Roupas que atravessam gerações, peças garimpadas em brechós e uma indústria que produz em ritmo acelerado mostram que repensar a moda passa pela relação com aquilo que já existe
por
Sophia Coccetrone
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28/09/2026 - 12h

Por Sophia Coccetrone

 

Todos os dias, Sibelle Oliveira leva cerca de uma hora e meia para chegar ao seu brechó, na República, região central de São Paulo. Moradora do Jardim Peri, na zona norte da cidade, ela costuma fazer o trajeto de ônibus para economizar. No caminho, carrega sacolas e malas cheias de roupas que serão garimpadas, higienizadas, avaliadas e colocadas à venda no seu brechó. Aos 29 anos, divide a rotina entre o brechó, o trabalho como esteticista e possui sua carga de ensino técnico de Marketing. O negócio começou de outra maneira. No Brechó Vertical, prédio localizado na República que reúne diferentes brechós, ela inicialmente tentou desenvolver um espaço voltado à estética. Porém, a ideia não se sustentou sozinha. Foi então que decidiu transformar também sua relação com as roupas em trabalho e criou o Brecholezeiras.

Desde então, boa parte das tarefas fica por sua conta. É ela quem procura as peças, seleciona, higieniza, organiza, pensa na apresentação e atende as clientes. O trabalho acontece entre deslocamentos, estudos e outras atividades profissionais. Afirma que é um trabalho muito louco, e é para quem tem disposição.

Para chegar até ali, Sibelle precisa carregar fisicamente o próprio negócio em meio ao transporte público da cidade de São Paulo. “É assim que eu sigo lutando na correria para sustentar meu próprio negócio”.

A história de Sibelle revela uma das faces menos visíveis do consumo de segunda mão. Antes de uma peça chegar ao cabide de um brechó, existe uma série de escolhas, deslocamentos e trabalhos. E, depois que ela é vendida, sua história continua por mais algum tempo, agora no guarda-roupa de outra pessoa.

 

Brechós em São Paulo: veja 14 lojas para garimpar em SP - 04/10/2025 -  Passeios - Guia Folha

Corredor do Brechó Vertical - Imagem: Folha/UOL

 

Para Sibelle, vender roupas usadas não representa apenas uma alternativa de consumo. É também uma forma de trabalho e de construir uma identidade. A maior parte de suas clientes são mulheres próximas de sua idade, entre 20 e 30 anos, que procuram peças diferentes e, muitas vezes, encontram no brechó uma possibilidade de comprar produtos que seriam mais caros novos ou buscar mais alternativas para seu estilo pessoal. Ela afirma que geralmente quem consome muito de brechó, só vive de brechó.

A relação de Sibelle com as roupas também mudou a maneira como ela se veste. Ao passar boa parte dos dias procurando peças e pensando em quem poderia usar, ela começou a entender o garimpo não apenas como uma tarefa comercial, mas como uma forma de descobrir estilos e observar as diferentes maneiras pelas quais as pessoas constroem sua identidade.

Há também uma questão econômica. Para ela, comprar de segunda mão pode significar encontrar produtos de marcas conhecidas por valores mais acessíveis, além de peças antigas ou que já não são produzidas. Mas a escolha também está relacionada ao destino das roupas. Quando uma peça usada encontra uma nova dona, ela deixa de ser apenas algo que poderia ocupar espaço em um armário ou ser descartado. Passa a circular novamente. É uma lógica semelhante à da economia circular, em que produtos permanecem em uso por mais tempo antes de serem transformados em resíduos.

O professor Urbano Nobre, da PUC-SP, observa esse processo a partir da própria duração dos produtos. Para ele, uma das formas mais concretas de tornar o consumo mais consciente é fazer com que aquilo que já foi produzido permaneça em circulação por mais tempo.

 

“Uma das formas de você transformar de forma objetiva o consumo em algo consciente é você alongar a vida dos objetos, fazer com que o ciclo de produção e reprodução de consumo se alongue a três, quatro, cinco estágios.”

A experiência de Sibelle mostra esse prolongamento acontecendo na prática. Mas também evidencia que o consumo de segunda mão não elimina sozinho os problemas da indústria. Para que uma roupa chegue ao brechó, ela primeiro precisou ser produzida. E, enquanto novas peças continuam sendo fabricadas em grandes quantidades, o desafio permanece sendo diminuir a velocidade com que roupas entram e saem dos guarda-roupas.

Uma vida entre o tecidos e não-tecidos

Se Sibelle encontra novas histórias para roupas que já existem, Monika Debasa passou boa parte de sua trajetória pensando em como elas são produzidas. Professora de Moda da Faculdade Santa Marcelina e especialista em têxteis, Monika construiu sua carreira entre a indústria, a pesquisa e o ensino. Formada em Design pela FAAP, passou por diferentes experiências no setor têxtil, trabalhando com estamparia, padronagem, desenvolvimento de produtos e gestão.

Ainda no início da carreira, teve contato direto com o chão de fábrica durante um estágio na TDB Tecidos, empresa voltada à produção de malharia circular para beachwear e lingerie. Depois, atuou em Minas Gerais na área de algodão e desenvolveu uma coleção de estampas. Também trabalhou na Horizonte Têxtil, onde entrou em contato com pesquisas de tendências e chegou a administrar departamentos.

Foi nesse percurso que as questões relacionadas aos materiais e aos resíduos começaram a ganhar espaço em seu trabalho. Em 2009, Monika realizou testes com o Lonapet, tecido produzido a partir de garrafas recicladas de Guaraná Antártica. O material mantinha a cor verde das garrafas e também incorporava restos de fibras curtas de algodão a novos testes.

