Entenda como o setor de vestuário pode ser impactado pelo avanço das IAG
por
Rafael Pessoa
Annick Borges
Davi Madi
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09/06/2026 - 12h

Neste podcast buscamos falar sobre o futuro da moda. Para isso, conversamos com Maria Rita Castro, analista de sistemas e graduada em Moda e Gestão de Marketing, que compartilhou sua visão sobre os rumos da indústria diante do avanço das inteligências artificiais generativas. Ao longo da conversa, procuramos entender como a inteligência artificial generativa (IAG) pode impactar a criação, a produção e os empregos no setor da moda, além dos desafios e oportunidades que essa tecnologia traz para profissionais e empresas. O programa é acompanhado pela música "All By Myself", da banda Whilk & Misky, em versão remix. (Imagem de capa: gerada por IA)

Confira o programa no link

 

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Após pausa em abril Closetarquive retoma vendas em sua página
por
Gabriel Marx Giannini
Pedro Timm
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08/06/2026 - 12h

Na terça feira (19/05), a curadoria Fashion Closetarquive voltou à tona com novas roupas publicadas. Criada em fevereiro de 2026, a loja ganhou destaque com peças raras e exclusivas, dificilmente encontradas no Brasil. Após um começo empolgante, a página ficou parada por mais de um mês, retomando as atividades em maio.  O Closet é uma curadoria de peças de roupas principalmente já usadas, surgindo pela paixão de três amigos em moda, que queriam usar o dinheiro das vendas para reforçar ainda mais seus armários. Porém, a ideia deu muito certo e hoje o que era para ser um hobby, tornou-se o grande negócio dos três idealizadores. No começo as vendas eram para amigos e famílias, e hoje tem compradores no Brasil inteiro.  

A empolgação do público-alvo parte do ótimo trabalho de campo dos donos da página, que buscam as peças nos lugares mais diversos de São Paulo, desde salinhas escondidas na República, até fornecedores brasileiros no Japão. Para ter contato com diferentes vendedores, os criadores tiveram que passar meses se relacionando com os mais diversos nichos ligados ao Fashion, seja o movimento Punk, o Trap, o Rap entre outros. Essa identificação com o Closet, vai além da escolha das peças. A curadoria se destaca também com a estética da página no Instagram (@closetarquive), publicações com designs punks para catalogar as peças, e músicas pertencentes aos nichos consumidores. Esses aspectos são parte da experiencia que os criadores proporcionam para os compradores, trazendo um sentimento de pertencimento a cultura. 

Essa forma de aproximar o comprador é um dos diferenciais da página. Enrico Baruzzi, sócio do Closet, em entrevista à AGEMT, explica: "a gente acredita que o nosso “second hand” vai trazer a sensação de pertencimento para aquelas pessoas que querem consumir nosso produto através de reconhecimento, então quando a gente está apresentando nossas peças tentamos ao máximo apresentar um ecossistema que a gente introduzindo aquele consumidor. Então a música que está ali naquele produto a gente coloca algo condizente com aquela temática que a gente daquele passar até o próprio design de como a peça é anunciada pensando nisso”, diz.  

A página ficou parada por um mês, devido à dificuldade de estoque, para desespero dos clientes, e Pedro Bruni, também sócio explica: “Tivemos um mês de pausa porque as peças demoram pra rotacionar, o que a gente vem tentando fazer é agora, temos um estoque de peças fixas que são peças com valor mais caro, que são nossas peças chefe, além disso a gente tem que ter peças de uso diário para rotacionar os posts semanalmente. Aí quando vende uma dessas peças grandes a gente consegue comprar várias peças pequenas, mas quando sai só peças pequenas aí fica mais difícil, às vezes tem que parar, segurar um pouco estoque para conseguir seguir o planejamento mensal de publicações”, desabafa Bruni. 

A página pretende manter o padrão, post semanais de 3 a 6 peças, tentando evitar o problema de abril. No primeiro lançamento da volta, em 2 dias, 4 das 6 peças foram vendidas, e se continuar nesse ritmo os donos pretendem mudar as formas de venda “se o pessoal continuar comprando... vai ter uma surpresa no segundo semestre”, diz Baruzzi. 

Na segunda metade deste ano, a meta da curadoria é caminhar para venda presencial, tentando ter mais contatos com os públicos do nicho, a ideia é fazer vendas em garagens com data específica, trazendo a estética de banda de rock. Porém tudo depende da vontade dos compradores e do tamanho que a página vai ter até lá, por enquanto a página vem crescendo nas redes, e se destacando pela estética única apresentada, conquistando compradores a cada dia.  

