O movimento conhecido como redpill surge no início do século 21 no ambiente digital, especialmente em fóruns e comunidades online voltados para discussões sobre masculinidade, sexualidade e frustrações afetivas. Esse fenômeno está inserido em um ecossistema maior conhecido como "manofesra", termo utilizado por pesquisadores para designar um conjunto de espaços digitais frequentados predominantemente por homens que compartilham visões críticas ao feminismo e discutem estratégias de relacionamento e identidade masculina.
Apropriação da imagem da pílula vermelha, pelo movimento redpill, remonta ao filme The Matrix, lançado em 1999 e dirigido por Lana Wachowski e Lilly Wachowski. Na narrativa do filme, o personagem Morpheus oferece ao protagonista Neo duas opções: tomar a pílula azul e continuar vivendo em uma realidade ilusória ou tomar a pílula vermelha e despertar para a verdadeira natureza do mundo. O que foi descontextualizado pelo redpill.
A doutora em ciências da comunicação Francielle Esmitz afirma em entrevista à AGEMT, que “dentro desses grupos, parece que se exige uma resposta pronta para tudo. Qualquer frustração vira prova de que existe uma ‘verdade escondida’ sobre as mulheres. Isso faz com que toda a culpa gire em torno da mulher, como se relacionamentos fossem jogos de poder”, diz Esmitz.
Para os participantes dessas comunidades, “tomar a pílula vermelha” significa abandonar aquilo que consideram ilusões sociais sobre igualdade de gênero e compreender o que descrevem como as verdadeiras dinâmicas biológicas e sociais das relações humanas. A apropriação do símbolo de Matrix ocorre de forma relativamente desconectada das intenções originais do filme, cuja narrativa possui múltiplas interpretações filosóficas e políticas. Ainda assim, a metáfora da pílula vermelha tornou-se extremamente influente na cultura digital contemporânea e passou a ser utilizada em diversos contextos políticos e culturais além da própria comunidade redpill.
Embora possuam diferenças internas, muitos desses espaços compartilham narrativas semelhantes sobre competição sexual, hierarquias de masculinidade e críticas ao feminismo contemporâneo. Um dos conceitos mais difundidos dentro das comunidades é a classificação dos homens em categorias hierárquicas, especialmente as figuras do “macho alfa” e do “macho beta”. Essa distinção é frequentemente apresentada como derivada de estudos sobre comportamento animal, particularmente pesquisas sobre lobos. Nessa perspectiva, “Alfa” seria o homem dominante, confiante e sexualmente bem-sucedido e o “Beta” seria percebido como submisso, emocionalmente dependente ou com menor sucesso romântico. Essas categorias são frequentemente utilizadas para aconselhar comportamentos considerados mais eficazes para aumentar o status social e a atratividade masculina.
Um dos espaços mais conhecidos para a disseminação dessas ideias foi o subreddit r/TheRedPill, criado em 2012. Nesse fórum, usuários compartilhavam textos, análises e guias comportamentais sobre masculinidade, relacionamentos e supostas “verdades” sobre o comportamento feminino. A comunidade cresceu rapidamente e chegou a reunir centenas de milhares de membros antes de ser removida da plataforma em 2020 por violar políticas relacionadas a discurso de ódio e assédio. O sociólogo Michael Kimmel argumenta que muitos desses movimentos refletem sentimentos de perda de status ou insegurança entre certos grupos masculinos diante de mudanças culturais e econômicas nas sociedades contemporâneas.
Dentro desse discurso, muitos participantes afirmam que a sociedade contemporânea estaria estruturada de forma a favorecer mulheres e prejudicar homens, especialmente em contextos como relacionamentos amorosos, tribunais de família e normas sociais. Essa interpretação frequentemente se baseia em uma combinação de experiências pessoais, narrativas coletivas compartilhadas nos fóruns e interpretações seletivas de conceitos da psicologia evolutiva.
