulam na rede. 

 

 

Após reunião da diretoria, a sigla agora conta com o historiador como pré-candidato
por
Daniella Ramos
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31/03/2026 - 12h

Nesta sexta-feira (27), a diretoria do Psol (Partido Socialismo e Liberdade) aprovou por unanimidade a filiação do pernambucano Jones Manoel. A notícia foi dada pela Executiva Nacional do partido, Paula Coradi, e comemorada no dia seguinte nas redes sociais por suas novas colegas de sigla, Sâmia Bomfim e Fernanda Melchionna. 

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Publicação de Sâmia Bomfm feita no X comemorando a chegada de Jones Manoel ao partido. Foto: Redes sociais / X @samiabomfim

Jones Manoel é pernambucano, natural de Recife, tem 36 anos e é historiador, escritor, militante, político e influenciador. Aos 21 anos entrou para faculdade de história na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e simultaneamente iniciou sua militância pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro). 

Nas eleições de 2022, foi candidato ao governo do estado de Pernambuco e ocupou o 6° lugar. 

Neste ano, Jones Manoel entra para o PSOL para tentar disputar a vaga de deputado federal por Pernambuco e sua filiação deve ser oficializada em evento nas próximas semanas. Sua ida foi apoiada e articulada pelo pré-candidato a governador de Pernambuco, Ivan Moraes.  

Para que Jones fosse aceito no partido houve algumas exigências, entre elas o apoio à candidatura do presidente Lula (PT) desde o primeiro turno e alinhamento com a tática eleitoral do Psol. 

A luta das mulheres contra o preconceito e machismo no universo dos games
por
Rafael Jorge
|
30/03/2026 - 12h

O Counter Strike, mais conhecido como CS, marcou a vida de toda uma geração de brasileiros. Fez época nas lan houses nos anos 2000 e permanece popular até os dias atuais. Atualmente o jogo é uma das principais modalidades de e-sports, com campeonatos em todo o mundo e premiações milionárias. O Brasil, inclusive, esteve no topo dos torneios mundiais em várias eras do game. Mas essa popularidade esconde uma batalha: a das mulheres em busca de reconhecimento no mundo competitivo do CS e dos e-sports em geral.

O público feminino é maioria na comunidade gamer. Segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB), as mulheres representam 53,2% dos gamers no Brasil. Nos e-sports, porém, o panorama é diferente, apenas uma parcela segue carreira competitiva. Marina Sabia, que utiliza o nickname de "LyttleZ" profissionalmente, é jogadora de Counter Strike 2 pelo time da Atrix. Ela explica que, embora o cenário competitivo de CS esteja sempre crescendo, a presença feminina ainda é recente.

Apesar do sucesso da modalidade, os principais times do mundo ainda são masculinos. LyttleZ explica que o cenário feminino sofre por falta de visibilidade, investimentos e poucos campeonatos ao longo do ano "as meninas estão acostumadas com esses altos e baixos, um ano ter muitos campeonatos e no outro cair um pouco". A jogadora ainda comenta que, em 2026, torneios de CS, sobretudo na América do Sul, serão escassos.

Para ela, a instabilidade de patrocinadores traz inconstância e perda de oportunidade para as atletas. "Não é um cenário que gera retorno financeiro ainda, mas quando começamos a crescer, os investimentos pararam", ela continua. "Teria que ser algo a longo prazo, mas nem sempre a galera quer fazer isso". Ela complementa dizendo que as jogadoras são desvalorizadas por uma comunidade que ainda é machista dentro dos jogos.

Jogadora profissional competindo
LyttleZ competindo. Foto: Talita Morena/ HLTV.org

 

Para as mulheres, entrar no mundo dos games não é fácil. LyttleZ conta que isso é uma questão do machismo estrutural  "Enquanto uma menina está ganhando uma boneca, um menino ganha um PlayStation. Desde o começo não somos incentivadas a jogar. As jogadoras que furaram a bolha tiveram que dar a cara à tapa. Sempre foi muito difícil". O ambiente dos jogos online competitivos também não é agradável às mulheres. "Você entra para jogar e o cara já te xinga ou fica dando em cima de você. Conheço muitas meninas que pararam de jogar por causa disso. Eu já passei por isso inúmeras vezes", disse LyttleZ.

Ela ainda diz que muitas jogadoras perdem até a vontade de abrir o microfone durante o jogo, devido aos xingamentos. Todo o preconceito fez com que muitas competidoras se unissem para continuar jogando. É o caso do projeto Lotus, criado pela comunidade feminina, que busca criar um espaço seguro para as atletas jogarem. "A gente tentou unir mais a comunidade, divulgamos isso para jogarmos entre nós e até fazer alguns eventos", explica LyttleZ. Ela diz que muitas mulheres se ajudam no projeto: "Eu já até vi a galera mandando vaga de emprego. É algo que as meninas criaram pra se ajudar. É legal que isso sai do jogo também".

Além disso, o atual time da jogadora, a Atrix, é uma organização que também foi criada pelas atletas. "Me juntei com algumas jogadoras que já conhecia e estavam sem time. Tentamos procurar muitas organizações, tivemos muitas reuniões que não levaram em nada", diz LyttleZ. Ela conta que, após isso, decidiram ir em frente na criação da equipe "A gente vai fazer do nosso jeito, de nós pra nós, mulheres".

A jogadora explicou que, dentro do cenário competitivo, aos poucos as meninas estão conseguindo conquistar seu espaço. Em anos anteriores, os campeonatos femininos tiveram premiações que chegaram a 200 mil dólares. E mesmo sem o circuito forte atualmente, ainda existem esperanças de que o investimento volte. Por outro lado, ela comenta que as jogadoras casuais ainda sofrem muito dentro do cenário online, com um ambiente tóxico e machista no dia a dia das gameplays.