Roupas que atravessam gerações, peças garimpadas em brechós e uma indústria que produz em ritmo acelerado mostram que repensar a moda passa pela relação com aquilo que já existe
por
Sophia Coccetrone
|
28/09/2026 - 12h

Por Sophia Coccetrone

 

Todos os dias, Sibelle Oliveira leva cerca de uma hora e meia para chegar ao seu brechó, na República, região central de São Paulo. Moradora do Jardim Peri, na zona norte da cidade, ela costuma fazer o trajeto de ônibus para economizar. No caminho, carrega sacolas e malas cheias de roupas que serão garimpadas, higienizadas, avaliadas e colocadas à venda no seu brechó. Aos 29 anos, divide a rotina entre o brechó, o trabalho como esteticista e possui sua carga de ensino técnico de Marketing. O negócio começou de outra maneira. No Brechó Vertical, prédio localizado na República que reúne diferentes brechós, ela inicialmente tentou desenvolver um espaço voltado à estética. Porém, a ideia não se sustentou sozinha. Foi então que decidiu transformar também sua relação com as roupas em trabalho e criou o Brecholezeiras.

Desde então, boa parte das tarefas fica por sua conta. É ela quem procura as peças, seleciona, higieniza, organiza, pensa na apresentação e atende as clientes. O trabalho acontece entre deslocamentos, estudos e outras atividades profissionais. Afirma que é um trabalho muito louco, e é para quem tem disposição.

Para chegar até ali, Sibelle precisa carregar fisicamente o próprio negócio em meio ao transporte público da cidade de São Paulo. “É assim que eu sigo lutando na correria para sustentar meu próprio negócio”.

A história de Sibelle revela uma das faces menos visíveis do consumo de segunda mão. Antes de uma peça chegar ao cabide de um brechó, existe uma série de escolhas, deslocamentos e trabalhos. E, depois que ela é vendida, sua história continua por mais algum tempo, agora no guarda-roupa de outra pessoa.

 

Brechós em São Paulo: veja 14 lojas para garimpar em SP - 04/10/2025 -  Passeios - Guia Folha

Corredor do Brechó Vertical - Imagem: Folha/UOL

 

Para Sibelle, vender roupas usadas não representa apenas uma alternativa de consumo. É também uma forma de trabalho e de construir uma identidade. A maior parte de suas clientes são mulheres próximas de sua idade, entre 20 e 30 anos, que procuram peças diferentes e, muitas vezes, encontram no brechó uma possibilidade de comprar produtos que seriam mais caros novos ou buscar mais alternativas para seu estilo pessoal. Ela afirma que geralmente quem consome muito de brechó, só vive de brechó.

A relação de Sibelle com as roupas também mudou a maneira como ela se veste. Ao passar boa parte dos dias procurando peças e pensando em quem poderia usar, ela começou a entender o garimpo não apenas como uma tarefa comercial, mas como uma forma de descobrir estilos e observar as diferentes maneiras pelas quais as pessoas constroem sua identidade.

Há também uma questão econômica. Para ela, comprar de segunda mão pode significar encontrar produtos de marcas conhecidas por valores mais acessíveis, além de peças antigas ou que já não são produzidas. Mas a escolha também está relacionada ao destino das roupas. Quando uma peça usada encontra uma nova dona, ela deixa de ser apenas algo que poderia ocupar espaço em um armário ou ser descartado. Passa a circular novamente. É uma lógica semelhante à da economia circular, em que produtos permanecem em uso por mais tempo antes de serem transformados em resíduos.

O professor Urbano Nobre, da PUC-SP, observa esse processo a partir da própria duração dos produtos. Para ele, uma das formas mais concretas de tornar o consumo mais consciente é fazer com que aquilo que já foi produzido permaneça em circulação por mais tempo.

 

“Uma das formas de você transformar de forma objetiva o consumo em algo consciente é você alongar a vida dos objetos, fazer com que o ciclo de produção e reprodução de consumo se alongue a três, quatro, cinco estágios.”

A experiência de Sibelle mostra esse prolongamento acontecendo na prática. Mas também evidencia que o consumo de segunda mão não elimina sozinho os problemas da indústria. Para que uma roupa chegue ao brechó, ela primeiro precisou ser produzida. E, enquanto novas peças continuam sendo fabricadas em grandes quantidades, o desafio permanece sendo diminuir a velocidade com que roupas entram e saem dos guarda-roupas.

Uma vida entre o tecidos e não-tecidos

Se Sibelle encontra novas histórias para roupas que já existem, Monika Debasa passou boa parte de sua trajetória pensando em como elas são produzidas. Professora de Moda da Faculdade Santa Marcelina e especialista em têxteis, Monika construiu sua carreira entre a indústria, a pesquisa e o ensino. Formada em Design pela FAAP, passou por diferentes experiências no setor têxtil, trabalhando com estamparia, padronagem, desenvolvimento de produtos e gestão.

Ainda no início da carreira, teve contato direto com o chão de fábrica durante um estágio na TDB Tecidos, empresa voltada à produção de malharia circular para beachwear e lingerie. Depois, atuou em Minas Gerais na área de algodão e desenvolveu uma coleção de estampas. Também trabalhou na Horizonte Têxtil, onde entrou em contato com pesquisas de tendências e chegou a administrar departamentos.

Foi nesse percurso que as questões relacionadas aos materiais e aos resíduos começaram a ganhar espaço em seu trabalho. Em 2009, Monika realizou testes com o Lonapet, tecido produzido a partir de garrafas recicladas de Guaraná Antártica. O material mantinha a cor verde das garrafas e também incorporava restos de fibras curtas de algodão a novos testes.