A experiência fazia parte de uma preocupação maior: entender que a sustentabilidade não começa depois que uma roupa é descartada. Ela também está presente na escolha das fibras, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça permanecer em uso. Monika diz que a estética é, frequentemente, o primeiro fator de atração. A funcionalidade, por sua vez, deve ser adaptada ao contexto de uso. Contudo, a durabilidade é o pilar central da sustentabilidade. Quanto mais duradoura uma peça, mais sustentável ela se torna.

Para ela uma roupa não pode ser considerada sustentável apenas porque foi produzida com determinado material. A fibra utilizada, a qualidade da fabricação, o conforto, a possibilidade de manutenção e até a maneira como a peça é lavada interferem em sua vida útil.

Essa perspectiva acompanha sua trajetória acadêmica. Depois da experiência na indústria, ela se especializou em moda e gestão e realizou mestrado na área de design têxtil na EACH-USP. A pesquisa e a prática profissional passaram a caminhar juntas, até que o ensino se tornou uma parte central de seu trabalho.

Do ativismo à sala de aula

A preocupação de Monika com a sustentabilidade também ultrapassa os processos industriais. Ela participa do Fashion Revolution, movimento internacional criado após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013, que matou mais de mil trabalhadores da indústria têxtil e colocou em evidência as condições de trabalho e produção do setor.

Como uma das embaixadoras brasileiras do movimento, Monika participa de ações voltadas à transparência, às condições de trabalho e à responsabilidade ambiental na moda. Ela costuma comparar o Fashion Revolution a uma espécie de “Greenpeace da moda”, justamente pela tentativa de aproximar questões ambientais e sociais do cotidiano da indústria.

A discussão também chega à Faculdade Santa Marcelina. Um exemplo é o “Setembro da Segunda Mão”, projeto de troca de roupas que incentiva os alunos a fazerem as peças circularem novamente. Na edição mais recente mencionada pela professora, 375 peças foram trocadas. A iniciativa parte de uma ideia simples: Monika gosta de reforçar que a melhor roupa é aquela que já existe.

É uma mudança de perspectiva que também aparece no trabalho de Sibelle. Enquanto Monika discute a durabilidade antes e durante a produção, Sibelle trabalha justamente no momento seguinte, quando a roupa poderia ser esquecida, acumulada ou descartada.

A roupa como trabalho

No cotidiano de um brechó, entretanto, prolongar a vida de uma peça não acontece de maneira automática. Sibelle precisa encontrar as roupas, transportá-las, selecionar o que pode ser vendido, higienizar cada peça, organizar o espaço, fotografar ou apresentar os produtos e conversar com as clientes, tudo sozinha. 

O esforço também aparece na maneira como Sibelle transforma sua própria rotina em expressão. Ela faz rimas de rap improvisado para retratar o trabalho e as situações que vive todos os dias, usando a música como uma maneira de registrar a experiência de manter um negócio próprio e se manter no "corre" do dia a dia.

O brechó, nesse sentido, está longe de ser apenas um espaço onde uma roupa usada muda de dono. Existe uma cadeia de trabalho por trás de cada peça que chega ao cabide. E existe também uma relação afetiva: alguém escolheu aquela roupa antes, alguém decidiu não descartar e outra pessoa agora encontrou nela uma nova oportunidade

O problema começa antes do descarte.

A trajetória de Sibelle acontece em contraste com um mercado de moda cada vez mais acelerado. Segundo dados citados pela CNN Brasil, a quantidade de peças de vestuário produzidas no mundo dobrou desde os anos 2000. No mesmo período, os consumidores passaram a comprar cerca de 60% mais roupas, mas a utilizá-las durante aproximadamente metade de sua vida útil. O problema, portanto, não está apenas no momento em que uma roupa vira lixo. Ele começa antes, na quantidade de peças produzidas, na velocidade com que são substituídas e na forma como o consumidor se relaciona com elas, além da forma do descarte que muitas vezes é irresponsável ambientalmente. 

A experiência de comprar uma roupa nova parece simples, mas envolve uma cadeia que passa pela obtenção da matéria-prima, produção, uso de água e energia, processos químicos, transporte, venda e, finalmente, descarte. É nesse intervalo entre produção e descarte que histórias como a de Sibelle ganham importância. Um brechó não interrompe a produção em larga escala, mas cria uma possibilidade para que algumas peças permaneçam em circulação.

Crescer sem ultrapassar os limites

A relação entre crescimento econômico e limites ambientais também é discutida pelo professor José Geraldo Portugal Júnior, vice-coordenador da FEA PUC-SP. A partir do conceito de Economia Donut, desenvolvido pela economista Kate Raworth, Portugal trabalha com a ideia de que uma sociedade precisa garantir condições mínimas de vida para as pessoas sem ultrapassar os limites ambientais do planeta.

Aplicada à indústria têxtil, essa perspectiva coloca a questão sobre como atender às necessidades de uma população crescente sem depender de uma produção cada vez maior de roupas que são utilizadas por períodos cada vez menores. A resposta não está apenas em trocar um tecido por outro. É preciso observar toda a cadeia e, principalmente, a quantidade de produtos colocados em circulação e o tempo que eles permanecem em uso.

Materiais alternativos, como fibras produzidas a partir do cânhamo, podem fazer parte dessa transformação, dependendo das condições de cultivo e processamento. Mas substituir uma matéria-prima não resolve por si só o problema de uma indústria baseada em produção e consumo acelerados.

A mudança também passa pela maneira como as marcas comunicam seus produtos. Em um mercado no qual a sustentabilidade ganhou valor comercial, existe o risco de que termos como “ecológico”, “consciente” ou “sustentável” sejam utilizados como estratégia de comunicação sem que mudanças correspondentes aconteçam nos processos produtivos. É o chamado greenwashing.

Por isso, a sustentabilidade não pode ficar restrita à publicidade. Ela precisa aparecer nas decisões sobre materiais, produção, qualidade, durabilidade, condições de trabalho e destino dos produtos.