Em aplicativos de mensagens e grupos fechados, como Telegram e Discord, a circulação tende a ser ainda mais intensa e menos visível. Nesses espaços, conteúdos são compartilhados sem filtragem, muitas vezes acompanhados de linguagem mais radicalizada e incentivo à coesão do grupo. A lógica de pertencimento e identificação coletiva reforça a adesão às ideias e dificulta o contato com perspectivas divergentes, consolidando um ambiente em que discursos de desvalorização feminina podem se tornar recorrentes e socialmente aceitos dentro daquele círculo.
A expansão do universo redpill tem sido acompanhada por uma reação consistente de pesquisadoras, movimentos feministas e instituições públicas, que interpretam o fenômeno não como algo isolado, mas como parte de um movimento mais amplo de reação conservadora às transformações nas relações de gênero. No Brasil, iniciativas vinculadas à ONU passaram a incorporar o monitoramento da chamada “machosfera” em seus diagnósticos sobre violência de gênero. A preocupação central não se limita ao conteúdo em si, mas à sua capacidade de circulação e impacto, sobretudo entre jovens.
Uma pesquisa brasileira recente do Kraisch realizada em 2025 mostrou que a retórica redpill “naturaliza desigualdades” e responsabiliza mulheres pela violência, servindo como obstáculo ao combate do machismo. O fato é que o aumento das narrativas misóginas coincide com picos de violência. Por exemplo, o Brasil bateu recorde de feminicídios em 2025 (1.568 casos), e notou-se que mais de 97% desses crimes têm autoria masculina.
Em 4 de outubro de 2026, eleitoras e eleitores vão votar para eleger deputados federais, deputados estaduais, dois senadores por Unidade da Federação, governadores e presidente da república. As eleições gerais de 2026 celebram os 30 anos da urna eletrônica. Segundo Anderson Nogueira Scardoelli, editor-assistente da Revista Oeste, especializada em política, a principal estratégia para cobrir uma eleição presidencial é acompanhar o máximo de informações possíveis e ferramentas que ajudem a organizar quem são os candidatos em determinadas localidades. Com uma ferramenta do próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Divulgacand, é possível conhecer os candidatos de todos os estados brasileiros. Segundo a Constituição, o voto é obrigatório para as pessoas com 18 a 70 anos e facultativo para os analfabetos e os maiores de 70 anos. Os jovens podem tirar o título de eleitor a partir dos 15 anos de idade, porém, só podem exercer o direito de voto de forma facultativa, se completarem os 16 anos até o dia da eleição.
Para votar os eleitores devem estar em dia com a Justiça Eleitoral. Portanto, nas eleições de 2026, o prazo para tirar o título, regularizar o documento ou atualizar o cadastro termina no dia 6 de maio. Desde o dia primeiro de janeiro, as pesquisas de intenção de votos com intuito de divulgação nos meios de comunicação devem ser registradas na Justiça Eleitoral, conforme estabelecido na Lei das Eleições (Lei número 9.504/1997). De acordo com o artigo 33, a empresa responsável pelo levantamento tem até cinco dias antes da divulgação para fazer esse registro. Com a definição das candidaturas, as agremiações têm até o dia 15 de agosto para registrarem os nomes na Justiça Eleitoral. No ano de 2026, os registros de candidaturas a presidente devem ser solicitados ao TSE e os registros para os demais cargos em disputa devem ser realizados no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de cada Estado.
Scardoelli diz que a principal forma de combater as Fake News é fazer um jornalismo correto, baseado em informações verídicas e verdadeiras. O cenário eleitoral para Anderson, será parecido com o ano de 2022, com forte polarização entre direita e esquerda e uma vitória acirrada para ambos os candidatos principais. "Cada vez mais se vê um cenário de polarização no Brasil, antes vista somente entre os candidatos, atualmente é possível ver os eleitores se identificando com um candidato e seu partido político".
