Premiação a Frankenstein desperta debate sobre a nova vida do estilo gótico
por
João Calegari
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26/03/2026 - 12h

A consagração de Frankenstein no Oscar 2026 ganhou forma pela minúcia da produção: o filme levou a estatueta de Melhor Figurino pelo trabalho da figurinista Kate Hawley, o que reconhece uma construção visual que extrapola a recriação de época. Em uma categoria marcada pela diversidade estética, a vitória reafirma o peso das escolhas visuais na narrativa e consolida o longa de Guillermo del Toro como um dos grandes destaques técnicos da premiação. Além de despertar olhares ao estilo norteador do filme, o gótico.

Porque na indústria cinematográfica atual, se engana aquele que acredita nas decisões editoriais realizadas ao acaso. A produção não se trata apenas de um bom processo na confecção de roupas, mas de decisões que fazem parte de um projeto: voltar os holofotes culturais para o estilo gótico novamente.

A parceria entre Guillermo del Toro e Kate Hawley não é de hoje, os dois trabalham juntos desde “Círculo de Fogo”, filme lançado em 2013. O diretor conta que fazia reuniões periódicas com Kate meses antes da produção se iniciar. Nelas, del Toro apresentava diversas convicções sobre os figurinos: havia uma necessidade de peças modernas, a produção não poderia se basear em uma  simples recriação de época. Por outro lado, Hawley apresentava a estética do romantismo gótico para os figurinos, proposta determinante para que o filme adquirisse a estética de “sonho melancólico”.

Foto: Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura.
Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura. / Fonte: Netflix

O filme dirigido por Guillermo del Toro adapta o clássico de Mary Shelley, de 1818, para uma nova linguagem. A obra original é considerada pelo imortal da Academia Brasileira de Letras, Ruy Castro, como o primeiro grande exemplar das histórias de horror modernas, além de ser o grande precursor do gênero de ficção científica. 

“O clássico conta a história de um horrendo ser, que ao despertar para o mundo, torna-se consciente de que é um monstro, rejeitado por todos” - Ruy Castro

A definição de Ruy também serve de modelo para a ótica gótica de se ler o mundo, já que essa estética se propõe a representar os rejeitados. A produção monumental proporcionada pela Netflix sugere um novo ritmo para a modernidade, assim como todo o estilo gótico. 

Foto: Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.
Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.

É óbvio traçar o paralelo, a história original questiona a ambição humana ao criar seres que não se encaixam nos seus contextos. Assim como eram os edifícios que se mostravam gigantes derretendo em uma época de erudição regrada. Assim como, uma criatura de Victor Frankenstein decide se revoltar contra uma “elite do saber”. Ou, então, um trabalho de figurinos que decide inovar em meio ao clássico ao invés de uma simples recriação de uma época.

Talvez seja esse último que fez com que o trabalho de Hawley se destacasse em meio aos indicados ao prêmio de melhor figurino no Oscar. Uma vez que as propostas de Hamnet: A vida antes de Hamlet, Marty Supreme e Pecadores possuíam a recriação de períodos históricos como princípio norteador. A exceção entre os indicados é Avatar, por se tratar de uma produção com estética fantasiosa.

Foto: Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.
Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.

O gótico sempre foi uma forma cultural de lidar com os medos de uma época. No século XIX, ele refletia angústias ligadas ao avanço científico e à ruptura com antigas tradições religiosas, temáticas que são ainda mais atuais hoje do que no período de publicação do livro. 

Nesse sentido, o sucesso de Frankenstein (2025) revela também uma mudança no próprio cinema de horror. Se recentemente o gênero foi associado a necessidade de sustos rápidos e entretenimento descartável, produções como a de Del Toro reafirmam o potencial artístico e filosófico dessas narrativas. O gênero do terror volta a ser tratado como espaço de reflexão estética e existencial.

A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.
A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.

Na irregularidade formal das peças do filme, se vê um contraste claro. A obra acompanha um cenário de rigor anatômico, porém, nos trajes mais impactantes do longa, é perceptível um objetivo de perversão desse tecnicismo através dos excessos.

Tal lógica de excesso e simbolismo se estende às joias, assinadas pela Tiffany & Co., que empresta ao filme peças raríssimas de seu acervo. Colares como o “The Wade” e o “The Beetle” não funcionam apenas como ornamento, mas como extensão da própria construção estética do longa. Foi a primeira vez que a casa de joias novaiorquina reuniu obras de arquivo e peças contemporâneas em uma produção cinematográfica.

A peça mais emblemática da obra, o vestido de apresentação da personagem Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é a prova disso. Elizabeth é o ideal de Lady europeia do Século XVIII, é guiada pelo cuidado e empatia. É, portanto, a grande antítese do protagonista.

O vestido é volumoso e ganha transparência em contato com a luz, mas o que chama atenção mesmo é o adereço de cabeça feito de penas, que aparenta orbitar a cabeça da personagem, elemento que transmite a sensação onírica proposta por Kate Hawley.

croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.
Croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.

Mas além dele, o filme é recheado por outros vestidos com silhuetas dramáticas e exageradas, tecidos pesados e volumes acentuados. Mas além disso, na maioria das cenas, a direção de del Toro propõe a escuridão como elemento transformador dos figurinos de Hawley. Todos se engrandecem no escuro, ganham novas formas nas cenas de contraluz e assim, a escuridão ganha protagonismo na obra. 

Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix
Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix

Por fim, a vitória de Frankenstein no Oscar de figurino não representa apenas um prêmio técnico. Ela simboliza a necessidade de questionar o universo cultural em que estamos inseridos. Ao pautar o retorno do gótico, estamos remodelando a forma de se observar os comportamentos sociais por meio das manifestações artísticas. É notável que a estética gótica propõe uma nova forma de se observar um mesmo mundo. 