A trajetória de Monika ajuda a mostrar essa diferença. Sua experiência com tecidos reciclados não ficou apenas na comunicação de uma ideia sustentável: envolveu pesquisa, testes e tentativa de encontrar usos para resíduos que normalmente seriam descartados. Já o trabalho de Sibelle acontece em outro lado. Seu negócio não precisa produzir uma nova peça para vender. Ele trabalha com aquilo que já existe e contribui para evitar que o descarte seja o fim inevitável de uma roupa.

Uma transformação que começa no que já existe

A sustentabilidade na indústria têxtil não depende de uma única solução. Ela envolve quem produz, quem cria, quem vende, quem comunica e quem compra. Mas as histórias de Monika e Sibelle mostram que a transformação também pode acontecer em escalas menores.

Monika passou décadas dentro da indústria e da academia investigando materiais, processos e maneiras de tornar as roupas mais duráveis. Hoje, leva essa experiência para a sala de aula e para o ativismo. Sibelle, por outro lado, construiu um negócio independente a partir das próprias dificuldades e descobriu no brechó uma maneira de trabalhar com roupas que já existem.

No fim, as duas trajetórias se encontram em uma ideia simples: uma roupa não precisa terminar sua história quando deixa de ser nova. Para Sibelle, essa história pode continuar no corpo de outra pessoa. Para Monika, ela começa na escolha de um tecido, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça resistir ao tempo.

Em uma indústria acostumada a transformar novidade em necessidade, talvez um dos maiores desafios seja justamente aprender a olhar para aquilo que já existe para que sustentabilidade não seja apenas consumir menos, mas fazer com que as roupas tenham tempo suficiente para cumprir mais de uma história antes de se tornarem descarte.

Estilista inicia nova fase independente após deixar a direção criativa da Versace
por
João Luiz Freitas
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22/09/2026 - 12h

Donatella Versace está de volta ao comando criativo de uma marca. Nesta segunda-feira (21), durante a Semana de Moda de Milão, a estilista anunciou uma nova parceria com a Revolve, varejista global de moda e beleza, dando início a um projeto independente que irá reunir os universos da moda e da beleza.

Ainda sem nome revelado, a nova marca terá Donatella à frente da direção criativa. A primeira etapa do projeto será dedicada à beleza, enquanto a expansão para a moda acontecerá posteriormente. Os primeiros produtos estão previstos para chegar ao mercado em 2027. 

A parceria representa uma nova etapa na trajetória da estilista. Em março de 2025, Donatella deixou a direção criativa da Versace, função que ocupava desde 1997, após assumir o posto deixado por seu irmão, Gianni Versace. Desde então, permaneceu ligada à grife como embaixadora, enquanto Dario Vitale assumiu a direção criativa.

Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente
Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente - Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace

Agora, longe da casa que marcou quase três décadas de sua carreira, Donatella passa a construir uma identidade criativa própria. O projeto pretende transitar entre moda, beleza, cultura e entretenimento, enquanto a Revolve contribui com sua estrutura de comércio digital e alcance internacional.

A distribuição inicial está planejada para mercados como Estados Unidos, América Latina, Ásia-Pacífico e Oriente Médio. O nome da marca e os primeiros produtos ainda serão divulgados nos próximos meses.

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Com passagem por Miu Miu e Versace, designer tem a missão de renovar a marca sem deixar de lado os códigos construídos por Giorgio Armani
por
João Luiz Freitas
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17/09/2026 - 12h

A Armani inicia uma nova fase da sua história com a chegada de Dario Vitale à direção criativa da Emporio Armani. Além do cargo, o designer também ficará responsável pela direção criativa dos acessórios Giorgio Armani. Anunciada nesta quarta-feira (16), a escolha representa uma mudança importante para a casa italiana, que, pela primeira vez, coloca um profissional de fora da família Armani em uma posição criativa de liderança.

A nomeação acontece um ano após a morte de Giorgio Armani, fundador da marca e responsável por construir uma das identidades mais reconhecíveis da moda italiana. Enquanto Silvana Armani e Leo Dell’orco permanecem ligados à direção criativa das coleções principais, Vitale chega especialmente à Emporio Armani, linha criada em 1981 com uma proposta mais jovem e experimental dentro do grupo.

A escolha também ganha força quando observada a trajetória do designer. Formado pelo Istituto Marangoni, em Milão, Vitale passou por nomes importantes da indústria italiana, incluindo Dsquared2 e Bottega Veneta, antes de chegar à Miu Miu em 2010. Durante aproximadamente 15 anos na marca, ocupou posições de destaque e chegou a comandar o design de ready-to-wear e a área de imagem.

Dario Vitale
Dario Vitale se torna o novo diretor criativo da Emporio Armani - Foto: Jeannette Montgomery Barron/Divulgação EA.

Em 2025, Vitale assumiu outro desafio histórico ao se tornar o primeiro profissional de fora da família Versace a ocupar a direção criativa da grife. Sua passagem, entretanto, durou apenas uma temporada. Depois da aquisição da Versace pelo grupo Prada, o designer deixou o cargo em dezembro do mesmo ano. Apesar do curto período, sua estreia foi apontada por veículos especializados como um dos momentos de destaque daquela temporada.

É justamente essa experiência que pode fazer diferença em sua chegada à Emporio Armani. Vitale carrega uma trajetória construída dentro de diferentes linguagens da moda italiana, passando pelo minimalismo e pela sofisticação da Miu Miu e chegando ao maximalismo e ao glamour historicamente associados à Versace. Para a Armani, essa bagagem pode representar uma oportunidade de aproximar a Emporio de uma geração mais jovem sem necessariamente romper com os códigos estabelecidos pela casa.

