A decisão veio depois da nona fase da operação Compliance Zero em que o senador da Bahia foi alvo de busca e apreensão
por
Sophia Aquino
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26/06/2026 - 12h

 

Jaques Wagner renunciou ao cargo como líder de governo no Senado no final da tarde desta quarta-feira (24), após conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois conversaram no Palácio da Alvorada em Brasília, em uma reunião que durou cerca de duas horas. Foi a primeira vez que eles se encontraram desde o início da operação da Polícia Federal. 

O anúncio de sua saída se dá em meio à investigação do Caso Master. Na operação da PF, Wagner é suspeito de receber propinas do Master por meio de um apartamento avaliado no valor de R$2,5 milhões e um repasse de R$3,5 milhões a uma empresa da esposa de seu enteado. Além de encontrarem 49 mil dólares e 33 mil euros em espécie em endereços ligados ao senador. 

Senador Jaques Wagner
Senador Jaques Wagner Foto: Andressa Anholete/Agência Senado 

A Polícia Federal investiga a participação do Senador em receber esses pagamentos e benefícios em troca de apoio de medidas no Congresso que beneficiaram o Banco Master como a chamada ‘Emenda Master’. A investigação também aponta a proximidade de Wagner com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.  

Em publicação em suas redes sociais, Jaques declara suas prioridades: “neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado". 

No Planalto, aliados do Partido Trabalhista (PT) já haviam comunicado que a situação estava insustentável e pressionaram a saída do senador por conta própria para não contaminar a campanha do presidente Lula. 

O presidente da República anunciou nesta quinta-feira (25) Teresa Leitão (PT-BA) à nova liderança do governo no Senado Federal.   

Ex-deputado foi sentenciado a quatro anos e dois meses de prisão por coação, além de inelegível por oito anos.
por
Isabela Sallum
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23/06/2026 - 12h

Na terça-feira (16), o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou e condenou, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação no curso do processo. A denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que o objetivo de Eduardo Bolsonaro era tentar interferir no processo de julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado ao coagir magistrados e articular sanções junto ao governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro.

A condenação baseia-se no entendimento de que Eduardo utilizou sua posição e influência para intimidar autoridades do Judiciário. Durante o julgamento, o ministro Alexandre de Moraes sinalizou ao menos nove ações específicas do réu para intimidar magistrados, muitas delas envolvendo articulações com o governo de Donald Trump nos Estados Unidos.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Eduardo Bolsonaro teria utilizado o argumento de que estaria sendo alvo de perseguição política por parte do Supremo Tribunal Federal para buscar apoio junto a autoridades e interlocutores nos Estados Unidos. De acordo com a acusação, essa articulação teria como objetivo incentivar a adoção de medidas restritivas contra ministros da Corte, incluindo limitações de visto e a aplicação da Lei Magnitsky, além de pressionar pela imposição de sanções econômicas ao Brasil, como as tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump em 2025.

A defesa do ex-deputado contesta essa interpretação e sustenta que Alexandre de Moraes não possui a imparcialidade necessária para atuar no caso, devendo, portanto, ser considerado impedido. Os advogados afirmam ainda que a denúncia não apresenta elementos suficientes para caracterizar a prática de crime, argumentando que as manifestações de Eduardo Bolsonaro estão amparadas tanto pela imunidade parlamentar quanto pela liberdade de expressão. Em relação às medidas adotadas pelo governo norte-americano, a defesa ressalta que o parlamentar não detém qualquer poder decisório sobre a política externa dos Estados Unidos e que decisões tomadas por autoridades estrangeiras decorrem do exercício da soberania daquele país, não cabendo a um político brasileiro.

No âmbito processual, Moraes rejeitou a alegação de que a intimação deveria ocorrer exclusivamente por meio de cooperação internacional. Para o ministro (e relator do processo), Eduardo Bolsonaro mantém seu principal vínculo domiciliar no Brasil, tem pleno conhecimento das acusações formuladas contra si e estaria dificultando sua localização para fins de notificação. Como o ex-deputado não apresentou defesa prévia após ser intimado por edital, a Defensoria Pública da União foi designada para representá-lo. O órgão, por sua vez, sustenta que, em razão de sua permanência nos Estados Unidos, a comunicação processual deveria ter sido realizada por carta rogatória.

Um ponto central destacado no julgamento foi a negligência com as funções públicas. A ministra Cármen Lúcia ressaltou que Eduardo estava ausente de suas obrigações no cargo de deputado federal e Moraes ironiza: “Não é função do deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”. Embora ele ainda busque participar de pleitos futuros, sua situação jurídica é de ex-parlamentar, tendo se mudado para os Estados Unidos em 2025, o que reforça a tese de abandono de suas funções legislativas em solo brasileiro.

Eduardo Bolsonaro, declara em suas redes sociais que Alexandre de Moraes não poderia estar atuando em seu julgamento, pois seria, ao mesmo tempo, “vítima e juíz”, e adotaria posição parcial. Ele ainda afirmou que a sentença é nula por desrespeitar o devido processo legal e que o objetivo deste processo que o condenou seria uma “manobra” para tirá-lo da política.

O departamento de diplomacia de Donald Trump defende, ainda, que Eduardo Bolsonaro estaria sofrendo uma “perseguição política” e que a sua condenação faz parte de um “padrão de guerra jurídica” movido pelos tribunais brasileiros contra a oposição. Segundo um porta-voz do Departamento de Estado americano, os impasses políticos no Brasil deveriam ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não através de condenações judiciais.

Foto: Reprodução Instagram/@bolsonarosp
Encontro entre Eduardo Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca, em Washington. Foto: Reprodução Instagram/@bolsonarosp

Por ora, o que fica definido em relação à justiça brasileira é que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, condenar o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. Como resultado do julgamento, além da pena de quatro anos e dois meses de reclusão em regime semiaberto, Eduardo foi condenado ao pagamento de aproximadamente R$ 162 mil, correspondentes a 50 dias-multa.