A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix
A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix

 

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Duas das casas mais importantes da atualidade exploram seu legado e aproveitam para se reinventar
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Liz Ortiz Fratucci
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17/03/2026 - 12h

No último domingo (8), em Paris, Jean Paul Gaultier e McQueen marcaram o sétimo dia da Semana de Moda parisiense, com coleções que revisitaram a história de suas casas.

Desde a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier das passarelas em 2021, a maison adotou um modelo rotativo para a direção criativa: toda temporada um designer diferente é convidado para reinterpretar os códigos deixados por Gaultier. Para a coleção de Outono/Inverno 2026, Duran Lantink foi convidado para assumir brevemente a direção de criação pela segunda vez. O legado da marca foi revisitado por Lantink através da subversão de gêneros e de peças provocadoras e irônicas.

O designer apresentou um equilíbrio entre o novo e as homenagens. Sua experiência na criação de volumes resultou na reinterpretação de clássicos da casa, como o corset, as silhuetas estruturadas e os jogos de trompe-l’œil - técnica artística que utiliza perspectivas e ilusionismo para criar a ilusão de ótica - que marcaram a carreira de Jean-Paul Gaultier.

O fundador da marca homônima é notório por misturar elegância e teatralidade. Em seus desfiles, a passarela transformava-se em um espetáculo performático com personagens, humor e apresentações visuais que iam além das peças. Lantink, dialoga com esse universo lúdico ao apresentar personagens western, esportistas e que evocam vilões de cinema.

Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier

 

“Explorar a tensão psicológica entre a interioridade e a exterioridade; performance e paranoia…” explica Seán McGirr, no release, o que ele quis retratar nessa temporada. Assim como McQueen, McGirr usa filmes como inspiração. “Safe” de 1995 influenciou a coleção à explorar temas como ansiedade, identidade e tensão psicológica. 

Com uma trilha sonora inquietante assinada por Ag Cook - colaborador frequente da cantora Charli XCX - o designer apresentou sobretudos usados como vestidos curtos, botas que chegavam até os joelhos e mini saias que evocavam a moda dos anos 60 de Mary Quant. 

Por baixo dos blazers acetinados, surgiam blusas com flores bordadas à mão e outras aplicações que remeteram a escamas. Alguns dos looks apresentaram peças de crochê feitas com material metálico.

A herança de Alexander McQueen foi resgatada por meio de calças de cintura baixa com aprofundamento na parte de trás, conhecida como “bumsters”. A clássica bolsa Knuckle Clutch também teve uma releitura, enquanto um cachecol estampado com caveiras retomou um dos símbolos mais reconhecíveis da Alexander McQueen.

Ao final do desfile, são introduzidos vestidos esvoaçantes feitos de organza, rendas e cetim. McGuirr deixa claro que a renda não surge apenas como ornamento, mas como um elemento íntimo que revela o interior. A coleção encerra com uma noiva com um vestido e um gorro inteiramente brancos e bordados com flores. 

McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 



 

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Alfaiataria precisa, romantismo gótico e referências a diretores criativos antecessores marcaram os desfiles do sexto dia.
por
Liz Ortiz Fratucci
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11/03/2026 - 12h

No último sábado (7), em Paris, Celine, Ann Demeulemeester e Balenciaga estiveram entre os principais desfiles do dia. As coleções apresentaram diferentes leituras dos códigos de cada maison, combinando referências a seus arquivos com as interpretações de seus atuais diretores criativos.

“Eu acredito que a Celine é o lugar que você vai encontrar peças lindamente cortadas e uma silhueta mais fina” disse Michael Rider, o diretor criativo da Celine, em entrevista para Vogue. Para Rider, a tendência do oversized presente na última década está começando a sair de cena e por isso, nessa nova coleção, ele volta a enfatizar silhuetas mais ajustadas e uma alfaiataria precisa.

Em suas duas últimas coleções para a marca, o designer trouxe a estética preppy para as passarelas. Porém, nessa coleção ele apresenta um estilo diferente, focado na alfaiataria: casacos e ternos com ombros estruturados e calças flare encurtadas. 

Os acessórios causam dissonância no styling: chapéus em formato de sino e cachecóis aparecem cobrindo o rosto das modelos; alguns homens aparecem usando coroas de penas; colares ou brincos maximalistas compõem alguns dos looks.

O desfile foi ambientado em um salão inteiramente branco, com grandes amplificadores de som de aparência vintage espalhadas pelo espaço. Nas caixas de som, músicas do norte-americano Prince se misturavam a um mix de rock que reforçava a atmosfera de banda de garagem da coleção.

modelo celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
 
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine

Na Ann Demeulemeester, a coleção foi exibida na Couvent des Cordeliers de Paris e foi chamada de “Dear Night Thoughts”, expressão que o diretor criativo da marca, Stefano Gallici, usava quando criança ao começar a escrever uma nova página em seu diário.

A locação do desfile já foi usada anteriormente pela marca por possuir uma arquitetura medieval e sombria que complementa a atmosfera poética e melancólica característica da maison. 

Nessa temporada, o DNA da marca foi resgatado por looks monocromáticos pretos, saias com camadas fluidas e silhuetas andróginas e alongadas. A coleção foi composta por peças de estética colegial, blazers com brasões, jaquetas militares, capas de ombro com golas que remetiam a era vitoriana, punhos e colarinhos com rufo (babados ou pregas franzidas, geralmente aplicado em golas ou punhos), camisetas por cima de camisas, vestidos de renda, cadarços longos que saíam das camisas e balançavam ao caminhar, além de peças de couro com franjas.