Seu primeiro grande teste à frente da Emporio Armani já tem data marcada: a coleção de verão 2027 será apresentada durante a semana de moda de Milão, em 24 de setembro. Será a partir dela que será possível observar como o designer pretende traduzir sua assinatura para o universo construído por Giorgio Armani.

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Patricia Bonaldi transforma a paisagem e a arquitetura dos jardins modernos em silhuetas, bordados e volumes que celebram a exuberância brasileira
por
João Luiz Freitas
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16/09/2026 - 12h

A paisagem brasileira ganhou novas formas na passarela da New York Fashion Week nesta terça-feira (15). A PatBO, marca comandada pela estilista Patricia Bonaldi, apresentou sua coleção primavera/verão 2027 em Domino Square, em Williamsburg, no Brooklyn, levando para um dos principais calendários da moda internacional uma interpretação contemporânea de natureza e do paisagismo brasileiro.

Intitulada “Splendid Brazil”, a coleção parte de uma referência que vai além da representação literal da flora nacional. A inspiração está nos jardins modernos brasileiros e, principalmente, na maneira como paisagistas do período modernista organizaram a natureza para transformá-la em uma linguagem visual própria.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

“O ponto chave não é criar uma coleção sobre plantas, mas traduzir a maneira como eles organizaram a natureza”, explica Bonaldi, fundadora e diretora criativa da PatBO em vídeo disponibilizado no Instagram da marca.

A proposta aparece na passarela por meio de silhuetas orgânicas, volumes escultóricos, bordados botânicos abstratos, texturas e blocos de cores vibrantes. Em vez de simplesmente reproduzir flores e folhas nas roupas, a coleção transforma elementos da paisagem em construção de moda. Curvas são convertidas em recortes, volumes remetem a formas escultóricas e os ornamentos aparecem integrados à própria estrutura das peças.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

A referência à natureza também aparece nos trabalhos de superfície. Estampas florais combinadas com bordados e desenhos abstratos, enquanto algumas peças parecem transportar para o corpo a composição de um jardim. A intenção, segundo Bonaldi, é justamente fazer com que a paisagem deixe de ser apenas uma imagem e passe a funcionar como estrutura.

Model Board do desfile da PatBO
Model Board do desfile da PatBO - Foto: @jonatasjacque/Instagram

Ao levar essa interpretação para Nova Iorque, a PatBO reforça também o espaço que a moda brasileira vem buscando ocupar internacionalmente. No último dia da temporada primavera/verão 2027 da NYFW, a  marca colocou o artesanato, a exuberância e referências da arquitetura paisagística brasileira no centro da discussão, mostrando que a identidade brasileira pode ser ponto de partida para uma moda global.

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Na The Art of Loving Tour, a cantora britânica leva vestidos, brilhos, franjas e glamour aos palcos
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Livia Vilela
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17/08/2026 - 12h

Eu não sei você, mas eu queria ser amada como Simone Beyene ama Olivia Dean. É difícil assistir a um show da cantora britânica e não chegar a essa conclusão. Quando Olivia Dean sobe ao palco, os vestidos brilham, as franjas acompanham seus movimentos, as penas flutuam atrás dela e seu figurino se torna parte indispensável do show. Por trás dessa estética própria, está Simone Beyene, stylist responsável pela imagem da cantora desde o começo de sua carreira.

Aos 27 anos, Olivia Dean vive o melhor momento de sua trajetória profissional. Nascida em Londres, lançou seu álbum de estreia, Messy, em 2023. O disco apresentou ao público uma artista que mistura soul, jazz e pop com letras sobre amor, relacionamentos e amadurecimento, a partir do olhar de uma jovem mulher segura de si. Já em 2025, o segundo álbum, The Art of Loving, alavancou sua carreira. Com 12 faixas, o disco coloca o amor como tema central. Não apenas o romântico, mas também o amor-próprio, as amizades e as diferentes maneiras de se conectar com alguém. 

olivia dean vestido plumas
Vestido de plumas Self-Portrait para a turnê Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano 

Foi o The Art of Loving que também marcou sua entrada definitiva no mainstream. “Man I Need” se tornou seu maior sucesso, enquanto “Nice To Each Other” e “So Easy (To Fall In Love)” ajudaram a estabelecer a sonoridade dessa nova era. O reconhecimento veio rápido. Em fevereiro de 2026, Olivia Dean venceu o Grammy de Artista Revelação, consolidando uma ascensão que, até pouco tempo antes, acontecia de maneira mais silenciosa.

Agora, essa nova dimensão da carreira chega aos palcos com a The Art of Loving Tour, sua primeira grande turnê de arenas como atração principal. A estreia aconteceu em Glasgow, no Reino Unido, em abril de 2026, em um espetáculo que reúne músicas de seus dois álbuns. Depois de se apaixonar pelas músicas, os fãs agora encontram outro motivo para se encantar: o estilo da Olivia, que ganha cada vez mais destaque a cada apresentação. 

olivia dean conjunto branco
Conjunto de top com saia Chanel para a The Art of Loving Tour Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano

Nesse caso, os figurinos não seguem os padrões convencionais de uma estrela pop contemporânea. Não há uma dependência de bodysuits, figurinos performáticos ou produções cenográficas típicas de grandes estrelas pop. Em seu lugar aparecem vestidos de festa, tecidos fluidos, silhuetas femininas e uma estética vintage. Algumas produções são delicadas, outras são completamente cobertas por brilho. É justamente essa combinação que torna o seu estilo tão particular. 