Com o veredito, ele passa a ser considerado “ficha suja”, ficando impedido de disputar eleições por até oito anos, o que frustra seus planos imediatos de concorrer como primeiro suplente ao Senado na chapa de André do Prado este ano. Embora o ex-parlamentar, que reside nos Estados Unidos desde 2025, alegue que a sentença é nula por falta de citação legal e que o objetivo da Corte é apenas retirá-lo da disputa eleitoral, a decisão impõe uma barreira jurídica severa às suas pretensões políticas, restando-lhe ainda a possibilidade de interpor recurso contra a decisão.

O Centro Acadêmico Benevides Paixão será comandado por um novo grupo de alunos
por
Daniella Ramos
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19/06/2026 - 12h

 

Nos dias 16 e 17 aconteceu na PUC-SP, Campus Monte Alegre, a eleição para o Centro Acadêmico Benevides Paixão com a disputa das chapas Glória Maria e Gonzo. Após um debate no dia 15, os alunos puderam votar por dois dias para eleger uma nova representação para o C.A.

A eleição também reacendeu nos alunos a reflexão sobre a importância e história do Centro Acadêmico. Em fim de mandato e no último ano do curso, a presidente Melissa Joanini, comemorou: “é muito bom saber que o Benê não será abandonado”. 

O Centro Acadêmico Benevides Paixão foi fundado em 1984, seis anos após a criação do curso de jornalismo e sete depois da invasão da universidade pela Polícia Militar. O objetivo era representar o movimento estudantil dos alunos do curso no período da redemocratização brasileira após longos anos de ditadura. O diretor da FAFICLA (Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes), Fabio Cypriano, conta que nos primeiros anos do curso ainda havia muito medo instaurado pela invasão, por isso levaram alguns anos para criar o Benê. “Eu entrei na PUC em 1985, mas eu tinha colegas que estudavam jornalismo em 1984, e eu ia para as passeatas das Diretas Já me encontrando com eles”, completou Cypriano ao comentar o papel do C.A. no ano que foi criado.

O nome Benevides Paixão é uma homenagem ao jornalista debochado criado pelo cartunista Angeli.

 

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Ilustração do cartunista Angeli do personagem Benevides Paixão

 

Nos 42 anos e história, a agremiação dos estudantes de jornalismo passou por altos e baixos. Em 2015 teve o funcionamento suspenso. Em 2019, durante a Vaza Jato (vazamento de conversas entre o ex-juiz Sergio Moro, o então procurador Deltan Dallagnol e outros integrantes da Operação Lava Jato) o Benê foi um dos responsáveis por trazer o jornalista Glenn Greenwald, que liderou a publicação das reportagens do The Intercept Brasil. O Centro Acadêmico também teve um papel fundamental para a criação da Agência de notícias Maurício Tratemberg, a AGEMT, dentro do curso de jornalismo. Apesar do projeto já estar previsto pedagogicamente pelos docentes, faltava a confirmação da Fundação São Paulo (mantenedora da universidade) para sua implementação. Em resposta, o coletivo organizou uma paralisação dos estudantes do curso para que a agência fosse colocada em funcionamento. 

Fabio Cypriano conta que o primeiro presidente do Centro Acadêmico foi Walter Falceta. Já no início dos anos 2000, a presidência foi ocupada por Pedro Venceslau, hoje jornalista da CNN. Nos anos mais recentes, Rafaela Serra esteve à frente do C.A. entre 2021 e 2023, sendo a última presidente eleita por votação oficial. Em 2023, Maria Clara Alcântara assumiu a presidência após a formatura de colegas que integravam a gestão. Na sequência, Giovanna Freitas (2023–2024) e Melissa Joanini (2024–2026), ambas da mesma chapa, assumiram o comando da entidade numa ação que ambas reconhecem como uma "tomada de poder". Dessa forma, a última eleição oficial para a presidência do Benê ocorreu no final de 2021.

Durante a pandemia, Maria Clara Alcântara contou que foi difícil manter o legado, pois muitos estudantes se distanciaram dos movimentos, por isso no final de 2022, ela resolveu entrar para a organização com objetivo de reerguer o local e trazer novamente os alunos para perto. “Era ano de eleição e eu achava que o jornalismo precisava se unir de novo, se reerguer e isso me motivou”, afirmou a ex-presidente.

Além da atuação constante em movimentos sociais e políticos, manifestações e paralisações, há também a criação de programas culturais e de aprimoramento da formação. A mais conhecida pelos alunos e que acontece anualmente é a “Semana de Jornalismo”, que neste ano teve sua 48ª edição. O C.A. também promove o “Benê Cultural” e a “Roda de conversa com o Benê”, um bate-papo com jornalistas formados que já contou com a presença de Mauro Beting, Bruno Paes Manso e Rogério Guimarães. Tem também o “Churrasco do Benê” e a venda de produtos como forma de arrecadação de fundos.

A aluna Beatriz Barbosa, diretora de eventos da chapa de Melissa Joanini, conta que quando assumiram o C.A., não havia dinheiro no caixa, então para conseguirem manter tudo funcionando criaram alguns eventos e produtos, mas o que tiveram de mais diferente em meio a tudo isso foi o “Benê fish”, um peixe Beta que era criado pelos alunos e para contribuir nos seus cuidados, os universitários doavam um valor. 

Em mais de 40 anos de histórias, o Benê continua se reinventando para dar continuidade ao direito estudantil, social e político. Agora, após a eleição realizada nos dias 16 e 17 de junho, a chapa eleita fica responsável por manter o legado e construir cada dia mais uma relação transparente e próxima com os alunos.