Em meio a um casting diverso, o cantor inglês de rock, Billy Idol, fez uma participação surpresa e desfilou vestindo uma capa de couro preta com franjas, colete preto, camisa branca com gola rufo, calças pretas e botas de couro. 


 

Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester FW26.
Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester

Em sua segunda temporada na Balenciaga, Pierpaolo Piccioli dialoga tanto com o legado do fundador da casa, Cristóbal Balenciaga, quanto com a estética de seu antecessor, Demna Gvsalia.

A coleção foi chamada “ClairObscur” (claro e obscuro) e explorou a ideia de luz e escuridão, inspirada na pintura barroca de Caravaggio. A intenção de Piccioli era criar um “fresco de humanidade”, refletindo emoções e contrastes da vida contemporânea. 

O desfile também teve uma colaboração inusitada com o diretor Sam Levinson, criador da série Euphoria, que criou um vídeo imersivo com imagens de paisagens naturais mescladas a rostos humanos. A trilha sonora, também feita por Levinson, foi uma mistura de música clássica, com canções de Rosalia e de Labrinth. 

Dessa vez, Piccioli faz referência a Balenciaga dos anos 1950 e 1960 em peças como: casacos longos, cocoon coats (silhueta arredondada e volumosa, que envolvem o corpo como um casulo), vestidos drapeados e casacos com silhueta balloon (formato em que a peça cria volume curvo para fora do corpo, lembrando um balão). O streetwear da era Demna aparece em: estampas inspiradas na série "Euphoria”, moletons, leggings, jaquetas utilitárias, botas até o joelho, tênis robustos e óculos futuristas. 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga


 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga

 

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Com 68 desfiles previstos, a semana de moda começou com grandes destaques, misturando tradição, inovação e presença internacional
por
Amanda Lemos
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10/03/2026 - 12h

A semana de moda de Paris começou na segunda-feira (02) e foi até o dia 10. O evento encerrou o calendário internacional de desfiles, que teve etapas anteriores em Nova York, Londres e Milão. A abertura foi realizada por alunos do mestrado de vários países do Institut Français de la Mode (IFM), uma das instituições de moda mais prestigiadas do mundo. Ela prepara profissionais para entender a moda como sistema, não apenas como estética. Além disso, o primeiro dia contou com a presença de marcas como Hodakova, Vaquera e Julie Kegels. Os desfiles do primeiro dia aconteceram no Jardim das Tuileries. 

O evento começou com foco em novos designs, trazendo coleções que misturavam tradição e modernidade. Algumas marcas como Dior, Gucci e Fendi, têm investido em novos diretores criativos para renovar os códigos tradicionais das casas de moda. Os looks chamavam atenção por suas cores vibrantes e peças marcantes. A passarela foi organizada em formato circular, permitindo que o público tivesse uma visão completa do desfile. 

Vista aérea do palco da Paris Fashion Week 2026, com passarelas de vidro sobre espelhos d’água esverdeados, cercados por estruturas modernas e plantas aquáticas.
Palco dos desfiles da semana de moda de Paris 2026 no Jardim das Tuileries - Foto: @dior / Instagram 

A Hodakova, marca sueca fundada em Estocolmo, foi uma das primeiras a desfilar. A coleção foi assinada por Ellen Hodakova Larsson, fundadora e diretora criativa da marca e trouxe uma tendência de moda conceitual e sustentável. A paleta de cores, dominada por tons neutros e sóbrios, como preto, bege, cinza e off-white, evidenciava as formas e os volumes das peças. A grife investiu em costuras aparentes, sobreposição e proporções deslocadas. 

A Vaquera, grife norte-americana fundada em Nova York, também marcou presença com uma ideia de tensão entre perfeição e caos. Com coleção assinada pelos diretores criativos e também criadores da marca Patric DiCaprio e Bryn Taubensee, se reafirmou como uma das marcas mais excêntricas do cenário atual. Ela brincou com proporções e texturas, trazendo para a passarela silhuetas exageradas e uma estética que provoca reflexões sobre identidade. Assim, desafiando os códigos tradicionais da moda. 

As coleções apresentadas pelas marcas no início da semana de moda de Paris 2026, trouxeram um panorama inicial das propostas que foram exibidas ao longo dos demais dias. 

Modelos desfilam criações conceituais da Hodakova na Paris Fashion Week 2026, com looks experimentais feitos de materiais reaproveitados, incluindo peças esculturais e combinações minimalistas, em passarela intimista.
Desfile da Hodakova na semana de moda de Paris 2026 - Foto: Hodakova
Cartaz digital em estilo "DIY" e punk, com estética de xerox em preto e branco de alto contraste sobre um fundo branco. No topo, o texto em letras maiúsculas e levemente inclinadas diz "VAQUERA DÉFILÉ". Abaixo, as informações do evento: "MONDAY MARCH 2ND" (Segunda-feira, 2 de março) e o horário "8:30PM".
Post feito pela Vaquera no instagram para anunciar data e hora do desfile - Foto: @vaquera.nyc / Instagram

 

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Estilistas consolidam suas assinaturas criativas e reinventam elementos clássicos com frescor.
por
Helena Haddad
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10/03/2026 - 12h

No quinto dia da Paris Fashion Week Outono/Inverno 26-27, as direções artísticas mostraram como é possível honrar legados e, ao mesmo tempo, projetar novas visões nas passarelas. Os desfiles, realizados em locais históricos, têm reforçado as narrativas propostas. Confira os principais destaques das coleções.