O editor de redação relata não ter dificuldade em cobrir as eleições gerais, mas adverte sobre as inúmeras informações de assessorias políticas que os jornalistas recebem nesse período e ter a responsabilidade de analisar o que é notícia e o que é publicidade eleitoral. "O destaque de uma revista política em ano eleitoral é buscar noticiar informações inéditas com o objetivo de se diferenciar das demais mídias".
O TSE, com o intuito de informar os eleitores sobre os candidatos que concorrem às eleições, criou o Sistema de Divulgação de Candidaturas – DivulgaCand. Através dessa ferramenta é possível acessar todas as informações dos candidatos: cargo, partido, declaração de bens, certidões criminais. De acordo com o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, os recursos disponibilizados ao eleitor fazem com que os brasileiros se aproximem mais do processo eleitoral. "O eleitor tem maior acesso à informação e isso reflete na qualidade do voto", afirma.
No dia 15 de agosto, a Justiça Eleitoral convocará os partidos e as emissoras de televisão e rádios para elaborarem um plano de mídia para o uso do horário eleitoral gratuito, garantido a todos participarem nos horários de maior e menor audiência. As propagandas serão exibidas por todas as emissoras nos 35 dias anteriores à antevéspera do primeiro turno da eleição. A propaganda nas rádios e televisão se restringe ao horário gratuito, proibida a veiculação de publicidade paga. Devem ser utilizados recursos de acessibilidade, como legendas em texto janela com intérprete da Língua Brasileira de sinais e audiodescrição sob responsabilidade das agremiações partidárias.
Neste ano eleitoral, os desafios serão parecidos com o ano de 2022, em um cenário em que se é importante combater as Fake News e checar as informações, principalmente nas redes sociais, a dificuldade de diálogo entre esquerda e direita, devido a polarização e o perigo de violências físicas entre os eleitores e políticos. O TSE terá o papel fundamental de verificar e atuar na segurança durante as eleição, será o responsável por checar as irregularidades das urnas eletrônicas, boca de urna e contagem dos votos pelo país todo.
Com a aproximação do calendário eleitoral e as eleições programadas para outubro de 2026, partidos e lideranças políticas intensificam as articulações que antecedem o início oficial da campanha.
Nesse período, conhecido como pré-eleição, regras da legislação eleitoral orientam trocas partidárias, afastamento de autoridades públicas para concorrer a cargos políticos e negociações para formação de chapas.
Antes do início oficial das campanhas eleitorais, a legislação brasileira estabelece uma série de etapas que organizam a disputa.
Segundo o site oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o calendário eleitoral deste ano iniciou em 1 de janeiro, data a partir da qual as entidades ou empresas que realizarem pesquisas de opinião pública ficam obrigadas a registrar no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais.
Também fica proibida a distribuição gratuita de bens ou benefícios por parte da administração pública, a execução de programas sociais por entidade vinculada ao candidato e a realização de despesas com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais.
A partir do dia 5 de março, se inicia a janela de migração partidária, em que, até 3 de abril, é permitido que os parlamentares troquem de partido sem que percam o mandato. Além disso, seria a data-limite para o TSE publicar as instruções relativas às Eleições Gerais de 2026.
No mês de abril, a veiculação de propagandas do TSE começa na TV e no rádio para incentivar a participação política, se inicia o prazo final para partidos e federações estarem oficialmente registrados e os candidatos precisam já ter domicílio eleitoral no local onde querem concorrer e estar filiados a um partido.
Dia 6 de maio é o último dia para tirar, transferir ou regularizar o título de eleitor (inclusive online). No restante do mês, nos dias 13 e 15 acontece um período de testes do TSE para verificar a segurança dos sistemas eleitorais e, a partir dessa data, pré-candidatos podem começar a arrecadar dinheiro (financiamento coletivo - uma forma de pré-candidatos e partidos políticos de arrecadar recursos financeiros de apoiadores antes mesmo do início oficial da campanha), mas ainda sem pedir votos.