 

foto/reprodução :texto apresentação do Closetarquive
foto/reprodução: texto apresentação da curadoria 

 

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Evento reuniu marcas, experiências interativas com testagem de produtos e distribuição de brindes
por
Laura Vieira
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03/06/2026 - 12h

O festival que acontece anualmente na capital de São Paulo trouxe o universo do K-pop para a edição deste ano. Localizado na Avenida Paulista, trinta marcas de produtos sul-coreanos estiveram presentes entre os dias 22 e 24 de maio, realizando demonstrações, apresentando novidades do mercado e distribuindo amostras. Para participar da dinâmica, o visitante precisava apenas fazer um breve cadastro com nome e CPF, ao chegar na recepção do local. A ativação gratuita ganhou espaço no Centro Cultural Coreano para aproximar o público da K-beauty.

A K-beauty é uma sigla para Korean Beauty ou 'beleza coreana’, em tradução literal. Com a popularização da cultura sul-coreana, a busca por rotinas de skincare cresceu significativamente entre os brasileiros. A moda começou em 2010, mas ganhou impulso a partir de 2018 com o sucesso de K-dramas e grupos de K-pop, que despertaram a curiosidade sobre os cuidados para ter a pele hidratada, uniforme e com brilho natural, chamada de efeito glass skin.

O que torna a skincare coreana atrativa para os brasileiros é a diferença entre os cuidados com a pele. Em vez de focar na correção, ela busca a prevenção dos danos a longo prazo. Os dermocosméticos possuem ingredientes naturais que entregam o efeito desejado sem agressividade, além de possuírem um preço mais acessível. Entre eles, estão ingredientes como a mucina de caracol, centelha asiática, niacinamida, chá verde e peptídeos que entregam fórmulas leves, eficazes e funcionais. 

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Exposição de produtos sul-coreanos de skincare acessível ao grande público Foto: Laura Vieira/AGEMT

Nos estandes das marcas, representantes auxiliavam os visitantes a entender não apenas o conteúdo e a proposta dos cosméticos disponíveis, mas também quais itens eram mais adequados para cada tipo de pele. Essa interação alcançou também os especialistas da área da estética que buscavam novidades do mercado para seus clientes. 

Representando a Myuri, curadoria que traz produtos da marca Nine Tails para o Brasil, Roberta Uyara disse à AGEMT que a presença na Virada Cultural foi uma experiência positiva tanto para a marca quanto para o público. “Tivemos conversas muito interessantes sobre cuidados com a pele, ingredientes e diferentes necessidades dos consumidores, além de apresentar a Nine Tails e tecnologias que ainda são novidade para muitas pessoas no Brasil”, contou. 

A presença do K-pop na edição deste ano do festival reforçou o avanço constante da cultura coreana no Brasil. A relação do brasileiro com a K-beauty não se resume à tendência passageira, tem a ver com uma maior busca por produtos que reúnam qualidade, tecnologia e informação, como aponta Roberta “o evento mostrou que o consumidor brasileiro está cada vez mais interessado em entender o que existe por trás dos produtos”. Ela ainda reforçou que iniciativas como esta são importantes para ampliar o acesso às marcas e conceitos que estão chegando no mercado nacional.

Ao final da visitação, mesmo quem não realizou compras, podia garantir amostras e levar um item para casa. Para conseguir os brindes, bastava entrar na fila, responder a um questionário e tentar a sorte na roleta. Entre as opções distribuídas estavam tônicos, séruns, máscaras faciais e protetores solares. Quem publicasse fotos ou vídeos da experiência nas redes sociais utilizando as hashtags oficiais da ação ganhava um mimo extra.

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Com referências nostálgicas e uma trilha sonora carregada de memórias, a estilista emocionou amigos e parentes
por
João Luiz Freitas
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28/05/2026 - 12h

Na quarta-feira (27), foi apresentada a nova coleção “Alda”, da Mondepars, marca brasileira fundada por Sasha Meneghel. Em um vídeo divulgado no Instagram da marca em 20 de maio, Xuxa narra a história por trás da coleção e explica que ela é uma homenagem à sua mãe.

Detalhes de um dos visuais apresentados no desfile da Mondepars
Detalhes de um dos visuais apresentados no desfile da Mondepars - Foto: Reprodução Mondepars

Muitos detalhes das roupas se ligaram a momentos da história dos familiares, como golas diferentes, adereços de cabeça e capas curtas que remetem a fase da vida em que Alda morou em um convento. Outras peças contavam com os quadris acentuados, ombreiras marcantes, calças abauladas e pantalonas, além de bolsos diferenciados que fazem referência a momento em que Agenor, bisavô de Sasha, estava treinando para ser militar.

