A Assembleia dos Especialistas do Irã anunciou, no domingo (08), em Teerã, a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo da República Islâmica, após a morte do aiatolá Ali Khamenei, durante um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, no início da atual escalada militar no Oriente Médio.
Enquanto a sucessão não era definida, o Irã foi governado por um conselho temporário previsto na Constituição, composto por: presidente da República, chefe do Judiciário e um representante do Conselho dos Guardiões. Os três assumiram provisoriamente as funções do líder supremo sob o viés de garantir a continuidade do Estado iraniano durante o processo sucessório.
A decisão coube à Assembleia dos Especialistas, órgão constitucional formado por 88 clérigos xiitas responsável por nomear e supervisionar a principal autoridade política e religiosa do país. Pela Constituição iraniana, cabe a esse colegiado escolher um novo nome em caso de morte, renúncia ou incapacidade do ocupante do cargo.
O órgão foi convocado em caráter emergencial e sob forte esquema de segurança para acelerar o processo sucessório após a morte de Ali Khamenei. Em análise publicada pela agência Reuters, o pesquisador Alex Vatanka, do Middle East Institute, avaliou que a definição rápida foi considerada essencial pelo regime diante do atual contexto de guerra, instabilidade interna e pressão internacional.
Quem é Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo?
Aos 56 anos, Mojtaba Khamenei é um clérigo de médio escalão com formação religiosa na cidade de Qom e sem experiência política formal. Apesar disso, construiu influência nos bastidores do poder iraniano ao longo das últimas décadas, mantendo vínculos estreitos com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), um dos pilares do regime.
Alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos em 2019, ele era apontado há anos como possível sucessor do pai. Sua escolha, no entanto, é considerada controversa por representar uma transição direta de pai para filho, algo sensível em um sistema político que se consolidou após a Revolução Islâmica de 1979, com a derrubada de uma monarquia hereditária.
Analistas como Alex Vatanka, do Middle East Institute, em análise publicada pela agência Reuters, e Suzanne Maloney, do Brookings Institution, em avaliações institucionais repercutidas pela imprensa internacional, interpretaram a nomeação de Mojtaba Khamenei como um sinal de continuidade do regime e de fortalecimento da ala mais dura do poder iraniano. Líderes políticos iranianos declararam apoio imediato ao novo líder, entre eles o presidente Masoud Pezeshkian, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, além do comando da Guarda Revolucionária Islâmica, que prometeu lealdade à nova liderança.
“Essa valiosa escolha é uma manifestação da vontade da nação islâmica de consolidar a unidade nacional, uma unidade que tem sido a principal força do Irã diante das conspirações de seus inimigos”, afirmou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, segundo a Al Jazeera, com informações da Reuters e da AFP
Além disso, países aliados como Rússia e Teerã reconheceram a escolha, enquanto governos ocidentais manifestaram preocupação com a estabilidade regional e com o risco de uma escalada do conflito.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou, de última hora, a viagem ao Chile, onde participaria da cerimônia de posse do novo presidente do país, José Antonio Kast, realizada na quarta-feira (11) em Valparaíso. O Palácio do Planalto não apresentou justificativa oficial para o cancelamento, embora a viagem constasse na agenda presidencial e estivesse confirmada desde a semana anterior, conforme registro no site oficial da Presidência.
Com a ausência do presidente, o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que participou da cerimônia em nome do governo brasileiro.
Eleito em dezembro de 2025, José Antonio Kast assume o governo chileno após o fim do mandato de Gabriel Boric. De extrema direita, o novo presidente já teve divergências com Lula, mas ambos se reuniram em janeiro, no Panamá, para discutir temas como comércio e cooperação regional. A nova administração inaugura um mandato com possíveis repercussões em áreas sensíveis da relação bilateral, como política ambiental e integração regional. Segundo fontes próximas à Presidência, Lula deve retomar o diálogo com o governo chileno em ocasiões futuras, seja por meio de visitas oficiais, seja em encontros multilaterais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
A decisão repercutiu na imprensa internacional, que acompanha a postura do Brasil diante de governos de diferentes orientações políticas na região. Nos bastidores, interlocutores do Planalto indicam que o cancelamento da viagem pode estar relacionado ao convite feito por Kast ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para participação da cerimônia. O convite ao pré-candidato à Presidência da República e adversário político direto de Lula teria sido interpretada pelo Palácio do Planalto como um desrespeito e possível fator de “situação desconfortável”, o que teria pesado na decisão presidencial de não viajar.