A experiência fazia parte de uma preocupação maior: entender que a sustentabilidade não começa depois que uma roupa é descartada. Ela também está presente na escolha das fibras, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça permanecer em uso. Monika diz que a estética é, frequentemente, o primeiro fator de atração. A funcionalidade, por sua vez, deve ser adaptada ao contexto de uso. Contudo, a durabilidade é o pilar central da sustentabilidade. Quanto mais duradoura uma peça, mais sustentável ela se torna.

Para ela uma roupa não pode ser considerada sustentável apenas porque foi produzida com determinado material. A fibra utilizada, a qualidade da fabricação, o conforto, a possibilidade de manutenção e até a maneira como a peça é lavada interferem em sua vida útil.

Essa perspectiva acompanha sua trajetória acadêmica. Depois da experiência na indústria, ela se especializou em moda e gestão e realizou mestrado na área de design têxtil na EACH-USP. A pesquisa e a prática profissional passaram a caminhar juntas, até que o ensino se tornou uma parte central de seu trabalho.

Do ativismo à sala de aula

A preocupação de Monika com a sustentabilidade também ultrapassa os processos industriais. Ela participa do Fashion Revolution, movimento internacional criado após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013, que matou mais de mil trabalhadores da indústria têxtil e colocou em evidência as condições de trabalho e produção do setor.

Como uma das embaixadoras brasileiras do movimento, Monika participa de ações voltadas à transparência, às condições de trabalho e à responsabilidade ambiental na moda. Ela costuma comparar o Fashion Revolution a uma espécie de “Greenpeace da moda”, justamente pela tentativa de aproximar questões ambientais e sociais do cotidiano da indústria.

A discussão também chega à Faculdade Santa Marcelina. Um exemplo é o “Setembro da Segunda Mão”, projeto de troca de roupas que incentiva os alunos a fazerem as peças circularem novamente. Na edição mais recente mencionada pela professora, 375 peças foram trocadas. A iniciativa parte de uma ideia simples: Monika gosta de reforçar que a melhor roupa é aquela que já existe.

É uma mudança de perspectiva que também aparece no trabalho de Sibelle. Enquanto Monika discute a durabilidade antes e durante a produção, Sibelle trabalha justamente no momento seguinte, quando a roupa poderia ser esquecida, acumulada ou descartada.

A roupa como trabalho

No cotidiano de um brechó, entretanto, prolongar a vida de uma peça não acontece de maneira automática. Sibelle precisa encontrar as roupas, transportá-las, selecionar o que pode ser vendido, higienizar cada peça, organizar o espaço, fotografar ou apresentar os produtos e conversar com as clientes, tudo sozinha. 

O esforço também aparece na maneira como Sibelle transforma sua própria rotina em expressão. Ela faz rimas de rap improvisado para retratar o trabalho e as situações que vive todos os dias, usando a música como uma maneira de registrar a experiência de manter um negócio próprio e se manter no "corre" do dia a dia.

O brechó, nesse sentido, está longe de ser apenas um espaço onde uma roupa usada muda de dono. Existe uma cadeia de trabalho por trás de cada peça que chega ao cabide. E existe também uma relação afetiva: alguém escolheu aquela roupa antes, alguém decidiu não descartar e outra pessoa agora encontrou nela uma nova oportunidade

O problema começa antes do descarte.

A trajetória de Sibelle acontece em contraste com um mercado de moda cada vez mais acelerado. Segundo dados citados pela CNN Brasil, a quantidade de peças de vestuário produzidas no mundo dobrou desde os anos 2000. No mesmo período, os consumidores passaram a comprar cerca de 60% mais roupas, mas a utilizá-las durante aproximadamente metade de sua vida útil. O problema, portanto, não está apenas no momento em que uma roupa vira lixo. Ele começa antes, na quantidade de peças produzidas, na velocidade com que são substituídas e na forma como o consumidor se relaciona com elas, além da forma do descarte que muitas vezes é irresponsável ambientalmente. 

A experiência de comprar uma roupa nova parece simples, mas envolve uma cadeia que passa pela obtenção da matéria-prima, produção, uso de água e energia, processos químicos, transporte, venda e, finalmente, descarte. É nesse intervalo entre produção e descarte que histórias como a de Sibelle ganham importância. Um brechó não interrompe a produção em larga escala, mas cria uma possibilidade para que algumas peças permaneçam em circulação.

Crescer sem ultrapassar os limites

A relação entre crescimento econômico e limites ambientais também é discutida pelo professor José Geraldo Portugal Júnior, vice-coordenador da FEA PUC-SP. A partir do conceito de Economia Donut, desenvolvido pela economista Kate Raworth, Portugal trabalha com a ideia de que uma sociedade precisa garantir condições mínimas de vida para as pessoas sem ultrapassar os limites ambientais do planeta.

Aplicada à indústria têxtil, essa perspectiva coloca a questão sobre como atender às necessidades de uma população crescente sem depender de uma produção cada vez maior de roupas que são utilizadas por períodos cada vez menores. A resposta não está apenas em trocar um tecido por outro. É preciso observar toda a cadeia e, principalmente, a quantidade de produtos colocados em circulação e o tempo que eles permanecem em uso.

Materiais alternativos, como fibras produzidas a partir do cânhamo, podem fazer parte dessa transformação, dependendo das condições de cultivo e processamento. Mas substituir uma matéria-prima não resolve por si só o problema de uma indústria baseada em produção e consumo acelerados.