Desfile da Mondepars de Inverno, 2026
Desfile da Mondepars de Inverno, 2026 - Foto: Reprodução/Live Mondepars

A apresentação do desfile construiu novas memórias familiares. João Lucas, marido de Sasha, em colaboração com Ana Arietti, foi responsável por assinar a direção artística do desfile. No meio da passarela, foi instalada uma representação da primeira casa em que Xuxa morou, em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, feita com um tecido semelhante à organza.

Representação da primeira casa de Xuxa Meneghel
Representação da primeira casa de Xuxa Meneghel - Foto: Reprodução/Live Mondepars

No final do desfile foi tocado um áudio antigo da avó de Sasha, em que ela canta “Estrela do Mar”, de Dalva de Oliveira. Essa era uma música que ela cantava em dias muito chuvosos para acalmar os filhos, que ficavam amedrontados com o mau tempo. Xuxa e amigos de Sasha, como Bruna Marquezine, emocionaram-se com a finalização do desfile.

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Após 20 anos, Miranda Priestly e Andy Sachs voltam às telas com releitura de looks e novos conceitos artísticos
por
Lara Manasseh
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23/05/2026 - 12h

Em 30 de abril, “O Diabo Veste Prada 2” chegou aos cinemas e trouxe de volta as personagens principais do elenco original. Dirigido por David Frankel e ambientado em Nova York, no cenário da moda atual, o foco está nos figurinos, que trazem uma releitura de peças antigas para representar as personagens em suas atuais fases de vida. O longa mostra Miranda Priestly (inspirada em Anna Wintour e interpretada por Meryl Streep) em crise enquanto a personagem de Anne Hathaway, Andy Sachs, tenta ajudá-la. Em geral, o figurino acompanha as mudanças pessoais dos personagens e as mudanças do próprio mundo da moda.

A figurinista do primeiro filme, Patricia Field, também responsável pelo figurino de “Sex and the City”, deu lugar a Molly Rogers, que havia trabalhado com ela no primeiro longa. Rogers afirmou em entrevista que as expectativas dos produtores e do público em geral eram altas, e que o processo de escolha dos looks foi feito a partir de viagens e busca de peças de acervo das marcas que ela considerava relevantes para a construção da narrativa e dos personagens. Entre os destaques de figurino na cobertura midiática estão a icônica jaqueta de franjas da coleção outono/inverno 2025 da Dries Van Noten, usada por Meryl, e o vestido de verão escolhido para Anne Hathaway, da estilista uruguaia Gabriela Hearst. 

Anne Hathaway como Andrea Sachs andando pela calçada, falando no telefone, usando um vestido colorido
Anne Hathaway como Andy em Diabo Veste Prada 2 com vestido de Gabriela Hearst/ Reprodução: Instagram, The Devil Wears Prada Costume 
Meryl Streep como miranda no filme Diabo Veste Prada 2 usando uma jaqueta de franjas
Meryl Streep como Miranda em Diabo Veste Prada 2 usando jaqueta de franjas Dries Van Noten/ Reprodução: Instagram, The Devil Wears Prada Costume

O figurino de Miranda continua o de uma personagem poderosa, que impõe distanciamento aos demais. Em entrevista à AGEMT, a consultora de moda Ana Vaz confirmou que o uso de alfaiataria e peças estruturadas com tons mais sóbrios - seguindo a ideia de “luxo silencioso”, uma elegância discreta que valoriza a qualidade e materiais nobres - é uma forma de marcar a posição da personagem: “O foco nos ombros e cortes acentuados, atualmente, é associado à autoridade, ao contrário dos anos 2000, quando o primeiro filme foi lançado”.  

Ainda assim, o figurino foca no excêntrico. A jaqueta mais artística e o visual marcante da personagem ao chegar à cafeteria para uma reunião de última hora traduz o sentimento de deslocamento vivido por ela naquele ambiente, completa Ana Vaz. 

Já a personagem Emily (interpretada por Emily Blunt) manteve a identidade eclética e estilosa do primeiro filme, mas com foco na sua trajetória de alta executiva da Dior. As peças combinavam alfaiataria com sobreposição, botas de cano alto e acessórios marcantes, compondo uma estética mais rebelde em contraponto ao estilo clássico de Miranda. “Pegar um laço da Dior e dar um toque gótico a ele, combinaria com a personagem”, declarou a figurinista em entrevista ao New York Times. Além disso, todo o time de estilistas tinha interesse em vestir a personagem, o que ocasionou até briga.