Mugler

Marcando o segundo capítulo da sua trilogia para a Maison, Miguel Castro Freitas entregou a coleção The Commander (O Comandante). A ideia é revisitar os “clichês” da Mugler, os ombros afiados e arquitetônicos, a silhueta dramática e o power dressing

mugler
Foto/Divulgação: Mugler 

A narrativa contou com mulheres confiantes e em posição de comando. As ombreiras marcantes, inspiradas em uniformes militares, reforçaram essa figura de autoridade e, claro, a silhueta de ampulheta.
Cintos largos aparecem ao lado de bolsos utilitários, enquanto a alfaiataria surge como um dos principais destaques da coleção, em peças de diferentes cortes e em tons como azul, bege, roxo e preto. Na Mugler, o glamour esperado aparece em texturas metalizadas, lisas e plissadas, além do couro que molda o corpo

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Foto/Divulgação: Mugler 

Loewe

Na segunda coleção dos estilistas Jack McCollough e Lazaro Hernandez para a Loewe, marca espanhola, o desafio foi mesclar peças de verão, em uma temporada de inverno. Para os dois estilistas estadunidenses, a Espanha remete ao calor, que se manifesta nas cores, nas texturas e nas roupas.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

Na coleção, é possível encontrar peças de verão, muita influência do estilo esportivo. Os vestidos aparecem como toalhas. O tecido felpudo, na verdade, é resultado de pontos de tricô minuciosamente trabalhados. O látex e o couro coloridos fazem parte da essência da marca, junto do xadrez colorido.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

 Aqui, os diretores honraram as raízes divertidas da Maison, mas também imprimiram nelas sua própria marca


Givenchy


Sendo uma das únicas mulheres à frente de uma casa de luxo, Sarah Burton trouxe o protagonismo feminino de uma forma sexy e rígida.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Nesta coleção, Burton desconstruiu e brincou com peças clássicas. A camisa social apareceu com as costas para a frente, trazendo um colarinho dramático e divertido. Para a estilista, não há um limite quando se trata de moda feminina, do vestido de oncinha ao terno elegante.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Teve o inusitado couro estampado, o uso de estampas florais com franjas dramáticas e a renda preta combinada com acessórios extravagantes. Já seda apareceu no final do desfile. O ponto alto da coleção: top de jóias, feito de pedras e metais. A peça resgata um dos looks mais famosos da Givenchy, já usado pela cantora e rapper estadunidense Doechii, no Grammy deste ano. Uma verdadeira obra de arte.

givenchy
Foto/Divulgação: Givenchy

 

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Dos anos 1990 à Geração Z, o estilista comemora trajetória marcada pela fusão entre arte, moda e cultura pop.
por
Gabriela Jacometto
Gabrielly Mendes
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28/08/2024 - 12h

  Conhecido por seu trabalho irreverente, importando o estilo grunge para as passarelas, o estilista Marc Jacobs celebra este ano o aniversário de 40 anos de sua carreira. 

   Visionário, Marc Jacobs foi um dos primeiros a adotar práticas que hoje são comuns, como a colaboração entre moda e arte. Ele trabalhou com artistas renomados como Stephen Sprouse, Yayoi Kusama e Richard Prince, estabelecendo uma conexão entre o mundo exclusivo da arte contemporânea e o mainstream. Seus produtos, ainda altamente desejados, se tornaram itens de colecionador.

  As parcerias de Jacobs também se estenderam ao universo pop, envolvendo celebridades do cinema e da música como Kanye West e Pharrell Williams, que atualmente é diretor criativo da divisão masculina da maison francesa.

Trajetória

   Nascido e criado em Nova York, o estilista teve uma infância conturbada. Após a morte de seu pai,  quando tinha 7 anos, o convívio com sua mãe, que tinha transtorno bipolar, era um desafio diário para o jovem. Assumindo a responsabilidade por seus dois irmãos mais novos, Marc já afirmou  em entrevistas que foi um período bastante turbulento e traumático. 

 

    Quando Jacobs entrou na adolescência, foi morar com sua avó paterna, e seus dois irmãos foram para um orfanato. Com a mudança de casa, a vida do jovem prodígio começou a melhorar. Sua avó foi uma das principais incentivadoras de sua paixão pela moda e dizia que Marc seria um estilista famoso e talentoso um dia. 

   Forçado a crescer precocemente por conta das responsabilidades que assumia, o estilista se formou na High School of Art and Design aos 18 anos e logo depois trilhou seu caminho na renomada Parsons School of Design, que contou com seu projeto final de três suéteres oversized, feitos em conjunto com a sua avó.

   Não demorou muito para que Jacobs começasse a ganhar destaque no mundo da moda. Com seu projeto final, foi considerado o jovem talento do ano e reconhecido por premiações como a Chester Weinberg e o Perry Ellis Award de “New Fashion Talent” pela CFDA (Council of Fashion Designers of America). Neste último, foi a pessoa mais jovem a receber o prêmio.

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Marc Jacobs na Parsons. Crédito: Arquivo Pessoal\Vogue Magazine

    No final dos anos 80, o nova-iorquino passou a ser responsável pela marca Perry Ellis como coordenador da área feminina de vestuário. Na época, Jacobs teve Tom Ford como assistente - nome que se tornaria, anos depois, um dos estilistas mais renomados no mundo, ao lado de seu inicialmente superior.