A mudança também passa pela maneira como as marcas comunicam seus produtos. Em um mercado no qual a sustentabilidade ganhou valor comercial, existe o risco de que termos como “ecológico”, “consciente” ou “sustentável” sejam utilizados como estratégia de comunicação sem que mudanças correspondentes aconteçam nos processos produtivos. É o chamado greenwashing.

Por isso, a sustentabilidade não pode ficar restrita à publicidade. Ela precisa aparecer nas decisões sobre materiais, produção, qualidade, durabilidade, condições de trabalho e destino dos produtos.

A trajetória de Monika ajuda a mostrar essa diferença. Sua experiência com tecidos reciclados não ficou apenas na comunicação de uma ideia sustentável: envolveu pesquisa, testes e tentativa de encontrar usos para resíduos que normalmente seriam descartados. Já o trabalho de Sibelle acontece em outro lado. Seu negócio não precisa produzir uma nova peça para vender. Ele trabalha com aquilo que já existe e contribui para evitar que o descarte seja o fim inevitável de uma roupa.

Uma transformação que começa no que já existe

A sustentabilidade na indústria têxtil não depende de uma única solução. Ela envolve quem produz, quem cria, quem vende, quem comunica e quem compra. Mas as histórias de Monika e Sibelle mostram que a transformação também pode acontecer em escalas menores.

Monika passou décadas dentro da indústria e da academia investigando materiais, processos e maneiras de tornar as roupas mais duráveis. Hoje, leva essa experiência para a sala de aula e para o ativismo. Sibelle, por outro lado, construiu um negócio independente a partir das próprias dificuldades e descobriu no brechó uma maneira de trabalhar com roupas que já existem.

No fim, as duas trajetórias se encontram em uma ideia simples: uma roupa não precisa terminar sua história quando deixa de ser nova. Para Sibelle, essa história pode continuar no corpo de outra pessoa. Para Monika, ela começa na escolha de um tecido, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça resistir ao tempo.

Em uma indústria acostumada a transformar novidade em necessidade, talvez um dos maiores desafios seja justamente aprender a olhar para aquilo que já existe para que sustentabilidade não seja apenas consumir menos, mas fazer com que as roupas tenham tempo suficiente para cumprir mais de uma história antes de se tornarem descarte.

Estilista inicia nova fase independente após deixar a direção criativa da Versace
por
João Luiz Freitas
|
22/09/2026 - 12h

Donatella Versace está de volta ao comando criativo de uma marca. Nesta segunda-feira (21), durante a Semana de Moda de Milão, a estilista anunciou uma nova parceria com a Revolve, varejista global de moda e beleza, dando início a um projeto independente que irá reunir os universos da moda e da beleza.

Ainda sem nome revelado, a nova marca terá Donatella à frente da direção criativa. A primeira etapa do projeto será dedicada à beleza, enquanto a expansão para a moda acontecerá posteriormente. Os primeiros produtos estão previstos para chegar ao mercado em 2027. 

A parceria representa uma nova etapa na trajetória da estilista. Em março de 2025, Donatella deixou a direção criativa da Versace, função que ocupava desde 1997, após assumir o posto deixado por seu irmão, Gianni Versace. Desde então, permaneceu ligada à grife como embaixadora, enquanto Dario Vitale assumiu a direção criativa.

Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente
Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente - Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace

Agora, longe da casa que marcou quase três décadas de sua carreira, Donatella passa a construir uma identidade criativa própria. O projeto pretende transitar entre moda, beleza, cultura e entretenimento, enquanto a Revolve contribui com sua estrutura de comércio digital e alcance internacional.

A distribuição inicial está planejada para mercados como Estados Unidos, América Latina, Ásia-Pacífico e Oriente Médio. O nome da marca e os primeiros produtos ainda serão divulgados nos próximos meses.

Tags:
Com passagem por Miu Miu e Versace, designer tem a missão de renovar a marca sem deixar de lado os códigos construídos por Giorgio Armani
por
João Luiz Freitas
|
17/09/2026 - 12h

A Armani inicia uma nova fase da sua história com a chegada de Dario Vitale à direção criativa da Emporio Armani. Além do cargo, o designer também ficará responsável pela direção criativa dos acessórios Giorgio Armani. Anunciada nesta quarta-feira (16), a escolha representa uma mudança importante para a casa italiana, que, pela primeira vez, coloca um profissional de fora da família Armani em uma posição criativa de liderança.

A nomeação acontece um ano após a morte de Giorgio Armani, fundador da marca e responsável por construir uma das identidades mais reconhecíveis da moda italiana. Enquanto Silvana Armani e Leo Dell’orco permanecem ligados à direção criativa das coleções principais, Vitale chega especialmente à Emporio Armani, linha criada em 1981 com uma proposta mais jovem e experimental dentro do grupo.

A escolha também ganha força quando observada a trajetória do designer. Formado pelo Istituto Marangoni, em Milão, Vitale passou por nomes importantes da indústria italiana, incluindo Dsquared2 e Bottega Veneta, antes de chegar à Miu Miu em 2010. Durante aproximadamente 15 anos na marca, ocupou posições de destaque e chegou a comandar o design de ready-to-wear e a área de imagem.

Dario Vitale
Dario Vitale se torna o novo diretor criativo da Emporio Armani - Foto: Jeannette Montgomery Barron/Divulgação EA.