Se os figurinos da turnê parecem tão naturais nela, é porque essa estética não começou com a turnê. Simone Beyene construiu ao lado da cantora uma imagem marcada pela experimentação, glamour e principalmente pela diversão. Fora dos palcos, essa mesma identidade aparece de uma maneira mais descomplicada, dando forma ao seu chamado "effortless glamour".

olivia dean vestido amarelo de franjas
Vestido amarelo de franjas Alaïa feito para a turnê Foto: Reprodução/ Instagram @oliviadeano 

A seleção da turnê reúne marcas como Chanel, Jacquemus, Gucci, Coperni, Self-Portrait e Alaïa. A criação dos figurinos partiu de uma referência clara nas grandes divas. O moodboard trazia nomes como: Tina Turner, Cher, Diana Ross e Josephine Baker, além da estética das décadas de 1960 e 1970. A proposta era levar o conceito de party dress, o vestido de festa, ao extremo, incorporando o brilho de Tina e Cher, a teatralidade de Diana Ross e a presença cênica de Josephine Baker.

O estilo de Olivia Dean parece nascer naturalmente de quem ela é. Suas escolhas traduzem uma imagem feminina, elegante e contemporânea que acompanha a evolução de sua música sem competir com ela. No fim, acompanhar Olivia Dean também é prestar atenção no que ela veste e aproveitar o estilo que se tornou parte de sua experiência como artista. 

Talvez essa seja a verdadeira força da imagem da cantora. Tudo parece ter sido escolhido para que ela continue contando a própria história. A roupa deixa de ser apenas roupa e passa a fazer parte da narrativa. No fim, a The Art of Loving Tour transforma o amor em música e a música em espetáculo. E, nos figurinos, Olivia encontra mais uma forma de mostrar ao público quem é. 

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Afeto, design e estética entre linhas
por
Gabriela Jacometto
Helena Haddad
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19/09/2024 - 12h


  Conhecido por seus looks “handmade” - "feito à mão" em português -  o projeto Ponto Firme surgiu em 2015 a partir da iniciativa voluntária de seu criador Gustavo Silvestre, ao fazer um workshop de crochê na Penitenciária II Desembargador Adriano Marrey localizada em Guarulhos.  A penitenciária é apenas masculina, o que fez  Gustavo se surpreender com o interesse dos detentos. 

   O estilista, que buscava por técnicas contrárias ao fast fashion, encontrou no crochê exatamente o que queria. A técnica envolve o slow fashion e o artesanal, conceitos e aspectos de moda que Silvestre sempre trouxe em suas criações. 

    Na penitenciária, alguns dos detentos já sabiam fazer crochê, porém tinham pouco repertório para desenvolver as peças, mas isso não foi problema para Gustavo e nem para os detentos. Conforme o projeto foi crescendo, mais e mais alunos foram entrando na oficina e aprendendo.

 

     O processo de criação das peças é feito inteiramente dentro da penitenciária, contando com a ajuda de ex -detentos, que, agora em liberdade, ajudam o projeto.  E claro, é fundamental que todos os participantes do Ponto Firme tenham a oportunidade de ver o resultado final. Por isso, Gustavo organiza um desfile dentro da penitenciária, completo com modelos, maquiagens, passarela e com as famílias dos detentos como convidados.

    Após chegarem a um acordo, os participantes da iniciativa  decidiram que o lucro das peças seria dividido igualmente entre os membros do projeto que já estão em liberdade. 

     A estreia do projeto foi em grande estilo na passarela do SPFW de 2018, suas peças emocionaram os presentes. A maestria no trabalho de crochê enriqueceu o evento, destacando a importância contínua de valorizar o feito à mão. O trabalho artesanal, aliado à precisão de cada look desfilado, trouxe ainda mais força ao universo da moda, fazendo com que em 2020 o projeto participasse novamente do evento.

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Imagem: Gustavo Silvestre Brasil

     

 Cruzando fronteiras, o projeto chegou a apresentar um desfile em Nova York. E fez parceria com a marca do designer sueco GERMANIER no desfile SS23. 

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Imagem: Gustavo Silvestre Brasil

     São Paulo Fashion Week N58

   A 58 edição da SPFW será realizada nos dias 14 a 21 de outubro. A semana é considerada a maior da moda da América Latina e contará com 40 coleções. Com o tema “Jóias da Rainha”, homenagem para a jornalista Regina Guerreiro, busca uma forma de “destacar o valor da memória como um instrumento para as novas gerações da moda brasileira”.

  O Projeto Ponto Firme, diferente de outras marcas, terá um desfile externo no Museu do Ipiranga, será a segunda marca a desfilar, fechando o primeiro dia da semana de moda brasileira. Conhecido pelo crochê, podemos esperar originalidade nos looks artesanais. Gustavo Silvestre, coordenador da marca, preza pela beleza da ancestralidade do crochê, casando perfeitamente com o tema da edição. A última coleção apresentada contou com roupas de paetês, feitas por crochê à mão, com certeza o novo acervo a ser apresentado irá marcar a moda brasileira novamente.

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O movimento brasileiro retorna à 58ª edição do São Paulo Fashion Week com uma coleção que celebra a diversidade do algodão, destacando a importância das fibras naturais em um mercado dominado por sintéticos.
por
Liz Ortiz Fratucci
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19/09/2024 - 12h

 

  Falta menos de um mês para a 58º edição do São Paulo Fashion Week (SPFW), que acontecerá de 16 a 21 de outubro, no Pavilhão das Artes, no Parque Ibirapuera e no Shopping Iguatemi São Paulo, além de outras locações onde acontecerão desfiles externos. Neste ano, o evento homenageará a primeira editora de moda do Brasil, Regina Guerreiro. Além das marcas tradicionais, o calendário da SPFW incluirá projetos e movimentos sociais, como o Sou de Algodão que irá apresentar sua coleção dia 18 de outubro às 19h30.

 Muitas vezes confundida como uma marca de roupas devido seus desfiles, a Sou de Algodão é na verdade uma iniciativa nacional que foi lançada em 2016, cujo objetivo é promover o consumo consciente da fibra e fortalecer a união de todos os elos da cadeia do algodão. O movimento tem como objetivo conscientizar o consumidor sobre a importância do uso de fibras naturais, em vez de fibras sintéticas, já que essas apresentam diversos impactos ambientais negativos.