 Controvérsias

   A trajetória de Marc Jacobs na Perry Ellis não durou muito. Em 1992, o estilista apresentou a “Grunge Collection”, coleção inspirada na cena musical que surgia nas ruas de Seattle.  A criação é  considerada, até hoje, um de seus trabalhos mais controversos e polêmicos. Com uma grande parte da crítica dividida, na Perry Ellis, as opiniões sobre a coleção apresentada foram ainda mais duras, justamente pelo fracasso comercial.

 

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Naomi Campbell desfilando a coleção “Grunge” (Imagem: George Chinsee\WWD)

 

   A coleção passaria anos depois a ser um vislumbre e uma antecipação do fato de que a moda de luxo ficaria obcecada pelo grunge, que serviu de inspiração para a estética dos anos 90. Com tal polêmica cercando a marca e sem uma visão do que viria  acontecer, Perry Ellis demitiu Jacobs. No mesmo ano, o estilista ganhou seu segundo prêmio  CFDA e deu início a seu projeto de nome homônimo.

   A sua marca chegou a ter 280 lojas em mais de 50 países. Em 2015, encerrou a sua linha popular Marc by Marc Jacobs, que tinha como objetivo atrair um público mais jovem com peças mais acessíveis. 

  De 1997 a 2013, Marc Jacobs modernizou a Louis Vuitton ao assumir o cargo de diretor criativo da maison. Durante o período, o estilista ajudou a transformar a marca tradicionalmente conhecida por malas e baús de viagem de luxo numa grife de moda contemporânea. Essa mudança se deu principalmente pelas bolsas e estampas icônicas que o estilista criou para a marca fazendo parcerias com diversos artistas, entre eles, Takashi Murakami, responsável pelo logo colorido da LV que se tornou um item atemporal com a bolsa “Monogram Multicolor”.

  

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Bolsa Monogram Multicolor criada em 2005. (Imagem: Archive LV\ Louis Vuitton)

 

   Em 2020, Jacobs lançou a Heaven, uma etiqueta dedicada à Geração Z, em parceria com a jovem designer Ava Nirui. A coleção, segundo o próprio estilista, é uma linha “polissexual”, feita para  “meninas que são meninos e meninos que são meninas, além daqueles que são nenhum, são o espaço negativo, a euforia suburbana de personagens multifacetados".

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Coleção Heaven by Marc Jacobs\ Fall 21 (Imagem: Hugo Comte\Heaven by Marc Jacobs)

 

   A Heaven é como um refresco e uma diversão a em meio ao mundo da moda atualmente, que se perde em micro-trends e fast fashion. A marca conversa com as particularidades dos adolescentes de hoje em dia, que cada vez mais estão se redescobrindo, assim como Jacobs no passado. O olhar do designer segue atemporal e jovem, Marc parece nunca perder seu espírito juvenil e colorido.   

  Aos 60 anos, Marc Jacobs acumula prêmios CFDA e tem uma estrela na Calçada da Fama da Moda em Nova York. Seu impacto como influenciador é tão notável quanto sua carreira de designer, evidenciado pelos 2 milhões de seguidores no Instagram. Jacobs demonstra, mais uma vez, que é e sempre será uma figura influente no mundo pop.

 

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Com grande influência de Elsa Schiaparelli, o movimento que completa o centenário deixa um legado na moda contemporânea
por
Nathalia Teixeira
Barbara Ferreira
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26/08/2024 - 12h

Em 2024, comemoramos o centenário do movimento surrealista, corrente artística que surgiu no início do século XX. Lançado oficialmente em Paris, por André Breton, Yvan Goll, Marcel Alland e Guillaume Apollinaire, o Manifesto Surrealista emergiu entre a primeira e segunda guerra mundial, quando diversos países europeus estavam imersos em uma crise econômica. A vanguarda nasceu para abandonar a realidade crítica e explorar o inconsciente. 

O movimento é construído por diversas áreas da arte, mas predominantemente vinculado às vertentes visuais. Elabora imagens remanescentes da  psicanálise, do inconsciente e concretiza o fim do racionalismo. Com uma maior liberdade criativa e ambientalista, rompia com o tradicional e buscava uma renovação artística. 

A ideia era promover a compreensão do ser humano em suas múltiplas facetas, explorando o rompimento das correntes das limitações entre razão e lógica. Salvador Dalí (1904-1989), pintor espanhol, tornou-se uma das referências através da exibição da capacidade plástica e visão pautada dos sonhos. Joan Miró (1893-1983), também pintor espanhol, elaborava elementos coloridos e formas biomórficas.

 

 

A tentação de Antão, Salvador Dalí (1946)
A tentação de Antão, Salvador Dalí (1946)

 

Dentre tantos outros artistas da época, a arte era experimentada de uma forma suavizada e crítica, com duas ou mais dimensões, e colagens que desafiavam a percepção convencional. No Brasil, não houve especificamente um movimento surrealista, porém durante o modernismo brasileiro, Cícero Dias (1907-2003) e Tarsila do Amaral (1886-1973) foram fortemente influenciados pelas características dessa vanguarda.

 

Barqueiro, Cícero Dias (1980)
Barqueiro, Cícero Dias (1980)

 

Proporcionando uma intersecção entre artes e diversas outras áreas, a moda aderiu ao movimento com o objetivo de desenvolver estéticas que desafiavam as convenções e os limites do que podia representar. O surrealismo trouxe para a moda uma nova linguagem visual, onde o inesperado, o absurdo e o fantástico se tornaram as principais ferramentas. O movimento introduziu a ideia de que a moda não precisa ser apenas prática ou decorativa, mas também um meio de expressar a complexidade do ser humano.