Em 2025, Vitale assumiu outro desafio histórico ao se tornar o primeiro profissional de fora da família Versace a ocupar a direção criativa da grife. Sua passagem, entretanto, durou apenas uma temporada. Depois da aquisição da Versace pelo grupo Prada, o designer deixou o cargo em dezembro do mesmo ano. Apesar do curto período, sua estreia foi apontada por veículos especializados como um dos momentos de destaque daquela temporada.

É justamente essa experiência que pode fazer diferença em sua chegada à Emporio Armani. Vitale carrega uma trajetória construída dentro de diferentes linguagens da moda italiana, passando pelo minimalismo e pela sofisticação da Miu Miu e chegando ao maximalismo e ao glamour historicamente associados à Versace. Para a Armani, essa bagagem pode representar uma oportunidade de aproximar a Emporio de uma geração mais jovem sem necessariamente romper com os códigos estabelecidos pela casa.

Seu primeiro grande teste à frente da Emporio Armani já tem data marcada: a coleção de verão 2027 será apresentada durante a semana de moda de Milão, em 24 de setembro. Será a partir dela que será possível observar como o designer pretende traduzir sua assinatura para o universo construído por Giorgio Armani.

Tags:
Patricia Bonaldi transforma a paisagem e a arquitetura dos jardins modernos em silhuetas, bordados e volumes que celebram a exuberância brasileira
por
João Luiz Freitas
|
16/09/2026 - 12h

A paisagem brasileira ganhou novas formas na passarela da New York Fashion Week nesta terça-feira (15). A PatBO, marca comandada pela estilista Patricia Bonaldi, apresentou sua coleção primavera/verão 2027 em Domino Square, em Williamsburg, no Brooklyn, levando para um dos principais calendários da moda internacional uma interpretação contemporânea de natureza e do paisagismo brasileiro.

Intitulada “Splendid Brazil”, a coleção parte de uma referência que vai além da representação literal da flora nacional. A inspiração está nos jardins modernos brasileiros e, principalmente, na maneira como paisagistas do período modernista organizaram a natureza para transformá-la em uma linguagem visual própria.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

“O ponto chave não é criar uma coleção sobre plantas, mas traduzir a maneira como eles organizaram a natureza”, explica Bonaldi, fundadora e diretora criativa da PatBO em vídeo disponibilizado no Instagram da marca.

A proposta aparece na passarela por meio de silhuetas orgânicas, volumes escultóricos, bordados botânicos abstratos, texturas e blocos de cores vibrantes. Em vez de simplesmente reproduzir flores e folhas nas roupas, a coleção transforma elementos da paisagem em construção de moda. Curvas são convertidas em recortes, volumes remetem a formas escultóricas e os ornamentos aparecem integrados à própria estrutura das peças.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

A referência à natureza também aparece nos trabalhos de superfície. Estampas florais combinadas com bordados e desenhos abstratos, enquanto algumas peças parecem transportar para o corpo a composição de um jardim. A intenção, segundo Bonaldi, é justamente fazer com que a paisagem deixe de ser apenas uma imagem e passe a funcionar como estrutura.

Model Board do desfile da PatBO
Model Board do desfile da PatBO - Foto: @jonatasjacque/Instagram

Ao levar essa interpretação para Nova Iorque, a PatBO reforça também o espaço que a moda brasileira vem buscando ocupar internacionalmente. No último dia da temporada primavera/verão 2027 da NYFW, a  marca colocou o artesanato, a exuberância e referências da arquitetura paisagística brasileira no centro da discussão, mostrando que a identidade brasileira pode ser ponto de partida para uma moda global.

Tags:
Na The Art of Loving Tour, a cantora britânica leva vestidos, brilhos, franjas e glamour aos palcos
por
Livia Vilela
|
17/08/2026 - 12h

Eu não sei você, mas eu queria ser amada como Simone Beyene ama Olivia Dean. É difícil assistir a um show da cantora britânica e não chegar a essa conclusão. Quando Olivia Dean sobe ao palco, os vestidos brilham, as franjas acompanham seus movimentos, as penas flutuam atrás dela e seu figurino se torna parte indispensável do show. Por trás dessa estética própria, está Simone Beyene, stylist responsável pela imagem da cantora desde o começo de sua carreira.

Aos 27 anos, Olivia Dean vive o melhor momento de sua trajetória profissional. Nascida em Londres, lançou seu álbum de estreia, Messy, em 2023. O disco apresentou ao público uma artista que mistura soul, jazz e pop com letras sobre amor, relacionamentos e amadurecimento, a partir do olhar de uma jovem mulher segura de si. Já em 2025, o segundo álbum, The Art of Loving, alavancou sua carreira. Com 12 faixas, o disco coloca o amor como tema central. Não apenas o romântico, mas também o amor-próprio, as amizades e as diferentes maneiras de se conectar com alguém. 

olivia dean vestido plumas
Vestido de plumas Self-Portrait para a turnê Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano 

Foi o The Art of Loving que também marcou sua entrada definitiva no mainstream. “Man I Need” se tornou seu maior sucesso, enquanto “Nice To Each Other” e “So Easy (To Fall In Love)” ajudaram a estabelecer a sonoridade dessa nova era. O reconhecimento veio rápido. Em fevereiro de 2026, Olivia Dean venceu o Grammy de Artista Revelação, consolidando uma ascensão que, até pouco tempo antes, acontecia de maneira mais silenciosa.