Representantes das chapas Glória Maria e Gonzo reúnem propostas e expectativas para a próxima gestão
por
Gabriela Thier
Raissa Santos
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17/06/2026 - 12h

A chapa Glória Maria foi representada pelas candidatas à presidência, Anna Cândida Xavier, à vice-presidência, Manuela Schenk Scussiato, e à tesouraria, Juliana Bertini. Já a chapa Gonzo contou com a participação da presidente, Lara Manasseh, da vice-presidente, Isabella Damião, e da diretora de eventos, Gabriela Dias. Durante o encontro, as candidatas discutiram propostas relacionadas à comunicação com os estudantes, inclusão e permanência estudantil, aproximação com o mercado de trabalho e a estrutura do curso. 

O debate ocorreu no Centro Acadêmico de Ciências Sociais sendo aberto ao público, assim como transmitido pelo instagram da Agência de Notícias Maurício Tragtenberg (Agemt) e mediado pela atual presidente do Benê, Melissa Joanini. 

Durante o debate entre as chapas Glória Maria e Gonzo, candidatas à gestão do C.A., as representantes apresentaram propostas relacionadas à comunicação com os estudantes, formas de arrecadação de recursos e iniciativas de aproximação com o mercado de trabalho.

A Agemt questionou como as chapas pretendem se comunicar com os alunos na prática e ambas destacaram o uso de ferramentas digitais, mas divergiram quanto à centralidade dos espaços presenciais.

Pela Chapa Gonzo, Lara Manasseh afirmou que a gestão pretende utilizar formulários online, e-mail e plataformas digitais para coletar demandas e divulgar informações. Segundo ela, um grupo de informes mais ativo pode facilitar a comunicação entre o centro acadêmico e os estudantes. Ainda assim, a representante ressaltou a importância do contato presencial. “Usar do que a gente dispõe do digital é muito mais fácil do que o boca a boca, embora eu ache que o presencial seja crucial ao fazer política”, afirmou.

Representantes da Chapa Gonzo: Gabriela Dias, Isabella Damião e Lara Manasseh (respectivamente) / Foto: Raissa Santos
Representantes da Chapa Gonzo: Gabriela Dias, Isabella Damião e Lara Manasseh (respectivamente) / Foto: Raissa Santos

 

Já Anna Xavier, da Chapa Glória Maria, também apontou os formulários como uma ferramenta importante para organizar e quantificar demandas estudantis. No entanto, defendeu que a participação presencial não pode ser deixada de lado. “Eu ainda considero muito importante trazer as pessoas para o presencial”, reforçou. A candidata acrescentou que práticas tradicionais do movimento estudantil, como passagens em sala e panfletagens, devem continuar fazendo parte da atuação do Benê.

Ao serem questionadas sobre alternativas de arrecadação para o centro acadêmico além da venda de produtos, as candidatas apresentaram propostas distintas.

A Chapa Glória Maria sugeriu a inserção de publicidades em uma revista estudantil produzida pelo Benê, buscando parcerias com iniciativas ligadas à comunidade universitária. Segundo Anna Xavier, a proposta permitiria arrecadar recursos sem repassar custos aos estudantes. “Assim a gente pode arrecadar dinheiro sem ter que pedir para os alunos”, afirmou. A candidata também mencionou a realização de eventos de grande adesão com ingressos acessíveis, como karaokês.

Representantes da chapa Glória Maria: Manuela Schenk Scussiato, Anna Cândida Xavier e Juliana Bertini (respectivamente) / Foto: Raissa Santos
Representantes da chapa Glória Maria: Manuela Schenk Scussiato, Anna Cândida Xavier e Juliana Bertini  / Foto: Raissa Santos

Por sua vez, a Chapa Gonzo apontou a realização de festas, rifas e iniciativas como o projeto PUC Crochê como possíveis fontes de arrecadação para a entidade.

Outro tema debatido foi a retomada de projetos que aproximem os estudantes do mercado de trabalho por meio de visitas a veículos de comunicação e empresas do setor.

Anna Xavier afirmou que a proposta integra o programa da Chapa Glória Maria. Segundo ela, já existem organizações abertas a receber estudantes para visitas, como a Folha, e os professores podem ter um papel importante na articulação dessas oportunidades. “A gente sabe que tem professores nossos que trabalham na TV Cultura, por exemplo, então eu acho que também temos que cobrar um pouco deles”, declarou.

Lara Manasseh defendeu que essa aproximação também pode ser fortalecida por meio da Semana de Jornalismo; citando como exemplo a participação de  Laura Kotscho, jornalista do ICL, na edição deste ano do evento. Manasseh levantou uma possível oportunidade de contato com os veículos pelos participantes do evento como forma de aproximar os alunos aos canais de comunicação, “Por que não levar um grupo seleto de alunos, ou grupos mensais, para ir visitar esses lugares?”, indagou Lara. Para ela, a iniciativa ajudaria os estudantes a conhecer diferentes possibilidades de carreira. “Eu, por exemplo, adoro a área institucional da comunicação e pouco se fala disso aqui na PUC”, afirmou.

Após o bloco de perguntas da atual gestão do Benê, o debate foi aberto para questionamentos do público presente. Entre os temas levantados pelos estudantes estiveram a manutenção dos espaços físicos do curso, a relação com a Atlética, a inclusão de bolsistas e a situação do bandejão da universidade.

Manutenção do espaço físico e relação com a Atlética

Para a Chapa Glória Maria, a solução passa pela articulação com outras entidades estudantis e cursos da universidade, devendo ser construída coletivamente. “Precisamos entrar em contato com outros centros acadêmicos, conversar com a Atlética e construir uma mobilização conjunta. O Benê precisa estar presente e ser uma das vozes que puxam essa discussão, mas não pode ser a única entidade falando sobre isso”, afirmaram as representantes.