O legado de Elsa Schiaparelli
No século XX, o surrealismo encontrou uma expressão única dentro da moda nas criações de Elsa Schiaparelli. Nascida em Roma, em 1890, Schiaparelli mudou-se para Paris na década de 1920, onde estabeleceu sua maison e começou a desafiar as convenções da alta-costura. Sua abordagem inovadora fez com que ficasse conhecida por ser a estilista mais audaciosa da época, transformando a moda em uma forma de arte. Ela era conhecida pela ousadia em transformar o ordinário em extraordinário, utilizando tecidos metálicos, plásticos e até mesmo papel em suas criações.
Além de revolucionar o cenário da moda, ela pode trazer collabs icônicas para o seu portfólio . Fazendo jus ao surrealismo, Schiaparelli fez algumas colaborações com Salvador Dalí, como "Lobster", em 1937. A obra foi um dos maiores sucessos da artista, que capturava o espírito lúdico e provocador do movimento.

 

Foto: Indigital.tv
Lobster Dress; foto: Indigital.tv

 
Durante sua trajetória, a estilista usou e abusou de materiais e formas inusitadas, como botões em formato de insetos, zíperes expostos e silhuetas que desafiam a anatomia tradicional. Também foi pioneira em cores vibrantes, sendo lembrada pelo "rosa choque", que se tornou uma assinatura própria. Suas coleções eram frequentemente inspiradas por temas lúdicos e surrealistas, como a astrologia e a fantasia, refletindo uma visão de moda que transcendia a simples funcionalidade e se tornava uma forma de arte e expressão pessoal. A capacidade de Schiaparelli de unir o humor com a alta-costura fez que suas peças se tornassem verdadeiras obras de arte, celebradas pela originalidade e impacto no cenário da época, rompendo uma rigidez até então presente.

 

Zsa Zsa Gabor veste Schiaparelli no filme Moulin Rouge; Foto: Getty Images
Zsa Zsa Gabor veste Elsa Schiaparelli no filme Moulin Rouge Foto: Getty Images


 
Elsa Schiaparelli apresentou um novo conceito de fazer moda como um meio de expressão pessoal e artística, se opondo ao conservadorismo e abrindo caminho para futuras gerações de estilistas. Sua visão inovadora continua a inspirar a moda contemporânea, mantendo seu legado vivo em coleções que celebram a ousadia, a criatividade e o inesperado e com referências ao movimento artístico.
 
Referência ao movimento no Brasil
Não só na Europa podemos ver o surrealismo presente nas passarelas. Em 2021, o estilista brasileiro Leandro Di Tomazoni brilhou nas passarelas, no desfile de sua marca Chapelle, com uma coleção que abusava das referências às obras de Salvador Dalí. Apresentado na CASACOR Paraná, o desfile contou com 40 peças e 21 looks completos, e aconteceu dentro de uma piscina, reforçando o compromisso em explorar a moda como uma expressão artística, honrando o legado do surrealismo.

 

Chapelle; Foto: Divulgação/Izadora Padilha
Chapelle; foto: Izadora Padilha


 

Chapelle; Foto: Divulgação/Izadora Padilha
Chapelle; foto: Izadora Padilha

O surrealismo influenciou um movimento revolucionário na moda, abrindo caminho para que estilistas pudessem explorar o imaginário sem limitações e transformar o vestuário em verdadeiras obras de arte. Graças à ousadia de pioneiros, como Elsa Schiaparelli, Jean Cocteau, Leonor Fini, Alberto Giacometti e outros, hoje os designers têm a liberdade de brincar com estampas arrojadas e formas lúdicas, trazendo à tona criações que vão além do funcional e tornam-se expressões artísticas. Os desfiles surrealistas desafiaram as normas do conservadorismo e expandiram os horizontes da moda, permitindo que a criatividade e o conceito superem as convenções tradicionais, impulsionando uma evolução constante no mundo da alta-costura.
 

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Estilista que completaria 88 anos, transformou o segmento com inovações ousadas e colaborações marcantes
por
Clara Maia de Castro Ribeiro
Pietra Nelli Nóbrega Monteagudo Laravia
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22/08/2024 - 12h

Neste mês de agosto, o lendário estilista Yves Saint Laurent completaria 88 anos de idade. Nascido no primeiro dia do mês, em 1936, na cidade de Orã, na Argélia, Yves Henri Donat Mathieu-Saint-Laurent posteriormente se tornou um dos nomes mais influentes da moda do século XX. Sua marca homônima, fundada em 1961 ao lado do parceiro Pierre Bergé, revolucionou a alta-costura, trazendo uma visão inovadora e ousada que permanece relevante até hoje.

Yves Saint Laurent começou sua carreira aos 17 anos, quando se mudou para Paris e foi descoberto por outro grande nome da indústria, Christian Dior. Aos 21 anos, após a morte de seu mentor, foi nomeado diretor criativo da Maison Dior, tornando-se o mais jovem estilista a liderar uma casa de alta-costura, destacando sua nova visão de design, com uma silhueta em trapézio.

Depois de assinar seis coleções de sucesso para a Christian Dior, Yves Saint Laurent foi convocado para lutar na guerra de independência argelina, em 1959. Este período foi marcado por diversas dificuldades em sua vida pessoal, tendo sofrido com depressão, ansiedade e com sua demissão da casa de alta-costura Dior. Porém, seu sócio e futuro marido, o empresário Pierre Bergé, consegue trazer Saint Laurent de volta à França. Juntos, fundaram a própria marca em 1961: Yves Saint Laurent, que rapidamente conquistou o mundo da moda com sua abordagem vanguardista.

A Yves Saint Laurent é amplamente reconhecida por introduzir o smoking feminino Le Smoking, lançado em 1966. A peça desafiou normas de gênero e se tornou um símbolo de empoderamento feminino.
 