Em junho, o Governo Federal irá liberar o dinheiro do fundo eleitoral ao TSE a partir do dia 1. Em 16 de junho, o tribunal informará o valor total disponível no fundo eleitoral para as campanhas.
Julho começa com propagandas internas dos partidos - sem uso de televisão, rádio ou outdoors - nomeação de mesários e equipes das eleições e o início da organização das seções eleitorais. Haverá o fim das propagandas institucionais da Justiça Eleitoral sobre participação política e, no dia 31, será divulgado o relatório sobre a segurança das urnas eletrônicas.
De acordo com o calendário divulgado pelo TSE, no dia 5 de agosto haverá o fim das definições de candidatos, no dia 15 o registro oficial das candidaturas e no dia 16, a campanha eleitoral estará oficialmente aberta.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), em nota publicada, estabelece normas pela Lei das Eleições e pela Resolução nº 23.610/2019 TSE, que trata da propaganda eleitoral.
As normas buscam manter equilíbrio e igualdade durante a campanha, e devem ser respeitadas por partidos, pré-candidatos, veículos de comunicação e cidadãos. O descumprimento das regras pode gerar multa de 5 mil a 25 mil reais para quem produzir ou se beneficiar da propaganda irregular.
Em alerta feito pelo TRE-SP, o eleitor que perceber a existência de atos irregulares no período, deve denunciar para as centrais de atendimento do Ministério Público Eleitoral (MPE).
Já propagandas eleitorais irregulares, segundo o TSE, devem ser denunciadas pelo aplicativo Pardal, desenvolvido pela Justiça Eleitoral, disponível gratuitamente na Google Play e App Store.
Na ultima sexta-feira (27), aconteceu a reunião deliberativa da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), criada para investigar um esquema de fraudes que envolvia descontos indevidos em aposentadorias e pensões de segurados do INSS. Entretanto, a comissão encerrou tomando outro rumo. Brigas e acusações vindas de ambos os lados tomaram conta da discussão.
Já no dia 26 houve confusão após a aprovação da quebra de sigilo de Lulinha, que significa a liberação de acesso a dados bancários, fiscais e telemáticos (e-mails/mensagens) pelo Poder Judiciário. O que gerou tumultos com a necessidade de intervenção da polícia parlamentar e consequentemente o encerramento da sessão.
O dia seguinte não foi diferente, teve início a partir do texto apresentado, pelo relator Alfredo Gaspar (PL-AL), com cerca de 4,3 mil páginas que recomendava o indiciamento de mais de 200 pessoas suspeitas de participação no esquema. Entre os citados está Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente. Segundo o relator, o empresário teria mantido vínculos com operadores centrais da fraude como Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Em seu parecer, Gaspar pediu a prisão preventiva de Lulinha com o argumento de que o mesmo teria saído do país sem avisar a Justiça, o que o relator interpretou como uma tentativa de fugir das investigações. No entanto, a defesa do empresário rebateu a acusação, afirmando que não existem provas que sustentem essa tese.
No meio da Comissão após uma menção de Gaspar, sobre uma fala do ex- ministro Luís Roberto Barroso a Gilmar Mendes em 2018: “uma mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia” chamando-a de poesia foi interrompido pelo deputado Lindbergh Farias, que rebateu “isso é um relatório ou é um circo?”. Em meio a confusão, o deputado chamou o relator de estuprador que respondeu: “Eu estuprei, eu estuprei corruptos como vossa excelência, que roubam o Brasil”.
A acusação gerou uma discussão generalizada durante a sessão. Gaspar chamou Farias de “usuário de drogas” e afirmou que irá processá-lo no Conselho de Ética da Câmara. A deputada Bia Kicis (PL-DF), também manifestou apoio ao relator e chamou Soraya Thronicke de “sirigaita”.