O figurino de Andy Sachs (Anne Hathaway) no primeiro filme passa por uma transformação, marcando a entrada da personagem no mundo fashionista. “Na continuação, existe a figura de uma mulher que se desvinculou da ideia artística da moda para ser levada a sério como jornalista, mas ainda assim busca blazers e roupas de boa qualidade de segunda mão em brechós”, afirmou Vaz. Isso mostra que, após sua experiência na Runway há 20 anos, ela “aprendeu alguma coisa”, segundo a própria personagem. Um momento significativo no final do filme foi a volta do famoso suéter cerúleo em forma de colete, pontuando a trajetória dela. 

Anne Hathaway no primeiro filme de Diabo Veste Prada usando um casaco azul enquanto fala no telefone
Anne Hathaway como Andy em Diabo Veste Prada/ Reprodução Instagram, The Devil Wears Prada Costumes 


Também fica evidente a diferença entre o estilo das personagens mais experientes e o da nova geração. A atriz inglesa Simone Ashley que interpretou Amari Mari, nova assistente de Miranda, teve seu figurino marcado por referências contemporâneas e ousadas. As produções combinavam acervos de marcas relevantes como Jean Paul Gaultier, Dolce & Gabbana e Thom Browne, misturando cores vibrantes e acessórios inusitados, como um cinto feito de gravata. O visual da personagem traduz, segundo Molly Rogers, a energia criativa e irreverente da nova geração.

Para além do figurino, a narrativa de compra da Runway, vinda do dono de uma gigante da tecnologia e as mudanças estruturais que ele causaria na revista são uma referência clara à aproximação de Jeff Bezos da Vogue. Os rumores de que ele compraria o conglomerado Condé Nast, companhia de publicação da revista,  para a sua mulher começaram após o financiamento do Met Gala e a colocação de sua esposa, Lauren Sanchez, na capa da Vogue de junho de 2025. 

Os desafios atuais do mundo editorial, como a influência crescente das redes sociais no mercado, a digitalização das revistas, a redução dos investimentos em campanhas de moda e o uso cada vez mais amplo da inteligência artificial pelas marcas, aparecem no filme por meio de diálogos e conflitos centrais na trama, muitas vezes, alvo das críticas da personagem Miranda. 

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A grife italiana apresentou 171 looks que serão desfilados no dia 29 de setembro, em Paris.
por
Giovanna Montanhan
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18/06/2024 - 12h

‘De volta para o passado?’ Nesta segunda-feira (17), o novo diretor criativo da Valentino, Alessandro Michele, exibiu uma prévia da sua coleção de estreia na marca, que estava agendada  para acontecer somente no próximo verão. Michele, que deixou recentemente o cargo de direção na Gucci, onde ficou por vinte anos, mostrou para o que veio: trouxe para sua nova casa, pelo menos neste início, muita exuberância, pompa e memória. Quem comandou a marca anteriormente, durante vinte e cinco anos, foi Pierpaolo Piccioli, que no momento, não se encontra em nenhuma grife, mesmo com muitas especulações na internet sobre seu futuro destino. 

O novo diretor da Valentino, revelou em entrevista para o Women’s Wear Daily que deixou a Gucci pois desejava a oportunidade de passar mais tempo com a sua família e de possuir uma liberdade maior para fazer o que quisesse. Um tempo depois, percebeu que para ele, o verdadeiro significado de estar livre era estar fazendo algo que lhe despertasse prazer, o que não significava ficar ocioso, então, se reencontrou por meio do seu trabalho. 

O estilista usou a palavra ‘’seduzido’’ para descrever como se sentiu ao escolher a Valentino, revelando que um dos motivos que o levou a escolhê-la foi a vasta quantidade de arquivo que a grife possuía em seu acervo: ‘’Amo objetos, tenho uma relação íntima com as coisas materiais, é quase como um encontro religioso (...), como se fossem uma relíquia (...)  Me apaixonei por esta casa {de moda} que se tornou o meu lar (...) "

Os visuais exibidos por Michele, em sua maioria, rememoram uma série de elementos já vistas por aí, como o estilo boho, trazendo os anos 70 de volta  em peso: o monograma preto e o branco eternizado por Jackie Kennedy, os acessórios maximalistas vintage, como os muitos colares de pérolas, os brincos e os botões, assim como as franjas, a sandália de tiras coloridas, as meias calças e muito mais! 