Smoking feminino Le Smoking
Modelo Danielle Sauvajeon no desfile de moda de Paris em 1968 vestindo o Le Smoking. (Foto: Bill Ray)

Esse espírito inovador do estilista refletiu também em suas colaborações. Entre as mais notáveis, destaca-se a parceria com o artista Piet Mondrian, que resultou no icônico vestido Mondrian, um marco na integração entre moda e arte.

Mas a relação do estilista com a arte não parou por aí, já que Laurent teve inspirações baseadas nas obras de Andy Warhol, Henri Matisse, Picasso e Van Gogh em suas criações.
 

Vestido Mondrian
Vestido Mondrian, por Yves Saint Laurent, 1965 (Foto: François Larry)

Além disso, Yves Saint Laurent foi um dos primeiros estilistas a estabelecer colaborações estratégicas com outras marcas. Seu trabalho com a L'Oréal ajudou a expandir a presença da marca no mercado de cosméticos, consolidando o nome YSL em um universo mais amplo de produtos de luxo. Saint Laurent também vestiu celebridades e figuras influentes da cultura pop, como Catherine Deneuve – amiga pessoal do estilista, aclamada pelo próprio como sua musa - , reforçando a ligação da marca com a indústria da sétima arte.
 

Catherine Deneuve e Saint Laurent
Catherine e Yves Saint Laurent (Foto: Getty Images)

O vínculo entre criador e musa começou timidamente em 1965, quando a atriz adquiriu um vestido do estilista para um evento em Londres com a presença da rainha. No ano seguinte, Saint Laurent e Deneuve colaboraram no filme “A Bela da Tarde” de Luis Buñuel, marcando o início de uma parceria duradoura. Em uma era dominada pela minissaia, o personagem de Deneuve, Séverine, usava a peça um pouco acima do joelho, resultando em um visual sofisticado e perene. Para garantir que suas criações transcendem o tempo, Saint Laurent optou por não seguir as tendências da moda efêmera.

Décadas após sua estreia, o legado de Yves Saint Laurent continua a influenciar e inspirar o mundo da moda. Sua habilidade em fundir a tradição com a modernidade, através de criações que transcendem as tendências momentâneas, estabeleceu uma nova referência para a elegância e o poder feminino.

Mesmo após sua aposentadoria e subsequente falecimento em 2008, a grife Saint Laurent permanece com fonte na inovação, mantendo uma proposta que equilibra a sofisticação com uma ousadia inconfundível. Destacando uma alfaiataria inovadora, silhuetas sedutoras e estampas exóticas que traduzem uma elegância audaciosa e original.

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Conhecido por suas peças exclusivas feitas à mão em colaboração com artesãs brasileiras e pelo impacto positivo que causa no cenário da moda
por
Giovanna Montanhan
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07/08/2024 - 12h

Nesta terça-feira (06), ocorreu a estreia do designer brasileiro na semana de moda de Copenhague. A coleção ‘Roadtrip’, de primavera/verão 2025, faz parte de uma extensão que foi apresentada no último São Paulo Fashion Week, em 2023 

O estilista João Maraschin é gaúcho, natural de Caxias do Sul. Ele se mudou para Londres, onde mora há mais de seis anos, após trabalhar como assistente do designer Ronaldo Fraga. Durante sua estadia, adquiriu experiência trabalhando com marcas renomadas como JW Anderson, Gucci e Alexander McQueen. Em 2020, fundou sua marca homônima .

Sustentabilidade pode ser a palavra-chave para definir suas criações, que envolvem o trabalho de muitas artesãs, tecendo o que nenhuma máquina, nem a mais tecnológica do mercado, poderia fazer. Por esse motivo, a etiqueta estreou na semana de moda de Copenhague, que é inteiramente dedicada a marcas que têm a responsabilidade ambiental como um pilar fundamental.

A semana de moda de Copenhague teve sua primeira edição em 2006. Em 2010, começou a se destacar no cenário global por firmar um compromisso com a sustentabilidade, assim como a própria cidade já era conhecida por sua abordagem avant-garde (termo que designa caráter vanguardista e inovador), em relação ao meio ambiente. Isso impulsionou significativamente o evento, que veio a adotar práticas mais ecológicas em suas apresentações. Em 2012, a organização começou a implementar iniciativas para reduzir seu impacto ambiental, incluindo o uso de materiais reciclados. Em 2020, o comitê da CPFW estabeleceu metas ambiciosas para reduzir as emissões de carbono, cujo objetivo final era promover o desperdício zero até 2023 e continuar fomentando a moda circular.

Para a revista Harper 's BAZAAR, João explicou o motivo pelo qual escolheu continuar apresentando a coleção 'Roadtrip' neste evento e afirmou: '’Não há mentoria ou dinheiro, mas um acompanhamento para seguir planos de transformar o impacto negativo em positivo. É uma prática muito única na indústria, onde a sustentabilidade é usada como ferramenta de marketing e greenwashing. Esta é a semana que mais condiz com meus valores e com o que a marca significa’’.

O estilista executou uma coleção extremamente sofisticada, sem deixar de lado o trabalho manual, que é o protagonista de todas as suas criações. A partir disso, o streetwear ganhou uma nova roupagem, com novas texturas, cores e transparências.

 Há quem diga que moletons não são bem o que se espera quando falamos em moda de verão, especialmente em um país tropical. No entanto, o trabalho de João Maraschin se diferencia ao permitir que a brasilidade das peças floresça na delicadeza dos detalhes, como na presença das rendas, dos crochês e do macramê.