Agora, essa nova dimensão da carreira chega aos palcos com a The Art of Loving Tour, sua primeira grande turnê de arenas como atração principal. A estreia aconteceu em Glasgow, no Reino Unido, em abril de 2026, em um espetáculo que reúne músicas de seus dois álbuns. Depois de se apaixonar pelas músicas, os fãs agora encontram outro motivo para se encantar: o estilo da Olivia, que ganha cada vez mais destaque a cada apresentação. 

olivia dean conjunto branco
Conjunto de top com saia Chanel para a The Art of Loving Tour Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano

Nesse caso, os figurinos não seguem os padrões convencionais de uma estrela pop contemporânea. Não há uma dependência de bodysuits, figurinos performáticos ou produções cenográficas típicas de grandes estrelas pop. Em seu lugar aparecem vestidos de festa, tecidos fluidos, silhuetas femininas e uma estética vintage. Algumas produções são delicadas, outras são completamente cobertas por brilho. É justamente essa combinação que torna o seu estilo tão particular. 

Se os figurinos da turnê parecem tão naturais nela, é porque essa estética não começou com a turnê. Simone Beyene construiu ao lado da cantora uma imagem marcada pela experimentação, glamour e principalmente pela diversão. Fora dos palcos, essa mesma identidade aparece de uma maneira mais descomplicada, dando forma ao seu chamado "effortless glamour".

olivia dean vestido amarelo de franjas
Vestido amarelo de franjas Alaïa feito para a turnê Foto: Reprodução/ Instagram @oliviadeano 

A seleção da turnê reúne marcas como Chanel, Jacquemus, Gucci, Coperni, Self-Portrait e Alaïa. A criação dos figurinos partiu de uma referência clara nas grandes divas. O moodboard trazia nomes como: Tina Turner, Cher, Diana Ross e Josephine Baker, além da estética das décadas de 1960 e 1970. A proposta era levar o conceito de party dress, o vestido de festa, ao extremo, incorporando o brilho de Tina e Cher, a teatralidade de Diana Ross e a presença cênica de Josephine Baker.

O estilo de Olivia Dean parece nascer naturalmente de quem ela é. Suas escolhas traduzem uma imagem feminina, elegante e contemporânea que acompanha a evolução de sua música sem competir com ela. No fim, acompanhar Olivia Dean também é prestar atenção no que ela veste e aproveitar o estilo que se tornou parte de sua experiência como artista. 

Talvez essa seja a verdadeira força da imagem da cantora. Tudo parece ter sido escolhido para que ela continue contando a própria história. A roupa deixa de ser apenas roupa e passa a fazer parte da narrativa. No fim, a The Art of Loving Tour transforma o amor em música e a música em espetáculo. E, nos figurinos, Olivia encontra mais uma forma de mostrar ao público quem é. 

Tags:
Em ambientação punk com sonoridade de festa, Donatella Versace apresenta nova coleção com o DNA da casa
por
Helena Costa Haddad
|
06/03/2025 - 12h

Em uma ode à tradição ousada da família Versace, a mais nova coleção de Inverno 2025 da casa adentra a semana de moda italiana de forma teatral: a passarela é estrelada  por peças acolchoadas e detalhes agressivamente  “punks".  Acessórios pesados e saltos de spikes chamam a atenção, ao mesmo tempo em que contrastam com  indumentárias mais coladas ao corpo e estampadas. 

vestido acolchoado
Foto/Reprodução: WWD

Partindo  da clássica alfaiataria sexy e elegante, a diretora criativa Donatella Versace, brinca com cores fortes, geometria ousadas e estampas divertidas, trazendo o animal print em peças e acessórios. Fica evidente, em sincronia com a marcha sensual na passarela - característica das modelos escolhidas pessoalmente pela herdeira do império italiano - que a diversão e provocação andam lado a lado no universo da moda, e estão cada vez mais perto de seu aguardado comeback.  

Mais uma vez, o uso de dourado e azul nas roupas relembra os anos 2010. Peças estilo bandage e vestidos curtos também aparecem no desfile, seguindo o conceito balada. 

alfaiataria com detalhes geometricos e azuis
Foto/Reprodução: WWD

O ponto alto da noite foi o metalizado, aparecendo em corsets, saias e vestidos. 

Donatella novamente  faz referência ao arquivo da marca e homenageia os anos 90 e a era de consagração como estilista de seu irmão, Gianni Versace. Vestidos longos de metais dourados e pratas, dignos de tapete vermelho, foram os mais comentados pelo público. 

vestido prata referenciando peça de arquivo
Foto/Reprodução: WWD

Finalizando a apresentação ao som do mais novo hit de Lady Gaga “Abracadabra”, incríveis vestidos minis de formatos orgânicos completaram o formato, quase caricato, de nostalgia da década passada. Em verdadeira homenagem ao lifestyle de noites a fio em festas, as modelos aparecem com uma beleza carregada: maquiagem escura nos olhos e cabelos propositalmente despenteados.  Apesar da estética trash,  looks de veludo preto, de caráter historicamente elegante , também fizeram parte da coleção. 

Donatella, como de costume , honrou  seu nome - e a história que ele carrega -  e entregou ao seu público muito glamour, poder e sensualidade. Seria essa coleção, super nostálgica, um possível adeus da direção criativa? O questionamento surge após boatos percorrerem a indústria de uma possível venda dos negócios para o grupo Prada, outro magnata no ramo italiano Marcando um ponto final na direção de Donatella, e da família Versace. O que fica de concreto do espetáculo em Milão é a clara força que o DNA estético proposto por Gianni ainda exerce no contexto atual, o que deixará, em uma possível compra, sapatos muitos difíceis de serem calçados por qualquer forasteiro que se aventurar.   

vestido de veludo preto
Foto/Reprodução: WWD

 

Tags:
Na nova coleção, Miuccia Prada e Raf Simons invocam o glamour cru como uma forma de representar a mulher moderna
por
Bruna Quirino Alves
|
28/02/2025 - 12h

A Prada apresentou sua nova coleção de outono-inverno na Semana de Moda de Milão nesta quinta-feira (27/02). O conceito do desfile “Raw Glamour”, vem para provocar uma discussão acerca do que é o ideal feminino e, mais do que isso, afrontar uma versão de feminilidade já considerada antiquada. 