 

VALENTINO VINTAGE
Reprodução: Divulgação

 

 

 

 

BOHO
Reprodução: Divulgação

 

 

 

 

PEROLAS
Reprodução: Divulgação

 

É inegável a herança que o estilista carrega de seus últimos anos na Gucci. Mas, é importante  lembrar que identidade e autenticidade caminham juntas e fazem da moda o que ela é. Espero vê-lo imprimindo mais o que se caracteriza como um visual ‘Valentino’ nas coleções seguintes e fazendo com que a grife volte a carregar consigo os códigos tradicionais, sem perder a originalidade e que ainda sim, seja capaz de causar vibrações nas redes. 

 

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Evento teve destaque para rodas de conversa e celebração da pluralidade do mundo da moda
por
Bianca Athaide
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12/06/2024 - 12h

Durante o final de semana de 09 a 11 junho, no coração da Inglaterra e de uma forma um pouco diferente, aconteceu a Semana de Moda Masculina de Londres. Sem o glamour habitual, a semana focou em trazer a riqueza cultural londrina para o centro dos holofotes do mês de junho — conhecido como "Mês da moda masculina". Com palestras, painéis, eventos e atividades, os organizadores buscaram honrar designers, marcas e comunidades que fizeram a cena fashion londrina tão rica.

Caracterizada como um híbrido de uma Fashion Week, a Semana de Londres, logo em seu primeiro dia, celebrou culturas que tiveram impacto na cena de moda masculina local. Com destaque para as raízes de origem africana e asiática, e a influência das comunidades queer, em uma exibição no Instituto de Artes Contemporâneas de Londres, com David Beckham como anfitrião.

Semana da Moda de Londres
Exibição "Syke X BFC" exposta no ICA. Foto: Reprodução/Drappers

Entre os eventos, a roda de conversa com a designer de origem indiana-nigeriana Ahluwalia, o estilista nascido em Blangadesh, Rahemur Rahman, e com a escritora e influenciadora indiana Simran Randhawa, teve maior relevância. O bate-papo tratou sobre o impacto global não reconhecido dos trabalhos manuais indianos para o mundo da moda.

Semana da Moda de Londres
A escritora e influenciadora Simran Randhawa durante roda de conversa. Foto: Kate Green/Vogue Business

Mesmo com o viés mais político e educativo, ainda era uma Semana de Moda e coube no calendário apertado, espaço para poucos — mas estupendos — desfiles à moda antiga. Logo no primeiro dia, aconteceu a celebração de dez anos da marca de luxo Charles Jeffrey Loverboy. O palco ficou por conta da arquitetura neoclássica da Casa Somerset,  ponto turístico londrino, com vista para o rio Tâmisa — onde também fica alocado o estúdio do estilista.

A coleção apresentada foi uma alusão ao decenário da marca, com reflexão sobre o que o criador chamou de “Queer time” (tempo queer em tradução livre). Um conceito que aborda como o ideário molda não apenas o entender da sexualidade e como isso impacta a vida de um indivíduo, mas, também, como pode transformar o passado, o presente e o futuro de uma sociedade por um todo.

Semana da Moda de Londres
Look desfilado para Charles Jeffrey Loverboy. Foto: Reprodução/Fashion Network

No dia seguinte, a Qasimi apresentou sua coleção Verão 2025. Invocando a abstração do conceito "spolia" — a integração de elementos de estruturas antigas com novos designs, através de reinterpretação de formas e moldes — a diretora criativa, Hoor Al Qasimi, desfrutou de um casamento entre arte, escultura e moda. 

Semana da Moda de Londres
Look desfilado para Qasimi.
Foto: Reprodução/Vogue Business

Para finalizar a sessão de desfiles, a irreverente HARRI, grife indiana conhecida por suas criações infláveis e de látex, marcou presença na semana no auditório Benjamin West, localizado dentro da Academia Real Inglesa e conhecido por sua arquitetura clássica, como passarela. A marca apostou, como look principal, em um vestido inflável branco, que necessitou de mais 300 horas de produção, segundo o diretor criativo Harikrishnan Keezhathil Surendran Pillai. A peça gerou alto engajamento online, elevando o perfil da HARRI ao marco de maior crescimento de seguidores durante uma semana de moda.
 

Semana da Moda de Londres
Peça inflável da HARRI. Foto: Reprodução/The Standard

 

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Como a atriz traz à vida suas personagens através da moda
por
Bruna Quirino Alves
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29/05/2024 - 12h

A atriz norte-americana, Zendaya, tem chamado atenção em suas aparições públicas por usar a técnica de “method dressing”, que consiste em trazer o estilo de personagens fictícios, ou o enredo de filmes para a vida real, como uma forma de promover as produções.