Já a Chapa Gonzo defendeu uma aproximação mais constante entre as duas organizações. Para Lara Manasseh, “o centro acadêmico e a atlética são os dois pilares do curso”, motivo pelo qual as entidades devem “caminhar juntas em eventos, na comunicação com os alunos e na construção de uma comunidade mais integrada dentro do curso”, reiterou a candidata à presidência.

Bolsistas e bandejão

A Chapa Glória Maria destacou as dificuldades enfrentadas por estudantes que conciliam trabalho, deslocamentos longos e a graduação. “Precisamos ter um olhar mais atento para essa questão. É importante entrar em contato com os bolsistas do nosso curso e perguntar como podemos incluí-los melhor”, afirmou Anna Cândida. Ela também relacionou a discussão do bandejão ao acesso e à permanência estudantil, “Muitas vezes eles não conseguem acessar outras coisas da própria universidade. Um pão com ovo na Toca custa R$10, uma refeição no bandejão custa R$18”, concluiu.

A Chapa Gonzo defendeu que as demandas dos bolsistas sejam incorporadas de forma mais ampla pelo centro acadêmico, “o que é problema da PUC é problema de todos os estudantes”. Afirmando que a questão do bandejão deve mobilizar toda a comunidade acadêmica: “Muitos de nós temos o privilégio de não depender do bandejão para almoçar, mas sabemos que muita gente depende. Então o problema do bandejão também é nosso.”

Além das propostas apresentadas pelas chapas, estudantes que acompanharam o debate também comentaram os temas discutidos e as expectativas para a próxima gestão do centro acadêmico. 

Para Rayssa Paulino, estudante do 7° semestre, seria ideal se a nova gestão pudesse trazer uma maior integração entre o Centro Acadêmico e os alunos. Segundo ela, “quando eu entrei, em 2023, eu senti que não tinha muita aderência dos alunos de jornalismo com o Benê. (...) Então eu espero que eles consigam fazer essa mudança e trazer mais pessoas do curso”, declarou a aluna. 

A estudante também destacou a importância de propostas voltadas à grade curricular do curso. Para ela, seria interessante que a nova gestão promovesse discussões quanto a possíveis melhorias na formação oferecida pela universidade, contribuindo, ainda que a longo prazo, para que os alunos concluam a graduação mais preparados para os desafios do mercado de trabalho. “Eu acho que faltam muitas matérias que seriam muito importantes ter no curso de jornalismo. A gente não tem uma matéria sobre como conduzir entrevistas, por exemplo. Então seria interessante, talvez, não ter uma matéria, mas oficinas sobre isso”, afirmou.

Já Maria Fernanda Muller, estudante do 7º semestre, acredita que a próxima gestão deve investir em uma maior aproximação com os alunos e na ampliação da visibilidade das ações do Centro Acadêmico. Para ela, muitos estudantes ainda têm pouco conhecimento sobre os projetos e iniciativas desenvolvidos pela entidade. “Eu acho que o Centro Acadêmico tem sido muito apagado, a gente não tem muita noção do que eles estão fazendo, dos processos, dos projetos. Nós só vemos ele na Semana de Jornalismo”, reiterou.

A estudante defende que uma comunicação mais frequente e transparente pode contribuir para aumentar o engajamento dos alunos nas atividades promovidas pelo Benê, além de fortalecer a participação estudantil nas discussões e decisões que impactam o curso.

A votação para definir a próxima gestão do Benê será realizada nos dias 16 e 17, na Prainha. Os estudantes do período matutino poderão participar do processo eleitoral entre 10h e 12h, enquanto os alunos do noturno poderão votar das 19h às 21h.

 

Em 1947, o boletim de cientistas atômicos criou o relógio do juízo final, instrumento que marca o quão perto a humanidade estaria de sua total destruição
por
Julia Jorge de Oliveira
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16/06/2026 - 12h

O escritor, jornalista e professor Daniel Lopez, nascido em Niterói/RJ, escreve livros sobre geopolítica. O livro “90 Segundos para o Apocalipse” escrito em 2023, relata que no início deste ano, o relógio foi atualizado para 90 segundos da meia-noite. Três anos após o início da pandemia, o mundo vive sob o fantasma de uma Terceira Guerra Mundial, e com rumores de escassez energética, alimentar e de uma ofensiva cibernética global, sem falar numa próxima pandemia.

Na verdade, o livro trata de um pequeno grupo de superpoderosos globais que se fortalece com base na fome, na guerra, no medo e na desgraça dos povos. É de controle que se trata. A palavra apocalipse, em grego, significa “desvelamento”, “revelação”. Desejamos que o verdadeiro apocalipse seja um evento, não da destruição e morte, mas de esclarecimento e autonomia.

Um capítulo interessante do livro de Lopez é “Aquele que controlar o Brasil controlará o mundo’’: um exercício de geopolítica especulativa. O autor utiliza essa frase como eixo para defender que o poder global está migrando de armas e território para recursos vitais e capacidade de sustentação do planeta. Ele desmonta a ideia clássica de poder baseada apenas em arsenais nucleares. O argumento é que, em um cenário de crise prolongada (climática, energética e alimentar), o que define liderança não é destruir o inimigo, mas manter populações vivas e economias funcionando. É aí que o Brasil entra como peça-chave.

Lopez descreve o Brasil como uma espécie de “reserva energética global”, apoiada em três eixos: Clima, água doce e capacidade agroalimentar. O clima refere-se à Amazônia; água: o país é referência como um dos maiores detentores de água potável do mundo; agroalimentar se relaciona à definição de “celeiro do mundo".

Um ponto central do capítulo é redefinir o que significa “controlar”. Lopez deixa claro que não se trata, necessariamente, de invasão militar. Ele trabalha com formas mais sutis: dependência econômica, influência política e controle tecnológico. O autor alerta que essa posição pode tornar o Brasil vulnerável a disputas entre grandes potências, tentativas de interferência em políticas ambientais e conflitos econômicos.