 O primeiro desfile que o projeto apresentou na semana de moda de São Paulo, foi em 2022 e contou com a colaboração de 18 estilistas brasileiros. A produção ficou a cargo de Paulo Borges, idealizador do SPFW e embaixador da iniciativa, enquanto o styling foi assinado por Paulo Martinez, renomado editor de moda. A proposta da apresentação da coleção foi provocar uma reflexão sobre a moda sustentável e mostrar a versatilidade do algodão e como ele pode ser explorado além do estilo básico. A coleção contou com alfaiataria, aplicações manuais e uma diversidade de tipos de tecido feitos do material têxtil natural, como: malha, tricoline, jacquard, sarja, gaze e denim.

Modelos na passarela do desfile de 2022 da Sou de Algodão
Foto: Marcelo Soubhia/ @agfotosite

 

Na edição de 2023, o Sou de Algodão voltou a marcar presença no SPFW, novamente com a colaboração de Paulo Borges e Paulo Martinez. Desta vez, o foco foi no denim, com nove designers explorando sua versatilidade em peças desconstruídas, bordadas, com silhuetas marcantes e utilizando a técnica de patchwork.

Modelo desfilando look jeans na SPFW de 2023
Foto: Ze Takahashi/ @agfotosite

 

Para este ano, é esperado pelo público mais uma coleção colaborativa com estilistas brasileiros, possivelmente incluindo nomes já parceiros, como: Amapô, Dendezeiro, Heloísa Faria, Korshi 01, Ronaldo Silvestre e Thear.

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O penúltimo dia da semana de moda britânica trouxe para suas passarelas ancestralidade, romantismo e relembrou estilos dos anos 90 de forma inovadora.
por
NINA JANUZZI DA GLORIA
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18/09/2024 - 12h

O London Fashion Week é conhecido por ser a mais excêntrica e descolada entre as semanas de moda europeias.  No dia 15 de setembro, alguns dos destaques vieram de grandes nomes e propostas ousadas tanto na moda quanto na beleza. Entre os designers que passaram pela passarela nesse dia, se destacaram Simone Rocha, Ahluwalia e KNWLS. 

Simone Rocha

A designer de moda irlandesa, Simone Rocha, mais uma vez trouxe para suas criações uma abordagem romântica, apresentando uma coleção inspirada em casamentos, com foco em silhuetas volumosas, florais e exageradas, acompanhadas de grandes laços. A estilista apresentou suas criações em um cenário delicado, utilizando uma beleza discreta, que destacava o natural e suave, complementado por tecidos leves e tons pasteis.

Vestido da Designer Simone Rocha  Foto: Filippo Fior/Gorunway.com

Simone ainda incorporou toques artísticos nas roupas, inspirados pela natureza e tradições familiares, que foram trazidos por ela a partir de detalhes rendados, os quais refletem sua estética única de misturar moda e arte. Outro detalhe que chamou a atenção durante seu desfile, foram as aplicações de pétalas nos rostos das modelos.

Aplicação de pétalas no rosto   Foto: Getty Images

KNWLS

A marca KNWLS, dos designers Charlotte Knowles e Alexandre Arsenault, também se destacaram durante os desfiles do dia 15. A coleção da grife britânica apresentou a estética "quiet grunge"- estilo inspirado na moda grunge dos anos 1990 - explorando maquiagens de tons terrosos e neutros, com sobrancelhas raspadas​. Essa beleza exibida durante o show, foi marcada por um estilo cru e desarrumado, destacando a partir da maquiagem, o aspecto vivido e natural que se misturava combinando com a estética rebelde das roupas repletas de corsets e rendas, remetendo fortemente o estilo dos anos 1980. 

Peça que desfilou pela grife KNWLS  Foto: Daniele Oberrauch/Gorunway.com

Ahluwalia

Passou pela passarela ainda nesse dia, a marca Ahluwalia, da designer Priya Ahluwalia. Sua coleção intitulada "Home Sweet Home”, era focada na ancestralidade e pertencimento, influenciada por raízes culturais e referências pessoais, utilizando tecidos texturizados e cores vibrantes. 

Criação da marca Ahluwalia apresentada no desfile  Foto: Umberto Fratini/Gorunway.com

Priya procurou dar ênfase em elementos como os tapetes persas e indianos, utilizados no cenário. A beleza utilizada no desfile incluía perucas trançadas e maquiagens em tons terrosos, além de unhas que eram trabalhadas em designs inspirados pela ancestraliade. 

Os desfiles dessas marcas, durante o London Fashion Week, não apenas trouxeram inovação para a passarela em termos de design, mas também ressaltaram o poder da maquiagem e da beleza, como penteados, para contar por meio visual, histórias. 

 

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O estilista, com mais de 30 anos de carreira, é amplamente conhecido por sua excentricidade e criatividade, que se renova a cada nova coleção
por
Giovanna Montanhan
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18/09/2024 - 12h

Walério Araújo, um dos nomes mais emblemáticos da moda brasileira, está nos preparativos para lançar sua mais nova leva de peças no domingo (22/10), penúltimo dia da maior semana de moda da América Latina, a São Paulo Fashion Week Sempre se espera que ele entregue ousadia, irreverência e peças únicas, como só ele consegue criar.

Nesta edição do evento, serão 40 desfiles ao total, e terá como palco principal o Pavilhão das Culturas Brasileiras, localizado dentro do Parque Ibirapuera, além de locações externas como o Shopping Iguatemi, o Museu do Ipiranga e o Pavilhão Japonês. O tema, ‘As Joias da Rainha’, retrata uma forma grandiosa de homenagear a jornalista Regina Guerreiro - a mulher que ditou regras e deu uma nova roupagem ao jornalismo de moda brasileiro.