Marcos Oliveira/Agência Senado
O episódio ao qual o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) relembraram, parte de um caso de estupro de uma menina de 13 anos, ha oito anos atrás.
O relator nega as acusações e afirma que a história mencionada pelos parlamentares se refere, na verdade, a um caso envolvendo seu primo, Maurício César Brêda Filho. Segundo Gaspar, o parente teria mantido um relacionamento sexual com uma mulher de 21 anos em Alagoas quando ele ainda era menor de idade.
Já Farias e Thronicke alegam ter encaminhado à Polícia Federal prints de conversas e outras informações que, segundo eles, mostravam que um intermediador de Gaspar teria tentado comprar o silêncio da suposta vítima.
Nas redes sociais, Soraya rebateu a versão apresentada pelo relator. “Apenas para esclarecer: ele apresentou outro caso que nada tem a ver com a denúncia. Estamos tratando de uma possível filha de 8 anos, cuja mãe tem 21. Façam as contas!”, escreveu a senadora.
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Com a reunião estabilizada os parlamentares foram para a votação. O relatório de Gaspar foi rejeitado, em votação na madrugada do sábado (28), com 19 votos contra e 12 a favor. Com a derrota do texto, tanto o pedido de prisão quanto às sugestões de indiciamento foram descartados. Após a rejeição, o presidente da CPMI Carlos Viana (Podemos-MG) decidiu encerrar os trabalhos sem analisar um relatório alternativo proposto por parlamentares governistas. O texto sugeria o indiciamento de figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Com isso a CPMI, que está analisando o caso a sete meses, terminou mais um dia sem aprovação de um relatório final. Parlamentares da base governista anunciaram que irão encaminhar um relatório alternativo aos órgãos de investigação. O documento deve ser entregue à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República no dia 7 de abril e inclui pedidos de indiciamento de cerca de 130 pessoas, mantendo entre elas o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesta quarta-feira (25), o Plenário do Senado aprovou a mudança no Código Penal para instituir o chamado "vicaricídio" - homicídio praticado contra filhos, pais ou dependentes de uma mulher, com a motivação de lhe causar danos ou exercer controle. O projeto segue agora para a sanção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
O texto, originalmente apresentado pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), altera a lei Maria da Penha, o Código Penal e a lei dos Crimes Hediondos. A senadora propôs ajustes à proposta, convertendo-a em tipo “penal autônomo”, permitindo maior precisão jurídica na identificação desses crimes.
“Com a criação da categoria jurídica específica, tornam-se mais previsíveis e céleres as providências necessárias para a proteção a favor da vida das mulheres e de suas famílias.” afirmou durante a sessão.
Até então, situações desse tipo eram enquadradas como homicídio qualificado, sem distinção clara da motivação ligada à violência de gênero, o que dificultava a mensuração do fenômeno e a adoção de medidas preventivas específicas.
A pena prevista é de reclusão entre 20 a 40 anos, podendo ser aumentada em um terço quando o crime for cometido:
- Na presença da mulher a quem se pretende causar dano, punição ou controle;
- Contra criança, adolescente, pessoa idosa ou pessoa com deficiência;
- Em descumprimento de medida protetiva de urgência.
Casos recentes de grande repercussão ajudaram a impulsionar o debate legislativo sobre o tema, como o ocorrido em Itumbiara (GO), no qual o secretário Thales Naves Alves Machado matou os dois filhos após um pedido de separação da mãe das crianças.
Durante a sessão, parlamentares de direita também defenderam que a tipificação deveria ser aplicada independentemente do gênero do autor do crime, abrangendo situações em que filhos sejam mortos com o objetivo de atingir emocionalmente o outro responsável.
Após a aprovação no Congresso Nacional, o projeto aguarda sanção presidencial para entrar em vigor. Caso seja sancionada sem vetos, a nova tipificação passará a integrar oficialmente o Código Penal brasileiro.