Esta coleção ainda passará por Paris e Milão, retornando para São Paulo em outubro para a edição N58 da São Paulo Fashion Week, encerrando este ciclo. 

look 1
Foto: Getty Images

 

 

 

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Foto: Getty Images

 

 

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Foto: Getty Images

 

 

 

 

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Foto: Getty Images

 

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A escolha do uniforme brasileiro não agradou o público e COB afirma que o foco é outro.
por
Bruna Quirino Alves
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26/07/2024 - 12h

 

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) estreou o uniforme que será usado pela delegação durante as Olimpíadas deste ano, sediada em Paris. O design do uniforme utilizado na cerimônia de abertura foi criado pela Riachuelo, uma das maiores redes varejistas do país. 

As roupas consistem em blusas listradas, verdes e amarelas, calças brancas para os homens e saias abaixo do joelho para as mulheres, além de jaquetas jeans personalizadas por bordadeiras de Timbaúba dos Batistas, no Rio Grande do Norte. 

Atletas em fila vestindo o uniforme olímpico em evento
Atletas desfilam vestindo o uniforme em evento no Rio de Janeiro. Foto: Alexandre Loureiro/COB

 

Segundo o COB, as roupas foram pensadas e produzidas a partir de um processo de confecção sustentável e artesanal, tendo em mente o conceito de moda circular e a valorização da biodiversidade brasileira. 

Porém, a modelagem das roupas não atendeu às expectativas do público (nem de alguns atletas), que chegou a demandar que os uniformes fossem refeitos por outras marcas. Estilistas renomados no país, como Weider Silverio e Mayara Jubini, pontuaram que a simplicidade e a modéstia que as peças apresentam não refletem a cultura brasileira, além da falta de representação indígena nos modelos, que é uma das maiores heranças do país. 

Os uniformes apresentados por delegações de outros países evidenciam a falta de identidade brasileira nas peças nacionais. Os trajes de outras equipes trouxeram, além de referências culturais notórias, autenticidade e elegância na estética - se destacando na mídia.

O modelo que mais chamou a atenção nas redes sociais foi o da Mongólia. As peças foram assinadas pela grife de luxo Michel & Amanzoka, das irmãs e designers Michel Choigaalaa e Amazonka Choigaalaa. A modelagem foi inspirada nas vestimentas tradicionais do país: túnicas e mangas longas. Conta com bordados de símbolos relevantes na cultura mongol, como o Sol e a Lua, e um falcão — como símbolo de força e resiliência. Também possuem homenagens às Olimpíadas, com a tocha e o emblema dos Jogos de Paris presentes nos bordados.

Modelos vestindo o uniforme da Mongólia
Uniforme da Mongólia apresentado pela grife Michel & Amazonka. Foto: Divulgação/Michel&Amazonka

Paulo Wanderley, presidente do Comitê, conversou com jornalistas na base do Time Brasil na França e rebateu as críticas ao uniforme afirmando: “'Não é Paris Fashion Week, são os Jogos Olímpicos”. Outros executivos do comitê opinaram de acordo com o presidente, dizendo que ainda escolheriam o mesmo uniforme – que supostamente apresenta “elementos da moda parisiense”. 

Alguns fatores podem ter passado despercebidos nessa discussão: o fato de Paris ser a sede olímpica e um dos berços da moda aumentou as expectativas do público quanto à estética das roupas, principalmente pela exposição que os Jogos trazem para os países e para as marcas que produzem os uniformes. 

Além disso, dar a entender que moda e esporte não se misturam é um contrassenso, principalmente quando as últimas décadas da história da moda provam o contrário. 

Muitas grifes renomadas começaram suas produções com um propósito voltado para o esporte, como a Lacoste por exemplo, que desenvolveu a camisa polo para ser usada durante partidas de tênis, com o propósito de facilitar a mobilidade dos jogadores. O famoso tênis All Star, da marca Converse, foi idealizado para jogadores de basquete e foi utilizado no esporte por anos. 

Nos dias de hoje, o sportwear é uma dos segmentos mais relevantes da moda e atletas também são reconhecidos por sua relação com a moda, além do âmbito esportivo. 

Lewis Hamilton, piloto de Fórmula 1, se consolidou como um ícone fashion, dentro e fora das pistas. O piloto deixa claro sua afeição pela moda e suas escolhas de look chamam atenção pelas estampas chamativas e o uso de formas e cortes ousados.

Lewis Hamilton em macacão preto e branco do estilista Rick Owens
Lewis Hamilton vestindo Rick Owens no Grand Prix de Imola. Foto: Stefano Guidi/Getty Images

Nas Olimpíadas, Sha’Carri Richardson é uma atleta que vai roubar os holofotes. A atual campeã mundial dos 100 metros rasos mantém sua autenticidade durante as provas de atletismo. 

Sha’Carri esbanja o maximalismo em acessórios e seus diferentes tipos de penteados, desde laces coloridas até tranças, porém sua marca registrada são as suas unhas. A velocista usa unhas longas, coloridas e em diversos formatos enfeitadas com pedrarias. 

Em entrevista para a revista KSL Sports, a atleta estadunidense afirma querer trazer beleza para as pistas de atletismo. 

Sha’Carri quer se sentir bonita nas competições, assim como fora delas e suas unhas, segundo ela, além de aumentarem sua autoestima, também melhoram sua aparência enquanto compete. 

 

Moda e esporte nunca andaram tão juntos quanto agora. 

Sha'Carri Richardson mostrando suas unhas
Sha’Carri Richardson exibindo suas unhas. Foto: Divulgação/Instagram

 

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