Apesar do cancelamento da viagem presidencial, o governo brasileiro reiterou, por meio do Itamaraty, o interesse em manter e aprofundar as relações bilaterais com o Chile, consideradas estratégicas na América do Sul, independentemente da presença do presidente na solenidade. O Brasil é o maior parceiro comercial do Chile na América Latina. O Ministério das Relações Exteriores, no entanto, não divulgou nota específica sobre os motivos da decisão, limitando-se a informar que o Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira, em linha com os protocolos diplomáticos adotados em compromissos internacionais.
A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) entrou na Justiça contra o apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, depois de declarações consideradas transfóbicas feitas em rede nacional no Programa do Ratinho, exibido pelo SBT, na última quarta-feira (11).
O episódio ocorreu horas após a parlamentar assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
A indicação dela ocorreu por meio de um acordo entre líderes partidários que distribuíam o comando das comissões com base no tamanho das bancadas. Nessa decisão, o colegiado ficou com o PSOL, partido da deputada.
Entenda como foi a votação
Mesmo sendo uma eleição com chapa única, o processo acabou virando uma disputa. Parlamentares de partidos mais à direita, como PL e PP, organizaram um movimento para tentar impedir a eleição de Hilton. Em vez de lançar outro candidato, eles combinaram votar em branco para dificultar que a deputada alcançasse a maioria necessária.
No primeiro turno da votação, participaram 22 deputados. Hilton recebeu dez votos favoráveis, enquanto 12 parlamentares votaram em branco. Como o número de votos em branco foi maior, o resultado foi considerado inconclusivo e a eleição precisou ir para um segundo turno.
Na etapa seguinte, com um deputado a menos participando, o quórum caiu para 21 parlamentares. Nesse cenário, bastava maioria simples para vencer. Hilton acabou eleita por 11 votos a favor contra dez em branco, tornando-se a primeira mulher trans a presidir uma comissão permanente da casa.
A eleição foi seguida de críticas de parlamentares conservadores. Algumas deputadas afirmaram que Hilton não poderia representar as mulheres por não ter vivenciado experiências biológicas como gravidez ou menstruação.
Clarissa Tércio (PP-PE) afirmou que a presidência da comissão deveria ser ocupada por uma “mulher de fato”. Já Chris Tonietto (PL-RJ), afirmou que: “Não podemos concordar com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina”.
Em resposta, durante seu discurso de posse, a parlamentar ironizou esse argumento e afirmou que sua gestão trabalharia pela defesa de todas as mulheres, além de priorizar o combate à violência de gênero e ao discurso de ódio na internet.
Polêmica na TV
Na mesma noite, durante seu programa de televisão, Ratinho comentou a eleição e questionou a legitimidade de Hilton para ocupar o cargo.
No ar, ele afirmou que a deputada “não é mulher, é trans” e disse que, para ser mulher, seria necessário ter útero, menstruar e sentir a dor do parto.
As declarações repercutiram nas redes sociais e no meio político. No dia seguinte, Érika Hilton anunciou que processaria o apresentador.
Repercussão do caso
Em resposta pública, ela afirmou que a fala de Ratinho não atinge apenas pessoas trans, mas também mulheres cisgênero que não menstruam, que retiraram o útero por motivos de saúde ou que não podem ou não desejam ter filhos.
Foram apresentados pedidos ao Ministério das Comunicações para investigar o SBT por possível abuso na concessão pública de radiodifusão, incluindo a possibilidade de suspensão temporária do programa.