Outras personalidades já aderiram à mesma estratégia em algumas estreias pontuais, como Halle Bailey, em A Pequena Sereia e Margot Robbie nas estreias de Barbie, onde sempre utilizava peças inspiradas em versões da boneca, desde as mais atuais, até as da década de 60.

Porém, Zendaya se dedica na inspiração cinemática por trás de suas peças desde 2017, ano em que fez a sua primeira aparição vestida de acordo com o filme que estava promovendo na época, O Rei do Show, um musical biográfico que se passa nos Estados Unidos durante o século 19, inspirado na história de P. T. Barnum, um empresário circense.

Zendaya usando um terno vermelho em estreia de filme
Zendaya na estreia de "O Rei do Show" no México. Imagem: Getty Images

 

A atriz aparece no tapete vermelho da estreia mexicana usando um terno vermelho assinado pela grife Ralph Lauren, inspirado na vestimenta masculina tradicional do século 19, em cores vívidas circenses como um mestre de cerimônias prestes a introduzir um espetáculo. A partir desse momento, percebe-se um padrão em todas as suas turnês: as peças sempre são relacionadas e interpretadas de forma conjunta com o tema dos filmes.

Essa dedicação à temática também se dá graças ao trabalho de seu estilista pessoal – ou arquiteto de imagem, como ele se autointitula -  Law Roach, que trabalha com a atriz há 13 anos, enquanto ela ainda protagonizava uma série infanto-juvenil no canal Disney Channel. Ao longo dessa década, ambos desenvolveram uma parceria sólida. Law Roach afirmou recentemente em entrevista à revista Vogue que mesmo estando aposentado continua vestindo Zendaya.

Zendaya e o estilista Law Roach sorrindo um pro outro
Zendaya e Law Roach na premiação do CDFA Awards. Imagem: Getty Images

As escolhas de peças para as estreias de Duna: Parte 2 seguiram uma estética distópica, de acordo com a temática do filme de ficção científica, dirigido por Denis Villeneuve. Zendaya chamou todos os holofotes para si durante a estreia de Duna, a atriz surpreendeu o público ao usar uma peça de arquivo, da grife Thierry Mugler, alta costura da coleção de 1995.

O traje robótico de ciborgue fez parte de um desfile lendário para a história da moda: a coleção outono/inverno de 1995 comemorava o aniversário de 20 anos da marca Thierry Mugler e a temática do desfile era a beleza através dos anos. Além de contar com a presença de modelos famosas, como Naomi Campbell, Eva Herzigova e Kate Moss, o evento fazia uma cronologia da moda, desde os vestidos extravagantes usados em bailes no passado, até uma visão de futuro distópico que era representada pelo traje robótico, todo revestido em metal e acrílico, usado por Nadja Auermann. A peça levou cerca de 6 meses para ser confeccionada.

Zendaya com traje robótico da grife Thierry Mugler
Zendaya em traje robótico de Thierry Mugler. Imagem: Getty Images

A estreia mais recente que contou com a presença de Zendaya foi para promover seu novo filme, Rivais, do diretor italiano Luca Guadagnino. Na trama, a atriz dá vida à Tashi Duncan, uma jogadora de tênis que busca se profissionalizar no esporte e tem a carreira interrompida por uma lesão.

Inspirada pelo universo do esporte, a protagonista têm adotado o uso de peças que remetem à estética dos uniformes de tênis, se assemelhando a tendência que, recentemente, passamos a conhecer como “Old Money”, uma estética sutil da elite, baseada em paletas claras, blazers, suéteres, e outros elementos de grife, porém, sem logos. As marcas escolhidas também refletem essa estética, Ralph Lauren, Thom Browne, Louis Vuitton, todas trabalham com artigos de alfaiataria clássicos com maestria.

Zendaya usando vestido branco em estreia de seu novo filme
Zendaya usando Thom Browne na estreia de Londres. Imagem:Getty Images

Uma das peças que se destacou durante o período de promoção do filme foi um vestido personalizado para a atriz, assinado pela marca Thom Browne, especializada em alfaiataria. Com pequenos desenhos de raquetes de tênis bordadas por todo o vestido, a silhueta da peça também remete aos clássicos vestidos usados por jogadoras de tênis, popularizados por marcas esportivas como Nike e Puma.

A artista não tem medo de se arriscar nas peças, já em sapatos, o modelo é sempre igual. Segundo Law Roach, Zendaya usa o mesmo sapato em todos os eventos que vai, um salto da grife francesa, Christian Louboutin. O modelo “So Kate” já virou sua marca registrada. No entanto, para promover o filme em Roma, a artista decidiu ousar e apostou em um calçado personalizado da marca Loewe, com uma bola de tênis no salto. Mais uma vez chamou a atenção da mídia pela sua criatividade e dedicação, ao “method dressing” e além disso, à moda, como um todo.