Modelo desfilando com suéter vermelho
Prada FW25. Fonte: Courtesy of Prada 

 

Miuccia Prada, diretora criativa da casa, entende que a moda deve acompanhar a vivência da mulher contemporânea e o desfile incorporou esse conceito. A coleção reflete a mulher moderna trazendo um estilo mais sóbrio e corporativo, que prioriza o conforto e a funcionalidade acima da estética. 

As peças apresentam uma paleta de cores mais neutra, com destaque para tons terrosos que remetem à cor oficial do ano segundo a Pantone: a Mocha Mousse, um marrom quente que lembra o chocolate. 

A atmosfera do desfile é definida por contradição de conceitos. A estrutura com andaimes de metal apresenta uma ambientação quase industrial, de maneira a ser contraposta com a sofisticação do carpete floral no estilo Art Noveau, feito pela designer Catherin Martin. 

Esse visual dicotômico traça um paralelo com as peças e evidencia como a feminilidade é uma percepção complexa e plural. 

 

Modelo
Prada FW25. Fonte: Courtesy of Prada

 

O desfile traz de volta os “statement necklaces”- colares maximalistas que viraram tendência em 2015. Além disso, os óculos de “bibliotecária" também marcam presença, garantindo a continuação da febre que ressurgiu com a popularização de uma armação redonda, da também italiana Miu Miu, registrando em fontes garrafais  o retorno do acessório clássico dos anos 90 e 2000.

A modelagem das peças brinca com diferentes tamanhos, proporções, cortes e materiais, com o intuito de trazer um sentimento de  estranhamento e redefinir a funcionalidade da própria roupa. Vestidos, planejados com a essência da feminilidade desde sua criação, apresentam silhuetas diversas, costuras à mostra, não acentuam as curvas e são usados de formas diferentes do que se é esperado. 

A caracterização das modelos com cabelos despenteados e por dentro dos colares, de uma maneira que teatralmente transmitia pressa, desafiam as normas e trazem o ar mais autêntico de uma mulher que saiu de casa atrasada para o trabalho. 

 

Modelo desfilando usando um vestido preto
Prada FW25. Fonte: Courtesy of Prada


Nota-se que a Prada, assim como todas as mulheres, está em constante evolução - e não há limites para o que ela pode fazer.  

 

Tags:
Atual diretor criativo, Daniel Lee, convidou o público a vivenciar a aristocracia boemia do final do século passado
por
João Luiz Freitas Souza
|
27/02/2025 - 12h

“Fugitivos do Final de Semana” é uma expressão que se refere a um grupo de pessoas da alta sociedade de Londres que, tradicionalmente, deixa a cidade nos finais de semana para buscar refúgio no campo e tentar de alguma forma se “reconectar” com a natureza. Foi baseado nessa utopia que Daniel Lee, diretor criativo da Burberry, criou a última coleção Inverno 2025 apresentada nesta edição da Semana de Moda de Londres.

E para complementar a estética  da alta sociedade londrina, o casting do desfile contou com uma lista de personalidades britânicas, como o ator Richard E. Grant, as modelos Naomi Campbell e Karen Elson, entre outras.

Naomi Campbell desfilando para Burberry vestindo um vestido roxo
Desfile da Burberry de inverno, 2025 - Foto: Launchmetrics Spotlight

Lee criou uma conexão entre o estilo clássico, sem deixar de lado aspectos modernos e, de certa forma, extravagantes.

A moda surpreendeu ao transformar os desenhos clássicos de papéis de parede de mansões antigas em estampas para peças de alfaiataria, traduzidos em veludo brocado. Os famosos casacos da marca, agora em couro, foram combinados com pijamas de seda, criando um visual moderno e confortável. O desfile atraiu muitos famosos para a primeira fila da plateia, como Geri Halliwell e Kim Cattral, mas a verdadeira estrela da noite foi o inusitado cavaleiro com armadura, que se tornou a sensação do evento.

Cavaleiro de armadura que estava presente no desfile
Cavaleiro de armadura que estava presente no desfile, 2025 - Foto: Drew Vickers

Daniel Lee usou cores terrosas, como marrons, laranjas e tons de bege, para remeter à natureza e ao campo, ao mesmo tempo que manteve a presença do azul elétrico, destaque da marca. Além do veludo brocado, a coleção também contou com outros tecidos luxuosos, como a seda, o couro e a lã, que evidenciam a qualidade e o requinte das peças.

As capas usadas como acessórios, agora, ganharam a textura do tricô em casamento espontâneo com estrutura do trench coat, resultando em peças que evocam tanto o conforto do lar quanto a elegância urbana. A proposta estética reside na fusão de referências tradicionais e familiares com elementos de funcionalidade e inovação. Os acessórios, em particular o calçado, destacam-se como síntese dessa narrativa, onde a herança cultural se encontra com a contemporaneidade.