Além disso, representações foram encaminhadas ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) para apurar se houve crime de transfobia, que no Brasil é equiparado ao racismo.
Nesta sexta-feira (13), o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública pedindo indenização de R$10 milhões por danos morais coletivos.
Se a ação for aceita pela Justiça, o dinheiro seria destinado a fundos públicos e organizações de defesa dos direitos humanos. O órgão também pediu que o apresentador faça uma retratação pública no mesmo horário em que as declarações foram exibidas.
O SBT divulgou uma nota afirmando que repudia qualquer tipo de discriminação e que as falas de Ratinho não representam a posição da emissora.A presidente do SBT, Daniela Beyruti, chegou a telefonar para a deputada para pedir desculpas em nome da emissora.
Militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) realizaram uma manifestação em frente à sede da emissora, em Osasco, na região metropolitana de São Paulo.
Durante o protesto, manifestantes também pediram uma retratação pública do apresentador e defenderam que veículos de comunicação que operam por meio de concessão pública devem respeitar princípios constitucionais, como a dignidade humana e a proibição de discursos discriminatórios.
Ratinho, por sua vez, publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que não considera suas falas preconceituosas. Segundo ele, “crítica política não é preconceito” e jornalistas têm o direito de questionar autoridades públicas.
No último dia 2, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou uma nova série de propostas de regulamentação da inteligência artificial (IA) nas eleições, as quais foram aprovadas no dia seguinte junto ao calendário eleitoral oficial. O documento foi divulgado para o público no Diário de Justiça eletrônico e assinado pela presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, o vice-presidente, ministro Nunes Marques e o diretor-geral, ministro Ricardo de Oliveira Piazzi.
Fica especificado que a partir de 1 de outubro até 24 horas após a votação, é proibida toda e qualquer publicação e republicação de conteúdos modificados por IA que tenham relação com os candidatos ou pessoas públicas relacionadas às eleições. Além disso, se mantém a obrigatoriedade da rotulação explícita de conteúdos criados por meio dessa tecnologia na produção de propagandas.
Entre as 14 atas analisadas destaca-se: a proibição da propaganda política em provedores como ChatGPT, Copilot e Gemini, mesmo que requisitados pelo usuário a indicação de candidatos. Além da facilitação da acusação em casos de uso indevido dessas tecnologias, já que, caso o juiz considere necessário, será preciso que o acusado prove que não usou conteúdo manipulado ou gerado, mostrando provas claras da origem de seus materiais.
Este ano, o voto popular decidirá os ocupantes dos seguintes cargos: Deputados Federais e Estaduais, Senadores, Governadores e Presidente da República, juntamente com seus devidos vices. O primeiro turno ocorre no dia 4 de Outubro, com o segundo turno programado para o dia 25, caso se faça necessário.
O novo calendário eleitoral, junto com a revisão de regulamentações, seguem a nova onda de responsabilidade digital, que vem sendo seguida por diversos países. No Brasil, além do Marco Civil da Internet sancionado em 2014, mais recentemente a Lei Nº 15.325 que regulariza a responsabilidade de influenciadores por suas publicações e criações de conteúdo foi aprovada. Essa nova leva sobre inteligência artificial foca em criar caminhos para culpabilizar de forma clara o descompromisso com a verdade e com a legalidade da campanha eleitoral.
A eleição deste ano é considerada a primeira de fácil acesso geral a essas tecnologias, já que mesmo estando disponível há alguns anos, dados comprovam que seu uso se tornou comum no país a partir de 2024 com 54% da população já utilizando de ferramentas de IA Gerativa, segundo a pesquisa feita pela Ipsos. O acesso a essa tecnologia pode revolucionar a forma como o grande público geral consome sua propaganda.
Em 2022, a democracia sofreu um golpe grave, com o aumento no índice de notícias falsas., O estudo publicado pela NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostra que a média diária de notícias falsas ou duvidosas, aumentou em 311,5 mil no segundo turnos das eleições, sendo um aumento de 65% em relação ao primeiro.