Trajetória de Walério Araújo

Com uma carreira que transcende décadas, Walério Araújo é celebrado por romper barreiras e trazer uma nova narrativa ao mundo da moda. Nascido nos anos 1970 na cidade pernambucana de Lajedo, Walério cresceu em uma família de costureiras e bordadeiras, e iniciou sua carreira na moda em 1987, após realizar um curso por correspondência. Mesmo sem uma formação acadêmica convencional em moda, seu talento se consolidou rapidamente.

Sua habilidade prática se evidenciou quando transformou um abadá da marca de cerveja Devassa em um vestido bordado com cristais Swarovski para a socialite americana Paris Hilton. A peça que se tornou um dos figurinos mais comentados do carnaval de 2010.

 

paris hilton
Reprodução: PurePeople

No ano seguinte, ele viajou para São Paulo pela primeira vez para fazer um curso presencial de desenho de moda. Em 1990, retornou à sua cidade natal e foi contratado por uma loja de tecidos na Bahia, onde trabalhou por dois anos em Paulo Afonso e Salvador. Em 1992, mudou-se definitivamente para a capital paulista, começando a trabalhar na Rua das Noivas e, posteriormente, na 25 de Março, como desenhista em lojas de tecidos.

A partir de 1994, sua carreira ganhou força ao participar do Mercado Mundo Mix -  evento alternativo que destacava novos talentos e tendências no cenário da moda nacional. Foi por meio dessa plataforma que Walério chamou a atenção de Paulo Borges, idealizador e diretor executivo da São Paulo Fashion Week. Convidado a integrar o time de estilistas do extinto evento Amni Hot Spot, Walério apresentou cinco edições de suas coleções irreverentes e criativas, com temáticas ousadas.

Desde então, ele conquistou um espaço único na indústria da moda brasileira. Seu estilo reflete suas raízes, combinando elementos da cultura pop e da cena underground. Walério sempre foi apaixonado por criar peças que contam histórias e provocam sensações. Seu talento para misturar texturas, cores vibrantes e cortes arrojados o tornou uma figura icônica, desejada por celebridades como Glória Maria, Sabrina Sato, Ivete Sangalo, Elke Maravilha, Elza Soares, Rita Lee, Dercy Gonçalves e até mesmo Hailey Bieber, firmando sua posição como um dos grandes mestres do glamour brasileiro.

 

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A jornalista Glória Maria veste Walério Araújo para o Baile da Vogue - Reprodução: Instagram

 

 

 

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A apresentadora Sabrina Sato veste um look carnavalesco por Walério Araújo - Reprodução: Instagram

 

 

 

 

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A cantora Ivete Sangalo veste uma jaqueta jeans bordada de Walério Araújo - Reprodução: Instagram

 

 

 

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A modelo Ehlke Maravikha com um adorno de cabeça repleto de perólas criado por Walério Araújo - Reprodução: Instagram

 

 

 

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A cantora Elza Soares com um visual montado por Walério Araújo - Reprodução: Instagram

 

 

 

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A cantora Rita Lee usa um acessório de cabeça feito por Walério Araújo - Reprodução: Instagram

 

 

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A humorista Dercy Gonçalves usa um look de Walério Araújo - Reprodução: Instagram

 

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A modelo Hailey Bieber com look Walério Araújo - Reprodução: Instagram

 

Momentos memoráveis no SPFW

Walério Araújo tem uma longa história com o SPFW, e a cada edição desafia o público e a crítica com coleções que são verdadeiras obras de arte.

Para quem acha que o estilista só cria roupas multicoloridas, o desfile da edição 54, em 2022, provou o contrário. Naquele ano, o gótico dominou as passarelas com tons de preto e roxo, mas sem perder seu DNA de excentricidade. Correntes prateadas, caveiras, cruzes e assimetrias, junto a ornamentos inspirados no movimento barroco, deram vida à coleção, que foi também marcada por experiências pessoais de Walério. Ele comentou, em entrevista à Vogue Brasil, que já havia feito uma coleção com estética dark há 15 anos, mas que essa tinha um peso especial.

 

walerio araujo
Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

 

gotico walerio
Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

 

 

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Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

 

gotico wa
Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

Na edição 55, em 2023, a homenageada foi Elke Maravilha. Inspirado pela extravagância e liberdade de sua musa, Walério criou um desfile que trouxe à cena toda a expressividade que ambos compartilhavam. Em entrevista ao Gshow, o estilista comentou que escolheu elementos do cotidiano de Elke, que, embora não fossem minimalistas, eram mais usáveis. Assim, recriou um look feminino criado há 16 anos, complementado por uma peruca. O desfile foi marcado por excessos, como era típico de Elke, com túnicas, vestidos, capas e acessórios de cabeça, além de referências às cores da bandeira LGBTQIAP+ e muito paetê.

 

ehllke walerio
Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

 

 

walerio araujo ehlke
Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

 

ehlke
Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

 

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Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

A coleção "Signos", apresentada na edição 56, em 2023, celebrou a astrologia de forma criativa. Walério interpretou os doze signos do zodíaco com looks cheios de metáforas visuais e uma estética maximalista. O estilista, que se autodefine como "lúdico", relatou à Vogue que mergulhou nos signos e no universo do cosplay para criar a coleção.

 

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A representação do signo de Gêmeos - Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

 

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A representação do signo de Libra - Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

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A representação do signo de Áries - Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

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A reprodução do signo de Leão - Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

E em 2024, na edição 57, Walério homenageou sua mãe, Maria do Carmo, carinhosamente chamada de Dona Neném, de 94 anos. A coleção trouxe referências nostálgicas da infância do estilista, como estampas de ovo frito e porquinhos, além de molduras com fotos de família e balões coloridos adornando as peças. Um vestido amarelo opulente representava o cuscuz, um prato tradicional nordestino. Nos bastidores, Walério contou ao portal Elas no Tapete Vermelho que seu maior objetivo era retratar os hobbies de sua mãe e mostrar seu orgulho das raízes pernambucanas.