Mais do que uma análise fria, há uma intenção clara de provocar o leitor, especialmente o brasileiro. Lopez questiona a visão de que o país é periférico no cenário global e sugere o oposto: ele pode ser central sem perceber. O livro é

essencial para abordar uma tese geopolítica ousada, alertar sobre soberanias e com retórica estratégica para engajar o leitor.

Daniel Lopez escreveu inúmeros livros sobre geopolítica, como “A Beira do Abismo”, “A Jogada Final”, “A Jornada do Leitor” e “Teatro das Sombras”. A escrita do autor tem um estilo bem-marcado e isso ajuda a explicar por que os seus livros prendem tanto a atenção do leitor. Uma das características mais evidentes é o tom de urgência e dramatismo.

Lopez escreve como se o leitor estivesse diante de uma contagem regressiva real, utilizando frases diretas e, muitas vezes, curtas, para dar a sensação de rapidez e imediatismo. Outro ponto é a linguagem acessível diante de assuntos tão complexos.

Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei assume a liderança máxima do Irã em meio à maior crise do regime em décadas
por
Malu Malaquias
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13/03/2026 - 12h

A Assembleia dos Especialistas do Irã anunciou, no domingo (08), em Teerã, a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo da República Islâmica, após a morte do aiatolá Ali Khamenei, durante um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, no início da atual escalada militar no Oriente Médio.

Enquanto a sucessão não era definida, o Irã foi governado por um conselho temporário previsto na Constituição, composto por: presidente da República, chefe do Judiciário e um representante do Conselho dos Guardiões. Os três assumiram provisoriamente as funções do líder supremo sob o viés de garantir a continuidade do Estado iraniano durante o processo sucessório.

Ali Khamenei, antigo líder supremo do Irã
Ali Khamenei, antigo líder supremo do Irã, Foto: Khamenei.ir 

A decisão coube à Assembleia dos Especialistas, órgão constitucional formado por 88 clérigos xiitas responsável por nomear e supervisionar a principal autoridade política e religiosa do país. Pela Constituição iraniana, cabe a esse colegiado escolher um novo nome em caso de morte, renúncia ou incapacidade do ocupante do cargo. 

O órgão foi convocado em caráter emergencial e sob forte esquema de segurança para acelerar o processo sucessório após a morte de Ali Khamenei. Em análise publicada pela agência Reuters, o pesquisador Alex Vatanka, do Middle East Institute, avaliou que a definição rápida foi considerada essencial pelo regime diante do atual contexto de guerra, instabilidade interna e pressão internacional.

 

Quem é Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo?

Aos 56 anos, Mojtaba Khamenei é um clérigo de médio escalão com formação religiosa na cidade de Qom e sem experiência política formal. Apesar disso, construiu influência nos bastidores do poder iraniano ao longo das últimas décadas, mantendo vínculos estreitos com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), um dos pilares do regime. 

Alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos em 2019, ele era apontado há anos como possível sucessor do pai. Sua escolha, no entanto, é considerada controversa por representar uma transição direta de pai para filho, algo sensível em um sistema político que se consolidou após a Revolução Islâmica de 1979, com a derrubada de uma monarquia hereditária.

Analistas como Alex Vatanka, do Middle East Institute, em análise publicada pela agência Reuters, e Suzanne Maloney, do Brookings Institution, em avaliações institucionais repercutidas pela imprensa internacional, interpretaram a nomeação de Mojtaba Khamenei como um sinal de continuidade do regime e de fortalecimento da ala mais dura do poder iraniano. Líderes políticos iranianos declararam apoio imediato ao novo líder, entre eles o presidente Masoud Pezeshkian, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, além do comando da Guarda Revolucionária Islâmica, que prometeu lealdade à nova liderança.

“Essa valiosa escolha é uma manifestação da vontade da nação islâmica de consolidar a unidade nacional, uma unidade que tem sido a principal força do Irã diante das conspirações de seus inimigos”, afirmou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, segundo a Al Jazeera, com informações da Reuters e da AFP

Além disso, países aliados como Rússia e Teerã reconheceram a escolha, enquanto governos ocidentais manifestaram preocupação com a estabilidade regional e com o risco de uma escalada do conflito.

Ministro Mauro Vieira representa o Brasil após o cancelamento da viagem presidencial
por
Malu Malaquias
Carolina Nader
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13/03/2026 - 12h

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou, de última hora, a viagem ao Chile, onde participaria da cerimônia de posse do novo presidente do país, José Antonio Kast, realizada na quarta-feira (11) em Valparaíso. O Palácio do Planalto não apresentou justificativa oficial para o cancelamento, embora a viagem constasse na agenda presidencial e estivesse confirmada desde a semana anterior, conforme registro no site oficial da Presidência.  

Com a ausência do presidente, o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que participou da cerimônia em nome do governo brasileiro. 

Representante do governo brasileiro, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante agenda diplomática oficial em Brasília
Representante do governo brasileiro, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante agenda diplomática oficial em Brasília, Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

 

Eleito em dezembro de 2025, José Antonio Kast assume o governo chileno após o fim do mandato de Gabriel Boric. De extrema direita, o novo presidente já teve divergências com Lula, mas ambos se reuniram em janeiro, no Panamá, para discutir temas como comércio e cooperação regional. A nova administração inaugura um mandato com possíveis repercussões em áreas sensíveis da relação bilateral, como política ambiental e integração regional. Segundo fontes próximas à Presidência, Lula deve retomar o diálogo com o governo chileno em ocasiões futuras, seja por meio de visitas oficiais, seja em encontros multilaterais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Reunião bilateral com o Presidente eleito do Chile, José Antonio Kast
Reunião bilateral com o Presidente eleito do Chile, José Antonio Kast. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Flickr)

A decisão repercutiu na imprensa internacional, que acompanha a postura do Brasil diante de governos de diferentes orientações políticas na região. Nos bastidores, interlocutores do Planalto indicam que o cancelamento da viagem pode estar relacionado ao convite feito por Kast ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para participação da cerimônia. O convite ao pré-candidato à Presidência da República e adversário político direto de Lula teria sido interpretada pelo Palácio do Planalto como um desrespeito e possível fator de “situação desconfortável”, o que teria pesado na decisão presidencial de não viajar.