Segundo o professor e pesquisador, Wilson Gomes, em declaração à Comissão Parlamentar de Inquérito das Fake News em 2019, um dos motivos para o avanço dessas notícias, seria o aumento crescente da extrema direita no Brasil e a polarização de posicionamentos políticos.
É esperado que a hiperconexão e atividade dos eleitores resultem em um espaço político ainda maior nas redes sociais e ambientes digitais, resultando em um espaço produtivo para Deep Fakes [manipulações falsas] e alterações de discurso, o que exigirá ainda mais atenção da população.
O Partido Social Democrático (PSD) prepara-se para lançar sua primeira chapa presidencial própria, com três pré-candidatos: o governador do Paraná, Ratinho Junior; o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; e o recém-filiado governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Fundado em 2011, o partido agora abriga três nomes interessados na vaga da presidência. Em 27 de janeiro de 2026, Caiado deixou o União Brasil e se filiou ao PSD, anunciando em vídeo que mantém sua pré-candidatura presidencial. Ele destacou ter sido “acolhido em um gesto de total desprendimento” no novo partido, afirmou não ver interesses pessoais conflitantes entre os concorrentes e disse que o nome escolhido terá o apoio unânime dos demais. Na ocasião, Gilberto Kassab declarou que Leite, Ratinho Jr. e Caiado passarão “a trabalhar juntos no PSD na busca de uma candidatura a presidente da República que traga um projeto para o futuro do nosso País”
No último dia 6, o governador Eduardo Leite oficializou sua pré-candidatura por meio de um “Manifesto ao Brasil” divulgado nas redes sociais. No texto de lançamento, Leite pregou por otimismo e inovação: “O Brasil pode ser um país estável em um mundo instável, pode ser potência em tecnologia, mas isso não acontecerá por inércia” e defendeu um “novo pacto pela governabilidade democrática”, criticando a excessiva judicialização da política. Leite buscou marcar diferenças em relação aos rivais, afirmando lamentar um país “dividido, fragmentado e excessivamente concentrado em disputas ideológicas”. Ele já havia deixado o PSDB em maio de 2025 para se filiar ao PSD, tornando-se um dos nomes disponíveis.
Ratinho Junior, filho do apresentador de televisão Ratinho, embora ainda não tenha feito uma cerimônia formal de lançamento, consolidou-se como pré-candidato ao Planalto. Em março ele chegou a afirmar publicamente que o partido deve definir “nos próximos dias” quem será a opção presidencial. Em entrevistas e eventos, Ratinho destacou que não se vê como “terceira via”, mas sim como “o candidato da direita democrática, da direita cidadã”, afirmando um projeto que combine eficiência estatal e atenção aos mais humildes. Em coletiva no dia 9, ao lado de Kassab, Leite e Caiado, na Associação Comercial de São Paulo, Ratinho reforçou que, independentemente de quem for escolhido, “a chapa a ser apresentada pelo PSD será ‘muito bem-vinda’ para a população”.
A decisão de Kassab de antecipar a escolha interna reflete a percepção de que o espaço para uma “terceira via” está se estreitando. Em 2025 Kassab chegou a apontar como opção inicial Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), mas o governador desistiu da corrida presidencial e preferiu buscar a reeleição no estado de São Paulo. Isso fortaleceu o trio do PSD como principais apostas da legenda. Kassab comentou que “quem tem três candidatos não tem nenhum” e por isso decidiu concentrar esforços em um só nome mais cedo. O partido não planeja prévias: o escolhido deverá ser aquele com melhor desempenho nas pesquisas e maior capacidade de articulação política junto a lideranças de centro e empresariais.
Uma pesquisa realizada pelo portal de notícias Terra aponta Ratinho Jr. na liderança entre os três nomes, mas todos ainda atrás de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. As reações no partido ressaltam o caráter “alternativo” à polarização Lula-Flávio, com foco em propostas de transparência e eficiência. A estratégia implica riscos de dispersão de votos, e o escolhido precisará consolidar apoio cedo para evitar o “efeito voto útil”.