 

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Vestido ovo frito - Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

 

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Vestido longo com porta retratos - Reprodução: Agência Foto Site/ Zé Takahashi

 

 

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T-shirt com estampa de porquinho - Reprodução:Andy Santana/Brazil News

 

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Vestido com balões - Reprodução: Andy Santana/Brazil News

 

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Vestido ''cuscuz'' - Reprodução: Andy Santana/Brazil News

 

E a conclusão a que se chega é que Walério Araújo nunca trilha caminhos previsíveis, e a edição N58 do SPFW será mais uma prova de sua capacidade de surpreender o público. A expectativa é sempre esperar pelo inesperado e audacioso.

 

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A maior semana de moda da América Latina vai acontecer entre os dias 14 e 21 de outubro e contará com a presença de grandes etiquetas da moda brasileira
por
Bianca Athaide
|
18/09/2024 - 12h

Era 1993, o Brasil tinha acabado de passar por uma crise política com o Impeachment do então presidente, Fernando Collor, e estava mergulhado em uma crise econômica feroz, cenário nem um pouco agradável para o florescimento de um movimento fashion brasileiro. Em contrapartida, nesse ambiente hostil, estava nascendo o embrião do que seria a maior semana de moda da América Latina.
 

O produtor Paulo Borges em conjunto com a empresária Cristiana Arcangeli, deram um grande passo para que a moda brasileira conquistasse espaço nos cenários nacionais e internacionais, quando criaram o Phytoervas Fashion - evento que em sua primeira edição contou com apenas nove desfiles, durante 3 dias, em um galpão na Vila Olímpia, zona oeste de São Paulo.

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Primeira edição Phytoervas Fashion, em 1993 - Foto: Jum Nakao/reprodução/site oficial Jum Nakao

 

Grandes nomes atuais da moda nacional usaram a primeira edição do evento como um espécie de incubadora, entre eles Fause Haten, Glória Coelho e Alexandre Herchcovitch - que apresentou pela primeira vez na passarela do Phytoervas sua clássica estampa de caveiras, hoje conhecida internacionalmente. 

Até aquele ano, não existia nenhuma semana de moda que expandisse a produção brasileira e grande parte do vestuário nacional como majoritário, dependendo diretamente de pequenas aparições no calendário europeu. O objetivo da empreitada de Borges e Arcangeli era fomentar as criações nacionais. O êxito foi tão grande que o Phytoervas Fashion se desdobrou em oito edições, sendo a última em 1996. 

Posteriormente, houve a cisão entre a dupla de idealizadores. Cristiana manteve o nome Phytoervas, enquanto Paulo, em parceria com o Morumbi Shopping, deu início ao Morumbi Fashion Week. 

Os dois eventos conviviam em perfeita harmonia. Enquanto o primogênito enveredou mais para o lado do entretenimento - em formato de competição, o Phytoervas Fashion Award, que premiava estilistas, publicitários, jornalistas e outros profissionais da área. A modelo Gisele Bündchen, por exemplo, ganhou o prêmio de melhor modelo em 1998 - o novato se manteve forte em seu caráter mercadológico e fortalecedor da indústria nacional e foi estabelecido como o calendário oficial da moda brasileira.

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Gisele Bündchen no SPFW para Triton (2000) — Foto: Getty Images
 

 

O final da década de 90 marcou o ápice do Morumbi Fashion Week com a presença de casas internacionais na semana, como Gucci, Chanel e Versace, que além de legitimarem o evento no calendário internacional, também projetaram mais confiança para investidores, fomentando assim, indiretamente, a indústria brasileira, cada vez mais.

SPFW no novo milênio

O ano de 2001 marca a reinvenção da semana de moda brasileira como a conhecemos até hoje. Junto com o novo batismo, de São Paulo Fashion Week, veio também a primeira transmissão ao vivo, pelo site oficial do evento, com a intenção de alcançar o Brasil todo e derrubar as barreiras da elite paulistana. 

A SPFW sempre carregou em seu DNA um caráter relacionado à identidade cultural nacional. Em sua primeira edição, o estilista Ronaldo Fraga produziu uma coleção em homenagem a Zuzu Angel, que ganhou fama ao questionar, em seus desfiles, as violências do período da Ditadura Militar no Brasil. No ano seguinte, o tema de uma das duas edições foi “Moda Brasileira por Brasileiros”. Pulando para 2009, o evento homenageou o centenário de Carmen Miranda. 

Assim, a semana conquistou renome e se consagrou como a quinta maior semana de moda do calendário, atrás apenas de Paris, Milão, Nova York e Londres. O impacto da SPFW na indústria da moda brasileira é imensurável e sempre renovando suas temáticas, colocando pautas sociais importantes em foco - agora alarmando para o lado sustentável, de preocupação com o consumo e com responsabilidade social - o evento se mantém concretizado no posto de maior semana de moda da América Latina.

O que esperar da edição n58?

A próxima edição acontecerá entre os dias 14 e 21 de outubro, no Parque Ibirapuera e no Shopping Iguatemi. Com um total de 39 desfiles, divididos entre as duas localidades, a edição de número 58 do SPFW contará com o retorno de Alexandre Herchcovitch ao calendário, a apresentação externa, no Museu do Ipiranga, do projeto social Ponto Firme e a celebração dos 70 anos do Pavilhão Japonês, com o desfile de Fernanda Yamamoto. 

A semana também será palco de estreias aguardadas no cenário da moda brasileira, como Normando e Dario Mittmann​​.

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