Apesar do cancelamento da viagem presidencial, o governo brasileiro reiterou, por meio do Itamaraty, o interesse em manter e aprofundar as relações bilaterais com o Chile, consideradas estratégicas na América do Sul, independentemente da presença do presidente na solenidade. O Brasil é o maior parceiro comercial do Chile na América Latina. O Ministério das Relações Exteriores, no entanto, não divulgou nota específica sobre os motivos da decisão, limitando-se a informar que o Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira, em linha com os protocolos diplomáticos adotados em compromissos internacionais.

 

Deputada pede indenização de R$ 10 milhões e suspensão do programa de TV
por
Khauan Wood
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13/03/2026 - 12h

A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) entrou na Justiça contra o apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, depois de declarações consideradas transfóbicas feitas em rede nacional no Programa do Ratinho, exibido pelo SBT, na última quarta-feira (11).

O episódio ocorreu horas após a parlamentar assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

A indicação dela ocorreu por meio de um acordo entre líderes partidários que distribuíam o comando das comissões com base no tamanho das bancadas. Nessa decisão, o colegiado ficou com o PSOL, partido da deputada.

Entenda como foi a votação

Mesmo sendo uma eleição com chapa única, o processo acabou virando uma disputa. Parlamentares de partidos mais à direita, como PL e PP, organizaram um movimento para tentar impedir a eleição de Hilton. Em vez de lançar outro candidato, eles combinaram votar em branco para dificultar que a deputada alcançasse a maioria necessária.

No primeiro turno da votação, participaram 22 deputados. Hilton recebeu dez votos favoráveis, enquanto 12 parlamentares votaram em branco. Como o número de votos em branco foi maior, o resultado foi considerado inconclusivo e a eleição precisou ir para um segundo turno.

Na etapa seguinte, com um deputado a menos participando, o quórum caiu para 21 parlamentares. Nesse cenário, bastava maioria simples para vencer. Hilton acabou eleita por 11 votos a favor contra dez em branco, tornando-se a primeira mulher trans a presidir uma comissão permanente da casa.

A eleição foi seguida de críticas de parlamentares conservadores. Algumas deputadas afirmaram que Hilton não poderia representar as mulheres por não ter vivenciado experiências biológicas como gravidez ou menstruação.

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Na posse a deputada afirmou que sua gestão tratará todas as mulheres. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Clarissa Tércio (PP-PE) afirmou que a presidência da comissão deveria ser ocupada por uma “mulher de fato”. Já Chris Tonietto (PL-RJ), afirmou que: “Não podemos concordar com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina”.

Em resposta, durante seu discurso de posse, a parlamentar ironizou esse argumento e afirmou que sua gestão trabalharia pela defesa de todas as mulheres, além de priorizar o combate à violência de gênero e ao discurso de ódio na internet.

Polêmica na TV

Na mesma noite, durante seu programa de televisão, Ratinho comentou a eleição e questionou a legitimidade de Hilton para ocupar o cargo.

No ar, ele afirmou que a deputada “não é mulher, é trans” e disse que, para ser mulher, seria necessário ter útero, menstruar e sentir a dor do parto.

As declarações repercutiram nas redes sociais e no meio político. No dia seguinte, Érika Hilton anunciou que processaria o apresentador.

Repercussão do caso

Em resposta pública, ela afirmou que a fala de Ratinho não atinge apenas pessoas trans, mas também mulheres cisgênero que não menstruam, que retiraram o útero por motivos de saúde ou que não podem ou não desejam ter filhos.

Foram apresentados pedidos ao Ministério das Comunicações para investigar o SBT por possível abuso na concessão pública de radiodifusão, incluindo a possibilidade de suspensão temporária do programa.

Além disso, representações foram encaminhadas ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) para apurar se houve crime de transfobia, que no Brasil é equiparado ao racismo.

Nesta sexta-feira (13), o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública pedindo indenização de R$10 milhões por danos morais coletivos.

Se a ação for aceita pela Justiça, o dinheiro seria destinado a fundos públicos e organizações de defesa dos direitos humanos. O órgão também pediu que o apresentador faça uma retratação pública no mesmo horário em que as declarações foram exibidas.

O SBT divulgou uma nota afirmando que repudia qualquer tipo de discriminação e que as falas de Ratinho não representam a posição da emissora.A presidente do SBT, Daniela Beyruti, chegou a telefonar para a deputada para pedir desculpas em nome da emissora. 

Militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) realizaram uma manifestação em frente à sede da emissora, em Osasco, na região metropolitana de São Paulo. 

Durante o protesto, manifestantes também pediram uma retratação pública do apresentador e defenderam que veículos de comunicação que operam por meio de concessão pública devem respeitar princípios constitucionais, como a dignidade humana e a proibição de discursos discriminatórios. 

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O apresentador se pronunciou através de um vídeo nas redes sociais. Foto: Instagram/Ratinho/Reprodução

Ratinho, por sua vez, publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que não considera suas falas preconceituosas. Segundo ele, “crítica política não é preconceito” e jornalistas têm o direito de questionar autoridades públicas.