Zendaya usando vestido salto com bola de tênis
Zendaya usando salto da Loewe na estreia de Roma. Imagem: Getty Images

 

 

 

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No evento, a moda é tão celebrada quanto os filmes
por
Natália Matvyenko
Jéssica Castro
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28/05/2024 - 12h

A 77º Edição do Festival de Cannes,  que aconteceu entre os dias 14 e 25 reuniu uma gama de celebridades internacionais, inclusive brasileiras, para a exibição dos filmes cotados deste ano nas principais categorias de premiação. O festival, tradicionalmente localizado na Riviera Francesa, é considerado um dos mais importantes na história do cinema. 

Além da relevância audiovisual, o evento também chama a atenção pelos looks desfilados pelas celebridades que passam pelo tapete vermelho. Reunimos aqui algumas produções que mais tiveram impacto durante os 10 dias de premiação.

Começando pelo Brasil, a atriz Nataly Rocha, estrela do longa “Motel Destino” –  vencedor da Palma de ouro, dirigido por Karim Aïnouz e ovacionado de pé por 12 minutos após sua exibição no festival — comemora usando um vestido assinado por Lino Villaventura, estilista brasileiro que completa 46 anos de carreira neste ano.

Atores do filme Motel Destino posando para foto
Da esquerda pra direita: Fábio Assunção, Nataly, Karim e Iago Xavier (foto: Reprodução/Instagram/@Thematchfactory)

 

Além desse modelo, o paraense também assinou o longo escultural usado por Taís Araújo.

 

Taís posando para foto no tapete vermelho
(foto: Reprodução/Instagram/@taisdeverdade)

 

A presidente do júri de Cannes 2024 foi a diretora, atriz e produtora Greta Gerwig. Sendo a segunda mulher a ocupar este cargo na história do festival depois de Jane Campion, Greta apostou em um vestido Maison Margiela, assinado por John Galliano. O modelito cativou o olhar do público por remeter ao estilo de uma das maiores produções da diretora até agora: o filme da Barbie, lançado no ano de 2023. 

Greta posando no tapete vermelho com vestido rodado
(Foto: Reprodução/Instagram/@maisonmargiela)

 

O que também chamou a atenção foram os “Tabi Shoes” – peça figurinha carimbada da grife de Margiela. O estilista se inspirou em sapatos japoneses que dividiam as meias no meio dos dedos para desenhá-los em 1988 –  dessa vez em versão Louboutin, resultado de uma parceria entre as marcas.

Sapatos Tabi brancos com sola vermelha
Sapatos Tabi brancos com sola vermelha, parceria entre Louboutin e Margiela (Foto: Reprodução/Instagram/@maisonmargiela)

 

Cate Blanchett vestiu um Jean-Paul Gaultier desenhado por Haider Ackermann e causou burburinho por conter as cores da bandeira da Palestina. Nem a marca ou a atriz se pronunciaram sobre um possível protesto. Muitos internautas nas redes sociais consideraram o ato corajoso, pois desde 2022, manifestações são proibidas no festival. A regra foi determinada pelo governo municipal de onde ocorre o evento, a fim de evitar distúrbios aos cidadãos da cidade. Inteligente forma de manifestar apoio a uma pauta de forma silenciosa, não?

Cate posando segurando a barra do vestido
 (Foto: Reprodução/X: @NinjaCine)

 

Hunter Schafer – que faz parte do elenco de Kinds of Kindness de Yorgos Lanthimos, também exibido na ocasião –  apostou em um modelo que alude à ideia de verão na Riviera Francesa em meados dos anos 60, da grife italiana Prada.

Hunter posando para foto
(Foto: Reprodução/Instagram/@huntershcafer)

 

A volta da super modelo Bella Hadid aos tapetes vermelhos, que recentemente se manteve fora dos holofotes e das passarelas por estar lutando contra a doença inflamatória de Lyme, foi marcada por composições marcantes, como o vestido minimalista de alta costura da Versace.

Bella posando para as fotos sorrindo e com as mãos próximas ao colo
(Foto: Reprodução/Instagram/@sheraz.debbich).