Modelo desfilando para Burberry com um vestido branco com glitter e com um cachecol
Desfile da Burberry de inverno, 2025 - Foto: Launchmetrics Spotlight

 

Tags:
Xadrez repaginado, rendas românticas e beleza ousada marcaram a temporada outono/inverno 2025 na capital britânica
por
Nina Januzzi da Gloria
|
27/02/2025 - 12h

Dos dias 20 a 24 de fevereiro aconteceu a tradicional Semana de Moda de Londres, que apresentou as coleções outono/inverno para 2025. O evento se destacou por uma fusão de inovação e criatividade, abordando desde temas tradicionais britânicos até críticas sociais contemporâneas.

Nas passarelas, essa mistura de contrapontos  foi traduzida para  tendências marcantes, com designers apostando em silhuetas estruturadas, texturas inesperadas e uma paleta de cores que variou entre tons sóbrios e vibrantes. Além disso, rendas românticas, luvas e recortes estratégicos apareceram em diversas coleções, mostrando diversas facetas que iam desde o delicado até algo mais moderno e sensual.

Os principais destaques foram:

Burberry

Sob a direção criativa de Daniel Lee, a marca apresentou uma coleção inspirada em elementos ingleses clássicos, como tapeçarias e outerwear em tons ricos (peças de vestuário externas). Para reforçar ainda mais a conexão com a cultura britânica, o desfile foi realizado no Tate Britain.

Homenagem as ruas londrinas Foto: Burberry

A coleção de Daniel Lee para a Burberry conseguiu equilibrar com maestria o urbano e o campestre, refletindo a alma da marca e sua forte herança britânica. Ao misturar referências tradicionais com um olhar moderno, Lee criou peças que exaltam a dualidade entre o clássico e o contemporâneo, reafirmando o lugar único da Burberry no panorama da moda global.

O xadrez ficou em evidência, sendo amplamente explorado através de peças que combinavam elementos tradicionais britânicos com toques contemporâneos.

Simone Rocha

Conhecida por sua estética que mescla a beleza  romântica e o enfastiado sentimento punk, a grife apresentou peças que exploravam a dualidade entre graciosidade  e rebeldia, com looks que combinavam rendas e silhuetas estruturadas.

Inspirada na fábula A Tartaruga e a Lebre, Simone Rocha resgatou memórias da infância e as traduziu em peças lúdicas e sofisticadas, apresentando bolsas em formato de coelho e cintos adornados com cadeados de bicicleta, detalhes que reforçaram a fusão entre nostalgia e rebeldia em sua coleção.

Resgatando elementos de suas coleções anteriores, Simone Rocha os reinterpretou sob uma nova ótica, criando um diálogo entre passado e presente. A dualidade, característica marcante de sua estética, ganhou forma na justaposição de materiais contrastantes, como o tule etéreo e o couro estruturado, resultando em uma harmonia entre delicadeza e força.

Mistura entre romantismo e punk Foto: Kat Granger

Harris Reed

A marca abriu a semana de moda, desfilando uma coleção glamurosa, ao mesmo tempo  que reforçava temas de expressão pessoal e liberdade individual. Seu desfile destacou-se pela fusão de drama e elegância, apresentando silhuetas ousadas e detalhes intrincados.

As criações combinaram referências góticas e românticas, destacando tecidos transparentes, corsets estruturados e acessórios dourados, elementos que reafirmam a identidade singular da marca.

Florence Pugh abriu o desfile no Tate Britain em um vestido escultural preto transparente, com capuz e detalhes curvilíneos. Ao som de Nothing Else Matters, recitou um monólogo intenso, amplificando a aura dramática da apresentação.

Foto: Courtesy of Harris Reed

Já na beleza, a ousadia e a experimentação dominaram as passarelas. As sobrancelhas decoradas com pedrarias trouxeram um toque de brilho inesperado, transformando o olhar em um verdadeiro acessório. No desfile de Dilara Findikoglu, a estética gótica ganhou força com peles pálidas, sobrancelhas apagadas e tatuagens faciais, criando um visual misterioso e dramático. Nos cabelos, o volume e a textura foram protagonistas, trazendo um ar despojado e poderoso às produções. Para equilibrar, os lábios surgiram em tons neutros, reforçando a tendência de uma maquiagem mais natural e sofisticada.

Sobrancelha com pedraria  Foto: Vogue

Além de reafirmar o papel da Semana de Moda de Londres como um espaço de inovação e experimentação, as  tendências apresentadas apontam para um futuro onde a moda se torna cada vez mais um reflexo da identidade e das narrativas culturais. Seja resgatando referências tradicionais britânicas ou ousando em novas abordagens estéticas, os designers mostraram que a moda outono/inverno 2025 será marcada por contrastes sofisticados, liberdade criativa e um olhar atento para a individualidade. Com essas apostas, Londres mais uma vez se consolida como um dos epicentros da moda global, inspirando não apenas as passarelas, mas também o street style e a indústria como um todo.

 

 

Tags:
Com o fim próximo da temporada de premiações, grandes nomes de Hollywood desfilam pelo tapete vermelho em Los Angeles
por
João Luiz Freitas Souza
|
27/02/2025 - 12h

A um fim de semana de distância do aguardado dia do Oscar, a temporada de premiações, igualmente relevantes, como o Golden Globe Awards, o Critics Choice Movie Awards, o BAFTA e o SAG Awards, servem como termômetro, tanto para nomeações, quanto para os visuais escolhidos pelas estrelas. 

Na noite de domingo (25/01), além de reconhecer as melhores produções e atuações do cinema, o Screen Actors Guild Awards (SAG) exemplificou como essas premiações também têm um papel significativo no mundo da moda. Os artistas que desfilam pelo tapete vermelho aproveitam a ocasião para se expressar por meio de seus looks, que podem seguir um conceito clássico, contemporâneo, maximalista ou minimalista, sempre alinhados à sua imagem pessoal.