O uso de Inteligência Artificial foi um dos destaques entre as 14 resoluções aprovadas pelos ministros
por
Isabelle Rodrigues
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13/03/2026 - 12h

 

No último dia 2, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou uma nova série de propostas de regulamentação da inteligência artificial (IA) nas eleições, as quais foram aprovadas no dia seguinte junto ao calendário eleitoral oficial. O documento foi divulgado para o público no Diário de Justiça eletrônico e assinado pela presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia,  o vice-presidente, ministro Nunes Marques e o diretor-geral, ministro Ricardo de Oliveira Piazzi.

Fica especificado que a partir de 1 de outubro até 24 horas após a votação, é proibida toda e qualquer publicação e republicação de conteúdos modificados por IA que tenham relação com os candidatos ou pessoas públicas relacionadas às eleições. Além disso, se mantém a obrigatoriedade da rotulação explícita de conteúdos criados por meio dessa tecnologia na produção de propagandas.

Entre as 14 atas analisadas destaca-se: a proibição da propaganda política em provedores como ChatGPT, Copilot e Gemini, mesmo que requisitados pelo usuário a indicação de candidatos. Além da facilitação da acusação em casos de uso indevido dessas tecnologias, já que, caso o juiz considere necessário, será preciso que o acusado prove que não usou conteúdo manipulado ou gerado, mostrando provas claras da origem de seus materiais.

A partir de 28 de agosto será iniciada a janela de propaganda eleitoral na TV aberta seguindo até o primeiro dia de Outubro.
A partir de 28 de agosto será iniciada a janela de propaganda eleitoral na TV aberta seguindo até o primeiro dia de Outubro. Foto: Caroline Pacheco, Famecos PUCRS/ Reprodução

Este ano, o voto popular decidirá os ocupantes dos seguintes cargos: Deputados Federais e Estaduais, Senadores, Governadores e Presidente da República, juntamente com seus devidos vices. O primeiro turno ocorre no dia 4 de Outubro, com o segundo turno programado para o dia 25, caso se faça necessário. 

O novo calendário eleitoral, junto com a revisão de regulamentações, seguem a nova onda de responsabilidade digital, que vem sendo seguida por diversos países. No Brasil, além do Marco Civil da Internet sancionado em 2014, mais recentemente a Lei Nº 15.325 que regulariza a responsabilidade de influenciadores por suas publicações e criações de conteúdo foi aprovada. Essa nova leva sobre inteligência artificial foca em criar caminhos para culpabilizar de forma clara o descompromisso com a verdade e com a legalidade da campanha eleitoral.

A eleição deste ano é considerada a primeira de fácil acesso geral a essas tecnologias, já que mesmo estando disponível há alguns anos, dados comprovam que seu uso se tornou comum no país a partir de 2024 com 54% da população já utilizando de ferramentas de IA Gerativa, segundo a pesquisa feita pela Ipsos.  O acesso a essa tecnologia pode revolucionar a forma como o grande público geral consome sua propaganda. 

Em 2022, a democracia sofreu um golpe grave, com o aumento no índice de notícias falsas., O estudo publicado pela NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostra que a média diária de notícias falsas ou duvidosas, aumentou em 311,5 mil no segundo turnos das eleições, sendo um aumento de 65% em relação ao primeiro. 

Segundo o professor e pesquisador, Wilson Gomes, em declaração à Comissão Parlamentar de Inquérito das Fake News em 2019, um dos motivos para o avanço dessas notícias, seria o aumento crescente da extrema direita no Brasil e a polarização de posicionamentos políticos. 

É esperado que a hiperconexão e atividade dos eleitores resultem em um espaço político ainda maior nas redes sociais e ambientes digitais, resultando em um espaço produtivo para Deep Fakes [manipulações falsas] e alterações de discurso, o que exigirá ainda mais atenção da população.

Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado ampliam a disputa interna pelo espaço presidencial.
por
Carolina Zaterka
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12/03/2026 - 12h

O Partido Social Democrático (PSD) prepara-se para lançar sua primeira chapa presidencial própria, com três pré-candidatos: o governador do Paraná, Ratinho Junior; o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; e o recém-filiado governador de Goiás, Ronaldo Caiado. 

Fundado em 2011, o partido agora abriga três nomes interessados na vaga da presidência. Em 27 de janeiro de 2026, Caiado deixou o União Brasil e se filiou ao PSD, anunciando em vídeo que mantém sua pré-candidatura presidencial. Ele destacou ter sido “acolhido em um gesto de total desprendimento” no novo partido, afirmou não ver interesses pessoais conflitantes entre os concorrentes e disse que o nome escolhido terá o apoio unânime dos demais. Na ocasião, Gilberto Kassab declarou que Leite, Ratinho Jr. e Caiado passarão “a trabalhar juntos no PSD na busca de uma candidatura a presidente da República que traga um projeto para o futuro do nosso País”
 

Caiado durante evento político | Foto: Governador Ronaldo Caiado/Flickr
Caiado durante evento político | Foto: Governador Ronaldo Caiado/Flickr

No último dia 6, o governador Eduardo Leite oficializou sua pré-candidatura por meio de um “Manifesto ao Brasil” divulgado nas redes sociais. No texto de lançamento, Leite pregou por otimismo e inovação: “O Brasil pode ser um país estável em um mundo instável, pode ser potência em tecnologia, mas isso não acontecerá por inércia” e defendeu um “novo pacto pela governabilidade democrática”, criticando a excessiva judicialização da política. Leite buscou marcar diferenças em relação aos rivais, afirmando lamentar um país “dividido, fragmentado e excessivamente concentrado em disputas ideológicas”. Ele já havia deixado o PSDB em maio de 2025 para se filiar ao PSD, tornando-se um dos nomes disponíveis.