 

Figuras como Selena Gomez, Emma Stone, Naomi Campbell e Anya Taylor-Joy também deixaram sua presença registrada com looks belíssimos ao longo do festival. 

atrizes posando para fotos no tapete vermelho, todas de vestidos longos
Selena de Yves Saint Laurent, Emma de Louis Vuitton com decote cavado, Naomi com um vestido Chanel criado por Karl Largerfeld e usado por ela em 1996; Anya Taylor-Joy de Dior com jóias Tiffany & Co.
Fotos: Reprodução/Pinterest

 

 

 

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O fenômeno dos artistas sul-coreanos cada vez mais presentes no cenário da moda
por
Natália Perez
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10/05/2024 - 12h

Há quatro anos consecutivos, o principal evento do mundo da moda, o Met Gala, conta com a presença de ídolos da Coreia do Sul. Este ano, o grupo “Stray Kids” chamou atenção pela presença dos oito membros. É a primeira vez que um grupo inteiro de K-pop comparece junto ao tapete vermelho.

Embaixadores da Tommy na Ásia, o Stray Kids dividiu mesa com o estilista Tommy Hilfiger, sua esposa Dee Ocleppo e a atriz americana Madelyn Cline. Para o tema do ano “Belas Adormecidas: O despertar da moda”, o grupo apostou nos  sobretudos. Nas escadarias, reverenciaram nas peças a paleta de cores característica da marca: vermelho, branco e azul escuro, com detalhes em dourado. Cada terno apresentava detalhes individuais para combinar com o estilo do respectivo  membro, mas ainda de forma que o grupo combinasse como um todo.

“Eles são tão modernos quanto se pode imaginar. São super estrelas globais e uma banda de K-pop que lota estádios com 80 mil pessoas com uma base de fãs por todo mundo” foi como Tommy Hilfiger os apresentou em entrevista à Vogue.

A Lefty, plataforma de gerenciamento de influenciadores, elegeu o Stray Kids em décimo lugar como convidados com maior visibilidade da noite. Duas posições abaixo de Jennie do BLACKPINK, outra grande  estrela do gênero musical, que participava do evento pela segunda vez. No ano passado, foi a convite da Chanel. Agora, pela marca Alaïa.

 

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As estrelas do K-pop convidadas ao Met Gala 2024: Bang Chan, Han, Felix, Seungmin, Hyunjin, I.N, Lee Know e Chanbing (Stray Kids) e Jennie (BLACKPINK). Fotos: Getty Images

 

As parcerias de moda com celebridades sempre fizeram parte do marketing das principais grifes de luxo. Com o crescimento cultural exponencial da Coreia nos últimos anos, era só questão de tempo até o casamento entre o mundo da moda e o da música coreana. 

Atualmente, o K-pop é considerado um fenômeno cultural mundial com impacto digital que ultrapassa o de figuras ocidentais conhecidas há anos. De acordo com a base de dados oficial do X/Twitter, foram 20 milhões de publicações durante o MET (85% a mais do que no ano passado). Com cerca de 2 milhões de posts, o Stray Kids foi a celebridade mais mencionada durante a cerimônia, seguidos por Zendaya, Ariana Grande, Lana del Rey e Kim Kardashian.

No começo do ano, a maior presença de cantores sul-coreanos em desfiles já havia sido notada durante a Semana de Moda de Paris. Todas as seis grifes mais comentadas  nas redes sociais durante a semana contavam com a presença de mais de um artistas de K-pop como embaixador. Com praticamente o dobro de menções, a Louis Vuitton disparou em primeiro lugar depois de colocar Felix do Stray Kids para desfilar em sua passarela.  

 

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À esquerda, Felix do Stray Kids desfila a coleção outono-inverno 2024 ao lado dos demais modelos da Louis Vuitton na Paris Fashion Week. Foto: Getty Images

 

Agora no MET, Felix foi considerado pela Lefty o terceiro convidado com maior valor de exposição midiática dessa edição, por gerar cerca de 10,4 milhões de dólares, atrás somente de Ariana Grande (20,5M) e Kendall Jenner (11,6M). Assim, sendo o artista sul-coreano mais alto na lista e também o único homem no top 10.

“Eles significam muito para muitas, muitas pessoas” explica Steffi Cao, repórter de cultura da internet da Forbes, a revista Nylon. “Ver alguém não-branco e não-americano, especialmente fazendo música que não toca nas rádios nesses eventos é um reconhecimento de que o mundo é realmente global e que as estrelas vem de todos os lugares.” 

Mesmo com influência crescente, a quebra do padrão americano segue acompanhada de preconceitos. Em um dos vídeos da transmissão, fotógrafos do MET foram flagrados fazendo comentários desrespeitosos para os membros: “Nunca vi rostos tão inexpressivos” e “Como se fala fica reto na Coreia?” Em publicação online, a Billboard expressou a urgência para que a organização da cerimônia repense as credenciais de fotógrafos para o próximo ano. 

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