No PSD, Kassab elogiou o projeto de lançar candidato próprio e classificou a decisão como “saudável e positiva”, argumentando que é preciso começar cedo para consolidar a alternativa à polarização. Entre os pré-candidatos, observa-se certa cortesia mútua: Leite e Ratinho afirmaram apoio ao escolhido, e Caiado garantiu que, se outro for indicado, trabalhará pela unidade do partido. O presidente do PSD chegou a dizer que essa chapa “reúne pessoas que pensam o Brasil” e concedeu que haverá “apoio dos demais” ao nome definido. Nenhum dos três insistiu em compor chapa com Bolsonaro; Ratinho Jr. chegou a descartar aliança com o PL neste momento, prevendo candidaturas próprias.
A notícia da filiação de Caiado e da movimentação de Leite e Ratinho despertou reações variadas. No campo governista, aliados de Lula minimizam a viabilidade eleitoral do PSD: veem a iniciativa como tentativa de evitar que o eleitor de centro migre para Bolsonaro, mas ressaltam que os governadores do PT seguem favoritos. No espectro de direita, parte da estratégia do PSD deve disputar apoios de grupos conservadores que não se alinharam a Bolsonaro em 2022. O ex-governador Romeu Zema (Novo-MG), por exemplo, insistiu em manter sua candidatura. O presidente do União Brasil , Antônio Rueda, divulgou nota sobre a saída de Caiado, desejando-lhe sucesso na nova etapa.
Pesquisas recentes testaram os pré-candidatos do PSD em cenários presidenciais. Um levantamento Datafolha divulgado em março de 2026 mostrou Lula (PT) liderando no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com os três nomes do PSD ainda atrás. Em um cenário restrito de Lula, Flávio, Ratinho, Caiado e Leite, o atual presidente atinge 41%, Flávio 18%, Ratinho 12%, Caiado 7% e Leite 3%. Outro levantamento do Datafolha, que incluiu outros possíveis postulantes à Presidência, indicou que Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado aparecem com índices ainda modestos de intenção de voto no primeiro turno, distantes dos principais nomes da disputa. Em outras pesquisas recentes, como as realizadas por institutos e veículos como Record/RTIB e AtlasIntel, o cenário se repete: os pré-candidatos associados ao PSD ou ao campo de centro-direita não conseguem, neste momento, consolidar uma base eleitoral capaz de rivalizar diretamente com os principais polos da corrida presidencial. Mesmo quando testados em simulações de segundo turno, os dados mostram variações, com Ratinho Jr. apresentando desempenho relativamente melhor dentro desse grupo. Ainda assim, o panorama geral das sondagens indica que esses nomes permanecem atrás tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do principal representante do campo bolsonarista.
Segundo a legislação eleitoral, os interessados em disputar o cargo devem cumprir prazo de desincompatibilização. Ou seja, Ratinho Jr., Leite e Caiado precisam deixar seus postos de governadores até o início de abril de 2026 . Todos os três já manifestaram disposição de se licenciar dos cargos para a campanha se forem oficializados como candidatos. Caiado, que enfrentou processo de inelegibilidade por abuso de poder nas eleições de 2024, teve sua condenação revertida em recurso e atualmente está elegível.
Não há impedimento constitucional para que Kassab escolha diretamente o candidato, já que o PSD não adota sistema de prévias obrigatórias. O partido deverá realizar convenção nacional até abril para oficializar o nome escolhido. Caso o partido decida não lançar candidato próprio (hipótese improvável segundo Kassab), poderia formar aliança, mas ele já declarou que considera viável apenas chapa pura. Outra implicação é que, caso qualquer dos pré-candidatos fique de fora, ele poderá optar por concorrer a cargos proporcionais ou auxiliar sua bancada nas eleições legislativas estaduais e federais, estratégia mencionada por Kassab como importante para montar palanques regionais.