 

Kassab ao lado de Leite em aperto de mãos | Foto: Mauricio Tonetto/Governo do RS - Reprodução: GZH
Kassab ao lado de Leite em aperto de mãos | Reprodução/Facebook de Eduardo Leite

Ratinho Junior, filho do apresentador de televisão Ratinho, embora ainda não tenha feito uma cerimônia formal de lançamento, consolidou-se como pré-candidato ao Planalto. Em março ele chegou a afirmar publicamente que o partido deve definir “nos próximos dias” quem será a opção presidencial. Em entrevistas e eventos, Ratinho destacou que não se vê como “terceira via”, mas sim como “o candidato da direita democrática, da direita cidadã”, afirmando um projeto que combine eficiência estatal e atenção aos mais humildes. Em coletiva no dia 9, ao lado de Kassab, Leite e Caiado, na Associação Comercial de São Paulo, Ratinho reforçou que, independentemente de quem for escolhido, “a chapa a ser apresentada pelo PSD será ‘muito bem-vinda’ para a população”.
 

Governador do Paraná Ratinho Jr | Reprodução: PSD
Governador do Paraná Ratinho Jr | Reprodução: PSD

A decisão de Kassab de antecipar a escolha interna reflete a percepção de que o espaço para uma “terceira via” está se estreitando. Em 2025 Kassab chegou a apontar como opção inicial Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), mas o governador  desistiu da corrida presidencial e preferiu buscar a reeleição no estado de São Paulo. Isso fortaleceu o trio do PSD como principais apostas da legenda. Kassab comentou que “quem tem três candidatos não tem nenhum” e por isso decidiu concentrar esforços em um só nome mais cedo. O partido não planeja prévias: o escolhido deverá ser aquele com melhor desempenho nas pesquisas e maior capacidade de articulação política junto a lideranças de centro e empresariais.

Uma pesquisa realizada pelo portal de notícias Terra aponta Ratinho Jr. na liderança entre os três nomes, mas todos ainda atrás de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. As reações no partido ressaltam o caráter “alternativo” à polarização Lula-Flávio, com foco em propostas de transparência e eficiência. A estratégia  implica riscos de dispersão de votos, e o escolhido precisará consolidar apoio cedo para evitar o “efeito voto útil”.

No PSD, Kassab elogiou o projeto de lançar candidato próprio e classificou a decisão como “saudável e positiva”, argumentando que é preciso começar cedo para consolidar a alternativa à polarização. Entre os pré-candidatos, observa-se certa cortesia mútua: Leite e Ratinho afirmaram apoio ao escolhido, e Caiado garantiu que, se outro for indicado, trabalhará pela unidade do partido. O presidente do PSD chegou a dizer que essa chapa “reúne pessoas que pensam o Brasil” e concedeu que haverá “apoio dos demais” ao nome definido. Nenhum dos três insistiu em compor chapa com Bolsonaro; Ratinho Jr. chegou a descartar aliança com o PL neste momento, prevendo candidaturas próprias.

A notícia da filiação de Caiado e da movimentação de Leite e Ratinho despertou reações variadas. No campo governista, aliados de Lula minimizam a viabilidade eleitoral do PSD: veem a iniciativa como tentativa de evitar que o eleitor de centro migre para Bolsonaro, mas ressaltam que os governadores do PT seguem favoritos. No espectro de direita, parte da estratégia do PSD deve disputar apoios de grupos conservadores que não se alinharam a Bolsonaro em 2022. O ex-governador Romeu Zema (Novo-MG), por exemplo, insistiu em manter sua candidatura. O presidente do União Brasil , Antônio Rueda, divulgou nota sobre a saída de Caiado, desejando-lhe sucesso na nova etapa.

Pesquisas recentes testaram os pré-candidatos do PSD em cenários presidenciais. Um levantamento Datafolha divulgado em março de 2026 mostrou Lula (PT) liderando no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com os três nomes do PSD ainda atrás. Em um cenário restrito de Lula, Flávio, Ratinho, Caiado e Leite, o atual presidente atinge 41%, Flávio 18%, Ratinho 12%, Caiado 7% e Leite 3%. Outro levantamento do Datafolha, que incluiu outros possíveis postulantes à Presidência, indicou que Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado aparecem com índices ainda modestos de intenção de voto no primeiro turno, distantes dos principais nomes da disputa. Em outras pesquisas recentes, como as realizadas por institutos e veículos como Record/RTIB e AtlasIntel, o cenário se repete: os pré-candidatos associados ao PSD ou ao campo de centro-direita não conseguem, neste momento, consolidar uma base eleitoral capaz de rivalizar diretamente com os principais polos da corrida presidencial. Mesmo quando testados em simulações de segundo turno, os dados mostram variações, com Ratinho Jr. apresentando desempenho relativamente melhor dentro desse grupo. Ainda assim, o panorama geral das sondagens indica que esses nomes permanecem atrás tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do principal representante do campo bolsonarista.

Segundo a legislação eleitoral, os interessados em disputar o cargo devem cumprir prazo de desincompatibilização. Ou seja, Ratinho Jr., Leite e Caiado precisam deixar seus postos de governadores até o início de abril de 2026 . Todos os três já manifestaram disposição de se licenciar dos cargos para a campanha se forem oficializados como candidatos. Caiado, que enfrentou processo de inelegibilidade por abuso de poder nas eleições de 2024, teve sua condenação revertida em recurso e atualmente está elegível.

Não há impedimento constitucional para que Kassab escolha diretamente o candidato, já que o PSD não adota sistema de prévias obrigatórias. O partido deverá realizar convenção nacional até abril para oficializar o nome escolhido. Caso o partido decida não lançar candidato próprio (hipótese improvável segundo Kassab), poderia formar aliança, mas ele já declarou que considera viável apenas chapa pura. Outra implicação é que, caso qualquer dos pré-candidatos fique de fora, ele poderá optar por concorrer a cargos proporcionais ou auxiliar sua bancada nas eleições legislativas estaduais e federais, estratégia mencionada por Kassab como importante para montar palanques regionais.