Nesta edição de 2025, um detalhe chamou a atenção: além do fato de os vencedores das cinco categorias principais pertencerem a filmes distintos, algumas escolhas de figurino se destacaram pelo conceito por trás do estético. Entre os inúmeros visuais memoráveis da noite, cinco looks fizeram mais sucesso com o público.

Ariana Grande

Ariana Grande usando um vestido cor-de-rosa e florido da marca Loweve
Ariana Grande na premiação SAG, 2025 - Foto: Getty Images

Ariana Grande escolheu um vestido da Loewe, inspirado na coleção Primavera/Verão 2025, que explorou o uso de estampas florais e penas. Para complementar o look, a cantora apostou em um colar de diamantes no estilo choker, acompanhado por um par de brincos e um anel, todos harmoniosamente combinados. As joias, assinadas pelo Jared Atelier, acrescentaram um toque de sofisticação à produção.

Para finalizar a composição, a cantora e atriz trouxe de volta seu icônico rabo de cavalo, um penteado que marcou sua trajetória na indústria da música, mas desta vez em uma versão mais refinada e elegante.

Além disso, o rosa mais uma vez se destacou em seu visual, em uma clara referência ao papel de Glinda no filme Wicked — personagem que, na maior parte do tempo, é vista vestindo essa tonalidade.

 

Anna Sawai

Anna Sawai usando um vestido vermelho e preto com glitter
 Anna Sawai na premiação SAG, 2025 - Foto: WWD

Anna apostou em um deslumbrante vestido da Armani Privé, cuja proposta trouxe um detalhe surpreendente: de frente, a peça parecia um elegante vestido vermelho coberto de glitter, mas, à medida que a atriz caminhava pelo tapete vermelho, uma fenda na altura da panturrilha se revelava, destacando ainda mais a sofisticada sandália plataforma da Christian Louboutin. Assim como sua personagem na série Shōgun, o vestido apresentava um verdadeiro plot twist. Para finalizar o look, joias da Cartier foram adicionadas, elevando ainda mais a elegância da produção.

Em entrevista à Entertainment Tonight, Anna revelou que sua escolha foi totalmente inspirada em sua personagem, Lady Mariko. “É uma cor poderosa e significativa para o papel que interpretei”, afirmou a atriz.

 

Cynthia Erivo

Cynthia Erivo usando um vestido prata
Cynthia Erivo na premiação SAG, 2025 - Foto: Getty Images

Cynthia Erivo, destaque em Wicked, desfilou pelo tapete vermelho em um vestido da Givenchy. O modelo possui afeto dos amantes de moda por ser uma peça rara pertencente  à coleção de outono de 1997, assinada por Alexander McQueen.

Essa coleção é amplamente reconhecida por sua abordagem instigante e pela forte influência de diferentes culturas, como a espanhola, a japonesa e a escocesa. Em uma entrevista à revista Numéro, em 2002, McQueen descreveu a coleção como “um cientista maluco que cortou todas essas mulheres e as misturou novamente”. O vestido usado por Cynthia é feito de ráfia tecida folheada à prata, um elemento que reforça o caráter experimental e inovador da peça.

Vestido prata sendo desfilado pela Givenchy em 1997
Givenchy Fall 1997 Haute Couture by Alexander McQueen - Foto: Getty Images

A maquiagem e as joias da atriz foram cuidadosamente escolhidas para complementar o vestido, mantendo a prata como tom predominante. No entanto, pequenos detalhes foram adicionados para homenagear sua personagem em Wicked, Elphaba. Toques sutis de verde apareceram em suas unhas, assim como em anéis verdes e amarelos, criando uma conexão delicada, porém significativa, com o papel que interpreta no filme.

 

Keke Palmer

Keke Palmer usando um vestido preto de veludo com um detalhe dourado
Keke Palmer na premiação SAG, 2025 - Foto: Getty Images

Keke Palmer, a talentosa atriz conhecida por seus papéis em diversos filmes, brilhou no tapete vermelho ao usar um vestido de veludo preto do acervo da Chanel, datado de 1985. A peça, que já havia sido usada por Jamie Lee Curtis há 40 anos, exala um charme atemporal.

O vestido, aparentemente simples, carrega um valor histórico significativo por ter sido resgatado após décadas. Para complementar o visual, a stylist Molly Dickson optou por brincos discretos, permitindo que o detalhe dourado do vestido se destacasse. A maquiagem de Keke Palmer, inspirada no glamour da antiga Hollywood, completou o look com um batom vermelho matte e um delineado gatinho clássico. A combinação perfeita de elementos vintage e contemporâneos rendeu elogios à atriz.

 

Mikey Madison

Mikey Madison usando um vestido prata da Louis Vuitton
Mikey Madison na premiação SAG, 2025 - Foto: Getty Images

A estrela em ascensão Mikey Madison desfilou no tapete vermelho com um vestido Louis Vuitton metálico e estruturado, que realçava sua cintura. A peça, sem mangas, chamou a atenção pela sofisticação e design moderno. Para complementar o look, Mikey usou um colar e um anel do acervo da Tiffany & Co., adicionando um toque de elegância clássica.

A maquiagem escolhida foi leve, com pele natural e olhos discretos. O destaque ficou por conta do batom vermelho vibrante, que harmonizou perfeitamente com o vestido e as joias.

Tags: